quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Nº 23.210 - "Candidatos a feitor"

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17/01/2018
Candidatos a feitor


Do Tijolaço · 17/01/2018


reizinhomaia



Por FERNANDO BRITO


Enquanto o Brasil afunda na crise social, o campo conservador se digladia à procura daquele que possa ser o melhor feitor para manter e aprofundar a exclusão que voltou com toda a força, como o mostram os inúmeros indicadores de atraso que o país exibe: a volta ao mapa da fome, as ruas se enchendo de sem-teto outra vez, a perda de valor do salário-mínimo e a volta de epidemias que pareciam perdidas no passado, apenas para citar alguns.

Depois de Bolsonaro e suas balas e de Henrique Meirelles e seus cortes impiedosos nos gastos sociais, agora é o bem fornido de carnes Rodrigo Maia quem salta à cena, dizendo que o Bolsa Família “escraviza” e “atrela as pessoas ao Estado” ao não um emprego ou uma possibilidade de estudo.

Do alto de suas tripas forras do bom e do melhor, pagas pelo Estado em sua residência oficial de presidente da Câmara, Maia – além da grossa asneira de falar em “possibilidade de estudo”, uma vez que o benefício é condicionado à frequência escolar dos filhos de seus recebedores – vai falar de “oferecer emprego”  em um país onde as taxas de desemprego são horripilantes?

Falei mais cedo dos homens do “mundo oficial”, de um Brasil que existe para eles e seu entorno, mas não para as imensas massas da população. Maia fez questão de mostrar que vive neste “Brasil” entre aspas, onde os “bacanas” deitam regras para que o povo se comporte como acham que deva comportar-se, não importa que lhe ronque a barriga.

Nem mesmo se peja de ir dizer isso na metrópole, na capital do império, embora seja de duvidar que pudesse dizê-lo, em inglês, nos quase guetos negros de Washington.

A elite brasileira e as sucessivas camadas que ela vai incorporando, como a dos políticos bem-nascidos, de pais que esqueceram das causas generosas que tiveram em suas juventudes esmeram-se na arrogância de sua insensibilidade.

É por isso que nunca conseguem a base social que lhes permita sustentar-se politicamente e precisam não apenas da exclusão social que produzem e eternizam, mas da exclusão política de que quem encarne a esperança destas massas e de um aparato bélico-policial que as proteja da maré de pobreza e brutalidade que brota da selva onde as lançam milhões de seres humanos.


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Nº 23.209 - "Belluzzo: mídia tenta fazer colar um tal ‘Lula radical’, mas ele já governou!"

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17/01/2018


Belluzzo: mídia tenta fazer colar um tal ‘Lula radical’, mas ele já governou!


Do Blog O Cafezinho 18/01/2018 - Escrito por , Postado em Duplo ExpressoWellington Calasans

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Por Wellington Calasans e Romulus Maya, para O Cafezinho,
O programa Duplo Expresso de hoje foi bastante movimentado. Com diferentes convidados e temas abordados, o programa teve o prazer de receber o economista Luiz Beluzzo. Numa verdadeira aula, Beluzzo que também é professor universitário, fez uma análise cirúrgica do momento econômico do Brasil.
Assista ao vídeo os destaques de hoje:
– A ativista brasileira Marcia Nunes, radicada na Holanda, fala das frentes internacionais em defesa de Lula e da democracia no Brasil.
– A arquiteta e mestra em Engenharia Civil Patrícia Vauquier fala sobre os furos na narrativa combinada entre Odebrecht e Lava Jato.
– O economista Luiz Gonzaga Belluzzo faz análise do triste cenário atual e aponta a necessidade de reversão da política econômica. Comenta, ademais, o seu engajamento na defesa de Lula e a tentativa patética da grande imprensa de pintar o ex-Presidente como um radical.
– Wellington Calasans e Romulus Maya comentam a atualidade política, com ênfase em informação de fonte confirmando que o TRF-4 e a Globo armam uma “operação bolinha de papel – Vol. 2” para o dia 24, visando a vitimizar os “vilões” – os desembargadores – e entrar para dividir na pauta principal desse dia: a tentativa de cassação, com a mão grande do Judiciário, do direito da cidadania brasileira de, se assim quiser, votar em Lula.
Informação com credibilidade, comentaristas e convidados em sintonia com a realidade do país e do mundo.
O programa começa sempre às 6 da manhã: a verdade chega primeiro.
Nas fanpages do Duplo Expresso, Wellington Calasans, O Cafezinho, Falando Verdades, Dilma Resistente e também do Botando Pilha.
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Nº 23.208 - "Fórum Econômico Mundial: Temer entrega o jogo... e a água, por Franklin Frederick"

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17/01/2018



Fórum Econômico Mundial: Temer entrega o jogo... e a água, por Franklin Frederick


Jornal GGN - QUA, 17/01/2018 - 16:46




Fórum Econômico Mundial: Temer entrega o jogo... e a água


por Franklin Frederick


O Estado de São Paulo publicou ontem um artigo revelador sobre a ida do Presidente Temer, João Dória e Henrique Meirelles a Davos, na Suíça, para participarem do Fórum Econômico Mundial que começa no próximo dia 23 de janeiro.

O artigo informa que:

“Na programação, o Fórum Econômico Mundial colocou na agenda o debate: “Moldando a nova narrativa do Brasil”. No dia 24 de janeiro, mesma data do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Porto Alegre (RS), o presidente Michel Temer apresenta sua agenda para 2018 em defesa da necessidade de reformas. O debate contará ainda com o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), com Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, Candido Botelho Bracher, CEO do Itaú Unibanco, e Paul Bulcke, CEO da Nestlé” (grifo meu).

