segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Contraponto 14.672 - "Acabou o veloriomício. Bláblá é o que é: falsa-tucana"


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01/09/2014

Acabou o veloriomício. Bláblá é o que é:
falsa-tucana


FHC já enterrou o Aécio. Já, já enterra a Bláblá. (O Cerra e o Alckmin sabem …) 


Do Conversa Afiada - 001/09/2014





O debate no SBT revelou uma Dilma mais segura, mais afirmativa.

E foi pra cima da Bláblárina.

Fez  primeira pergunta: de onde a Blabla ia tirar dinheiro para realizar tantos programas que custam
R$ 140 bilhões.

Ainda mais que no extenso e sempre revisto programa dela há uma única e solitária linha referente ao pré-sal.

Da mesma forma, o candidato Arrocho Neves não se refere ao pré-sal.

Agora, como com os gays, a Blabla recua.

E diz que vai fazer do pré-sal o que a Dima e o Lula já fizeram: destinar os royalties à Educação e à Saúde.

Dilma tem razão quando diz que Blablá e seus ideólogos satanizam o petróleo.

Dilma demonstrou que não há incompatibilidade entre explorar o pré-sal e produzir energia eólica.

Aliás, o Brasil se prepara para ser o segundo maior produtor de energia eólica do mundo.

Blablá rasgou a fantasia e mostrou o que é: clone de tucano, genérico de tucano, fã do Fernando Henrique !

Dilma lembrou que não existe “escolher os bons”: tem que ter lado !

E a Bláblá tem lado: a Direita.

Ela quer dar autonomia ao Banco Central da Neca Setúbal e remontar o tripé – clique aqui para ler sobre os idiotas do tripé.

(Sobre os tucanos: Arrocho Neves tem agora a dimensão de um nanico. Luciana Genro e Eduardo Jorge são muito mais presidenciáveis do que ele.)

(Dilma chegou a nocautear Aécio num debate à parte sobre os investimentos federais em Minas …)

No pronunciamento final, Bla’blá retomou a tecla da não-politica – sendo ela a Nova Esperança, “a luz”, como diz o Caetano.

Ainda há tempo para desmontar a barraca do veloriomício.

Pouco a pouco, a Bláblárina se mostra sem consistência: quanto mais fundo se vai no pensamento dela, mais se encontra, inteiro, sólido, o neolibelismo tucano.

FHC já enterrou o Arrocho.

Vai enterrar a Bláblá !

A Dilma terá tempo de mostrar o que fez e o que fará.

Ao lado do Lula, com mais Lula e mais política.


Em tempo:
e o jatinho sem dono ? O PT vai agasalhar ?
Paulo Henrique Amorim


Clique aqui para ler “Bláblá esconde quem a contrata”
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Contraponto 14.672 - "Marina sai menor de debate dominado por juros; Aécio em saia justa"

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01/09/2014

 

Marina sai menor de debate dominado por juros; Aécio em saia justa

 

Do Viomundo - publicado em 1 de setembro de 2014 às 20:19


dilma e aécio
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No SBT, ambos avançaram

por Luiz Carlos Azenha

O fato de que os juros bancários e o papel dos banqueiros na economia brasileira dominaram boa parte das falas dos sete candidatos no debate do SBT fez com que a candidata socialista, Marina Silva (PSB), saísse dele menor.

O assunto foi tratado, direta ou indiretamente, pelos candidatos Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL), Levy Fidelix (PRTB) e Dilma Rousseff (PT).

Marina, que sempre surfou em sua origem humilde, desta vez teve o nome e o projeto político associados a juros e banqueiros.

Fidelix chegou a nomear duas pessoas próximas a Marina — o empresário Guilherme Leal, da Natura, e a educadora Maria Alice Setubal, a Neca, acionista do banco Itaú — como devedores de impostos à União.

Embora não o tenha feito de forma didática, Dilma criticou a proposta de Marina de dar autonomia ao Banco Central. No governo Dilma a decisão do Banco Central de aumentar ou não os juros é tomada depois de consultas ao mercado. Num eventual governo Marina, o BC teria autonomia para fazê-lo independentemente da população ou de seus representantes eleitos.

Eduardo Jorge teve a melhor apresentação individual no debate, considerando a coerência e a ênfase com que defendeu pontos polêmicos. Por exemplo, creditou a falta de apoio popular a duas de suas propostas — descriminalização das drogas e direito à interrupção da gravidez — à falta de coragem dos políticos de debater o assunto com a população. Explicou bem o domínio dos dez maiores bancos sobre a economia brasileira e prometeu reduzir os juros. Na mesma linha, Luciana Genro afirmou acreditar que Dilma, Marina e Aécio são irmãos siameses, ou seja, representam todos interesses de banqueiros.

O maior confronto se deu entre as candidatas que lideram as pesquisas, com Marina afirmando que Dilma fracassou na economia e esta sugerindo que Marina usa “frases de efeito e frases genéricas”, típicas de campanha eleitoral, mas não sabe governar.

Diferentemente do que aconteceu no debate da Band, no debate do SBT os jornalistas se destacaram por perguntas apropriadas, duras e pertinentes, com destaque para Fernando Rodrigues, Fernando Canzian e Kennedy Alencar.

Alencar, que sugeriu ao candidato do PRTB que ele liderava uma legenda de aluguel, foi chamado por Levy Fidelix de “língua de aluguel” e “língua de trapo”.

Fernando Rodrigues encaixou um direto no rosto do pastor Everaldo (PSC), ao revelar que o candidato já foi acusado de agressão por uma mulher com a qual se relacionou. Ao informar que foi absolvido, o defensor dos “valores da família” acabou admitindo que seu primeiro casamento não deu certo, que tinha mesmo namorado a acusadora mas que agora, sim, estava casado de maneira estável.

Fernando Rodrigues, de forma sagaz, escolheu Aécio Neves para comentar o assunto – o jornalista Juca Kfouri, do UOL, informou em seu blog que o tucano teria cometido, em 2009, uma “covardia” com uma “acompanhante” num evento no Rio. Foi a saia justa da noite. Aécio mudou de assunto.

A frase de efeito que marcou o debate partiu de Luciana Genro, que perguntou a Marina: “Tu és mesmo a segunda via do PSDB?”. Luciana também questionou o fato de Marina ter mudado seu programa de governo, no trecho que defendia o casamento entre pessoas do mesmo sexo, por pressão do pastor Silas Malafaia, ao que a socialista disse que tinha sido um erro “da equipe” responsável pelo processo.

Aécio Neves aproveitou sua fala final, quando já não havia direito de resposta, para alfinetar Marina Silva e dizer que ele, sim, é uma alternativa segura de mudança.

No conjunto da obra, é opinião deste blog que Marina Silva saiu menor que entrou no debate, por dois motivos: entrou no rol dos que defendem os banqueiros e sofreu acusações de que muda de posição de acordo com o vento.

Além disso, perdeu o debate com Dilma quando ambas trataram do pré-sal, especialmente quando a presidente informou que em breve o Brasil será o segundo maior produtor mundial de energia eólica.
Tanto a presidente Dilma quanto Aécio Neves sairam maiores, com o tucano se apresentando melhor que Dilma no geral, embora tenha perdido para a presidente o confronto específico que ambos travaram — sobre investimentos federais em transporte público.


PS do Viomundo: O leitor Ricardo quer saber qual é a minha métrica. Certamente não é a moral, pois nunca me considerei Deus para julgar a moralidade alheia. É apenas e tão somente minha percepção como eleitor e telejornalista com alguma experiência nas costas. Eu sempre achei que as tendências eleitorais levam um tempo para se cristalizar. Nunca subestimei a capacidade do chamado “povão” de decidir. Seria condescendente fazê-lo. Em minha opinião, o eleitor pergunta: vai mudar para melhor ou para pior? Dilma ainda não conseguiu suscitar esta dúvida. Pode ser por incompetência, mas acho que é estratégia de deixar mais para perto da eleição. Pelo menos no SBT, acho que Aécio foi bem mais convincente que Marina como “candidato da mudança”.
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Contraponto 14.671 - "A falta de coragem é o mal do Brasil"


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01/09/2014  

A falta de coragem é o mal do Brasil

 

Tijolaço - 1 de setembro de 2014 | 20:31 Autor: Fernando Brito

sbt

Imaginem se um candidato ou candidata, ou um jornalista, perguntasse hoje, no debate dos presidenciáveis,  com toda a gentileza e urbanidade:

- Candidata Marina Silva: a Folha de S. Paulo divulgou hoje um contrato de compra apócrifo do avião em que a senhora e Eduardo Campos faziam a campanha. A senhora disse que o avião teria sido emprestado à chapa que a senhora integrava como vice. O PSB agora diz que o avião foi doado. A senhora estaria disposta a determinar que, amanhã, que é o dia da segunda prestação de contas à Justiça Eleitoral, o PSB apresente à imprensa todos os contratos, recibos e demais comprovantes desta operação, seja ela de empréstimo ou de doação? Estes e, também, os comprovantes de pagamento dos pilotos, dos abastecimentos, dos hangares onde ficou o avião?
Assim, no más, como dizem os gaúchos.

