sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Nº 19.862 - "Vinte senadores golpistas estão na Lava-Jato "

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02/092016

 

Vinte senadores golpistas estão na Lava-Jato 

 

Blog do Miro - quinta-feira, 1 de setembro de 2016

 



por Altamiro Borges

E ainda tem “midiota” – a pobre figura manipulada cotidianamente pela imprensa – que acredita que o impeachment da presidenta Dilma, aprovado no tribunal de exceção do Senado neste fatídico 31 de agosto de 2016, foi desfechado para salvar o Brasil da corrupção.

 Haja inocência, burrice ou cinismo! O Jornal do Brasil desta quinta-feira (1) traz um levantamento que mostra que 20 dos 61 senadores que votaram no golpe já foram citados na midiática Operação Lava-Jato, que apura a roubalheira na Petrobras. Outros senadores metidos a éticos estão envolvidos em outros crimes. Vale conferir a lista dos falsos moralista:




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Foto do Viomundo

1- Acir Gurgacz (PDT-RO) - É réu em ação penal por falsificação de documentos, "lavagem" ou ocultação de bens e crimes de estelionato, obtenção de financiamento mediante fraude e aplicação de recursos oriundos de financiamento de instituição financeira para finalidades diferentes do que previa o contrato ou lei correspondente. O processo corre sob em segredo de Justiça.

2- Aécio Neves (PSDB-MG) – O senador tucano é investigado nos inquéritos 4246 e 4244 pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O presidente do PSDB é acusar de receber vantagens ilícitas de empresa contratada pela estatal Furnas Centrais Elétricas. Segundo a denúncia da PGR, recursos irregularmente desviados de Furnas recebiam verniz legal por intermédio de pessoas jurídicas ligadas à irmã do senador tucano. Além disso, ainda de acordo com a acusação, o dinheiro era destinado a contas no exterior, por meio de doleiros, o que configura evasão de divisas. Seu nome faz parte da lista divulgada pela empreiteira Odebrecht que contém 300 nomes mencionados nos documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a 23ª fase da Operação Lava Jato.

3- Aloysio Nunes (PSDB-SP) - O senador é investigado por caixa-dois em inquérito cujo número não é divulgado na página do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação foi aberta com base em depoimentos de delação premiada do presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, investigado na Operação Lava Jato. Inicialmente, o pedido foi encaminhado ao ministro Teori Zavascki, relator dos inquéritos da Lava Jato no STF.

4- Ataídes Oliveira (PSDB-TO) - Nas eleições de 2010, a construtora que pertence ao senador realizou doação acima do limite permitido para a campanha do ex-governador Siqueira Campos (PSDB). O parlamentar foi condenado em primeira e segunda instâncias e recorre no TSE, onde conseguiu efeito suspensivo em ação cautelar.

5- Benedito de Lira (PP-AL) - É alvo de inquéritos abertos com a Operação Lava Jato da Policia Federal, que investigam esquema de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras.

6- Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) - Teve o mandato de governador cassado em ação de investigação judicial por abusos de poder econômico e político, captação ilícita de sufrágio e conduta vedada a agente público. Foi também condenado a pagamento de multa. Recorreu, mas decisão foi mantida. Faz parte da lista divulgada pela empreiteira Odebrecht que contém 300 nomes mencionados nos documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a 23ª fase da Operação Lava Jato.

7- Ciro Nogueira (PP-PI) - Responde ao Inquérito 3989, da Operação Lava Jato, pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção passiva. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa citou Ciro como responsável pela indicação da distribuição dos repasses a políticos do PP após a morte do ex-deputado José Janene. O senador ainda responde ao Inquérito 3910 por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e tráfico de influência. Nesse caso, Ciro e sua esposa, a deputada Iracema Portella (PP-PI), são suspeitos de usar notas frias no aluguel de veículos de uma locadora pertencente a um deputado estadual, de quem o casal é amigo. O senador afirma que “confia no trabalho da Justiça e que a verdade prevalecerá após a conclusão das investigações”.

8- Edison Lobão (PMDB-MA) - O Tribunal detectou irregularidades na aplicação dos recursos de um convênio entre o estado do Maranhão e a União, que visava melhorar condições de assistência básica de saúde na região. Parte dos recursos foi utilizada para pagar exame, consulta e tratamento médico domiciliar do senador, então governador do estado. O ex-ministro de Minas e Energia é investigado nos inquéritos 3986, 3977 e 3989, todos da Lava Jato. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que mandou entregar R$ 2 milhões à ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney para campanha de 2010, a pedido de Lobão. De acordo com o ex-diretor, o dinheiro foi entregue pelo doleiro Alberto Youssef.

9- Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) - Ex-ministro da Integração Nacional, o senador é investigado pela Operação Lava Jato no Inquérito 4005 pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Em delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse que Fernando pediu ao doleiro Alberto Youssef R$ 20 milhões para a campanha ao governo de Eduardo Campos (PSB), em 2010. Ele também é investigado nos inquéritos 3958, 4064 e 4139 por crimes contra a Lei de Licitações, peculato (desviar ou apropriar-se de recursos públicos), corrupção passiva, crimes de responsabilidade e lavagem de dinheiro. “O parlamentar prestará as informações devidas quando for convocado”, responderam seus assessores.

10- Fernando Collor (PRTB-AL) - Foi alvo de inúmeras denúncias de corrupção durante sua inteira carreira política. Único presidente da história do Brasil a sofrer um processo de impeachment, em 1992. Teve indeferido o registro de candidatura a prefeito de São Paulo nas eleições de 2000. Seu nome também aparece na Lava Jato.

11- Flexa Ribeiro (PSDB-PA) - É alvo de inquérito que apura a prática de crimes contra a administração pública. De acordo com a acusação, o parlamentar participou de esquema de fraude em contratos entre o Governo do Estado do Pará e empresas para realização de obras, construção e serviços de engenharia, que desviou dinheiro público a fim de financiar campanhas eleitorais.

12- Gladson Cameli (PP-AC) - É alvo de inquérito aberto com a Operação Lava Jato da Policia Federal, que investiga esquema de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras.

13- Jader Barbalho (PMDB-PA) - Em 2001, Jader renunciou ao mandato de senador após ser acusado de desviar recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará), da Sudam e do Ministério da Reforma Agrária. Chegou a ser preso por 16 horas pela Polícia Federal sob a suspeita de integrar quadrilha acusada de desviar mais de R$ 1 bilhão desses órgãos. Por isso, desde 2004 foi réu na Ação Penal 374 por emprego irregular de verbas públicas. Complementaram a investigação as ações penais 398, 397, 498 e 653 por peculato e crimes contra o sistema financeiro. No fim do ano passado, Jader entrou na mira da Operação Lava Jato. O ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró – preso desde janeiro de 2015 – afirmou em delação premiada que pagou propina de US$ 6 milhões aos senadores Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA), ambos do PMDB, em 2006. A suspeita resultou na abertura de um inquérito contra o ex-governador paraense.

14- José Agripino (DEM-RN) - Responde em inquérito aberto pelo STF para apurar o recebimento de propina da empreiteira OAS nas obras de construção do estádio Arena das Dunas, em Natal, para a Copa do Mundo de 2014. Faz parte da lista divulgada pela empreiteira Odebrecht que contém 300 nomes mencionados nos documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a 23ª fase da Operação Lava Jato.

15- Marta Suplicy (PMDB-SP) - Em uma delação premiada, alguns executivos da empresa investigada Odebrecht, informaram que Marta Suplicy teria recebido cerca de R$ 500 mil para a sua campanha pelo senado, em 2010, provenientes de um caixa dois. Na época, concorria pelo PT, sigla a qual deixou o ano passado, após afirmar que não conseguiria conviver com tantas corrupções. Ela então passou a assumir a legenda do PMDB, filiando-se ao partido.

16- Paulo Bauer (PSDB-SC) - Foi mantida a condenação por improbidade administrativa de ressarcimento de despesas efetuadas com verbas públicas em decorrência de gastos realizados com campanha publicitária contratada pela Secretaria Estadual da Educação, quando era o secretário responsável, a qual atribuíram escopo de promoção pessoal do administrador público.

17- Renan Calheiros (PMDB-AL) - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acumula 11 inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, desvio de dinheiro público e falsidade ideológica. Destes, nove são relacionados ao esquema de corrupção apurado pela Lava Jato e um decorre da Operação Zelotes, que investiga fraudes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em recente delação premiada, o lobista Fernando Baiano, operador do PMDB no esquema roubo da Petrobras, e o ex-diretor da estatal, Nestor Cerveró, acusaram Renan de ter recebido mais de US$ 6 milhões em propina por um contrato de afretamento do navio-sonda. O senador ainda é suspeito de ter recebido R$ 2 milhões do doleiro Alberto Youssef para evitar a instalação da CPI da Petrobras.

