domingo, 30 de outubro de 2016

Nº 20.186 - " Guilherme Boulos ao 247: 'Prisão de Lula é declaração de guerra' "

sábado, 29 de outubro de 2016

Nº 20.185 - "Ignorância da Lava Jato cria legião de desempregados"

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 29/10/2016 

 

Ignorância da Lava Jato cria legião de desempregados

 


Blog do Bepe Damasco - out 29, 2016
                                                                 


Por Bepe Damasco

Uma das muitas notas divulgadas pelo Instituto Lula, para se defender da caçada contra o ex-presidente, relata a preocupante ignorância revelada por delegados e procuradores que conduziram seus interrogatórios.

Esses graduados agentes públicos não sabem o que é um governo de coalizão e nada entendem sobre alianças políticas e coligações. Como só conseguem enxergam a política através da lente turvada da criminalização, tudo está contaminado pela corrupção : discurso, medida provisória, projeto de lei, etc.

Em alguns interrogatórios, cujos vídeos vazaram na internet (duvido que em qualquer outro país o próprio Judiciário alimente a imprensa com imagens de depoimentos de réus), o juiz Moro fez jus à sua fama de iletrado, revelando-se incapaz de entender o que é um trabalho de consultoria e análise de cenários para prospecção de negócios, com foco na conjunturas política e econômica. O ex-ministro José Dirceu tentou, didaticamente, explicar-lhe. Em vão.

A Lava Jato dizimou o setor de petróleo e gás, fazendo com que a indústria naval brasileira retrocedesse aos tempos de FHC. Isso jogou fora toda a política de revitalização dos governos Lula e Dilma. Para se ter um ideia, a indústria naval do Rio, na era petista, saltou de 4 mil empregos para 40 mil. O quadro de 2016, no entanto, é terrível, com estaleiros fechados, trabalhadores desempregados e não pagamento de verbas rescisórias.

Enquanto isso, os procuradores do Ministério Público fazem de tudo para dificultar os acordos de leniência, mecanismo usado no mundo todo para punir executivos de companhias envolvidos em corrupção, mas preservar as empresas e, principalmente, o emprego, o ganha pão das famílias. Os jovens da força-tarefa da República de Curitiba vivem se vangloriando de que sua cruzada para salvar o país das sujeiras do submundo da política já logrou recuperar 20 bilhões de reais para os cofres públicos.

Se fossem minimamente iniciados em economia, os paladinos da moralidade fariam as contas e descobririam que a Lava Jato já deu um prejuízo de mais de 100 bilhões ao país. Sem segurança jurídica, o empresário não arrisca seu dinheiro. Com a grande chance de seu investimento parar nas páginas policiais, o capitalista se retrai. A política de esfacelamento da Petrobras levada adiante pelo governo golpista, por sua vez, impede novas encomendas, congelando investimentos.


E quem paga a conta é o trabalhador, perdendo seu emprego e vendo seus filhos passarem toda sorte de privações. Recebendo, fora os penduricalhos, R$ 30 mil de salário, procuradores e juízes da Lava Jato não estão nem aí para o drama dos que constroem a riqueza do Brasil. Já são mais de 200 mil postos de trabalho levados de roldão pela Lava Jato sem que algum dos integrantes midiáticos da República de Curitiba tenha vindo a público para, pelo menos, manifestar preocupação com esse grave problema social.

Sempre ouvi falar que concursos para a PF, MP e Judiciário são verdadeiros funis, com grau máximo de dificuldade para aprovação. Hoje, me pergunto : que diabo de provas são essas que despejam em funções públicas tão importantes jovens despreparados em economia, política, mundo do trabalho e história ?

Estamos ferrados.

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Nº 20.184 - "É possível punir Lula e se calar sobre José Serra? "

O problema maior reside na desproporção das acusações contra Lula e seus adversários. Nas denúncias que já enfrenta, Lula é acusado de se beneficiar de reformas em dois imóveis que, segundo os registros imobiliários competentes, não lhe pertencem: o sítio em Atibaia (SP) e o apartamento no Guarujá (SP).

José Serra, por sua vez, foi apontado como beneficiário de uma conta secreta na Suíça onde foram depositados R$ 23 milhões – repita-se VINTE E TRÊS MILHÕES DE REAIS, hoje equivalentes a TRINTA E QUATRO MILHÕES e meio de reais. Mais do que simplesmente acusar, a Odebrecht pretende entregar os recibos dos depósitos, feitos por intermédio de dois operadores do PSDB: Márcio Fortes e Ronaldo Cezar Coelho.

Evidentemente, se tal acusação tivesse sido dirigida contra Lula, a conta já teria tido seu sigilo quebrado e exposto no Jornal Nacional e os operadores estariam presos. Contra Serra, o tema mereceu uma nota na revista Época e, até agora, nada no JN.

Ainda assim, como a população se dá conta da seletividade da mídia e de parte do poder Judiciário, Lula continua crescendo nas pesquisas. Um dos motivos para explicar esse cenário, de acordo com o sociólogo Marcos Coimbra, da Vox Populi, "é a crescente percepção de seletividade na campanha que contra ele movem partes do Judiciário, do Ministério Público e da grande imprensa." (saiba mais aqui)

Ou seja: no cenário atual, seria absolutamente incompreensível para a sociedade prender Lula sem que antes Serra e os beneficiários da conta suíça do PSDB fossem minimamente incomodados. E também seria inexplicável condenar Lula a toque de caixa, em duas instâncias, para que ele fosse retirado da disputa presidencial de 2018, permitindo que Serra, com conta em paraíso fiscal, continuasse a representar o Brasil no palco global como ministro das Relações Exteriores.

