sexta-feira, 27 de março de 2015

Contraponto 16.362 - "A manchete que você jamais verá no UOL ou Globo: tesoureiro do PSDB tem conta secreta na Suíça"

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27/03/2015


A manchete que você jamais verá no UOL ou Globo: tesoureiro do PSDB tem conta secreta na Suíça


Escrevinhador - março 26, 2015 18:24 Atualizado


Ligado a Serra, Fortes aparece na lista de contas na Suíça: "mas podemos tirar se achar melhor"
     Ligado a Serra, Fortes aparece na lista de             contas na Suíça: “mas podemos tirar se achar melhor”


por Rodrigo Vianna


O que você acha que aconteceria se Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) ou João Vaccari (atual tesoureiro) aparecessem numa lista de brasileiros com contas secretas na Suíca, ao lado de vereador, suplente de senador e outros políticos de menor expressão?

Qual seria a manchete? “Políticos de vários partidos têm contas na Suíça”. Não!!! Mil vezes não.

“Tesoureiro do PT escondia 2 milhões na Suíca“, diria a Folha. “A prova que faltava: até conta na Suíça – saiba os valores e entenda porque o PT virou um ninho de corruptos com contas no exterior”, diria a Veja. Só no pé da matéria, haveria citação dos outros envolvidos.

Pois bem, é escandalosa a forma como UOL trata a presença (não fictícia, mas absolutamente real) do tucano Márcio Fortes na lista do HSBC. Não houve qualquer destaque para  o fato de ele ter sido tesoureiro de campanhas de Serra a presidente (com um papel central em 2002), ou de ter sido o principal doador do PSDB.

Não! A manchete no UOL era insípida: “Políticos de 6 partidos têm elos com contas secretas”confira aqui.

Fortes tinha um saldo de 2,4 milhões em uma das contas – que por sua vez não aparece na declaração que ele apresentou à Justiça Eleitoral quando foi candidato pelo PSDB. Ou seja: parece ser uma conta irregular, além de secreta.

Mas Fortes surge perdido na tal lista, em meio a um vereador petista e a um suplente de senador do PMDB. Não há contexto, não há qualquer destaque. O UOL quase pede desculpas por citar o sujeito na lista.

O perfil publicado no site da família Frias sequer informa que Fortes foi captador de recursos para as campanhas de Serra, ou tesoureiro do PSDB. Nada, nem uma palavra sobre isso.

Um amigo paulista, que foi filiado ao PSDB, se disse espantado: “todo mundo sabe que o Fortes é Serra, são quase uma coisa só quando se trata de campanha; o UOL nem cita que ele foi coordenador, ou arrecadador”.

O vazamento das contas secretas do HSBC (um escândalo mundial) é absolutamente controlado e seletivo no Brasil. Todos sabemos por que: estão na lista donos de jornais, artistas e (até agora) dois tucanos graúdos – Armínio Fraga e Marcio Fortes.

Lily Marinho (viúva de Roberto Marinho) e Luis Frias (dono do UOL) aparecem na relação – clique aqui pra saber mais sobre isso. Mas o fato não ganhou qualquer destaque! Tudo noticiado de forma discreta. Quase secreta (se não fosse o barulho dos blogs e das redes sociais).

Aliás, ‘O Globo’ usou o nome do primeiro marido de Lily, para tentar desvincular a família Marinho da conta secreta na Suíça. Já os Frias alegam que não lembram de terem aberto a conta. E fica tudo em casa.

É a grande hipocrisisa da elite nacional, como se os tucanos e empresários (de mídia, inclusive) dissessem: nós podemos ter conta secreta, nós podemos transgredir e sonegar. É nosso direito inalienável! e abaixo a corrupção do PT!

O Marcio Fortes, tesoureiro de Serra (que por sua vez é amigo dos Frias) não tem com o que se preocupar. A não ser… A não ser que a CPI e a internet cumpram o papel de espalhar a notícia e investigar o fato, traçando as ligações de Fortes com o senador  (e eternamente presidenciável) José Chirico Serra. E mostrando que Fortes é também próximo de FHC.

Veja abaixo como o UOL deu o perfil de Fortes, evitando usar o nome de Serra e  FHC (no entanto, Fernando Gabeira – que foi companheiro de chapa dele numa campanha a governador – foi citado sim).

Curioso critério jornalístico. Para os tucanos, vale sempre a regra de ouro: #podemostirartirarseacharmelhor.


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Do UOL

MÁRCIO FORTES (PSDB)

Na relação de clientes do HSBC na Suíça consta ainda o nome do primeiro vice-presidente do PSDB no Rio, Márcio Fortes. Também integrante da Comissão Executiva Nacional do PSDB e deputado federal por 3 mandatos, Fortes, de 70 anos, atuou como presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do Banerj e foi secretário-geral do Ministério da Fazenda.
Conforme os dados do SwissLeaks, o tucano tinha o seu nome relacionado a 3 contas no HSBC em Genebra em 2006 e 2007, sendo que uma delas ainda estava ativa naquela época –com um saldo de US$ 2.413.260,28. Fortes é do ramo de construção civil e é um tradicional doador para campanhas eleitorais.

No ano 2000, por exemplo, Fortes foi a pessoa física que mais doou dinheiro ao PSDB –o equivalente a 21% do total arrecadado pela legenda nessa modalidade de financiamento.

Em 2010, Fortes concorreu ao cargo de vice-governador do Rio na chapa encabeçada por Fernando Gabeira (PV). À Justiça Eleitoral, o tucano comunicou que tinha na época um patrimônio de R$ 4.442.412,71, sendo 13 imóveis, um carro e R$ 117.342,03 na CEF. Assim como Lirio Parisotto, o peessedebista não declarou possuir conta no HSBC.

Na eleição de 2010, Fortes fez uma doação de R$ 500 mil para a campanha ao governo do Rio. Dias antes, Gabeira havia dito que os partidos aliados o apoiavam “muito mal” e que, por esse motivo, poderia “dar uma banana” se fosse necessário.