18- Romário (PSB-RJ) - O senador é investigado nos inquéritos 4303 por crimes contra o meio ambiente e 4271 por difamação e injúria. Com base em mensagens no celular do empreiteiro Marcelo Odebrecht, a Procuradoria-Geral da República enviou petição ao Supremo para abrir inquérito contra o senador, suspeito de receber caixa dois de campanha na eleição de 2014. De acordo com as investigações, o ex-jogador é suspeito de receber R$ 100 mil da empreiteira Odebrecht, após a eleição vitoriosa para o Senado, em 2014.

19- Romero Jucá (PMDB-RR) - O senador é alvo de quatro investigações. No Inquérito 3989, da Lava Jato, Jucá responde pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção passiva. Ele também é investigado nos inquéritos 3297, 2116, 2963 por crimes eleitorais, de responsabilidade e contra a ordem tributária, apropriação indébita previdenciária e falsidade ideológica. Um dos procedimentos diz respeito à origem e ao destino de R$ 100 mil jogados para fora de um carro por um de seus auxiliares momentos antes de ser abordado pela polícia. O ato ocorreu durante a campanha eleitoral de 2010. O assessor disse que o dinheiro seria usado na campanha de Romero Jucá.

20- Valdir Raupp (PMDB-RO) - É réu no processo que tramita há mais tempo no Supremo, entre aqueles que envolvem parlamentares. O ex-governador de Rondônia é réu na Ação Penal 358, por peculato, desde 2003. Raupp é acusado de liderar um esquema que, segundo a denúncia, desviou R$ 10 milhões do governo estadual para grupos de comunicação em troca de apoio político. O senador é réu em outras duas ações penais (383 e 577) por crimes eleitorais e contra o sistema financeiro nacional. É investigado pela Lava Jato nos inquéritos 3982 e 3989, por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção passiva. Ele ainda é alvo do Inquérito 4129 por peculato e formação de quadrilha.

O caso do “evangélico” Magno Malta

Está lista talvez explique porque o senador Romero Jucá, o “homem-forte” do usurpador Michel Temer, tenha confessado no áudio vazado de uma conversa com Sérgio Machado, ex-parlamentar do PSDB e do PMDB e ex-diretor da Transpetro, que era preciso acelerar o impeachment da presidenta Dilma para “estancar a ferida” das investigações da Lava-Jato. Ou seja, o “golpe dos corruptos” teria como objetivo principal proteger os bandidos que agora tomaram de assalto o Palácio do Planalto. Mas a lista do JB traz apenas uma parte dos moralistas sem moral – os citados na Lava-Jato. Outros estão envolvidos em outros casos escabrosos de desvio de dinheiro público.

Um caso emblemático é o do senador Magno Malta (PR-ES), que se diz evangélico, mas adora disseminar ódio e preconceito. Na votação desta quarta-feira no tribunal de exceção do Senado, ele insinuou que a presidenta Dilma Rousseff é mentirosa. “Quem mentiu no processo eleitoral? Foi a senhora ou seus marqueteiros?”, provocou. Os fascistas que militam nas redes sociais foram ao orgasmo, elogiando sua postura arrogante. Mas o falso moralista poderia aproveitar seu momento de glória para responder as novas acusações que surgiram sobre sua atuação “política” – e já são muitas no seu currículo. Em meados de agosto, a Folha publicou uma denúncia que até hoje está sem resposta. Vale conferir:

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E-mails indicam repasse de R$ 100 mil a senador Magno Malta

Por Reynaldo Turollo Jr.

Trocas de e-mail entre dirigentes de uma das maiores fabricantes de móveis de cozinha do país trazem indícios de repasse não declarado de R$ 100 mil para o senador Magno Malta (PR-ES). Os e-mails, obtidos pela Folha, são de 8 de setembro de 2014.

Outras mensagens entre funcionários e a direção da Cozinhas Itatiaia indicam que Malta viajou no avião particular da empresa em 2012 e 2013.

Malta, da bancada evangélica no Senado, nega ter recebido dinheiro da Itatiaia e afirma que voou no avião da firma para fazer palestras.

Os e-mails são conversas das quais participam o presidente da Itatiaia, Victor Penna Costa, o filho dele, Daniel Costa –que era gerente financeiro à época– e o então assessor da firma Hugo Gabrich.

Em um deles, o presidente da empresa diz que precisa pagar R$ 400 mil para "consultoria" de Gabrich. O assessor responde: "Estou entregando a NF [nota fiscal] que cobre o montante de R$ 500 mil conforme orientação do dr. Victor. Impostos serão incluídos na NF, totalizando R$ 575 mil."

Na nota emitida pela Vix Consulting, de Gabrich, a contratante é a Itatiaia. O acerto mostra que a contratante pagou os R$ 75 mil de impostos para a Vix –o que sugere que a nota foi encomendada.

Na sequência dos e-mails, Costa manda o filho depositar para a Vix Consulting somente R$ 475 mil. "Os outros 100.000 são para compensar a retirada em dinheiro de R$ 100.000 do Malta. Não sei como foi contabilizado [a saída desse valor da empresa]", escreve o presidente da firma.

O filho dele, então, pergunta: "Quem realizou o pagamento do Malta? Existe NF, foi declarado a doação?".

Victor encerra: "Não existe NF, não declaramos. Está em aberto, talvez como adiantamento para mim. Veja com Lailton [tesoureiro da empresa]. Favor apagar todos os e-mails sobre este assunto".

Procurado, Gabrich afirmou que sua empresa fez nota fria para justificar pagamentos não declarados da Itatiaia.

O destino do restante do valor da nota (R$ 400 mil) não aparece na troca de e-mails.

A pedido da reportagem, as origens das mensagens foram analisadas pelo perito em ciências forenses Reginaldo Tirotti. O especialista atestou a autenticidade delas, identificando a sequência de códigos gerados pelos remetentes das mensagens.

A Itatiaia foi fundada em 1964 e tem duas fábricas, em Ubá (MG) e em Sooretama (ES).

Em outro e-mail, de 8 de julho de 2014, um ano após a Itatiaia inaugurar a unidade capixaba, que recebeu incentivos fiscais, Gabrich descreve a Victor Costa o cenário político no Espírito Santo.

Menciona candidatos "viáveis" ao governo, fala de Malta, que "fechou aliança com o governador Casagrande", da mulher dele, Lauriete, que "não disputará a reeleição para deputada federal", e do "nosso deputado estadual, o Marcelo Santos - PMDB".

"Não tenho dinheiro para todos", responde o presidente da Itatiaia. "Não posso dar mais para deputado estadual que para senador."

Gabrich diz: "O Magno não é candidato agora a nada."

A Folha obteve também uma troca de mensagens entre Gabrich e Malta, que usa seu e-mail pessoal. Gabrich fala dos R$ 100 mil da Itatiaia e o senador responde: "Amigo não tenho conhecimento de nada dessas coisas.. Mas dia 16 estarei de volta a Brasília [sic]".

O ex-assessor da Itatiaia envia, então, cópia de conversas da direção da empresa que citam o político, que rebate: "Somos amigo Hugo.. Sempre fomos. Dia 16 te espero para o almoço no gabinete kkkk a rabada lembra?? [sic]".

JATINHO

Outros e-mails mostram que o senador usou avião particular da Itatiaia ao menos duas vezes: em 20 de julho de 2012, de Vitória a Aracaju (SE), e em 28 de fevereiro de 2013, no trajeto Brasília-São Paulo.

Em 22 de fevereiro daquele ano, uma secretária da Itatiaia agenda um voo para Costa, Gabrich e o senador. Em 28 de fevereiro, Malta vai com Gabrich ao BNDES –a reunião não constou da agenda oficial, informou o banco.

Sobre a viagem a Aracaju, há um e-mail enviado ao presidente da Itatiaia pelo então diretor Beto Rigoni, que relata problemas no trajeto.

"Eram 7 pessoas quando só cabem 4 no avião. O Yunes [piloto] tinha duas opções: dar duas viagens ou colocava todos dentro na aeronave. Como o senador pressionou ele bastante, ele [...] seguiu para Aracaju em 8 pessoas dentro do avião (além da insegurança, fizeram uma 'festa no ar')."