Esta é a única mesa redonda com a participação de Temer dentro da programação do Fórum. Chama a atenção, no entanto, que o único CEO estrangeiro a participar deste debate em que, além de Temer e Dória, os outros dois participantes são banqueiros, seja Paul Bulcke. Faria mais sentido, dentro deste contexto, ser um representante de um banco estrangeiro, o Crédit Suisse ou o UBS, por exemplo. Mas, dentre tantas empresas e CEOs que estarão em Davos, foi justamente o CEO da Nestlé o escolhido para participar deste debate com Temer e dois grandes banqueiros privados brasileiros. Por quê?

Para responder a esta pergunta devemos lembrar, primeiro, de um importante artigo publicado pelo jornal  ‘Correio de Brasília’ no dia 22/08/2016 com o título: ‘Multinacionais querem privatizar uso da água e Temer negocia” .

O artigo informa que, “segundo revelou um alto funcionário da Agência Nacional de Águas (ANA), em condição de anonimato (...). O Aquífero Guarani , reserva de água doce com mais de 1,2 milhão de km² , deverá constar na lista de bens públicos privatizáveis (...) As negociações com os principais conglomerados transnacionais do setor, entre elas a Nestlé e a Coca-Cola, seguem ‘a passos largos’.”

É importante lembrar também que, na data deste artigo, a Presidente eleita Dilma Roussef ainda enfrentava o julgamento do processo de impeachment, mas Temer já atuava como Presidente ‘de fato’, ou seja, mesmo antes do golpe consumado, já se negociava a privatização dos recursos naturais brasileiros, a verdadeira razão por trás do golpe. Porém, têm-se escrito e falado mais sobre o acesso ao petróleo brasileiro, privatização da Petrobrás e de outras grandes empresas públicas como razões para o golpe, deixando de lado um outro recurso natural brasileiro enormemente cobiçado pelas multinacionais por trás da onda conservadora neoliberal que toma o planeta: a água. A participação de Paul Bulcke num debate com o Presidente Temer em Davos entrega o jogo: não é o CEO da Shell ou de qualquer outra grande empresa petroleira que estará sentado ao lado do Presidente do Brasil na vitrine do Fórum Econômico Mundial na Suíça, mas o CEO da Nestlé. A mensagem não podia ser mais clara.

Dentro do que se poderia chamar de ‘divisão do trabalho’ na construção da ideologia e das estratégias do capitalismo internacional, a multinacional Nestlé tem um papel fundamental. Peter Brabeck, antecessor de Paul Bulcke, tomou para si e para a Nestlé parte da tarefa de legitimar o capitalismo neoliberal através de várias iniciativas e projetos, dirigindo um poderoso lobby do big business internacional através de uma ampla rede que se estende por vários países e instituições.

O Water Resources Group – WRG – que reúne a Coca-cola, a Pepsi e o Banco Mundial com o objetivo de privatizar a água em todo o mundo através de parcerias público-privadas, para citar um exemplo, foi criado por iniciativa da Nestlé. Paul Bulcke recentemente substituiu Peter Brabeck dentro do ‘Governance Body’ do WRG.

O programa da Nestlé Creating Shared Value’  realiza anualmente um importante evento internacional, sempre em países diferentes, com a participação de governos, altos funcionários de instituições como a ONU e o Banco Mundial, com uma visão estratégica muito bem planejada. Em 2013 o Creating Shared Value Fórum aconteceu na Colômbia com o claro propósito de promover a Colômbia como país ‘modelo’ do capitalismo latino-americano, em oposição à Venezuela e aos países da ALBA.

Em 2011 o Creating Shared Value ocorreu em Washington em parceria  reveladora com o ‘Atlantic Council’, uma associação do big business internacional, principalmente dos EUA, em torno da OTAN, a aliança militar ocidental. Por que uma empresa multinacional produtora de comida para bebês, chocolate e água engarrafada procuraria uma parceria com o ‘Atlantic Council’ e, através deste, com a OTAN? Uma resposta muito simples se encontra dentro do próprio programa deste evento: oportunidades de negócios relativos à nutrição, água e desenvolvimento rural na África e América Latina. Traduzindo a linguagem orwelliana do big business contemporâneo, este programa informa que ‘oportunidades de negócio’, ou seja, recursos naturais a serem tomados pelas grandes empresas, se encontram em vastas quantidades na África e na América Latina. E caso os países desses continentes não queiram disponibilizar estes recursos para o capital internacional, é sempre conveniente ter o poder militar da OTAN para fazê-los mudar de idéia ou de política. E recentemente, não por coincidência, a  Colômbia e a OTAN entraram em um acordo de parceria.

Esta influência da Nestlé é tão grande que mesmo dentro do Fórum Econômico Mundial um dos temas escolhidos para ser discutido pelos vários participantes internacionais é justamente ‘Creating Shared Values in a Fractured World’, uma clara alusão ao programa da Nestlé. A conferência de imprensa que o  Presidente Temer realizará no Fórum no dia 24, aliás, esta justamente dentro deste tema reforçando ainda mais a ligação de Temer e das atuais políticas de privatização de seu governo com o discurso desenvolvido e promovido pela Nestlé.

Em março próximo o Brasil vai sediar o Fórum Mundial da Água em Brasília. A Nestlé e o Water Resources Group estarão lá, já que este é o Fórum das grandes empresas privadas. As empresas públicas de água brasileiras e ainda mais as águas subterrâneas  e as fontes de água mineral são os  ‘alvos’ que esta proximidade entre Temer e Paul Bulcke indicam. A privatização destas empresas e recursos naturais será naturalmente apresentada como a ‘solução’ dentro do Fórum Mundial da Água.

