quarta-feira, 16 de abril de 2014

Contraponto 13.764 - "Vox Populi: Dilma venceria no 1º turno, com 40% "

247 – Levantamento realizado pelo Instituto Vox Populi e divulgado pela revista CartaCapital na tarde desta quarta-feira 16 aponta, mais uma vez, a vitória da presidente Dilma Rousseff já em primeiro turno, com 40% das intenções de voto.

Em relação à pesquisa Vox Populi divulgada em fevereiro, Dilma caiu 1 ponto percentual, o que demonstra estabilidade. Os dois adversários praticamente não avançaram sobre os índices da presidente. Aécio Neves, do PSDB, registrou 16%, e Eduardo Campos, do PSB, 8%.

Juntos, os opositores têm 14 pontos a menos do que a presidente, a menos de três meses do início da campanha. O senador Aécio Neves também oscilou um ponto para baixo, comparado com a mostra de dois meses atrás.

Já Eduardo Campos, que nesta semana lançou oficialmente sua pré-candidatura com a vice Marina Silva na chapa, ganhou dois pontos. O candidato do PSC, Pastor Everaldo Pereira, foi lembrado por 2% dos eleitores.

Os pré-candidatos Levy Fidelix (PRTB), Randolfe Rodrigues (PSOL), Eymael (PSDC) e Mauro Iasi (PCB) não registraram nenhum ponto. Votos brancos ou nulos representam 15% dos entrevistados e percentual que não sabe em quem votar ou não respondeu é de 18%.

O instituto ouviu 2.200 eleitores em 161 municípios para realizar a pesquisa, entre os dias 6 e 8 de abril. Os detalhes da mostra serão divulgados nesta quinta-feira 17.

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Contraponto 13.763 - "Cotas raciais crescem.Chora, Kamel, chora !"

 

16/04/2014  

 

Cotas raciais crescem. Chora, Kamel, chora !


Os cotistas tem desempenho semelhante ao de não-cotistas.

Do Conversa Afiada - 16/04/2014

Na foto, outra "obra" do Freire (*)


Amigo navegante, fã fervoroso do Gilberto Freire com “i” (*), enviou essas informações extraídas do PiG (**):


O número de vagas reservadas nas universidades federais do País cresceu 155,6% nos dois anos em que a Lei de Cotas está em vigor. O total de cadeiras destinadas aos cotistas saltou de 30,2 mil, em 2012, para quase 77,4 mil nos processos seletivos deste ano, que ofertaram pouco mais de 191,7 mil vagas. Os dados fazem parte de um levantamento divulgado nesta segunda (14) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

A proporção total de cotas já é de 40,3%. Até 2016, a lei prevê que metade das vagas seja destinada a pretos, pardos e indígenas (PPIs) e alunos de escola pública com baixa renda, segundo a distribuição de PPIs em cada Estado definida pelo IBGE. Em 2012, 21,6% das vagas eram reservadas.

(…)

A Unesp apresentou ontem dados que indicam que, em medicina, as notas de cotistas e não cotistas no vestibular foram próximas.

Segundo a universidade, a média dos não cotistas em medicina (Botucatu) foi de 92,2; o de cotistas, 91,1.

Navalha



Como se sabe, Gilberto Freire com “i” (*) publicou notável obra de antropologia, sociologia e astrologia quântica – “Não ! Nós não somos racistas”, um best-seller, para defender a tese de que no Brasil quase não há negros e, portanto, as cotas não são necessárias.

Seriamos uma espécie de Noruega tropical …

O Supremo Tribunal Federal, em histórica decisão, com histórica relatoria do Ministro Lewandowski, aprovou as cotas, POR UNANIMIDADE !

De novo, o Freire (*) ficou à margem da História …

Clique aqui para ler “Google compra fábrica de drones – bye, bye Globo” e aqui para acompanhar o destino da audiência do jn, sob a batuta certeira do Freire (*).



Paulo Henrique Amorim


(*) Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da história da Globo (o ansioso blogueiro trabalhou com os outros três), deu-se de antropólogo e sociólogo com o livro “Não somos racistas”, onde propõe que o Brasil não tem maioria negra. Por isso, aqui, é conhecido como o Gilberto Freire com “ï”. Conta-se que, um dia, D. Madalena, em Apipucos, admoestou o Mestre: Gilberto, essa carta está há muito tempo em cima da tua mesa e você não abre. Não é para mim, Madalena, respondeu o Mestre, carinhosamente. É para um Gilberto Freire com “i”.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

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Contraponto 13.762 - "CPI contra a corrupção? É o pré-sal, estúpido!"

16/04/2014

CPI contra a corrupção? É o pré-sal, estúpido!


Escrevinhador - publicada quarta-feira, 16/04/2014 às 00:14 e atualizada quarta-feira, 16/04/2014 às 00:14



Da Federação Única dos Trabalhadores-FUP

A cerrada campanha com que a mídia partidarizada vem sangrando a Petrobrás nas últimas semanas segue incólume, sem as devidas reações por parte dos gestores da empresa. Além das disputas eleitorais que movem a oposição, sabemos que o arsenal de ataques contra a Petrobrás tem por trás interesses muito maiores: acabar com o regime de partilha que fez da estatal a operadora única do maior campo de petróleo da atualidade. “É o pré-sal, estúpido!”, como diria o marqueteiro de Bill Clinton, que nas eleições norte-americanas de 1992, resumiu a vitória dos democratas com uma frase ácida que tornou-se célebre em todo o mundo: “É a economia, estúpido!”.

A última edição da revista Veja não deixa dúvidas sobre as reais intenções da campanha que tenta desmoralizar a gestão estatal da Petrobrás, visando sua privatização. “Como o PT está afundando a Petrobras” é a matéria de capa da  revista,  cuja linha editorial é claramente tucana. Detalhe: o presidente da editora Abril, Fábio Barbosa, foi conselheiro da Petrobrás entre 2003 e 2011 e um dos que mais defendeu na época a compra da refinaria de Pasadena.

O senador Aécio Neves (PSDB/MG), o  principal articulador da campanha contra a Petrobrás, também reafirmou aos empresários paulistanos suas intenções em relação à empresa: “Acredito que as concessões são a melhor forma de atrair investimentos”, declarou no dia 31 de março durante um almoço no Grupo de Líderes Empresariais.

Provável candidato tucano à Presidência da República, Aécio já havia defendido o regime de concessão para o pré-sal em outubro do ano passado, após o leilão de Libra. “A Petrobras não terá condições, sei lá, sequer de participar com os 40% devidos desse leilão de agora, como poderá pensar em participar daqui a dois anos, se fosse necessário, estratégico para o Brasil fazer outros leilões?”, discursou na época no Plenário do Senado.

FHC é outro tucano que voltou a defender publicamente as privatizações do seu governo. Em artigo recente, ele conclama a oposição a “tomar à unha o pião dos escândalos da Petrobras”, “reafirmando a urgência de mudar os critérios de governança das estatais”.

É por essas e outras que precisamos alertar a sociedade e o povo brasileiro para as reais intenções dos setores conservadores que atacam a Petrobrás, inclusive por dentro da empresa, tentando retomar a agenda neoliberal que nos anos 90 sucateou e privatizou parte considerável da estatal.  A Petrobrás é e continuará sendo estratégica para o desenvolvimento do país. Não podemos permitir que sangrem um dos maiores patrimônios do povo brasileiro. Defender a Petrobrás é defender o Brasil!

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Contraponto 13.761 - "Na louca cavalgada pela CPI da Petrobras, a maior vítima é a verdade"

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16/04/2014

 

Na louca cavalgada pela CPI da Petrobras, a maior vítima é a verdade







Paulo NogueiraA CPI da Petrobras é uma das maiores palhaçadas da vida política, econômica e jornalística nacional dos últimos tempos.