Sem nenhuma acusação, nenhum juízo prévio, apenas com fatos.

Eu devo ser, de fato, um camarada muito antiquado.

Do tempo em que debate era muito mais que apresentar uma falinha articulada em lugares comuns.
Mas que colocasse os candidatos diante de realidades e de opções.

Vamos falar de quem interessa, porque tirando Eduardo Jorge, que tem mais coragem que coerência, o resto não conta.

Aécio provou que virou um nada, e conseguiu tomar até um direto no queixo de Dilma na questão dos investimentos na mobilidade urbana em Minas.

Marina é uma coleção de evasivas, frases feitas e senso-comum.

E Dilma, preocupada em ser técnica, deixando passar as bolas quicando na sua frente.

Antes que digam que eu sou crítico demais com a candidata do PT, aviso logo: eu sou da escola da polêmica.

Querem um exemplo? Na primeira questão, de Eduardo Jorge, sobre as penitenciárias.


- Eu concordo, Eduardo, as prisões são terríveis. Aqui, a única que conhece uma sou eu, quando a ditadura me prendeu e torturou porque eu lutei paraque a gente pudesse ter isso que nós estamos tendo aqui: o direito de cada um escolher o presidente com o seu voto. Agora, nós  investimos X milhões para os estados ampliarem e melhorarem as penitenciárias. E fizemos as penitenciárias federais, muito seguras e organizadas, tanto que o medo dos grandes bandidos é ir para uma penitenciária federal. Então é isso o que é de responsabilidade de meu governo: presídios federais, de segurança máxima. Lá não tem essa história de bandido controlar o crime de dentro da cela, com telefone celular, não…Agora, me fala, como é que a imprensa e estes candidatos que defendem que menores de idade vão para a mesma cadeia dos graduados do crime. As prisões estão superlotadas mesmo, é verdade, e como é que vão ficar com mais dezenas ou centenas de menores lá dentro. Sabe, Eduardo, a coisa que mais me apavora é a demagogia, dessa gente que fala em crise penitenciária e quer enfiar mais uns 200 mil presos lá dentro…


Mas este modesto blogueiro é antigo e antiquado.

Do tempo em que a gente tinha orgulho de nossas ideias humanistas e da verdade e podia usar toda a sua força cortante.

Não para agredir pessoas, mas para tosquiar as ideias desumanas, hipócritas e conservadoras, deixando com que ficassem peladas na praça.

Mas reconheço que Dilma mudou de postura, foi mais afirmativa e enfrentou.

É um grande passo.

Que será completado quando se entender, finalmente, que o temos muito mais a atacar do que a defender.

O Brasil de hoje não é o nosso Brasil, é o Brasil deles, que apenas conseguimos melhorar um pouquinho.
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Contraponto 14.670 - "Como Marina tenta montar o reverso de Lula"

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 01/09/2014




Antes de entrar no tema, um pedido de desculpas. No artigo “O mito do cavaleiro solitário” atribuí a Marina Silva a condenação das pesquisas com células tronco e o ensino exclusivo do criacionismo nas escolas. Conferindo matérias da época, fica claro que em nenhum momento Marina colocou suas convicções acima da liberdade de pesquisa da ciência.

Agora, ao tema.

O episódio Malafaia é elucidativo para entender dois pontos apontados aqui no Blog, sobre o programa e a candidatura de Marina Silva.

O primeiro, a qualidade do programa original da Rede Sustentabilidade.

Quem acompanha a série que escrevo sobre o Brasil 2015 poderá conferir que a maioria absoluta dos conceitos defendidos – e das críticas que faço à condução das políticas públicas - foi contemplada no Programa do Sustentabilidade..

O segundo, a incapacidade de Marina Silva de minimamente administrar conflitos. E, de certo modo, a falta de fôlego da própria Rede para enfrentar o velho.

Dois episódios demonstram isso.

1. O caso do aprofundamento da democracia participativa, uma das grandes bandeiras atuais. Bastou uma manchete preconceituosa do Estadão para a Rede soltar uma nota informando que os conceitos criticados pelo jornal constavam de um trabalho ainda não aprovado pelos coordenadores do programa. O programa é divulgado e os conceitos continuam lá.

2. O caso LGBT, ou como essa fantástica frente modernizadora, esse centro do mais avançado pensamento das ONGs paulistas, os centuriões da modernização foram botados para correr pelo pastor Silas Malafaia.


Reverso de Lula


Não apenas isso.

No fundo, o programa da Rede Sustentabilidade é um tentativa de reengenharia no modelo lulista.
Lula compôs com o mercado financeiro para viabilizar suas políticas sociais; o programa de Marina pretende compor com os movimentos sociais para viabilizar sua política econômico-financeira.
No período Lula-Dilma, com todas as concessões, o ponto central foram as políticas sociais; no programa da Rede, pelo contrário, é o mercado financeiro (explico logo adiante).
Há agravantes nessa estratégia.

Os tempos são outros, não há crescimento nem espaço fiscal para atender a todas as demandas. O próximo governante terá que administrar a escassez. E aí o programa da Rede não passa no teste de consistência:

1. Os novos tempos exigem o aprofundamento da democracia social e do Estado de bem estar.  Aumenta o custo dos salários e exige um novo desenho econômico para preservar a capacidade da economia em gerar empregos de melhor valor.
2. O novo modelo só se sustenta com um salto na qualidade do emprego e das empresas. Exige uma nova política industrial, casada com planos de inovação, educação, visando garantir a oferta de empregos de maior valor agregado.
3. Definidos os dois passos anteriores, a macroeconomia precisa ser adaptada aos novos tempos. Ou seja, ela é a derivada.  No programa do Sustentabilidade, juros e parte fiscal são o fator dominante.
Para mostrar melhor as incongruências, compararei o programa da Rede com o que está sendo elaborado por um conjunto de especialistas - macroeconomistas, economistas sociais, urbanistas etc - ligados ao chamado novo pensamento desenvolvimentista.


Primeiro movimento: a democracia social


Nos dois casos, há grande semelhança das ideias levantadas - pelo fato de que estão rodando por aí, na cabeça de especialistas, da academia, das ONGs.
Grosso modo, podem ser divididos nos seguintes subtemas:
1. Temas ligados à qualidade de vida.,
2. Temas ligadas ao federalismo.
3. Temas ligados ao aprofundamento da democracia social.
4. Micro-reformas desburocratizantes.

Quase todas as ideias significam melhorias incrementais em relação à dinâmica das políticas sociais já existentes.

É o que explica o belíssimo capítulo do programa da Rede sobre a inclusão de crianças com deficiência na rede escolar, belíssimo nos conceitos mas ignorando uma realidade concreta, uma das mais bem sucedidas políticas públicas do país: 800 mil crianças com deficiência sendo atendidas na rede escolar, com transporte, salas especiais, planos de trabalho individualizados. Ou a proposta de ensino em período integral ignorando que já existem 4 milhões de crianças nessas condições.
Todo esse trabalho foi possível porque tanto o governo Lula como Dilma garantiu espaço no orçamento público. É aí que se dão os grandes embates políticos, com corporações, mercados e grupos sociais querendo, cada qual, seu pedaço do bolo.


Segundo movimento: a reestruturação econômica


Nesse capítulo, a lógica mercadista se apresenta em toda sua exuberância.

O trabalho dos desenvolvimentistas procura identificar novos setores dinâmicos e defender políticas de fortalecimento com uso de política de compras, conteúdo nacional, investimento em inovação, educação, financiamento etc. E o pré-sal é o ponto central dessa reestruturação.

O pré-sal some do programa da Rede. Em relação aos combustíveis fósseis, a única menção é à necessidade de reduzir sua utilização por questões ambientais.

No capítulo energia, o programa perde-se em análises recorrentes sobre o novo modelo elétrico e na defesa sonhática de formas alternativas de energia, como se a energia solar e a eólica pudessem dar conta do recado de garantir energia para as próximas décadas.

Políticas de conteúdo nacional não se limitam meramente a assegurar um percentual de produtos nas compras públicas. São o ponto de partida para programas de capacitação, envolvendo a cadeia produtiva, universidades, atração de tecnologia externa, treinamento, cursos técnicos. São peças essenciais para permitir saltos de qualidade na cadeia produtiva.

O programa da Rede limita-se a aceitar os programas de conteúdo nacional existentes, "desde que com data marcada para terminar". A ideia central continua sendo a de abrir o país para a competição externa, como se a invasão de importados e a queda da indústria decorressem da falta de competição.

