segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Nº 20.949 - "O ESCÂNDALO A-DARTER"


20/02/2017

O ESCÂNDALO A-DARTER



Blog do Mauro Santayana - 19 de fev de 2017





por Mauro Santayana 


Ou de como a tentativa de assassinato da Odebrecht pode ferir de morte a construção  do mais avançado míssil da Força Aérea Brasileira.

Está dando  certo o implacável, mesquinho, totalmente desvinculado da estratégia e dos interesses nacionais, cerco, montado pela Procuradoria Geral da República, para arrebentar com a Odebrecht, não apenas dentro do Brasil, mas, em conluio com os EUA, também na América do Norte e, com base em "forças tarefas" conjuntas, nos mais diferentes países da América Latina.

Pressionada pela perseguição além fronteiras da Jurisprudência da Destruição da Lava-Jato e pela estúpida, desproporcional, multa, de 7 bilhões de reais estabelecida a título de punição, pelo Ministério Público brasileiro, em parceria com o Departamento de Justiça norte-americano, a Odebrecht não está conseguindo vender boa parte dos ativos estratégicos que tenta colocar no mercado, para evitar sua bancarrota e total desaparecimento, com a paralisação de dezenas de bilhões em projetos, muitos deles estratégicos, dentro e fora do país, e a demissão de milhares de colaboradores que trabalham no grupo, que já foi obrigado a se desfazer de mais de 150.000 pessoas nos últimos dois anos.

Com o cerco à empresa, que bem poderíamos classificar de mera tentativa de assassinato, considerando-se o ódio com que vem sendo tratada a Odebrecht pelos nossos jovens juízes e procuradores - já que poderiam ter sido presos eventuais culpados sem praticamente destruir a maior multinacional brasileira de engenharia - coloca-se sob risco direto,  não apenas a construção do futuro submarino nuclear nacional (e de outros, convencionais), mas também a produção dos mísseis A-Darter, destinados aos caças Gripen NG BR, que se encontram em desenvolvimento pela MECTRON, empresa controlada pela Odebrecht, em cooperação com a DENEL sul-africana.

Não tendo conseguido negociar a MECTRON, incluída em sua lista oferecida ao mercado, a Odebrecht pretende, agora, esquartejar a companhia e vender seus projetos um a um - entre eles o desse avançado mísil ar-ar - para quem estiver interessado em ficar, entre outras coisas, com  parte do know-how desenvolvido pelo Brasil nessa área, desde a época do míssil "Piranha".

Enquanto isso, a Presidência e o Congresso fazem cara de paisagem. 

Quando, diante desse absurdo, o mínimo que a Comissão de Defesa Nacional - por meio de CPI para investigar o caso - o Ministério da Defesa e o Ministério da Aeronaútica deveriam fazer seria pressionar e negociar no governo o financiamento da compra da MECTRON por uma empresa da área, como a AVIBRAS, por exemplo, com recursos do BNDES, ou injetar dinheiro do Banco - agora emagrecido em 100 bilhões de reais "pagos" antecipadamente ao Tesouro - para que comprasse provisoriamente a MECTRON, assegurando que seu controle ficasse com o Estado, ao menos até o fim do programa A-Darter, ou que se estabelecesse uma estratégia voltada para impedir sua desnacionalização. 

O problema é que o BNDES, como faz questão de afirmar a nova diretoria, pretende mudar de foco para dar atenção - o que quer que isso signifique - a projetos que beneficiem "a toda a sociedade". 

Será que seria possível que a finalização do desenvolvimento de um míssil avançado  para os novos caças de nossa Força Aérea, destinado a derrubar aviões inimigos em situação de combate, em que já foram investidos milhões de dólares, viesse a ser enquadrado  nessa categoria e na nova doutrina de funcionamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - que já bloqueou 1.5 bilhões que a Odebrecht teria a receber por obras no exterior - ou estaríamos pedindo demais e exagerando na importância do caso?  

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Nº 20.948 - "SENADO RECEBE 270 MIL ASSINATURAS CONTRA INDICAÇÃO DE MORAES NO STF"


20/02/2017


SENADO RECEBE 270 MIL ASSINATURAS CONTRA INDICAÇÃO DE MORAES NO STF

Entidades entregam abaixo-assinado contra nomeação de Alexandre de Moraes

Brasil 247 -  20 DE FEVEREIRO DE 2017 ÀS 16:32


Entidades da sociedade civil, como o Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco, entregaram nesta tarde aos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado uma petição com cerca de 270 mil nomes que são contra a nomeação de Alexandre de Moraes como ministro do Supremo Tribunal Federal; para os estudantes, Moraes não tem a exigida "reputação ilibada" para o cargo, além de carreira pública marcada pela truculência e pela violência da polícia e contra os movimentos sociais em São Paulo; Moraes será sabatinado no Senado nesta terça-feira 21


247 - Um documento com cerca de 270 mil assinaturas contra a indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal foi entregue na tarde desta segunda-feira 20 aos senadores da Comissão de Constituição e Justiça.

Jovens do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco, foram os responsáveis pela entrega. Para os estudantes, Moraes não tem a exigida "reputação ilibada" para o cargo, além de carreira pública marcada pela truculência e pela violência da polícia e contra os movimentos sociais em São Paulo.


Ministro da Justiça licenciado do governo Temer, Moraes será sabatinado no Senado nesta terça-feira 21 para ter o nome aprovado para a vaga deixada por Teori Zavascki no Supremo. Ele já se encontrou com senadores para reforçar sua indicação e seu currículo, chegando a ter até um jantar com senadores num barco em Brasília.

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Nº 20.947 - "Dilma alerta: “O golpe não terminou. A segunda etapa pode ser muito mais radicalizadora e opressora”

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20/02/2017


Dilma alerta: “O golpe não terminou. A segunda etapa pode ser muito mais radicalizadora e opressora”





Em entrevista, ex-presidenta garante que o golpe não acabou e ainda denuncia o desmonte de políticas sociais e de setores estratégicos para o país. Confira
Por Marco Weissheimer, no Sul 21
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Quase seis meses depois da votação da última etapa do impeachment no Senado Federal, Dilma Rousseff olha para esse período não como uma página virada na sua história de vida ou na história política do país, mas sim como um processo em andamento. “O golpe não acabou”, afirma, advertindo para os riscos que a democracia brasileira corre com o desenrolar do processo golpista. Em entrevista ao Sul21, concedida em seu apartamento em Porto Alegre, Dilma Rousseff fala sobre as raízes profundas e aparentes do golpe, denuncia o desmonte de políticas sociais e de setores estratégicos para o país, como as indústrias naval e petrolífera, e aponta as tarefas que ela considera prioritárias para a esquerda e para todas as forças progressistas do país:
“A questão democrática é fundamental para nós. Sempre ganhamos quando a democracia se aprofundou e sempre perdemos quando ela foi restringida. O que está em jogo hoje é o que vai ser a eleição de 2018. Essa será a pauta a partir da metade do ano. Acho que o Lula, nesta história, cumprirá um papel muito importante, concorrendo ou não. A segunda etapa do golpe pode ser muito mais radicalizada e propensa à repressão. Nossa missão é garantir o maior espaço democrático possível, denunciar todas as tentativas de restrição das liberdades democráticas e tentar garantir em 2018 um processo que seja construído por baixo”, defende.


