terça-feira, 17 de julho de 2018

Nº 24.623 - "Os mentirosos atacam a Petrobras"

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17/07/2018

Os mentirosos atacam a Petrobras


Do Blog do Miro - segunda-feira, 16 de julho de 2018



Por Sylvio Massa, no site da Associação dos Engenheiros da Petrobrás  (Aepet):

Alguns períodos da nossa história foram marcados por expressivos bordões.

O mais antigo pertence a Pero Vaz de Caminha: ”O melhor fruto que se pode tirar desta terra me parece que será salvar essa Gente.”

Depois, já no Império, Dom Pedro I sentenciou: ”Diga ao Povo que eu fico.”

Com a queda do Império, Deodoro comandou: ”Pois diga ao Povo que a República está feita.”

Decorrido o tempo de amadurecimento de nossa consciência política, o Povo sai às ruas e grita: ”O petróleo é nosso.”

O suicídio do presidente Getúlio Vargas que afirma em sua carta testamento: ”Quis criar liberdade nacional na potencialização de nossas riquezas através da Petrobrás...”

Em sequência, outro Presidente afirma ao Povo: ”A democracia que eles querem é a Democracia para liquidar com a Petrobrás...”

Nesse mesmo momento histórico da derrubada do presidente Jango, a indignação leva o Senador Tancredo Neves a dirigir-se a “Eles” com o famoso bordão: ”CANALHAS, CANALHAS, CANALHAS.” Usa as palavras no plural para abrigar mais gente, incluindo aqueles que, no futuro, vão manchar sua biografia.

Ao longo desse tempo, no tecido social do nosso País, destaca-se a busca de afirmação do povo pelo saber, pela defesa da liberdade, pelo combate frontal aos que mentem, trapaceiam, vendem falsas convicções e manipulam os fatos e, serviçais, entregam as riquezas de nossa terra aos estrangeiros.

A Petrobrás é um dos poucos símbolos históricos de nossa gente, pois representa o conhecimento tecnológico de um povo que transforma esse saber em riqueza para a Nação.

Por essa razão, e somente por meio de mentiras e de manipulação de dados contábeis, e escondendo as verdadeiras razões, vindas das multinacionais, alguns dirigentes da Petrobrás, indivíduos desqualificados do atual governo, com apoio da mídia vendida e dos “Canalhas”, pretendem liquidar essa afirmação de um Povo.

Esse ferrenho combate à Petrobras, à sua estrutura industrial integrada, efetivando a venda de rentáveis ativos, sob varias alegações, que não resistiram à análise honesta de seus números, tem sua origem ostensiva na orientação ideológica publicada pelo Globo em 21/01/1992 pelo representante da Shell, Sr. Robert Brougton, que “condicionava os investimentos da Shell no Brasil à extinção do monopólio e que os preços do petróleo e dos combustíveis fossem “alinhados com os internacionais” e as “companhias estrangeiras tivessem” algumas facilidades para começarem a atuar em um mercado longamente monopolizado.”

Essa orientação, que vem sendo enfrentada, durante os últimos 26 anos de lutas pela defesa da Petrobrás, finalmente está sendo cumprida pelos “Parentes” que estão na direção da empresa. Mereceu á época contundente repúdio do senador Josaphat Marinho, em discurso no Senado Federal, em 28.9.1993.

Nesse contexto histórico, a voz do senador era acompanhada por vários estamentos da sociedade civil onde se destacavam o Clube de Engenharia, o Modecon, a Aepet, a Une e vários outros segmentos políticos conscientes da importância desta luta travada.

A natureza da luta atual é a mesma contra os antigos propósitos, sugeridos pelo representante da Shell. A diferença é que são os próprios gestores da empresa que promovem o seu enfraquecimento, cenário impensável à época de sua construção e de sua afirmação como pioneira na exploração de petróleo em águas profundas, quando apenas os seus detratores eram externos.

As sementes lançadas transformaram aquela estrutura inicial de empresa importadora de petróleo bruto, na quarta maior empresa de petróleo, com reservas estimadas em 100 bilhões de barris, e a nona empresa a nível mundial, sob o critério de faturamento e investimentos.

Contra a séria ameaça atual, em 05/06/2018, um sinal de alerta foi lançado pelo Clube de Engenharia e pela Aepet ao promoverem um debate sobre o “Mito da Petrobrás Quebrada”, denunciando o desmonte da empresa com a venda de ativos rentáveis, com a perda proposital de mercado para as importadoras de derivados, por empresas multinacionais, pela fixação dos preços internos com base em parâmetros do mercado externo, por provocar deliberadamente a ociosidade no parque de refino em torno de 30% e sujeitar-se a ser exportadora de petróleo bruto no ritmo imposto pelas controladoras do mercado internacional.

O presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, denunciou a farsa com que ”os gestores conduzem a empresa e indicou consequências nefastas da política que vem sendo implementada, para fazer com que ela deixe de cumprir o seu histórico papel”.

O Dr. Claudio Oliveira, economista aposentado da Petrobrás, que vem realizando inestimável serviço à verdade dos números dos balanços da empresa, em seus inúmeros artigos, demonstrando a confortável posição financeira e indicando a desnecessidade da venda dos ativos rentáveis, para amortização acelerada da divida. Em seu pronunciamento denuncia as mentiras propaladas pelos jornalistas Carlos Alberto Sardenberg e Miriam Leitão em seus meios de comunicação: ambos criaram “a mãe das mentiras”: “a Petrobrás está quebrada”, ”o Tesouro deveria aportar recursos para evitar a sua falência”, ”o pré-sal não existe, não temos tecnologia, precisamos das multinacionais do petróleo, etc.”
A divulgação dessas falsas informações, de forma sistemática em poderosos meios de comunicação, permitia à Direção da empresa conduzir, com aplauso da mídia, o seu desmonte.

Como a mentira passou a ser um envelope para enviar notícias falsas, seja para o público externo, seja para os funcionários, o diretor de Estratégia, Nelson Silva, em comunicado aos funcionários, para justificar a privatização de ativos, indica que a Petrobrás paga US$ 7 bilhões de juros, enquanto as outras grandes companhias pagam cerca de US$2 bilhões.

Nessa mensagem, ele omite propositadamente a divida da Shell de US$ 92,5 bilhões e o pagamento de juros de cerca de Us$ 5 bilhões. Números próximos dos da Petrobrás, sem que a Shell tenha que vender seus ativas para pagar a divida. É com a qualidade moral dessas pessoas que as mentiras ganham volume.

Omitir propositadamente equivale a Mentir.

A respeitável jornalista Hildegard Angel, em 10/06/2018, em sua coluna no JB, escreveu que a Miriam Leitão e o Carlos Alberto Sardenberg deveriam envergonhar-se do papel desempenhado e sair à rua de óculos escuros e golas levantadas para não serem reconhecidos.

O presidente da Aepet, Felipe Coutinho, em consistente estudo sobre a política de preços da Petrobrás, demonstra o caráter proposital de conduzi-la em conformidade com parâmetros – preços, custos e variáveis instáveis – internacionais e, assim, afastá-la da realidade da geração de Renda do país, principalmente nos derivados de funcionamento da economia – diesel e gasolina - e de impacto social, o gás de cozinha.

Essa prática permitiu o avanço das multinacionais no mercado interno, a importação dos derivados a preços incompatíveis com os custos internos, a correspondente ociosidade das nossas refinarias e o retorno à era colonial de exportação da matéria prima, agora o petróleo do pré-sal.
A mais contundente denúncia foram as palavras do Consultor Legislativo, Paulo César Ribeiro Lima, que preconizou: a necessidade de tributar a renda das empresas petrolíferas, tributar a exportação de óleo cru e revogar o artigo primeiro da lei 13.586 que concede isenção fiscal às empresas que operam na exploração do petróleo de baixo risco e alta rentabilidade, situando-se o custo total de produção do pré-sal em torno de US$20,00.

