Qual a intenção de Sérgio Moro e dos Procuradores da Lava Jato em denunciar dona Marisa? Do ponto de vista jurídico, nenhuma. Jamais comprovaram que o tríplex era de Lula. Mesmo se fosse, não havia nada que pudesse ser impingido a dona Marisa. Ela não participava de discussões políticas, menos ainda de negócios. Limitava-se a cuidar dos filhos e netos e dar amparo emocional ao marido.
A intenção foi puramente política, de bater, bater, bater em Lula, até que arriasse emocionalmente.
Não existe ética na guerra. E não existe a figura do inimigo no direito. A Lava Jato se tornou uma operação de guerra, caçando o inimigo e o direito se tornou instrumento de vingança.
Não viam a figura da mãe e da avó, mas apenas a mulher do inimigo a ser abatido.
Divulgaram como prova de crime os pedalinhos que dona Marisa comprou para os netos. Invadiram sua casa, entraram em seu quarto, reviraram até o colchão da cama. Levaram seu marido detido, expuseram incontáveis vezes os filhos no tribunal da mídia.
Esse exercício continuado de crueldade, mais do que estilo jurídico, é marca de caráter.
É possível encontrá-lo em diversos personagens e diversas situações, cada qual subordinando-se aos ritos da classe e às prerrogativas da profissão.
No Judiciário, gera alguns juízes vingadores. No Ministério Público, alguns projetos de torquemadas. Cada qual busca a jugular do inimigo valendo-se das armas que lhe foram conferidas institucionalmente. Não lhes exija momentos de civilidade, respingos de respeito, gotículas de humanidade.
No PCC, há chefes sanguinários que não se contentam com assassinatos de imagem e mortes civis: eliminam fisicamente os adversários. Na Polícia Militar os soldados que, com um revólver na mão, se consideram donos do mundo e das vidas. No crime, o poder das chefias depende apenas da meritocracia: não há concursos, nem carreiras pré-definidas, com planos de cargos e salários. E eles correm risco, pois não contam com a blindagem do Estado. São cruéis e são valentes.
Em comum, todos os vingadores, os da lei e os fora-da-lei, têm a crueldade de caráter, o gozo infindável de chutar o adversário de todas as formas, de tratá-lo como inimigo, os fora-da-lei matando pessoas, os da lei expondo-as ao direito penal do inimigo, desumanizando-as, transformando donas-de-casa em cúmplices, presentes de avó para netos em provas de crime, violando seu quarto, sua penteadeira, suas lembranças.
Hoje, na Lava Jato, o juiz Moro e cada procurador colocarão uma marca a mais no coldre virtual de onde empunham suas armas legais. Que pelo menos tranquem a porta antes de iniciar a comemoração.
A morte de Dona Marisa Letícia não foi natural. Ela foi sendo assassinada aos poucos por um conluio, cujo pilar foi a mídia tradicional com destaque ultraespecial às Organizações Globo, à grande maioria do Judiciário envolvido nas investigações da Lava Jato e a uma classe política corrupta que se lambuzou em acusações sem provas contra ela e sua família.
Dona Marisa Letícia sempre foi uma mulher simples, mas não simplória como alguns idiotas imaginavam.
Fui o primeiro jornalista a entrevistá-la com destaque para uma publicação, ainda em 1989, quando Lula disputava sua primeira eleição presidencial.
Naquele momento, Dona Marisa era motivo de chacota porque o também candidato Paulo Maluf havia dito algo como: o Lula não pode ganhar a eleição porque a Dona Marisa não vai conseguir lavar todas as janelas do Palácio do Planalto.
Na entrevista, evidentemente, toquei no assunto. Dona Marisa riu e respondeu: não tem problema se eu não der conta eu chamo a dona Sylvia para me ajudar. E riu de forma gostosa.
Dona Marisa sempre teve importância fundamental nas decisões que Lula tomava. Quando o bicho pegava, o baiano, como é conhecido no ABC, recorria a ela.
A vida dela nunca foi fácil, mas há gente mais informada para falar sobre isso. Mas nos últimos anos ela foi achincalhada e investigada, junto com Lula e os filhos, como poucos na história do Brasil.
E qual a conclusão das investigações até o momento? Que ela comprou dois pedalinhos para os netos, visitou um apartamento no Guarujá que decidiu não comprar e que ela também fala palavrões.
Aliás, só descobrimos os seus palavrões porque de forma canalha e ilegal, o juiz Sergio Moro permitiu vazamento de uma conversa privada entre ela e seu filho. E a imprensa inteira, com destaque para o Jornal Nacional, usou o áudio a exaustão para constrangê-la e humilhá-la.
Dona Marisa mandava os paneleiros enfiarem as panelas no cu. Aliás, sendo dona Marisa. Porque a galega era assim, direta e reta. Mas sem perder a ternura jamais.
Não fui seu amigo e nem divide intimidade com ela, mas tive a oportunidade de conviver um pouco mais com mais amiúde na campanha de Djalma Bom para prefeitura de São Bernardo do Campo, em 1992. A galega reunia mulheres, organizava caminhadas, discutia panfletos e criticava a campanha. Mas nunca se colocando como a esposa do Lula. Era só a dona Marisa.
Aliás, só a chamo ainda hoje de dona por saber que isso não a incomodava.
O fato é que o Brasil perde hoje uma figura decente, que nunca quis holofotes e que nunca pediu um carguinho em qualquer governo. Que não ficava badalando em colunas sociais, que não usava joias caras, que não fazia pose de intelectual. E que talvez também por tudo isso foi massacrada de forma vil por um bando de canalhas liderados pelas Organizações Globo. E por um juiz que será julgado pela história por ter divulgado um áudio de uma conversa privada desta mulher e que não tinha qualquer relação com o processo que investigava.
Eles podem dizer o que quiserem. Eles podem tentar uma cobertura midiática menos indecorosa. Mas eles não vão poder escapar do óbvio, Dona Marisa foi sendo aos poucos assassinada por essa turma.
