terça-feira, 2 de agosto de 2016

Nº 19.661 - "Agredir Sabatella é fácil, mas e confrontar Grupo Libra? por Bob Fernandes"

 

02/08/2016

 

Agredir Sabatella é fácil, mas e confrontar Grupo Libra? por Bob Fernandes

 




Agredir Sabatella é fácil, mas e confrontar Grupo Libra?


por Bob Fernandes


Resultado de imagem para bob fernandesEm 98 o grupo Libra ofereceu muito mais e ganhou concorrência da Codesp, no Porto de Santos.

Alegando descumprimento do contrato, não pagou.

Assunto na justiça, litigância por anos. Por ter dívida de R$ 850 milhões, e em litígio com a União, o grupo Libra não poderia concorrer à nova licitação, em 2015.

Mas uma emenda de Eduardo Cunha na MP dos Portos resolveu tudo. Abriu brecha para os que estivessem em arbitragem privada.

Edinho Araújo, ministro dos Portos, havia renunciado à ação, em favor da arbitragem privada... A concessão foi renovada por 25 anos.

Em 2014, sócios do grupo Libra doaram R$ 1 milhão para a campanha de Temer.

Na célebre carta a Dilma, Temer se queixa da demissão de Edinho.

Em janeiro, no Estadão, José Roberto de Toledo, Daniel Bramatti e Rodrigo Burgarelli contaram essa história.

Agora, em Carta Capital, André Barrocal conta novos capítulos dessa "batalha judiciária que vale mais de R$ 2 bilhões".

No enredo, o Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e um de seus filhos.

E tem Eduardo Cunha, grupo Libra, Temer, e o Presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Porto de Santos, Everandy Cirino.

Everandy diz não ser "novidade que Temer dê as cartas no Porto de Santos" desde "a gestão de Marcelo de Azeredo, na Era FHC".

Conclui Everandy: "Libra é o cartão de visita da gestão Temer no Porto" de Santos...

...Temer é o presidente da República interino...

...Certamente teremos a Policia Federal, procuradores e juízes investigando e julgando esse bilionário escândalo. E com muitas manchetes...

A propósito: domingo manifestações Brasil afora. Em favor de Dilma, ou contra corrupção... A do PT.
As marchas encolheram. Fruto dos desencantos.

Empreiteiros, ao que se noticia, anunciam delação contra uma centena de políticos. Governos do PT, Aécio. Alckmin, Serra...todos estariam citados.

Ruas sempre valem à pena. Sinal dos tempos ouvir dejetos de Alexandre Frota, ou Bolsonaros.

Ou ouvir filhotes do Banestado, escândalo paranaense de 30 bilhões, chamando Leticia Sabatella de "puta".


Ver|:

https://www.facebook.com/bob.fernandes.3/videos/1243188849033933/

.

.

Nº 19.660 - "Cunha prepara dossiê para delatar seus aliados "

"Prestes a ser julgado no plenário, o ex-presidente da Câmara e deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) prepara um levantamento aprofundado sobre como ajudou seus aliados nos últimos anos. O objetivo é consolidar o material para uma eventual delação premiada na Justiça", informam os jornalistas Daiene Cardoso e Igor Gadelha. "Segundo relatos de deputados, o peemedebista vem coletando informações sobre financiamento de campanhas eleitorais. Também produziu uma “pilha” de documentos com dados sobre distribuição de cargos e empréstimos."

O interino Michel Temer, que chamou Cunha de "incansável batalhador jurídico e político", é um de seus maiores aliados e tenta manobrar para que a cassação de Cunha fique para depois do impeachment.
O receio, no Palácio do Planalto, é que o governo provisório não resista a uma eventual delação de Cunha, que é também suspeito de ter gravado uma conversa com o próprio Temer no Jaburu, sobre antigas parcerias no Porto de Santos, que teriam favorecido o grupo Libra e gerado uma doação de R$ 1,5 milhão para Temer.

.

Nº 19.659 - "Na ditadura Temer, a volta do dedurismo"

 .
02/08/2016

Na ditadura Temer, a volta do dedurismo

  

Brasil 247 - 1 de Agosto de 2016

.

:

Tereza Cruvinel

Os mais jovens não sabem disso mas os que pegaram a ditadura sabem o que significa a sigla DSI: Divisão de Segurança e Informação, uma unidade de dedurismo que havia em cada ministério para entregar ao SNI nomes de funcionários suspeitos de serem subversivos ou criticarem o regime. Era o maccarthismo institucionalizado.

Agora, na ditadura civil de Temer, as DSIs estão de volta, embora informalmente. Em todos os ministérios funciona uma máquina de delação de colegas suspeitos de ligações com o PT e de serem contra o governo interino. Se o denunciado tem cargo comissionado, é sumariamente dispensado.

As delações funcionaram na EBC, no Minc e no Ministério da Saúde para ajudar os superiores na montagem das listas de demitidos. O próprio embaixador Fernando Igreja foi destituído da chefia do Cerimonial do Itamaraty esta semana, nas vésperas das Olimpíadas, por ter feito postagens em tom crítico ao processo de impeachment. E ainda que não tivesse feito, era conhecida sua identificação com a política externa anterior.

Triste o país que nada aprende com a História. A ditadura passou e o SNI ficou para a História como uma de suas faces mais perversas. Temer passará carregando na biografia a marca do golpe, do desmonte de políticas sociais e do retorno das práticas autoritárias como o expurgo e perseguição dos que exercitam o sagrado direito de divergir.


Tereza Cruvinel. Colunista do 247, Tereza Cruvinel é uma das mais respeitadas jornalistas políticas do País
. .

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Nº 19.658 - "Agressor de Letícia Sabatella é filho de um dos envolvidos no escândalo do Banestado"

.

01/08/2016 

 

Agressor de Letícia Sabatella é filho de um dos envolvidos no escândalo do Banestado

print01082

por Bob Fernandes, no Facebook

Leio que Gustavo Abagge é o cara que chamou Leticia Sabatella de "puta" na manifestação de Curitiba. Gustavo seria filho de Nicolau Elias Abagge, ex-presidente do Banestado, do Paraná.

Na farra das contas CC-5 este banco, entre outros, tornou-se símbolo de lavanderia de dinheiro porco; sonegado, na melhor das hipóteses. Por ele, e outros, fortunas - me lembro de certo Bilhão - eram enviadas para paraísos fiscais.

Quem conheceu as listas de dinheiro enviado pra fora via gambiarras nas CC-5 sabe que muitos do que agora bradam, e vários dos que mancheteiam contra a "córrupissão" estavam naquela farra.

Conheci tais listas porque em 34 páginas escrevi, em Maio de 98, a única edição extra de Carta Capital, "Brasil: a maior lavagem de dinheiro do mundo". Tratava desse tema, toda a edição.

Lembrar daquela longa apuração e ver certos tipos pontificando sobre "ética" nas ruas, mídias e redes, provoca engulhos: como conseguem ser tão cínicos, tão hipócritas?

