segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Nº 20.077 - O melhor da carreira de Haddad ainda está por vir. Por Paulo Nogueira

 

03/10/2016

 

O melhor da carreira de Haddad ainda está por vir. Por Paulo Nogueira



Diário do Centro do Mundo - Postado em 03 Oct 2016

Muito pela frente
 Muito pela frente


Paulo NogueiraExistem derrotas e derrotas.

Marta, por exemplo. Para ela, o resultado deste final de semana equivaleu a um 7 a 1. Traiu, golpeou, abraçou-se a Temer e a Cunha — e se estrepou.

Agora vejamos Haddad.

Os 16% podem ser considerados, sem exagero, uma vitória moral.

Haddad assou quatro anos sob o bombardeio da mídia em seu jornalismo de guerra destinado ao extermínio do PT.

Imagine o paulistano em seu dia a dia. Pega o carro e liga numa rádio, Jovem Pan, CBN, Band.
Pau em Haddad todos os dias. Todos os momentos.

Depois, o cidadão chega em casa e sintoniza a GloboNews. Haddad continua apenas a apanhar.
Os jornais paulistanos seguem no mesmo ritmo: só ataques.

Assim foi a vida de Haddad nestes quatro anos.

E no entanto se pode dizer sem exagero que ele revolucionou a cidade. As bicicletas, as faixas de ônibus, a Paulista liberada aos domingos. O foco nos desvalidos, nos esquecidos.

Tudo sob bombardeio.

E ele foi adiante, e adiante, e adiante. Não se curvou, não voltou atrás. Combateu o bom combate, para usar a grande expressão de São Paulo.

Sai da prefeitura muito maior do que entrou.

É jovem. Aos 53 anos, é um nome de brilho na esquerda brasileira. No PT, especificamente, é segundo apenas adiante de Lula.

Seria um candidato respeitável para qualquer cargo no futuro, incluído aí o de presidente da República.


Compare-o com Temer. Ou mesmo com Alckmin, o provável homem do PSDB para a presidência em 2018. Ou com Marina.

É uma torre em meio a murinhos.

Evoco aqui Churchill. Numa frase célebre, no calor da guerra com Hitler, ele disse. “Não é o fim. Não é sequer o começo do fim. Mas pode ser o fim do começo.”

Para Haddad, é o fim do começo de sua carreira política.

O melhor está por vir

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Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Nº 20.076 - "Revés nas urnas deverá acelerar a criação da Frente Ampla de Esquerda"

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03/10/2016

 

Revés nas urnas deverá acelerar a criação da Frente Ampla de Esquerda

 




frente_ampla_esquerda 



Depois do segundo turno, partidos de esquerda e líderes de movimentos sociais sentarão à mesa para retomar a discussão sobre a criação da Frente Ampla de Esquerda.

O Brasil de direita, que emergiu das urnas neste domingo (2), deverá acelerar os acontecimentos políticos visando 2018.

Pela ideia frentista, as legendas ficariam num segundo plano para o protagonismo da coalizão nas disputas eleitorais. Os candidatos representariam a Frente Ampla, não os partidos a que pertencem.

A discussão principal será quem encabeçará essa frente de esquerda nas eleições daqui dois anos. Já se sabe, de antemão, que o adversário central, o direitista PSDB, “escolheu” ontem seu candidato para a contenda: o governador Geraldo Alckmin.

No seio dos partidos que sentarão à mesa — PT, PCdoB, PDT, PSOL, dentre outros — há resistências, inclusive no PT, ao nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para liderar o processo de coalizão.

Por que não experimentar nomes “novos” como do ex-ministro Ciro Gomes e do senador Roberto Requião. Por que não uma dobradinha dos dois em nome da Frente Ampla de Esquerda?

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Nº 20.075 - "Eleição da abstenção e da Lava Jato"


03/10/2016





Eleição da abstenção e da Lava Jato

 

Brasil 247 - 03 de Outubro de 2016

Paulo Moreira Leite


Não é preciso ter muita imaginação para antecipar a explicação convencional para a derrota histórica sofrida pelo Partido dos Trabalhadores nas eleições municipais, em particular em São Paulo, maior cidade brasileira e tradicional referência para o debate político. Passaremos os próximos dias a ouvir que o PT foi punido por seus próprios erros e pagou por eles. Adversários históricos do partido que desde o nascimento esteve no centro das principais lutas dos trabalhadores e da população mais pobre do país irão profetizar a inevitável derrocada final, que seria a confirmação da desorientação política, de uma suposta falta de valores morais e até ausência de títulos acadêmicos por parte de seu núcleo dirigente.

Mesmo reconhecendo que seria difícil imaginar um resultado mais desastroso para o PT e para o imenso conjunto de interesses que  buscou representar desde o célebre encontro no Colégio Sion, é preciso questionar fazer algumas ponderações.

Não tenho dúvidas de que a dolorosa sequência de derrotas nas grandes capitais ocorrida ontem, com uma única vitória expressiva no primeiro turno – em Rio Branco – mostra que o PT está pagando por erros políticos cometidos, em escala nacional. Em várias oportunidades, o partido não esteve à altura da difícil tarefa de governar em nome dos interesses da maioria dos brasileiros e deixou de realizar mudanças de fundo – inclusive de comportamento -- essenciais para o país. Boa parte de seus dirigentes cultivou a ilusão de que a vitória nas urnas iria lhes dar acesso ao clube de privilégios exclusivos da classe dominante que desde a chegada de Pedro Alvares Cabral às Terras de Santa Cruz administra o país com seu egoísmo, uma reserva baixa de escrúpulos e certeza absoluta na impunidade.

Quebraram a cara, como já havia notado o professor Wanderley Guilherme dos Santos, um dos mais profundos e coerentes intelectuais do país, que em agosto de 2015 escreveu sobre a tragédia “da vitória do capitalismo sobre a liderança dos trabalhadores”.

Ao assumir, nos primeiros meses do segundo mandato de Dilma Rousseff, um programa de ajuste econômico que retirou apoio daquela parcela que havia ido às ruas para garantir uma vitória ameaçada até o último minuto, o governo petista isolou-se das forças que poderiam lhe dar sustentação nas horas mais difíceis. Um erro essencial.

Mesmo assim, seria desonesto deixar de reconhecer a importância das mudanças implementadas no país a partir da chegada de Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto, em 2003. As quatro vitórias sucessivas em eleições presidenciais, fato inédito na história do país e raríssimo em qualquer lugar do mundo, falam por si. Mesmo limitado, com imperfeições e incoerências, o conjunto de mudanças ocorridas no período produziu melhorias inéditas na distribuição de renda, na abertura de oportunidades e no padrão de vida da parcela mais explorada da população.

A pergunta a fazer, em outubro de 2016, quatorze anos após a vitória da esperança que venceu o medo, consiste em entender porque boa parte dos eleitores brasileiros abandonou a disputa política e preferiu se ausentar, evitando comprometer seu voto e sua consciência. O universo de interesses que deu origem a este bloco político sempre foi alvo de um massacre impiedoso – frequentemente desonesto -- por parte dos meios de comunicação. A questão é: por que, agora, a campanha teve efeito? Qual a novidade?

Os grandes números mostram que estas foram as eleições do desencanto, da “negação consciente da política”, como escreveu Marcos Paulino, diretor do DataFolha.

Mais de 1 em cada 3 eleitores não foi às urnas e, quando o fez, não escolheu candidato. Vencedor na eleição de maior impacto nacional, João Dória teve menos votos do que a soma de nulos, brancos e abstenções. Em busca de apoio, Dória fez uma campanha de acordo com o espírito da coisa, numa receita óbvia para qualquer assessoria de marketing: apresentou-se como não-político, ainda que em seu caso fosse um discurso que é correto definir como botox ideológico.

Embora nunca tenha disputado um cargo eletivo, o que é uma das formas de atuar politicamente, certamente uma das mais nobres, pois apoiada no voto popular, Dória fez sua história como empresário. Como lobista profissional – não se veja aí nenhum juízo de valor – construiu fortuna auxiliando executivos e dirigentes de empresas privadas a batalhar por seus interesses nos labirintos do Estado brasileiro. Ele próprio conseguiu alimentar investimentos na área editorial com polpudas verbas de publicidade do governo de São Paulo. O nome disso é política, vamos combinar.

Num privilégio permito apenas aos muito ricos, Dória foi o principal patrocinador da própria campanha.

