sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Nº 20.798 - "Entidades repudiam decisão sobre planos de saúde 'populares', um retrocesso de duas décadas"

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27/01/2017


Entidades repudiam decisão sobre planos de saúde “populares”, um retrocesso de duas décadas


Do Viomundo - 27 de janeiro de 2017 às 18h26
    

Abrahão


Idec e Abrasco repudiam decisão da ANS de dar continuidade à proposta de plano de saúde popular

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) vêm a público repudiar a decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) de dar continuidade à discussão de planos de saúde populares ou acessíveis iniciada pelo Ministério da Saúde.

No dia 25/01/2017 a ANS anunciou a criação de um Grupo Técnico com a finalidade de analisar a viabilidade das propostas encaminhadas pelo Ministro da Saúde.

Alertamos, mais uma vez, que os planos de saúde populares:

• Representarão mudança radical, para pior, na atual legislação que já apresenta falhas e lacunas. Será uma volta ao passado, mesma situação de 20 anos atrás, quando existiam planos de menor preço, porém segmentados e com restrições de coberturas.

• Poderão excluir idosos e doentes crônicos, negar internações e procedimentos caros e complexos, impedir atendimentos de urgência, tratamentos de câncer, de transtornos mentais, órteses, próteses, fisioterapia, transplantes etc

• Poderão criar barreiras de atendimento, limitar a cobertura apenas a serviços disponíveis no local ou instituir pagamentos adicionais, além da mensalidade, sempre que o usuário tiver necessidade de determinados serviços.

• Terão poucos serviços conveniados e pagarão menos aos prestadores, o que vai gerar maior dificuldade de agendar exames e consultas com médicos e de encontrar hospitais e laboratórios de qualidade.

• Farão “explodir” a judicialização da saúde suplementar. As ações judiciais contra planos de saúde aumentaram muito nos últimos anos, inclusive por causa de planos baratos que já existem no mercado, os chamados “falsos coletivos”, com rede credenciada restrita, de má qualidade, que negam coberturas, reajustam abusivamente mensalidades e praticam rescisão unilateral de contratos.

Advertimos que a ANS, ao constituir “Grupo Técnico composto por servidores de todas as diretorias e da Procuradoria Geral da Agência”, reproduz a mesma decisão arbitrária do Ministro da Saúde, quando da criação do primeiro Grupo de Trabalho (Portaria 1.482/2016), excluindo da discussão entidades da saúde coletiva, de defesa do consumidor, de médicos dentre outros setores da sociedade envolvidos.

Exigimos maior transparência nos encaminhamentos sobre planos populares. A começar pela imediata divulgação e submissão à consulta pública das propostas e estudos encaminhados pelo Ministério da Saúde à ANS, discutidas por mais de 120 dias pelo Grupo de Trabalho do Ministério da Saúde.

Por fim reiteramos que planos populares ou acessíveis não são a solução para o sistema de saúde brasileiro. Em época de recessão e desemprego, o que a população mais precisa é de proteção social.

Por isso defenderemos sempre o Sistema Único de Saúde (SUS) constitucional, público, universal, de qualidade e adequadamente financiado, bem como a regulamentação da assistência à saúde suplementar, que precisa ser melhorada e não flexibilizada.

IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – www.idec.org.br

ABRASCO – Associação Brasileira de Saúde Coletiva – www.abrasco.org.br

plano-de-saúde

Jogo de cartas marcadas?

por Conceição Lemes

Em 23 de junho de 2016, o Viomundo denunciou: Governo Temer se entrega aos planos privados; ANS e Ministério da Saúde agem como se as operadoras fossem as vítimas e não os usuários.

O primeiro passo foi logo após a posse de Ricardo Barros como ministro interino da Saúde, em maio de 2016.

Em 2014, teve parte de sua campanha a deputado federal (PP-PR), financiada pelo mpresário Elon Gomes de Almeida, dono de um dos principais operadores de planos privados de saúde do país. Almeida fez uma doação pessoal de R$ 100 mil à campanha de Barros.

De cara, Ricardo Barros já avisou que não vai controlar a qualidade dos planos privados de saúde.

O segundo passo aconteceu em 3 de junho de 2016. Ricardo Barros fez reunião em seu gabinete com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS),  para reduzir a judicialização da saúde.

Em 6 de julho de 2016, o terceiro passo. Ricardo Barros afirmou  que vai defender a criação de “planos populares”.

Agora, em 25 de janeiro de 2017, o quarto passo, provavelmente numa jogada combinada com o presidente da ANS, José Carlos de Souza Abrahão.

Barros encaminha a Abrahão as suas propostas para os tais planos populares, ou acessíveis, como prefere chamá-los o ministro da Saúde.

Em campanha por um novo mandato, Abrahão, claro, decide avaliá-las.  

De 2003 até sua indicação à ANS, em março de 2014, Abrahão era presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNS), entidade que representa estabelecimentos de saúde, hospitais, laboratórios e operadoras de planos e seguros de saúde.

Em 2010, em artigo publicado na Folha de S. Paulo, ele manifestou-se contrário ao ressarcimento do SUS.

Em bom brasileiro:  Abrahão disse ser contra plano de saúde ressarcir o SUS por assistência que cliente recebe no sistema público de saúde.

Alguma dúvida de que raposas tomam escancaradamente conta do galinheiro?

Alguma ideia de qual será o quinto passo do ministro Ricardo Barros?


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PITACO DO ContrapontoPIG

Absurdo.

Um tentado contra a saúde e a vida das populações menos favorecidas.

Um crime contra o povo sem que haja uma reação proporcional. A ação da mídia golpista é realmente devastadora na mente da população que aceita  - anestesiada e passiva - como normal, tamanha crueldade.

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Nº 20.797 - "FUP denuncia “milagre” da Petrobras: Entreguismo de Parente faz reservas caírem a níveis de 2001"

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27/01/2017


FUP denuncia “milagre” da Petrobras: Entreguismo de Parente faz reservas caírem a níveis de 2001



Do Viomundo - 27 de janeiro de 2017 às 09h58


Parente
    

Parente faz reservas da Petrobrás retrocederem 15 anos
Qualquer semelhança não é mera coincidência
do Informe FUP (Federação Única dos Petroleiros), 26/01/2017

Há menos de um ano no comando da Petrobrás, Pedro Parente já conseguiu a façanha de fazer as reservas da empresa retrocederem mais de uma década, atingindo os níveis de 2001.