Mas voltando à Sabatella, aos zurros curitibanos, e ao cara que é filho do cara, uma constatação: a neurociência avançou barbaridades, a farmacopéia idem, mas o velho e bom Freud ainda explica muito...

.

Nº 19.657 - "Eugênio Aragão: ação de juízes mostra claramente preconceito e raiva contra Lula"

 .

01/08/2016 

 

Eugênio Aragão: ação de juízes mostra claramente preconceito e raiva contra Lula

Brasília -  O ministro da Justiça, Eugênio Aragão inaugura as sessões de trabalho das comissões de 2016, lembrando os 52 anos do golpe militar de 1964 (Wilson Dias/Agência Brasil)
Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil

Petição é contra os juízes que têm raiva do Lula

Se todos apoiam Moro, nenhum pode julgar Lula!

no Conversa Afiada

A propósito da Petição enviada ao Presidente do Supremo, o Conversa Afiada entrevistou um dos signatários, o ex-Ministro da Justiça Eugênio Aragão:

PHA: Ministro, por que essa petição?
Aragão: A petição tem, sobretudo, a função de contrastar com posições corporativas que têm sido tomadas pelos magistrados. Os magistrados, aparentemente indignados pelo fato de que o presidente Lula ousou fazer uso de um recurso previsto no Direito internacional (dentro de um instrumento ao qual o Brasil aderiu e do qual faz parte)...


PHA: O senhor se refere, então, à Associação dos Magistrados e à Associação dos Juízes Federais, que hipotecaram, por esse episódio da ida do Lula à ONU, solidariedade ao juiz Moro?
Aragão: É, é uma situação muito constrangedora. Imagine uma categoria de juízes agindo politicamente desse jeito e rejeitando o direito de petição do presidente Lula contra abusos que se atribuem a um dos seus juízes. Isso significa que todos os juízes que se fazem representar por essas associações, em princípio se tornam suspeitos para atuar em relação ao presidente Lula. Isso mostra claramente o viés do preconceito e o viés, sobretudo, da indisposição e da raiva com que essas categorias com o fenômeno Luiz Inácio Lula da Silva na política brasileira. E por isso mesmo o apelo para uma instância internacional, que é mais isenta.


PHA: Eu posso dizer que essa é uma petição contra a raiva que eles têm do Lula?
Aragão: Isso, pode-se dizer isso.


PHA: O que o presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, pode fazer?
Aragão: Essa questão pode, pelo menos, ser levada ao CNJ ou pode ser o próprio presidente a tomar posição no sentido de reafirmar a legitimidade do instrumento utilizado pelo presidente Lula. Que isso sirva de indicativo para a Justiça brasileira de que ela, sim, deve também se submeter aos tratados internacionais e a seus instrumentos. Portanto, se o Comitê de Direitos Humanos vier a entender que houve abuso e que há, portanto, nítida suspeição pela falta de um juiz imparcial no caso Lula, isso deve ser levado em consideração pelas instâncias jurisdicionais brasileiras.


PHA: Eu entendo do seu raciocínio, então, que esses juízes que subscreveram esses documentos da Associação dos Magistrados e da Ajufe demonstram, como disse o advogado Geoffrey Robertson, que o Lula não pode ser julgado no Brasil com imparcialidade.
Aragão: Exatamente, exatamente! Porque se uma classe inteira se posiciona desse jeito, qual é o juiz que poderá ser contra-majoritário?


PHA: Agora, uma última pergunta, ministro: o senhor acredita que o CNJ seja capaz de tomar alguma atitude? O advogado José Francisco Siqueira Neto usa uma expressão que eu acho muito feliz: "O CNJ se tornou o Dieese da Justiça", uma espécie de IBGE da Justiça, que fica fazendo estatísticas. O CNJ pode fazer o quê?
Aragão: O CNJ pode dar recomendações. Pode, inclusive, fazer uma declaração pública, através dos seus conselheiros, do seu plenário, de afirmar a legitimidade do uso dos instrumentos internacionais.

.

.

Nº 19.656 - "Confissão do fiasco do ato da direita, no vídeo dos Jornalistas Livres"

.

01/08/2016

 

Confissão do fiasco do ato da direita, no vídeo dos Jornalistas Livres

 

paulistapoucagente

Por

Michel Temer conseguiu, nestes dois meses e meio, arrastar multidões.

Para dentro de casa.

Porque o que se viu ontem, nas visivelmente  manifestações “coxinhas” foi, como diz o personagem do vídeo dos Jornalistas Livres, um fiasco, para um movimento que, em tese, está na posição de “vencedor”.
O que ficou foi a direita hidrófoba, fascistóide, mais agressiva do que nunca.

Assista:
 
https://www.facebook.com/jornalistaslivres/videos/385562244900992/

Nº 19.655 - "Não é tiro no pé. É o 'brazil' "


01/08/2016



Não é tiro no pé. É o "brazil"

 

Do Brasil 247 - 01 de Agosto de 2016

 

Beto Barata/PR: <p>Brasília - DF, 30/06/2016. Presidente em Exercício Michel Temer durante encontro com representantes da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil - CACB. Foto: Beto Barata/PR</p>

 

por  Marcelo Zero 

 

Marcelo ZeroO ótimo artigo da jornalista Eleonora de Lucena, no qual se afirma que as nossas elites estariam dando um tiro no pé ao apoiar o golpe que conduzirá o país a um grande atraso social, político e econômico, causou grande impacto.

Com efeito, qualquer pessoa medianamente informada está se perguntando como essas “elites” podem ser tão cegas a ponto de apostarem nesse enorme retrocesso social e político? Como pode o sacrifício da própria democracia ser uma “saída” para a crise política? Como pode o retorno da nossa grotesca desigualdade histórica ser uma “ponte para o futuro”? Como pode a associação subalterna ao capital internacional e à única superpotência do planeta ser uma afirmação dos interesses do Brasil?

Mas a questão não é tão simples assim.

Em primeiro lugar, o capitalismo é um sistema “cego”, intrinsecamente desequilibrado, que gera inexoravelmente desigualdades e contradições. O mercado, essa reificação que justifica tudo, nada mais é que um bando anômico de lemingues vorazes e míopes, sempre disposto a cometer suicídio coletivo. 

A lógica da acumulação é cega, não tem plano, não tem nacionalidade, não tem equilíbrio, não tem estratégia de longo prazo. É por isso que o capitalismo é um sistema de crises periódicas, frequentemente profundas e destrutivas. É por isso que esse sistema gera, de forma reiterada, bolhas especulativas descontroladas.

Assim, faz parte da natureza do capitalismo atirar sistematicamente contra os próprios pés.

Contudo, nos países mais desenvolvidos, especialmente os da Europa Ocidental, conseguiu-se estabelecer, ao menos durante algum tempo, um controle político desse sistema, que lhe conferiu algum equilíbrio, civilidade e capacidade de planejamento. Principalmente após a Segunda Guerra Mundial, os países dominados pela socialdemocracia conseguiram distribuir renda, construir um Estado do Bem-Estar, afirmar seus interesses nacionais, planejar seu futuro e evitar crises profundas e duradouras. 