Beneficiário da vitória de maior impacto, Dória teve menos votos do que a soma de abstenções, nulos e brancos. Sustentado por Geraldo Alckmin, o mais opaco dos líderes tucanos, sua candidatura foi sabotada por lideranças tradicionais do PSDB paulista, que alimentaram a opção por Marta Suplicy. Só aderiram ao candidato do próprio partido quando o risco de naufrágio – e de um segundo turno contra Fernando Haddad, uma ameaça mesmo em posição de fraqueza – já se colocava no horizonte, o que dá uma ideia do caráter instável das tendências em cada momento.

Em 1989, na primeira eleição presidencial após a ditadura, o país elegeu um político com um perfil parecido: Fernando Collor. Naquela eleição, o partido político mais identificado com a luta pela democratização, o PMDB de Ulysses Guimarães, teve menos de 10% dos votos, quatro anos depois das Diretas-Já, a maior campanha política da história do país.    

Na prática, a votação de ontem envolve um fator essencial, que analistas de olhar sisudo e sombrancelhas grossas não gostam de admitir por razões óbvias. É o resultado previsível de uma prolongada campanha seletiva e articulada de desmoralização do Partido dos Trabalhadores e das forças que representa, na qual investigações necessárias sobre a corrupção do Estado brasileiro se transformaram num instrumento de deslegitimação de seus dirigentes, a começar por Luiz Inácio Lula da Silva.

Criminalizado na AP 470, o Partido dos Trabalhadores foi golpeado de forma ainda mais dura pela Lava Jato. Em investigações que jamais atingiram partidos e lideranças envolvidos em práticas idênticas, reconhecidas em ampla documentação, construiu-se um imaginário repulsivo numa história com vários ângulos, retratos, inclusive páginas de caráter inegavelmente glorioso.

O PT foi derrotado num fim de semana no qual José Dirceu, seu principal dirigente depois de Lula, cumpre pena na Lava Jato depois de ser condenado na AP 470. Antônio Palocci, ministro da Fazenda e um dos personagens mais influentes na economia e no trato com grandes empresários, encontra-se submetido a uma prisão preventiva decretada 48 horas antes pelo juiz Sérgio Moro, produzindo as manchetes previsíveis.  O próprio Lula foi colocado na posição de alvo de uma caçada política cuja finalidade é obter sua neutralização da luta política, a começar pelas eleições de 2018.

Enquanto isso, Eduardo Cunha segue onde sempre esteve. Solto. Um dia poderemos saber quem é o "Santo" tucano nos emails da Odebrecht? Quem é o Careca?

Não se trata de tentar justificar um crime pelo outro e achar que podemos dormir tranquilos. Essa lição nossas crianças já aprenderam.

O debate aqui é outro. Quando olha para um lado só, faz opções e exibe preferências fáceis de apontar, a Justiça atravessa a fronteira da política. Deixa de ser cega, isenta, para mostrar tendências e opções. Mantém-se, como acontece desde os tempos coloniais, como instrumento das "forças sociais que controlam" o Estado brasileiro, para empregar o diagnóstico claro da sociologia Maria Sylvia de Carvalho Franco. Como disse Wanderley Guilherme, referindo-se a reação dirigida ao Partido dos Trabalhadores: "a reação ao intruso foi imediata. A cada política em benefício dos miseráveis, mais se acentuava a perseguição ao novo jogador, insistindo em reclamar parte do botim tradicional da economia brasileira."

Na dureza das delações premiadas e prisões preventivas, apresentadas num ambiente de circo pelo pensamento único da mídia, desmontou-se o tripé social e político que deu sustentação a um projeto de desenvolvimento que unia grandes empresários do setor produtivos, empresas estatais e lideranças populares.

Em 2016, na pior crise econômica de sua história, o desemprego crescente é real, o salário baixo também. A falta de perspectiva, mais ainda.

O bode expiatório petista é falso, porém. Esta é a tragédia, com todas as falhas e incongruências que podem ser colocadas nas costas do PT e seus aliados. A crise atual é inseparável do programa irresponsável de sabotagem econômica levado a cabo pelos adversários de Dilma, que deram uma versão adaptada de uma máxima atribuída ao ex-governador Orestes Quércia. Agiram uma formula destrutiva: " quebramos o país mas derrubamos o governo."

Não foi só. Como explicou Gesner Oliveira, insuspeito economista de linhagem tucana, "uma Lava Jato mal conduzida” pode custar R$ 200 bilhões no PIB e mais de 2 milhões de empregos. “É um passo na direção da depressão”, concluiu, num artigo em junho de 2015.  

A vitória de João Dória – e também a votação de Marcelo Crivella no Rio de Janeiro –representa a conclusão eleitoral de um processo no qual operações necessárias contra a corrupção se transformam num instrumento de desmoralização do conjunto do sistema político.

Um mês depois do impeachment sem crime de responsabilidade, o país vive uma situação que repete o desastre da política italiana depois da Operação Mãos Limpas Após a derrocada do Partido Socialista e da Democracia Cristã, seguido pelo desmanche do Partido Comunista Italiano, a política da península passou a ser dominada por Sylvio Berlusconi, empresário dono de patrimônio na casa dos bilhões de dólares – entre os quais, as principais emissoras privadas do TV do país, insubstituível máquina de propaganda numa conjuntura de partidos combalidos e lideranças na defensiva.

Mais conhecido por episódios folclóricos e escândalos variados, Berlusconi foi o condutor de uma guinada conservadora na política italiana, que levou a medidas muito semelhantes aquilo que se discute no Brasil de Michel Temer e seus aliados Dória e Crivella: privatização de serviços públicos, desnacionalização da economia, enfraquecimento do Estado de bem-estar social. Com apoio permanente da mídia, que, com honrosas exceções, lhe dispensava um tratamento próprio de um ditador, Berlusconi conseguiu ocupar o cargo de primeiro ministro em duas ocasiões, acumulando sete anos e meio no posto – o mais longo reinado depois da ditadura fascista de Benito Mussolini.

Esta é a questão maior surgida ontem.


Paulo Moreira Leite.  Jornalista e escritor Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em Brasília
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Nº 20.074 - "Alckmin no jogo presidencial; “Onda Freixo” menor que o necessário"

 

03/10/2016

 

Alckmin no jogo presidencial; “Onda Freixo” menor que o necessário

 


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Por

A primeira impressão, ainda sem detalhar muito, do triste resultado das eleições municipais é a de que Alckmin tornou-se, disparado, o mais credenciado aspirante à candidatura tucana em 2018.

Eleger o boneco de cera de João Dória Junior, sem o desgaste de um segundo turno onde iria apanhar merecidamente e não teria nada a ganhar – mesmo vencendo a eleição – é uma vitória do governador, embora não chegue a ser uma surpresa, porque ele próprio ganhou em primeiro turno, com percentual parecido, mesmo depois do desastre hídrico no Estado.

Se é um triunfo para Alckmin, é muito ruim para Temer, que sabe que o governador de São Paulo, ao contrário do que acontece com Aécio Neves e José Serra, não tem de se jogar de cabeça nas propostas de cortes de direitos e nem no desgaste absurdo da reforma da previdência.

Haddad sai derrotado, mas não humilhado, papel que deixa a Marta Suplicy, com todo o merecimento.
E Alckmin, o vitorioso, hoje, é o grande senhor do tucanato.

O segundo momento que destaco é que, de fato, formou-se a “Onda Freixo” que hoje cedo se reconheceu formar-se num post, antes de iniciada a votação.

Mas não foi, a meu ver, de tamanho suficiente. Jandira foi desidratada pelo eleitor- como foi Erundina em São Paulo – de uma maneira atroz, com a migração de seus votos para Freixo.

É bom lembrar, porém, que Freixo teve um percentual – 18% –  bem pior do que os 28% obtidos na eleição anterior, em 2012, quando foi a grande surpresa.

Infelizmente, esta onda não chegou à Zona Oeste (à parte pobre, formada por Realengo, Bangu, Campo Grande e Santa Cruz), onde Freixo teve entre 6 e 11% dos votos, Na parte rica, como era natural que fosse, venceu Pedro Paulo.

É verdade que Freixo tem a seu favor a rejeição a Crivella, que quatro eleições perdidas mostram não ser pequena.

Mas os percentuais de 16% de Pedro Paulo (16%), no fascistóide Bolsonaro (14%), Índio da Costa (9%) e pelo tucano Osório (quase 9%, também), somam 48% do eleitorado no qual, francamente, não vejo como Freixo levar, em maioria, embora Crivella seja osso duro de roer para  essa gente.

Sinto muito, de verdade, não poder expressar outra visão, mas tenho de, com todo o sofrimento, de tentar analisar, embora torça muito para estar errado.

Dizem que o segundo turno é uma nova eleição e, em muitos aspectos, isso é verdade.
Mas o eleitor é o mesmo.


