sexta-feira, 20 de julho de 2018

Nº 24.620 - "SEM CENTRÃO, CIRO SE VOLTA AO PT E DIZ QUE BRASIL NÃO TERÁ PAZ COM LULA PRESO"



20/07/218

SEM CENTRÃO, CIRO SE VOLTA AO PT E DIZ QUE BRASIL NÃO TERÁ PAZ COM LULA PRESO

Do Brasil 247 - 19 DE JULHO DE 2018 ÀS 21:20 

O presidenciável Ciro Gomes, do PDT, que vinha negociando uma aliança com partidos do centrão e até de direita, decidiu dar meia volta em direção às esquerdas – em especial ao PT;  "O Brasil nunca será um país em paz enquanto o companheiro Luiz Inácio Lula da Silva não restaurar a sua liberdade. Eu luto por isso", disse Ciro, que também reconheceu seus erros; a questão, agora, é: o PT, que antes dizia que Ciro não seria aceito "nem com reza brava", aceitará essa aliança?


247 - No mesmo dia em que o centrão anunciou que vai apoiar a candidatura do tucano Geraldo Alckmin, o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, com medo do isolamento na disputa presidencial, fez um discurso que representa um aceno claro a partidos de esquerda, como PCdoB e PSB.

Ciro vinha conversando com lideranças de DEM, PP e PR, mas nesta quinta, o bloco, além do PTB, fechou com o tucano. O anúncio deve ser feito nos próximos dias, dando a Alckmin mais tempo de campanha e praticamente isolando Ciro Gomes.

Ele defendeu a liberdade do ex-presidente Lula e criticou o Judiciário. "O Brasil nunca será um país em paz enquanto o companheiro Luiz Inácio Lula da Silva não restaurar a sua liberdade. Eu luto por isso", disse, durante encontro com dirigentes sindicais.

O presidenciável ainda admitiu cometer erros. "Eu não sou o dono da verdade, não sou poupado do erro, eu cometo erros. Eu cometo erros e não me custa nada reconhecer erros. Mas nenhum deles foi por deserção do que me trouxe à vida pública de volta, que é compromisso e o amor a essa terra e esse povo", disse.

A questão, agora, é: o PT, que antes dizia que Ciro não seria aceito "nem com reza brava", aceitará de volta?

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Nº 24.629 - "Ideia de negar registro de candidatura de Lula perde força no TSE"



20/07/218


Ideia de negar registro de candidatura de Lula perde força no TSE


Do Diário do Centro do Mundo - Publicado em 20 julho, 2018 5:53 am


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia de sua prisão, em abril. (Foto: Rahel Patrasso/Xinhua)

A Coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo informa que O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deve dar a Lula o prazo regulamentar para que ele defenda a própria candidatura presidencial, depois do pedido de registro, no dia 15 de agosto. A ideia de negar liminarmente o registro começa a ser descartada mesmo por magistrados que chegaram a defendê-la.

De acordo com a Folha, integrantes da corte ouvidos pela coluna afirmaram que o processo pode durar pelo menos 15 dias —ou até mais. “Podem criar todo tipo de incidente. A criatividade dos advogados é infinita”, diz um dos magistrados. Ainda que dê alguma instabilidade ao início da campanha, a conclusão a que se está chegando é que o processo garantiria que a decisão final —de impedimento da candidatura, como é mais provável— não seja contestada.

O grande debate será o que Lula poderá fazer no período de discussão do registro. Será a primeira vez na história que se definirá como, e se, um candidato a presidente preso participará de atos de campanha até que seu processo chegue ao fim, complementa o jornal.

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Nº 24.628 - "Serrano: o processo de Lula não teve padrões mínimos de legalidade"

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20/07/2018

Serrano: o processo de Lula não teve padrões mínimos de legalidade


Do Tijolaço · 19/07/2018



por FERNANDO BRITO

Da excelente entrevista do jurista Pedro Serrano, pós-Doutor em Dirieto pela Universidade de Lisboa, ao site Tutaméia, de Eleonora e Rodolfo de Lucena:

“O processo [contra Lula] não atende a standards (padrões)mínimos do que seja uma legalidade desejada num estado democrático de direito. Ele não atende a essa moralidade civilizacional mínima. O processo penal tem forma democrática despida de conteúdo democrático. Lula é tratado como inimigo e não como um eventual cidadão que erra. Os elementos formais do processo mais essenciais não são observados” (…) A condenação estava desenhada quando se inicia a investigação. O tempo inteiro foi uma busca de justificativa para condenar, não para esclarecer a realidade. Nem na investigação se buscou esclarecer o que realmente houve. E também no processo. Era o tempo inteiro uma busca de provas com vistas à condenação, e não uma verificação que estava ali”.

Serrano critica o “juiz militante” que Sérgio Moro encarnou, deixando de ser um elemento de equilíbrio e de ponderação entre acusações e provas:

(…) “o  juiz era um órgão de acusação, não de decisão. Ele se põe publicamente. Toda a lógica dele de justificação pública é como se o juiz fosse um combatente do crime. Não é assim que deve funcionar a Justiça e o Judiciário num estado democrático de direito. O juiz é um garantidor de direitos”.


Para ele, a proibição baixada pela juíza Carolina Lebbos de que Lula dê qualquer entrevista ou envie qualquer gravação de imagem ou voz da prisão é “mais um elemento que caracteriza esse processo contra ele como uma medida de exceção, e não um processo penal legítimo”.

“Quando um apenado tem coisas a dizer de interesse público, o juiz não pode impedir que ele fale. Ele está condenado à perda de liberdade, não à perda de livre expressão. Ouvir Lula nesse momento histórico é essencial para a democracia e para a história”.

E deixar que Lula fale pode ser mortal para o  golpe, Doutor.

Leia a entrevista no Tutaméia, aqui ou assista em vídeo, abaixo:



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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Nº 24.627 - "Toffoli escancara o jogo de cena do Supremo, por Luis Nassif"

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18/07/2018


Toffoli escancara o jogo de cena do Supremo, por Luis Nassif


Do Jornal GGN - QUA, 18/07/2018 - 09:3 ATUALIZADO EM 18/07/2018 - 12:46




As declarações de Dias Toffoli, futuro presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), à Mônica Bérgamo, expõe com clareza a estratégia conjunta dos Ministros – que já descrevi algumas vezes aqui

Disse Toffoli que, na presidência do STF, terá que ir contra suas próprias convicções pessoais, em nome da defesa do tribunal. E, portanto, não colocará em pauta a prisão após segunda instância – que poderia libertar Lula e ampliar as pressões por sua candidatura.

Para entender:

O STF está quase totalmente unido em torno da missão de inviabilizar a participação de Lula nas eleições, como candidato ou como cabo eleitoral. As únicas prováveis exceções talvez sejam Marco Aurélio de Mello e Ricardo Lewandowski.


Essa postura está desmoralizando o Tribunal junto a um público especial: os juristas do mundo todo, os juristas internos apegados a Lula e os internos apegados à Constituição. É uma lambança.
Essa lambança criou dois tipos de preocupação entre os ministros. Um, dos Ministros preocupados com sua biografia e com a própria imagem do Supremo; dois, dos ministros preocupados em não deixar aliados feridos no campo de batalha.