Os lemingues foram domesticados e controlados com políticas keynesianas, sindicatos robustos de trabalhadores, e um sistema político que conseguia representar, ainda que com assimetrias, os interesses da maior parte da sociedade.

Essa “Era de Ouro”, como a denomina Hobsbawn, começou a ser destruída a partir da década de 1980 com as políticas neoliberais, que quebraram a espinha dorsal dos sindicatos, reduziram os controles democráticos sobre os mercados, deram autonomia aos bancos centrais, desregulamentaram o capital financeiro em nível mundial, diminuíram as funções do Estado, aumentaram a influência do poder econômico sobre o poder político e impuseram sua hegemonia no cenário internacional.  Os resultados maiores foram o grande aumento das desigualdades e a “financeirização” e desregulamentação da acumulação do capital. Soltaram os lemingues. “Atiraram nos pés”.

A regressão econômica, social e política foi avassaladora. Piketty e outros mostram que o capital deste século, novamente desregulamentado, voltou a ter os grotescos níveis de desigualdade de renda e patrimônio que tinha ao final do século XIX. A presente crise, a pior desde 1929, é consequência direta dessas políticas neoliberais desregulamentadoras e concentradoras.  Ironicamente, o país que mais se desenvolveu nas últimas décadas e que melhor resiste à crise é a China, que tem o que a The Economist chama apropriadamente de “capital confinado”.

Atualmente, a hegemonia econômica e ideológica dessa acumulação desregulamentada é, com nuances, praticamente mundial. O “tiro no pé” é internacional, embora doa mais nos mais fracos, como a Grécia. 

No Brasil, porém, há um sério agravante. Ao contrário do que aconteceu em vários países desenvolvidos, principalmente europeus, aqui nunca tivemos de fato uma “burguesia nacional”, uma elite progressista, capaz de liderar um processo robusto e continuado de afirmação dos interesses do país no cenário mundial, incorporar as massas ao mercado de consumo, promover a cidadania social e acolher os interesses de todos os segmentos sociais na representação política.

Nosso capitalismo nunca teve uma Era de Ouro. Nosso capitalismo sempre foi de chumbo: dependente, excludente, marginalizador, autoritário e, sobretudo, extremamente violento. Nunca produziu uma utopia, uma “revolução burguesa”. Sempre foi distópico.  Nunca gerou um Brasil com b maiúsculo e s. Ficou apenas no “brazil”.

Tivemos, é claro, espasmos de verdadeiro progresso. Getúlio, odiado pelas elites, foi quem implantou a indústria de base e criou a Petrobras. Juscelino, também muito combatido, foi quem implantou a indústria automobilística. Jango caiu porque, entre outras coisas, tentou fazer uma reforma agrária.

Ironia das ironias, foi nos governos do Partido dos Trabalhadores que o país chegou mais perto de ter algo parecido a uma “revolução burguesa”, a um capitalismo mais inclusivo, democrático, capaz de eliminar a pobreza, distribuir renda de modo sistemático e produzir um ciclo de desenvolvimento relativamente autônomo.  Durante um breve período, parecia que o país teria um ciclo de longo prazo de verdadeiro desenvolvimento para todos os seus cidadãos, parecia que a nossa Índia migraria para nossa Bélgica, parecia que o “brazil” viraria Brasil.

Bastou, entretanto, que a crise mundial se agravasse, que o ciclo das commodities acabasse, o crescimento minguasse e as taxas de lucro se reduzissem para que o “brazil”, que havia somente tolerado (mal) o PT e o Brasil, mostrasse de novo suas velhas garras e passasse a exigir o retrocesso.

O golpe veio para destruir tudo. Não veio apenas para acabar com a democracia política. Veio para acabar com nossa incipiente democracia social. Veio para acabar com a saúde pública, a educação pública, a previdência pública e os programas sociais. Veio para acabar com os direitos trabalhistas e previdenciários. Veio para tirar os pobres e os negros das universidades. Veio para tirar as crianças pobres da escola e devolvê-las às ruas. Veio para tirar os pobres do orçamento. Veio para acabar com a soberania e o patrimônio público. Veio para entregar tudo o for possível: pré-sal, terras, empresas públicas, reservas indígenas e tudo o que der lucro. O golpe veio para vender o Brasil e restaurar o “brazil”.

É tiro no pé? Do ponto de vista dos que apostaram na construção, no longo prazo, de um verdadeiro Brasil lógico que é. Mas não do ponto de vista e dos interesses do “brazil”.

O capital nunca foi sábio, mas sempre foi astuto.

O capital financeiro, os rentistas, os sonegadores da FIESP associados ao capital internacional, os exportadores de soja, os grupos políticos fisiológicos etc. sabem que o golpe pode lhes dar muito lucro.

Privatizações, venda do patrimônio público, taxas de juros estratosféricas, abertura indiscriminada da economia, subida do desemprego, diminuição dos rendimentos do trabalho e redução dos direitos sociais podem ser muito lucrativas. A desigualdade, ainda que irracional e insustentável no longo prazo, pode restituir as taxas de lucro ao “brazil”. Golpe pode dar dinheiro. Em 64 deu tanto que deu até para pagar a propina aos torturadores.

Nesse sentido, o golpe e seu retrocesso monumental têm a astúcia rasa dos “cunhas”, o cinismo moralista dos sonegadores da FIESP, a desfaçatez míope dos que sempre venderam o país, a subserviência obtusa dos que querem inserir-se nas “cadeias mundiais de valor” como supridores de matéria-prima e mão de obra barata. O “brazil” do golpe quer um Brasil bem baratinho para vendê-los aos seus sócios internacionais. 

A resistência ao golpe não virá nunca dessa corja imunda de saqueadores, entreguistas, exploradores, sonegadores e cínicos. A democracia não será salva pela assembleia-geral de bandidos reunida no Congresso e tampouco pelas classes médias cooptadas ideologicamente pelo discurso hipócrita e neoudenista das classes dominantes e sua mídia falseadora.

Essa associação de ratos vorazes, de lemingues celerados, de punguistas da Nação, provinciana, inculta, preconceituosa, insensível às necessidades do povo e cuja única utopia é Miami não se importa em destruir o país e sua democracia, desde que possa pilhar impunemente as suas ruínas. Eles não dão somente tiros no pé, eles dão tiro no coração do Brasil para poder vender o seu cadáver. Eles sempre viveram do escracho ao país.

A resistência só poderá vir de baixo, dos trabalhadores, dos pequenos agricultores e comerciantes, dos negros, dos índios, das mulheres, daqueles que experimentaram o gostinho de serem cidadãos depois de 500 anos de opressão, daqueles que saíram do Mapa da Fome e de todos aqueles que vão sentir na carne as consequências da falta de democracia, de direitos, de empregos, de salários, de comida, de oportunidades e de respeito.