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Nº 29.183 - "Denúncia contra Serra não sai no Jornal Nacional"

 

28/10/2016

 

Denúncia contra Serra não sai no Jornal Nacional


serra


por Eduardo Guimarães 


Todo mundo que tem vergonha na cara sabe que a corrupção não tem partido e que o PT está pagando sozinho uma dívida que é de todos os partidos. Afinal, políticos de todos os partidos vêm sendo denunciados por empresários picaretas que corrompem o Estado há décadas, subornando Executivo, Legislativo e Judiciário em nível federal, estadual e municipal.

Para as pessoas decentes e responsáveis, portanto, não constitui novidade alguma que mais um tucano tenha sofrido acusação tão ou mais grave do que as que pesam contra quaisquer petistas e que essa acusação (reiterada) não receba da mídia tratamento sequer parecido com o que é dado a estes.

Nesse aspecto, a denúncia feita pela Folha de São Paulo em agosto e agora reiterada pelo jornal, de que Serra recebeu propina da Odebrecht, soma-se a denúncias iguais contra outros tucanos – FHC, Alckmin, Aécio – que ocorrem sempre mas que não se tornam de conhecimento público porque ficam restritas ao único veículo da grande mídia que faz denúncias contra caciques do PSDB: à Folha.

E ninguém lê a Folha. Ou o Estadão. Ou a Veja. As denúncias deles só têm repercussão quando vão para o Jornal Nacional. E o Jornal Nacional não denuncia tucanos graúdos. No máximo, um Aécio.  Serra, Alckmin e FHC são os políticos mais blindados do Brasil.

A matéria da Folha em questão decorre de planilhas apreendidas pela Polícia Federal na casa de um ex-executivo da Odebrecht em março deste ano. Essas planilhas listaram possíveis repasses a pelo menos 316 políticos de 24 partidos. Ecumênica, a lista da empreiteira aumentou a tensão ao tragar governistas e oposicionistas –muitos deles integrantes da tropa de choque que votaria o impeachment de Dilma – para o centro da Lava Jato.
 
Quem tiver curiosidade em saber que nomes apareceram na lista só tem que clicar aqui para ver
O material foi apreendido em fevereiro com o então presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Silva Júnior, no Rio, durante a fase Acarajé da Lava Jato. Os documentos se tornaram públicos em março.

O Jornal Nacional não divulgou os nomes da lista afirmando que “não haveria tempo” para divulgar “200 nomes” de envolvidos. Mas haveria, sim. Demoraria 15 ou 20 minutos. Para atacar o PT durante campanhas eleitorais o Jornal Nacional já usou tempo maior em uma única matéria.
— vídeo

Imediatamente após a censura da Globo, Sergio Moro decidiu colocar o inquérito sob sigilo.

Mas que não exaltem muito a Folha por esse furo de reportagem porque o jornal está apenas sendo esperto, pois, apesar do antipetismo, pode se dar ao luxo de posar como único veículo “isento” do país, já que os outros grandes grupos de mídia (Globo, Estado, Abril) até podem noticiar sua denúncia em algum cantinho de seus portais ou veículos impressos, mas jamais produziriam matérias como a do jornal da família Frias contra um tucano tão graúdo.

A Folha se tornou o maior jornal do país graças à burrice da concorrência, que pratica um antipetismo suicida, desabrido, escancarado, enquanto blinda os adversários do PT.

A imagem desses veículos entre quem pensa e pode ou não ser de esquerda, desaba. Nos círculos sérios, ninguém leva a sério uma Veja, um Estadão ou uma Globo justamente porque blindam descaradamente os tucanos graúdos.

O resultado é que a Folha pode se arrogar o título de único órgão de imprensa isento, ainda que isso esteja longe da verdade devido ao volume de antipetismo ser muito maior do que as reportagens e opiniões desfavoráveis para o PSDB, o xodó da mídia do eixo São Paulo-Rio.

Ao fim de sua segunda reportagem sobre os 23 milhões de propina a Serra (que, em valores atualizados, agora são 36), porém, o jornal dos Frias tenta esfriar a denúncia contra o grão-tucano informando que “(…) Nas conversas preliminares da Lava Jato com a Odebrecht, além de Serra, vários políticos foram mencionados, entre eles o presidente Michel Temer, os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, governadores e parlamentares.”

Ah, então, tá.

Mas se todos estão envolvidos da mesma forma, o tratamento a todos é dado da mesma forma pela mídia, pela Justiça, pelo Ministério Público, pela Polícia Federal?

Alguém aí teria a cara-de-pau de dizer isso, que mídia e autoridades tratam igualmente tucanos e petistas acusados da mesma forma? Provavelmente aparecerá algum desavergonhado para afirmar tal enormidade, mas todos sabem que é mentira.

A relação de Dilma com a Odebrecht e outras empreiteiras gerou processo do PSDB contra a ex-presidente no TSE, afirmando que as doações que ela recebeu das empresas foram produto de propina. A mídia trata as doações das empreiteiras a Dilma como propina. Vaccari está preso por isso. Palocci também. Mantega quase foi preso por isso.