Espero que o Fórum Mundial ALTERNATIVO da Água que se organiza também em março como resposta da sociedade civil às políticas neoliberais, reserve um bom tempo e espaço para trocar informações e analisar as diversas práticas da Nestlé no mundo. Trata-se de uma questão fundamental.


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Nº 23.207 - "Os dois “brasis”, com e sem aspas"

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17/01/2018


Os dois “brasis”, com e sem aspas


Do Tijolaço · 17/01/2018



bertrand 


Por FERNANDO BRITO

De todos os discursos no ato de apoio a Lula, realizado ontem no Rio, o que mais me ficou na memória – além do de Lula, em nada abatido pela perseguição desumana que sofre –  foi o do diretor teatral Aderbal Freire Filho, baseado em texto do filósofo e linguista norte-americano Noam Chomsky. Trata de dois “mundos”: o “oficial” –  composto pelos políticos, pelos donos do dinheiro, pela mídia e seus comentaristas e pelas instituições – e o real, imenso e quase sempre mudo, onde habita a imensa maioria da população.

Talvez só a capacidade de gente que lida com a percepção alheia – em lugar de centrar-se em seu próprio universo social – seja capaz de perceber que isso acontece, como poucas vezes, no Brasil de hoje, onde se cavou um abismo entre o poder – e não só o de Temer – sem voto e o povo que se quer, furiosamente, impedir de votar.

Creio que isso está se tornando tão forte que, a esta altura, esta percepção transborda o leito da esquerda e começa a se generalizar entre os que não se cegaram de ódio.

Está nítido que a exclusão de Lula – ao menos com um processo no mínimo controverso e com a legitimidade comprometida pela flagrante militância política de seus agentes – manterá o país já não mais mo pântano em que se encontra de desencontro entre o país real e o imaginado pelos que nele mandam, mas não comandam.

O processo de radicalização que se quer atribuir a Lula não é a sua marca e a experiência real, vivida e comprovada, o mostra.  Quem acha isso, que imagine por dez minutos ser apontado como culpado de todos os males, acusado de todos os crimes e desqualificado de todas as formas e veja o quanto se indignaria.

A mobilização em favor da normalização das relações políticas e da amplitude do processo eleitoral não é um apelo à guerra, mas um chamado ao mínimo de civilidade e liberdades que a democracia precisa para funcionar e que um país precisa para ser governado.

Embora improvável, pelo grau das pressões que sobre eles desaba e,  verdade, pelo fato de habitarem, em corpo e mente, o “Brasil” entre aspas, é possível que a algum dos desembargadores que irão sentenciar Lula no dia 24 chegue à lembrança um velho latinismo jurídico: ubi societas, ibi jus, onde está a sociedade, está o Direito.

Se esquecerem disso, afastarão o Direito e o Judiciário da sociedade da qual já tão divorciados estão. Talvez possam recordar-se que um dos círculos do Inferno de Dante abriga os semeadores de discórdia, que separam também, pela espada, um corpo social e sua cabeça política.


Se não o fizerem abrirão o último portão que nos separa de um caminho escuro e apavorante para o abismo político.

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Nº 23.206 - "Golpe vai entregar o programa nuclear aos gringos!"

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17/01/2018


Golpe vai entregar o programa nuclear aos gringos!

O Duque de Caixas vai combater do lado do Paraguai


Do Conversa Afiada - publicado 17/01/2018


DuqueDeCaxias.jpg
Caxias: quando os generais brasileiros guerreavam pelo Brasil

No PiG cheiroso, com a expressa recomendação do herói nacional Guilherme Estrella, o geólogo da Petrobras que descobriu o pré-sal:

Governo estuda liberar atuação privada na lavra de minerais nucleares

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI), ligado à Presidência da República, criou dois grupos técnicos para discutir questões ligadas à energia nuclear. O primeiro tem como missão elaborar a política nuclear brasileira. O segundo vai estudar a "flexibilização do monopólio da União na pesquisa e na lavra de minérios nucleares".

As decisões estão em resoluções publicada nesta terça-feira no "Diário Oficial da União" (DOU).

O primeiro grupo será composto por representantes de 11 ministérios e outros sete representantes de órgãos públicos ou estatais. O prazo para conclusão dos trabalhos deste grupo é de 150 dias contados a partir de hoje, prorrogável por outros 90 dias. Ao final, deverá ser produzida "a minuta de proposta da Política Nuclear Brasileira, acompanhada da correspondente exposição de motivos".

O segundo grupo terá nove representantes de ministérios e quatro membros de outros entes públicos. O prazo será mais curto, de 120 dias, e poderá ser prorrogado por mais 60.


NAVALHA



É i-na-cre-di-tá-vel!

O general Etchegóis, que controla o Palácio e o Gabinete de Inteligência (alheia), quer entregar o programa nuclear, o submarino nuclear, Angra e a lavra do minério de urânio.

O Brasil é um dos pouquíssimos países do MUNDO que tem urânio em abundância, uma das maiores jazidas (entre as por enquanto conhecidas), e sabe processar o urânio para produzir energia, graças ao heroico trabalho do Almirante Othon Silva, que o Juiz (sic) Bretas condenou a 43 anos - 43!!! - anos de prisão!

Agora, vem o gal. Etchegóis completar o trabalho de lesa-pátria do Pedro Malan Parente que, súcubo, se entregou aos abutres.

Se o Brasil tivesse bomba atômica - que deveria ter! -, o gal. Etchegóis daria um jeito de vendê-la à General Electric americana, para fechar o rombo do Meirelles.

Cadê as Forças Armadas, general Villas Bôas?

Foram reduzidas à irrelevância de seu Ministro (sic) da Defesa (de quem?).

Desse jeito chegaremos à perfeição: o Duque de Caixas vai combater do lado do Paraguai!