Mas o fato é que a luta de classes não está suficientemente escancarada nas ruas. Se estivesse, o golpe não passaria. A resistência ainda é débil e fragmentada. A mídia golpista falsifica pesquisas e manipula dados para convencer que a coisa está melhorando e os investidores pararam de apostar contra o governo, como faziam freneticamente até Dilma ser afastada. Os bandidos do Congresso agora desistiram das “pautas-bomba” e decidiram contribuir para a governabilidade. Por enquanto, o “brazil” parece estar ganhando do Brasil.

Lula disse que os pobres são solução, não problema. O problema é que os pobres foram apenas solução econômica, foram apenas consumidores. Os pobres serão realmente solução, solução definitiva, quando forem incorporados de fato ao sistema de representação política e conseguirem arejar os miasmas fisiológicos e conservadores do nosso Estado privatizado. Faltou o essencial: transformar a emancipação econômica e social em emancipação política.

Se isto acontecer, o Brasil salvará o Brasil.

Nº 19.654 - " 'Denunciar golpe ao mundo é crime', diz Cristovam"

.

01/08/2016 

 

"Denunciar golpe ao mundo é crime", diz Cristovam



por Weden

O que restou de coerência e seriedade num senador que chegou a ser um dos mais promissores políticos do país? Nada sobre a perda de direitos dos trabalhadores; nada sobre a redução absurda de investimentos em educação e saúde prevista por Temer; nada sobre a quantidade de denunciados no governo interino; nada sobre os laudos e as perícias demonstrando que não há sustentação jurídica para o impeachment.

Para Cristovam Buarque, crime mesmo é denunciar o golpe ao mundo.  Em entrevista recente, disse com todas as letras:

“As ‘pedaladas’ eu não sei se são crime, mas a presidente cometeu o crime de espalhar pelo mundo a ideia de que o impeachment é golpe. Isso foi crime e é um crime do qual estou sendo vítima. Estou ouvindo muito, me escrevem, protestam – por enquanto com respeito – porque eu ainda não votei”, afirmou.

Para o senador, a certeza de que foi golpe não deveria ser levada ao mundo, ou denunciada à imprensa internacional, às organizações internacionais, não deveria sair aqui da província.  Cristóvam acha que os golpes devem ficar bem escondidinhos, bem safadinhos, bem nas alcovas da democracia do país. Ou da falta dela.

Parece realmente que Cristóvam está com vergonha de ser visto no exterior como um reles golpista, como um político com pouco respeito à democracia, aliado de aventureiros que, não sendo eleitos, usurpam o poder de maneira indecente e sem escrúpulos.

Ora, basta que ele mude o voto e defenda a democracia, para  que limpe a barra perante o mundo, a imprensa estrangeira, as organizações internacionais, os parlamentares americanos, os senadores franceses, os intelectuais de expressão internacional.

Para o inconformado senador, todos estes estão cometendo o crime de revelar o golpe bananeiro. Imagino que se pudesse mandaria prender todos, incluindo Dilma, lógico. Como se ela sozinha pudesse causar o tremendo estrago na imagem do país, agora visto de novo como uma democracia envergonhada.
O que restou de Cristóvam? De novo podemos perguntar.

Restou um político ressentido (ainda a velha conversa sobre a paternidade do Bolsa Família e sobre a demissão do MEC, de que não se recupera jamais), sem convicções, e, principalmente, sem respeito ao próprio passado. Já que silencia até aqui sobre o desmonte do MEC patrocinado por Temer, sobre todos os males previstos contra os mais pobres, os mais desassistidos, os mais carentes.

O que mostra que, o fundo, no fundo, o pior golpe de Cristóvam é contra si mesmo. Algo que ainda pode corrigir, com um simples voto.


_______________________________

.
PITACO DO ContrapontoPIG 


Consta que Cristovam foi despedido do MEC por Lula por telefone de Paris. Daí a mágoa.

Um senador capaz de prejudicar o país por covardia despeito e cinismo, não merece o respeito de ninguém.

Já foi escrachado uma vez. E merece ser,  de novo,  a cada oportunidade. 


_______________________________

Nº 19.653 - "Escracho de defensores do SUS faz Temer desistir de visita ao Incor"

 

01/08/2016

 

Escracho de defensores do SUS faz Temer desistir de visita ao Incor

 
Apesar de propor redução do SUS, presidente interino e seu ministro da Saúde iam participar da comemoração de mil transplantes de órgãos no sistema
 
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 01/08/2016 13:32, última modificação 01/08/2016 13:34
 
 
Mídia Ninja
sus
Manifestantes fecharam a frente do hospital em protesto contra os cortes no SUS propostos pelo governo interino

São Paulo – O presidente interino Michel Temer (PMDB) e o ministro interino da Saúde, Ricardo Barros, desistiram de visitar a sede do Instituto do Coração (Incor) de São Paulo, na manhã de hoje (1º), por conta de um protesto de profissionais da saúde na sede do hospital. Os manifestantes são contra a redução do Sistema Único de Saúde (SUS) e a proposta de aumentar o alcance e a liberdade de atuação dos planos de saúde no país, defendida pelos interinos. “Para melhorar o atendimento e a vida da população, nós precisamos de mais SUS e não menos”, disse o ativista Hugo Fanton.

Os manifestantes ocuparam a frente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde funciona o Incor, em Pinheiros, zona oeste da cidade. Com faixas e cartazes, pediam a saída de Temer da presidência e a manutenção do SUS universal e gratuito. Temer e Barros iriam encontrar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

“Eles vieram a São Paulo comemorar a marca de mil transplantes de órgãos realizados no Incor. Um serviço que é 100% feito pelo SUS. Porque é muito caro e a rede privada não tem interesse em fazer.

Curioso termos aqueles que querem acabar com o SUS, um representante de empresários e o governador que criou a 'dupla porta' – separação do atendimento na rede pública estadual entre quem tem ou não tem convênio médico particular – comemorando uma marca do SUS público”, disse Fanton, militante da Central de Movimentos Populares (CMP) e da União dos Movimentos Populares de Saúde (UMPS).

Um mês após o temer assumir, o ministro disse que tinha que reduzir o SUS. Ele afirmou que o país não tem dinheiro para garantir o SUS universal e gratuito e que quanto mais gente tivesse plano de saúde, melhor. "Temos que chegar ao ponto do equilíbrio entre o que o Estado tem condições de suprir e o que o cidadão tem direito de receber", afirmou Barros, que também defendeu maior liberdade de mercado para os planos de saúde, que hoje estão entre os serviços mais reclamados judicialmente no país.

Além disso, o presidente interino enviou ao Congresso Nacional uma proposta para acabar com a vinculação de receitas – obrigação de gastar parte determinada do orçamento – em saúde e educação. No fim de maio, Temer anunciou o fim do Fundo Soberano do Pré-Sal, do qual parte da verba seria utilizada justamente para fortalecer o financiamento do SUS.

