quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Nº 25.163 - "Os erros e o improviso de Bolsonaro - Brasil Primeiro com Aloizio Mercadante (7.11.2018)"

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07/14/2018

Os erros e o improviso de Bolsonaro - Brasil Primeiro com Aloizio Mercadante (7.11.2018)

Do Brasil 247 - 07/11/2018


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terça-feira, 6 de novembro de 2018

Nº 25.162 - "Moro confessa que J B o seduziu antes do 2° turno"



06/11/2018

Moro confessa que J B o seduziu antes do 2° turno

Ele acertou com Paulo Guedes os projetos que ia apresentar

Do Conversa Afiada - publicado 06/11/2018

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Numa entrevista coletiva em Curitiba, o futuro Presidente da Justissa Judge Murrow contou que no dia 23 de outubro recebeu uma "sondagem" do Posto Ipiranga e, no encontro, acertou que depois das eleições apresentaria seus projetos ao Presidente por eleger-se.

Fica assim, oficialmente, a cronologia do Golpe:

- 1/X - Moro entrega ao PiG uma delação fajuta do Pulhocci para ferrar a candidatura do Haddad;
- 7/X - eleição do primeiro turno;
- 23/X - Paulo Gudes se encontra com Moro;
- 28/X - J B se elege Presidente;
- 1/XI - Moro concede audiência ao presidente eleito, na Barra da Tijuca, e apresenta seu plano de Governo.

Precisa desenhar?

Nessa coletiva, o Imparcial de Curitiba informou que há convergências e divergências sobre o que fazer.

Quando não houver convergência absoluta, se chegará a um meio termo.

O Judge enfatizou que tudo será feito segundo a Constituição.

(O presidente eleito disse no Congresso a mesma coisa.)

Uma vez que a Lava Jato cometeu notórias agressões à Constituição - leia aqui o novo pedido de habeas corpus do Presidente Lula - a Constituição não será obstáculo às 110 Medidas contra a Corrupção que estão na bagagem do Presidente da Justissa.

Em tempo: ele informou que a equipe da Lava Jato fará parte de sua Presidência. O que, portanto, confirma que a delegada Marena será diretora-geral da Polícia Federal!

Em tempo2: como disse o Times de Londres: Bolsonaro nomeou juiz que condenou seu rival. Precisa desenhar?

Em tempo3 - sobre o Golpe de 1964, numa pergunta do UOL, Moro se esborrachou. Primeiro, disse que se tratou de um "movimento", como prefere o Ministro Dias Gaspari Toffoli. Depois, falou em "Golpe".

PHA

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Nº 25.161 - "Por um julgamento justo para Lula"

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06/11/2018


Por um julgamento justo para Lula


Do Brasil 247 - 06/11/2018

Ricardo Stuckert


por Gleisi Hoffmann

Os primeiros movimentos do futuro governo Bolsonaro confirmam as piores expectativas que se formaram ao longo de um processo eleitoral anômalo, no qual tudo foi feito, de forma ilegal e arbitrária, para impedir a vontade do povo de eleger o ex-presidente Lula.

Esse futuro governo aponta para a criminalização dos movimentos sociais e o banimento da oposição, a começar pela esquerda; para o aprofundamento de um modelo econômico que exclui a maioria da população e privilegia os donos da fortuna; para a entrega das riquezas nacionais e a submissão do país à política externa dos Estados Unidos.

O mais grave desses movimentos foi a indicação, com aceitação, de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça. Moro atuou nos últimos anos com objetivos políticos que agora se revelam indisfarçáveis; foi agente central no processo político brasileiro, manipulando as investigações da Lava Jato em cumplicidade com a grande mídia, para impulsionar o golpe do impeachment e a prisão do maior líder político do país.

A indicação de Moro, como confessou o vice-presidente do futuro governo, foi negociada durante a campanha eleitoral. E nesta campanha ele interferiu bloqueando uma ordem superior de libertação de Lula, adiando um depoimento em que o ex-presidente poderia se defender e dando publicidade a um depoimento mentiroso de Antonio Palocci, às vésperas do primeiro turno, prejudicando a campanha de Fernando Haddad.

O mundo está chocado com esse episódio, que desnuda a parcialidade e a arbitrariedade do juiz que condenou Lula e o manteve ilegalmente preso. Mas é ainda mais grave: o Ministério da Justiça de Moro foi redesenhado para atuar como um verdadeiro ministério da perseguição política, reunindo instrumentos típicos de um estado policial.

Os 47 milhões de votos recebidos por Haddad em defesa da democracia, num processo eleitoral fora da normalidade, conferem ao PT a responsabilidade de impulsionar a defesa da Constituição, dos direitos do povo e da soberania nacional, numa ampla frente política e social. A escandalosa indicação de Sergio Moro deixa claro que nossa primeira tarefa é deflagrar uma campanha por um julgamento justo para Lula.


GLEISI HOFFMANN. Senadora e presidente nacional do Partido dos Trabalhadores

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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Nº 25.160 - "90% dos eleitores de Bolsonaro acreditam em fake news, Papai Noel e Coelhinho da Páscoa"

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02/22/2018


90% dos eleitores de Bolsonaro acreditam em fake news, Papai Noel e Coelhinho da Páscoa


Do Blog do Esmael  - 02/11/2018 por Esmael Morais


A Folha não perdoa Jair Bolsonaro por ter deixado ela fora da coletiva de imprensa, nesta quinta. Por isso o jornalão divulgou pesquisa dizendo que 90% dos eleitores do ‘Coiso’ acreditam em fake news, Papai Noel e Coelhinho da Páscoa.

De acordo com a Folha, 98% dos eleitores de Bolsonaro foram expostos a notícias falsas durante a campanha mas [só!] 90% acreditaram que os fatos eram verdade. 