PHA
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Nº 23.205 - "Qual decisão deve prevalecer, a da a juíza Luciana ou a do juiz Moro? Por Joaquim de Carvalho"

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17/01/2018


Qual decisão deve prevalecer, a da a juíza Luciana ou a do juiz Moro? Por Joaquim de Carvalho

Luciana e Moro

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Decisão judicial não se discute, se cumpre. 
A frase, muito comum no meio jurídico, nunca perdeu tanto o sentido como agora, depois que a juíza Luciana Torres de Oliveira, da 2a. Vara de Execução de Títulos Extrajudiciais do Distrito Federal, penhorou o triplex 164-A do edifício Salina, do Condomínio Solaris.
A penhora foi para garantir o pagamento de dívidas da OAS, não de Lula, a quem, segundo o juiz Sergio Moro, da 13a. Vara Federal Criminal de Curitiba, pertence o imóvel.
Na sentença em que condenou Lula a 9 anos e meio de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, em julho de 2017, Moro sequestrou o triplex.
O que acontece agora?
Antes de responder à pergunta, ao final do texto, o importante é destacar que a decisão da juíza desmoraliza Moro.
É que essa decisão comprova que Lula nunca teve a propriedade do imóvel.
“Outra questão que é fundamental nesse caso é a seguinte: a propriedade ou a posse. O sujeito pode ter a propriedade e estar na posse do negócio ou ele ter só a posse. A propriedade se comprova através da matrícula no cartório de registro de imóveis. E, no caso, o imóvel nunca esteve no nome do Lula. Sempre esteve no nome da OAS e tinha uma garantia em favor da Caixa Econômica Federal. Agora tem essa garantia em favor dessa empresa que é credora da OAS. Por outro lado, poderia acontecer o seguinte: a OAS é a proprietária, conforme a matrícula no cartório de registro de imóveis, mas o Lula poderia ter tido a posse do imóvel. Ele poderia ter recebido as chaves, poderia ter dormido no imóvel ou qualquer coisa do gênero a demonstrar que aquilo era um acerto entre ele e o Leo Pinheiro, entre ele e a OAS, em alguma coisa ilícita. Só que isso nunca ocorreu. Ele nunca recebeu as chaves do apartamento, nunca dormiu no apartamento, nunca teve a posse, mesmo precária, do imóvel. A decisão da juíza afasta mais uma vez que o apartamento seja produto de crime”, diz o criminalista Anderson Bezerra Lopes, que defende alguns réus da Operação Lava Jato.
Eric Furtado, o advogado que representa a empresa credora da OAS, hoje detentora da penhora do apartamento, disse ao jornalista Marcelo Auler, que não foi difícil descobrir que o triplex pertence à OAS:
“Hoje em dia, a vida  ficou um pouco mais fácil para os credores. Antigamente era mais difícil para se achar o patrimônio do devedor. Hoje em dia tem vários sistemas disponíveis. Se você quer buscar um carro em nome de determinada pessoa, basta digitar o CPF. Os imóveis também estão desse jeito. Se precisamos localizar algum imóvel em nome do devedor para pagar a dívida, eu digito o CPF ou o CNPJ se for de uma empresa devedora. Nesse caso, buscando no CNPJ da OAS, apareceram quatro imóveis em São Paulo e, dentro desses quatro imóveis de São Paulo, um deles é esse aí, o triplex do Solaris.”
Ou seja, o Ministério Público Federal e Moro não buscaram a verdade por opção.
Quem frequenta o Guarujá ouve há bastante tempo, desde que o edifício era construído, que Lula teria um imóvel ali.
Os comentários eram feitos na linha da JBS do Lulinha, da Ferrari de ouro da família. Só que, ao contrário da Ferrari e da JBS, havia um fundo de verdade.
Marisa Letícia tinha, de fato, cota do condomínio, conforme declarado ao imposto de renda. Não triplex. Era uma cota.
A fofoca ganhou as páginas do jornal O Globo, em 2011, o Ministério Público do Estado de São Paulo começou a investigar e, depois de seis anos, a Justiça absolveu todos os acusados, por ausência de crime.
Só não absolveu Lula porque, quando a sentença saiu, Moro já estava na caçada ao ex-presidente e a parte do processo na justiça estadual de São Paulo que dizia respeito a Lula tinha sido enviada para Curitiba.Como se sabe, Moro condenou Lula a nove anos e meio de prisão e sequestrou o imóvel que, a rigor, de fato e de direito, nunca foi do ex-presidente. Na sentença, o juiz de Curitiba escreveu:
Considerando que o apartamento 164-A, triplex, Edifício Salina,
Condomínio Solaris, no Guarujá, matrícula 104801 do Registro de Imóveis do
Guarujá, é produto de crime de corrupção e de lavagem de dinheiro, decreto o
confisco, com base no art. 91, II, “b”, do CP.
A fim de assegurar o confisco, decreto o sequestro sobre o
referido bem. Independentemente do trânsito em julgado, expeça-se precatória
para lavratura do termo de sequestro e para registrar o confisco junto ao Registro de Imóveis. Desnecessária no momento avaliação do bem.
Independentemente do trânsito em julgado, oficie-se ao Juízo
no processo de recuperação judicial que tramita perante a 1a Vara de Falência e
Recuperações Judiciais da Justiça Estadual de São Paulo (processo 0018687-
94.2015.8.26.01000), informando o sequestro e confisco do bem como produto de
crime e que, portanto, ele não pode mais ser considerado como garantia em
processos cíveis.
Voltando à pergunta que abre a reportagem: qual das sentenças prevalece? A de Moro ou a de Luciana Torres de Oliveira.
O criminalista Anderson Bezerra Lopes responde:
“Em princípio, se é produto do crime, e estamos falando só na teoria, prevalece a decisão do juízo penal”.
Ou seja, de Moro. Mas há alguns poréns:
“Ocorre que essa decisão do Moro está pendente de recurso. Vai ser julgada a apelação no Tribunal Regional Federal da 4a. Região e, depois da apelação, há outros recursos ainda para serem julgados. Não é uma decisão definitiva. Isso significa que a juíza do cível pôde decretar essa penhora. Vai ser colocada a penhora na matrícula do imóvel e ficará pendente até se decidir, em definitivo, o que será feito da sentença de Moro, se vai ser mantida ou reformada”, esclarece o advogado Anderson Bezerra Lopes.
A verdade incontestável é que a propriedade do triplex foi reconhecida pela Justiça em Brasília como da OAS  — e nem poderia ser diferente. Está em nome dela e já tinha sido usada como garantia em operação da empreiteira.
Lula teria que ser um imbecil se aceitasse um imóvel nessas condições como propina.
Geddel, Aécio e Temer recebem malas de dinheiro, Eduardo Cunha tem conta na Suíça, e Lula, o chefe da organização criminosa, aceita imóvel que pode ser penhorado.
Só na cabeça de Moro e dos rapazes da Lava Jato, cegos pelo impulso de condenar Lula.
Mais uma vez, se comprova que a sentença de Moro não faz sentido.




