sábado, 25 de junho de 2016

Nº 19.721 - "Antes de prender o Lula, tem que olhar para o exterior "

 ..
 25/06/2016

Antes de prender o Lula, tem que olhar para o exterior


 Do Conversa Afiada 23/06/2016



.

Nº 19.720 - "Bancada do PT no Senado acusa PF de abuso de poder por prisão de Paulo Bernardo"

 

23/06/2016

 

Bancada do PT no Senado acusa PF de abuso de poder por prisão de Paulo Bernardo


Composta por dez parlamentares, a bancada do PT no Senado divulgou uma nota de repúdio nesta quinta-feira, 23, contra a prisão preventiva do ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Segundo os congressistas, houve “abuso de poder” na ação da Polícia Federal (PF), que “atenta contra o Estado Democrático de Direito”.

Eles alegam que a residência oficial de Gleisi foi “invadida”, na presença de seus filhos menores, sem a devida autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). Os senadores insinuaram que a ação da PF de hoje busca acobertar fatos que atingem o governo do presidente em exercício, Michel Temer.

Bancada do PT no Senado acusa PF de abuso de poder por prisão de Paulo Be


“A bancada estranha que tal prisão tenha ocorrido no momento em que a nação toma conhecimento de fatos gravíssimos de corrupção que atingem diretamente o governo provisório (…) Tal prisão e a invasão da sede do PT desviam o foco da opinião pública do governo claramente envolvido em desvios, para a oposição democrática, que sempre buscou a apuração de todos os fatos com isenção e transparência.”
 
No manifesto, os congressistas demonstram solidariedade à Gleisi, que faz parte da tropa de choque da presidente afastada Dilma Rousseff na Comissão Especial do Impeachment. “A bancada dos senadores do PT manifesta apoio irrestrito a uma de suas senadoras mais atuantes na defesa da democracia e dos direitos do povo brasileiro, hoje ameaçados por um governo ilegítimo, autoritário e retrógrado.” A Comissão Executiva Nacional do PT também criticou, por meio de nota, a ação da PF, que classificou de “desnecessária” e “midiática”. 
 
A assessoria de imprensa de Gleisi afirmou que a senadora não vai se pronunciar, por ora, sobre a prisão do marido. Depois de participar de um encontro do Parlasul, em Montevidéu, nos últimos dias, Gleisi retornou ontem à noite para Brasília. A assessoria não soube informar se ela permanecerá na cidade ou viajará a São Paulo, para onde Paulo Bernardo será levado pelos policiais.

O ex-ministro já esteja no aeroporto, mas não há previsão do horário que ele seguirá para a capital paulista, que centraliza as investigações, devido às más condições do tempo na cidade.

Você leu um artigo sobre: Bancada do PT no Senado acusa PF de abuso de poder por prisão de Paulo Bernardo, comente.

.

Nº 19.719 - "Temer e Serra agridem Mercosul por ideologia"


25/06/2016 
 

relações exteriores

Temer e Serra agridem Mercosul por ideologia

 
“Não tem negócio de pátria. São contra a soberania, o desenvolvimento e a favor de seu enriquecimento”, afirma Pinheiro Guimarães. “Basta ver como são 'pobres' os economistas que participaram do governo FHC"
 
 
  Rede Brasil Atual - publicado 25/06/2016 09:34, última modificação 25/06/2016  09:34

 
Renato Araújo (Abr) e Roberto Parizotti
Guimarães e Jakobsen: governo interino dita política externa do país por postura ideológica e contra soberania

por Helder Lima, da RBA

 
São Paulo – O ministro interino das Relações Exteriores, José Serra, ataca veladamente o Mercosul. Serra alega que o país deve poder celebrar acordos comerciais com os mais diferentes países. O que está em jogo é uma resolução do Mercosul, a Decisão 32, de 2000, que define que os acordos comerciais não podem ser feitos sem aprovação do bloco. Ontem (24) o próprio presidente interino Michel Temer saiu em defesa da ideia, em entrevista à rádio Estadão, pregando a necessidade de flexibilizar a decisão para que o país faça acordos tarifários livres com os parceiros que quiser.

O argumento não convence os críticos do governo provisório. Não convence nem mesmo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), uma das madrinhas do afastamento de Dilma Rousseff. Na prática, se negociar tarifas a seu bel-prazer o governo interino vai jogar contra a indústria, contra os empregos e agravar a recessão, segundo afirmam fontes ouvidas pela RBA.

Um deles é o economista Kjeld Jakobsen, que foi secretário de Relações Internacionais da CUT, da prefeitura de São Paulo e integra a diretoria da Fundação Perseu Abramo. Para ele, o "governo golpista" demonstra não entender nada de economia, de políticas sociais, de direitos humanos e tampouco de comércio. "Isso por várias razões. Primeiro porque o Mercosul não impede que você negocie com outros países. O que ele pode impedir é que você faça acordos de livre comércio com taxas inferiores à Tarifa Externa Comum (TEC) que existe no Mercosul", afirma Kjeld Jakobsen. “Se fizer isso, você traz para dentro do bloco o que a gente chama de desvio de comércio, porque os outros vão exportar para o Brasil, com tarifa menor do que a TEC, e o Brasil vai com tarifa zero para os outros quatro países do Mercosul”, explica.

Nas notícias que circularam ontem (25) sobre a questão despontam a possibilidade de o país fazer acordos com Canadá, Japão, Coreia e o bloco formado por pequenos países europeus, como Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Mas isso não diz tudo, na opinião do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. “Quando você faz um acordo de livre comércio com um país, e você leva a zero a tarifa, os outros países também perdem. O que ele (Serra) está pretendendo fazer é começar com esse tipo de país para depois fazer com os grandes, porque com esses (os pequenos) não tem nenhum impacto. Vai ver o tamanho do comércio do Brasil com esses países. É absolutamente insignificante. Ele quer abrir um precedente para fazer com outros países”, alerta Guimarães.