A pesquisa, realizada pela IDEA Big Data de 26 a 29 de outubro com 1.491 pessoas no país, analisou Facebook e Twitter.

A Folha ajudou a criar o monstro que hoje diz combater.

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Nº 25.159 - "Política do 'inimigo permanente' une Trump a Bolsonaro. Como o fascismo de Bannon usa o apocalipse para chegar ao poder"

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02/11/2018


Política do “inimigo permanente” une Trump a Bolsonaro. Como o fascismo de Bannon usa o apocalipse para chegar ao poder


Do Viomundo - 01/11/2018 - 20h07 

Política do “inimigo permanente” une Trump a Bolsonaro. Como o fascismo de Bannon usa o apocalipse para chegar ao poder


Da Redação

No dia 4 de agosto deste ano, o deputado federal Eduardo Bolsonaro tuitou uma foto feita em Manhattan com uma mensagem em inglês: “Foi um prazer encontrar Steve Bannon, estrategista da campanha presidencial de Donald Trump. Tivemos uma boa conversa e compartilhamos da mesma visão de mundo. Ele se disse um entusiasta da campanha de Bolsonaro e estamos em contato para juntar forças, especialmente contra o marxismo cultural”.

Como a conversa não foi pública, é impossível dizer até que ponto os dois de fato concordam.

Porém, os discursos e mesmo as primeiras decisões de Jair Bolsonaro são compatíveis com a pregação de Bannon, que por sete meses foi assessor especial de Trump na Casa Branca.

Em 2014 o site BuzzFeed recuperou a íntegra de uma entrevista que Bannon   deu para um grupo de conservadores reunido no Vaticano, bem antes do Brexit ou da vitória eleitoral de Donald Trump nos Estados Unidos.

Os promotores do encontro eram ligados ao cardeal estadunidense Raymond Burke, um dos críticos mais vocais do papa Francisco. Burke já foi definido como o “rosto” da oposição ao papa no Vaticano.

Na entrevista, Bannon criticou o capitalismo dos dias de hoje dizendo que ele se afastou das fundações morais e espirituais do cristianismo, da civilização judaico-cristã.

Afirmou que o tratamento dado aos culpados pela crise financeira de 2008 nos Estados Unidos — ficaram impunes e foram resgatados pelo Tesouro — foi o combustível da revolta popular que se manifestou no Tea Party e fez o Partido Republicano guinar ainda mais à direita.

Aqui vale a tradução de um trecho relevante:

“Essa forma de capitalismo é muito diferente do que eu chamo de capitalismo iluminado do Ocidente judaico-cristão. É um capitalismo que parece transformar as pessoas em mercadorias, que objetifica as pessoas, que as usa — como muitos dos preceitos de Marx — e é uma forma de capitalismo que, particularmente as novas gerações, acham muito atraente. Eles não enxergam uma alternativa. […] Outra tendência é a imensa secularização do Ocidente. Já venho falando sobre secularização há muito tempo, mas se você olhar para os jovens, especialmente os de menos de 30 anos, há um impulso irresistível da cultura popular em secularizá-los. Tudo isso converge para algo que teremos de encarar, é um tópico muito desagradável, mas estamos em guerra contra o fascismo jihadista islâmico. E esta guerra, acredito, está em metástase muito mais rapidamente do que os governos podem enfrentar”.

Depois de elogiar o Partido de Independência do Reino Unido (UKIP) e a Frente Nacional francesa, hoje comandada por Marine Le Pen — dois partidos nacionalistas de direita –, Bannon disse que o que os une “é um movimento populista de centro-direita da classe média, dos trabalhadores e trabalhadoras do mundo, que estão cansados de seguir os ditames do que chamamos de Partido de Davos”.

Davos é a cidade Suiça sede de um encontro anual de bilionários.

“Esta revolta de centro-direita é na verdade uma revolta global. Acredito que vocês vão vê-la na América Latina, na Ásia e já a vemos na Índia”, afirma a certa altura, referindo-se à vitória eleitoral do Partido do Povo Indiano, do atual primeiro-ministro Narendra Modi, que prega o nacionalismo hinduísta num país que tem cerca de 200 milhões de muçulmanos.

A declaração, lembrem-se, foi dada em 2014.

Na entrevista, Bannon afirmou que as classes dirigentes estão corrompidas e, portanto, é preciso demolir as instituições existentes no mundo.

Rompendo com o secularismo, pregou reconstruí-las sobre os desígnios judaico-cristãos, já que segundo ele uma grande tormenta está a caminho, aquela, causada pelo “fascismo islâmico”.

A NOVA BÍBLIA

Bannon, que segundo a mídia dos Estados Unidos é um leitor voraz,  admite que um livro em especial moldou sua visão de mundo: The Fourth Turning, An American Prophecy, publicado em 1997.

Um dos autores chegou a escrever um artigo,  publicado no Washington Post, se gabando de ter influenciado o estrategista de Donald Trump.

A descoberta de que Bannon tinha um livro de cabeceira levou o site liberal Huffington Post a publicar uma manchete que deixou gente de cabelo em pé: Steve Bannon acredita que o apocalipse está a caminho e a guerra é inevitável.

“A História é sazonal e o inverno está a caminho… A própria sobrevivência da Nação está em jogo. Em algum momento antes de 2025, os Estados Unidos vão atravessar um grande portão, comparável à Revolução Americana, à Guerra Civil ou às emergências gêmeas da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial. O risco de catástrofe é grande. A Nação poderia irromper em insurreição ou violência civil, se dividir geograficamente ou sucumbir a um governo autoritário”, diz um trecho do livro republicado pelo New York Times, que comparou o cenário ao do seriado Game of Thrones.

A profecia dos autores é baseada no que acreditam ser um ciclo que se repete na História a cada 80 anos: crescimento, maturidade, entropia e destruição. Argumentam que os ciclos são tão previsíveis quanto as quatro estações do ano.