O perfeito desfecho, nesta primeira etapa, tinha que ser mesmo a entrega da decisão do formato da CPI para o STF.

Mais especificamente, para a ministra Rosa Weber, que se notabilizou no julgamento do Mensalão por dizer que se julgava apta a condenar Dirceu mesmo sem provas.

A oposição defende uma CPI focada na Petrobras. O governo quer estender a investigação para outros assuntos, como o escândalo do metrô de São Paulo.

Alguém tem dúvida sobre a decisão de Weber?

O Mensalão deixou claro como o STF é hoje muito mais um tribunal político que jurídico, e então já podemos antever o que dirá Rosa Weber com altíssima chance de acerto.

Escrevi, recentemente, que a CPI da Petrobras é o novo Mensalão, e repito isso agora.

Mais uma vez, o papel da mídia é decisivo. Não importa informar, não importa esclarecer: a missão da imprensa é criar um clima que leve a uma CPI feita apenas para atrapalhar a campanha de Dilma.
Repare como a cobertura vai se adaptando às novas circunstâncias.

Primeiro, numa manipulação grosseira e desonesta, se dizia  que a Petrobras comprara por 1 bilhão de dólares uma refinaria que custara 42 milhões.

As insinuações – acusações, na verdade – eram claras: haveria corrupção aí. Batata.

Dilma deu uma contribuição milionária aos opositores ao dizer, desastradamente, que só assinou a compra – ela chefiava o Conselho de Administração da Petrobras — porque o sumário executivo era falho.

Ela quis tirar sua responsabilidade na compra e, na prática, tornou enorme um problema que era pequeno.

Com o passar dos dias, ficou claro que não era bem assim — embora a Petrobras tenha demorado uma eternidade a se defender. Nem a compra fora por um valor tão baixo e nem a venda posterior por um valor tão alto.

Desfeita a falácia dos números absurdamente inflados, a luta pela CPI deveria murchar.
Mas então a mídia se incumbiu de encontrar um novo foco por conta de uma declaração  de Graça Foster, presidenta da Petrobras.

Ela disse, ontem no Senado, que a compra de Pasadena foi um “mau negócio”. Pronto: a mídia só fala nisso.

Que companhia não faz, aqui e ali, um mau negócio? Isso não seria motivo suficiente para uma CPI, naturalmente – mas a mídia, como está interessada em tumultuar e não em elucidar, decidiu que é.

A editora Abril da Veja comprou, nos anos 1990, uma boa parte das ações das revistas da chinesa Joana Woo. Rapidamente a Abril perdeu 75 milhões de reais com a aquisição. (A Veja deu uma bofetada estridente  no presidente da Abril, Fabio Barbosa, ao simplesmente desprezar o depoimento em que ele esclareceu a compra da refinaria. Barbosa era do Conselho de Administração.)
A Globo – sem o ambiente protegido que tem no Brasil – fez um péssimo negócio ao tentar se globalizar com uma emissora na Europa. Terminou em lágrimas e prejuízos a aventura transatlântica da Globo.

Nenhum negócio, como disse Graça Foster, é 100% seguro. Mas o bombardeio da mídia se concentra na admissão de Foster de que foi um “mau negócio”.

Faltou provavelmente treinamento para Foster sobre como enfrentar um grupo que vai ficar horas à procura de uma brecha, por menor que seja, para criar um clima de histeria propício à convocação de uma CPI.

Situações extraordinárias pedem ações extraordinárias, como disse Guy Fawkes, o rebelde inglês que tentou explodir o Parlamento no início dos anos 1600.

Graça Foster tinha que ter se preparado para uma situação extraordinária, na qual uma frase sincera seria, como está sendo, usada com propósitos assassinos.

O fato é que, na louca cavalgada pela CPI da Petrobras, a maior vítima  tem sido  a verdade.


Paulo Nogueira. Jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.
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Contraponto 13.760 - "Conceição Lemes, 33 anos de estrada: Resposta em público a O Globo"

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16/04/2014

Conceição Lemes, 33 anos de estrada: Resposta em público a O Globo


Do Viomundo - publicado em 16 de abril de 2014 às 0:38


por Conceição Lemes


Nessa segunda-feira 13, uma repórter de O Globo enviou-nos um e-mail:

“Estou fazendo uma matéria sobre a entrevista que o ex-presidente Lula concedeu a blogueiros na semana passada. Gostaria de conversar contigo por telefone”.

Pedi que enviasse as perguntas por e-mail. Hoje, às 12h27 elas foram encaminhadas:

Nada contra a repórter. Embora não a conheça, respeito-a profissionalmente como colega.
Já a empresa para a qual trabalha, não merece a nossa consideração.

Com essas perguntas aos blogueiros, O Globo parece estar com saudades da ditadura, quando apresentava como verdadeira a versão dos órgãos de repressão.  Exemplo disso foi a da prisão, tortura e assassinato de Raul Amaro Nin Ferreira, em 1971, no Rio de Janeiro.

Com essas perguntas, O Globo parece querer promover uma caça aos blogueiros progressistas. Um macartismo à brasileira.

O marcartismo, como todos sabem, consistiu num movimento que vigorou nos EUA do final da década de 1940 até meados da década de 1950.  Caracterizou-se por intensa patrulha anticomunista, perseguição política e dersrespeito aos direitos civis.

O interrogatório emblemático daqueles tempos nos EUA:
Mr. Willis: Well, are you now, or have you ever been, a member of the Communist Party? (Bem, você é agora ou já foi membro do Partido Comunista?)

A sensação com as perguntas de O Globo é que voltamos à ditadura. Agora, a ditadura midiática das Organizações Globo. É como estivéssemos sendo colocados numa sala de interrogatório.

Afinal, qual o objetivo de saber se pertencemos a algum partido político?

Será que O Globo faria essa pergunta aos jornalistas de direita, travestidos de neutros, que rezam pela sua cartilha?

E se fossemos nós, blogueiros progressistas, que fizessemos essas perguntas aos jornalistas de O Globo?

Imediatamente, seríamos tachados de antidemocratas, cerceadores da liberdade de expressão, chavistas e outros mantras do gênero.

Como um grupo empresarial que cresceu graças aos bons serviços prestados à ditadura civil-militar tem moral de questionar ideologicamente os blogueiros que participaram da entrevista coletiva?
Liberdade de imprensa e de expressão vale só para direita e para a esquerda, não?

Como uma empresa que tem no seu histórico o colaboracionismo com a ditadura, o caso pró-Consult, o debate editado do Collor vs Lula, ter sido contra a campanha Pelas Diretas,  pode se arvorar em ditar normas de bom Jornalismo e ética?

Como uma empresa que deve R$ 900 milhões ao fisco tem moral para questionar outros brasileiros?

Como um grupo empresarial que recebe, disparadamente, a maior fatia da publicidade do governo federal pode criticar os poucos blogs que recebem alguma propaganda governamental?

O Viomundo, repetimos, não aceita propaganda dos governos federal, estaduais e municipais. É uma opção nossa. Mas respeitamos quem recebe. É um direito.

No Viomundo, não temos nada a esconder.  Só não admitimos que as Organizações Globo, incluindo O Globo, com todo o seu histórico, se arvorem no direito de fiscalizar a blogosfera.

Por isso, eu Conceição Lemes, que representei o Viomundo na coletiva, não respondi a O Globo. Preferi responder aos nossos milhares de leitores.  Diretamente. E em público.

Seguem as perguntas de O Globo e as minhas respostas.

Qual a sua formação acadêmica?

