sexta-feira, 22 de maio de 2015

Contraponto 16.799 - "Um Plano Marshall sem ideologia"


22/05/2015

 Um Plano Marshall sem ideologia


PauloMoreiraLeite  - 22/05/2015
dilma13
Acordo de investimentos com governo chinês não tem paralelo em nossa história e lembra iniciativa que permitiu reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra

A principal dificuldade para se compreender o alcance real do conjunto de acordos de US$ 53 bilhões para investimentos da China no Brasil reside em sua dimensão. Embora possam ser encarados, hoje, como um simples calhamaço com algumas centenas de folhas de papel, autografadas pelas autoridades dos dois países, os 35 acordos bilaterais entre os dois governos envolvem um conjunto gigantesco de decisões, possibilidades e perspectivas, formando um bloco de medidas capaz de produzir um impacto tão grande em nosso futuro que é difícil encontrar um parâmetro de comparação.

Não há, na história diplomática brasileira, o registro de qualquer evento desta envergadura, envolvendo um espectro tão amplo e variado de atividades estratégicas como mineração, petróleo, defesa, aeronáutica, ferrovias, exportação de carne — e ainda um curioso programa de cooperação esportiva para aperfeiçoamento de atletas de ping-pong e ainda de badminton, aquele esporte que é uma mistura de volei de praia e jogo de peteca, muito popular na China e quase desconhecido no Brasil.

Anunciado numa conjuntura em que a oposição faz o possível para criar um grande pessimismo em torno do futuro do país, o acordo levou o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães — secretário-geral do Itamaraty na gestão de Celso Amorim, ministro nos dois mandatos de Lula — a fazer uma ironia em entrevista ao 247: “ou os chineses são desinformados e totalmente equivocados, ou quem imagina que o Brasil enfrenta uma situação catastrófica precisa aprender prestar atenção à realidade.” Crítico do programa de ajuste econômico que marca o segundo mandato de Dilma, Samuel também afirma: “ninguém investe 50 bilhões de dólares num país à beira do abismo. Muito menos quem tem as maiores reservas do mundo e pode escolher aonde coloca cada centavo.”

Em busca de uma referência histórica para o acordo com a China, diplomatas ouvidos pelo 247 admitem alguma semelhança entre os acordos assinados no início da semana e o Plano Marschall, programa de investimentos criado pelo governo dos Estados Unidos logo depois da Segunda Guerra Mundial, que permitiu a reconstrução da economia européia nas décadas seguintes.

“Mas é um Plano Marshall sem contrapartidas políticas nem ideológicas,” adverte o embaixador José Alfredo Graça Lima, que coordenou as negociações pelo lado brasileiro. Assim batizado em homenagem ao então secretário de Estado George Marshall, a partir de 1947 o plano que leva seu nome mobilizou US$13 bilhões na época — cerca de US$ 130 bilhões em dinheiro de hoje — para produzir uma dupla mudança no Velho Mundo, que teve impacto em todo planeta. Se, de um lado, contribuiu para modernizar uma economia destruída pelos bombardeios dos próprios aliados, que carregava marcas duradouras da sociedade aristocrática do século XIX, também jogou um papel decisivo para atrair os países da chamada Europa Ocidental para a áerea de influência política dos Estados Unidos. Foi assim que França, Italia, Inglaterra e outros países se consolidaram como aliados incondicionais de Washington durante a Guerra Fria, condição assegurada por laços econômicos, diplomáticos — e também militares, através da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Os acordos Brasil-China não são nada disso.

Com uma postura que a maioria dos observadores concorda em definir como 100% pragmática, a diplomacia chinesa convive com indiferença absoluta pelo mais diversos regimes políticos. Não debate assuntos internos dos países-anfitriões e não gosta de ser forçada a tratar de seus próprios tabus, onde a área de direitos humanos é sempre uma questão delicada. Suas reais finalidades externas começam e terminam na economia. Até pelo tamanho de seu país e a dimensão de sua população de 1,3 bilhão de almas, os chineses são caçadores de fontes de matérias primas de todo tipo e tem uma preocupação permanente em encontrar mercado para suas manufaturas — o país, hoje, tem a maior produção industrial do planeta.

Como ocorre com boa parte dos episódios relevantes da evolução humana, a aproximação entre brasileiros e chineses não foi feita por uma sucessão de atos de pura vontade política, mas pela capacidade das partes em dar respostas racionais diante de circunstâncias definidas.

Os dois países começaram a aproximar de verdade quando o Brasil consumava a transição da ditadura militar para a democracia, num processo simultâneo à consolidação do programa de reformas — na época chamado de “economia socialista de mercado ” — realizado por Deng Xiao Ping. Foi naquele período que José Sarney fez uma viagem a Pequim, foi recebido pelo próprio Deng e debateu tratados de natureza diversa, inclusive espacial.

No governo Luiz Inácio Lula da Silva, onde a diplomacia brasileira consumou uma guinada definitiva em direção aos países que começavam a ser chamados de emergentes, o Itamaraty deu um voto de imenso valor diplomático quando, nos debates da Organização Mundial de Comércio, aceitou incluir a China na categoria dos países que possuem uma ” economia de mercado.” O nascimento dos BRICS ajudou a pavimentar o processo construção de um pólo diplomático alternativo ao lado de Índia e África do Sul, também, mas os 35 acordos da semana passada têm natureza bilateral.
Reunem interesses complementares de brasileiros — cuja economia pede novos investimentos — e de chineses, que não podem cumprir um planejamento econômico destinado a modernizar o país e oferecer novas oportunidades a sua população sem abrir mercados externos para investimentos produtivos, que lhe permitam empregar centenas de milhões de pessoas.

Num mundo em prolongada crise econômica desde o colapso dos derivativos, em 2008, Pequim movimenta uma máquina em outro percurso, que não enfrenta concorrentes nem mesmo rivais.
Afundada em seus programas de austeridade, a Europa não consegue sair do próprio atoleiro e tem sido incapaz de responder ao drama — modesto sob todos os pontos de vista — até de uma economia como a da Grécia, que pede um pouco, só um pouco, de oxigênio para respirar. O desempenho dos Estados Unidos tem sido um pouco melhor. Nem de longe, contudo, os bancos que governam a economia norte-americana têm demonstrado apetite para levantar o mercado interno de forma regular, e muito menos para estimular o crescimento fora dos EUA. Preferem alimentar-se no tradicional cassino e acumular ganhos especulativos. O resultado é que a esperada recuperação mundial se mostra lenta, sem um sinal visível nem convincente.

