sábado, 20 de dezembro de 2014

Contraponto 15.667 - "CUBA VENCE QUEDA DE BRAÇO COM EUA"

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20/12/2014

 

CUBA VENCE QUEDA DE BRAÇO COM EUA

 

ÓperaMundi - 19/12/2014


raulcubaobama


por Breno Altman   


Breno AltmanA decisão do presidente norte-americano, Barack Obama, de reatar relações diplomáticas com o Estado cubano e amenizar sanções econômicas, somente tem paralelo histórico com a Guerra do Vietnã.

Os Estados Unidos acreditaram, entre 1960 e 1975, que seu poderio militar e financeiro seria suficiente para subjugar os soldados de Ho Chi Minh e Giap. Mas as derrotas no campo de batalha, a mobilização pela paz dentro de suas próprias fronteiras e o desgaste internacional levaram o governo Nixon à capitulação.

A mesma soberba imperialista determinou o comportamento da Casa Branca frente à revolução cubana. Sucessivos presidentes, desde o triunfo liderado por Fidel Castro, acreditaram que seria possível estrangular o novo regime através da sabotagem, da intervenção armada e do bloqueio.

Há décadas era visível que esta estratégia, mais uma vez, estava fadada à derrota. Mas o peso da comunidade cubano-americana, associado às heranças ideológicas da Guerra Fria e à cultura hegemonista do capitalismo norte-americano, impedia o reconhecimento do fracasso.

Obama entrará para a história, com ajuda do papa Francisco, por ter tido a coragem de assinar rendição inevitável. Uma frase sua serve de síntese ao episódio: “estes cinquenta anos mostraram que o isolamento não funcionou, é tempo de outra atitude.”

Giro de Obama

Praticamente na metade de seu segundo mandato, sem preocupações eleitorais, o primeiro negro a ocupar o Salão Oval parece estar empenhado em reconstruir sua imagem junto aos setores progressistas que o apoiaram e se sentiam traídos por uma administração capturada pelo establishment.

O decreto que legaliza cinco milhões de imigrantes ilegais foi o primeiro passo relevante desta jornada de resgate biográfico. A declaração de reatamento das relações diplomáticas com Cuba, o segundo.

Lembremos que o bloqueio não está anulado, pois depende da decisão de um Congresso controlado pelos republicanos. Ser á batalha complicada e provavelmente prolongada. Obama optou, de toda forma, por ir ao limite de sua jurisdição política, como no caso dos imigrantes, peitando correlação desfavorável de forças no Parlamento.

Mesmo que o embargo ainda seja situação pendente, continuando a sufocar o funcionamento da economia cubana, é fato que o presidente norte-americano deu passo fundamental para enterrar a velha política de seu país acerca da ilha caribenha.

Os paradigmas imperialistas, registre-se, não foram alterados.

Basta ver a pressão que os Estados Unidos continuam a exercer, através do surrado cardápio de punições e sabotagens, contra governos que colidem com seus interesses, a exemplo da Venezuela.

No caso de Cuba, porém, a realidade se impôs.

Análises equivocadas

Não falta, é claro, quem prenuncie o colapso da revolução e seu sistema político-econômico em função do cenário de distensão: o socialismo cubano sucumbiria ao contato com recursos financeiros, valores e oportunidades oferecidos, a partir de agora, pelos Estados Unidos.

Repetem aposta feita no passado.

Diziam que Cuba não resistiria ao bloqueio e seus cidadãos, depois de alguns meses sob penúria e escassez, derrubariam Fidel Castro.

Quando o cavalo do embargo despontava como páreo perdido, veio o colapso da União Soviética. O regime liderado pelo Partido Comunista seria varrido logo mais, como ocorrera em outros países socialistas.

Outro erro dos clarividentes opositores, que deveriam ter aprendido a ser mais modestos em suas eloquentes previsões.

A revolução cubana, ainda que em meio a gigantescas dificuldades e graves erros, logrou sobreviver, construir alternativas e desenvolver notável capacidade de auto-reforma.

Aos poucos, com a vitória de partidos progressistas em diversas nações latino-americanas, o isolamento continental se reverteu e Cuba retornou a seu espaço natural, oxigenando a economia e a sociedade.

Os investimentos brasileiros e venezuelanos, entre recursos de diversas origens, são reveladores da capacidade cubana de erguer pontes e sair do casulo pós-soviético.

Talvez o porto de Mariel, financiado pelo BNDES, seja o empreendimento mais representativo e promissor desta etapa de reinserção. Poderá se constituir, com certa rapidez, na conexão do país e seus parceiros com o mercado mundial, além de pólo para a reindustrialização local e a consolidação de coalizão com a Am érica do Sul.

A despeito das sanções e arreganhos norte-americanos, a lenta recuperação cubana vem se afirmando através da integração regional, de forma autônoma e consistente.

Quem passou a ser assolado pela praga da solidão, a bem da verdade, foi o velho inimigo.

Os Estados Unidos, que no passado haviam colocado o subcontinente contra Fidel, passaram a conhecer forte tensão ao sul, abalando sua influência e alianças.

Uma das razões era exatamente a orientação discriminatória contra Cuba.

A gota d’água para a falência da geopolítica isolacionista materializou-se no impasse durante a preparação da Cúpula das Américas, prevista para julho de 2015, à qual os cubanos estavam convidados pelos Estados meridionais ao Rio Grande e vetados apenas pela Casa Branca.

Futuro

Os obstáculos no novo ciclo, é certo, serão imensos.

A ampliação dos fluxos comerciais e financeiros, além da disputa política e cultural, poderá afetar a estrutura do país mais igualitário da região, fundada sobre a universalização de direitos sociais.

Tradicionais adversários da revolução não pouparão esforços para minar a credibilidade e o funcionamento do sistema cubano, tentando impor mudanças que alterem profundamente a organização política e econômica.

Também buscarão se aproveitar da troca geracional, com o grupo dirigente de Sierra Maestra escrevendo o epílogo de sua jornada.

A direção castrista, vencido o bloqueio, paulatinamente terá que substituir o anti-imperialismo, como narrativa dominante, pelo convencimento prático e cultural, principalmente junto às gerações mais jovens, acerca da superioridade de seu sistema em comparação ao capitalismo.

A tarefa será complexa: não se trata apenas de provar que o socialismo à cubana tem maior capacidade de preservar inegáveis conquistas sociais, mas também sua permeabilidade a ajustes que permitam impulsionar um longo ciclo de desenvolvimento econômico e o aprofundamento da participação popular na política.

Apesar destes fantásticos desafios, os últimos acontecimentos, com Golias se curvando à resistência de Davi, deveriam servir de alerta para os oráculos do apocalipse cubano.

Há povos e dirigentes, em determinadas etapas da história, que não se curvam nem sequer diante dos mais duros sacrifícios para defender sonhos e projetos. Mesclam, ademais, vocação de resistir com inventividade para encontrar soluções adequadas.

A chegada dos últimos cubanos que estavam presos nos Estados Unidos desde 1998, julgados por espionagem, é recado humano e simbólico desta vontade nacional que a revolução, goste-se ou não de seus resultados, foi capaz de construir.

Não havia festa e alegria nas ruas pelos 53 prisioneiros que Raul Castro ordenara libertar, fruto da negociação com Obama, considerados de “interesse dos Estados Unidos”.

O júbilo era pelos compatriotas cujo retorno representa célebre vitória sobre o gigante que, há mais de cinquenta anos, ameaça a autodeterminação de Cuba.



 

Breno Altman é diretor editorial do site Opera Mundi.
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Contraponto 15.666 - "Na 'lista da propina', falta dinheiro, ou faltam políticos ou falta verdade "


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20/12/201'


Na “lista da propina”, falta dinheiro, ou faltam políticos ou falta verdade

 
Tijolaço - 19 de dezembro de 2014 | 09:12 Autor: Fernando Brito 
 
 
prc
 
Fernando Brito

Muito estranha a lista dos beneficiários de dinheiro de empreiteiras que trabalhavam para a Petrobras, divulgada hoje pelo Estadão.

