terça-feira, 2 de abril de 2019

Nº 25.340 - "..Dalanhol vai meter a mão na grana da Odebrecht!"

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02/04/2019

..Dalanhol vai meter a mão na grana da Odebrecht!

A da Petrobras demora, mas vai conseguir!


Do Conversa Afiada publicado 02/04/2019


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De um site de notícias jurídicas:


Leniência da Odebrecht também transforma MPF em gestor bilionário


Por Pedro Canário

O acordo de leniência que a Odebrecht assinou com o Ministério Público Federal em dezembro de 2016 se parece bastante com o acordo da Petrobras. Ambos preveem a criação de uma conta judicial, sob responsabilidade da 13ª Vara Federal de Curitiba, para que o dinheiro fique à disposição do MPF, para que lhe dê a destinação que quiser.

No caso da Odebrecht, a construtora se comprometeu a pagar R$ 8,5 bilhões como multa por seus malfeitos, que serão divididos pelo MPF entre ele mesmo, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) e a Procuradoria-Geral da Suíça. A parte que ficar no Brasil ficará sob responsabilidade dos procuradores da "lava jato" em Curitiba.

Segundo o acordo, esse dinheiro será destinado à reparação dos "danos materiais e imateriais" causados pela corrupção da Odebrecht. De acordo com explicação do MPF no Paraná (...), 80% do dinheiro ficarão com o Brasil, 10% com os EUA e 10%, com a Suíça. Portanto, o MPF ficou responsável por gerenciar R$ 6,8 bilhões.

Do que ficar no Brasil, 97,5% serão destinados aos "entes públicos, órgãos públicos, empresas públicas, fundações públicas e sociedades de economia mista" que foram lesados pelos atos da construtora. Ou seja, R$ 6,63 bilhões terão seu destino definido pelo MPF. Os outros 2,5% serão destinados à União, como parte da confissão pelo cometimento de improbidade administrativa.

A repartição do dinheiro está no parágrafo 3o da cláusula 7ª do acordo, segundo o qual o "valor global será destinado ao Ministério Público Federal". Em resposta aos questionamentos (...), no entanto, o MPF garante que "o acordo não destina os recursos ao Ministério Público nem os coloca sob administração do Ministério Público". Segundo a explicação oficial, o dinheiro será pago às "vítimas", sempre que o MP responsável pela ação de improbidade aderir ao acordo do MPF.

Embora o acordo seja público e uma de suas cláusulas diga que o dinheiro ficará à disposição do MPF, sua destinação está descrita num trecho sigiloso do documento, o "Apêndice 5". Esse documento não foi divulgado pelo Ministério Público e vem sendo tratado com bastante cuidado pela 13ª Vara Federal de Curitiba, que teve o hoje ministro da Justiça Sergio Moro como titular durante toda a "lava jato". Em pelo menos três oportunidades, Moro negou pedidos de acesso a esse apêndice sob o argumento de que ele poderia atrapalhar investigações em andamento.

O acordo com a Odebrecht é de dezembro de 2016. Mais antigo, portanto, que o da Petrobras, assinado em setembro de 2018 e divulgado em janeiro deste ano. Mas muitos dos elementos que levantaram suspeitas sobre as intenções dos procuradores da "lava jato" com sua cruzada anticorrupção já estavam ali — e vinham passando despercebidos. (...)

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Nº 25.339 - "As 10 táticas de manipulação de Chomsky: esquerda refém das provocações de Bolsonaro"


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02/04/2019

As 10 táticas de manipulação de Chomsky: esquerda refém das provocações de Bolsonaro


Do Cinegnose - 01/04/2019  Wilson Roberto Vieira Ferreira



por Wilson Roberto Vieira Ferreira

Principalmente a partir das manifestações de rua em 2013, a esquerda perdeu completamente o controle da sua agenda. Desde então, enquanto permaneceu no governo limitou-se a agir reativamente controlando danos. E fora do poder, limita-se a deixar o sangue subir à cabeça e reagir a cada provocação do clã Bolsonaro, aceitando entrar no jogo da guerra semiótica criptografada. Sem conseguir criar uma agenda própria. A recente foi a ordem de Bolsonaro para as casernas comemorarem o golpe militar de 1964 como uma “revolução popular” – escandalizada, esquerda vai às ruas como se quisesse salvar a própria biografia, enquanto o País marcha para “reformas”, uberização do trabalho e extermínio do futuro de uma geração inteira. O linguista Noam Chomsky diria que a oposição está caindo na primeira tática de manipulação: a Distração. Para depois, por em prática as outras nove táticas de criação de falsos consensos na opinião pública.

                  Escrito pelo linguista Noam Chomsky e o crítico de mídia Edward S. Herman, o livro “A Manipulação do Público” continua bem atual. Nessa obra, são detalhadas as dez técnicas de criação artificial de consenso na opinião pública. 




São elas: Distração (desviar a atenção daquilo que é realmente importante); Método Problema-Reação-Solução (criar uma situação de terra arrasada para impor medidas de suposta solução); Gradação (aplicar medidas impopulares de forma gradativa e imperceptível); Sacrifício Futuro (é mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que imediato); Discurso Infantilizado (tratar a opinião pública de forma afetuosa ou humorística); 

Sentimentalismo e Temor (apelar para o medo e emoção para impedir uma resposta racional ou crítica; Valorizar a ignorância (dar espaço na mídia pessoas medíocres e ignorantes para que o estúpido e o vulgar sejam um exemplo para os mais jovens); Desprestigiar a inteligência (apresentar na produção audiovisual o cientista como vilão e o intelectual como pedante); Incentivar introjeção da culpa (incutir a culpa no indivíduo para dividir a sociedade entre vencedores e perdedores); Monitoramento (pesquisas de opinião e as atual mineração de dados e análises psicométricas em redes sociais para controle de opinião pública). 

É claro que cada uma dessas técnicas é diariamente colocada em ação dos telejornais aos programas de entretenimento – por exemplo, nessa segunda-feira o telejornal da Globo “Bom Dia (?) Brasil” destacou uma matéria sobre como o fato de casais esconderem seus gastos de cartão de crédito para o parceiro prejudica o controle das finanças familiares, criando impacto na própria economia nacional. Num inacreditável exemplo de falácia lógica que, lá na Antiguidade, Aristóteles acusava os sofistas:  reductio ad absurdum, redução ao absurdo ou efeito lógico “bola de neve”, para incentivar a introjeção da culpa no incauto brasileiro pela crise econômica sistêmica.

