segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Nº 23.298 - "Temer cancela cimeira em Portugal temendo críticas de escritor premiado"

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29/01/2018



Temer cancela cimeira em Portugal temendo críticas de escritor premiado

Brasil 247 - 29 de Janeiro de 2018




por TEREZA CRUVINEL


Na sexta-feira o Governo confirmou o cancelamento da viagem de Temer a Lisboa, na sexta-feira 2, invocando os preparativos para a votação da reforma previdenciária. Mas o que fez Temer desistir foi o medo de ouvir críticas, e certamente vaias, durante a entrega do Prêmio Camões 2017, que deveria acontecer durante a XII Cimeira Brasil-Portugal, da qual participaria. O Camões é o maior prêmio conferido a escritores de Língua Portuguesa e o ganhador do ano passado, Manuel Alegre, é respeitadíssimo em Portugal não só por sua obra como também por sua militância progressista e libertária, tendo sido exilado durante o salazarismo. No ano passado, a entrega do mesmo prêmio, aqui no Brasil, terminou numa escaramuça: o agraciado, Raduan Nassar, criticou duramente o golpe do impeachment e o governo de Temer na frente do então ministro da Cultura, Roberto Freire, que sob gritos de “Fora Temer”, agrediu o premiado.

Além de participar da cimeira, um evento da agenda diplomática bilateral, Temer deveria ter encontros privados com o primeiro-ministro António Costa e com o presidente Marcelo Rebelo de Sousa. A suspensão da viagem, que segundo o Planalto será remarcada, desconcertou a diplomacia portuguesa, que já investira muito trabalho no encontro. No Brasil, prevalece a explicação de que tudo se deve ao intenso trabalho de articulação política que Temer terá que fazer com vistas à votação da reforma previdenciária, prevista para os dias 19 ou 20 de fevereiro. Logo, ele ainda teria tempo de sobra para fazer suas articulações após voltar de Portugal, no próximo final de semana. Uma fonte diplomática portuguesa diz ter apurado que o verdadeiro motivo para a desistência de Temer foi o temor de ser hostilizado na entrega do prêmio. Tanto o premiado, em seu discurso, como a colônia brasileira, que é muito ativa, poderiam protestar contra sua ilegitimidade, contra a crescente dilaceração da democracia no Brasil e contra  a condenação penal e a provável inabilitação eleitoral do ex-presidente Lula, que escandaliza meio mundo lá fora.

Manuel Alegre é um militantes histórico da esquerda portuguesa, que precisou exilar-se na Argélia durante o salazarismo. Na volta, fez  também carreira pelo Partido Socialista, tendo sido candidato à presidência da República em 2006 e 2011. Seus primeiros  livros, "Praça da Canção" (1965) e "O Canto e as Armas" (1967) foram apreendidos pela ditadura salazarista  mas circularam amplamente nos meios intelectuais lusitanos, de forma clandestina.

Alegre também já teve seus poemas musicados. Um dos mais famosos é "Trova do Vento que Passa", que foi cantado por Amália Rodrigues e outros intérpretes.   Seus versos, como boa parte de sua obra, são considerados hinos de resistência ao fascismo e já foram cantados por muitos músicos  portugueses  e mesmo por Maria Betânia, que gravou “Assombrações”, “Trova do Amor Lusíada” e “Senhora do Vento Norte/Senhora Das Tempestades”.

"Mesmo na noite mais triste/ Em tempo de servidão/ Há sempre alguém que resiste/ Há sempre alguém que diz não", diz a “Trova do Vento que Passa”.


A ausência de Temer talvez não evite que a entrega do Prêmio dê lugar a protestos contra a noite triste do Brasil.


TEREZA CRUVINEL. Colunista do 247, Tereza Cruvinel é uma das mais respeitadas jornalistas políticas do País

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Nº 23.297 - "A modesta propriedade do Huck em Angra"

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29/01/2018


A modesta propriedade do Huck em Angra


E o iatinho do candidato do FHC?


Do Conversa Afiada - publicado 28/01/2018

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O caderno "Cotidiano" da Fel-lha deste domingo 28/I traz reportagem sobre a chamada "Costa Verde" - região de iates, campos de golfe e condomínios de luxo entre o litoral sul do estado do Rio e o litoral norte de São Paulo.
A faixa incorpora cidades como Ubatuba, São Sebastião e Caraguatatuba, em São Paulo e, no Rio, Mangaratiba, Paraty e Angra dos Reis.
(Paraty, aliás, é onde fica o famoso triplex da Globo, devidamente escrachado pela Mídia Ninja.)
Em uma das praias de Angra voltadas à classe A, a Praia do Frade, os condomínios possuem um heliponto próprio à disposição. Um dos empreendimentos possui mansões avaliadas entre R$ 2,5 milhões a R$ 15 milhões.

