sexta-feira, 29 de julho de 2016

Nº 19.631 - "De vice decorativo a interino vingativo! "

 

29/07/2019

 

De vice decorativo a interino vingativo!


 

Do Blog do Miro - quinta-feira, 28 de julho de 2016

Por Altamiro Borges


Em recente debate no Centro de Estudos Barão de Itararé, o ex-ministro Franklin Martins disse que o que o golpista Michel Temer se converteu de “um vice decorativo em um interino vingativo”. Ele se referia ao processo de desmonte da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), com a exoneração do seu presidente-executivo, o jornalista Ricardo Melo – medida ilegal e arbitrária que depois foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) – e a demissão de vários profissionais de renome. “Isto é censura, é perseguição política”, afirmou na ocasião. Nesta terça-feira (26), o alerta do ex-ministro foi corroborado pela onda de demissões no Ministério da Cultura – o que confirma que o vingativo usurpador detesta a democracia.

Segundo o noticiário da mídia chapa-branca, a caça às bruxas no MinC resultou na dispensa sumária de 81 profissionais e no desmonte de áreas estratégicas do ministério – como a Diretoria de Livro, Leitura, Literatura de Bibliotecas (DLLLB) e a Cinemateca. Em comunicado oficial e lacônico, o “sinistro” interino da pasta, Marcelo Calero, alegou que a onda de cortes faz parte do “processo de reestruturação” e do “desaparelhamento” da pasta, insinuando que todos os demitidos são “petistas”. Na prática, o Judas Michel Temer sempre desejou extinguir o ministério e só voltou atrás devido à forte pressão do mundo cultural, com dezenas de manifestos e protestos públicos.

Agora, irritado com a altiva resistência dos funcionários do MinC, que ocuparam vários dos seus equipamentos – como a Funarte do Rio Janeiro –, o interino vingativo parte para a retaliação. A medida fascista deve gerar mais rebeldia no mundo cultural e a tendência é de novas perseguições políticas no ministério, lideradas pelo insignificante capacho Marcelo Calero. Há boatos de que demissões podem vitimar até 140 profissionais do setor. No caso da Cinemateca, órgão responsável pela preservação do audiovisual, toda sua direção já foi exonerada – incluindo a coordenadora-geral, Olga Futemma. Para o seu lugar foi nomeado Oswaldo Massaini Filho, um agiota ligado ao mercado financeiro.

Processo macarthista de perseguição

A postura vingativa do Judas Michel Temer ficou explícita logo após a concretização do “golpe dos corruptos”, com o afastamento da presidenta Dilma Rousseff no Senado, em 12 de maio passado. Demonstrando toda sua pequenez política, o ex-vice-presidente – que confessou numa carta patética que se considerava apenas uma figura “decorativa” – passou à retaliação política mais torpe. Cancelou os voos da presidenta eleita pela maioria dos brasileiros e suspendeu, inclusive, a refeição designada à sua nova residência oficial, o Palácio da Alvorada. As iniciativas truculentas, totalmente contrárias à legislação, foram questionadas na Justiça, mas o usurpador não recuou na sua sanha vingativa.

Logo na sequência, o golpista deu início a um processo macarthista de perseguição política. Uma das primeiras vítimas foi um funcionário público que servia café no Palácio do Planalto, acusado de ser “um fiel petista”. A onda fascistoide foi festejada por uma reportagem da excitada revista Época, assinada pelo jornalista Ricardo Della Costa, “Michel Temer escalou auxiliares para desempenhar uma tarefa curiosa: caçar simpatizantes do PT escondidos no governo. A cada suspeita, os auxiliares do peemedebista buscam por registro de filiação e monitoram até as redes sociais. O nome dos encontrados param na mesa do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, para a exoneração”.

Balcão de negócios para bandidos

A onda macarthista também foi confirmada pela Folha, em reportagem publicada em 8 de junho. “O presidente interino, Michel Temer, ordenou acelerar as demissões de servidores ligados ao PT que ainda ocupam cargos no segundo e terceiro escalão do governo... A equipe do presidente interino pediu um levantamento do número de postos que ainda abrigam indicações consideradas políticas e orientou que os quadros petistas sejam substituídos o mais rápido possível. Nas palavras de um auxiliar de Temer, os funcionários ligados ao partido da presidente afastada que ainda permanecem em secretarias e diretorias ‘estão atrapalhando o andamento da gestão’. ‘O clima é de guerra’, sentenciou o assessor”.

A mídia venal, que apoiou o “golpe dos corruptos” e tem feito de tudo para embelezar a imagem do usurpador Michel Temer – sabe-se lá a que preço – ainda tentou difundir a ideia de que os demitidos – “todos petistas” – seriam substituídos por nomes de perfil técnico. Mas nem ela tem conseguido esconder que os golpistas estão loteando os cargos, entregando postos estratégicos e até mesmo do segundo escalão em troca da fidelidade dos partidos fisiológicos na aprovação definitiva do impeachment da presidenta Dilma no Senado. O Palácio do Planalto virou um agitado balcão de negócios, com a indicação de todo tipo de bandido – muitos deles com longas fichas policiais – para os cargos públicos.


golpista Michel Temer se converteu de “um vice decorativo em um interino vingativo”. Ele se referia ao processo de desmonte da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), com a exoneração do seu presidente-executivo, o jornalista Ricardo Melo – medida ilegal e arbitrária que depois foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) – e a demissão de vários profissionais de renome. “Isto é censura, é perseguição política”, afirmou na ocasião. Nesta terça-feira (26), o alerta do ex-ministro foi corroborado pela onda de demissões no Ministério da Cultura – o que confirma que o vingativo usurpador detesta a democracia.

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Nº 19.630 - "Jeferson Miola: Depois da farsa do impeachment"

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29/07/2016 

 

Jeferson Miola: Depois da farsa do impeachment


Do Viomundo - 28 de julho de 2016 às 16h39

 

temer e dilma


Depois do impeachment


por Jeferson Miola


O mês de agosto deste 2016 reserva uma decisão de importância capital para o futuro do Brasil: o impeachment fraudulento da Presidente Dilma ou será derrotado ou será aprovado no Senado da República.