E quanto à propina que a delação da Odebrecht diz que pagou a Serra e a Alckmin? Os tesoureiros das campanhas eleitorais desses dois foram presos? Aliás, alguém investigou? Quem foi que comprou a tese criminosa de que as doações legais ao PT são propina e as doações legais ao PSDB são… legais?

Quanto a Lula, nem se fala. É ocioso falar. Lula já foi até conduzido coercitivamente por muito menos do que pesa contra um Serra ou um Aécio, reiteradamente acusados por delatores. Mas sem investigação fica difícil. E as denúncias se sucedem e não são investigadas. Até porque, à exceção da folha, a mídia não pressiona por investigações contra tucanos.

A razão é muito simples: hoje o Brasil é governado por uma aliança entre a Globo, a Lava Jato, o PSDB e parte do Supremo. Assim, podemos todos ter certeza de que a denúncia da Odebrecht contra Serra vai para as calendas enquanto o mesmo Serra e seu partido continuarão acusando petistas de terem sido acusados pela Odebrecht…

Alguém discorda?

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Nº 20.182 - "Transpetro anuncia morte da indústria naval brasileira"



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28/10/2016


industria-naval-br


(Foto: Lançamento ao mar do navio Oscar Niemeyer, primeiro gaseiro construído pela indústria naval do Rio de Janeiro em 2013/ Agência Petrobras)

Comentário do blog: a Petrobras, sob nova direção dos golpistas, rejeita o trabalhador brasileiro e cancela a construção de 17 navios. Para eles é mais interessante importar as embarcações de países como China, Coréia do Sul e Cingapura, ao invés de construí-los aqui com mão-de-obra nacional. Uma “economia barata” que nada interessa ao desenvolvimento do país e favorece apenas os interesses dos acionistas. Lamentável.


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Transpetro cancela 17 navios que seriam construídos em programa de expansão da frota

Programa previa 46 embarcações, tendo em vista que 17 foram entregues e 9 estão em construção
na Reuters

A Transpetro, subsidiária da Petrobras, cancelou a construção de 17 navios no âmbito do seu Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), em meio aos cortes bilionários de investimentos de sua controladora, afirmou nesta quinta-feira o presidente da Transpetro, Antonio Silvino.

O programa, que previa a construção de 46 navios, foi um dos principais programas do governo Lula para a recuperação da indústria naval e geração de emprego e renda no país.

"Estavam contratados, mas nós decidimos rescindir os contratos", afirmou Silvino a jornalistas, após apresentar uma palestra no congresso Rio Oil & Gas, no Rio de Janeiro.

Silvino destacou que outros três navios também poderão ser cancelados, uma vez que estão em construção no estaleiro Eisa Petro 1, que passa por dificuldades financeiras.

Ao todo são 46 navios no Promef: 17 foram entregues, 17 que ainda não tinham obras iniciadas foram cancelados, 3 podem ser cancelados (no estaleiro Petro Eisa 1) e 9 estão em construção em outros estaleiros.

Entretanto, o executivo frisou que ainda busca aumentar o fornecimento de serviços para a Petrobras, o que pode acontecer por meio de afretamento de navios. Segundo o presidente, a Transpetro só transporta 38 por cento do volume marítimo que a Petrobras contrata de cabotagem.

"O fato de cancelar 17 navios não quer dizer que não vai ter mais navio, estamos agora avaliando contratar mais navios... de cabotagem para afretar para a Petrobras", afirmou.

MOMENTO DE TRANSIÇÃO

Também em virtude do corte de investimentos da Petrobras, a Transpetro vai buscar se tornar mais competitiva para atrair novos clientes no mercado além de sua controladora, segundo o presidente.

"Diante das perspectivas que nós vemos da Petrobras diminuindo investimentos... a Transpetro vem se posicionando para ser uma empresa cada vez mais enxuta em termos de competitividade para quando chegarem novos agentes, para cobrir esses investimentos que a Petrobras não vai fazer... que a gente possa estar pronta para atender, para competir", afirmou Silvino.

A subsidiária da Petrobras está negociando um contrato de operação e manutenção com um consórcio liderado pela canadense Brookfield, que adquiriu da Petrobras 90 por cento da unidade de gasodutos Nova Transportadora Sudeste (NTS) da petroleira, afirmou o executivo.

Silvino evitou comentar quais os planos da Petrobras para a Transpetro em meio ao plano de venda de ativos bilionário da empresa. Contudo, disse que se a visão da Petrobras é se manter como uma empresa integrada de óleo e gás, da qual a Transpetro faz parte.

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Nº 20.181 - "População enxota o MBL de escola em Curitiba – O que significa OCUPAR A OCUPAÇÃO ?"


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29/10/2016

 

População enxota o MBL de escola em Curitiba – O que significa OCUPAR A OCUPAÇÃO ?


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(Foto: Leandro Taques – Passeata de estudantes no Centro de Curitiba, 09 de outubro)
Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho

O MBL, servindo como PM para o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), marcou manifestação para  desocupar ontem o Colégio Estadual Pedro Macedo em Curitiba. Indignados com a notícia, centenas de pais, professores e vizinhos da escola formaram um cordão e expulsaram o MBL a pontapés.

Num país que desde 2014 presencia falsos movimentos democráticos sendo usados para enganar a população  - MBL, Vem Pra Rua e Revoltados Online -, todos à serviço dos interesses das elites, é interessante refletir sobre o significado dessa reação popular. Ela é a primeira que ocorre desde a criação desses movimentos em 2014 e indica uma mudança muito expressiva de atitude de parte da população.  Vejamos o assunto de perto.