Terceiro movimento: a política macroeconômica

 

É aí que se revela amplamente a política econômica da Rede.

Ampliação dos direitos sociais, reestruturação industrial, tudo isso depende de recursos orçamentários.

Um projeto político voltado efetivamente para o aprofundamento da democracia social e para a reestruturação econômica, não poderia conviver com dois vícios recorrentes que comprometem o orçamento público:

1.     A política de metas inflacionarias que cria o pior dos mundos para o orçamento público. Cada aumento da inflação dispara uma alta dos juros que, por sua vez, compromete parcelas cada vez maiores do orçamento público, além de destruir a política cambial.

2.     Para garantir o espaço para a apropriação do orçamento pelos juros, definem-se metas de superávit fiscal incompatíveis com períodos de estagnação econômica.

Não difere do que vem sendo praticado por sucessivos governos, e agravado nos últimos anos pelos problemas de gestão econômica de uma equipe medíocre, mantida pela teimosia de Dilma..
Um upgrade do governo Dilma exigiria uma mudança corajosa nesse modelo do tripé econômico, definindo um combate radical às heranças remanescentes da inflação inercial, substituindo as metas inflacionarias por outras formas de articulação das expectativas e, principalmente, desatrelando a dívida pública da política monetária do Banco Central.

É mais fácil essa mudança ocorrer com Dilma do que com Marina. Dilma abraça o tripé por não dispor de uma equipe com fôlego para propor políticas alternativas. Já no grupo de Marina, o tripé é sagrado.

Conclusão

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O programa é relevante – seria mais não fossem os recuos inacreditáveis – por levantar temas dos novos tempos, conceitos contemporâneos, principalmente partindo de organizações sociais que promovem um arejamento no pensamento anacrônico da chamada elite empresarial.

Mas é evidente que o resultado final não é a ruptura com dogmas que seguram a transição para os novos tempos. Pelo contrário: reforçam a submissão do país a um modelo econômico que se esgotou globalmente.

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Contraponto 14.669 - "Por que a direita teme que Marina seja um novo Jânio"

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01/09/2014

 

Por que a direita teme que Marina seja um novo Jânio


Jânio com Guevara



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Paulo NogueiraA direita teme Marina.

Entre os candidatos fortes, os conservadores ficam, é claro, com Aécio.

Mas entre Marina e Dilma a opção tende a ser por Dilma. Por uma razão básica: eles conhecem Dilma. Sabem o que ela pode fazer e o que não pode fazer. Ela é previsível.

Marina, não.

A direita teme o que ela possa fazer uma vez no Planalto.

E se ela, por exemplo, decide cortar drasticamente as verbas publicitárias do governo federal?
Isso significaria um alto risco para os 600 milhões de reais que, todos os anos, a Globo recebe em verbas publicitárias governamentais.

Num momento em que a internet assola as grandes companhias de mídia, fechar a milionária torneira publicitária de Brasília – ou mesmo reduzir o jorro – seria uma pancada fortíssima. Talvez letal.

Dilma não fará isso. Marina pode fazer. Quer dizer, pelo menos na fantasia paranóica conservadora.
Não à toa, nos últimos dias, a mídia começou a publicar seu medo de Marina.

“Marina presidente é prenúncio de uma crise depois da outra”, disse o Estadão num editorial.
O Globo comparou-a a Jânio Quadros. Jânio, um campeão de votos como Marina, era ele, ele e mais ele. Não se submetia à disciplina de partido nenhum.

A direita, reunida na UDN, que jamais ganhara uma eleição presidencial, achou que o tinha conquistado na sucessão de JK. Apoiou-o e venceu com ele.

Pouco depois, Jânio já estava condecorando Guevara e se indispondo com os cardeais da direita, a começar pelo mais poderoso deles, Carlos Lacerda.

Num episódio de extrema simbologia, Lacerda, então governador do Rio, foi a Brasília para se encontrar com Jânio.

Uma das questões que Lacerda queria discutir era a situação financeira de seu jornal, Tribuna da Imprensa, dirigido pelo filho Sérgio. O jornal estava à beira da quebra, e Lacerda queria uma ajuda do governo.

Lacerda imaginava ficar hospedado no Palácio da Alvorada, com a devida deferência. Deixou lá sua mala, ao chegar a Brasília, e saiu para um compromisso.

Ao voltar, o mordomo do Alvorada o esperava na guarita, com a mala na mão. Foi uma bofetada moral em Lacerda, que jamais perdoaria Jânio.

Este era Jânio, inadministrável.

Os conservadores temem que a história se repita com Marina.

Ao contrário do que muitos possam imaginar, num segundo turno entra Dilma e Marina, a direita torcerá muito provavelmente por Dilma.

É uma boa notícia para Dilma – com a ressalva de que a direita tem dinheiro, mas não tem voto.


Paulo Nogueira. Jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.
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Contraponto 14.669 - "Dilma zangada é garantia de bom desempenho em debates"

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01/09/2014

 

Dilma zangada é garantia de bom desempenho em debates




Eduardo Guimarães 

Dilma é, tão-somente, caloura na política. Jogá-la em um debate com raposas como Aécio Neves ou Marina Silva chega a ser covardia. A inexperiência e o quadro político adverso dificultam ainda mais a vida de quem não está habituado com a cara-de-pau que a política exige.

Políticos, antes de tudo, têm que ser frios. Ser cara-de-pau ajuda muito. Permite a estratégia de Marina Silva, por exemplo, que não diz nada e consegue ser entendida devido às expressões faciais, que anunciam que está dizendo alguma coisa sem que diga absolutamente nada.

A inexperiência em debates e o momento político difícil constituem-se em enorme problema para Dilma; ela sempre começa os debates nervosa. Desta vez, no debate do SBT/UOL, inclusive, reconheceu o nervosismo ao errar nomes daqueles aos quais perguntaria.

Dilma sempre começa os debates gaguejando. Faz pausas intermináveis durante as frases, dando a impressão de que esqueceu o que iria dizer. Mas ela tem um botão anti-pânico e os marqueteiros precisam encontrar uma forma de acioná-lo para que ela se saia bem na oratória tanto em comícios quanto em debates.

Aliás, quem conhece um pouco melhor a história recente de Dilma se lembra da sova que ela deu no demo Agripino Maia no Congresso ao responder a ele sobre por que disse, em uma entrevista, que mentia “muito” aos torturadores da ditadura militar, ponderando que mentir sob tortura é quase uma obrigação.

Dilma, quando indignada, se supera. Não foi diferente no debate do SBT/UOL.

Marina, por exemplo, após fazer uma interpretação escandalosamente pessimista da situação do país, pergunta a Dilma: “O que deu errado em seu governo?”. Dilma, visivelmente indignada, faz aquele ar de impaciência – que chega a ser engraçado – e dispara: “O que deu errado é que tiramos 30 milhões de brasileiros da miséria”.

Bingo! Só os trejeitos da presidente, ao indignar-se, já deixam o adversário constrangido. É a linguagem corporal instintiva.

Mas não é só. Zangada, Dilma não gagueja. As palavras fluem, ganham naturalidade. É outra pessoa, quando provocada.

Com Aécio Neves foi a mesma coisa. Ele disse que o governo federal não manda dinheiro para seu Estado – Minas Gerais, não o Rio de Janeiro, como muitos podem pensar – e Dilma, indignada com a mais do que comprovável mentira, fez o mesmo ar de impaciência e disse que ele, além de ter “memória fraca”, é “desinformado”.

É mais como ela disse do que o que ela disse. Foi engraçado e soou verdadeiro. Zangada, Dilma passa a quem a vê que aquilo é indignação diante de uma mentira.

De resto, foi divertido. Levy Fidelix xingando a mídia e fazendo um discurso inflamado e panfletário como qualquer estudante universitário devido a seu partido ter sido chamado de “legenda de aluguel” pelo jornalista Kennedy Alencar, foi impagável.

Eduardo Jorge dizendo que não tinha nada que ver com a briga dos dois, foi antológico.

O “pastor” Everaldo citando várias vezes “estrupo”, apesar de patético também foi engraçado.
Não dá para esperar mais do que isso em debates nesses moldes, com tantos debatedores. Não será aprofundado tema algum. Nesses debates, a mise-em-scène vale mais do que as palavras. Ninguém presta atenção no que é dito, mas em COMO é dito.

Não se pode afirmar, mas é mais provável que o debate desta segunda-feira não tenha sido vencido por ninguém. Na verdade, entre o primeiro pelotão, talvez Dilma tenha marcado alguns pontos devido às respostas atravessadas a Marina e a Aécio.

Dar respostas atravessadas dificilmente é uma boa tática. A menos que seja na situação particular em que Dilma as deu nesse debate, ou seja, após sofrer o bombardeio de quase todos os candidatos e de ter sido agredida por aqueles aos quais respondeu.