Em 2006, Fortes concorreu a deputado federal pelo PSDB fluminense. À época, sua conta identificada como “Aframfran Holdings Limited” tinha um saldo de US$ 2,413 milhões no HSBC da Suíça. Esse bem, entretanto, não aparece na declaração de patrimônio que o tucano entregou à Justiça Eleitoral.
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Contraponto 13.361 - "O umbigo de Gilmar Mendes"

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27/03/2015

O umbigo de Gilmar Mendes


Miúdas reflexões sobre os objetivos do ministro. E os riscos que Janot corre



 Carta Capital  — publicado 23/03/2015 04:32

Antonio Cruz/Agência Brasil
Gilmar Mendes
Com essa postura de reter autos ad aeternum, o ministro Gilmar mendes usa a função de magistrado para satisfação pessoal


1. O juiz dos juízes

Pegou mal entre juristas e operadores do Direito a entrevista do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao jornal O Globo, publicada na terça 17. Nela, o ministro manifestou-se a respeito da ação direta de inconstitucionalidade (Adin) ajuizada pela OAB e sustentada na ilegitimidade das pessoas jurídicas para realizar doações em campanhas políticas e na tese de que as pessoas físicas devem estar sujeitas a um teto.

O julgamento dessa Adin pelo plenário da Suprema Corte restou suspenso e em razão do pedido de melhor exame dos autos processuais formulado pelo ministro Mendes. Até então verificava-se uma maioria de 6 x 1 votos, ou seja, seria acolhida a Adin, vencido o ministro Teori Zavascki. Num plenário com todos os seus 11 ministros presentes, a suspensão da sessão impediu a coleta dos votos dos ministros Rosa Weber, Carmem Lúcia e Celso de Mello. Mesmo na hipótese de os votos faltantes acompanharem o de Zavascki, o resultado do julgamento seria, de todo modo, de 6 x 5 votos pela procedência da Adin.

Com efeito, passado um ano na posse dos autos processuais e, em vez de devolvê-los para o julgamento prosseguir e ser finalizado, o ministro Mendes, na entrevista, adiantou a sua posição e, assim, prejulgou fora dos autos e do momento próprio.

Não bastasse, criticou a pertinência da Adin e ofendeu a OAB, e, por tabela, os ministros que já votaram pelo acolhimento da ação: “Não sei como essa gente (OAB) teve coragem de propor isso. As pessoas têm direito de fazer o que elas quiserem, considerando o livre arbítrio. Elas só não podem fazer a gente de bobo, imaginar que a gente tem uma inteligência menor do que a deles. Só isso. Um pouco de respeito à inteligência faria bem a quem formulou essa proposta. Não nos façam de bobos!”

O desabrido ministro Mendes, que já adiantou o seu convencimento a respeito da matéria sub judice impede, no entanto, o julgamento ao não devolver os autos. E isso representa uma maneira de se denegar a Justiça.

Para o ministro, compete exclusivamente ao Congresso, não ao STF, legislar sobre reformas políticas e doações eleitorais. Com essa postura de reter autos ad aeternum, ou até o Congresso legislar, o ministro Mendes usa a função de magistrado para satisfação pessoal e esquece ser a administração da Justiça um monopólio do Estado e não dele.

Como ensinam todos os livros desde as primeiras linhas e sabem até os rábulas de porta de cadeia, veda-se ao juiz reter autos e emitir julgamento antecipado sobre matéria submetida à sua apreciação.

A Lei Orgânica da Magistratura (Loman), a respeito, estabelece, no seu artigo 35, e ao cuidar dos deveres do magistrado, o de “não exceder injustificadamente os prazos para sentenciar ou despachar”.
Numa apertada síntese, com tais posturas fica claro estar o ministro Mendes a usar a função para satisfazer a sua vontade e colocar-se como o juiz dos juízes.

2. Varões de Plutarco

Por cumprir o mandato de procurador-geral da República com zelo e probidade, Rodrigo Janot colecionou inimigos e passou, além da esperada pressão, a receber ameaça anônima, a arma da predileção dos covardes.

No momento, seus dois inimigos mais poderosos e declarados são Renan Calheiros e Eduardo Cunha, presidentes do Senado e da Câmara. Como os Varões de Plutarco estão sempre acima de qualquer suspeita, Calheiros e Cunha não aceitaram ter Janot requisitado, com base em delações premiadas, apurações sobre suas eventuais participações parasitárias no propinoduto da Petrobras.

Calheiros sabe permitir a Constituição da República, ao tratar da competência privativa do Senado, a exoneração do procurador-geral Janot, no curso do mandato e pela vontade da maioria absoluta: metade mais um dos senadores.

Por seu lado, Cunha explora o corporativismo e açula os seus pares, incluídos os tucanos. Ao se apresentar espontaneamente à CPI para ser ouvido, Cunha transformou a sessão pública em palanque direcionado a desacreditar Janot. Caso a competência privativa para a exoneração fosse da Câmara, a cabeça de Janot já teria rolado.

A dupla Calheiros-Cunha enfrenta, porém, um obstáculo. Nas manifestações de domingo 15, ao contrário do sucedido em junho de 2013, quando os parlamentares figuravam entre os alvos principais da repulsa, a indignação desta vez estava focada na presidenta Dilma e na corrupção. Com efeito, toda tentativa de se buscar, via Senado, a exoneração de Janot provocará manifestações por todo o País e os políticos dividirão com Dilma o opróbrio da condenação popular.

Por enquanto, Calheiros e Cunha terão de engolir Janot. Em setembro, data do término do primeiro mandato do procurador-geral, a dupla pressionará Dilma, a quem compete a escolha em lista tríplice apresentada por procuradores votantes. Até o mais moderno dos procuradores sabe que será Janot o cabeça da lista.

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quinta-feira, 26 de março de 2015

Contraponto 16.360 - " Fortes, o da lista do HSBC, era tesoureiro do PDSB . Mas 'podemos tirar, se achar melhor' "

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26/03/2015


Fortes, o da lista do HSBC, era tesoureiro do PDSB . Mas “podemos tirar, se achar melhor”


Tijolaço - 26 de março de 2015 | 17:53 Autor: Fernando Brito

fortes


Fernando Brito 


Faltou um “pequeno detalhe” nas matérias de O Globo e de Fernando Rodrigues, do UOL, sobre Márcio Fortes, o político tucano com depósitos no HSBC de Genebra, cujas contas secretas vazaram e estão sendo conhecidas a conta-gotas..