Introjeção da culpa para criar uma sociedade de vencedores e perdedores



Esquerda hipnotizada

Porém, o atual clã familiar que ocupou o governo prima pela tática da Distraçãoao ocupar a pauta midiática com “caneladas”, provocações, bravatas, arroubos de crenças religiosas misturadas com negócios ministeriais etc. 

Até aqui, OK! É até previsível que um governo, cuja pauta político-econômica (as “reformas”, cuidadosamente escondidas da opinião pública durante a campanha eleitoral) seja impopular, utilize-se de figuras bizarras e tragicômicas para compor os anti-ministérios (ministérios que se voltam contra si mesmos como Família, Educação e Trabalho) para distrair grande mídia e opinião pública.
Mas o preocupante é quando a oposição parece hipnotizada por essa pauta e passa a responder reativamente a cada provocação, não só retro-alimentando mas também dando pertinência pública aos temas.

Nos últimos dias acompanhamos como a grande mídia e a mídia alternativa deram espaço a mais uma provocação do capitão da reserva: a ordem do presidente Bolsonaro para que fosse comemorado neste 31 de março os 55 anos do golpe militar de 1964. Deveriam ser dadas as “comemorações devidas” a uma “revolução” que supostamente teria libertado o País “do pior”, e que, na época, teria contado com “amplo apoio popular”.

E toca a judicialização do tema, aliás, como de costume para qualquer coisa no País: o MPF manifesta-se, juíza proíbe a comemoração atendendo a um pedido de liminar apresentado pela Defensoria Pública... E, enquanto isso, Bolsonaro fala que não é “comemoração”, mas “rememoração”...

Amigo de caipirinhas

Como de costume, repórteres vão atrás da espécie de “presidente-em-exercício”full-time, General Mourão (alçado à condição de reserva nacional de racionalidade), para ouvir dele que os “eventos” seriam “intramuros”... 

TV Globo deu razoável espaço aos protestos em todo o País, nos quais foram lembradas as mortes, torturas e desaparecimentos de pessoas na ditadura. Até a Rádio SulAmérica Trânsito 92.1 FM, sempre tão reticente em relatar os motivos dos protestos que ocasionalmente atrapalham o trânsito, dessa vez foi didática em explicar os motivos das manifestações em São Paulo, na Avenida Paulista e Parque do Ibirapuera.

Bolsonaro acende o rastilho e se manda para um tour em Israel, ao lado do seu amigo de caipirinhas, o Primeiro-Ministro de Israel Netanyahu. Enquanto a mídia alternativa e a esquerda gritam o slogan “Para que não se esqueça, para que não se repita!”, para relembrar, uma a uma, as atrocidades dos governos militares. Como reação a uma suposta tentativa de “reescrever a História”.

Qual a surpresa? Os militares sempre comemoraram “intramuros” a “revolução de 1964”. A questão é que as “bolsonarices” são muito provocativas e fazem subir o sangue da esquerda.



Efeito Pinball

Principalmente desde as grandes manifestações de 2013, a esquerda perdeu definitivamente o controle da própria agenda, resultando no efeito potencializador de bombas semióticas que esse humilde blogueiro chamou, na época, de “efeito Pinball”:

“Bolinhas são seguidamente disparadas: a agenda do mensalão; depois o caos aéreo; a descontrolada inflação do tomate; as manifestações de rua do “gigante que acordou”; o chamado “terceiro turno”; e atualmente o “escândalo do petrolão” e a iminência de um impeachment da presidenta eleita. 
Elas rebatem aleatoriamente nos pinos e flips criando ressonância, recursividade, loopings: numa estratégia reativa de controle de danos o Governo é obrigado a ser o interlocutor, dar respostas em notas aqui e ali. O que dá mais legitimidade ao jogo... e as bolas batem e rebatem... tlim!... tlim!... tlim!.... Pontos são somados num ciclo vicioso infernal” -  clique aqui.


Diante dessa guerra semiótica criptografada (isto é, mensagens cujo protocolo de transmissão embaralha o conteúdo, não deixando claro para o público o significado real da mensagem, que fica apenas na superfície) estamos obviamente diante da primeira tática descrita por Chomsky e Herman: a distração.

Forma de comunicação indireta: o jogo clã Bolsonaro-grande mídia não está atacando a esquerda. Está chamando-a para a sua agenda, o seu jogo, para fazer parte dessa tática diversionista de desviar a atenção da opinião pública para os problemas mais sérios nesse momento – o lento e progressivo desmonte das garantias sociais. 

Por exemplo, cotidianamente estudantes encontram entraves burocráticos e quedas de sistemas para conseguirem crédito educativo, como o Fies. Quando conseguem, dados e crédito não chegam às agências bancárias.

Ao mesmo tempo, remédios desaparecem e estabelecimentos são excluídos do Farmácia Popular.

Enquanto isso, milhões de desempregados marcham para a uberização – contratos intermitentes, flexíveis e sem proteção trabalhista, precarização, desregulamentação do trabalho, salários miseráveis e patrões invisíveis escondidos por plataformas tecnológicas.


O Uber está tão entusiasmado com o Brasil que pretende testar seu táxi voador no País (o primeiro país fora dos EUA), o projeto de táxi aéreo chamado UberAIR – imaginem o assustador quadro de trabalhadores precarizados sendo lançados aos céus e voando sobre nossas cabeças... – clique aqui.
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Tudo isso sem falar nas “reformas” que pretendem exterminar o futuro de uma geração inteira. 

Essa preocupação equivocada da esquerda em ficar reativamente paralisada à pauta alimentada todo dia pelo clã Bolsonaro é também criticada pelo colunista Joaquim Xavier: ao invés de pensar no futuro ou no presente, cai na armadilha semiótica da distração e prefere falar do passado:

Os oposicionistas de plantão, mesmo os bem-intencionados, parecem pensar diferente. Gritam histericamente contra a apologia da ditadura morta, porém é sonolenta quando se trata da ditadura de fato em curso. A olhos vistos, está em marcha um movimento de liquidação do Brasil para transformá-lo em Brazil. Mas não se vislumbra uma mobilização à altura deste risco. Mais cômodo falar do passado. – clique aqui..