Dois valores citados, chega-se á conclusão que os maiores foram para políticos de oposição, em valores que, de forma alguma, poderia ser confundidos com doações eleitorais: Eduardo Campos (R$ 20 milhões) e Sérgio Guerra (R$ 10 milhões).

Supõe-se que, embora hoje ambos estejam mortos, Costa tem os meios de demonstrar como e por que meios foram feitos os repasses.

Aliás, o mesmo deve se aplicar àqueles que, diz o jornal, “segundo o ex-diretor de Abastecimento, recebiam repasses com frequência ou valores que chegaram a superar R$ 1 milhão”.

Mas, estranhamente, a reportagem afirma que “sobre vários políticos, o ex-diretor da estatal apenas mencionou o nome. Não revelou valores que teriam sido distribuídos a eles ou a suas agremiações”.
Muito pouco para quem está “enojado”, “arrependido” e disposto a “entregar tudo”.

E para quem vai sair livre depois de ter roubado – com todo este “nojo” alegado – R$ 23 milhões de dólares, com a ajuda da família, também perdoada.

Não tenho a menor simpatia por nenhum dos citados – muito ao contrário, na maioria dos casos – mas é preciso discernir entre o que é pedir para conseguir doações e negociar contratos para receber propina.

Porque se pedir doações eleitorais de empresas for crime, dos 513 deputados e 81 senadores sobraria uma dúzia, se tanto.

Nenhuma empresa doará se não se lhe pedir, não é?

Goste-se ou não (viu, Ministro Gilmar Mendes?) é assim que funcionam eleições com financiamento privado de campanhas.

É algo completamente diferente, senão do ponto de vista moral, do ponto de vista jurídico.

O tráfico de influência, juridicamente, liga o pedido à promessa de uma vantagem.

Dizem as metáforas jurídicas que teria vindo de  um certo Vetronio Turino, que vendia supostos favores do imperador romano Alessandro Severo e que foi executado com fumaça, pois fumaça vendia.
Não duvido que os demais políticos citados tenham pedido a Paulo Roberto Costa que conseguisse doações de empreiteiras para suas campanhas.

Centenas de  candidatos a deputado, a senador, a governador, a vereador pediram diretamente ou solicitaram a alguém que pedisse dinheiro a empreiteiras. No mínimo, aceitaram que alguém pedisse em seu nome.

Será que as empreiteiras, as  citadas na Lava Jato  e outras, foram bater espontaneamente na porta de Aécio Neves e dizer “queremos te doar R$ 50 milhões”?

Será que a Odebrecht (diretamente ou através de sua controlada Foz do Jaceaba) doou espontaneamente mais de R$ 7 milhões a Aécio, sem contar os R$ 4 milhões da Braskem, da qual é sócia?

Será que os candidatos mandam pedir ao contínuo das empresas?

Se esta lista for tratada sem hipocrisia, ela é muito pequena.

Se for olhada frente à realidade política, que faz as campanhas mergulharem em tenebrosa promiscuidade, pode-se incluir quem não fez nada além de pedir que pedisse, sem prometer ou acenar com vantagem.

E se for olhada pelo ângulo do dinheiro, está faltando, se chegou à casa dos bilhões que se diz ter chegado.

Tem contra-sensos evidentes, como dar 20 milhões de reais à campanha de um governador e, supostamente, um décimo disso a uma campanha presidencial. Aliás, a Odebrecht deu o mesmo valor às campanhas de Dilma e de José Serra, naquele ano…

Ou será que foi Costa que prometeu conseguir doações para construir uma teia de simpatias para que ele próprio pudesse, “enojadamente”, roubar a Petrobras?

De qualquer forma, a registrar que o “vazamento seletivo”, antes circunscrito aos Ministério Público Federal do Paraná, chegou à Procuradoria Geral da República.

A ver como reagirá o Procurador-Geral Rodrigo Janot a isto.

Porque, se ele mantém estes depoimentos a sete chaves, deve saber quem deles poderia “catar” nomes.

Ou se quem os enviou a ele está fazendo isso, traindo seu dever funcional.

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Contraponto 15.665 - "Mega investidor Soros dobra a carteira de Petrobras"

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20/12/2014

 

Mega investidor Soros dobra
a carteira de Petrobras

 

Ataulfo, desculpe, mas por que ele não compra ações da Globo ?



Conversa Afiada - 20/12/2014





Informa o Estadão, em estado comatoso, na reportagem de Altamiro Silva Junior, que “Soros compra mais ações da Petrobras”.

“Investidor dobra sua carteira no 3º trimestre”, quando o PiG e a Casa Grande, com seus agentes no PSDB, na Vara do Dr Moro e na PF do zé desabaram sobre a Petrobras.

Soros fechou o terceiro trimestre – diz a reportagem – com 5,1 milhões de ações e opções de compras da Petrobras.

No período anterior, ele tinha 2,4 milhões de papeis, também acima dos 2 milhões do primeiro trimestre, de acordo com dados enviados pelo Soros Fund Management à SEC, Securities Exchange Commission (a CVM americana, que segundo o Ataulfo (ver no ABC do C Af), vai implodir a Petrobras.)

Soros, um notório cretino (não é o que diz o Estadão…), administra uma carteira de US$ 28 bilhões.

Outro conjunto de cretinos irremediáveis é o que compõe a diretoria do Citi, que mandou seus clientes comprarem Petrobras.

Dilma, compra, compra, antes que eles comprem !









Navalha




Quer dizer, então que o Soros é outro que ignora solenemente o que diz e pensa seu ex-empregado, o Armínio Naufraga !

Porque, como diz o amigo navegante, 52% dos brasileiros entendem mais de Economia e de ações que o Naufraga.

Agora, amigo navegante, por que o Soros não compra ações da Globo, da Abril ou da Fel-lha ?
Ou do próprio estado comatoso ?

Inexplicável.

Trata-se, sem duvida, de um cretino !

Em tempo: o Valdir Macedo também não se interessa por nenhum desses quatro instrumentos da Casa Grande, acima citados.

No caso da Globo, ele se assusta com o passivo trabalhista: 18 mil empregados ! Onde já se viu isso numa empresa de entretenimento ! (Era uma vez o Globope e a Globo.)
Nem em Hollywood !

Valdir Macedo leu o estudo da mídia feito pelo Governo e o IBOPE e a análise isenta do ansioso blogueiro na TV Afiada.)

Em tempo2: esse Bessinha … – PHA


Paulo Henrique Amorim








NauFraga e o cretino patrão (D): só o Aecio leva ele a sério

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Contraponto 15.664 - "Há interesses geopolíticos contra a Petrobras, diz Belluzzo"

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 20/12/2014 
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Há interesses geopolíticos contra a Petrobras, diz Belluzzo

 

Carta Maior -18/12/2014

reprodução


por Darío Pignotti

A crise da Petrobras à luz do problema global do petróleo, mas o alarmismo da imprensa parece interessado em modificar o regime de partilha do pré-sal


“Há vários interesses geopolíticos interferindo na crise da Petrobras”, afirma Luiz Gonzaga Belluzzo, ao lembrar que as petroleiras norte-americanas ficaram de fora da exploração de uma enorme reserva da área do pré-sal onde estão presentes companhias chinesas, associadas à estatal brasileira.


O professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e eventual assessor da presidenta Dilma Rousseff analisa o escândalo em torno da operação Lava Jato a partir de um ângulo geopolítico e econômico, evitando o alarmismo da velha imprensa, que parece interessada em “modificar o regime da partilha e voltar ao de concessão”, segundo afirmou em entrevista à Carta Maior.


Mar de fundo



“Claro que tudo isto que acontece na Petrobras tem importância geopolítica. Acredito que os Estados Unidos não se conformem em terem ficado de fora da exploração do campo de Libra, no leilão do ano passado, vencido por um consórcio de petroleiras chinesas, e todo o mundo sabe que a China quer disputar novos leilões na área do pré-sal, fortalecendo sua presença”.