É que ele é descrito, genericamente, como “membro da Executiva do PSDB”.

Faltou dizer que era, especificamente, o tesoureiro nacional do partido, e não faz muito tempo.

Você pode conferir aí em cima na página do próprio PSDB, em dezembro de 2008, aliás numa reunião presidida pelo Sérgio 10 milhões pela CPI Gerra.
Se a conta fosse de João Vaccari, do PT, ele seria apresentado como tesoureiro ou “membro da Executiva”?

Manchete garantida no Brasil inteiro.

Marcio Fortes é tucano de quatro costados, foi presidente do BNDES e  – segundo a Agência Podemos Tirar Se Achar Melhor Reuters- era atuante na coleta de recursos para a campanha de José Serra, em 2010:
“Outros tucanos, com bom trânsito junto à iniciativa privada, devem atuar na arredação, entre eles Márcio Fortes (candidato a vice na chapa de Fernando Gabeira ao governo do Rio) e Eduardo Jorge (vice-presidente executivo do PSDB)”.

Detalhes, pequenos detalhes, que podemos tirar, se achar melhor.
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Contraponto 16.359 - "Globo sacrifica seus artistas para poupar seus políticos"

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26/03/2015

Globo sacrifica seus artistas para poupar seus políticos





A primeira desculpa de Fernando Rodrigues para não divulgar nomes da lista do HSBC é que não queria cometer injustiças. Por isso, selecionou poucas centenas de nomes – entre quase 8 mil – e remeteu para a Receita Federal, aguardando que ela escrevesse a reportagem, provavelmente. (!).

Na verdade, amarelou ao se deparar com nomes delicados e suas limitações jornalísticas impedirem de montar uma estratégia de divulgação politicamente palatável para os veículos de mídia.

Aí entra O Globo, que faz jornalismo enviesado mas, enfim, sabe fazer jornalismo.

O que interessa na lista é o embricamento entre crime organizado, lavagem de dinheiro e sistema político e financeiro brasileiro – os políticos e financistas que se aliaram no sistema de caixa 2 desde as incursões pioneiras de Marcelo Alencar com o Garantia, ainda nos anos 80, ou do Opportunity nos anos 90. É por aí que se levantará a aliança financistas-políticos-doleiros.

O resto é perfumaria.

O que O Globo vem fazendo – com Rodrigues a reboque – é aplicar o princípio do biquíni – de mostrar tudo, menos o essencial. Divulga com estardalhaço nomes ligados ao grupo ou à mídia, mostrando com isso isenção, aliás uma falsa isenção porque não há nada de mais significativo nas informações divulgadas, a não ser contas abertas e fechadas há décadas.

A primeira leva de nomes é de jornalistas e proprietários de veículos flagrados em contas não comprometedoras. Até Horácio de Carvalho – dono do Diário Carioca
– falecido há décadas, foi lembrado. Os demais eram titulares de contas já fechadas, muitos deles já falecidos. De novo, apenas Luiz Frias.

A segunda rodada foi com  personagens de grandes golpes com dinheiro público.

Na terceira rodada, enfia na relação de suspeitos seus artistas, usando como álibi para esse carnaval o fato de terem captado recursos através da Lei Rouanet. O que as denúncias insinuam? Que o dinheiro foi desviado para paraísos fiscais? A prestação de contas é tão severa que dois artistas que não deram conta do recado – Norma Bengell e Guilherme Fontes – tiveram suas vidas quase liquidadas.

Recorrendo ao álibi inicial de Rodrigues – de poupar inocentes -, qual a justificativa para colocar Tom Jobim, Jorge Amado e Paulo Coelho na lista de suspeitos, sabendo-se que são autores que recebem direitos autorais de todos os países do mundo? Ou então expor suas próprias estrelas à suspeita?

Se sonegaram, que paguem.


Mas o jornal os está remetendo ao altar de sacrifícios, com a suspeita de terem se apropriado indevidamente de dinheiro público, apenas para desviar o foco de personagens políticos e financeiros que certamente compõem a lista – já que existe uma relação ampla entre os nomes até agora divulgados e aqueles que constavam da CPI do Banestado.

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Contraponto 16.358 - "Tucanos e Globo: a serviço de estrangeiros para enfraquecer Petrobras?"

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26/03/2015


Tucanos e Globo: a serviço de estrangeiros para enfraquecer Petrobras?

petrobras-psdb
Consultor da ONU e economista disse que “forças locais” estão em parceria com interesses internacionais para exercer pressão sobre a estatal brasileira

O professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), consultor da ONU e economista Ladislau Dowbor, realizou avaliação em que sustenta que existe um ataque deliberado à estatal brasileira:
“Essas coisas têm que ser vistas num plano geopolítico. Fazem parte da mesma guerra que levou à invasão do Oriente Médio, às tentativas de desestabilização do governo da Venezuela, outra grande fonte de petróleo. No nosso caso, é o pré-sal que desperta interesse internacional”, diz Dowbor. “A Petrobras está num processo de pressão internacional que se apoia em forças locais.”
Pressão interna
O consultor não deu nome aos bois quando falou sobre forças locais, porém podemos entender que após a recentes pressões do senador Aécio Neves sobre o governo de Dilma Rousseff, em conjunto com empresas de mídia como a Rede Globo, possam ser os fatores internos que estejam trabalhando para enfraquecer e desestabilizar a Petrobras.
“Não são mecanismos de mercado que fazem cair o preço para a metade. Isso tem que ser visto pela área política, e não pela econômica. É um sistema especulativo planetário. É a mesma coisa que aconteceu com a degradação do grau de investimento (da Petrobras, em fevereiro). Faz parte de um ataque”, completou em entrevista à Rede Brasil Atual.

Confira toda a matéria aqui

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Contraponto 16.357 - "FHC, o marechal tucano dá o comando: sangrem Dilma para matar Lula!"

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26/03/2015

FHC, o marechal tucano dá o comando: sangrem Dilma para matar Lula!


Tijolaço - 26 de março de 2015 | 07:18 Autor: Fernando Brito

generalfhc



por Fernando Brito 


A entrevista de Fernando Henrique Cardoso à Folha – acho que a milésima que ele concede no mês – tem uma diferença das outras 999.