Diante da primeira iniciativa de ‘reforma da Educação’ do governo Temer, os estudantes reagiram para evitar a destruição da educação. Essa reforma segue as diretrizes da Escola sem Partido, cujo mais ilustre representante é o ex-ator pornô fascista Alexandre Frota. Ligada a essa reforma, a PEC 241 retirará da educação quase meio trilhão de reais em 20 anos, segundo estudo da Câmara dos Deputados.

Frente a isso, os estudantes tiveram que tomar a defesa da educação. Em poucos dias, mais de 1000 escolas estavam ocupadas. Centenas de universidades e escolas técnicas (Ifes), seguiram o movimento que começou no Paraná. O movimento secundarista, de forma inédita, indicou a estratégia para as universidades.

O MBL foi chamado (leia-se, R$) para desocupar as ocupações. É um crime, porque um bem público ocupado só pode ser desocupado pelo estado, com as instituições públicas pertinentes (Ministério Público, Conselho Tutelar, etc.). Jamais um grupo político poderia exercer essa função. Mas com a cumplicidade dos juízes, como todos já sabemos, tudo é possível no Brasil.

Aliás, essa estratégia de desocupação foi imaginada e posta em prática, primeiramente, em São Paulo por Alexandre de Moraes – atual ministro da Justiça de Temer – para desocupar escolas usando apenas a PM (sem o Ministério Público, sem juiz e sem Conselho Tutelar). Como o governo do Paraná não pode usar a PM, depois da tragédia da violência contra os professores em abril de 2015, usa do MBL.

O MBL é a PM de Beto Richa. Ou melhor, a milícia de Beto Richa, já que, como os estudantes denunciaram, o MBL está sendo financiado pelo governador para atacar as ocupações.

O MBL é um movimento falso até no nome, que roubou do MPL (Movimento Passe em Livre), que estava com muita força por ter iniciado os protestos de 2013. O clone MBL (Movimento Brasil Livre) foi criado em fins de 2014  para simular três coisas: um movimento de classe média, um movimento jovem e um movimento liberal-democrático. Em cada um desses itens ele é falso.

A única coisa verdadeira no MBL é o número de processos de um dos seus principais líderes. Ele e família respondem na justiça à bagatela de 125 processos, como noticiou o Diário do Centro do Mundo. Um atestado maior que esse da credibilidade do movimento é impossível. O MBL sofre de falsidade ideológica aguda. Fake de cabo a rabo, quase nada é real no MBL, como se vê.

Mas dentre as coisas que estamos assistindo no Brasil hoje, o que é real? Uma presidenta sofre impeachment sem crime, num golpe contra a Constituição, e o STF, a instituição destinada a ser sua guardiã, afirma que “não há golpe, porque o impeachment está na Constituição”.

Um grupo de procuradores faz as acusações mais absurdas contra um ex-presidente, sem qualquer base em fatos e indícios consistentes, e o procurador chefe diz “não tenho provas, mas tenho convicção”.
Um usurpador se cerca de gatunos e com um projeto de privatizar e saquear 24 bilhões de reais do país, junto com uma PEC 241 que irá destruir a Educação, a Saúde, a Previdência, as Aposentadorias, enfim, tudo, diz que vai  “colocar o Brasil nos trilhos”.

O ministro da Educação, logo após tomar posse, recebeu em seu gabinete Alexandre Frota e o líder dos Revoltados Online que entregaram a ele o projeto da Escola sem Partido.


A reforma da Educação apresentada por esse ministro, baseada nesses assessores, gerou uma revolta nacional. As escolas foram ocupadas, tendo o Paraná saído na frente no movimento de ocupação. E quem eles chamam para desocupar as escolas? Ninguém menos que o MBL. Uma matéria do UOL informou o seguinte:

“Uma manifestação convocada pelo MBL (Movimento Brasil Livre) para a frente do Colégio Estadual Pedro Macedo, no Portão, bairro da zona sul de Curitiba, foi esvaziada no início da noite desta sexta-feira (28) por centenas de manifestantes que se reuniram em frente à escola para ocupar a ocupação.”

Escorraçado pela população indignada, o MBL serviu para alguma coisa. Mostrou que seus métodos fascistas, suas falta de caráter e escrúpulos, seu papel de lacaio, já estão desmascarados e que não mais serão tolerados. A presença da população, pais de alunos, professores e vizinhos da escola, pode definir uma nova forma de ação de resistência ao golpe. Na matéria, essa ação foi chamada de “ocupar a ocupação”. Não fica claro se a expressão surge como liberdade poética do jornalista ou se, ao ser convocada, já foi designada como um ato para “ocupar a ocupação”.  De todo modo, a expressão parece bem adequada para dar nome à defesa das ocupações.

As ocupações parecem se multiplicar nesse momento, e se alastrar para muitos estados no Brasil. Não será de admirar que o MBL, seja convocado para novas ações truculentas. O apoio da população, por meio dos atos de “Ocupar a Ocupação” será decisivo para barrar esses fascistas à serviço dos donos do poder.

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Nº 20.180 - "Patrick Mariano: Enquanto as vítimas eram petistas, Gilmar e Renan se calaram. Mas o Estado policial não tem limites, eles podem até ser os próximos"


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29/10/2016 
 

Democracia violentada

Patrick Mariano: Enquanto as vítimas eram petistas, Gilmar e Renan se calaram. Mas o Estado policial não tem limites, eles podem até ser os próximos

 

Do Viomundo - 29/10/2016

 

por Conceição Lemes


Na última segunda-feira (24/10), em menos de 24 horas o juiz Sérgio Moro, os procuradores da Lava Jato e os delegados da Polícia Federal (PF) receberam estocadas de quem provavelmente não esperavam.