“A crise da Petrobras tem que ser compreendida em meio a um quadro maior, que é o problema global do petróleo, envolvendo a Rússia e as pressões feitas recentemente contra a Rússia, tentando encurralar o governo de Putin. Me parece difícil que as potências ocidentais consigam fazer a alma russa ceder”.


Dilma



“É absurdo vincular de algum modo a presidenta Dilma com a corrupção. É inaceitável que setores da oposição, setores da sociedade brasileira digam essas coisas que na verdade são conseqüência de não aceitarem que foram derrotados nas eleições. Isso é desconhecer o voto popular, isso é golpismo”.


Petróleo, Rússia e Brics



“Eu não sei se este escândalo é em represália pela participação brasileira nos Brics, o que sei é que a posição do Brasil nos Brics é algo que os Estados Unidos e a Europa olham atentamente. Quando alguém fala com funcionários internacionais, contam as pressões que o Brasil sofreu relacionadas ao banco de fomento e ao acordo do fundo de contingências dos Brics, que é uma espécie de novo FMI (acordos assinados neste ano na cúpula dos Brics de Fortaleza).



Se este fundo já estivesse em funcionamento hoje, talvez pudessem mitigar as pressões cambiais que a Rússia sofre e que estão afetando o Brasil também. As pressões de certos grupos são fortíssimas para que o Brasil se separe dos Brics e também do Mercosul, que estará reunido nesses dias na Argentina. E querem empurrar o Brasil para fazer um acordo com a União Europeia, que eu chamo de ‘volume morto da economia mundial’. Eu não digo que é preciso se separar dos Estados Unidos e da União Europeia”.

 
Petrobras e empreiteiras



“O peso da Petrobras e das empreiteiras na formação de capital fixo é fundamental no Brasil, então o que eu tenho manifestado é o temor de uma paralisia maior na economia. Existe o risco de que seja introduzido um fator depressivo em uma economia que se está comprometendo o corte de gastos e a austeridade com o novo governo.


É preciso saber discernir entre os eventuais crimes que tenham ocorrido e permitir que as empresas empreiteiras continuem operando porque não é possível substituí-las. Elas têm uma memória técnica muito importante, participaram em todas as grandes obras de infraestrutura desde o regime militar”.


“É preciso evitar um problema sistêmico, se a Petrobras continuar neste impasse, isto vai prejudicar as empresas provedoras da Petrobras, que já estão estranguladas e não estão cobrando”.


Hipocrisia



“Há muita hipocrisia no modo como a mídia trata a crise no Brasil. Fala-se com muito alarmismo da Petrobras e não se diz como agiram os norte-americanos diante da crise do subprime, foi um problema muito maior que o da Petrobras. Alguns bancos receberam multas pesadas, alguns executivos foram sancionados penalmente, foram menos do que aqui, mas ao final, os americanos preservaram as estruturas.


O Congresso introduziu mudanças nas leis financeiras para proteger os bancos e os depósitos. Foi um projeto redigido pelo Citigroup. E, frente a tudo isto, ninguém se escandaliza e ninguém fala de corrupção”.


Abutres



“Quando a justiça dos Estados Unidos intervém na crise da Petrobras diante das demandas dos advogados que patrocinam os acionistas, estamos vendo um procedimento estranho, parecido com o que aconteceu com os fundos abutres e a Argentina.


Claro que há acionistas da Petrobras na Bolsa de Nova York, os ADR são emitidos em Nova York, mas acredito que tudo isto seja um pretexto para poder levar o caso à justiça norte-americana”.


Capitalização estatal



“O governo teria que capitalizar a empresa, que está muito desvalorizada, seu valor de mercado está muito longe de seu valor patrimonial. O preço das ações da Petrobras está diminuindo aceleradamente porque as bolsas se movem seguindo as expectativas de curto prazo, e eu acredito que se enxergassem em longo prazo, o prelo das ações não teria uma queda tão significativa”.

 
Polícia



“As estruturas encarregadas de “vigiar e punir”, como dizia Foucault, como é a polícia federal, agem sem cuidar das estruturas empresariais fundamentais.

Isso é inevitável no Brasil. Aqui, a Polícia Federal e as polícias estaduais estiveram sempre sintonizadas com certos grupos políticos, com a imprensa e com setores do Poder Judiciário. É assim que o sistema funciona, e os membros da polícia atuam individualmente seguindo esta lógica. Não é pela maldade ou pela vontade deste ou daquele delegado, é o mecanismo existente que faz com que a investigação seja feita sem que se leve em conta as consequências que isso terá para o conjunto da sociedade”.


Globo


“O que se lê na cobertura do Globo é que eles querem transformar o regime de partilha que está em vigor pelo de concessão que se aplicava antes. Mas não se justifica um regime de concessão porque agora não há riscos para os privados porque as reservas já estão descobertas, seus recursos já estão estimados. E tudo isto é para tirar o controle da exploração da Petrobras e passar para as empresas petroleiras estrangeiras. Acredito que também querem trazer as construtoras estrangeiras, em especial as construtoras norte-americanas.


Esses grupos de imprensa sempre atacaram a Petrobras, desde a sua criação (1953).


Toda a imprensa brasileira, salvo o jornal Última Hora, esteve visceralmente contra a Petrobras e atacou a campanha “O Petróleo é Nosso”.


(As palavras de Belluzzo sobre o lobby da Globo a favor das empreiteiras norte-americanas ficaram em evidência em uma coluna de Carlos Alberto Sardenberg, que propôs a formação de um programa similar ao PROER dos anos 90, para socorrer e depurar as empreiteiras e ao mesmo tempo permitir que estas se associem a empresas estrangeiras). 


Maria das Graças Foster


“Acredito que não possamos subestimar o problema da corrupção na Petrobras, que mostraque houve falta de controle de suas autoridades. Essa corrupção enfraquece a empresa. Tenho a melhor impressão de Maria das Graças Foster, acredito que ela não esteja envolvida em nada, mas me parece que a direção da Petrobras deveria sair para conter a crise. Acredito que ela deveria ser substituída por um empresário ou por um militar.


Vou lembrar algo que parece meio desagradável, mas a verdade é que o Exército sempre teve um compromisso com o petróleo, por isso eu designaria uma militar democrata sério para administrar a Petrobras, isso daria credibilidade.


Há muitos militares democráticos?, perguntou Carta Maior.


“Sim, há. É preciso lembrar que o processo de criação da Petrobras contou com o apoio do exército. O golpe de 64 fez com que esses militares nacionalistas perdessem peso. Não se pode generalizar quando se fala dos militares. Depois do golpe, houve um grupo comprometido com a tortura, mas houve outro grupo que não estava. Por isso acredito que haja militares nacionalistas que agora podem dar uma contribuição com a Petrobras”.


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Contraponto 15.663 - "Obama faz elogio à medicina de Cuba"

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20/04/2009

Obama faz elogio à medicina de Cuba


Folha de S. Paulo -  20/12/2014


PORT OF SPAIN -- No último dia de sua primeira visita à América Latina, o presidente Barack Obama elogiou o trabalho dos médicos cubanos e sugeriu que os Estados Unidos deveriam seguir o exemplo e mandar mais do que armas à região e ao mundo como maneira de avançar os interesses americanos.

As declarações ocorreram ao final da Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago.

Disse que duvidava que dialogar com Venezuela e Cuba feriria os interesses estratégicos americanos. Na cúpula ele se disse disposto a ampliar a relação com a ilha, mas resistiu aos pedidos de interromper o embargo comercial que os EUA impõem ao país.

Na sua despedida, Obama definiu a sua forma de fazer política, já apelidada de "obamismo". Segundo ele, o importante é reconhecer que, na interação de seu país com o resto do mundo, "o poderio militar é apenas um braço".

Obama disse que , basicamente, os EUA continuam a ser o país mais poderoso e rico do mundo, mas têm de ouvir, não só falar. "Problemas que enfrentamos, como os cartéis de drogas, mudança climática, terrorismo, o que você quiser, não podem ser resolvidos por um só país", afirmou, distanciando-se do que pregava seu antecessor, George W. Bush. Segundo ponto, continuou, os EUA, em seus melhores momentos, representam um conjunto universal de valores e ideais.