A companhia fechou 2016 com 9,672 bilhões de barris de óleo equivalente, uma queda de 8% em relação ao ano anterior, praticamente a mesma reserva que tinha há 15 anos, quando atingiu 9,3 bilhões de barris.

O desmonte promovido pelos golpistas está fazendo a Petrobrás voltar a ser o que era em 2001, quando Pedro Parente comandava o Conselho de Administração da empresa.

Assim como hoje, os investimentos em exploração e produção de petróleo e gás sofreram cortes drásticos, fazendo com que a área mais estratégica da companhia fosse anos a fio sucateada. A recuperação se deu nos governos Lula e Dilma, que multiplicaram por mais de dez vezes os investimentos no E&P, fazendo com que a Petrobrás aumentasse em 70% as suas reservas e se tornasse capaz de descobrir o Pré-Sal.

Os desinvestimentos e a liquidação de ativos promovida pela gestão Pedro Parente fazem a estatal retroceder a passos largos, levando junto a economia do país e as principais conquistas das últimas décadas.

O próprio mercado já admite que a receita aplicada está comprometendo a empresa. “A falta de investimentos exploratórios está afetando seriamente o valor da Petrobrás”, afirmou a Zag Consultoria ao Valor Econômico em reportagem de capa desta quinta-feira, 26, onde o jornal analisa o tombo que os golpistas promoveram nas reservas da empresa.

Diferente de outras petrolíferas, a Petrobrás tem a seu favor o Pré-Sal batendo recordes de produção e imensos campos de petróleo ainda a serem explorados. Os gestores, no entanto, jogam contra a empresa, privilegiando os banqueiros, com juros e amortizações da dívida, e entregando às multinacionais campos de petróleo promissores.

Enquanto isso, todas as seis sondas de perfuração da estatal estão hibernadas, os trabalhadores sem emprego, a economia do país em frangalhos e as agências de risco seguem negando o selo de “bom pagador” à Petrobrás, ameaçando rebaixar ainda mais a sua nota de avaliação.

A FUP [Federação Única dos Petroleiros] e seus sindicatos há tempos alertam para os efeitos nefastos do receituário neoliberal e privatista que os gestores vêm impondo à companhia.

Propostas elencadas no documento “Pauta pelo Brasil”, com alternativas para o financiamento da empresa, foram apresentadas à direção da estatal de forma a preservar seus principais investimentos e ativos.

A gestão Pedro Parente, no entanto, prefere continuar seguindo à risca a cartilha dos golpistas, cumprindo o mesmo papel que teve no governo FHC. Só na luta defenderemos a Petrobrás dos entreguistas.

Leia também:

Funcionários denunciam como será o desmanche do BNDES
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Nº 20.796 - " 'Brasileiro é tão bonzinho' "


 27/01/2017

“Brasileiro é tão bonzinho”


Do Tijolaço  · 27/01/2017

embra


POR FERNANDO BRITO


A atriz Kate Lyra, nos anos 70 ou 80, não me recordo, tinha um bordão, num quadro humorístico:
“Brasileiro é tão bonzinho”.

É é mesmo.

A turma da Lava Jato escancarou a porteira e agora é a Embraer que ficará com um agente do governo americano (terceirizado, claro) para “vigiá-la”  por dentro.

O recorte aí em cima não é de nenhum jornal esquerdista, é do Estadão de hoje.

Enquanto os mexicanos gritam contra o bloqueio americano às suas exportações, os brasileiros “bonzinhos” como os de Curitiba ajudam a destruir a a nossa principal – vejam bem, a principal! – exportação industrial para os norte-americanos, a da indústria aeronáutica.

Na qual, como se sabe, ainda temos as pendências com os canadenses da Bombardier e os vetos dos próprios EUA a exportações para outros países, caso não lhes agrade que eles tenham os aviônicos instalados nas aeronaves da Embraer que têm patente americana.

As indústrias de avião americanas agradecem, penhoradas. Como se sabe, não honestíssimas e é apenas boato que a Boeing tenha corrompido até dirigentes da Força Aérea dos EUA.

Nem os nossos amigos mexicanos, devidamente “murados” por Donald Trump são tão dóceis.

Lá, o sentimento do bloqueio americano é tão generalizado que até uma marca de cerveja está fazendo propaganda contrária, e muito boa , aliás, como você pode ver abaixo.

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Nº 20.795 - "Em depoimento, Eike já quis denunciar caixa 2 do PSDB à Lava Jato"

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27/01/2017

Em depoimento, Eike já quis denunciar caixa 2 do PSDB à Lava Jato


Diário do Centro do Mundo - Postado em 27 de janeiro de 2017 às 8:14 am


Resultado de imagem para eike batista

Do JornalGGN:


Eike Batista é uma das estrelas da mais nova fase da Lava Jato, a Operação Eficiência, que deveria cumprir mandado de prisão nesta quinta (26), não fosse o fato do empresário estar fora do País. Eike, que prometeu se entregar às autoridades, é acusado de pagar propina ao ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral em contas no exterior, por meio de empresas de fachada.

A grande mídia aproveitou o atual episódio para lembrar que o empresário buscou a Lava Jato há alguns meses para relatar pagamento ao marqueteiro João Santana, que fez as últimas campanhas presidenciais do PT.

Eike disse que após um encontro com o ex-ministro Guido Mantega, que teria solicitado doação eleitoral, decidiu feito um contrato de prestação de serviços com a empresa de Santana para justificar a remessa de dinheiro ao exterior. No caso, o empresário argumentou que Santana, de fato, prestou uma consultoria em relação à política de investimentos na Venezuela. A Lava Jato, porém, acha que o contrato foi fictício.

O que os grandes jornais continuam escondendo é que, no mesmo encontro com os procuradores da Lava Jato, Eike, como prova de sua boa vontade em colaborar com as investigações, tentou entregar uma lista com doações eleitorais que suas empresas fizeram a políticos e partidos de todas as cores, de Cristovam Buarque a Aécio Neves. Algumas doações eram oficiais e registradas pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas outras eram “privadas”, dando a entender que teriam ocorrido via caixa dois.