Neste ambiente em geral pouco promissor, a China, com o segundo PIB do planeta, é a economia que faz o contra-ciclo. Crescendo 7,5% ao ano — já cresceu 10% por um longo período — atua como uma locomativa na contra-corrente de uma tendência mundial ao crescimento baixo e mesmo a recessão.

Vem daí o papel crescente que a China passa a desempenhar fora de suas fronteiras, ocupando espaço — sempre pacificamente, sem estimular atritos políticos — que até há pouco pareciam reservados aos Estados Unidos. O desembarque no Brasil, na semana passada, consumou uma vitória indiscutível do Dilma Rousseff, também. “Demonstra a credibilidade do país, ” afirma Graça Lima.

Experimentado arquiteto da diplomacia comercial brasileira, a estrela de Graça Lima iluminou-se no governo Fernando Henrique Cardoso, perdeu força durante os dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e, de uns tempos para cá, recuperou o brilho durante o governo Dilma Rousseff. Na condição de Subsecretário de Assuntos Políticos 2, área responsável pelas relações com os países da Ásia e com os BRICS, Graça Lima conduziu negociações acompanhadas, de perto, pela própria presidenta da República — que sempre devotou gosto e atenção especial às negociações com a potência asiática. Semana sim, semana não, nos últimos meses Graça Lima recebia missões diplomáticas de Pequim no gabinete no Itamaraty, em conversas destinadas a acertar detalhes dos acordos. Os pontos mais complicados, como se pode imaginar, eram os urgentes e importantes, envolvendo a venda de aviões e as ultimas barreiras para a exportação da carne brasileira — e só foram resolvidos poucos dias antes da chegada da comitiva chinesa ao país.


Como se sabe, tão importante quanto a assinatura dos 35 acordos bilaterais, será o esforço para garantir sua execução em prazos compatíveis. A convivência econômica entre povos e países está recheada de iniciativas bem sucedidas e também de idéias que deram errado. Os anos iniciais do Plano Marshall foram muito menos animadores do que se podia imaginar no futuro. A Aliança para o Progresso, de 1960, que seria um esforço de John Kennedy para estimular o crescimento da América Latina em bases democráticas para fazer frente ao apelo da revolução cubana encerrou-se sem progressos visíveis e o apoio a golpes militares contra governos progressistas. O futuro dos países não se encontra numa bola de cristal e sempre será um horizonte formado por surpresas e movimentos inesperado. Mas é difícil negar que, por sua história recente, Brasil e China, tão diferentes, tão distantes, têm um conjunto de interesses diferentes mas complementares que podem ser atendidos de forma proveitosa pelas partes. Esta é a racionalidade do acordo.

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Contraponto 16.798 - "As possibilidades abertas pela China"

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22/05/2015

As possibilidades abertas pela China




A ascensão dos Estados Unidos, em fins do século 19, provocou uma explosão nos preços das commodities beneficiando as exportações brasileiras de algodão e café.

A consolidação do poderio geopolítico norte-americano, no pós-guerra, com o acordo de Bretton Woods e os financiamentos internacionais para a reconstrução da Europa e para a infraestrutura na América Latina, ajudaram no salto seguinte da industrialização brasileira.
Na década anterior, Getúlio Vargas dera início à constituição do Estado brasileiro, com a criação do DASP (Departamento de Administração do Serviço Público), a instituição do concurso público, a aprovação do Código das Águas.

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Após Bretton Woods, o país já dispunha de uma burocracia pública e de empresários modernos aptos a fazer a lição de casa: o inventário das necessidades de investimentos em infraestrutura passíveis de financiamento por parte dos Estados Unidos.

Surgem daí a Missão Abink e o Plano Salte. E nasce o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para facilitar a contrapartida brasileira nos projetos financiados. E nasce, também, uma nova forma de conhecimento que alavancaria o desenvolvimento brasileiro nas décadas seguintes: a capacidade de montar projetos.

Esse novo conhecimento entrou pelo setor elétrico, através da Cemig, transbordou no Plano de Metas de Juscelino Kubitscheck e suas câmaras setoriais, invadiu os anos 60 através de consultorias privadas que forneceram os estudos para as grandes reformas institucionais do governo Castello Branco.

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Agora, entra-se no ciclo chinês.

Na primeira etapa, o boom da economia chinesa aumentou as cotações de commodities abrindo espaço para os avanços brasileiros na última década.

Agora, entra-se no ciclo da integração competitiva.

A missão chinesa no Brasil, com a presença do primeiro-ministro, cinco ministros de estados e 120 empresários, pode ter papel relevante – aliás mais relevante, já que nos anos 40 grande parte dos recursos prometidos não chegou.

Os chineses chegam com US$ 50 bilhões em projetos e com a possibilidade de concretizar projetos relevantes de infraestrutura.

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O primeiro resultado foram os empréstimos à Petrobras, em um momento em que o mercado internacional se fechou para a empresa.

Nos próximos meses, grupos de trabalho analisarão o conjunto de projetos aptos a receber financiamento chinês.

Mais do que nos anos 40, abre-se a possibilidade de uma ampliação da política industrial brasileira, desde que os financiamentos não imponham condicionantes de importação exclusiva de produtos chineses.

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Nos anos 30, o Brasil valeu-se pragmaticamente da disputa entre os países do Eixo e os Estados Unidos para avançar em sua industrialização.

À medida que a China comece a avançar sobre a América Latina, haverá um interesse maior nos Estados Unidos em contrabalançar o novo influente.

O grande desafio será o país conseguir somar a inteligência interna da diplomacia, das associações empresariais, dos think tanks existentes, para aproveitar ao máximo as janelas de oportunidade que a história abre novamente ao país.


O desafio é mirar a complementariedade industrial e não apenas a melhoria da infraestrutura visando aumentar as exportações de produtos primários.

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Contraponto 16.797 - "Por que a China é um parceiro melhor que os EUA. Por Paulo Nogueira"


22/05/2015


Por que a China é um parceiro melhor que os EUA. Por Paulo Nogueira



Diário do Centro do Mundo - Postado em 22 mai 2015

Dilma e o primeiro-ministro  Li Keqiang no Palácio do Planalto
Dilma e o primeiro-ministro Li Keqiang no Palácio do Planalto


Paulo NogueiraVocê quer luzes sobre o significado da China como grande parceira, e não as sombras que encontra na cobertura das corporações de mídia?