Distraída, hipnotizada e com o sangue subindo à cabeça a cada provocação do capitão da reserva e seus pitbulls, os oposicionistas parecem muito mais preferir salvar suas biografias do que ocupar a esfera pública (ruas, praças e avenidas) e a opinião pública através de uma contraguerrilha semiótica capaz de criar uma agenda própria.

Distraindo a oposição, desvia a atenção da própria opinião pública. Para quê? Para calmamente colocar em prática as outras nove estratégias de manipulação apontadas por Chomsky e Herman: gradativamente criar uma situação da terra-arrasada para sacrificar o futuro através da culpa e do medo. Infantilizando a opinião pública por meio das “caneladas” e “mitagens” de Bolsonaro e seus asseclas enquanto as redes sociais são monitoradas pelos algoritmos de Steve Bannon e a psicometria de Michal Kosinski.



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Mestre em Comunição Contemporânea (Análises em Imagem e Som) pela Universidade Anhembi Morumbi.Doutorando em Meios e Processos Audiovisuais na ECA/USP. Jornalista e professor na Universidade Anhembi Morumbi nas áreas de Estudos da Semiótica e Comunicação Visual. 
Pesquisador e escritor, autor de verbetes no "Dicionário de Comunicação" pela editora Paulus, organizado pelo Prof. Dr. Ciro Marcondes Filho e dos livros "O Caos Semiótico" e "Cinegnose" pela Editora Livrus.

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Nº 25.338 - "DESEMPREGO EXPLODE, MAS A CULPA É DO IBGE, DIZ JAIR BOLSONARO"

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02/04/2019 

DESEMPREGO EXPLODE, MAS A CULPA É DO IBGE, DIZ JAIR BOLSONARO

Do 247 - 02/04/2019 



Após o IBGE divulgar uma explosão no desemprego, que atinge agora 13,1 milhões de pessoas (no trimestre encerrado em fevereiro), o presidente Jair Bolsonaro voltou a culpar o IBGE. Para ele, a questão não é a economia, mas a metodologia empregada pela instituição para medir a taxa; quase um milhão de pessoas somaram-se ao exército da população desocupada; mesmo reconhecendo que a metodologia do IBGE é utilizada internacionalmente, Bolsonaro acusou o instituto: "Parecem índices que são feitos para enganar a população"


247 - O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar a metodologia empregada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, para medir a taxa de desemprego no País. Segundo dados divulgados pelo órgão, o índice aumentou para 12,4% no trimestre encerrado em fevereiro, atingindo 13,1 milhões de pessoas. O percentual era de 11,6% no trimestre anterior. De acordo com o instituto, a alta representa a entrada de 892 mil pessoas na população desocupada.

"Com todo respeito ao IBGE, essa metodologia, em que pese ser aplicada em outros países, não é a mais correta. (...) Tenho dito aqui, fui muito criticado, volto a repetir, não interessam as críticas. Tem de falar a verdade", afirmou o chefe do Planalto à Record nesta segunda-feira (1).

"Como é feita hoje em dia a taxa? Leva-se em conta quem está procurando emprego. Quem não procura emprego, não está desempregado. (...) Então, quando há uma pequena melhora, essas pessoas que não estavam procurando emprego, procuram, e, quando procuram e não acham, aumenta a taxa de desemprego. É uma coisa que não mede a realidade. Parecem índices que são feitos para enganar a população", acrescentou.

De acordo com o presidente, "é fácil ter a metodologia precisa no tocante à taxa de desemprego. É você ver dados bancários, dados junto à Secretaria de Trabalho, quantos empregos geramos a mais ou a menos no mês".

Em outubro do ano passado, depois de eleito presidente, Bolsonaro disse à TV Bandeirantes que pretendia mudar a metodologia da entidade para calcular a taxa de desemprego porque os beneficiários do Bolsa Família são contabilizados como empregados.

Em nota, o IBGE afirmou na época que o levantamento segue padrões internacionais. O instituto também negou que beneficiários do Bolsa Família não são considerados empregados.

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PITACO DO ContrapontoPIG

Bolsonaro diz que a culpa da febre é o termômetro.
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segunda-feira, 1 de abril de 2019

Nº 25.336 - "Primeiro, a soja; agora, a carne: o desastre da diplomacia ideológica"

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01/04/2019

Primeiro, a soja; agora, a carne: o desastre da diplomacia ideológica

Do Tijolaço · 01/04/2019





por FERNANDO BRITO 

Todo o discurso de Jair Bolsonaro é o de que ele vai mudar uma suposta “ideologização” do Estado: no ensino básico, nas universidades e na diplomacia.

E toda a prática de Jair Bolsonaro é a de levar ao paroxismo essa ideologização.

Na educação, o resultado foi uma tragicômica paralisia do MEC, palco de uma batalha entre o astrólogo Olavo de Carvalo e os militares,

Na diplomacia, o desastre ainda não é tão perceptível, mas é claramente anunciado.

Primeiro, tirando toda a autonomia do país em relação às suas transações comerciais com a China, ao nos colocar como caudatários dos interesses de Donald Trump, empenhado em resolver o quanto antes seus contenciosos comerciais com o país asiático.

Os Estados Unidos, nosso maior concorrente na exportação de soja para os chineses, agradecem, penhorados, o fato de, na prática, ficarmos reféns do que eles acertarem com a China, porque abrimos mão, sem nenhuma vantagem em troca, de políticas comerciais autônomas.

Agora, vem a desnecessária provocação aos árabes com a abertura de um inócuo escritório comercial em Jerusalém, que já provocou reações dos palestinos e provocará uma sucessão de outras.

Os países da Liga Árabe importaram, ano passado, US$ 11,5 bilhões do Brasil, contra uma importação de US$ 7,6 bilhões.

Para Israel, exportamos 36 vezes menos: US$ 321 milhões. E temos déficit, pois as importações de lá chegaram quase a US$ 1,2 bilhões.

Nada menos que metade das nossas exportações de frango e 20% das de carne bovina foram na categoria “halal”, onde os animais são abatidos segundo as tradições do islamismo, o que faz do Brasil o fornecedor de 51% do consumo de proteína animal no mundo árabe.

É evidente que não perderemos todo este mercado no curto prazo. Mas também é claro que os nossos competidores vão se estruturar para irem ocupando o que nos custou décadas para consolidar.