“Essas pessoas são antipátria, são antinacionais, contra o trabalho, contra o povo, contra os trabalhadores. Certamente é uma medida que agravaria a recessão. É tudo o que os outros países querem, que é exportar para cá”, diz o embaixador. “A falta de conhecimento, a falta de sentimento de nação é muito grande e a ignorância também. Você acha que ele quer ter livre comércio com a Suíça? O que eles querem é um esquema de livre comércio com os Estados Unidos. E com a Europa. É uma questão ideológica – eles querem a Alca (Área de Livre Comércio das Américas, proposta pelos Estados Unidos em 1994, mas que não prosperou) e claro que os Estados Unidos também querem isso, porque vão exportar muito para o Brasil. Os Estados Unidos hoje em dia já têm um superávit com o Brasil muito grande”, afirma Pinheiro Guimarães.

“Se revogar isso (a decisão 32/00) significa o fim do Mercosul, o que seria um prejuízo muito grande porque um dos destinos mais importantes das exportações brasileiras é exatamente o Mercosul, principalmente no que diz respeito a bens industrializados, que é um setor em que o Brasil vem perdendo competitividade, por várias razões”, diz o diretor Jacobsen. “A existência do Mercosul não impediu que a China se tornasse o principal parceiro comercial do Brasil, que está em primeiro lugar nas nossas relações comerciais. Essa relação cresceu mais de 1.000% de 2002 para os dias atuais. E mesmo aqui na América do Sul, o segundo maior crescimento de comércio do Brasil foi com a Argentina por causa do Mercosul. Esse crescimento é superior a 800%, de 2002 para os dias atuais”, afirma o economista.

"Os caras não estão nem aí, porque eles vão fazer negócios. Eles fazem negócios. Você pode buscar no WikiLeaks as declarações do Serra no passado sobre a Chevron – ele garantiu que ia mudar a legislação. E ninguém disse nada, coisa documentada, Para eles não tem negócio de pátria. São contra a nossa soberania, contra o nosso desenvolvimento e a favor de seu enriquecimento pessoal", sustenta o embaixador. E lembra: "Basta ver as pessoas que participaram do governo Fernando Henrique como elas estão 'pobres'. Veja a fortuna dos economistas que participaram do governo Fernando Henrique. Estão todos milionários", afirma Guimarães.
.

.

Nº 19.718 - "Cunha vai ligar o ventilador? "

.
25/06/2016

Cunha vai ligar o ventilador?

ventila


Por

Eduardo Cunha, a considerar o que diz matéria publicada agora há pouco pelo O Globo, pode ter dado o primeiro passo para “peemedebizar” suas aventuras financeiras.

A pretexto de provar que não houve o telefonema entre  Edison Lobão e ele, Cunha, quando o empresário Júlio Camargo teria ido discutir assuntos de propina com o ex-ministro de Minas e Energia, pediu a quebra dos sigilos telefônicos de Lobão e o seu próprio.


Não se sabe se, até agora, rastrearam todas as ligações telefônicas de Cunha.

Mas o sigilo de Lobão está quebrado desde janeiro, embora mantido em sigilo.

Cunha quer forçar sua divulgação?

Pode ser uma simples medida protelatória.

Pode esbarrar na negação  a priori que o STF faz em relação a qualquer pedido de Cunha – inclusive esta de impedir seu ingresso na Câmara, que equivale a uma quase decretação de prisão do presidente afastado da Câmara.

Mas é o primeiro gesto concreto de Cunha para espalhar no ventilador peemedebista as encrencas em que está metido.

Porque se ficar estabelecido que Cunha achacava e obtinha dinheiro para comprar apoio, alguém o vendia.
O abraço de afogado, todos sabem, costuma levar outros para o fundo do mar.

.

Nº 19.717 - "Para onde vamos? Impasses da atual crise"


Para onde vamos? Impasses da atual crise

 

Brasil 247 - 24/06/2016 

.

:  
Leonardo Boff

Leonardo BoffA atual crise brasileira, talvez a mais profunda de nossa história, está pondo em xeque o sentido de nosso futuro e o tipo de Brasil queremos construir.

Celso Furtado com frequência afirmava que nunca conseguimos realizar nossa auto-construção, porque forças poderosas internas e externas ou articuladas enntre si sempre o tinham e têm impedido.

Efetivamente, aqui se formou um bloco coeso, fortemente solidificado, constituído por um capitalismo que nunca foi civilizado (manteve a sua voracidade manchesteriana das origens), financeiro e rentista, associado ao empresariado conservador e anti-social e ao latifúndio voraz que não teme avançar sobre as terras do donos originários de nosso país, os indígenas e de acréscimo as dos quilombolas. Estes sempre frustraram qualquer reforma política e agrária, de sorte que hoje 83% da população vive nas cidades (bem dizendo, nas periferias miseráveis), pois esta sentia-se deslocada e expulsa do campo. Estas elites altamente endinheiradas se associaram a poucas famílias que controlam os meios de comunicação ou são donos delas.

Esse bloco histórico será difícil de ser desmontado, uma vez que o tempo das revoluções já passou. As poucas mudanças de orientação popular e social introduzidas pelos governos do PT estão sendo bombardeadas com os canhões mais poderosos. Os herdeiros da Casa Grande e o grupo do privilégio estão voltando e impondo seu projeto de Brasil.

Para sermos sucintos e irmos logo ao ponto central, trata-se do enfrentamento de duas visões de Brasil.

A primeira: ou nos submetemos à lógica imperial, que nos quer sócios incorporados e subalternos, numa espécie de intencionada recolonização, obrigando-nos a ser apenas fornecedores dos produtos in natura (commodities, grãos, minério, água virtual etc.) que eles pouco possuem e dos quais precisam urgentemente.

A segunda: ou continuamos teimosamente com a vontade de reinventar o Brasil, com um projeto sobre bases novas, sustentado por nossa rica cultura, nossas riquezas naturais (extremamente importantes após a constatação dos limites da Terra e do aquecimento crescente), capaz de aportar elementos importantes para o devenir futuro da humanidade globalizada.

Esta segunda alternativa realizaria o sonho maior dos que pensaram um Brasil verdadeiramente independente, desde Joaquim Nabuco, Florestan Fernandes, Caio Prado Jr e Darcy Ribeiro até Luiz Gonzaga de Souza Lima num livro que até agora não mereceu a devida apreciação e atenção ("A refundação do Brasil: rumo à sociedade biocentrada", RiMA, São Carlos, SP 2011) e da maioria dos movimentos sociais de cunho libertário.

Estes sempre projetaram uma nação autônoma e soberana mas aberta ao mundo inteiro.