"Nós precisamos começar a cortá-lo. Os acionistas também não querem tanta proximidade", responde Costa.

OUTRO LADO

Em nota, o senador Magno Malta negou ter recebido dinheiro da Cozinhas Itatiaia.

"O senador, que vive grande exposição em virtude do processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff, responde com transparência e com a consciência de não ter cometido nenhum crime."

Os voos no jatinho, "que não são nenhuma ilegalidade", foram para palestras sobre "o combate à pedofilia, a redução da maioridade penal e a luta contra a legalização do uso da maconha".

A reunião no BNDES com funcionário da Itatiaia e o ex-diretor do banco Guilherme de Lacerda foi para atrair empregos para seu Estado, afirmou o senador.

Victor Costa, presidente da Itatiaia, disse que Malta não foi beneficiado. "O senador não recebeu esse dinheiro. Esse dinheiro está parado comigo, declarado", afirmou, em nota à Folha.

Sobre os voos, Costa disse que emprestava o avião da empresa para o senador "poder fazer alguns trabalhos para a igreja". "Época em que eu me tornei crente", afirmou.

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Mensagens sugerem fraude em leilão trabalhista

Mensagens de dirigentes da Itatiaia dão indícios de que o presidente da empresa, Victor Penna Costa, fraudou a arrematação de um terreno em Belo Horizonte lesando trabalhadores que cobravam dívidas trabalhistas de uma outra empresa.

Costa, por meio de seu ex-assessor, Hugo Gabrich, arrematou a área de 12.369 metros quadrados, em 2010, pelo valor mínimo estipulado pela Justiça, R$ 1,56 milhão.

O terreno pertencia à SIT Engenharia S.A., uma das empresas que construíram Brasília, e foi a leilão por causa de ação trabalhista. Seu valor de mercado era R$ 25 milhões.

Em e-mail de 2013, quase três anos após o leilão, o dono da SIT, Luiz Lima Lobato, escreve ao presidente da Itatiaia cobrando quantia que ambos teriam acertado por fora do leilão. Com isso, Lobato embolsaria os valores, em vez de pagar trabalhadores.

Lobato anexa ao e-mail cópia de um acordo de gaveta que previa que Costa lhe pagaria por fora quase R$ 3,9 milhões. Também se queixa que Costa arrematou o imóvel por preço abaixo do que tinham combinado –deveria ter sido R$ 2,6 milhões, diz. Ex-trabalhadores da SIT estão sem receber até hoje.

A Folha teve acesso a supostos pagamentos desse acordo: um e-mail, de 2012, em que Costa autoriza transferência de R$ 300 mil a uma conta de Lobato; e a cópia de um cheque da Itatiaia, de R$ 300 mil, em nome de Lobato.

Costa ganhou o leilão com o lance mínimo porque não houve outros interessados. A área estava hipotecada, o que pode tê-los afastado. Após o leilão, cancelou-se a hipoteca.

A arrematação é questionada na Justiça do Trabalho. A causa que o levou a leilão é fruto de ação trabalhista contra a SIT, mas outro credor mais antigo diz que tinha preferência na arrematação.

O caso está no Tribunal Superior do Trabalho, que marcou julgamento para quarta (17). Gabrich, hoje ex-assessor de Costa, peticionou ao ministro do TST Caputo Bastos avisando sobre a fraude.

Em 7 de março deste ano, Costa escreveu a seu ex-assessor: "Ganhei no TST rsrsrs já acostumei com a situação". O despacho favorável ao qual ele se referia, porém, só foi publicado três dias depois, em 10 de março.

OUTRO LADO

Questionado sobre o e-mail ao presidente da Itatiaia, o empresário Luiz Lobato reconheceu o texto. Mas disse que não se lembra de ter recebido por fora porque o caso já tem seis anos.

Victor Costa negou que tenha havido fraude. Afirmou que seu ex-assessor, Hugo Gabrich, tentou fazer um acordo com Lobato, na realidade, para extorqui-lo. "Esse dinheiro [parcelas extraoficiais] não chegaria ao Luiz [Lobato]", disse. "O 'acordo' não passa de um papel mal escrito e sem reconhecimento de firmas visando criar situações para me extorquir."

O cheque de R$ 300 mil destinado a Lobato, segundo Costa, foi para a "compra dos entulhos, sucatas que estavam no lote".

Acionado na sexta (12), o TST informou que analisará o processo para se manifestar.


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Leia também:
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Nº 19.861 - "Lula constrói frente ampla de esquerda contra Temer e não descarta Ciro em 2018"


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02/09/2016

 

Lula constrói frente ampla de esquerda contra Temer e não descarta Ciro em 2018

 





Jornal GGN - O ex-presidente Lula já constrói uma frente ampla de esquerda para fazer oposição ao governo Temer e preparar o terreno para a retomada do Planalto em 2018. Segundo informações da Folha, o petista já conversou com o PDT e PCdoB sobre a aliança suprapartidária com forças progressistas em torno de um programa de governo em que não haja um partido central com satélites. A ideia é dividir o protagonismo que o PT vinha acumulando até a queda de Dilma Rousseff. A referência é a frente de esquerda uruguaia.

Segundo o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, Lula - que acumula investigações na Lava Jato e nos casos do sítio de Atibaia e triplex no Guarujá - teria dito que não descarta, inclusive, apoiar um nome fora do PT para a próxima eleição presidencial. O pedetista disse que para Lula, o ex-ministro Ciro Gomes é o mais "preparado", mas o problema é o seu "temperamento".

Ciro não tem poupado Lula de ataques públicos em meio à crise do governo Dilma. Preterido pelo ex-presidente em outras eleições, Ciro costuma repetir que Lula tem a "moral frouxa" pois teria convivido bem com a corrupção sob seu nariz enquanto presidente. Não foi o que acredita que aconteceu com Dilma.

Ciro teria, segundo a reportagem de Folha, conversado com outro petista entusiasta da frente ampla de esquerda, Tarso Genro. Este sinalizou que a frente deve contar com os movimentos sociais e de base, além de intelectuais e artistas progressistas. Genro também destacou que Ciro e Lula não são os únicos nomes no páreo. Fernando Haddad (PT), atual prefeito de São Paulo, é outra liderança a ser trabalhada para uma futura disputa pelo Palácio do Planalto.

O DESTINO DE DILMA

Em seu discurso de despedida após a condenação no processo de impeachment, Dilma Rousseff assegurou que o governo Temer sofrerá a mais forte resistência e oposição que um "governo golpista" merece. Vestida de vermelho, mas sem Lula ao seu lado, a presidente destituída prometeu que as forças progressistas e democráticas não foram derrotadas. "Nós voltaremos", pontuou.

Desde então, há especulações sobre o destino de Dilma. Em hangou no dia do impeachment, Luis Nassif avaliou que a petista saiu grande do processo e manteve seu cacife político dentro do PT e junto à militância, principalmente a feminina, por conta de sua resistência e a defesa que fez da democracia.

Com os direitos políticos mantidos, há burburinhos de que Dilma deve tentar concorrer ao Senado pelo Rio Grande do Sul ou, como escreveu Andrei Meireles em Os Divergentes, nesta sexta (2), assumir um cargo no governo da Bahia - uma iniciativa que, segundo o jornalista, a livraria das mãos de Sergio Moro na Lava Jato.

A imprensa também veiculou que Dilma deve, no primeiro momento, sair do Alvorada e ir morar no Rio de Janeiro.


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PITACO DO ContrapontoPIG

Não é hora de alisado. O temperamento de Ciro, canalizado  contras os golpistas não seria má ideia.

Até seria uma chapa interessante: Ciro e Haddad: um bate, o outro sopra.

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Nº 19.860 - "Vexame: Rodrigo Maia agora fala em salvar Cunha"



Um dia depois de tomar uma decisão ilegal, e que desafia o próprio STF, ao demitir o jornalista Ricardo Melo, que tem mandato fixo na EBC, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, anuncia outra decisão vergonhosa: uma pena alternativa para Eduardo Cunha (PMDB-RJ), operador do golpe e beneficiário de varias contas no exterior; o ambiente foi criado depois que Dilma Rousseff foi afastada do cargo, mas manteve os direitos políticos; mesmo sendo situações completamente distintas, uma vez que Cunha deve ser cassado por quebra de decoro parlamentar, a Câmara já avalia atender a um pleito do deputado para que seja aplicada apenas uma pena de suspensão

247 - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) está perto de tomar uma decisão vergonha em relação a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deputado afastado, ex-presidente da Casa, réu no STF e beneficiário de contas não declaradas no exterior, pelas quais recebia propina da Petrobras.