Lá no final, ainda que com a hipocrisia, o velho tributo do vício à virtude, ele abre seu pensamento:
“(…)vou dizer uma coisa arriscada: o Lula perde hoje. Hoje [se Dilma cai e fazem novas eleições], o Lula perde. Mas eu não penso eleitoralmente. Não vou dizer: ‘Então vamos fazer o impeachment porque o Aécio [Neves] ganha, o Geraldo [Alckmin] ganha, ou eu ganho‘. Tem que pensar o país. Não estou dizendo que nunca vai se chegar a tal ponto [do impeachment]. Não sei.”

Todo o resto da entrevista, da qual falo adiante,  segue um roteiro, mas neste momento FHC teve um um arroubo de sinceridade, deixa sair  – negando – a verdade.

Esta é a “conta” que sua mente faz: como chegar às eleições com um quadro que dê vantagem eleitoral aos tucanos e – de pasmar! – até a uma possível reencarnação do faraó das privatizações.
Todo o restante é a construção do cenário que deseja: uma Dilma fraca, uma coitada, pagando pelos erros de Lula – o alvo real – que vai de muletas até o fim do mandato, conduzida pelo Ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

O primeiro psicanalista que você encontrar na esquina dirá, lendo a entrevista, que Fernando Henrique transpõe o passado para o presente e o enxerga como uma repetição do que se passou em seu segundo mandato, onde o papel de Levy era desempenhado pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

Afora o ato falho de citar-se como candidato – que está mais para seus desejos que para uma estratégia – o que FHC deixa claro é que não fecha as portas para a aventura golpista e seus protagonistas:

Agora, quem está processando a Dilma por algo que ela fez? Não tem. Quer dizer que não venha a acontecer? Não sei. Estamos numa situação de ponto de interrogação. Dependemos do calor da rua, do avanço do processo judicial e da mídia.

Mas sua aposta é aquela que se apontou: a ingovernabilidade, a paralisia de Dilma, amarada a uma política econômica de austeridade que lhe desgaste e mantenha “as ruas” em estado de agitação e  enfraqueça Lula, mesmo que ele se mantenha afastado e até divergente disso.

O marechal do entreguismo é bom de estratégias. O que não o impede de, em certos momentos, ir ao armário, espanar a empoeirada faixa presidencial e devanear com as saudades do tempo em que existia.

Alguém viu, nas furiosas marchas do dia 15, onde atéo retorno da ditadura se pedia, algum cartaz dizendo “Volta, FHC”?
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Contraponto 16.356 - "Até os bispos apelam a Gilmar pelo fim das doações privadas"

Contraponto 16.355 - "Por que 40 países proíbem a doação de empresas a candidatos"

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26/03/2015


Por que 40 países proíbem a doação de empresas a candidatos



Publicado na BBC Brasil.

O debate sobre a necessidade de mudar o modelo de financiamento de campanhas no Brasil voltou a ganhar fôlego em meio as denúncias de que propinas cobradas em contratos da Petrobras acabavam irrigando partidos políticos e candidatos como doações oficiais de campanha.

A crescente preocupação com o assunto, porém, não é exclusividade do Brasil. Um monitoramento internacional sobre financiamentos de campanha em 180 países, realizado há quinze anos pelo Instituto Internacional pela Democracia e Assistência Eleitoral (Idea, na sigla em inglês), indica uma tendência mundial de aumento – ainda que lento – da restrição a doações empresariais.

A proposta de eliminar ou reduzir drasticamente o financiamento de campanhas por empresas não busca apenas atacar o problema da corrupção, observa o diretor da área de Partidos Políticos do Idea, Sam van der Staak. O princípio central que norteia essas medidas é a preocupação com a influência desproporcional que as empresas teriam sobre o Estado por causa dos volumosos recursos destinados a eleger políticos, seja no Executivo ou no Legislativo.

“Em todo o mundo, a política se tornou um negócio caro, em tal magnitude que o dinheiro é hoje uma das maiores ameaças à democracia”, afirma um relatório de janeiro do instituto.
Segundo Staak, o número de países que baniu completamente o financiamento por empresas cresceu levemente nos últimos quinze anos. Já a criação de limites para as doações “tem sido discutida de forma mais ativa em muitos países”, nota ele.

Propostas


No Brasil, o PT e os movimentos sociais estão à frente da proposta de proibir totalmente o financiamento por empresas – dessa forma as campanhas seriam bancadas exclusivamente por recursos públicos e pequenas doações de pessoas físicas.

Os números oficiais mostram que hoje as empresas são as principais financiadoras da disputa eleitoral no Brasil. Nas últimas eleições, partidos e candidatos arrecadaram cerca de R$ 5 bilhões de doações privadas, quase na sua totalidade feitas por empresas. Além disso, receberam no ano passado R$ 308 milhões de recursos públicos por meio do Fundo Partidário, enquanto o tempo “gratuito” de televisão custou R$ 840 milhões aos cofres da União por meio de isenção fiscal para os canais de TV.

No momento, o Supremo Tribunal Federal (STF) julga uma ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil questionando se a doação por empresas é constitucional. Dos onze ministros, seis já votaram pela proibição desse tipo de financiamento, no entanto, o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo em abril do ano passado e até hoje não proferiu seu voto, no que tem sido criticado como uma manobra para impedir a conclusão do julgamento antes que o próprio Congresso analise a questão.

O PMDB, que hoje tem a presidência da Câmara e do Senado, quer uma alteração menos radical desse modelo. Uma proposta apresentada pelo partido na semana passada sugeriu que empresas só possam doar diretamente a um único partido, mas sem indicar limitação de valores.
Outra proposta, encampada pelo Instituto Ethos e alguns cientistas políticos, prevê que as doações por empresas continuem sendo permitidas, mas que haja um teto baixo para essas transferências. O objetivo, com isso, é reduzir o poder de influência de cada financiador – já que haveria mais doadores transferindo valores semelhantes.

O Instituto Ethos foi criado para incentivar práticas socialmente responsáveis no setor privado. Ele tem 585 empresas associadas, entre elas grandes doadoras de campanhas eleitorais como os bancos Bradesco, Itaú e Santander, a construtora WTorre, a rede de frigoríficos Marfrig, e até mesmo empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato, como Camargo Corrêa e Odebrecht.