A primeira alternativa que agora volta triunfante sob o presidente interino Michel Temer e seu ministro das relações exteriores José Serra, prevê um Brasil que se rende resignadamente ao mais forte, bem dentro da lógica hegeliana do senhor e do servo. Em troca recebe imensas vantagens, beneficiando especialmente os endinheirados (Jessé Souza) e os seus controlados.

Estes nunca se interessaram pelas grandes maiorias de negros e pobres que eles desprezam, considerando-os peso morto de nossa história. Nunca apoiaram seus movimentos. E quando podem, os rebaixam, difamam suas práticas e com o apoio do estado elitista por eles controlado, os criminalizam.

Eles contam com o apoio dos USA, como o nosso maior analista de política internacional Moniz Bandeira, em sucessivas entrevistas, tem chamado atenção, pois não aceitam a emergência de um potência nos trópicos.

Donde nos poderá vir uma saída? De cima não poderá vir nada de verdadeiramente transformador. Estou convencido de que ela só poderá vir de baixo, dos movimentos sociais articulados, de outros movimentos interessados em mudanças estruturais, de setores de partidos vinculados à causa popular. O dia em que as comunidades favelizadas se conscientizarem e projetarem um outro destino para si e para o Brasil, haverá a grande transformação, palavra que hoje substitui a de revolução. As cidades estremecerão.

Aí sim poderão os poderosos serem alijado de seus tronos, como dizem as Escrituras, o povo ganhará centralidade e o Brasil terá sua merecida independência.
.
.

Nº 19.716 - "Projeto para Estatais do PSDB manteria os corruptos na Petrobrás e barraria o pai do Pré-sal"

.

25/06/2016

 

Projeto para Estatais do PSDB manteria os corruptos na Petrobrás e barraria o pai do Pré-sal

serraentreguistaFUP


Por Tadeu Porto (@tadeuporto), colunista do Blog O Cafezinho*


O Partido da Social Democracia Brasileira, com ajuda do usurpador Michel Temer, aprovou um projeto chamado de “lei de responsabilidade das Estatais”, com regras não só para inglês ver, mas também americano ficar de olho. Em outras palavras, os tucanos passaram uma enorme jabuticaba entreguista para cima dos brasileiros, inventando uma lei que limita os poderes da União - leia-se do povo - nas empresas públicas sem chegar perto de resolver os verdadeiros problemas de governança.

Fica o registro, aqui, dos devidos créditos à Folha de São Paulo que publicou, antes desse Blog (talvez seja a dona do “furo”, não vi outro veículo abordando o assunto), o óbvio: o projeto de lei do PSDB seria inútil contra os crime apurados na lava-jato.

Ou seja, o esquema criminoso descoberto até agora na Petrobrás, se depender da lei tucana, vai continuar prosperando pois o setor privado, que tem papel crucial na corrupção, teve suas sanções convenientemente abrandadas nos critérios  norma.É relativamente simples de entender: uma grande corporação privada (como uma empreiteira ou um banco), com rios de dinheiro e poder, precisa corromper apenas meia duzia de funcionários de carreira para influenciar as tomadas de decisão de uma companhia pública.

Bom, claro que escrevi essa coluna para poder acrescentar algo ao raciocínio colocado Bruno Fávero na FSP, sobre o quão inócuo seria esse projeto para evitar os crimes da lava-jato.

Sendo assim, pode-se destacar que o projeto relatado por Tasso Jereissati (PSDB-CE) tira a possibilidade do viés republicano fazer parte dos planos de cada empresa pública, como, por exemplo, limitar a escolha de pessoas comprometidas com projetos nacionalistas nos cargos que definem os rumos das companhias.

E o grande exemplo disso é o fato de que o pai do Pré-Sal, o geólogo Guilherme Estrella, ficaria de fora da diretoria de Exploração e Produção da Petrobrás por ter sido presidente do diretório do PT em Nova Friburgo quando foi convidado, em 2003, pelo ex-senador petista José Dutra.

Tive a oportunidade de entrevistar o Estrella para o Diálogo Petroleiro e na ocasião, nas conversas em off que tivemos, ele me falou algo interessante: a Shell chegou a furar um poço em Libra mas devolveu a área pois não achou Petróleo. Resultado, a Petrobrás recebeu a região “rejeitada” e encontrou o Pré-sal graças a uma política de isentivo a novas tecnologias e a ousadia de uma empresa nacional que sonha em ser grande.

Ou seja, se o entreguismo tucano tivesse influenciado o legislativo na década passada, teríamos um projeto de Lei que impediria Estrella - que ainda não é investigado - de assumir uma diretoria, correndo sérios riscos de perder o pré-sal (O ex-diretor relatou ao Estadão que a descoberta é mérito da política escolhida pela Petrobrás), mas com regras que permitem pessoas como Renato Duque, Pedro Barusco, Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e Jorge Zelada a entrar no jogo de carteis privados e deturpar metas e planos coletivos em prol de favores pessoais.

Desacreditar a importância da política na vida das companhias e sobrevalorizar a capacidade técnica constrói um cenário perfeito para as empresas focarem seus negócios apenas nos lucros, deixando de lado fatores cruciais para uma economia moderna como a responsabilidade social e ambiental. Por isso a direita nacional, capitaneada pelo PSDB, comemora esse projeto que, basicamente, planta a semente das privatizações em todas as estatais nacionais.

E assim, mais uma vez, os tucanos acrescentam uma dose de liberalismo na nossa economia, vendendo a modernidade no presente para colher quebradeira no futuro (a Oi que o diga). No fim, quem paga o pato é o Estado que tem o verdadeiro compromisso de garantir os serviços para os cidadãos e cidadãs.


Tadeu Porto é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense, SindipetroNF.
.
.

Nº 19.715 - "Altamiro Borges: As denúncias de crimes fiscais do Bradesco, Safra e Gerdau sumiram da mídia. Alguma dúvida sobre o motivo?"

.

25/06/2017 

 

Altamiro Borges: As denúncias de crimes fiscais do Bradesco, Safra e Gerdau sumiram da mídia. Alguma dúvida sobre o motivo?

 

Do Viomundo - 24 de junho de 2016 às 19h57
.

trabuco, safra e gerdau

.