A Austrália, por exemplo, nossa competidora direta no mundo árabe, tem programas oficiais de incentivo e certificação de carnes halal, o mesmo acontecendo com a União Europeia. E não duvide que os chineses também coloquem isso como prioridade em seus investimentos na África.

Mas o Brasil, claro, está bem calçado nas análises de mercado de quente como o pastor Silas Malafaia, que desdenha, na BBC, as possibilidades de que a provocação aos árabes possa nos trazer prejuízos:

“Vão comprar de quem? Vão comprar onde? Vão retaliar o quê?”

Logo vamos descobrir.

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Nº 25.335 - "Perguntas e respostas sobre a dívida pública que você precisa saber"

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01/04/2019

Perguntas e respostas sobre a dívida pública que você precisa saber

Mais de 40% do orçamento brasileiro é destinado para pagar juros, entenda o que acontece


Da Carta Maior -  28/03/2019 


Para o articulista João Fragoso, a reforma da Previdência é para pagar juros da Dívida Pública (Arquivo Pessoal)

Por João Fragoso . Para o articulista , a reforma da Previdência é para pagar juros da Dívida Pública (Arquivo Pessoal)


I - Qual a principal finalidade da Dívida Pública (DP)?

Vamos supor que o governo tenha um programa de investimentos na Saúde para construir hospitais, expandir UPAs - Unidade de Pronto Atendimento, SAMU - Serviço de Atendimento Médico de Urgência, melhorar o atendimento do SUS, inclusive os salários de funcionários. 

Para investir na Educação, criando universidades, faculdades, escolas técnicas, institutos de educação, universalizando cada vez mais a educação, e sobretudo, melhorando os salários e a especialização dos professores. Fazer investimentos na infraestrutura, energia solar, eólica, rodovias, ferrovias, portos. Investir na Agricultura Familiar, Reforma Agrária e muitos outros investimentos. Porém o governo não tem dinheiro, que fazer? Então ele capta recursos do mercado, através de emissão de títulos. O governo emite títulos, paga juros baixos a quem adquirir tais títulos (caso contrário não tem sentido o investimento) por um determinado período e faz os investimentos que a população necessita. Nesses casos a Dívida Pública tem fundamento.

II - E como é a DP agora?

Vejamos. O governo agora, também emite títulos, mas os juros são acordados com os compradores, ou seja, os grandes bancos, os grandes capitalistas, os grandes rentistas dizem o limite dos juros. Mas para que o governo emite títulos? Para pagar juros da dívida. Então, essa dívida não se destinou a fazer investimentos, ela existe e aumenta muito, para pagar juros, juros sobre juros. Os bancos, conforme a especialista em Dívida Pública Maria Lúcia Fattorelli, apresentam uma sobra de caixa de mais de 1 trilhão e 200 bilhões de reais, uma enorme fortuna. 

III- Por que essa sobra?

Por que os bancos querem emprestar dinheiro a quase 400% ao ano. Quem vai tomar emprestado dinheiro pagando esses juros?

O sistema financeiro é privilegiado em todo o mundo. Ele não pode ficar com o capital empatado, por isso o governo tira de nossa saúde, de nossa educação, de nossa previdência, de nossa segurança, de nossos investimentos, para beneficiar os grandes bancos, pagando juros relativos à sobra de caixa, e aos grandes donos de capital, aos grandes rentistas.

Eis aí a explicação para a trapaça da Reforma da Previdência, o governo quer tirar de nossa previdência para pagar juros da Dívida Pública.

IV – Qual a gravidade do problema?

Do nosso orçamento de cerca de 2 trilhões e 650 bilhões de reais, mais de 40%, aproximadamente 1 trilhão e 65 bilhões, são para pagar juros da DP. Imaginem esse valor investido nas nossas necessidades sociais! O Brasil seria outro. O orçamento consta de despesas e receitas. Receitas é tudo o que o Governo arrecada com impostos. Os impostos somos nós que pagamos, quando compramos qualquer coisa, alimentos, vestuários, objetos para nossa casa. Portanto, os impostos devem voltar para nós em forma de investimentos, ou seja, na saúde, na educação, na habitação, em tudo que for necessário para melhorar a qualidade de vida do povo. Pensem vocês o governo tira 40% desse orçamento, para pagar aos muitos ricos, juros sobre uma sobra que os bancos deviam emprestar para o desenvolvimento do país, a juros baixos. E nossa educação, nossa saúde, aonde vão parar?

A Professora da UFRJ, Denise Gentil, assegura que os impostos são para custear a máquina administrativa, e os investimentos se dão através de dívida. Essa afirmação dela tem sido discutível entre os economistas. Por outro lado, avaliem, quantas crianças morrem por falta de atendimento na saúde, quantos desempregados, quantos jovens não podem frequentar a universidade.

Vejamos o que diz Maria Lúcia Fattorelli:

- A dívida brasileira não tem contrapartida. Isso é muito grave, pois significa desconhecer a origem da dívida.

- A política e a economia do Brasil, são organizadas para pagar os juros da DP. Fica claro que as necessidades do povo ficam na dependência da DP. Daí a Seguridade Social, a educação e demais carências estão subordinadas aos interesses do sistema financeiro. Fica claro também que uma economia que se destina a pagar juros da DP e concentrar rendas, não tem como crescer e, as consequências são: o desemprego (com ele a fome e a miséria), e o déficit na educação, na saúde, na economia.

- A crise econômica é seletiva. Os bancos não estão em crise, estão com enormes lucros. Basta citar que os bancos, ano passado, 2018, apresentaram lucro de 80 bilhões de reais.

- Estamos pagando os juros da dívida com emissão de novas dívidas.

- O modelo econômico brasileiro é desenhado para concentrar rendas. Por isso o sistema tributário é injusto. É regressivo porque quem tem menos paga mais e quem tem mais paga menos.

- Se o modelo é acumulativo, o sistema não vai distribuir, pelo contrário, vai tirar mais dos trabalhadores.

M. L. Fattorelli termina com uma frase lapidar: A emancipação dos oprimidos é obra deles mesmos. E então, o governo não tem mais de onde tirar dinheiro, pois, o orçamento já tem, quase a metade comprometida com os juros da DP, então o que ele faz? Vai tirar da Previdência Social, mentindo ao povo, dizendo que vai acabar com os privilégios, que a Previdência é deficitária. Enfiemos em nossas cabeças: A reforma da Previdência é para pagar juros da Dívida Pública.