Sul21: Em um artigo publicado na semana passada, o sociólogo e cientista político Aldo Fornazieri afirmou que a consequência mais trágica do golpe é a destruição do Brasil enquanto nação e a sua decomposição moral. Do ponto de vista econômico, afirma ele, o país está à venda. Do ponto de vista social, há um grande desastre em curso, com um massacre de direitos. A senhora concorda com essa avaliação?
Dilma Rousseff: Concordo. Acho que ele tem toda a razão. Há exemplos muito concretos, como a questão das empresas que compõem a cadeia de petróleo e gás. Estamos vivendo um momento de destruição dessa cadeia que era uma das mais importantes do país. Ela é uma das mais importantes porque a produção de petróleo em águas profundas exige um fornecimento de equipamentos e serviços de engenharia, uma expertise em extração de petróleo em grandes profundidades sob grande pressão e altas temperaturas. Ela exige uma tecnologia sofisticada. Todos os países desenvolvidos – e mesmo os em desenvolvimento – que tiveram a experiência da descoberta de petróleo buscaram, de alguma forma, internalizar essa cadeia, fazendo que ela não fosse uma cadeia externa para não ter o efeito da chamada doença holandesa. Nesta doença, você cria uma riqueza, por exportação ou exploração da mesma, mas essa riqueza não é internalizada na forma de criação de empregos, investimentos, desenvolvimento científico e tecnológico.
“Esse processo de destruição da indústria naval brasileira e de toda a política de conteúdo local, mais cedo ou mais tarde, vai chegar na Petrobras”. (Foto: Maia Rubim/Sul21)
Como se chama essa política de internalização? Política de conteúdo local. Essa política foi feita na Noruega e ninguém pode dizer que a Noruega é chavista. Virou uma grande acusação para se interditar uma discussão falar em chavismo, lembrando que Chávez foi muito bom para o país dele pois diminuiu bastante a pobreza e acabou com a dominação externa da PDVSA (Petróleos de Venezuela). A política de conteúdo local tinha um objetivo claro. Nós tínhamos sido, na década de 90, os maiores produtores de navios, junto com a Coréia do Sul. Nós estávamos em oitavo lugar e a Coréia devia estar ali pelo 13o lugar. Hoje, a Coréia é um grande produtor de navios e de equipamentos para a extração de petróleo. Ela manteve seu processo de industrialização e de internalização que nós interrompemos no governo Collor quando acabaram com a indústria naval brasileira.
Nós recuperamos essa indústria por meio da política de conteúdo local. Segundo essa política, tudo o que puder ser produzido no Brasil deve ser produzido no Brasil, mantendo-se a busca de mesmo custo, mesmo nível tecnológico e mesma qualidade dos produtos. Essa política estava em curso e, hoje, está sendo inteiramente destruída. O que estamos vendo hoje? Abre-se uma licitação na Petrobras, dirigida a empresas internacionais. Todas elas são grandes empresas de engenharia e todas são investigadas ou por questões administrativas ou por questões criminais em processos de corrupção. Mas podem participar da licitação. Já as nossas estão impedidas de participar. Com isso, você destrói, não só a indústria naval, mas também a possibilidade de fornecimento de equipamentos, exportando empregos para o Japão, Coréia, Estados Unidos e para a própria Europa.
Esse processo de destruição da indústria naval brasileira e de toda a política de conteúdo local, mais cedo ou mais tarde, vai chegar na Petrobras. O nosso papel é impedir que isso aconteça. A internalização que promovemos não era só de empresas brasileiras. Você podia internalizar aqui a produção de navios de qualquer nacionalidade. Mas tinha que produzir aqui. Isso foi feito em outros países do mundo. A Noruega fez isso quando descobriu que tinha reservas de petróleo significativas. As nossas são muito maiores.
A questão social é ainda mais grave. O modelo principal aí é a emenda constitucional que foi aprovada congelando por até vinte anos os investimentos. Mas ela não faz só isso não. Ela enrijece o orçamento e, ao fazer isso, cruza duas coisas. Uma delas é o enquadramento do Brasil, mais uma vez, depois que nós interrompemos o neoliberalismo do Fernando Henrique. Para isso, é preciso “limpar” o orçamento, ou seja, tirar dele esses subsídios desnecessários para os pobres. Essa é a ideia que está por trás dessa emenda constitucional. Mas, além disso, ela também é uma medida de exceção. Está consagrado na Constituição que nós somos um país democrático que elege seu presidente pelo voto direto do povo brasileiro. Quando elegemos um presidente, elegemos um projeto que é executado via orçamento. Se você congela o orçamento por vinte anos, está burlando a Constituição ao longo de cinco mandatos. E onde fica o direito ao voto direto?
“Eles querem reenquadrar o Brasil, também do ponto de vista geopolítico. Querem reenquadrar um país que ousou ser multilateral”. (Foto: Maia Rubim/Sul21)
Então, o Fornazieri tem toda razão. Nós estamos vendo um processo de retrocesso, cujo objetivo central é reenquadrar o Brasil. Nós, junto com praticamente toda a América Latina, nadamos contra a corrente. Neste período, nós reduzimos a desigualdade enquanto que, no resto do mundo, ela se ampliou. No resto do mundo, a financeirização correu solta e levou a uma concentração de riqueza nunca antes vista. Nós interrompemos as privatizações, a perda de direitos. Por isso, agora, eles querem, também do ponto de vista geopolítico, reenquadrar o Brasil, um país que ousou ser multilateral, dar prioridade para a América Latina, para a África e para os BRICS, mantendo mesmo assim uma relação muito cordial com os países desenvolvidos. O que estamos vendo não se trata apenas de perda de direitos. Querem nos enquadrar em outro modelo, dar para nós outras balizas, outros limites e outra configuração.
Essa é a dimensão mais profunda do golpe. A mais visível é aquela expressa na frase “vamos estancar a sangria antes que eles cheguem até nós”, antes que as investigações de corrupção cheguem à ala política dos golpistas.
Sul21O golpe foi dado carregando duas grandes “promessas” à sociedade brasileira: o combate à corrupção e a retomada do crescimento econômico. Essas duas “promessas” fracassaram. O desemprego atingiu níveis alarmantes e muitos dos investigados e indiciados na Lava Jato estão governando o país. Considerando o “não cumprimento” desses temas poderíamos dizer que o golpe fracassou ou suas verdadeiras promessas são outras?
Dilma Rousseff: Eu acho que eles subestimaram a crise econômica e a crise política que eles mesmo geraram. Quando esteve no Brasil, no início de 2015, Stiglitz disse que a crise econômica estava precificada. O que não estava precificado é que se acoplasse a ela uma crise política de proporções gigantescas. Eles defenderam a tese de que a crise econômica era causada por uma falta de confiança que, por sua vez, decorria da crise fiscal. Ou seja, o governo tinha sido muito pródigo nas políticas sociais e havia gasto muito com subsídio ao investimento, gerando uma crise fiscal. Essa crise fiscal teria produzido uma crise de confiança. Enquanto essa não fosse resolvida, nada aconteceria. E a receita para resolver a crise fiscal seria cortar gastos. Um impostinho não pode? Não, de jeito nenhum. Um pato amarelo foi colocado na avenida Paulista dizendo: ‘não pagaremos o pato’. Leia-se: não venham com impostos para nós porque não pagaremos. Não venham com CPMF, juro sobre capital próprio modificado ou dividendos, que não pagaremos.