No tocante á política de preços adotada pela atual Diretoria da Petrobrás a mesma deve ser descontinuada, por estabelecer níveis de preços no mercado interno, mesmo acima dos praticados no mercado americano e europeu e embutir uma margem de lucro de 150% no caso do óleo diesel, e geradora da crise de abastecimento que paralisou o pais.

A gestão de uma empresa estatal com profunda responsabilidade social e vinculada ao desenvolvimento do país, quando conduzida como empresa privada que objetiva produzir lucros para os seus acionistas, como é o caso ainda da equipe Parente, ao repassar diariamente as variações dos preços internacionais para os preços do mercado interno, levou à redução da atividade econômica em geral e agravou a situação dos mais pobres. O gás de cozinha foi reajustado em seis meses – junho/dezembro 2017 – em 68% forçando 1.2 milhão de domicílios a retornarem á lenha e ao etanol para suas cozinhas.

Como registrado anteriormente, a orientação política e ideológica do Sr. Robert Brougton, da Shell vingou, e vamos encontrar vestígios, em 01/02/2015, no artigo do Sr. Fernando Henrique Cardoso, no jornal “El Pais”, que se adapta àquelas recomendações e afirma no seu texto “Chegou a Hora”:

“O governo não se deu conta de que os Estados Unidos estavam mudando a política energética...”

”O governo petista apostou no petróleo de alta profundidade, que é caro, descontinuou o etanol, pela política suicida de controle de preços da gasolina que a torna pouco competitiva ...”

Na biografia do sociólogo não constará referências à “Teoria da Dependência Subserviente” que alocou mais de 30 % das ações da Petrobrás para fundos de pensão americanos, os fundos abutres, como marco de sua vaidade, e que, recentemente, com a liberalidade da gestão Parente, foram transferidos àqueles acionistas a expressiva soma de US$ 2,95 bilhões, sem questionamentos jurídicos finais e simplesmente reconhecendo que somos dependentes e subservientes.

O povo e a Petrobrás sempre constituíram referências destacadas da nossa História.

O povo ainda não conquistou um lugar digno na sociedade e a Petrobrás está ameaçada de perder o seu lugar como símbolo de nossa dignidade.

Em 1580 Montaigne escreveu nos seus Ensaios I: ”... há cem mil maneiras de exprimir o reverso da verdade e o campo de ação da mentira não comporta limites.”



* Sylvio Massa de Campos é economista e ex-diretor da Petrobrás Distribuidora.

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Nº 24.622 - "Operação 'Mata o Morto' segue na Globo, que escracha Aécio"

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17/07/2018


Operação “Mata o Morto” segue na Globo, que escracha Aécio


Do Tijolaço · 17/07/2018




Por FERNANDO BRITO

Como é preciso “legitimar”o ilegítimo afastamento de Lula da disputa eleitoral, a Globo segue imolando seus cordeiros no altar do Jornal Nacional.

Os cordeiros, claro, que já estão mortos e sem serventia.

Dias atrás, foi um relatório da Polícia Federal que pretende indiciar Aécio Neves.

Ontem, quatro minutos de Jornal Nacional com as falcatruas, sabidas há anos, do ex-governador na construção da Cidade Administrativa, denunciadas e redenunciadas em delações premiadas.

Desta vez, um repasse de R$ 7,6 milhões – é fichinha perto do que rendeu a obra – pagos através de duas construtoras mineiras.

Ainda assim, algo de deixar o triplex do Guarujá na conta dos trocados. E, diferentemente do que se fez com Lula, há provas do pagamento dos valores.

A “novidade”, porém, fica para o final da reportagem. O caso, segundo a nova orientação do STF, seguiu para a Justiça mineira.

Um dos poucos lugares onde Aécio ainda manda e desmanda.

Assim, faz-se a propaganda da “imparcialidade” e, assim que possível, manda-se tudo para o arquivo.

Se for possível.

Do contrário, como disse o próprio Aécio, o ex-governador mineiro é “um que a gente mata ele antes de fazer delação”.


Frase que, aliás, não é convicção, mas gravação. E que deu em nada.

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Nº 24.621 - "Brasil: o desemprego da década de 90 voltou"

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17/07/2018


Brasil: o desemprego da década de 90 voltou


Do Brasil 247 - 17 de Julho de 2018

Agência Brasil


por  ALENCAR SANTANA BRAGA

Alencar Santana BragaOs jornais não puderam mais esconder o que a população já vinha percebendo e sentindo na pele: o desemprego em massa voltou a assombrar o país.

O quadro é desolador.

Em todas as cidades do país filas e mais filas de desempregados se formam na porta das empresas e agências, pessoas em busca de qualquer oportunidade mesmo com ganhos inferiores aos que tinham anteriormente e para trabalhos abaixo de seus níveis de formação. Tudo para ao menos sobreviver.

Esse quadro desesperador é o resultado de um governo de aliança entre Temer e o PSDB de Alckmin, Doria e Bruno Covas, que colocou o país à venda, cortou relações com parceiros comerciais, sufocou a população, precarizou as relações trabalhistas, reduziu investimentos sociais e praticamente afundou os investimentos do país.

Vamos aos números: o desemprego hoje passa dos 13% no país, o que equivale a mais de 14 milhões de pessoas em busca de uma vaga. Outros 25 milhões de brasileiros estão vivendo apenas de bicos e trabalhos esporádicos, sem acesso à direitos ou à garantia de renda. Além disso, o tempo em que a pessoa fica sem trabalho aumentou e já passa dos 12 meses, muito além do tempo em que recebe o seguro-desemprego.

A título de comparação, nos tempos de Lula o desemprego chegou ao 5%, considerado valor de pleno emprego pelos economistas, uma vez que a taxa reflete as pessoas em transição de carreira e em busca de salários maiores. Hoje, ao contrário, a massa salarial diminuiu e as vagas ofertadas têm baixos salários.

Lula gerou uma média de 1,8 milhão de empregos por ano, deixando o Governo com a marca de 14.725.039 vagas criadas com carteira assinada, 50% a mais que Sarney, Collor, Itamar e FHC somados. Temer e o PSDB conseguiram a façanha de acabar com vagas e jogar o povo na informalidade, na fome e na miséria, além de aumentarem o custo de vida e acabarem com as políticas de valorização do salário mínimo e fragilizar programas como o Bolsa Família, o Saúde da Família e o Minha Casa Minha Vida.

Na Grande de São Paulo, a situação é ainda pior: Alckmin deixou o governo com uma taxa de desemprego acima dos 17% e as cidades governadas pelos amigos de Temer, como a Guarulhos do Prefeito Guti, com mais de 20% de desempregados.


Toda essa situação mostra que há apenas um jeito de reverter esse quadro social, permitir eleições livres e democráticas, com a participação de Lula como representante legítimo da vontade popular e capaz de revogar as medidas de Temer e seus amigos e levar o país novamente ao rumo do desenvolvimento.


ALENCAR SANTANA BRAGA. Deputado estadual pelo PT de São Paulo.

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Nº 24.621 - "Lula abre fogo contra Moro em novo vídeo inédito; assista"

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17/07/2018

Lula abre fogo contra Moro em novo vídeo inédito; assista


Do Blog do Esmael - 17 de julho de 2018 por esmael


O PT divulgou nesta terça-feira (17) um novo vídeo inédito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes de o petista ser preso.