Formada em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

Qual a sua atuação profissional antes do blog? Já cobriu política por outros veículos?

Sou editora do Viomundo, onde faço política, direitos humanos, movimentos sociais. Toco ainda o nosso Blog da Saúde
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No início da carreira, fiz um pouco de tudo: economia, política, revistas femininas, rádio…
Há 33 anos atuo principalmente como jornalista especializada em saúde, tendo ganho mais de 20 prêmios por reportagens nessa área. Entre eles, o Esso de Informação Científica, o José Reis de Jornalismo Científico, concedido pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), e o Sheila Cortopassi de Direitos Humanos na área de Comunicação, outorgado pela Associação para Prevenção e Tratamento da Aids e Saúde Preventiva (APTA) com apoio do Unicef.

Conquistei também vários prêmios Abril de Jornalismo, a maioria por matérias publicadas na revista Saúde!, da qual foi repórter, editora-assistente, editora e redatora-chefe.

Em 1995, fui  premiada pela reportagem “Aids — A Distância entre Intenção e Gesto”, publicada pela revista Playboy. O projeto que desenvolvi para essa matéria foi selecionado para apresentação oral na 10ª Conferência Internacional de Aids, realizada em 1994 no Japão.

Pela primeira vez um jornalista brasileiro teve o seu trabalho aprovado para esse congresso. Concorri com cerca de 5 mil trabalhos enviados por pesquisadores de todo o mundo. Aproximadamente 300 foram escolhidos para apresentação oral, sendo apenas dez de investigadores brasileiros. Entre eles, o meu. Em consequência, fui ao Japão como consultora da Organização Mundial da Saúde.
Tenho oito livros publicados na área.

O mais recente, lançado em 2010, é Saúde – A hora é agora, em parceria com o professor Mílton de Arruda Martins, titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP, e o médico Mario Ferreira Júnior, coordenador de Centro de Promoção de Saúde do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Em 2003/2004, foi a vez da  coleção Urologia Sem Segredos, da Sociedade Brasileira de Urologia, destinada ao público em geral.

Os primeiros livros foram em 1995. Um deles, o Olha a pressão!, em parceira com o médico Artur Beltrame Ribeiro.

O outro foi a adaptação e texto da edição brasileira do livro Tratamento Clínico da Infecção pelo HIV, do professor John G. Bartlett, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA. A tradução e supervisão científica são do médico Drauzio Varella.

Você é filiada a algum partido político?

Não sou nem nunca fui filiada a qualquer partido político.

Mas me estranha muito uma empresa que apoiou a ditadura, cresceu devido a benesses do regime e hoje se alinhe com todos os espectros da direita brasileira, questione a a filiação partidária de um jornalista.

Quer dizer de direita, tudo bem, e de esquerda, não?

Como você definiria os “blogueiros progressistas”? Existe uma linha política?

Somos de esquerda.

Defendemos:

Melhor distribuição da renda no país.

Reforma agrária.

Os movimentos sociais por melhores condições de moradia, trabalho, defesa do meio ambiente, saúde e educação.

Regulamentação dos meios de comunicação.

Valorização do salário mínimo.

Política de cotas raciais nas universidades.

Direitos reprodutivos e sexuais das mulheres brasileiras.

Combate à discriminação e promoção dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais

Imposto sobre grandes fortunas.

Financiamento público de campanha.

Reforma política.

Fortalecimento da Petrobras.

Sistema Único de Saúde.

Como você foi chamada para a entrevista? Recebeu alguma ajuda de custo do instituto?

Por e-mail. Nenhuma ajuda.

O que você achou da seleção de blogueiros para a entrevista? Incluiria, por exemplo, representantes da mídia ninja ou blogueiros “de oposição”, como Reinaldo Azevedo?

O Instituto Lula tem o direito de chamar para entrevistar o ex-presidente quem ele quiser.

Engraçado O Globo perguntar isso. De manhã à madrugada, de domingo a domingo, todos os veículos das Organizações Globo privilegiam, ostensivamente, sem o menor pundonor, vozes do conservadorismo brasileiro e internacional. Pior é que travestido de uma falsa neutralidade.
Por que O Globo pode chamar quem quiser e o ex-presidente Lula, não?

Por que as Organizações Globo não dão espaços iguais à esquerda e à direita, garantindo a pluralidade de opiniões?

No dia em que as Organizações Globo garantirem efetivamente a pluralidade de opiniões, respeitando a verdade factual, aí, sim, seus profissionais poderão questionar os nomes escolhidos por Lula.

Qual foi o ponto mais relevante da entrevista para você?

Ter falado três horas e meia com os blogueiros. Uma conversa em que nenhum assunto foi proibido. Tivemos liberdade plena de perguntar o que queríamos. Uma lição de democracia.

O instituto arcou com os seus custos de deslocamento?

Não. Fui de táxi. Paguei do meu próprio bolso.

Por que você acredita ter sido escolhida para a entrevista?

Quantos jornalistas brasileiros têm o meu currículo profissional? Quantos repórteres da mídia tradicional e da blogosfera produziram tantos furos jornalísticos quanto nós no Viomundo nos últimos cinco anos?

Por isso, deixo essa pergunta para você e os leitores do Viomundo responder.
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O que você acha do movimento “Volta Lula”?

Quem tem de achar é a população e os militantes dos partidos da base de apoio do governo.
Sou apenas repórter. Cabe a mim, portanto, retratar o que presencio.

Qual nota você daria ao governo Dilma? Por quê?

O Globo tem fetiche por nota. Quem tem de dar a nota é o eleitorado. Sou repórter e minha opinião neste caso é irrelevante. A não ser que O Globo pretenda usá-la para fazer o que costuma fazer: manipular informação com objetivos políticos, em defesa de interesses da direita brasileira.

PS do Viomundo: Todas as nossas batalhas são financiadas exclusivamente pela contribuição de assinantes, a quem agradecemos por compartilhar conteúdo exclusivo generosamente com outros internautas. Torne-se um deles!



Leia também:
Rodrigo Vianna: Globo, que não mostrou o DARF, tenta intimidar blogueiros
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Contraponto 13.759 - "Polícia Federal flagra homem de confiança de Eduardo Campos pedindo dinheiro para Youssef"


16/04/2014

 

Polícia Federal flagra homem de confiança de Eduardo Campos pedindo dinheiro para Youssef

 

Amigos do Presidente - quarta-feira, 16 de abril de 2014

O ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e irmão do ex-ministro Fernando Bezerra, Clementino de Souza Coelho, foi flagrado pela Polícia Federal, durante a Operação Lava Jato, pedindo dinheiro ao doleiro Alberto Youssef. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Clementino presidiu a Codevasf por um ano, escolhido por seu irmão, que é homem de confiança do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência.

De acordo com a publicação, a PF encontrou em e-mails comprovantes de depósito em valores fracionados para "João", e também pedidos de dinheiro para "Maria" e "Fábio". Nas mensagens, números citados por Youssef como os dos CPFs dos favorecidos correspondem aos documentos de João Clementino de Souza Coelho e Maria Cristina Navarro de Brito, filho e mulher de Clementino, respectivamente. Segundo a polícia, "Fábio" é Fábio Leivas.

Em uma das mensagens, do dia 30 de janeiro de 2014, Clementino enviou a Youssef dados de uma conta bancária, e disse: "assim sendo fica: Fabio 30, Maria aprx (aproximadamente) 35, joao 60". No dia seguinte, o ex-presidente da Codevasf escreveu em nova mensagem: “por favor, assegure que as entregas serão feitas hoje ainda os 3 endereços fornecidos, sendo JOAO 60, FABIO 30 E MARIA OS 35...".