Monta-se, então, esse jogo de cena. A garantia de haver maioria contra Lula, em cada votação delicada, libera a minoria para tentar salvar a cara do Supremo e a sua própria, defendendo a Constituição. E dá alguma coerência a seus votos que livram os aliados do estado de exceção.
Na votação fatal, que garantiu a prisão de Lula, o jogo já estava nítido.


De um lado, Rosa Weber, que mal sabia pronunciar o nome dos autores alemães por ela citados em seu voto desconexo, mudando de posição em defesa da colegialidade – uma maneira de impor o voto da maioria em um poder que deveria ser fundamentalmente contra-majoritário .

De outro, Luís Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin, votaram contra a flexibilização enfatizando que não estavam julgando Lula, mas apenas uma questão de alcance geral.

Toda encenação prévia sobre o voto de Rosa Weber serviu apenas para alimentar fantasias em mentes mais ingênuas. Antes de começar a sessão, todos os Ministros já sabiam como seria. O que deu enorme tranquilidade para os legalistas firmarem sua posição, sem risco de tirar Lula da prisão.

Espera-se, pelo menos, que honrem a biografia dos que tiveram coragem, impedindo a chacina que se arma contra o desembargador Rogério Favretto. Não vai absolver o Supremo, mas pelo menos poderá aplacar um pouco a consciência culpada de alguns Ministros.


Aliás, a busca de fantasias é uma das marcas das consciências culpadas. Barroso já descobriu seu mote. A cada dia que passa, o desastre se amplia. O Brasil volta a figurar no mapa da fome, o grupo de Temer continua planejando negociatas a granel, a economia desaba e Jair Bolsonaro cresce.


E Barroso, provavelmente mais para atender as demandas de palestras do que para se auto-iludir, proclama: “O quadro atual é feio, mas vai melhorar”. Porque grandes intelectuais asseveram que depois da tempestade vem a bonança. Ou vem a enchente.


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PITACO DO ContrapontoPIG

Fica difícil não acreditar que exista um tremendo 'rabo preso'  por sobre os tapetes do STF.

Como se pode conceber que a maioria dos ministro daquele tribunal estejam por muitas vezes votando contra a Constituição que eles juraram defender?

Como justificar votos bizarros como o da ministra Rosa Weber? 

Como explicar tantos votos claramente cínicos proferidos por ministros com vozes empoladas?

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Nº 24.626 - "A 'castração midiática' de Jair Bolsonaro"

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18/07/2018

A “castração midiática” de Jair Bolsonaro


Do Tijolaço · 18/07/2018

 

por FERNANDO BRITO

Dizia Otto Bismarck que muitos não dormiriam se  soubessem como são feitas as salsichas e as leis.

Pode acrescentar a esta lista as alianças partidárias envolvendo o tempo de televisão dos candidatos.

Como escreveu Bernardo Mello Franco, ontem, em O Globo, “a  turma se destaca pelo forte apego a valores”, assim, digamos, sonantes.

Vale para comprar e vale para não entregar a outro.

Jair Bolsonaro é, dizem os que não colocam Lula nas pesquisas eleitorais, o líder das preferências eleitorais.

Como estes mesmos dizem que Lula não concorrerá nem arrastará um nome à liderança, Bolsonaro, sob este olhar, é favorito.

E desde quando candidato favorito não acha vice e é esnobado publicamente, anunciando que vai anunciar alguém para, em seguida, o “escolhido” dizer: “muito obrigado, fico honrado, mas tenho planos de me candidatar a uma “boquinha” no Senado que, como disse Darcy Ribeiro, é o paraíso na Terra?

Não duvide nada que algum espírito santo de orelha baixou nos dirigentes dos partidos de Magno Malta  e prometeu sonantes bênçãos para recusar autorização a seus pupilo para subir na garupa de Bolsonaro.

Afinal, como naquele comercial de cartão de crédito, Bolsonaro com apenas 10 segundos de televisão não tem preço.

Mesmo que não cresça, o tamanho que ele tem hoje é mortal para o crescimento de qualquer candidatura de direita.

Pior ainda se seus votos se reproduzirem.

É, portanto, necessário castrá-los midiaticamente, para que não proliferem mais.


Ainda assim, parece tarde demais para deter os zumbis.

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Nº 24.625 - "Vendam o Brasil, os juízes garantem…"

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18/07/2018


Vendam o Brasil, os juízes garantem…


Do Tijolaço · 18/07/2018





por FERNANDO BRITO


A venda das subsidiárias da Eletrobras – condição para a venda da própria holding de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica – foi autorizada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

Na prática, uma insubmissão  à decisão do STF – através de decisão do ministro Ricardo Lewandowski –  que proibira a venda de subsidiárias da Eeletrobras sem autorização legislativa específica.

Estamos assim, agora.

A cinco meses do final de um governo – e mais ainda, um governo sem a legitimidade das urnas – considera-se legítimo alienar patrimônio nacional, sem mais delongas e por Medida Provisória.

O argumento é o de que pode causar grave transtorno às finanças públicas.

A impressão, porém, é que pode causar transtorno às ambições das finanças privadas.

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Nº 24.624 - " ‘Só um levante popular tira Lula da prisão’, diz Gilberto Carvalho"

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18/07/2018


‘Só um levante popular tira Lula da prisão’, diz Gilberto Carvalho


Do Diário do Centro do Mundo - Publicado em 18 julho, 2018 7:27 am



O jornalista Leonado Fernandes do  Brasil de Fato entrevistou o ex-ministro.

(…)

Qual é a sua convicção em relação à possibilidade de Lula ser candidato nas eleições desse ano? 


Olha, nós faremos de tudo para transformar no mais alto custo possível essa tentativa deles de impedirem a candidatura do ex-presidente Lula. Eles ficam, através dos colunistas pagos por eles, tentando nos convencer a colocar um plano B. Não peçam para que nós pratiquemos esse absurdo, que é tirar o Lula da eleição, porque é o povo que quer o Lula na eleição.

No entanto, o episódio do domingo retrasado [8/7] não deixa dúvida de que eles não terão escrúpulos e farão o possível e o impossível, o legal e o ilegal, para impedir a candidatura dele. Por que? Porque está no cerne da lógica do golpe. Então vai ser uma batalha muito dura.

Não será nem a tecnicalidade, nem a competência dos advogados, que é importante, ou muito menos qualquer conversa com juízes, ministros, que vai tirá-lo da cadeia.

Só há uma forma de tirá-lo da cadeia: um levante popular, uma mobilização muito forte, uma radicalização do processo, seja de que forma for, que faça com que eles sintam que está ameaçada a estabilidade do país, e aí, por uma razão de força maior, libertem o Lula. Por isso que nós estamos apostando num processo de mobilização muito forte, daqui até o dia 15 de agosto. 

No dia 15 nós vamos à Brasília, e estamos convidando todo o povo brasileiro para que assuma esta tarefa: eu vou registrar Lula. E nós temos que colocar dezenas de milhares de pessoas lá, ao lado das outras mobilizações, da marcha que será feita pelos movimentos da Via Campesina, do dia 10, que esperamos que seja um dia de paralisação nacional, da greve de fome que começa agora no dia 31, na linha da radicalidade que nós queremos dar para essa luta. Só assim nós vamos tirar o Lula da cadeia. 

Como o senhor avalia o papel do judiciário no atual contexto político do país?