Lula afirma que o juiz Sérgio Moro, que o condenou no caso tríplex, sabe que ele é inocente e que os desembargadores do TRF4 também sabem que ele é inocente.

“Eles [juízes] não querem junto que a Globo que a lava jato acabe antes que eu seja preso”, declara.

O ex-presidente da República afirma no vídeo que se os juízes quiserem fazer política devem deixar a toga e se inscrever num partido político.

Lula é mantido preso político há 102 dias na Polícia Federal de Curitiba.


Assista ao vídeo:

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Nº 24.620 - "Desempregados voltam a ocupar centro da SP tucana!"

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17/07/2018



Desempregados voltam a ocupar centro da SP tucana!

Canalhas criam 20% dos empregos previstos! Um colosso!


Do Conversa Afiada - publicado 17/07/2018

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...................................Às seis da manhã eram 6 mil na fila (Foto: Felipe Rau/Estadão)

A fila com mais de cinco mil pessoas a procura de um emprego que se formou ontem no Vale do Anhangabaú continuou forte hoje, 17/VII. O Sindicato dos Comerciários oferece 1.800 vagas em um mutirão - para cargos como vendedor, estoquista e operador de caixa. O Mau Dia Brasil noticiou:



Da Fel-lha

Embora o número de vagas com carteira assinada seja positivo no ano, o ritmo de contratações tem mostrado forte desaceleração nos últimos três meses, um sinal cada vez mais firme de interrupção do que parecia ser uma melhora gradual do emprego formal identificada ao longo do ano passado.

No início de 2018, o ritmo de geração de vagas no mercado formal de trabalho era compatível com algo perto de 750 mil novos postos neste ano.


Desde março, no entanto, a desaceleração tem sido tão brusca que, mantido o ritmo registrado a partir daquele mês, o mercado de trabalho pode fechar 2018 com um saldo líquido de apenas 220 mil vagas com carteira. (...)

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Nº 24.619 - "Moro foi uma lebre esperta para condenar Lula e age como tartaruga em outro caso da Lava Jato. Por Joaquim de Carvalho"

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17/08/2018

Moro foi uma lebre esperta para condenar Lula e age como tartaruga em outro caso da Lava Jato. Por Joaquim de Carvalho


Do DCM  -  17 de julho de 2018   Publicado por Joaquim de Carvalho


..................Bonecos infláveis de Moro e Lula colocados na frente da Polícia Federal

Sergio Moro levou menos de nove meses para condenar Lula, no caso do triplex, e está há mais de três anos com um processo pronto para julgamento parado em algum arquivo digital. Esses dois casos dão a medida da balança da justiça na 13a. Vara Federal de Curitiba.

Com Lula, processo a jato. Em outros casos, nem tanto, às vezes com tramitação tão lenta que levou os advogados do réu, o empresário André Luís Paula dos Santos, a apresentar ao Supremo Tribunal Federal pedido de liminar em habeas corpus para que revogue as medidas cautelares impostas por Moro.

O pedido foi parar nas mãos de Edson Fachin.

André Luís, para deixar a prisão, pagou fiança, e é obrigado a comparecer a todos os atos processuais. Também está proibido de mudar de endereço sem autorização da justiça.

Além disso, ele não pode ter contato com outros acusados ou testemunhas da Lava Jato, e com dirigentes ou empresas relacionas ao Posto da Torre Ltda., o epicentro da operação, comércio instalado em Brasília que era usado para a lavagem de dinheiro.

Com a situação indefinida e tendo de se submeter a essas medidas, o empresário está com a vida civil paralisada.

Além disso, Moro não tem reconhecido medidas cautelares diversas da prisão, inclusive tornozeleira, para fins de contagem de tempo para eventual cumprimento de pena.

Diante da demora para ter seu caso julgado e, se condenado, lutar nas instâncias superiores pela absolvição, os advogados entenderam que era o caso de habeas corpus.

Mas Fachin convalidou uma vez mais a decisão (no caso, falta de decisão) de Moro. O ministro explicou que o deferimento de liminar em habeas corpus é medida excepcional, que somente se justificaria se a situação apresentasse “manifesto constrangimento ilegal”

Se ser réu indefinidamente, cumprindo medidas como se fosse condenado, sem que o juiz atente para prazo de julgamento, não for constrangimento ilegal, o que mais seria?

“Além disso, o paciente [acusado] encontra-se em liberdade, sem indicação de risco iminente de restrição a direito de locomoção”, escreveu Fachin.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, André Luís era responsável pelo transporte de valores ilícitos a Carlos Habib Chater, proprietário do Posto da Torre.

Também consta dos autos que, no dia 13 de dezembro de 2014, Santos foi detido pela Polícia Federal, no Aeroporto Internacional de Brasília, com US$ 289 mil, quando retornava de São Paulo.

O que Moro espera para julgar esse homem que, no máximo, seria mula de algum esquema de lavagem? Alguma delação?

Difícil saber.

Mas essa demora revela que, na vara de Moro, os pesos estão muito desiguais.

Ele abriu mão da investigação do ex-governador Beto Richa, alegando excesso de trabalho e, depois, em férias, interferiu para impedir que a Polícia Federal cumprisse alvará de soltura em favor de Lula.

Agora se sabe que Moro deixou dormindo na gaveta digital um processo que já dura mais de três anos.

No caso do triplex que atribui a Lula, agiu como uma lebre esperta, aproveitando um processo que teve origem em São Paulo, no Ministério Público Estadual.

No caso do suposto aliado do dono do posto da Lava Jato, caminha como uma tartaruga.


Pode isso, Arnaldo?

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Nº 24.618 - "DESMONTADA A FARSA SOBRE O SÍTIO DE ATIBAIA; PROCESSO É FAKE NEWS"

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17/07/2018


DESMONTADA A FARSA SOBRE O SÍTIO DE ATIBAIA; PROCESSO É FAKE NEWS


Do Brasil 247 - 17 DE JULHO DE 2018 ÀS 10:23

Com a perícia realizada no sistema de pagamentos de propina da Odebrecht e apresentada a Sérgio Moro nesta segunda-feira (16), cai por terra acusação de que a empreiteira teria destinado qualquer soma a Lula para a reforma de um sítio em Atibaia; todo o caso está fundamentado na acusação que agora se revela falsa; o documento é taxativo ao afirmar que "não foram encontrados no material examinado documentos ou lançamentos que possam estar relacionados com o objeto da presente ação penal"



247 - Com a perícia realizada no sistema de pagamentos de propina da Odebrecht e apresentada a Sérgio Moro nesta segunda-feira (16), cai por terra a acusação de que a empreiteira teria destinado R$ 700 mil reais ao ex-presidente Lula para a reforma de um sítio em Atibaia. Todo o caso do Ministério Público contra Lula está fundamentado na acusação que agora se revela falsa. No laudo, o auditor e contador Cláudio Vagner foi taxativo ao afirmar que "não foram encontrados no material examinado documentos ou lançamentos que possam estar relacionados com o objeto da presente ação penal".

O laudo do contador e auditor analisou o sistema de contabilidade, MyWebDay B, e o de comunicação, Drousys, da Odebrecht, além da planilha disponibilizada pelo engenheiro e delator da empreiteira Emyr Diniz Costa Júnior, que contém a informação sobre a saída de R$ 700 mil do Projeto Aquapolo e que teria sido destinado para o sítio de Atibaia. Não há nada que indique repasse direta ou indiretamente a Lula ou a supostas obras no sítio.