Bradesco, Safra e Gerdau sumiram da mídia

por Altamiro Borges, em seu blog

É impressionante como a mídia privada – nos dois sentidos da palavra – protege os seus bilionários anunciantes privados.

As corporações empresariais podem cometer os maiores crimes – sonegação fiscal, evasão de divisas ou desvio de recursos públicos – , mas logo são absolvidas pela imprensa venal.

No final de maio, a Polícia Federal indiciou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, suspeito por fraudes na Receita. Meses antes, dirigentes do banco Safra e da Gerdau também foram denunciados por crimes fiscais. Nos primeiros dias, os escândalos corporativos não tiveram como ser acobertados. Na sequência, porém, eles simplesmente sumiram do noticiário dos jornalões, revistonas e emissoras de rádio e televisão. A cumplicidade explícita lembra o pacto dos mafiosos!

No caso do Bradesco, o maior banco privado do Brasil, Luiz Carlos Trabuco e outros dois executivos da instituição foram indiciados no inquérito da Operação Zelotes, que apura o pagamento de propinas para reverter multas na Receita. Também foram denunciados agentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda, e sócios de escritórios de advocacia que participaram do esquema mafioso. Segundo relatório da Polícia Federal, a diretoria do Bradesco “teve contato” com os criminosos para obter sentenças que reduzissem suas dívidas no Fisco. Um dos encontros ocorreu na sede central do banco, na cidade de Osasco (SP), em outubro de 2014.

Temer, imprensa e a operação-abafa

Segundo as investigações, o esquema visava resolver um passivo fiscal de R$ 3 bilhões e recuperar créditos tributários do PIS e Cofins. De imediato, a direção do Bradesco negou a acusação e alegou desconhecer a maracutaia. Já a Polícia Federal reafirmou que a diretoria do banco estava ciente da intenção dos lobistas.

“Não é crível que a alta cúpula de uma das maiores instituições do país aceite receber qualquer tipo de aventureiro ou mercador que venham bater a sua porta vendendo soluções milagrosas para dirimir débitos fiscais”, afirmou em nota divulgada em 30 de maio. De lá para cá, nada mais foi falado sobre o escândalo, que sumiu da mídia corrompida.

O esforço para abafar o caso pode, inclusive, ter contado com o empenho direto do governo golpista de Michel Temer. Segundo matéria da Folha, “o indiciamento do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, gerou preocupação na equipe econômica do presidente interino pelo risco de provocar turbulência no mercado financeiro num momento delicado da economia brasileira. Apesar da preocupação, a orientação do Planalto é a mesma em relação à Operação Lava Jato, de que ‘não cabe nenhum tipo de interferência’ nas investigações”. Será que alguém acredita nesta bravata da Folha?

Safra, Gerdau e as propinas milionárias

Antes do Bradesco, outras duas poderosas corporações já tinham se enroscado na Operação Zelotes. Em meados de maio, a Polícia Federal indiciou o presidente do Grupo Gerdau, André Gerdau, e mais 18 executivos e agentes fiscais envolvidos em mutretas junto ao Carf. Eles foram denunciados pelos crimes de “corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e tráfico de influência”.

Segundo as investigações, mesmo após a deflagração da Zelotes, a Gerdau seguiu praticando crimes, entre eles o de advocacia administrativa. A PF estimou que o grupo empresarial, com atividades em 14 países, tenha tentado sonegar R$ 1,5 bilhão, pagando propina aos conselheiros do Carf.

Já no final de abril, o alvo das investigações da Operação Zelotes foi o Safra. O acionista majoritário do banco, Joseph Safra, chegou a ser convocado para prestar esclarecimento à Comissão Parlamentar de Inquérito do Carf – a CPI que até hoje hoje não incriminou nenhum dos poderosos ricaços metidos em fraudes fiscais. Segundo o Ministério Público Federal, a instituição teria desembolsado R$ 15,3 milhões em propina para abortar três processos da JS Administração de Recursos, um dos braços do banco, que tinha multas no Carf que somavam R$ 1,8 bilhão. A exemplo dos presidentes do Bradesco e da Gerdau, o “acionista majoritário” do Safra segue livre e solto.

Mídia e publicidade: relação promíscua

A mídia privada, que adora promover a escandalização da notícia – somente quando ela enfraquece os órgãos públicos e as empresas estatais -, sempre evitou destacar aos escândalos das megacorporações empresariais.

Esta omissão criminosa, que adultera o jornalismo e a ética, se dá por razões políticas e econômicas. Além da apologia ao “deus-mercado” e da negação do papel do Estado, a mídia privada mantém uma relação de cumplicidade com os anunciantes. Para estimular o consumo doentio, muita grana circula na publicidade.
Corrompida, a imprensa comercial blinda os crimes dos anunciantes. E ainda tem gente que acredita na imparcialidade e neutralidade da mídia privada.

No ano passado, por exemplo, a compra de espaços publicitários em veículos de comunicação atingiu R$ 35,1 bilhões – excluídos os descontos praticados por jornais, revistas e emissoras de tevê e rádio -, segundo um levantamento da Kantar Ibope Media e Grupo de Mídia. Somente a TV aberta recebeu 63% deste total. Reproduzo abaixo o ranking da publicidade em 2015 a partir dos diferentes meios:

TV aberta – R$ 22,064 bi (62,9%)
TV paga – R$ 3,215 bi (9,2%)
Jornal impresso – R$ 2,878 bi (8,2%)
Display (anúncios na internet) – R$ 1,824 bi (5,2%)
Revista impressa – R$ 1,599 bi (4,6%)
Search (resultados de mecanismos de busca) – R$ 1,578 bi (4,5%)
Rádio – R$ 1,279 bi (3,6%)
Mobiliário urbano – R$ 446 mi (1,3%)

É uma fortuna – o que explica a cumplicidade da mídia venal diante dos vários crimes cometidos pelo Bradesco, Safra, Gerdau e outras corporações empresariais. A maior parte desta grana, num país em que a ausência de legislação estimula a concentração e o monopólio no setor, vai evidentemente para a TV Globo. Não é para menos que os três filhos de Roberto Marinho são os maiores ricaços nativos, segundo o ranking da insuspeita revista Forbes.