Nº 20.946 - "Dilma, no Sul 21: porque o capital financeiro enquadrou o Brasil"


20/02/2017

Dilma, no Sul 21: porque o capital financeiro enquadrou o Brasil


Do Tijolaço · 20/02/2017


 dilmasul21


Por Fernando Brito

Publico, na forma de artigo, trecho da longa  entrevista de Dilma Rousseff ao Sul 21. Aqui está, a meu ver, o centro da questão do golpe e o cerne da incapacidade do capital financeiro de prover progresso econômico e social ao Brasil.


A dominação financeira é casada com a desigualdade


Dilma Rousseff


O que caracteriza o neoliberalismo hoje não é o fato de que eles tenham elaborado o Consenso de Washington, mas sim a preponderância do setor financeiro sobre o setor produtivo. De certa forma, todos viraram bancos. E quando todos viram bancos, é bom lembrar que, uma parte que não é banco propriamente dito, não está regulada. Uma parte expressiva dos ganhos das empresas passa a decorrer da atividade financeira e não da atividade produtiva. Os Estados Unidos são o que há de mais desenvolvido do ponto de vista do sistema capitalista. Lá, do total do movimento financeiro, 15% vai para o setor produtivo e 85% é compra e recompra de ações, empréstimos e todos os processos de transformar bens em títulos.

Neste contexto, o que explica o aumento brutal da desigualdade nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos? A própria eleição de Trump está relacionada a esse aumento da desigualdade. Esse aumento começou na década de 80, pós-Thatcher e pós-Reagan. O que aconteceu neste período foi a desregulação de todo o setor financeiro. O processo de internacionalização é eminentemente financeiro, tanto para o bem como para o mal. O sistema bancário foi internacionalizado, mas as redes de paraísos fiscais também foram. Tivemos a partir daí um processo gravíssimo de concentração de riqueza. Esse processo explica o Trump e o Brexit (na Inglaterra).

No caso do Trump, não é só o homem branco sem formação universitária que está ganhando o que ganhava há 60 anos. Há uma estagnação de salário, uma dominação da atividade de serviços sobre a indústria e uma ampliação da financeirização em todas as áreas. A tesouraria das empresas passa a se interessar cada vez mais por valorização financeira. No caso do Brasil, agregue-se a isso o fato de que são sócios do giro da dívida, que permite grandes ganhos, principalmente se você tem acesso aos mercados internacionais. Se você toma 1% lá fora e aplica 7% aqui, você ganha 6% sem fazer nada. Essa dominação financeira é casada com o aumento da desigualdade. O nosso negócio não era o aumento da desigualdade, mas sim sua diminuição. É importante que se diga isso porque toda a América Latina está sendo enquadrada. Quando enquadraram o Brasil e a Argentina, enquadraram todo o sul do continente.

Há ainda uma outra explicação importante. Quando o governo não atende as demandas da sociedade a política se torna irrelevante. Junto com isso ocorre um processo de despolitização. A política é substituída pela seguinte orientação: “vamos achar os culpados”. Quando mais concreto for o culpado mais fácil é. No período entre guerras foi assim. O surgimento do nazismo e do fascismo decorre dessa ausência de resposta do Estado. O vazio de propostas é preenchido por coisas do tipo “a culpa é dos imigrantes”. Pensar que a culpa pelo aumento da desigualdade nos Estados Unidos é dos latinos é algo ridículo. Estimula-se a briga dos pobres contra os pobres e não se fala nada sobre onde está concentrada a monstruosa riqueza de 16 trilhões de dólares anuais.O aumento da desigualdade nos países desenvolvidos é fundamental para entender a dinâmica desse processo. Por que deu Trump se o Obama era tão simpático? O que explica o Brexit? Não está claro para ninguém que a raiz da desigualdade é a financeirização. O que dizem para o trabalhador branco americano? Esse bando de latinos está roubando o emprego de vocês. É preciso construir um muro na fronteira com o México. Mas dizem uma segunda coisa interessantíssima sobre o livre comércio. Os acordos como a ALCA, o Transpacífico e o Transatlântico também são responsáveis pelo desemprego, pois levam as empresas americanas para outros países. Ninguém toca no assunto “onde estão os grandes ganhos?”.

Aqui, nós temos um processo de enquadramento do Brasil. Com a eleição de Lula em 2003, nós interrompemos a implementação do neoliberalismo. Não interrompemos tudo, mas bloqueamos uma parte expressiva. Não conseguiram executar, por exemplo, uma pauta de desconstituição dos trabalhadores. Querendo ou não, a política de valorização do salário mínimo levou a um crescimento real de 75% do mínimo. Eles diziam que esse era um dos grandes componentes da inflação. Nós não privatizamos a Petrobras e também não privatizamos três grandes bancos: o Banco do Brasil (que concorre com os grandes bancos privados), a Caixa (único banco imobiliário do país) e o BNDES (único banco de financiamento de longo prazo). Além disso, não retiramos direitos sociais, muito pelo contrário. Foi por isso que decidiram nos enquadrar de novo, como fizeram também com a Argentina.

A íntegra da entrevista  está aqui..

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Nº 20.945 - "O dia em que Darcy Ribeiro não deu Ibope"

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20/02/2017

O dia em que Darcy Ribeiro não deu Ibope


Do Blog do Kotscho - 19/02/2017


 O dia em que Darcy Ribeiro não deu Ibope
O antropólogo Darcy Ribeiro (Foto: Luciana Whitaker/Folhapress)


Ricardo Kotscho


Ainda bem que muitos se lembraram. Nesta sexta-feira, fez 20 anos que morreu o professor Darcy Ribeiro, um dos grandes mestres da brasilidade.

Brasileiro, acima de tudo, Darcy era um apaixonado pela sua terra e sua gente, e eu pelas coisas que ele escrevia e defendia.

Por isso, no dia da sua morte, 17 de fevereiro de 1997, cheguei mais cedo ao trabalho.

Na época, eu trabalhava como diretor de jornalismo da CNT/Gazeta, uma rede sediada em Curitiba. Logo pedi à minha equipe que preparasse uma edição especial do nosso telejornal sobre a vida e a obra dele.

Não existia Google nem nada, desconfio que alguns daqueles jovens nem sabiam de quem se tratava, mas eles foram à luta e fizeram uma bela pesquisa de texto e imagem em bibliotecas e arquivos, tão boa que resolvi dedicar quase todo o tempo do CNT Jornal a um só assunto: Darcy Ribeiro.

Teve quem achou um exagero, mas eles fizeram o trabalho com gosto e eu fiquei muito orgulhoso do resultado.

Quando terminou o telejornal, a equipe reunida na minha sala, como fazia todas as noites, até aplaudiu o encerramento, mas um deles cortou meu barato.

_ Chefe, ficou muito bom, mas acho que o nosso Ibope vai despencar...

E não deu outra. Como ainda não existia o acompanhamento do Ibope online, minuto a minuto, a gente só recebia um fax no dia seguinte com a média de audiência, que oscilava entre um e três pontos, mas tinha dias em que ganhava dos telejornais do SBT e da Bandeirantes.

Vocês podem imaginar minha decepção quando vi que aquela edição especial tinha dado só um ponto.