Para os profissionais e militantes da área, as ações soaram como um anúncio de liquidação do sistema.

“A intenção desse governo golpista é acabar com direitos sociais. E um desses é o SUS. O ministro representa interesses privados na saúde. Nós vamos seguir defendendo a saúde como direito fundamental, como foi conquistado na Constituição Federal de 1988”, afirmou Fanton.


____________________________
.
 .
PITADO DO ContrapontoPIG 
. .

Todo escracho é pouco para um presidente interino usurpador. 
.
Escracho a toda hora e em todo lugar 

._____________________


.

Nº 19.652 - "Os primeiros golpes de Rodrigo Maia "

.

01/08/2016

 

Os primeiros golpes de Rodrigo Maia  

 

Do Blog do Miro - domingo, 31 de julho de 2016

 

 

 
Por Altamiro Borges


Seguindo os passos do pai, o ex-prefeito Cesar Maia, o novo presidente da Câmara Federal adora um factoide. Neste domingo (31), Rodrigo Maia (DEM-RJ) ganhou as manchetes da mídia chapa-branca ao defender a candidatura do Judas Michel Temer na eleição presidencial de 2018. "Se o Michel for confirmado presidente e o governo chegar a 50% de ótimo e bom, é ele que será o candidato do nosso campo, quer queira, quer não”, disse à imprensa. O demo sabe que o usurpador foi considerado ficha-suja pela Justiça Eleitoral, o que inviabiliza sua candidatura pelos próximos oito anos. Mesmo assim, ele fez as suas previsões mirabolantes para ganhar capa nos jornalões e destaque nas telinhas de tevê. Ao mesmo tempo, porém, o neoliberal convicto desfecha os primeiros golpes na Câmara Federal.
Na semana passada, por exemplo, Rodrigo Maia admitiu publicamente que participou de um acordo para enterrar a Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as poderosas empresas fraudadoras de impostos. A notícia, bem mais relevante, não foi manchete na mídia privada. A Folha golpista, por exemplo, deu uma pequena matéria. "O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reconheceu à Folha que decidiu revogar a prorrogação dos trabalhos da CPI do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) e determinar que a apuração seja encerrada na primeira semana de agosto para cumprir um acordo firmado às vésperas de sua eleição para o cargo, em 15 de julho".
 
O acordo para salvar os fraudadores
 
Ainda segundo a reportagem, "o acerto para encerrar as investigações havia sido fechado na presença de Maia pelo então presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), com integrantes de partidos como o DEM, o PSDB e o PSB. Maranhão depois recuou e acabou dando um prazo extra de 60 dias à CPI. O presidente recém-eleito, entretanto, decidiu manter o que havia sido acordado e publicou ato revogando a prorrogação da CPI e determinando que os últimos 26 dias de trabalho do colegiado fossem dedicados apenas à votação de seu relatório". A decisão deve ter sido festejada pelo Bradesco, Safra, Gerdau e outras poderosas corporações denunciadas por fraudes fiscais bilionárias.
Como alertou o deputado Ivan Valente, líder do PSOL, a medida intempestiva do demo, tomada três dias após sua posse, mostra qual será a conduta da Câmara Federal na próxima fase. "Rodrigo Maia já deixa a sua marca de blindador das grandes empresas ao cancelar a prorrogação da CPI do Carf. Certamente, ele tem acordo com o PSDB e outros partidos. A manobra visa proteger fraudadores da Receita Federal, que deveriam ser multados em bilhões de reais, muitos dos quais já estão indiciados e até denunciados". A gravíssima decisão não foi destaque na TV Globo, até porque a sua afiliada no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a RBS, também era investigada pela CPI agora enterrada.
 
Político orgânico dos neoliberais
 

Este primeiro golpe mostra bem qual será o papel de Rodrigo Maia no comando da Câmara Federal. Se é verdade que sua eleição bagunçou a base de apoio do Judas Michel Temer, gerando atritos com a tropa de choque do correntista suíço Eduardo Cunha, também é evidente que sua vitória confirma o fortalecimento das ideias neoliberais no parlamento. Projetos lesivos à nação - como o da entrega do pré-sal às multinacionais do petróleo - e contrários aos trabalhadores - como as reformas trabalhista e previdenciária - deverão entrar na ordem no dia na Câmara Federal. Talvez sem a agressividade de Eduardo Cunha, o chefão do DEM fará de tudo para aprová-los o mais rápido possível.
O deputado carioca e o seu partido, o DEM - que estava quase falindo e agora retorna à ribalta com a conquista da Câmara Federal - sempre defenderam as teses neoliberais de desmonte do Estado, da nação e do trabalho. Em entrevista, o demo já declarou que é favorável a um Estado "tipo garota de Ipanema. Sem gordura, mas organizado para suas tarefas essenciais". Ele também não esconde suas posições retrógradas no que se refere aos direitos civis, opondo-se abertamente ao direito ao aborto e ao casamento gay. "Eu tenho minhas convicções de um político conservador", afirma sem pestanejar.
 
Uma benesse para Michel Temer
 
Como festejou a revista Época, da famiglia Marinho, "a eleição de Rodrigo Maia é uma benesse para o governo interino". A matéria assinada por Leandro Loyola lista as razões: "Com Maia, Temer terá um aliado a comandar as votações, um trunfo para quem precisa aprovar matérias difíceis em pouco tempo de mandato pela frente. Maia é um deputado com opiniões alinhadas às da equipe econômica de Temer, percebe a gravidade da situação fiscal e concorda com as medidas de austeridade a serem tomadas. Será um aliado importante para votações difíceis, como a da reforma da Previdência". 
"Ele tem a vantagem também de estar em um partido antigo e estabelecido, o DEM, antigo PFL, com estrutura e deputados experientes. É uma grande vantagem em uma Câmara Federal esfacelada em 27 partidos, que vinha sendo dominada pela união de pequenos e médios. Com Eduardo Cunha incapaz de liderar como antes, essa turma custa cada vez mais caro ao Planalto. Ainda vai custar, mas sua dispersão na votação de ontem mostra que está difícil conciliar os interesses internos do grupo. Sem isso, seu poder de negociação se reduz um pouco". Ou seja: não dá para ter ilusões sobre sua gestão.
 

Porta-voz da oligarquia financeira
 
O demo Rodrigo Maia é um político orgânico do capital, um convicto defensor das teses destrutivas e regressivas do neoliberalismo. Não é para menos que ele é bancado pela oligarquia financeira. Como demonstrou a Folha, em matéria publicada em 15 de julho pelos jornalistas Rubens Valente e Rodrigo Vizeu, "ex-funcionário dos bancos BMG e Icatu, nos quais trabalhou por sete anos, o novo presidente da Câmara é fortemente apoiado em suas campanhas eleitorais por executivos e empresas do sistema financeiro nacional. As prestações de conta das cinco candidaturas que Rodrigo Maia disputou desde 2002 - quatro vitórias à Câmara Federal e uma derrota à Prefeitura do Rio - mostram que o setor da economia bancou mais de um terço dos gastos declarados por ele à Justiça Eleitoral (36,8%)".