O mundialmente aclamado livro “Winner Take All” (O Vencedor fica com Tudo), da economista zambiana Dambisa Moyo, é um ótimo caminho.

(A editora Objetiva adquiriu os direitos. Se não lançou ainda, deveria.)
Li o livro em 2012,  quando foi lançado, e reli agora por conta dos novos investimentos da China no Brasil.

Numa linguagem simples, jornalística, Dambisa dá ao leitor aquilo de que ele precisa.

Mostra, em primeiro lugar, a lógica da estratégia chinesa. Quando e por que a China se lançou vorazmente à compra de recursos mundo afora, sobretudo nos países mais pobres.

E conta também como os países em que a China mais investiu inicialmente, na África, enxergam, passados anos, o papel chinês.

Pesquisas feitas por respeitados institutos como o americano Pew demonstram que os africanos gostam dos parceiros chineses.

Veem neles um sócio melhor e mais confiável do que os americanos.

Os chineses desenvolvem parcerias que Dambisa qualifica de “simbióticas”. É o tipo de sociedade em que as duas partes precisam muito uma da outra.

O livro de Dambisa ajuda a entender os movimentos chineses
O livro de Dambisa ajuda a entender os movimentos chineses

Para a China, é vital se abastecer de recursos naturais que tendem a ser perigosamente escassos no futuro.

E para os países que oferecem tais recursos à China falta dinheiro para explorar adequadamente suas riquezas.

Ganha um, ganha o outro, ganham todos.

Adicionalmente, a China investe na infraestrutura dos países dos quais compra recursos minerais, para facilitar o escoamento da mercadoria.

É exatamente isso que se viu, agora, nos acordos fechados com o Brasil.

Dambisa sublinha bem a diferença entre o estilo chinês e o estilo ocidental de colocar dinheiro em nações em desenvolvimento.

Os ocidentais se intrometem e impõem condições muitas vezes terríveis. (Os brasileiros têm memória das exigências do FMI, por exemplo.)

A China, não. Tudo que ela deseja está estampado nos negócios que fecha. A política fica inteiramente de fora: cada sócio que cuide de suas coisas.

Nos países africanos, a China foi adiante como sócia. Para ganhar corações e mentes, perdoou dívidas (o que o Brasil também fez, sob críticas ferozes dos conservadores) e construiu na África escolas, hospitais e coisas do gênero.

Este, enfim, é o jeito chinês de se relacionar com o mundo.

“Os chineses aparentemente aprenderam com os erros ocidentais e dão a seus anfitriões exatamente aquilo que eles querem – dinheiro, estradas, ferrovias – em troca de acesso a recursos naturais”, escreveu Dambisa em seu livro. “Todos os envolvidos triunfam.”

Por tudo isso, é muito bom ver o Brasil fechar negócios bilionários com a China – a despeito das vociferações dos desinformados ou mal-intencionados.

E muito bom não para Dilma ou o PT apenas — mas para o Brasil.


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Sobre o Autor
Paulo Nogueira. Jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.
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Contraponto 16.796 - "O PSDB virou o partido dos paneleiros golpistas. Por Leandro Fortes"

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22/05/2015


O PSDB virou o partido dos paneleiros golpistas. Por Leandro Fortes



Patético
Patético


por : 


Por essas coisas do destino, todo o carnaval montado pela mídia para fazer do programa do PSDB um campeão de audiência foi desmontado por uma avalanche de boas notícias.

Boas para o país, bem entendido.

A Petrobras, alçada à liderança mundial das petroleiras, lucrou mais do que o esperado. A China decidiu investir mais de 50 bilhões de dólares no Brasil. O Senado aprovou Luiz Fachin para o STF.

Em contrapartida, o PSDB virou o partido dos latifundiários, dos golpistas, dos paneleiros que agridem crianças nas ruas, dos punguistas que batem carteira e saem gritando “pega ladrão”.

O partido que escondeu Fernando Henrique Cardoso, por 12 anos, de suas campanhas políticas para, agora, de forma desumana, usá-lo como um boneco de ventríloquo dos ressentimentos de Aécio Neves.

Um homem de 83 anos, um velho, vociferando ódio para esconder os próprios fracassos e a inveja que não pode ser escondida.

O PSDB não se tornou somente o partido mais reacionário do Brasil.

Tornou-se o mais triste.

Mais até do que o DEM, de Caiado e Agripino, que é apenas patético.


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Sobre o Autor
Leandro Fortes é jornalista, professor e escritor. Trabalhou para o Jornal do Brasil, O Globo, Correio Braziliense, Estadão, Revista Época e Carta Capital

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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Contraponto 16.795 - "Dilma redireciona ajuste fiscal para andar de cima"

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21/05/2015

Dilma redireciona ajuste fiscal para andar de cima



Do Cafezinho - 21/05/2015

Poxa, por que demorou tanto?

Era óbvio que essa medida tinha de vir simultaneamente ao pacotão de maldades do ajuste fiscal.

Tudo bem, antes tarde do que nunca.


Governo eleva taxação aos bancos para ‘pegar andar de cima’

ERICH DECAT – O ESTADO DE S. PAULO

21 Maio 2015 | 19h 31

Palácio do Planalto já tem pronta uma MP que eleva a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 15% para 20%

Em meio ao desgaste com ajuste fiscal, o Palácio do Planalto já tem pronto para despacho uma Medida Provisória que eleva a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para instituições financeiras de 15% para 20%. A proposta, segundo interlocutores do governo, deve ser publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta sexta-feira. O texto, a que o Estado teve acesso, já passou pelo Ministério da Fazenda, pela Casa Civil e está pronto para ser assinado pela presidente Dilma.

A MP estabelece mudança no artigo da Lei que institui a contribuição. Diz o texto que o valor passa a ser de: “20%, no caso das pessoas jurídicas de seguros privados, das de capitalização e das referidas nos incisos I a VII, IX e X” da Lei complementar de 2001.

Segundo interlocutores do governo ouvidos pela reportagem, a medida também tem como objetivo “pegar o andar de cima” e dar uma resposta aos mais críticos, que protestam contra o fato de as propostas do ajuste fiscal encaminhadas pelo Executivo ao Congresso Nacional atingirem essencialmente setores trabalhistas e previdenciários.