Se os marqueteiros encontrarem uma fórmula para que Dilma já chegue zangada aos debates e comícios, não vai ter para ninguém. E se o que as lendas tucano-midiáticas dizem for mais do que isso, não será preciso muito para zangar a presidente. Tomara que seja verdade.


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PITACO DO ContrapontoPIG


Para Dilma a melhor fórmula é mesmo esta. Bateu, levou. Não bateu, leva também.

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Contraponto 14.668 - " Wanderley Guilherme ao 247: 'Marina é inviável' "

Em sua avaliação, o "fator emocional" dessas eleições, resultado da tragédia que matou o candidato do PSB, Eduardo Campos, e do oportunismo seletivo da mídia, deixou a disputa irracional. Não fossem esses fatos, diz ele, o tucano Aécio Neves, que perdeu a segunda posição para Marina nas pesquisas, se afirmaria como o "representante consistente" da oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff. "E não seria uma carta fora do baralho", avalia.

O cientista político diz que a campanha de Marina Silva "propaga a tese de que os problemas do país decorrem da competição entre o PT e o PSDB, cuja superação pela vitória de uma terceira sigla teria potencial para, por si só, encaminhar de forma benéfica todas as soluções que a competição tradicional impede". Segundo ele, trata-se de um "equívoco de diagnóstico (se é que a candidata e seus assessores acreditam de verdade nele)".

Questionado se lembra de outro pleito em que a mídia teve um comportamento "tão parcial", ele responde: "O jornalismo político brasileiro se aproveita exaustivamente das condições institucionais vigentes. Umas são de extrema relevância para a democracia – a liberdade de opinião e de expressar preferência política, por exemplo – outras deixam os cidadãos desarmados face a crimes catalogados nos códigos mas de julgamento e reparação ineficazes. Esse é um dado a ser levado em conta nos cálculos eleitorais, não para formar hipóteses sobre o que aconteceria caso o mundo fosse diferente. Não se dispôs a alterar as regras antes. Agora é contar com elas".

Leia a íntegra da entrevista em Wanderley Guilherme: "Proposta de Marina é autofágica, inviável"
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Contraponto 14.667 - "O risco-Marina não é econômico. É político."

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01/09/2014

O risco-Marina não é econômico. É político.

  
Teresa Cruvinal - 01/09/2014



O PT seria espancado se pregasse o cesarismo anunciado por Beto Albuquerque.



 por Tereza Cruvinel    

Embora não tenha sido bem clara sobre a natureza de suas preocupações com propostas do programa de governo de Marina Silva, a presidente Dilma indicou que seus temores são relacionados com a economia: a instabilidade, a desindustrialização, a quebra da matriz energética e derivados.

Relativamente à economia, Marina já ajoelhou e beijou a cruz para o mercado. Vem dizendo o que o setor financeiro, a indústria e até o agronegócio querem ouvir, contrariando o próprio discurso recente. Já se comprometeu com o tripé câmbio livre-metas de nflação-superavit, prometeu o BC independente. O risco maior do governo de uma candidata que na prática não tem partido político, está alojada em uma sigla de baixa densidade e expressão e vem se revelando avessa às coalizões, num presidencialismo que não pode prescindir delas, é fundamentalmente político.

Como destaca o Brasil247, o vice de Marina, deputado Beto Albuquerque, fez ontem as declarações mais graves de toda a campanha eleitoral. Se Lula, Dilma ou qualquer candidato petista pregasse algo parecido com o que disse o vice de Marina Silva, Beto Albuquerque, estariam sendo espancados verbalmente e chamados de “populistas”, “chavistas”, “bolivarianistas” e outros “istas” que podem ser resumidos pela categoria “cesarista”: governante que, como os césares de Roma, dispensa a mediação dos partidos e das instituições e procura se entender diretamente com o povo.

Se a “nova política” que Marina e PSB pregam descambar para a “anti-política” anunciada ontem por Beto, estamos feitos: “Depois de eleger Marina, temos de ir para as ruas e dar a ela a cobertura para que possa exigir do Congresso as mudanças necessárias ao país”, disse o companheiro de chapa. Todos os governantes que tentaram peitar o Congresso, desde a monarquia parlamentar de Dom Pedro, deram-se mal. Exceto os ditadores: Vargas no Estado Novo e os militares no pós-64. Washington Luís foi varrido pela Revolução de 30, Jânio renunciou e não voltou, Collor levou o impeachment. Jango, sem maioria parlamentar, foi “tolerado” até o momento em que, no comício da Central, em 13 de março, apelou ao povo para que o ajudasse a aprovar as reformas pressionando o Congresso. Veio o golpe.

A coalizão que apoia Marina, composta basicamente por PSB e PPS, hoje tem 30 deputados: 24 do PSB e seis do PPS. Se as duas bancadas dobrarem de tamanho no pleito do dia 5, pela força do efeito-Marina, serão 60. Ah, “mas eu vou governar com os melhores de cada partido”, tem dito ela, falando especificamente em “melhores do PT e do PSDB”. Indivíduos não formam coalizões nem garantem maiorias. Para chegar aos 257 deputados na Câmara, sem o quê ninguém governa, ela teria que recorrer ao que chama de velha política: fazer alianças, compartilhar o poder, ceder cargos e negociar as políticas a serem votadas. Estará Marina disposta a isso? Beto informa que preferem apelar às ruas para dobrar o Congresso.

O PSDB bem sabe o que significa a falta de estrutura e base política para governar. Mesmo sabendo que ganharia a eleição de 1994 com a força do Real, Fernando Henrique tratou de firmar aliança com o PFL. Estava certo, o PFL foi importante para a sua governabilidade. Agora, boa parte dos tucanos “marinam” discretamente acreditando que o governa lhes cairia no colo. Ainda assim, o PSDB hoje é um partido de 44 deputados. Se dobrar a bancada, uma coligação PSB-PPS-PSDB ainda estará longe da maioria. Os outros teriam que ser coagidos pelas ruas.

Afora o Congresso, a estabilidade política exige capacidade de negociar também com os diferentes segmentos da sociedade civil: empresários, sindicatos, corporações etc. Marina tem dito que quer “ouvir”. Sua mecenas Neca Setúbal diz que ela difere de Dilma porque ouve. Ouvir é uma coisa, negociar e conciliar é outra. Na hora dos confrontos de força e interesse, ela cederá ou chamará o povo?

“Perco o pescoço mas não perco o juízo”, disse Marina quando trombou definitivamente com o Governo Lula, recusando-se a flexibilizar posições do Ministério do Meio Ambiente em relação às licenças para acelerar as obras de construção das hidrelétricas da Amazônia, fundamentais para aumentar a oferta de energia.

Se na Presidência ela repetir e praticar este bordão, estará mesmo arriscando o pescoço. Mas não será só o dela. Será o nosso, o da democracia que os brasileiros vêm construindo, com todos os vícios e virtudes de nosso sistema político, que precisa mesmo de reformas, mas dentro da normalidade institucional, pela via da negociação. Um presidente que sai forte das ruas deve aproveitar o momento em que transpira força e legitimidade para conduzi-la. Fernando Henrique, Lula e Dilma perderam o “timing”, a lua de mel passou, não deram prioridade à reforma política. Depois já era tarde. Mas o que Beto Albuquerque anuncia é outra coisa. É o cesarismo, com qualquer nome contemporâneo que se queira lhe dar.


Tereza Cruvinel atua no jornalismo político desde 1980, com passagem por diferentes veículos. Entre 1986 e 2007, assinou a coluna “Panorama Político”, no Jornal O Globo, e foi comentarista da Globonews. Implantou a Empresa Brasil de Comunicação - EBC - e seu principal canal público, a TV Brasil, presidindo-a no período de 2007 a 2011. Encerrou o mandato e retornou ao colunismo político no Correio Braziliense (2012-2014). Atualmente, é comentarista da RedeTV e agora colunista associada ao Brasil 247.

Contraponto 14.666 - " Jean Wyllys diz que Marina 'brincou com a esperança de milhões de pessoas' "

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01/09/2014
 

Jean Wyllys diz que Marina “brincou com a esperança de milhões de pessoas”


Diário do Centro do Mundo - Postado em 1 de setembro de 2014 às 8:09 am

A publicação do programa de governo de Marina Silva, e sua alteração no que tange à causa LGBT, motivou uma grande polêmica entre os ativistas gays. Após ser criticada por pastores como Silas Malafaia por incluir no documento trechos em que apoia pontos como o casamento gay, Marina Silva foi alvo das críticas do deputado federal e ativista gay Jean Wyllys, por retirar esses mesmos pontos de seu programa de governo.

Através dos seus perfis no Facebook e no Twitter, Wyllys atacou duramente a candidata, afirmando que ela “brincou com a esperança de milhões de pessoas”, e comparando o novo texto de seu programa com “os argumentos dos racistas americanos de meados do século XX”.