A evocação de outros agostos dramáticos da história do país é inevitável. Na madrugada de 24 daquele agosto de 1954, os fascistas ancestrais dos golpistas de hoje, portadores de idênticos propósitos anti-nação e anti-povo que os atuais, levaram Getúlio Vargas ao suicídio.

No 25 de agosto de 1961, a mesma oligarquia golpista que perpetra o golpe atual tentou impedir que o vice-presidente João Goulart substituísse o ex-presidente Jânio Quadros, que havia renunciado ao mandato. Foi, porém, derrotada pela Campanha da Legalidade dirigida pelo então governador gaúcho Leonel Brizola, que garantiu a posse de Jango na Presidência.

Em agosto próximo, a votação da farsa do impeachment no Senado terá obrigatoriamente um desfecho: ou vence a democracia e a Constituição, ou vencem os golpistas conspiradores.

O resultado deste processo definirá o ambiente e o padrão da luta política no país para o próximo período. Na eventualidade de se consumar o golpe de Estado, o papel reservado às forças de esquerda, progressistas e democráticas deverá ser do combate permanente e sem concessões ao governo usurpador.

O golpe de Estado cria uma circunstância excepcional, de ruptura da ordem democrática e constitucional vigente – que só é disfarçada como “normalidade institucional” pela cobertura do Poder Judiciário aos conspiradores. Um governo usurpador, que assalta o Poder com um golpe de Estado, não merece sofrer a oposição institucional e parlamentar convencional, porque deve ser denunciado e combatido com vigor, durante todo o tempo que durar a ilegitimidade, até que a democracia e a Constituição sejam restauradas.

O objetivo dos golpistas é executar rapidamente o plano nefasto que jamais seria sufragado nas urnas: acabar com os direitos trabalhistas e previdenciários; destruir o SUS, as políticas sociais e o sistema de educação; entregar as riquezas, o petróleo e as terras do país a estrangeiros; subordinar o Brasil aos interesses das potências e transferir a renda pública nacional para a especulação financeira internacional.

Michel Temer, ironicamente, tem manifestado o desejo de conversar com Lula uma vez consumado o golpe. Uma frase resume a mensagem que o presidente usurpador deveria ouvir: não há diálogo com conspiradores; há muita resistência, luta popular e combate sem trégua aos golpistas!

Na eventualidade de derrota do impeachment, Dilma reassume o mandato que começou a ser ilegalmente interrompido na decisão da “assembléia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha”, como define a imprensa internacional a deplorável sessão de 17 de abril da Câmara dos Deputados.

Nos círculos da resistência democrática, discute-se se Dilma, uma vez reassumindo o mandato, deveria propor a realização de plebiscito no qual o povo decidiria a respeito da antecipação da eleição presidencial. Na prática, esta proposta tem o mesmo efeito do golpe, ou seja, a subtração de tempo do mandato conferido a ela por 54.501.318 brasileiros/as.

Seria impensável o Brasil assumir a punição implacável que o governo da Turquia aplicou aos golpistas derrotados daquele país. A ausência de castigo severo aos golpistas, por outro lado, deixa a democracia brasileira em permanente suspense; deixa a ordem democrática à mercê do animus golpista que de tempos em tempos – ou, de agostos em agostos – brota do DNA da oligarquia golpista. A impunidade é nefasta para a democracia.

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Nº 19.629 - "O Tijolaço não entra na onda da “vira-latice” olímpica"

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29/07/2016 

 

O Tijolaço não entra na onda da “vira-latice” olímpica

vilaolimpica


Por


Para você encontrar meu nível de simpatia pelo prefeito Eduardo Paes, vai ter de pedir uma destas sondas de petróleo e cavar bem fundo. Não é zero, é abaixo de zero.

Mas não vou entrar nessa da mídia de ficar fazendo parecer que tudo é um caos, porque não é verdade.
Há falhas – várias, em vários graus -, há insensibilidade social no caso de remoções, roubalheiras devem ter sido feitas – e não falo do público só, mas do privado.

Mas é próprio da elite midiática brasileira andar com uma lupa amplificando nossas deficiências.

Os apartamentos da Vila Olímpica – aliás, feitos pela iniciativa privada – não são nenhum pardieiro e, se não fosse a estupidez – perdão, não vejo como fugir da palavra – escrota do Prefeito com a historinha do canguru,  não era nada que 48 h de eletricistas, bombeiros hidráulico e gasistas não resolvessem.

Eduardo Paes, cujo caráter já ficou evidente no seu comportamento em relação a Dilma Rousseff – que, com Lula, são os responsáveis por grande parte das obras de mobilidade e revitalização que o Rio recebeu – ,é um personagem que não vai passar da eliminatória de outubro na Rio 2016 eleitoral.

Mas o Rio não é este personagem e nosso país não é o caos que apregoam.

O El País mostra, hoje, que confusões de última hora foram comuns em Londres, Atlanta e Sochi, na Olimpíada de Inverno, na Rússia, há dois anos. “Dá pra se hospedar na Vila Olímpica, não há nada traumático“, dizem os atletas da delegação espanhola.

O fracasso das Olimpíadas pode ser político – a ausência de metade dos chefes de Estado que se previa, por conta do impeachment –  e pelo clima de apreensão pela onda de violência mundial, na qual nossas autoridades fizeram questão de embarcar, em troca de mídia.

Esportivo não é – até porque nessa aí 7 a 1 não nos trespassa a alma – como foi o único fracasso da Copa, há dois anos atrás, com uma campanha de que tudo seria um caos. Ou alguém se esqueceu do “imagina na Copa”.

O resto é a louvação do “sport business”, interessadíssimos em explorar comercialmente a atração da competição e, com isso, promover os esportistas a uma espécie de subcelebridades.

O mundo do esporte – aliás,  o mundo e a vida real – passa muito bem sem isso.

Recomendo a todos a leitura da matéria do Globo Esporte, da qual reproduzo um trecho abaixo, sobre a frugalidade com que se hospedam e comem os atletas cubanos de luta olímpica, que estão entre os favoritos da modalidade.

É o que a inculcação dos valores da classe média que pensa ser elite não consegue assimilar: é possível e bom viver com simplicidade. Não é ser escravo, é ser livre. Escravidão é aquela que coloca faz as pessoas, como dizia Noel Rosa, tendo dinheiro sem comprar a alegria.

E viver eternamente sendo escravo desta gente que cultiva a hipocrisia.