Engarrafamento típico na Praia do Frade (Créditos: Magna Áqua)
A reportagem, entretanto, traz uma informação mais interessante que a "farofa chique" dos milionários:
"(...) os olhares se concentram no barco de Luciano Huck.

O iate do apresentador da Globo ficou pronto há pouco mais de um ano, quando foi avaliado em R$ 30 milhões. São quatro andares, quatro suítes e duas cozinhas.

Huck tinha uma casa ladeada por bangalôs na Ilha das Palmeiras, em Angra, mas a vendeu em 2013 para Joesley Batista, dono da JBS.

Preso desde setembro do ano passado, Joesley colocou a mansão praiana à venda no final de 2017, mas ainda não conseguiu fechar negócio."
A mansão na Ilha das Palmeiras é aquela que causou uma multa de R$ 40 mil a Luciano Huck. Em 2017, o Ministério Público Federal ordenou que o apresentador retirasse uma espécie de "cerca" feita com boias e redes no mar ao redor da casa, que impedia que barcos não-autorizados se aproximassem da ilha.
Sem autorização ambiental, obviamente.
Huck alegou que a cerca não era uma cerca, mas um aparelho para "exercício futuro de atividade de maricultura" - ou seja, criação de mariscos.

O humilde casebre do pescador... (Reprodução: Skyscraper City)
A mansão foi também uma das maiores favorecidas pelo Decreto 41.921 do estado do Rio de Janeiro - apelidado por ambientalistas de "Lei Luciano Huck". O decreto, editado em agosto de 2009 pelo governador Sérgio Cabral, alterava a legislação ambiental na região da Baía de Ilha Grande, em Angra dos Reis e permitia a milionários realizar obras com graves consequências ambientais, como marinas e até mesmo praias artificiais.
À época, Huck era representado pelo escritório de direito do qual é sócia a primeira-dama do Rio, Adriana Ancelmo Cabral.

Créditos: Robson Ventura/Folhapress
Em tempo: será que a venda da casa a Joesley foi celebrada no mesmo dia daquela foto que o Huck apagou do Instagram?
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Nº 23.296 - "O vídeo de Melenchon em defesa de Lula, legendado"

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29/01/2018

O vídeo de Melenchon em defesa de Lula, legendado


Do Cafezinho - 29/01/2018 Escrito por Miguel do Rosário, Postado em Redação


Um internauta me enviou o vídeo legendado da fala do líder político francês, Jean-Luc Melenchon, que denuncia a sordidez judicial no Brasil contra Lula. Melenchon é muito claro em sua defesa do ex-presidente, afastando peremptoriamente qualquer suspeita que se possa ter contra o petista. E conclama franceses do campo progressista a se alinharam em defesa de Lula.

Melenchon é o político mais popular entre a juventude francesa, à maneira de Jeremy Corbyn (líder do Partido Trabalhista) no Reino Unido e Bernie Sanders nos EUA.

Ele ficou em quarto lugar no primeiro turno das eleições francesas, mas um quarto lugar praticamente empatado com o segundo e terceiro lugares. Teve 7 milhões de votos, ou 20% do total. Entre os jovens com menos de 25 anos, Melenchon ficou em primeiro lugar no 1º turno, com 30% dos votos, muito à frente do segundo lugar.

A tradução usada pelo internauta é de Patricia Vauquier (revisada pelo Cafezinho).

Abaixo, o vídeo:


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Nº 23.295 - José Dirceu, o novo 'sem teto” da praça' "

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29/01/2018


José Dirceu, o novo “sem teto” da praça



Blog do Esmael - 29 de janeiro de2018 



 O ex-ministro José Dirceu é o mais novo sem teto na praça, pois o juiz Sérgio Moro confiscou quatro imóveis do petista para leilão.

Ao determinar o confisco, Moro afirmou que ‘nenhum dos imóveis é utilizado atualmente como moradia’ pelo ex-ministro.

Dirceu, por sua vez, disse que o magistrado age com abuso de poder.

“A antecipação da alienação faz parte da nova cultura de parte da magistratura que tem optado por não aguardar o trânsito em julgado para o cumprimento da pena. A pergunta que fica é: e se José Dirceu for absolvido pelos tribunais superiores, quer será o responsável por esses atos?"

Segundo o Estadão, serão mandados a leilão o imóvel sede da JD Assessoria, empresa de consultoria do ex-ministro, em São Paulo, um imóvel em nome da filha de Dirceu, também na capital paulista, uma chácara ‘em nome da TGS Consultoria, mas de propriedade de fato de José Dirceu’ em Vinhedo, interior paulista, e uma casa em Passa Quatro – cidade onde morava a mãe do petista -, em Minas Gerais.