"O BMG, que foi investigado no escândalo do mensalão em 2005, é o principal doador, com R$ 2,4 milhões entre 2002 e 2014, em valores nominais não corrigidos pela inflação, do total de R$ 4,4 milhões provenientes do sistema financeiro. No mesmo período, Maia recebeu para suas campanhas R$ 12,1 milhões ao todo. Dois operadores do mercado financeiro no Rio optaram ajudar Maia não por suas empresas, mas por meio de doações pessoais. O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, um dos formuladores das teses econômicas do PSDB e dono de uma gestora de recursos, doou R$ 50 mil para a campanha de Maia em 2010. Na de 2014, o operador do mercado financeiro Antônio José Carneiro, conhecido como 'Bode', desembolsou R$ 180 mil para a campanha".

Os jornalistas lembram ainda que alguns doadores de Rodrigo Maia são "empresas investigadas pela Operação Lava Jato por corrupção e formação de cartel, como a UTC Engenharia, que doou R$ 300 mil em 2010 e a OAS, que forneceu R$ 50 mil em 2012. Somados, empreiteiras e setor financeiro responderam por metade dos custos das campanhas de Maia (49,18%). O número, porém, pode ser muito maior, pois a verdadeira origem de 31,6% do total de doadores não é rastreável. Aproveitando uma brecha da legislação eleitoral então em vigor, a chamada doação oculta, as campanhas de Maia em 2006 e 2010 receberam R$ 3,7 milhões sem que seja possível saber quem são os principais doadores. O dinheiro veio de diretórios de DEM e PFL que receberam doações de empresas".

Em tempo: Segundo matéria do Jornal do Brasil, o novo presidente da Câmara Federal já desfechou o seu segundo golpe - também favorável à máfia financeira. "Cobrado a colocar em votação um recurso pela instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito do BTG Pactual, o deputado Rodrigo Maia não vai ceder aos apelos e a investigação contra o banco de André Esteves continuará arquivada... O BTG Pactual é um dos maiores doadores de campanha eleitoral de 2014 - doou mais de R$ 30 milhões... André Esteves foi preso pela Polícia Federal no fim do ano passado, após suspeitas de ter agido para obstruir uma investigação sobre possíveis subornos apurados pela Lava Jato. O banqueiro bilionário foi solto por decisão do STF, mas o Ministério Público Federal reiterou a denúncia contra Esteves".

.

Nº 19.651 - " 'Parcerias' com Cunha no caminho de Michel Temer "


01/08/2016

.

01/08/2016 

.

“Parcerias” com Cunha no caminho de Michel Temer

 
 
Brasil 247 - 01 de Agosto de 2016
 
Lula Marques/ Agência PT: <p>Brasília- DF 01-07-2015- Vice-Presidente Michel Temer, Eduarado Cunha, Renan Calheiros, Presidente do PT, Rui Falcão durante posse da presidente do PCdoB, Luciana Santos. Foto: Lula Marques/ Agência PT</p>




Certo de que o Senado vai condenar Dilma e efetivá-lo na presidência, Michel Temer já pensa até em reeleição. Num teatrinho pueril, Rodrigo Maia o lançou e ele negou tais planos. Começa sempre assim. Mas o interino ainda tem uma ponte para atravessar, a ação do PSDB no TSE pedindo a cassação da chapa Dilma-Temer. Quando um dia for examiná-la, o TSE responderá também ao pedido de Temer para que o deixem fora, pois teria movimentado apenas recursos doados ao PMDB.

Se tais doações forem examinadas com o mesmo rigor que Gilmar Mendes reserva às que foram feitas via PT, vai aparecer pelo menos um jabuti, a doação de R$ 1,5 milhão da empresa Libra, ao que tudo indica beneficiária de uma "parceria do passado" entre Temer e Eduardo Cunha. A ela é que Cunha teria se referido, na conversa que teve com Temer no Jaburu em junho, antes de renunciar à presidência da Câmara. Temendo estar sendo gravado, Temer se exaltou e cortou rispidamente a conversa. Cunha vazou o encontro.
 
Na revista Carta Capital desta semana o repórter André Barrocal exuma as relações, antigas e atuais, entre o PMDB e a Libra. Começa revelando que no mês passado o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, determinou ao ministro dos Transportes, Maurício Quintela, que desautorizasse a contratação, pela Codesp, estatal gestora do porto, do advogado Nelson Wilians, para representá-la na arbitragem particular de um contencioso com a Libra, que alcança a cifra de R$ 2,3 bilhões. O advogado embolsaria 1%, ou 23 milhões. A contra-ordem foi dada depois de divulgados os termos do contrato e a proximidade entre Wilians e Robinson Padilha, filho do ministro. A ordem foi executada.

Há muito se sabe que o Porto de Santos é um califado de Temer. ACM já o dizia. Mas a "parceria" com Cunha teria sido em 2013. Na votação da MP dos Portos, o então líder do PMDB derrotou Dilma, que propusera mudança nas regras de concessões com mais de 20 anos, como era o caso da de Libra, e ainda incluiu um artigo prevendo que contenciosos entre a União e concessionários pudessem ser resolvidos não pela Justiça mas pela arbitragem privada, quando as partes elegem um terceiro entre para decidir o conflito.

"Feliz da vida", como escreve Barrocal, Libra, que no pleito anterior doara apenas R$ 110 mil ao PMDB, em 2014 doou R$ 1,5 milhão, sendo que um terço para o diretório do Rio, estado de Cunha. E houve ainda, através de membros da família Torrealba, dona da empresa, a doação de outros R$ 950 mil para o diretório nacional, destinados à campanha presidencial. Vale dizer, à recandidatura de Temer a vice na chapa de Dilma.

Em 2013, Dilma resistiu mas acabou cedendo à pressão de seu vice para que nomeasse o dileto amigo Edinho Araújo para a Secretaria de Portos. Ele tomou as medidas necessários para renovar a concessão sob as mesmas regras e implementar a arbitragem. Em 2014 Dilma o tirou, contra a vontade de Temer, que externou sua mágoa naquela carta de rompimento.

Segundo Barrocal, um procurador federal, falando em "off", diz que o Ministério Público, se quisesse, poderia abrir investigações sobre a conexão entre tais doações e a MP, na linha do que fez a Operação Zelotes ao investigar suposta "compra de MPs" com desvio de finalidade. O Ministério Público segue ignorando o assunto. O TSE, quando for julgar a ação do PSDB, teria que examinar também a legalidade das doações diretas ao PMDB. Mas, por ora, só quer saber do que foi doado à chapa através do PT.

Esta é uma questão com que Temer ainda vai se defrontar antes de pensar em reeleição, se efetivado for. 