O último aumento da CSLL ocorreu em 2008, no segundo mandado do presidente Lula, ocasião em que a econômica brasileira também passava por um cenário preocupante na área da política monetária.

O ajuste da CSLL ocorre num momento em que o governo pretende combinar os cortes em gastos previstos no Orçamento deste ano com uma nova rodada de aumento de impostos. O objetivo da medida, preparada pelo Ministério da Fazenda, é reforçar o ajuste fiscal e afastar o risco de rebaixamento da nota de crédito do Brasil. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy apresentou uma estimativa de corte aos congressista de R$ 78 bilhões. O montante compensaria as perdas promovidas pelos parlamentares no ajuste fiscal.

O governo estima poupar R$ 14 bilhões com as restrições aplicadas em benefícios trabalhistas e previdenciários que estão em discussão no Senado. Antes das alterações feitas na Câmara, as medidas provisórias que apertavam esses benefícios produziriam uma economia de R$ 18 bilhões, segundo o governo.

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Contraponto 16.794 - "Paulo Pimenta: Folha de S. Paulo ataca quem investiga a Zelotes, operação da PF que flagrou empresas de mídia e patrocinadores"

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21/05/2015


Paulo Pimenta: Folha de S. Paulo ataca quem investiga a Zelotes, operação da PF que flagrou empresas de mídia e patrocinadores


Do Viomundo - publicado em 21 de maio de 2015 às 19:40

PIMENTA


Folha de S.Paulo ataca quem investiga a Zelotes


por Paulo Pimenta*, via e-mail

Para minha surpresa, nesta quinta-feira (21), o colunista da Folha de S.Paulo Leonardo Souza iniciou uma “cruzada” contra todos aqueles que lutam para que não haja uma operação abafa sobre a Operação Zelotes. Acuada que está, a mídia faz diversas tentativas para desqualificar tanto a Zelotes quanto o episódio das contas secretas do HSBC na Suíça, conhecido como escândalo Swissleaks, pois ela não sabe QUEM as investigações poderão “pegar”.

O que se sabe é que nesses dois escândalos bilionários de sonegação há empresas de mídia e nomes ligados a grupos de comunicação envolvidos. Como a imprensa não controla esses episódios, ela busca estratégias para retirar a autoridade do trabalho investigativo da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, ou daqueles que buscam dar visibilidade à Operação Zelotes.

A imprensa, basicamente, não se ocupa da Operação Zelotes por três motivos: o escândalo bilionário não envolve a classe política (os envolvidos são empresas privadas, anunciantes da própria mídia); há grupos de mídia investigados; e por que parte da imprensa sustenta que sonegar é um ato aceitável, e que não se trata, portanto, de corrupção.

Chama atenção que o colunista Leonardo Souza jamais se deteve em profundidade ao assunto para informar à sociedade o que é o Carf, o que é a Operação Zelotes, como é que agiam as quadrilhas que se apropriaram de uma estrutura como o Carf para defesa dos seus próprios interesses. Pelo que se sabe, o colunista não moveu até agora uma palha para tentar esmiuçar o assunto. Quando não cala sobre a Zelotes, o colunista Leonardo Souza prefere fazer juízo de valor sobre a minha atuação, tentando colocar sob suspeita as reais intenções do nosso trabalho.

Lamento que, mesmo tendo gasto grande quantidade de papel e tinta acompanhando a Operação Zelotes e a nossa atividade parlamentar, o colunista da Folha de S.Paulo o faça sem reconhecer a realidade dos fatos, sob a frágil alegação de que os esforços engendrados por nosso mandato tenham a única finalidade de desviar a publicidade da operação Lava Jato. Qual o motivo de tratar a Lava Jato e a Zelotes como concorrentes, e não como casos de corrupção de forma semelhante, respeitando o direito que a sociedade tem de ser informada? Se o raciocínio do tal colunista procedesse, seria possível afirmar que a mídia só cobre a Lava Jato com objetivo de ofuscar a Zelotes.

Sim, Leonardo, que as autoridades investiguem a fundo a Lava Jato, a Zelotes, o HSBC, o Mensalão Tucano, o Trensalão Tucano de São Paulo e todos os casos de corrupção do país, bem diferente do que ocorria até o final dos anos 1990, quando muitos casos de corrupção eram engavetados. E que a imprensa, por sua vez, noticie todos os casos de corrupção do país.

E quando for cobrada de que não está cumprindo com o papel de informar e servir ao cidadão, de que está agindo como a quadrilha que atuava no Carf defendendo apenas seus próprios interesses, que a imprensa não busque o caminho dos ataques, da desqualificação e das suposições baseadas em ufanismos editoriais ideológicos. Que não seja autoritária como os censores da ditadura! Que não tente calar e sufocar a voz daqueles que buscam chamar atenção para a roubalheira que foi feita no Carf. Que não censure! Que não faça o que justamente critica. Combata a censura, a si próprio, e não quem defende a liberdade para se falar da Zelotes e de todos escândalos de corrupção.

Por respeitar e confiar na independência do poder judiciário é que buscamos tratamento isonômico a todas as investigações criminais envolvendo o desvio de verbas públicas. Acreditamos que entre os excessos a Operação Lava Jato e a negligência dedicada à Operação Zelotes deve existir um caminho do meio.

As estratégias da mídia são velhas conhecidas. O que há de novo é que, agora, não há mais como impedir que o público tenha acesso às informações de que os grandes grupos de comunicação estão envolvidos tanto no Swissleaks quanto na Zelotes, que apuram sonegação fiscal, corrupção, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

Infelizmente, a imprensa brasileira trabalha os casos de corrupção não a partir do ato em si, mas, sim, a partir de quem praticou a corrupção e quem está envolvido nesses escândalos. Só depois desse filtro, dessa censura prévia, e só depois de verificar se não irá atingir interesses dos grupos econômicos influentes, é que a imprensa decide qual o tamanho da cobertura jornalística que dedicará, ou, então, se irá varrer os acontecimentos para debaixo do tapete, sumindo com esses fatos do noticiário.

A mídia conhece, mais do que ninguém, os limites da sua liberdade de expressão, até onde pode ir e sobre o quê e quem falar. Nesse sentido, e parafraseando o próprio colunista Leonardo Souza, “é uma pena que o ímpeto apurativo da imprensa brasileira não se dê pela vontade genuína de ver um Brasil limpo da corrupção”
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*Paulo Pimenta, jornalista e deputado federal pelo PT-RS.