Para enfrentar a tempestade vindoura, dizem os autores, “nova autoridade cívica vai ter de se enraizar, rapida e firmemente — o que não será fácil se regras e rituais desacreditados do antigo regime permanecerem. Temos de mudar e simplificar o governo federal antes da crise, cortando profundamente seu tamanho e amplitude, sem colocar em risco seu núcleo central”.

“O núcleo da Nação será mais importante que sua diversidade. Jogo em equipe e comportamento padrão serão as novas palavras de ordem. Qualquer pessoa ou coisa que não puder ser descrita nestes termos pode ser deixada de lado — ou pior. Não se isole das atividades comunitárias… Se você não quer ser mal avaliado, não aja de maneira a provocar a autoridade da Crise a te julgar culpado. Se você pertence a uma minoria étnica ou racial, prepare-se para uma reação nativista de uma maioria assertiva (e possivelmente autoritária)”, escrevem os autores em tom de advertência.

A chamada Quarta Reviravolta, curiosamente, se expressa tanto no discurso de Donald Trump — “nós contra eles” — quanto no de Jair Bolsonaro, que afirma que despreza os direitos das minorias e diz que elas devem se submeter ao controle das maiorias.

Brasil acima de todos, Deus acima de tudo.

COMO O VATICANO REAGIU

A coalizão conservadora de católicos, protestantes e ortodoxos em geral, incentivada por Bannon, mereceu uma resposta indireta do Vaticano.

Veio na forma de um artigo de um confidente do papa Francisco, o católico Antonio Spadaro, em parceria com o pastor presbiteriano Marcelo Figueroa,  numa publicação que é vista como porta-voz não oficial do Vaticano.

Eles identificam como uma das origens do chamado “teoconservadorismo” um livro publicado no início do século 20, pelo milionário californiano Lyman Stewart, The Fundamentals.

“Os grupos religiosos e sociais inspirados em autores como Stewart consideram os Estados Unidos uma nação abençoada por Deus. E não hesitam em basear o crescimento econômico do país numa adesão literal à Bíblia. Em anos mais recentes, essa corrente de pensamento se alimenta da estigmatização de inimigos, que muitas vezes são demonizados. O panorama do que entendem como ameaças à forma americana de viver inclui modernistas, o movimento negro pelos direitos civis, o movimento hippie, comunistas, feministas e assim por diante. E em nossos dias estão incluídos os imigrantes e os muçulmanos. Para manter os níveis de conflito, suas leituras bíblicas tiram de contexto trechos do Velho Testamento sobre conquista e defesa da terra prometida, em vez de se guiarem pelo olhar incisivo, cheio de amor, de Jesus nos Evangelhos”, diz o texto.

No Brasil de Bolsonaro, registre-se, os “vermelhos” já foram definidos como inimigos a serem, ainda que metaforicamente, “metralhados”.

A crença num mundo governado apenas pelos homens, criaturas de Deus, também coloca os ambientalistas como inimigos da fé.

“Nessa visão teológica, os desastres naturais, as dramáticas mudanças climáticas e a crise ecológica global não são percebidos como um alarme que deve levá-los a reconsiderar seus dogmas, mas como o oposto: sinais que confirmam sua compreensão não-alegórica das figuras finais do livro do Apocalipse e a esperança apocalíptica em um novo céu e uma nova terra“, escrevem Spadaro e Figueroa.

Não por acaso, tanto Donald Trump quanto Jair Bolsonaro se manifestam contra o acordo de Paris para combater o aquecimento global.

Os autores notam os paradoxos da coalizão religiosa fundamentalista: “Esta reunião em torno de objetivos compartilhados acontece em temas como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, educação religiosa nas escolas e outros assuntos geralmente considerados morais ou ligados a valores. Ambos os integralistas evangélicos e católicos condenam o ecumenismo tradicional e ainda promovem um ecumenismo de conflito que os une no sonho nostálgico de um tipo de estado teocrático. No entanto, a perspectiva mais perigosa para este estranho ecumenismo é atribuível à sua visão xenófoba e islamofóbica, que pede muros e purifica as deportações. A palavra ecumenismo se transforma em um paradoxo, em um ecumenismo do ódio”.

O artigo critica a tentativa dos fundamentalistas de invadir a esfera laica do Estado, o que o papa Francisco condena. Os autores sugerem que líderes políticos tentam usar a religião para defender interesses da elite que dizem combater, de forma hipócrita.

“A espiritualidade não pode se ligar a governos ou a pactos militares, pois está a serviço de todos os homens e mulheres. As religiões não podem considerar algumas pessoas como inimigos jurados, nem outras como amigos eternos. A religião não deve se tornar a garantia das classes dominantes. No entanto, é justamente esta dinâmica, com um sabor teológico espúrio, que tenta impor sua própria lei e lógica na esfera política”, diz o texto.

Finalmente, Spadaro e Figueroa se referem à luta do papa Francisco para evitar que a fé seja manipulada num período de crise econômica:

“Há uma necessidade de lutar contra a manipulação desta temporada de ansiedade e insegurança. Novamente, Francisco é corajoso aqui e não dá legitimidade teológico-política aos terroristas, evitando qualquer redução do Islã ao terrorismo islâmico. Nem dá para aqueles que postulam e querem uma guerra santa ou para construir barreiras cercadas de arame farpado. A única coroa que conta para o cristão é aquela com espinhos que Cristo usou”.