Ainda bem que não deu traço, pensei, conformando-me com a realidade de que a maioria do nosso público não sabia quem foi o antropólogo, educador, político, escritor de tantos livros, criador dos Cieps no Rio e da Universidade Nacional de Brasília.

Algum tempo depois, eu estava dirigindo o jornalismo do Canal 21, da Rede Bandeirantes, em São Paulo, para onde levei parte dos jovens de Curitiba.

No dia da morte do cantor Leandro, que fazia a famosa dupla com o irmão Leonardo, astros da música sertaneja, resolvemos ficar no ar ao vivo o dia inteiro, com várias equipes fazendo a cobertura completa sobre a vida, a obra, a família, os fãs e o velório do cantor, que causou uma comoção nacional.

Já havia no meu computador a medição online do Ibope, e a audiência não parava de subir, minuto a minuto.

Batemos nosso recorde de audiência, chegando a cinco pontos, uma enormidade para uma emissora em UHF dedicada à cobertura local de São Paulo.

Todo mundo sabia quem era Leandro, mas não quem foi Darcy Ribeiro.

Este é o Brasil real, que o professor mineiro nascido em Montes Claros, vice-governador de Brizola, ministro-chefe da Casa Civil de João Goulart, tanto amou e a quem dedicou seus 75 anos de vida.

Hoje, quem ocupa o mesmo cargo no Palácio do Planalto chama-se Eliseu Padilha.

E vamos que vamos.

Para onde?

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PITACO DO ContrapontoPIG


Darcy Ribeiro  X  Eliseu Padilha.  O Brasil dos sonhos  X  o Brasil dos pesadelos.

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N 20.944 - "A desfaçatez como método de governo, por Aldo Fornazieri"




20/02/2017

A desfaçatez como método de governo, por Aldo Fornazieri


Jornal GGN - SEG, 20/02/2017 - 07:17




A desfaçatez como método de governo


por Aldo Fornazieri


Desfaçatez é a qualidade de um desfaçado, daquele que não sente nem constrangimento e nem vergonha pelos seus atos condenáveis, publicamente assumidos. Trata-se daquele que, no senso comum, é conhecido como um cara de pau. Pois bem: Temer e, de certa forma, boa parte das autoridades que ocupam cargos superiores nos altos escalões dessa República destroçada, assumiram a desfaçatez como método de conduta e de governo.
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Não se trata mais de esconder a verdade, de enganar, de fazer um jogo ardiloso das aparências. Trata-se de assumir a corrupção e o crime como predicados normais de quem governa. Ser acusado, denunciado, processado é como que uma exigência curricular para se tornar ministro, ocupar os altos cargos de comissões no Congresso, ser presidente da Câmara e do Senado, assumir um posto de  conselheiro ou ministro de Tribunais de Constas, se tornar juiz do Supremo Tribunal Federal. Estes requisitos curriculares estão se espalhando nos estados e nos municípios e nos três poderes da República.

O descaramento e a impudência com que se manifestam autoridades, senadores, deputados e ministros chega a ser espantosa. Em democracias desenvolvidas, suspeitas e denúncias são suficientes para que uma autoridade pública se afaste do cargo ou renuncie ao mandato. Aqui, Temer avisa que denunciados e delatados permanecem no cargo. Veja-se o caso exemplar de Eliseu Padilha, hoje o ministro mais poderoso do governo. Além de denúncias relativas à Lava Jato teve milhões de reais bloqueados por um juiz do Mato Grosso, sob a acusação de ter cometido crimes ambientais. No Rio Grande do Sul e no STJ já foi condenado em definitivo a pagar um montante de R$ 393,76 a um corretor e vem protelando o pagamento. Naquele mesmo estado é acusado de grilagem de terras e é réu em processo por ter beneficiado uma universidade privada - a Ulbra (Universidade Luterana do Brasil) em troca de pagamentos milionários a duas empresas de consultoria do ministro, a Rubi e a Fonte. Padilha já ultrapassou o próprio critério inescrupuloso estabelecido por Temer e, mesmo assim, continua sendo o ministro mais poderoso da Esplanada, proclamando, com desfaçatez, que o governo usa como método transformar desqualificados e despreparados em "notáveis" ministros, como foi o caso do ministro da Saúde, outro acusado de ter cometido irregularidades no Paraná.

A desfaçatez política e a corrupção estão destruindo o conteúdo moral das instituições e da sociedade. A falta de escrúpulos, de vergonha e de decorro transformou as instituições públicas num escombro de obscenidades. A honradez, a dignidade e a moralidade foram sacrificadas na corrida em busca do foro privilegiado, esse instrumento abjeto que se tornou abrigo de criminosos num Supremo Tribunal Federal que é um cemitério de processos contra corruptos. Hoje não resta dúvidas de que uma das maiores cobiças do núcleo duro dos golpistas dos partidos que fazem parte do condomínio governamental era colocar-se ao abrigo do foro privilegiado.

A nova face do mal

O atual governo é a expressão de uma nova forma de banalização do mal, não daquela forma referida ao totalitarismo e à sua violência desmedida, estudada por Hannah Arendt. A banalização do mal promovida pelo atual governo é francamente grotesca e despudorada, é a violência contra as convenções morais e civilizatórias, é a cruzada para mostrar que ser honesto é uma frivolidade de ingênuos e de despreparados para o exercício do poder político, pois este exige profissionais da corrupção. Os outros que caíram em função de acusações de corrupção teriam caído por serem amadores. Somente os profissionais, identificados no atual grupo de poder, teriam capacidade para estabilizar a governança corrupta no país, mantendo-o prisioneiro do atraso, da injustiça, da desigualdade e da pobreza às custas da riqueza de poucos. Os poucos, os grandes, os ricos teriam como direito consuetudinário os faustos proporcionados pela corrupção, as suas vidas de vícios, de esbanjamentos que têm em Sérgio Cabral um espécime exemplar deste tipo de conduta.

Para esses banalizadores do mal, não importam as misérias do povo, o desemprego, nos novos milhões de pobres, a indústria, a tecnologia, a ciência, a pesquisa e a cultura sem futuro. Quanto mais longe da modernização o país se encontre, mais longo será o império da corrupção, mais tempo haverá para saquear os cofres da res publica e para orientar os recursos dos orçamentos públicos em benefício dos mais ricos.

Este novo mal radical não vem pelos tanques, pelas bombas e pelos bombardeios. Ele vem pelo desemprego, mata à míngua, asfixia a velhice, retira a potência da esperança dos jovens, renega os direitos das mulheres e dos negros, drena o sangue dos pobres para pagar juros aos bancos e refestelar as mesas e as extravagâncias dos ricos. Este mal radical sonega os remédios e os leitos hospitalares, fecha escolas, põe cancelas ao acesso à educação superior aos pobres e destrói os centros de pesquisa.

Esta nova banalização do mal acredita que não tem limites no movimento de tornar a república e a democracia em letra morta, em formas sem conteúdo, em domínio exclusivo do capital. Este mal cria campos de concentração e de extermínio mentais e vivenciais, torna as pessoas supérfluas, não só pelo desemprego, mas pelas vidas vazias, pelas angústias e pelos medos de vidas sem futuro.