No dia 4 de fevereiro, Youssef enviou os dados bancários de João Clementino e Maria para um contato que, segundo a PF, seria um auxiliar do doleiro. Esse contato respondeu então "60.000,00" embaixo do nome de João e "35.289,00" embaixo de "Maria". Segundo o jornal, a PF apreendeu comprovantes de depósitos em nome de João Clementino, em diversos valores.


Contraponto 13.758 - "A covardia contra Dirceu e o privatismo doentio dos tucanos"





Brasil 247
A prisão de Dirceu, além de ser, indubitavelmente, um processo político, transformou-se também em uma covarde perseguição midiática e realizada por jornalistas paus mandados de magnatas bilionários de imprensa


DAVIS SENA FILHO  
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Davis Sena FilhoO ex-ministro e deputado federal José Dirceu completou cinco meses no presídio da Papuda. Sua pena é em regime semiaberto, de acordo com decisão soberana do plenário do STF. Contudo, o político de direita, o condestável juiz midiático, Joaquim Barbosa, e seu capataz para assuntos pertinentes à perseguição e ao autoritarismo, juiz de instância menor, Bruno Ribeiro, perseguem o político e militante petista, que até hoje não conseguiu sair para trabalhar, realidade esta que não ocorre com os outros condenados do "Mensalão".
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O Mensalão nunca existiu e por isto tal caso é também chamado de Mentirão — apropriadamente. A verdade nua e crua é que o "Mensalão", como ação de compra de votos sistemática para que o Governo tivesse maioria na Câmara e aprovasse seus projetos, não passa de uma farsa e fraude, pois as acusações sobre sua existência somente teve por finalidade colocar o Governo Trabalhista de Dilma Rousseff contra a parede, bem como derrubar o ex-presidente trabalhista, Luiz Inácio Lula da Silva, da Presidência da República. O sonho da direita por um novo impeachment. Só que agora contra um líder político de esquerda.
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A imprensa comercial e privada banca todo esse golpismo. Ela deseja pautar os governantes eleitos pelo povo, destruir quem considera seus inimigos políticos e ideológicos e assumir o lugar dos políticos tucanos, do DEM, do PPS e agora do PSB, com o propósito de atuar e agir como partido político, que, diuturnamente, combate o PT, suas principais lideranças, a exemplo de José Dirceu, José Genoíno e os governantes trabalhistas Lula e Dilma Roussef, que têm de enfrentar os magnatas bilionários de mídias, bem como seus cães serviçais e porta-vozes de seus interesses, que não são, nunca foram e jamais serão os mesmos do Brasil e do povo brasileiro.
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Apesar das provas "tênues" contra José Dirceu, como afirmou irresponsavelmente e cinicamente o ex-procurador-geral direitista, Roberto Gurgel, juízes políticos, vaidosos, a exemplo de Gilmar Mendes, Marco Aurélio de Mello, Luiz Fux, Ayres Britto e Cezar Peluso, aceitaram as acusações e atenderam os interesses de uma imprensa alienígena e de negócios privados, que se aliou ao PSDB, desavergonhadamente, a ter como norte a derrota do PT em toda e qualquer eleição presidencial, pois o que interessa é estancar o processo de desenvolvimento do País, diminuir quando, não, extinguir os programas sociais, além de reiniciar as privatizações.
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O objetivo principal dos tucanos é entregar o Pré-Sal, por intermédio do modelo de concessões e suspender o sistema de partilha, que permite à Petrobras ter o controle dos produtos oriundos desse verdadeiro tesouro, que vai ajudar o Brasil investir em educação e saúde, conforme aprovado pelo Congresso Nacional e ratificado pela Presidência da República. E é exatamente isto que a direita partidária, a midiática, as petroleiras internacionais, os banqueiros e os governos da UE e dos EUA não querem. A direita não quer o desenvolvimento do Brasil! Ponto!
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Os conservadores não querem a valorização do salário mínimo como projeto de estado e não de governo, e, em nome do combate à inflação, promete efetivar medidas impopulares, como afirmou o tucano Aécio Neves, em vez de apresentar  alternativas para melhorar os programas sociais e garantir fontes de riqueza para os brasileiros exemplificadas no Pré-Sal e na defesa da Petrobras, uma das quatro maiores empresas de petróleo do mundo e portadora de vasto conhecimento científico e tecnológico sobre exploração de petróleo no fundo do mar. Os tucanos, realmente, são os mensageiros da peste, da iniquidade, e a promessa, pronta e acabada, de infringir dor aos mais francos, aos pobres — aos que podem menos.
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Quando vejo e ouço um almofadinha, um verdadeiro e genuíno coxinha como o Armínio Fraga a deitar falação neoliberal e a defender o que já foi derrotado, o que fracassou, o que não deu certo e o que prejudicou o Brasil, o seu povo, bem como derreteu as economias europeias e norte-americana, fico a pensar: "ou o mundo está louco, doido varrido, ou todo mundo é otário, trouxa, ou completamente sem noção das realidades que nos rodeiam". Não é possível que o povo brasileiro que alcançou tantas conquistas com seu trabalho, com seu poder de compra e com seu esforço vai votar em candidato de direita, que preza o status quo e que não tem nenhum vínculo com os interesses do povo brasileiro, a exemplo de Aécio Neves, tucano do PSDB e que tem como um de seus porta-vozes um incompetente quando trata da coisa pública, como o economista Armínio Fraga.
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Quem duvida que se digne a ver os números e índices de Fraga quando ele era o presidente do Banco Central. Armínio Fraga é banqueiro e como tal vai ser um dos homens de Aécio Neves que vai colocar em prática toda a doutrina neoliberal que não deu certo e somente trouxe desemprego, desesperança, fome e miséria para o povo brasileiro. O banqueiro foi diretor-gerente da Soros Fund Management, trabalhou na Salomon Brothers, no Banco de Investimentos Garantia, além de ser conselheiro do Unibanco. Fraga é um burocrata sofisticado de bancos e banqueiros, e completamente voltado aos interesses do mercado, principalmente no que concerne a Wall Street. Armínio Fraga, definitivamente, não dá!  
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José Dirceu está a ser apenado duas vezes. Ele, além de estar preso injustamente, agora também se tornou refém de juiz que preside o STF, de forma casuística, ainda tem de se submeter às vontades e aos devaneios do juiz de instância menor, Bruno Ribeiro, da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal e filho de importante de dirigente do PSDB de Brasília, além de ter sido levado a assumir tal cargo por causa de interferência e influência de Joaquim Barbosa. 
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Todavia, José Dirceu não está sozinho. A OAB já questiona duramente o presidente do Supremo, setores da imprensa também, além de juristas renomados, bem como o caso vai ser levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA. Sem justiça não há paz, e quem preza a cidadania, a justiça, a democracia e a verdade sabe que a maioria dos juízes do STF agiram como políticos, do espectro ideológico conservador, e, consequentemente, alinharam-se com os interesses políticos da Casa Grande brasileira, uma das mais perversas do mundo.
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O líder petista ora encarcerado é vitima de perseguição de juízes da VEP. Dirceu até hoje não conseguiu sair para trabalhar,porque supostamente usou celular e comeu um feijoada, em lata, diga-se de passagem. As duas denúncias não procedem e não foram comprovadas. Ao contrário, o próprio diretor do presídio da Papuda afirmou, após os fatos serem investigados, que não aconteceu tais "privilégios". Mesmo assim o juiz Bruno Ribeiro, no alto de sua importância e arrogância, protelou ao máximo a saída de Dirceu para trabalhar, e, desse odioso modo, rasga solenemente as leis do País.
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Anteriormente, o condestável juiz Joaquim Barbosa revogou decisão do juiz Ricardo Lewandowski, que, na cadeira da presidência do Tribunal, autorizou que José Dirceu trabalhasse. Barbosa desrespeitou uma decisão do presidente interino, que recebeu documentos da VEP, da direção da Papuda, do MP, para poder analisar o que estaria a acontecer com Dirceu no que é referente ao direito de trabalhar e às denúncias publicadas em uma coluna de fofoca política da Folha de S. Paulo chamada de “Painel”.
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Como se percebe, a prisão de Dirceu, além de ser, indubitavelmente, um processo político, transformou-se também em uma covarde perseguição midiática e realizada por jornalistas paus mandados de magnatas bilionários de imprensa, que pensam que o Brasil de 210 milhões de habitantes e sexta maior economia do mundo é o quintal da Casa grande deles, em Nova York, Miami, Londres ou Paris, é claro. A covardia contra José Dirceu e o privativismo doentio dos tucanos ainda demonstram que o Brasil tem ainda muito que trilhar para ser totalmente democrático e civilizado. É isso aí.
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terça-feira, 15 de abril de 2014