Primeiro, de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitor (TSE).

Em entrevista à Folha de S. Paulo, ao ser questionado sobre as reações do Judiciário, inclusive de Moro e dos procuradores da Lava Jato, contra o projeto de lei  do senador Renan Calheiros (PMDB/AL), que endurece as punições para autoridades que cometem abuso de poder, Gilmar foi contundente:

Parece que eles imaginam que devam ter licença para cometer abusos! O projeto é de 2009 e não trata exclusivamente de juízes e de procuradores, mas sim de todas as autoridades: delegados, membros de CPIs, deputados. Tanto que a maior resistência à proposta partiu de delegados de Polícia Civil na época. Por isso o projeto ficou tanto tempo arquivado.
Agora, nós temos que partir de uma premissa clara: a definição de Estado de Direito é a de que não há soberanos. Juízes e promotores não são diferentes de todas as outras autoridades e devem responder pelos seus atos”.
“(…) a Lava Jato tem sido um grande instrumento de combate à corrupção. Ela colocou as entranhas do sistema político e econômico-financeiro à mostra, tornando imperativas uma série de reformas.
Agora, daí a dizer que nós temos que canonizar todas as práticas ou decisões do juiz Moro e dos procuradores vai uma longa distância.

É preciso escrutinar as decisões e criticar métodos que levam a abusos”.

Na segunda-feira à tarde, foi a vez do senador Renan Calheiros, presidente do Congresso Nacional:

“A Lava Jato é sagrada, ela significará sempre avanços para o país, mas não significa dizer que não podemos comentar seus excessos, e comentar excessos não significa conspiração”

Foi durante coletiva de imprensa, onde anunciou que ingressaria no STF com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), em razão da Operação Métis no Senado, deflagrada na sexta-feira (21/10) pela PF.

Na ocasião, quatro policiais do Senado foram presos. A operação foi autorizada pelo juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília.

Segundo Renan, o objetivo da ADPF é definir “claramente” a competência dos poderes:

A submissão ao modelo democrático não implica em comportamentos passivos diante de excessos cometidos por outros poderes. Pedimos para fixarmos claramente os limites dos poderes, porque um juizeco de primeira instância não pode a qualquer momento atentar contra um poder. Mandado de busca e apreensão no Senado só pode se fazer por decisão do Supremo Tribunal Federal”.
“Mais do que nunca é preciso defender os valores democráticos. Esse é meu dever. É por isso que estou repelindo essa invasão [a operação da PF], da mesma forma que repeli todos abusos praticados contra o Senado Federal sob a minha presidência”.
“A nossa trincheira tem sido sempre a mesma: a justiça, o processo legal. Sem temer esses arreganhos, truculências, intimidação. Eu tenho ódio e nojo de métodos fascistas, por isso cabe a mim repeli-los”.

 A presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, reagiu:

“Todas as vezes que um juiz é agredido, eu e cada um de nós juízes é agredido. E não há a menor necessidade de, numa convivência democrática, livre e harmônica, haver qualquer tipo de questionamento que não seja nos estreitos limites da constitucionalidade e da legalidade”.

Há muito tempo especialistas denunciam os abusos da Lava Jato e a exacerbação do Estado policial no País.

A novidade é o fato de as elas terem partido de Gilmar Mendes e Renan Calheiros.

patrick mariano 

Daí esta entrevista com Patrick Mariano, severo crítico do Estado policial brasileiro. Ele é mestre em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília (UnB).

Viomundo — No início da semana, em menos de 24 horas, o ministro Gilmar Mendes e o senador Renan Calheiros se insurgiram contra os abusos praticados pela PF, Ministério Público e Judiciário brasileiro. Gilmar, citando especificamente os procuradores da Lava Jato. Renan, a ação da PF no Senado, prendendo quatro policiais legislativos.  O que achou do diagnóstico do ministro? 
Patrick Mariano — A lucidez dele é efêmera. De repente, tem um insight e se dá conta de que existe um Estado policial. Em outros momentos se cala diante do arbítrio ou contribui para que ele prevaleça. Geralmente, sua lucidez está ligada à proteção da sua classe social e daqueles com os quais compartilha afinidades ideológicas. Mas alguns pontos do diagnóstico dele estão corretos.

Viomundo — O que destaca?
Patrick Mariano – Primeiro, a crítica ao absurdo que é servidores públicos, como o são os juízes, procuradores e delegados da Lava Jato, se colocarem contra o projeto que pune o abuso de autoridade.
Ser contra o projeto é quase uma confissão da prática de crime. Se você examinar as ilegalidades dessa operação, tanto de método quanto de concepção, talvez seja possível entender a resistência. A Lava Jato é uma fonte inesgotável de arbitrariedades.
O segundo ponto que destaco é a crítica às prisões preventivas da operação, todas ilegais.

Viomundo — Por que ilegais?
Patrick Mariano — Porque buscam atender a outra finalidade que não resguardar o processo penal.

Viomundo — Por que estão contra o projeto?
Patrick Mariano –Talvez justamente porque pratiquem abusos e ilegalidades reiteradas.