PS: O PMDB do “homem que ia unir o Brasil” ganhou onde, mesmo?

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Nº 20.073 - "Alckmin ganha força para 2018; PSDB e PSOL os grandes vencedores, com Freixo no segundo turno no Rio; PT toma surra e Temer afunda"

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03/10/2016


Alckmin ganha força para 2018; PSDB e PSOL os grandes vencedores, com Freixo no segundo turno no Rio; PT toma surra e Temer afunda



Do Viomundo - 02 de outubro de 2016 às 19h58

 

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Da Redação

Venceu a rejeição “a tudo o que está aí”.

Venceu a antipolítica.

Perdeu o status quo.

Em São Paulo, o “gestor” João Doria se elegeu prefeito em primeiro turno surfando no pavoroso desempenho eleitoral do prefeito petista Fernando Haddad.

Aposta do governador Geraldo Alckmin, ele conquistou a Prefeitura da maior metrópole do país vencendo praticamente em toda a cidade.

Para bancá-lo como candidato do PSDB, Alckmin teve de vencer a resistência de líderes partidários como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e José Serra, causando um racha que talvez resulte na saída do atual ministro das Relações Exteriores do partido.

No extremo Sul de São Paulo, tradicional reduto petista, quando quase metade dos votos tinham sido contados Doria tinha 29% contra 17% de Haddad. Ali, em seu melhor desempenho eleitoral, a recém-convertida ao PMDB, Marta Suplicy, liderava com 36%.

No geral, Marta teve um desempenho sofrível, com cerca de 10% dos votos. Doria venceu mesmo no extremo da zona Leste de São Paulo, onde Haddad dividiu votos com Marta e Celso Russomano. Em algumas regiões, o tucano teve mais de 60% dos votos.

A taxa de abstenções mais brancos e nulos em São Paulo foi altíssima: quase 39%. Ou seja, Doria conquistou seu mandato em primeiro turno com pouco mais de 30% do eleitorado total do município.

1. O PSDB foi o grande vencedor da noite. Conquistou a prefeitura de São Paulo, foi para o segundo turno em Porto Alegre e Belo Horizonte e em redutos tradicionais do PT, como São Bernardo, onde o candidato petista ficou em terceiro lugar. Porém, onde já governavam, os tucanos sentiram o baque da revolta dos eleitores e vão enfrentar segundo turno em Belém e Manaus.

2. O PSOL conseguiu dois resultados notáveis. Marcelo Freixo avançou para o segundo turno contra Crivella (PRB) no Rio de Janeiro e Edmilson vai disputar o segundo turno contra o prefeito tucano Zenaldo Coutinho em Belém.

3. O PT deve eleger em primeiro turno o prefeito de Rio Branco e, nas capitais, só avançou ao segundo turno em uma capital, Recife — por pouco. A avaliação do desastre para o PT depende dos resultados completos das 989 prefeituras disputadas pelo partido. Alguns resultados no Nordeste não foram nem um pouco animadores: em João Pessoa o candidato do partido teve cerca de 4% dos votos, em Natal 10% e em Fortaleza 15%.

4. O PMDB tomou uma surra no Rio de Janeiro, onde Pedro Paulo teve cerca de 16% dos votos. É pouquíssimo, para quem foi bancado por um prefeito que torrou rios de dinheiro público em obras para a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Em São Paulo, Marta Suplicy, atraída pela cúpula do PMDB, teve desempenho sofrível. Em Porto Alegre, o candidato do PMDB foi surpreendido pelo avanço de última hora do tucano Nelson Marchezan Junior.

5. Individualmente, o grande vitorioso da noite foi ACM Neto, em Salvador, reeleito com 74% dos votos. Em Curitiba, Gustavo Fruet (PDT) foi outro que sentiu o inconformismo dos eleitores e nem avançou ao segundo turno.

Há fortes sinais de uma guinada à direita, ainda que as eleições municipais sejam cheias de particularidades. Parece claro que o inverno do PT está apenas começando e que a antipolítica representada pelo “gestor” João Doria tem futuro eleitoral. Digna de nota a votação de Flávio Bolsonaro (PSC) no Rio de Janeiro, com 14%. A soma de brancos e nulos praticamente empatou com a votação de Marcelo Freixo.

O dia foi particularmente ruim para o usurpador Michel Temer, que votou “de madrugada” para fugir de protestos enquanto a presidente Dilma Rousseff e os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso encararam os eleitores em seus respectivos locais de votação. O contraste ficou evidente.

PS do Viomundo: No Rio, Freixo superou Pedro Paulo por cerca de 2% dos votos, que podem ter sido originários da migração de eleitores de Jandira Feghali (PCdoB), que terminou com pouco mais de 3%. Em Porto Alegre, a soma de Raul Pont e Luciana Genro seria suficiente para passar um dos dois ao segundo turno.

PS2 do Viomundo: Em São Gonçalo, na Baixada Fluminense, foram 21,69% de abstenções, 16,9% de nulos e 7,7% de brancos.



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PS2 do Viomundo: Em São Gonçalo, na Baixada Fluminense, foram 21,69% de abstenções, 16,9% de nulos e 7,7% de brancos.



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PITACO DO ContrapontoPIG


Parece que a profecia  do Millor Fernandes tinha sentido: " O Brasil tem um grande passado pela frente."

Paulo Vanzolini,  porém, nos traz um alento quanto verseja: "Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima".

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sábado, 1 de outubro de 2016

Nº 20.072 - "E com vocês, a Petrobrax! "

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01/10/2016 

E com vocês, a Petrobrax!

 

Ao contrário do que pretende nos enganar o libelo privatista, a maior parte das grandes petroleiras do planeta é composta de empresas públicas. 

 

Carta Maior - 28/09/2016

 


Paulo Kliass *

  Marcos Corrêa/PR
Em um país que costuma apagar rapidamente eventos históricos importantes de sua memória coletiva, nunca é demais recuperar fatos carregados de significado. Tanto mais pelo simples fato de que, muitas vezes, tendem a se repetir por aqui ensaios esfarrapados, como se fossem a maior novidade da face da Terra.

Refiro-me, no caso, a todo esse carnaval que vem sendo feito em torno da tentativa de desmonte que o governo Temer está tentando patrocinar em cima de uma das maiores conquistas do povo brasileiro ao longo das últimas décadas - a Petrobrás. A blindagem dos meios de comunicação em torno de críticas às opções de política econômica se completa com a construção de uma narrativa, segundo a qual a equipe é formada de indivíduos de elevada competência técnica e profissional. E o mesmo fenômeno se dá com o Pedro Parente, o indicado para a presidência da nossa petroleira. Tudo na base da torcida e do embalo do “agora, vai!”.

Ocorre que, durante o governo FHC, já haviam sido encaminhadas uma série de medidas com o mesmo objetivo de hoje: preparar o pacote para viabilizar a privatização da empresa. Em 1999, por exemplo, o governo tucano preparou o lançamento de ações do grupo para serem negociadas na Bolsa de Nova Iorque. Tal iniciativa nos era vendida como mais um importante passo para a nossa aceitação no glorioso mundo das finanças internacionais. O pequeno detalhe - para além de todas as demais implicações perigosas de natureza política, financeira e econômica - residia no fato de que a empresa estaria sujeita às chantagens e demandas judiciais no universo do financismo ianque e globalizado.

No ano seguinte, outra importante decisão foi tomada com relação à empresa. No pior/melhor estilo de submissão ao “glamour” do ambiente determinado pelos interesses do capital internacional, a equipe de FHC resolveu que o nome do grupo era, digamos assim, por demais brasileiro. Assim, dando seguimento ao caminho definido pelo complexo de vira-lata, ele deveria ser alterado para uma referência mais internacional: Petrobrax. O então presidente Reichstul dá início a essa complexa e custosa operação, que deveria sair por US$ 50 milhões apenas para a mudança da logomarca. Estávamos em dezembro de 2000, articulou-se uma ampla inédita resistência política entre o Natal e Ano Novo e o processo terminou não se consumando. A empresa se manteve perante o mundo com o nome pelo qual sempre fora conhecida.

Dezesseis anos depois, a coisa tenta se repetir. Aproveitando-se da crise de imagem e das inegáveis dificuldades conjunturais enfrentadas pela Petrobrás em função da Operação Lava Jato, o financismo se prepara para mais uma tentativa de bote. O atual presidente tucano da empresa se arvora direitos imperiais e começa a decidir isoladamente a respeito do futuro do conglomerado estatal. Vale lembra que todas as vezes em que o PSDB ensaiou colocar o tema da privatização da Petrobrás na pauta de disputa eleitoral, foi fragorosamente derrotado nas urnas. Assim, torna-se bastante compreensível que tenha se aproveitado do subterfúgio de chegar ao poder pela via do golpe para implementar tal estratégia.