O instituto defende hoje a adoção de regras que limitem drasticamente as doações por empresas e mesmo a proibição nos casos de companhias que tenham contratos com governos ou sejam sócias de bancos públicos.

Se tal proibição existisse hoje, atingiria diretamente o grupo JBS, maior doador da campanha de 2014. Tendo o BNDES como sócio, o grupo destinou mais de R$ 350 milhões a diferentes políticos na eleição do ano passado e foi também o maior apoiador tanto da campanha da presidente Dilma Rousseff, como da de seu principal adversário, o tucano Aécio Neves.

“A eleição (brasileira) está virando quase que um plano de negócios de mercado”, afirma Jorge Abrahão, presidente do Instituto Ethos, fazendo referência a um instrumento do mundo corporativo usado para definir os objetivos de uma empresa e o que será feito para alcançá-los.

“Os estudos que fazemos indicam que a eleição a cada ano fica mais cara e o número de votos que os partidos recebem é proporcional aos recursos que eles ganham (de empresas). Na medida em que você limita (as doações), você vai diminuir o peso desse poder econômico”, acrescenta Abrahão.
Levantamentos dos jornais Folha de S.Paulo e Estadão com base nas milhares de declarações de candidatos ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) indicam que, em 2014, as doações privadas somaram cerca de R$ 5 bilhões no Brasil – quase o dobro do valor arrecadado em 2006 (R$ 2,6 bilhões, já atualizado pela inflação).

Sam van der Staak, do Idea, nota que as eleições brasileiras são relativamente caras. Segundo levantamento do instituto, o valor gasto em média por voto aqui (US$ 19,90) é cinco vezes maior do que no México (US$ 4,20) e o dobro do que na Costa Rica (US$ 9,60), países onde as doações de empresas são proibidas.


Pelo mundo


O banco de dados do Idea – organização intergovernamental que hoje tem status de observadora na ONU – revela que 39 países proíbem doações de empresas para candidatos, como México, Canadá, Paraguai, Peru, Colômbia, Costa Rica, Portugal, França, Polônia, Ucrânia e Egito. O mais novo integrante do grupo pode ser a Espanha, que atualmente estuda adotar a medida.

Outros 126 países permitem o financiamento de candidatos por empresas, como Brasil, Reino Unido, Itália, Alemanha, Noruega, Argentina, Chile, Venezuela e praticamente toda a África e a Ásia.
A proibição formal, porém, nem sempre impede que o capital corporativo encontre outras formas de influenciar o jogo político, nota Staak. Os Estados Unidos, por exemplo, proíbem doações diretas de empresas, mas como elas são autorizadas a fazer suas próprias campanhas a favor e contra candidatos, na prática os efeitos da restrição são nulos.

Tampouco a corrupção desaparece de uma hora para outra. Um relatório do instituto aponta que o número de infrações detectadas em doações políticas em Portugal cresceu fortemente desde o ano 2000, quando o país proibiu o financiamento empresas.

Em parte, isso é reflexo da fiscalização mais dura que também foi implementada no período, nota o documento. Mas, por outro lado, também observou-se o desenvolvimento de práticas para burlar as restrições às doações privadas, como lista de doadores fantasmas.

“A corrupção tem muito a ver com as atitudes culturais. Muitos países que são menos corruptos (como Noruega e Suécia), até recentemente, não tinha sequer muitas das leis necessárias para conter escândalos de financiamento político. As reformas devem, portanto, ter o objetivo de tornar mais difícil as doações irregulares e ficar sempre um passo à frente dessas práticas”, afirma Staak.

Defensor da proibição do financiamento por empresas no Brasil, o filósofo Marcos Nobre, reconhece que a medida não terminará com a corrupção no país como mágica, mas ainda assim defende sua adoção. “O que (a proibição) vai fazer é tornar a disputa eleitoral menos desigual e isso é bom para a democracia”, nota ele.

“Para evitar o crescimento do caixa 2 (doações ilegais), o fim do financiamento por empresas tem que vir acompanhado do fortalecimento do Ministério Público e da Justiça Eleitoral”, ressaltou.

Limite de doações


Já Cláudio Abramo – ex-diretor da Transparência Brasil, organização especializada em contas eleitorais – critica a proposta por considerar que ela inevitavelmente levaria ao aumento das doações ilegais e também por ver pouco espaço político para sua aprovação no Congresso.

Ele defende que a criação de limites baixos para as doações de empresas seria o melhor caminho para tornar o sistema político mais justo.

“É preciso atacar o problema principal do financiamento hoje, que é a inexistência de limites reais (ao financimento). Então, você tem uma desigualdade imensa entre os doadores de forma que alguns poucos ganham um poder de influência muito maior que outros doadores. A ideia seria limitar muito drasticamente a quantidade de dinheiro que cada grupo empresarial possa dar, reduzindo portanto a influência de cada um deles”, afirma.

O levantamento do Idea mostra que 55 países restringem de alguma forma os financiamentos, seja de empresas ou pessoas físicas.


(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).


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Contraponto 16.354 - "Lava Jato: o tucano morto e o que se finge de morto"


26/03/2015


Lava Jato: o tucano morto e o que se finge de morto


Tijolaço - 26 de março de 2015 | 08:46 Autor: Fernando Brito
hugohenrique


Fernando Brito

Uma das coisas que me enchem de esperança é a imparcialidade da mídia brasileira.

Ontem, seu herói Sérgio Moro, deixou publicar seu relatório em que, a respeito do suposto operador de propinas Fernando Baiano,  afirma textualmente: “com o levantamento do sigilo sobre os depoimentos da colaboração premiada de Alberto Youssef e de Paulo Roberto Costa, veio à luz informação de que teria havido pagamento de propina a parlamentares para obstruir as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobrás dos anos de 2009 e 2010″.

E os confirma, adiante, dizendo que há “prova de que ele teria intermediado o pagamento de propinas para obstruir o regular funcionamento de Comissão Parlamentar de Inquérito de 2009 e 2010, evidenciando risco à investigação e à instrução”.

É obvio que não se pode abrir inquérito sobre um morto, como é o caso de Sérgio Guerra.

Mas poderia ter, sozinho, Sérgio Guerra, “vendido” por R$ 10 milhões o “fim” da CPI da Petrobras?