Em setembro de 2016, o GGN mostrou que três minutos após entregar a lista a um dos procuradores informando seu conteúdo, Eike recebeu o documento de volta. A força-tarefa da Lava Jato não demonstrou nenhum interesse em ouvir nomes relacioados a partidos que não fosse PP, PMDB e PT.

Mesmo diante da proximidade da prisão de Eike Batista – que devo levá-lo a fechar um acordo de delação premiada mais amplo – a grande mídia, ainda assim, não abordou a tentativa de denunciar esquemas com o PSDB e aliados. Preferiu falar da pasta de dente que a nova companhia de Eike desenvolve, além da falta de diploma de ensino superior poder levá-lo a uma cela comum.

Com a colaboração, ainda que parcial, a defesa de Eike imaginou que estaria se antecipando a denúncias e mantendo seu cliente fora do alcance da Lava Jato. Porém, o núcleo que atua no Rio de Janeiro, sob a batuta do juiz Marcelo Bretas, decidiu mostrar que a operação está de volta das férias, e com a corda toda.

Bretas, aliás, figurou ao lado de Sergio Moro (Paraná) e Vallisney Oliveira (Brasília) numa lista que a Ajufe (Associação dos Juízes Federais) pretende entregar para o presidente Michel Temer, que precisa escolher um ministro para substituir Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal. Lauro Jardim informou em O Globo que como a consulta é informal e não campanhas de juízes federais ao Supremo, os favoritos à lista tríplice são os nomes ligados à Lava Jato.

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Nº 20.794 - "Será que já esquecemos que Temer foi citado QUARENTA E TRÊS vezes numa única delação? Por Paulo Nogueira"


27/01/2017


Será que já esquecemos que Temer foi citado QUARENTA E TRÊS vezes numa única delação? Por Paulo Nogueira



Diário do Centro do Mundo - postado em 27 Jan 2017


Nosso Catão
Nosso Catão

por Paulo Nogueira


Paulo NogueiraViramos um país desmemoriado e descarado.

Parece que esquecemos que o presidente usurpador governa sob o peso de 43 citações numa única delação da Odebrecht.

Uma seria suficiente para colocar Temer sob séria suspeita — e provavelmente inviabilizá-lo na presidência.

Mas são 43.

Um dia a posteridade, retomada a sanidade entre os brasileiros, se perguntará como o país foi capaz de tolerar um presidente mergulhado de tal forma num superesquema de roubalheira.

Não é o primeiro sinal de que perdemos a lucidez, aliás. Os pósteros também lutarão para entender como um gangster como Eduardo Cunha foi deixado livre para comandar o processo na Câmara que foi dar num golpe de Estado. Os múltiplos crimes de Cunha já eram amplamente conhecidos enquanto ele derrubava abertamente Dilma.

Pena que os futuros brasileiros não terão nenhuma justificativa do ministro do STF Teori Zavascki sobre seu comportamento absurdo no impeachment.

Teori esperou uma eternidade para mandar prender Cunha, como pedia a PGR. Teori deu a Cunha o tempo necessário para o golpe.

Ri sozinho ao ler um amigo dele dizer que a monumental demora se deveu a que Teori examinava os processos com “sobriedade”.

Ora, ora, ora. Você pode rir ou chorar com essa desculpa. Sigo os filósofos gregos, e rio diante da miséria humana contida na pretensa justificativa para a lentidão de Teori.

O fato é que perdemos o juízo, o tino, a noção das coisas. É tido como normal, para citar mais um caso, um juiz do STF ter uma atuação tão partidária quanto a de Gilmar Mendes.

Deveríamos ficar escandalizados com isso, mas nem reparamos. Tente encontrar um único editorial da mídia que questione a tagarelice indevida de Gilmar.

Em nenhum país civilizado um juiz como Gilmar seria tolerado, mas no Brasil ele é um astro da mídia.

Também em nenhuma sociedade avançada seria aceito que a chefia do governo estivesse nas mãos de alguém citado 43 vezes num caso de corrupção.

Ou o mundo civilizado está errado e o Brasil certo, ou é o inverso. Sabe aquela história da mãe que vê o filho desfilar diferente de todos os demais numa imensa parada e conclui, orgulhosa, que só seu garoto está certo?

Pois é.


Sobre o Autor

 Paulo Nogueira. Jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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Nº 20.793 - "EQUIPE DE TEORI CONCLUI DELAÇÕES DA ODEBRECHT. CÁRMEN JÁ PODE HOMOLOGAR"


27/01/2017


EQUIPE DE TEORI CONCLUI DELAÇÕES DA ODEBRECHT. CÁRMEN JÁ PODE HOMOLOGAR



Brasil 247 - 27 DE JANEIRO DE 2017 ÀS 17:32



Juízes que auxiliavam o ministro Teori Zavascki na relatoria da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal concluíram nesta sexta-feira 27, após o depoimento de Marcelo Odebrecht, as audiências com os 77 delatores da empreiteira, a fim de confirmar que seus depoimentos à força-tarefa foram dados de livre e espontânea vontade; a partir de segunda-feira 30, portanto, a presidente do STF, Cármen Lúcia, já pode homologar a delação que envolve o nome de cerca de 150 políticos, inclusive o de Michel Temer, e que deverá abalar Brasília


247 – O processo de audiências com os 77 delatores da Odebrecht foi concluído nesta sexta-feira 27 pelos juízes que auxiliavam o ministro Teori Zavascki, morto quinta-feira 19 em um acidente aéreo, na relatoria da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

As audiências foram concluídas após o depoimento de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empresa, nesta manhã na Justiça Federal de Curitiba. Os depoimentos têm como objetivo confirmar se os depoimentos à força-tarefa foram dados de livre e espontânea vontade pelos executivos.

Com a conclusão desse processo, o caso agora está nas mãos da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, que já poderá homologar a delação a partir de segunda-feira 30. A delação envolve o nome de cerca de 150 políticos, inclusive o de Michel Temer, e deverá abalar toda Brasília.