No ano passado, o Grupo Globo obteve uma receita de R$ 16 bilhões. Apesar da crise econômica que atingiu o país, o império global manteve a sua alta lucratividade. “O lucro líquido teve aumento real (descontada a inflação) de 30%, fechando o ano em R$ 3 bilhões”, descreve uma reportagem da Folha de março último.

Leia também:
Governo Temer se entrega aos planos privados de saúde 


.

Nº 19.714 - "Veja confirma: Valério irá delatar Aécio Neves"

Redução de danos I

Com sua delação sobre o mensalão mineiro, Marcos Valério quer escapar da condenação no processo. Cumprindo pena de 37 anos pelo mensalão petista, o publicitário poderia migrar já no ano que vem, ou no mais tardar em 2018, para o regime semiaberto.

Redução de danos II

Valério deve falar sobre a suposta tentativa de Aécio Neves (PSDB) de maquiar documentos do Banco Rural na CPI dos Correios, revelada por Delcídio do Amaral. Como benefício, quer ser transferido do presídio Nelson Hungria, em Contagem, para uma Apac, um centro de ressocialização em que celas são chamados de dormitórios, cada uma abriga no máximo cinco pessoas e há uma série de atividades para os detentos.

Leia, abaixo, reportagem anterior do 247 sobre o caso:

247 - A delação premiada de Marcos Valério, inventor dos mensalões mineiro e federal, deve atingir o senador tucano Aécio Neves e o senador Clésio Andrade (PMDB-MG).

O foco do acordo de Valério é a delação premiada do ex-senador Delcídio Amaral, em que ele acusou Aécio de pedir mais prazo, na CPI dos Correios, para que fossem entregues as informações do Banco Rural para maquiar documentos.

Segundo ele, o próprio Aécio, na sede do governo de Minas, teria lhe dito que o tempo extra foi uma estratégia para “maquiar” os dados do Banco Rural que “atingiriam em cheio as pessoas de Aécio Neves e Clésio Andrade, governador e vice-governador de Minas Gerais (na época)”.

Com a delação complementar à de Delcídio, Valério, que já passou três anos preso, espera obter o semi-aberto ou o direito à prisão domiciliar.

.

Nº 19.713 - "Cerra e a diplomacia da burrice"

.

25/06/2016

Cerra e a diplomacia da burrice

Cuidado com a Kátia Abreu!


Do Conversa Afiada - publicado 24/06/2016
post cerra.jpg
 

O Conversa Afiada reproduz artigo de Fernando Brito, no Tijolaço:

José Serra e a diplomacia da burrice com o “Brexit”

 

Há um constrangimento quase geral no mundo com a saída do Reino Unido da União Europeia.

Até agora, na contramão deste sentimento só tínhamos as “mulas” da extrema-direita: Donald Trump, Marine Le Pen e congêneres.

Ganharam agora uma minúscula mas tropical companhia: José Serra.

Com uma sensibilidade paquidérmica, o chanceler brasileiro acaba de dizer que a ‘Saída de britânicos da União Europeia pode aproximar Brasil de Reino Unido’.

Um rápido lamento protocolar do resultado e a comemoração de que “os ingleses são um free trader (país defensor do livre comércio)” e, portanto “que podemos fazer bons acordos com eles”.

— É país menos protecionista da União Europeia — completou.

É mais ou menos como chegar no dia do velório, fazer um elogio protocolar ao morto e, em seguida, dizer que a viúva é muito interessante e agora está solteira.

Depois a Kátia Abreu joga vinho na cara dele e ele fica sem entender.

.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Nº 19.712 - "Pós-Brexit, Temer critica Mercosul e Rossetto reage"

Em entrevista à Rádio Estadão, pela manhã, ele também criticou o que chamou de "ligações exteriores pautadas por critérios ideológicos", que vinham se sendo praticadas até então, segundo ele, o que é "impensável", em sua opinião.

"Desde que o Serra assumiu, a nossa ideia é universalizar as relações do nosso País. Porque, em um dado momento, você sabe disso, muitas vezes a ligação, digamos assim, do nosso País, pautava-se mais por critérios ideológicos e isto, a meu modo de ver, é impensável", declarou Michel Temer.

Ele também defendeu "rediscutir um pouco a questão do Mercosul, não para eliminá-lo, mas para, quem sabe, dar-lhe uma diretriz mais segura nessa tese da universalização das relações com os outros países". De acordo com Temer, "muitas vezes o Brasil tem dificuldades de fazer um acordo tarifário, qualquer coisa dessa natureza, porque está preso aos compromissos do Mercosul".

Antes das declarações de Temer, o ex-ministro do Trabalho no governo Dilma Rousseff, Miguel Rossetto, havia criticado duramente a decisão do Reino Unido, classificada por ele como "lamentável", além de "reacionária e egoísta".

Rossetto também criticou, em sua fala, a possibilidade de o Brasil se afastar do Mercosul, em uma espécie de inspiração no Brexit.

"Antes que algum estúpido se empolgue com a decisão lamentável do Reino Unido, é fundamental fortalecer a integração entre os países do Mercosul e da Unasul, rejeitar uma ideia reacionária e egoísta que aprofunda a separação entre os povos e a xenofobia, estimula a segregação social e a violência", disse.


 .
___________________________
 .
 PITACO DO ContrapontoPIG

 .
Temer foi o primeiro "algum estúpido" que se empolgou!

_____________________________
.

Nº 19.711 - "Ciro Gomes ao DCM: “Serei candidato em 2018 se o Lula não for”. Por Kiko Nogueira"

.

24/06/2016

 

Ciro Gomes ao DCM: “Serei candidato em 2018 se o Lula não for”. Por Kiko Nogueira


Do Diário do Centro do Mundo - Postado em 24 Jun 2016

Ciro Gomes, pré-candidato à presidência pelo PDT, deu uma entrevista exclusiva ao programa do DCM na TVT.

Morando no bairro do Itaim, em São Paulo, reclamando da agenda pesada (tem viajado e palestrado por todo o Brasil; na semana seguinte iria a Washington), Ciro conversou comigo, com o diretor Max Alvim e com o apresentador Marcelo Godoy, o “Gogó de Ouro”.