Obvio que não, porque não tinha este poder.

Nos jornais não há uma palavra sobre o que aconteceu no dia 10 de novembro de 2009, quando foi “entregue a mercadoria”  pela qual se teriam pagos os R$10 milhões .

A foto aí de cima é daquele dia, quando o senador Álvaro Dias, sob o olhar matreiro e o mal contido sorriso de Guerra, anuncia que ele – autor do requerimento que criou a CPI – está desistindo da investigação, tal como Guerra e o outro oposicionista que a integrava, “senador filho do senador” Antônio Carlos Magalhães.

O argumento foi que não os deixavam investigar. E o fato é que ali se deu a consumação do crime de concussão praticado por Guerra ao pedir dinheiro para que a CPI não causasse problemas a quem estava roubando na Petrobras.

Mas, claro, Álvaro Dias não sabia de nada e apenas cedeu aos argumentos do colega  tucano, que apareceu na véspera em seu gabinete trazendo um bolo de rolo bem pernambucano e dizendo: “Alvaro, vamos terminar com esta CPI…”

“Tá bom, Serginho, amanhã eu anuncio isso e a gente bota a culpa no Governo”. Escuta, esse bolo de rolo aí é só para você?”

Dias está quietinho. Não fala, até porque ninguém pergunta, sobre como foi este episódio onde executou o ato que Guerra “vendeu”.

Dr, Janot, como o MP é a “esperança do Brasil”?

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Contraponto 16.353 - "Ex-tesoureiro de Serra e FHC cai no Swissleaks"

Contraponto 16.352 - “Se Janot não denunciar o Aécio nem abrir investigação, vou encaminhar denúncia ao Senado por crime de responsabilidade”

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26/03/2015


“Se Janot não denunciar o Aécio nem abrir investigação, vou encaminhar denúncia ao Senado por crime de responsabilidade”


Do Viomundo - publicado em 25 de março de 2015 às 21:18


janot e aécio



por Conceição Lemes


Na quinta-feira passada 19, os deputados Rogério Correia (estadual), Padre João e Adelmo Leão (federais), todos do PT de Minas Gerais, entregaram à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, provas para abertura de inquérito contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) nas investigações da Operação Lava Jato.

Aécio foi citado explicitamente na delação premiada do doleiro Alberto Youssef. Entre outras coisas, o doleiro disse “ter conhecimento” de que Aécio, na época em que era deputado federal, estaria recebendo recursos desviados de Furnas “através de sua irmã” (aqui e aqui). Também que Aécio operava a diretoria de Furnas “em comum acordo” com o PP, do ex-deputado federal José Janene, já falecido.

O esquema ao qual Youssef se refere é a Lista de Furnas, alvo de denúncia feita em 2012 pela procuradora Andrea Bayão, do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ), atualmente em Brasília. À época, ela já havia acumulado provas que justificavam a abertura de um inquérito, inclusive um laudo da Polícia Federal (PF) autenticando a lista.

No entanto, contrariando a recomendação dos procuradores responsáveis pelo caso, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, livrou Aécio de ser investigado na Lava Jato.

Mais surpreendente para os deputados petistas foi a alegação de que não havia indícios suficientes para abrir investigação contra Aécio.

Afinal, em 13 de fevereiro de 2014, eles foram pessoalmente ao gabinete de Janot entregar as provas do envolvimento de Aécio no caixa 2 de Furnas. Foi a primeira vez. Na semana passada, a segunda.
Entre os documentos entregues agora está uma notificação do jornalista Marco Aurélio Carone ao procurador-geral da República sobre a Lista de Furnas.

“Absurda a postura do PGR de nem ao menos abrir investigação”, diz, indignado, Carone ao Viomundo. “A delação de Youssef confirma a denúncia feita em 2012 pela procuradora federal Andrea Bayão.”

Na notificação (na íntegra, ao final), Carone requer a Janot que ofereça denúncia contra o Aécio Neves, de acordo com os inquéritos do mensalão tucano e a Lista de Furnas. Ou abra uma investigação como fez com outros envolvidos na Lava Jato.

“Se o PGR não cumprir o seu dever constitucional, vou encaminhar denúncia ao Senado por crime de responsabilidade, com base na lei 1.079, de 10 de abril de 1950, artigo 40”, observa Carone. “Isso pode abrir caminho para o pedido de seu impeachment.”


PRISÃO “FOI PARA SE GARANTIR DE QUE NÃO PUBLICARIA QUALQUER DENÚNCIA CONTRA AÉCIO”  

Desde cedo, todo mineiro aprende na escola. A bandeira do Estado, instituída em 1963, baseia-se na proposta pelos inconfidentes para a República que idealizavam em 1789. Um triângulo com a inscrição em latim, Libertas Quæ Sera TamenLiberdade ainda que tardia.

Entretanto, nos 12 anos de PSDB no governo de Minas Gerais, faltou liberdade, sobrou truculência.

A serviço de Aécio Neves (2003 a 2010) e Antonio Anastasia (2011 a 2014), a grande imprensa mineira foi amordaçada e jornalistas críticos aos desmandos tucanos, calados.

Alguns perderam emprego. Marco Aurélio Carone, do site Novo Jornal, além de ter equipamentos e documentos apreendidos, foi preso. Amargou cadeia de 20 de janeiro a 4 de novembro de 2014 e quase morreu devido a um ataque cardíaco.

O mesmo destino teve o controvertido lobista Nílton Monteiro, delator do mensalão tucano e da lista de Furnas. Permaneceu dois anos em prisão preventiva sem nenhuma condenação.
Carone, segundo a versão oficial, formava uma quadrilha junto com Monteiro, para disseminar documentos falsos, inclusive por meio de seu site, com o objetivo de extorquir acusados. O jornalista foi acusado de ser o relações públicas do esquema.

O bloco parlamentar  Minas Sem Censura (MSC) tem outra explicação: a prisão preventiva do jornalista era uma armação e tinha a ver com o chamado mensalão tucano e a Lista de Furnas no contexto das eleições de 2014, quando Aécio foi candidato à presidência da República.