Depois da votação fatiada do impeachment, que manteve com Dilma Rousseff seus direitos políticos, apesar da perda do mandato, criou-se no Congresso um ambiente para discutir a mesma aplicação para outros casos - mesmo que eles não tenham nenhuma similaridade com um processo de impeachment, como é o caso de Cunha.

Prestes a ser cassado por quebra de decoro parlamentar, Cunha pode agora ter um apelo atendido pela Câmara antes da votação que deve tirar seu mandato.

Segundo o jornalista Gerson Camarotti, do G1, "uma proposta que ganha corpo é de analisar dentro da votação no plenário o parecer derrotado no Conselho de Ética, do deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), que defendia apenas uma pena de suspensão para Cunha". Maia estuda levar o caso a plenário.


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PITACO DO ContrapontoPIG


O rapazinho aí está disposto a fazer todo o serviço sujo golpe.

Chamar esta figura de canalha ainda é elogio. 
 
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Nº 19.859 - "Em carta a governantes do mundo, Lula denuncia o golpe"


 

02/09/2016

 

Em carta a governantes do mundo, Lula denuncia o golpe

 


Lula manteve intensa agenda internacional em seu governo e à frente do Instituto Lula 

(Foto Ricardo Stuckert)




Jornal GGN - A tentativa do PSDB e PMDB, aliados da Justiça e Congresso Nacional, tentando tirar do mapa da política brasileira o Partido dos Trabalhadores, o PT, fez com que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva escrevesse uma carta e a enviasse aos governantes e ex-governantes do mundo com quem manteve relações durante seu governo ou após. Lula denuncia o golpe parlamentar contra a presidente Dilma e a campanha da mídia, que se tornou golpista neste quesito, que esperneia para tirar o PT e Lula da cena política brasileira.

Lula não foi um presidente decorativo, nem Dilma. Ao contrário. Lula, em oito anos de governo, se encontrou com 168 chefes de estado em outros países e recebeu 232 governantes estrangeiros, além de participar de 84 reuniões de cúpulas multilaterais. Após seu governo, entre 2011 e 2015, ele participou de 132 encontros com governantes e ex-governantes, mantendo uma intensa agenda de diálogo internacional.

Na carta enviada esta semana, Lula diz que "as forças conservadoras querem obter por meios escusos aquilo que não conseguiram democraticamente: impedir a continuidade e o avanço do projeto de desenvolvimento e inclusão social liderado pelo PT".

Ele ainda afirma, no documento, que "querem criminalizar os movimentos sociais e, sobretudo, um dos maiores partidos de esquerda democrática da América Latina, que é o PT.  Denúncias contra líderes de partidos conservadores são sistematicamente abafadas e arquivadas enquanto acusações semelhantes a qualquer personalidade do PT tornam-se de imediato, à revelia do devido processo legal, condenação irrevogável na maior parte dos meios de comunicação".

"Se a justiça for imparcial, as acusações contra mim jamais prosperarão. O que não posso aceitar são os atos de flagrante ilegalidade e parcialidade praticados contra mim e meus familiares por autoridades policiais e judiciárias. É inadmissível a divulgação na tv de conversas  telefônicas sem nenhum conteúdo político, a coação de presos para fazerem denúncias mentirosas contra mim em troca da liberdade, ou a condução forçada, completamente ilegal, ocorrida em março último, para prestar depoimento do qual eu sequer tinha sido notificado".

E afirma, enfático, que "nada me fará abrir mão, como sabem as lideranças de todo o mundo com as quais trabalhei em harmonia e estreita cooperação -- antes, durante e depois dos meus mandatos presidenciais – do compromisso de vida com a construção de um mundo sem guerras, sem fome, com mais prosperidade e justiça para todos."

Leia a carta na íntegra.



São Paulo, 25 de agosto de  2016.

Caro Presidente,

Dirijo-me ao senhor para informá-lo da gravíssima situação política e institucional que vive o Brasil, país que tive a honra de presidir de 2003 a 2010.

Tomo a liberdade de escrever-lhe em nome do respeito e da amizade que existe entre nós, pelos quais sou muito grato.

Orgulho-me de ter conseguido, apesar da complexidade inerente às grandes democracias e dos problemas crônicos do Brasil, unir o meu país em torno de um projeto de desenvolvimento econômico com inclusão social, que nos fez dar um verdadeiro salto histórico em termos de crescimento produtivo, geração de empregos, distribuição de renda, combate à pobreza e ampliação das oportunidades educacionais.

Por meios pacíficos e democráticos, fomos capazes de tirar o Brasil do mapa da fome no mundo elaborado pela ONU, libertamos da miséria mais de 35 milhões de pessoas, que viviam em condições desumanas, e elevamos outras 40 milhões a patamares médios de renda e consumo, no maior processo de mobilidade social da nossa história.

Em 2010, como se sabe, fui sucedido pela Presidenta Dilma Rousseff, também do Partido dos Trabalhadores, que havia dedicado sua vida à luta contra a ditadura militar, pela democracia  e pelos direitos da população pobre do nosso país.

Mesmo enfrentando um cenário econômico internacional adverso, a Presidenta Dilma conseguiu manter o país no rumo do desenvolvimento e consolidar os programas sociais emancipadores, prosseguindo na redução das enormes desigualdades materiais e culturais ainda existentes na sociedade brasileira.

Em 2014, a Presidenta Dilma foi reeleita com 54 milhões de votos, derrotando uma poderosa coalizão de partidos, empresas e meios de comunicação que pregava o retrocesso histórico do país, com a redução de importantes programas de inclusão social, a supressão de direitos básicos das classes populares e a alienação do patrimônio público construído com o sacrifício de inúmeras gerações de brasileiros.

A coalizão adversária, vencida nas urnas em 2002, 2006, 2010 e 2014, não se conformou com a derrota e desde a proclamação do resultado procurou impugná-lo por todos os meios legais, sem alcançar nenhum êxito.

Esgotados os recursos legais, no entanto, em vez de acatar a decisão soberana do eleitorado, retomando o seu legítimo trabalho de oposição e preparando-se para disputar o próximo pleito presidencial – como o PT sempre fez nas eleições que perdeu –, os partidos derrotados e os grandes grupos de mídia insurgiram-se contra as próprias regras do regime democrático, passando a sabotar o governo e a conspirar para apossar-se do poder por meios ilegítimos.

Ao longo de todo o ano de 2015, torpedearam de modo sistemático os esforços do governo para redefinir a política econômica no sentido de resistir ao crescente impacto da crise internacional e recuperar o crescimento sustentável. Criaram um clima artificial de impasse político e institucional, com efeitos profundamente danosos sobre a vida do país, contaminando o ambiente de negócios, deixando inseguros produtores e consumidores, constrangendo as decisões de investimento. No afã de inviabilizar o governo, apostaram contra o país, chegando até mesmo a aprovar no parlamento um conjunto de medidas perdulárias e irresponsáveis destinadas a comprometer a estabilidade fiscal.

E, finalmente, não hesitaram em deflagrar um processo de impeachment inconstitucional e completamente arbitrário contra a Presidenta da República.

Dilma Rousseff é uma mulher íntegra, cuja honestidade pessoal e pública é reconhecida até pelos seus adversários mais ferrenhos. Nunca foi nem está sendo acusada de nenhum ato de corrupção. Nada em sua ação governamental pode justificar, sequer remotamente, um processo de cassação do mandato que o povo brasileiro livremente lhe conferiu.

A Constituição brasileira é categórica a esse respeito: sem a existência de crime de responsabilidade, não pode haver impeachment. E não há nenhum – absolutamente nenhum – ato da Presidenta Dilma que possa ser caracterizado como crime de responsabilidade. Os procedimentos contábeis utilizados como pretexto para a destituição da Presidenta são idênticos aos adotados por todos os governos anteriores e pelo próprio vice-presidente Michel Temer nas ocasiões em que este substituiu a Presidenta por razão de viagem. E nunca foram motivo de punição aos governantes, muito menos justificativa para derrubá-los. Trata-se, portanto, de um processo estritamente político, o que fere frontalmente a Constituição e as regras do sistema presidencialista, no qual é o povo que escolhe diretamente o Chefe de Estado e de Governo a cada quatro anos.