O artigo acima também foi enviado à editoria de Opinião da Folha de S.Paulo. Abaixo o ataque da Folha ao deputado Paulo Pimenta e ao PT

PT quer inflar Zelotes para contrapor à Lava Jato, por Leonardo Souza

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) iniciou uma cruzada em defesa da Operação Zelotes, aberta pela Polícia Federal em março, num trabalho conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita, para apurar fraudes no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), espécie de tribunal superior para julgar autuações lançadas pelo fisco.

Pimenta é relator da submissão da Câmara criada para acompanhar o trabalho dos investigadores no curso da Operação Zelotes. Por iniciativa do deputado gaúcho, foram ouvidos nesta quarta-feira (20), na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, presidida pelo deputado Vicente Cândido (PT-SP), os delegados da PF encarregados da investigação. Na semana passada, fora a vez do procurador Frederico Paiva, chefe da força-tarefa do MPF para o caso.

A Zelotes merece toda a atenção do poder público. Estima-se que as fraudes no Carf alcancem R$ 19 bilhões. Segundo o MPF, há provas consistentes de ilegalidades cometidas no julgamento de autuações que somam mais de R$ 5 bilhões.

Os valores envolvidos são muito maiores do que qualquer outro escândalo do vasto noticiário da corrupção brasileira. Assim, a iniciativa de Pimenta e de outros petistas seria muito bem-vinda, não fosse a verdadeira motivação para tal empenho.

O deputado não esconde que deseja um contraponto à Lava Jato, operação que desvelou as barbáries cometidas na Petrobras na gestão petista e que já arrastou para o centro do escândalo alguns nomes estrelados do partido, como ex-tesoureiro João Vaccari Neto.

Pimenta já aventou a possibilidade de solicitar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que acompanhe os desdobramentos da Zelotes. Ao contrário da Lava Jato, que já levou à cadeia empresários, políticos, doleiros e lobistas, na Zelotes a Justiça negou os 26 pedidos de prisão preventiva feitos pelo Ministério Público até aqui.

Pimenta acusa a imprensa de deliberadamente ofuscar a Zelotes, como num golpe para manter somente a Lava Jato e seus investigados sob os holofotes. “A sociedade não aceitará uma operação abafa sobre a Zelotes”, já bradou o deputado.

“Curiosamente, a Zelotes não é noticia, e a chamada grande mídia não demonstra nenhum interesse em ter acesso ao processo, em cobrar providências. Como explicar à sociedade brasileira que um esquema que causou um prejuízo aos cofres públicos de R$ 19 bilhões não seja de interesse público?”, questiona o congressista.

As afirmações do deputado não condizem com a realidade. Nesta Folha há vários repórteres escalados para cobrir o assunto, assim como em todos os grandes veículos de comunicação do país. Já foram consumidos muitos quilos de papel e litros de tinta (e incontáveis megabytes na internet) na cobertura do tema.


É uma pena que o ímpeto apurativo do deputado não se dê pela vontade genuína de ver um Brasil limpo da corrupção.
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Contraponto 16.793 - "Em busca do diploma, Aécio vira piada nas redes"

Contraponto 16.792 - "As táticas sujas da mídia golpista para abafar a Zelotes"

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21/05/2015


As táticas sujas da mídia golpista para abafar a Zelotes





A Folha se tornou um jornal muito esquisito.

Fui dar uma olhada na capa do portal. Sem surpresa: só dá Lava Jato, Dirceu, o de sempre.

A manchete é sobre a prisão de um empresário que tinha feito pagamentos a Dirceu, pelos serviços de consultoria que o ex-ministro prestava, sem esconder isso de ninguém.

Claro, quando interessa, o sujeito não é mais empresário: vira “lobista”, “operador”.

A linguagem é muito importante para estabelecer a narrativa.

Sergio Moro incluiu no texto o seu estilo barbosiano: diz que acha “suspeito” que alguém tenha contratado Dirceu.

O empresário em questão já declarou em juízo que Dirceu prestou serviços prospectando negócios no exterior.

Não adianta.

Moro escreveu aquele texto de Rosa Weber, que condenou Dirceu usando a famigerada frase: “não tenho provas contra Dirceu, mas a literatura me permite condená-lo”.

Parece que Moro continua pensando do mesmo jeito.

Prende as pessoas porque acha “estranho”. É como se Dirceu tivesse se tornado um vampiro.

Qualquer pessoa que tenha contratado seus serviços, se torna também vampiro aos olhos de Moro – e da mídia.

É uma maneira de um setor radicalizado da oposição se vingar dos empresários que não se juntaram ao coro midiático do “delenda Dirceu”.

Mas eu queria falar de outra coisa.

Logo abaixo da manchete, vemos uma chamadinha ultra discreta para a Operação Zelotes, que envolve valores bem mais altos que a Lava Jato, e não corresponde a nenhuma obra, nenhuma refinaria, plataforma, hidrelétrica. É a corrupção pura, aquela que talvez Merval Pereira chamasse “corrupção do bem”.

A chamada: “PT quer inflar Zelotes.”

Ah, bom!

O PSDB não quer “inflar a Lava Jato”, nunca quis “inflar o mensalão”, mas o PT quer “inflar a Zelotes”.

A matéria, assinada por Leonardo Souza, é completamente esquizofrênica, porque o seu teor, o seu tom, a sua linha editorial, confirmam exatamente o que o texto procura denunciar como “delírio” do deputado Paulo Pimenta (PT-RS): o de que a mídia quer abafar esse escândalo.

Ora, os últimos dias trouxeram várias novidades sobre a Zelotes. Paulo Pimenta trouxe os delegados responsáveis pela investigação, que deram depoimentos ricos em informação. Houve um debate interessante na Câmara sobre as insuficiências do sistema para reprimir os crimes tributários.

Foi criada uma CPI no Senado, há somente dois dias!

Não falta assunto.

O que a Folha podia fazer: entrevistar especialistas em direito tributário; ativistas pela justiça fiscal; pesquisar como é feito o combate ao crime tributário em outros países; correr atrás da repercussão da Zelotes na sociedade civil, política e empresarial.

Nada disso. A Folha não agrega informação nenhuma. Não ataca os sonegadores. Não repercute a denúncia do procurador e do deputado, de que o juiz da Zelotes não está ajudando.