Agora, a delação premiada do doleiro Alberto Youssef reforça a denúncia da Lista de Furnas, onde consta que o próprio Aécio teria recebido R$ 5,5 milhões em propinas. O deputado Rogério  Correia acrescenta: “É bom lembrar que, em 1998, ele já tinha recebido 110 mil de mensalão tucano de Marcos Valério, que hoje significariam em torno de R$ 400 mil”.

Diante disso, Carone protocolou em 12 de março no Ministério Público Federal em Belo Horizonte uma notificação  ao procurador-geral Rodrigo Janot, questionando a não abertura de inquérito contra Aécio.  O documento tem 18 páginas.

De saída, o jornalista relata a sua prisão e a acusação de “integrar uma quadrilha comandada por Nílton Monteiro, tratado como lobista e especialista em falsificação de documentos, entre eles a Lista de Furnas”. Carone frisa: “a sua prisão foi para se garantir de que não publicaria qualquer denúncia sobre o candidato Aécio Neves”.


carone petição 1

Carone diz que Janot  “não se movimenta” em relação aos inquéritos referentes a Aécio Neves, entre os quais o da Lista de Furnas.

carone petição 2
O jornalista diz também que, ao deixar de ao menos investigar Aécio na Lava Jato, Janot tem uma “atitude protecionista”.

carone petição 3
Finalizando, o jornalista requer que o procurador-geral ofereça denúncia contra Aécio Neves ou abra investigação, “sob pena de denúncia por Crime de Responsabilidade junto ao Senado Federal”.

Carone captura 4-001

“Se o PGR não cumprir o seu dever constitucional, não há outro caminho que não a denúncia ao Senado”, reforça Carone, arrematando.  “A lei é clara. Abre-se um inquérito, cria-se uma comissão processante que avaliará o caso. A decisão final cabe ao plenário.”


Contraponto 16.351 - "Brasil se torna 4º maior credor dos Estados Unidos"

Contraponto 16.350 - "Banco Mundial quer o fim do SUS no Brasil"


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.26/03/2015


Banco Mundial quer o fim do SUS no Brasil


Nota Crítica - publicado em 

SUS



O excelente artigo de José T. Carvalho publicado na Carta Maior comenta a respeito das investidas do Banco Mundial contra o Sistema Único de Saúde no Brasil.

Edição Nota Crítica – com informações de Carta Maior


Logo após a gestão de FHC, que havia se movimentado na direção da privatização, o Banco Mundial iniciou uma campanha contra o SUS para que o acesso do cidadão à saúde se transformasse de direito adquirido em prestação de serviço controlada por capitalistas globais.

O avanço em prol deste sistema capitalista atingiu o limite no governo de FHC, pois um passo maior naquela época já se cairia no risco de tornar o presidente impopular. Então medidas obscuras foram implantadas, como as Agências Autônomas de Regulação (AAR).

Essas AARs são entidades que tem por finalidade repassar atividades do Estado para organizações corporativas. Fornecimento de energia elétrica, serviço de telefonia, manutenção de estradas, entre outras, foram algumas áreas em que isso aconteceu no Brasil.

Visam também garantir a qualidade dos serviços públicos e preservar o equilíbrio econômico-financeiro, à margem dos interesses mais imediatos do Poder Público concedente.

Na prática, a prestação dos serviços que foram repassados para a iniciativa privada nas décadas passadas não chegaram sequer aos mínimos índices de excelência e aprovação do consumidor. Basta ver reclamações contra as empresas de telefonia e energia elétrica. Imagine se tivéssemos uma empresa como a “Oi” que administrasse a saúde no país?

Em 2003, o cenário político no Brasil mudou com a entrada do PT e impediu maiores avanços para total destruição do SUS.

A partir daí, o Banco Mundial assumiu as rédeas do ataque organizado e realizou publicações como o livro “Desempenho hospitalar no Brasil: em busca da excelência”, que aponta a incapacidade do sistema hospitalar brasileiro em apresentar em níveis de eficiência exigidos para atender a demanda,
Indicam como solução a privatização do sistema de saúde.

Leia artigo completo: As estratégias de destruir o SUS para mercantilizar a saúde
Com informações também de http://www.anpad.org.br/admin/pdf/enanpad2000-adp-443.pdf

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Contraponto 16.349 - "Só vou acreditar na lei anticorrupção quando um tucano graúdo for preso. Por Paulo Nogueira"

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26/03/2015


Só vou acreditar na lei anticorrupção quando um tucano graúdo for preso. Por Paulo Nogueira



Guerra e Aécio




Paulo NogueiraMontaigne conta, num de seus ensaios, que dois candidatos a um posto na Grécia Antiga debatiam publicamente.

Um deles fez um discurso longo, minucioso. Quando a palavra foi para o outro este, laconicamente, afirmou: “Vou fazer as coisas que ele disse.”

Ganhou.

As pessoas queriam menos palavras e mais movimento, mais ação.

É mais ou menos este meu sentimento diante da Lei da Corrupção apresentada, dias atrás, pelo governo.

Eu diria: o foco agora deveriam ser as ações, muito mais que as palavras.

Só vou acreditar nessa lei quando um tucano graúdo for preso, por exemplo.

Na Lava Jato, o único líder do PSDB realmente em situação complicada é um cadáver.

Há poderosas evidências de que o ex-presidente do partido, Sérgio Guerra, levou 10 milhões de reais para bloquear uma CPI da Petrobras, alguns anos atrás.

Se o presidente de um partido é seu símbolo máximo, eis aí um retrato pouco edificante do PSDB.
A posição do atual presidente tucano na Lava Jato, Aécio Neves, também não é exatamente confortável.

Para encurtar: fosse do PT, Aécio  fatalmente rumaria para a Papuda ou algum destino semelhante. Ou, pelo menos, estaria na Lista de Janot.

Youssef, o doleiro delator, disse, conforme mostra um vídeo publicado na semana passada, que Aécio dividia uma diretoria com o PP na estatal Furnas.

Por dividir, você deve entender o seguinte: metade do dinheiro desviado mensalmente ia para Aécio, e a outra metade para o PP, cujos deputados batem panelas e fazem inflamados discursos contra a corrupção.

Este Mensalão, disse Youssef, equivalia a 120 mil dólares. Quem operava para Aécio, pergunta um interrogador. Youssef fala na irmã de Aécio.

Todos sabem o papel vital de Andrea, como ela se chama, na vida de Aécio. No seu governo, era ela que administrava as verbas de publicidade oficiais.