Cármen também avalia como fará a redistribuição da relatoria da Lava Jato após a morte de Teori, o que deve acontecer na semana que vem. Ela já conversou sobre isso com colegas da Corte e com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Nº 20.792 - "Temer, o espião"

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26/01/2017

Temer, o espião


Brasil de Fato - 24 de Janeiro de 2017 às 14:23


 Julian Assange, criador do WikiLeaks  - Créditos: Reprodução
Julian Assange, criador do WikiLeaks 



"Iniciativas do sistema de defesa brasileiro foram comprometidas com o golpe"

Ricardo Gebrim


Imagem de perfil do Colunista
Em recente entrevista ao jornalista Fernando Moraes, o "cyber ativista" australiano Julian Assange, criador do WikiLeaks e exilado desde 2012 na embaixada do Equador, em Londres, ao responder pergunta sobre relações do então vice-presidente Temer com os serviços de inteligência estrangeiros, esclarece informações dos contatos que o golpista manteve com serviços diplomáticos estadunidenses: "Nós publicamos várias mensagens sobre isso. Uma em particular é de janeiro de 2006, em que ele vai à embaixada americana. A mensagem é somente a respeito das informações fornecidas por Michel Temer, suas visões políticas e as estratégias do seu partido. Isso mostra um grau um pouco preocupante de conforto dele com a embaixada americana. O que ele terá como retorno? Ele está claramente dando informações internas à embaixada dos EUA por alguma razão. Provavelmente para pedir algum favor aos Estados Unidos, talvez para receber informações deles em retorno."


A questão é muito grave, pois além de reforçar as denúncias sobre o envolvimento estadunidense no recente golpe, revela uma postura de verdadeira traição nacional.

Ameaça à "Amazônia Azul"

Recordemos que os EUA jamais ratificaram a Convenção das Nações Unidas sobre o "Direito do Mar", consequentemente não reconhecem nossa soberania sobre a zona econômica exclusiva de 200 milhas marítimas, onde a exploração dos recursos naturais abrange as jazidas de pré-sal. Uma posição que mantém em permanente ameaça nosso conceito de "Amazônia Azul", na qual o Brasil reivindica sua soberania sobre uma área do mar equivalente a 4,5 milhões de quilômetros quadrados, o que equivale à metade de seu território "seco". Em 2004, durante o mandato de Lula, o governo brasileiro solicitou à Comissão de Limites da Plataforma Continental das Nações Unidas (CLPC) a ampliação da soberania nacional sobre uma faixa do mar de 950 mil quilômetros quadrados para além das 200 milhas e, desde abril de 2007, recebeu sinal verde da ONU para incorporar 75% dessa área (712 mil quilômetros quadrados, uma área que corresponde à soma dos territórios de São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná).

No entanto, em abril de 2008, o governo dos EUA anunciou o retorno das operações da Quarta Frota de sua Marinha, cuja área de operações abrange a "Amazônia Azul". Uma ameaça objetiva, ainda que camuflada por várias declarações diplomáticas.


Lava Jato e o Submarino Nuclear

A operação Lava Jato acarretou a inviabilização da empreendimento entre a empresa Odebrecht e a empresa estatal Amazul, companhia de projetos da Marinha do Brasil. Elas trabalhavam no projeto de construção de um submarino nuclear, arma essencial para a defesa de nossa soberania naval.

Agora, o golpista Temer anuncia que retoma as negociações com os EUA para o uso do centro de lançamentos da base de Alcântara no Maranhão. Com isso também compromete o projeto do Satélite Espacial Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), outra iniciativa soberana de nossas Forças Armadas, e retoma o fantasma de uma base militar ianque em território brasileiro.

Em resumo: as duas principais iniciativas do sistema de defesa brasileiro foram comprometidas no processo político do atual golpe.

Não há como deixar de juntar as peças desse quebra-cabeças. Ao longo de nossa história, tivemos vários exemplos de posturas subalternas de nossos governantes, mas a acusação de crime de espionagem, extraída das revelações do WikiLeaks, é um fato inédito. Mais do que desmontar os grandes mecanismos indutores de desenvolvimento, como a Petrobras e o BNDES, o golpe revela em cada atitude a explícita traição à nossa Soberania Nacional.



*Ricardo Gebrim é da direção nacional da Consulta Popular.

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Nº 20.791 - "Rebelião militante e renascimento do PT, por Jeferson Miola"


26/01/2017


Rebelião militante e renascimento do PT, por Jeferson Miola



Jornal GGN - QUI, 26/01/2017 - 14:55ATUALIZADO EM 26/01/2017 - 15:42



Rebelião militante e renascimento do PT


por Jeferson Miola


Resultado de imagem para Jeferson MiolaA posição da maioria do PT, tolerante com a possibilidade de acordo com os golpistas para a eleição do Congresso, despertou a ira militante e provocou uma insurgência no Partido.

Apenas divulgada a resolução do Diretório Nacional de 13/01, a questão se tornou onipresente nas discussões – presenciais e nas redes – entre filiados, militantes e simpatizantes. E também mobilizou, com surpreendente apelo, inclusive militantes progressistas e da esquerda social e não-partidária.

Um sentimento de indignação e revolta sacudiu filiados, simpatizantes e amigos do PT, desencadeando uma reação ruidosa para desviar o Partido da marcha da insensatez e, assim, impedi-lo de cometer o que a historiadora Barbara Tuchman chamaria loucura política.

Como justificar, enfim, a aliança com os golpistas que derrubaram a Presidente Dilma, os assassinos do Estado de Direito e da democracia, mesmo sabendo que esta escolha não teria absolutamente nenhuma eficácia para deter a evolução do golpe, o aprofundamento do regime de exceção, a restauração ultra-neoliberal e a regressão das conquistas sociais?

É um erro gravíssimo, com prejuízos simbólicos irreparáveis. Mas é, ao mesmo tempo, a culminância da política desastrosa e contraproducente que dirige e comanda o PT há muitos anos; é, em síntese, sintoma da falência completa da direção partidária.

No último período, a tibieza da direção foi testemunhada de modo especial. Com inapetência política e incapacidade dirigente, o PT não conseguiu disputar e oferecer rumos corretos para o governo Dilma, para evitar os equívocos finalmente cometidos pelo governo e que acabaram por debilitá-lo durante a conspiração oligárquica liderada por Cunha e Temer.

Na luta contra a fraude do impeachment, não fosse o destemor e a combatividade dos parlamentes petistas, o Partido não seria notado, devido ao acanhamento e falta de atrevimento político da direção, que o fez coadjuvante da extraordinária resistência democrática que tomou as ruas do país.

A rebelião militante significa, por isso, a recusa desse comando partidário que, se mantido, acabará levando o PT à autodestruição, à perda de militância orgânica, de apoio social e de identidade popular; poderá levá-lo a uma derrota transcendente.

