sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Contraponto 15.196 - "Pizzolato: justiça italiana alegou três razões para não extraditá-lo"

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31/10/2014

 

Pizzolato: justiça italiana alegou três razões para não extraditá-lo 

 

Tereza Cruvinel - 30/10/2014

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Tereza CruvinelImprensa brasileira só tem falado em uma.

Foram três as alegações da justiça italiana para negar a extradição de Henrique Pizzolato para o Brasil mas a grande imprensa só tem se referido a uma delas, as péssimas condições dos presídios brasileiros, que apresentariam “risco de o preso receber tratamento degradante”.

 As outras duas têm a ver com as anomalias do julgamento da Ação Penal 470, a do mensalão mas têm sido omitidas.  Os magistrados italianos apontaram também o fato de não ter sido observado, no julgamento de Pizzolato pelo STF (bem como para os demais réus) o direito universal ao duplo grau de jurisdição e a ocorrência de omissão de provas apresentadas pela defesa.

Como qualquer um sabe, não houve duplo grau de jurisdição porque o julgamento foi transferido para o Supremo Tribunal Federal em função do foro especial para os que tinham mandato eletivo.

O tribunal negou o pedido de desmembramento para o julgamento daqueles que, não tendo direito ao chamado foro privilegiado, poderiam ser julgados inicialmente por instâncias inferiores, podendo recorrer depois às superiores, chegando ao próprio Supremo.

Já a referência à omissão de provas da defesa diz respeito a uma das maiores anomalias do julgamento: a não inclusão, nos autos da Ação Penal 470, do inquérito 2474. Nele, a defesa de Pizzolato apresentou provas de que os serviços contratados à agência DNA para divulgação dos cartões Ourocard bandeira Visa foram efetivamente realizados. Os famosos R$ 71 milhões de reais transferidos do fundo Visanet para a agência de Marcos Valério destinavam-se, segundo a acusação (Ministério Público e Joaquim Barbosa) a abastecer o valerioduto e dele serem distribuídos aos chamados “mensaleiros”.

 Pizzolato teria reapresentado à justiça italiana documentos sobre a veiculação de peças publicitárias dos cartões nas grandes emissoras de televisão do Brasil, em grandes revistas nacionais, sobre a realização de campanhas de mobiliário urbano (shoppings, placas de rua, outdoors etc) e até de patrocínios a eventos, entre os quais um encontro de magistrados na Bahia. Como o inquérito 2474 ficou fora do processo principal (e seria preciso saber onde está trancado no STF), tais documentos não foram acessados pelo conjunto dos ministros nem pela defesa de outros réus.

Segundo um advogado que atuou na defesa de outro réu, Pizzolato levou consigo um grande volume de documentos de defesa quando fugiu do Brasil. Vinha se preparando para isso há alguns meses e municiou-se. Eles teriam sido mais determinantes que as condições dos presídios brasileiros para que ele obtivesse a recusa da extradição e a liberdade de que agora desfrutará na Itália, onde tem a segunda cidadania.

Das três alegações da justiça italiana, a imprensa brasileira só tem mencionado uma. Por que será?
Tereza Cruvinel atua no jornalismo político desde 1980, com passagem por diferentes veículos. Entre 1986 e 2007, assinou a coluna “Panorama Político”, no Jornal O Globo, e foi comentarista da Globonews. Implantou a Empresa Brasil de Comunicação - EBC - e seu principal canal público, a TV Brasil, presidindo-a no período de 2007 a 2011. Encerrou o mandato e retornou ao colunismo político no Correio Braziliense (2012-2014). Atualmente, é comentarista da RedeTV e agora colunista associada ao Brasil 247. 

Contraponto 15.195 - "Perdeu, playboy: a nova derrota do neoliberalismo no Brasil"

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31/10/2014

 

Perdeu, playboy: a nova derrota do neoliberalismo no Brasil


 
 
 
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De certo ponto de vista, a eleição presidencial que ora se encerra não trouxe tantas novidades ao panorama político nacional.

De um lado, seguir num rumo já traçado, com ajustes de percurso. Do outro, discurso “mudancista” que não significa, rigorosamente, mudança alguma: remoção do “malfeito”, ampliação do “bem feito” e continuação do “muito bem feito”.

As redes sociais ferveram, mais do que os próprios partidos, confirmando uma tendência das últimas eleições. Nelas se deram alguns importantes enfrentamentos, remetendo em alguma medida ao clássico conflito político entre os mais conservadores, de um lado, flertando abertamente com uma direita raivosa, e os menos conservadores, do outro, abrigando naturalmente os setores progressistas da sociedade.

Não que a política brasileira ainda se dê exatamente nos quadros do populismo de outrora. Mas o que tornou possível a emergência do fenômeno populista encontra-se ainda hoje presente, a saber, uma enorme e abjeta desigualdade social.

Nem mesmo os folclóricos “coxinhas” representaram, rigorosamente, algo inédito. Oligofrênicos por formação e opção, eles já haviam marcado presença nos acontecimentos de 1964, seja cerrando fileiras com a TFP nas famosas marchas, seja despejando sem dó nem piedade em ouvidos alheios as teses do IPES, o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, seja ainda vociferando contra populistas e trabalhistas as diatribes de algum artiguete ou editorial mais fresquinho.

Talvez a maior novidade dessas eleições tenha sido o aparecimento em número impressionante, para seus padrões, de algo com até então pouca tradição e densidade cultural por estas bandas: os jovens neoliberais brasileiros.

Eles inclusive foram às ruas, em um ou outro momento, para fazer coro com os que gritavam palavras de ordem contra a “presidente terrorista”, o “partido que está afundando o Brasil” e os “regimes comunistas de Cuba e Venezuela”.

Mas as ruas não são seu ambiente preferido. É mais fácil encontrá-los nas faculdades (públicas e privadas), nas empresas (normalmente em cargos de gerência, se de pouca sorte, ou de direção, se assim aprouver aos pais ou parentes, quando proprietários) e até em gabinetes de agentes públicos (prefeitos, secretários e governadores).

Sua atuação mais engajada deu-se nas redes sociais. Era comum vê-los “trolando” em blogs e sítios considerados progressistas ou esquerdistas, normalmente com identificações (“fotinhos”) que remetiam a instituições ou teóricos vinculados ao (neo) liberalismo.

Egressos de “cursinhos walita”, repetiram a torto e a direito um jargão econômico próprio das escolas (neo)liberais, convictos de que sua profissão de fé lhes garantia um certificado de cientificidade absoluta. Membros zelosos de um credo que era a grande modinha do século XIX, dispensavam-se de apresentar demonstrações convincentes para seus argumentos, talvez por achá-los por demais evidentes.

Assim como os grandes patriarcas da sua religião haviam feito no passado, se os eventos da vida social revelavam incongruências com a teoria, culpavam a impaciência humana pela não chegada de um futuro radiante; um futuro sempre hipostasiado, vale lembrar, mas seguramente redentor.
O neoliberalismo não é nenhum recém-nascido. Ele surgiu como um movimento teórico, político e ideológico de contestação frontal e radical às sociedades do capitalismo avançado do segundo pós-guerra, marcadas por intervenção estatal na economia, políticas redistributivas e alguma harmonização das relações entre classes, tudo isso num contexto maior de crescimento econômico e redução das desigualdades sociais. O Estado do Bem-estar Social é a expressão máxima desse período, os “anos dourados” do capitalismo (1945-1973).

Seu “manifesto de lançamento” é a obra “O Caminho da Servidão”, de Friedrich Hayek, publicado na Inglaterra, em 1944. Hayek era austríaco de nascimento e migrou para a Inglaterra, em 1931, aceitando o convite que lhe fora feito por Lionel Robins para lecionar na London School of Economics e, desse modo, fortalecer as barreiras liberais contra as investidas das teorias mais favoráveis à intervenção do Estado na economia.

A Grande Depressão mostrava então todo seu horror e o tiro de misericórdia na teoria econômica liberal viria pouco depois, com o surgimento e rápida ascensão do keynesianismo. De fato, A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, de John Maynard Keynes, publicada em 1936, oferecia respostas muito mais críveis e passíveis de aplicação relativamente aos graves problemas econômicos e sociais da época.
 
Hayek teve a perseverança típica dos que acatam uma derrota sem, contudo, aceitá-la como eterna. Incapaz de vencer Keynes em campo aberto do “capitalismo organizado” e de um Welfare State já em formação, tratou de organizar uma aguerrida resistência. Convocou, em 1947, para a estação suíça de Mont Pèlerin, sob generosos patrocínios de empresários abastados, um encontro de notáveis intelectuais de ambos os lados do Atlântico, todos inimigos declarados do Estado social europeu e do New Deal norte- americano.