(Lula e Marisa em 2010. Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)
Cynara Menezes
A mulher de Lula, dona Marisa, morreu hoje após dez dias internada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, vítima de um AVC (acidente vascular-cerebral). Imediatamente, as redes sociais se encheram de mensagens de pesar e solidariedade ao ex-presidente, mas também de repugnantes manifestações de ódio. Marisa, uma mulher honesta e digna, foi tratada por “cidadãos de bem” como se fosse ladra e corrupta, mesmo tratamento que seu marido tem recebido nos últimos anos por parte de políticos de direita, da Justiça a serviço de partidos, da imprensa hegemônica e da elite a quem ela representa. Poucos dias atrás, algozes de Lula na imprensa trataram rapidamente de se esquivar da culpa pela morte de Marisa, atribuindo o AVC sofrido pela ex-primeira-dama do país ao cigarro. Sim, Marisa fumava. Mas é ridículo deixar de reconhecer o peso da injustiça e da perseguição a Lula na saúde de sua mulher. Como você reagiria vendo seu nome e o de sua família atirado na lama sem ter praticado desonestidades? Como reagiria ao ver seu companheiro durante 44 anos estampado na capa de uma revista vestido de presidiário sem ter roubado nada? Como reagiria ao ver suas conversas privadas sendo divulgadas ilegalmente pelos jornais? A injustiça dói, e mata. O desgosto mata. Estresse mata. Ver o marido, depois de tantos anos lutando no sindicato e na política, se tornar um presidente amado pelos brasileiros, fazer tanto pelos pobres e miseráveis deste país, e ser tratado desta maneira, é de acabar com qualquer pessoa. Em setembro, o juiz Sergio Moro transformou a própria Marisa em ré, ao mesmo tempo que dizia “lamentar” a inclusão da mulher de Lula e “haver dúvidas quanto a seu envolvimento”. Ora, se havia dúvidas, por que aceitou a denúncia? Só alguém com forças sobrenaturais preservaria a saúde diante de um massacre como este. Muita gente, em situação semelhante, preferiu o suicídio. O corpo de Marisa não suportou. Ninguém suportaria. Qual foi o crime de Marisa? Qual foi o crime de Lula? Até agora não sabemos. A espetaculosa operação Lava-Jato tem sido, ao contrário, a maior prova da inocência do ex-presidente. Vasculharam a vida de Lula inteirinha e não encontraram nada que evidencie ser ele o corrupto que a mídia e a direita pintam. Qual político brasileiro teria sua vida devassada sem que se achassem irregularidades contra ele? Aécio Neves? Fernando Henrique? Michel Temer? Os brasileiros que confiam em Lula exigem saber quais são as provas de “enriquecimento ilícito” que existem contra Lula. Um apartamento que não é dele? Um sítio? Dois pedalinhos? O que posso afirmar com toda certeza é que o Brasil só piorou desde que iniciaram esta campanha contra Lula. Sejam sinceros: qual Brasil é melhor, o de Lula ou o dos inimigos de Lula? Com Lula, o Brasil se tornou um país importante, respeitado no mundo. Os brasileiros conquistaram auto-estima, orgulho da sua terra. O Brasil dos inimigos de Lula, dos que o perseguem, é um país cheio de ódio e de fascistas. Onde as pessoas progressistas sentem vergonha de viver. É lamentável o que a perseguição injusta a Lula está fazendo ao Brasil. E Marisa, a “galega” de Lula, aquela mulher simples, discreta, honesta, digna, foi uma vítima desta perseguição. Querida Marisa, que seu sofrimento não seja em vão. Como jornalista, eu me envergonho dos colegas que têm desempenhado o papel de carrascos de sua família para agradar os patrões e ascender profissionalmente. Espero sinceramente que sua morte os faça colocar a mão na consciência. São eles que só pensam em 2018, não nós. A esta altura, eu nem sei mais se este lugar sinistro, sombrio, em que esta gente transformou o Brasil ainda merece ter Lula como presidente. Presidente Lula, em nome dos milhões de brasileiros que sabem o que o senhor fez pelo país, quero dizer que sinto muito, muito mesmo. Fique bem, estamos do seu lado para o que der e vier.
A arrecadação federal despenca, a indústria definha e o desemprego galopa, enquanto o governo Temer se desfaz do patrimônio nacional
Roberto Amaral
Pedro Parente, presidente da Petrobras, já pode comemorar a queda de nossas reservas para o nível de 2001, após a venda de ativos e a contração dos investimentos em exploração e produção de óleo.
A cada dia que passa, a cada medida que adota, o governo Temer mais assume, agora sem rebuços,seu projeto mesquinho de desestruturação do País, por meio do desmantelamento do Estado e da desconstrução da economia nacional, a serviço de interesses internacionais e do rentismo. A política recessiva, o neoliberalismo, o monetarismo arcaico não são fins em si, mas instrumentos de que se vale o situacionismo para destruir o que ainda sobrevive de projeto de desenvolvimento.
A arrecadação de tributos federais teve uma queda de 3% em 2016, em comparação com 2015, e o declínio não foi maior graças ao ingresso dos 46,8 bilhões de reais advindos da receita extra de impostos e multas da repatriação de recursos ilegais de brasileiros no exterior. Posta de lado essa receita, a queda sobe para 6%. Na comparação entre dezembro de 2016 e dezembro de 2015, a queda foi de 1,19%. A retração no início de 2017 superou 10%, mantendo a expectativa de contração no ano.
Dessa forma, a arrecadação cai pelo terceiro ano consecutivo e retorna ao nível de 2010. As principais quedas se dão entre os maiores empregadores de mão de obra, a saber, no comércio, na construção e na indústria, cujo faturamento caiu 12,1% em comparação com o ano passado.
E o ajuste fiscal?
Enquanto a receita míngua, crescem as despesas. As contas do governo ficaram no vermelho pelo terceiro ano consecutivo, com um défict primário de 154,255 bilhões em 2016, o maior rombo desde 1997, resultado do aumento de despesas na ordem de 7,2% em 2016 sobre 2015.
A estimativa de crescimento de 0,5% do PIB foi revisada pelo Fundo Monetário Internacional para 0,2%, e pode ser ainda menor, enquanto a dívida das famílias cai na proporção em que sobe o gasto com seu pagamento. O crédito encolhe, o peso dos juros sobe de 41% (média de 2014) para 48% (novembro de 2016) e a taxa média dos juros ao consumidor chegou a 71,9% no final do ano passado. A contração da economia até 2016 chegou a 9%.
Os reflexos nas vendas do comércio de varejo são visíveis e imaginável é a queda das encomendas à indústria, com seu rol de consequências que começa com o desemprego, crescente. Já chegou a 15% e pode, até o final do ano, atingir 20%. Só no ano passado foram eliminados três milhões de empregos com carteira assinada, o que significa três milhões de famílias de trabalhadores no desespero.
Os Estados, já em crise, enfrentando quedas crescentes de receita, são, ainda, apenados pela União com a cobrança de uma dívida pelo menos discutível.
Na impossibilidade de privatizar de uma só vez a Petrobras, o governo cuida de fragilizá-la ao limite de renunciar às expectativas do Pré-sal, a maior descoberta de petróleo do planeta nos últimos 30 anos. Parte para a venda fatiada, na bacia das almas, de ativos valiosíssimos de nossa maior empresa, como campos do Pré-sal e outros, de gasodutos, da Liquigás, de sua indústria petroquímica e tudo isso por que o projeto de destruição da estatal visa a reduzi-la à condição de mera produtora de óleo bruto, o que pode ser levado a cabo em pouco tempo.
À irresponsável venda de ativos soma-se a contração dos investimentos em exploração e produção de óleo, e assim o senhor Pedro Parente, presidente da estatal, já pode comemorar a queda de nossas reservas para o nível de 2001. A atual direção da Petrobras, criminosamente, praticamente abandonou a atividade de exploração (perfuração de novos poços para ampliar reservas), o que fará com que, em pouco tempo, nosso mercado interno venha a ser atendido majoritariamente pelas petroleiras estrangeiras.