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Nº 25.158 - "O general da repressão é Sérgio Moro"

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02/11/2018


O general da repressão é Sérgio Moro


Do Tijolaço · 02/11/2018



por Fernando Brito

Escrevi aqui que  ontem poderia ser considerado o dia da fundação do Estado Policial Brasileiro mas, desde já, tal como se trocou em 1964 o “Primeiro de Abril” pela “redentora Revolução de 31 de Março”, sugere-se que fique a data como sendo a de hoje: o Dia de Finados, pelo simbolismo em relação à morte dos direitos à privacidade, à presunção de inocência e à segurança no exercício de nossas liberdades.

A nomeação de Sérgio Moro não é apenas uma ‘jogada de marketing” do presidente eleito. Não acho sequer que esta decisão tenha sido ‘de agora’ ou que possa ter sido tomada sem a participação do “núcleo militar” do bolsonarismo.

Afinal, Moro será posto a comandar uma máquina sinistra, encarregada de promover a onda de perseguição política destinada a fazer aquilo que Bolsonaro prometeu no seu tristemente famoso discurso aos seus apoiadores da Avenida Paulista: “fazer uma limpeza nunca vista na história deste país” e dirigir uma polícia com “retaguarda para  jurídica para fazer valer a lei no lombo de vocês”.

Para isso, não vai contar com pouco.

Terá o controle da Polícia Federal e, com ela, a capacidade de bisbilhotar, informalmente, todas as comunicações telefônicas e telemáticas.

Terá o controle do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, e com ele a capacidade de xeretar todas as movimentações financeiras de pessoas físicas e jurídicas do país.

Terá o controle do que já foi a Controladoria Geral da União, a CGU, e com ele a capacidade de conhecer cada detalhe dos atos dos gestores públicos, exceto nas áreas onde alguma “voz amiga” diga que ali “não vem ao caso”.

Moro será o general da repressão da neoditadura.

Muitos ainda estão pensando dentro da lógica do estado democrático e das funções institucionais de um Ministério da Justiça, mesmo numa versão avantajada.

Lamento dizer que não é este o caso.

É por isso que não houve, nem de Moro e nem de Bolsonaro, preocupação com o desgaste em questão de legitimidade e da imagem de isenção do Governo em relação à Justiça ou do que que ela fez para instituir este governo.

Legitimidade e isenção são bobagens que devem ser desconsideradas diante da “Cruzada Anticorrupção”, em nome da qual se promoverão os “pogrons” antiliberdades.

Infelizmente, nossos “republicanos” continuam querendo medir perdas e ganhos políticos  de um jogo democrático.


Vamos entrar num regime de força e muitos ainda não o percebem.

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Nº 25.157 - "Sérgio Moro é um político que se fazia de juiz. Lula é um preso político"

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02/11/2018

Sérgio Moro é um político que se fazia de juiz. Lula é um preso político


Do Brasil 247 - 01/11/2018


por Patrus Ananias

Patrus AnaniasSérgio Moro foi manchete de capa ao declarar que "Jamais entraria para a política". Naquele momento, essa foi a maneira encontrada por ele para escamotear que Lula não estava sendo julgado por um Poder Judiciário minimamente neutro. Lula foi julgado e condenado por um juiz atuando como político. Sérgio Moro é um juiz que já tinha lado escolhido antes de iniciar qualquer julgamento, fazendo valer sua ideologia nas decisões e julgando com propósitos eleitorais.

Integrantes do Ministério Público, do Poder Judiciário, como todos nós, não estão imunes às questões ideológicas. Estas questões atravessam toda a sociedade e dizem respeito às disputas políticas, econômicas, culturais; conflitos que acontecem no campo dos valores e da compreensão do mundo.

Existe no Brasil uma hegemonia do capitalismo sem limites e sem fronteiras. Juízes, desembargadores, ministros, integrantes do Poder Judiciário não são imunes a essas disputas ideológicas que se travam no interior da sociedade. Diversos deles assumem os valores e as práticas do neoliberalismo, do privatismo, do individualismo, e levam essa visão reduzida e distorcida do mundo para os seus julgamentos. Tornam-se políticos atuando em papéis que deveriam ser de juízes, procuradores.

A interpretação das leis a partir de um claro viés político e ideológico leva ao chamado lawfare, guerra jurídica, que ocorre quando se utiliza as instituições para perseguir um adversário político. A falta de provas contundentes, a utilização de absurdos indícios à guisa de provas, a negação dos fatos e a velocidade do julgamento (para impedir que Lula fosse candidato novamente) deixam claro, agora mais do que nunca, que Lula é um preso político.

Tendo sido julgado por este Sérgio Moro que agora aceitou ser ministro de Bolsonaro, Lula é um preso político. Diversas personalidades brasileiras, que de modo algum podem ser consideradas simpáticas a Lula ou ao PT, reconheceram desde o primeiro momento que o simples fato de Moro considerar o convite já denunciava sua posição política. Posição esta que nunca paramos de denunciar.

No exterior, a simples possibilidade de Moro assumir o ministério da Justiça do candidato vencedor, após condenar à prisão seu principal rival, já era vista com enorme assombro, denunciando de modo inegável uma justiça absolutamente partidarizada. O fato de ter tirado o sigilo da delação de Palocci durante o período eleitoral, sem qualquer razão prática para isso, favorecendo a campanha de Bolsonaro, apenas deixava ainda mais claros quais seus propósitos. Ainda mais porque a delação de Palocci foi negada pelo Ministério Público Federal e denunciada por procuradores da Lava Jato como um "blefe" que "nunca deveria ter existido".

Sérgio Moro é um político alinhado à direita, conservador, que utilizou a Justiça para fazer valer propósitos seus que agora se mostram claramente ilegais. Sérgio Moro é um político que se fez de juiz enquanto era interessante aos propósitos dos que queriam tirar Lula da disputa eleitoral. Agora, é premiado como cargo político que lhe cabe, negociado ainda durante a campanha eleitoral.