Foram consultados entre outros autores: Denise Gentil – doutora pela UFRJ, Maria Lúcia Fattorelli, auditora de tributos federais aposentada, e Coordenadora da Auditoria Cidadã. Já fez auditagem da dívida pública no Equador e na Grécia, a convite de ambos os governos. ANFIP – Associação Nacional dos Auditores da Receita Federal no Brasil.


João Fragoso é integrante do Coletivo Cotonete

Edição: Heloisa de Sousa

*Publicado originalmente no Brasil de Fato

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Nº 25.334 - "Bolsonaro condecora militares israelenses e esquece dos brasileiros, que rastejaram na lama. Por Joaquim de Carvalho"

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01/04/2019 

Bolsonaro condecora militares israelenses e esquece dos brasileiros, que rastejaram na lama. Por Joaquim de Carvalho

Do DCM -  01/04/2019 -

Israelenses ficaram pouco tempo em Brumadinho

por Joaquim de Carvalho 

Jair Bolsonaro escolheu o Dia da Mentira para condecorar com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul os militares de Israel que estiveram no Brasil para ajudar no resgate às vítimas de Brumadinho.

Os brasileiros e, especialmente, os moradores de Brumadinho são, por certo, gratos por toda ajuda que tenha se prestado naquela hora de dor e desespero.

Mas a pergunta que não quer calar é: exatamente, o que os militares de Israel fizeram em Brumadinho?

Com certeza, não fizeram nenhum resgate, e um dos militares estrangeiros teve de ser resgatado por bombeiros brasileiros porque estava se afundando na lama.

Para contrariedade das autoridades de Israel, o comandante das operações em Brumadinho, Eduardo Ângelo, explicou por que a ajuda dos israelenses não foi efetiva.

Os equipamentos que trouxeram — uma espécie de scanner — eram úteis para detectar corpos quentes, mas sem valor algum para  localizar cadáveres, que são frios.

Talvez seja por isso que os militares israelenses tenham permanecido no Brasil por muito pouco tempo.

Tempo, no entanto, suficiente para fotos e a divulgação de notícias em todo o mundo.

Com esse gesto de ajuda humanitária, o governo de Israel teve de mídia espontânea um espaço de valor incalculável.

Como lembrou a jornalista brasileira de origem palestina Soraya Misleh, em artigo na revista Carta Capital, esse tipo de ação atende muito mais a um projeto de relações públicas do que de efetiva ajuda.

É conhecida como Aid Washing (Lavagem de ajuda), que serve para melhorar a imagem de quem se presta a ajudar.

Segundo ela, Israel já usou esse recurso no México, quando houve um terremoto, embora, naquele caso, se justificasse, já que havia sobreviventes sob os escombros.

A África do Sul, durante o regime de Apartheid, também se empenhou para realizar o primeiro transplante do coração do mundo, uma operação de guerra, uma corrida contra o tempo, porque queria tirar o foco internacional do regime de segregação racial.

É legítimo que Israel ofereça ajuda em um hora de dificuldade de um país com o qual mantém laços de amizade, mas, nessa história, há uma tremenda injustiça. Não por parte de Israel, mas do governo Bolsonaro.

Quem deveria ter tido a primazia das homenagens são os bombeiros e voluntários brasileiros que trabalharam (e ainda trabalham) em Brumadinho.

Um serviço tão valoroso que foi reconhecido fora do Brasil. Enquanto Bolsonaro condecora os israelenses, os bombeiros mineiros que atuaram na tragédia estão de novo mergulhados em lama e água, no trabalho de ajuda humanitária em Moçambique, alvo de um ciclone de grande poder devastador.

Como se vivesse numa realidade paralela, em que o Dia da Mentira é simbólico, Bolsonaro dourou a pílula ao condecorar os israelenses. Comparou a ajuda deles ao trabalho que prestou em 1985, quando estava no Exército e foi chamado para trabalhar em uma operação de resgate em um acidente com ônibus que caiu no rio (quinze pessoas morreram).

“O trabalho de vocês (militares israelenses) foi muito semelhante ao meu, humildemente prestado por mim no passado: confortar os familiares, ao encontrar um ente que estava ali”, disse.

“O trabalho dos senhores foi excepcional, fez com que nossos laços de amizade, de há muito, se fortalecessem. Nós, brasileiros, nunca esqueceremos o apoio humanitário por parte de todos vocês.”

Bolsonaro passou para a reserva do Exército com 33 anos de idade, quando começou a receber proventos equivalentes aos de aposentadoria.

Entrou na política e, mais tarde, ajudou a eleger três filhos, todos hoje em situação patrimonial muito confortável.

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Nº 25.333- "Janio: tenente Bolsonaro era terrorista! Mandar comemorar é uma provocação"

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01/04/2019 

Janio: tenente Bolsonaro era terrorista!
Mandar comemorar é uma provocação


Do Conversa Afiada31/03/2019 

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O Conversa Afiada reproduz da Fel-lha deste domingo, 31/III,  artigo de Janio de Freitas, de título "Todo dia é aquele":

A ordem de comemorar os 55 anos do golpe de 64 seria, vinda de qualquer cabeça antidemocrática, uma provocação tola e de mau observador. No caso de Jair Bolsonaro, a incompreensão da realidade é, claro, muito maior. Inclui até a falta de percepção do que tem sido sua vida.

Comemorar —relembrar com outros—  o golpe e a ditadura em data determinada é redundância. Mais do que eventualmente inesquecíveis, o golpe e a ditadura são lembrados todos os dias, por cada um de nós, sem depender de vontade. Os restos de autoritarismo, apodrecidos mas ainda criminosos; os cacos de legislação, os privilégios e impunidades; as discriminações, boicotes e perseguição aos que não rezam pelo conservadorismo; as preocupações e temores com o golpismo latente —tudo isso integra ainda a vida neste país.

Todos os dias são ainda lembranças e dejetos do 31 de março e do mais autêntico 1º de abril, com suas reproduções cotidianas por 21 anos.

Muitos milhares têm a agradecer o que receberam da ditadura, por via direta ou pelas circunstâncias. Por isso mesmo, também para esses beneficiados os dias são derivações do golpe. Entre os beneficiados, está Bolsonaro. Em posição particular e, por ironia, conquistada por meio da ditadura já na incipiente democracia.