Em relação a Cuba, citou o trabalho de médicos cubanos em países da região. Ele disse que eles são "uma lembrança" para os EUA, de que a interação com muitos países não pode ser "só a militar".

A cúpula terminou sem consenso na sua carta final. O venezuelano Hugo Chávez não assinou porque o documento não menciona Cuba nem faz uma análise crítica da crise financeira.
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Contraponto 15.662 - “Temos de punir as pessoas e não prejudicar o país”


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20/12/2014

“Temos de punir as pessoas e não prejudicar o país”



PauloMoreiraLeite -19 de dezembro de 2014 


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por Paulo Moreira Leite

Dirigindo-se ao cidadão comum, Dilma fala com clareza sobre a Petrobras no dia de sua diplomação como presidente

O dia da diplomação de Dilma Rousseff, vitoriosa no final uma das mais apertadas campanhas presidenciais desde 1889, quando Deodoro proclamou a República, começou tenso e complicado mas terminou com um surpreendente discurso da presidente, à noite.

Usando o microfone no salão vermelho do Tribunal Superior Eleitoral, Dilma não dirigiu-se a platéia de políticos, juristas e demais autoridades presentes, mas fez um pronunciamento voltado ao conjunto dos brasileiros, onde sua aprovação subiu para 40% de bom e ótimo nos últimos meses do ano. A presidente falou da Petrobras, defendeu os trabalhos da Comissão da Verdade e deixou claro que pretende manter os compromissos de defesa do emprego e do salários entre 2015 e 2019.

Dilma não respondeu a todas as interrogações que acompanham a formação do novo mas deu um sinal importante, ao passar 16 minutos prestando contas a quem a elegeu. É um cuidado indispensável. Embora a eleição tenha se encerrado há quase dois meses, e ninguém discuta a sua vitória, a oposição mantém-se firme na estratégia de procurar artifícios e atalhos para questionar o resultado.

Começando pelo começo. Ontem, cinquenta e dois dias depois de perder a eleição nas urnas, o PSDB tentou estragar a festa de diplomação com uma tentativa de virar o jogo às costas do eleitor e foi ao TSE pedir a cassação do mandato de Dilma e de seu vice, Michel Temer, alegando “abuso de poder, político e econômico”. Num argumento que sugere uma tremenda falta de consideração estatística pela decisão soberana dos eleitores, alegou também que a presidenta obteve uma vantagem “pífia” sobre Aécio Neves. (Foram 3,5 milhões de votos, ou 3,3%, margem típica de uma eleição disputada, em qualquer parte do mundo — onde nenhum político sério de eleitores-pífios.)

Demonstrando uma imensa falta de critério para escolher caminhos para chegar ao poder na primeira oportunidade, o PSDB solicitou, no mesmo documento, que, depois do imaginário afastamento de Dilma e Temer, seus candidatos, Aécio Neves e o vice, Aloysio Nunes Ferreira, sejam empossados automáticamente nas vagas de presidente e vice — sem que o eleitor tenha o direito de dizer o que acha disso tudo. Como sabem os eleitores de diversas cidades brasileiras que já tiveram prefeitos e vices cassados pela Justiça, a jurisprudência recomenda que sejam realizadas eleições sempre que se anula a vitória de um candidato que teve apoio superior a 50% do eleitorado. Dessa maneira, tenta-se impedir a posse de um candidato que não teve apoio da maioria — pífia ou não –, como determina o princípio básico de toda eleição.

O temor, de novo, é a voz dos pífios. Numa hipotética segunda eleição — que está fora de todo horizonte real — a emenda iria sair muito pior do que o soneto. Isso porque o PT seria obrigado a convocar Luiz Inácio Lula da Silva e seu IBOPE de mais popular político brasileiro para entrar em campo.

O pedido contra Dilma confirma a imensa dificuldade do PSDB para aprender que nem sempre se pode ganhar na luta política. Isso é surpreendente, considerando que já foram quatro derrotas presidenciais consecutivas, sem falar no sério risco de Marina Silva tirar Aécio do segundo turno em 2014.

No discurso de encerramento da cerimonia de diplomação, o ministro José Augusto Toffoli, presidente do TSE, disse que “eleições concluídas são, para o poder o judiciário eleitoral, uma página virada. Não haverá terceiro turno na Justiça Eleitoral. Não há espaço. Que os especuladores se calem."

Toffoli ainda revelou para a platéia de autoridades, advogados e promotores que assistiam a cerimonia: ” Já conversei com a corte e esta é a posição inclusive de nosso corregedor geral. Não há espaço para terceiro turno que possa vir a cassar o voto desses 54.501.118 eleitores,” disse.
Sentada ao lado do presidente do TSE, Dilma sorriu e pousou a mão em seu braço.

No final da campanha presidencial, Toffoli passou a ser considerado, nos meios jurídicos do governo e do Partido dos Trabalhadores, como a demonstração definitiva da “incrível infelicidade de Lula ao indicar ministros do Supremo,” como escreveu o colunista Fernando Brito, do Tijolaço. Isso ocorreu em função de diversas decisões contrarias a Dilma no TSE, em situações nas quais parecia muito razoável, aos advogados da presidenta-candidata, que um magistrado equilibrado tivesse apoiado seu ponto de vista. Nos últimos meses, muitas atitudes de Toffoli são vistas como demonstrações de poder de um magistrado que, apesar da origem petista, não conseguiu manter uma boa interlocução junto aos centros de decisão do governo Dilma.

Embora os brasileiros tenham o direito a sua cota de alívio ao ouvir o presidente do TSE rejeitar aventuras contra a vontade do eleitor, não custa lembrar a boa tradição jurídica que ensina que os magistrados devem falar através dos autos. Também devem evitar apreciações de caráter político.

É uma questão de método, dizem os filósofos. O mesmo juiz que se considera no direito de afirmar que “não haverá terceiro turno, não há espaço,” pode acordar, um belo dia, e concluir que agora “há espaço”e que a tal página “não foi virada” e que os especuladores “devem falar em vez de calar.”

A atuação de Dias Toffoli à frente do TSE, em 2014, contribuiu para criar situações desnecessárias de tensão e de alarme falso. Ele demonstrou pressa em dar início ao processo que levou a substituição de Henrique Neves, um ministro cujo mandato expirou no início de novembro, que tinha função de relator das contas de campanha do PT. Não havia a menor urgência real no caso. A escolha era um direito natural da presidente Dilma Rousseff, favorável a manutenção de Henrique Neves, como o próprio Toffoli. Mas outras vozes dos meios jurídicos preferiam — e fizeram sua opção chegar a Dilma de modo assertivo, digamos assim — a indicação do ministro-substituvo Admar Gonzaga para o posto.

A divergência acabou gerando um impasse, quando Toffoli deu início ao processo aleatório que terminou por conduzir nomeação de Gilmar Mendes para relatar as contas da campanha do PT, situação temerária quando se considera as críticas duras e sem constragimento que o ministro faz ao partido.

No final, Gilmar aprovou as contas, com ressalvas, por 7 a 0, placar festejado pelo PT em função das avaliações que previam uma rejeição por 4 a 3. Apesar do placar típico de goleada, não foi uma decisão sem sequelas.

Por trás da palavra “ressalvas” escondem-se objeções que ajudaram o PSDB a formular seu pedido de impugnação. O selo da assessoria técnica do TSE lhe dava legimitidade, para usar um termo caro a Fernando Henrique Cardoso. Também pode ser usado mais tarde, caso a temperatura política do país volte a subir. Gilmar Mendes entregou as supostas irregularidades denunciadas no laudo da Assessoria Técnica para a Polícia Federal e o Ministério Público. Isso quer dizer que que, mesmo sem provas consistentes, poderão auxiliar a oposição a fustigar o governo.

Num livro de 178 páginas, “A Classe Operária Vai ao Parlamento,” o historiador Dainis Karepovs descreve as eleições no Brasil da República Velha, anterior a 1930, mostrando uma situação que tem paralelos com a disputa de hoje.