Dessa forma, Parente decidiu que não interessa mais à empresa a participação em áreas estratégicas, a exemplo de biocombustíveis, distribuição de GLP (gás de cozinha), produção de fertilizantes e petroquímica. De acordo com o novo plano de negócio divulgado há poucos dias, a Petrobrás deveria se voltar exclusivamente para a simples exploração de óleo e gás, justamente o tipo de atividade que gera menos valor agregado. Reproduzimos aqui o velho esquema neo-colonialista de produtor/explorador de “commodities” na periferia, ao passo que as atividades mais estratégicas ficam para os países do centro do mundo.

Além disso, a orientação estabelecida por Parente para os próximos anos é de “desinvestimento”, termo charmoso do financês que significa nada mais, nada menos que a privatização de ativos (empresas) existentes no grupo e a retirada estratégica do crescimento previsto em áreas nobres do setor. Sob o argumento falacioso de que a Petrobrás estaria “quebrada”, não restaria outra alternativa do que a venda de seu patrimônio para solucionar problemas de endividamento.

No mais típico estilo monárquico do “Estado sou eu”, Parente resolveu que o Brasil não precisa de uma Petrobrás tão forte e influente. E ponto final. Como se não bastasse esse tipo de postura autoritária e antidemocrática, ele também decidiu que os programas de conteúdo nacional tampouco são benéficos ao país e à empresa. Assim vai sugerir mudança na legislação e abrir escancaradamente a possibilidade de importação dos componentes dos núcleos de alta tecnologia exigidos no processo operacional produtivo. Ora, se há problemas de fornecimento no modelo atual, o estímulo deve ser na direção de melhor capacitar a indústria nacional para tal missão e não abrir esse precioso mercado para a China e demais países.

Esse é um dos aspectos do verdadeiro desmonte que se pretende impor, sem que nossa população seja sequer consultada a esse respeito. Há uma enorme confusão entre as perdas derivadas dos efeitos da Operação Lava Jato e a situação real da maior empresa petrolífera do País. A Petrobrás continua sendo uma das maiores e mais importantes empresas petrolíferas do mundo. Atualmente ela ocupa a 14ª posição. E vale a observação de que a grande maioria das empresas que estão à sua frente são também estatais ligadas a países que possuem níveis elevados de reservas a serem exploradas. Assim, estão ali no topo da lista empresas públicas de Arábia Saudita, Noruega, Irã, México, Kuwait, Abu Dhabi, Rússia, Argélia, Qatar, China, Iraque, Venezuela e outros.

Assim, ao contrário do que pretende nos enganar o libelo privatista, a  maior parte das grandes petroleiras do planeta é composta de empresas públicas. O blá-blá-blá privatizante não se sustenta entre os que conhecem minimamente o funcionamento de um mercado tão específico e complexo como esse. As reservas do Pré Sal são a garantia plena e segura de que os problemas atuais da Petrobrás podem ser facilmente solucionados no médio prazo, com a consolidação das dívidas acumuladas e a urgente retomada dos investimentos. Não é necessário privatizar para superar a crise. Pelo contrário, recuperar a Petrobrás é essencial para retomada do crescimento de nossa economia, tendo em vista sua importante contribuição na formação do investimento agregado e na manutenção da atividade econômica de forma geral.

A cada semana que passa, são divulgadas novas informações a respeito da produção física da empresa. As últimas estatísticas são relativas ao mês de agosto. Assim, por exemplo, no mês passado batemos novo recorde na produção total de petróleo e gás no Brasil. Além disso, foi atingido no mês um novo valor máximo na média diária de exploração de petróleo, com o pico de 2,22 de barris por dia (bpd).

O que mais impressiona não é exatamente a intenção privatizante do governo Temer. Afinal isso já era amplamente esperado, desde o lançamento do documento “Ponte para o Futuro”. Esse foi o momento em que o PMDB se ofereceu de forma aberta ao mundo financeiro como uma alternativa confiável para ocupar o Palácio do Planalto e toda a Esplanada dos Ministérios.

Na verdade, o que chama a atenção é que o governo tenha nomeado para a presidência da empresa alguém que se declare tão abertamente a favor da venda da empresa para o capital privado. Alguém que vai sabotar de forma declarada e explícita a capacidade de recuperação da Petrobrás e promover o retorno do espírito que havia sido sepultado no passado. Para nosso desespero, estão por aí nos rondando os assombros da PETROBRAX.



* Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.
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Nº 20.071 - "Zarattini desafia Lava Jato a investigar o trensalão"

 

01/10/2016


Zarattini desafia Lava Jato a investigar o trensalão

 
Do Viomundo - 30 de setembro de 2016 às 21h25

 
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Zarattini desafia Lava-Jato a apurar propinas em obras de metrô de São Paulo


Do PT na Câmara, 29/09/2016

Mais um capítulo é incluído na lista de irregularidades envolvendo as obras do Metrô de São Paulo, administrado, há mais de 20 anos, pelo governo do PSDB. Desta vez a Operação Lava Jato descobriu 32 mensagens trocadas entre executivos da Odebrecht com fortes indícios de que a empreiteira pagou propina a políticos para a realização das obras do metrô paulista (linha 2 — Verde e Linha 4 — Amarela), executadas pelo governador tucano Geraldo Alckmin.

Ao comentar o fato, o vice-líder da Minoria, deputado Carlos Zarattini (PT-SP) se mostrou descrente com os rumos das investigações. Segundo o parlamentar, as denúncias de corrupção envolvendo o metrô paulista já se arrastam por muito tempo sem que se chegue à responsabilização dos agentes envolvidos.
“Mais uma vez a gente vê evidências de ato de corrupção no metrô de São Paulo, administrado pelo governo do PSDB. Já vimos isso acontecer diversas vezes e, por diversas vezes, as investigações se iniciam e não são concluídas”, lamentou Zarattini.

O deputado citou a compra dos trens da empresa Alstom e inúmeros casos de desvios de recursos em obras que já aconteceram no metrô de SP e que ainda não tiveram solução. “Vamos ver se, desta vez, a Lava-Jato demonstra que não se preocupa exclusivamente com o PT e em buscar a criminalização do partido. Vamos ver se os promotores, a Polícia Federal e o Juiz Sérgio Moro se dedicam a aprofundar a investigação sobre o governo do Estado de São Paulo”, desafiou o petista.

Reportagem do jornal O Estado de São Paulo revela que dos 32 e-mails listados pela Polícia Federal, 20 tratavam especificamente das obras do Metrô de São Paulo. As mensagens partiam de diretores da empreiteira Odebrecht, responsáveis pela obra, para executivos do “departamento de propinas” e para Benedicto Barbosa Júnior, então presidente da Odebrecht Infraestrutura.

Ainda, segundo a reportagem, nas mensagens aparecem nove codinomes, destes, seis ligados às obras da Linha 2, onde o percentual de pagamentos de propinas e a porcentagens de pagamentos variam de 0,5% a 4%, e dois ligados às obras da Linha 4. A Odebrecht participou do consórcio que fez os lotes 1 e 2 da Linha 4 e também atuou na expansão da Linha 2, ligando as estações Ana Rosa e Imigrantes.

Entre os codinomes listados estão “santo”, “corintiano”, “santista”, “vizinho”, “cambada em SP”, que constam na planilha de pagamentos mensais da empreiteira para as obras do metrô de São Paulo. As investigações apontam que “santo” recebeu um montante no valor de R$ 500 mil em 2004.

O delegado da Polícia Federal responsável pelo caso, Filipe Hile Pace disse que alguns pagamentos eram solicitados “a título de contribuição para campanhas eleitorais”.

No entanto, o delegado aponta que, ao contrário da alegação de caixa 2, os pagamentos “encontravam-se diretamente atrelados ao favorecimento futuro da Odebrecht em obras públicas da área de interferência dos agentes políticos”.

Questionado sobre as possíveis ações que o parlamento poderia adotar para contribuir no aprofundamento das investigações, o deputado Carlos Zarattini reiterou a sua descrença.

“Normalmente nós temos tentado fazer isso e, mesmo quando não tínhamos maioria na Câmara, o PSDB se articula com partidos que eram da base do nosso governo, mas que em São Paulo são da base do governo Alckmin e consegue impedir o avanço da investigação”, disse Zarattini, se referindo a CPMI do Metrô de São Paulo instalada em agosto de 2014. O colegiado, entretanto, sequer realizou eleição para escolha do presidente e relator.