Fica cada vez mais claro que o grande objetivo é o desmonte do Brasil qual o conhecemos e a entrega de nosso patrimônio, construído com tanto sacrifício e ao longo de tantos anos, a grupos internacionais que avançam sobre todos os setores da economia brasileira, principalmente nos setores vitais, da indústria de um modo geral, do comércio, da educação e da saúde. Coerente com essa política verdadeiramente de terra arrasada, o governo pretende entregar a empresas estrangeiras o controle do tráfego aéreo nacional (o que comprometerá até a aviação militar e os deslocamentos de nossas autoridades).
Pretende liberar a aquisição integral das empresas brasileiras de aviação a empresas estrangeiras e a política de ‘céus sem fronteiras’ que permitirá a empresas estrangeiras explorar a aviação comercial doméstica, quando nossas empresas encolheram 5,47% no ano passado, o pior desempenho desde 2003.
Às empresas estrangeiras é liberada a captação de fundos públicos, o que contraria a lógica da atração de capitais estrangeiros, pois, por suposto, viriam eles aumentar a nossa capacidade de investir. Se nem mais capital têm de trazer, virão simplesmente abocanhar fatia crescente do capital privado nacional, acelerando, com a ajuda governamental, a desnacionalização de nossa economia. Pari passu é autorizada a instalação de 21 Zonas de Processamento de Exportação (ZPES) sem cobrança de contrapartidas, ao lado de concessões de serviços públicos sem a exigência de conteúdo local.
Enquanto isso, segue o esforço da maioria parlamentar, guiada pelo Planalto, visando à destruição da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), à perversa precarização do trabalho em meio à recessão e ao desemprego, e a reforma da previdência que só cuida de prejudicar quem mais dela depende, o assalariado.
O governo que assim comanda a economia brasileira, permanentemente na corda bamba, sem credibilidade, carente de legitimidade e apoio popular, cuida do dia a dia sem saber se terá amanhã, pois pode e deve ser alcançado pelas delações dos executivos da Odebrecht, recentemente homologadas pela presidente do STF.
Se salvar-se dessa ameaça, saída improbabilíssima, o ainda presidente pode ter seu mandato cassado como consequência da eventual impugnação pelo TSE das contas da campanha de 2014, embora as chicanas jurídicas do ministro Gilmar Mendes, aquele que não disfarça sua condição de militante partidário e, agora conselheiro do presidente que mais tarde julgará, tenta ora desvincular as candidaturas Dilma-Temer, ora prorrogar ao máximo o julgamento. Enseja ao presidente a renovação de duas ou mais vagas no plenário, inclusive a substituição do relator, o que lhe daria absoluto controle da Corte.
Festeja-se a homologação das delações, mas é de lamentar a manutenção do sigilo, que só contribui para fortalecer suspeições difusas que são utilizadas para toldar o ambiente já de si tenso após tanta espera. O recurso ao sigilo, ademais, contraria o principio basilar da transparência, segundo o qual a publicidade deve ser a regra e o sigilo a exceção, e só tem servido para o ‘vazamento seletivo’ manipulado nas entranhas dos inquéritos e seus agentes.
Pelo que se comenta em todos os bastidores da política e dos templos da Justiça, a delação dos executivos e do principal acionista da Odebrecht é grave demais, para os destinos da República e da Lava Jato, pelos seus aspectos intrínsecos, civis e criminais. De igual modo é importantíssima pelos suas evidentes implicações políticas e consequências institucionais, para ser tratada às escondidas, abrindo espaço para suspeições.
A homologação e o sigilo foram anunciados quando estávamos nas vésperas da eleição das mesas diretoras do Senado Federal e da Câmara dos Deputados que definirá, ademais, a linha sucessória da Presidência da Repúlica, podendo eleger futuros réus da Lava Jato.
O que está posto à toda evidência é que a conjuntura aponta para uma crise político-institucional potencializada pela crise econômico-social. Neste momento, os partidos precisam de nitidez ideológica afirmada em sua fidelidade a princípios e programas.
Vencida pela reação sempre enérgica de sua brava militância, a bancada do PT na Câmara tende a ficar onde deve e de onde não pode sair, ou seja, na oposição ao governo títere. Precisa cumprir o papel – se puder fazê-lo – de aglutinador, sem veleidades hegemonistas, dos partidos de oposição (PDT, PCdoB, Rede e PSol) num bloco parlamentar de resistência ao desmonte do Estado e da economia nacional.
Do movimento social, sindicatos à frente, a conjuntura exige capacidade de ação, mobilização permanente, dando sustentação, impulso e vigor à oposição parlamentar. É hora de ampliar nossos espaços e cuidar de alianças táticas – inclusive com o capital produtivo, que os poucos vai descobrindo o erro que cometeu com a solidariedade ao impeachment.
Em tais circunstâncias, a superação da crise passa por entendimento que antecipe a eleição direta de novo Presidente da República. Este sim, ungido pelo voto popular, e só nesta condição, terá legitimidade para dar rumo ao País.
Michel Temer nomeou hoje Moreira Franco para a Secretaria-Geral da Presidência, que volta a ter status de ministério.
Com isso o “Angorá” da lista da Odebrecht vai responder no Supremo Tribunal Federal e não na Vara de Sérgio Moro, em Curitiba, pelas acusações de propinagem.
Será que alguém vai, como se fez com Lula, dizer que isso é obstrução da Justiça?
Será que Gilmar Mendes vai dar liminar suspendendo a posse?
Será que vai ter um grampozinho de telefonema entre Angorá e MT para ser divulgado na Globo?
Só não é uma desmoralização porque ali não há moral.
Marisa Letícia Lula da Silva (1950-2017), cuja morte cerebral anunciaram hoje, e Ruth Cardoso (1930-2008) foram mulheres de trajetórias diferentes cuja principal semelhança foi terem sido casadas com presidentes da República.
Por oito anos, viveram a condição do que se convencionou chamar de primeira-dama.
Mesmo depois de seus maridos deixarem o Planalto, continuaram a ser tratadas como ”dona Marisa” e ”dona Ruth”.
Nos últimos tempos, com o Brasil castigado por intolerância e obscurantismo, muita gente deu para desqualificar a denominação ”dona Marisa” para a mulher de Luiz Inácio Lula da Silva.
Por sinal, muitos que nunca consideraram impróprio se referir à mulher de Fernando Henrique Cardoso como ”dona Ruth”.
Essas não são as críticas _procedentes_ que observam cacoete machista no tratamento de mulheres de governantes. Quando o governante é mulher, seus maridos não se transformam em ”seu” Fulano de Tal. Continuam a ser Fulano de Tal. Logo, prefiro Marisa Letícia e Ruth, não ”dona Marisa” e ”dona Ruth”.
Mas a bronca de alguns tem outro motivo, o preconceito: como chamar de ”dona” uma mulher como Marisa Letícia?