A obra descreve um processo que, sintomaticamente, era chamado de “Terceiro Escrutínio”, ou “Degola”, e que tem uma semelhança óbvia com toda tentativa contemporânea de Terceiro Turno. A partir de um complexo processo de apuração, contagem e queima de votos, as forças da ordem arrumavam o resultado saído das urnas, assegurando vitórias permanentes para seus candidatos.

Os poucos concorrentes de oposição que saiam vitoriosos, explica Karepovs, colhiam vantagens de amizades poderosas e outros recursos invisíveis que facilitavam uma acomodação a seu favor.

O Brasil de 2014 não tem a mais remota relação com aquele país anterior a Revolução de 1930. A mudança essencial, que se consolidou em várias Constituições até chega a de 1988, consiste na compreensão — real e não apenas literária — de que os poderes emanam do povo e em seu nome são exercidos.

Isso explica as quatro vitórias consecutivas de uma candidatura como a de Lula-Dilma, que seriam impensáveis mesmo no Brasil da Carta de 1946, onde um dissidente saído da elite governente foi levado ao suicídio e o outro derrubado por tanques, baionetas e jornais. Mesmo as amplas garantias democráticas de hoje não impedem movimentos que tentam explorar atalhos antidemocraticos para recuperar posições negadas pelas urnas.

Procurando descrever os esforços dos primeiros líderes de trabalhadores que tentaram defender seus direitos no plano político, “A Classe Operária vai ao Parlamento” permite analogias inspiradoras com o Brasil atual, quando se procura criminalizar o governo de um partido nascido nas lutas populares.

No ponto central de seu pronunciamento, a Petrobras, Dilma fez um discurso destinado ao país inteiro mas, especialmente, a seus eleitores. Aí reside a importância do que ela disse. Aos petistas que enfrentam as denúncias lembrando as inesquecíveis mazelas produzidas no passado pelo PSDB, a presidente lembrou que o governo recebeu uma “herança nefasta” mas ela “não pode servir de álibi para ninguém nem para nada.”

A quem procura construir uma visão apocalíptica da Petrobras, torcendo para a abertura de uma crise política capaz de emparedar o governo, lembrou que se é preciso punir as práticas condenáveis de “alguns funcionários”, também é necessário “punir as pessoas, não destruir as empresas,” apontado para o verdadeiro risco: “Temos que saber punir o crime, não prejudicar o país e sua economia. ” Também falou em abrir as portas para combater a corrupção e não para impedir o crescimento.

Prevendo que, por trás das denúncias, logo se armará um coro a favor de medidas privatizantes, Dilma colocou a discussão em termos claros: “Toda vez que, no Brasil, se tentou condenar e desprestigiar o capital nacional estavam tentando, na verdade, dilapidar o nosso maior patrimônio  – nossa independência e nossa soberania.”
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Contraponto 15.661 - "Vox Populi confirma o que a urna já disse: o povo não é bobo."

 

20/12/2014


Vox Populi confirma o que a urna já disse: o povo não é bobo.

 
Tijolaço - 20 de dezembro de 2014 | 06:17 Autor: Miguel do Rosário
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sergio guerra petrobras


Miguel do Rosário

Marcos Coimbra, em artigo para a Carta Capital, analisa a pesquisa realizada pelo instituto dirigido por ele, Vox Populi, sobre o escândalo da Petrobrás.

A pesquisa revela o estrondoso fracasso da mídia em colar uma estrela do PT na corrupção da estatal.

Após identificar que a grande maioria (86%), sem variação significativa segundo nível de escolaridade, conhece o escândalo da Petrobrás, a pesquisa sondou a quem os entrevistados responsabilizam pelos mal feitos.

Destaco os seguintes trechos:

Quase 70% acha que “as irregularidades na Petrobras vêm de antes do PT (chegar ao governo federal)”.

Sobre quais partidos estariam “envolvidos nas irregularidades”, 7% dos entrevistados responderam “só o PT” e 18% cravaram “o PT e os partidos da base aliada, como PMDB, PP etc”.
Os dois terços restantes disseram que “todos os partidos, incluindo o PSDB, o PSB e o DEM”.
Pois é.

Como dizia aquele refrão batido, tão comum nos anos 70 e 80: o povo não é bobo…

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A Petrobras e a Opinião Pública

Nenhum partido está isento de culpa no escândalo da estatal, aponta pesquisa nacional do Vox Populi

Por Marcos Coimbra, na Carta Capital n˚ 831.

Para quem acompanhou o carnaval da “grande mídia” em torno das pesquisas em 2014, soa estranho o silêncio atual a respeito da crise da Petrobras. Seus veículos trombeteiam o assunto há 3 meses, mas não dedicaram a ele uma única e escassa pesquisa.

Exagero. Houve uma, realizada pelo Datafolha no início de dezembro. Ficou famosa pela extravagante manchete gerada a partir da leitura das informações pela Folha de São Paulo, dona do instituto: “Brasileiro responsabiliza Dilma por caso Petrobras”.

Nenhum outro levantamento foi encomendado. Como se aquele resolvesse a questão e o resultado bastasse. Como se não fosse tão questionável que até a ombudsman do jornal criticaria a despropositada matemática usada pelos editores ao noticiá-la.

Tamanha parcimônia contrasta com o exuberante investimento em pesquisas que a mídia corporativa fez neste ano. Embora tenha sido quase todo bancado pela TV Globo, que financiou as empresas menores, foi uma tal superoferta de pesquisas que, na reta final da eleição presidencial, o cidadão mal conseguia respirar antes de um novo levantamento ser divulgado.

A abundância tinha a ver, é claro, com a torcida para Dilma Rousseff cair nas intenções de voto.

Tantas pesquisas refletiam o desejo dos donos de jornal (e seus funcionários) de crescimento de uma das candidaturas a ponto de suplantar a petista. Como sabemos, gastaram dinheiro em vão.

Algo semelhante acontece com as oposições partidárias. Atravessamos o ano a ouvir os líderes oposicionistas citando resultados de pesquisa a torto e a direito: O “desejo de mudança”, a “rejeição ao PT”, a “reprovação do governo”. Seu discurso atual a respeito da crise na Petrobras prescinde, no entanto, de quaisquer referências à opinião pública.

É pena. Todos ganharíamos se ouvíssemos mais e mais frequentemente os cidadãos. Saberíamos o que pensam e compreenderíamos melhor suas manifestações, especialmente as mais importantes, como os resultados eleitorais. Evitaríamos equívocos de interpretação e erros de tomada de posição.

Entre os dias 5 e 8 de dezembro, o Vox Populi fez uma ampla pesquisa nacional, com 2,5 mil entrevistas, distribuídas em 178 municípios. Tratou de vários assuntos e incluiu perguntas sobre a Petrobras.

Ao contrário da tese de alguns próceres tucanos e dos muitos mal informados na sociedade, para os quais a vasta maioria da população ignora o que se passa no Brasil, apenas 13% dos entrevistados não tinham ouvido falar das denúncias de irregularidades na empresa. Em outras palavras, 86% da população as conhecia, sem variações significativas segundo os níveis de escolaridade: 85% entre aqueles com ensino fundamental, 87% no ensino médio e 89% no nível superior.

Entre quem tinha ouvido falar no assunto, 69% acreditavam que “as irregularidades na Petrobras vêm de antes do PT (chegar ao governo federal)”. Dos restantes, 23% disseram achar que “começaram com o PT” e 8% “não sabiam”. Sobre quais partidos estariam “envolvidos nas irregularidades”, 7% dos entrevistados responderam “só o PT” e 18% cravaram “o PT e os partidos da base aliada, como PMDB, PP etc”. Os dois terços restantes disseram que “todos os partidos, incluindo o PSDB, o PSB e o DEM”.

Como se vê, a percepção da grande maioria da opinião pública conflita com o noticiário da mídia hegemônica, que não se cansa de apresentar o PT como o grande vilão no caso. E não poupa as lideranças tucanas, na contramão da imagem de paladinos da moralidade que imaginam possuir.