“Intimem-se Ministério Público Federal, assistente de acusação e defesas. Presentes as datas dos leilões, intimem-se novamente”, ordenou o juiz da Lava Jato.

O confisco determinado pelo juiz da lava jato soou como resposta ao vídeo publicado hoje pelo ex-ministro.

Entre os petistas, especula-se nova prisão de José Dirceu por ordem de Moro.


Assista ao vídeo:

Nº 23.294 - "Provas em perigo: Globo, Lava Jato e Odebrecht soltam “vacina” depois de áudio-bomba revelado pelo Duplo Expresso"

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29/01/2018

Provas em perigo: Globo, Lava Jato e Odebrecht soltam “vacina” depois de áudio-bomba revelado pelo Duplo Expresso

Há exatamente uma semana o Duplo Expresso publicava, com exclusividade, uma edição de 30min de parte das entrevistas gravadas com fonte de dentro da Odebrecht revelando a farsa que é a “investigação” – combinada – que a empresa “sofre” por parte da Lava Jato.
De lá para cá, silêncio na rede. Não se enganem, contudo: todos o viram – e ouviram. Talvez em demasia, até: o número de acessos daquele artigo supera, com folga, a soma de todos os demais do mês de janeiro. O vídeo foi replicado por diversos outros canais no YouTube e no Facebook, de forma que o alcance total nos é desconhecido. Na sequência, publicamos ainda a transcrição do áudio, possibilitando uma difusão ainda maior do conteúdo.
De lá para cá, todos testemunhamos um ponto de não retorno na dramática cena política brasileira: a confirmação, arbitrária, da condenação do Presidente Lula pelos três desembargadores do TRF-4. Pior: fizeram-no com votos combinados, a indicar colusão persecutória com finalidade política clara – a cassação dos seus direitos políticos com vistas às eleições de outubro próximo. Os desdobramentos dessa jogada, ousada, dos articuladores do golpe “juristocrático” – por enquanto ainda um blefe – restam uma incógnita. Para todos.
O que é certo, contudo, é a vontade das bases sociais do lulismo de lutar com afinco pelo seu país. E isso se confunde, neste momento, com lutar pelo Presidente Lula. E, por consequência, lutar contra a Lava Jato. Por isso, urge dar sequência à pauta do áudio, conteúdo que mais desmoralizou o “método” Lava Jato desde as revelações de Tacla Durán. Aliás, os dois complementam-se e corroboram-se entre si.
Surpreende que, uma semana depois, quem venha a “repercutir”as revelações do áudio-bomba – por meios tortos e indiretos – seja a trinca Globo/ Lava Jato/ Odebrecht. Todas elas agindo na vã tentativa de plantar uma “vacina” para as “lacunas” – mais que deliberadas – na “investigação” (tudo entre aspas mesmo).
O tal procurador Carlos Fernando dos Santos Lima sai-se com uma candidata – desde já franca-favorita – a maior piada de 2018:
Segundo Carlos Fernando, como não foi possível verificar os dados com os pendrives entregues pela empreiteira, as circunstâncias em que outros pendrives de acesso ao mesmo sistema foram destruídos ou apagados estão “sob investigação”. Ele admite que esta é uma situação delicada, em função do direito constitucional de qualquer investigado de “não se autoincriminar”.
Há suspeita de que dados dos dispositivos tenham sido subscritos — isto é, apagados e reescritos. Nem Odebrecht, nem MPF testaram os tokens no momento de entrega dos dados à Lava-Jato.
É isso mesmo: não pode acessar o conteúdo de mídias recebidas dos “colaboradores” porque não forneceram a senha! Que sequer lhes foi pedida quando da entrega! Mais: para “justificar” (!), ainda assim, a manutenção dos benefícios comprados pela Odebrecht, o procurador invoca o direito constitucional de que ninguém será obrigado a produzir prova contra si!
Ora, senhor procurador! Isso não existe para quem faz acordo de delação/ leniência! A obrigação é justamente a oposta: revelar tudo o que se sabe. A consequência para o incumprimento é clara: a perda dos benefícios!
Bem compreendemos o melindre do procurador, contudo: “difícil” aplicar tal sanção quando a Odebrecht e seus delatores pagaram tão bem a advogados “parceiros” dos procuradores – os membros da infame “panelinha de Curitiba”, não é mesmo?
Pagaram milhões pelos benefícios e agora – expostos – não os levarão?
Fosse o caso, correr-se-ia o risco de algum deles – afinal são 77! – dar com a língua nos dentes a respeito da sucessão de simulações e ocultações na “investigação”, certo?
Imagine-se se algum, como retaliação, resolvesse ir além e fazer alusão, a exemplo de Tacla Durán, a triangulações no pagamento – áurico! – auferidos pelos advogados da “panelinha”/ membros da própria “Força Tarefa”:
– Impossível correr tal risco, não é verdade, Carlos Fernando?
Álibi – resta apenas fazer menção protocolar, genérica, que não será em hipótese alguma levada a cabo:
O procurador admite que o caso pode ter repercussão nos benefícios concedidos à empresa. Mesmo posicionamento da cúpula da PF em Curitiba, que aguarda o desdobramento do episódio. O escritório de advocacia que monitora internamente o programa de compliance da Odebrecht apura, também, o caso.
O cunhado, o “intocável” – no texto plantado no Globo, nem menção ao cunhado de Marcelo Odebrecht, Maurício Ferro, faltou. Como vimos dizendo no Duplo Expresso, foi ele o responsável pela operação de desmanche do setor de propinas. “Estranhamente”, sequer foi indiciado – ou mesmo ouvido! – por Sergio Moro e procuradores!
O GLOBO apurou que em reuniões preliminares à assinatura do acordo, representantes da Odebrecht informaram que outros pendrives de acesso ao Mywebday teriam sido destruídos. O responsável por explicar como isso aconteceu foi Maurício Ferro, então diretor jurídico da empresa, nos meses que antecederam a prisão do então presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht. O mesmo Marcelo disse, em depoimento à Polícia Federal, que Ferro é o único que poderia dar mais informações sobre os tokens. O diretor não figura na lista dos que fizeram acordo com a força-tarefa.
Segurem-se, senhores, que o melhor ainda está por vir: na – agora revelada – ausência das planilhas originais do tal programa Mywebday, os procuradores querem vender ao público ignaro como “prova equivalente” mensagens trocadas numa espécie de “whatsapp” da intranet da Odebrecht – o tal aplicativo “Drousys”:
Nas investigações em curso, o MPF tem usado informações de outro sistema paralelo, também entregue pela Odebrecht: o Drousys. Este sistema era usado para comunicação entre funcionários do departamento e o mundo externo, isto é, operadores financeiros — como doleiros e controladores de contas mantidas no exterior.
O Drousys traz dados semelhantes aos disponibilizados pelo Mywebday, mas com algumas lacunas de informação. Quando fechou o acordo com a Odebrecht, o MPF esperava ter acesso aos dois sistemas — para conseguir cruzar dados de fontes distintas e corroborar informações de depoimentos dos 77 colaboradores.
Ou seja, eis, abaixo, exemplo do tipo de “prova irrefutável” com que trabalha a Lava Jato. No caso, prova de crime – hediondo – cometido pela “quadrilha” do Duplo Expresso:
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A íntegra da “matéria” (sic) do Globo:
Chaves para abrir segredos da Odebrecht estão perdidas
POR THIAGO HERDY
29/01/2018 4:30 / atualizado 29/01/2018 13:55
Investigadores podem jamais ter acesso a um dos sistemas de propinas da empreiteira
SÃO PAULO – Passado mais de um ano desde a assinatura do acordo de leniência da Odebrecht, o Ministério Público Federal (MPF) corre o risco de jamais acessar o Mywebday, um dos dois sistemas usados por funcionários do setor de Operações Estruturadas da Odebrecht — mais conhecido como setor de propina da empreiteira — para organizar pagamentos ilegais a políticos.
Cinco discos rígidos com cópia de dados do software foram entregues há quase seis meses aos investigadores, em atendimento ao acordo assinado com a empresa. Juntos, foram entregues dois pendrives que, em tese, permitiriam o acesos aos dados. Mas, até hoje, nem MPF nem Polícia Federal conseguiram navegar no sistema.
— O sistema está criptografado com duas chaves perdidas, não houve meio de recuperar. Nem sei se haverá. Não houve qualquer avanço nisso — admite um dos coordenadores da Lava-Jato em Curitiba, Carlos Fernando dos Santos.
O Mywebday era o sistema de comunicação usado por funcionários do setor de propina para controlar e organizar os pagamentos a agentes públicos. O programa detalhava, em códigos, desde o nome do executivo responsável pelo pedido de pagamento ilegal e o propósito do pagamento, até a cidade onde ele ocorreu, o destinatário de valores e o doleiro usado para viabilizar o repasse.
Nas investigações em curso, o MPF tem usado informações de outro sistema paralelo, também entregue pela Odebrecht: o Drousys. Este sistema era usado para comunicação entre funcionários do departamento e o mundo externo, isto é, operadores financeiros — como doleiros e controladores de contas mantidas no exterior.
O Drousys traz dados semelhantes aos disponibilizados pelo Mywebday, mas com algumas lacunas de informação. Quando fechou o acordo com a Odebrecht, o MPF esperava ter acesso aos dois sistemas — para conseguir cruzar dados de fontes distintas e corroborar informações de depoimentos dos 77 colaboradores.
Segundo Carlos Fernando, como não foi possível verificar os dados com os pendrives entregues pela empreiteira, as circunstâncias em que outros pendrives de acesso ao mesmo sistema foram destruídos ou apagados estão “sob investigação”. Ele admite que esta é uma situação delicada, em função do direito constitucional de qualquer investigado de “não se autoincriminar”.
O procurador admite que o caso pode ter repercussão nos benefícios concedidos à empresa. Mesmo posicionamento da cúpula da PF em Curitiba, que aguarda o desdobramento do episódio. O escritório de advocacia que monitora internamente o programa de compliance da Odebrecht apura, também, o caso. A empresa diz que sua colaboração com as autoridades é “ampla, detalhada e contínua”e que “todos os fatos estão sendo esclarecidos à Justiça”.
O GLOBO apurou que em reuniões preliminares à assinatura do acordo, representantes da Odebrecht informaram que outros pendrives de acesso ao Mywebday teriam sido destruídos. O responsável por explicar como isso aconteceu foi Maurício Ferro, então diretor jurídico da empresa, nos meses que antecederam a prisão do então presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht. O mesmo Marcelo disse, em depoimento à Polícia Federal, que Ferro é o único que poderia dar mais informações sobre os tokens. O diretor não figura na lista dos que fizeram acordo com a força-tarefa.
Os pendrives entregues pela empreiteira, em agosto do ano passado, pertenciam a dois funcionários do setor de propina e colaboradores da Lava-Jato: Luiz Eduardo da Rocha Soares e Ângela Palmeira Ferreira. Para funcionar, eles tinham que ser colocados no computador junto com uma senha.
Os dispositivos foram submetidos a perícia nos últimos meses, bem como outros que foram encontrados durante ações de busca e apreensão em endereços da empresa. Há suspeita de que dados dos dispositivos tenham sido subscritos — isto é, apagados e reescritos. Nem Odebrecht, nem MPF testaram os tokens no momento de entrega dos dados à Lava-Jato.
Por meio de nota, a Odebrecht admitiu não dispor “de credenciais de acesso aos dados cifrados” do Mywebday, mas disse ter colocado à disposição das autoridades todas as informações de que dispunha, “inclusive mais de 30 mil arquivos” do próprio sistema.
Apesar de ter entregue em agosto cópia do Mywebday extraída de servidor na Suíça, a empresa afirma que o sistema encontra-se atualmente “apreendido, custodiado e gerenciado pelas autoridades” daquele país.
“A determinação da Odebrecht é não deixar dúvidas sobre os atos que praticou e sobre a responsabilidade de todos os envolvidos. É por isso que a colaboração da empresa está resultando em desdobramento de investigações e ações judiciais no Brasil e em diversos países”, escreveu a empresa em nota oficial.
A Odebrecht afirma ainda que seu compromisso “é com a verdade e com o aprimoramento de práticas empresariais que combatam qualquer forma de corrupção e coloquem a empresa em nova trajetória de crescimento, com ética, integridade e transparência”.