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Vida em hostel, almoço em bar: astros
cubanos desfrutam Rio sem glamour

delegaocubana
Um grupo de homens altos, fortes e que andam sempre uniformizados tem chamado a atenção da vizinhança de um agitado hostel na Tijuca, bairro residencial da Zona Norte do Rio. É lá que a seleção cubana, dos multicampeões Mijain López, Ismael Borrero e Yasmany Lugo, escolheu para ficar nas duas primeiras semanas do período final de preparação para a Olimpíada. A rotina dos atletas tem sido treinar em dois períodos na Confederação Brasileira de Wrestling (CBW) e descansar nas horas vagas. As grandes refeições (almoço e jantar) têm sido feitas em um conhecido bar e restaurante especializado em petiscos no mesmo bairro.

A escolha do hostel como QG da seleção cubana de luta olímpica se deveu à proximidade com o centro de treinamento da CBW, que fica a cerca de 2 km. O translado para os treinos tem sido feito através de uma van, alugada pela federação cubana. Inaugurado em 2013, o hostel – que fica a dez minutos a pé do Maracanã – vem sendo a casa de alguns atletas de luta olímpica nos últimos anos, os quais se hospedam no local para se deslocarem com facilidade para a CBW. Habitué do hostel, a lutadora goiana Keila Calaça, que é suplente da seleção feminina, foi quem indicou o local aos cubanos, que não têm do que reclamar nestes primeiros dias de estadia.

– Cubanos e brasileiros são muito parecidos. No hostel e nas ruas todos nos cumprimentam. No restaurante, muitos param para tirar foto com a gente. Essa energia tem sido espetacular. Quando estamos aqui é como se estivéssemos na nossa segunda casa. O clima também ajuda muito, porque não é tão diferente de Cuba. Temos passado dias muito proveitosos, pois, como temos gasto pouco tempo para deslocamento, estamos aproveitando ao máximo o nosso tempo de treino – afirmou o chefe da delegação cubana, Raúl Trujillo.

Todo o primeiro sábado do mês, o local recebe uma concorrida roda de samba. A direção do hostel prepara uma festa de despedida para os cubanos no último fim de semana da delegação no local. A seleção de Cuba fica no hostel até o dia 2 de agosto. A partir de então, os atletas se mudarão para um hotel de grande estrutura, possivelmente na Zona Oeste. A luta olímpica da Rio 2016 começa no dia 14 e vai até o dia 21. A competição será na Arena Carioca 2, na Barra da Tijuca

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Nº 19.628 - "Petição de Lula à ONU ganha destaque na mídia internacional"

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Nº 19.627 - "A descartabilidade de Temer"


27/07/2016

A descartabilidade de Temer

 

Brasil 247 - 27/07/2016

 

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Tereza Cruvinel

O governo interino de Michel Temer estaria apenas ganhando tempo, esperando pelo desfecho do impeachment para adotar medidas fiscais mais consistentes, se tivesse adotado uma política feijão-com-arroz de transição: se, mesmo sem condições de debelar o déficit com medidas fortes, estivesse pisando no freio para evitar a expansão do gasto público. Mas, aos olhos do mercado, enquanto acenam com medidas futuras e não garantidas, como a PEC do teto para o gasto e a reforma previdenciária que incendiará o país, Temer e Meirelles pisam é no acelerador fiscal, e não no freio. Por isso a grita de aliados, que foram do editorial de O Globo à manifestação do banco Credit Suisse, passando por colunistas da grande mídia.

Se a autoconfiança de Temer não for desmedida, ele deve saber que a eventual consumação do golpe em agosto, com sua efetivação no cargo, não lhe garante os dois anos e meio de mandato. Ele é tanto ou mais descartável do que foi Dilma, que era presidente eleita.  Se fugir do figurino esperado, as mesmas elites que o puseram lá podem tirá-lo. Caminhos existem.

O primeiro, seria pela condenação da chapa Dilma-Temer pelo TSE.  Embora ele tenha apresentado um recurso pedindo que suas contas de campanha de 2014 sejam consideradas individualmente, isso não está resolvido.  E só o será quando as coisas estiverem mais claras. Se seu governo tiver conseguido restabelecer a confiança dos agentes econômicos, de forma efetiva e não fantasiosa como andou apregoando a mídia,  recorrendo até à manipulação de pesquisa como fez a Folha/Datafolha, só Dilma poderá ser condenada pela corte comandada por Gilmar Mendes. Do contrário,  a ação estará lá, para a eventualidade de uma nova troca de guarda que atenda aos interesses supremos.

Outro caminho é o de seu impeachment, caso ele se torne indesejável. Já tem o pedido que Eduardo Cunha paralisou, e existe o risco de que seja alvejado por Eduardo Cunha com uma denúncia grave que, dependendo das circunstâncias, pode turbinar o processo. Ficou claro, com o caso de Dilma, que o impeachment no Brasil é uma questão de maioria, dispensados os fundamentos jurídicos que a Constituição aponta. A mesma maioria que lhe deu a cadeira de Dilma pode tirá-la, se os que de fato mandam quiserem trocá-lo por alguém mais palatável ou confiável. Por quem, por exemplo? Por um presidente que seja eleito indiretamente pelo Congresso, a partir de janeiro do ano que que vem, como prevê a Constituição. Não precisa ser congressista – onde hoje não há ninguém credenciado ao posto. Basta que tenha o voto da maioria, que sabe obedecer.

Isso, tomando-se como certa a condenação de Dilma em agosto. Faltam quatro semanas. No julgamento, se o Senado tiver juízo, pode considerar a proposta de Dilma de ser inocentada, voltar ao cargo com a legitimidade que lhe deram as urnas, convocar o plebiscito e daí para as novas eleições seriam um passo. Um passo mais seguro para a estabilização e a relegitimação da Presidência.

Tereza Cruvinel. Colunista do 247, Tereza Cruvinel é uma das mais respeitadas jornalistas políticas do País

Nº 19.626 - "Papa vai na ferida: guerra não é religiosa, mas interesses, por dinheiro, por recursos naturais, pela dominação"

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27/07/2016

 

Papa vai na ferida: guerra não é religiosa, mas interesses, por dinheiro, por recursos naturais, pela dominação

francisco


Por


Em entrevista aos jornalistas que o acompanhavam a Cracóvia, na Polônia, para a Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco mostrou que é um dos raros líderes mundiais disposto a falar a verdade em lugar de pegar carona nas histerias discriminatórias.