Aliás, quando a pesquisa pediu a opinião sobre qual dos três últimos presidentes da República “mais combateu a corrupção”, as respostas foram Lula 31%, Dilma 29% e Fernando Henrique Cardoso 11% (os restantes 29% disseram “não saber” ou não responderam). Feitas as contas, 60% escolheram um governante do PT, enquanto FHC nem sequer atinge um quarto do eleitorado que votou no PSDB em outubro.

Por que a mídia prefere não fazer pesquisas sobre o tema? Por que os líderes da oposição se permitem falar ignorando a imagem real que possuem? Hipótese: no fundo, eles não dão o menor valor para o que pensa o cidadão comum.

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Contraponto 15.660 - " 'Decisão de Obama calou oposição no Brasil', diz Samuel Pinheiro Guimarães"


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20/12/2014 

 

“Decisão de Obama calou oposição no Brasil”, diz Samuel Pinheiro Guimarães

 

Para embaixador, Lula e Dilma tomaram decisões acertadas ao financiar porto em Cuba e chamar médicos do país ao Brasil

 

UltimosegundoIG - 19/12/2014 

 

A decisão do presidente norte-amerciano, Barack Obama, de reatar relações diplomáticas com Cuba surpreendeu o mundo e não foi diferente com o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, um dos mais experientes diplomatas brasileiros. “Foi uma decisão forte, abrangente”, elogiou Guimarães em entrevista ao iG.



Reuters
Obama e Raúl Castro em encontro recente: reaproximação ainda não eliminou embargo


O embaixador não deixou de relacionar a mudança de comportamento do governo dos Estados Unidos aos recentes ataques da oposição no Brasil que, durante a campanha, fez coro com as críticas de que o governo petista estaria financiando o regime comunista, com o financiamento de empreendimentos em Cuba, como o Porto de Mariel.

Leia mais:

Barack Obama e Raúl Castro anunciam aproximação histórica entre Cuba e EUA

“A decisão de Obama calou a oposição no Brasil. A oposição nem pode deixar de estar calada, até porque, para criticar, teria que atacar os Estados Unidos, o que para eles seria muito confortável. Eles não se sentem muito confortáveis nesta posição”, atacou.

Guimarães lembrou do protagonismo do Brasil na defesa da participação de Cuba em fóruns internacionais e ainda elogiou a política em relação a Cuba desempenhada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidente, Dilma Rousseff, de financiar o porto e de chamar os médicos cubanos para o programa Mais Médicos. “Foram decisões muito acertadas”, avaliou.

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira (17) uma série de mudanças nas relações entre o país e Cuba. Foto: AP Photo/Doug Mills, Pool

O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira (17) uma série de mudanças nas relações entre o país e Cuba. Foto: AP Photo/Doug Mills, Pool


Confira a entrevista:

iG - Que análise o senhor faz da decisão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de reatar relações do país com Cuba?

Samuel Pinheiro Guimarães -
 Eu acho que estamos vivendo um momento muito importante. Há 52 anos, os Estados Unidos não só decretaram um embargo unilateral em relação a Cuba, como também convenceram muitos países a imitar este embargo. Isso gerou um isolamento muito grande de Cuba e configurou uma clara agressão aos princípios de autodeterminação e de não intervenção que são os princípios básicos do sistema internacional. Agora o presidente Obama dá o primeiro passo para encerrar esta questão, com o reatamento das relações diplomáticas, com afrouxamento de uma série de medidas prejudiciais a Cuba, o anúncio da abertura de embaixadas.

Em relação ao foi do embargo econômico, Obama ainda dependerá do Congresso norte-americano, onde não tem mais maioria. Isso compromete a abrangência de sua decisão?

Foi uma decisão forte, abrangente, na medida em que ele fez o que estava ao alcance do Executivo. Realmente, o fim do embargo depende da aprovação do Congresso. Mas houve uma série de medidas e sua posição não é nada tímida.

Recentemente, as eleições no Brasil trouxeram discussões acirradas sobre a política externa dos governos petistas, bastante próxima de Cuba. Que influência o novo posicionamento de Obama pode ter em relação a esta questão no Brasil?

Eu acho que todo este episódio também veio mostrar que o ex-presidente Lula, quando tomou sua decisão de apoiar Cuba, não só no Porto de Mariel, mas muito antes, e a presidente Dilma, com o programa Mais Médicos, tomaram decisões muito acertadas. Os dois foram muito criticados pela oposição no Brasil, como sendo apoio ao regime comunista e assim por diante. O Brasil já havia patrocinado a participação de Cuba nos organismos das Américas, mesmo antes da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), na Cúpula Ibero-americana. De modo que o Brasil teve uma posição avançada. A decisão de Obama calou a oposição no Brasil. A oposição nem pode deixar de estar calada, até porque, para criticar, teria que atacar os Estados Unidos, o que para eles seria muito confortável. Eles não se sentem muito confortáveis nesta posição, atacou.

Leia também:
O que o Brasil ganha com a reaproximação Cuba-EUA?"A história vai provar que Obama está certo", publica New York TimesGoverno diz que reaproximação entre EUA e Cuba elimina resquício da Guerra Fria

Que contexto o senhor observa na decisão de Obama, já que ele, somente agora, em seu segundo mandato e com minoria no parlamento, tomou tal decisão?

Sempre houve pressão interna e externa muito grande pelo fim do embargo. Internamente, existe a comunidade de cubanos que moram nos Estados Unidos que ganharam uma importância política muito grande. Além disso, sempre houve uma pressão para melhorar as relações dos Estados Unidos com os países da América Latina, não só com Cuba, mas praticamente com todos os países do continente. Todos esses países têm relações diplomáticas com Cuba e todos sempre pressionaram muito pelo fim do embargo. O embargo é condenado até hoje na Assembleia Geral das Nações Unidas, todos os anos. Esta decisão favorece a imagem dos Estados Unidos no mundo, e em especial, perante a América Latina.

O senhor considera que a motivação desta decisão é mais política ou econômica?Mais política. Cuba é um país que tem 11 milhões de habitantes aproximadamente. Não é, portanto, um grande mercado. É claro que haverá um aumento do turismo de Cuba para os Estados Unidos e vice-versa, mas os Estados Unidos tem 350 milhões de habitantes o que deverá gerar um fluxo de turistas para Cuba muito maior do que o contrário.

O que o Brasil tem a ganhar com esta decisão?

O Brasil foi muito criticado por ter financiado a construção do Porto de Mariel, um porto que não é do Brasil, é um porto cubano, mas há pelo menos cerca 15 empresas brasileiras que já estão se instalando na área industrial em volta do porto. Não tenho todos os detalhes, mas trata-se de uma zona especial como as que foram criadas China. Nós exportamos principalmente para o mercado norte-americano, de modo que esta decisão foi muito acertada.

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Por Luciana Lima , iG Brasília |

Contraponto 15.659 - "Graça Foster, Porto de Mariel, Abreu e Lima e EUA, Petrobras sai mais forte"

É possível que Graça Foster novamente transforme desafios em oportunidades e saia da Petrobras de cabeça erguida fortalecendo inclusive a posição do Governo Federal em termos de estratégia macroeconômica

MIR MEIRELLES
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Mir MeirellesCom a confiança da Presidenta Dilma Rousseff, Graça Foster deve ficar, ou até a tempestade passar e as ações da Petrobras estiverem em equilíbrio, ou até ser envolvida diretamente na Operação Lava Jato. Dilma acredita que a qualquer sinal de fraqueza possa dar força ao movimento de impeachment liderado pelo PSDB, se necessário vai trocar primeiro toda a diretoria por técnicos de carreira da Petrobras mantendo a confiança no patrimônio humano da empresa, e colocando toda responsabilidade pela recuperação da Petrobras na estratégia de mercado até então implementada com sucesso pela Presidente Graça Foster e por ela encabeçada, mantendo assim a estratégia do regime de partilha e a manutenção da proporção de derivados da indústria nacional.
Simultaneamente o recente acordo entre EUA e Cuba, o provável fim dos bloqueios e retomada das relações comerciais, mesmo que graduais, possibilitam ao Brasil uma redução do custo logístico de acesso ao mercado norte americano, assim como do México, Canadá e América Central, através do Porto de Mariel, da mesma forma que a nova circunstância do mercado torna a compra da Refinaria de Pasadena uma vantagem comercial estratégica para a Petrobras, tendo EUA como mercado alvo e apresentando vantagens sobre seus concorrentes, como a produção crescente e a segurança de fornecimento de longo prazo, condições que trazem também estabilidade liquidez e crédito à Petrobras.