A erupção que chacoalha o PT indica a impaciência da base partidária com a direção: ou o PT muda e se renova, ou não conseguirá evitar a diáspora de filiados, militantes e parlamentares.

O PT está diante de uma grande oportunidade de se reconciliar com sua trajetória original; uma oportunidade de renascer a partir do reencontro com os valores que são a razão da sua existência: a ética política, a independência de classe, a democracia, o anti-capitalismo, o feminismo, o anti-racismo, o compromisso com a emancipação dos subalternos e com a construção de um Brasil igualitário e soberano.

A rebelião militante demonstra a vitalidade partidária que sobrevive à tentativa fascista de extermínio da “raça petista” e, sobretudo, traduz a crença dos petistas na pertinência histórica do PT.

Para corresponder a esta aspiração da sua base, o PT precisa mudar, urgentemente. Esta é a chance do renascimento do PT. Muda PT!

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Nº 20.790 - "O “X” da prisão (que não prendeu) Eike pode estar em Brasíli"


26/01/2017

O “X” da prisão (que não prendeu) Eike pode estar em Brasília


Do Tijolaço · 26/01/2017


eikeprende


por FERNANDO BRITO


Quando alguém sai do país, a não ser que seja ilegalmente, isso é registrado pela Polícia Federal.

Não parece que o caso de Eike Batista seja o de ter cruzado alguma fronteira terrestre ou ter partido de alguma pista de pouso no interior.

Supõe-se que o registro da PF seja online e não em velhos livros de papel, que mais tarde seriam reunidos em um cadastro.

Portanto, salvo uma tremenda ineficiência – o contrário do nome da operação desfechada hoje – a PF sabia ou deveria saber que Eike Batista havia viajado para o exterior – Nova York, diz-se.

Se ele era o “peixão” a ser pego – afinal, mandar prender que já está preso, como Sérgio Cabral, não chega a ser notícia – o que justifica fazer uma expedição policial hoje cedo, quando se sabia ou se deveria saber que ele não estava?

Há muito mais nestas coisas que amadorismo ou coincidência.

É preciso manter a chama do espetáculo, the show must go on.

Esta, teve até direito à presença de câmaras da Globo na madrugada, com a chegada da polícia à mansão Batista.

A trama deste desta história se desenvolve em outro palco, que estava ficando muito iluminado: Brasília.

É lá que estão as pressões e contra pressões para que demore mais ou menos a escolha do novo relator da Lava Jato, a mãe de todas as bandalhas – a mãe, mas não a avó, a bisavó…

Com a acuidade de sempre, Bernardo de Mello Franco escreve hoje na  Folha:

Como não é possível garantir que o novo relator seguirá o ritmo de Teori, as delações correm um risco real de acabar na geladeira. Isso não ocorrerá se a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, homologar os depoimentos até a próxima terça, último dia do recesso do Judiciário.

Se a ministra confirmar o acordo, ninguém mais será capaz de “estancar a sangria”, pelo menos nesta fase das investigações. É por isso que Cármen tem sido aconselhada a homologar logo as delações, numa “homenagem” à memória de Teori.

Não se pode descartar que a operação de hoje funcione como uma “mãozinha”para a ministra legitimar-se para agir, ante a opinião pública.

Afinal, diz Mello Franco:

Enquanto ela não age, as pressões se avolumam. Nesta quarta (25), o ministro Gilmar Mendes foi visitá-la e declarou que "aceitaria com “naturalidade”a tarefa de ser o novo relator da Lava Jato. No domingo, ele passou horas fechado com Temer no Palácio do Jaburu. Segundo a assessoria do ministro, tratou-se de um encontro de “amigos há mais de 30 anos”. É melhor Cármen se apressar.


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PITACO DO ContrapontoPIG

A Ministra Carmem não tem cara de quem tem pressa... nem coragem.


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Nº 20.789 - "Empresas brasileiras de engenharia estão sendo sucateadas e vendidas na bacia das almas"


26/01/2017


Empresas brasileiras de engenharia estão sendo sucateadas e vendidas na bacia das almas


Do Viomundo - 24 de janeiro de 2017 às 13h19
    

bandeira-frangalhos

A engenharia brasileira vive a maior crise de sua história.

Empresas de reconhecida capacidade técnica, com expressiva contribuição em obras e serviços para nossa engenharia, encontram-se paralisadas diante dos processos jurídicos a que estão respondendo.

Os profissionais, em especial seus engenheiros, são demitidos aos milhares, as obras são suspensas, enquanto se espera para ver até que ponto essas empresas serão atingidas pelas acusações da Lava Jato.

Estão interrompidos empreendimentos de porte, alguns já em estágio avançado de execução, como as obras do COMPERJ, Angra III, nosso submarino a propulsão nuclear, a refinaria Abreu e Lima no Nordeste, a transposição do São Francisco e muitos outros.

Os prejuízos já chegam a dezenas de bilhões de reais e o desemprego por milhões de trabalhadores.

Os recursos recuperados com grande alarde, como resultado das corrupções descobertas, são uma fração dos prejuízos causados pela interrupção das obras.

Para onde está o Brasil sendo conduzido? Que país vai sobrar ao final desses processos?

Assiste-se à destruição de nossas maiores empresas de engenharia. Diante dos desmandos que houve nessas empresas, exigimos que os responsáveis por eles sejam processados, e os culpados condenados, mas não aceitamos a destruição das empresas de engenharia e o fim de empregos de nossos engenheiros e demais trabalhadores.

É necessário resistir ao desmonte em curso. Todos os setores da economia para os quais o mercado interno é decisivo devem ser chamados a participar dessa resistência.

No quadro geral do desmonte, nos últimos dias foi noticiado que a Petrobras está convidando apenas empresas estrangeiras para licitação da retomada das obras no COMPERJ, num total de 30 empresas.

O lançamento do COMPERJ há alguns anos abrira muitas oportunidades de trabalho e o otimismo inundou o interior do Estado do Rio.

Houve um deslocamento maciço de empresas e trabalhadores para o entorno de Itaboraí, verdadeiro renascimento da região.

Com os processos da Lava Jato, obras já adiantadas foram paralisadas, empresas ficaram sem serviço, trabalhadores foram demitidos. A região está abandonada e virou um deserto e as obras já realizadas se deterioram.