 – Repete-se muito a palavra segurança, mas a [palavra] verdadeira é guerra. O mundo está em guerra, guerra aos bocados.

Falando do assassinato do padre Jacques Hamel, durante a tomada de reféns na igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray, próximo de Rouen, norte de França, Francisco disse que falava de “uma guerra a sério, não de guerra de religiões”.

 -Falo de guerra de interesses, por dinheiro, por causa dos recursos naturais, pelo domínio das populações.

O fundamentalismo não se expressa apenas no Estado Islâmico, mas em toda a vestimenta de buscar ‘a tranquilidade do passado’  com a recusa de que a velha ordem, injusta e excludente, é inviável no mundo que cresceu em gente e anulou as distâncias, pela comunicação e economia globalizadas.

A naus coloniais que transportavam o saque agora pedem apenas um “enter” no teclado de um computador.

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Nº 19.625 - "Mídia esconde denúncia de jornal inglês contra mulher de Temer"

 

27/07/2016

 

Mídia esconde denúncia de jornal inglês contra mulher de Temer


mordomias capa


por Eduardo Guimarães 

“Um dos maiores vexames internacionais a que o país poderá ser submetido nos próximos anos é o conhecido uso desmesurado de dinheiro público pela família de Michel Temer”, diz interlocutora profundamente versada em intimidades dos centros de poder.  “Marcela é o ponto fraco de Temer”, diz a fonte. “Os caprichos dela ainda vão custar caro…”.

A conversa decorreu de fato envolvendo a mulher de Temer que saiu discretamente na mídia, mas que, fosse outro grupo político a ocupar o governo federal, teria ganhado grande destaque. Ou seja: se Lula ou Dilma governassem, o tema dessa reportagem daria pano pra manga.

Ainda estão frescas na memória de quem presta atenção no Brasil as picuinhas da imprensa contra os presidentes petistas. Lá em 2004, por exemplo, o mundo quase caiu sobre a cabeça de Lula porque a imprensa cismou com um arranjo floral nos jardins do Palácio da Alvorada que reproduziria uma “estrela do PT”.

mordomias 1


A imprensa caçou ferozmente qualquer tipo de vinculação pública do então presidente Lula com seu partido, como se tal vinculação fosse segredo. O portal G1 chegou ao absurdo de questionar o fato de a esposa do então presidente, Marisa Letícia, usar um maiô com uma estrela vermelha estampada.


mordomias 3


A obsessão midiática por supostos “abusos” dos presidentes “petistas” com a res pública perdurou até a era Dilma. Reportagem do Estadão de alguns anos atrás implicava com outra “estrela petista” que teria sido plantada na Granja do Torto.

mordomias 2

Na semana passada, a imprensa noticiou que a ida de Marcela Temer e de seu filho para Brasília tem provocado mudanças na rotina e nos protocolos do Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência da República.

Uma das medidas tomadas recentemente foi a proibição do uso do estacionamento público localizado na entrada do local, que chegou a ter seu acesso bloqueado por um período logo que Temer assumiu o comando do país, em maio deste ano.

O que se sabe é que o caso não ganhou o destaque merecido. Na verdade, não ganhou destaque algum. A notícia saiu bem escondidinha e sumiu em seguida.

Marcela proibiu o uso do estacionamento porque ficou incomodada com a exposição que poderia ter e com a possibilidade de que fossem feitas fotos da área privativa do palácio caso a imprensa ficasse naquele lugar.

Quando a imprensa vai cobrir a Residência Oficial do presidente da República, seguranças vêm indicando outra região onde os carros de reportagem e veículos particulares podem ser estacionados.

Esses locais são improvisados. Ficam em um canteiro de grama, afastado da entrada do Jaburu, que teve o meio-fio quebrado para facilitar o acesso, ou em faixa de asfalto com a marcação de proibição para o tráfego.

As demarcações são irregulares, mas estão lá porque “dona Marcela quer”.

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República negou que a restrição ao uso do estacionamento público tivesse sido pedida por Marcela, mas não explicou por que tal medida só foi tomada após a chegada dela ao Palácio.

mordomias 4

Seja como for, a restrição intempestiva e inédita de uso de área pública simboliza um comportamento da família presidencial que em outros tempos geraria “indignação” na imprensa antipetista.
A fonte do Blog citou esse caso como decorrente de histórias sobre o comportamento de ditador de república bananeira que se diz que vem sendo adotado por Temer, sobretudo após virar presidente interino.

Em maio último, o tabloide  inglês “Daily Mail” publicou extensa reportagem sobre Marcela dando conta de uma vida de “família real” que os Temer se dão à custa de dinheiro público.
http://www.dailymail.co.uk/news/article-3592502/New-York-shopping-trips-two-maids-racy-Playboy-photo-shoot-Brazil-s-new-lady-freeloading-family-attacked-Marie-Antoinette-spending-country-s-economy-crumbles-ahead-Rio-Olympics.html

mordomias 5

O tabloide, que utiliza fotos postadas nos perfis do Instagram de pessoas próximas a Marcela, comparou os gastos da esposa de Michel Temer aos de Maria Antonieta, rainha da França na época da Revolução Francesa e esposa de Luís XVI, no fim do século 18.

Segundo o jornal britânico, os gastos financeiros da primeira-dama, de 33 anos, não refletem o momento de crise que o Brasil enfrenta.

Na artigo, o Daily Mail lista uma série de aquisições não só para Marcela, como para sua família. Entre eles, as viagens internacionais de primeira classe, cirurgias plásticas e procedimentos estéticos para a mãe de Marcela, Norma Tedeschi, e uma vida regada a champanhe, roupas caras e festas badaladas para a irmã, Marcela Fernanda Tedeschi.

Ainda de acordo com a publicação, a família possui quatro camareiras somente para lavar e passar as roupas, além de duas empregadas, uma cozinheira e uma babá para cuidar de seu filho único, Michelzinho, de 7 anos.