As forças conservadoras querem obter por meios escusos aquilo que não conseguiram democraticamente: impedir a continuidade e o avanço do projeto de desenvolvimento e inclusão social liderado pelo PT, impondo ao país o programa político e econômico derrotado nas urnas. Querem a todo custo comandar o Estado para apossar-se do patrimônio nacional – como já começa a acontecer com as reservas petrolíferas em águas profundas –  e desmontar  a  rede de proteção aos trabalhadores e aos pobres que foi ampliada  e consolidada nos últimos treze anos.

As mesmas forças que tentam arbitrariamente derrubar a Presidenta Dilma, e implantar a sua agenda antipopular, querem também criminalizar os movimentos sociais e, sobretudo, um dos maiores partidos de esquerda democrática da América Latina, que é o PT. E não se trata de mera retórica autoritária: o PSDB, principal partido de oposição, já apresentou formalmente uma proposta de cancelamento do registro do PT, com vistas a proibi-lo de existir. Temem que, em 2018, em eleições livres, o povo brasileiro volte a me eleger Presidente da República, para resgatar o projeto democrático e popular .

A luta contra a corrupção, que é uma mazela secular do Brasil e de tantos outros países, e deve ser combatida de modo permanente por todos os governos, foi distorcida e transformada em uma implacável perseguição midiática e política ao PT.  Denuncias contra líderes de partidos conservadores são sistematicamente abafadas e arquivadas enquanto acusações semelhantes a qualquer personalidade do PT tornam-se de imediato, à revelia do devido processo legal, condenação irrevogável na maior parte dos meios de comunicação.

A verdade é que o combate à corrupção no Brasil passou a ser muito mais vigoroso e eficaz a partir dos governos do PT, com o respeito, que antes não existia, à plena autonomia do Ministério Público e da Polícia Federal no exercício de suas atribuições; a ampliação do orçamento, do quadro de funcionários e a modernização tecnológica dessas instituições e dos demais órgãos de controle; a nova lei de acesso à informação e a divulgação das contas públicas na internet; os acordos de cooperação internacional no enfrentamento da corrupção; e o estabelecimento de punições muito mais rigorosas para corruptos e membros de organizações criminosas.

Todos nós, democratas, interessados no aperfeiçoamento institucional do país, apoiamos o combate à corrupção. As pessoas que comprovadamente tiverem cometido crimes, devem pagar por eles, dentro da lei. Mas os juízes, promotores e policiais também estão obrigados a cumprir a lei e não podem abusar do seu poder contra os direitos dos cidadãos. As pessoas não podem ser publicamente condenadas (e terem a sua reputação destruída) antes da conclusão do devido processo legal, e menos ainda por meio do vazamento deliberado de informações praticado pelas próprias autoridades com fins políticos. Uma justiça discriminatória e partidarizada será fatalmente uma justiça injusta.

Eu, pessoalmente, não temo nenhuma investigação. Desde que iniciei a minha trajetória política e, particularmente nos últimos dois anos, tive toda a minha vida pública e familiar devassada – viagens, telefonemas, sigilo fiscal e bancário –, fui alvo de todo o tipo de insinuações, mentiras e ataques publicados como verdade absoluta pela grande mídia, sem que tenha sido encontrado qualquer desvio na minha conduta ou prova de envolvimento em qualquer ato irregular.  Se a justiça for imparcial, as acusações contra mim jamais prosperarão. O que não posso aceitar são os atos de flagrante ilegalidade e parcialidade praticados contra mim e meus familiares por autoridades policiais e judiciárias. É inadmissível a divulgação na tv de conversas  telefônicas sem nenhum conteúdo político, a coação de presos para fazerem denúncias mentirosas contra mim em troca da liberdade, ou a condução forçada, completamente ilegal, ocorrida em março último, para prestar depoimento do qual eu sequer tinha sido notificado.

Por isso, meus advogados entraram com uma representação no Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas, relatando os abusos cometidos por algumas autoridades judiciais que querem a todo custo me eliminar da vida política do  país.

A minha trajetória de mais de 40 anos de militância democrática, que começou na resistência sindical durante os anos sombrios da ditadura, prosseguiu no esforço cotidiano de conscientizar  e organizar a sociedade brasileira pela base, até ser eleito como  o primeiro Presidente da República de origem operária, é o meu maior patrimônio e a ele ninguém me fará renunciar. Os vínculos de fraternidade que construí com os brasileiros e brasileiras na cidade e no campo, nas favelas e nas fábricas, nas igrejas, nas escolas e universidades, e que  levaram a maioria do nosso povo a apoiar o vitorioso projeto  de inclusão social e promoção da dignidade humana, não serão cancelados por nenhum tipo de arbitrariedade. Da mesma forma, nada me fará abrir mão, como sabem as lideranças de todo o mundo com as quais trabalhei em harmonia e estreita cooperação -- antes, durante e depois dos meus mandatos presidenciais – do compromisso de vida com a construção de um mundo sem guerras, sem fome, com mais prosperidade e justiça para todos.

Agradeço desde já a generosa atenção que o senhor dedicou a esta mensagem e coloco-me à disposição, como sempre estive, para qualquer esclarecimento ou reflexão de interesse comum.
Reiterando  o meu respeito e amizade, despeço-me fraternalmente.

Luiz Inácio Lula da Silva


Nº 19.858 - "Golpisto, lembra do Sérgio Machado?"

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02/09/2016

Golpisto, lembra do Sérgio Machado?

Combinou tudo na salinha da Base Aérea de Brasília


 
Do Conversa Afiada - publicado 01/09/2016
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temer jucá.jpg

Do Wagner Paes, no Facebook do Conversa Afiada:

Relembrando para quem esqueceu.... Gravações do Sérgio Machado:

"Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel"

"Estancar a SANGRIA da Lava Jato"

"O primeiro a ser comido vai ser o Aécio"

"Quem não conhece o esquema do Aécio"

"Fui do PSDB 10 anos, não sobra ninguém"

"Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem 'ó, só tem condições sem ela. (DILMA) Enquanto ela estiver lá essa porra não vai parar nunca"

"Michel é Eduardo Cunha"

"É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional. Com o Supremo, com tudo. Aí parava tudo."


Foi só pra relembrar mesmo...

Nº 19.857 - "Maia desafia STF e nomeia aliado de Cunha na EBC"

De fato, Rodrigo Maia marcou sua passagem pela presidência da República por um ato que fere a lei e contraria o próprio Supremo Tribunal Federal, uma vez que a demissão de Melo já havia sido tentada por Temer, mas foi negada por liminar do ministro Dias Toffoli, uma vez que Ricardo Melo, o atual presidente, tem mandato de quatro anos.

Para o seu lugar, Maia nomeou Laerte Rimoli, aliado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas a canetada deverá ser analisada novamente pelo STF.

"Vamos ao STF ainda hoje", diz Marco Aurélio Carvalho, advogado de Ricardo Melo. "Essa decisão mostra a forma autoritária como esse governo biônico pretende agir, inclusive afrontando o próprio STF."


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PITACO DO ContrapontoPIG.
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Rodrigo Maia cria situação que põe em cheque a autoridade do STF.

 E é bom que isto aconteça. 

Quem sabe o STF acorda da sua covardia e leniência e retoma o seu dever de fazer cumprir a Constituição. 

Quem sabe esta provocação ainda desperte alguma  decência  porventura existente entre os membros da nossa suprema corte

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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Nº 19.856 - "Dilma sai da presidência muito maior do que entrou. Por Paulo Nogueira"

 
01/09/2016


Dilma sai da presidência muito maior do que entrou. Por Paulo Nogueira


Dilma se agigantou no impeachment




Paulo NogueiraParecia que a melhor hora de Dilma tinha sido seu discurso na véspera do julgamento final do Senado.

Mas não.

Em clareza, grandeza, Dilma se superou na entrevista que concedeu pouco depois de definido o golpe.

Ela declarou guerra ao golpe.

Não guerra no sentido militar convencional. Ninguém está falando de pegar em armas ou coisa do gênero.

Trata-se de guerra política.

O primeiro e essencial passo é dar às coisas o nome que elas têm, sem lantejoulas e sem metáforas.

Uma amostra do que Dilma disse com a contundência indispensável:

1) É golpe. É golpe parlamentar, mas é golpe. Com exclamação.

2) Por trás do golpe estão as velhas forças conservadoras de sempre, os reacionários que conspiraram contra Getúlio, JK, Jango, Lula e, finalmente, a próprio Dilma.

3) Os golpistas tiveram uma contribuição milionária da “imprensa facciosa”. De novo, é uma repetição de golpes anteriores, em que a mídia foi invariavelmente protagonista na destruição da democracia.