Cláudio Vagner respondeu diretamente uma pergunta formulada por Sérgio Moro e que fundamentou a perícia. Leia como está no laudo:

"Quesitos do juiz:

a) Solicita-se que seja verificado se o sistema de contabilidade informal do Grupo Odebrecht, na posse dos peritos da Polícia Federal, contém documentos ou lançamentos que possam estar relacionados com o objeto da presente ação penal, reforma do Sítio em Atibaia pelo Grupo Odebrecht em benefício do acusado Luiz Inácio Lula da Silva.

Em conformidade com a resposta dos Peritos Criminais Federais à esse quesito, ratifico que não foram encontrados no material examinado documentos ou lançamentos que possam estar relacionados com o objeto da presente ação penal.

Em complemento, informo que nas pesquisas efetuadas no material examinado além de não terem sido encontrados documentos ou lançamentos que façam referência a termos tais como Atibaia, Sítio e Santa Bárbara, também não há nenhuma referencia correlacionada ao Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os termos LULA e AMIGO."

No laudo, Vagner constatou também que os valores registrados pelo sistema de caixa 2 da empreiteira não possuem qualquer relação ou vínculo com a propriedade ou com o ex-presidente e que existem apenas registros de que o dinheiro saiu do Projeto Aquapolo, obras de saneamento do ABC Paulista, com destino ao próprio setor de propinas da empreiteira:

"Os registros comprovam que ele enviou valores ao departamento de operações estruturadas, todos sem nenhum vínculo com a obra de Atibaia discutida na presente ação penal e, ainda, sem a mínima vinculação desses valores com obras e/ou contratos da Petrobras".

Nas conclusões, o perito desmoralizou as acusações constantes no processo e apontou que a conta destinatária do valor desviado do Projeto Aquapolo teve como destino uma conta específica do próprio e Emílio Alves Odebrecht e que tinha como movimentações transações específicas de interesses da família Odebrecht como fazendas, holdings e empresas offshores, todas controladas por ele e por pessoas próximas:

"Tudo administrado por pessoas próximas de Emílio que, conforme levantamento efetuados das iniciais contantes nos registros, podem ser Jicélia Sampaio, Marcia Gusmão, Raul Calil e Ruy Lemos Sampaio". O perito indicou ainda que Ruy Lemos Sampaio, um dos administradores da conta, foi nomeado em 1 de junho último como presidente do Conselho de Administração da Odebrecht, fato ignorado em todo o processo.

Veja laudo aqui

Nº 24.617 - "Os EUA de Trump revivem os zoológicos humanos, por Ariel Dorfman"

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17/07/2018

Os EUA de Trump revivem os zoológicos humanos, por Ariel Dorfman


Do Jorçnal GGN - TER, 17/07/2018 - 10:36

Indianos da região do Malabar (sudoeste do país) exibidos no Jardin d’Acclimatation (Paris), talvez o mais famoso zoológico humano na virada do século XIX para o XX


do Outras Palavras

Encarceramento de crianças retoma uma história do colonialismo, cuidadosamente esquecida: as exposições em que indivíduos dos “povos primitivos” eram apresentados como animais nas capitais “cultas” do Ocidente

Por Ariel Dorfman | Tradução: Inês Castilho e Mauro Lopes

Quando Donald Trump acusou recentemente os “imigrantes ilegais” de querer “invadir e infestar nosso país”, houve um clamor imediato. Afinal aquele verbo, infestar, fora usado pelos nazistas para desumanizar judeus e comunistas como ratos, vermes ou insetos que precisam ser erradicados.

Contudo, ninguém deveria ter se surpreendido. O presidente tem uma longa história de atacar pessoas não brancas como se fossem animais. Em 1989, por exemplo, reagindo ao estupro de uma mulher branca no Central Park de Nova York, ele publicou anúncio de página inteira em quatro dos principais jornais da cidade (a um custo total de 85 mil dólares) pedindo o restabelecimento da pena de morte e denunciando “bandos de criminosos selvagens perambulando pelas ruas”. Ele estava, é claro, referindo-se aos cinco jovens negros e latinos acusados do crime, pelo qual foram condenados – e, dez anos mais tarde, absolvidos quando um assassino e estuprador em série confessou finalmente o crime.

Trump nunca se desculpou pelo julgamento apressado ou opiniões cheias de ódio, que viriam a se tornar modelo para seus ataques a imigrantes durante a campanha eleitoral de 2016 e em sua presidência. Ele declarou muitas vezes que algumas pessoas não são seres humanos de verdade, mas sim animais, apontando em particular para membros da gang MS-13. Num comício em Tennessee no final de maio, ele ampliou esse tipo de investida, incitando uma multidão frenética a gritar entusiasticamente essa palavra – “animais!” – de volta. Dessa forma, transformou as pessoas presentes em cúmplices de seu fanatismo. Nem são seus insultos e tiradas raciais meros floreios retóricos. Eles têm tido consequências bem reais. Basta olhar para as gaiolas onde ficaram presas crianças sem documentação, separadas de seus pais na fronteira EUA-México ou perto dela – como se fossem de fato animais. Repórteres e outras pessoas sempre descreviam essas áreas de detenção como sendo semelhante a um “zoo” ou um “canil” – para não falar de seus pais, que também estão presos atrás de barreiras de arame, mesmo despertando muito menos atenção e protesto.

Uma “aldeia senegalesa” montada na Exposição Universal de Liège (Bélgica), em 1905

Uma história de humanos enjaulados


Os discursos e comícios furiosos do presidente, junto com as gaiolas e centros de detenção, trouxeram o nazismo à mente de alguns, mas talvez seja mais esclarecedor pensar neles como ecos de um momento anterior na história, em que comparar humanos de pele escura a animais dificilmente causava agitação. Seria considerado parte do discurso normal, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.

No final do século 19 e início do século 20, milhões de europeus e norte-americanos consideravam perfeitamente natural tratar certos membros de nossa espécie como se fossem bestas, quase literalmente. Eles não se abalavam, assim sugerem os documentos históricos, com a ideia de ver tais “animais”, tais esquisitices, exibidas em jaulas de zoológicos literais, em eventos públicos ruidosos. Agora pode ser difícil de acreditar, mas um número assustador de nossos antepassados já foram agrupados em “zoológicos humanos“, onde milhares de nativos sequestrados da Ásia, África e América Latina eram expostos a inspeção, curiosidade e escárnio, bem como passavam, às vezes, por experimentação científica.

Hoje, tais violações inimagináveis dos direitos humanos quase desapareceram da memória pública. Eu mesmo ouvira apenas vagamente sobre zoos humanos, até que passei a ficar obcecado por eles quando a pesquisa para meu último romance, Darwin’s Ghosts (Fantasmas de Darwin), me conduziu ao mundo dos circos humanos. Descobri que o fenômeno havia sido lançado da forma mais modesta.

Audiência estadunidense observa Indígenas da América do Sul

Cento e setenta anos atrás – em 1848, um ano de revoluções em todo o globo – Claus Hagenbeck, um pescador de Hamburgo, na Alemanha, decidiu cobrar para que as pessoas dessem uma olhada em algumas focas árticas que nadavam numa grande banheira no quintal de sua casa. Logo esse primeiro tímido passo empresarial transformou-se num negócio familiar altamente lucrativo, com a exibição de animais selvagens, ao mesmo tempo em que Hagenbeck alimentava crescentes demandas por bestas maravilhosas para povoar circos e rechear coleções particulares de monarcas e outros ricos.