Eu acho que os tempos de crise são tempos de grande aprendizado, são pedagógicos. Houve um tempo em que, para deter o avanço dos movimentos sociais e sobretudo de políticas progressistas, de governos progressistas, foi necessário que o capitalismo usasse a farda. Foi assim em 64 e sempre casado com uma forte atuação ideológica da mídia.

Getúlio foi cercado e levado ao suicídio por uma ação fortíssima da mídia que o isolou, sempre com o argumento da corrupção. O João Goulart, enquanto o seu governo crescia, foi fortemente cercado pela mídia e o tema, como no tempo de Getúlio, era a corrupção e o comunismo. Depois, com o Juscelino, fizeram toda a desconstrução que fizeram. Depois conosco, com o Lula, em 2005, tentaram fazer aquela grande campanha de mídia na época do mensalão.

E agora, o neoliberalismo, nessa versão que a gente pode chamar de pós-democrática, porque da democracia resta apenas a aparência. Na essência, a democracia e a Constituição são constantemente violadas, sempre que necessário. O neoliberalismo usa como instrumento fundamental, não mais a farda, mas a toga. 

Nós nunca tivemos ilusão quanto ao papel do Estado como máquina da dominação. E agora, de novo, a toga é usada. E assim como no regime militar se romperam os próprios princípios da cultura militar, foram para a linha da tortura, da perseguição, da morte, agora também o aparato da justiça violenta a justiça e aí vale tudo.

É o Moro que grava conversas entre o Lula e a Dilma, a Presidenta da República naquele então, e nada acontece. São os processos baseados na delação sem prova nenhuma e nada acontece. É o que o Brasil todo assistiu, aquele escândalo do domingo, em que uma ordem judicial não é cumprida e nada acontece. Ou seja, contra nós vale tudo. O que é perigosíssimo, porque com isso vai se verificando na cultura política e no judiciário do país um relativismo perigoso, além da ofensa permanente à Constituição. Então, eles estão plantando vento e em algum momento vão colher tempestade, eu não tenho dúvidas disso.

Eles estão brincando com fogo, usando a favor deles uma máquina que amanhã pode ser usada contra eles. Esse é o problema. Então a gente está muito preocupado com isso e lamentando muito. E vamos lutar como pudermos para devolver ao país o funcionamento constitucional que base para a democracia. 

Como um articulador dos governos Lula e Dilma, como o senhor acredita que seria um novo governo petista, caso esse seja o resultado das eleições? É possível pensar em uma composição de forças como a que sustentou os governos anteriores?



Como eu disse, todo momento de crise é um momento de aprendizado. De sofrimento profundo, mas de aprendizado também. É evidente que a crise joga uma luz sobre o nosso passado e no obriga a fazer uma releitura da maneira como nós trabalhamos. Nos faz ver os acertos, mas também reconhecer de maneira muito mais serena os nossos erros. Sem dúvida nenhuma, um dos nossos equívocos, mesmo naquela conjuntura, foi de confiar em alianças com setores que são inimigos da classe trabalhadora, e que, oportunisticamente, se acoplaram a nós quando viram que era irreversível a nossa vitória. 

Claro que tudo isso é muito complexo, porque sem uma aliança naquele momento com o José de Alencar, a gente possivelmente não teria vencido as eleições, e não teria governado. O problema não foi fazer alianças, elas eram necessárias, o problema foi que nós nos acomodamos naquele padrão de alianças, naquele padrão de governabilidade parlamentar e não construímos uma governabilidade social, não procuramos estimular a luta social, o sentido da organização, de fortalecer as organizações sociais, não fizemos processos de conscientização que fizessem com que as pessoas, ao se beneficiar das políticas daqueles governos, compreendessem que fizeram parte de um projeto que tinha começo, meio e fim, que tinha uma lógica, e portanto, deixamos de fazer com que as pessoas dessem um salto de qualidade e, com isso, depois, pudessem também fazer a defesa do nosso projeto, desse sustentação a ele.

De modo que, quando aqueles que oportunisticamente estiveram conosco resolveram nos trair, não havia base social suficiente para defender o nosso projeto. O povo faltou. O povo faltou no impeachment, o povo faltou na prisão do Lula. Mas não é culpa do povo. Nós pedimos apenas o voto das pessoas, nós não pedimos que as pessoas fossem organizar a luta.

E aí tem todo o problema do processo de comunicação que nós ignoramos, infelizmente. Não cultivamos uma mídia democrática, eu não falo de mídia estatal, nem partidária, mas do estímulo à mídia democrática. Preferimos financiar os grandes meios, que se tornaram, ironicamente, os nossos principais algozes, quando os interesses do capital financeiro que os sustenta e do qual eles fazem parte, estão associados, determinassem que viessem contra a gente. 

Então, o próximo governo deve ter uma outra feição. Primeiro, de construir essa governabilidade social fortemente. Segundo, evidentemente, não contar mais com forças que já mostraram que a qualquer momento se colocam contra os interesses populares.

(…)


terça-feira, 17 de julho de 2018

Nº 24.623 - "Os mentirosos atacam a Petrobras"

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17/07/2018

Os mentirosos atacam a Petrobras


Do Blog do Miro - segunda-feira, 16 de julho de 2018



Por Sylvio Massa, no site da Associação dos Engenheiros da Petrobrás  (Aepet):

Alguns períodos da nossa história foram marcados por expressivos bordões.

O mais antigo pertence a Pero Vaz de Caminha: ”O melhor fruto que se pode tirar desta terra me parece que será salvar essa Gente.”

Depois, já no Império, Dom Pedro I sentenciou: ”Diga ao Povo que eu fico.”

Com a queda do Império, Deodoro comandou: ”Pois diga ao Povo que a República está feita.”

Decorrido o tempo de amadurecimento de nossa consciência política, o Povo sai às ruas e grita: ”O petróleo é nosso.”

O suicídio do presidente Getúlio Vargas que afirma em sua carta testamento: ”Quis criar liberdade nacional na potencialização de nossas riquezas através da Petrobrás...”

Em sequência, outro Presidente afirma ao Povo: ”A democracia que eles querem é a Democracia para liquidar com a Petrobrás...”

Nesse mesmo momento histórico da derrubada do presidente Jango, a indignação leva o Senador Tancredo Neves a dirigir-se a “Eles” com o famoso bordão: ”CANALHAS, CANALHAS, CANALHAS.” Usa as palavras no plural para abrigar mais gente, incluindo aqueles que, no futuro, vão manchar sua biografia.

Ao longo desse tempo, no tecido social do nosso País, destaca-se a busca de afirmação do povo pelo saber, pela defesa da liberdade, pelo combate frontal aos que mentem, trapaceiam, vendem falsas convicções e manipulam os fatos e, serviçais, entregam as riquezas de nossa terra aos estrangeiros.

A Petrobrás é um dos poucos símbolos históricos de nossa gente, pois representa o conhecimento tecnológico de um povo que transforma esse saber em riqueza para a Nação.

Por essa razão, e somente por meio de mentiras e de manipulação de dados contábeis, e escondendo as verdadeiras razões, vindas das multinacionais, alguns dirigentes da Petrobrás, indivíduos desqualificados do atual governo, com apoio da mídia vendida e dos “Canalhas”, pretendem liquidar essa afirmação de um Povo.