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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Nº 23.204 - "Dr. Rosinha: Em menos de 2 anos, Temer e seus apoiadores destruíram o Brasil e construíram o retorno da fome"

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16/01/2018

Dr. Rosinha: Em menos de 2 anos, Temer e seus apoiadores destruíram o Brasil e construíram o retorno da fome

Do Viomundo - 16 de janeiro de 2018 às 17h25

O pão nosso de cada dia
por Dr. Rosinha*, especial para o Viomundo
Um drama que se imaginava extinto voltou a ocorrer, principalmente nos dois últimos anos: homens, mulheres e crianças remexendo o lixo em busca de comida.
Costumeiramente vejo, especialmente aos domingos, talvez por ficar em casa pela manhã, pessoas remexendo o lixo, logo cedo, em busca do que comer.
Todas as vezes em que isso acontece, sou tomado de indignação.
Lógico que, ao ler a frase acima, algum(a) idiota perguntará:“e por que você não dá de comer para essas pessoas?”.
Digo idiota, por que só quem pensa que a solução passa pela filantropia individual é idiota ou um completo alienado. Aliás, nem saberia diferenciar um do outro.
A resposta para acabar com a fome implica necessariamente em políticas públicas e não na pura e simples filantropia. A filantropia será sempre emergencial e não curativa.
Domingo, 14 de janeiro, logo cedo, vi na frente de minha casa um cidadão, jovem (menos de 40 anos), com boa musculatura, que parecia ter feito halterofilismo, revirando o lixo em busca de comida.
Sei que buscava comida por que recolheu alguma coisa do lixo e começou a comer. Uma parte do que encontrou, comeu. A outra, guardou. Saiu claudicando e remexendo as lixeiras aqui da rua. O que encontrava de comida, comia. Ou separava para levar. O material reciclável não lhe interessava.
Essa triste cena me trouxe à mente muitas passagens, que já vi, li ou ouvi. Dos que li, me veio o poema “O Bicho”, de Manuel Bandeira; o livro “A pele”, de Curzio Malaparte, e “Geopolítica da Fome” e “Geografia da Fome”, livros de Josué de Castro.
“O Bicho” de Manuel Bandeira é muito representativo:
Vi ontem um bicho / Na imundície do pátio / Catando comida entre os detritos. // Quando achava alguma coisa, / Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. // O bicho não era um cão, / Não era um gato, / Não era um rato. // O bicho, meu Deus, era um homem.
Comportamento igual tinha ‘o bicho’ aqui da frente de casa.
Muitos escreveram e descreveram a fome, seja de maneira poética, romanceada, ficcional, traumática ou realista. Entre eles Curzio Malaparte.
Em “A pele”, que li há mais de 30 anos, que também virou filme, Malaparte faz um relato do que é o pós-guerra na Itália e de como o ser humano se comporta para sobreviver.
Se, durante a guerra, luta com bravura e dignidade pela vida, no pós-guerra, para sobreviver, se vende, trapaceia e vende até os filhos para servirem de objetos sexuais. O ser humano deixa de ser humano, deixa de ser um bicho que defende o filhote e/ou a manada e passa a ser a pior das coisas.
Digo o pior das coisas por que perde as características de ser humano. Vira uma coisa querendo sobreviver.
No “Geopolítica da Fome”, publicado pela primeira vez em 1951, Josué de Castro, escreve que
“A história da humanidade tem sido, desde o princípio, a história de sua luta pela obtenção do pão-nosso-de-cada-dia. Parece, pois, difícil explicar e ainda mais difícil compreender o fato singular de que o homem – este animal pretensiosamente superior, que tantas batalhas venceu contra as forças da natureza, que acabou por se proclamar seu mestre e senhor – não tenha, até agora, obtido uma vitória decisiva nesta luta por sua própria subsistência”.
Como define Josué de Castro, este animal que é pretensiosamente superior, não o é por que é egoísta e individualista. Luta pela sobrevivência de maneira individual, disputando privilégios com seu semelhante e, se preciso, para manter os privilégios ou obter outros, mata seu semelhante.
Quando no Brasil passou-se a construir um mínimo de igualdades de direitos, como o de estudar e comer, a elite privilegiada e a classe média idiotizada, construiu um Golpe de Estado.
Quando no horizonte foi visualizada a possibilidade de todos e todas, independente da classe social, terem os mesmos direitos (escola, saúde pública, etc.), sob a égide do combate à corrupção, os maiores corruptos da história do país deram o Golpe.
Esses novos homens/bichos/coisas são vítimas dos golpistas. São vítimas do capitalismo, onde impera a lei do individualismo e do egoísmo. A lei do ter tudo a qualquer custo, mesmo que parte da população morra de fome.
Até o golpe, havia políticas públicas ativas de combate à fome. Não há mais.
Em menos de dois anos Temer, seus apoiadores (PSDB, PMDB, PP, PTB, Solidariedade, PPS, PSC, PSL, PSD, et caterva) e os golpistas, entre quais os batedores de panelas, os que se vestiram de verde e amarelo (uniforme CBF/Nike), alguns juízes, representados na figura de Sérgio Moro e vários procuradores, representados por Deltan Dallagnol, Carlos Fernando do Santos Lima, Roberson Henrique Pozzobon e Policiais Federais, representados nas figuras do delegado Márcio Adriano Anselmo, Igor Romário de Paula e Érica Marena, destruíram o Brasil e construíram o retorno da fome, que estava dando adeus a muita(o)s brasileiros.
Claro que não atuaram sozinhos, pois tiveram o apoio da mídia, principalmente da Rede Globo, e do capital internacional.
No mundo, uma das principais razões da fome é a guerra. No Brasil não há guerra, mas há uma elite egoísta que impõe politicas publicas destrutivas, como é o caso da Emenda Constitucional 95 (EC 95), que congelou o orçamento da área social por 20 anos.
Assim que aprovou esta EC, várias entidades brasileiras e a própria FAO, organismo da Organização das Nações Unidas (ONU) para a agricultura e alimentação, fizeram um alerta: o Brasil pode retornar ao Mapa da Fome.
O Brasil é signatário dos “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)” que tem como segunda meta acabar com a fome e a subnutrição até 2030. Mantido o golpe, não atingirá este objetivo.
A ‘ponte para o futuro’ dos golpistas é um engodo, ela faz a curva e nos leva 20 anos atrás. No período de 1997 a 2017, o gasto primário (onde estão incluídos os investimentos sociais) do governo central passou de 14% para 19% do PIB.
Com a EC 95, nos próximos 20 anos (2017 a 2037), se o Brasil crescer na média de 2% ao ano, os investimentos vão retroceder a 14% do PIB e, com eles, voltaremos a ter todos os problemas sociais, inclusive a fome.
No Brasil dos golpistas é que surge um tipo Dória, oferecendo a Farinata (aquilo que não comem), um tipo Rafael Greca, prefeito de Curitiba (cidade em que vivo), que vomita ao sentir o cheiro de pobre.
Sob a égide do capital, a fome continuará existindo, até porque ela é necessária para o lucro do capital.
*Dr. Rosinha é presidente do diretório estadual do PT no Paraná.
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Nº 23.203 - "Temos uma empresa eficiente, que bate recordes seguidos? Vendam-na!"