A recente atividade da Refinaria Abreu e Lima aumenta o abastecimento de derivados do petróleo a partir da produção nacional. Isso significa que o déficit da Petrobras em função do subsídio ao mercado interno de gasolina cai sensivelmente, incluindo-se nessa conta a queda do preço do petróleo no mercado internacional. Com devidos ajustes na estratégia e no cronograma de investimentos, inclusive considerando os parceiros comerciais na exploração que também sofrerão o impacto da queda drástica do preço do barril, é possível que Graça Foster novamente transforme desafios em oportunidades e saia da Petrobras de cabeça erguida fortalecendo inclusive a posição do Governo Federal em termos de estratégia macroeconômica.

O momento é de calma, convicção, confiança e trabalho, e assim a Petrobras vai passar por essa tempestade em alto mar, e como disse Moro, "sairá mais forte do que entrou".

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Contraponto 15.658 - "Como Toffoli pôs fim ao terceiro turno"

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 20/12/2014

 Como Toffoli pôs fim ao terceiro turno 
 


Terminou o terceiro turno
Terminou o terceiro turno


Paulo NogueiraTenho horror à retórica esclerosada e pomposa dos juízes do STF, um sentimento que se intensifica com aquelas togas medonhas que remetem a eras medievais.

Dito isto, o ministro Toffoli merece aplausos de pé pelas palavras simples, claras, breves e extraordinariamente oportunas com as quais encerrou a cerimônia de diplomação de Dilma.

“Não haverá terceiro turno na Justiça Eleitoral”, disse ele.

Foi sem dúvida o pronunciamento mais importante na carreira de Toffoli – sem os rococós intermináveis que são a marca dos votos dos juízes da Suprema Corte.

Ao avisar que não haveria terceiro turno, na condição de presidente do TSE, Toffoli na prática matou o terceiro turno que o PSDB pateticamente vinha tentando alimentar.

O capítulo mais grotesto dessa tentativa se deu pouco antes das palavras de Toffoli, quando o site do PSDB anunciou que estava pedindo à Justiça a diplomação de Aécio e não de Dilma.

Está certo que Aécio acredite na versão de que “perdeu ganhando”, um dos mais batidos prêmios de consolação já inventados pelos perdedores da humanidade.

Mas daí a reivindicar a presidência com um déficit de quatro milhões de votos em relação a Dilma é a chamada coisa de louco.

Como o bizarro pedido do PSDB foi feito pouco antes da diplomação, criou-se, entre os mais ingênuos adeptos de Aécio, a ilusão de que a qualquer momento da cerimônia pediriam a Dilma que se levantasse e cedesse o lugar a Aécio.

Quase tão bem-vindas quanto as palavras de Toffoli foi o silêncio de Gilmar Mendes, que decidiu não emprestar seu formidável prestígio a Dilma na diplomação.

Gilmar fez questão, no entanto, de que seu nome que inspira multidões fosse pronunciado.

Pediu a Toffoli que avisasse, publicamente, que ele não comparecera porque assumira um compromisso anterior.

Claro que alguém como Gilmar tem muitos compromissos mais importantes do que a diplomação presidencial.

Toffoli não disse onde estava Gilmar, mas juntando fios soltos é possível especular que ele estivesse mediando as negociações entre Obama e Raul Castro para a reaproximação entre Cuba e Estados Unidos.

Outra hipótese é que estivesse ajudando Putin a lidar com o dramático problema da desvalorização do rublo.

Que seria do mundo ocidental, e mesmo oriental, sem Gilmar?

Mas, mesmo sem ele, a noite de ontem teve uma dimensão que outras diplomações jamais tiveram.

E o responsável por isso foi Toffoli, justo Toffoli, tão criticado nas últimas semanas por Nassif por estar à frente de uma trama golpista de cunho jurídico ao lado de Gilmar.

Toffoli poderá fazer mil, um milhão de pronunciamentos no restante de sua carreira.

Nenhum deles, no entanto, terá a grandeza épica do de ontem.

Quanto ao não diplomado, minha mãe, com sua elegância intransponível,  me mataria se eu dissesse o que penso. Mas uma imagem que circula pela internet representa exemplarmente o papel de Aécio.

Peço licença a mamãe para reproduzir o que diz a imagem. É um diploma igual ao que Dilma recebeu. E está dito ali que Aécio Neves foi solenemente diplomado CUZÃO, com maiúsculas.

Perdão, mãezinha, mas não encontrei no dicionário palavra que descreva melhor Aécio Neves.


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Paulo Nogueira. Jornalista, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Contraponto 15.657 - "Em busca do diploma, Aécio vira piada nas redes"

No Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira também escreveu a respeito:
Aécio precisa ser informado de que perdeu
As pessoas se perguntavam nas redes sociais: é piada?
Mas não. Não era.
Pouco antes da diplomação de Dilma hoje, o PSDB solicitou ao TSE o seguinte. Que, em vez de Dilma, Aécio fosse diplomado.
Quer dizer: o PSDB quer cassar mais de 54 milhões de votos.
Há detalhes até engraçados. Você pode imaginar a cena: um mensageiro do PSDB vai em louca correria ao presidente do TSE para entregar-lhe o pedido e, ao chegar a seu escritório, descobre que ele já está diplomando Dilma.
Em quem teria se inspirado o PSDB? No Fluminense, que escapou da segunda divisão no ano passado graças ao tapetão de última hora?
No grande filme de Dustin Hoffman em que ele salva a amada de um casamento torto em plena igreja, quando ela, belíssima em seu vestido de noiva, estava prestes a dizer sim?
O desfecho seria perfeito, como comédia, se no momento em que Toffoli entregava o diploma a Dilma o presidente do PSDB, Aécio, irrompesse na sala e cantasse: “Por favor, pare agora. Senhor juiz, pare agora.”
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Contraponto 15.656 - "A tentativa do PSDB de diplomar Aécio e não Dilma"

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19/12/2014


A tentativa do PSDB de diplomar Aécio e não Dilma


Aécio precisa ser informado de que perdeu
Aécio precisa ser informado de que perdeu 

Paulo Nogueira

Paulo NogueiraAs pessoas se perguntavam nas redes sociais: é piada?

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Mas não. Não era.

Pouco antes da diplomação de Dilma hoje, o PSDB solicitou ao TSE o seguinte. Que, em vez de Dilma, Aécio fosse diplomado.

Quer dizer: o PSDB quer cassar mais de 54 milhões de votos.

Há detalhes até engraçados. Você pode imaginar a cena: um mensageiro do PSDB vai em louca correria ao presidente do TSE para entregar-lhe o pedido e, ao chegar a seu escritório, descobre que ele já está diplomando Dilma.

Em quem teria se inspirado o PSDB? No Fluminense, que escapou da segunda divisão no ano passado graças ao tapetão de última hora?

No grande filme de Dustin Hoffman em que ele salva a amada de um casamento torto em plena igreja, quando ela, belíssima em seu vestido de noiva, estava prestes a dizer sim?

O desfecho seria perfeito, como comédia, se no momento em que Toffoli entregava o diploma a Dilma o presidente do PSDB, Aécio, irrompesse na sala e cantasse: “Por favor, pare agora. Senhor juiz, pare agora.”

O final não foi este, e sim o esperado. Dilma foi diplomada e fez um discurso em que sublinhou seu compromisso com a “justiça social”. Falou também num “grande pacto”, de todos os poderes da República, contra a corrupção.