Esse ferrenho combate à Petrobras, à sua estrutura industrial integrada, efetivando a venda de rentáveis ativos, sob varias alegações, que não resistiram à análise honesta de seus números, tem sua origem ostensiva na orientação ideológica publicada pelo Globo em 21/01/1992 pelo representante da Shell, Sr. Robert Brougton, que “condicionava os investimentos da Shell no Brasil à extinção do monopólio e que os preços do petróleo e dos combustíveis fossem “alinhados com os internacionais” e as “companhias estrangeiras tivessem” algumas facilidades para começarem a atuar em um mercado longamente monopolizado.”

Essa orientação, que vem sendo enfrentada, durante os últimos 26 anos de lutas pela defesa da Petrobrás, finalmente está sendo cumprida pelos “Parentes” que estão na direção da empresa. Mereceu á época contundente repúdio do senador Josaphat Marinho, em discurso no Senado Federal, em 28.9.1993.

Nesse contexto histórico, a voz do senador era acompanhada por vários estamentos da sociedade civil onde se destacavam o Clube de Engenharia, o Modecon, a Aepet, a Une e vários outros segmentos políticos conscientes da importância desta luta travada.

A natureza da luta atual é a mesma contra os antigos propósitos, sugeridos pelo representante da Shell. A diferença é que são os próprios gestores da empresa que promovem o seu enfraquecimento, cenário impensável à época de sua construção e de sua afirmação como pioneira na exploração de petróleo em águas profundas, quando apenas os seus detratores eram externos.

As sementes lançadas transformaram aquela estrutura inicial de empresa importadora de petróleo bruto, na quarta maior empresa de petróleo, com reservas estimadas em 100 bilhões de barris, e a nona empresa a nível mundial, sob o critério de faturamento e investimentos.

Contra a séria ameaça atual, em 05/06/2018, um sinal de alerta foi lançado pelo Clube de Engenharia e pela Aepet ao promoverem um debate sobre o “Mito da Petrobrás Quebrada”, denunciando o desmonte da empresa com a venda de ativos rentáveis, com a perda proposital de mercado para as importadoras de derivados, por empresas multinacionais, pela fixação dos preços internos com base em parâmetros do mercado externo, por provocar deliberadamente a ociosidade no parque de refino em torno de 30% e sujeitar-se a ser exportadora de petróleo bruto no ritmo imposto pelas controladoras do mercado internacional.

O presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, denunciou a farsa com que ”os gestores conduzem a empresa e indicou consequências nefastas da política que vem sendo implementada, para fazer com que ela deixe de cumprir o seu histórico papel”.

O Dr. Claudio Oliveira, economista aposentado da Petrobrás, que vem realizando inestimável serviço à verdade dos números dos balanços da empresa, em seus inúmeros artigos, demonstrando a confortável posição financeira e indicando a desnecessidade da venda dos ativos rentáveis, para amortização acelerada da divida. Em seu pronunciamento denuncia as mentiras propaladas pelos jornalistas Carlos Alberto Sardenberg e Miriam Leitão em seus meios de comunicação: ambos criaram “a mãe das mentiras”: “a Petrobrás está quebrada”, ”o Tesouro deveria aportar recursos para evitar a sua falência”, ”o pré-sal não existe, não temos tecnologia, precisamos das multinacionais do petróleo, etc.”
A divulgação dessas falsas informações, de forma sistemática em poderosos meios de comunicação, permitia à Direção da empresa conduzir, com aplauso da mídia, o seu desmonte.

Como a mentira passou a ser um envelope para enviar notícias falsas, seja para o público externo, seja para os funcionários, o diretor de Estratégia, Nelson Silva, em comunicado aos funcionários, para justificar a privatização de ativos, indica que a Petrobrás paga US$ 7 bilhões de juros, enquanto as outras grandes companhias pagam cerca de US$2 bilhões.

Nessa mensagem, ele omite propositadamente a divida da Shell de US$ 92,5 bilhões e o pagamento de juros de cerca de Us$ 5 bilhões. Números próximos dos da Petrobrás, sem que a Shell tenha que vender seus ativas para pagar a divida. É com a qualidade moral dessas pessoas que as mentiras ganham volume.

Omitir propositadamente equivale a Mentir.

A respeitável jornalista Hildegard Angel, em 10/06/2018, em sua coluna no JB, escreveu que a Miriam Leitão e o Carlos Alberto Sardenberg deveriam envergonhar-se do papel desempenhado e sair à rua de óculos escuros e golas levantadas para não serem reconhecidos.

O presidente da Aepet, Felipe Coutinho, em consistente estudo sobre a política de preços da Petrobrás, demonstra o caráter proposital de conduzi-la em conformidade com parâmetros – preços, custos e variáveis instáveis – internacionais e, assim, afastá-la da realidade da geração de Renda do país, principalmente nos derivados de funcionamento da economia – diesel e gasolina - e de impacto social, o gás de cozinha.

Essa prática permitiu o avanço das multinacionais no mercado interno, a importação dos derivados a preços incompatíveis com os custos internos, a correspondente ociosidade das nossas refinarias e o retorno à era colonial de exportação da matéria prima, agora o petróleo do pré-sal.
A mais contundente denúncia foram as palavras do Consultor Legislativo, Paulo César Ribeiro Lima, que preconizou: a necessidade de tributar a renda das empresas petrolíferas, tributar a exportação de óleo cru e revogar o artigo primeiro da lei 13.586 que concede isenção fiscal às empresas que operam na exploração do petróleo de baixo risco e alta rentabilidade, situando-se o custo total de produção do pré-sal em torno de US$20,00.

No tocante á política de preços adotada pela atual Diretoria da Petrobrás a mesma deve ser descontinuada, por estabelecer níveis de preços no mercado interno, mesmo acima dos praticados no mercado americano e europeu e embutir uma margem de lucro de 150% no caso do óleo diesel, e geradora da crise de abastecimento que paralisou o pais.

A gestão de uma empresa estatal com profunda responsabilidade social e vinculada ao desenvolvimento do país, quando conduzida como empresa privada que objetiva produzir lucros para os seus acionistas, como é o caso ainda da equipe Parente, ao repassar diariamente as variações dos preços internacionais para os preços do mercado interno, levou à redução da atividade econômica em geral e agravou a situação dos mais pobres. O gás de cozinha foi reajustado em seis meses – junho/dezembro 2017 – em 68% forçando 1.2 milhão de domicílios a retornarem á lenha e ao etanol para suas cozinhas.

Como registrado anteriormente, a orientação política e ideológica do Sr. Robert Brougton, da Shell vingou, e vamos encontrar vestígios, em 01/02/2015, no artigo do Sr. Fernando Henrique Cardoso, no jornal “El Pais”, que se adapta àquelas recomendações e afirma no seu texto “Chegou a Hora”:

“O governo não se deu conta de que os Estados Unidos estavam mudando a política energética...”

”O governo petista apostou no petróleo de alta profundidade, que é caro, descontinuou o etanol, pela política suicida de controle de preços da gasolina que a torna pouco competitiva ...”

Na biografia do sociólogo não constará referências à “Teoria da Dependência Subserviente” que alocou mais de 30 % das ações da Petrobrás para fundos de pensão americanos, os fundos abutres, como marco de sua vaidade, e que, recentemente, com a liberalidade da gestão Parente, foram transferidos àqueles acionistas a expressiva soma de US$ 2,95 bilhões, sem questionamentos jurídicos finais e simplesmente reconhecendo que somos dependentes e subservientes.