Além do próprio anfitrião, estiveram lá homens como Karl Popper (notabilizado por seus vitupérios contra Hegel em “A Sociedade Aberta e seus Inimigos”), Milton Friedman (que viria a se tornar bastante conhecido não só dos norte-americanos, com seu “Capitalismo e Liberdade”, como também dos latino-americanos, pela formação de sucessivas levas de economistas, os chamados Chicago boys) e ninguém menos que Ludwig von Mises, antigo mentor do próprio Hayek e provavelmente o mais duro e intransigente liberal do século XX.

Desse encontro resultaria a criação da Sociedade de Mont Pèlerin, espécie de seita neoliberal altamente organizada e ramificada, com a missão de promover o combate sem tréguas ao intervencionismo, às políticas sociais e ao próprio caráter “organizado” do capitalismo. Se os socialistas já contavam há décadas com algumas internacionais, nascia naquele momento a Internacional Liberal. Hayek foi escolhido pelos seus pares como seu primeiro presidente, e “reinou” absoluto entre 1947 e 1961.

Hayek
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Sob sua batuta, a organização recém-criada dedicar-se-ia sistematicamente a promover encontros periódicos e, sobretudo, exercer influência sobre governos, burocratas, intelectuais em geral e a própria opinião pública.

Mais do que isso, a Sociedade de Mont Pèlerin viria a servir de “espelho” para diversos think tanks com a mesma matriz ideológica, criados em profusão a partir dos anos 1950, sobretudo no eixo anglo-saxônico do capitalismo. Por ironia, e não sem contradição, esse movimento de resistência neoliberal confirmaria, por analogia, uma máxima de Karl Polanyi em sua obra “A Grande Transformação”: enquanto o keynesianismo e o intervencionismo foram medidas práticas, adotadas pelos governos para conter a Grande Crise e retirar a economia e a sociedade da prostração, o neoliberalismo foi organizado e planejado.

A desregulamentação das economias e a consequente libertação do grande capital financeiro das amarras estatais, a partir dos anos 1970, minaram a continuidade virtuosa das políticas keynesianas e redistributivas. Posteriormente, o fim da Guerra Fria, com a dissolução do bloco soviético, concedeu ao neoliberalismo um caráter triunfalista e a chance de uma expansão inaudita.

Nesse contexto totalmente reformulado, o keynesianismo, a social-democracia clássica e o próprio Welfare State não foram páreos para os gurus neoliberais, Hayek à frente, seguido de Friedman.
Em seu “Institutos Liberais e Neoliberalismo no Brasil da Nova República”, Denise Gros descreve e analisa a teia de ligações entre os diversos think tanks liberais espalhados pelo mundo, bem como seus vínculos estreitos com grandes corporações e fundações privadas, não por acaso pródigas nas suas doações a esses organismos.

No Brasil, ao desembarque dessas instituições seguiu-se imediatamente a escolha da matriz (neo)liberal específica como eixo estruturante de ações, feita por seus mantenedores. O fato de que tal escolha tenha recaído sobre a chamada Escola Austríaca de Economia, reconhecidamente intransigente e avessa a qualquer igualdade produzida por intervenção estatal, por menor que fosse, é reveladora da natureza da direita empresarial nacional.

Reacionários como Mises, um dos grandes nomes dessa mesma escola e notabilizado por sua saudação ao fascismo europeu nos anos 1920, tiveram, enfim, seu momento de acolhida em terras tropicais.

Um debate entre o político Ciro Gomes e Rodrigo Constantino, um nome conhecido dos “cursinhos walita” neoliberais, já dava mostras do que a sociedade brasileira deveria aguardar. Acossado pelo ex-ministro sobre a existência factual de cartéis, oligopólios e mesmo monopólios que distorcem a “racionalidade” do sacrossanto mercado, o anedótico neoliberal saiu-se à la Mises: arguiu a célebre “soberania do consumidor”.

Teoria pobre, miserável intérprete. De todo modo, o recurso a Mises, desajustado spenceriano vivendo em pleno século XX, fornecia preciosa chave: o neoliberalismo tupiniquim já não se processava tão somente em cultos de determinadas “seitas”; aparecia publicamente, desavergonhado.
No fundo, no fundo, o neoliberalismo parece despertar ambiguidades, mesmo em seus oponentes. Ao mesmo tempo em que deve ser levado muito a sério, especialmente por suas deletérias consequências para as sociedades que, inadvertidamente ou não, o adotam, não deixa de ser risível enquanto pretenso campo do conhecimento.

A taxativa sentença “não há alternativa”, proferida pela confessadamente hayekiana Margaret Thatcher, contém um misto de cinismo e totalitarismo. Cinismo por razões óbvias, uma vez que é negada por todos os meios às classes subordinadas a chance de organizarem-se para resistir à investida neoliberal.

E totalitarismo porque, uma vez implantado o neoliberalismo, há uma tendência implacável para que toda e qualquer dimensão da vida social seja capturada por sua lógica estritamente mercantil. Espécie de versão tragicômica da atualidade mundial, o liberalismo revisitado das últimas décadas é o espírito deste tempo, a ideologia por excelência da acumulação capitalista mais brutal, geradora de imenso rastro de iniquidades sociais

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  . Doutorando em Ciências Sociais pela UFBA.
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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Contraponto 15.194 - "As versões dos fatos pela mídia tradicional antes e depois das eleições"

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30/10/2014 

 

As versões dos fatos pela mídia tradicional antes e depois das eleições


Muda Mais -  30/10/2014


Quanto tempo dura uma mentira? Para alguns setores da mídia tradicional, dura até o dia da eleição. Depois de confundirem os leitores por meses, passam a desmentir suas próprias versões dos fatos. Apenas quatro dias depois da eleição, já temos uma média de uma retratação por dia.

O Instituto Veritá surgiu nesta campanha, no segundo turno, sem nenhuma tradição nacional em divulgação de pesquisas de intenção de voto. Totalmente fora da curva dos demais institutos, como Vox Populi, DataFolha e Ibope, indicava o candidato do PSDB, Aécio Neves, quase dez pontos percentuais à frente de Dilma Rousseff. Sem questionar o surgimento e a credibilidade de tal instituto, a mídia tradicional simplesmente repercutiu os dados (link is external). Nesta quinta-feira (30), a Folha de S. Paulo denuncia as práticas enganosas usadas pela campanha do candidato Aécio Neves, que manipulou os resultados de uma das pesquisas do Instituto Veritá. Curioso a manipulação ter sido apurada e publicada somente agora.

Antes da eleição, também foi comprada fácil a tese de que o irmão de Dilma teria sido funcionário fantasma na prefeitura de Belo Horizonte. Aécio falou, virou manchete (link is external). Depois de encerrada a eleição, ocorreu aos jornalistas checarem a informação. E, supresa: descobriram que Igor é um ex-hippie que tem  um fusca e vive no interior de Minas Gerais. Foi funcionário exemplar e nunca se beneficiou do fato de a irmã ser presidenta da República.

O barulho nas vésperas da eleição foi feito pela revista Veja (link is external), que divulgou uma capa tão questionável que garantiu à coligação de Dilma  direito de resposta (link is external) concedido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mesmo assim, os veículos da mídia tradicional repercutiram com destaque a matéria caluniosa e sem comprovação da Veja. Apenas passada a eleição, o jornal Valor Econômico (link is external) publicou matéria que desmente a informação que virou planfeto na mão dos simpatizantes de Aécio no domingo do pleito. O advogado do doleiro Youssef, que teria afirmado que Lula e Dilma tinham conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras, afirma agora que o depoimento usado como base para a matéria nunca existiu.

Também se tentou vender a ideia de que o Bolsa Família é um programa eleitoreiro (link is external) e que os votos de Dilma vêm dos eleitores mais pobres (link is external), como se isso desqualificasse a presidenta. Nesta quinta-feira (30), dentro do que poderíamos chamar de semana da verdade, a versão se apresenta falha. Após a análise dos resultados, a coluna de Mônica Bergamo (link is external), na Folha de S. Paulo, afirma que: “A vitória de Dilma em áreas ricas de Minas Gerais contraria a tese de que só pobres votam no PT”. No site do jornal O Globo (link is external), descobrimos ainda que considerando o ganho de votos de Dilma entre o primeiro e o segundo turno e a sua relação com o Bolsa Família, “não houve qualquer associação”.

Não podemos esquecer da mudança de tom dos jornalistas William Bonner e Patrícia Poeta, no Jornal Nacional, ao entrevistar a candidata Dilma Rousseff e depois ao entrevistar a presidenta reeleita, no dia seguinte à eleição, quando foram bem mais polidos, sem a prática de interromper a entrevistada a cada 30 segundos. Essas mudanças não deveriam ser naturais para veículos de comunicação que se dizem isentos e se propõem a informar os cidadãos. Afinal, eles acabam por manipular pessoas, não informar.