Era o governo Sarney. Veja foi convidada à casa do tenente Bolsonaro para um "assunto importante". O tenente não apareceu na reportagem. Para os efeitos públicos, sua mulher então cumpriu o papel de porta-voz: ou o governo aumentava o salário ("soldo militar") dos tenentes, ou o abastecimento de água do Rio seria cortado pela explosão de bombas em um ponto crítico das adutoras. Foi oferecido para fotografia um croquis, bastante tosco, da linha de adutoras e das localizações.

Não houve o aumento exigido. Como reafirmação, um segundo plano seria a explosão de bombas em quartéis, com a pretensa participação de outros tenentes. Não houve aumento, mas a essa altura correram vagas informações de que o tal tenente estava sob inquérito. O processo daí decorrente foi até ao Superior Tribunal Militar.

O tenente Jair Bolsonaro agiu como terrorista. A publicação de Veja difundiu muita preocupação, tanto pelo anunciado ato terrorista, como pelo indício de grave agitação no meio militar, tão perto ainda do fim inconformado da ditadura. Para os militares, não houvera mudança essencial. O que incluía o STM, onde os dois juízes que evoluíram para a condenação à tortura e outras violências da ditadura, general Pery Bevilacqua e almirante Julio Bierrenbach, haviam sofrido a represália da exclusão. Ser apoiador da ditadura foi, desde 64, uma condição humana especial, com poderes e direitos acima de todos os códigos e convenções do convívio civilizado. O essencial dessa aberração parecia intocado, mas, afinal, o regime era outro.

Apesar disso, e embora não por unanimidade, o tenente terrorista foi absolvido. No centro de um conchavo, não lhe era sentenciada a devida condenação, mas passaria para a reforma. O que ainda lhe rendeu, como bonificação dada na época aos reformandos, promoção ao posto seguinte (por isso o "capitão Bolsonaro") e o soldo correspondente e integral.

Já na primeira eleição posterior à reforma, Bolsonaro candidatou-se a vereador no Rio. Foi eleito pelos militares e suas famílias, que depois lhe asseguraram sucessivas posses como deputado federal. Uma vida fácil e improdutiva na Câmara ou fora dela, assim como a eleição presidencial, que Bolsonaro só teve graças à ditadura. 

A continuidade do tribunal militar de índole ditatorial, quando a imprensa temia soar como provocadora e revanchista, protegeu o julgamento do tenente terrorista com um silêncio que mais tarde não haveria. Nem, portanto, a impunidade premiada.

Além dos restos de 21 anos anticivilizatórios, imagens de Jair Bolsonaro são lembranças diárias daquela desgraça nacional. A ordem de comemorações é só provocação redundante.

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Nº 25.332 - "Vale mata 305 e sonega R$ 23 bilhões"

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0104/2019

Vale mata 305 e sonega R$ 23 bilhões

E presidente vai receber R$ 45 milhões de indenização!


Do Conversa Afiada - publicado 01/04/2019


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Do UOL:

Vale faz venda fake à Suíça e deixa de pagar bilhões em impostos no Brasil


Um estudo do IJF (Instituto de Justiça Fiscal), organização formada por economistas e auditores da Receita Federal, mostra que a mineradora Vale usou uma manobra comercial para deixar de pagar pelo menos R$ 23 bilhões em impostos nas exportações de minério de ferro entre 2009 e 2015. (...) O valor sonegado pela empresa é duas vezes maior que o confiscado nas contas da Vale depois da tragédia com barragem em Brumadinho (MG).

A manobra fiscal usa a Suíça como entreposto das empresas. Do Brasil, a mineradora embarca minério de ferro para China e Japão, os maiores consumidores do produto. 

A venda da carga destinada à Ásia é feita com um preço abaixo do mercado para o escritório que a própria Vale abriu na Suíça em 2006 (...) O escritório suíço revende a mercadoria com o valor correto aos asiáticos. Os navios não entram na Suíça, que sequer tem contato com o mar.

Como declara um valor menor, a Vale paga menos impostos no Brasil e economiza no mínimo, US$ 6,2 bilhões (aproximadamente R$ 23 bilhões), de acordo com o IJF. O valor se refere apenas ao Imposto de Renda e à CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido). Um investigador da Receita, que pediu para não ser identificado, avaliou o caso como "fraude". 
(...)

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Nº 25.331 - "A desorientação da oposição"

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01/04/2019


A desorientação da oposição

Do Brasil 247 - 01/032019


por ALDO FORNAZIERI

Resultado de imagem para aldo fornazieriO que o Brasil tem hoje é um presidente que não governa, um presidente que desorganiza o próprio governo, um presidente que estimula conflitos políticos e institucionais, um presidente que desune o país, um presidente que agride a consciência democrática e o Estado de Direito, um presidente que despreza a Constituição, um presidente que tece elogios a ditadores sanguinários, um presidente que desmoraliza o próprio cargo e perde autoridade, um presidente desmoralizado no plano internacional, um presidente que não tem um plano e nem um projeto de governo. Várias outras constatações acerca da conduta de Bolsonaro poderiam ser elencadas. Mas, em que pese tudo isto, é preciso ser franco e afirmar que a oposição está desorientada, mesmo com as várias brechas que a atuação desastrada do governo permite para uma oposição forte e consistente.

Ouve-se de muitos oposicionistas e articulistas dizerem que Bolsonaro estaria no fim de seus dias como presidente, mesmo que não haja nenhuma evidência disto. Admita-se, por hipótese, que essas afirmações estejam corretas. Mesmo assim, pouco ou nada acrescentariam à oposição, pois se Bolsonaro caísse seria pela sua incompetência e não por um movimento de massas, não através da ação da oposição democrática. Então, ao propalar esta tese, o que oposicionistas e articulistas estão fazendo é propalar uma ilusão enquanto se espera a queda de um presidente desastrado. É aquela velha história aventureira: quer-se apanhar o fruto sem plantar a árvore.

O fato é que as oposições vêm sendo pautadas pelos posts e pelas declarações de Bolsonaro, pelos seus ministros desastrados, pelos conflitos internos do governo e pelo embate ideológico proposto pelos bolsonaristas. Não que os desatinos de Bolsonaro e dos governistas não devam ser combatidos. Mas esta deve ser uma subpauta das oposições. As oposições deve ter a sua própria pauta vinculada aos problemas reais da sociedade. Em política, operar apenas na defensiva resulta em colher derrotas.