4) Temer é um usurpador que levou ao núcleo do poder o que existe de mais corrupto e atrasado na política brasileira.


Ficou claro que, daqui por diante, as forças progressistas mostrarão o mar de lama da plutocracia nacional.

Isto tem o poder de mudar a história. A narrativa golpista, de GV a Dilma, sempre se alicerçou no combate — farisaico, cínico, mentiroso — à corrupção.

As delações comprovaram que os principais tagarelas anticorrupção são exatamente os homens mais corruptos da vida pública nacional.

O caso mais simbólico é o de Aécio: jamais ele terá condições de falar em corrupção, como fez a carreira toda, sem provocar gargalhadas ao redor.

Aécio se tornou um ícone da corrupção plutocrata das mesmas dimensões de Eduardo Cunha.

Ele roubava, só que ninguém noticiava na mídia plutocrata.

Aécio parece ainda viver numa realidade paralela. Numa entrevista nesta quarta aos amigos da Globonews, citou o eminente senador Cássio Cunha Lima como um expoente do universo político brasileiro.

Ora, ora, ora.

Cunha Lima é um corrupto notório. Foi cassado como governador da Paraíba e só conseguiu concorrer a senador porque a lei da Ficha Limpa só passou a valer depois da eleição. Não bastasse isso, um homem de sua equipe teve que jogar dinheiro do alto de um prédio para evitar um flagrante de compra de votos.

Pobres paraibanos ganhavam dinheiro de Cunha Lima para votarem nele. O episódio passou à história como o caso do Dinheiro Voador.

Esta é a probidão dos plutocratas.

Sabe-se agora quem são os reais corruptos, os parasitas que tomam dinheiro público para montar patrimônios bilionários e deixar o Brasil eternamente na condição de um inferno da desigualdade.

Dilma jogou luzes onde sempre houve sombras. Os ladrões são aqueles que todos nós conhecemos, e que se fazem de paladinos da moral para enganar a sociedade e assim poder roubar cada vez mais.

Para a democracia brasileira, a fala de Dilma como ex-presidente é algo que traz esperanças em doses colossais para que deixemos um dia de ser a republiqueta das bananas a que os plutocratas querem nos sujeitar pela eternidade.
 
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Sobre o Autor
Paulo Nogueira. Jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.
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Nº 19.855 - " 'El dia triste' do Brasil: o golpe parlamentar "

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01/09/2016 
 

'El dia triste' do Brasil: o golpe parlamentar

Agora é o Mercado que conta. Quem quer saúde, que vá ao Mercado e pague. Quem quer estudar na universidade, que vá ao Mercado. Artigo de Leonardo Boff. 

 

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Carta Maior - 01/09/2016 

 


  reprodução

   
Leonardo Boff

E aconteceu, que naqueles dias, sicários se travestiram de senadores, em grande número, não todos, e decidiram atacar uma dama honrada e incorruptível que lhes cortava o atalho para chegarem ao poder de Estado. A partir do Estado iriam fazer o que sempre fizeram: aproveitar-se dos bens públicos para autoenriquecimento, escapar desesperadamente do braço da justiça e levar avante sua situação de privilégio,  sempre à custa do povo pobre que eles querem manter longe, nas periferias, um exército de reserva, útil para seus serviços quase à moda de escravos.

Sangraram a dama incorruptível e honrada sob o pretexto de que práticas fiscais suas eram crime, coisa que os maiores especialistas em direito e economia, bem como instâncias oficias o negaram. Criaram uma farça e rasgaram a constituição. Cassar uma presidenta sem crime  comprovado, é um golpe. Golpe parlamentar, esta é a palavra certa que tem que ser usada.

Eles se mostravam faceiros, farisaicamente dizendo que se sentiam mal, mas  falando que inauguravam uma  “era uma nova primavera, o começo de um novo Brasil próspero e justo.” Mentira.

O plano “Uma Ponte para o Futuro”, na verdade, é uma ponte para o atraso porque tenta desmontar os avanços que os trabalhadores, as mulheres, os negros, os povos indígenas, a população LGBT, os pobres e  feitos invisíveis alcançaram, pela primeira vez, em nossa história no âmbito da inclusão social, dos salarios, da saúde, da educação, das leis trabalhistas, das aposentadorias e de acesso ao ensino técnico e superior. E o mais grave: querem mantê-los no analfabetismo porque assim ficam silenciados e incapazes de reclamar direitos e dignidade.Agora é o Mercado que conta. Quem quer saúde, que vá ao Mercado e pague. Quem quer estudar na universidade que vá ao Mercado e pague. Todas as coisas virarão mercadoria a serem vendidas e compradas. Compra-se dignidade? Compra-se solidariedade? Paga-se pelo amor? Não  importa. São coisas que para eles não entram na contabilidade. Mas alguém pode viver e ser feliz sem tudo isso?

Houve nos primordios da conquista e dominação do México em 1520 “la noche triste”quando grande parte do exército espanhol foi dizimado. Hoje em 2016 temos “el dia triste” no qual uma presidenta foi injustamente apeada do poder, conquistado pelas urnas.

Pelos espaços do Senado e nos corredores há sangue derramado. Uma “noche política triste” caiu sobre o Brasil, tirando a esperança dos   que sairam da miséria e que correm o risco de novamente cair nela.

E todos os que lutaram para que se consolidasse a democracia de cunho social e que se respeitasse a vontade popular, expressa nas urnas, foram novamente traídos. Este dia é o dia dos “longos punhais” que sangraram a dama honrada e feriram gravemente a soberania popular.

Hoje, 31 de agosto, é o dia da tristeza mas não do desalento. Os que tramaram esse teatro e os senadores-sicários levarão a pecha de golpistas e farçantes pela vida afora. A consciência os perseguirá e sua memoria será pulverizada. A vontade de condenar não substitui a razão que se orienta pela verdade.

Eles atropelaram a verdade sob o mento da injustiça. Estarão numa sinistra companhia, a daqueles que, anos atrás, assaltaram o Estado, oprimiram o povo, torturam como a presidenta Dilma e assassinaram a tantos  que buscavam a restauração da democracia.

E, no entardecer da vida, enfrentarão um Juiz maior que desvelará toda a injustiça que conscientemente cometeram.


Leonardo Boff, professor emérito de ética da UERJ e escritor.

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Nº 19.854 - "Por reações antigolpe, Itamaraty chama de volta embaixadores em Bolívia, Venezuela e Equador"

 

01/09/2016 

 

Por reações antigolpe, Itamaraty chama de volta embaixadores em Bolívia, Venezuela e Equador




De acordo com chancelaria brasileira, decisão foi tomada por críticas de países ao afastamento definitivo de Dilma Rousseff
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, comandado por José Serra, vai convocar de volta seus embaixadores na Venezuela, Bolívia e Equador por conta das manifestações desses países contra o impeachment de Dilma Rousseff nesta quarta-feira (31/08).

A assessoria de imprensa do Itamaraty informou a Opera Mundi que seus representantes em Caracas e Quito já foram convocados, e que as mesmas providências estão sendo tomadas com relação ao representante brasileiro em La Paz.

Rovena Rosa/Agência Brasil

Ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra


Sobre a Venezuela, especificamente, o Itamaraty divulgou uma nota na noite de quarta-feira em que afirma que “repudia os termos do Comunicado emitido pelo Governo venezuelano”, em que Caracas afirma que o “golpe de Estado parlamentar (...) perigosamente substituiu ilegitimamente a vontade popular de 54 milhões de brasileiros, violando a Constituição e alterando a democracia desse país irmão”.


'Uma injustiça histórica': o impeachment de Dilma Rousseff na imprensa alemã

'Golpe de Estado' estava anunciado 'há tempos', diz Mujica sobre impeachment de Dilma

Itamaraty diz lamentar 'manifestações de incompreensão' de Bolívia, Equador e Cuba


Em outra nota, a chancelaria brasileira diz lamentar as “manifestações de incompreensão” de Bolívia, do Equador e de Cuba sobre o afastamento definitivo de Dilma Rousseff. Para o Itamaraty, esses países “reincidem em expressões equivocadas que ignoram os fundamentos de um Estado democrático de direito”.

Após a votação do impeachment no Senado nesta quarta, Venezuela, Equador e Bolívia anunciaram que irão retirar seus embaixadores de Brasília.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela, “foi executada uma traição histórica contra o povo do Brasil e um atentado contra a integridade da mandatária mais honesta no exercício da presidência da República Federativa do Brasil”.