No final, os animais já não bastavam. No início dos anos 1870, em conjunto com o Jardim de Aclimatação, de Paris, e empresários norte-americanos como P.T. Barnum, a família Hagenbeck começou a explorar a exposição de “selvagens” dos cantos mais distantes do planeta. As primeiras vítimas desse desejo de trazer exemplares do resto da humanidade para espectadores no Ocidente foram os lapões, exibidos num cenário feito para parecer com uma de suas aldeias. (Impulso similar deu origem aos dioramas, que logo começaram a florescer nos museus da história natural.)

Aquela primeira exibição em Hamburgo dos “pequenos homens e mulheres” lapões mostrou-se tão sensacional – foram organizadas viagens a Berlim, Leipzig e outras cidades alemãs – que o desejo de ver humanos mais “primitivos” logo tornou-se insaciável. Caçadores antes especializados em localizar e trazer animais selvagens para a Europa e os Estados Unidos foram instruídos para buscar vida selvagem humana igualmente exótica. Eles não deveriam ser, era logo estipulado, tão monstruosos a ponto de enojar as plateias, mas também não poderiam ser bonitos a ponto de deixar de ser bizarros.

Os lapões foram seguidos por uma multidão de habitantes originários dos quatro cantos do planeta retirados à força de seus habitats: esquimós, cingaleses, kalmuks, somalis, etíopes, beduínos, núbios do Alto Nilo, aborígenes australianos, guerreiros Zulu, índios Mapuche, ilhéus Andaman do Pacífico Sul, caçadores de cabeças de Bornéu. A lista seguia mais e mais, conforme aqueles zoos humanos se espalhavam da Alemanha para a França, Inglaterra, Bélgica, Espanha, Itália e Estados Unidos, países que – coincidência! – eram justamente as potências imperiais do globo naquela época.


Representantes de grupos étnicos de todo o planeta logo tornaram-se destaque dos pavilhões das então populares Feiras Mundiais. Além de oferecer entretenimento para toda a família -– podem ser pensadas como equivalentes aos reality shows da TV de hoje -– aquelas exibições eram vendidas como experiências “educacionais” pelas empresas que lucravam com elas. Esse painel de pessoas “pré-históricas” era uma maneira de visitantes afluentes se espantarem e se surpreenderem com os habitantes bizarros de terras distantes, que estavam sendo incorporados por seus países com grande violência, via domínio colonial. De fato, era tamanha violência que algumas das populações nativas em exibição, como diversos grupos da Patagônia e Terra do Fogo, na extremidade sul da América Latina, já estavam então à beira da extinção. Um dos atrativos para ver espécimes vivos daqueles estranhos homens, mulheres e crianças era fazê-lo antes que seus últimos remanescentes, juntamente com suas línguas e culturas, desaparecessem da face da Terra.

Mesmo que você estivesse entre os milhões de norte-americanos e europeus que não podiam visitar pessoalmente tais mostras populares, aldeias étnicas e zoológicos humanos, você ainda poderia experimentar, de forma barata e indireta, aqueles outros exóticos. A imagem dos cativos – que evidentemente foram fotografados sem seu consentimento – eram comercializadas em escala industrial. Os cartões postais sobre os quais seus rostos e corpos eram propagandeados logo se tornaram uma característica da vida cotidiana, mais um modo de normatizar o zoológico humano, lavar sua imagem, e enviá-lo para casa sem um pensamento sequer sobre os horrores, o sofrimento daqueles cativos ou como suas crianças, maridos, esposas, mães, pais, parentes e amigos, deixados para trás, estariam enfrentando o trauma de ter suas pessoas amadas arrancadas de seu meio.

Nem eram tais atos repudiados pelos mais ilustres membros daquelas sociedades “avançadas”. Pelo contrário, muitas abduções haviam sido financiadas por instituições científicas ansiosas por descobrir como tais espécimes poderiam encaixar-se na teoria da evolução de Darwin. As pesquisas, por sua vez, eram apoiadas por funcionários de governo mais que dispostos a mostrar seu respeito e apoio aos estudiosos que investigavam as origens da humanidade. Seriam aqueles africanos e sul-americanos inteiramente humanos, ou fariam parte dos elos perdidos da grande cadeia de seres que desembocaram em nossa espécie? Naturalistas e doutores eminentes não só debatiam essas questões, mas davam palestras e escreviam tratados sobre elas e (no que era então considerado experimento científico) perfuravam os corpos daqueles que cometeram o erro de nascer longe do chamado mundo civilizado.


Ota Benga, um pigmeu do Congo encarcerado em Nova York com símios, em 1906, 
suicidou-se dez anos depois

Os Ota Bengas de hoje

Hoje em dia, é claro, os zoológicos humanos e os experimentos médicos com seres humanos vivos enjaulados são inconcebíveis. A consciência da humanidade, consagrada na Declaração Universal dos Direitos Humanos aprovada pela ONU há 70 anos, tornou tais práticas infames e intoleráveis. Quem hoje poderia aceitar o destino de Ota Benga, um pigmeu do Congo que foi trancafiado com os primatas no Zoológico do Bronx, em Nova York, em 1906, e cometeu suicídio uma década depois, quando percebeu que nunca seria capaz de retornar à sua terra natal? Quem entre nós levaria seus filhos para ver “elos perdidos” como os anões tailandeses, os índios da Amazônia ou os aldeões sudaneses, como se fossem aberrações da natureza, e não seres humanos?

Infelizmente, as congratulações ainda devem continuar arquivadas, dada a frequência com que os mesmos impulsos racistas ressurgem hoje, e não apenas nas diatribes intempestivas do presidente que equiparou humanos [imigrantes] e animais (nenhuma dessas diatribes provocou até agora indignação na maioria de seus seguidores). Uma desumanização similar de estranhos com rostos e peles mais escuras parece animar os atuais sentimentos de repulsa aos imigrantes em muitos países, como um desejo de escapar da “infestação” do exterior e manter versões míticas de pureza racial e identidade nacional. Será que somos tão distantes dos espectadores que observavam outros seres humanos enjaulados num zoológico, há um século, sem piscar os olhos ou sentir-se perturbados?

Em retrospecto, o que é mais preocupante em relação aos zoológicos humanos do passado é como aqueles que participaram de tais espetáculos degradantes foram indiferentes aos crimes cometidos diante de seus olhos. Muitos deles julgavam-se cidadãos decentes e esclarecidos, brilhantes defensores do progresso, da ciência e da liberdade.

Em Berlim, em 1882, a polícia teve que ser chamada para reprimir um tumulto dos visitantes de uma exposição de 11 nativos Kaweshkarraptados na Terra do Fogo. Milhares de visitantes, embriagados com cerveja, começaram a apedrejar as pessoas aprisionadas, exigindo que se acasalassem em público.

O que dizer do destino de duas mulheres Kaweshkar, cujos órgãos sexuais, depois de morrerem em cativeiro, foram arrancados de seus corpos e enviados para ser examinados por um proeminente pesquisador alemão interessado em descobrir como tais criaturas poderiam ser diferentes das mulheres europeias?

Tantas décadas depois, é fácil condenar tais ofensas. Mais difícil e doloroso é perguntar: quais injustiças estão acontecendo agora e que consideramos ser tão normais quanto, há apenas algumas gerações, consideravam-se normais os zoológicos humanos ou a ausência de direitos das mulheres ou a escravidão infantil?