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Contraponto 15.193 - "Vitória do PT, derrota da imprensa, marco regulatório e povo no poder"


  Brasil 247 -
Partido dos Trabalhadores ressuscitou. No decorrer dos quatro anos de Governo Dilma Rousseff, o PT foi transformado em carne moída, a alimentar o moedor da imprensa de negócios privados e a ser alvo constante de acusações provenientes do Congresso Nacional, por intermédio das lideranças do PSDB, do DEM, do PPS e até de alguns partidos de esquerda, que fizeram o jogo da direita, a exemplo do PSOL e, posteriormente, o próprio PSB, que abandonou a coligação de 25 anos para concorrer ao cargo de presidente da República com a candidatura de Eduardo Campos, morto em acidente de avião em Santos (SP) e substituído por sua vice, a ex-ministra do Meio Ambiente do Governo Lula, Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, partido que ainda não conseguiu se regularizar no TSE.

O partido mais importante do Brasil virou um saco de pancadas, inclusive de setores do Ministério Público, do Judiciário, bem como da Polícia Federal, especificamente ao que tange às alas tucanas e conservadoras dessas instituições, que, nos governos de Lula e Dilma, nunca sofreram interferências indevidas por parte do Executivo, além de receberem todo o apoio material, estrutural e de pessoal dos governantes trabalhistas, que no poder sempre demonstraram perfis de republicanos, e, com efeito, abriram as portas dos palácios para os movimentos sociais e populares.

Contudo, o PT, que incorreu em muitos erros e equívocos, afinal um partido é composto por homens e mulheres, passou a sofrer uma campanha negativa, sem trégua e água, por parte dos magnatas bilionários de imprensa e seus empregados como nunca se viu antes neste País. Nem mesmo os históricos presidentes trabalhistas Getúlio Vargas e João Goulart, a respeito do "mar de lama" do direitista Carlos Lacerda, conhecido também como o "Corvo", enfrentaram uma mídia tão poderosa e diversificada, como ocorreu com os petistas Lula e Dilma Rousseff.

Milhares de manchetes escandalosas, notícias depreciativas e repercussões de acusações e denúncias de corrupção, muitas delas vazias, pois sem provas e contraprovas, desaguaram nas portas do Palácio do Planalto como se fossem uma sequência de tsunamis, porque o propósito da máquina midiática comercial e privada e de seus cúmplices — as lideranças de direita na Câmara e no Senado —, bem como procuradores-gerais e juízes, a exemplo de Roberto Gurgel, Marco Aurélio de Mello, Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, dentre muitos outros, era, e ainda continua a sê-lo, a busca sistemática pela criminalização do PT, do Governo Trabalhista, de suas lideranças históricas e, evidentemente, efetivar o desgaste político de Lula e Dilma, dois presidentes populares de grande força ideológica e eleitoral.

O PT, acossado pelo bombardeio midiático e de setores poderosos do próprio Estado nacional, enfim, passou a reagir, até porque antes tarde do que nunca. Sua campanha e propaganda eleitorais deste ano significaram a ressurreição da agremiação de esquerda, que, porém, demorou de mais para se soerguer e se contrapor, com força, às acusações infundadas, porque as que foram comprovadas a Polícia Federal, nos governos trabalhistas, encarregou-se de investigar e prender, quando necessário, os corruptos e os corruptores do dinheiro público.

O sucesso das ações da PF foi confirmado, indubitavelmente, por intermédio dos altos índices e números de investigações, operações, repressões e prisões, no que concerne ao combate à corrupção e outros crimes combatidos pelas administrações petistas, que, apesar das falhas humanas, não varreram a sujeira para debaixo do tapete, como ocorreu nos governos tucanos de FHC, cujo procurador-geral da República foi apelidado de engavetador-geral. Sem comentários...

Contudo, a derrota do PSDB e de partidos traidores das causas populares, como o PSB, e de políticos cooptados pelo sistema de capitais, a exemplo de Marina Silva, não pertence somente aos tucanos.

Destaco que a Sonhática escancarou, definitivamente, as portas da direita partidária, do empresariado mais reacionário, do porte dos banqueiros, e do conservadorismo político e ideológico para ela entrar ao apoiar o candidato de direita, o tucano Aécio Neves. Marina está agora em seu devido lugar, e sua opção não tem volta. Marina é o Roberto Freire de saia. Sua escolha no segundo turno foi soberana, direito de cidadã livre, mas escolha grave, porque ela enterrou, sem qualquer apelação, seu passado de lutas populares. Ponto!

Os magnatas bilionários de imprensa e de todas as mídias cruzadas e seus capatazes perderam. São os principais derrotados dessas eleições. Uma derrota acachapante e retumbante, porque eles agem como se fossem sombras, como seres das penumbras ou dos lodos. Todavia, tais barões são covardes, porque brigam e lutam contra um partido político que não tem acesso aos meios de comunicação privados, que se transformaram em um partido político de direita e de extrema direita, sem, no entanto, serem legalizados para agirem dessa forma, em uma parcialidade que remonta a imprensa dos regimes ditatoriais em qualquer era ou época da história da humanidade.

Mais do que o PSDB e seus coligados, mais do que certos setores do MP, da PGR, do STF e de outros tribunais superiores, a imprensa corporativa e historicamente golpista é a maior derrotada. A imprensa das mentiras e das meias verdades, a imprensa da manipulação e dos escândalos de caracteres marqueteiros, das denúncias e das acusações não comprovadas — vazias. A imprensa de direita e ponta de lança dos interesses dos grandes trustes internacionais e aliada dos governos estrangeiros de países de DNA colonialista e imperialista. A imprensa hedonista e arrivista: a protagonista da derrota. Alvo de um nocaute emblemático, cujo ringue é a eleição presidencial de 2014.

Por isso se torna urgente a efetivação do marco regulatório para os meios de comunicação, que é constitucional. Além da reforma política, que vai proibir o financiamento privado de campanhas e, consequentemente, diminuir a corrupção, o marco regulatório não deixa também de ser uma reforma, apesar de sê-lo uma ferramenta de regulação e regulamentação de um setor econômico, que se considera acima da lei e dos interesses legítimos do povo brasileiro. Todo mundo sabe que os magnatas bilionários das mídias cruzadas vão berrar, chorar, mentir, dissimular e manipular essa questão tão cara ao Brasil e seu povo.

Entretanto, não há mais como o governo empurrar com a barriga a construção de um País mais justo, igualitário e democrático no que é relativo a esse setor econômico, que luta para não ser inserido no contexto social, a se submeter às leis e a responder por seus erros e acertos, e, quando cometer crimes, ser punido, como ocorre com outros segmentos da sociedade tementes à Lei.

O PT e o Governo Trabalhista devem a regulação das mídias — a Lei dos Meios ao Brasil. Ponto!

Salutar também, pois, com efeito, é a presidenta Dilma Rousseff não se "esquecer" do marco, porque não seria justo, à sociedade brasileira como um todo e aos militantes da democracia e das causas populares, que deram seus tempos e suas coragens para enfrentar o poderoso sistema midiático empresarial, além dos seus áulicos da perversidade e da iniquidade esparramados em todos segmentos da vida brasileira.

A vitória pertence ao PT, ao PCdoB, aos seus aliados políticos e eleitores do Brasil de almas democráticas e humanistas. A vitória também pertence aos combatentes e generosos blogueiros progressistas, que, aos milhares, realizaram contrapontos às versões de notícias e manchetes inúmeras vezes manipuladas pela imprensa empresarial e familiar, que foi desmentida prontamente quando necessário. Se não fosse a internet e o protagonismo dos blogs e sites "sujos", acredito que o candidato da direita, o tucano Aécio Neves, sairia das eleições como vencedor. A imprensa burguesa não fala mais sozinha. A vitória do PT e de Dilma retrata, sobretudo, a grandeza e o humanismo do povo brasileiro. O povo no poder! É isso aí.
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Contraponto 15.192 - "Marcelo Salles: O Brasil é maior que a Globo (ou “o povo derrotou o golpe midiático”)

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30/10/2014

 

Marcelo Salles: O Brasil é maior que a Globo (ou “o povo derrotou o golpe midiático”)


Do Viomundo - publicado em 30 de outubro de 2014 às 13:37


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O Brasil é maior que a Globo (ou “o povo derrotou o golpe midiático”)

Por Marcelo Salles (*)

Essas eleições entram para a História do Brasil como o momento mais nítido em que as corporações de mídia tentaram impor sua vontade ao povo. (Os destaques em verde negritado são do ContrapontoPIG) Mais do que em 1989, com a famosa edição do debate entre Lula e Collor. Mais do que em 2006, quando o foco do debate foi deslocado para pilhas de dinheiro expostas ad nauseam.

Em 2014 apostaram todas as fichas, e a contrário de outras vezes não o fizeram veladamente.