O que está sendo feito no Brasil com nossas empresas de engenharia não está ocorrendo em outros países.

Quando foi reconhecido que a Volkswagen fraudara dados de poluição de seus carros, foi aplicada altíssima multa, dirigentes da empresa foram demitidos e presos.

Entretanto, nenhum carro deixou de ser produzido e nenhum trabalhador perdeu seu emprego. A Alemanha sabe preservar suas riquezas. A Volkswagen é uma riqueza da Alemanha.

No Brasil o comportamento tem sido o oposto. Prendem-se dirigentes, suspendem-se as obras, impede-se que essas empresas participem de outras licitações e trabalhadores são demitidos aos milhares.

Destrói-se um patrimônio nacional constituído por empresas formadas ao longo de décadas e detentoras de importante acervo tecnológico e equipes de profissionais experientes.

O momento é grave. Para superá-lo é urgente construir uma grande aliança da qual participem os engenheiros, os trabalhadores em geral, as empresas compromissadas com a geração de emprego, o movimento sindical que está sentindo a perda de direitos conquistados desde a década de 1930, além de universidades e centros tecnológicos.

O Clube de Engenharia convoca todas as entidades ligadas à engenharia a participarem da resistência ao processo de sucateamento de nossas empresas, que estão sendo vendidas na bacia das almas, no pico da maior crise em décadas.

A retomada do desenvolvimento precisa se dar fortalecendo as empresas e os profissionais de engenharia, sem que haja perda de direitos há muito conquistados.

Os bancos e demais setores rentistas, que vivem dos elevados juros sobre nossa dívida pública, não podem continuar hegemonizando nossa economia e enfraquecendo o setor produtivo, grande gerador de emprego.

Nº 20.788 - "No desmanche do BNDES, grana do FAT e do FGTS seria entregue a bancos privados, denunciam funcionários"

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26/01/2017


Mais uma do golpe

No desmanche do BNDES, grana do FAT e do FGTS seria entregue a bancos privados, denunciam funcionários



Do Viomundo - 26 de janeiro de 2017 às 11h11


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AFBNDES: Comunicado sobre a proposta de mudança na metodologia de cálculo da TJLP

Vivemos um dos momentos mais graves da história do Banco. Pedimos a atenção e reflexão de todos.

A imprensa vem noticiando há duas semanas que uma mudança na metodologia de cálculo da TJLP está em curso.

Trata-se de uma mudança profunda na precificação do crédito do BNDES, com impactos significativos sobre o Banco e sobre o investimento em capital fixo no Brasil.

A mudança basicamente consiste em que a TJLP flutuará como uma taxa de juros de mercado, mais especificamente a taxa de juros de títulos do governo federal de “longo prazo” (NTN-B de cinco anos).

A proposta está em estado adiantado de elaboração, uma vez que há informações de que um projeto de lei está para ser encaminhado ao Congresso Nacional.

Onde essas mudanças vêm sendo planejadas? Dentro do próprio BNDES, por um pequeno grupo ligado à Diretoria. Parece que há alguns meses trabalham no tema.

Depois que a imprensa publicou o que está acontecendo, a Diretoria resolveu, no final da semana passada, comunicar aos superintendentes a mudança em curso.

A Diretoria da AFBNDES possui algumas posições sobre o tema e gostaríamos de compartilhá-las com os funcionários do Banco.

Essas posições dizem respeito a três questões: sobre transparência na relação entre Diretoria do Banco e quadro funcional; questões preliminares sobre a natureza da proposta de precificação da TJLP; e sobre a natureza da luta em defesa do BNDES.

Em primeiro lugar, não podemos aceitar que um projeto de lei dessa importância seja encaminhado para Brasília sem a devida discussão com a Casa.

Isso é um desrespeito completo ao quadro funcional. Não adianta mencionar retoricamente, em encontros sociais internos, que se preza a capacitação técnica dos funcionários do BNDES e, ao mesmo tempo, redefinir a forma de atuação da instituição sem nenhum debate interno.

Pelo que podemos julgar, não fosse a imprensa, talvez nem os superintendentes estivessem a par da mudança de curso à vista.

Em segundo lugar, é fundamental que os funcionários do BNDES avaliem a proposta de uma perspectiva ampliada, buscando captar o sentido mais profundo das mudanças em curso.

Nesse sentido, é preciso olhar a proposta de nova TJLP à luz das demais propostas que a atual Diretoria encaminhou e está encaminhando para entender como devemos reagir a elas.

A pergunta que todos devemos fazer é para onde está apontando uma Diretoria que reduz deliberadamente o funding de longo prazo do BNDES, e agora propõe uma TJLP de mercado?

Além da possível elevação da taxa de juros de longo prazo, bem como do aumento de sua instabilidade, talvez a mais grave consequência da medida seja a mudança do papel que até hoje se atribuiu à TJLP.

A TJLP tem sido tratada como a taxa que deveria incentivar ou induzir o setor privado em direções consideradas meritórias pelo governo (onde, por exemplo, para citar um clichê que a atual direção costuma fazer uso, como se fosse uma orientação mais concreta do que realmente é: “os benefícios sociais são maiores que os privados”).

Note-se que essa é a interpretação prevalecente, não apenas numa abordagem desenvolvimentista, ligada à tradição do BNDES, ou mesmo prevalecente na administração do professor Luciano Coutinho, mas também é a visão que está implícita na Política Operacional (PO) recém lançada, com toda pompa e coordenação midiática!

Pois é, contraditoriamente, a nova TJLP vai de encontro ao papel da TJLP presente na nova PO.

Historicamente, é fundamental que todos tenham conhecimento disso, a mudança de precificação do crédito do BNDES na direção de uma taxa de mercado faz parte do que já foi chamado de “Proposta Arida”.

O economista e ex-presidente do BNDES Pérsio Arida, num texto para discussão da Casa das Garças de 2005, sugeriu um conjunto de reformas para os chamados mecanismos compulsórios de poupança, em referência à forma como operam BNDES e a Caixa Econômica (o texto é facilmente acessado na internet, “Mecanismos Compulsórios e mercado de capitais: proposta de política econômica”.

Desde então o ex-presidente tem se empenhado numa cruzada anti BNDES e Caixa Econômica, que pode ser acompanhada em vários vídeos no Youtube).