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16/01/2018


Temos uma empresa eficiente, que bate recordes seguidos? Vendam-na!


Do Tijolaço  -  16/01/2018


RECVENDE


Por FERNANDO BRITO



Estadão publica agora cedo que a Petrobras, pelo terceiro ano consecutivo, bateu recordes de produção de petróleo e gás.


2,65 milhões de barris de óleo equivalente (petróleo+gás natural) por dia.

Como petróleo não é “fast-food”, que se produz de uma hora para outra, isso é o resultado dos investimentos que foram feitos anos atrás.

E, como se apontou ontem aqui, a elevação dos preços do petróleo a valores em torno de 70 dólares  o barril – depois de uma temporada na qual caíram abaixo de 30 – mostra até a uma criança o tamanho que isso representa para o Brasil.

Como até um criança percebe que entregá-lo é, mais que uma estupidez, uma traição nacional.

No entanto, o que se lê no outrora combativo Fatos e Dados, o canal de comunicação da Petrobrás?

A Petrobras e Total informam que finalizaram um marco importante na realização de sua Aliança Estratégica, anunciada em 01/03/2017, com a conclusão das seguintes transações:

 – Cessão de direitos de 35% da Petrobras para a Total, assim como a operação, do campo de Lapa no bloco BM-S-9A, no pré-sal da Bacia de Santos. A nova composição do consórcio passa a ser: Total como operadora (35%), Shell (30%), Repsol-Sinopec (25%) e Petrobras (10%). O campo de Lapa iniciou produção em dezembro de 2016, por meio do FPSO Cidade de Caraguatatuba, com capacidade de 100 mil barris por dia.
 – Cessão de direitos de 22,5% da Petrobras para a Total da área de Iara, que contém os campos de Sururu, Berbigão e Oeste de Atapu, no bloco BM-S-11A, no pré-sal da Bacia de Santos. A nova composição do consórcio passa a ser: Petrobras como operadora (42,5%), Shell (25%), Total (22,5%) e Petrogal (10%). A produção em Iara está prevista para iniciar no segundo semestre de 2018 nos campos de Berbigão-Sururu, por meio do FPSO P-68, com capacidade de 150 mil barris por dia, seguido de um segundo FPSO, em 2019, no campo de Atapu.


Não é preciso por legendas, não é? O entreguismo dispensa as longas explicações sobre alavancagem, desmobilização de ativos e outros nomes bonitos para a rapinagem sobre nosso pré-sal.