O povo e a Petrobrás sempre constituíram referências destacadas da nossa História.

O povo ainda não conquistou um lugar digno na sociedade e a Petrobrás está ameaçada de perder o seu lugar como símbolo de nossa dignidade.

Em 1580 Montaigne escreveu nos seus Ensaios I: ”... há cem mil maneiras de exprimir o reverso da verdade e o campo de ação da mentira não comporta limites.”



* Sylvio Massa de Campos é economista e ex-diretor da Petrobrás Distribuidora.

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Nº 24.622 - "Operação 'Mata o Morto' segue na Globo, que escracha Aécio"

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17/07/2018


Operação “Mata o Morto” segue na Globo, que escracha Aécio


Do Tijolaço · 17/07/2018




Por FERNANDO BRITO

Como é preciso “legitimar”o ilegítimo afastamento de Lula da disputa eleitoral, a Globo segue imolando seus cordeiros no altar do Jornal Nacional.

Os cordeiros, claro, que já estão mortos e sem serventia.

Dias atrás, foi um relatório da Polícia Federal que pretende indiciar Aécio Neves.

Ontem, quatro minutos de Jornal Nacional com as falcatruas, sabidas há anos, do ex-governador na construção da Cidade Administrativa, denunciadas e redenunciadas em delações premiadas.

Desta vez, um repasse de R$ 7,6 milhões – é fichinha perto do que rendeu a obra – pagos através de duas construtoras mineiras.

Ainda assim, algo de deixar o triplex do Guarujá na conta dos trocados. E, diferentemente do que se fez com Lula, há provas do pagamento dos valores.

A “novidade”, porém, fica para o final da reportagem. O caso, segundo a nova orientação do STF, seguiu para a Justiça mineira.

Um dos poucos lugares onde Aécio ainda manda e desmanda.

Assim, faz-se a propaganda da “imparcialidade” e, assim que possível, manda-se tudo para o arquivo.

Se for possível.

Do contrário, como disse o próprio Aécio, o ex-governador mineiro é “um que a gente mata ele antes de fazer delação”.


Frase que, aliás, não é convicção, mas gravação. E que deu em nada.

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Nº 24.621 - "Brasil: o desemprego da década de 90 voltou"

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17/07/2018


Brasil: o desemprego da década de 90 voltou


Do Brasil 247 - 17 de Julho de 2018

Agência Brasil


por  ALENCAR SANTANA BRAGA

Alencar Santana BragaOs jornais não puderam mais esconder o que a população já vinha percebendo e sentindo na pele: o desemprego em massa voltou a assombrar o país.

O quadro é desolador.

Em todas as cidades do país filas e mais filas de desempregados se formam na porta das empresas e agências, pessoas em busca de qualquer oportunidade mesmo com ganhos inferiores aos que tinham anteriormente e para trabalhos abaixo de seus níveis de formação. Tudo para ao menos sobreviver.

Esse quadro desesperador é o resultado de um governo de aliança entre Temer e o PSDB de Alckmin, Doria e Bruno Covas, que colocou o país à venda, cortou relações com parceiros comerciais, sufocou a população, precarizou as relações trabalhistas, reduziu investimentos sociais e praticamente afundou os investimentos do país.

Vamos aos números: o desemprego hoje passa dos 13% no país, o que equivale a mais de 14 milhões de pessoas em busca de uma vaga. Outros 25 milhões de brasileiros estão vivendo apenas de bicos e trabalhos esporádicos, sem acesso à direitos ou à garantia de renda. Além disso, o tempo em que a pessoa fica sem trabalho aumentou e já passa dos 12 meses, muito além do tempo em que recebe o seguro-desemprego.

A título de comparação, nos tempos de Lula o desemprego chegou ao 5%, considerado valor de pleno emprego pelos economistas, uma vez que a taxa reflete as pessoas em transição de carreira e em busca de salários maiores. Hoje, ao contrário, a massa salarial diminuiu e as vagas ofertadas têm baixos salários.

Lula gerou uma média de 1,8 milhão de empregos por ano, deixando o Governo com a marca de 14.725.039 vagas criadas com carteira assinada, 50% a mais que Sarney, Collor, Itamar e FHC somados. Temer e o PSDB conseguiram a façanha de acabar com vagas e jogar o povo na informalidade, na fome e na miséria, além de aumentarem o custo de vida e acabarem com as políticas de valorização do salário mínimo e fragilizar programas como o Bolsa Família, o Saúde da Família e o Minha Casa Minha Vida.

Na Grande de São Paulo, a situação é ainda pior: Alckmin deixou o governo com uma taxa de desemprego acima dos 17% e as cidades governadas pelos amigos de Temer, como a Guarulhos do Prefeito Guti, com mais de 20% de desempregados.


Toda essa situação mostra que há apenas um jeito de reverter esse quadro social, permitir eleições livres e democráticas, com a participação de Lula como representante legítimo da vontade popular e capaz de revogar as medidas de Temer e seus amigos e levar o país novamente ao rumo do desenvolvimento.


ALENCAR SANTANA BRAGA. Deputado estadual pelo PT de São Paulo.

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Nº 24.621 - "Lula abre fogo contra Moro em novo vídeo inédito; assista"

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17/07/2018

Lula abre fogo contra Moro em novo vídeo inédito; assista


Do Blog do Esmael - 17 de julho de 2018 por esmael


O PT divulgou nesta terça-feira (17) um novo vídeo inédito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes de o petista ser preso.

Lula afirma que o juiz Sérgio Moro, que o condenou no caso tríplex, sabe que ele é inocente e que os desembargadores do TRF4 também sabem que ele é inocente.

“Eles [juízes] não querem junto que a Globo que a lava jato acabe antes que eu seja preso”, declara.

O ex-presidente da República afirma no vídeo que se os juízes quiserem fazer política devem deixar a toga e se inscrever num partido político.

Lula é mantido preso político há 102 dias na Polícia Federal de Curitiba.


Assista ao vídeo:

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Nº 24.620 - "Desempregados voltam a ocupar centro da SP tucana!"

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17/07/2018



Desempregados voltam a ocupar centro da SP tucana!

Canalhas criam 20% dos empregos previstos! Um colosso!


Do Conversa Afiada - publicado 17/07/2018

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...................................Às seis da manhã eram 6 mil na fila (Foto: Felipe Rau/Estadão)

A fila com mais de cinco mil pessoas a procura de um emprego que se formou ontem no Vale do Anhangabaú continuou forte hoje, 17/VII. O Sindicato dos Comerciários oferece 1.800 vagas em um mutirão - para cargos como vendedor, estoquista e operador de caixa. O Mau Dia Brasil noticiou:



Da Fel-lha

Embora o número de vagas com carteira assinada seja positivo no ano, o ritmo de contratações tem mostrado forte desaceleração nos últimos três meses, um sinal cada vez mais firme de interrupção do que parecia ser uma melhora gradual do emprego formal identificada ao longo do ano passado.

No início de 2018, o ritmo de geração de vagas no mercado formal de trabalho era compatível com algo perto de 750 mil novos postos neste ano.


Desde março, no entanto, a desaceleração tem sido tão brusca que, mantido o ritmo registrado a partir daquele mês, o mercado de trabalho pode fechar 2018 com um saldo líquido de apenas 220 mil vagas com carteira. (...)