“Em “nota de esclarecimento”, Marina Silva desmente seu próprio programa de governo e afirma que não apoia o casamento civil igualitário. Na nota, Marina Silva afirma que não apoia o casamento civil igualitário, mas uma lei segregacionista de “união civil”. Vocês já imaginaram um candidato presidencial dizendo que é contra o direito dos negros ao casamento civil, mas apoiaria uma “lei de união de negros”? A nova política da Marina é tão velha que lembra os argumentos dos racistas americanos de meados do século XX”, criticou Jean Wyllys.

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“Contudo, o pior é que ela brincou com as esperanças de milhões de pessoas! E isso é cruel, Marina!”, acrescentou Wyllys, que é candidato à reeleição pelo PSOL
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Contraponto 14.665 - "Forte indício de caixa 2 no jato de Campos e Marina"

O avião pertencia a Alexandre e Fabrício Andrade, donos do grupo A. F. Andrade, de Ribeiro Preto (a 313 km de São Paulo), uma das maiores usinas de álcool no país, hoje em recuperação judicial, com dívidas de R$ 341 milhões.

No lugar da assinatura, o nome do novo proprietário aparece ilegível. O empresário pernambucano apontado como o comprador, Joo Lyra de Mello Filho, não quis reconhecer se a assinatura era dele.
Um inquérito da Polícia Federal apura que o Citation PR-AFA foi objeto de pagamentos de R$ 1,7 milhão à usina AF Andrade por seis CNPJs, em 16 transferências. No grupo de empresas, aparece a Geovane Pescados, que seria uma peixaria na periferia de Recife, mas é fantasma, com doação de R$ 15,5 mil. Já a Leite Imobiliária, que pertenceria ao dono de factoring Eduardo Ventola, fez pagamento de R$ 710 mil. Ele seria o principal pagante pelo avião.

Marina Silva também viajou na aeronave. O procedimento é irregular e fere lei eleitoral.

O governo de Pernambuco também concedeu benefícios fiscais para a empresa Bandeirantes Companhia de Pneus Ltda. – suspeita de irregularidades na negociação para a compra do jato.
No entanto, o vice na chapa do PSB à Presidência, o deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS), insiste em dizer que as suspeitas em torno do jato com o comitê de Eduardo Campos "não são problema" do partido.

Leia aqui reportagem de Mario Cesar Carvalho sobre o assunto.

 
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Contraponto 14.664 " 'Nova política' oferece aos jovens o pão que o diabo amassou em forma de arrocho e desemprego"

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01/09/2014

Gilson Caroni Filho: "Nova política" oferece aos jovens o pão que o diabo amassou em forma de arrocho e desemprego.

Do Viomundo - publicado em 31 de agosto de 2014 às 18:34


daniel de oliveira
Marina Silva e o pastor Silas Malafaia. E quando a Chevron tuitar? [Ilustração de Daniel de Oliveira, via José Antonio Orlando, no Facebook]


Jovens, vocês querem mesmo Marina?


por Gilson Caroni Filho, especial para o Viomundo

 A simples leitura do programa de governo de Marina da Silva que, como todos sabem, foi escolhida pela “providência divina” e os acontecimentos recentes envolvendo as alterações no seu programa partidário permitem levar ao eleitorado jovem pontos fundamentais que revelam a natureza extremamente conservadora. Comecemos pelas questões macroeconômicas:

1) Marina pretende dar autonomia ao Banco Central, o BC. O que significa isso? Entregar o banco ao mercado financeiro. Não por acaso conta com o apoio de banqueiros em sua campanha.

2) No documento, consta que políticas fiscais e monetárias serão instrumentos de controle de inflação de curto prazo. Como podemos ler este ponto? Arrocho salarial e aumento nas taxas de desemprego.

3) O programa ainda menciona a diminuição de normas para o setor produtivo. Os mais açodados podem pensar em menos carga tributária e burocracia para as empresas. Não, trata-se de reduzir encargos trabalhistas com a supressão de direitos que facilitem as demissões. Há muito que a burguesia patrimonialista pede o fim da multa rescisória de 40% a ser paga a todo trabalhador demitido sem justa causa. O capital agradece.

4) Redução das prioridades de investimento da Petrobrás no pré-sal. O que significa? Abrir mão de uma decisão estratégica de obter investimentos para aplicar na Saúde e na Educação. Isso, meus amigos mais jovens, é música para hospitais privados, planos de saúde e conglomerados estrangeiros que atuam na educação. O que o grupo Galileo fez com a Gama Filho e Univercidade , aqui no Rio, é fichinha perto do que está por vir. Era com uma coisa desse tipo que vocês sonhavam quando foram às ruas em junho do ano passado?

5) Em vez do fortalecimento do Mercosul, o programa da candidata, que ” quer fazer a nova política,” prega o fortalecimento das relações bilaterais com os Estados Unidos e União Europeia.Vamos retroceder vinte anos e assistir a um aumento da desnacionalização da economia latino-americana. É isso que vocês querem?

6) Meus caros amigos, não sei se foi a providência divina quem derrubou o avião em que viajava Eduardo Campos. Mas o que a vice dele, uma candidata que está à direita de Aécio Neves, lhes oferece é o pão que o diabo amassou. Gosto da vida, gosto da juventude, mas, agora, cabe a vocês escolher o que desejam enfiar goela adentro. Não há mais ninguém inocente.
No campo dos costumes, cabem outras indagações. O Partido Socialista Brasileiro, que sempre teve uma agenda progressista, foi criado em 1947.

Ao ceder a pressões para lançar a candidatura de Marina da Silva, acabou. No lugar dele, surgiu um PSB capturado pelo “Rede” da candidata do Criador.

Pois bem, bastaram quatro tuitadas do Pastor Malafaia para o partido retirar de seu programa de governo o casamento civil igualitário. Se em quatro mensagens por twitter houve um retrocesso desse porte, imaginem em quatro anos de um eventual governo do consórcio Itaú-Assembléia de Deus. 

Descriminalização do aborto? Esqueçam. Descriminalização dos usuários de drogas? Nem pensar. No mínimo, procedimentos manicomiais para os dependentes. Pensem nos direitos conquistados pelas mulheres nos últimos anos sendo submetidos ao crivo de dogmas medievais. Nos homossexuais como anomalias apenas “toleradas”, jamais como sujeitos de direitos.

Sim, pois vislumbramos uma religião se transformando em política de Estado.

 É isso que vocês querem para o país? É isso que vocês querem para suas vidas e a dos filhos que vierem a ter? Em caso afirmativo, chamem Torquemada e me avisem: não quero ver ninguém ardendo em fogueiras. Tudo é força, mas só Malafaia é poder. Não acredito que vocês desejem isso. 

Melhor, não quero acreditar.

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domingo, 31 de agosto de 2014

Contraponto 14.663 - "Dilma ainda pode ganhar?"

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31/08/2014

Dilma ainda pode ganhar?


Do Cafezinho - 31/08/2014 

Por Miguel do Rosário, postado em agosto 31st, 2014


Se conselho valesse grande coisa, muito vagabundo estaria rico. Mesmo assim, darei um aos amigos leitores e às queridas leitoras, que estão preocupados com a possibilidade de um novo Collor ganhar as eleições, interrompendo o processo de avanço sócio-econômico que estamos vivendo. É o mesmo conselho que Lula deu a Evo Morales, num dos momentos mais difíceis vividos pelo presidente da Bolívia, há alguns anos: “paciência, paciência, paciência”.

Eu acrescentaria outra palavra: serenidade.

Não acho que Marina Silva ganhe as eleições. O povo brasileiro, num segundo turno, não irá embarcar numa aventura que tem cheiro, cara e sabor de plano B da direita retrógrada para reassumir o poder. (Os grifos em verde negritado são do ContrapontoPIG)

Mas quem pode prever o que virá?

Nesses tempos de redes sociais, tudo pode acontecer. O “zeitgeist”, o espírito do tempo, tem andado um tanto arisco e imprevisível.

Tocqueville já ensinava, na primeira metade do século XIX, que eleições são sempre um momento de crise nacional, porque todas as forças sociais, econômicas, políticas, entram em estado de tensão máxima.

Num país tão complexo como o Brasil, com tantos interesses contraditórios em jogo, com tantas disparidades regionais, econômicas e sociais, a tensão chega às vezes a nível insuportável.

Mas isso é democracia, uma conquista da nossa sociedade. E o que estamos assistindo é a eclosão do que existe de mais emocionante num regime democrático: o entrechoque de ideias e projetos.

Até mesmo a “despolitização” da maioria da população, em especial da juventude, tão denunciada por todos, inclusive por este blog, é um conceito relativo, porque, em verdade, somente a experiência ensina.