Assumiram seu papel de partido político de oposição, conforme conclamou Judith Brito, diretora-superintendente do Grupo Folha, vice-presidente da ANJ e colaboradora do Instituto Millenium.
Faltando 11 dias para o segundo turno do pleito, os institutos de pesquisa davam empate técnico entre os dois candidatos – Aécio Neves à frente 2 pontos, dentro da margem de erro.

Como resposta, a militância de esquerda foi às ruas, os movimentos sociais organizados reforçaram sua participação na campanha e a candidata à reeleição partiu para o enfrentamento nos debates. O mote era um só: comparar os governos tucanos e petistas, o que garantiu vantagem a Lula e Dilma em praticamente todos os setores. Se o oponente baixava o nível, a resposta vinha à altura.

Nos oito dias seguintes, Datafolha e Ibope registraram crescimento de Dilma. No primeiro, de 49% para 53%; no Ibope, de 49% para 54%. Enquanto isso, Aécio caiu de 51% para 46% (Ibope) e 51% a 47% (Datafolha). Dilma encerrou a campanha com vantagem de 6 a 8 pontos de vantagem, cenário praticamente impossível de ser invertido em 48 horas.

Aí surgiu a capa da revista Veja na sexta-feira, antevéspera do pleito, acusando, sem provas, Lula e Dilma de terem conhecimento de desvios na Petrobrás. De sexta até domingo a Veja atingiria algo entre 500 mil e 1 milhão de pessoas. A maioria das quais, no entanto, já tinham o voto decidido para Aécio. A capa da veja, por si só, merecia o repúdio na medida em que foi dado pela campanha do PT. A própria presidenta Dilma usou parte do tempo de propaganda eleitoral para denunciar a manobra da revista.

No entanto, foi o Jornal Nacional do sábado, véspera da eleição, o grande responsável pela interferência na vontade popular. No primeiro bloco, Dilma recebeu 5 minutos, com destaque no suposto medo de avião e nos problemas com a voz. Enquanto Aécio teve direito a 5’55’’ a apresentá-lo como alguém incansável, que trabalha durante o voo e aparece com a esposa e os filhos no colo (“um cara família”). Em outro trecho, as imagens saltadas em repetição durante comícios, com a bandeira do Brasil nas costas, revelam, como num filme de ação, um homem destemido que estaria preparado para conduzir o destino da Nação.

Logo no início do segundo bloco, o JN exibiu extensa reportagem sobre a capa da Veja. Aí, o que era de conhecimento de até 1 milhão de pessoas que já votariam Aécio, alcançou 30-40 milhões de pessoas, entre os quais um sem número de indecisos. Isto na véspera do pleito, sem que houvesse tempo para se organizar a estratégia de enfrentamento desse verdadeiro crime midiático. Como resultado, a vantagem de 6-8 pontos de Dilma caiu drasticamente, e quando terminou a apuração as urnas sacramentaram 51,5% x 48,5%.

O povo derrotou o golpe midiático e deu a vitória a Dilma. Agora o povo quer a democratização dos meios de comunicação, tarefa prioritária para o próximo governo. Até porque duvido muito que as forças progressistas vençam em 2018 se continuarem perdendo a batalha da comunicação.

(*) Marcelo Salles é jornalista.

Leia também:
Advogado nega depoimento de doleiro


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PITACO DO ContrapontoPIG


O rebanho globovino não percebe e não aceita que tenha havido uma tentativa de golpe midiático.

Lei de Meio, já. 

Ou o enfrentamento. O ponto vulnerável do PIG é o bolso, que permanece cheio com a publicidade governamental paga pelo povo.

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Contraponto 15.191 - " Sem internet, Aécio venceria eleição "

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30/10/2014


"Sem internet, Aécio venceria eleição"

 

Do Blog do Miro - quinta-feira, 30 de outubro de 2014

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Por Renato Brandão, na Rede Brasil Atual:
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Carro-chefe da editora Abril, a revista Veja lançada na última sexta-feira (24) divulgou como matéria de capa uma acusação de que a presidenta reeleita Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos do PT, tinham conhecimento de um esquema de corrupção na Petrobras. Sem apresentar qualquer prova, o conteúdo da reportagem era baseado em suposto depoimento do doleiro Alberto Youssef à Polícia Federal, que foi desmentido por seu advogado logo após a publicação.

Considerada a última “bala de prata” da oposição para tentar impedir uma nova vitória petista sobre os tucanos, a reportagem foi contestada duramente pela presidenta durante seu último programa eleitoral na TV na mesma sexta-feira. Ainda naquele dia, a Justiça considerou a publicidade da revista como “propaganda eleitoral” e também concedeu direito de resposta ao PT no site da revista.

Ainda assim, o estrago já estava feito. A campanha e simpatizantes do PSDB distribuíram panfletos com a capa impressa da revista da Abril em várias cidades do Brasil. Já na madrugada de sábado (25) para domingo (26), circulavam boatos de que Alberto Youssef havia sido envenenado, algo que teve de ser desmentido com rapidez pela Polícia Federal.

“Essa operação da Veja mostra que ela não é um órgão de comunicação, o que ela mostrou claramente é que ela é uma sala do comitê político do PSDB no Brasil. A revista operou de maneira a desinformar. Ela desinformou”, disse o sociólogo Sérgio Amadeu, doutor em Ciência Política pela USP. Comparando o caso à ação midiática que ajudou a decidir o pleito presidencial de 1989, com a eleição de Fernando Collor de Mello, Amadeu acredita que o plano da editora Abril só não se concretizou nas urnas pela existência da internet. “Existe hoje a internet, que não tinha naquela época. Então, se não houvesse a internet, certamente o candidato Aécio Neves tinha ganho a eleição.”  (Os destaques em verde negritado são do ContrapontoPIG

Para o cientista político, as redes sociais apontaram um acirramento muito grande e deixaram claro que “a linha política e o conteúdo discursivo das forças comandadas pelo PSDB” é baseada na “estratégia do cinismo”. Amadeu também defendeu uma reforma política para se alcançar uma legislação mais democrática dos meios de comunicação.

Qual foi a influência da capa da revista Veja às vésperas do segundo turno presidencial entre Dilma e Aécio?

A capa da Veja foi feita justamente para influenciar o resultado eleitoral. Ela normalmente está nas bancas no sábado, mas saiu na sexta-feira. E era uma capa para, inclusive, ser impressa, tanto é que a campanha do candidato Aécio Neves (PSDB) imprimiu essa capa justamente para manter aquele clima que eles criaram no Brasil de demonização do outro. O grupo Abril, em particular a revista Veja, já há muito tempo é organização que defende interesses econômicos a partir da gestão da política. Não há como dizer agora o quanto impactou, mas eles influíram claramente na votação de domingo, porque o Aécio conseguiu, a partir desse tipo de ação, crescer e encostar na candidata Dilma Rousseff no segundo turno das eleições.

Como o sr. avalia o papel da internet nessas eleições?

Uma coisa que chama atenção nesse processo é que essa operação já tinha sido feito nas eleições de 1989, com sucesso, mas não teve desta vez. E por quê? Porque desta vez – além das pessoas já conhecerem a manobra de grupos de comunicação misturadas à elite política econômica no caso da vitória do Collor – também existe hoje a internet, que não tinha naquela época. Então, se não houvesse a internet, certamente, o candidato Aécio Neves tinha ganho a eleição, porque era o candidato preferido pelos grupos econômicos, pelos banqueiros, pelo mercado de capitais. Inclusive oscilava a Bolsa e, se você for ver, é muito curioso, quando as pesquisas davam a Dilma crescendo, a Bolsa caía, o que mostra o humor desses especuladores financeiros. A internet foi decisiva para a garantia de um debate que não existiria se fossem apenas os meios de comunicação de massa atuando nessas eleições. Isso é bastante nítido no processo eleitoral que ocorreu em 2014.

E as redes sociais?

As redes sociais, em particular, tiveram um papel grande e mostraram, na verdade, um acirramento muito grande. Deixou claro, e é importante que tudo fica registrado, qual é a linha política e o conteúdo discursivo das forças comandadas pelo PSDB, que é baseada em preconceito, em mentira e numa estratégia que podemos chamar de “estratégia do cinismo”. Eles chegam a afirmar que nenhum corrupto ligado ao PSDB está preso ou foi julgado por incompetência do PT, o que é uma coisa completamente cínica. Esse tipo de ação, as pessoas não têm clareza de como vão lidar com isso. Agora, minha opinião é bastante clara: é preciso mostrar concretamente o que é o PSDB do ponto de vista da corrupção. É inaceitável que a bandeira da corrupção seja tomada por forças da corrupção. É inaceitável.