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Nº 24.619 - "Moro foi uma lebre esperta para condenar Lula e age como tartaruga em outro caso da Lava Jato. Por Joaquim de Carvalho"

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17/08/2018

Moro foi uma lebre esperta para condenar Lula e age como tartaruga em outro caso da Lava Jato. Por Joaquim de Carvalho


Do DCM  -  17 de julho de 2018   Publicado por Joaquim de Carvalho


..................Bonecos infláveis de Moro e Lula colocados na frente da Polícia Federal

Sergio Moro levou menos de nove meses para condenar Lula, no caso do triplex, e está há mais de três anos com um processo pronto para julgamento parado em algum arquivo digital. Esses dois casos dão a medida da balança da justiça na 13a. Vara Federal de Curitiba.

Com Lula, processo a jato. Em outros casos, nem tanto, às vezes com tramitação tão lenta que levou os advogados do réu, o empresário André Luís Paula dos Santos, a apresentar ao Supremo Tribunal Federal pedido de liminar em habeas corpus para que revogue as medidas cautelares impostas por Moro.

O pedido foi parar nas mãos de Edson Fachin.

André Luís, para deixar a prisão, pagou fiança, e é obrigado a comparecer a todos os atos processuais. Também está proibido de mudar de endereço sem autorização da justiça.

Além disso, ele não pode ter contato com outros acusados ou testemunhas da Lava Jato, e com dirigentes ou empresas relacionas ao Posto da Torre Ltda., o epicentro da operação, comércio instalado em Brasília que era usado para a lavagem de dinheiro.

Com a situação indefinida e tendo de se submeter a essas medidas, o empresário está com a vida civil paralisada.

Além disso, Moro não tem reconhecido medidas cautelares diversas da prisão, inclusive tornozeleira, para fins de contagem de tempo para eventual cumprimento de pena.

Diante da demora para ter seu caso julgado e, se condenado, lutar nas instâncias superiores pela absolvição, os advogados entenderam que era o caso de habeas corpus.

Mas Fachin convalidou uma vez mais a decisão (no caso, falta de decisão) de Moro. O ministro explicou que o deferimento de liminar em habeas corpus é medida excepcional, que somente se justificaria se a situação apresentasse “manifesto constrangimento ilegal”

Se ser réu indefinidamente, cumprindo medidas como se fosse condenado, sem que o juiz atente para prazo de julgamento, não for constrangimento ilegal, o que mais seria?

“Além disso, o paciente [acusado] encontra-se em liberdade, sem indicação de risco iminente de restrição a direito de locomoção”, escreveu Fachin.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, André Luís era responsável pelo transporte de valores ilícitos a Carlos Habib Chater, proprietário do Posto da Torre.

Também consta dos autos que, no dia 13 de dezembro de 2014, Santos foi detido pela Polícia Federal, no Aeroporto Internacional de Brasília, com US$ 289 mil, quando retornava de São Paulo.

O que Moro espera para julgar esse homem que, no máximo, seria mula de algum esquema de lavagem? Alguma delação?

Difícil saber.

Mas essa demora revela que, na vara de Moro, os pesos estão muito desiguais.

Ele abriu mão da investigação do ex-governador Beto Richa, alegando excesso de trabalho e, depois, em férias, interferiu para impedir que a Polícia Federal cumprisse alvará de soltura em favor de Lula.

Agora se sabe que Moro deixou dormindo na gaveta digital um processo que já dura mais de três anos.

No caso do triplex que atribui a Lula, agiu como uma lebre esperta, aproveitando um processo que teve origem em São Paulo, no Ministério Público Estadual.

No caso do suposto aliado do dono do posto da Lava Jato, caminha como uma tartaruga.


Pode isso, Arnaldo?

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Nº 24.618 - "DESMONTADA A FARSA SOBRE O SÍTIO DE ATIBAIA; PROCESSO É FAKE NEWS"

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17/07/2018


DESMONTADA A FARSA SOBRE O SÍTIO DE ATIBAIA; PROCESSO É FAKE NEWS


Do Brasil 247 - 17 DE JULHO DE 2018 ÀS 10:23

Com a perícia realizada no sistema de pagamentos de propina da Odebrecht e apresentada a Sérgio Moro nesta segunda-feira (16), cai por terra acusação de que a empreiteira teria destinado qualquer soma a Lula para a reforma de um sítio em Atibaia; todo o caso está fundamentado na acusação que agora se revela falsa; o documento é taxativo ao afirmar que "não foram encontrados no material examinado documentos ou lançamentos que possam estar relacionados com o objeto da presente ação penal"



247 - Com a perícia realizada no sistema de pagamentos de propina da Odebrecht e apresentada a Sérgio Moro nesta segunda-feira (16), cai por terra a acusação de que a empreiteira teria destinado R$ 700 mil reais ao ex-presidente Lula para a reforma de um sítio em Atibaia. Todo o caso do Ministério Público contra Lula está fundamentado na acusação que agora se revela falsa. No laudo, o auditor e contador Cláudio Vagner foi taxativo ao afirmar que "não foram encontrados no material examinado documentos ou lançamentos que possam estar relacionados com o objeto da presente ação penal".

O laudo do contador e auditor analisou o sistema de contabilidade, MyWebDay B, e o de comunicação, Drousys, da Odebrecht, além da planilha disponibilizada pelo engenheiro e delator da empreiteira Emyr Diniz Costa Júnior, que contém a informação sobre a saída de R$ 700 mil do Projeto Aquapolo e que teria sido destinado para o sítio de Atibaia. Não há nada que indique repasse direta ou indiretamente a Lula ou a supostas obras no sítio.

Cláudio Vagner respondeu diretamente uma pergunta formulada por Sérgio Moro e que fundamentou a perícia. Leia como está no laudo:

"Quesitos do juiz:

a) Solicita-se que seja verificado se o sistema de contabilidade informal do Grupo Odebrecht, na posse dos peritos da Polícia Federal, contém documentos ou lançamentos que possam estar relacionados com o objeto da presente ação penal, reforma do Sítio em Atibaia pelo Grupo Odebrecht em benefício do acusado Luiz Inácio Lula da Silva.

Em conformidade com a resposta dos Peritos Criminais Federais à esse quesito, ratifico que não foram encontrados no material examinado documentos ou lançamentos que possam estar relacionados com o objeto da presente ação penal.

Em complemento, informo que nas pesquisas efetuadas no material examinado além de não terem sido encontrados documentos ou lançamentos que façam referência a termos tais como Atibaia, Sítio e Santa Bárbara, também não há nenhuma referencia correlacionada ao Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os termos LULA e AMIGO."

No laudo, Vagner constatou também que os valores registrados pelo sistema de caixa 2 da empreiteira não possuem qualquer relação ou vínculo com a propriedade ou com o ex-presidente e que existem apenas registros de que o dinheiro saiu do Projeto Aquapolo, obras de saneamento do ABC Paulista, com destino ao próprio setor de propinas da empreiteira:

"Os registros comprovam que ele enviou valores ao departamento de operações estruturadas, todos sem nenhum vínculo com a obra de Atibaia discutida na presente ação penal e, ainda, sem a mínima vinculação desses valores com obras e/ou contratos da Petrobras".