Viomundo — Daria pra exemplificar algumas ilegalidades, arbitrariedades? 
Patrick Mariano –São tantas que passaríamos horas conversando. Mas destaco a jurisdição universal que parece ter Sérgio Moro. Ele julga fatos que não são de sua competência. Determina prisões ilegais e conduções coercitivas para satisfazer a chamada “opinião pública” ou publicada, como diz o advogado criminalista Nilo Batista.
O ato de ilegalmente determinar a interceptação telefônica da presidenta da República, Dilma Rousseff, e, depois, divulgar esse conteúdo para a Rede Globo, sem ter competência para tanto, fala por si.

Viomundo – Até censura a um colunista da Folha o juiz Moro já tentou…
Patrick Mariano — Sim, pois é. Ao invés de responder racionalmente ao artigo do físico e professor Rogério César de Cerqueira Leite, Moro preferiu questionar a publicação, como se tivesse investido de poderes de um soberano. Até estranhei a reação dele. Imaginei que Savonarola fosse um exemplo intelectual, uma referência de método empregado na operação.


 Viomundo — O Renan ingressou no STF com uma ADPF por conta da operação da PF no Senado. O que acha?
Patrick Mariano – Se nós vivêssemos num momento de respeito à Constituição e de segurança jurídica, isso não seria necessário. Mas como não estamos, acho bastante importante. Servirá para questionar possível violação, a separação entre os poderes e a autoridade do juiz de primeiro grau que determinou a ação.

 Viomundo — O juiz que expediu o mandado para a PF prender os policiais legislativos poderia legalmente fazer isso ou extrapolou?
 Patrick Mariano — Os policiais legislativos agiram de ofício? Não, cumpriam ordens de senadores. Bom, o juiz resolveu somente investigar a conduta desses servidores e não a dos senadores, não é estranho?
Foi um passa-moleque na competência do Supremo Tribunal Federal.
Ao que tudo indica fazer varreduras está dentro da competência da Polícia Legislativa — eu acho um erro tremendo a ampliação do poder desses grupos — mas está lá.
Então, na verdade, foi uma ação provocadora da PF e do juiz de primeiro grau para questionar a autoridade do Senado. Para amedrontar e demonstrar poder.

Viomundo — Provocação ao Senado a troco de quê?
Patrick Mariano — Para exibir poder, criminalizar o exercício da política e amedrontar o Poder Legislativo. Há muito tempo a Polícia Federal se tornou um partido político. Agora, os procuradores da República querem legislar e juízes de primeiro grau desafiam, sem receio, a autoridade dos tribunais.

Viomundo — Não seria uma provocação também ao próprio STF?
Patrick Mariano –Sem dúvida. Aliás, juízes de primeiro grau impediram nomeações de ministros por parte do Presidente da República e o STF nada fez. Penso que o STF se tornou mera franquia de uma Vara Federal. Não resguarda a Constituição e assiste impassível à retirada da sua autoridade por juízes de primeiro grau. 

Viomundo — O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse que a PF estava correta, foi dentro da legalidade. E aí?
Patrick Mariano — O ministro da Justiça se tornou um mero porta-voz da Polícia Federal sem curso de Jornalismo nem media training.

Viomundo — A defesa que a ministra Cármem Lúcia fez do “juizeco” procede? 
Patrick Mariano –Digamos que a manifestação da ministra não está à altura do cargo que ocupa. Ora, como presidente do STF e diante de reiterados ataques ao STF e à Constituição da República de 1988, ela deveria ter outra postura. O cargo exige que aja no sentido de defender a autoridade do tribunal e não só criticar, assim como determinar a apuração de abusos de autoridade praticados por juízes.

Viomundo — Está dizendo que a Constituição e o STF estão sendo atacados e ela tem ficado quieta? 
 Patrick Mariano — Quieta não, é pior do que isso. Ela tem aquiescido e batido palmas, como fazem aqueles colunistas da Globo News naqueles debates de fim de tarde.

Viomundo — Que ataques o Supremo tem sofrido? 
Patrick Mariano — Juízes de primeiro grau agem e decidem como se fossem ministros do STF, ou seja, violam regras básicas de competência. Isso gera um quadro de completa insegurança jurídica.

Viomundo — É impressão minha ou os juízes estão se achando deuses, estão acima de tudo e todos, portanto não passíveis de críticas? 
Patrick Mariano – Infelizmente, a estrutura do Poder Judiciário brasileiro ainda não se adaptou ao regime democrático. Possui práticas quase monárquicas. Até pouco tempo as sessões das provas orais dos concursos de juízes eram secretas e são vários os relatos de candidatos e candidatas reprovados por machismo e idiossincrasias de desembargadores.
Não há transparência nos gastos, muitos juízes recebem acima do teto do funcionalismo e quando praticam crimes têm como pena a aposentadoria com vencimento integral.

Viomundo — Por que só agora  Gilmar e Renan estão chiando, considerando que os abusos vem sendo cometidos há um bom tempo? 
Patrick Mariano — Lembra um pouco a situação do morador de bairro alto diante de uma enchente. O rio começa a subir, mas até então as casas alagadas estão distantes.
Enquanto as vítimas do Estado policial eram petistas, foi conveniente se calar diante do arbítrio. O ledo engano de Gilmar e Renan é que o Estado policial não tem limites, uma vez instaurado não há como conter. As próximas vítimas podem até ser eles.
Aliás, em alguns casos o ministro Gilmar até incentivou esse estado de coisas, como quando impediu a posse do ex-presidente Lula como ministro-chefe da Casa Civil. Ou seja, penso que acordaram um pouco tarde demais.