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Nº 23.202 - "Decisão de juíza de DF deixa Sergio Moro pelado no meio da rua"


16/01/2018

Decisão de juíza de DF deixa Sergio Moro pelado no meio da rua

Do Blog O Cafezinho - 16/01/2018 Escrito por Miguel do Rosário, Postado em Redação


A informação é publicada aqui atrasada alguns dias, mas tem que figurar aqui no blog, sobretudo por causa da nossa preocupação com as historiadoras futuras, cujo trabalho de pesquisa queremos ajudar.
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Exclusivo, Tríplex: decisão de juíza federal absolve Lula e contradiz frontalmente Moro
Por Mino Pedrosa
A juíza Luciana Correa Torres de Oliveira, da 2ª Vara de Execução e Títulos no Distrito Federal, poderá lacrar o calabouço, afrouxando o laço da forca no pescoço do ex-presidente Lula, no julgamento no dia 24 de janeiro, referente ao polêmico tríplex.
Despacho da juíza da 2ª Vara do DF, determina penhora do tríplex
A decisão da juíza contrapõe a investigação da Força Tarefa na Operação Lava Jato e a uma discussão polêmica, ainda maior sobre o tríplex famoso do Guarujá.
O processo, que tramita na 2ª Vara de Brasília, atende uma empresa que solicita o pagamento de dívidas em desfavor da empreiteira OAS Empreendimentos.
O Centro Empresarial, que estava sendo construído em Brasília, tinha contrato em Sociedade de Propósito Específico (SPE). A empresa credora impetrou uma ação de cobrança de quebra de contrato de locação de R$ 7,2 milhões corrigidos.
A juíza acatou e determinou ao Banco Central (Bacen) o bloqueio nas contas da OAS Empreendimentos, encontrando apenas R$ 10 mil. A empresa credora, fez busca nos cartórios em todo Brasil. Encontrou quatro imóveis registrados no Guarujá em nome da OAS Empreendimentos.
Para a surpresa dos empresários brasilienses, um dos imóveis trata-se do apartamento polêmico tríplex no Guarujá, atribuído ao ex-presidente Lula.
A batalha das togas confronta os juízos de Sérgio Moro e Luciana Correa Torres. A juíza entende que o apartamento tríplex no Edifício Solaris, na Praia Astúrias, no Guarujá, endereço do tríplex que levou o ex-presidente Lula à condenação em primeira instância, registrado em cartório em nome da empreiteira OAS Empreendimentos, pertence a OAS.
Cabe penhora, por se tratar de dívidas contraídas pela OAS que é, de fato e de direito, proprietária do imóvel.
O presidente da OAS Empreendimentos, Leo Pinheiro, em delação premiada, afirmou que o proprietário é o ex-presidente Lula, mas no cartório, onde está registrada a escritura a OAS Empreendimentos figura como a proprietária.
A juíza da 2ª Vara Luciana Correa, determinou a penhora do imóvel em favor dos empresários brasilienses.
Registro do Tríplex em nome da OAS, no cartório de Guarujá São Paulo
Com essa decisão, a defesa do ex-presidente Lula, vai pedir o adiamento do julgamento marcado para o dia 24 de janeiro em Porto Alegre.










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PITACO DO ContrapontoPIG

O Caso do Trilex:

Lula é um culpado sem culpa; um condenado sem crime. 

Lula "possui" um imóvel que não é dele e foi registrado no Guarujá em nome da OAS Empreendimentos e encontra-se penhorado a terceiros.

É como homicídio sem vitima; um atropelamento automobilístico sem veículo.

Afinal, pra quê o julgamento?

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Nº 23.201 - "Relatório do indiciamento de Haddad revela omissão e manipulação de provas"

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16/01/2018

Relatório do indiciamento de Haddad revela omissão e manipulação de provas


Do Jornal GGN - SEG, 15/01/2018 - 18:35 ATUALIZADO EM 16/01/2018 - 10:09


Cíntia Alves

Polícia Federal abriu mão de fazer o que se espera da instituição: investigar a fundo. Em vez disso, arrastou Haddad para a denúncia à fórceps


Foto: Ricardo Stuckert
Foto: Ricardo Stuckert


Jornal GGN - A leitura das 32 páginas do relatório do indiciamento de Fernando Haddad pela Polícia Federal, divulgado nesta segunda (15), revela falta de investigação, omissão e manipulação de provas. Entre elas, uma tabela obtida após busca e apreensão na LWC, a gráfica acusada de receber caixa 2 da UTC após a vitória do ex-prefeito. Em vez de fazer a devida apuração sobre o documento, a PF preferiu criar uma hipótese criminosa para ele, que não condiz com a realidade dos fatos apurados pelo GGN.

PRÉ-CAMPANHA

A planilha abaixo, da LWC, mostra a prestação de um serviço em favor de Haddad em fevereiro de 2012, ou seja, antes da campanha ao Paço começar oficialmente.


No relatório, o delegado João Muniz Moraes Rosa escreveu que o pagamento pelo serviço “escapa à contabilidade oficial da campanha eleitoral, já que nada nesse sentido surge da busca realizada na ferramenta on-line disponibilizada pelo TSE [Tribunal Superior Eleitoral].”

Um delegado da PF afirmou, portanto, que um determinado trabalho foi pago por meio de caixa 2 só porque uma busca feita no site da Justiça Eleitoral não mostrou nenhum resultado. 

Não há nenhuma observação sobre o evento ser anterior à campanha - assim como outro serviço para Haddad ainda menos detalhado no relatório, que teria ocorrido em abril.

O GGN apurou que a demanda de fevereiro não tinha nenhuma relação com a campanha de Haddad. Tratava-se de impressão de um jornal desenvolvido pelo PT para apresentar as realizações do ex-ministro da Educação à militância. Houve contrato assinado pelo diretório estadual do partido, pagamento por meio de depósito, com comprovante da transferência e nota fiscal. Uma delas tem valor aproximado de R$ 69 mil. No total, foram cerca de 1 milhão de exemplares.

Sem encontrar registros no TSE, a Polícia poderia ter tentando esclarecer as dúvidas sobre a tabela com o ex-prefeito ou algum representante da campanha. Não foi o caso.