“Eu acredito que seria muito difícil a gente conseguir abrir uma investigação em Brasília, ainda mais agora que o governo federal é aliado do Governo do Estado de São Paulo”, ponderou Zarattini.


Benildes Rodrigues

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Nº 20.070 - "A ofensiva da Folha contra os blogs "

 

01/10/2016


A ofensiva da Folha contra os blogs

 

Blog do Miro - sábado, 1 de outubro de 2016

 

Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:


O Nassif publicou hoje uma análise sobre o recente ataque da Folha aos blogs, em reportagem de página inteira publicada ontem. Eu gostaria de complementar o texto de Nassif com algumas observações. Talvez eu repita pontos já levantados por Nassif, mas é que eu gostaria de ressaltar umas coisas.

Em primeiro lugar, destaquemos a bizarrice de uma matéria sobre um não-fato. Não há notícia. A reportagem não informa ao leitor para onde o dinheiro de seus impostos está sendo destinado. Ele sabe que não há mais um centavo indo para os 13 blogs pesquisados. Ok. Mas então para onde está indo o dinheiro? Quanto foi gasto em publicidade federal de maio até agora? Para quais veículos foram destinadas os recursos?

Não interessa! Seria cômico, não fosse trágico. É um jornalismo às avessas.

O Cafezinho, que a grande mídia e o governo, no afã de censurá-lo, chamam de "blog pró-PT", traz a informação sonegada pela Folha. Fizemos o que o jornal, que recebe milhões em verbas públicas, não fez: informar ao leitor para onde está indo o suado dinheiro de seus impostos, desde maio, quando um novo governo assumiu o poder.

Não é tão difícil. Fomos ao site do Secom e o consultamos. Exportei todos os contratos pagos de maio até agosto deste ano para uma tabela excel, indexei pela coluna de valor e a publico aqui.

E abaixo, uma tabelinha editada, com dados compilados, mostrando os maiores recebedores de verbas publicitárias federais de maio até agosto deste ano.


Esses dados são inéditos e exclusivos do Cafezinho, e se me permitem a deselegância de fazer autopromoção, nos ajudam também a enterrar o argumento usado pelo governo Temer para cortar qualquer publicidade federal aos blogs, o de que não produziríamos "conteúdo de interesse público" (o que é, evidentemente, uma asserção profundamente autoritária, porque omite que é impossível, numa democracia, definir o que seja "conteúdo de interesse público", e por isso, e só por isso, é que a liberdade de expressão e a diversidade são tão importantes).

Como sempre, é uma realidade grotesca. A Globo, sozinha, amealha cinco vezes mais do que seu principal concorrente. É o Estado brasileiro colaborando para o monopólio da mídia. O PT, sempre é bom lembrar, não fez nada para mudar essa realidade. Em 2015, reportagens na própria grande mídia informavam que apenas a TV Globo, sob governos do PT, havia recebido R$ 6,2 bilhões de recursos federais. Se somássemos o que outros veículos da Globo (jornais, portal, editora, rádio) ganharam no período, esse valor poderia chegar perto de R$ 9 bilhões de verba pública, ou seja, meu, seu, nosso dinheiro.

Importante frisar que esses números não incluem as estatais, onde estão importantes contratos de publicidade. Mas eles nos dão um sinal bastante claro sobre a orientação do governo.

Outro ponto que devemos ter em mente é que o governo golpista apenas conseguiu se tornar efetivo há poucas semanas. Ainda não tiveram tempo hábil para pagar à mídia pelos serviços prestados.

Entretanto, por mais que seja necessário criticar o PT por não ter feito nada para combater o monopólio da mídia, também é justo admitir que o partido agiu assim não apenas por covardia. Ele também tinha o justificado e louvável receio de parecer não-democrático, caso implementasse medidas que prejudicassem órgãos de mídia identificados com a oposição. O PT sempre prezou muito a sua imagem de esquerda moderada, democrática e republicana, e faturou politicamente, aqui e lá fora, com essa postura. Mas o preço, como agora se constata, foi alto.

O governo Temer e seus apoiadores na mídia não parecem ter um pingo do mesmo escrúpulo. O próprio título da reportagem na Folha já é uma denúncia em si de censura política.


Nem vou comentar a calhordice de chamar contratos de publicidade de "repasse". Repare, todavia, que, ao chamar os blogs em questão de "pró-PT", a reportagem endossa a acusação de que o governo Temer promoveu uma censura política. Sim, porque o governo Dilma, por exemplo, jamais pensou em cortar verbas publicitárias da Folha ou Globo, mesmo sendo uma unanimidade de que esses veículos sempre foram profundamente "anti-PT" e "pró-PSDB".

Por trás dessa bizarra reportagem da Folha, e de sua não-notícia, há uma teoria bastante original de democracia, na qual os cidadãos de esquerda não têm mais seus direitos políticos garantidos. Sendo assim, os blogs e sites que este setor da sociedade gosta de ler não tem nenhum direito às verbas publicitárias federais.

O governo Temer suspendeu a já mísera publicidade federal para os blogs assim que assumiu o poder, ainda interinamente, em maio. A grande imprensa noticiou a decisão com estardalhaço. Foi a primeira iniciativa política do governo Temer. E ele o fez, sabidamente, para ganhar aplausos da grande mídia. E ganhou os aplausos. A imprensa corporativa passou semanas requentando os números fornecidos pelo governo para atacar os blogs, em reportagens e editoriais.

A grande mídia, no entanto, deve ter ficado decepcionada com a mediocridade dos valores publicitários pagos aos blogs. Observe esse trecho da reportagem da Folha publicada ontem:


Agradeço a Folha pela publicidade gratuita no jornal de maior circulação no país, mas os valores mostrados ali provam a tese contrária vendida pela mídia. Os governos do PT, em especial o de Dilma Rousseff, não deram nenhum favorecimento aos blogs. Os valores, em termos de publicidade, são irrisórios, sobretudo considerando que eles se referem a 17 meses. E olha que, segundo a reportagem, esses foram os "mais bem pagos"! No caso do Cafezinho, a situação é quase irônica, porque, em 13 anos de governos petistas, esse montante foi praticamente a única coisa que recebemos pela venda de espaço publicitário - enquanto a Globo ganhou mais de R$ 9 bilhões...

A Folha parece ter se esquecido de uma reportagem feita por ela mesma. Ou melhor, duas reportagens. Uma delas informava que, num intervalo parecido de tempo ao apurado na reportagem contra os blogs, mas entre 2014 e 2015, o governo paulista pagou R$ 1,5 milhão a revistas de João Dória, candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo.

Somente um contrato de publicidade, a revista Caviar Lifestyle recebeu R$ 501.200! Isso não parece ter incomodado ninguém. Quem foi atacado em editorial por Estadão, Folha, Veja e Globo, além do imenso conjunto de sites e blogs subalternos à mídia, foi o... Cafezinho e os blogs sujos.


A segunda reportagem, também da Folha, informa que o mesmo governo Alckmin pagava R$ 70 mil ao mês a um "blogueiro antipetista".


Essas matérias, naturalmente, não receberam destaque nenhum. E, sobretudo, não se repetiram. A razão de ser delas me parece óbvia: briga por dinheiro. A Folha sentiu-se traída por ver o governo Alckmin destinar a verba pública de São Paulo a outros grupos que não ela mesma.

Tem sido bizarro ver gigantes da mídia, grupos jornalísticos estabelecidos no país desde priscas eras, conectados às maiores fortunas do país, e que já receberam, nas últimas décadas, centenas de bilhões de reais em recursos públicos, atacando com tanta violência um punhado de blogueiros.

Lembro que me senti até lisonjeado com um editorial do Estadão no qual o Cafezinho é citado com ódio. Um editorial só para atacar o Cafezinho, num dos maiores jornais do país! "Meu Deus, que sucesso! Nunca pensei que chegaria tão longe!", eu me dizia, tentando ser sarcástico comigo mesmo.

Mas vamos ao que interessa: a tese do Nassif, com a qual eu concordo, de que a reportagem da Folha foi um ensaio para violências maiores contra a liberdade de expressão no país.

Assim como em 1964, os grupos de mídia estiveram no centro da articulação do golpe que o Brasil sofreu em 2016. Agora eles precisam sustentá-lo até o fim. Para isso, é preciso silenciar as vozes críticas. Como não dá para calar as redes sociais (embora Michel Temer tenha dito que pretende "combatê-las"), a estratégia é centrar fogo num grupo estrito de blogueiros mais influentes.