Nas conclusões, o perito desmoralizou as acusações constantes no processo e apontou que a conta destinatária do valor desviado do Projeto Aquapolo teve como destino uma conta específica do próprio e Emílio Alves Odebrecht e que tinha como movimentações transações específicas de interesses da família Odebrecht como fazendas, holdings e empresas offshores, todas controladas por ele e por pessoas próximas:

"Tudo administrado por pessoas próximas de Emílio que, conforme levantamento efetuados das iniciais contantes nos registros, podem ser Jicélia Sampaio, Marcia Gusmão, Raul Calil e Ruy Lemos Sampaio". O perito indicou ainda que Ruy Lemos Sampaio, um dos administradores da conta, foi nomeado em 1 de junho último como presidente do Conselho de Administração da Odebrecht, fato ignorado em todo o processo.

Veja laudo aqui

Nº 24.617 - "Os EUA de Trump revivem os zoológicos humanos, por Ariel Dorfman"

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17/07/2018

Os EUA de Trump revivem os zoológicos humanos, por Ariel Dorfman


Do Jorçnal GGN - TER, 17/07/2018 - 10:36

Indianos da região do Malabar (sudoeste do país) exibidos no Jardin d’Acclimatation (Paris), talvez o mais famoso zoológico humano na virada do século XIX para o XX


do Outras Palavras

Encarceramento de crianças retoma uma história do colonialismo, cuidadosamente esquecida: as exposições em que indivíduos dos “povos primitivos” eram apresentados como animais nas capitais “cultas” do Ocidente

Por Ariel Dorfman | Tradução: Inês Castilho e Mauro Lopes

Quando Donald Trump acusou recentemente os “imigrantes ilegais” de querer “invadir e infestar nosso país”, houve um clamor imediato. Afinal aquele verbo, infestar, fora usado pelos nazistas para desumanizar judeus e comunistas como ratos, vermes ou insetos que precisam ser erradicados.

Contudo, ninguém deveria ter se surpreendido. O presidente tem uma longa história de atacar pessoas não brancas como se fossem animais. Em 1989, por exemplo, reagindo ao estupro de uma mulher branca no Central Park de Nova York, ele publicou anúncio de página inteira em quatro dos principais jornais da cidade (a um custo total de 85 mil dólares) pedindo o restabelecimento da pena de morte e denunciando “bandos de criminosos selvagens perambulando pelas ruas”. Ele estava, é claro, referindo-se aos cinco jovens negros e latinos acusados do crime, pelo qual foram condenados – e, dez anos mais tarde, absolvidos quando um assassino e estuprador em série confessou finalmente o crime.

Trump nunca se desculpou pelo julgamento apressado ou opiniões cheias de ódio, que viriam a se tornar modelo para seus ataques a imigrantes durante a campanha eleitoral de 2016 e em sua presidência. Ele declarou muitas vezes que algumas pessoas não são seres humanos de verdade, mas sim animais, apontando em particular para membros da gang MS-13. Num comício em Tennessee no final de maio, ele ampliou esse tipo de investida, incitando uma multidão frenética a gritar entusiasticamente essa palavra – “animais!” – de volta. Dessa forma, transformou as pessoas presentes em cúmplices de seu fanatismo. Nem são seus insultos e tiradas raciais meros floreios retóricos. Eles têm tido consequências bem reais. Basta olhar para as gaiolas onde ficaram presas crianças sem documentação, separadas de seus pais na fronteira EUA-México ou perto dela – como se fossem de fato animais. Repórteres e outras pessoas sempre descreviam essas áreas de detenção como sendo semelhante a um “zoo” ou um “canil” – para não falar de seus pais, que também estão presos atrás de barreiras de arame, mesmo despertando muito menos atenção e protesto.

Uma “aldeia senegalesa” montada na Exposição Universal de Liège (Bélgica), em 1905

Uma história de humanos enjaulados


Os discursos e comícios furiosos do presidente, junto com as gaiolas e centros de detenção, trouxeram o nazismo à mente de alguns, mas talvez seja mais esclarecedor pensar neles como ecos de um momento anterior na história, em que comparar humanos de pele escura a animais dificilmente causava agitação. Seria considerado parte do discurso normal, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.

No final do século 19 e início do século 20, milhões de europeus e norte-americanos consideravam perfeitamente natural tratar certos membros de nossa espécie como se fossem bestas, quase literalmente. Eles não se abalavam, assim sugerem os documentos históricos, com a ideia de ver tais “animais”, tais esquisitices, exibidas em jaulas de zoológicos literais, em eventos públicos ruidosos. Agora pode ser difícil de acreditar, mas um número assustador de nossos antepassados já foram agrupados em “zoológicos humanos“, onde milhares de nativos sequestrados da Ásia, África e América Latina eram expostos a inspeção, curiosidade e escárnio, bem como passavam, às vezes, por experimentação científica.

Hoje, tais violações inimagináveis dos direitos humanos quase desapareceram da memória pública. Eu mesmo ouvira apenas vagamente sobre zoos humanos, até que passei a ficar obcecado por eles quando a pesquisa para meu último romance, Darwin’s Ghosts (Fantasmas de Darwin), me conduziu ao mundo dos circos humanos. Descobri que o fenômeno havia sido lançado da forma mais modesta.

Audiência estadunidense observa Indígenas da América do Sul

Cento e setenta anos atrás – em 1848, um ano de revoluções em todo o globo – Claus Hagenbeck, um pescador de Hamburgo, na Alemanha, decidiu cobrar para que as pessoas dessem uma olhada em algumas focas árticas que nadavam numa grande banheira no quintal de sua casa. Logo esse primeiro tímido passo empresarial transformou-se num negócio familiar altamente lucrativo, com a exibição de animais selvagens, ao mesmo tempo em que Hagenbeck alimentava crescentes demandas por bestas maravilhosas para povoar circos e rechear coleções particulares de monarcas e outros ricos.

No final, os animais já não bastavam. No início dos anos 1870, em conjunto com o Jardim de Aclimatação, de Paris, e empresários norte-americanos como P.T. Barnum, a família Hagenbeck começou a explorar a exposição de “selvagens” dos cantos mais distantes do planeta. As primeiras vítimas desse desejo de trazer exemplares do resto da humanidade para espectadores no Ocidente foram os lapões, exibidos num cenário feito para parecer com uma de suas aldeias. (Impulso similar deu origem aos dioramas, que logo começaram a florescer nos museus da história natural.)

Aquela primeira exibição em Hamburgo dos “pequenos homens e mulheres” lapões mostrou-se tão sensacional – foram organizadas viagens a Berlim, Leipzig e outras cidades alemãs – que o desejo de ver humanos mais “primitivos” logo tornou-se insaciável. Caçadores antes especializados em localizar e trazer animais selvagens para a Europa e os Estados Unidos foram instruídos para buscar vida selvagem humana igualmente exótica. Eles não deveriam ser, era logo estipulado, tão monstruosos a ponto de enojar as plateias, mas também não poderiam ser bonitos a ponto de deixar de ser bizarros.