PATRUS ANANIAS. Ex-ministro do Desenvolvimento Social e do Desenvolvimento Agrário, é deputado federal pelo PT-MG

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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Nº 25.156 - "O Brasil elegeu um ditador e não foi por falta de aviso (até dele próprio)"

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29/10/2018


O Brasil elegeu um ditador e não foi por falta de aviso (até dele próprio)

Do Brasil 247 - 29/10/2018

Valter Campanato - ABR

por Alex Solnik

Alex SolnikNão sei o que vai acontecer com o Brasil daqui pra frente, mas coisa boa não vai ser. O fato é que a Nova República acabou (1988-2018) e ninguém sabe o que virá. Meios de comunicação e colunistas panglossianos tentam colocar panos quentes e acalmar o distinto público chamando atenção para detalhes pacificadores e democráticos do ditador eleito: "ele fez vídeo ao lado da constituição"... "prometeu defender a democracia"... "sua homofobia é da boca pra fora"...

Todos conhecem a anedota do elefante que aceita atravessar o rio com o escorpião nas costas. Por mais que Bolsonaro jure amor à democracia ele será incapaz de contrariar sua natureza, tal como o escorpião. Vai ferir a democracia de morte e nunca escondeu e não esconde essa intenção de ninguém. Nem que morra junto com ela.

Já começou na largada.

Em vez de convocar uma coletiva de imprensa para seu primeiro pronunciamento depois de eleito, optou por fazer uma transmissão pessoal por internet. Deixou claro como será seu comportamento com a imprensa: eu falo e vocês anotam. Vai dar ordens por vídeo, sem ser contestado por jornalistas. Os que não forem seus acólitos serão rotulados de comunistas e banidos de alguma forma. Ou alguém tem dúvida disso?

Pela primeira vez na história republicana, o primeiro ato de um presidente eleito foi fazer uma oração cristã, mais precisamente evangélica, num claro desrespeito à constituição que preconiza o estado laico e aos brasileiros de outras religiões. Ele deu o recado de que não pretende governar para todos. E fez um aceno a Edir Macedo que não esconde de ninguém sua ambição de poder. Essa simbiose entre política e religião lembra o regime de Erdogan na Turquia.

Também pela primeira vez, um presidente eleito, em vez de declarar que o fim da eleição deve ser o fim do clima de beligerância declarou guerra aos "comunistas" – a quem, na sua visão distorcida, derrotou – ecoando o discurso da ditadura militar. Ou seja, ele não estendeu a mão ao adversário do segundo turno; declarou-o seu inimigo.

Especialistas no assunto de renome mundial, velhos e contemporâneos, ensinam que um regime autoritário como esse que se desenha a partir de 1º. de janeiro não pode ser enfrentado com sucesso senão com a união das forças democráticas. Não há outra receita.

E, dado o constrangedor espetáculo que assistimos no decorrer do segundo turno, fica difícil imaginar que partidos e líderes que não se alinharam a Bolsonaro se unam ao PT e demais partidos de esquerda. O mais provável é que deem "tempo ao tempo", na esperança de que o capitão que sempre demonstrou ser um xucro tome um banho de civilização.

Não quero ser mensageiro de maus presságios. Mas o Brasil elegeu um ditador e não foi por falta de aviso. Até dele próprio.

Ninguém que votou nele poderá alegar que não sabia.


Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os qu

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Nº 25.155 - "Era de sombras se abate sobre o Brasil com eleição de Bolsonaro"

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29/10/2018


Era de sombras se abate sobre o Brasil com eleição de Bolsonaro

Do Blog da Cidadania - 28/10/2018


O segundo turno das eleições presidenciais de 2018 foi dramático para a democracia brasileira. O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, valeu-se de rede de notícias falsas, impulsionada por caixa 2, para auferir vantagem injusta e até criminosa

A chapa Fernando Haddad e Manuela D’Ávila largou em ampla desvantagem cronológica – a poucas semanas da eleição em primeiro turno – e sem recursos financeiros sequer parecidos com os do candidato da extrema-direita – só a rede bolsonarista no Whats App custou 1,8 bilhão de reais via caixa 2, segundo denúncia da Folha de São Paulo.

O mundo se espantou e estremeceu ante a guinada eleitoral do Brasil para a extrema-direita, fenômeno ainda inédito na América Latina. Órgãos de imprensa internacionais de extração conservadora, como The Economist ou Financial Times divulgaram editoriais críticos ao ex-capitão do Exército.

Personalidades nacionais e internacionais, universidades, a grande maioria da intelectualidade do Brasil e do mundo, emitiram manifestações de preocupação com o rumo do país em caso de vitória do extremista de direita.

Foi inútil. Apesar da diferença pouco significativa, o medo e o desespero levaram uma tênue maioria da população a fazer uma aposta inconsequente achando que medidas desesperadas e grandiloquência policialesca podem suprir a falta de políticas sociais e estimulo ao consumo de massas, imprescindíveis em um contexto socioeconômico como o atual.

As ameaças a opositores e a prevalência dos interesses de banqueiros e grandes empresários em detrimento dos interesses dos trabalhadores será a marca da governança do país nos próximos anos. O resultado disso será um rápido envelhecimento do novo governo.

Confira a transmissão ao vivo do Blog da Cidadania, com Eduardo Guimarães, editor do site, e Meire Cavalcante, coeditora.


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Nº 25.154 - "Todos juntos, atentos e fortes. Por Luiz Carlos Bresser-Pereira"

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29/10/2018


Todos juntos, atentos e fortes. Por Luiz Carlos Bresser-Pereira

Do Diario do Centro do Mundo -  29/10/2018



Publicado originalmente na  fanpage do Facebook do autor

POR LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, economista e ex-ministro

Se eu fosse mulher, negro ou gay, eu estaria com medo. Eu não sou nem mulher, nem negro, nem gay, mas estou com medo. Com medo, mas com coragem – com a coragem que afasta o medo e nos leva a resistir.