Ela nasceu pobre, em casa de pau a pique, aos nove anos cuidava de crianças para ajudar no sustento da família, na adolescência ralava como operária em fábrica, teve estudo precário.
Ao contrário de Ruth Cardoso, antropóloga com carreira brilhante.
Conheço superficialmente a história de ambas, mas não são poucos os testemunhos de qualidades de Ruth e Marisa Letícia.
A aversão de alguns à segunda se deve à permanência da cultura da casa grande & senzala num dos países mais desiguais do planeta.
Esse atraso um dia rendeu a afirmação de que o Brasil não poderia ter um presidente encanador (Lula trabalhou como torneiro mecânico) se havia um Jean-Paul Sartre (FHC) à disposição.
Por isso a transformação da antiga operária em ”dona Marisa” soou como ofensa a cabeças passadistas.
Marisa Letícia morre como indiciada em inquérito da Polícia Federal. A história esclarecerá quem tem razão.
E registrará o incômodo que Marisa Letícia foi para certas almas. .
A morte de Dona Marisa Letícia é o triunfo físico da narrativa de ódio reinaugurada pela direita brasileira, a partir da vitória eleitoral de Dilma Rousseff, em 2014, contra as forças reacionárias capitaneadas pela candidatura de Aécio Neves, do PSDB.
Em sua insana odisseia pela retomada do poder, ainda quando o TSE contabilizava os últimos votos das eleições presidenciais, Aécio e sua turma de mascarados se agregaram, não sem uma sinalização evidente, aos primeiros movimentos da Operação Lava Jato e com ela partiram, sob os auspícios do juiz Sergio Moro, para a guerra de tudo ou nada que se seguiu.
Foi esse conjunto de circunstâncias, tocado pela moenda de antipetismo e ódio de classe azeitada diuturnamente pela mídia, que minou a saúde de Dona Marisa, não sem antes submetê-la ao tormento da perseguição, do constrangimento, da humilhação pública, da invasão cruel e desumana de sua privacidade.
A perseguição ignóbil ao marido, Luiz Inácio Lula da Silva, aliada à permanente divulgação de boatos sobre os filhos, certamente contribuíram para que Dona Letícia, a discreta primeira-dama nascida na luta e na construção dos Partidos dos Trabalhadores, tivesse a saúde atingida.
Para atingir Lula, a quem não tiveram coragem de prender, o esgoto da mídia e seus serviçais da política envenenaram a nação com ódio, rancor e ressentimento, nem que para isso fosse preciso atingir a vida de toda a família do ex-presidente.
Nem que para isso fosse preciso levar à morte uma mulher digna, honesta e dedicada aos seus e ao País.
Não sem antes vazar as imagens de sua tomografia cerebral, como um troféu grotesco de certo jornalismo abjeto oferecido às hienas que dele se alimentam.
Todos sabemos os nomes, os cargos, as redações e as togas de cada um dos responsáveis pela morte de Dona Marisa.
Na hora certa, daremos o troco.
PS do Viomundo: Abaixo, frase de uma conversa pessoal entre mãe e filho, sem qualquer valor para a investigação, que foi vazada por “autoridades” com o único intuito de causar pressão psicológica e política em uma família. Nem a máfia faria melhor.
Arrisca ser uma simplificação culpar diretamente o juiz Sérgio Moro pela morte da ex-primeira dama Marisa Letícia.
Mas como dissociar seu AVC da pressão a que estava sendo submetida?
Em 1997, o jornalista Elio Gaspari colocou o infarto de Paulo Francis na conta de Joel Rennó, ex-presidente da Petrobras que acionou Francis nos EUA.
Rennó, escreveu Elio, era um “estrategista vitorioso” porque “seu processo ocupou um espaço surpreendente na alma de Francis”.
Na quinta feira, dia 2, Lula e a família autorizaram a doação dos órgãos e agradeceram as “manifestações de carinho e solidariedade”.
Marisa passou mal no apartamento do casal em São Bernardo do Campo no dia 24 de janeiro. Chegou consciente ao hospital Sírio Libanês, em São Paulo, passou por cirurgia e foi conduzida à UTI.
Piorou paulatinamente.
Marisa estava fumando mais. Em 2007, o cardiologista Roberto Kalil Filho avisara que ela precisava de tratamento e que poderia ter um AVC. Nada foi feito.
A Lava Jato abriu cinco ações penais contra Lula, sendo que em três delas Marisa estava incluída entre os acusados. Foram mais de dois anos de massacre midiático diuturno, com direito a uma condução coercitiva do marido.
Os homens de Moro vazaram um áudio de um telefonema com seu filho Luís Cláudio. O papo, embora banal, continha um elemento explosivo.
Ela xingava os “coxinhas”. Dizia querer que essas pessoas “enfiassem as panelas no cu”.
Qual a intenção de tornar isso público, senão a de humilhar e constranger? Por que com ela? Onde estão as conversas das mulheres de outros réus?
A gravação está sendo usada pelos milhões de cidadãos de bem que agora festejam a tragédia de Marisa Letícia. Ela sabia de tudo, ela era cúmplice, ela era rica — e ela mandou os brasileiros honestos enfiarem suas panelas naquele lugar.
Para os fascistas que o golpe tirou do buraco, a boca suja teve o que mereceu.
A Lava Jato ocupou um espaço enorme na vida de Marisa Letícia. Migramos do país da impunidade para o país dos justiceiros — sem escalas. Vítimas fatais são inevitáveis.
É injusto afirmar que Moro matou Dona Marisa.
Mas a estratégia da Lava Jato previa a cabeça de Lula na parede. Ganhou a da mulher dele, da pior maneira possível.
Sobre o Autor
Kiko Nogueira. Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.
_________________________ PITACO DO ContrapontoPIG Não foi só o Marlboro. O massacre do MauMoro foi decisivo na doença de D. Marisa __________________________ .
Do Do Yahoo Notícias:
O corpo da ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, de 66 anos, que teve morte cerebral declarada na manhã de hoje (2), será velado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Ainda não se sabe qual o horário de início da cerimônia.
Marisa Letícia foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês do dia 24 deste mês, depois de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico.
Segundo boletim médico divulgado pelo hospital, na manhã de hoje foi realizado um doopler transcraniano que identificou a ausência de fluxo cerebral na paciente. A família autorizou a doação de órgãos.
Marisa Letícia foi acompanhada pelas equipes coordenadas pelos médicos Roberto Kalil Filho, Milberto Scaff, Marcos Stávale e José Guilherme Caldas.
NAVALHA
O Dr Moro, o cachalote, tinha tantos motivos para ir ao velório do Ministro Teori quanto ao da D Marisa.
Será que ele vai?
Não deixe de assistir na TV Afiada "D Marisa já está na conta do Dr Moro, já que foi um AVC político".
Em tempo: O C Af informa que o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC fica na Rua João Basso, 231 - Centro de São Bernardo
PHA
Antes, o C Af havia publicado:
Lula prepara a doação dos órgãos de D. Marisa
E agradece as manifestações de carinho
Do Facebook do ex-presidente Lula:
A família Lula da Silva agradece todas as manifestações de carinho e solidariedade recebidas nesses últimos 10 dias pela recuperação da ex-primeira-dama Dona Marisa Letícia Lula da Silva. A família autorizou os procedimentos preparativos para a doação dos órgãos .