Viomundo — Daria para sinalizar a partir de quando esses abusos começaram a ocorrer?
Patrick Mariano — São vários fatores. A criminalização da política foi estimulada pela grande mídia, executada por atores do judiciário, Ministério Público e Polícia Federal e se tornou um instrumento, talvez o principal, de partidos que queriam “retirar do poder” o PT.
Basta lembrar a ação penal 470, o chamado mensalão, e programas como CQC e o colunismo do ódio. Junto com isso, a inocência da gestão petista, que permitiu a ampliação legislativa do Estado policial sem qualquer contraponto crítico.
E, por fim, a ascensão política de jovens procuradores e juízes fabricados do dia para a noite, como personalidades públicas, porque se tornaram verdugos de inimigos políticos. O problema é que soltaram um monstro e agora não sabem como colocar de volta na jaula.

Viomundo — Você diz: “inocência da gestão petista que permitiu a ampliação legislativa do Estado policial sem qualquer contraponto crítico”. Explique melhor.
Patrick Mariano — A gestão da presidenta Dilma foi responsável por não impedir o avanço legislativo do Estado policial. Muitas vezes foi até indutor da aprovação de leis de claro conteúdo protofascista e que permitem o arbítrio estatal, como a lei de organizações criminosas.

Viomundo — O PT apostou no republicanismo, que foi usado pelas corporações pra gestar o ovo da serpente?
Patrick Mariano — Sem ter tido qualquer projeto para o sistema de justiça, agora o PT é vítima de leis autoritárias que ajudou a criar. É uma triste ironia. Mistura de arrogância com inocência quanto à luta de classes e quanto ao papel do Estado.

Viomundo — Isso aconteceu tanto nos governos Lula e Dilma? Pelo o que eu li, foi o Tarso Genro, por exemplo, que descentralizou a inteligência da PF, permitindo que, em cada se estado, ela fizesse o que bem quisesse.
Patrick Mariano — As gestões do PT no Ministério da Justiça foram muitos ruins e refletem a falta de uma visão estratégica para o sistema de justiça, com exceção do ministro Eugênio Aragão que, infelizmente, ficou pouco tempo. Tarso ainda foi firme na questão do Cesare Battisti, de resto as atuações foram pífias e patéticas.

Viomundo — Nós estamos vendo um aumento da criminalização dos movimentos sociais. Isso faz parte do Estado policial?
 Patrick Mariano – Para os assim chamados debaixo — as classes mais pobres e os movimentos de cidadania e reivindicatórios — o Estado policial chegou há décadas. Mas os efeitos da sua ampliação nos últimos anos serão ainda mais nefastos.
A decisão do STF de desrespeitar o princípio constitucional da presunção de inocência fará com que os números do encarceramento em massa sejam ainda mais absurdos. Assim como a desastrosa política de gestão judiciária que restringiu enormemente a eficácia do habeas corpus.
Com o avanço de políticas neoliberais haverá protesto social e, para refreá-lo, o direito penal, ampliado pela equivocada gestão petista, servirá como instrumento poderoso.

Viomundo – Está se referindo à decisão do STF que possibilita a prisão em segunda instância?
Patrick Mariano — Sim, um horror aquele julgamento. Ali houve uma opção clara da Corte Suprema pelo punitivismo e pelo encarceramento em massa em total desrespeito à Constituição que assegura, sem limitações, a presunção de inocência.

Viomundo — Como acabou eficácia do habeas corpus?!
 Patrick Mariano — Por uma desastrosa decisão de gestão judiciária limitaram — e muito — o habeas corpus, instrumento histórico de defesa do cidadão contra o arbítrio estatal.

Viomundo — O que significa a ampliação do direito penal na gestão do PT?
Patrick Mariano – No poder, a esquerda não se deu conta de que a sua luta histórica é pela ampliação dos direitos e das garantias individuais. Flertou com o populismo penal e, agora, paga um trágico preço.

Viomundo  — Em que medida a lei antiterrorismo da presidenta Dilma está contribuindo para isso?
Patrick Mariana — É mais um equívoco legislativo tremendo. Centenas de organizações da sociedade civil pediram ao governo que retirasse esse projeto. Em vão. A lei foi aprovada cheia de erros e com artigos inconstitucionais. Na verdade, é mais um instrumento punitivo nas mãos de poder político.


Viomundo — Quais as consequências?
Patrick Mariano –Mais repressão.

Viomundo — O que a sociedade deve fazer?
Patrick Mariano — Os movimentos populares precisam se organizar cada vez mais. Além disso, denunciar e exercer a solidariedade. E, claro, refletir e procurar entender porque parte da esquerda, mesmo diante de inúmeros avisos, não se deu conta de que sua luta histórica é pela efetivação e ampliação dos direitos e não pelo seu sufocamento.



PS: Ontem, quarta-feira (26/10), após essa entrevista, houve a divulgação de que ONU aceitou a petição do ex-presidente Lula que denuncia as ilegalidades do sistema de justiça praticadas em seu desfavor e de sua família. Por isso, fiz hoje mais esta pergunta a Patrick Mariano:
Qual o significado ou possíveis reflexos da aceitação da denúncia do ex-presidente Lula pela ONU, evocando pactos e decisões das cortes internacionais?
Patrick Mariano — Se o sistema de justiça brasileiro não tem sido capaz de garantir os direitos e garantias fundamentais dos seus cidadãos, resta o pedido de proteção aos fóruns e organismos internacionais. Se consideramos que vivemos em um Estado policial, os efeitos são semelhantes às cartas que denunciavam a tortura na época da ditadura. Isso é importante porque fura a bolha e o conluio que existe entre a grande mídia brasileira e a inquisição de juízes e procuradores.