Nº 23.293 - Requião: “Condenaram o Brasil, não apenas Lula”

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28/01/2018


Requião: “Condenaram o Brasil, não apenas Lula”

Blog do Esmael - 29 de Janeiro de 2018 


O senador Roberto Requião (MDB-PR) publicou um novo vídeo esta segunda-feira (29), nas redes sociais, denunciando a “ditadura legal” disfarçada de democracia. “Não foi Lula o condenado, mas o Brasil”, sentenciou.

“Condenaram o Brasil, não apenas Lula. Representa a completa redenção ao capital financeiro que escraviza o Brasil há décadas. Lula continua sendo a grande esperança de libertação do país.”

Para o parlamentar, houve compra de votos no Congresso e de publicidade nas televisões com o intuito de agredir os trabalhadores.

“É um governo voltado para interesses pessoais e seus operadores”, disse.

Requião afirmou que o golpismo visa o fim da soberania e do Estado Social.

O senador disse ainda que tem alguma esperança de que o Supremo, por não ser corporativo, possa por fim à perseguição política a Lula visando a participação do petista na eleição presidencial deste ano.


Assista ao vídeo:

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Nº 23.292 - "Profetas da moralidade só trouxeram um Messias: o Jair"

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23/01/2018


Profetas da moralidade só trouxeram um Messias: o Jair


Do Tijolaço · 29/01/2018



odebnada



Por FERNANDO BRITO

A Folha noticia que a “delação do fim do mundo” – em que a Odebrecht apresentaria, pelas bocas coordenadas de 80 de seus dirigentes – a lista de centenas de políticos beneficiados com recursos da empreiteira só rendeu, um ano depois de homologada às pressas por Cármem Lúcia, mal havia baixado à sepultura o corpo de seu antigo relator, Teori Zavascki, apenas um preso, vários arquivamentos e a conclusão de apenas 6% dos 83 inquéritos abertos.