Na introdução de sua Crítica da Razão Pura, Kant ensina que “nenhum conhecimento precede a experiência, todos começam por ela.”

Isso vale para tudo, e logo também para nossa juventude e para o processo político. Se a história de nossa democracia quiser que ela – a juventude – experimente um governo de Marina Silva, para que possa entender melhor os erros e acertos do PT, então será isso que acontecerá.

A despolitização, portanto, seria apenas um outro nome para um processo massivo de politização dos jovens e da nova classe média.

O Brasil não vai acabar com a vitória de Marina.

Nem acho que haverá o “desmantelamento” de todas as nossas conquistas. Pode haver retrocessos, mas não brutais. Não exatamente por causa de Marina, em quem não confio, mas porque a população hoje tem mais voz, através das redes sociais, tem mais força de rua, após as “jornadas de junho”, e o Congresso Nacional saberia impor resistência importante a qualquer loucura da presidente.

O governo Marina deverá exercer um neoliberalismo moderado. A mídia tucana já começou a pressionar Marina Silva, para ela governar em aliança com o PSDB. De fato, como o embate no segundo turno será sangrento, haverá pressão insuportável para que o PSB assuma compromissos políticos com o PSDB, o partido mais estruturado e orgânico da oposição.

Mas não se pode esquecer que o esvaziamento de Aécio, o candidato do PSDB, reflete justamente a hostilidade da população contra o neoliberalismo não disfarçado e radical deste partido. Marina pagará um preço altíssimo se entregar fatias do governo em mãos tucanas. Ou seja, fortalecerá o PT, que por sua vez voltará a se aproximar da juventude.

A principal força de Marina, o que a torna realmente uma ameaça à eleição de Dilma, é a adesão a ela de uma significativa parcela da esquerda juvenil, não-partidária. Uma juventude que, a bem da verdade, ainda nem sabe que é de esquerda. Mas é.

O maior problema de Dilma se encontra em sua baixa aprovação numa juventude que nunca viveu sob outro governo que não o PT. Não tem como fazer a comparação, portanto, entre o atual estado de coisas e o inferno tucano.

A juventude pensa no futuro, e por isso a campanha de Dilma, se quiser conquistar ao menos um parcela deste eleitorado, terá que falar mais do que pretende fazer daqui para frente do que apenas relatar o que já fez.

As realizações do governo já deveriam ser de conhecimento público. É absurdo que o Brasil tenha tido que esperar o início do horário eleitoral para conhecê-las. O horário político deveria ser usado para focar nas propostas para a próxima gestão, e não para fazer um balanço do passado.
De qualquer forma, duvido que um eventual governo Marina tenha força para “deixar o pré-sal em segundo plano”, conforme prometeu a ex-petista, embora seja absolutamente aterrorizante que uma candidata com chances de ganhar as eleições fale uma coisa dessas.

O Brasil, para se desenvolver, precisa continuar construindo hidrelétricas. Dezenas ou mesmo centenas delas. Algumas usinas nucleares a mais também seriam bem-vindas. Dilma tem consciência disso e está fazendo várias hidrelétricas e tem um bom programa nuclear, sem esquecer de nenhuma alternativa: eólica, biomassa, solar, etc.

Com Marina, esses projetos correriam grave risco. Seriam, no mínimo, atrasados em quatro anos.

O maior perigo, num governo Marina, é a instabilidade decorrente de um governo fraco e ideologicamente confuso, feito dessa mistura esquisitíssima entre o ambientalismo radical e o neoliberalismo do banco Itaú, do Giannetti e do André Lara Resende, economistas ultratucanos.

Lara Resende, não devemos esquecer, foi o economista que convenceu Collor a confiscar a poupança dos brasileiros.

A blogosfera também não irá acabar, conforme acusam nossos adversários, e temem alguns de nossos amigos. Durante as eras Lula e Dilma, o Cafezinho viveu sem dinheiro de governo ou partido e poderá continuar assim num governo Marina. Nenhuma diferença. Continuaremos crescendo e nos fortalecendo. Na verdade, talvez seja até mais fácil obter anúncios privados e públicos num governo Marina, porque ninguém poderá mais nos acusar de “governistas” ou “chapa-branca”, esse estigma que a grande imprensa colou nos blogs como se fosse crime político defender um governo.

Quanto aos blogs que recebem anúncio estatal, eu quero ver cair a máscara democrática da oposição.
Os governos do PT introduziram uma mídia técnica que, ao cabo, beneficiou muito mais os veículos de direita. Eu sempre critiquei um parâmetro que se revelou totalmente desconectado do nosso contexto histórico, e na contramão da política do governo de promover a desconcentração de renda. Nesse sentido, não foi democrático. Ninguém pode negar, contudo, que tenha sido um critério absolutamente apartidário e técnico. Por isso será instrutivo assistir ao que fará a oposição no poder. Será republicana e generosa como foi o PT, ou cortará até mesmo as migalhinhas que iam para dois ou três blogs, apenas porque não gostam deles?

Bem, a vitória de Marina significará poder para Roberto Freire, supra-sumo da hidrofobia e do rancor partidário, então não tenho esperanças de nenhuma magnanimidade por parte do governo.

Não sou do PT, não tenho sequer nenhum amigo mais próximo trabalhando no governo federal, nem mesmo nenhum parente, que eu me lembre, então minha vida continuará rigorosamente a mesma. O blog tem quase 500 assinantes e continuarei trabalhando duro para prosseguir colhendo mais assinaturas e sobreviver. Aliás, se quiser assinar, clique aqui.

Mas também já entendi que o ambiente de criminalização da política nos força, sobretudo jornalistas e comunicadores, a uma postura reativa e pusilânime, como que tentando provar a todo momento que não somos partidários. Eu vivo numa democracia e defendo quem eu quiser, da maneira que eu quiser, e acho um absurdo que alguém seja discriminado ou ofendido por votar ou defender um governo ou partido, como acontece tantas vezes no Brasil, onde nossa mídia vive a lançar calúnias contra os blogs apenas porque eles não são hipócritas e demonstram, transparentemente, que tem lado.

Ter lado é bom, e talvez um dia os jornalistas da grande imprensa, num futuro distante, desfrutem da liberdade de expressão que eles tanto fingem defender para o país, mas que seus patrões lhes proíbem. Espero que eles conquistem, algum dia, a maravilhosa liberdade política de defender um candidato, um governo, um partido, sem que isso implique no desprestígio de seu trabalho e de sua seriedade profissional.

*
Ao longo da minha carreira, sofri apenas três processos: um do Ali Kamel, que perdi em primeira instância, mas com o valor reduzido de R$ 41 mil para R$ 15 mil, e que espero vencer na segunda instância ou no STF; outro de um marketeiro do finado Eduardo Campos (esqueci o nome do sujeito), uma besteira insossa repleto de asserções incrivelmente reacionárias, que tenho certeza que irei ganhar, em primeira instância ou no recurso; e outro de uns servidores de uma estatal paulista, que eu venci absolutamente (já transitou em julgado, eles não recorreram).

Neste sentido, as coisas estão sob controle. Estou em paz com a Justiça brasileira.

Também não acho que os blogs serão “massacrados” num governo Marina. Por que eles fariam isso? Qualquer ataque aos blogs só lhes dariam mais cartaz.

Ao contrário, os blogs ganhariam importância política, porque para eles convergiriam as forças de esquerda derrotadas: sindicais, partidárias e sociais.

Não é por interesse pessoal, portanto, que defendo um voto em Dilma Rousseff. Nem por algum tipo de visão desesperada de mundo, segundo a qual o Brasil iria pelos ares se o PT fosse alijado do poder.

Eu defendo o voto em Dilma e faço o bom combate político ao projeto de Marina Silva porque acho a presidenta, pese todos os seus defeitos, representa o projeto que tem mais condições de terminar as grandes obras de infra-estrutura e mobilidade urbana que estão sendo conduzidas no Brasil.

Tenho uma série de críticas políticas ao governo, aos partidos no poder, à presidenta. Elas são públicas porque eu já as repeti várias vezes aqui no blog, e podem ser resumidas numa só: faltou debate político, faltou comunicação. Um governo e uma presidenta nunca podem fugir do debate.

Tem corrupção no Brasil? Tem. Há problemas graves na saúde e na educação. Há. As cidades estão à beira de um colapso urbanístico? Estão. O governo deveria ser o primeiro a admitir isso, na TV, em entrevistas, e convocar a população a participar do debate de como superar esses problemas. Pintar um mundo cor de rosa foi o grande erro do governo. Isso faz as pessoas se sentirem enganadas. As pessoas são seduzidas pela sinceridade, pela informação, pelo debate onde elas mesmos participam, não pela propaganda. O mundo nunca será cor de rosa.