Eu estou com vergonha da classe média e das elites brasileiras, às quais eu pertenço. Elas foram responsáveis pelo golpe parlamentar que foi o impeachment, e agora apoiaram um candidato neofascista que age abertamente contra os direitos humanos e a democracia. Estou com vergonha das elites paulistas que elegeram um governador tão mau quanto é o presidente.

Minha principal preocupação é com o cidadão comum. Seu tempo é sempre difícil. Ele está sendo sempre desrespeitado; seu valor não é reconhecido pelas elites. Mas agora as perspectivas que enfrenta são piores, porque é o próprio presidente eleito que se junta às elites no desprezo por homens e mulheres que são iguais em direitos.

Em 1985 foi afinal assegurado o sufrágio universal aos brasileiros. A partir dessa data eles contaram com um certo apoio dos políticos, porque estes sabiam que sua reeleição dependia de agirem como intermediários entre as elites e o povo. Agora, com uma vitória de 11 pontos porcentuais sobre o candidato democrático, os políticos se veem liberados para agir apenas em favor dos poderosos.

Agora não importa que essa vitória tenha se baseado na fraude eleitoral praticada com a remessa de whats’ups em massa com mensagens deliberadamente mentirosas. Em relação a este problema, temos que esperar o pronunciamento da Justiça. Agora o que é importante é que nos mantenhamos juntos, atentos e fortes. Vamos deixá-lo governar, mas precisamos estar juntos para impedir que ele leve adiante sua mensagem de violência.

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Nº 25.153 - "Resistir é imprescindível"

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29/10/2018

Resistir é imprescindível

Do Brasil 247 - 29/10/2018

Ricardo Stuckert

por Jeferson Miola

Resistir é preciso. Resistir ao fascismo é imprescindível.

E resistir é, acima de tudo, o único caminho que a história reserva aos democratas, aos libertários e aos humanistas do Brasil e do mundo.

Uma eleição não é garantia automática de democracia. Hitler ascendeu ao poder na Alemanha em 1933 depois de ter sido eleito. Em questão de meses, o hitlerismo foi convertido em filosofia oficial e em política de Estado do nazismo.

Não temos o direito de ser ingênuos. O mesmo pode acontecer no Brasil, se nada for feito para deter o itinerário que leva ao precipício nazi-fascista. A justiça eleitoral, entendo eu, dá evidentes sinais de ter se convertido em quartel-general do bolsonarismo.

Bolsonaro não é um acidente de percurso. Ele é a opção consciente, a aposta escolhida pela classe dominante para cumprir 2 missões especiais no próximo período.

A primeira missão consiste em exterminar o petismo, os progressistas, os democratas e tudo o que a esquerda representa e que o neoliberalismo desconstrutivo da democracia tolerou, como a diversidade, a igualdade, a pluralidade, a justiça social, a liberdade, a democracia e os pobres no orçamento e nas prioridades públicas, para implantar um regime duro, de terrorismo econômico, político e social.

Bolsonaro deixou isso claro na manifestação macarthista que fez no Facebook depois que sua eleição foi matematicamente confirmada: "não podíamos mais flertar com o socialismo".

A segunda missão do nazi-bolsonarismo consiste em implementar um projeto econômico selvagem e ultraliberal de caráter anti-povo, anti-nação, anti-soberania e anti-democracia que unifica todas as frações da classe dominante em torno de um novo pacto de dominação do establishment diante da crise mundial do capitalismo iniciada em 2008.

O posicionamento dúbio de expoentes da burguesia nacional [como FHC]; do PSDB, do MDB e de intelectuais orgânicos da classe dominante diante do avanço do nazi-bolsonarismo é clara evidência da funcionalidade do Bolsonaro aos interesses estratégicos e históricos da elite.

Na Alemanha dos anos 1930 a adesão da aristocracia, da burguesia e do grande capital alemão; assim como da elite, das monarquias e de todo estamento europeu ao hitlerismo e a Hitler adotou estas 2 premissas infames. A resultante, todos sabemos, foi o holocausto; uma das maiores tragédias da história da humanidade.

Auschwitz, que Hitler considerava o "ânus da Europa", a chaminé que livraria a Alemanha dos judeus, é o que Bolsonaro representa hoje, como encarnação do antipetismo racista.

É preciso, antes de tudo, ter a consciência de que o fascismo não é um fenômeno datado, um episódio guardado na prateleira da história do período entre-guerras do século 20 – e, portanto, um fenômeno inofensivo que só pertenceu ao passado.

O fascismo, segundo ensina o historiador britânico Roger Griffin, é uma tradição política que se situa entre o liberalismo e o socialismo e, portanto, representa uma ideologia viva de poder que pode se tornar majoritária em processos eleitorais formais.

O peso crescente da extrema-direita nas eleições europeias desde os anos 1980 na Europa são prova disso.

O fascismo no Brasil finalmente saiu do esgoto das redes sociais e das mídias digitais. Agora está presente na arena pública através da figura torpe, ridícula e estúpida do Bolsonaro.

O fascismo ocupará a presidência no Brasil não sem a oposição de mais de 47 milhões de brasileiros e brasileiros que terão no Haddad, no PT, no PSOL, no PCO, no PCdoB e em todos os setores democráticos, humanistas e libertários, o enfrentamento e a resistência que farão abreviar sua existência.

No discurso final de campanha, Haddad declarou que um professor não foge à luta. Nós não faltaremos a essa missão histórica.


JEFERSON MIOLA. Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial.

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Nº 25.152 - "Firmeza e serenidade para resistir"

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29/10/2018

Firmeza e serenidade para resistir

Do Tijolaço · 28/10/2018



por Fernando Brito

As urnas falaram e por mais que doam a angústia e o receio com o que está por vir, não é hora de lamúrias e recriminações.