Contraponto 13.757 - "AGU aciona MP por quebra de sigilo do Planalto "

Brasília 247 – A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou nesta terça-feira 15 com uma reclamação disciplinar na corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra a promotora Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa, que pediu à Justiça a quebra de sigilo de aparelhos utilizados nas intermediações do Palácio do Planalto.

O pedido foi feito originalmente pelo juiz Bruno Ribeiro, que pediu afastamento da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal. O objetivo era comprovar se o ex-ministro José Dirceu, preso na Papuda, em Brasília, usou o celular de dentro da cadeia, o que é proibido. No pedido enviado ao Supremo Tribunal Federal, a promotora do MP do DF não menciona o Planalto, mas indica dados de longitude e latitude do local.

Em seu pedido, a AGU lembra que uma investigação interna da penitenciária não encontrou provas da acusação de que Dirceu teria usado celular, mas "ao invés de simplesmente dar por encerrada a questão", a promotora adotou um procedimento "inteiramente inédito e heterodoxo", pedindo quebra de sigilo do Planalto "sem maiores justificativas, explicações e pormenorização".

A atitude da promotora, na avaliação da AGU, parece não ter ocorrido dentro do "estreito linde da legalidade". No pedido, o órgão do governo pede à corregedoria do Conselho Nacional do MP, em regime de urgência cautelar, que sejam adotadas as medidas necessárias para tomar "insubsistente o pedido de quebra de sigilo telefônico feito de modo ilegal".

Leia mais em Promotora escondeu quebra de sigilo do Planalto

E Contra Dirceu, juiz tenta quebrar sigilo do Planalto
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Contraponto 13.756 - "Fim dos tempos: A corporação como ente que comanda o planeta"

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15/04/2014

Fim dos tempos: A corporação como ente que comanda o planeta


Viomundo - publicado em 15 de abril de 2014 às 14:02



Ética e Moral no Fim da História

Na Era da Humanização das Corporações

Por PETE DOLACK, no Counterpunch

Estranho, não é?, que sistemas que supostamente representam o ápice do desenvolvimento humano – até mesmo o fim da história – não tenham espaço para ética e moralidade.

Talvez isso se torne inevitável quando uma ideologia se desenvolve a um ponto em que a economia é considerada algo separado do meio ambiente. A partir desse ponto de vista dúbio – para ser bastante singelo – a trajetória que leva a ver o meio ambiente —  e as riquezas naturais e a vida que fazem parte dele — como nada mais do que uma vaca a ser ordenhada à vontade, não é muito longa. Uma floresta não conta nada a não ser que possa ser transformada em dinheiro, o que em geral significa derrubá-la. Água limpa? Ar limpo? Artigos de luxo para aqueles que podem pagar por eles e, em consequência, lucro para os que podem engarrafá-los e criar um mercado para esses produtos.

Um artigo muito bem pensado, publicado na edição de maio de 2009 do Monthly Review me fez pensar mais sobre isso. Os autores do artigo intitulado Capitalism in Wonderland (poderia ser traduzido como “Capitalismo no País das Maravilhas”), escrito por Richard York, Brett Clark e John Bellamy Foster, discute modelos usados por economistas consagrados, que variam apenas na medida do quanto descontam a vida no futuro. Sim, é de um sangue frio exatamente como soa.

Economistas neoclássicos baseiam suas conclusões cada vez mais insanas no fato de que o aquecimento global não é um grande problema, no pior dos casos vai provocar pequenos estragos econômicos, na versão conveniente e para o benefício de poucos, de que gerações futuras serão mais ricas e portanto será mais barato para nossos descendentes limpar nossa sujeira do que seria para nós.

Os autores escrevem:

“A diferença entre eles não diz respeito à Ciência por trás da mudança climática mas nas suas suposições a respeito da correção de transferir o ônus para gerações futuras. Isso deixa clara a ideologia inserida no pensamento neoclássico ortodoxo, uma área que em geral se apresenta como se usasse métodos objetivos, até mesmo naturalistas, para desenhar modelos econômicos. Entretanto, para além de todas as equações e do jargão técnico, o paradigma econômico dominante é construído sobre um sistema de valores que premia a acumulação de capital no curto prazo, enquanto desvaloriza tudo mais relativo ao presente e ao futuro”. (página 9)

A partir daí, economistas ortodoxos descem uma ladeira escorregadia na qual alguns humanos têm valor e outros, não. Um exemplo desta mentalidade é o memorando de Lawrence Summers, escrito quando ele era economista chefe do Banco Mundial, no qual ele afirmou:

“Eu acho que a lógica econômica por trás de jogar lixo tóxico em países de salários baixos é impecável e nós devemos encará-la. … Os custos da poluição provavelmente são não-lineares, os incrementos iniciais da poluição têm, provavelmente, um custo inicial bem baixo. Eu sempre achei que países pouco populosos da África são amplamente subpoluídos”.

A atitude de Summers, apesar de não se expressar de forma tão direta, não está fora de compasso com a profissão dele. Os autores de Capitalism in Wonderland deixam bem claras as ramificações deste tipo de pensamento:

“De fato, a vida humana só vale o quanto cada pessoa contribui para a economia, o que é medido em termos monetários. Então, se o aquecimento global aumenta a mortalidade em Bangladesh, o que parece ser o caso, isso só se reflete em termos de modelo econômico na medida em que as mortes em Bangladesh afetam a economia (global). Já que Bangladesh é muito pobre, os modelos econômicos … estimarão que não vale à pena evitar mortes lá, já que essas perdas se mostrarão minúsculas nas medidas… Essa ideologia econômica, claro, se estende para além da vida humana, já que todas as milhões de espécies da terra são avaliadas de acordo apenas com o que contribuem para o Produto Interno Bruto. Então, preocupações éticas a respeito do valor intrínseco da vida humana e da vida de outras criaturas são completamente invisíveis nos modelos econômicos-padrão. Aumentar mortalidade humana e acelerar a velocidade de extinção, para muitos economistas, são problemas apenas se afetam o ‘resultado final’. Em outros aspectos, eles são invisíveis: como no mundo natural como um todo”. (página 10)

Essa é a irracionalidade e a imoralidade subjacente que impelem industriais e financistas a permitir que o “mercado” tome todas as decisões sociais. Mercados não são nada mais do que interesses agregados dos maiores e mais poderosos industriais e financistas. Através de seu controle da economia mundial, eles são capazes de exercer poder decisivo sobre os governos, que não são entidades sem corpo flutuando acima da sociedade e sim reflexo do poder e das fraquezas relativas das forças sociais.