Ciro, que nunca foi de facilitar com adversários e mesmo aliados, tem batido pesado no golpe. Temer e Cunha são seus alvos prediletos. “Chamei Cunha de ladrão na cara dele”, diz, gesticulando para mostrar a distância entre ele e o bandido na Câmara.
Ele, que já se definiu como “o homem da crise: quando dá merda me chamam” avisa que só não entraria na disputa em 2018 se Lula entrar. “Lula é maior do que eu”, diz ele, que não vê sentido em dividir os votos da esquerda. Ser vice de Lula está fora de questão, por ora.

Não há condescendência com Lula. Ele “deixou roubar”, governou com esse PMDB e é também responsável pela indicação de Michel Temer para o lugar de vice na chapa de Dilma.

O empate de Lula com Marina Silva nas últimas pesquisas de opinião é motivo de lamento e não de comemoração. “Ele quis brincar de Deus”, afirma.

Ciro havia sido convidado, juntamente com o ex-ministro Bresser Pereira, para defender Dilma na comissão do impeachment no Senado. O depoimento deles foi cancelado.

“Eu não ia lá para brigar”, garante ele. Esse estilo, o mundo sabe, atrapalha sua ambições. Mas é mais forte do que ele.

Ele continua mantendo uma relação de conselheiro de Dilma. Se ela acata seus conselhos, são outros quinhentos. Aparentemente, não. Quando Michel Temer vazou sua carta idiota para um jornalista amigo e a conspiração saiu definitivamente do armário, Ciro conta que sugeriu a ela: “Liga pra ele aí e diz que vamos partir pra cima”.

Nada foi feito. Segundo Ciro, ele tem cópias de processos de Temer, a quem atribui um histórico de corrupção desde tempos imemoriais.

“O cara colaborou com os americanos. Tá no Wikileaks”, afirma. “Puta que o pariu, o Barão do Rio Branco deve estar se contorcendo no túmulo”.

O plebiscito por novas eleições é uma “marinice”. Além da necessidade de uma PEC, “qualquer deputado, senador ou mesmo um cidadão, que se sentir prejudicado pela interrupção dos mandatos, pode ingressar com uma ação direta de inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal, que seria obrigado a intervir”.

Considera que a batalha no Senado não está perdida, apesar da ofensiva do interino com trocas de cargos e outras propostas.

Nutre uma admiração genuína por Dilma, uma pessoa “limpa” e “correta”. Sua briga é pela democracia.

Sempre deixou claro, contudo, que se inclui entre os traídos com o segundo mandato. Sobre a dificuldade de  Dilma de fazer política, é direto: “Ela não é do ramo”.

“Quando um golpe acontece, tudo fica à margem da lei. Como é que um ministro do Supremo faz discurso politico proibindo presidente de nomear ministro? O cara nem é réu”, diz, referindo-se a Gilmar Mendes e Lula.

“Acho improvável prender o Lula. Não tem culpa”, diz Ciro. “A solidariedade é o seguinte: eu quero formar um grupo de juristas e se eu entender que o Lula está sendo vítima de uma arbitrariedade, a gente vai lá, sequestra ele e entrega pra uma embaixada”.

Aécio está “morto”. Serra, nem tanto, em sua visão. E Ciro?

Outros trechos da entrevista serão postados ao longo da semana. O DCM na TVT passa aos domingos às 20h.







(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).
Sobre o Autor
Kiko Nogueira. Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.




Nº 19.710 - Líder do MTST ameaça o país: “Se houver impeachment e Lula for preso, não haverá um dia de paz”

.


24/06/2016 

 

Líder do MTST ameaça o país: “Se houver impeachment e Lula for preso, não haverá um dia de paz”

 

Diário do Brasil - 22/06/2016 

Resultado de imagem para Guilherme Boulos


Guilherme Boulos disse, [coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)] afirmou ontem (22) que se houver impeachment da presidente Dilma e Lula for preso, o Brasil será “incendiado por greves, ocupações e mobilizações”

É isso mesmo que você está lendo. A ‘malandragem’ está ameaçando a nação. O comunista [provavelmente] sustentado com dinheiro público declarou:

“Não haverá um dia de paz do Brasil. Podem querer derrubar o governo, podem prender arbitrariamente o Lula ou quem quer que seja, podem querer criminalizar os movimentos populares, mas achar que vão fazer isso e depois vai reinar o silêncio e a paz de cemitério é uma ilusão de quem não conhece a história de movimento popular neste país. Não será assim”
 
‘Há setores do mercado que acham que vão tirar Dilma e vão fazer as “reformas estruturais” que se precisa para a sociedade brasileira. O escambau. Este país vai ser incendiado por greves, por ocupações, mobilizações, travamentos. Se forem até as últimas consequências nisso não vai haver um dia de paz no Brasil’, completou o anarquista, em entrevista coletiva junto aos coordenadores da Frente Povo Sem Medo.

.

Nº 19.709 - "Empresário investigado na Operação Turbulência pode ter sido envenenado"

  .

24/06/2016

 

Empresário investigado na Operação Turbulência pode ter sido envenenado

 

Jornal GGN – A morte do empresário Paulo Cesar de Barros Morato, que teve prisão preventiva decretada pela Polícia Federal na última terça-feira (21), permanece um mistério. O IML da Paraíba ainda vai realizar novos exames em seu corpo. A principal suspeita para a causa da morte é de que ele tenha ingerido veneno.

Morato estava foragido. Ele foi encontrado na suíte de um motel em Olinda, sem marcas de agressões físicas nem ferimentos. Ele deu entrada no motel às 12h da terça-feira. Os funcionários do estabelecimento estranharam quando o tempo passou e ele não renovou a diária nem fez qualquer pedido de bebida ou alimentação.

De acordo com o médico legista, o óbito pode ter acontecido na terça-feira mesmo e não na quarta-feira, quando o corpo foi descoberto.

Morato era suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que talvez esteja relacionado com a campanha à presidência do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto em agosto de 2015 em um acidente aéreo.