E a aniquilação impensada de espécies que nem conseguimos contar, a pilhagem da natureza, a perda de sabedoria armazenada durante milênios por grupos étnicos que estão desaparecendo rapidamente? E o encarceramento punitivo de milhões, tantas vidas desperdiçadas? E nossa incrivelmente contraproducente “guerra às drogas” que destrói cidades, nações e vidas desnecessariamente? Ou a nossa incapacidade de nos livrar da praga da proliferação nuclear, da brutalidade da fome generalizada, das intermináveis guerras dentro dos EUA, dos centros de detenção para imigrantes e seus filhos nesse país, do espetáculo de menores sem documentos calados em jaulas e chorando por seus pais, ou os campos de refugiados transbordantes em outras partes do mundo? E quanto a tantas crianças desterradas de seus países devastados pela guerra ou encarceradas na pobreza? Onde está a indignação sobre eles? Quem marcha para libertá-los de seu cativeiro estrutural? E quem percebeu as 10 mil crianças assassinadas ou mutiladas em conflitos armados, somente em 2017, mortes invisíveispara nós?

Aqueles zoológicos humanos de um passado não tão distante apresentam-nos uma questão aterrorizante: para quais horrores cotidianos do mundo de hoje nossos descendentes olharão com repugnância e revolta? Como, eles se questionarão, seus ancestrais puderam ser tão cegos a ponto de tolerar tais transgressões contra a humanidade?


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Nº 24.616 - "O que é mais incrível? A prática de ato ilegal ou fingir publicamente que não houve ilegalidade? Por Afrânio Silva Jardim"

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17/07/2018

O que é mais incrível? A prática de ato ilegal ou fingir publicamente que não houve ilegalidade? Por Afrânio Silva Jardim


Do Diario do Centro do Mundo -  16 de julho de 2018


 


Publicado na página do Facebook do autor

POR AFRÂNIO SILVA JARDIM

Com sinceridade, não sei o que é mais incrível: o que o juiz Sérgio Moro fez para impedir o cumprimento de uma ordem judicial de soltura do ex-presidente Lula ou os pronunciamentos das altas autoridades do Ministério Público Federal e dos tribunais superiores???

Como “fechar os olhos” para os aspectos ilegais do ato deste juiz de primeiro grau de jurisdição que pugna pelo não cumprimento de uma decisão judicial de um seu superior? Ademais, como restou público, atuou “nos bastidores” para que não se cumprisse tal ordem judicial!!!

Em verdade, tenho dúvidas se tudo isso deva ser rotulado de “incrível” ou seria melhor falar em “absurdo”? Por que não cinismo e parcialidade?

Como têm coragem de referendar, publicamente e perante a atenta comunidade jurídica, tão esdrúxula atuação de um juiz que, sistematicamente, atua em desrespeito aos postulados do nosso “sistema acusatório”, cuja preocupação máxima é a imparcialidade dos órgãos julgadores?

Como afirmar a legalidade da ingerência de um juiz de primeiro grau, que se encontrava de férias e na Europa, em um processo de Habeas Corpus impetrado no tribunal?


Como afirmar a legalidade da conduta de um juiz que, de férias e na Europa, pugna pelo não cumprimento de uma ordem judicial de seu superior, como se fosse uma estranha instância recursal?

Sinceramente, se tivessem me contado, eu não acreditaria… Porque presenciei, acredito, mas continuo espantado!!!

Entretanto, por vezes, ainda me parece um pesadelo…
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Quando acordarei desta obscuridade e poderei ver a luz da racionalidade, da honestidade intelectual, da generosidade, enfim, a luz da uma verdadeira democracia política e social?



AFRÂNIO SILVA JARDIM, professor associado de Direito Processual Penal da Uerj, mestre e livre-docente em Direito Processual Penal pela Uerj

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segunda-feira, 16 de julho de 2018

Nº 24.615 - "Acelera, São Paulo. Acelera a fila do emprego, que é muita gente querendo…"

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16/07/2018

Acelera, São Paulo. Acelera a fila do emprego, que é muita gente querendo…


Do Tijolaço · 16/07/2018



por FERNANDO BRITO 

Uma tripa humana quilométrica se formou hoje no vale do Anhangabaú, coração do centro mais rico do Brasil.

Tantos que não couberam da foto “aérea” de Danilo Verpa, da Folhapress.

São os intestinos da pobreza e da necessidade deste pais se espichando em praça pública.

Disputavam uma vaga de comerciário, prometida pelo Sindicato da categoria.

Foram 5 mil senhas e nem 30% foram atendidos hoje.

Para a grande maioria será, de novo, voltar para casa sem emprego, sem esperança, sem amanhã.

O número de carteiras assinadas no país é menor que o de dez anos atrás.

Mas os nossos tecnocratas dizem que o problema da economia foi a greve dos caminhoneiros, que já tem mês e meio e ainda serve de desculpa.

A Fundação Getúlio Vargas soltou hoje o segundo índice de preços ao consumidor depois do movimento e, se não repetiu a disparada daqueles dias ( alta de 1,86%), ficou bem perto de 1%.

A inflação no supermercado, ainda em função da greve, foi a maior desde 2000: 3,55%. É possível que caia a taxa, mas os patamares de preço já são outros.

Os cenários, aqui e lá fora (onde Trump declarou a “guerra mundial das tarifas”) são os mais nebulosos que se poderia imaginar.

Faltam meros 110 dias para uma eleição que ninguém sabe como será.

E estamos discutindo jurisprudência e “princípio da colegialidade”.

Os brioches vão bem, senhoras e senhores.


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Nº 24.614 - "Movimento de advogados denuncia juiz Sérgio Moro por crime de prevaricação"

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16/08/2018

DURA LEX SED LEX


Movimento de advogados denuncia juiz Sérgio Moro por crime de prevaricação


Denúncia relativa ao não cumprimento do habeas corpus em favor de Lula será entregue nesta terça-feira (17). "Logo, aos inimigos não haverá nem mais a lei”, diz advogado Lúcio da Costa

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 Da Rede Brasil Atual - publicado 16/07/2018 17h28, última modificação 16/07/2018 18h10 por Luciano Velleda


Sérgio Moro
Juristas e profissionais do direito há tempos questionam os métodos e decisões do juiz Sérgio Moro


São Paulo – O movimento Advogados e Advogadas Pela Legalidade Democrática ingressará nesta terça-feira (17), em Porto Alegre, com uma notícia-crime contra o juiz Sérgio Moro. Segundo integrantes do movimento, Moro infringiu o artigo 319 do Código Penal, que trata do delito de prevaricação, ao não cumprir o habeas corpus concedido no último dia 8 pelo desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com pena de detenção de três meses a um ano, o artigo 319 define como crime “retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”. A notícia-crime será entregue às 14h30, na sede da Procuradoria Regional da República da 4ª Região.

“Vamos manejar essa notícia crime e esperamos que o Ministério Público dê o devido processo a ela, que seja instaurado o processo e realizadas as investigações”, explica o advogado Lúcio da Costa, atuante no movimento criado no Rio Grande do Sul após o golpe de 2016.

“Para nós, advogados, cabe defender a democracia. Estamos pelejando pela garantia da figura do habeas corpus no nosso ordenamento jurídico. O que aconteceu é muito grave. As ordens judiciais existem para serem cumpridas. Se alguém decide não cumprir a ordem, se entra num terreno onde os conflitos vão ser resolvidos na força bruta”, pondera o advogado, para quem a “desfaçatez” dos dias atuais tem sido pior do que aquela da ditadura civil-militar (1964-1985). “A Constituição e o Estado de direito estão sendo violados como se fossem nada.”


Lawfare


Para Lúcio da Costa, o Brasil vive hoje a “desnaturalização do direito”, um cenário onde o direito tem sido usado como instrumento de combate político, prática internacionalmente chamada de lawfare. “Logo, aos inimigos não haverá nem mais a lei”, projeta, ironizando o dito popular habitualmente empregado para definir a presença do peso político nas decisões jurídicas: aos amigos tudo, aos inimigos a lei.