Hannah Arentd tinha razão: o mal radical não vem de figuras mitológicas que têm projetos e poderes fabulosos. Ele vem de figuras banais, até mesmo medíocres. Este governo está eivando de figuras banais, desprovidas de qualquer senso se grandeza. Figuras como Temer, Jucá, o gato angorá, os Moraes, os Quadrilhas, e tantos outros, todos acompanhados por um grande séquito de deputados senadores que o mundo conheceu bem suas índoles no fatídico 17 de abril de 2016.

A questão desta nova banalidade do mal não é apenas moral sem deixar de ser moral. Ela é política e remete para a necessidade de compreender como o Estado brasileiro, ao longo dos tempos, produziu e vem produzindo uma elite política e uma elite econômica que, indubitavelmente, querem o mal do povo e o atraso do país. A resiliência desse atavismo perverso pode ser encontrada na genética maldosa das nossas elites que nunca se habilitaram para a grandeza e para a responsabilidade, mas que fizeram do assalto, da violência, da expropriação e do saque um método para governar para poucos.

Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política.

Nº 20.943 - "Gen. Villas Boas: O país não está à deriva, afundou!, por Armando Coelho Neto"


20/02/2017


Gen. Villas Boas: O país não está à deriva, afundou!, por Armando Coelho Neto


Jornal GGN - SEG, 20/02/2017 - 08:09 ATUALIZADO EM 20/02/2017 - 08:10




Gen. Villas Boas: O pais não está à deriva, afundou!

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Técnica e legalmente, a concessão para a exploração TV é de 15 anos (rádios dez) renováveis por igual prazo, desde que cumpram exigências. Entre elas privilegiar educação, cultura nacional e regional, não formar monopólio ou oligopólio de propriedade, contemplando ainda aspectos de cunho moral, financeiro e fiscal. Não há notícias da observância desses critérios. Renovações de outorgas de concessões de TV e rádios continuam um mistério. Prevalecem interesses políticos, econômicos, religiosos e...!!!
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Com ares de cercadinho ou máfia, o pensamento único da sociedade brasileira parece imposto de forma coronelesca pelas famílias Abravanel (SBT), Barbalho (RBA), Dallevo e Carvalho (Rede TV), Civita (Abril), Frias (Folha), Levy (Gazeta), Macedo (Record), Marinho (Globo), Mesquita (O Estado de S.Paulo), Queiroz (SVM), Saad (Band), Sarney (TV Mirante?) e Sirotsky (RBS).

O pensamento único é um câncer a espalhar metástases em redes e sub-redes impressas, televisivas, radiofônicas e internet. Presumir que não possam se reunir num mesmo auditório com empresários nacionais e estrangeiros é ilusão. Pensar que não o fariam, como já fizeram, pra dizer quem pode ou vai ser presidente da República é ilusão. Isso não é teoria da conspiração.

Tenho problemas com os patos amarelos por isso, e resolvi traçar linhas sobre o vergonhoso papel do jornalismo que lhes inspiram. Serve de exemplo uma tal de Istoé desta semana, com capa e conteúdo esquizofrênico. Idem Veja, quando apelou para o subjetivismo em vésperas de eleições com o “Ele sabia”, baseada em disse-me-disse. Não importa se louco ou bandido, se mediante paga ou tortura. Se alguém delata alguém é verdade. Em clima de troco ou retorsão, ditos esquerdistas incorrem no mesmo erro. Desse modo, delação ganha status de sentença, seja Cunha, Delcídio ou Maníaco do Parque, caso a versão lhes convenha.

Verdades e pós-verdades consagradas, o fato é que o engajamento político da suposta grande mídia é tão rasteiro quanto uma briga de jornalecos em currais eleitorais. No passado, a TV Bandeirantes (campanha presidencial/1989) teve a pachorra de, nos intervalos de um debate eleitoral, veicular um comercial do cosmético Biocolor. A propaganda de tintura de cabelo encerrava com a seguinte frase: “Não importa a cor de seu cabelo, “é Biocolor na cabeça”. O cinismo tirou de cena os demais candidatos, entre eles Lula.

Com igual vileza, a empresa dos Frias desenterrou um comercial antigo do jornal Folha de S. Paulo para atacar Lula, então líder nas pesquisas. Diante da impossibilidade de negar os avanços sociais e econômicos do País e a magnitude dos feitos de Lula, reexibiu o velho comercial. A peça publicitária tinha formato de retículas, e uma voz em off destacava virtudes de um grande político: “este homem criou milhares de empregos, acabou com a inflação...” Aos poucos, as retículas iam se aglutinando até formarem o rosto de Adolf Hitler. No final do anúncio vinha a frase: existe muitas forma de se dizer mentiras e uma delas é falando só verdades.

Tratam-se de lances mesquinhos que alguns tentam explicar como conveniência de mercado, coincidência ou teoria da conspiração. Mas outros não tanto - como a descarada produção de Collor pelos próprios produtores da TV Globo. Usaram truques de figurino (gravata torta), maquiagem, suores artificiais para conferir ar cansado. A Globo foi além e editou o debate em seu noticiário para causar no espectador a sensação de vitória do seu candidato. Uma edição classificada mais tarde por Alberico Souza Cruz como comprometedora e burra, pois “Collor ganharia de qualquer jeito”.

O jornal O Estado de São Paulo assumiu em editorial ter e defender candidato. A imoralidade eleitoral (ignorada pelos tribunais) quebrou a paridade de armas entre os concorrentes. As mentirosas capas de Istoé e Veja com ataques a Lula e Dilma também tentaram influenciar no resultado de eleições. Numa delas, O PT teve um inócuo e extemporâneo direito de resposta. Quanto à Veja, no fluxo do pré-golpe, contou com o beneplácito da justiça eleitoral (minúsculas de protesto). Um engajamento tão flagrante, de forma a dar suporte factual até para o discutível número 45 (Aécio) inserido na abertura da novela Geração Brasil (Globo).

A dita grande mídia brasileira não faz questão de tentar fingir o mito da imparcialidade. Exerce com destreza o que a pesquisadora Cremilda Medina chamou de “Notícia um produto a venda como outro qualquer”. Sem sorrelfa, cultuam o coronelismo eletrônico e seu caráter venal. Aquilo que Barbalhos e Sarney promovem em seus redutos, é protagonizado em escala nacional nas eleições presidenciais. No golpe (2016) não foi diferente, com a cumplicidade da Operação Farsa Jato, do ex-stf (minúsculas propositais) e de significativo contingente parlamentar.

Enquanto a mídia maquia o golpe, não custa lembrar que o doleiro, o juiz e a mídia do Caso Banestado eram os mesmos da Farsa Jato. A camarilha golpista desmoralizou-se a si mesma. Junto com ela, a imprensa e instituições como PF, STF, MPF e, segundo gravações divulgadas, com “monitoramento” do Exército Brasileiro. Portanto, general Villas Bôas, com uma mídia dessas, corrija sua frase no jornal Valor Econômico. O país não está à deriva. Afundou num mar de lama.

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Nº 20.942 - "Será que não tem Google na sede da IstoÉ?"

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 20/02/2017

Será que não tem Google na sede da IstoÉ?



Blog da Cidadania - 20/12/2027

istoE capa


Eduardo Guimarães

Não param de surgir informações pouco abonadoras sobre a pessoa que convenceu a revista IstoÉ de que seria fonte
suficientemente crível para um ataque “mortal” contra o líder de intenções de voto para presidente da República em 2018, Luiz Inácio Lula da Silva.
Confira, abaixo, a acusação básica da revista ao ex-presidente.