Não tenho nenhuma dúvida do aparelhamento que (governador de São Paulo) Geraldo Alckmin faz na Sabesp. Isso ficou nítido nas gravações mostrando que eles são capazes de ganhar a eleição, inclusive se for para deixar uma cidade em situação de calamidade. Nós temos que mostrar que eles são uma junção de descompromisso com a democracia, de má gestão de recursos públicos e de corrupção em larga escala, como foi feito em São Paulo. Réus confessos entregaram as provas e o Ministério Público não faz nada. Então, temos que ir para cima disso.

Temos que ir para cima do crime eleitoral cometido pela revista Veja, temos que exigir o julgamento do mensalão mineiro antes que ele prescreva e temos que mostrar toda a ligação que o PSDB tem com crime, com práticas absurdas. Não podemos aceitar. E não vai ser falando “pessoal, o clima de ódio é ruim”. Não. O clima de ódio só vai ser reduzido com argumentos verdadeiros e racionais. Não é pedindo paz e amor, não, mas colocando claramente para as pessoas, insistentemente, as falácias do discurso que eles reproduzem para o Brasil. A gente tem que ser muito claro com isso, porque disso depende a democracia, né?

O sr. acredita que o novo governo possa mudar artigos que dizem respeito à comunicação?

Eu acho que um dos principais pontos da reforma política para o Brasil é a reforma da comunicação. Essa operação da Veja mostra que ela não é um órgão de comunicação, o que ela mostrou claramente é que é uma sala do comitê político do PSDB no Brasil. A revista operou de maneira a desinformar. Ela desinformou. Ela já havia feito isso se ligando a um criminoso chamado Carlos Cachoeira e não aconteceu nada. O cara continua lá na sucursal de Brasília, não foi preso, não foi condenado. Nós precisamos mexer nessas estruturas de concentração econômica de poder, fazer uma reforma da comunicação, uma lei de meios, como a da Argentina. E nós precisamos também de uma reforma política que retire o poder do capital, que retire o financiamento privado de campanha, mas que permita também à gente avançar em questões cruciais da sociedade brasileira. Com uma Constituinte que não possa ser com estes deputados, que tenha que ser exclusiva. O deputado que quiser fazer essa Constituinte só poderá se candidatar para isso, para discutir as ideias e o futuro do país, e não para vir com esquemas que a gente sabe que eles articulam, de grandes corporações, de forças que bancam campanhas milionárias. Precisamos de uma reforma política com uma Constituinte exclusiva e, nesse contexto, uma reforma das comunicações.

Por que os partidos têm tido certa dificuldade em atingir os jovens na internet?

A internet não é contraposta aos partidos, mas é que a velocidade das comunicações e as relações intensas que existem na internet geram muitas dificuldades para os partidos, principalmente para legendas partidárias que são estruturas mais orgânicas. Por exemplo, o PSDB adotou e atuou como estratégia na internet, e não é de agora, de desconstruir seus opositores, no caso o governo federal e o PT.

E os tucanos fazem isso destilando preconceitos e coisas absurdas. Se for ver o que dizem dos nordestinos, dos gays e das opções políticas das pessoas, beira ao fascismo. Agora temos que ver o que os partidos que são propostas democráticas e de esquerda podem refazer utilizando a internet, mas é muito difícil fazer política só pelas estruturas partidárias. Hoje, está muito claro que não é só o partido o elemento que faz política. Há outras formas de se fazer política, inclusive com conexões, grupos e coletivos de ativistas na internet.
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Contraponto 15.190 - "Reino Unido aprova regulação da mídia!"

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30/10/2014

   

Reino Unido aprova regulação da mídia!

      

Cafezinho  -  postado em 30/10/2014



Por Miguel do Rosário

A pátria da liberdade da imprensa, o Reino Unido, mostrou ao Brasil e ao mundo que regular a mídia não é censura. É uma maneira de garantir a continuidade da própria liberdade.

Sem regulação, a imprensa e a mídia tendem a serem controladas por monopólios, golpistas e criminosos da informação, como aconteceu no Reino Unido, onde jornalistas e editores subornavam policiais para que espionassem cidadãos ingleses.

Aqui, a atividade criminosa da imprensa é rotina. A Veja usava Cachoeira, bandidão de Goiás, e Cachoeira usava a Veja.

E acabamos de testemunhar como Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, criminosos presos pela Polícia Federal, também entraram num jogo armado com a imprensa de oposição.

Não haverá editoriais contra o que agora já está claro que foi um crime: a “retificação” do depoimento de Alberto Youssef, para incluir os nomes de Lula e Dilma?

Não, não haverá, porque a imprensa brasileira é criminosa orgulhosa de seus crimes. Merval Pereira, por exemplo, fala na delação premiada como se nunca tivesse acontecido nada de errado.

E a notícia publicada ontem, discretamente, sobre a suspeita da PF de que tenha havido “armação” entre o advogado de Youssef e a Veja, não repercutiu. Como assim? O caso mobilizou o país, quase mudou os rumos da eleição, e a imprensa não quer saber?

Se não tem condições de fazer uma regulação da mídia imediata, o governo brasileiro tem de adotar iniciativas políticas imediatas que permitam, ao menos, a oxigenação do debate político.

É isso, ou terá dificuldades de governar.

É uma condição de sua própria sobrevivência.

Sobrevivência do governo e do próprio processo democrático.

*

No Jornal GGN.

Regulação da mídia é aprovada no Reino Unido

QUI, 30/10/2014 – 09:57
ATUALIZADO EM 30/10/2014 – 10:01

Jornal GGN – A rainha Elizabeth II sancionou ontem um sistema de regulação da mídia do Reino Unido, que vai submeter revistas e jornais britânicos a um órgão de fiscalização do governo que pretende coibir abusos. A discussão entrou em pauta depois que repórteres do jornal “News of the World” e de outros meios de comunicação tiveram acesso ilegal a ligações telefônicas de celebridades, políticos e vítimas de crimes. Os jornais ameaçam boicotar a medida. Vítimas de abusos da imprensa apoiam a solução. “A imprensa deveria aproveitar para mostrar que não teme ser submetida a padrões éticos decentes, e que tem orgulho de agir com responsabilidade com as pessoas para quem e sobre quem escrevem”.

Reino Unido aprova regulação da mídia

Do O Globo

Jornais não conseguem barrar medida em resposta a escândalo sobre escutas

Rebekah Brooks chega ao tribunal em Londres – Kirsty Wigglesworth / AP

LONDRES – Depois de países como Equador e Venezuela lançarem este ano medidas de controle da imprensa, foi a vez de o Reino Unido unir-se à polêmica. Dois dias após o premier David Cameron ameaçar censurar o “Guardian” pela publicação de documentos sigilosos sobre a espionagem no país, a rainha Elizabeth II sancionou nesta quarta-feira um sistema de regulação da mídia, que foi amplamente criticado por jornalistas locais. A iniciativa, apoiada pelos três principais partidos políticos britânicos, vem na esteira do escândalo de escutas telefônicas por jornalistas, e depois de os meios de comunicação verem seus esforços contra o controle rejeitados na Justiça.

A novidade deve sujeitar revistas e jornais britânicos a um órgão de fiscalização do governo com a função de coibir os abusos descobertos com o escândalo dos grampos – que revelou que repórteres do jornal “News of the World”, do magnata Rupert Murdoch, e de outros meios de comunicação, tiveram acesso ilegal a ligações telefônicas de celebridades, políticos e vítimas de crimes. Também torna mais fácil para as pessoas que se sintam atacadas pela imprensa terem suas queixas ouvidas, além de permitir ao órgão federal cobrar multas aos meios de comunicação.

“(A medida) vai proteger a liberdade de imprensa ao oferecer reparação quando erros forem cometidos”, defendeu o Ministério da Cultura, em comunicado.

Jornalistas locais argumentam que o órgão federal poderia ser usado por políticos para punir publicações das quais não gostam. Eles também reclamam que propostas sugeridas por eles foram ignoradas.

Ex-editores supervisionariam grampo

A guerra, porém, ainda não acabou. Várias publicações já ameaçaram boicotar o novo órgão. Outras consideram levar o tema ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Os meios de comunicação não são obrigados a se inscrever no novo marco regulatório, mas não está claro, até agora, como o impasse será resolvido.

- As chances de nos unirmos à interferência estatal é nula – disse Tony Gallagher, editor do jornal “Daily Telegraph”.

Já o grupo “Hacked Off”, que reúne pessoas que se sentiram atacadas pela mídia, elogiou a medida. “A imprensa deveria aproveitar para mostrar que não teme ser submetida a padrões éticos decentes, e que tem orgulho de agir com responsabilidade com as pessoas para quem e sobre quem escrevem”, disse num comunicado.