Além disso, no mundo contemporâneo, e nas circunstâncias específicas do nosso país, que tem a mídia mais concentrada, mais reacionária e mais golpista de todo o mundo democrático, era obrigação do governo ter promovido um grande debate nacional sobre o nosso sistema de informação.

E o que tivemos? Paulo Bernardo, de um lado. Helena Chagas, de outro.

Se não tinham segurança de que a correlação de forças permitiria propor uma regulamentação constitucional dos meios de comunicação, poderiam ao menos elaborar políticas de fomento à criação de centros independentes de produção de conteúdo. O tamanho do Brasil – e a gravidade do problema – pedia projetos de comunicação da envergadura de um Pronatec. Alguma coisa para criar dezenas de milhares de espaços digitais, que refletissem a incrível e maravilhosa diversidade do povo brasileiro, e que constituíssem uma força orgânica, autônoma, sustentável, que pudesse enfrentar os períodos em que a esquerda passasse para a oposição. Não fizeram nada, e agora, se a direita voltar ao poder, teremos que construir uma resistência praticamente do zero.

Só que esses erros, e outros, não são suficientes, nem de longe, para eu desistir do projeto. Os acertos foram imensos. Sigo apoiando a eleição da nossa Dilminha, guerreira de coração valente, uma das pessoas mais honradas que já ocuparam o seu cargo, com otimismo e esperança de vitória!

Até porque, como diziam os anarquistas do século XIX, que sacrificavam suas vidas por lutas às vezes completamente utópicas: a única luta que se perde é a que se abandona!

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Dilma ainda pode ganhar?

Se conselho valesse grande coisa, muito vagabundo estaria rico. Mesmo assim, darei um aos amigos leitores e às queridas leitoras, que estão preocupados com a possibilidade de um novo Collor ganhar as eleições, interrompendo o processo de avanço sócio-econômico que estamos vivendo. É o mesmo conselho que Lula deu a Evo Morales, num dos momentos mais difíceis vividos pelo presidente da Bolívia, há alguns anos: “paciência, paciência, paciência”.
Eu acrescentaria outra palavra: serenidade.
Não acho que Marina Silva ganhe as eleições. O povo brasileiro, num segundo turno, não irá embarcar numa aventura que tem cheiro, cara e sabor de plano B da direita retrógrada para reassumir o poder.
Mas quem pode prever o que virá?
Nesses tempos de redes sociais, tudo pode acontecer. O “zeitgeist”, o espírito do tempo, tem andado um tanto arisco e imprevisível.
Tocqueville já ensinava, na primeira metade do século XIX, que eleições são sempre um momento de crise nacional, porque todas as forças sociais, econômicas, políticas, entram em estado de tensão máxima.
Num país tão complexo como o Brasil, com tantos interesses contraditórios em jogo, com tantas disparidades regionais, econômicas e sociais, a tensão chega às vezes a nível insuportável.
Mas isso é democracia, uma conquista da nossa sociedade. E o que estamos assistindo é a eclosão do que existe de mais emocionante num regime democrático: o entrechoque de ideias e projetos.
Até mesmo a “despolitização” da maioria da população, em especial da juventude, tão denunciada por todos, inclusive por este blog, é um conceito relativo, porque, em verdade, somente a experiência ensina.
Na introdução de sua Crítica da Razão Pura, Kant ensina que “nenhum conhecimento precede a experiência, todos começam por ela.”
Isso vale para tudo, e logo também para nossa juventude e para o processo político. Se a história de nossa democracia quiser que ela – a juventude – experimente um governo de Marina Silva, para que possa entender melhor os erros e acertos do PT, então será isso que acontecerá.
A despolitização, portanto, seria apenas um outro nome para um processo massivo de politização dos jovens e da nova classe média.
O Brasil não vai acabar com a vitória de Marina.
Nem acho que haverá o “desmantelamento” de todas as nossas conquistas. Pode haver retrocessos, mas não brutais. Não exatamente por causa de Marina, em quem não confio, mas porque a população hoje tem mais voz, através das redes sociais, tem mais força de rua, após as “jornadas de junho”, e o Congresso Nacional saberia impor resistência importante a qualquer loucura da presidente.
O governo Marina deverá exercer um neoliberalismo moderado. A mídia tucana já começou a pressionar Marina Silva, para ela governar em aliança com o PSDB. De fato, como o embate no segundo turno será sangrento, haverá pressão insuportável para que o PSB assuma compromissos políticos com o PSDB, o partido mais estruturado e orgânico da oposição.
Mas não se pode esquecer que o esvaziamento de Aécio, o candidato do PSDB, reflete justamente a hostilidade da população contra o neoliberalismo não disfarçado e radical deste partido. Marina pagará um preço altíssimo se entregar fatias do governo em mãos tucanas. Ou seja, fortalecerá o PT, que por sua vez voltará a se aproximar da juventude.
A principal força de Marina, o que a torna realmente uma ameaça à eleição de Dilma, é a adesão a ela de uma significativa parcela da esquerda juvenil, não-partidária. Uma juventude que, a bem da verdade, ainda nem sabe que é de esquerda. Mas é.
O maior problema de Dilma se encontra em sua baixa aprovação numa juventude que nunca viveu sob outro governo que não o PT. Não tem como fazer a comparação, portanto, entre o atual estado de coisas e o inferno tucano.
A juventude pensa no futuro, e por isso a campanha de Dilma, se quiser conquistar ao menos um parcela deste eleitorado, terá que falar mais do que pretende fazer daqui para frente do que apenas relatar o que já fez.
As realizações do governo já deveriam ser de conhecimento público. É absurdo que o Brasil tenha tido que esperar o início do horário eleitoral para conhecê-las. O horário político deveria ser usado para focar nas propostas para a próxima gestão, e não para fazer um balanço do passado.
De qualquer forma, duvido que um eventual governo Marina tenha força para “deixar o pré-sal em segundo plano”, conforme prometeu a ex-petista, embora seja absolutamente aterrorizante que uma candidata com chances de ganhar as eleições fale uma coisa dessas.
O Brasil, para se desenvolver, precisa continuar construindo hidrelétricas. Dezenas ou mesmo centenas delas. Algumas usinas nucleares a mais também seriam bem-vindas. Dilma tem consciência disso e está fazendo várias hidrelétricas e tem um bom programa nuclear, sem esquecer de nenhuma alternativa: eólica, biomassa, solar, etc.
Com Marina, esses projetos correriam grave risco. Seriam, no mínimo, atrasados em quatro anos.
O maior perigo, num governo Marina, é a instabilidade decorrente de um governo fraco e ideologicamente confuso, feito dessa mistura esquisitíssima entre o ambientalismo radical e o neoliberalismo do banco Itaú, do Giannetti e do André Lara Resende, economistas ultratucanos.
Lara Resende, não devemos esquecer, foi o economista que convenceu Collor a confiscar a poupança dos brasileiros.
A blogosfera também não irá acabar, conforme acusam nossos adversários, e temem alguns de nossos amigos. Durante as eras Lula e Dilma, o Cafezinho viveu sem dinheiro de governo ou partido e poderá continuar assim num governo Marina. Nenhuma diferença. Continuaremos crescendo e nos fortalecendo. Na verdade, talvez seja até mais fácil obter anúncios privados e públicos num governo Marina, porque ninguém poderá mais nos acusar de “governistas” ou “chapa-branca”, esse estigma que a grande imprensa colou nos blogs como se fosse crime político defender um governo.
Quanto aos blogs que recebem anúncio estatal, eu quero ver cair a máscara democrática da oposição. Os governos do PT introduziram uma mídia técnica que, ao cabo, beneficiou muito mais os veículos de direita. Eu sempre critiquei um parâmetro que se revelou totalmente desconectado do nosso contexto histórico, e na contramão da política do governo de promover a desconcentração de renda. Nesse sentido, não foi democrático. Ninguém pode negar, contudo, que tenha sido um critério absolutamente apartidário e técnico. Por isso será instrutivo assistir ao que fará a oposição no poder. Será republicana e generosa como foi o PT, ou cortará até mesmo as migalhinhas que iam para dois ou três blogs, apenas porque não gostam deles?
Bem, a vitória de Marina significará poder para Roberto Freire, supra-sumo da hidrofobia e do rancor partidário, então não tenho esperanças de nenhuma magnanimidade por parte do governo.
Não sou do PT, não tenho sequer nenhum amigo mais próximo trabalhando no governo federal, nem mesmo nenhum parente, que eu me lembre, então minha vida continuará rigorosamente a mesma. O blog tem quase 500 assinantes e continuarei trabalhando duro para prosseguir colhendo mais assinaturas e sobreviver. Aliás, se quiser assinar, clique aqui.
Mas também já entendi que o ambiente de criminalização da política nos força, sobretudo jornalistas e comunicadores, a uma postura reativa e pusilânime, como que tentando provar a todo momento que não somos partidários. Eu vivo numa democracia e defendo quem eu quiser, da maneira que eu quiser, e acho um absurdo que alguém seja discriminado ou ofendido por votar ou defender um governo ou partido, como acontece tantas vezes no Brasil, onde nossa mídia vive a lançar calúnias contra os blogs apenas porque eles não são hipócritas e demonstram, transparentemente, que tem lado.
Ter lado é bom, e talvez um dia os jornalistas da grande imprensa, num futuro distante, desfrutem da liberdade de expressão que eles tanto fingem defender para o país, mas que seus patrões lhes proíbem. Espero que eles conquistem, algum dia, a maravilhosa liberdade política de defender um candidato, um governo, um partido, sem que isso implique no desprestígio de seu trabalho e de sua seriedade profissional.
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Ao longo da minha carreira, sofri apenas três processos: um do Ali Kamel, que perdi em primeira instância, mas com o valor reduzido de R$ 41 mil para R$ 15 mil, e que espero vencer na segunda instância ou no STF; outro de um marketeiro do finado Eduardo Campos (esqueci o nome do sujeito), uma besteira insossa repleto de asserções incrivelmente reacionárias, que tenho certeza que irei ganhar, em primeira instância ou no recurso; e outro de uns servidores de uma estatal paulista, que eu venci absolutamente (já transitou em julgado, eles não recorreram).
Neste sentido, as coisas estão sob controle. Estou em paz com a Justiça brasileira.
Também não acho que os blogs serão “massacrados” num governo Marina. Por que eles fariam isso? Qualquer ataque aos blogs só lhes dariam mais cartaz.
Ao contrário, os blogs ganhariam importância política, porque para eles convergiriam as forças de esquerda derrotadas: sindicais, partidárias e sociais.
Não é por interesse pessoal, portanto, que defendo um voto em Dilma Rousseff. Nem por algum tipo de visão desesperada de mundo, segundo a qual o Brasil iria pelos ares se o PT fosse alijado do poder.
Eu defendo o voto em Dilma e faço o bom combate político ao projeto de Marina Silva porque acho a presidenta, pese todos os seus defeitos, representa o projeto que tem mais condições de terminar as grandes obras de infra-estrutura e mobilidade urbana que estão sendo conduzidas no Brasil.
Tenho uma série de críticas políticas ao governo, aos partidos no poder, à presidenta. Elas são públicas porque eu já as repeti várias vezes aqui no blog, e podem ser resumidas numa só: faltou debate político, faltou comunicação. Um governo e uma presidenta nunca podem fugir do debate. Tem corrupção no Brasil? Tem. Há problemas graves na saúde e na educação. Há. As cidades estão à beira de um colapso urbanístico? Estão. O governo deveria ser o primeiro a admitir isso, na TV, em entrevistas, e convocar a população a participar do debate de como superar esses problemas. Pintar um mundo cor de rosa foi o grande erro do governo. Isso faz as pessoas se sentirem enganadas. As pessoas são seduzidas pela sinceridade, pela informação, pelo debate onde elas mesmos participam, não pela propaganda. O mundo nunca será cor de rosa.
Além disso, no mundo contemporâneo, e nas circunstâncias específicas do nosso país, que tem a mídia mais concentrada, mais reacionária e mais golpista de todo o mundo democrático, era obrigação do governo ter promovido um grande debate nacional sobre o nosso sistema de informação.
E o que tivemos? Paulo Bernardo, de um lado. Helena Chagas, de outro.
Se não tinham segurança de que a correlação de forças permitiria propor uma regulamentação constitucional dos meios de comunicação, poderiam ao menos elaborar políticas de fomento à criação de centros independentes de produção de conteúdo. O tamanho do Brasil – e a gravidade do problema – pedia projetos de comunicação da envergadura de um Pronatec. Alguma coisa para criar dezenas de milhares de espaços digitais, que refletissem a incrível e maravilhosa diversidade do povo brasileiro, e que constituíssem uma força orgânica, autônoma, sustentável, que pudesse enfrentar os períodos em que a esquerda passasse para a oposição. Não fizeram nada, e agora, se a direita voltar ao poder, teremos que construir uma resistência praticamente do zero.
Só que esses erros, e outros, não são suficientes, nem de longe, para eu desistir do projeto. Os acertos foram imensos. Sigo apoiando a eleição da nossa Dilminha, guerreira de coração valente, uma das pessoas mais honradas que já ocuparam o seu cargo, com otimismo e esperança de vitória!
Até porque, como diziam os anarquistas do século XIX, que sacrificavam suas vidas por lutas às vezes completamente utópicas: a única luta que se perde é a que se abandona!
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Contraponto 14.663 - "Gadelha: Marina vai decolar ou pousar?"