Nada de espantar, porque desde maio, todo o foco da mídia e do Judiciário se voltou para apenas duas questões: o caso JBS e Lula.

Além do mais, a delação da Odebrecht, um enorme plano empresarial para salvar o império, que está sendo fracionado para a venda, ainda trazia o risco de atingir alvos indesejáveis e afastar o noticiário do projeto essencial: afastar Lula da eleição presidencial.

Neste campo, a delação da Odebrecht “rendeu”: logo veremos Sérgio Moro espalhar-se sobre um terreno do Instituto Lula que não é, nem nunca foi, do Instituto Lula. Tal como no caso do Guarujá, isso não vem ao caso, basta a convicção da intenção de oferecê-lo.

E assim vamos sendo entregues, indefesos, com as mãos amarradas pela histeria moralista, à turba fascista a quem os nossos juízes e promotores escancararam os portões do inferno e os convidaram a entrar, para livrar o Brasil dos “indesejáveis”.


Afinal, o Messias que nos trouxeram era só o que o tem como nome do meio: Jair Messias Bolsonaro.

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Nº 23.291 - "Denúncia da Odebrecht... não vem ao caso!"

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29/01/2018


Denúncia da Odebrecht... não vem ao caso!


Serra Careca, Eunício Índio e Rodrigo Botafogo morrem de rir dos desembagrinhos... 


Do Conversa Afiada - publicado 29/01/2018




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S





















Saiu na Fel-lha, de Rubens Valente e Reynaldo Turollo Jr:
"Delação da Odebrecht gera poucos resultados em um ano"
"Inquéritos abertos na 'lista Fachin' originaram só uma denúncia na PGR" - a do Romero essa porra Jucá.
Recentemente a Procuradora Geral que visita o Presidente da República Federativa da Cloaca na calada da noite, fora da agenda, pediu o indulto do maior dos ladrões.
Dois dos investigados por conta da Odebrecht - Eunício Índio e Rodrigo Botafogo Maia (que assaltou a Odebrecht em nome do pai) - não foram sequer importunados pela Justissa!
Portanto, o Lula vai em cana, será algemado para o jornal nacional e o Eunício, o Serra, o Aécio, Aloysio e o Rodrigo Maia continuarão no Congresso e acham os desembagrinhos do TRF-4 muito divertidos!
Quá, quá, quá!
PHA
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Nº 23.290 - "Julgamento de Lula foi uma farsa, um ‘reality show’ orquestrado, diz Werner Bec"ker

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29/01/2018

Julgamento de Lula foi uma farsa, um ‘reality show’ orquestrado, diz Werner Becker

Jornal GGN - SEG, 29/01/2018 - 10:04 ATUALIZADO EM 29/01/2018 - 10:22


Werner Becker: No dia 24 de janeiro tivemos uma sessão de “reality show” no TRF4, onde ficou bem estampada a farsa. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)



do Sul21

por Marco Weissheimer

Em uma entrevista concedida ao Sul21 em março de 2016, o advogado Werner Becker advertiu que o país estava vivendo então um clima muito parecido com o que antecedeu o do golpe de 1964, que derrubou o governo João Goulart. “Ouço gente dizendo que desta vez não vai ser assim. Em 64 também se dizia ‘desta vez não vai ser assim’”, afirmou na época. Quase dois anos depois, Werner Becker concedeu nova entrevista ao Sul21, lembrando o que disse em 2016: “Não quero ser profeta do acontecido, mas há dois anos, em uma entrevista que concedi para vocês, previ tudo isso que está acontecendo agora. E ainda vem muita coisa por aí”.

Nome histórico da resistência contra a ditadura, Werner Becker defendeu dezenas de presos políticos nos tribunais militares e militou pela redemocratização do Brasil. No último dia 24 de janeiro, ele assistiu todo o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Tribunal Regional Federal da 4a. Região. E não gostou nada do que viu: “No dia 24 de janeiro tivemos uma sessão de “reality show” no TRF4, onde ficou bem estampada a farsa. Houve a montagem de um espetáculo, orquestrado com absoluta antecedência. Ouvindo todos os votos, como eu fiz questão de ouvir, fica muito clara a farsa e a hipocrisia”.