 Leia também:
 

Nº 20.179 - "Moro diz que Brasil pode não sobreviver à delação da Odebrecht "

Na capa, a publicação se refere à delação da Odebrecht como "a delação do fim do mundo", que promete atingir parlamentares, governadores e ministros de diversos partidos, sem contar Michel Temer (PMDB), presidente da República.

Trechos da delação já incriminaram o ministro das Relações Exteriores, José Serra, que segundo executivos recebeu R$ 23 milhões em propina da empreiteira por meio de uma conta na Suíça.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi outro cacique tucano citado na delação, como beneficiário de doações de campanha em troca da participação da construtora nas obras do Rodoanel, em São Paulo.

Ele seria o "Santo", codinome registrado em planilha da Odebrecht.

Segundo a delação, Temer pediu, em uma reunião com Marcelo Odebrecht realizada no Palácio do Jaburu, R$ 10 milhões para seu partido. Parte do dinheiro teria sido entregue em dinheiro ao atual ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

O acordo da empreiteira com o Ministério Público Federal deve ser fechado nos próximos dias e promete abalar todos os corredores de Brasília.

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Nº 20.178 - "Propina a Serra na Suíça? Temer silencia "

O peemedebista, que já encerrava a entrevista, simplesmente virou as costas e subiu as escadas internas do palácio, conforme relato dos jornalistas Marina Dias, Gabriel Mascarenhas e Camila Mattoso, da Folha de S. Paulo.

Segundo reportagem do jornal desta sexta, executivos da Odebrecht apontaram em delação premiada que Serra recebeu por meio de uma conta na Suíça propina de R$ 23 milhões. Segundo disseram à força-tarefa da Lava Jato, o dinheiro foi pago via caixa 2 para a campanha presidencial do tucano em 2010.

O acerto do recurso no exterior, de acordo com a Odebrecht, foi feito com o ex-deputado federal Ronaldo Cezar Coelho (ex-PSDB, hoje no PSD), que trabalhou na coordenação política da campanha de Serra. E o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB-RJ) foi quem negociou o suposto caixa dois operado no Brasil, ainda de acordo com a delação.

Serra participou da reunião desta sexta no Itamaraty e ficou para o almoço, que foi servido em seguida.

Ele não falou com a imprensa. A denúncia torna insustentável a permanência de Serra no Ministério das Relações Exteriores e fragiliza a acusação da Lava Jato contra o ex-presidente Lula.

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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Nº 20.177 - " Temer. A enorme nulidade "

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28/10/2016 

Temer. A enorme nulidade

edmort
Irresistível reproduzir o texto de Paulo Nogueira no Diário do Centro do Mundo. Nem o ótimo Paulo Betti, que representou o canastrão no cinema, lembra tanto:

A incrível semelhança entre Temer e o Ed Mort de Veríssimo. Por Paulo Nogueira

 

Verissimo tem um personagem chamado Mort. Ed Mort. É um detetive particular extremamente atrapalhado.

Mort trabalha num cubículo no Rio tão pequeno que decide tratá-lo como cubi. Cubículo é uma palavra grande demais para o tamanho do aposento.

Me veio à cabeça Temer. Michel Temer. Temer é hoje uma figura tão diminuta que poderíamos chamar de Te. Pre Te. Presidente Temer.

Pensei em várias coisas relativas a isso. Por exemplo: que aconteceria se seus seguidores convocassem uma manifestação pró-Te?

Quantas pessoas compareceriam?

Nem ele. Porque Te não vai a lugares públicos. Ele se esgueira e se esconde, com pavor das vaias.

Me pergunto, também, se os garçons do Planalto ainda lhe servem o tradicional café.


Não há nada mais melancólico do que final de governo. O alarido festivo dos primeiros dias é substituído pelo silêncio mórbido da era que se encerra.

Pior ainda é quando você pula uma casa. Mal começa e já vive o clima dos últimos tempos, como Te.

Certas pessoas públicas despertam admiração e paixão à primeira vista. Com Te se deu o oposto. Os brasileiros não conheciam Te. Ficara nas sombras da paixa política a carreira toda. Quando o conheceram, imediatamente o desprezaram.


Uma nova pesquisa Ipsos mostrou, hoje, que apenas 9% dos ouvidos o acham ótimo ou bom.
É uma irrelevância estatística, mas se você observar Te vai ver que 9% francamente é demais.


No noticiário político, ele rapidamente passou a figurante, ainda que no Planalto. As pessoas falam em Carmen Lúcia, em Renam, em Eduardo Cunha, mas não nele.

É como aquele convidado numa festa que ninguém quer ouvir, mesmo sendo pretensamente o dono. Num determinado momento o descaso é tão grande que ninguém sequer finge interesse no homem deixado num canto.

Parece evidente, a alta altura, que ele não chegará ao final da festa. 2018 é longe demais para alguém com as características de Te.

Quem ocupará seu lugar até lá?

É uma questão tão complexa que até o nome de FHC foi ventilado.

Uma coisa é certa: o substituto não pode ser tão insignicante que tenha o mesmo destino do cubículo de Mort. Ed Mort.

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