É hora de firmeza e serenidade, porque são elas que nos podem manter lúcidos e fortes para enfrentar o que virá e não se iludam com as declarações moderadas de Jair Bolsonaro nesta noite, na entrevista às televisões, entremeadas de clamores a Deus.

É mais próximo da realidade o Bolsonaro da live do Facebook: raivoso, ressentido, ameaçador.

Ainda que tivesse um programa econômico que fosse além do “liberou geral” para o mercado, não é provável que algum efeito se possa fazer sentir para a população, embora a turma do dinheiro vá fazer a festa amanhã.

A bandeira que pode desfraldar e, até, encaminhar antecipadamente ao Congresso é a do afrouxamento do controle da posse de armas.

Vai ter o auxílio “luxuoso” de Sérgio Moro e do Judiciário que se prevalecerão do resultado eleitoral para tornar maior e mais fundo o processo de perseguição a Lula.

Estes tempos terão, ainda, no ódio o combustível desta gente.

Vai ser preciso que passem os dias. Curemos nossas feridas com coragem para que possamos resistir.

Não é possível governar o Brasil com “lives” e “whatsapp”.

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sábado, 27 de outubro de 2018

Nº 25.151 - "Como surgiu o 'antipetismo', e do que ele se alimenta?"

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27/10/2018

Como surgiu o "antipetismo", e do que ele se alimenta?

Especialistas analisam que o discurso contra corrupção concentra-se no PT, mas o problema é endêmico do sistema político


Do Brasil de Fato - São Paulo (SP), 27 de Outubro de 2018 às 17:58

Mulher encena "execução" de homem com fantasia alusiva ao ex-presidente Lula - Créditos: Foto: Heuler Andrey / AFP
Mulher encena "execução" de homem com fantasia alusiva ao ex-presidente Lula - Créditos: Foto: Heuler Andrey / AFP

Rute Pina

O voto contra o Partido dos Trabalhadores foi a principal motivação de muitos eleitores que optaram pelo candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro turno das eleições presidenciais, em 7 de outubro. Foi, também, o principal sentimento entre os apoiadores do candidato militar que foram às ruas de São Paulo (SP) no último domingo (21). Para 98% das pessoas que estavam no ato na Avenida Paulista, o PT "é o partido mais corrupto" e "afundou a economia". 

A pesquisa é do Monitor do Debate Político no Meio Digital, em parceria com a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. E mesmo que o partido não conste a lista dos que têm mais lideranças comprometidas em escândalos de corrupção, o dado mostra como o candidato do PSL conseguiu atrair um grande eleitorado capitalizando o discurso de ódio contra o PT.

A socióloga e jornalista Maria Eduarda da Mota Rocha, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), explica que o sentimento antipetista encontrou espaço em um movimento de recusa do sistema político. Ela pondera também que o processo de rejeição às instituições e a crise de representatividade dos representantes políticos ocorre em todo o mundo.

"Há, por um lado, um grande processo de desqualificação da política, que atinge os poderes instituídos. E o PT está no poder há um certo tempo. Então, ele fatalmente é alvo desse sentimento de recusa da política que a gente está vivendo. Esse é um fenômeno global, que tem levado à ascensão da extrema direita em muitos lugares do mundo", pontua.

Mas, segundo a professora, esse processo se intensifica no Brasil por causa do "evidente desprezo pela democracia" que historicamente foi cultivado no país. 

"A elite brasileira tem um forte desprezo pela democracia. A vinculação da elite brasileira com a democracia sempre foi casuística e conjuntural. Tanto que em 1964 ela abriu mão [da democracia] e agora também está abrindo", afirma.

O professor do departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP) Ricardo Musse aponta que o sentimento contra o partido foi forjado historicamente. Ele afirma que o discurso foi utilizado em todas as eleições presidenciais em que Lula concorreu — contra Collor, em 1989, e contra Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998. 

Para ele, o antipetismo — que foi atenuado em 2002, por conta do desgaste político do PSDB — entra em uma nova fase assim que o partido assume o poder. Desta vez, o discurso é vinculado à sensação de corrupção institucionalizada, a partir da exposição midiática do caso do Mensalão, a partir de 2005.

"Esse quadro se intensificou ainda mais a partir de 2012, com o julgamento do mensalão. Foi uma exposição midiática muito intensa que começou associar o PT de forma muito intensa à corrupção", afirma. "Esse processo inicial foi intensificado em 2014 com o início da Operação Lava Jato. O propósito inicial da operação, expresso no documento que Sérgio Moro escreveu, era mesmo 'destruir o sistema político'. Mas o primeiro passo foi enfraquecer e tentar tirar do poder o partido que era hegemônico na sociedade, o PT."

O professor lembra que o tema da corrupção, no entanto, sempre foi a principal bandeira para desarticular governos progressistas no país. Mas ele pontua que a corrupção, no entanto, não explica a crise econômica.

Já a professora Maria Eduarda Rocha analisa que o sentimento de corrupção se alia a uma campanha de desqualificação do Estado e, em contrapartida, de valorização do discurso neoliberal. 

"A gente precisa enfrentar essa dimensão do privatismo da cultura brasileira. Quando a gente fala do privatismo neoliberal, a gente costuma associar esse discurso a entrega das empresas estatais às mãos privadas. Essa é uma dimensão trágica que a gente vai ver ser reforçada caso Bolsonaro seja eleito", afirma a professora.

"Mas existe uma outra dimensão do privado, que se articula a essa, que é muito mais cotidiana. Há toda uma narrativa de desqualificação do público que acabou sendo comprada pelas pessoas porque historicamente o Estado aparecia para as pessoas, como uma figura repressora. É muito novo, no Brasil, o Estado aparece como figura garantidora de direitos." 