A gente não sabe ainda, em detalhes, o grau de organização do consórcio golpista. Sabe-se que há um alto grau de coordenação orgânica, espontânea, como sói acontecer em todos os golpes. Mas é claro que há uma organização própria, da qual participam os principais agentes do golpe, basicamente articulados em três frentes: o aparato jurídico-policial, o aparato midiático, e o aparato político. Desses três grupos, a aliança entre os dois primeiros, a casta burocrática e a mídia, é a mais orgânica.

Essa organização vem caçando os blogueiros desde que as conspirações golpistas se intensificaram. O fundador do Brasil 247, Leonardo Attuch, e o editor do Opera Mundi, Breno Altman, já foram intimados pela Lava Jato, como sempre envolvidos em tramoias inventivas - e sem provas - criadas pelos procuradores.

Sergio Moro chegou a dizer, em despacho imediatamente publicizado pelo Globo, que "o 247 recebeu propina a pedido de Vaccari". Não há prova nenhuma, mas sobram, como sempre, convicções.

Altman, que só não foi conduzido coercitivamente porque não estava em São Paulo, foi intimado a depor na Lava Jato, diante de Sergio Moro, porque emprestou dinheiro a um amigo.

No relatório da PF contra José Dirceu, na Lava Jato, o delegado faz referências constantes às estratégias de comunicação do ex-ministro, que teria contratado uma "esquadra de jornalistas". É uma mentira, como sempre. Dirceu não pagava jornalista nenhum, nem tinha recursos para tal. Dirceu tinha um blog, com um ou dois editores/redatores, e só.

No mundinho paranoico e golpista dos meganhas da Lava Jato, Dirceu deixa de ser um militante político e se torna apenas um criminoso comum tentando "polir sua imagem". Apaga-se da história que Dirceu, independentemente das acusações que a polícia faz a ele, sempre foi um quadro político importante. Sem respeito nenhum pela privacidade do ex-ministro, o relatório da PF publiciza mensagens privadas de Dirceu a seus amigos, interpretadas sempre de maneira a criminalizá-las. Mencionando uma mensagem de celular ou email, em que Dirceu pede para um conhecido enviar determinado artigo para ele, Dirceu, publicar em seu blog, o delegado diz que isso era a prova de que "Dirceu ainda possui grande poder de articulação política e de influência, inclusive através dos meios de comunicação de massa”. Não chamo de palhaçada para não ofender os palhaços.

Segundo o Nassif, a reportagem na Folha sinaliza que o golpe decidiu se voltar, de maneira mais organizada, contra a liberdade de expressão no país, vista como uma ameaça a seus planos. Eu concordo e acrescento alguns elementos não listados na análise do Nassif:

1 - O governo Temer contratou, publicamente, o MBL para cuidar de suas redes sociais. O MBL é uma das organizações que articularam, nas redes sociais e, em seguida, nas ruas, a construção do discurso golpista. É uma organização extremamente agressiva contra a esquerda. Seu perfil apartidário era apenas uma conversa para enganar coxinhas inocentes, porque o movimento entrou de cabeça nas eleições desse ano, associando-se a vários partidos da direita.

2 - Uma semana após Temer contratar o MBL, aparece essa matéria requentada da Folha, feita para alimentar justamente as redes sociais antipetistas, desviando o debate público das medidas tomadas ou defendidas pelo governo para os... blogs. A matéria da Folha, apesar de requentada, e não trazer nenhuma novidade, imediatamente se tornou post na página do MBL, no blog do Reinaldo Azevedo, na página do PSDB e em toda vasta rede de blogs de direita que, sim, sempre existiram no país. Os blogs de direita nunca ganharam muita notoriedade porque o público de direita já se dá por satisfeito com a leitura dos grandes jornais.

3 - Em mais um sinal de que o ataque aos blogs foi coordenado, o Antagonista, um dos porta-vozes mais estridentes do golpe, também atacou os blogs no dia de ontem (29/09), num post engraçado, em que diz que os blogs "petistas" sempre foram "ridiculamente nanicos", e que agora teriam caído no ranking do Alexa. É de se perguntar a razão de blogs tão "nanicos" receberem tantos ataques, de maneira tão coordenada e organizada.

4 - Há uma semana, o blog Implicante, que integra a rede golpista, e cujo autor recebe no mínimo R$ 70 mil por mês do governo Alckmin (e sem transparência nenhuma, sem precisar sequer veicular publicidade do governo), publicou um post um pouco mais agressivo do que o habitual, dizendo que governo Temer precisa enfrentar a "narrativa petista". Quer dizer, é pior, o post encerra dizendo que "Ou o Brasil enfrenta as narrativas petistas, ou não sairá do lugar", numa associação bem sinistra e totalitária entre o governo Temer e o "Brasil".

5 - Também há uma semana, a Folha publicou outra estranha reportagem, na qual se autoelogiava dizendo que o jornal "fazia cobertura crítica do governo Temer". Ora, se realmente faz cobertura crítica, para que dizer isso? Na verdade, a Folha deve ter identificado, entre seus próprios leitores, o incômodo com o súbito chapa-branquismo do jornal, e considerado que isso é um perigo para os planos de receber vultosas verbas federais. Possivelmente, a Secom promoverá uma forte concentração das verbas publicitárias nos veículos tradicionais, como se dava na era tucana e, portanto, é preciso vender à opinião pública que o jornal é "crítico" ao governo. O medo da mídia tradicional é que os blogs herdem, como já estão herdando, aquele sentimento antigoverno que é sempre forte em qualquer regime liberal.

A guerra aos blogs é um passo natural na escalada do arbítrio que temos assistido. A narrativa golpista tem enfrentado enormes dificuldades para construir o consenso social de que todo regime ilegítimo sente tanta necessidade, porque a ilegitimidade gera insegurança. Essas dificuldades existem justamente por causa dos blogs, que fazem um contraponto diário, sistemático, combativo, à grande mídia. Nada mais natural que os blogs entrem na lista negra dos que devem ser eliminados, silenciados, constrangidos.

Quem diria, há cinco anos, que viveríamos uma situação tão sinistra?

No entanto, é importante que os internautas não se deixem intimidar. Todas essas agressões às liberdades, mesmo que aparentemente bem sucedidas, constituem na verdade vergonhosas derrotas para os golpistas. Afinal, o que eles pretendem? Transformar o Brasil numa Coreia do Norte de direita, onde as informações são controladas por três corporações de mídia: Globo, Abril e Folha?

Não conseguirão. Serão derrotados uma hora ou outra, e eles sabem disso. Sua pressa, seu desespero, é para vender o país o mais rápido possível, obtendo as gordas comissões de praxe. Quando forem derrotados, pensam eles, já terão suas contas bancárias asseguradas, de preferência em bancos no exterior.
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Nº 20.069 - "A resposta patética da Globo à bofetada de Jandira Feghal"


01/10/2016 

 

A resposta patética da Globo à bofetada de Jandira Feghali

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(Charge: Vitor Teixeira)


Por Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho


Jandira Feghali abriu desta forma sua participação no debate entre os candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro, ontem à noite, na Globo (vídeo aqui):
Boa noite, nós estamos aqui na TV Globo, e eu não poderia deixar de registrar que esta emissora apoiou o golpe contra a democracia e contra uma mulher eleita, que foi cassada sem qualquer crime.
A Globo se auto concedeu o direito de resposta e a apresentadora Ana Paula Araújo falou o seguinte (vídeo aqui):
A TV Globo não é obrigada a realizar debate. Se a emissora faz isso é exatamente por apreço à democracia, inclusive se expondo a ter críticas aqui ao vivo, dos candidatos que estão aqui e concordaram em vir participar desse debate. Então, de qualquer maneira quero lembrar também que não é a TV Globo que ta sendo avaliada aqui, são os candidatos.
Simplesmente patético.

A emissora preferiu não responder diretamente à acusação de Jandira.

O responsável pelo texto lido pela apresentadora, talvez Ali Kamel, provavelmente avaliou que ficaria mais feio ainda negar o apoio ao golpe de Estado recém aplicado no Brasil.

A Globo tentou sair pela tangente alegando que não tem obrigação de fazer debates, mas ao realizá-los demonstraria todo o seu apreço pela democracia.

Ora, em primeiro lugar, uma empresa que apoiou dois golpes de Estado - sendo a grande comandante do consórcio golpista versão 2016 - e foi o sustentáculo midiático da ditadura militar dizer que tem apreço pela democracia por realizar debate eleitoral é um escárnio.

Em segundo lugar, a Globo não é obrigada a realizar debates, de fato, mas deveria ser.

O espectro eletromagnético, pelo qual trafegam as ondas de rádio e TV, não pertence a Globo, mas ao povo brasileiro.