Em vídeo, o deputado Rogerio Correia (PT-MG) defende a cassação do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que foi delatado por dois executivos da Odebrecht por propinas de 3% nas obras da Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, que foi orçada em R$ 500 milhões e custou R$ 2,1 bilhões; Correia diz que a denúncia é antiga, mas que Aécio foi protegido até hoje por uma "blindagem" que criou junto à mídia, setores do Ministério Público, Tribunal de Contas e da Justiça; o parlamentar cobra ainda a devolução aos cofres de Minas Gerais o dinheiro das irregularidades dessa obra "desnecessária", além de "rapidez" e "seriedade" por parte da Justiça; "Não dá para o nosso querido juiz Sérgio Moro ficar de namorico com Aécio Neves. Também não é possível que Janot demore a apresentar essas denúncias"; assista
Minas 247 - O deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) gravou um vídeo no qual comenta a denúncia feita nesta quinta-feira 2 na imprensa contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), de que o tucano definiu conluio em licitação durante a construção da Cidade Administrativa de Belo Horizonte, segundo delator da Odebrecht.
Correia diz que a denúncia é antiga, mas que Aécio foi protegido até hoje por uma "blindagem" que criou junto à mídia, a setores do Ministério Público, do Tribunal de Contas e da Justiça, construindo um "glamour em torno dele". Ele cita que Aécio também perseguia quem fizesse denúncias contra ele, e que ele próprio já quase foi cassado por conta disso.
O parlamentar pede a devolução aos cofres de Minas Gerais - Estado que "está falido", lembra Correia, que atribui o problema ao ex-governador Aécio - o dinheiro das irregularidades dessa obra "desnecessária", a cassação do mandato do senador e "rapidez" e "seriedade" da Justiça.
"Não dá para o nosso querido juiz Sérgio Moro ficar de namorico com Aécio Neves em prêmios", ironiza. "Também não é possível que o doutor Janot demore a apresentar essas denúncias", cobra.
Do Blog do Miro - quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
Por Altamiro Borges
O Jornal do Brasil noticiou nesta terça-feira (31) que Rodrigo Janot finalmente decidiu investigar as relações sinistras do cambaleante Aécio Neves com poderosas empreiteiras. "Após as delações da Odebrecht, a Procuradoria-Geral da República deve pedir nos próximos dias ao STF que um inquérito sobre o senador e presidente do PSDB, Aécio Neves, seja aberto. A acusação é de que o tucano teria recebido dinheiro das empreiteiras que fizeram as obras da Cidade Administrativa em Minas Gerais: entre elas a Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez".
Conforme lembra a reportagem, já na delação da OAS o nome do falso moralista tinha vindo à tona. "O empreiteiro Léo Pinheiro contou que realizou repasses a Oswaldo Borges da Costa Filho, o Oswaldinho, apontado como operador e tesoureiro informal das campanhas de Aécio entre 2002 e 2014. De acordo com o depoimento de Pinheiro, cujo acordo de delação foi suspenso no ano passado pelo STF, 3% era o montante da propina paga ao tucano pela obra mineira. Apesar de ter sido orçada em R$ 500 milhões, a Cidade Administrativa custou aproximadamente R$ 2,1 bilhões, sendo a obra mais cara feita pelo então governador Aécio Neves, que comandou Minas Gerais entre 2003 e 2010".
Apesar da gravíssima denúncia do ex-dirigente da OAS nada foi feito contra o grão-tucano. O mesmo Rodrigo Janot decidiu suspender a delação de Léo Pinheiro, numa atitude bastante estranha, e o caso simplesmente sumiu da mídia mercenária. Agora, porém, com as bombásticas delações da Odebrecht, a PGR anuncia a instalação de um inquérito. O órgão já investiga - ou finge investigar - Aécio Neves devido à famosa "Lista de Furnas" e por supostamente ter maquiado dados da CPI dos Correios para evitar que o Banco Rural fosse ligado ao mensalão mineiro. Mas o cambaleante segue impune. Nem Janot nem Sergio Moro, o chefão da Lava-Jato, incomodam o tucano. Como ironizam os internautas, basta se filiar ao PSDB para não ser investigado, julgado, condenado e, muito menos, preso!
Quando da famosa foto da troca de afagos entre Aécio Neves e Sergio Moro no convescote da revista IstoÉ - também conhecida como "QuantoÉ" -, o sempre irreverente José Simão publicou na Folha de 10 dezembro de 2016 uma nota hilária, intitulada: "Exclusivo! Moro e Aécio de caso!" O sarcasmo também vale para Rodrigo Janot. Será que ele tem um caso com o cambaleante? Reproduzo um trecho do petardo de José Simão:
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E atenção! Exclusivo: Moro e Aécio estão de caso! Bombou na internet a foto do Moro e Aécio agarrados e aos risinhos! MORO E MOZÃO! E sabe o que o Moro perguntou? "Aécio, você já foi comido?". Rarará! Moro: "Você acha que eu ia te prender, mozão?". E o melhor meme: o Aécio vestido de Marilyn em "O Pecado é o Moro ao Lado". Rarará! Eu moro e não vejo tudo! O Aécio deve ser bom de piada! Tem foto dele rindo com o Lula, com o Alckmin, com o FHC, com o Tiririca! Mas agarrado, só com o Moro!
O sorteio para escolha do sucessor de Teori Zavaski como relator da Lava Jato pode ser uma boa oportunidade para o STF esclarecer o método empregado para a distribuição de casos na corte.
Explico. Não há a menor dúvida de que o sorteio é feito eletronicamente, por um programa de computador, no qual todos os ministros têm chances iguais de serem concorridos.
A pergunta é se a escolha é 100% aleatória, como num bilhete de loteria. Ou se entram em conta outros fatores.
Em conversas reservadas com fontes familiarizadas com os bastidores do STF, circula a versão de que outro fator também é levado em consideração -- a agenda de casos acumulados por cada ministro no momento do sorteio.
Assim, os ministros que têm mais tempo para se dedicar ao novo trabalho têm mais chance de serem escolhidos.
Foi assim que Gilmar Mendes acabou sendo escolhido para ocupar uma vaga no TSE, em 2014, onde assumiu a responsabilidade de relator das contas de Dilma, com aquele desempenho que todos conhecem. Até então, esta função estava a cargo de Henrique Neves, ministro considerado politicamente neutro. Transcrevo, aqui, alguns parágrafos da página 25 de meu livro "A Outra História da Lava Jato," que se inicia no momento em que expirava o mandato de Henrique Neves:
"Expirou o mandato do relator original das contas de Dilma. Como presidente da República, ela poderia valer-se das prerrogativas para definir o substituto de sua escolha. (Poderia até manter Henrique Neves no posto, se quisesse). Na verdade, o Planalto chegou a ser informado com relativa antecedência de que seria conveniente fazer logo a indicação do substituto. Caso a vaga fosse deixada para sorteio do plenário do STF, eram grandes as chances, justamente, de Gilmar acabar escolhido."