“O personagem que estampa a capa desta edição de ISTOÉ chama-se Davincci Lourenço de Almeida. Entre 2011 e 2012, ele privou da intimidade da cúpula de uma das maiores empreiteiras do País, a Camargo Corrêa. Participou de reuniões com a presença do então presidente da construtora, Dalton Avancini, acompanhou de perto o cotidiano da família no resort da empresa em Itirapina (SP) e chegou até fixar residência na fazenda da empreiteira situada no interior paulista. A estreitíssima relação fez com que Davincci, um químico sem formação superior, fosse destacado por diretores da Camargo para missões especiais. Em entrevista à ISTOÉ, concedida na última semana, Davincci Lourenço de Almeida narrou a mais delicada das tarefas as quais ficou encarregado de assumir em nome de acionistas da Camargo Corrêa: o transporte de uma mala de dinheiro destinada ao ex-presidente Lula. ‘Levei uma mala de dólares para Lula’, afirmou à ISTOÉ. É a primeira vez que uma testemunha ligada à empreiteira reconhece ter servido de ponte para pagamento de propina ao ex-presidente. Ele não soube precisar valores, mas contou que o dinheiro foi conduzido por ele no início de fevereiro de 2012 do hangar da Camargo Corrêa em São Carlos (SP) até a sede da Morro Vermelho Táxi Aéreo em Congonhas, também de propriedade da empreiteira. Segundo o relato, a mala foi entregue por Davincci nas mãos de um funcionário da Morro Vermelho, William Steinmeyer, o ‘Wilinha’, a quem coube efetuar o repasse ao petista. “O dinheiro estava dentro de um saco, na mala. Deixei o saco com o dinheiro, mas a mala está comigo até hoje”, disse. Dias depois, acrescentou ele à ISTOÉ, Lula foi ao local buscar a encomenda, acompanhado por um segurança. ‘Lula ficou de ajudar fechar um contrato com a Petrobras. Um negócio de R$ 100 milhões’, disse Davincci de Almeida. A atmosfera lúdica do desembarque de Lula na Morro Vermelho encorajou funcionários e até diretores da empresa a posarem para selfies com o ex-presidente. De acordo com Davincci, depois que o petista saiu com o pacote de dinheiro, os retratos foram pendurados nas paredes do hangar. As imagens, porém, foram retiradas do local preventivamente em setembro de 2015, quando a Operação Lava Jato já fechava o cerco sobre a empreiteira (…)”

O acusador diz que levou uma mala de dinheiro em uma empresa de táxi aéreo e que Lula foi lá buscar. Ocorre que eventuais passagens do ex-presidente por essa empresa de táxi aéreo nunca foram novidade . Eram frequentemente citadas na imprensa. O tal Davincci não trouxe novidade alguma à IstoÉ.
Falta de credibilidade parece ser o conjunto da vida desse indivíduo. Espalha-se como fogo sua trajetória de criações fantásticas. Tudo indica que se trata de alguém com problemas mentais. Chega a ser estarrecedor que a IstoÉ tenha usado tal fonte.
Confira, abaixo, as peripécias de Davincci Lourenço de Almeida, o homem que fez a IstoÉ pagar um mico de proporções épicas.
istoE 1
istoE 2
istoE 3
IstoE 4
istoE 5
istoE 6
Qualquer busca por aí resultará em muito mais fatos impressionantes sobre a fonte que deu a capa da IstoÉ desta semana. Será que não tem Google na sede da revista? Valeria dar uma busca no nome de suas fontes. Economizaria seu tempo e o nosso.
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Nº 20.941 - "Unidos, rivais peitam a Globo e acabam barrados pela federação paranaense."


19/02/2017

Unidos, rivais peitam a Globo e acabam barrados pela federação paranaense.


Atlético-PR e Coritiba preferiram não realizar a partida e enfrentaram o modelo tradicional do futebol



Esquerda valentedomingo, 19 de fevereiro de 2017


Coritiba e Atlético protagonizaram um episódio corajoso na tarde deste domingo. Decididos a falar não à Rede Globo, os clubes optaram por inovar no modelo de transmissão do clássico: através do canal do Youtube.

 Atlético-PR e Coritiba preferiram não realizar a partida e enfrentaram o modelo tradicional do futebol

Isso porque ambas as diretorias não concordaram com a proposta financeira feita pela emissora. Por conta disso dois maiores clubes do futebol paranaense não fecharam o acordo, e anunciaram o clássico cuja transmissão se daria pelas redes sociais.

A transmissão atraiu cerca de 100 mil pessoas simultaneamente, distribuídas entre os dois canais dos clubes nas redes sociais. Porém, com tudo pronto para o confronto, a FPF - Federação Paranaense de Futebol proibiu a realização da partida.

Para a entidade, a partida só aconteceria caso a transmissão fosse interrompida. Os clubes, no entanto, se negaram a atender o pedido e acabaram protagonizando um episódio inédito no futebol brasileiro.

"Essa decisão vai servir para o resto dos tempos, quando Atlético e Coritiba iniciaram um processo silencioso e dizer não. Nós temos o direito de dizer não. E fica o alerta para os demais presidentes de clubes, que sigam o exemplo de Atlético e Coritiba: vamos dizer não", afirmou o presidente do Atlético-PR, o presidente Luiz Sallim Emed, após confirmar a não realização da partida.

De mãos dadas, os jogadores voltaram dos vestiários juntos, cumprimentaram os presidentes de ambos os clubes e unidos, aplaudiram os torcedores que lotaram a Arena da Baixada. Os torcedores se retiraram do estádio com a confirmação do não acontecimento da partida, mas aplaudiram os jogadores e os dirigentes.

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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Nº 20.940 - "TEMER ATACA OS TRÊS PILARES DA SOBERANIA NACIONAL"

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19/02/2017


TEMER ATACA OS TRÊS PILARES DA SOBERANIA NACIONAL


Brasil 247 - 19 de fevereiro de 2017  às 08:17




Com a entrega do pré-sal, a venda de terras para estrangeiros e o abandono do projeto do submarino nuclear, o Brasil de Michel Temer ataca os três pilares fundamentais de qualquer projeto nacional: segurança energética, segurança alimentar e segurança militar; Temer vai tocando essa agenda sem sequer ligar para a opinião pública; pesquisas recentes já indicaram que os brasileiros são contra a abertura do pré-sal; outro levantamento apontou que Temer é reprovado por 66,6% dos brasileiros; coincidência ou não, o general Eduardo Villa Bôas, chefe das Forças-Armadas, onde ainda existe um pensamento nacional, disse, neste fim de semana, que o Brasil está "à deriva"



247 – O que transforma um país numa potência? A literatura geopolítica, em geral, aponta três fatores: poderio militar, segurança alimentar e segurança energética.



Os Estados Unidos, por exemplo, são a maior potência militar do planeta e grandes produtores de alimentos. Não são autossuficientes em petróleo, mas exercem influência decisiva sobre o Oriente Médio, a custa de guerras e intervenções políticas. Recentemente, uma novo caminho começou a ser explorado, com as explorações do gás de xisto.



A Rússia, por sua vez, concentra os três elementos: controla um arsenal atômico, algumas das maiores reservas de óleo e gás do mundo e também possui forte superávit alimentar.