A Constituição estabelece que o direito de transmissão de sons e imagens tem caráter de serviço público, cabendo à União explorar diretamente ou mediante concessão os serviços de rádio e TV. Isso significa que aquele empresário detentor de uma concessão de rádio ou de televisão não é o dono daquele negócio, mas está apenas autorizado a explorá-lo por tempo determinado.

Na democracia liberal em que vivemos, o ápice da participação popular é o momento do voto.
Os detentores das concessões de rádio e TV deveriam ser obrigados, portanto, a dar espaço para que os candidatos apresentem suas propostas à população e debatam entre si, com o ônus pela veiculação recaindo sobre as próprias emissoras.

Qual o sentido de o povo CONCEDER, através do Estado, os serviços de rádio e TV a particulares e depois pagá-los para que transmitam as propostas dos que se candidatam a ser representantes do próprio povo?

Nenhum, mas é exatamente isso que acontece hoje com o horário eleitoral 'gratuito', que não tem nada de gratuito: os partidos não pagam nada, mas o governo, ou seja, nós, pagamos através de isenções fiscais milionárias às emissoras.

Tal absurdo está inscrito nas leis nº 9.096/95 e 9.504/97: 'as emissoras de rádio e televisão terão direito à compensação fiscal pela cedência do horário gratuito previsto nesta lei'.

Quem se habilita a entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade junto ao STF?

Enquanto isso não acontece, os políticos de esquerda deveriam todos ou boicotar veículos de mídia golpistas ou fazer como fez Jandira: deixar as coisas claras, escancarando para quem assiste toda a canalhice política da Globo e seus congêneres.

A apresentadora do debate disse que ali não era a Globo que estava sendo avaliada.

Mas fora da realidade paralela da emissora nós vamos avaliar, discutir e criticar a Globo sim.
Até que a mídia seja democratizada no Brasil.

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Nº 20.068 - "Quem desdenha quer vender… e baratinho. Parente desqualifica o pré-sal"

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01/10/2016  

 

Quem desdenha quer vender… e baratinho. Parente desqualifica o pré-sal


Do Tijolaço · 01/10/2016
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 Por  

Pedro Parente deveria se dar por feliz se o chamassem apenas de ignorante.


Dizer que “endeusaram” o pré-sal, uma província petrolífera que, com apenas 9 anos desde a descoberta, produz tanto quanto hoje produz o lendário Mar do Norte, que fez a riqueza das nações nórdicas e sustentou a velha e decadente Inglaterra poderia ser coisa de quem merecesse este adjetivo.


Assim como comparar a Bacia de Santos à Bacia de Santos, não apenas muito menos produtiva quanto cansada pelos 42 anos de exploração, seria uma estultice para qualquer imbecilóide que olhasse a produtividade sempre acima de 20 mil barris/dia – e até 40 mil barris diários – dos apenas 100 poços (o Brasil tem 9 mil poços de petróleo) do pré-sal.
Onde a Petrobras perfura com uma taxa de quase 100% de sucesso, algo que não existe nem na Arábia Saudita.

Desqualificar o pré-sal, a maior reserva petrolífera encontrada neste no século em todo o mundo, poderia ser coisa de um imbecil.

Mas não é.

É de um vendilhão da pátria.

Parente merece o mesmo destino moral daqueles bonecos do sábado de Aleluia do Judas.
Quando se insurge contra a política de conteúdo nacional na exploração petrolífera, não está fazendo outra coisa senão trair o seu povo.

Não fazer os navios e as sondas no Brasil significa matar dezenas ou centenas de milhares de empregos,  empregos de brasileiros que nunca viveram à tripa forra como o Sr. Parente.

O Sr. Parente não é, portanto, imbecil .

Sabe o que está fazendo e para quem está fazendo.

E talvez mereça moralmente o destino imaginário  que deu Monteiro Lobato aos “caxambueiros”  que diziam não haver petróleo no Brasil, jogados ao  mangue para serem comido pelos sururus.

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PITACO DO ContrapontoPIG
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Revoltante e inaceitável ver a Petrobrás nas mãos de um ladrão cometendo crimes de lesa pátria querendo cinicamente vender o nosso futuro a preço de banana.
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Não se pode assistir passivamente a tamanha aberração.  Tornou-se necessário  defender a Petrobrás e o Pré-sal com todas as armas. Literalmente.
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Nº 20.067 - "Lá vem você defendendo o PT!, por Ângelo Roman"

 

01/10/2016

 

Lá vem você defendendo o PT!, por Ângelo Roman




por Ângelo Roman

-  O governo Dilma previu 60 bilhões de déficit para 2016. Foi um Deus nos acuda. Temer aumentou para 170 bilhões. Vai gastar o que Dilma não ia gastar. A conta a pagar aos patrocinadores do impeachment é alta. Sem contar a entrega do Pré-Sal e a Petrobrás."Indignados", mudos.

- Jucá, Renan e Sarney, em gravação, dizem que precisam tirar Dilma para parar a Lava-Jato. Jucá disse claramente que ministros do STF estão envolvidos na trama. Os togados se calam e nada fazem.

- Vendedores ambulantes, como aquela que estava vendendo água mineral perto de uma manifestação na Paulista, são espancados pela polícia e chamados de "bando de marginais". Isso não acontece com os marginais (fora os do PT), que roubaram milhões, poupados pelo MP, PF e Judiciário. Não acontece com aqueles que derrubaram Dilma para parar a Lava-Jato (confessado em gravações). Trabalho de rua é vadiagem, vagabundagem. Roubo e corrupção nos três poderes não é nada.

- Para salvar a OI, governo articula que os bens patrimoniais e ativos que deveriam voltar para a União em 2025 fiquem com a empresa. Os "indignados" querem acabar com o Bolsa Família e o Prouni. Os milhões para a OI, tudo bem.

- Pessoas são presas, DECLARADAMENTE sem provas. Os corruptos COM PROVAS passeiam pelas ruas, viajam de primeira classe, fazem declarações contra a corrupção na TV. Os "indignados" aplaudem.

- A Folha publicou recentemente que somente 3% da população quer novas eleições para Presidente. Denunciada, teve que se retratar e subir para 63%. Os "indignados" não viram a retratação, pois foi colocada num texto de mais de três linhas.

- Dilma foi impedida, mesmo sem ter cometido crime. Até Temer, em ato falho, disse isso na ONU. Não conseguem ganhar eleições, dão o golpe com o amparo importante do Judiciário. Os "indignados" batem palmas.

- Cunha só foi afastado da presidência da Câmara depois do impeachment. Até aí, o processo estava na gaveta por meses. Aplausos.

- As instalações da PF em Curitiba foram utilizadas como comitê eleitoral em 2014. Delegado atuando como cabo eleitoral. Totalmente absurdo.

- O pedágio de FHC/Lerner cobra 18 reais na BR277. Pela mesma distância, o pedágio na BR376 é 2,30 reais. As últimas concessões foram em função de menor preço e ANTES de cobrar, as concessionárias têm que duplicar a rodovia.  Temer está elaborando medida provisória para "flexibilizar" as exigência às concessionárias. Silêncio dos "indignados".

- Se Moro tivesse agido no caso Banestado como na Lava-Jato (sem preferências partidárias) o Brasil seria outro. O PT não estava no caso Banestado.Daí...

Quando se fala qualquer dessas coisas para um camisa amarela, ele responde "Lá vem você defendendo o PT!". Ouvi isso várias vezes.

Essa resposta apenas mostra as limitações de pensamento, o servilismo à vontade alheia. Essa frase não se enquadra na tal liberdade de pensamento. São apenas palavras, não pensamento.

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Nº 20.066 - "Para promotor, Lava Jato usa métodos absurdos e polêmico"

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 01/10/2016

Para promotor, Lava Jato usa métodos absurdos e polêmicos


Jornal GGN - Em artigo, o promotor de Justiça Antonio Alberto Machado aponta polêmicas na Operação Lava Jato, afirmando que é um “verdadeiro absurdo” que as delações premiadas sejam obtidas com a prisão ou ameaça de prisão. Para ele, quando a delação é conseguida através de tortura física e psicológica, “ela deixa de ser esponstêna e se transforma numa prova ilícita”, vedada pela Constituição.

Machado também critica a condução coercitiva do ex-presidente Lula, a prisão - e depois a revogação desta ordem por considerá-la “desnecessária” - do ex-ministro Guido Mantega, e também outros expedientes autorizados pelo juiz Sergio Moro, como o grampo no escritório de advogados de defesa.
Leia o artigo completo abaixo:


Do Avesso e Direito


Simplesmente assustador

 

Por Antonio Alberto Machado, promotor de Justiça de São Paulo

"HOJE, qualquer opinião que se emita sobre a operação Lava Jato – seja a favor seja contra, seja de crítica seja de apoio -, será sempre entendida e julgada pelo viés ideológico. Não adianta negar – o país ficou dividido entre os que aprovam e os que reprovam essa operação, na mesma medida que se dividiu entre os que apoiavam e os que reprovavam o governo petista. Mas, sejam lá quais forem as ideologias e as preferências políticas de cada um, algumas coisas na operação Lava Jato são muito polêmicas, tanto do ponto de vista político quanto jurídico – e algumas constituem verdadeiros absurdos.
Se não, vejamos.