Segundo o advogado, há um discurso jurídico autoritário prevalecendo no país, sendo que a sociedade brasileira já é historicamente violenta, alicerçada nos 300 anos da mais longeva escravidão existente no mundo.

“Nesse caldo de cultura tão violento, o discurso de ódio adquire uma cara ainda mais assustadora. O esforço civilizatório dos últimos 40 anos para uma sociedade minimamente democrática começa a cair por terra”, afirma.  


Junto com a notícia crime contra o juiz Sérgio Moro os autores também entregarão um manifesto
em defesa da imparcialidade do sistema judiciário e da higidez das cláusulas pétreas da Constituição de 1988.

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Nº 24.613 - "CASA GRANDE JÁ PENDUROU O MORO NO POSTE"

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16/07/2018


CASA GRANDE JÁ PENDUROU O MORO NO POSTE

Ele cumpriu seu papel: prender o Lula!


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Nº 24.612 - "Damous: 'Se o STF mandar soltar o Lula, o mais provável é que Moro dê ordens para não obedecer.' "

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16/07/2018


Damous: “Se o STF mandar soltar o Lula, o mais provável é que Moro dê ordens para não obedecer.”

Do Nocaute - 16 DE JULHO DE 2018 



por WADIH DAMOUS 


Resultado de imagem para wadih damous esposa O vaivém do HC de soltura de Lula serviu para mostrar ao povo brasileiro que Moro não tem isenção, não tem imparcialidade e que o ex-presidente é um sequestrado político brasileiro.
Olá amigos e amigas do Nocaute, Fernando Morais. Aliás, Fernando, quero, ainda que tardiamente, te agradecer pelas palavras que você me desenhou na semana passada, foi muito mais do que eu merecia. Considero como um gesto de amigo e companheiro de luta, muito obrigado.


Mas o assunto ainda é o habeas corpus do presidente Lula, impetrado por mim e pelos deputados Paulo Pimenta e Paulo Teixeira – e que causou todo esse reboliço no Brasil. Ainda que não tenhamos conseguido soltar o presidente, o que só não aconteceu porque vivemos um estado de exceção policial, mas serviu para mostrar à população brasileira o estado de anarquia em que está mergulhado o Poder Judiciário: subversão de hierarquias, subversão do ordenamento jurídico. A Lava Jato se mostrou um território à parte da soberania nacional.

Eu tenho a impressão de que se chegar uma ordem do Supremo Tribunal Federal mandando soltar o Lula, a Polícia Federal vai perguntar ao juiz Sergio Moro se pode obedecer ou não. E provavelmente vai dizer que não é para obedecer.


Mas isso teve a sua pedagogia. O povo brasileiro viu agora com nitidez, sem margens a dúvidas, que Moro não tem isenção, não tem imparcialidade e que o presidente Lula é um sequestrado político brasileiro.


E a nossa luta pela sua libertação vai continuar em todas as trincheiras, inclusive na trincheira judicial. Quem sabe nos próximos dias a gente não vêm com uma boa surpresa para todo mundo. Um abração a todos.

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Nº 24.611 - "Corrupção e privilégios mantêm Lula preso"

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16/08/2018

Corrupção e privilégios mantêm Lula preso


Do Brasil 247 - 16 de Julho de 2018


Ricardo Stuckert


por ALDO FORNAZIERI

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Dilma Rousseff foi derrubada por um esquema corrupto entranhado nas profundezas mais tenebrosas da história do Brasil, que se constituiu na descoberta e na colonização e que se prolonga até os nossos dias. O Brasil foi colonizado por criminosos, governado por corruptos, por promotores de extermínio de índios, por estupradores, por escravocratas, por espoliadores que nunca tiveram misericórdia nem piedade pelo sofrimento alheio e dos escravos e trabalhadores espezinhados que construam as suas riquezas. Esta bestialidade desumanizada foi constituindo a mentalidade de uma elite perversa, sanguinária e predatória. Mesmo que a elite se renovasse e trocasse de setores, a mentalidade pervertida continuou e mesma. Os principais postos do Estado sempre foram ocupados, ao longo dos tempos, por gente portadora de mentalidade assassina, predatória, corrupta.



Raros foram os momentos da nossa história em que pessoas de índole honesta, com propósitos universalizantes, orientados para o bem comum, ocuparam altos cargos na hierarquia estatal ou nas instâncias políticas. Essa mentalidade criminosa e delinquencial incrustou-se na farsa da Independência, na farsa da Proclamação da República e em tantos outros episódios retrógradas que marcaram o século XX e deste pouco de século XXI da nossa história.

Se em determinados momentos a mentalidade criminosa das elites governou com certo pudor, usando a técnica do disfarce, ou justificando a violência aberta como foi o período da ditadura militar, com o golpe que derrubou Dilma, o despudor, a desfaçatez, a imoralidade, a indecência, a impudência se mostraram à luz do dia, sem rubor nas faces. Os artífices deste tormento não tiveram nem o cuidado de se justificar junto àqueles que enganaram: derrubar a Dilma em nome do combate à corrupção para instalar o governo mais abertamente corrupto da história do país. Aqueles que foram enganados passaram à condição de humilhados. Surgiu daí a conjugação da impotência e do imobilismo: de um lado os enganados humilhados e, o outro, o dos derrotados atordoados.

O esquema corrupto e criminoso não visava apenas derrubar Dilma, mas impedir a vitória de um candidato que representasse os setores populares nas eleições de 2018 - particularmente a vitória do presidente Lula. Por que? Porque Lula, acima de todos, e outros possíveis vitoriosos representam aquele sentido dos direitos universalizantes, orientados para o bem comum, que as elites querem impedir nesse país. Quanto mais igualdade e justiça, menos corrupção e privilégios. Então, neste país, as elites precisam impedir o avanço da igualdade e da justiça, dos direitos, porque isto bloqueia a corrupção e os privilégios.

Mas não são apenas os representantes políticos das elites corruptoras e corruptas que querem impedir que os valores da igualdade e da justiça se tornem minimamente efetivos neste país. Os altos funcionários do Judiciário, do Ministério Público, da Receita e dos organismos de segurança são a outra face do esquema corrupto e criminoso que governa o país. Os governos petistas deram autonomia, aparelhamento e leis para que esses setores pudessem combater a corrupção. Eles voltaram essa autonomia, esses instrumentos e essas leis justamente contra o PT. Por que? Porque esses setores estão corrompidos pelos altos salários e pelo estouro dos limites constitucionais desses altos salários e pela série de privilégios inescrupulosos, escandalosos e corruptos, a exemplo do auxilio moradia, que favorecem esses setores.

Mesmo que um salário de R$ 30.000 seja um salário dentro da lei é um salário que expressa uma forma de corrupção num país em que mais de 100 milhões de pessoas ganham até um salário mínimo e em que a renda média do brasileiro é de R$ 1.268. Para manter um salário de mais de R$ 20.000 no setor público é preciso que falte educação, falte saúde, falte remédios, falte cultura falte direito para o povo pobre das periferias.

Os juízes, os procuradores, os delegados, os altos funcionários da Receita etc., excluindo-se as exceções, são inimigos do povo porque as necessidades do povo são inimigas dos seus altos salários e de seus privilégios. E, em sendo inimigos do povo, são inimigos dos políticos que lutam para fazer valer os direitos do povo. São os maiores inimigos de Lula porque Lula é a principal potência e possibilidade para introduzir mecanismos de igualdade e de justiça no Brasil. Mesmo que Lula favoreça e instrumentalize esses setores, eles serão inimigos de Lula ou de qualquer outro que represente as lutas por igualdade, justiça e direitos.