A corporação moderna tem uma obrigação legal de prover o máximo de lucro possível a seus acionistas. Em outras palavras, é esperado que atue de forma a aumentar seus lucros sem se preocupar com mais nada. A corporação é considerada uma pessoa, de acordo com a legislação norte-americana – uma pessoa que não tem limites biológicos, nem barreiras para seu crescimento. Joel Bakan, na introdução de seu livro Corporation: The Pathological Pursuit of Profit and Power (“Corporação: a Busca Patológica de Lucro e Poder”) resumiu desta forma a instituição dominante do capitalismo:

“O mandato da corporação, definido por lei, é buscar, incessantemente e sem exceção, o seu interesse próprio, sem se preocupar com as consequências muitas vezes negativas que pode provocar aos outros. Como resultado, eu argumento, a corporação é uma instituição patológica, detentora de um poder perigoso sobre as pessoas e as sociedades”.

Mesmo sem a “corporação humanizada”, entretanto, a competição incessante do capitalismo levaria a esse comportamento e os vencedores desta competição são aqueles mais dispostos a destruir todos os obstáculos, humanos e do meio ambiente, enquanto repassam os custos aos outros.

De verdade, não podemos fazer algo melhor que isso?

Pete Dolack é o escritor do blog Systemic Disorder. Ele é ativista de vários grupos.
Leia também:

Revista da família Marinho: o Brasil sujeito às pragas bíblicas 
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Contraponto 13.755 - " Aécio confessa: quer entregar a Petrobras"


15/04/2014

 Aécio confessa: quer entregar a Petrobras


Já, já, o Dudu se encontra com o Aécio no berço dourado da concessão.


Conversa Afiada publicado em 15/04/2014



Saiu no PiG (*) cheiroso:


Aécio sugere retomar modelo de concessões na Petrobras

(…)

“Quero ouvir quem vive esse problema. Será que o modelo de concessões para determinadas áreas não é melhor do que esse que onera uma Petrobras já tão combalida?”, questionou Aécio.

Convidado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) para falar a empresários fluminenses – talvez os mais próximos ao contexto da indústria do petróleo no país -, o senador acenou com a possibilidade de retomar o modelo de concessões desenvolvido durante o governo Fernando Henrique Cardoso e que vigorou até 2008, quando o novo marco regulatório para o pré-sal começou a ser debatido.


Navalha











Navalha



Quem o Aécio vai ouvir ?

O Príncipe da Privataria, o Padim Pade Cerra, que ofereceu o pré-sal à Chevron, vai ouvir a Urubóloga, o genro e o Adriano Pires – quando eu crescer quero ser o Adriano Pires.

Como disse o Lula na entrevista aos blogueiros – veja como o Rodrigo e o Fernando respondem à inquisição da Globo:

- O problema deles é a partilha !

Pra isso que eles fazem esse barulho todo: pra meter a mão no pré-sal !

E entregar aos americanos !

Pasadena, teu o outro nome é partilha !

Como diz o ansioso blog, essa eleição, como foram todas desde 2002, é sobre a Petrobras.



O resto é o luar de Paquetá.


Em tempo: já, já o Dudu Campriles e a Bláblárina se encontram com o Aécio no berço da concessão do Príncipe…

Em tempo2: sobre a magnífica charge do Bessinha, assista ao trepidante vídeo “quem manda na PF do zé da Justiça”.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
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Contraponto 13.774 - "Dilma defende Petrobras e seu modelo econômico"

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15/04/2014

Dilma defende Petrobras e seu modelo econômico

Luis Nassif
 
No meio do dia de ontem, um blogueiro amigo, colunista de uma grande publicação, divulgou pelo Twitter a seguinte mensagem: “Vergonha: religioso preso na Espanha por abusar de garota de 12 anos é brasileiro”. O religioso abusou da garota por ser brasileiro? Se não era, a troco de quê a vergonha?

Não se trata de mero masoquismo cívico.

No início do século 19, o economista alemão Friedrich List já alertava para esse expediente, na guerra entre internacionalistas e defensores de projetos nacionais autônomos.

Os internacionalistas tratavam de derrubar a autoestima nacional para demover as tentativas de criação de modelos autônomos de desenvolvimento. E essa publicidade negativa deveria se refletir sobre todos os aspectos nacionais, dos culturais e sociais aos econômicos.

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Talvez por isso, no evento do lançamento do navio Henrique Dias, construído pelo estaleiro Atlântico no Porto de Suape, no Recife, a presidente Dilma Rousseff tenha sido tão enfática não apenas na defesa da Petrobras, mas na exaltação do papel do chamado povo brasileiro.

No discurso, pela primeira vez Dilma mostrou o lado positivo de sua política, para se diferenciar dos adversários – especialmente de Aécio Neves, que representa a corrente neoliberal do governo Fernando Henrique Cardoso.

O modelo neoliberal defende o papel do Estado exclusivamente para criar as condições macroeconômicas favoráveis para a atuação do capital financeiro.

Considera nocivas políticas de substituição de importações, defesa da produção nacional, estímulos fiscais e financeiros a novas atividades, devido à margem de subjetividade embutidas nessas políticas.

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Nos anos 70, o Brasil teve a segunda indústria naval do mundo. O projeto foi abandonado. A Petrobras estimulada a adquirir navios do exterior, levando em conta apenas a economicidade - e deixando de lado os enormes ganhos futuros advindo do estímulo ao desenvolvimento de uma indústria local. E havia um movimento nítido de tentativa de privatização da empresa.

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A partir de 2003, Lula colocou como prioridade a reconstrução da indústria naval e, nela, os papéis mais relevantes foram desempenhados por Dilma, na condição de Ministra das Minas e Energia e Graça Foster, atual presidente da Petrobras.

Em seu discurso, Dilma lembrou que, dentre os trabalhadores do estaleiro, havia pessoas que saíam do comércio, da lavoura de cana e de trabalho informal.

Para contrapor à queda de valor atual da Petrobras mostrou que no final do governo FHC, a Petrobras valia R$ 15 bi e hoje, mesmo depois da queda recente, vale R$ 98 bi.

Na indústria naval, o número de empregos saltou para 80 mil - entre estaleiros e fornecedores - devendo chegar a 97 mil nos próximos dois anos.  "Nós  temos em operação 133 plataformas, 41 sondas de perfuração e 361 barcos de apoio".

O sucesso da indústria naval não a absolve dos seguidos erros de implementação de políticas sem planejamento.

A diferença está no fato de que o modelo econômico que representa, expurgado dos exageros, gera empregos e estimula setores econômicos. Já a fórmula FHC privilegia o mercado e propõe o ajuste através do sacrifício do emprego e do salário e do mercado interno, sem oferecer a contrapartida dos estímulos à produção.

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Contraponto 13.773 - "A esquerda e o vale-tudo da oposição "

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15/04/2014


A esquerda e o vale-tudo da oposição 

 

Do Blog do Miro - 14/04/2014

Editorial do site Vermelho:segunda-feira, 14 de abril de 2014

 

   
Editorial do site Vermelho:

No ano eleitoral, o vale-tudo já se instaurou nas hostes oposicionistas e na ação da mídia monopolista privada. O alvo é a presidenta Dilma e seu governo. O objetivo é impedir a reeleição da mandatária em outubro próximo.

Os recentes acontecimentos demonstram que as forças políticas empenhadas em interromper o ciclo progressista inaugurado com a eleição de Lula em 2002 não vão se deter diante de nada para alcançar seus objetivos, mesmo que seja necessário realizar manobras políticas torpes e levar o país ao caos.