Na semana passada houve um encontro de líderes oposicionistas em Brasília visando buscar uma atuação unificada. O encontro em si é alvissareiro. Mas as diretrizes que saíram do encontro são precárias. O primeiro ponto da nota assinada pelos líderes oposicionistas é mais ou menos óbvio: combater a Reforma da Previdência que quer impor o regime de capitalização e tirar direitos dos mais pobres. Já, o segundo ponto, prima pela confusão: "Do mesmo modo, convidamos para a defesa da soberania nacional", acrescentando que por trás do discurso nacionalista de Bolsonaro há atitudes antinacionais, o que é verdade. Mas, "convidamos" quem? Ir para onde e fazer o que? Qual a tática? Uma diretriz tão vaga e desprovida de senso prático como essa não pode ser levada a sério. Os militantes e ativistas precisam de orientações concretas, com formas de luta objetivas, com líderes e partidos ativos no exercício de seu papel dirigente.

O terceiro e último ponto chama a atenção para a decisão de Bolsonaro de comemorar o golpe de 1964 e define como centralidade da luta a defesa da democracia, contra a criminalização dos movimentos sociais e dos mais pobres. Aqui também, a orientação fica no declaratório. No epílogo, a nota pede tratamento isonômico para Lula e a sua liberdade porque a sentença ainda não transitou em julgado. A nota deveria ter dito que Lula está condenado sem crime e sem prova e que a sua prisão é política.

Por onde quer que se queira olhar esta nota, no seu conjunto, ela é vaga e frouxa e não orienta as ações das oposições e das esquerdas. As oposições estão passando ao largo dos principais problemas do país que são os mais de 13 milhões de desempregados, o aumento da estrema pobreza e da miséria, a volta da fome, e as tragédias da saúde, da educação, da habitação e da violência. Chega a ser espantosa a pouca incidência que os partidos progressistas tiveram acerca da tragédia de Brumadinho – um crime brutal e coletivo praticado pelos executivos da Vale.

Quem transita pelas periferias ou tem contato com pessoas que vivem nas periferias sabe da trágica decomposição social em que elas se encontram. Não existe renda e emprego. As pessoas vivem de escambo. Trocam serviços, não por dinheiro, mas por comida. Muitos prestam serviços a pessoas das classes médias e sofrem calotes porque as classes médias também se empobreceram. Há um crescimento exponencial do uso de drogas, de tráfico e de prostituição. Há o crescimento da violência interpessoal e, principalmente, da violência doméstica, na qual, mulheres e crianças são as maiores vítimas. Há crescimento de abandono do lar pelos pais/companheiros/maridos. Crescem o número de pessoas que vivem nas ruas e aumenta o número de camelôs, de trabalhadores informais. Não é que as pessoas não têm acesso ao atendimento hospitalar. As pessoas sequer estão tendo acesso a médicos. A tragédia social se avoluma e se agiganta e as oposições e os sindicatos não têm estratégias ou táticas para enfrentar esses problemas. A grande maioria dos pobres estão abandonados à sua própria sorte. Não são muitas as pessoas das periferias que são tangenciadas o articuladas por movimentos sociais organizados.

As oposições, claro, devem travar a luta superestrutural, institucional. Mas, acima de tudo, precisam ter uma pauta para o povo desesperado, para o Brasil abandonado. É verdade que existem movimentos combativos como o MTST e o MST. Mas isto é pouco para o tamanho do desastre social em que o Brasil está mergulhado. Isto é pouco para o crescimento da fome, da miséria e do desemprego. Os partidos políticos têm a responsabilidade principal de colocar a luta em movimento para buscar saídas ante o agravamento da crise social. O fato é que sem lideranças e partidos fortes e competentes deteriora-se a qualidade geral da política e as perspectivas de um país.

As oposições não podem mais ficar apenas na conclamação à "resistência aos retrocessos", pois os retrocessos, principalmente os retrocessos sociais e de direitos, já estão dados. Os retrocessos são brutais, pois geraram multidões, milhões de pessoas que não têm esperanças, que não tem destinos e que não são capazes de se dar um destino. Milhões de pessoas estão sendo tragadas pela desgraça social e pela falta de acesso a uma dignidade humana básica.

O bônus das expectativas positivas em relação ao novo governo evapora rapidamente. Caem as expectativas positivas do comércio e da indústria, assim como a intenção de consumo das famílias, pois, passado o primeiro mento de euforia com o novo governo, a sociedade começa a perceber a agudeza da crise em toda a sua gravidade.

Se as oposições não agirem agora poderão perder o momento, como o perderam várias vezes em 2015 e 2016 e como o perderam em relação a uma campanha popular em defesa de Lula. Se as oposições perderam o momento outras forças poderão aproveitá-lo caso o governo não consiga governar ou Bolsonaro se recuse a governar, agravando a crise. No caso da hipótese do governo se recuperar, as oposições progressistas, se não agirem agora, terão perdido a chance de agregar força e organizar a sociedade e os movimentos sociais.

A longa crise brasileira tem vários momentos críticos em seu interior. Ao que parece, a conjuntura está entrando em um novo momento crítico que exige soluções, mesmo que parciais. Os militares que estão no governo já perceberam esta situação e começam a operar para superar este momento em favor do governo. As oposições precisam despertar para esta situação. Precisam dizer qual a estratégia, quais as táticas, qual a pauta, quais as lutas e quais os meios para enfrentar esta crise. É preciso sair da ação meramente reativa ao que o governo faz e da oposição declaratória e ter capacidade para passar para uma tática ofensiva.


ALDO FORNAZIERI. Cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política (FESPSP)

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domingo, 31 de março de 2019

Nº 25.330 - "O crime é um negócio; a vida humana, uma droga"

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 31/03/2019

O crime é um negócio; a vida humana, uma droga


Do Tijolaço · 31/03/2019


por FERNANDO BRITO 

O governador, orgulhoso, diz que seus “snipers” estão agindo “sigilosamente” (o novo nome de clandestinidade) estourando cabeças de bandidos.

“Eles já estão sendo usados, só não há divulgação. Quem avalia se vai dar o tiro na cabeça ou em qualquer outra parte do corpo é o policial” diz ele a O Globo.