Afora aquela ação que tornou inelegível por ter feito doações acima do valor permitido. 

.

Tereza Cruvinel. Colunista do 247, Tereza Cruvinel é uma das mais respeitadas jornalistas políticas do País
.

Nº 19.650 - "Laura Capriglione: O MPF é cego? E a mídia golpista também não percebeu que esse juiz já era conhecido dela?"

  .

01/08/2016 

.

Laura Capriglione: O MPF é cego? E a mídia golpista também não percebeu que esse juiz já era conhecido dela?

 

Do Viomundo - 31 de julho de 2016 às 00h33
 

Soares Leite - repdução diário do nordeste 
Juiz Ricardo Augusto Soares Leite, que segundo o próprio Ministério Público Federal, dificultou a punição dos fraudadores da Receita  (Reprodução: Diário do Nordeste)


Dois pesos e duas medidas

por Laura Capriglione, especial para o Jornalistas Livres

O juiz que assina a decisão de transformar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em réu é Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília. Leite é conhecidíssimo, mas não por sua eficiência. Bem ao contrário.

Juiz da Operação Zelotes, que apura esquema de corrupção no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão responsável por julgar os autos de infração da Receita, o juiz que transformou Lula em réu teve a capacidade de ser denunciado pelo próprio Ministério Público Federal.

Reportagem publicada pela Folha, em 20 de junho de 2015, mostrava o Ministério Público reclamando de várias decisões judiciais de Ricardo Augusto Soares Leite que dificultaram a obtenção de provas contra os fraudadores da Receita.

“O juiz Ricardo Leite negou todos os pedidos de prisão dos investigados, suspendeu escuta telefônica e não autorizou buscas e apreensões.”

“A Procuradoria já representou contra Leite na Corregedoria do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, em abril. Segundo a Folha apurou, se nenhuma medida for adotada pela corregedoria do Tribunal, a Procuradoria da República no Distrito Federal vai recorrer ao Conselho Nacional de Justiça.”

“Segundo a polícia, multas contra empresas somando R$ 19 bilhões tiveram o julgamento alterado pela ação de uma quadrilha que atuava junto ao órgão.”

Pois não é que exatamente esse juiz da 10º Vara Federal, que, segundo o próprio Ministério Público Federal, dificultou a punição dos fraudadores da Receita, é exatamente esse o homem que transformou Lula em réu?

A Justiça é cega mesmo?

E a imprensa golpista? Não percebeu também que esse nome já era dela conhecido?

Aqui a reportagem da Folha, publicada há pouco mais de um ano:

juiz

Procuradoria quer afastar juiz que apura corrupção em conselho

LEONARDO SOUZA

DO RIO – 20/06/2015 02h00

O Ministério Público Federal quer o afastamento do juiz Ricardo Augusto Soares Leite da 10ª Vara Federal de Brasília. Leite é o juiz da Operação Zelotes, que apura esquema de corrupção no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão responsável por julgar os autos de infração da Receita.

Segundo a polícia, multas contra empresas somando R$ 19 bilhões tiveram o julgamento alterado pela ação de uma quadrilha que atuava junto ao órgão.

O Ministério Público, no entanto, disse que não conseguirá anular a maioria dos casos, porque várias decisões judiciais dificultaram a obtenção de provas.

O juiz Ricardo Leite negou todos os pedidos de prisão dos investigados, suspendeu escuta telefônica e não autorizou buscas e apreensões.

A Procuradoria já representou contra Leite na Corregedoria do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, em abril. Segundo a Folha apurou, se nenhuma medida for adotada pela corregedoria do Tribunal, a Procuradoria da República no Distrito Federal vai recorrer ao Conselho Nacional de Justiça.

Juiz substituto, o magistrado está há aproximadamente dez anos no comando da 10ª Vara, especializada em julgamentos de crimes de lavagem de dinheiro.


VAMPIROS


Nesse período, passaram pelas mãos de Leite casos como o da máfia dos Vampiros, o de Maurício Marinho (Correios), Waldomiro Diniz (Casa Civil) e o da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo (veja quadro ao lado).

Na representação à corregedoria do TRF, à qual a Folha teve acesso, os procuradores relatam o que classificam como “a existência de um crônico e grave quadro de ineficiência” na atuação do juiz Ricardo Leite.

Procurado por uma semana na Justiça Federal no DF, ele não quis dar declarações (leia texto ao lado).

De acordo com o documento, o magistrado prejudicou o andamento dos processos por demorar para tomar decisões simples e por empregar expedientes jurídicos vetados pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Os procuradores dão exemplos de como “a extrema morosidade” no trâmite dos processos na 10ª Vara gera “substanciais prejuízos” ao país.

Na Operação Vampiro, deflagrada em 2004, o STJ negou um recurso impetrado pelos réus e autorizou, em 2010, o andamento regular do processo. A ação penal só foi retomada pela 10ª Vara, porém, em fevereiro de 2012.

A Justiça suíça bloqueou recursos nos nomes de alguns dos réus. O dinheiro não foi repatriado para o Brasil porque até hoje não há uma decisão definitiva sobre o caso.

Na representação ao TRF, o MPF pede que a corregedoria instaure procedimento avulso contra o juiz e uma correição extraordinária na 10ª Vara Federal. Entre as punições previstas que podem ser aplicadas ao juiz, estão advertência, remoção para outra vara e até mesmo aposentadoria compulsória.

Na correição extraordinária, seria feito diagnóstico completo da Vara para acelerar o andamento dos processos. Nos próximos dias, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) vai na mesma direção: solicitará ao CNJ a instauração de sindicância e processo administrativo disciplinar contra o juiz. Segundo Pimenta, relator da subcomissão da Câmara criada para acompanhar a Zelotes, a atitude do juiz Ricardo Leite tem “prejudicado sobremaneira a apuração dos fatos”.

OUTRO LADO

A Folha fez diversos contatos com a assessoria de imprensa da Justiça Federal em Brasília, por mais de uma semana, pedindo uma entrevista com o juiz Ricardo Augusto Soares Leite para que ele comentasse as reclamações da Procuradoria.

Ele não ligou de volta.

A reportagem também mandou e-mails para a assessoria, mas as mensagens não foram respondidas.
Em audiências realizadas na Câmara pelo relator da subcomissão para acompanhar a Operação Zelotes, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), delegados da Polícia Federal e procuradores da República encarregados do caso reclamaram publicamente do comportamento do juiz Soares Leite.

Frederico Paiva, procurador que coordena as investigações de fraude em julgamentos do Carf, disse que os pedidos de prisão negados por Leite eram importantes para impedir que os investigados combinassem os depoimentos.

“Ele [o juiz] tem um histórico de acúmulo de processos, um comportamento que chama atenção e deveria ser examinado de perto”, disse Paiva numa das audiências públicas.


 Leia também:
Ignacio Delgado: 2016, o ano que foi dado um golpe e se preparou outro para 2018 

.