É polêmico – e, para mim, um verdadeiro absurdo – que as delações premiadas no âmbito da Lava Jato sejam obtidas mediante prisão ou ameaça de prisão. A essência desse instituto, e o que o faz tolerável, é a espontaneidade do delator. Quando a delação é obtida mediante tortura física e psicológica – e decerto que a prisão e a ameaça de prisão constituem suplício físico e psicológico – ela deixa de ser espontânea e se transforma numa prova ilícita – expressamente vedada pela Constituição Federal.

É polêmico – e, para mim, outro absurdo – que os advogados dos réus na Lava Jato só tenham acesso ao conteúdo das delações feitas contra seus clientes na véspera das audiências, dificultando-lhes a articulação e o exercício do direito de defesa; e isso quando a Lei Maior assegura exatamente o contrário, isto é, assegura a todos os réus o direito ao contraditório e à ampla defesa – tal como impõe o "devido processo legal" consagrado na Constituição Federal.

É polêmico – e, para mim, autêntico absurdo – que o juiz da Lava Jato tenha mandado conduzir coercitivamente um ex-presidente da república até uma repartição policial sem intimar previamente o conduzido para comparecer perante a autoridade de polícia. Essa condução constrangedora só tem lugar quando o conduzido teima em não atender à intimação da autoridade – do contrário, é uma medida que ofende abertamente o direito de ir e vir consagrado na Constituição Federal.

É polêmico – e, para mim, mais um absurdo – que esse mesmo juiz tenha determinado a interceptação ilegal de uma conversa telefônica entre uma presidenta e um ex-presidente da república, e, depois, tenha revelado através da mídia o conteúdo dessa conversa, com o claro propósito de influenciar no delicado jogo político por que passava o país às vésperas de um processo de impeachment – essa divulgação é crime e ofende o sigilo das comunicações telefônicas consagrado na Constituição Federal.

É polêmico – e, para mim, um rematado absurdo – que o juiz da Lava Jato tenha mandado "grampear" o telefone dos advogados de réus, e do defensor de um ex-presidente da república, malferindo assim a inviolabilidade dos escritórios de advocacia, o direito de defesa, o direito de ampla defesa, o direito ao livre exercício da profissão de advogado e o princípio da lealdade processual – tudo isso configura afronta à lei e aos ditames da Constituição Federal.

É polêmico – e, para mim, outro absurdo – que esse juiz tenha cometido essas arbitrariedades todas, tenha reconhecido publicamente que as cometeu, e, em seguida tenha sido "perdoado" pelo Supremo Tribunal Federal, mesmo depois de o ministro relator do processo da Lava Jato no STF ter afirmado, nos autos e por escrito, que a atitude do juiz "comprometia um direito fundamental" de dois ex-presidentes da república – aliás, um direito fundamental consagrado na Constituição Federal.

É polêmico – e, para mim, um flagrante absurdo – que o juiz da Lava Jato tenha mandado prender um ex-ministro de estado do governo petista, e, menos de cinco horas depois, porque descobriu que a mulher do ex-ministro estava sendo internada com câncer, tenha revogado essa prisão por considerá-la desnecessária – isso viola o direito constitucional de liberdade, a dignidade humana, e a presunção de inocência consagrados na Constituição Federal.

É polêmico – e, para mim, absurdo também – que o juiz da Lava Jato tenha feito aliança com a mídia empresarial para exercer melhor suas funções de magistrado, e, por força dessa aliança fizesse "vazar" informações ao mais poderoso grupo de mídia do país, com o insofismável propósito de predispor a opinião pública contra os réus que ele (juiz) mandava prender – isso viola o sigilo das delações, o direito à privacidade e o princípio da presunção de inocência inscritos na Constituição Federal.

É polêmico – e, para mim, outro injustificável absurdo – que um juiz de direito, no exercício de suas funções públicas, faça alianças com a mídia privada. E, além disso, aceite premiação concedida publicamente por essa mídia, mesmo sabendo que ela é adversária dos réus da Lava Jato, que ela não se cansa de manipular informações, e que no passado até já apoiou ditadura militar – isso fere mortalmente o princípio republicano e a independência do Judiciário consagrada na Constituição Federal.

Porém, o mais polêmico (e absurdo) é ver agora um Tribunal Regional Federal (4ª Região Sul) render-se ao óbvio e reconhecer que as práticas do juiz da Lava Jato são realmente ilegais, pois "escapam ao regramento" do direito. Mas, segundo esse mesmo tribunal, apesar de ilegais, trata-se de "soluções inéditas" que devem ser toleradas porque o processo da Lava Jato é também um "processo inédito". Em suma, o tribunal afirma, por escrito, que o direito aplica-se aos "casos comuns" em geral; mas, à Lava Jato aplicam-se, não a Constituição e o direito, e sim as "soluções inéditas", ou seja, as soluções buscadas fora do direito, ou fora do "regramento comum" – com essa retórica canhestra, esse tribunal federal acaba de proclamar que a lei e a Constituição não valem para o processo da Lava Jato, ou, noutros termos, admite expressamente que esse processo tramita mesmo perante uma lei e um juízo de exceção.

Nem no tempo da ditadura militar isso ocorreu. É certo que os militares nos outorgaram uma Constituição autoritária (67-69); é certo também que eles editaram um ato de exceção (AI-5); mas, mesmo a Constituição autoritária dos ditadores, e mesmo o Ato Institucional nº 5, valiam para todos: igualmente, isonomicamente – coisa que não ocorre agora porque, segundo esse tribunal federal do Sul, nem a lei nem a Constituição valem para os réus da Lava Jato.

Isso já não é apenas polêmico, nem somente um absurdo – isso já passa a ser simplesmente assustador".

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Nº 20.065 - "Parente acha o pré-sal um lixo"

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01/10/2016

Parente acha o pré-sal um lixo

A Chevron não acha...


Conversa Afiada -  - publicado 30/09/2016
 
 
Maldita.jpg

Da Fel-lha:

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou nesta sexta (30) que ocorreu no país uma expectativa exagerada em relação ao pré-sal, o petróleo localizado em águas profundas
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"Houve um certo endeusamento do pré-sal, quando temos em outras áreas da empresa campos excelentes, como na Bacia de Campos", disse durante evento promovido pela revista "Exame" em São Paulo.

Parente afirmou que boa parte dos investimentos que fizeram a dívida da estatal explodir foram inúteis ou prejudiciais à companhia.

"É importante mencionar que esse endividamento não gera qualquer retorno para a empresa", afirmou o presidente da Petrobras. "Existe uma parte de investimentos no pré-sal que traz resultados, mas a maior parte não", afirmou.

(...)

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Nº 20.064 - "Declaração de guerra do golpismo"

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01/10/2016
 

Declaração de guerra do golpismo

 

Brasil 247 -  30/09/2016

 


Breno Altman


A campanha do governo usurpador em defesa da PEC do Estado Mínimo, que corta investimentos em saúde e educação, terá como slogan "Vamos tirar o Brasil do vermelho", de evidente duplo sentido.

Prevista para ser lançada na próxima semana, aberta e ilegalmente coloca o Estado brasileiro a serviço do extermínio de uma corrente política e constitui declaração de guerra contra o conjunto da esquerda, em especial contra o PT.

Não será de surpreender se, no rastro dessa violência institucional, cenas de truculência e agressão se multiplicarem pelas ruas, com as hordas neofascistas que apoiam o golpe se sentindo estimuladas a caçar os "vermelhos".

O fato é que o governo usurpador e seus cúmplices, incluindo a mídia monopolista, estão atropelando mais e mais as regras democráticas, com o claro intento de implementar a ferro e fogo seu programa ultraliberal.

A esquerda deve responder, com firmeza e unidade. Juntar forças contra o golpe. Não baixar a cabeça jamais. Enfrentar o fascismo como o fascismo deve ser enfrentado.

Acima de tudo, intensificando todos os esforços em ampliar o movimento de resistência do povo brasileiro.

Somente haverá saída democrática se o governo usurpador for derrubado e a soberania popular se impuser através de novas eleições diretas.


Breno Altman é diretor do site Opera Mundi e da revista Samuel
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