Além da precificação por taxas de mercado, a proposta prevê também mudanças na gestão do FAT.

Ao invés de confiar na administração dos recursos dos fundos pelo BNDES, Arida sugere “leilões em que instituições financeiras privadas competiriam pela aplicação dos recursos do FAT ou do FGTS em setores ou atividades pré-selecionados. Essas modificações atenuariam os efeitos do monopólio exercido pela CEF e pelo BNDES e reduziriam o escopo de pressão dos grupos de interesse”.

Não pode haver dúvida quanto à visão de mundo ao qual a proposta da nova TJLP está vinculada.

Não podemos discutir a proposta de mudança de precificação desligada da direção para a qual ela aponta. Do nosso ponto de vista, ontem anteciparam o pagamento de um funding precioso para o banco; hoje estamos propondo a precificação do crédito a mercado; amanhã estaremos possivelmente sendo mais uma vez surpreendidos com a notícia da organização dos leilões mencionados na citação acima.

Nossa terceira consideração diz respeito à legitimidade da luta em defesa do Banco.

O BNDES é uma conquista histórica do povo brasileiro.

Se democraticamente for compreendido que a instituição deve sair de cena para deixar o setor financeiro privado assumir as funções de promoção de política de desenvolvimento e política industrial, temos que aceitar, isso é parte do jogo democrático.

Vimos nos EUA um debate eleitoral que opôs visões diferentes sobre uma instituição afim, como é o Exim Bank.

Que se discuta em eleições futuras o que se espera do BNDES, até mesmo a necessidade de sua existência, mas não podemos aceitar que se esvazie uma instituição dessa importância para o Brasil com campanhas de mídia. Não temos medo do debate democrático nacional.

Temos convicção que nenhum candidato a presidente ganhará eleição prometendo desmantelar o BNDES como indutor do desenvolvimento nacional.

Que se estabeleça o debate sobre o BNDES, que a proposta Arida seja apresentada, de forma transparente, num debate democrático.

Finalmente, caros e caras colegas, nosso diagnóstico é que o momento é gravíssimo.

Ao mesmo tempo, não é hora para abatimentos, para desesperança. Podemos muito se estivermos unidos.

Sabemos também que não somos os senhores da verdade, longe disso, vemos nosso papel de forma modesta. Queremos apenas o debate, internamente e na sociedade brasileira.

Na discussão sobre a devolução antecipada dos 100 bi, vimos como o debate pode transformar o que aparentemente são grandes justificativas técnicas em discutíveis estratégias de imagem e adesão a valores culturais autoritários.

Enquanto isso, acompanhamos como os tradicionais centros do saber econômico (universidades americanas e europeias, FMI, Banco Mundial etc.) estão questionando a validade de diversas premissas teóricas consideradas até a crise de 2008 como canônicas, inclusive a relação entre juros e inflação (vide recente artigo de André Lara Rezende).

Temos observado como o debate internacional sobre as necessidades de investimento em infraestrutura, no mundo desenvolvido e emergente, está levando à formação de um consenso sobre a importância do papel dos bancos de desenvolvimento para o financiamento de longo prazo (e a recuperação das economias em crise).

Nesse intuito, a Diretoria da AFBNDES conclama todos os funcionários do BNDES a refletir sobre os rumos do BNDES e sobre as consequências do desmantelamento da instituição para o desenvolvimento brasileiro.

Estamos abertos para o debate e para o contraditório. Precisamos reunir forças e nos articular com amplos setores da sociedade civil para que essa discussão tenha na Casa o seu centro referencial, mas que extrapole as fronteiras internas e se transforme, de forma democrática, em um amplo debate nacional.

E, principalmente, conclamamos os funcionários a que manifestem aos seus superiores o entendimento de que não estão de acordo com o envio de uma proposta de projeto de lei sem a prévia discussão na Casa. Contamos com vocês.

24 de janeiro de 2017

 

A Diretoria da Associação dos Funcionários do BNDES — AFBNDES

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Nº 20.787 - "Covardia e preconceito contra Marisa"

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26/01/2017

Covardia e preconceito contra Marisa


Brasil 247 - 26 de Janeiro de 2017





PAULO MOREIRA LEITE

       
As gatas pingadas de São Paulo que estrelaram um deprimente ato de preconceito contra a presença de Marisa Lula da Silva na UTI do Hospital Sírio Libanês, onde a primeira dama do Brasil entre 2003 e 2011 luta para recuperar-se de um AVC, ajudam a ilustrar uma cena que expressa  os piores traços da camada dominante da sociedade brasileira mas não chega a ser novidade.

       
É uma forma de covardia. Para atingir Lula, ataca-se sua mulher – em coma induzido, neste momento. É um comportamento típico do Brasil atual, Com instituições em curto circuito, o debate político desaparece, o espaço democrático perde força. O ataque a Marisa está além de uma diferença ideológica, um conflito de idéias. É coisa de gente má. 

Em outubro de 2011, quando o próprio Lula internou-se no mesmo hospital para tratar-se de um câncer na laringe, foi criticado por ter procurado atendimento no mesmo Sírio, um dos mais caros hospitais do país, em vez de bater as portas do SUS. Assim, a cena de 2017 não representa um caso isolado de intolerância. Marca a continuidade de gestos de óbvia inspiração fascista contra uma pessoa em  luta pela própria vida. É um comportamento sem freios nem constrangimentos depois de maio-agosto de 2016, período da "encenação" que derrubou Dilma, na definição do  ex-presidente do STF Joaquim Barbosa.  

Você tem o direito de discutir se a família de Lula não agiria de forma mais   coerente se procurasse ser atendida pela rede pública, única opção de escolha para 75% dos brasileiros. Vamos falar sobre isso alguns parágrafos adiante.


Antes, cabe registrar o ponto essencial, que é o papel que, como presidente e líder político, Lula desempenhou na defesa da saúde dos brasileiros. E aqui vale uma observação difícil de negar. Apesar das carências e lacunas  que permanecem,  em nenhum período da história brasileira foram registradas melhorias e progressos tão notáveis como nos 13 anos e cinco e cinco meses em que o condomínio Lula-Dilma permaneceu no Planalto. Neste período, ocorreram algumas das  grandes lutas políticas das duas últimas décadas, onde a disputa por verbas e prioridades não funcionou como banal guerra de números mas como espelho relativamente fiel de visões de mundo, interesses de classe  e prioridades do espectro político brasileiro. 