Da Rede Brasil Atual


Por Hylda Cavalcanti

Paulo Cesar de Barros Morato integrava um esquema que pode ter lavado recursos para campanhas do PSB. Caso está sendo apurado pela Polícia Federal. Ainda não se comprovou suicídio ou assassinato

Brasília – Notícias divulgadas na tarde de hoje (23), em Recife, ainda mostram que a morte do empresário Paulo Cesar de Barros Morato, que tinha tido prisão preventiva decretada na terça-feira (21), pela Polícia Federal, continua repleta de mistérios. Pesavam sobre Morato indícios de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que pode chegar a R$ 600 milhões e pode ter relação com a campanha à Presidência do ex-governador pernambucano Eduardo Campos, em 2014, pelo PSB (morto em agosto do mesmo ano em um acidente aéreo) e campanhas anteriores do mesmo partido.

O corpo do empresário será levado de Recife para o Instituto Médico Legal (IML) da Paraíba, para novos exames. As principais suspeitas são de que ele tenha ingerido veneno, mas não está descartada a possibilidade de assassinato.

De acordo com o médico-legista Marcos Justino, responsável pela necropsia, apesar de ter sido constatado que o empresário não tomou bebida nem fez uso de medicamentos nas últimas horas que antecederam sua morte, o óbito pode ter acontecido na terça-feira e não ontem, quando foi descoberto. O legista também disse – segundo reportagem do jornal Folha de Pernambuco – que a transferência do corpo para outro IML tem como objetivo permitir a realização de um exame toxicológico mais detalhado.

Morato, que estava foragido e passaria a constar na lista de procurados pela Interpol, foi encontrado na suíte de um motel em Olinda, cidade da região metropolitana de Recife, sem marcas de agressões físicas nem de ferimento. Ele deu entrada no motel às 12h da terça-feira e os funcionários do estabelecimento só descobriram que havia algo errado quando acharam estranho o fato de alguém estar há tanto tempo no local sozinho e sem renovar a diária, nem fazer qualquer pedido de bebida ou alimentação.

Perícia cancelada

Várias entidades pernambucanas questionaram, ao longo do dia, se o caso deve permanecer com a Policia Civil do estado ou se deve ser transferido em caráter imediato para a alçada da Polícia Federal. Mas o que provocou surpresa entre repórteres e pessoas que apuram detalhes sobre o ocorrido foi o fato de a equipe policial escalada para realizar a perícia no motel ter chegado ao local por volta das 11h e nem sequer ter entrado na área.

Tudo o que foi divulgado a respeito foi que os peritos receberam uma ordem superior para que não entrassem na cena do crime, na hora em que se preparavam para iniciar os trabalhos. Até agora não foi dada explicação oficial sobre essa suspensão das atividades e a área próxima à suíte continua interditada.

Morato era suspeito de integrar uma organização criminosa formada por, pelo menos, 18 empresas que seriam de fachada e tinham abastecido campanhas políticas de Pernambuco e de todo o Nordeste.

Ele foi apontado como dono da empresa Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplenagem Ltda. E foi citado pelo Ministério Público como um dos responsáveis pelo aporte de recursos para a aquisição da aeronave Cesnna, que transportava o ex-governador em 2014, durante o acidente que vitimou Campos e outras seis pessoas.

O grupo foi descoberto pela PF a partir das investigações que apuravam quem seria o dono do avião que transportava Eduardo Campos por ocasião do acidente. Segundo o assessor de imprensa da Polícia Federal, Giovani Santoro, um agente federal está acompanhando as investigações para observar se a morte do empresário tem algo relacionado ao caso, intitulado como Operação Turbulência.

Petrobras e Transposição

O esquema de lavagem de dinheiro que está sendo investigado pela operação já apura o envolvimento de 30 pessoas nos estados de Pernambuco e Goiás. As suspeitas principais são de que o esquema montado tenha sido utilizado no financiamento de campanhas de Campos de 2010 e 2014. E que também tenha atuado no desvio de recursos da Petrobras e das obras de transposição do Rio São Francisco.

“Detectamos nomes de políticos entre os beneficiários dos recursos, mas ainda não podemos afirmar que apenas políticos faziam uso do esquema. Acreditamos que seja um trabalho mais amplo que levará à conclusão das investigações”, afirmou a delegada de Combate à Corrupção, Andréa Pinho, que está atuando no caso. Em nota, o PSB disse que vai esperar a conclusão das investigações e que tem confiança na honestidade de Campos, que na época da morte era também presidente nacional do partido.

.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Nº 19.708 - "Senado quer anular efeito de busca em apartamento de Gleisi Hoffmann"

 

23/06/2016 

 

Senado quer anular efeito de busca em apartamento de Gleisi Hoffmann

 


Jornal GGN – O Senado Federal recorreu ao Supremo para anular os mandados de busca e apreensão cumpridos no apartamento da senadora Gleisi Hoffman no âmbito da Operação Custo Brasil.

De acordo com a advocacia do Senado, a 6ª Vara Federal de São Paulo, responsável pela operação, não poderia ter autorizado os mandos na casa da senadora. A atribuição deveria ser da Corte Suprema.

Agora, corre-se o risco de que sejam consideras nulas as provas que eventualmente tenham sido coletadas.

Políticos do PT, como o senador Lindberg Farias, acham estranho que a operação tenha sido deflagrada em pleno processo de oitivas das testemunhas de defesa de Dilma Rousseff no processo de impeachment.

Da Agência Brasil


Por André Richter

O Senado Federal recorreu hoje (23) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para anular os mandados de busca e apreensão cumpridos no apartamento funcional da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), durante Operação Custo Brasil.

O questionamento foi motivado pela prisão do ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, marido da senadora. Pela manhã, Bernardo foi preso no apartamento funcional da parlamentar, em Brasília.

Na petição, a advocacia do Senado sustentou que o juízo da 6ª Vara Federal de São Paulo, responsável pela operação, não poderia ter determinado o cumprimento dos mandados na residência funcional da senadora, por se tratar de uma extensão das dependências do Senado, cuja atribuição seria da Corte Suprema. Para a Casa, Gleisi foi vítima de uma atuação ilegal.

Violação

“Demonstra-se que houve grave imprudência – senão dolo – na decisão impugnada, que, com plena ciência acerca das repercussões da busca e apreensão para pessoa sujeita ao foro por prerrogativa de função perante o Supremo Tribunal Federal, ainda assim determinou essa diligência – em imóvel dos próprios do Senado Federal, sujeito, portanto, à imunidade de sede constitucional –, em clara violação à regra de competência constitucional do STF”, argumentou o Senado.