Em seu Twitter, o presidente do Equador, Rafael Correa, qualificou o impeachment de Dilma como “uma apologia ao abuso e à traição”.  Evo Morales, por sua vez, também usou a rede social para condenar o “golpe parlamentar contra a democracia brasileira”.



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  PITACO DO ContrapontoPIG 


Governo usurpador dá os primeiros passos em direção a (des)integração da América Latina.

Está muito mal um país cujo "governo" entrega o Ministério das Relações Exteriores a um notório entreguista corrupto como Zé Serra.

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Nº 19.853 - "Não haverá normalidade com o governo golpista"

Não haverá normalidade com o governo golpista

 

Brasil 247 - 01/09/2016 

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 Emir Sader


Emir SaderDepois de ter atropelado todas as normas legais e constitucionais para dar um golpe; depois de derrubar uma presidente recém reeleita pelo voto popular; depois de começar a implementar o programa perdedor; os golpistas falam de normalidade.

A ditadura militar impôs a sua normalidade pelas baionetas e os tanques, a normalidade da ordem pela força. A que normalidade almejam os golpistas?

Prometem terror: duras medidas de ajuste que os salários dos trabalhadores, que recortam as políticas sociais, que ferem os direitos à aposentadoria, que rifam patrimônio nacional mediante as privatizações. No fim de todo esse doloroso processo, caso consigam colocá-lo em prática, para os que sobrevivessem, viria uma retomada do crescimento econômico.

Um governo que quer aplicar um duro ajuste fiscal numa economia já em recessão há alguns anos só pode aprofundá-la, sem controlar a inflação. Condenará o país, por muito tempo, à estagflação, o pior dos mundos: estagnação com inflação, com aumento exponencial do desemprego e arrocho salarial.

Que normalidade é possível com esse cenário? Tem ilusões o governo de que será saudado por algum setor da população com expectativas positivas ou apenas com o apoio dos setores de classe média que tudo o que queriam era a saída dos governos do PT, mas que não deixarão de ser atingidos pelas medidas impopulares do governo?

Já hoje, mais de 80% da população considera que o pais está num caminho equivocado, quando o cenário já está dado pela medidas do governo golpista, ainda sem todo o alcance do ajuste, por medo de perder votos no Senado. Mas já houve anúncios de cortes radicais no Bolsa Família, no Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, que agora se transformarão em realidade.

Quando o ministro da economia diz que a Constituição não cabe no orçamento, ele não pensa ampliar o orçamento, como resultado do crescimento econômico, mas cortar direitos da Constituição que Ulysses Guimaraes chamou de Constituição cidadã, justamente porque afirmava direitos cassados pela ditadura.

Lula, ao contrário dos golpistas, havia incluído os pobres no orçamento, com o crescimento da economia expandindo o orçamento. Meirelles anuncia que o objetivo central do governo é o ajuste fiscal. FHC prometia o controle da inflação em troca do apoio ao ajuste. Este governo não tem nada a oferecer, só almeja o equilíbrio de contas publicas recortadas dos recursos para políticas sociais.

O presidente golpista prometia reunificar o país, mas só aprofundou as divisões, contando com um apoio irrisório da população. Prometeu, isto sim, ganhar a confiança dos empresários, com a qual contou sempre para os planos do golpe, mas estes exigem políticas de sacrifícios mais drásticos ainda da população, o que levará o governo golpista a perpetuar sua impopularidade.

A normalidade que espera os golpistas é a maior crise social que o pais já viveu, em meio a uma prolongada recessão, com mobilizações populares cotidianas na defesa dos interesses do povo, afetados diariamente pelas medidas que o novo governo anuncia. Um governo que vacilará e retrocederá por um lado, será pressionado pela mídia e pelos empresários para endurecer nos cortes e nos sofrimentos da população. Tudo isso em meio a um aumento da repressão, condimento indispensável para um programa antipopular de um governo sem legitimidade.

Não haverá normalidade no pais, enquanto o povo não voltar a eleger o presidente do pais pelo voto direto. Serão os anos mais conturbados da historia do Brasil, incomparáveis com o que vivemos até aqui, porque cotidianamente novos setores da população se darão conta de como seus direitos serão afetados pelas medidas do governo golpista, de como seus salários são recortados e como seus empregos estão em risco.

Um governo sem legitimidade, com um presidente medíocre, que ninguém respeita, com um programa antipopular, só pode tentar sobreviver pela repressão que, por sua vez, acionará a espiral de mais mobilização e mais isolamento do governo. E, como diz a afirmação clássica, se pode fazer tudo com as baionetas, menos sentar-se em cima delas. Porque um governo não pode pretender se sustentar na base da repressão, ainda menos depois que, durante mais de uma década, o povo se deu conta dos direitos que tem, reconhecidos por governos eleitos pelo voto popular.

Não haverá normalidade para o governo golpista, nem no âmbito dos que até aqui o apoiam, menos ainda do lado da grande maioria da população, vítima das suas políticas.

Nº 19.852 - "Cristóvam tem piti ao ser chamado de golpista e encerra audiência, fugindo pelos fundos"

 

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01/09/2016

 

Cristóvam tem piti ao ser chamado de golpista e encerra audiência, fugindo pelos fundos



Do Viomundo - 01 de setembro de 2016 às 17h05




 

O senador Cristóvam Buarque (PPS-DF) é escrachado em audiência pública no Senado sobre o projeto Escola Sem Partido. E sai pelas portas dos fundos

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Nº 19.851 - "Lula denuncia conluio: Receita, Globo e Fel-lha!"

 

01/09/2016

 

Lula denuncia conluio: Receita, Globo e Fel-lha!

Como é que foi parar no PiG?​ ​Foi o Meirelles?


 
Conversa Afiada - publicado 01/09/2016
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NOTA À IMPRENSA
 
 
Nota do Instituto Lula sobre esclarecimentos da Receita Federal

São Paulo, 1 de setembro de 2016,

A Receita Federal a partir janeiro de 2015 tem feito pedidos de esclarecimento ao Instituto Lula a respeito de sua gestão financeira entre 2011 e 2014. Desde então já respondemos a duas solicitações da Receita sobre nossas despesas. Nesta terça-feira (30) recebemos a visita de dois auditores da Receita Federal que nos entregaram uma “Notificação Fiscal”, requerendo novos esclarecimentos e nos dando o prazo de 30 dias para prestá-los.

Todo esse procedimento está protegido legalmente por sigilo fiscal, que é um direito de toda instituição, empresa ou cidadão brasileiro. Entretanto, fomos surpreendidos no último dia 29 com matérias veiculadas na imprensa, a partir de vazamentos ilegais, alimentando uma publicidade opressiva e uma tentativa de criminalização das atividades do Instituto Lula.

Muitos desses questionamentos parecem ser fruto da dificuldade de entender o papel e o trabalho de um Instituto criado por um ex-presidente da República que nos seus dois mandatos elevou o prestígio do nosso país em toda parte. Lula não recebe nenhuma remuneração pelo seu trabalho no Instituto, mas é o principal porta-voz da entidade em eventos no Brasil e no exterior falando de políticas públicas para o combate à pobreza, de cooperação com a África e defesa da integração da América Latina. Tudo isso está previsto no estatuto da entidade, que também contempla a preservação da trajetória e do legado governamental do ex-presidente.

Outras indagações talvez aconteçam por falta de informação e são facilmente explicáveis, como, por exemplo, o pagamento de intérprete de um encontro do ex-presidente Lula com o historiador britânico Eric Hobsbawn. Algumas são sobre despesas de viagem para o recebimento de prémios internacionais, como o World Food Prize de combate à fome, nos Estados Unidos, e o prêmio Norte-Sul da Comissão Europeia, e de títulos de doutor Honoris Causa de diferentes universidades do mundo. Todos esses prêmios foram recebidos pela defesa de direitos sociais e os discursos de agradecimento nessas cerimônias promoveram valores de solidariedade e direitos sociais: políticas públicas bem sucedidas de combate à pobreza, combate à fome, acesso à educação, respeito a democracia e aos direitos humanos, promoção da paz, cooperação internacional e integração regional.

Os vazamentos ilegais de informações sigilosas foram utilizados, em especial pelo jornal Folha de S. Paulo e pela TV Globo, nos dias 29 e 30 de agosto, para noticiar como concluído um processo ainda em andamento, um desrespeito à própria Receita Federal. Essas matérias tentam distorcer a natureza do Instituto, que busca cumprir os objetivos do seu estatuto promovendo atividades, publicando documentos e organizando reuniões e reflexões na defesa dos direitos sociais. O Instituto mantém contatos com entidades de todo o mundo, recebendo centenas de comitivas estrangeiras e entidades da sociedade civil, estabelecendo parcerias na Europa, África e América Latina, participando de eventos e visitando outras instituições afins, como por exemplo, a Fundação Bill & Melinda Gates, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (nos Estados Unidos), a União Africana (na Etiópia), a Oxfam (na Inglaterra), a Steve Biko Foudantion e a Cosatu (na África do Sul) e inúmeras outras.