Aqui, o trecho explicativo: "Embora sejam definidas por computador, as escolhas são ponderadas por outros critérios -- como a carga de trabalho de cada um -- que afunilam as possibilidades de cada ministro, o que permitira perceber que Gilmar era o grande favorito para a vaga."
A seguir, minha conclusão: "Numa dessas pequenas tragédias que geram grandes problemas, o Planalto acabou permitindo que o inimigo entrasse em casa."
A questão, aqui, não envolve a idoneidade do sorteio nem qualquer outra questão suspeita.
Mas diz respeito ao caráter puramente aleatório -- ou não -- da escolha.
O fator carga de trabalho pode ser um critério razoável, com justificativas compreensíveis, numa corte onde os gabinetes vivem entulhados de casos a espera de uma sentença. Não vejo nada de errado, em si.
Resta o fato de que torna possível prever quem, entre os dez integrantes do STF, tem mais chances de ser escolhido para assumir determinado caso.
Em se tratando da Lava Jato, trata-se de uma informação particularmente explosiva, vamos combinar
Um vídeo disponível no YouTube mostra o jovem Aécio Neves no desfile de abertura da Conferência Mundial da Juventude, realizada em 1985 na cidade de Moscou.
“Olha a delegação comunista do Brasil, o Aecinho segurando a bandeira”, narra o jornalista Marcelo Tas, que fazia dupla com Fernando Meirelles num programa da TV Gazeta de São Paulo, ele como repórter Ernesto Varella; Meirelles, como cinegrafista.
No mesmo grupo, Gonzaguinha e Martinho da Vila, reconhecidos pela militância de esquerda e, por isso, presenças naturais num evento organizado pelo governo comunista da União Soviética.
Mas o que fazia o jovem Aécio, já conhecido pela vida de playboy no Rio de Janeiro, naquele grupo?
A resposta está na sua amizade com Sérgio Cabral Filho, que organizou a participação do Brasil naquele encontro como militante da Juventude do PMDB do Rio de Janeiro e, em razão da filiação – filho do fundador do Pasquim Sérgio Cabral, na época vereador do Rio –, próximo da juventude comunista.
Também estão na delegação Evandro Mesquita e Fernanda Abreu, não necessariamente de esquerda, e José Sarney Filho, que pelo sobrenome dispensa classificação ideológica.
Mas é a figura de Aécio que chama a atenção, inclusive pelo destaque da sua presença, segurando a bandeira do Brasil no desfile de abertura.
Cabral e Aécio são muito mais do que amigos. São quase parentes. Ou amigos de luta.
Num perfil escrito por Daniela Pinheiro para a revista Piauí, quando Cabral era apenas o governador mais impopular do Brasil, usava carro blindado e gravata, que acariciava como “rabo de um gato”, ele conta como se tornou amigo do Aecinho.
Cabral tinha trabalhado na campanha de candidato a vereador do pai, era estudante de jornalismo – profissão que ele nunca exerceu – e tomou gosto pela política.
Em 1985, era coordenador da juventude peemedebista do Rio que apoiava a eleição indireta do avô de Aécio, Tancredo Neves.
Conheceu uma prima de Aécio, Susana, com quem se casaria e teria três filhos e o pai dela, Gastão Neves, advogado e representante de mineradoras de seu estado natal, além de Tancredo e Aécio, claro.
No perfil de Daniela Pinheiro, Cabral conta que ele e Aécio fumavam juntos no fundo do avião (naquela época, podia) que levava a comitiva às cidades onde Tancredo fazia comício (naquele época, existia).
Uma jornalista que trabalhou na campanha de Tancredo e também viajava na comitiva de Tancredo me contou que os dois eram de fato amigos e se identificavam pela paixão ao Rio de Janeiro e por terem tido problema nos estudos no colegial.
Cabral chegou a ser expulso da escola, mas, segundo ele, por razões política: quis fundar um grêmio, então proibido.
A jornalista acompanhou a vida de Aécio e Sérgio Cabral pelos anos seguintes. “Os dois foram muito amigos. Quando o Sérgio Cabral se elegeu deputado, tinha um trabalho social que o Aécio adorava. Era voltado para os idosos. Sérgio, com isso, rompia com a pecha de candidato só dos jovens, problema que o Aécio também enfrentava”, recorda.
No início de sua vida pública como deputado, Sérgio Cabral chamava a atenção pela austeridade. Dispensou o motorista da Assembleia e dirigia um carro velho.
Como presidente da Assembleia, cortou salários e verbas de deputados, mas começaram a aparecer sinais de que estava enriquecendo.
Em 1998, numa troca de chumbo, o ex-aliado Marcelo Alencar, de saída do governo do Rio, entregou à imprensa um dossiê com o patrimônio de Cabral, e chamava a atenção uma mansão em Mangaratiba, avaliada em 5 milhões de dólares.
Foi nesta época que eu entrevistei Cabral para falar a respeito de outra denúncia: a de que ele coordenava a distribuição de propina das empresas de ônibus entre os deputados estaduais do Rio de Janeiro.
Eu era repórter da Globo do Rio e, até ali, tinha apenas depoimentos em off de que havia de fato uma caixinha das empresas de ônibus, mas não havia provas. Procurei Cabral na presidência da Assembleia. Ele aceitou conversar, mas sem registro de câmera.
Foram mais ou menos três horas de entrevista, durante as quais negou que fosse uma espécie de gerente da caixinha, mas admitiu que ela pudesse existir.
Bom de papo, esforçou-se para levar a conversa para o lado pessoal e contou com alegria que havia morado em São Paulo – de onde eu havia saído para trabalhar no Rio – e das boas lembranças que tinha do trabalho do pai na revista Realidade.
Também explicou que o pai não tinha a mesma vocação política que ele. “Meu pai dizia que se elegeu vereador porque a Câmara fica entre dois bares com ótimo chope, um deles o Amarelinho”, afirmou.
A certa altura, começou a falar de um drama pessoal. Era início de 1999, dois anos e pouco antes ele havia se separado e a razão foi que a mulher, a prima de Aécio, se apaixonou pela fotógrafa da campanha do marido a prefeito do Rio e, segundo ele, foi morar com a namorada e o deixou com três filhos.
Sérgio Cabral nem bem terminou o relato e começou a chorar, soluçando alto. Já tinha entrevistado o presidente da Assembleia algumas vezes, em coletiva, mas não tinha intimidade com ele.
Fiquei imaginando que talvez ele quisesse mostrar a face humana de um político já àquela altura suspeito de corrupção. Mas o choro (com muitas lágrimas) era verdadeiro.
Saíram matérias negativas sobre Sérgio Cabral, nada arrasador – por absoluta falta de como provar as denúncias –, a carreira de Cabral, já em franca ascensão, continuou a subir. Elegeu-se senador e depois governador, duas vezes.