O tempo dirá quanto ela cumprirá da agenda ampla que anunciou nesta noite da diplomação.

Só se poderá julgar o segundo mandato de Dilma com o correr dos longos dias.

Desde já, no entanto, é legítimo dizer que a tentativa do PSDB de colocar o diploma nas mãos de Aécio, e não de Dilma, é um dos capítulos mais patéticos da história política nacional.

O PSDB já não está mais se comportando como um grupo reacionário e disposto a tudo para chegar ao Planalto por quaisquer meios. Está agindo como um bando de lunáticos.

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Paulo Nogueira. Jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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PITACO DO ContrapontoPIG
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"Aécio precisa ser informado de que perdeu".
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Calma. Aécio ainda está navegando em nuvens brancas enfileiradas. Quando ele baixar será informado da derrota. 
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Contraponto 15.655 - "Veríssimo contesta tese dos 'dois lados' na ditadura

Num corajoso artigo publicado nesta quinta-feira, chamado 'Os dois lados', o escritor Luis Fernando Verissimo contesta a tese de que agentes do Estado que prendem dissidentes, matam e torturam podem ser igualados a cidadãos que combatem um regime ilegítimo.

"A principal diferença entre um lado e outro é que os crimes de um lado, justificados ou não, foram de sublevação contra o regime, e os crimes de outro lado foram do regime. Foram crimes do Estado brasileiro. Agentes públicos, pagos por mim e por você, torturaram e mataram dentro de prédios públicos pagos por nós. E, enquanto a aberração que levou a tortura e outros excessos da repressão não for reconhecida, tudo o que aconteceu nos porões da ditadura continua a ter a nossa cumplicidade tácita. ão aceitar a diferença entre a violência clandestina de contestação a um regime ilegítimo e a violência que arrasta toda uma nação para os porões da ditadura é desonesto", diz ele.

Veríssimo cobra ainda um pedido de desculpas dos militares. "Enquanto perdurar o silêncio dos militares, perdura a aberração. E você eu não sei, mas eu não quero mais ser seu cúmplice."

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Contraponto 15.654 - "Jornal Nacional altera resultados da pesquisa Ibope-CNI"

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18/12/2014

 

Jornal Nacional altera resultados da pesquisa Ibope-CNI

 





 


O Jornal Nacional divulgou na quarta à noite Pesquisa IBOPE-CNI com resultados diversos daqueles que constam no material entregue aos jornais.

A pesquisa é trimestral. Pelo material divulgado pelo IBOPE, foram efetuadas pesquisas em junho, setembro e agora em 8 dezembro.

Pela pesquisa, a aprovação do governo Dilma subiu de 44% para 52% no período.


Já o Jornal Nacional se baseia em uma série histórica não mencionada no material. Menciona pesquisas que teriam ocorrido em 15 de outubro, 23 de outubro e 24 de outubro e, depois, a de 17 de dezembro.

Com isso, em vez de uma recuperação da aprovação de Dilma, o JN apresentou uma suposta queda de  58% para 52%.




O mesmo ocorreu com o dado sobre a popularidade de Dilma.

Pela pesquisa IBOPE-CNI,  o índice de Ótimo-Bom saltou de 31% para 40%; a Aprovação à maneira de governar passou de 44 para 52%; e o Indice de Confiança na presidente de 41% para 51%.

Pelos dados divulgados no Jornal Nacional, a avaliação do governo teria caído de 46% para 40%.
O JN não explicou o motivo para essa discrepância entre os dados oficiais da pesquisa e aquela
divulgada por ele.


Arquivo

 
 
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PITACO DO ContrapontoPIG

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É triste constatar.
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Manipulando, mentindo, distorcendo, o JN continua  tentando  - e em parte conseguindo - imbecilizar o povo brasileiro.
 
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Contraponto 15.653 - " Dilma, faça como Obama!"





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18/12/2014

Dilma, faça como Obama!

TerezaCruvinel - 18/12/2014


dilma obama 13

por Tereza Cruvinel


Tereza CruvinelSegundo mandato é chance de avançar sem temer as urnas

Barack Obama não teria dado o passo histórico que deu ontem em relação a Cuba se ainda tivesse pela frente a disputa da reeleição. Os republicanos, a direita, os maccartistas e a mídia conservadora promoveriam uma tempestade de acusações, inclusive a de traição, que poderiam ter efeitos eleitorais. Foi também usando os poderes presidenciais, sem precisar do Congresso, que ele alterou as regras para a imigração e para facilitar a vida dos imigrantes ilegais, medida que, ao lado do reatamento com Cuba, remetem ao velho sonho de uma América para todos.

Dilma Rousseff, que será diplomada hoje para exercer o segundo mandato, devia mirar-se no exemplo de Obama e fazer tudo o que não fez no primeiro mandato por causa das contingências reeleitorais.

O primeiro assunto espinhoso mas que agora ela estará mais livre para enfrentar é o da regulação econômica da mídia, expressão que ela prefere utilizar para evitar especulações sobre controle de conteúdo e censura, vade retro, que ninguém jamais defendeu isso. Dilma promete para o segundo semestre de 2015 uma consulta pública sobre o tema. O apetite dela pelo tema é pequeno, temendo talvez retaliações na cobertura do seu mandato. Mas quem não tem urnas deve olhar mais para a História, como fez Obama, e não para as manchetes.

Outro tema espinhoso é o da reforma política. Tudo bem que este depende do Congresso mas Dilma pode colocar as reservas de lado, levantar a bandeira e enviar uma proposta ao Legislativo. Pode ainda propor novamente o plebiscito ou o referendo. Se o Congresso novamente engavetar o assunto, ficará na biografia presidencial de Dilma que ela tentou, empenhou-se, fez o que pode para enfrentar esta urgência da democracia brasileira.

E há uma série de outras medidas que ela pode implementar por decreto, dispensando a aprovação parlamentar. Não é crível que o Congresso vá derrubar um a um como fez com o decreto que ampliava a participação popular nos conselhos dos órgãos responsáveis por grandes políticas públicas, como saúde, educação, assistência social e outros. Há um mundo de coisas que Dilma ficou devendo e que podem ser enfrentadas agora sem dependência do Congresso, a começar pela ampliação da reforma agrária e o avanço na demarcação de terras indígenas. Deve regulamentar com urgência a Lei Anti-Corrupção, que pune corruptos e também corruptores, inclusive pessoas jurídicas. As empresas que caíram na operação Lava Jato estão sujeitas a lei, mas sem a regulamentação, o juiz punirá segundo sua própria interpretação.

Dilma poderá também, livre da miragem das urnas, dar algumas consequências ao relatório da Comissão da Verdade, ainda que qualquer releitura da Lei da Anistia dependa do Judiciário, não do Executivo. Mas algumas coisas o governo pode fazer, a começar pelo pedido de desculpas em nome do Estado, subscrito pelas Forças Armadas, que continuam caladas.




Tereza Cruvinel atua no jornalismo político desde 1980, com passagem por diferentes veículos. Entre 1986 e 2007, assinou a coluna “Panorama Político”, no Jornal O Globo, e foi comentarista da Globonews. Implantou a Empresa Brasil de Comunicação - EBC - e seu principal canal público, a TV Brasil, presidindo-a no período de 2007 a 2011. Encerrou o mandato e retornou ao colunismo político no Correio Braziliense (2012-2014). Atualmente, é comentarista da RedeTV e agora colunista associada ao Brasil 247. 
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PITACO DO ContrapontoPIG
 
Neste, segundo mandato - tem razão a Tereza Cruvinel  - Dilma tem que fazer o que tem que ser feito com vistas à História e não a conveniências eleitorais futuras.
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Tem que confrontar a mídia canalha e golpista como fez a Cristhina na Argentina. Brigar por uma reforma política séria e definitiva.  Combater a corrupção doa a quem doer. 
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Procurar abertamente mais contato com o povo e com os movimentos sociais, criando um sistema de comunicação com coragem e audácia. Tem que mostrar o coração valente que todos sabemos que ela tem. 
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