Em retrospecto, pode-se até dizer que  duas batalhas importantes anunciaram os confrontos  que levaram ao impeachment. Nas duas oportunidades, quando ganhou e quando perdeu, Lula esteve do lado certo – a defesa da saúde pública.  
Uma delas  foi a guerra pela extinção da CPMF, em dezembro de 2007. Foi vencida pelo núcleo duro do condomínio empresários-políticos que hoje celebra o massacre de um embrião de Estado de bem-estar social construído ao longo décadas. Só para se ter uma ideia de seu significado. Graças a CPMF, entre 2003 e 2006 foram investidos R$ 46,6 bilhões na área de saúde. Já na ampliação do atendimentos hospitalar e ambulatorial do SUS, chegaram R$ 32 bilhões. Mesmo tendo sido aprovada pela Câmara, a renovação da CPMF foi derrotada pelo Senado. Obteve uma maioria de 45 dos votos, mas precisava de 49 para ser aprovada.

A decisão guardou vários momentos políticos inesquecíveis, como a abstenção de  Napoleão Sabóia, presidente do Senado e, em teoria, aliado do governo, aonde chegou a ministro. Também foi marcada por um discurso de última hora de Pedro Simon, que fez um apelo dramático -- e sem sucesso -- para que os líderes do PSDB voltassem a mesa de negociação para permitir a manutenção da CPMF, criada grande Adib Jatene no governo de Fernando Henrique e depois abandonada pelos herdeiros tucanos.

Num país onde 25% da população consome 45% das verbas disponíveis para a saúde, a CPMF cumpria uma função distributivista. Era uma forma de ampliar o bolo disponível  e modificar uma tendência, abertamente favorável a minoria do patamar de cima da pirâmide, que tem acesso ao sistema privado – onde cada centavo gasto com plano de saúde pode ser deduzido do imposto de renda. Por essa razão, no final da votação, a visão de que o plenário fizera uma opção pelo egoísmo social era tão clara para muitos brasileiros que um advogado tributarista não teve pudores em divulgar cálculos risíveis para amenizar a situação. Ignorando que o enfraquecimento do setor público empurraria pacientes para o setor privado, que cobra em moeda sonante por seus serviços, disse que os assalariados acabariam ganhando com a medida, pois  o fim da CPMF permitiria que um trabalhador com salário de R$ 500 fizesse uma economia de RS 156 por ano -- ou 50 centavos por dia. Também se afirmou que grandes empresas – que se livraram do monitoramento das transações financeiras que a CPMF permitia – planejavam repartir com os consumidores uma parcela do dinheiro que deixavam de recolher aos cofres públicos.   


A outra disputa envolveu o Mais Médicos, e marcou uma das últimas vitórias políticas importantes do governo Dilma. Mesmo boicotado pela oposição parlamentar e pelas entidades médicas, que colocaram filiados na rua em vergonhosos atos de repúdio,  o apoio sem distinção partidária da maioria dos prefeitos permitiu uma vitória sem sustos no Congresso. Responsável pelo atendimento direto a 68 milhões de brasileiros que vivem nas periferias urbanas mais miseráveis e nos pontos extremos da pobreza rural, os 18 mil médicos do programa Mais Médicos costumam resolver 80% dos problemas de saúde destes brasileiros antes que eles assumam um estágio mais grave, muitas vezes incurável. 

Parece claro que estas lutas políticas ajudam a formar uma perspectiva realista para se debater a decisão de procurar atendimento num hospital privado, caro e exclusivo, que recusa  até pacientes com planos privados de custo médio.  

Vivemos num país onde a saúde disponível para a maioria da população funciona como um clássico caso de cobertor curto. Quando a pessoa cobre os pés, expõe a cabeça. E vice-versa.

O apoio da população ao SUS se reflete em pesquisas de opinião que demonstram um alto índice de satisfação com o atendimento, muito superior aquilo que se poderia imaginar pela leitura -- sempre catastrófica -- dos jornais e reportagens de TV. Em outubro de 2011, quatro anos depois da eliminação da CPMF, reportagem de Ricardo Mendonça na revista Época mostrava que 51% da população concordaria em pagar mais impostos -- desde que o dinheiro fosse encaminhado a saúde.

Se você perguntar minha opinião pessoal, acho que homens públicos devem ser atendidos pela rede pública. É seu lugar natural, de quem fala pelos cidadãos e deve viver como eles. A regra deveria valer para todos: para o senador e o prefeito, seja filho de banqueiro e o filho de bancário, o advogado, o sociólogo e o metalúrgico. Esse comportamento ajudaria a valorizar o existência do SUS e poderia para ampliar medidas de financiamento. Também seria um estímulo, óbvio, para o aprimoramento do atendimento que, mesmo começando com autoridades, poderia chegar ao cidadão comum.

É razoável imaginar, como fazem tantos observadores,  que os homens públicos prestarão mais atenção ao hospitais públicos quando estiverem condenados a recorrer a seus serviços em caso de necessidade.

Mas é bom desconfiar de utopias fáceis, pois elas também possuem contradições. A disputa por vagas no atendimento público começa pelo acesso a bons hospitais -- nem todos são iguais --, bons equipamentos  e bons médicos, que também são diferentes entre si.  A presença de uma autoridade num leito do SUS sempre pode levantar a hipótese de que ele estaria tirando a vaga de um paciente que não pode pagar por um atendimento privado. Também lançaria a dúvida de conflito de interesses. Poderia estar usando de seus poderes no Estado para garantir benefícios como paciente. Seria o pistolão de si mesmo.


Como se vê, são inúmeras as armadilhas num país no qual a concentração de renda atingiu um nível de sistema feudal, onde oito senhores do castelo tem renda equivalemente a 50% da população, segundo a ONG britânica Oxfam. 

Nesta situação, não há saída além do fortalecimento do SUS. A alternativa, que envolve o subsídio a planos "populares", como cogitado pelo ministro Ricardo Barros, é só uma forma de piorar o que precisa melhorar -- e é um bom retrato da turma que organizou um ato de preconceito contra Marisa Lula da Silva.

(Vídeo do canal Notícias Comentadas)


PAULO MOREIRA LEITE. Jornalista e escritor Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em Brasília