Citando Marx, o advogado diz que o julgamento foi mais um capítulo do golpe em curso no Brasil. “Estamos repetindo agora, como farsa, a tragédia de 64. Lula vai ser preso, Aécio fica no Senado e o Temer na presidência da República. Ainda vem mais coisa por aí. Lembre-se que, depois de 64, veio 68 e 69, veio o AI-5. Na época, ninguém achava que aconteceria o que aconteceu. Agora também ninguém achava que eles iriam fazer o impeachment da Dilma e deflagrar o golpe. Ninguém achava que iriam acabar prendendo o Lula. As elites brasileiras não permitem qualquer avanço social. O resultado está aí”.

“Para tentar corrigir seu ato falho, antecipando o voto da turma e, portanto, do vogal, ele (Paulsen) disse expressamente que estava usando o plural majestático”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Sul21: Qual sua avaliação sobre o julgamento do ex-presidente Lula no Tribunal Regional Federal da 4a. Região?

Werner Becker: Eu digo, em primeiro lugar, que o golpe prossegue. Estamos repetindo 1964. Lembro uma frase das mais conhecidas de Marx: a história acontece como drama e se repete como farsa. No dia 24 de janeiro tivemos uma sessão de “reality show” no TRF4, onde ficou bem estampada a farsa. Houve a montagem de um espetáculo, orquestrado com absoluta antecedência. Ouvindo todos os votos, como eu fiz questão de ouvir, fica muito clara a farsa e a hipocrisia. O desembargador Victor Laus, no último voto, diz que deixou de fazer o voto por escrito porque queria expungir dúvidas para tomar a sua decisão. Não é verdade. O revisor presidente já tinha antecipado o voto de toda a turma no seu voto.

Sul21: Está falando do desembargador Leandro Paulsen?

Werner Becker: Sua majestade Leandro Paulsen já tinha antecipado quando, no final de seu voto, falou em nome da turma, antecipando a condenação. Para tentar corrigir seu ato falho, antecipando o voto da turma e, portanto, do vogal, ele disse expressamente que estava usando o plural majestático. É ridículo se não fosse triste. O desembargador confundiu a cadeira de presidente com um trono e a toga com um manto real. Tenho cinqüenta anos de advocacia e nunca vi ninguém dizer que estava se expressando no plural majestático. É que o arbítrio vai crescendo e subindo para as cabeças e as pessoas do arbítrio começam a se sentir absolutamente impunes, como sua majestade, sentada na cadeira de presidente. Ele deixou de lado e desprezou as normas fundamentais mais conhecidas do Direito Processual Penal. Com uma arrogância majestática fez um relambório oral de platitudes recitadas com sisudez, no reality show que foi o julgamento. Outra pérola desse reality show foi proferida pelo desembargador Laus, para quem, se Lula está sendo julgado, alguma coisa ele fez.

O importante a destacar é que essa farsa que aconteceu no TRF4 é mais uma etapa do golpe. Ainda vem mais coisa por aí. Não quero ser profeta do acontecido, mas há dois anos, em uma entrevista que concedi para vocês, previ tudo isso que está acontecendo agora.

Sul21: Naquela ocasião, o senhor disse que estávamos vivendo um clima muito parecido com o do período que antecedeu o golpe de 64…

Werner Becker: Estamos repetindo agora, como farsa, a tragédia de 64. Lula vai ser preso, Aécio fica no Senado e o Temer na presidência da República.

Sul21: O senhor acha que Lula será preso?

Werner Becker: Pretendem, né? A decisão do dia 24 foi a de prisão. Os próximos acontecimentos, fatos e pressões do movimento social podem até evitá-la, mas essa é a pretensão do golpe: a prisão e o afastamento de Lula, não só do momento atual como da história política da República. É o que penso. Por isso tomei a liberdade de mandar uma carta aberta à sua majestade Leandro Paulsen para que ao menos tenha um surto de humildade e, como eu escrevi, vá no próximo carnaval para a avenida do bom senso e diga: afinal, que rei sou eu?

Sul21: Em 1964, o Judiciário também teve um papel importante na consolidação do golpe contra o governo constitucional de João Goulart. Que comparação é possível fazer com a atuação do Judiciário hoje?

Werner Becker: Em 64, os militares, para evitar a hipocrisia e a farsa, avocaram para si, para a Justiça Militar, o julgamento dos chamados subversivos. Como agora o momento é de farsa, elegeram o poder togado como executor da política golpista. Evidentemente é uma política golpista. Eles nem estão preocupados com a Reforma da Previdência. Eles já conseguiram reformar a CLT e retirar direitos e prerrogativas dos trabalhadores. Era isso o que queriam, o resto é pano de fundo.