Ao contrário: muito do que Haddad explicou no depoimento ao delegado Rosa foi omitido no relatório.

OMISSÃO

No dia do depoimento, Haddad falou e entregou documentos que comprovam que em 14 de fevereiro de 2013, quando ele já havia assumido o Paço, contratos da UTC junto à administração municipal foram suspensos, contrariando os interesses da empresa de Ricardo Pessoa, um dos principais delatores.

A informação é importante porque mostra que não teria por que a UTC aceitar pagar qualquer dívida relacionada à campanha de Haddad meses depois de ter sido prejudicada pela gestão do petista. Nenhuma linha sobre isso foi citada no relatório.

O delegado escreveu que, do depoimento de Haddad, só extraiu “de relevante” a negativa do ex-prefeito sobre pagamento à LWC via caixa 2. Essa declaração, para ele, “não se coaduna com o farto conjunto probatório existente nos autos”.

O problema é que o "farto conjunto probatório" é majoritariamente a respeito de recursos que entraram nas contas de empresas ligadas a um dos investigados, mas não explica a suposta conexão direta com a campanha de Haddad.

MANIPULAÇÃO 

Além da tabela da LWC e da delação da UTC [veja mais abaixo], a PF usou contra Haddad um vídeo que está no Facebook, de 2016. Nele, o então candidato à reeleição, derrotado por João Dória, pedia apoio financeiro para terminar de pagar funcionários do staff.

O delegado Rosa transcreveu o que o petista disse para o relatório e afirmou que embora o vídeo não seja uma “prova cabal”, pode ser usado contra Haddad na medida em que evidencia que o petista tinha condições de conhecer a situação financeira de suas campanhas. “(...) Ora, se assim ocorreu em relação ao pleito de 2016, é intuitivo que também tenha ocorrido em relação à eleição de 2012", teorizou.

A questão é que a tese “Haddad sabia” pode ter sido usada de maneira indevida pela PF, já que a legislação eleitoral obriga que todo candidato tenha conhecimento sobre as despesas oficiais de campanha. Haddad não nega nada disso. O que ele nega categoricamente é que a UTC tenha pago qualquer dívida por meio de caixa 2.

O vídeo é, portanto, a janela que a PF encontrou para justificar o indiciamento do atual coordenador da campanha de Lula - quando nem mesmo os delatores envolveram Haddad pessoalmente no caso.

Além do vídeo, há outra planilha no relatório que pode ter tido seu significado manipulado pelos investigadores, pois tampouco foi aprofundada.

Apreendida na sede do PT, ela mostra uma cifra de R$ 1,9 milhão, sinalizada como doação para a campanha de Haddad com "origem" em João Vaccari Neto.

Mais uma vez, a PF não interpelou os investigados sobre a planilha (se interpelou, não expôs no relatório). Preferiu fazer o que fez com a tabela da LWC: criar uma hipótese criminosa. E o crime apontado é que o valor de R$ 1,9 milhão é "parecido" com os R$ 2,6 milhões que a UTC diz ter pago via caixa 2. 

ARBITRARIEDADE

Em nota, a assessoria de Haddad apontou que o delegado Rosa vem sendo seletivo, pois supervaloriza delações ao mesmo tempo em que ignora e omite depoimentos e provas em favor do ex-prefeito. 

Há cerca de 60 dias, o delegado até tentou obter a condução coercitiva de Haddad. O Ministério Público manifestou-se contra a medida e a Justiça acabou indeferindo o pedido.

Condução coercitiva sem que o investigado tenha sido convidado a depor antes, ou sem que tenha se recusado a colaborar, vem sendo criticada por diversos juristas. Gilmar Mendes chegou a conceder liminar impedindo a prática banalizada pela Lava Jato.


TÉCNICA EMPRESTADA DA LAVA JATO

Pela denuncia, João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, procurou Ricardo Pessoa, da UTC, para pedir R$ 3 milhões para quitar uma dívida da primeira campanha de Haddad. A empreiteira chorou um desconto e acertou em R$ 2,6 milhões o valor a ser repassado.

Outro delator, Alberto Youssef confirmou que foi acionado para ajudar a operacionalizar o pagamento, que se deu por meio das empresas de fachada do doleiro e do sistema de lavagem de dinheiro da UTC (que forjava contratos fictícios e superfaturados com empresas menores, e usava os recursos que voltavam em espécie ao grupo para pagar a propina).

Para atestar a veracidade das delações, a PF levou aos autos algumas provas. Entre elas, registros de ligações telefônicas e imagens de câmeras de segurança que mostram que o dono oculto da LWC, Francisco Carlos de Souza (um ex-deputado do PT, mais conhecido como Chicão), manteve contatos com empresários da UTC. Chicão é considerado dono oculto porque a LWC está em nome de sua ex-esposa e de seu irmão, Gilberto de Souza.

A estratégia é a mesma usada por autoridades da Lava Jato em Curitiba - incluindo o juiz Sergio Moro, em sentenças: primeiro, apresentam as provas que corroboram uma parte da delação e, depois, tomam ela por inteira como verdade absoluta. No caso de Haddad, como há provas de que Chicão recebeu dinheiro da UTC, a PF julga que o que os delatores dizem sobre o pagamento estar relacionado à campanha de 2012 também é verdadeiro.

Além das fragilidades acima, o contraditório existe na manifestação de Vaccari, que negou pedido à UTC para a campanha de Haddad, e no depoimento de Chicão, que admitiu à PF que recebeu os recursos da UTC, mas negou conexão com campanha de Haddad. Segundo ele, a dívida era do diretório estadual do PT. Mas o então presidente do diretório, Edinho Silva, negou a informação e a declaração de Chicão foi tida pelo delegado Rosa como “desmentida”.

O relatório está em anexo, abaixo.

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