As denúncias se avolumaram, ele se enrolou no escândalo de Carlinhos Cachoeira e foi esmagado pela delação de dois doleiros, já na era da Lava Jato.
Hoje ocupa uma cela de Bangu, em cuja ala feminina se encontra a atual esposa, sucessora de um escritório montado pelo próprio Cabral, que tinha o sogro Neves, Gastão, pai da Susana, como figura central.
Um dos coordenadores das primeiras campanhas de Cabral, no início da década de 1990, diz que o escritório, tanto na fase de Gastão Neves quanto na de Adriana Ancelmo, sempre foi um veículo para lavar dinheiro.
Essa suspeita só se confirmará se houver, como se especula, delação premiada da mulher de Sérgio Cabral.
O que não há dúvida é sobre outro esquema de lavagem de dinheiro usado pelo ex-governador do Rio, relatado com fartura de provas pelos doleiros Marcelo e Renato Chebar, que são irmãos.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal conseguiram dos doleiros de Cabral (a delação premiada), o que, alguns anos antes, nem foi tentado com uma família de doleiros que atendeu a família Neves, também do Rio de Janeiro.
A lei da delação premiada é de 2013, mas já havia benefícios para quem colaborasse com a Justiça.
Em 2007, a Polícia Federal fez uma busca no apartamento do casal Norbert Muller e sua mulher, Christine Puschmann, conhecidos doleiros do Rio, e apreendeu documentos bancários que revelavam contas não declaradas no exterior em nome de quatro pessoas, um ex-deputado, um desembargador aposentado e Inês Maria Neves Faria, mãe e sócia de Aécio Neves.
A conta de Inês era em nome de uma fundação, aberta juntamente com Andrea Neves, irmã e sócia de Aécio Neves. Aécio Neves seria o beneficiário da conta no caso da morte da mãe.
Os policiais encontraram um extrato com saldo de U$ 32 mil. O desembargador e o ex-deputado foram processados e condenados em primeira instância, assim como a doleira Christine Puschmann, viúva quando houve o julgamento, mas ninguém foi preso.
A mãe de Aécio não chegou nem sequer a ser denunciada. Os procuradores da república Fábio Magrinelli e Marcelo Miller entenderam que, como o saldo era inferior a 100 mil dólares, ela não estava obrigada a declarar ao Banco Central o depósito no exterior e, com isso, não havia crime a denunciar.
Quer dizer, então, que qualquer pessoa que tenha 320 mil reais aproximadamente em depósito no exterior está livre de fazer constar esse valor na declaração às autoridades?
Errado.
O advogado Alexandre Venturini, especialista em Direito Tributário, disse ao DCM que a declaração à Receita Federal é obrigatória sim, sob pena de enquadramento no crime contra ordem tributária, com pena que varia de 2 a 5 anos.
“Quando há um depósito de um contribuinte brasileiro no exterior que não foi declarado à Receita Federal, presume-se que é um depósito sem origem e, portanto, passível de cobrança na alíquota de 27,5% e multa de 150%. Não havendo pagamento, é crime contra a ordem tributária”, disse.
Os procuradores fizeram uma interpretação elástica de outra lei, o que livrou a família Neves de complicações na Justiça.
A lei que prevê os crimes contra o sistema financeiro diz que só não é obrigatória a declaração ao Banco Central (ao Banco Central, não à Receita Federal), no caso de saldo inferir a 100 mil dólares.
A declaração ao Banco Central é uma coisa, a declaração ao IR outra. Uma é relacionada a crime contra Sistema Financeiro Nacional. A outra, a crime contra crime contra a ordem tributária.
O caso foi apreciado também pela Procuradoria Geral da República, em Brasília, e a interpretação elástica dos procuradores do Rio – a de que a a dispensa de comunicação ao BC vale também para a Reeita — foi aceita. O Ministério Público Federal deixou assim de acusar a família Neves.
Cabral não teve a mesma sorte que o amigo Aécio Neves, a quem poderia dizer (se é que não disse) que a Polícia Civil do Rio de Janeiro, no seu mandato de governador, manteve na gaveta o inquérito aberto para investigar corrupção na estatal de Furnas, onde Aécio aparece como o grande protagonista.
Nascido no Engenho Novo, subúrbio do Rio, filho de um jornalista com alma e certidão de nascimento carioca, Sérgio Cabral Filho tem uma vida em que sobram sinais de que não mediu atitudes para ser tido como milionário, depois que deixou de dirigir o carro velho e comprou a mansão de Mangaratiba.
Aécio Neves, de uma família aristocrática no interior de Minas Gerais, que teve escravos no passado, sempre quis ser carioca.
Há rastros dos dois na incursão desonesta pelos cofres públicos, seja de Furnas, do governo de Minas ou do governo do Rio.
Um está preso, o outro continua combatendo o “mar de lama” da tribuna do Senado, preside um dos maiores partidos do Brasil, o PSDB, e articula candidatura para governar o País.
O maior pecado de Cabral foi achar que poderia ser um Neves, como mostram as entradas ao vivo da repórter Andreia Sadi, da Globonews, que cobre a Lava Jato a partir de Brasília e entrou para a família ao casar com um primo de Aécio.
Andreia não diz que Susana Neves, que teve repasses vultosos do esquema de Cabral, é prima de Aécio. Susana é agora tão somente ex-mulher de Sérgio Cabral.
Andreia não diz que Susana Neves, que teve repasses vultosos do esquema de Cabral, é prima de Aécio. Susana é agora tão somente ex-mulher de Sérgio Cabral.
