terça-feira, 29 de julho de 2014

Contraponto 14.312 - "O Santander, a especulação e eu"

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29/07/2014

O Santander, a especulação e eu







Há duas semanas, recebi uma ligação da sala de ações do Santander. O corretor insistia para que eu vendesse uma aplicação que tenho em ações da Petrobras. Com os papéis em alta, ele argumentava que era hora de vender. Como tenho também ações da Vale, igualmente em alta, argumentei que, por essa lógica, era melhor vender também estas.

Aí ele disse que era diferente. A Petrobras, segundo relatório a que ele disse ter tido acesso, estaria em dificuldades e a perspectiva para os próximos meses seria de queda na produção de petróleo.

Achei estranho e decidi que era melhor continuar com as ações da Petrobras e também da Vale.

Minhas aplicações são bem modestas (é a minha poupança), e imagino que, para se lembrar de mim, o corretor deve antes ter feito o mesmo com clientes de maior expressão. Quando recebi o telefonema do funcionário do Santander, a ação estava em torno de R$ 19,00. Hoje, passa de R$ 20,00.

Imagino que outros aplicadores devem ter tomado a mesma decisão que a minha porque, se tivesse havido um grande movimento de venda dos papéis da Petrobras, como sugeria o corretor, o preço teria despencado. Escrevo este artigo porque penso que a orientação de venda de ações da Petrobras por parte do corretor está alinhada à carta que o Santander mandou aos clientes alertando para o risco de deterioração econômica no caso da reeleição de Dilma Rousseff.

Tanto no caso da carta quanto no da Petrobras, houve uma tentativa de manipulação de mercado, com repercussões políticas. Como repórter, não tenho interesse de defender nenhum governo. Meu trabalho é contar o que se passa. Também não é usual que eu me inclua nessas histórias. Mas, neste caso, o depoimento pessoal se torna imprescindível para entender um período relevante da história do nosso país.
Joaquim de Carvalho . Jornalista, com passagem pela Veja, Jornal Nacional, entre outros. joaquim.gil@ig.com.br
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Contraponto 14.311 - "Olé de Dilma no Santander reanima militância do PT "

247 – Dos quadros mais graúdos à militância de base, o PT se agitou inteiro em torno da tempestade perfeita a que vai sendo submetido o banco Santander. A partir de uma orientação de investimentos dirigida, na sexta-feira 25, a clientes de alta renda, associando uma piora nas condições da economia ao crescimento da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas de opinião, a instituição espanhola não tem parado de sofrer. Enquanto isso, o PT experimenta uma saudável movimentação, capaz de tirar a ferrugem de suas engrenagens de características oposicionistas.

Numa expressão, o PT se revoltou contra a atitude do Santander. Um movimento pelo fechamento de contas correntes na instituição vai ganhando corpo entre os militantes do partido e seus simpatizantes. A CUT, no mesmo dia em que manifestou apoio formal à reeleição de Dilma, também destacou, pelo presidente nacional Vagner Freitas, sua concordância com a crítica ao relatório de investimentos. Citando nominalmente o banqueiro Botín, o ex-presidente também usou um palanque montado pela central sindical para, com sua linguagem típica, dizer ao "querido Botín" que o analista financeiro que, em seguida, teve sua demissão anunciada pelo banco, "não entende porra nenhuma de Brasil e de Dilma".

Na Prefeitura de Osasco, o titular Jorge Lapas teve uma reação rápida ao que considerou ser uma "tomada de posição partidária" do banco espanhol. Após receber seguidas reclamações de mau atendimento do Santander no recebimento de contas do município, Lapas cancelou um convênio mantido entre a Prefeitura e o banco.

Todas essas ações, mais uma intensa troca de informações nas redes sociais, contribuíram para dar novo fôlego à militância num momento decisivo da campanha eleitoral: o começo. Dirigentes do PT entendem que a polêmica com o banco ajudou a despertar a velha garra e poder de pressão da legenda, recolhida diante do crescimento dos ataques da oposição ao governo. Para esses líderes petistas, o caso não poderia ter acontecido em melhor hora, exatamente quando a luta começa a ficar mais renhida e decisiva.

Quem se apressou em defender o relatório do Santander como um marco da liberdade de expressão, a exemplo de colunistas do circuito Globo-Abril Merval Pereira, Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino, se deu mal. Pela fala de seu próprio presidente mundial, o Santander admitiu que não é correto, do ponto de vista da orientação financeira, um analista cravar com tanta ênfase, como aconteceu, que a reeleição da presidente significaria, necessariamente, a entrada do Brasil numa crise econômica. Este tipo de previsão de futuro pós-eleitoral é simplesmente um palpite que não deveria ser repassado num canal de comunicação com a clientela. "A pessoa responsável foi demitida porque fez a coisa errada", disse um irritado Botín, no Rio de Janeiro.