A China, das três grandes potências, é a mais frágil, uma vez que é grande importadora de petróleo e alimentos.


Aspirante a potência, o Brasil, há muitos anos um gigante agrícola, vinha trilhando um caminho alternativo na era Lula-Dilma. Com as descobertas do pré-sal, o País trocou o modelo de concessão pelo de partilha, uma vez que o risco exploratório já havia sido mitigado pelas pesquisas da Petrobras em águas profundas. No campo militar, a renovação dos caças da Força Aérea e o projeto do submarino nuclear ajudariam a patrulhar as reservas nacionais de óleo e gás. Além disso, outra conquista importante foi a expansão das fronteiras marítimas do País, com a chamada "Amazônia azul".

Com o golpe parlamentar de 2016, no entanto, tudo mudou. A primeira vítima foi o pré-sal e Temer conseguiu aprovar o projeto de José Serra para abrir as reservas a empresas estrangeiras, como havia sido prometido pelo atual chanceler à petroleira americana Chevron. Em breve, nos próximos leilões, a Petrobras de Pedro Parente, embora tenha direito de preferência, deverá demonstrar desinteresse. Até porque já fez acordos para se desfazer de gigantescos campos de petróleo com as empresas francesa Total e norueguesa Statoil.


No campo militar, o submarino nuclear foi abatido pela Lava Jato, que teve como dois de seus alvos a Odebrecht e o almirante Othon Pinheiro, responsável pela condução do projeto. Além disso, há rumores de que o governo pretenda trocar os caças Gripen, que transferem tecnologia ao Brasil, pelos caças americanos F-16.



O ataque mais recente se dá no agronegócio, onde Temer pretende permitir, por medida provisória, que estrangeiros tenham até 100 mil hectares no Brasil. No mundo de hoje, terras aráveis são um dos bens mais escassos do planeta e Temer pretende colocar o Brasil em leilão, o que também pressionará o consumo de outros recursos naturais – raros no mundo e a abundantes no Brasil – como a água.



Temer vai tocando essa agenda sem sequer ligar para a opinião pública. Pesquisas recentes já indicaram que os brasileiros são contra a abertura do pré-sal. Outro levantamento apontou que Temer é reprovado por 66,6% dos brasileiros, mas ele se considera legítimo para fazer o que bem entende.



Coincidência ou não, o general Eduardo Villa Bôas, chefe das Forças-Armadas, onde ainda existe um pensamento nacional, disse, neste fim de semana, que o Brasil está "à deriva", sem projeto e sem saber o que pretende ser. Os militares, claro, são contra o abandono do submarino nuclear e também contra a venda de terras para estrangeiros, mas ainda não reagiram à destruição da era Temer.


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Nº 20.939 - " 'PRIMEIRA VEZ QUE VEJO UM GOVERNO DESTRUIR O QUE ESTÁ DANDO CERTO', DIZ PRESIDENTE DO BIRD "


19/02/2017

'PRIMEIRA VEZ QUE VEJO UM GOVERNO DESTRUIR O QUE ESTÁ DANDO CERTO', DIZ PRESIDENTE DO BIRD


Brasil 247 - 19/02/2017



O presidente do Banco Mundial (Bird), Jim Yong Kim, criticou o governo de Michel Temer no programa 'Noite Total', da rádio Globo & CBN; ele disse que nunca viu um governo desmontar políticas populares em benefício do povo; "É a primeira vez que vejo um governo destruir o que está dando certo. Nós do Banco Mundial, o G8 e a ONU recomendamos os Programas sociais brasileiros para dezenas de países, tendo em vista os milhões de pobres brasileiros que saíram da extrema pobreza nos governos anteriores a esse", lamentou Jim Yong Kim


247 - O presidente do Banco Mundial (Bird), Jim Yong Kim, criticou o governo de Michel Temer no programa 'Noite Total', da rádio Globo & CBN. Ele ressaltou que nunca viu um governo desmontar políticas populares em benefício do povo.

"É a primeira vez que vejo um governo destruir o que está dando certo. Nós do Banco Mundial, o G8 e a ONU recomendamos os Programas sociais brasileiros para dezenas de países, tendo em vista os milhões de pobres brasileiros que saíram da extrema pobreza nos governos anteriores a esse", lamentou Jim Yong Kim.

Ele fez ainda previsões sombrias para o Brasil. "Agora a fome vai aumentar consideravelmente em 2017. Cortar programas sociais que custam tão pouco ao governo, como o Bolsa Família, é uma coisa que não tem explicação".


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PITACO DO ContrapontoPIG.

Tudo isso acontecendo sob o olhar e o comando de:

- uma elite perversa e egoísta e ladra, mancomunada com interesses estrangeiros;
- uma mídia manipuladora, golpista e entreguista; 
- um executivo usurpador formado por gatunos; 
- uma parte do judiciário agindo de modo parcial e acovardado,
 - e um congresso de maioria corrupta e comprometida com o crime.

E o que é pior: sob o nariz de uma maioria da população ignorante e aparvalhada pela manipulação das informações.
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Nº 20.938 - "GASPARI FURA BLOQUEIO E AVISA: A JARARACA ENGORDOU"

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19/02/2017


GASPARI FURA BLOQUEIO E AVISA: A JARARACA ENGORDOU


Brasil 247 - 19 DE FEVEREIRO DE 2017 ÀS 05:41




Embora os principais jornais do País tenham decidido omitir de seus leitores o fato político da semana, que foi a disparada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na pesquisa CNT/MDA, o bloqueio foi furado pelo colunista Elio Gaspari; mais do que viva, a "jararaca engordou", diz ele, referindo-se ao apelido que Lula se deu no dia em que foi alvo de condução coercitiva; "A jararaca engordou e dificilmente o risco Lula será liquidado pela Lava Jato. Primeiro porque não será fácil torná-lo inelegível, com uma condenação de segunda instância, antes do pleito do ano que vem. Mesmo que isso aconteça, Lula poderá tirar um poste da manga", diz ele; "A jararaca está viva, engordou e arma o bote" 


247 – O fato político da última semana, como todos sabem, foi a pesquisa CNT/MDA, que além de comprovar a péssima imagem de Michel Temer, a degeneração do golpe e o estrago em todos os atores que a ele se associaram, revelou a disparada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em todos os cenários. Além de liderar a disputa com 30,5% no primeiro turno, Lula venceria todos os adversários, com facilidade, num segundo turno.

Essa pesquisa, que também demonstrou o fracasso da mídia tradicional em destruir a imagem de Lula, foi omitida pelos jornais que, ou a esconderam num rodapé, ou simplesmente não a publicaram (leia mais aqui).

No entanto, o bloqueio foi furado neste domingo pelo colunista Elio Gaspari, no artigo A jararaca está viva e engordou. "Na resposta espontânea, mais da metade dos entrevistados declarara-se indecisa, o que reduz o peso dessas percentagens. Na pesquisa induzida, quando o entrevistado deve escolher um nome numa lista de seis, Lula repetiu o desempenho. Foi de 24,8% para 30,5%. Todos os outros mandarins caíram, salvo Bolsonaro, que saltou de 6,5% para 11,3%", diz ele. "Apesar da exposição que seus cargos lhes dá, Michel Temer, Aécio Neves e Geraldo Alckmin estão derretendo."

Segundo Gaspari, "as artes do Planalto levaram para 62% o índice de desaprovação de um governo que vive num mundo de trapalhadas, fantasias e marquetagens".