As despesas, segundo o jornal, não param por aí: Marcela Temer teria promovido uma reforma em vários cômodos no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-Presidência em Brasília, que, de acordo com a publicação, custou milhões de reais de dinheiro público. Marcela teria ainda insistido para o marido comprar uma casa para sua mãe e sua irmã na capital federal avaliada em cerca de R$ 7 milhões.

Diante do comportamento anterior da imprensa, quando petistas governavam o país, surpreendeu a reação da imprensa brasileira ao que diz a homóloga britânica. Reportagem do jornal Folha de São Paulo tenta desqualificar a matéria atribuindo-lhe pequenos erros que, na prática, não invalidam uma só acusação de abuso do dinheiro público atribuído à família presidencial.

mordomias 6

Entre os erros que a imprensa brasileira atribuiu à matéria britânica está a informação de que Marcela estava ao lado do marido na cerimônia de posse de Temer como presidente interino, apesar de que ela não estava. E, ironicamente, a matéria critica o perfil de Marcela pelo “Mail” por citar críticas que teriam sido direcionadas ao casal sem divulgar o autor das falas.

Sim, você leu corretamente: a Folha criticou o jornal britânico por divulgar informações de fontes que não quiseram se identificar, como se, no Brasil, essa prática não estivesse por trás de nove entre dez denúncias midiáticas contra petistas.

O tabloide, segundo a Folha, afirmou “incorretamente” que a irmã de Marcela, Fernanda Tedeschi, chegou a posar para a revista “Playboy” e que as fotos depois “foram misteriosamente vazadas na internet”.

A defesa que Folha faz para a família Temer diz que a irmã de Marcela, Fernanda apenas assinou um contrato com a revista e desistiu antes de posar para o ensaio. As fotos que chegaram a ser divulgadas são de uma prévia antecipada pela Editora Abril, que publicava a “Playboy” na época.

O que isso muda em relação à denúncia da imprensa britânica? Se você disse nada, acertou.

O fato a destacar é que se estão erradas as informações sobre gastos exagerados feitos pela família Temer, cumpriria à imprensa brasileira investigar e publicar a verdade. As reformas feitas no palácio, todos os gastos abusivos com dinheiro público teriam que ser investigados e, em nada sendo encontrado, aí, sim, a imprensa brasileira poderia inocentar sua equivalente britânica, mas o assunto morreu em maio e nunca mais se ouviu falar do assunto.

Por outro lado, surgiram versões de que a preocupação com o suposto estilo imperial de Marcela, que dizem custar (muito) dinheiro público, seria “machismo”.

Não é difícil de isso ocorrer. Marcela é o alvo perfeito para machismo, tanto quanto Dilma. Porém, ninguém viu a mulher de Temer reclamando da Veja por tê-la qualificado como “bela, recatada e do lar”, o que, para qualquer mulher emancipada, é quase uma ofensa.

Porém, não pode haver machismo em uma denúncia objetiva de que Marcela gasta o dinheiro suado de nossos impostos com mordomias… Certo? Assim, o que se pede, ao fim e ao cabo, é que essa denúncia seja alvo da mesma “apuração jornalística” que implicava com um mísero canteiro de flores em administrações petistas.

Arrumemos cadeiras confortáveis para esperar por essa apuração.

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Nº 19.624 - " Ênfase nas relações Sul-Sul é legado, não 'blá-blá-blá' "

 

27/07/2016

 

Ênfase nas relações Sul-Sul é legado, não "blá-blá-blá"

 

Quem critica essa política pretende nos devolver ao tempo em que Brasil e Argentina rivalizavam para saber quem era mais amigo de Tio Sam 

 

Carta Capital   — publicado 27/07/2016 01h39 
 
Jean-Marc Ferré
Comissão-de-Direitos-Humanos
Quando a Comissão dos Direitos Humanos, ao acolher uma proposta brasileira, estabeleceu que “o racismo é incompatível com a democracia”, os poderosos ficaram muito preocupados
por Celso Amorim

Resultado de imagem para celso amorimPolítica externa, como toda política, implica conversa. Conceitos e ideias se expressam por palavras. Diferentemente do que pensam alguns, palavras têm consequências. Boas ou más. Podem apontar na direção de um mundo melhor ou semear destruição. Paz e Desenvolvimento dão sentido à Diplomacia, diferenciando-a do governo sem propósito ético, que Santo Agostinho comparava a um bando de salteadores. 

Até neologismos têm força. Brexit só foi entendida, até pelos que a propuseram, em toda sua extensão ex-post. “Flexibilização”, um neologismo dicionarizado, aparentemente de sentido positivo, pode vir a se revelar nefasto, quando aplicado ao Mercosul e à integração, levando-nos de volta à era em que Brasil e Argentina rivalizavam para saber quem era o “melhor amigo” da grande potência. 

Uma das resoluções mais importantes propostas pelo Brasil na Comissão (hoje Conselho) de Direitos Humanos, no limiar do novo milênio, girou em torno de duas palavras. Causou apreensão dos poderosos e arrepiou sensibilidades dos privilegiados. Não envolvia, em si mesma, qualquer ação prática. Limitava-se a estabelecer que “o racismo é incompatível com a democracia”.

A mera constatação, de resto óbvia, surpreendeu algumas delegações, acostumadas a ver os países em desenvolvimento como potenciais alvos de críticas e condenações e não como autores de denúncias, ainda que sem destinatário explícito. Para agravar o incômodo, a proposta foi feita sob o capítulo dos direitos civis e políticos, considerado como chasse gardée dos países ocidentais. 

Variações por vezes sutis entre palavras podem alterar profundamente a realidade. Quando a “Declaração de Doha sobre TRIPS e Saúde” (TRIPS é o acrônimo, em inglês, para o acordo sobre propriedade intelectual da Rodada Uruguai, que criou a OMC) foi negociada, em 2001, tomou-se enorme cuidado para assegurar que as “flexibilidades” contidas no acordo fossem preservadas e que dispositivos que pudessem conter ambiguidades fossem interpretados de modo favorável a políticas que visavam proteger a saúde da população, acima de interesses meramente comerciais. 

A Declaração afirma, por exemplo, que TRIPS “pode e deve” (can and should) ser lido como autorizando medidas que garantam o acesso a medicamentos “para todos” (ou “todas”). Já o texto da Parceria Transpacífica (TPP), um dos muitos que despertam a cobiça e as ilusões da nossa elite, troca o termo afirmativo can pelo dubitativo may, em um jogo de palavras que, potencialmente, colocaria por terra, caso o Brasil viesse a aderir a tal acordo (ou outro semelhante), nossa política de patentes e medicamentos genéricos, posta em prática pelo governo Cardoso e aprofundada nos governos Lula e Dilma.