Na decisão sobre a busca e apreensão de documentos e a prisão, o juiz Paulo Bueno de Azevedo determinou aos agentes da Polícia Federal que, em função do foro privilegiado, eventuais provas encontradas contra a senadora sejam encaminhadas ao Supremo. No despacho, o magistrado também ressaltou que Gleisi não é investigada e, portanto, a busca no apartamento funcional não é óbice às investigações da primeira instância.

As suspeitas envolvendo Paulo Bernardo surgiram na Operação Lava Jato e foram remetidas ao Supremo. 

Em setembro do ano passado, a Corte enviou a investigação para a Justiça de São Paulo, por entender que os fatos não fazem parte apuração da Lava Jato.

Operação Custo Brasil

De acordo com a investigação, o ex-ministro Paulo Bernardo recebia recursos de um esquema de fraudes no contrato para gestão de empréstimos consignados no Ministério do Planejamento. Os serviços da Consist Software, contratada para gerir o crédito consignado de servidores públicos federais, eram custeados por uma cobrança de cerca de R$ 1 de cada um dos funcionários públicos que solicitavam o empréstimo. Desse montante, 70% eram desviados para empresas de fachada até chegar aos destinatários, entre eles o ex-ministro.

Em nota, advogados do ex-ministro informaram que o "Ministério do Planejamento se limitou a fazer um acordo de cooperação técnica com associações de entidades bancárias, notadamente a ABBC e SINAPP, não havendo qualquer tipo de contrato público, tampouco dispêndios por parte do órgão público federal. 

Ainda assim, dentro do Ministério do Planejamento, a responsabilidade pelo acordo de cooperação técnica era da Secretaria de Recursos Humanos e, por não envolver gastos, a questão sequer passou pelo aval do ministro."

Em nota, o PT, que também foi alvo de busca em sua sede nacional em São Paulo, classificou a operação como “desnecessária e midiática”. “O PT, que nada tem a esconder, sempre esteve e está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos”, declarou o partido.

.

Nº 19.707 - "Carta aberta a Sérgio Moro. Por Paulo Nogueira"

.

23/06/2016

 

Carta aberta a Sérgio Moro. Por Paulo Nogueira

 


Diário do Centro do Mundo - Postado em 23 Jun 2016
,

Uma desgraça nacional
Uma desgraça nacional

 

Caro Moro:

Paulo NogueiraMe desculpe a franqueza, mas o senhor é uma desgraça nacional. Simboliza a justiça partidária que tanto mal faz ao país.

O senhor é um antiexemplo. No futuro, quando formos uma sociedade mais avançada, ficará a pergunta: como pudemos tolerar um juiz tão parcial?
Sequer as aparências o senhor respeitou. São abjetas as imagens em que o senhor aparece ao lado de barões da mídia como João Roberto Marinho e de políticos da direita como João Dória.

O senhor tem ideia do que aconteceria na Inglaterra se um juiz com tanto poder como o senhor confraternizasse com caciques da política e da mídia?

Mas o pior não foram as aparências: foram e são os atos práticos.

Como o senhor não se envergonhou de participar dos espetáculos circenses em que o objetivo era criminalizar um e apenas um partido, o PT?

Como o senhor não se envergonhou em passar para a Globo conversas criminosamente gravadas entre Lula e Dilma?

Caro Moro: como o senhor consegue dormir?

Vejamos os fatos destes últimos dias. O senhor e sua Lava Jato foram fulminantes em prender um ex-ministro de Lula e embaraçar o editor de um site que representa um tipo de visão completamente ignorado pelas grandes empresas jornalísticas.

Funcionários da PF, em extravagantes uniformes de camuflagem e fortemente armados, se deixaram também fotografar em frente à sede do PT em São Paulo.

O senhor tem noção do ridículo, do patético disso? Parecia que os policiais estavam indo desbaratar uma célula dos Estados Islâmicos.

Mas, ao mesmo tempo, ficamos todos sabendo que vocês fracassaram miseravelmente não uma, mas duas vezes em intimar a mulher de Eduardo Cunha, Claudia Cruz.

Vocês não sabem sequer onde ela fica para entregar a intimação? Ou o empenho frenético em investigar e atacar um lado é contrabalançado pela negligência obscena em tratar casos ligados ao outro lado?

O senhor tem ideia do desgaste que este tipo de coisa provoca em sua imagem em milhões de brasileiros?

Um homem pode ser medido pelos admiradores que semeia. O senhor é hoje venerado pelo mesmo público que idolatra Bolsonaro: são pessoas essencialmente racistas, homóficas, raivosas, altamente conservadoras e brutalmente desinformadas.

O senhor não combateu, verdadeiramente, a corrupção. O senhor combateu e combate o PT. São duas coisas distintas. Falo isso com a tranquilidade de quem jamais pertenceu ao PT ou teve qualquer vínculo com o partido.  Meu pai se elegeu presidente do sindicato dos jornalistas de SP, no começo dos anos 1980, numa disputa épica contra o representante do PT, Rui Falcão. Jamais superei certas mágoas do PT até porque meu pai era meu norte e meu sul, meu leste e meu oeste.

Não fossem os delatores, as roubalheiras de gente como Aécio, Temer e Jucá permaneceriam desconhecidas e intocadas.

Não fossem as autoridades suíças, as contas secretas que finalmente liquidaram a maior vocação corrupta das últimas décadas no Brasil não seriam conhecidas, e Eduardo Cunha continuaria a cometer seus crimes.

Caro Moro: o senhor há de ter o mesmo destino de um homem que teve um papel igual ao seu na política brasileira, Joaquim Barbosa.

A mídia o usou e espremeu ao máximo, e depois o descartou. JB não é nota sequer de rodapé dos jornais e revistas. Não é ouvido para nada.

O senhor, como JB no Mensalão, está tendo seus dias de Cinderela, porque é útil à plutocracia. Mas Gata Borralheira sempre ronda a Cinderela, como o senhor sabe.

Sinceramente.


Paulo


(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

Sobre o Autor
Paulo Nogueira. Jornalista,  fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.


 _______________________________________


PITACO DO ContrapontoPIG


Corajosa e verdadeira a carta de Paulo Nogueira.

Moro mostrou-se um juiz DESCARADAMENTE parcial em todos os passos da Lava Jato.


_________________________________________

.
.