Ao invés disso, a Folha publica um texto contra o parlamentar que lidera, há tempos, uma luta solitária contra os grandes esquemas de sonegação no país.

É muito cinismo.

E confirma que o Brasil, se quiser lutar contra a corrupção fiscal, não poderá contar esta mídia que aí está: vendida, partidária, e, mais que nunca, golpista.

Ah, e sonegadora também.

Contraponto 16.791 - "Nílson Lage: Judiciário dá a medida do estofo moral de nossa elite"

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21/05/2015


Nílson Lage: Judiciário dá a medida do estofo moral de nossa elite


Tijolaço - 20 de maio de 2015 | 21:50 Autor: Nilson Lage, colaboração para o Tijolaço
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Nilson Lage, colaboração para o Tijolaço

Se querem a perfeita medida do estofo moral da elite brasileira, olhem para o Judiciário do país.

Sua origem está na primogenitura dos latifundiários antigos que, buscando expandir propriedades e plantéis de escravos, cuidaram de prover, primeiro, na descendência, o doutor em leis.

Agora se vê que, em espírito, manteve-se esse compromisso ancestral com o próprio bolso e patrimônio.

No momento em que encontram caminhos fáceis, pela fratura da unidade política do Estado, a primeira preocupação dos magistrados é assaltar o Tesouro Nacional, arrancar o máximo de dinheiro possível e se espojar nele, numa disputa imoral de privilégios indecentes – do auxílio moradia a quem tem casa ao inalienável direito de ir comprar ternos em Miami.

Aos trabalhadores, o arrocho; ao Judiciário do Brasil, 78,56% de aumento, fora inúmeros e ridículos penduricalhos.
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PS do Fernando Brito: A partir de hoje, com a devida anuência do autor, passo a publicar, com imenso orgulho,  algumas manifestações do professor Nílson Lage, formador de uma geração de jornalistas, os quais lhe formam parte uma legião de seguidores no Facebook que já supera 4.500 pessoas .  Lage é profissional de meio século de observação do jornalismo brasileiro, quase outro tanto de magistério público e dono de um respeito que supera em muito estes tempos extensos. E, já nesta primeira colaboração, tomo a liberdade de dizer que, como falam aqueles comerciais de televisão, “isso não é tudo”. Reproduzo, para que todos se esclareçam, os benefícios, além dos vencimentos, que o projeto de lei do Estatuto da Magistratura, em tramitação no Congresso,  prevê, segundo o site Conjur. Os penduricalhos, presentes e futuros, que Lage aponta, sem contar o auxílio-moradia que já se “emplacou”.

— O auxílio-alimentação será pago mensalmente ao magistrado, inclusive no período de férias, no montante correspondente a 5% do subsídio.

— O auxílio-transporte para o juiz que não dispuser de carro do tribunal será equivalente a 5% do valor do subsídio mensal do magistrado, e será pago para os deslocamentos entre o trabalho e a casa do juiz.

— O auxílio-creche será devido mensalmente ao magistrado, no valor de 5% do subsídio por filho, desde o nascimento até os seis anos de idade.

— O auxílio-educação, também equivalente a 5%, será devido ao magistrado que tiver filho com idade entre 6 e 24 anos e que esteja cursando o ensino fundamental, médio ou superior, em instituição privada.
— O auxílio-plano de saúde será pago mensalmente ao juiz no valor de 10% do subsídio para o magistrado e para sua mulher, e a 5% do subsídio para cada um dos seus dependentes.

— Além disso, cada tribunal deve proporcionar serviços de assistência médico-hospitalar aos juízes, incluindo serviços profissionais médicos, paramédicos, farmacêuticos, fisioterapêuticos, psicológicos e odontológicos.

— A ajuda de custo para capacitação será paga ao magistrado, mensalmente, para o pagamento de cursos de aperfeiçoamento, especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado, correspondendo a 10% nos casos de instituições situadas no Brasil, e a 20% quando se tratar de instituição situada no exterior.

— Será paga indenização de permanência ao juiz que tiver completado tempo de serviço para aposentadoria, mas que permanecer trabalhando. O benefício corresponderá a 5% do total da remuneração, por ano de serviço excedente, até o limite de 25%.

— O prêmio por produtividade será pago ao magistrado uma única vez por semestre, em janeiro e em agosto de cada ano. Para isso, basta ao juiz, nos seis meses anteriores, proferir mais sentenças do que o número de processos recebidos mensalmente. Cumprida a meta, o juiz recebe um salário a mais por semestre.

— O juiz receberá o adicional por prestação de serviços de natureza especial se participar de mutirões de conciliação, treinamentos, projetos sociais, fiscalização de concursos públicos.

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Contraponto 16.790 - "PSDB é uma gralha de mau agouro, não pensa o Brasil, que supera barreiras e faz acordos bilionários"


Contraponto 16.789 - "Vamos bater panelas contra a corrupção fiscal?"

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21/05/2015




Diretamente de Brasília.

O Senado autorizou a instalação, esta semana, da CPI do Carf, que ajudará a dar suporte político à Operação Zelotes, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

O Cafezinho prefere lhe dar um apelido mais popular: CPI do Darf, para lembrar a campanha “Mostra o Darf, Rede Globo!” que fizemos após a divulgação de documentos que ilustravam a “engenhosa operação financeira” da Globo, visando fraudar o fisco na aquisição dos direitos de transmissão da Copa de 2002.

Junto à CPI do Swissleaks, agora são duas CPIs no Senado criadas através de denúncias que tiveram mais repercussão junto às redes sociais e blogs do que na grande imprensa.

Até porque as próprias empresas de mídia são investigadas nas duas CPIs. Na do Swissleaks, apareceram inúmeros barões (Folha, Band, Globo) que mantinham contas secretas na Suíça; e na recém instalada CPI do Darf, temos a RBS, afiliada da Globo e principal grupo de mídia no Sul do país, além de bancos, como o Safra, e indústrias, como a Gerdau.

É importante dar destaque à presença da mídia como réu, pois isso determinará que a imprensa corporativa adote uma abordagem hostil em relação a essas duas Cpis.

Claro, se houver a pressão certa, a imprensa será forçada a noticiar. Não deixa de ser curioso, porém, que agora tenhamos que fazer grandes campanhas nas redes sociais para obrigar a mídia a simplesmente cumprir seu papel: dar a notícia.