Sul21: A Reforma da Previdência, se vier, é lucro, em todos os sentidos…

Werner Becker: Isso. Se vier é lucro. Vivemos hoje um processo de difamação das lideranças populares. Tentaram fazer isso em 64 com o Brizola, mas a imagem dele permanece hoje como objeto de admiração popular. Certamente isso vai acontecer com o Lula também. A história pode ter retrocessos mas, no longo prazo, ela acaba indo para frente. É mais um golpe que o Brasil está vivendo. Já estou acostumado a viver com eles. Só que, agora, ele se repete como farsa e como ridículo.
“A imaginação deles é cada vez maior. Lembre-se que, depois de 64, veio 68 e 69, veio o AI-5. Na época, ninguém achava que aconteceria o que aconteceu”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

Sul21: Como o senhor avalia a capacidade de resistência a esse golpe?

Werner Becker: Não sei avaliar direito. Os meios de comunicação evoluem cada vez mais e são mais insidiosos. Pode durar anos ou décadas. Neste momento, não estou sentindo uma mobilização popular que me deixe otimista. Mas ainda tem tempo para isso e ainda existem restos de indignação para resistir. Confio que, ao menos, possamos impedir o pior.

Sul21: O que seria o pior?

Werner Becker: Não sei exatamente. A imaginação deles é cada vez maior. Lembre-se que, depois de 64, veio 68 e 69, veio o AI-5. Na época, ninguém achava que aconteceria o que aconteceu. Agora também ninguém achava que eles iriam fazer o impeachment da Dilma e deflagrar o golpe. Ninguém achava que iriam acabar prendendo o Lula. As elites brasileiras não permitem qualquer avanço social. O resultado está aí. É importante, neste momento, que aqueles que se achavam triunfantes em definitivo façam sua autocrítica. A luta não tinha terminado com a chegada ao governo. O PT chegou ao governo mas nunca chegou ao poder. A prova é que teve que fazer os acordos que fez com gente como Temer, Collor, Maluf e outros desta elite podre brasileira. Chegar ao governo não quer dizer chegar ao poder. Ao chegarem ao governo, esqueceram que isso era apenas uma etapa para chegar ao poder.

Sul21: O senhor foi advogado de presos políticos na ditadura e hoje já está se pronunciando de novo contra o que considera ser arbitrariedades e irregularidades cometidas pelo Judiciário. Outros advogados estão fazendo isso também. O que pode ser feito neste terreno?

Werner Becker: Há uma questão importante que quero deixar assinalada aqui. Eu não estou nem discutindo a decisão judicial do dia 24 de janeiro. O que eu estou apontando é a farsa e a hipocrisia que marcou esse julgamento. Foi mais uma etapa do processo do golpe que agora se repete como farsa. Aqueles que participaram daquela farsa no TRF4 podiam, ao menos, ter o senso de ridículo.

Sul21: Considerando o papel desempenhado pelo Judiciário em 1964 e hoje, o que se pode dizer sobre a evolução da Justiça e do Direito no Brasil?

Werner Becker: Houve alguns avanços que o golpe de 2016 está fazendo retroagir. Por eles, nós vamos voltar a 64 e, se for possível, um pouco antes. Alguns, inclusive, querem voltar ao período da escravidão. Não estou exagerando. Basta ver o decreto presidencial que tentava restabelecer a escravidão no Brasil. Não sou eu que digo, o próprio Supremo Tribunal Federal se manifestou dizendo que escravidão, não.

Sul21: Na sua avaliação, em que medida o Supremo tem espaço e capacidade, hoje, para deter esse processo do golpe?

“Eu espero que o Supremo tenha, ao menos, mais recato”. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

 Werner Becker: Eu espero que o Supremo tenha mais recato. O Supremo tem que explicar, por exemplo, que história é essa de dizer que se enganaram e distribuíram a questão da filha do Roberto Jeferson para o Gilmar Mendes? Que engano é este? Está bem claro que a atribuição regimental era da presidente. Não se deu nenhuma explicação. Quem é que se enganou? Como é que se enganou? Por que se enganou? Ficou tudo por isso mesmo. Eles têm que explicar como são feitos os sorteios e como as questões que mais interessam caem todas na mão do Gilmar (Mendes). Quais são as balizas deste sorteio? Ninguém sabe. O Supremo tem uma história no Brasil e se espera que ele zele para que as coisas, ao menos, transcorram com mais pudor.

Sul21: O senhor tem medo do que pode vir pela frente?

Werner Becker: Claro que tenho medo. Só um irresponsável não tem medo da força e do que são capazes de fazer as elites brasileiras contra quem contraria algum de seus interesses. Mas quero repetir Vinícius de Moraes, no poema ‘A morte de madrugada’, em homenagem a Garcia Lorca: eu sei que ele teve medo, mas sei que não foi covarde. Todos nós devemos ter medo, mas não podemos nos acovardar.

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