No mesmo dia, dois jornalistas foram acusados em Londres de supervisionar grampos telefônicos. Segundo a promotoria, Rebekah Brooks, ex-braço direito de Murdoch, e Andy Coulson, ex-chefe de imprensa do premier britânico, teriam supervisionado um sistema de escutas e de pagamentos ilegais a funcionários públicos quando eram chefes do “News of the World”. Ambos negam as acusações.

Ainda ontem, outros três jornalistas do extinto tabloide declararam-se culpados das denúncias relacionadas às escutas, nas primeiras confissões desde o início da investigação, em 2011.
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Reino Unido aprova regulação da mídia!

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A pátria da liberdade da imprensa, o Reino Unido, mostrou ao Brasil e ao mundo que regular a mídia não é censura. É uma maneira de garantir a continuidade da própria liberdade.
Sem regulação, a imprensa e a mídia tendem a serem controladas por monopólios, golpistas e criminosos da informação, como aconteceu no Reino Unido, onde jornalistas e editores subornavam policiais para que espionassem cidadãos ingleses.
Aqui, a atividade criminosa da imprensa é rotina. A Veja usava Cachoeira, bandidão de Goiás, e Cachoeira usava a Veja.
E acabamos de testemunhar como Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, criminosos presos pela Polícia Federal, também entraram num jogo armado com a imprensa de oposição.
Não haverá editoriais contra o que agora já está claro que foi um crime: a “retificação” do depoimento de Alberto Youssef, para incluir os nomes de Lula e Dilma?
Não, não haverá, porque a imprensa brasileira é criminosa orgulhosa de seus crimes. Merval Pereira, por exemplo, fala na delação premiada como se nunca tivesse acontecido nada de errado.
E a notícia publicada ontem, discretamente, sobre a suspeita da PF de que tenha havido “armação” entre o advogado de Youssef e a Veja, não repercutiu. Como assim? O caso mobilizou o país, quase mudou os rumos da eleição, e a imprensa não quer saber?
Se não tem condições de fazer uma regulação da mídia imediata, o governo brasileiro tem de adotar iniciativas políticas imediatas que permitam, ao menos, a oxigenação do debate político.
É isso, ou terá dificuldades de governar.
É uma condição de sua própria sobrevivência.
Sobrevivência do governo e do próprio processo democrático.
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No Jornal GGN.
Regulação da mídia é aprovada no Reino Unido
QUI, 30/10/2014 – 09:57
ATUALIZADO EM 30/10/2014 – 10:01
Jornal GGN – A rainha Elizabeth II sancionou ontem um sistema de regulação da mídia do Reino Unido, que vai submeter revistas e jornais britânicos a um órgão de fiscalização do governo que pretende coibir abusos. A discussão entrou em pauta depois que repórteres do jornal “News of the World” e de outros meios de comunicação tiveram acesso ilegal a ligações telefônicas de celebridades, políticos e vítimas de crimes. Os jornais ameaçam boicotar a medida. Vítimas de abusos da imprensa apoiam a solução. “A imprensa deveria aproveitar para mostrar que não teme ser submetida a padrões éticos decentes, e que tem orgulho de agir com responsabilidade com as pessoas para quem e sobre quem escrevem”.
Reino Unido aprova regulação da mídia
Do O Globo
Jornais não conseguem barrar medida em resposta a escândalo sobre escutas
Rebekah Brooks chega ao tribunal em Londres – Kirsty Wigglesworth / AP
LONDRES – Depois de países como Equador e Venezuela lançarem este ano medidas de controle da imprensa, foi a vez de o Reino Unido unir-se à polêmica. Dois dias após o premier David Cameron ameaçar censurar o “Guardian” pela publicação de documentos sigilosos sobre a espionagem no país, a rainha Elizabeth II sancionou nesta quarta-feira um sistema de regulação da mídia, que foi amplamente criticado por jornalistas locais. A iniciativa, apoiada pelos três principais partidos políticos britânicos, vem na esteira do escândalo de escutas telefônicas por jornalistas, e depois de os meios de comunicação verem seus esforços contra o controle rejeitados na Justiça.
A novidade deve sujeitar revistas e jornais britânicos a um órgão de fiscalização do governo com a função de coibir os abusos descobertos com o escândalo dos grampos – que revelou que repórteres do jornal “News of the World”, do magnata Rupert Murdoch, e de outros meios de comunicação, tiveram acesso ilegal a ligações telefônicas de celebridades, políticos e vítimas de crimes. Também torna mais fácil para as pessoas que se sintam atacadas pela imprensa terem suas queixas ouvidas, além de permitir ao órgão federal cobrar multas aos meios de comunicação.
“(A medida) vai proteger a liberdade de imprensa ao oferecer reparação quando erros forem cometidos”, defendeu o Ministério da Cultura, em comunicado.
Jornalistas locais argumentam que o órgão federal poderia ser usado por políticos para punir publicações das quais não gostam. Eles também reclamam que propostas sugeridas por eles foram ignoradas.
Ex-editores supervisionariam grampo
A guerra, porém, ainda não acabou. Várias publicações já ameaçaram boicotar o novo órgão. Outras consideram levar o tema ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Os meios de comunicação não são obrigados a se inscrever no novo marco regulatório, mas não está claro, até agora, como o impasse será resolvido.
- As chances de nos unirmos à interferência estatal é nula – disse Tony Gallagher, editor do jornal “Daily Telegraph”.
Já o grupo “Hacked Off”, que reúne pessoas que se sentiram atacadas pela mídia, elogiou a medida. “A imprensa deveria aproveitar para mostrar que não teme ser submetida a padrões éticos decentes, e que tem orgulho de agir com responsabilidade com as pessoas para quem e sobre quem escrevem”, disse num comunicado.
No mesmo dia, dois jornalistas foram acusados em Londres de supervisionar grampos telefônicos. Segundo a promotoria, Rebekah Brooks, ex-braço direito de Murdoch, e Andy Coulson, ex-chefe de imprensa do premier britânico, teriam supervisionado um sistema de escutas e de pagamentos ilegais a funcionários públicos quando eram chefes do “News of the World”. Ambos negam as acusações.
Ainda ontem, outros três jornalistas do extinto tabloide declararam-se culpados das denúncias relacionadas às escutas, nas primeiras confissões desde o início da investigação, em 2011.
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Contraponto 15.189 - "Os bastidores de como o jn deu o Golpe da Veja"

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30/10/2014

Os bastidores de como
o jn deu o Golpe da Veja


 Conversa Afiada - 30/10/2014



O jn ficou em dúvida: abater a Dilma com 32 ou 64 punhaladas.

Como se sabe, o ansioso blogueiro trabalhou na Rede Globo e deixa lá amigos diletos, leais e discretos.

Como se sabe, a Veja começou a surrupiar os votos indecisos da Dilma na quinta-feira quando montou a trampa que a Carta Capital denunciou.

A capa do detrito sólido de maré baixa foi postada na internet a partir de quinta-feira e não deu tempo de o jn tratar dela naquele dia.

Na sexta-feira, o jn também não deu nada: o que levou o Conversa Afiada a dizer que o jn amarelou, observação também da Fel-lha, que não se fez de rogada e também deu curso ao sórdido Golpe da Veja.

Tão sórdido quanto impune, como desconfiam o Janio de Freitas e o Fernando Brito.

Mas, no sábado, a edição do jornal nacional apunhalou Dilma pelas costas e reproduziu a capa da Veja, o que, para os eleitores indecisos, era a ratificação do que tinham visto nas redes sociais.

Como denunciou o Azenha, o jn fez o que o blogueiro ansioso não se cansa de dizer: transformou o detrito sólido de maré baixa em Chanel #5.

Mas, poderia ter sido muito pior, amigo navegante.

Muito pior.

Aquele passarinho saiu de Brasília e pousou na varanda aqui de casa, num galho da jabuticabeira cheia de bolinhas pretas, irresistíveis.

Pousou e contou:

- Amigos da Presidenta Dilma souberam que o jn ia dar a capa da Veja enrolada numa “matéria” sobre a “liberdade de imprensa”- ou seja, para condenar a manifestação na porta do prédio da Editora Abril;

- Os amigos ponderaram que, em nome de algum verniz de imparcialidade, seria conveniente mostrar que a Presidenta Dilma, em Porto Alegre, condenou veementemente a manifestação;

- E mais, que a Presidenta Dilma, no horário eleitoral de sexta-feira de manhã, tinha repelido a matéria da Veja como “terrorismo” que seria punido com ação judicial;

- Os amigos da Presidenta Dilma falaram com dois super-chefes do jornalismo da Globo: um homem e uma mulher;

- a mulher foi a mais enfática defensora da tese de incluir as duas “falas” da Presidenta;

- o homem aceitou o acordo e “não rompeu a corda”, me disse o passarinho textualmente, depois de saborear uma jabuticaba.