A imprensa não sabe como tratar dois grandes escândalos onde não há, até onde sabemos, nenhum petista.

Afinal, como manter o asfixiamento político do Planalto com escândalos que não envolvem diretamente nenhuma figura importante ligada ao governo?

Lembrando: a Operação Zelotes investiga desvios que podem superar R$ 20 bilhões, e põe em evidência, pela primeira vez, uma instância obscura, que nunca mereceu, por parte da imprensa, uma cobertura jornalística decente.

Essa instância chama-se Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e vincula-se ao Ministério da Fazenda.

Esse Carf é uma jabuticaba brasileira. Não existe em lugar nenhum do mundo.

Contenciosos fiscais que correspondem a pedaços gordos do PIB brasileiro são discutidos sem nenhuma transparência. No momento, o Carf discute mais de R$ 500 bilhões, que podem ou não ser transformados em patrimônio público. Isso dá quantos “ajustes fiscais”?

Como assim? Quer dizer que a lei da transparência exige que sejam publicados os gastos de ministros e deputados até os mínimos detalhes, e uma turma com meia dúzia de “conselheiros”, metade oriundo do setor privado, pode decidir em segredo o destino de centenas de bilhões de reais de crédito tributário?

Por que a imprensa brasileira nunca discutiu o papel do Carf? Quem são os conselheiros, como são escolhidos, qual o critério que usam para perdoar ou não bilionárias dívidas tributárias?

Se os paneleiros querem razões para bater no governo, eis uma boa: porque o Ministério da Fazenda nunca tentou oxigenar o Carf? Nunca tentou injetar mais transparência e controle social sobre decisões que afetam profundamente as contas públicas nacionais?

Não me entendam mal. Não quero usar a política para prejudicar nenhuma empresa brasileira. Se você ler atentamente o post verá que se tenta discutir sobretudo o problema da legislação tributária, que praticamente incentiva a sonegação.

O espetáculo grotesco oferecido pelos procuradores da Lava Jato, que não demonstraram uma gota de preocupação pelas consequências de seus atos, tentando destruir empresas e setores de importância estratégica para o país, não deve ser repetido em nenhuma outra instância.

Mas também não é mais possível que o crime tributário seja tratado com tanta condescendência pelos orgãos de repressão. Nos países avançados, as prisões estão cheias de sonegadores. Aqui ninguém é punido!

O Cafezinho voou para a Brasília nesta quarta-feira e conversou longamente com o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), relator de uma subcomissão criada na Câmara Federal especialmente para acompanhar as investigações da Operação Zelotes.

(Assista à entrevista que eu fiz com o deputado, usando meu celular.)

Pimenta observa que o objetivo maior do seu envolvimento nas investigações da Zelotes é mostrar ao Brasil que a nossa legislação tributária foi feita para beneficiar o sonegador, em especial o grande sonegador.

Não vale a pena pagar imposto, porque se você tiver uma boa consultoria tributária, o melhor a fazer é empurrar a dívida indefinidamente, até a última instância. No Carf, se o devedor perde, ele pode recorrer ao Judiciário. Se o governo perde, é decisão terminal: e o Estado perde bilhões, às vezes dezenas de bilhões.

O próprio procurador da Zelotes, diz Pimenta, entrou com uma representação contra o juiz.Pimenta também está entrando com representações contra o juiz, junto ao Conselho Nacional de Justiça, para que ele explique porque não está colaborando com uma investigação que pode ter um impacto tão profundo no PIB.

Infelizmente, diz o deputado, existe a suspeita de que o Judiciário está sendo omisso ou mesmo cúmplice das quadrilhas, formadas por grandes escritórios de advocacia.

Na manhã desta quarta-feira, a subcomissão trouxe os delegados da Polícia Federal Marlon Oliveira Cajado dos Santos, da Divisão de Repressão a Crimes Fazendários, e Hugo de Barros Correia, da Coordenadoria Geral da Polícia Fazendária. Os dois são responsáveis pela investigação da Operação Zelotes.

Os delegados criticaram duramente a legislação, que protege sonegadores. Eles criticaram especialmente a composição do Carf, que dá muitas brechas à corrupção. Por exemplo, uma das estratégias dos conselheiros corruptos, flagrados pela PF através de escutas autorizadas pela Justiça, era simplesmente ausentar-se de uma votação. Como a turma que decide é formada por apenas seis pessoas, uma ausência pode determinar se o governo receberá ou não alguns bilhões em impostos.

Os delegados criticaram também a Súmula Vinculante 24 do Supremo Tribunal Federal que, segundo eles, reduziu pela metade os inquéritos policiais contra crimes tributários nos últimos cinco anos.

O deputado Paulo Pimenta disse ao Cafezinho que entrará em contato com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir esta súmula.

“Não é que diminuiu a quantidade de crimes tributários, ou que a Polícia está investigando menos. A Súmula do STF, de 2009, consolida o entendimento de que a PF não pode instaurar inquérito policial se a Receita Federal, em sua última instância, não constituir definitivamente o crédito tributário. Isso dificulta e impede o início de uma investigação”, lamentou o delegado Hugo Correia.

O delegado informou que muitas das investigações relacionadas ao Carf só foram possíveis a partir de evidências de crimes de corrupção, advocacia administrativa, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Os delegados enfatizaram que a legislação brasileira permite um tratamento diferenciado para crimes tributários em relação aos crimes comuns. Segundo eles, a leis são mais condescendentes no âmbito do direito penal tributário.

O Cafezinho também conversou, nesta quarta-feira, com o gabinete da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que será a relatora da CPI do Darf.

O staff da senadora já percebeu que encontrará dificuldades para divulgar as atividades da CPI na mídia tradicional e espera furar esse bloqueio através do engajamento de blogs e redes sociais.

A presidência da CPI do Darf ficou com o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), um parlamentar bastante hostil ao governo, mas que terá oportunidade de mostrar que os tucanos também se interessam em combater a corrupção fiscal.

A sociedade terá de ficar atenta ainda para um risco: o uso desta CPI para achacar grandes empresas, num jogo que o corrupto Paulo Roberto Costa diz ter feito com o então presidente do PSDB: R$ 10 milhões para transformar uma CPI num circo e, aos poucos, abafá-la.

Se esse risco for vencido, a CPI do Darf pode dar frutos extraordinários, a começar pela oportunidade de rediscutirmos um modelo tributário que premia o grande sonegador, e que, virtualmente, eliminou o crime tributário da esfera da investigação policial.