Quem criticava Aécio ficava à míngua. E claro que, para os Neves, não havia uma afronta à ética em colocar recursos públicos nos produtos de mídia da família.

Com tudo isso, Aécio se livrou da lista.

E mesmo tendo no passivo infâmias como o aeroporto de Cláudio ele não fica vermelho ao posar como Catão e fazer virulentos discursos contra a corrupção, sempre com generosa cobertura da mídia amiga.

A melhor frase sobre o Brasil destes tempos foi pronunciada por um deputado do PSDB metido em alguma encrenca.

Com uma franqueza tonitruante, ele disse que, já que não é do PT, sabe que não será preso.

Alguém pode contestá-lo?

Então repito: só vou acreditar na lei anticorrupção quando terminar a imunidade dos tucanos – e um deles, vivo de preferência, der entrada numa cadeia.

Me segurei para não acrescentar o seguinte: e também quando um caso de sonegação como o da Globo for exemplarmente punido, como se faz em sociedades avançadas. (Por muito menos que o golpe da Globo o presidente do Bayern de Munique está preso.)

Mas não, aí já seria demais.

Sou sonhador, mas nem tanto.


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 Paulo Nogueira. Jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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PITACO DO ContrapontoPIG
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É difícil pois por mais evidente que sejam os crimes eles só são julgados e condenados depois de mortos.

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Contraponto 16.348 - "Dilma recebe apoio de governadores do Nordeste em reunião no Planalto"

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25/03/2015 

Dilma recebe apoio de governadores do Nordeste em reunião no Planalto

Eles se comprometeram a mobilizar bancadas para aprovar ajuste fiscal.'Gesto de solidariedade' à presidente foi ponto 'mais relevante', disse ministro.

G 1 - 25/03/2015 20h39 - Atualizado em 25/03/2015 21h52


Filipe Matoso Do G1, em Brasília


Presidente Dilma Rousseff se reúne no Palácio do Planalto com governadores de estados do Nordeste (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da República) 
Presidente Dilma Rousseff e vice Michel Temer se reúnem no Palácio do Planalto com governadores de estados do Nordeste (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da República)


Filipe Matoso Do G1, em Brasília

A presidente Dilma Rousseff recebeu nesta quarta-feira (25) uma manifestação de apoio dos nove governadores do Nordeste durante reunião no Palácio do Planalto, segundo relato do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB).

Eles também se comprometeram a pedir aos parlamentares das bancadas do Nordeste apoio às medidas de ajuste fiscal do governo que serão votadas pelo Congresso.

Os governadores entregaram a Dilma uma carta (veja íntegra ao final desta reportagem) na qual, segundo Coutinho, afirmam o "compromisso com a democracia" e dizem que Dilma ganhou a eleição presidencial "de forma limpa" e "deve governar".

"Não podemos concordar que o legítimo exercício do direito de oposição e de livre manifestação seja confundido com teses sem qualquer amparo na Constituição Federal, e que dificultam o pleno funcionamento das instituições brasileiras", diz o texto da carta.

O ministro da Casa Civil, Aloízio Mercadante, afirmou que o "gesto de solidariedade e apoio à presidenta" foi o ponto "mais relevante" da reunião.

"Na reunião, tratamos da agenda política. A presidente foi bem clara, e os nove governadores expressaram em uma carta seu compromisso com a democracia, que pressupõe regras claras: que quem ganhou a eleição, de forma limpa, deve governar. Não se pode alterar regras no meio do mandato em razão de alguns percalços que porventura possam vir a ocorrer, sejam na economia, sejam em outro setor", declarou Ricardo Coutinho, que falou em nome dos nove governadores.

Além de Coutinho, participaram do encontro os governadores de Alagoas, Renan Filho (PMDB); do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB); do Piauí, Wellington Dias (PT); de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB); do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD); do Ceará, Camilo Santana (PT); de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB) e da Bahia, Rui Costa (PT).

"Expressamos à presidente e nos colocamos na carta como agentes da construção do amplo entendimento nacional. O Brasil precisa construir diálogos, pontes entre os poderes Legislativo, Executivo e a sociedade. Nós não podemos acirrar diferenças neste momento. É fundamental apostar nas convergências, e os governadores do Nordeste têm essa visão", declarou Coutinho.

Ajuste fiscal

Ao defender as medidas de ajuste fiscal, Ricardo Coutinho ressaltou que os governadores do Nordeste procurarão as bancadas no Congresso Nacional para pedir que os parlamentares votem favoravelmente às propostas.

Para ele, "não interessa a posição política" dos deputados e senadores, pois "ninguém quer o desequilíbrio fiscal do país nem o desequilíbrio político do país".

“Cada governador precisa dialogar com suas bancadas, explicar algumas coisas e tem alguns exemplos claros de situações que acontecem e quem paga pela situação não é quem governa – até porque se fosse seria muito bom –, quem paga é o povo”, disse.

Na avaliação de Ricardo Coutinho, o governo precisa ter "muito cuidado" ao realizar o ajuste. "Por isso, nós estamos confiando no governo federal e na presidenta Dilma", acrescentou.

Ao destacar que Dilma defendeu o ajuste fiscal do governo, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, voltou a dizer que é preciso reduzir ainda mais os gastos, a fim de se reequilibrar as contas públicas. “Mesmo que você corte ministérios, você cortará os cargos de ministros e alguns cargos associados, e isso não resolve o problema fiscal no país. O que resolve é o contingenciamento dos recursos”, afirmou.

Reivindicações

A carta entregue à presidente pelos governadores apresenta ainda cinco reivindicações, entre as quais pedido abertura para novos financiamentos; continuidade dos investimentos federais nos estados por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa, Minha Vida; investimentos na saúde, ações de combate à seca; e unificação dos sistemas de segurança pública.

O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, disse que alguns pedidos apresentados pelos governadores nordestinos foram considerados por Dilma "inegáveis”, como a construção de adutoras de água e reorientação de caminhões-pipa para garantir o fornecimento de água a populações atingidas pela seca no semiárido.

Carta governadores parte 1 (Foto: Reprodução)
Carta governadores parte 3 (Foto: Reprodução)
Carta governadores parte 2 (Foto: Reprodução)