O Instituto Lula organizou grandes eventos sobre temas como a integração regional, combate à fome e outras políticas públicas em parceria com entidades nacionais, estrangeiras e multilaterais com participação de atuais e ex-chefes de Estado, ONGs e acadêmicos no Brasil, na sede da União Africana, na sede da Cepal no Chile, na França, entre outros países.

Tudo isso pode ser facilmente verificado nos cinco relatórios sobre as atividades e realizações do Instituto Lula. Eles podem ser consultados por qualquer pessoa na internet em http://www.institutolula.org/relatorios.

José Chrispiniano
Assessoria de Imprensa
Instituto Lula


Em tempo: com a maior cara de pau, o Bonner se desmentiu no jornal nacional:
Jornal Nacional errou sobre Instituto Lula pic.twitter.com/JLRBHHeLnu


Nº 19.850 - "Segundo golpe de Temer será contra você; ele até confessa"


01/09/2016

 

Segundo golpe de Temer será contra você; ele até confessa

temer capa



por Eduardo  Guimarães


Tremei, brasileiros que leem, informam-se e pensam. Como dizia um meme que circulou pelas redes sociais, o impeachment de Dilma foi comemorado pelos poucos que lucrarão com ele e pelos muitos que não sabem o que irá gerar.

Na quarta-feira da infâmia, 31 de agosto, em seu “discurso de posse”, Temer chegou ao ponto de dar pistas sobre o que fará. Os trechos a seguir demonstram isso à perfeição.

Temer afirmou estar preocupado com a imagem externa do Brasil:
“(…) Eu conservo a absoluta convicção de que é preciso resgatar a credibilidade do Brasil no concerto interno e no concerto internacional, fator necessário para que empresários dos setores industriais, de serviços, do agronegócio, e os trabalhadores, enfim, de todas as áreas produtivas se entusiasmem e retomem, em segurança, com seus investimentos (…)”

Se essa preocupação for legítima, porém, ele começou muito mal. A imagem do país desmoronou por conta justamente da trama sórdida que esse usurpador levou a cabo em dueto com Eduardo Cunha.

Abaixo, alguns exemplos de como a imagem do país ficou após o golpe.


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temer 1

Não parece ter sido esse o objetivo de Temer, mas foi o que ele e seus asseclas conseguiram com o ataque que empreenderam contra a democracia.

Mas muito pior do que a imagem do país, que os golpistas macularam de forma tão grave, é o objetivo deles. Temer ocupa a presidência da República, mas jamais poderia ser presidente se disputasse uma eleição porque é “ficha-suja”, está inelegível por oito anos por condenação da Justiça eleitoral, devido a fraudes em suas contas de campanhas eleitorais passadas.


temer 2

Justamente por não ter como continuar no cargo após 2018 mesmo se fizesse um governo espetacular (hipótese que não passa de piada de humor-negro) é que o capital e a direita quiseram colocá-lo na Presidência; a Temer caberá fazer o serviço sujo de acabar com os direitos trabalhistas dos brasileiros, antiga reivindicação dos grandes empresários.

A direita quer acabar com os direitos inscritos na CLT de Getúlio Vargas, que a elite brasileira nunca aceitou, e com o gasto de dinheiro público com aposentados e com saúde pública, para que os cofres públicos possam ficar mais gordos para ser saqueados pelo topo da pirâmide.

Nesse aspecto, Temer, em seu discurso de posse, chegou ao ponto de declarar o objetivo de seu mandato.

“(…) A força da União, nós temos que colocar isso na nossa cabeça, deriva da força dos estados e municípios. Há matérias, meus amigos, controvertidas, como a reforma trabalhista e a previdenciária. A modificação que queremos fazer, tem como objetivo, e só se este objetivo for cumprido é que elas serão levadas adiante, mas tem como objetivo o pagamento das aposentadorias e a geração de emprego. Para garantir o pagamento, portanto. Tem como garantia a busca da sustentabilidade para assegurar o futuro.
Esta agenda, difícil, complicada, não é fácil, ela será balizada, de um lado pelo diálogo e de outro pela conjugação de esforços. Ou seja, quando editarmos uma norma referente a essas matérias, será pela compreensão da sociedade brasileira. E, para isso, é que nós queremos uma base parlamentar sólida, que nos permita conversar com a classe política e também com a sociedade (…)”

Para quem quiser entender o que significa toda essa enrolação acima, aí vai, abaixo, o resumo da ópera.


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Para quem não sabe o que quer dizer “flexibilização da CLT”, em resumo quer dizer que, em tempos de desemprego, você vai ter que aceitar trabalho sem férias, décimo-terceiro salário, fundo de garantia etc., etc.

Mas não fica só por aí.


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O tucanês voltou a ser falado no país e não só pelos tucanos, mas, como outrora, também pelos peemedebês.

O que eles querem dizer por “rever o SUS” é reduzir o atendimento na saúde pública, porque, apesar de grande parte do povo não enxergar, o atendimento na saúde pública cresceu e melhorou exponencialmente durante os governos do PT e isso, claro, custa dinheiro e o golpe veio para que o Estado parasse de gastar dinheiro com pobre.

No segundo dia 31 da infâmia (após o de março de 64, o de agosto de 16), fui almoçar e o servente do bar em que devorei um “comercial”, um sujeito que deve ganhar cerca de mil reais por mês, se tanto, comemorava a queda de Dilma.

Não senti raiva, mas pena. Ele não sabe o que o espera…

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Nº 19.849 - "O corvo e os gambás"

 

01/09/2016

O corvo e os gambás

 

gamba




Por


Não costumo falar grosseiramente de pessoas, inclusive de adversários políticos.

Não sei se por herança de meu avô, com quem não se sentava à mesa de camisa aberta ou se falava palavrões, em sua casa no Iapi de Realengo.

Mas recordo-me de um dia, em que ele me levava a passear –  meus pais já moravam no Méier – e por um acaso havia um pequeno comício de inauguração da “Radial Oeste”, avenida que continuaríamos a chamar de Rua Hermengarda.

E no palco, falava Carlos Lacerda, governador da Guanabara, anos antes algoz de Getúlio Vargas.

Pela primeira vez vi os olhos de meu avô vidrarem-se e as palavras saíram entre dentes: Corvo filho da puta!

Hoje senti algo semelhante. Não por todos os que foram dar seu tiro na cambaleante democracia brasileira. 40 anos de política já não fazem novidade para mim os tipos assim.

Mas por dois homens que apoiei ou defendi em alguma época na vida: Cristovam Buarque e Telmário Mota.

O odor que se desprende de suas atitudes é nauseante.

E eles próprios encarregaram-se de mostrar, com seus votos, o quanto são falsos, sorrateiros, oportunistas.

E covardes, ao ponto de nem sequer assumirem os negócios e arranjos que justificaram sua sabujice.
Ao votarem contra a aplicação da pela de afastamento da função pública de Dilma Rousseff fizeram aflorar sua própria podridão.

Se Dilma não merece ser punida – como é razoável que fosse – com a pena a quem atenta contra a Constituição, como é que pode ser afastada do cargo que ocupa pela vontade do eleitor e que só naquele caso, legalmente, poderia perder?

Não tiveram “pena” da Presidenta, tiveram um gesto de suposta piedade por si mesmos.

O remorso põe a perder o traidor, o assassino, que acha que flores ao enterro podem mitigar sua perfídia e faze-los parecer doloridos ante o cadáver.

Veio à memória a sinceridade daquele “Corvo filho da puta” que ouvi aos seis, sete anos de idade.

Embora reconheça que amos não são corvos.

São e serão, para todo sempre, gambás.

Figuras nauseantes aonde quer que suas miseráveis existência os levem, seja aos confortos da Unesco, seja aos cargos de Roraima.


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PITACO DO ContrapontoPIG 

Farei com prazer o serviço sujo por você, Fernando.

Cristovam e Telmário são dois Gambás filhos de puta.

Aceitar emprego na Unesco ou cargos em Roraima em troca de voto contra o país, contra o seu povo e contra a democracia,  são realente ações de grandes e desprezíveis gambás filhos de putas

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