“Não existe a figura da Justiça Fazendária no Brasil”, protesta o deputado Pimenta.

A corrupção fiscal dos muito ricos, assim como a falta de imposto sobre grandes fortunas, são a razão principal da sobrecarga tributária que pesa sobre a classe média, os assalariados e as pequenas empresas brasileiras.

Passamos os primeiros quinze anos do atual século lutando por justiça social e combatendo a corrupção. Os órgãos de repressão ganharam autonomia e autoconfiança para investigar inclusive partidos governistas. É raro, mesmo em democracias avançadas, ver tanta liberdade política.

Entretanto chegou a hora de promover um avanço qualificado nessas ações moralizadoras, e introduzir no debate público dois conceitos essenciais para fazer o Brasil dar um passo na direção certa: justiça fiscal (que devemos promover) e corrupção fiscal (que devemos combater).
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Contraponto 16.788 - "Requião diz que tem lista do SwissLeaks-HSBC: ‘São praticame"

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21/05/2015 


Requião diz que tem lista do SwissLeaks-HSBC: ‘São praticamente as pessoas do CC5 do Banestado’



Esmael Morais -21 mar 2015

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O senador Roberto Requião (PMDB-PR), pelo Twitter, se colocou à disposição para revelar o nome dos brasileiros que enviaram ilegalmente dinheiro para fora do país.

“Se há interesse nos envios de dinheiro para fora do país procurem o [procurador da República] Celso Antonio Três e a mim, [pois] podemos ajudá-los com as CC5 do Banestado”, tuitou o peemedebista.

Requião se refere ao suspense que o jornalista Fernando Rodrigues, do portal UOL, vem fazendo na divulgação da lista dos brasileiros que possuem contas secretas na Suíça — o caso SwissLeaks-HSBC.

Ao Blog do Esmael, o senador afirmou que possui em seu gabinete, em Brasília, um relatório com todos os nomes citados na CPI do Banestado.

Em 2003, a CPI do Banestado “investigou” na Câmara Federal a evasão de US$ 84 bilhões via as contas CC5 do extinto Banco do Estado do Paraná.

Nesta segunda-feira, Fernando Rodrigues, em parceria com O Globo, revelou nome de celebridades globais e de cineastas na lista do HSBC em Genebra, na Suíça.

O jornalista tenta fazer uma conexão entre dinheiro da Lei Rouanet e o Fundo Nacional de Cultura e as contas secretas das celebridades (clique aqui).

Dentre os artistas com contas no HSBC de Genebra, entre 2006 e 2007, estão Edson Celulari, Claudia Raia, Andrucha Waddington, Marilia Pêra, Maitê Proença e Hector Babenco
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Contraponto 16.787 - "Kotscho: ontem foi dia para Dilma comemorar"

Contraponto 16.786 - "Tinha bafômetro no programa do PSDB ? "

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21/05/2015


Tinha bafômetro no programa do PSDB ?

A picolé de chuchu engazopou o cambaleante Aecím.




A propósito do programa (sic) do Aecím, que barrou o Cerra e o Alckmin, o Miro Borges fez afiada análise:

Aécio Neves fugiu do bafômetro na TV?


Por Altamiro Borges

O cambaleante Aécio Neves ainda não se curou da ressaca de outubro passado. Em rede nacional de rádio e tevê do PSDB, ele voltou a esbanjar valentia contra a presidenta Dilma, tentando envolvê-la no esquema de corrupção da Petrobras – para justificar seu desejo recalcado de abertura do processo de impeachment. “O Brasil precisa saber definitivamente quem roubou, quem mandou roubar e que, sabendo de tudo, se calou ou nada fez para impedir”, esbravejou.

Ele poderia ter aproveitado o horário nobre para explicar o inexplicável aeroporto construído na fazenda do seu tio-avô, com recursos públicos, quando era governador de Minas Gerais. Ou o montante que foi garfado dos cofres do Estado para financiar as rádios da sua família. Também poderia esclarecer, de uma vez por todas, seu envolvimento na sinistra Lista de Furnas – que só não levou à inclusão do seu nome na Operação Lava-Jato graças à generosidade do juiz Sérgio Moro e do procurador-geral Rodrigo Janot e à cumplicidade da mídia tucana.

Talvez pela ausência no estúdio de um bafômetro – tão comum nas baladas no Rio de Janeiro –, o senador carioca-mineiro novamente tentou se travestir de vestal da ética. Aécio Neves acha que goza de muita credibilidade na sociedade. Um dia antes, no seu palanque eleitoral na Folha, ele comparou as gestões de FHC e Dilma. Para ele, o guru tucano, “em seus oito anos no Palácio do Planalto, perdeu popularidade, mas jamais a credibilidade”. Já a petista, “hoje comanda um governo sem rumo, sem projeto e sem credibilidade”.

Em rede nacional de rádio e televisão, o PSDB não apresentou qualquer proposta e voltou a explicitar que não tem rumo e projeto. Nas redes sociais, durante a exibição do programa, a hashtag “PSDBteupassadotecondena” confirmou o descrédito da legenda, hoje presidida por Aécio Neves, o cambaleante em prolongada ressaca! Ele que se cuide. Seus discursos raivosos não estão conseguido convencer nem seus pares. No ninho tucano, as bicadas são cada vez mais sangrentas.

Na semana passada, por exemplo, o governador Geraldo Alckmin, com seu estilo de “picolé de chuchu”, garantiu maior espaço para seu grupo político na composição da próxima executiva nacional do PSDB. A própria Folha tucana registrou o golpe: “Os alckministas acham que o paulista foi o principal vitorioso em 2014 e não pode ser sub-representado. Ele e Aécio devem disputar internamente para concorrer ao Planalto em 2018”. Pelo jeito, só restará a companhia d

 os “paneleiros” para o cambaleante tucano.


Não esquecer que nunca se roubou tanto quanto no Governo FHC, nem ele tem autoridade moral para falar em corrupção, segundo a Inês Nassif.

Em tempo: o azar do PSDB é que o programa do Aecím saiu no mesmo horário da exuberante vitória do Fachin – que não será a última nomeação da Dilma – , e a alternativa ao Canal do Panamá que a Dilma e a China vão construir.

O PSDB errou o timing.

Que é o que o partido da Casa Grande tem feito há quatro eleições…

Paulo Henrique Amorim