Ele afirma ainda que "a jararaca engordou e dificilmente o risco Lula será liquidado pela Lava Jato".

"Primeiro porque não será fácil torná-lo inelegível, com uma condenação de segunda instância, antes do pleito do ano que vem. Mesmo que isso aconteça, Lula poderá tirar um poste da manga", afirma. "A jararaca está viva, engordou e arma o bote."

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Nº 20.937 - "Os negócios milionários do sinistro da Saúde"

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19/02/2017


Os negócios milionários do sinistro da Saúde


Blog do Miro - sábado, 18 de fevereiro de 2017





Por Altamiro Borges

No sábado passado (11), a Folha publicou uma matéria bombástica que reforça a ideia de que só dá bandidos no covil golpista de Michel Temer. Segundo a reportagem, “o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), e uma empresa imobiliária fecharam um acordo particular e sigiloso para a compra de um terreno de R$ 56 milhões em Marialva (PR) em dezembro de 2013. Com o acordo, Barros se tornou dono de 50% do imóvel, embora na época detivesse um patrimônio declarado à Justiça Eleitoral de R$ 1,8 milhão”. A denúncia, porém, já sumiu da mídia – sabe-se lá a que preço em anúncios publicitários e outras benesses!

De acordo com a reportagem, assinada pelo competente Rubens Valente, no período da compra do terreno, Ricardo Barros ocupava o cargo de Secretário de Indústria e Comércio do Paraná, governado pelo tucano Beto Richa. “A venda foi acertada entre Barros, por meio de duas empresas com capital social de apenas R$ 10 mil cada uma, e a empresa do setor imobiliário Paysage, sediada em Curitiba. As duas famílias de Maringá (PR) que venderam os lotes, os Faion e os Dada, aceitaram um parcelamento. Barros disse à Folha que obteve R$ 13 milhões emprestados da Paysage para dar o sinal inicial de sua parte”.

“No primeiro trimestre de 2016, porém, as famílias passaram a pedir o pagamento de um resíduo que, em valores atualizados, atingiria R$ 7,5 milhões – o restante já havia sido quitado. Não houve acordo e elas recorreram à Justiça. Na ação ajuizada em janeiro último em Marialva, as famílias pediram a intimação de Barros e de sua mulher, a atual vice-governadora do Paraná Cida Borghetti (PP), na condição de ‘garantidores e fiadores’ da operação. Em dezembro de 2015, o casal havia vendido as duas microempresas para a Paysage e dessa forma, segundo o ministro, foi quitado o empréstimo de R$ 13 milhões”.

"Uma operação incomum"

Em outra matéria, o mesmo Rubens Valente dá mais detalhes sobre a transação nebulosa. Lembra que em 2015, na condição de deputado federal do PP, Ricardo Barros apoiou a liberação de R$ 450 milhões de emenda da União para a construção de uma rodovia de 32 km que passa a 3 km do terreno. "A emenda foi apresentada um ano antes pela bancada de parlamentares do Paraná, que incluía a mulher do ministro, a então deputada federal Cida Borghetti (PP), hoje vice-governadora do Estado e sócia dele na compra da propriedade. Na eleição de 2014, Cida declarou um patrimônio de R$ 805 mil”.

O jornalista também ouviu o sinistro integrante do covil golpista e especialistas no tema. Ricardo Barros respondeu, por meio da sua assessoria, que adquiriu o terreno graças ao empréstimo de R$ 13 milhões da Paysage e que utilizou duas empresas, a MRC e a RC7 – criadas em outubro de 2013 e maio de 2014 em nome dele e da mulher – para obter este elevado valor. Nada mais falou sobre o assunto, talvez apostando no esvaziamento da denúncia. Já os especialistas em contabilidade ouvidos pela reportagem estranharam a negociação, tratando-a de “operação incomum”. 

“É uma operação não usual, muito estranha. A incorporadora ter passado o dinheiro e ter recebido a empresa de volta sugere que ela aceitou um prejuízo. É uma operação que revela uma relação de amizade", disse o vice-presidente do CFC (Conselho Federal de Contabilidade), Zulmir Ivânio Breda. "O montante emprestado é atípico. Você cria uma empresa de R$ 10 mil para montar uma lojinha, um carrinho de cachorro quente, não para comprar um imóvel de mais de R$ 50 milhões. Não é comum no mercado", disse o presidente do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, Idésio Coelho. 


Realmente, “uma operação incomum” – mas muito comum entre os integrantes da quadrilha que assaltou o poder no Brasil.

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sábado, 18 de fevereiro de 2017

Nº 20.936 - "Só Cunha pode jogar o nome de Temer na lama"


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18/02/2017

Só Cunha pode jogar o nome de Temer na lama


Brasil 247 - 17 de Fevereiro de 2017


Antonio Cruz/Agência Brasil


Alex Solnik


Alex SolnikEntre ficar quieto, como Sérgio Cabral, ou delatar, como Delcídio do Amaral, Eduardo Cunha escolheu uma terceira via para sair da prisão de Curitiba: encurralar Temer.

Ele conhece o velho, mas sábio ditado: quem cala consente. Sabe, também, que o pré-requisito para a delação premiada é confessar os próprios crimes, o que não está disposto a fazer.

Insinuar que está por dentro de situações que podem jogar o nome de Temer na lama foi uma decisão audaciosa, que embute um recado para seu ex-aliado e hoje desafeto: ou você me ajuda a sair daqui ou minha metralhadora giratória não vai parar.

De todas as desventuras em série em que Temer está enredado, Cunha é o protagonista da pior delas. Sua nova lista de 19 perguntas encaminhadas ao STJ, onde tramita seu pedido de habeas corpus, é um sinal evidente de que ele representa o maior perigo à sobrevivência do governo que está aí porque ele sabe melhor do que ninguém o que Temer fez desde que assumiu a vice-presidência do Brasil, em 2010.

Em suas novas perguntas, Cunha abre fogo contra nomeações como a de Moreira Franco na vice-presidência da Caixa Econômica e outras patrocinadas por Temer, supostamente suspeitas e potencialmente pouco republicanas.

O alvo é o presidente.

Temer manda responder que Cunha blefa desesperadamente, mas suas últimas decisões não estão de acordo com o que diz: tanto é que resolveu manter um fiel aliado de Cunha, André Moura, na liderança do governo na Câmara dos Deputados, apesar de ele não fazer parte de seu grupo, nem possuir outra credencial a não ser fazer parte da tropa de choque do ex-deputado. É um afago explícito com a intenção de acalmar Cunha. Uma forma de lhe mostrar que, por meio de Moura, ele ainda tem peso dentro do governo.

Indicar Alexandre de Moraes para o STF e Carlos Velloso para a Justiça também podem ser considerados itens do pacote pró-Cunha. Hoje, em entrevista à "Folha", Velloso faz duas afirmações nesse sentido. Diz que Temer o convocou "para ajudar a salvar o Brasil" (o que, em outras palavras, significa salvar o governo) e que, se aceitar o cargo vai "ajudar o amigo".

Mas isso é pouco para o principal responsável pelo golpe que derrubou Dilma. Ele quer sair das grades de Moro o mais rapidamente possível.

Sua sorte está nas mãos de Temer e a sorte de Temer está nas mãos dele.



Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"
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