- aí, o ansioso blogueiro perguntou: mas, e os filhos do Roberto Marinho, aqueles que não tem nome próprio ?

- “Não há o menor indicio de que tenham participado da negociação”, foi a reposta.

 

 

 

 

 

 

 

Navalha

 


Não têm nome próprio e não mandam.

Ah, se o Dr Roberto soubesse disso …

Em tempo: como se vê, o estrago que o jn nacional amancebado com a Veja poderia fazer … fez.
Talvez por isso, o “homem” da direção do jornalismo tenha sido tão “generoso”…
Porque com a Globo é assim: a Dilma será apunhalada pelas costas, sempre: com 32 ou 64 facadas.

Foi com 32 …

Em tempo2: pensando bem … No caso, se o “homem” e a “mulher” resolvessem escancarar a parcialidade e abater a Dilma com 64 punhaladas (pelas costas) ficaria tão falso que comprometeria a “credibilidade”. Se é que se pode empregar essa palavra no mesmo ambiente em que respira o jn …

 Paulo Henrique Amorim
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Contraponto 15.188 - "Advogado de Youssef confirma armação de Veja"

Reportagem do jornal Valor Econômico, publicada nesta quinta-feira, revela algo escandaloso: o "depoimento" do doleiro Alberto Youssef que ancora a chamada "Eles sabiam de tudo", sobre Lula e Dilma, simplesmente não existiu.

Foi uma invenção de Veja, que atentou contra a democracia, tirou cerca de 3 milhões de votos da presidente Dilma Rousseff e, por pouco, não mudou o resultado da disputa presidencial, ferindo a soberania popular do eleitor brasileiro.

Quem afirma que o depoimento não existiu é ninguém menos que o advogado Antônio Figureido Basto, que representa o doleiro. "Nesse dia não houve depoimento no âmbito da delação. Isso é mentira. Desafio qualquer um a provar que houve oitiva da delação premiada na quarta-feira", disse ele.

Basto também nega uma versão pró-Veja que começou a circular após as eleições – a de que Youssef teria feito um depoimento e depois retificado. "Não houve retificação alguma. Ou a fonte da matéria mentiu ou isso é má-fé mesmo", acusa o defensor de Youssef.

Com isso, a situação de Veja torna-se delicadíssima. No fim de semana, a publicação passou por uma das maiores humilhações de sua história, ao ser obrigada a publicar um direito de resposta contra um candidato – no caso, a presidente Dilma Rousseff – em pleno dia de votação.

Agora, a revista pode ser condenada a circular neste próximo fim de semana com uma capa e páginas internas, também com direito de resposta. A decisão está nas mãos do ministro Teori Zavascki, que pode decidir monocraticamente – ou levar a questão ao plenário do Supremo Tribunal Federal. Mas mesmo no plenário Veja tende a perder. Afinal, como os ministros justificariam o direito de informar uma mentira, com claras finalidades eleitorais e antidemocráticas?

Veja cometeu um atentado contra a democracia brasileira, que envergonha o jornalismo, e este crime é apontado pelo próprio advogado do doleiro Youssef. Os responsáveis diretos são: Giancarlo Civita, controlador da Abril, Fábio Barbosa, presidente da empresa, e Eurípedes Alcântara, diretor de Redação de Veja.

Abaixo, reportagem do Valor Econômico sobre o caso:

Advogado de Youssef nega participação em 'divulgação distorcida'

Por André Guilherme Vieira | De São Paulo
 
O advogado que representa Alberto Youssef, Antonio Figueiredo Basto, negou envolvimento na divulgação de informações que teriam sido prestadas pelo doleiro no âmbito da delação premiada, sobre o conhecimento de suposto esquema de corrupção na Petrobras pela presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Asseguro que eu e minha equipe não tivemos nenhuma participação nessa divulgação distorcida", afirmou ao Valor Pro. A informação de que Dilma e Lula sabiam da corrupção na Petrobras foi divulgada na sexta-feira passada pela revista "Veja".

No mesmo dia, o superintendente da Polícia Federal (PF) no Paraná, delegado Rosalvo Ferreira Franco, determinou abertura de inquérito para apurar "o acesso de terceiros" ao conteúdo do depoimento prestado por Youssef a delegados da PF e a procuradores da República.

"Acho mesmo que isso tem que ser investigado. Queremos uma apuração rigorosa", garante Basto, que já integrou o conselho da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). "Eu não tenho nenhuma relação com o PSDB. Me desliguei em 2002 do conselho da Sanepar [controlada pelo governo do Estado]. Não tenho vínculo partidário e nem pretendo ter. Nem com PSDB, nem com PT, nem com partido algum", afirma. O Paraná é governado por Beto Richa desde janeiro de 2011. Ele foi reconduzido ao cargo no primeiro turno da eleição deste ano.

A reportagem menciona que a declaração de Youssef teria ocorrido no dia 22 de outubro. "Nesse dia não houve depoimento no âmbito da delação. Isso é mentira. Desafio qualquer um a provar que houve oitiva da delação premiada na quarta-feira", afirma, irritado, Basto. O advogado diz ser falsa a informação de que o depoimento teria ocorrido na quarta-feira para que fosse feito um "aditamento" ou retificação sobre o que o doleiro afirmara no dia anterior: "Não houve retificação alguma. Ou a fonte da matéria mentiu ou isso é má-fé mesmo", acusa o defensor de Youssef.

Iniciadas no final de setembro, as declarações de Youssef que compõem seu termo de delação premiada são acompanhadas pelo advogado Tracy Joseph Reinaldet dos Santos, que atua conjuntamente com Basto.

O Valor PRO apurou que o alvo principal da operação Lava-Jato disse em conversas informais com advogados e investigadores, que pessoalmente considerava "muito difícil" que o presidente da República não tivesse conhecimento de um esquema que desviaria bilhões de reais da Petrobras para abastecer caixa dois de partidos e favorecer empreiteiras.

"Todo mundo lá em cima sabia", teria dito o doleiro, sem, no entanto, citar nomes ou apresentar provas.

O esquema de corrupção na diretoria de Abastecimento da Petrobras teria começado em 2005, segundo a investigação e o interrogatório à Justiça Federal do ex-diretor de Abastecimento da petrolífera, Paulo Roberto Costa. Era o segundo ano do primeiro mandato do então presidente Lula. Dilma foi nomeada ministra de Minas e Energia em 2003.

Segundo a versão de Costa à Justiça, Lula teria cedido à pressão partidária para nomeá-lo diretor da Petrobras, sob risco de ter a governabilidade ameaçada pelo trancamento da pauta do Congresso. 

"Mesmo que essa declaração do Paulo Roberto [Costa] seja fato e que a comprovemos nos autos, qual é o crime que existe nisso?", questiona um dos investigadores da Lava-Jato. "Uma coisa é a atividade política. Outra é eventual crime dela decorrente. Toda a delação de Costa e outras que venham a ocorrer serão submetidas ao crivo do inquérito policial e da devida investigação", esclarece.

A PF também instaurou inquérito para apurar supostos vazamentos da delação premiada de Costa.
Investigações sobre vazamentos podem resultar em processo penal. No dia 21 deste mês, o deputado federal Protógenes Queiroz (PC do B-SP) foi condenado pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por violação de sigilo funcional qualificada. Queiroz, que é delegado da PF, foi responsabilizado por "vazar" informações da operação Satiagraha, deflagrada em São Paulo em 2008.

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Contraponto 15.187 "Um fato sem retificação, por Janio de Freitas"

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30/10/2014

 

Um fato sem retificação, por Janio de Freitas 

 

da Folha

Janio de Freitas

Um fato sem retificação

PF suspeita que Youssef foi induzido a acusar Dilma e Lula, numa operação para influir na eleição deste ano

Antes mesmo de alguma informação do inquérito, em início na Polícia Federal, sobre o "vazamento" da acusação a Lula e Dilma Rousseff pelo doleiro Alberto Youssef, não é mais necessário suspeitar de procedimentos, digamos, exóticos nesse fato anexado à eleição para o posto culminante deste país.

Pode-se ter certeza.

Na quarta 22, "um dos advogados" de Youssef "pediu para fazer uma retificação" em depoimento prestado na véspera por seu cliente. "No interrogatório, perguntou quem mais sabia (...) das fraudes na Petrobras. Youssef disse, então, que, pela dimensão do caso, não teria como Lula e Dilma não saberem. A partir daí, concluiu-se a retificação." Ou seja, foi só a acusação.

As aspas em "vazamento", lá em cima, são porque a palavra, nesse caso, sem aspas será falsa. As outras aspas indicam a origem alheia de frases encontradas a meio de uma pequena notícia, com a magreza incomum de uma só coluna no estilo em tudo grandiloquente de certos jornais, e no mais discreto canto interno inferior da pág. 6 de "O Globo", de 29/10. Para precisar melhor: abaixo de um sucinto editorial com o título "Transparência", cobrando-a da Petrobras.