Sobre o autor
Joaquim de Carvalho. Jornalista, com passagem pela Veja, Jornal Nacional, entre outros. joaquimgilfilho@gmail.com
por FERNANDO BRITO É impressionante a cara de pau do liquidante da Petrobras designado por Michel Temer, por indicação do PSDB, para desmontar a grande empresa brasileira. Hoje, na Folha, Pedro Parente tenta enganar os trouxas confundindo a política de conteúdo nacional no petróleo como uma discriminação contra empresas de capital estrangeiro. Ideologias, quando levadas ao extremo, tornam as pessoas impermeáveis a argumentos e fatos. Discutir a origem do capital investido no Brasil é um exemplo. Superada pela Constituição, que não faz distinção entre capital nacional e estrangeiro, essa discussão tem pouca utilidade na vida real. A maioria dos brasileiros vai trabalhar diariamente em veículos de marcas globais fabricados no Brasil; falamos ao celular em aparelhos com peças importadas do mundo inteiro; a maior parte das ações da bolsa brasileira é de investidores estrangeiros. Ora, Dr. Parente, o senhor sabe que não existe diferença, para o cumprimento das cotas de conteúdo nacional, se a empresa é de capital brasileiro, chinês, coreano, norte-americano ou até do Timbuctu. A exigência é, apenas, que se produza aqui ao menos uma parte do que a exploração de petróleo demanda da indústria e isso vale não apenas para a Petrobras como para qualquer empresa petroleira de outro país que pretenda ter uma concessão aqui. Embora, claro, você não veja as obras mais pesadas serem encomendadas por elas aqui, mas isso já é outra história. Podem até, como no caso de automóveis e celulares que o senhor menciona, trazer partes prontas do exterior para montagem, desde que o valor agregado aqui atinja os patamares dos contratos que elas aceitaram para ter direito de explorar petróleo. Depois, Parente passa para a arenga de que nos falta capacidade técnica para fazer aqui, em lugar de comprar lá fora: No setor de óleo e gás, o intervencionismo estatal se materializou na “Política de Conteúdo Local” (PCL). A exigência de um conteúdo local muito acima da capacidade da indústria impôs prejuízo significativo ao governo e ao setor. Quem diz isso não é a Petrobras, mas o Tribunal de Contas da União, que em auditoria recente concluiu que “existe um alto custo da política, em função da baixa competitividade da indústria nacional”. Na Petrobras, além dos custos mais elevados apontados pelo TCU, houve atrasos de mais de três anos na entrega de 12 plataformas. O que falta é capacidade gerencial, porque alguém é capaz de dizer que num país onde o setor de obras pesadas tem competências mais que reconhecida, suficiente até para realizar projetos no exterior, não tem capacidade de fazer obras? Que o nosso cipo de engenheiros e técnicos é incapaz, mesmo tendo feito algumas das maiores obras do mundo? Ou será que é o “peão” que custa mais aqui do que a mão de obra semi- escravizada de alguns lugares do mundo? Será que uma indústria naval que já foi a segunda maior do mundo, que foi capaz de produzir, nos anos 80, os dois então maiores navios do mundo, o Docefjord e o Tijuca, não tem condições de produzir petroleiros e sondas? Claro que tem e, embora possam custar um pouco mais e pedir prazo um pouco maiores, geram emprego, renda, encomendas a cadeias de fornecedores para brasileiros. No fim, numa apelação sem limites, cita dois trabalhadores, Adir Freitas e Ademir Klitze, empregados em multinacionais instaladas no Brasil como exemplo do que estaríamos perdendo com o conteúdo nacional. Isso é, sem meias palavras, Dr. Parente, mentira. Sem o conteúdo nacional, Adir e Ademir perderiam seus empregos, porque é mais barato e rápido importar aquilo que eles produzem aqui. Porque as empresas em que eles trabalham produzem aquilo que o senhor despreza: conteúdo nacional, chame-se Schlumberger e Zé da Silva, desde que esteja instalada aqui, produza aqui e empregue brasileiros feito Adir e Ademir. Aliás, até brasileiros tão pouco preocupados com país, feito Pedro Parente, que chama de “ranço ideológico” defender o Brasil.
Como se sabe, a Lava Jato quebrou a engenharia brasileira e agora se aproxima de fechar os bancos, como já aconteceu com o BNDES, que vai virar uma agência da mega-sena. Mas, para que o Lula não seja presidente em 2018, tudo isso é muito pouco. É preciso erradicar a corrupção, como fez a Mãos Limpas na Itália berlusconesca! E é preciso fechar a indústria de uma forma geral: Produção industrial encerra 2016 com queda de 6,6% A produção da indústria nacional caiu 6,6% em 2016, o terceiro ano seguido de queda - em 2015, houve recuo de 8,3% e, em 2014, 3%, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (...) No ano, a produção de bens de capital caiu 11,1%, a de bens intermediários recuou 6,3%, a de bens duráveis cedeu 14,7% e de semi e não duráveis diminuiu 3,7%. (...) Entre os oito ramos que reduziram a produção na passagem de novembro para dezembro, os desempenhos negativos com maior peso foram produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11,7%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,9%) e bebidas (-5,5%). Os três segmentos já havia recuado em novembro. (...) As principais quedas no ano foram em indústrias extrativas (-9,4%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-8,5%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-11,4%).
Cearense, engenheiro agrônomo, servidor público federal aposentado,casado, quatro filhos e onze netos. Um brasileiro comum, profundamente indignado com a manipulação vergonhosa e canalha feita pela mídia golpista e pela direita brasileira, representantes que são de uma elite egoísta, escravista, entreguista, preconceituosa e perversa.
Um brasileiro que sonha um Brasil para todos e não apenas para alguns, como tem sido desde o seu descobrimento até os nossos dias.
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O QUE É PIG ?
"Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista." (Paulo Henrique Amorim.) Dentre os componentes do PIG, os principais e mais perigosos veículos de comunicação são: a Rede Globo, O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo e a revista Veja.
O PIG - um instrumento de dominação usado pela plutocracia - atua visando formar uma legião de milhões de alienados políticos manipuláveis, conforme os seus interesses.
Estes parvos políticos - na maioria das vezes, pobres de direta - são denominados na blogosfera progressista como 'midiotas'.
O estudo Os Donos da Mídia, do Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom), mostra que de 1990 a 2002 o número de grupos que controlam a mídia no Brasil reduziu-se de nove para seis.A eles estão ligados 668 veículos em todo o país: 309 canais de televisão, 308 canais de rádio e 50 jornais diários. http://www.cartacapital.com.br/sociedade/em-encontro-da-une-profissionais-defendem-democratizacao-da-midia/
MENSALÕES
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OS "MENSALÕES" NÃO JULGADOS
PGR e o STF – terão que se debruçar sobre outros casos e julgá-los de acordo com os mesmos critérios, para comprovar isonomia e para explicitar para os operadores de direito que a jurisprudência, de fato, mudou e não é seletiva.
É bonito ouvir um Ministro do STF afirmar que a condenação do “mensalão” (do PT) mostra que não apenas pés-de-chinelo que são condenados. Mas e os demais?
Alguns desses episódios:
1 - O mensalão tucano, de Minas Gerais, berço da tecnologia apropriada, mais tarde, pelo PT.
2 - A compra de votos para a reeleição de FHC. Na época houve pagamento através da aprovação, pelo Executivo, de emendas parlamentares em favor dos governadores, para que acertassem as contas com seus parlamentares.
3 - Troca de favores entre beneficiários da privatização e membros do governo diretamente envolvidos com elas. O caso mais explícito é o do ex-Ministro do Planejamento José Serra com o banqueiro Daniel Dantas. Dantas foi beneficiado por Ricardo Sérgio – notoriamente ligado a Serra.
4 - O próprio episódio Satiagraha, que Dantas conseguiu trancar no STJ (Superior Tribunal de Justiça), por meio de sentenças que conflitam com a nova compreensão do STF sobre matéria penal.
5 - O envolvimento do Opportunity com o esquema de financiamento do “mensalão”. Ao desmembrar do processo principal e remetê-lo para a primeira instância, a PGR praticamente livrou o banqueiro das mesmas penas aplicadas aos demais réus.
6 - Os dados levantados pela CPI do Banestado, de autorização indevida para bancos da fronteira operarem com contas de não-residentes. Os levantamento atingem muitos políticos proeminentes.
........................................................... Luis Nassif