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 31/08/2014

 

Gadelha: Marina vai decolar ou pousar?

 

Tijolaço - 31 de agosto de 2014 | 13:30 Autor: Fernando Brito

marinainflada
Fernando Brito 

Já disse diversas vezes aqui que gosto e, em geral, concordo com as análises de pesquisa feitas pelo publicitário – e marqueteiro eleitoral – Hayle  Gadelha.

Gosto porque, apesar de sempre ter tido lado político, Gadelha é sempre muito frio e objetivo ao fazer este trabalho, o que só em parte consigo.

Trouxe, por isso, a avaliação que ele faz, em seu blog, da ascensão de  Marina Silva- de novo: creio que não é tanta como lhe dão algumas pesquisas, mas certamente foi muito grande.

Ao que diz Gadelha, acrescento um dado que só hoje saiu – e ainda sem detalhamento – sobre o interesse despertado pelos programas de televisão, segundo o Datafolha

Embora já tenha sido maior, está longe de ser nenhum: 53% têm muito ou algum interesse em assisti-los. E um terço acha que são muito importantes para definir o voto.

Ao contrário do que acha muita gente da classe média, com acesso a TV paga e distante dos programas de TV, eles são um terreno precioso para a definição do voto.

Terreno onde Dilma tem, pelo tempo e pela qualidade dos programas, tudo para avançar.

Atenção, senhores eleitores: apertem os cintos!

 Hayle Gadelha 

Será que a candidatura Marina alçou voo de tal forma que ninguém mais pode acompanhar? Nem tanto.

Claro que houve o “voto-comoção” (que ajudou muito na apresentação de Marina como sucessora de Eduardo Campos) e também o voto-hay-gobierno?-soy-contra, incrustrado no rótulo de Não-Voto, responsável pelo grande impulso que Marina teve nessas últimas pesquisas Ibope e Datafolha. Mas será que a eleição presidencial já vive um voo sem volta?

É claro que os números das pesquisas são desesperadores para Aécio e preocupantes para a candidatura Dilma. Mais preocupantes ainda para quem, independente do partido, não quer ver o Brasil mergulhado outra vez no vácuo do Consenso de Washington. Mas, calma, dá para recuperar o controle. Neste sábado, por exemplo, tanto André Singer quanto o próprio Mauro Paulino, do Datafolha, escrevem artigos com bons corretivos para esse frenesi da esquadrilha midiática.

André Singer (Rumo ao desconhecido) alerta que “há muito em aberto na candidatura pessebista”. Quais são os rumos que se pretende para uma suposta relação com o agronegócio? O programa social vai ficar solto no ar? E a base de apoio para governar, no caso de Marina eleger-se, será firme? André Singer lembra que, ao se comprometer com a independência do Banco Central, Marina aponta para um governo de “juros altos, recessão bem mais que técnica, corte de gastos públicos e desemprego”. Mais ou menos um “apertem os cintos, o piloto sumiu”.

Já Mauro Paulino (Sucesso de ex-senadora depende da cristalização do eleitorado) destaca que Marina superou o clima de “comoção”, superou o recall de 2010, abriu vantagem sobre Aécio em território exclusivo do tucano e cresceu significativamente entre os eleitores de “menor renda e baixa escolaridade, grupos onde Dilma e o governo sempre demonstraram grande força”. Mas alerta que “propostas concretas e claro programa de governo” serão decisivos. E conclui que a “ênfase exclusiva no discurso da ‘nova política’ pode, com o tempo, afastar parte dos recém-conquistados eleitores”.

Os índices estratosféricos de Marina dispararam em velocidade supersônica. Ela soube muito bem representar os que estavam insatisfeitos tanto com os vácuos do governo petista quanto com a insipidez da tentativa de voo tucano (que rapidamente virou pó). Mas até agora não conseguimos perceber um quod erat demonstrandun em suas propostas. É tudo muito frágil, contraditório, oportunista, rancoroso, tudo muito eólico e ao mesmo tempo uma guinada brutal rumo ao pior do nosso passado.

O Brasil não pode voltar a apertar o cinto e ficar eternamente preso a um mundo sem futuro. O que o Brasil precisa é de um voo tranquilo para dar asas à imaginação.
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