Pelo que se lê por aí, a ênfase nas relações Sul-Sul faria igualmente parte do “blá-blá-blá”, que teria caracterizado a política externa dos “governos petistas”, assim definidos como se deles não tivessem feito parte personalidades hoje no poder, a começar pelo presidente em exercício. O tema torna-se mais relevante à medida que se aproxima o 40º aniversário da Conferência de Buenos Aires do G-77, cujo documento final tratou, pela primeira vez de modo operativo, da cooperação entre países em desenvolvimento. 

Nos muitos eventos de que tenho participado, nas áreas da saúde, do trabalho ou, mais amplamente, das relações internacionais, tenho ouvido com frequência expressões de gratidão pelo impulso dado pelo Brasil a esse tipo de cooperação.

E não apenas com declarações retóricas, mas por meio de ações práticas, como o estabelecimento de fábrica de elementos antirretrovirais em Moçambique, o apoio a uma fazenda-modelo para o aprimoramento de espécies de algodão no Mali (como parte de um projeto que abrange quatro outros países muito pobres da África Ocidental), o financiamento de um centro esportivo na Palestina, juntamente com os outros membros do fórum IBAS (Índia e África do Sul) e a criação de oficinas para treinamento profissional, com ajuda do Senai, no Timor-Leste, no Haiti e em outros países da América Latina, Caribe e da África. 

Recentemente, em um evento desse tipo, encontrei estudiosos, professores, funcionários e sindicalistas (no caso do Brasil, da CUT, da Força Sindical e da UGT) de mais de 50 países. Em ambiente de paz e cooperação, técnicos de governos e elementos da sociedade civil discutiam como levar adiante projetos que envolvem aprendizado recíproco, e que, entre outras coisas, servem para aproximar povos de diferentes religiões, línguas e etnias. 

Em outro diapasão, jamais se apagará da minha memória a expressão de um homem de meia-idade, que encontrei no pátio da famosa Mesquita Omíada de Damasco – a mesma que por um de seus minaretes o profeta Jesus (ou Issa) descerá à Terra no Dia do Juízo Final – pouco tempo após a assinatura da Declaração de Teerã. Acompanhado do filho, aquele indivíduo, que poderia ser um artesão ou um pequeno comerciante, parou diante de mim e disse, em um inglês pouco fluente: “Ministro? Brasil? Obrigado! Sou iraniano!” 

Para aquelas pessoas cujas vidas foram salvas – ou cuja dignidade foi recuperada – mediante ações como as acima referidas, a construção de um mundo mais humano e solidário, em que o legítimo interesse nacional de cada um não implica hostilidade ou mesmo indiferença em relação ao próximo, não é mera narrativa vazia. 


*Texto publicado originalmente na edição 911 de CartaCapital, com o título "Sobre 'blá-blá-blás'”
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Nº 19.623 - "Temer chegou ao fim da linha"

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27/07/2016



Temer chegou ao fim da linha

 

Brasil 247 - 27/07/2016

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LULA MARQUES: <p>Brasília- DF 16-06-2016 Presidente interino, Michel Temer e o ministro da educação, Mendonça filho anunciando prorrogação do FIES. Foto Lula Marques/Agência PT</p>

 

Paulo Moreira Leite 

 

As pesquisas dos últimos dias mostram que mesmo incluindo o esforço para levar o filho de 8 anos na escola, o baú de truques banais para tentar elevar a popularidade de Michel Temer a qualquer preço está chegando ao fim. Com números arrasadores, o Ipsos e o Paraná Pesquisas mostram uma verdade inegável. Quanto mais a população conhece o governo Temer, mais o rejeita. 
 
Temer sempre foi um político ruim de votos e é claro que isso quer dizer muita coisa numa democracia. Coisas ruins, em geral. Fez a carreira política beneficiado pela presença em aparelhos  que lhe garantiam a eleição em pleitos parlamentares, invisível e opaco num máquina de cabos eleitorais profissionais, prefeitos, governadores e empresários amigos que garantiam  votos anônimos, inexpressivos e difíceis que são assegurados  hoje para serem esquecidos amanhã. 

Tudo aquilo que a maioria da população rejeita e condena.

Cresceu na fase sem glória e sem moral do velho PMDB que foi a legenda honrada de Ulysses Guimarães e da luta contra a ditadura. Ganhou importância quando gerenciava – o termo é este – uma força sem importância para o povo, apenas para os interesses de uma maioria arrasadora de amebas profissionais.  

Protegido pela opacidade de quem nunca sentiu necessidade de revelar uma ideia, um projeto, Michel Temer se desfaz dia após dias, há dois meses, desde que, sob os holofotes da presidência, precisa dizer a que veio e enfrentar a hora da verdade. Nessa circunstância inevitável, exibe um programa de anti-Brasil. 

A essência do seu problema é política.

Ele chegou ao Planalto a  bordo de um golpe parlamentar,  uma suspensão temporária do Estado Democrático de Direito, destinada a permitir a aplicação de medidas de exceção de caráter cirúrgico, que devem ser limitadas no tempo e na profundidade, pois não há condições políticas para ir além disso.  

Desde o primeiro dia, contudo, o governo Temer busca mudanças de outro caráter, que mesmo governadores eleitos, em disputas legítimas e inquestionáveis, teriam dificuldade de realizar. Em países com o perfil socio-econômico semelhante ao nosso, é mais frequente em ditaduras escancaradas – e não nas envergonhadas.

Ainda que tenham sido inspirados em Margaret Thatcher e Ronald Reagan, as versões sul-americanas mais conhecidas de criação de um Estado mínimo exibidas pelo governo Temer só conseguiram avançar em suas pretensões através da ditadura, da tortura e da violência, da supressão das garantias democráticas. Você sabe de quem estamos falando: Augusto Pinochet, que destruiu no Chile o mais avançado estado de bem-estar social do continente; e Alberto Fujimori, que arrancou a raiz das primeiras iniciativas que vinham sendo construídas nessa direção. Pinochet chegou a La Moneda pelo sangue de um golpe que se tornou uma vergonha mundial desde o primeiro dia -- como tantos exilados brasileiros conheceram na própria carne. Fujimori foi eleito e, após uma série de movimentos demagógicos, cavou terreno para um golpe institucional, origem de uma ditadura corrupta e violenta que seria derrubada com auxílio da Casa Branca, com receio de que o caráter temerário de seu governo levasse a uma situação fora de controle, ameaçando a estabilidade conveniente aos investimentos no país. Nos momentos de megalomania, seus aliados falavam que a "fujimorização" poderia ser uma entendia na América Latina.