Se no setor político os políticos que representam esses esquemas criminosos e corruptos perderam o pudor em mostrar sua face vil, anti-social, antinacional e antipopular, no Judiciário também o despudor, a desfaçatez, a imoralidade, a indecência, a impudência se instalaram como modus operandi de juízes, de desembargadores e de ministros das Cortes superiores. Foi o que se viu com Moro, um juiz fora da lei, com Gebran Neto, com Thompson Flores, com Raquel Dodge com Laurita Vaz que, na última semana, não teceram o manto da misericórdia, mas forjaram a espada da injustiça, do ódio e da impiedade para manter Lula injustamente preso. Esta ordem templária do mal não teme em violar as leis e a Constituição, em destruir a hierarquia e os procedimentos, em rasgar a jurisprudência, em condenar sem provas, em se elevar na condição acusador e de juiz a exemplo dos tribunais da Inquisição, em condenar inocentes, seja porque são alvos dos seus ódios, seja porque os vêem como ameaças aos seus interesses.


Nada detém essa horda que pisoteia a Constituição. Negam aos outros juízes e desembargadores o direito de praticar aquilo que a função prescreve e que eles mesmos praticam. Instalaram o reino da exceção, no qual, a vontade arbitrária deles substitui as leis e a Constituição. Perseguem colegas, como estão perseguindo o desembargador Rogério Favreto, porque não aceitam quem contrarie os seus desmandos. O Congresso não os detém até porque já não há mais Congresso. O Executivo não os detêm até porque o governo está desmoralizado. Nem o STF os detêm porque o STF está tomado pela desordem anárquica e abre espaços para o motim e para a indisciplina. Parecem não temer mais nenhum poder humano e nem mesmo o castigo de um Deus irado, tal certeza da impunidade que amealharam.

Se no Brasil nunca houve democracia efetiva, só sobram destroços de República porque já não há divisão de poderes. O Brasil vai sendo arrastado para uma destruição sem fim, para o descontrole da violência, vai se afastando da estrada da civilização e vai se embrenhando para dentro da sua própria dor e desesperança. Esta impotência da vida cívica, da coragem e da virtude abre as portas para que os demônios do mal se sintam confortáveis e bem quistos. O que dizer de um país que aceita que Bolsonaro, um candidato à presidência da República, pregue o massacre de camponeses pela política, como ocorreu no Pará? Bolsonaro não é um acaso. Ele é filho do golpe, camarada de Moro e de muitos outros juízes, um rebento do PSDB, conviva de empresários, visitante da grande mídia e até tolerado por progressistas.


Vivemos num país em que tudo é normal: Lula preso é normal, Bolsonaro pregando o crime é normal, uma quadrilha no governo é normal, juízes rasgando a Constituição é normal, o crime e a violência são normais, a falta de saúde e de outros direitos é normal. O escandaloso perdeu todo o sentido e todo o status. Anormal é querer tratar o escandaloso como inaceitável. Junto com a corrupção e os privilégios, essa trágica normalidade, esta impávida passividade, são outras causas que mantêm Lula preso. Como não temos uma história de lutas gloriosos e nem heróis míticos donde possamos nos socorrer, precisamos olhar como outros povos se libertaram para seguir-lhe o exemplo. É preciso que a coragem e a bravura enfrentem a impiedade e a injustiça e que o nosso valor faça arder as lutas, pois só nelas reside a esperança.


ALDO FORNAZIERI. Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política (FESPSP)

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Nº 24.610 - "A cortina de fumaça da Folha e a fritura de Sérgio Moro"

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16/07/2018

A cortina de fumaça da Folha e a fritura de Sérgio Moro

Do Duplo Expresso 16 de julho de 2018 Wellington Calasans


Por Wellington Calasans, para o Duplo Expresso

Resultado de imagem para wellington calasansNão é comum aqui na nossa página a análise de publicações do PIG – Partido da Imprensa Golpista, mas no primeiro programa, após o recesso, o nosso patrono, o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, advertiu o nosso público para as entrelinhas do editorial da Folha de São Paulo. Por isso, vamos tentar acrescentar elementos para o enriquecimento deste debate.

Faltando aproximadamente três meses para as eleições, o editorial recente da Folha – importante base do Partido da Imprensa Golpista – faz várias críticas sobre inquéritos baseados tão somente em delações premiadas. Exemplo recente disso foi o caso da absolvição do ex-presidente Lula no processo em que foi acusado de obstrução de justiça, baseado numa delação mentirosa do ex-senador Delcídio do Amaral.

A Folha faz um crítica indireta ao juiz corrupto e criminoso Sérgio Moro e aos procuradores da Lava Jato que alicerçaram todas as suas denúncias baseadas em delações premiadas. A base da Lava Jato são as delações premiadas, pessoas foram condenadas e presas sem provas com base somente em delações e hoje essas pessoas muitas delas foram submetidas à tortura psicológica, extorsões e ameaças como já declarou o ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran, em seu depoimento à CPI no Congresso Nacional, em que relata que ele próprio teria sido vítima de extorsão a partir de abordagens do, padrinho de casamento de Moro e sócio de Rosângela Moro, advogado Zucolotto. Duran denunciou também um esquema de venda de delações.

É realmente de se estranhar que este editorial seja feito somente quando Lula completa 100 (cem) dias sequestrado como preso político nas masmorras de Curitiba, condenado por um juiz notoriamente parcial, num processo ilegal e principalmente baseado em uma delação premiada de Leo Pinheiro, um co-réu (que não tem a obrigação de falar a verdade).

Por que somente agora a Folha começa a criticar as ilegalidades e os inquéritos baseados somente em delações premiadas? É líquido e certo entre advogados e juristas que quando a “poeira baixar”, quando passarem as eleições sem Lula, todos esses processos ilegais da Lava Jato serão anulados! Inclusive do ex-presidente Lula.

É consenso entre as pessoas com pelo menos dois neurônios que depois daquele domingo Dia 8 de Julho, dia em que a justiça mostrou as suas vísceras, ficou claro para o Brasil e para o mundo que o ex-presidente Lula está sequestrado e é um preso político. Isso é DITADURA! Não venha a Folha com a versão 2.0 da “ditabranda”, pois em tempos de internet isso não se sustenta.

A Justiça brasileira está desmoralizada, a Procuradora Geral da República assume o protagonismo da Lava Jato, saindo em defesa do Sérgio Moro e também mostra a sua parcialidade quando abre um inquérito pedindo o afastamento – e aposentadoria compulsória – somente contra o desembargador Rogério Favreto. Setores da imprensa golpista começam a perceber que uma grande bola de neve está em formação, a prova disso são os números, Lula continua crescendo a cada dia.

Com a desmoralização da justiça o golpe perde a força. A solução é começar a armar uma grande cortina de fumaça, começando com a fritura do Sérgio Moro e dos seus procuradores. A imprensa hegemônica quando começa a atacar as delações ilegais da Lava Jato está pavimentando um caminho para que depois das eleições, sem Lula, “as instituições voltem a funcionar normalmente”.


É preciso denunciar ao mundo esta farsa. A exclusão de Lula de um pleito eleitoral tão importante é a exclusão do povo. Não há democracia sem povo! Não haverá como manter as aparências de normalidade institucional se o maior e mais querido político do país for alijado do processo eleitoral. É preciso que haja luta para impedir que esta violência contra o povo brasileiro seja consumada.

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