A presidenta Dilma Rousseff, continuadora da etapa de conquistas democráticas e progressistas e líder de uma ampla coalizão democrática, é vítima de uma sistemática campanha de difamações. Os dois candidatos oposicionistas – Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, da coligação PSB-Rede-PPS – agem em concertação, estando no momento empenhados em desgastar a mandatária, hostilizá-la com a ajuda dos meios de comunicação, por meio de pronunciamentos de cunho eleitoral e em declarações de seus representantes nas casas legislativas. É uma ofensiva política que no fundo pretende paralisar o governo e desestabilizar o país.

Todos os analistas econômicos sabem que a leve alta inflacionária observada nas últimas semanas deve-se à sazonalidade na produção e comercialização de determinados alimentos. Mesmo assim, faz-se uma campanha sistemática para apresentar um cenário de caos econômico, descontrole financeiro, bancarrota das contas públicas e descalabro administrativo.

Erros pessoais de parlamentares do Partido dos Trabalhadores, atos isolados de irregularidades, são exibidos pela mídia como a expressão de corrupção sistêmica e irremediável no governo federal.

Nesse quadro, desenvolve-se a grande batalha legislativa e política do momento – a criação de uma CPI no Congresso Nacional para investigar supostas irregularidades na compra em 2006 da refinaria de Pasadena, Estados Unidos, pela Petrobras.

Em torno do controvertido caso, sobre o qual a diretoria da empresa à época já deu sobejas explicações, que serão acrescidas pelo depoimento que a presidenta atual da empresa, Graça Foster, fará esta semana no Senado, surgiram outras denúncias sobre a prática de lavagem de dinheiro e outras traficâncias praticadas por ex-diretores da estatal, que já estão sob rigorosa investigação e repressão da Polícia Federal e de órgãos de controle da administração pública.

Não obstante, há duas semanas que, em orquestração com os partidos e candidatos oposicionistas, principalmente o PSDB e o PSB, o tema é tratado com estardalhaço como se a vida política e econômica do país se reduzisse a isso e o governo estivesse paralisado administrativamente.

Por isso, assume destaque político a batalha que ocorre no Senado e na Suprema Corte – e pode ter desfecho esta semana – em torno da criação da CPI. A oposição pretende pôr na alça de mira apenas a Petrobras. Já as forças aliadas do governo demonstram estar dispostas a engajar-se no inquérito parlamentar, desde que este seja abrangente e se volte também para as denúncias sobre atos de corrupção em governos estaduais comandados por partidos oposicionistas que estão agitando a bandeira da CPI.

É nesse quadro que se destacam os chamamentos feitos nos últimos dias tanto pela presidenta Dilma Rousseff como pelo ex-presidente Lula para que as forças progressistas assumam seu papel no enfrentamento político.

Serena e firme, a presidenta, em contato com a juventude e movimentos sociais organizados, anunciou sua disposição de ir à luta em torno da reforma política democrática e tem demonstrado disposição de não retroceder em seu combate político para continuar liderando o processo de mudanças no país, o que implica a reiteração do seu ânimo para enfrentar a batalha eleitoral de 2014.

Por seu turno, o ex-presidente Lula manifestou disposição para desmascarar as falsas acusações dos partidos e candidatos oposicionistas, contribuir para a unidade das forças que apoiam o governo e na mobilização do apoio popular à reeleição da presidenta Dilma.

Como tem assinalado o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, o Brasil encontra-se diante de uma encruzilhada política – avançar na realização das mudanças de sentido progressista, ou capitular à chantagem da oligarquia financeira e das forças que lhe dão sustentação política.

Está cada vez mais claro que as classes dominantes e seus elos internacionais não aceitam a continuidade de um governo comprometido com o progresso social e o desenvolvimento nacional soberano. Por isso, não aceitam a continuidade do governo Dilma e tudo farão para impedir sua reeleição.

Num quadro como este, a esquerda não pode ser condescendente nem passiva. Ir à luta é o seu elemento.
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Contraponto 13.772 - "Rodrigo Vianna: Globo, que não mostrou o DARF, tenta intimidar blogueiros por causa de Lula|"

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15/04/2014

Rodrigo Vianna: Globo, que não mostrou o DARF, tenta intimidar blogueiros por causa de Lula


Do Viomundo - publicado em 15 de abril de 2014 às 10:22




Jogo Sujo


Globo, que não mostrou o DARF, tenta intimidar blogueiros por causa de Lula

publicada segunda-feira, 14/04/2014 às 23:00 e atualizada segunda-feira, 14/04/2014 às 23:21

“proponho à Redação de “O Globo” uma troca singela: dou entrevista e respondo tudo o que quiserem saber, desde que a família Marinho (que ficou bilionária graças a uma concessão pública) apresente o famoso DARF e esclareça se pagou (ou não) a suposta dívida com a Receita Federal.”

por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador

Não devo um tostão em impostos. Não sei se as “Organizações Globo” podem dizer o mesmo.

O fato é que os bilionários da família Marinho estão incomodados, e querem intimidar os blogueiros. É uma batalha descomunal. Eu – que batuco meus textos num escritório improvisado no fundo de casa – de repente virei tema de “reportagem” de um império midiático com centenas de jornalistas Brasil afora?

Vejam só. Na tarde de segunda-feira (14/abril), fui procurado por uma suposta jornalista de “O Globo”, que me enviou a singela mensagem: “Prezado Rodrigo, Sou repórter do jornal O Globo e estou fazendo uma matéria sobre a entrevista coletiva do ex-presidente Lula com blogueiros na semana passada. Nós poderíamos conversar por telefone? Atenciosamente, Barbara Marcolini -Jornal O Globo”.

Curioso que o jornal conservador da zona sul carioca tenha levado uma semana para se interessar pelo tema, não? A entrevista de Lula aos blogueiros foi um sucesso enorme, gerando manchetes Brasil afora. A imprensa velha passou recibo. Ficou furiosa.

Editoriais, comentários na TV e rádio, colunistas conservadores: muitos se mobilizaram para atacar os blogueiros “sujos”. Alguns ataques vieram com acusações graves: fomos acusados de ser “financiados” pelo governo federal. E os mais incomodados parecem ser os colunistas das chamadas “Organizações Globo”. (Grifos em verde negritado são do ContrapontoPIG)


Nada disso é por acaso. Trabalhei na Globo. Sei como essas coisas são. Quando jornal, TV, internet e rádio da família Marinho começam a bater na mesma tecla – ao mesmo tempo – é porque há uma ordem superior, uma determinação do patrão (ou de seus prepostos) para ir fundo naquele assunto.

Pedi que a repórter Barbara me enviasse as perguntas por escrito. Tenho pela repórter (a quem não conheço) respeito profissional. Mas considero “O Globo” e as “Organizações Globo” adversários. E sei que os prepostos da família Marinho me tratam como inimigo. Pessoa de minha família foi demitida da TV Globo, em 2010, depois que passei a assumir um posicionamento político claro em meu blog. Eles chegam a esse nível. São vingativos. Por isso, não há hipótese de responder nada a “O Globo” – a não ser por escrito.

Até as 21h, as perguntas de Barbara não vieram. Mas eu soube que outros blogueiros também foram procurados por jornalistas de “O Globo” – com a mesma pauta: a entrevista de Lula. Pelo menos 3 repórteres diferentes do jornal foram mobilizados na Operação. Objetivo era estabelecer vinculações “comprometedoras” entre os blogueiros e determinadas empresas, entidades e/ou governo (veja aqui a resposta do Fernando Brito, do Tijolaço, à tentativa de intimidação).

Mas não era só isso. Uma das repórteres globais chegou a perguntar a um blogueiro (a entrevista está gravada) se ele tinha filiação partidária. Sim, o macartismo da Globo avançou até esse ponto.