Pinochet foi ditador por 17 anos. Fujimori, tudo somado, ficou dez.

Antes disso, porém, ambos tiveram direito a pequenos minutos de glória, permitida a partir de princípios mais flexíveis do que se imagina por parte de quem tinha o dever de negar apoio e consideração.  

Pinochet foi tratado por Tatcher com honras de aliado preferencial, protegido inclusive no momento em que, deposto, teve de encarar um mandato de prisão por tortura e morte assassinado pelo procurador espanhol Baltazar Garzón.

Ainda em seu posto, Fujimori estufou o peito, em Lima, na cerimônia em que Fernando Henrique Cardoso lhe entregou a Ordem do Cruzeiro do Sul, a mais alta condecoração do Estado brasileiro.

A impopularidade de Temer é recorde pelo prazo mas sua origem é o conteúdo. Trata-se de um programa que jamais teria votos da maioria dos brasileiros para chegar ao Planalto. De caráter socialmente excludente, colonial em sua essência, a rejeição era só uma questão de tempo.

Por mais que a mídia grande tenha feito o possível para esconder a natureza perversa do processo em curso, numa manipulação de informações coerente com um processo que o Premio Nobel da Paz Perez Esquivel chamou de golpe branco, a população já compreendeu o sentido do espetáculo. Diariamente, descaradamente, seus benefícios são reduzidos. Conquistas de tempos recentes recentes são ameaçadas – quando não foram suspensas de imediato. Não há nenhuma boa notícia para quem é pobre, dá duro no fim do mês para pagar contas e educar os filhos. A lista é tão longa que o risco de esquecer alguma coisa é real. 


O projeto que limita o endividamento do governo é um programa de recessão permanente. A reforma na Previdência é uma ofensa. A mudança no Minha Casa Minha Vida é um escárnio. A base para cortes no Bolsa Família é uma mentira. O ataque a Petrobras é um crime. O retrocesso na educação é um recuo histórico. O programa de destruição da CLT envergonha qualquer cidadão com orgulho do 13 de maio de 1888. 

Nos terroristas de Alexandre Moraes, na suspensão do Whatsapp, no projeto de suspensão de garantias democráticas do Ministério Público, medidas autoritárias ameaçam chegar a vida real. O nome adequado para o financiamento politicamente dirigido a portais da internet é aparelhamento. 

Nefasto por sua própria natureza, o golpe de abril-maio é um desses desafios imensos que o povo de um país está condenado a vencer, de uma forma ou de outra. Se a história conta uma lição é ensinar  que cedo ou tarde a maioria consegue impor seus direitos, por mais obstáculos que encontre no caminho.

No Brasil de 2016, a opção mais civilizada e menos traumática também é a mais curta, obviamente.  Reside na votação do Senado, que pode transformar o pesadelo dos últimos dois meses num episódio grave mas passageiro. Bastam os votos necessários para derrotar o golpe, abrindo caminho para um plebiscito que poderá realizar aquilo que a quase totalidade da população deseja -- a realização de novas eleições presidenciais. Para além de tramas menores de balcão, disponíveis em qualquer lado, a base dessa decisão será a convicção, por parte de um número razoável de senadores, de que é impossível ignorar que mesmo direitos e prerrogativas de representantes do voto popular estão em jogo num processo que abre caminho a medidas de exceção que ninguém sabe aonde vão terminar.

A hipótese de uma derrota da democracia no Senado é lamentável, deve-se admitir. Seu efeito seria transformar a resistência num processo mais duro e doloroso, ainda que inevitável. Mas, ao contrário do que dizia a filosofia amiga de Pinochet e Fujimori, não há fim da história. Ela sempre pertence ao povo que, nas pesquisas sem truque, já disse com clareza o que pensa de Michel Temer e seu governo.


Paulo Moreira Leite. O jornalista e escritor Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em Brasília
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Nº 19.622 - " O Estadão alivia a Folha e diz que democracia 'não é para agora'. Agora é 'lulopetismo' "

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27/07/2016 

 

O Estadão alivia a Folha e diz que democracia “não é para agora”. Agora é “lulopetismo”

jornalditad


Por


O dia começou ainda escuro e o cansaço toma conta, depois de 18 horas, quase, trabalhadas. Mas não posso deixar passar a vergonha do editorial de hoje do Estadão, “relativizando” a democracia.

Em defesa de seu “concorrente” – quem acredita nisso? – a Folha de S. Paulo, pega em flagrante adulterando relatórios de pesquisas para dizer que 50% queriam a continuidade de Michel temer no governo, o ex-vetusto jornal quatrocentão sai-se com a pérola de um editorial cujo título já é uma confissão antidemocrática: “A maioria também se equivoca“.

Nele, reconhece que “todas as pesquisas realizadas após o afastamento provisório de Dilma Rousseff da Presidência da República revelam que a maioria dos brasileiros, cerca de dois terços, entende que a melhor solução política para o País, no momento, é a realização de eleições presidenciais antecipadas”.

E mais, que “o presidente em exercício Michel Temer não conquistou até agora a confiança majoritária da população.”.

Modéstia, já que mostram que a confiança em Temer anda na casa dos 10%.

Ainda assim, o editorial diz que  “a defesa de eleições presidenciais diretas antecipadas pode servir ao lulopetismo. Ela se confunde também com o sentimento de vingança, o ‘fora, Temer’. Sonham com essas eleições, ainda, pessoas de boa-fé, porém desinformadas; insatisfeitas com a situação, mas ignorantes dos pré-requisitos necessários à convocação dessa eleição.”.

Curioso é que os ” pré-requisitos necessários” ao processo de impeachment, o crime de responsabilidade, pode ser solenemente ignorado e transformado numa mera questão de “popularidade”.