Enquanto os holofotes se viram para o PT, quem lidera em número de parlamentares investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) é o PP. Dos 46 deputados em exercício em 2017, pelo menos 27 integrantes respondiam a ações penais ou inquéritos. 


Já na lista de políticos investigados por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, a maioria também pertencia à sigla. Bolsonaro esteve filiado na legenda entre 2005 a 2016.

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Nº 25.150 - "Guerra híbrida e as eleições brasileiras, por Gustavo Gollo"

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27/10/2018

Guerra híbrida e as eleições brasileiras, por Gustavo Gollo


Do Jornal GGN -  SAB, 27/10/2018 

Guerra híbrida e as eleições brasileiras, por Gustavo Gollo

Em 1952 foram criadas as forças especiais do exército dos Estados Unidos. A primeira missão atribuída a elas foi a guerra não convencional. As unidades das forças especiais são encarregadas de sete missões principais, entre elas as operações psicológicas (PSYOP), operações para transmitir informações selecionadas e indicadores para o público, para influenciar suas emoções, motivos e raciocínio objetivo, com intuito de influenciar o comportamento de governos, organizações, grupos e indivíduos.

O objetivo das operações psicológicas dos Estados Unidos é induzir ou reforçar o comportamento favorável aos objetivos dos EUA, e constituem parte importante da gama de atividades diplomáticas, informacionais, militares e econômicas disponíveis para os EUA. Podem ser utilizadas tanto em tempo de paz quanto em conflito.


Perceba que os EUA induzem ou reforçam, despudoradamente, comportamentos favoráveis aos objetivos dos EUA – como entregar-lhes praticamente de graça o petróleo que financiaria a educação do país, por exemplo, ou destruir petrolíferas de outros países.

As diretrizes acima estão candidamente apresentadas na internet, e constituem o dia a dia de um país que se encontra constantemente em guerra. Podem ser encontradas, por exemplo,  aqui:

Guerra híbrida nas eleições


Esse tipo de ataque vem sendo efetuado contra o Brasil de uma forma sutil, que nos fica parecendo bastante cândida. Creio que o exemplo mais sintomático seja o do petróleo: o

“A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta segunda-feira a Lei que destina 75% dos royalties do petróleo para a educação e 25% para a saúde...

… Dilma afirmou que as prospecções dessa riqueza somarão U$S 112 bilhões apenas em royalties nos próximos dez anos e que somente o Campo de Libra gerará recursos de U$S 368 bilhões nos próximos 35 anos.”



Em parte, por impotência, em outra, por ignorância, e, mais que tudo devido aos próprios resultados das ações da guerra psicológica que nos induzem a concordar e defender propósitos francamente contrários a nós mesmo – que tipo de idiota concordaria em entregar, quase de graça, o petróleo que financiaria a educação e a saúde do país?

Creio que esse mero exemplo, tão absurdo, é suficiente para ilustrar tanto a sutileza desse modo de ataque, quanto sua efetividade. Quando os EUA tentam meter a mão no petróleo dos outros à força, costuma haver guerra sangrenta e forte oposição, como no Oriente Médio, há décadas. Convencendo uns idiotas, comprando outros, obtêm o mesmo resultado com muito menos esforço. A opção pela guerra híbrida, pela manipulação dos meios dos comunicação e da opinião pública, é tão mais eficiente, quanto menos desgastante. A interferência nas eleições consiste em uma ação bastante óbvia, tendo-se em vista propósitos desse tipo. Os próprios americanos andam possessos com a suspeita de que os russos tenham conseguido pender as eleições americanas para certo lado, usando táticas análogas às usadas agora, muito descaradamente, no Brasil.

Ultimamente, tem-se falado muito da utilização de robôs e de outros meios escusos para favorecer o candidato fascista, ação já claramente revelada. Páginas vazias, no facebook, por exemplo, podem compartilhar e, assim, divulgar conjuntamente, as mesmas notícias, gerando a aparência de que “todo mundo está compartilhando aquela notícia” induzindo, desse modo, uma multidão a fazê-lo, de fato. Outras ações, a meu ver ainda mais danosas e imorais que essa têm sido implementadas, tanto mais fortemente conforme o dia da eleição se aproxima.

Enquanto os textos adequados a determinado propósito podem ser viralizados através desse tipo de disparo escuso, textos “inconvenientes”, aqueles que propugnam interesses contrários aos perpetradores da guerra psicológica, podem ser “abafados” de diversas maneiras, impedindo que viralizem. 2 dias atrás, por exemplo, publiquei um texto no ggn, pouco antes do site sofrer um ataque que tirou do ar esse e outros tantos textos com o mesmo teor. Qualquer desses textos que estivesse em vias de viralizar, naquele instante, teria sido abafado, tido sua viralização cortada, perdendo assim o seu momento. Só percebi o fato porque meu texto “desapareceu” por um dia, provavelmente não teria notado nada estranho, não fosse isso.

Estamos sob ataque há anos, e foi um enorme equívoco que tivéssemos dado tão pouca atenção às denúncias de espionagem, ocorridas em 2013, embora os problemas do governo Dilma talvez tenham se originado de seu discurso na ONU, nesse ano, quando a presidenta do Brasil esboçou uma posição de independência ao ralhar com os espiões.

O controle escuso das redes sociais é fácil e extremamente efetivo. Talvez constatemos, após as eleições, que aquilo a que chamávamos “democracia” já tenha perdido completamente o seu sentido.

A ressaca moral avassaladora

O povo brasileiro corre o risco de eleger, sabe-se lá levado por que sentimentos, um candidato que não agrada a ninguém, e acordar no dia seguinte como se de um porre brutal, para constatar, na própria cama, a presença desagradabilíssima com a qual terá que conviver por 4 anos. Oh, pesadelo atroz.  


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