Na manchete do jornal, resultado da “política de segurança” deste enfrentamento: as milícias  já estão presentes em 14 cidades do estado e  controlam 26 bairros do Rio. “Somente no município do Rio, estão sob o jugo de milicianos, direta ou indiretamente, cerca de 2,2 milhões de pessoas”, informa o jornal.

Compostas por policiais, ex-policiais, agregando bombeiros militares e agentes penitenciários, elas passaram, também a controlar o tráfico, além de uma lista que vai de controle do transporte alternativo, venda do gás, tv a cabo e internet, agiotagem, grilagem e contrabando de cigarros.

Como funcionam em promiscuidade com o aparelho policial oficial, a raras ações feitas contra ela têm poucos resultados e é evidente a “benção” que recebem e o dízimo que pagam aos agentes do Estado.

O crime não é só um produto da injustiça e da iniquidade social, nisso eles têm razão.

É um negócio, um grande negócio, patrocinado hoje em dia tanto pelo governador quanto pelo Presidente da República, que já disse que os milicianos seriam “muito bem-vindos”, dada a incapacidade do estado de fazer cumprir a lei.

E como defender legalidade nas operações policiais é “defender bandido”, matam-se os bandidos “selecionados” para que o exército da milícia expanda seus lucros.

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PITACO DO ContrapontoPIG

"...O governador, orgulhoso, diz que seus 'snipers' estão agindo 'sigilosamente' (o novo nome de clandestinidade) estourando cabeças de bandidos...."

Isso não é um governador de estado confessando cumplicidade em assassinados?
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Nº 25.329 - "Globo surpreende e HUMILHA ministro idiota de Bolsonaro"

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31/03/2019.

Globo surpreende e HUMILHA ministro idiota de Bolsonaro

Do Blog da Cidadania - 30/03/2019



por Eduardo Guimarães

De uns anos para cá, a ascensão da extrema-direita no Brasil espalhou a teoria maluca de que nazismo e fascismo seriam “de esquerda”. Agora, porém, o ministro das Relações exteriores de Bolsonaro, Ernesto Araújo, passou a difundir essa loucura. O Jornal Nacional não deixou barato. Na última sexta-feira, provou que é mentira. E desmoralizou o governo Bolsonaro.

O Brasil vive a era dos idiotas. Eles tomaram o poder, elegeram um deles – o mais idiota de todos – como presidente da República e, agora, tentam aplicar sua idiotia nas veias de cada brasileiro. Uma dessas idiotices endêmicas produzidas pela extrema-direita bolsonarista é a de que o nazismo e o fascismo seriam movimentos “de esquerda”.

É relativamente simples comprovar que se trata de uma lorota. Uma manchete de primeira página da Folha de São Paulo de 1º de fevereiro de 1933 (quando o jornal se chamava “Folha da Manhã”) basta para desmontar essa tese idiota.

A manchete, como você vê, diz que, em 1933, socialistas e comunistas pretendiam se unir para enfrentar o governo então recém-empossado de Adolf Hitler. Hitler, que é o símbolo maior da extrema-direita, venceu a eleição contra a esquerda, chegou ao poder e promoveu uma das maiores atrocidades da história da humanidade.

Mas como existe uma máquina de direita programada para dopar as mentes mais frágeis com mentiras absurdas como a de que o nazismo teria sido “de esquerda”, por incrível que pareça nem uma prova tão concreta de que isso é lorota vinha sendo suficiente para fazer essa direitalha cretina para de divulgar bobagem tão grande.

Assusta, porém, quando um ministro de Estado da importância do chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, dá prova tão atroz de ignorância dizendo que o nazismo foi de esquerda… É pra acabar!!

Mas ele disse. E como disse.

Decidida a mostrar ao país que não pode ser desafiada, porém, a TV Globo resolveu dar uma forte contribuição ao interesse público – o que, claro, não apaga uma vírgula do que a emissora fez de ruim: o Jornal Nacional fez uma reportagem em que destrói o ministro-pateta de Bolsonaro.

O âncora William Bonner apresenta o fato de que o ministro Ernesto Araújo disse a batatada e sapeca especialistas como o embaixador da Alemanha no Brasil e vários intelectuais alemães, norte-americanos e brasileiros para dizer que Araújo falou “besteira”.

Em entrevista à Globo, o embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, por exemplo, afirmou que “é uma besteira argumentar que o fascismo e o nazismo são movimentos da esquerda. Isso não é fundamentado, é um erro, é simplesmente uma besteira”.


Detalhe: o embaixador alemão no Brasil não tem nenhum problema com Bolsonaro ou seu governo.

Já Peter Carrier, pesquisador na Alemanha e autor de um relatório da Unesco sobre o holocausto, disse ao Jornal Nacional que “é historicamente incorreto associar o nazismo como um movimento de esquerda e que, na própria formação do movimento nazista, na década de 20, eles já se declaravam contra o marxismo e contra a União Soviética”.

Segundo o pesquisador, a fala do ministro de Bolsonaro contribui para “falsificar a história”.


Uma historiadora especializada em fascismo e autoritarismo, da universidade NYU, em Nova York, também disse ao JN que Araújo fala besteira:

“o ministro tem que reler os livros de história, que faz parte da estratégia de determinadas correntes políticas adotar uma versão que seja mais adequada a seus interesses e que dizer que esses movimentos são de esquerda é simplesmente um absurdo”.


O historiador Antônio Barbosa, da Universidade de Brasília, disse que falar que o nazismo é um fenômeno de esquerda é uma fraude:

“Uma fraude intelectual e uma releitura completamente equivocada da própria história. É como se fosse negar o fato histórico que aconteceu na Alemanha nos anos 30, nos anos 40”


O historiador ainda fez uma advertência sobre as constantes batatadas de  Bolsonaro e de seu séquito de idiotas:

“No caso da política externa, isso [de dizer que o nazismo foi de esquerda] é extremamente perigoso porque mostra ao mundo uma visão sectária, radicalmente sectária no Brasil, o que não é bom para o país”

Agora imagine a desmoralização do Brasil ao ter o seu CHANCELER, que precisaria ser alguém de excelente nível cultural e intelectual, repetindo tolices como essa sobre nazismo ser de “esquerda”. O mundo já tem certeza de que o Brasil é governado por fascistas burros, iletrados e truculentos. E isso vai nos custar caro. Muito caro. A todos, esquerda e direita.

Confira a matéria em vídeo


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