Nº 19.649 - " Sobre 'Claudios' e “Vejas”, por Luiz Carlos de Freitas "

.

01/08/2016

Sobre “Claudios” e “Vejas”, por Luiz Carlos de Freitas





do Avaliação Educacional - Blog do Freitas



Sobre “Claudios” e “Vejas”


por Luiz Carlos de Freitas


O artigo de Claudio Moura Castro na Veja, destilando de novo seus dogmas de fé sem evidência empírica nenhuma, é típico da aliança que cada vez mais existirá no país entre parte da grande mídia e certas ideias que atendem aos empresários educacionais que estão de olho nos processos de privatização da educação em curso no país. É o lobby da desinformação. Serão muitos os “claudios” e “vejas” que “florescerão” na grande mídia.

Não há que se esquecer que por trás da desinformação, não raramente, encontram-se corporações educacionais ávidas para transformar a educação em um grande mercado lucrativo. Hoje é uma matéria sobre o “professor”, amanhã sobre “escolas charters”, depois sobre o papel nefasto dos “sindicatos”, e assim prosseguirá ao longo de toda a agenda dos reformadores empresariais da educação, deturpando e omitindo fatos. Não há nada de diferente se examinamos o papel de uma parte da mídia americana que igualmente, ao longo dos últimos 30 anos, fez o mesmo papel naquele país.

Esta junção de mídias com a reforma empresarial, não tem nada a ver com “informação” ou com “má informação”, como diria Shawgi Tell, é pura “desinformação”, mesmo. Os veículos da mídia foram feitos, em tese, para informar, mas admite-se que possam errar e passar uma má informação. Neste caso, é um erro de boa fé, por ter interpretado errado um dado, ou deixado de veicular todos os lados de um mesmo problema. Mas, no caso em questão, não se trata disso: trata-se de “desinformação” destinada a criar agenda pública.

Desinformação é o uso de informação com a intenção de produzir uma visão equivocada de um assunto ou tema. Desinformação é a distribuição intencional de informação parcial, viesada, manipulada, desenhada para mistificar o contexto real das coisas a ponto de confundir as pessoas e colocá-las em uma posição vulnerável ante certas ideias infundadas, que são de interesse daquele que as difunde, ocultando sabidos fatos, de forma a produzir incompreensões e até danos às pessoas ou ao país. Quanto se usou disso no debate sobre o câncer causado pelo cigarro. O lobby do cigarro, que associou uma parte da mídia e as corporações do fumo, viabilizou a desgraça de milhões, e ao mesmo tempo, viabilizou milhões de dólares para outros.

Para combater esta desinformação, é preciso estimular a mídia informal, que circula nas redes sociais abertas, e que está fora de controle das grandes corporações midiáticas. Um destes instrumentos, são os Blogs independentes. A desinformação veiculada na grande mídia não pode ser combatida diretamente nela, pois é destinada a confundir e já nasce sem compromisso com a verdade.
 
Seus autores (os candidatos a “acadêmicos” são os piores) nutrem-se exatamente da reação irada das pessoas que se erguem contra a sua “desinformação”. Promovem-na com o propósito de gerar tal reação, pois é isso que os fortalece nos círculos internos de poder, onde passam a ser considerados “destemidos” e “fiéis”. Quanto mais são criticados, mais se avassalam a tais ideias e mais acumulam poder, em um circuito interminável. De quebra, constroem agendas públicas de interesse das corporações, promovem falsos dilemas e influenciam sua solução a partir da desisformação.

Portanto, o que precisamos é que o leitor brasileiro amadureça e se torne mais seletivo e mais crítico sobre a informações ou desinformações que chegam a ele todos os dias nas grandes redes midiáticas. Neste processo, democratizar os dados dos estudos e pesquisas, em especial aqueles que mostram o lado contrário que é ocultado pela grande mídia, é de grande relevância para a formação da opinião pública.

Esta é a melhor forma de se combater os “Claudios” e as “Vejas”.
.

Nº 19.648 - "Donos do poder exibem o ódio de classe"

 

01/08/2016

Donos do poder exibem o ódio de classe

Dias lembra: isso não vai ficar assim...


Conversa Afiada - publicado 01/08/2016
 
BolsaOnaro.jpg

O Conversa Afiada reproduz o artigo inicial de Mauricio Dias, maestro da Rosa dos Ventos, na Carta Capital.
 
 
A última esperança
 

Medido pelo comportamento da mídia, autointitulada porta-voz da sociedade, mesmo assim é inacreditável o silêncio dos autointitulados democratas diante do golpe dissimulado de impeachment. Sem crime ao rasgar a Constituição.

A presidenta eleita e afastada parece confiar no seu retorno ao Palácio do Planalto. Apesar da sua esperança, ou convicção, do outro lado manifesta-se a força do engodo. Se o golpe for consumado, terá inevitáveis consequências, e mesmo conflitos perigosos.

O risco é percebido por Dilma. Em entrevista ao jornal mexicano La Jornada, publicada no domingo 24, a presidenta afastada mostrou preocupação com o desenrolar da história: “Esses processos golpistas podem trazer consequências imprevisíveis”.

Segundo ela, “não se pode sustentar indefinidamente a ocultação da realidade e a realidade é o golpe (...) processos típicos golpistas querem silenciar os protestos, os governos que não têm votos são intolerantes. Os líderes do golpe querem sempre o silêncio”.

Há um discurso predominante. Nasce da reação conservadora longe do poder por 13 anos e vinga nas reportagens, análises editoriais, colunas de jornais, rádios, televisões e nas semanais alinhadas.

Mais de 50 anos separam um golpe do outro. Hoje há, e não havia em 64, uma diversificação tão pronunciada entre os agrupamentos sociais. Além disso, ontem havia e hoje não há a ação direta dos militares.

Uma repulsa ao golpe existe, traduzida no lema “Fora Temer”. Trata-se, potencialmente, de uma fonte de fermentação, bem como outra, capaz de atingir cruelmente a população mais pobre.

É o resultado de um compromisso, sem-vergonha e sem virtude, assumido pelo presidente interino. Nesse sentido, há proposições e decisões já em curso no governo Temer.

Existe a promessa de fazer, a ferro e fogo, a reforma da Previdência e da Consolidação das Leis do Trabalho. Obviamente, não serão favoráveis aos beneficiários de hoje. Com o mesmo propósito, há de se criar um teto financeiro para os programas de Saúde e Educação.

Pretendem mandar para o espaço o programa Ciência sem Fronteiras. Registre-se ainda o esboço da intenção de dar um fim às universidades públicas.

Estamos diante do desmanche radical dos programas dos governos petistas, Lula e Dilma, alcançando ainda as políticas populares de Getúlio Vargas.
 

Fica-se com a impressão de que os tradicionais donos do poder extravasam todo o seu ódio de classe.
 
 
 
 

Nesse domingo 31 de julho, na Avenida Paulista (sugestão do amigo navegante Pedro Vieira)

.