Os lapões foram seguidos por uma multidão de habitantes originários dos quatro cantos do planeta retirados à força de seus habitats: esquimós, cingaleses, kalmuks, somalis, etíopes, beduínos, núbios do Alto Nilo, aborígenes australianos, guerreiros Zulu, índios Mapuche, ilhéus Andaman do Pacífico Sul, caçadores de cabeças de Bornéu. A lista seguia mais e mais, conforme aqueles zoos humanos se espalhavam da Alemanha para a França, Inglaterra, Bélgica, Espanha, Itália e Estados Unidos, países que – coincidência! – eram justamente as potências imperiais do globo naquela época.


Representantes de grupos étnicos de todo o planeta logo tornaram-se destaque dos pavilhões das então populares Feiras Mundiais. Além de oferecer entretenimento para toda a família -– podem ser pensadas como equivalentes aos reality shows da TV de hoje -– aquelas exibições eram vendidas como experiências “educacionais” pelas empresas que lucravam com elas. Esse painel de pessoas “pré-históricas” era uma maneira de visitantes afluentes se espantarem e se surpreenderem com os habitantes bizarros de terras distantes, que estavam sendo incorporados por seus países com grande violência, via domínio colonial. De fato, era tamanha violência que algumas das populações nativas em exibição, como diversos grupos da Patagônia e Terra do Fogo, na extremidade sul da América Latina, já estavam então à beira da extinção. Um dos atrativos para ver espécimes vivos daqueles estranhos homens, mulheres e crianças era fazê-lo antes que seus últimos remanescentes, juntamente com suas línguas e culturas, desaparecessem da face da Terra.

Mesmo que você estivesse entre os milhões de norte-americanos e europeus que não podiam visitar pessoalmente tais mostras populares, aldeias étnicas e zoológicos humanos, você ainda poderia experimentar, de forma barata e indireta, aqueles outros exóticos. A imagem dos cativos – que evidentemente foram fotografados sem seu consentimento – eram comercializadas em escala industrial. Os cartões postais sobre os quais seus rostos e corpos eram propagandeados logo se tornaram uma característica da vida cotidiana, mais um modo de normatizar o zoológico humano, lavar sua imagem, e enviá-lo para casa sem um pensamento sequer sobre os horrores, o sofrimento daqueles cativos ou como suas crianças, maridos, esposas, mães, pais, parentes e amigos, deixados para trás, estariam enfrentando o trauma de ter suas pessoas amadas arrancadas de seu meio.

Nem eram tais atos repudiados pelos mais ilustres membros daquelas sociedades “avançadas”. Pelo contrário, muitas abduções haviam sido financiadas por instituições científicas ansiosas por descobrir como tais espécimes poderiam encaixar-se na teoria da evolução de Darwin. As pesquisas, por sua vez, eram apoiadas por funcionários de governo mais que dispostos a mostrar seu respeito e apoio aos estudiosos que investigavam as origens da humanidade. Seriam aqueles africanos e sul-americanos inteiramente humanos, ou fariam parte dos elos perdidos da grande cadeia de seres que desembocaram em nossa espécie? Naturalistas e doutores eminentes não só debatiam essas questões, mas davam palestras e escreviam tratados sobre elas e (no que era então considerado experimento científico) perfuravam os corpos daqueles que cometeram o erro de nascer longe do chamado mundo civilizado.


Ota Benga, um pigmeu do Congo encarcerado em Nova York com símios, em 1906, 
suicidou-se dez anos depois

Os Ota Bengas de hoje

Hoje em dia, é claro, os zoológicos humanos e os experimentos médicos com seres humanos vivos enjaulados são inconcebíveis. A consciência da humanidade, consagrada na Declaração Universal dos Direitos Humanos aprovada pela ONU há 70 anos, tornou tais práticas infames e intoleráveis. Quem hoje poderia aceitar o destino de Ota Benga, um pigmeu do Congo que foi trancafiado com os primatas no Zoológico do Bronx, em Nova York, em 1906, e cometeu suicídio uma década depois, quando percebeu que nunca seria capaz de retornar à sua terra natal? Quem entre nós levaria seus filhos para ver “elos perdidos” como os anões tailandeses, os índios da Amazônia ou os aldeões sudaneses, como se fossem aberrações da natureza, e não seres humanos?

Infelizmente, as congratulações ainda devem continuar arquivadas, dada a frequência com que os mesmos impulsos racistas ressurgem hoje, e não apenas nas diatribes intempestivas do presidente que equiparou humanos [imigrantes] e animais (nenhuma dessas diatribes provocou até agora indignação na maioria de seus seguidores). Uma desumanização similar de estranhos com rostos e peles mais escuras parece animar os atuais sentimentos de repulsa aos imigrantes em muitos países, como um desejo de escapar da “infestação” do exterior e manter versões míticas de pureza racial e identidade nacional. Será que somos tão distantes dos espectadores que observavam outros seres humanos enjaulados num zoológico, há um século, sem piscar os olhos ou sentir-se perturbados?

Em retrospecto, o que é mais preocupante em relação aos zoológicos humanos do passado é como aqueles que participaram de tais espetáculos degradantes foram indiferentes aos crimes cometidos diante de seus olhos. Muitos deles julgavam-se cidadãos decentes e esclarecidos, brilhantes defensores do progresso, da ciência e da liberdade.

Em Berlim, em 1882, a polícia teve que ser chamada para reprimir um tumulto dos visitantes de uma exposição de 11 nativos Kaweshkarraptados na Terra do Fogo. Milhares de visitantes, embriagados com cerveja, começaram a apedrejar as pessoas aprisionadas, exigindo que se acasalassem em público.

O que dizer do destino de duas mulheres Kaweshkar, cujos órgãos sexuais, depois de morrerem em cativeiro, foram arrancados de seus corpos e enviados para ser examinados por um proeminente pesquisador alemão interessado em descobrir como tais criaturas poderiam ser diferentes das mulheres europeias?

Tantas décadas depois, é fácil condenar tais ofensas. Mais difícil e doloroso é perguntar: quais injustiças estão acontecendo agora e que consideramos ser tão normais quanto, há apenas algumas gerações, consideravam-se normais os zoológicos humanos ou a ausência de direitos das mulheres ou a escravidão infantil?

E a aniquilação impensada de espécies que nem conseguimos contar, a pilhagem da natureza, a perda de sabedoria armazenada durante milênios por grupos étnicos que estão desaparecendo rapidamente? E o encarceramento punitivo de milhões, tantas vidas desperdiçadas? E nossa incrivelmente contraproducente “guerra às drogas” que destrói cidades, nações e vidas desnecessariamente? Ou a nossa incapacidade de nos livrar da praga da proliferação nuclear, da brutalidade da fome generalizada, das intermináveis guerras dentro dos EUA, dos centros de detenção para imigrantes e seus filhos nesse país, do espetáculo de menores sem documentos calados em jaulas e chorando por seus pais, ou os campos de refugiados transbordantes em outras partes do mundo? E quanto a tantas crianças desterradas de seus países devastados pela guerra ou encarceradas na pobreza? Onde está a indignação sobre eles? Quem marcha para libertá-los de seu cativeiro estrutural? E quem percebeu as 10 mil crianças assassinadas ou mutiladas em conflitos armados, somente em 2017, mortes invisíveispara nós?

Aqueles zoológicos humanos de um passado não tão distante apresentam-nos uma questão aterrorizante: para quais horrores cotidianos do mundo de hoje nossos descendentes olharão com repugnância e revolta? Como, eles se questionarão, seus ancestrais puderam ser tão cegos a ponto de tolerar tais transgressões contra a humanidade?


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