Então, vem o razão mais cínica: “O principal argumento contra a ideia das “diretas já”, no entanto, é o de que ela implicaria manter o País paralisado por no mínimo meio ano, com a deterioração da crise econômica, que está a exigir providências urgentes e eficazes para garantir que os primeiros tímidos sinais de recuperação ganhem fôlego a partir da estabilização política que provavelmente ocorrerá a partir de setembro, após a aprovação do impeachment de Dilma pelo Senado.”

Ou seja, “o mercado” – ou melhor, as promessas e expectativas do mercado – são a razão para abolir a soberania popular.

É a velha história “paternal-autoritária” de que “não é o momento” ou, como tantas vezes ouvi na ditadura, que o Brasil “ainda não estava  pronto para a democracia”.

Qual é o problema de adequar-se a Constituição para que o povo possa votar fora do período normal?


Não se quer alterar a Constituição para retirar o patamar mínimo das despesas com saúde e educação?

Não se quer implantar a idade mínima para se aposentar?

Não se quer abolir os direitos trabalhistas?

Não se quer criar impostos, tudo isso mexendo na Constituição?

Porque não de pode emendá-la para esta coisa simples e sagrada que é o povo escolher seu Governo?

O Estadão, que já publicou receita de bolo na última vez que passamos por um período autoritário, agora quer que o povo brasileiro engula o bolo que ajudou a aprontar.

Se a pesquisa mostra que ele não quer, dane-se a pesquisa, porque o Estadão, agora, acha que a vontade do povo é um problema para a democracia.

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Nº 19.621 - "Lula aposenta Barbosas, Janôs e Moros "

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 27/07/2016

Lula aposenta Barbosas, Janôs e Moros

É breve a carreira dos carrascos



Nº 19.620 - "Letícia Sabatella disse tudo"

 
27/07/2016

Letícia Sabatella disse tudo



 
 Uma frase, uma verdade
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Nº 19.619 - "Brasil e Estados Unidos podem reativar acordo sobre a Base de Alcântara"

 

27/07/2016


 

Brasil e Estados Unidos podem reativar acordo sobre a Base de Alcântara

 

 Brasil 247 - 27/07/2016

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Tereza Cruvinel


Um dos assuntos tratados em recente reunião entre o chanceler José Serra e o embaixador brasileiro em Washington, Sergio Amaral, ex-ministro de FHC, foi a retomada das negociações com os Estados Unidos sobre o uso, pelos americanos, da base de lançamento de foguetes de Alcântara (MA). O acordo firmado por FHC no ano 2000, que conferia amplos poderes aos “locadores”, foi denunciado como entreguista e lesivo à soberania nacional pelo então deputado, que era o relator da matéria na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Seu parecer alterou fundamentalmente o texto. Chegando ao governo, o ex-presidente Lula retirou o acordo do Congresso e deu o assunto por encerrado. A volta do assunto à agenda bilateral, sob Temer e Serra, preocupa inclusive setores militares que temem novas cláusulas atentatórias à soberania nacional sobre a base.

Por sua localização privilegiada, na linha do Equador, a base brasileira é atraente porque, segundo especialistas, reduz em até 30% o custo de um lançamento. O Brasil deve explorar este ativo através da locação das instalações a diferentes países, para obter recursos inclusive para desenvolver seu programa espacial. Entre os clientes, pode ter os Estados Unidos mas não submeter-se às suas exigências ao ponto de perder outros negócios e a própria autoridade sobre a base.

História

O acordo firmado por FHC no ano 2000 provocou reações de militares e setores nacionalistas. Ele na prática criava um enclave americano em nosso país, ao abdicar de controles e prerrogativas de dono das instalações, através de cláusulas denunciadas por Waldir e alteradas em seu parecer.

Uma delas impedia autoridades brasileiras de abrir os contêineres lacrados, transportados em território nacional, contendo veículos de lançamento, espaçonaves e equipamentos afins. O texto de Waldir tornou esta prática permitida, desde  que realizada no interior da Base de Alcântara e na presença de autoridades americanas e brasileiras. Caiu também a proibição, prevista no texto original, para o Brasil fotografar ou filmar satélites, foguetes ou partes desprendidas destes objetos que venham a cair em solo nacional. Waldir acrescentou uma ressalva, segundo a qual o registro poderia ser feito, desde que previamente autorizado pelos norte-americanos. Ele suprimiu também a previsão de que caberia aos norte-

americanos a expedição de crachás para que brasileiros circulassem na área de lançamento de foguetes da base. Eliminou ainda a restrição sobre a aplicação dos recursos obtidos com o aluguel da base aos americanos, já que o texto anterior proibia que fossem destinados a projetos de desenvolvimento de tecnologia. E, mais importante, Waldir acabou com o impedimento de que o Brasil fizesse acordos com países que sofram restrições dos Estados Unidos, como era, naquele momento, o caso do Iraque, do Sudão e de Cuba, e que alugasse a base para o lançamento de mísseis por países que os EUA consideravam inconvenientes. Isso impediria, por exemplo, acordos com a China.

Com a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva  ao governo, em 2003, Waldir tornou-se ministro da Defesa e recomendou a desistência do acordo, que foi retirado do Congresso. O chanceler Celso Amorim comunicou aos Estados Unidos que o assunto estava encerrado. Ainda em  2003, Lula fechou um acordo com a Ucrânia para desenvolvimento de foguete, o Cyclone-4. Uma empresa binacional, a Alcântara Cyclone Space (ACS), foi fundada, mas até hoje não teve grandes resultados.

Os Estados Unidos, entretanto, nunca perderam seu interesse por um acordo que lhes permita utilizar a Base de Alcântara. Mesmo no governo Dilma, o assunto chegou a entrar na agenda em 2013 mas, com as revelações de Snowden sobre a espionagem da NSA sobre Dilma, Petrobrás e autoridades brasileiras, as relações esfriaram e o assunto morreu.

Tereza Cruvinel. Colunista do 247, Tereza Cruvinel é uma das mais respeitadas jornalistas políticas do País
 
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PITACO DO ContrapontoPIG
Governo usurpador interino mostra-se descaradamente entreguista. Vai entregar é tudo.
O pré-sal, Alcântara, os submarino nucleares, privataria de empresas públicas, a Amazônia...  
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