Já no dia seguinte à "retificação", "Veja" divulgou-a, abrindo o material ao uso que muitos esperaram por parte da TV Globo na mesma noite e logo por Folha, "O Estado de S. Paulo" e "Globo". Nenhum dos três valeu-se do material. Se o fizessem, aliás, Dilma, Lula e o PT disporiam de tempo e de funcionamento judicial para para uma reação em grande escala, inclusive com direito de resposta em horário nobre de TV. O PT apenas entrou com uma ação comum contra "Veja".

O que foi evitado a dois dias da eleição, foi feito na véspera. A explicação publicada, e idêntica em quase todos os que se associaram ao material da revista, foi de que aguardaram confirmar o depoimento de Youssef. Àquela altura, Lula, Dilma e o PT não tinham mais tempo senão para um desmentido convencional, embora indignado, já estando relaxados pelo fim de semana os possíveis dispositivos para buscarem mais.

"O Globo" não dá o nome de "um dos advogados". Até agora constava haver um só, que, sem pedir anonimato, foi quem divulgou acusações feitas em audiências judiciais, autorizado a acompanhá-las, que nem incluíam o seu cliente. Seja quem for o requerente, pediu e obteve o que não houve.

Retificação é mudança para corrigir. Não houve mudança nem correção. E o pedido do advogado teve propósito explícito: os nomes de quem mais sabia da prática de corrupção na Petrobras. Uma indagação, com o acusado preso e prestando seguidos depoimentos, sem urgência. E sem urgência no processo, insuficiente para justificar uma inquirição especial.

O complemento dessa sequência veio também na véspera da eleição, já para a tarde. Youssef foi levado da cadeia para um hospital em Curitiba. O médico, que se restringiu a essa condição, não escondeu nem enfeitou que encontrara um paciente "consciente, lúcido e orientado", cujos exames laboratoriais "estão dentro da normalidade". Mas alguém "vazou" de imediato que Youssef, mesmo socorrido, morrera por assassinato.

O boato da queima de arquivo pela campanha de Dilma ia muito bem, entrando pela noite, quando alguém teve a ideia de telefonar para a enlutada filha da vítima, que disse, no entanto, estar o papai muito bem. O jornalista Sandro Moreyra já tinha inventado, para o seu ficcionado Garrincha, a necessidade de combinação prévia com os russos.

A Polícia Federal suspeita que Youssef foi induzido a fazer as acusações a Dilma e Lula, entre o depoimento dado na terça, 21, e a alegada "retificação" na quinta, 23. Suspeita um pouco mais: que se tratasse de uma operação para influir na eleição presidencial.

A Polícia Federal tem comprovado muita e crescente competência. Mas, nem chega a ser estranho, jamais mostrou resultado consequente, quando chegou a algum, nos vários casos de interferência em eleições. Não se espere por exceção.

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Contraponto 15.186 - "A América Latina não podia dar certo"


30/10/2014

A América Latina não podia dar certo


Carta Maior -  21/09/2013 às 08:55

por Emir Sader  

 
A América Latina não podia dar certo. Foi criada pelos colonizadores para não dar certo, para ser eternamente subalterna ao mundo “civilizado”. Para entregar-lhe suas matérias-primas e sua força de trabalho superexplorada e honrar seus senhores europeus. A América Latina foi colonizada para ser colônia e se sentir colonizada, para se subordinar às metrópoles e ao Império.

Mais ainda quando as alternativas pareciam desaparecer, só restaria à América Latina imitar, de forma mecânica, o modelo único consagrado pelo centro do capitalismo. E assim foi por um tempo. A América Latina foi o continente com mais governos neoliberais e em suas modalidades mais radicais.

Uma devastadora onda, que liquidou, entre outros, o Estado social chileno, a autossuficiência energética da Argentina, além de deixar o continente como uma região intranscendente no plano internacional, de baixo perfil, subordinada às potências do centro do sistema, intensificando ainda mais a desigualdade e a miséria entre nós.

De repente, o fracasso dos governos neoliberais gerou a eleição de uma série de governos que se elegeram com o compromisso de superar esse modelo e de construir sociedades mais justas, menos desiguais, soberanas no plano internacional.

Foi assim como a região se tornou a única no mundo com governos anti neoliberais, que, além disso, passaram a construir processos de integração regional autônomos em relação aos EUA. Mesmo quando surgiu a profunda e prolongada crise econômica – que acabou de cumprir cinco anos de duração – nos países do centro do capitalismo, esses países não deixaram de expandir suas economias e, sobretudo, de combater a miséria e a desigualdade.

Entre seus adversários – na direita e na ultra esquerda –, inicialmente esse fenômeno gerou desconcerto. Não era possível que, com a recessão mundial – que sempre havia arrastrado todos os nossos países à estagnação e ao retrocesso –, países como a Argentina, o Brasil, a Bolívia, o Uruguai, o Equador, a Venezuela resistissem à crise.

Depois de ter denunciado esses governos como propagadores de ilusões, tiveram que aceitar que nossa situação é distinta à dos países do centro do sistema e da daqueles, na região, cujos governos mantém orientações neoliberais. Já’ não podiam dizer que as situações favoráveis dos nossos países se deviam a um marco internacional favorável, porque esse marco tinha mudado radicalmente com a crise.

Havia os que fechavam os olhos aos grandes avanços sociais de países do continente mais desigual do mundo, querendo desqualificar as orientações desses governos, que consideram modelos exportadores baseados na devastação dos recursos naturais. Como resultado, todos os que propugnam essas posições foram rejeitados pelos povos desses países, que os reduziram a forças sem nenhum apoio popular, sem nenhuma expressão política.

As aves de rapina seguiam esperando indícios de problemas, que pudessem – mesmo depois de uma década de sucesso das políticas pós-neoliberais desses governos – comprovar suas funestas previsões. Formou-se uma coalizão internacional entre forças de direita e de ultra esquerda para atacar os governos progressistas da América Latina, porque o sucesso de líderes como Hugo Chávez, Lula, Dilma, Nestor e Cristina Kirchner, Evo Morales, Rafael Correa, Pepe Mujica, entre outros, tornava insustentáveis suas posições.



Bastava surgir problemas em alguns desses países, qualquer que fosse sua origem – mesmo as pressões recessivas continuadas vindas do centro do sistema – para que se renovassem os artigos na imprensa ou as previsões de opositores sem nenhum apoio popular, dizendo que finalmente se esgotava o modelo alternativo de crescimento com distribuição de renda desses governos.

Porque é insustentável para eles que Carlos Andrés Peres, Ação Democrática e Coppei fracassassem, e Hugo Chávez desse certo. Que FHC tivesse fracassado e Lula desse certo. Que seus queridos Carlos Menem e Fernando de la Rua tivessem fracassado espetacularmente, enquanto Nestor e Cristina tenham dado certo. Que Sanchez de Losada tivesse sido expulso do governo pelo povo e Evo Morales dê certo. Que os governos de direita no Uruguai tenham fracassado e os da Frente Ampla tenham sucesso. Que o mesmo aconteça com o sucesso de Rafael Correa e o fracasso dos governos de direita que o antecederam.

Já não são governo efêmeros, todos já conseguiram reeleger-se e/ou elegeram seus sucessores e continuam tendo possibilidades de seguir governando ou de eleger seus sucessores, promovendo uma segunda década pós-neoliberal na América Latina

No entanto, segundo o receituário neoliberal e o da ultra esquerda, esses governos não podiam dar certo. Tinham que fracassar para comprovar a realidade do “pensamento único” e do Consenso de Washington. Ou a realidade dos dogmas extraídos dos livros diretamente para a realidade, de que governos populares de ampla aliança política não podiam se consolidar e

Esta situação se consolidou de tal forma que as oposições em cada país não encontram espaço – nem lideranças, nem plataformas alternativas. Ou calam sobre o que fariam, caso triunfassem, ou confessam que voltariam às fracassadas formulas neoliberais – menos Estado, duro ajuste fiscal, privatizações, política externa de retorno à subordinação aos EUA.

Porque os governos pós-neoliberais se tornaram hegemônicos em cada um dos países que governam.
obter grande e renovado apoio popular, transformando de maneira democrática a realidade. Porque seriam dirigidos por líderes que teriam “traído” a confiança popular, em condições que, na realidade, os povos os escolheram e reafirmaram como seus líderes.

Daí sua legitimidade e sua capacidade de enfrentamento dos problemas que têm pela frente, assim como sua capacidade de renovação para dar continuidade a seus programas de prioridade das políticas sociais, dos processos de integração regional e do papel do Estado como indutor do crescimento econômico e garantia dos direitos sociais de todos. Negando a todos que acreditavam que a América Latina não podia dar certo.

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