Trata-se de uma Operação para intimidar aqueles que nos últimos anos – ainda que de forma limitada – criaram um contraponto ao poder da velha mídia. Os barões da imprensa velhaca não se conformam com o fato de meia dúzia de blogueiros “sujos” oferecerem uma outra narrativa ao Brasil. A Globo, a Abril e a Folha seguem a ter imenso poder. Mas já não falam sozinhas.

Seria bom que soubessem: com essa tentativa de cerco, em vez de intimidar, vão mobilizar ainda mais blogueiros e internautas.

A Globo não tem estatura moral para cobrar explicações de ninguém. Vamos relembrar alguns episódios recentes:

– a Globo foi acusada de sonegar impostos (mais de 1 bilhão em valores atualizados – clique aqui para saber mais), e até hoje não esclareceu o episódio;

– o processo fiscal em que a Globo era investigada por bilionária sonegação “sumiu” (na verdade, teria sido roubado) de uma agência da Receita Federal no Rio, e a Globo até hoje não explicou o caso;

– um diretor da Globo, Ali Kamel, processa pelos menos 6 blogueiros (entre eles este escrevinhador), numa tentativa clara de intimidação judicial, de calar as vozes que em 2006 e 2010 ajudaram a desmascarar a tentativa da Globo de interferir no processo eleitoral;

– por fim, a Globo (estou falando só da TV) recebeu quase 6 bilhões do governo federal nos últimos anos – como mostra a tabela abaixo, publicada pelo VioMundo e pelo jornalista Fernando Rodrigues.
E essa mesma Globo de 6 bilhões em recursos públicos (recursos dos seus, dos meus impostos!) quer acusar blogueiros de serem “financiados” pelo governo?!

É piada.

De minha parte, sou jornalista profissional. Vivo do trabalho como repórter de TV. Já vendi minha força de trabalho para a “Folha”, a “TV Cultura”, a “TV Globo” – e hoje sou repórter na “TV Record”. Jamais vendi meu cérebro para nenhum patrão. Tenho posições políticas claras. Públicas. E por conta delas comprei briga com a Globo em 2006 – deixando a emissora.

Não vejo nada de anormal em blogs e sites sem vinculação com a velha mídia pleitearem publicidade. Mas, felizmente, não preciso disso para seguir travando o bom combate. Nunca entrei na SECOM do governo federal para tratar de dinheiro. E nem em qualquer outra secretaria de Comunicação Brasil afora.

Minha questão é política. Encaro o debate de forma aberta – jamais de braços dados com ditadores, ou beneficiado por acordos obscuros com embaixadas e governos estrangeiros. O Escrevinhador não tem em seu currículo: TimeLife, apoio a uma ditadura assassina, escândalo Proconsult contra Brizola em 82, manipulação da cobertura das Diretas-Já, edição criminosa do debate Lula/Collor em 89, combate ao Bolsa-Família, oposição às quotas para negros, tentativa de transformar bolinha de papel num míssil em 2010…

Os gastos mensais para manter meu blog hoje são de aproximadamente 2,5 mil reais. Conto com anúncios do Google (valores irrisórios) e com a colaboração de leitores, e ainda tiro dinheiro do meu bolso para cobrir as despesas. Em 6 anos, devo ter recebido 6 anúncios pontuais de governos ou entidades sindicais. Nenhum deles por mais de um mês. Nenhum deles superior a 2 mil reais (ou seja, no total os anúncios não chegaram a 15 mil reais em quase 6 anos – contra despesas de aproximadamente 150 mil no mesmo período).

Tenho lutado para que os blogueiros se organizem, façam parcerias com empresas ou criem associações para disputar, sim, o direito a participar do bolo publicitário – inclusive as verbas oficiais, que ajudaram a família Marinho a ficar bilionária nos últimos anos.

Aliás, proponho à Redação de “O Globo” uma troca singela: dou entrevista e respondo tudo o que quiserem saber, desde que a família Marinho (que ficou bilionária graças a uma concessão pública) abra suas contas e apresente o famoso DARF – esclarecendo se pagou (ou não) a suposta dívida com a Receita Federal.

Que tal, Bárbara? Passa a sugestão pros seus chefes aí!

Leia também:
O Globo tenta detonar o Tijolaço. Esses irmãos Marinho…

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Contraponto 13.771 - "Julgamento do 'mensalão' é denunciado à OEA "

Por Elton Bezerra, do Conjur

Os advogados dos executivos do Banco Rural condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão, denunciaram o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA). Eles pedem um novo julgamento de seus clientes: Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane. O cerne da discussão apresentada na denúncia é o direito ao duplo grau de jurisdição.

De acordo com os criminalistas Márcio Thomaz Bastos (foto), José Carlos Dias e Maurício de Oliveira Campos Júnior, houve no julgamento da AP 470 violação ao artigo 8º da Convenção Americana sobre Direitos Humanos — Pacto de São José da Costa Rica, do qual o Brasil é signatário.

 O dispositivo diz que toda pessoa tem direito de recorrer da sentença para juiz ou tribunal superior.

“Os ministros que compõem o Supremo Tribunal Federal não observaram o duplo grau de jurisdição ao deixarem de desmembrar o processo e remetê-lo à primeira instância quanto aos acusados que não detinham foro privilegiado por prerrogativa de função”, afirmam na peça enviada à CIDH. No documento, os advogados narram o ocorrido no julgamento da AP 470 e informam que, apesar de apenas 3 dos 40 denunciados terem foro privilegiado, a Ação Penal não foi desmembrada e todos foram julgados diretamente pelo STF. Isso, segundo os advogados, negou aos executivos do Banco Rural e a todos os demais que não tinham foro privilegiado o pleno acesso à Justiça. O desmembramento, inclusive, foi solicitado diversas vezes ao longo do processo e todas as vezes negado pelo STF.

Além do caso concreto, os advogados afirmam que o foro por prerrogativa de função, previsto no artigo 102 da Constituição Federal brasileira viola o Pacto de São José da Costa Rica. Por isso pedem que a Comissão Interamericana da Direitos Humanos recomende uma adequação das normas. “A própria legislação brasileira prevê, portanto, hipóteses de violação direta ao princípio do duplo grau de jurisdição, direito garantido a todo e qualquer acusado pela Convenção Americana de Direitos Humanos”, afirmam.

Ao retomar ao caso concreto, os criminalistas apontam que o Supremo não desmembrou a Ação Penal considerando que dois institutos processuais penais —  a conexão e a continência — supostamente assim determinavam. Sempre que se verificar ocorrência desses institutos, os acusados devem ser processados e julgados em conjunto. Entretanto, segundo a defesa dos réus, essa regra não é absoluta e a jurisprudência do Supremo aponta que os casos têm sido desmembrados, a depender do número de acusados com foro privilegiado.

Como exemplo, citam o caso do inquérito do chamado mensalão mineiro. O ministro Joaquim Barbosa, que também foi o relator da AP 470, determinou o desmembramento em razão do número excessivo de acusados dos quais somente um detinha prerrogativa de foro privilegiado: o senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG).

“Nessa perspectiva, resta cabalmente comprovado que não só a legislação interna brasileira viola gravemente disposição que tutela o direito ao duplo grau de jurisdição prevista na Convenção Americana de Direitos Humanos ao permitir, ainda nos dias de hoje, o foro por prerrogativa de função, como também decisões casuísticas proferidas por cortes brasileiras, sem qualquer respaldo em critérios objetivos, ferem de morte tal princípio, ao estender a prerrogativa de foro àqueles que não o detêm”, concluem. Como os envolvidos já estão cumprindo a pena imposta pelo Supremo Tribunal Federal, os advogados pediram tramitação prioritária na denúncia.
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