PRIVATIZAÇÃO MAL DIGERIDA - Em meio a todo o burburinho provocado pelo relatório, a presença de Botín no Brasil apenas aumentou a dimensão de repercussão da gafe. Ele veio para abrir o 3º Encontro Internacional de Reitores, sob patrocínio de seu banco, mas precisou explicar muito mais a análise estabanada do que falar sobre o evento. Além disso, Botín amargou a ausência, em protesto, de Dilma e do vice-presidente Michel Temer para o ato.

O problema, para o Santander, é que a tempestade, porque é perfeita, ainda não acabou. Na quinta-feira 31, os líderes do banco no Brasil apresentarão ao mercado os resultados do primeiro semestre – e novamente sobre eles recairão perguntas e mais perguntas sobre o episódio que irritou Dilma. Além disso, internamente os executivos do banco já começam a contabilizar os efeitos do movimento de militantes do PT pelo fechamento de contas correntes.

Desde a privatização do Banespa, no ano 2000, durante o governo Fernando Henrique, o partido não tem boas lembranças da instituição. O Santander fez uma série de demissões entre os bancários e despertou, assim, também a oposição dos sindicalistas ligados ao partidos. Eles estão aproveitando o momento para causar o maior dano possível ao banco que entrou para a categoria dos adversários do governo.
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Contraponto 14.310 - "Dilma afiada usa estilo ‘bateu, levou’ em campanha"


247 – A presidente Dilma Rousseff deixou no cabide o figurino de candidata vestido em 2010, quando venceu a disputa usando um modelito do melhor estilo 'paz e amor'. Protegida pelo então presidente Lula, ela não precisou entrar em bolas divididas com o adversário José Serra e flanou sobre o eleitorado enquanto seu padrinho político se encarregava de comprar suas brigas.

Agora é diferente, já se viu na longa entrevista à mídia tradicional concedida ontem pela presidente.

Diante de uma certa pressão nas perguntas, o que se viu foi uma Dilma segura, objetiva e nada disposta a aceitar calada as críticas feitas ao seu governo. Ela igualmente não se incomodou em deixar, com frases curtas e palavras fortes, suas posições sobre temas do momento.

Essa Dilma que parece à vontade no chamado estilo 'bateu, levou' surge nitidamente em suas posições a respeito dos ataques desferidos, diariamente, à gestão da política econômica:

- O pessimismo da fase pré-Copa passou para a política econômica, afirma a presidente, ganhando com a frase a manchete desta terça-feira 29 do jornal Folha de S. Paulo. A se considerar o tom das últimas notícias destacadas no mesmo espaço pela publicação da família Frias, Dilma conseguiu o melhor momento para o seu governo, ali, em semanas.

A presidente também não ficou nem por um minuto quieta diante da gafe cometida pelo banco espanhol Santander no Brasil, com o relatório para clientes de alta renda com a associação nominal da presidente ao fracasso econômico futuro.

- Bancos interferirem na política é inadmissível, rebateu uma Dilma, como se diz, curta e grossa.

A ênfase de Dilma vai sendo apurada, no tocante a efeitos eleitorais, em pesquisas feitas por sua equipe de campanha. O que se sabe, inicialmente, é que pouca gente vai estranhar uma candidata que avança pela linha do 'fala o que pensa', uma vez que Dilma nunca foi dada, no governo, a floreios sobre suas posições. Em outras palavras, a Dilma 'bate, levou' combina mais com o momento atual da presidente, cercada por ataques nas frentes econômica e política, do que a Dilma 'paz e amor'.

No governo, o momento da presidente tem levado, também, à tomada de posições claras e objetivas. Depois de se fortalecer com a reunião dos Brics, realizada no Brasil, e a aproximação com a Unasul, Dilma posicionou o Brasil na linha de frente à oposição à Israel, na faixa de Gaza:

- O que há da parte de Israel não é um genocídio, e sim um massacre, atalhou a presidente diante de uma das perguntas que lhe foram dirigidas ontem. Dilma não se intimidou com a postura crítica à decisão brasileira de censurar o governo de Benjamin Netanyahu pelo "uso desproporcional" da força na faixa de Gaza.

A Dilma afiada, com respostas na ponta da língua, sem medo de devolver perguntas difíceis com respostas desconcertantes pela clareza, é que está entrando em campo para a disputa pela reeleição.

Osso duro.
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Contraponto 14.309 - "Seis perguntas sobre a crise hídrica de São Paulo"

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29/07/2014

Seis perguntas sobre a crise hídrica de São Paulo

Enviado por Adamastor

Do Planeta Sustentável
 
 
Vanessa Barbosa
 
Assim como futebol e política, “água” virou assunto corrente nas conversas de quem vive em São Paulo. No supermercado, na fila do ônibus, na hora do almoço, as perguntas estão sempre lá: Vai ter racionamento? A água do volume morto é boa? Como São Paulo mergulhou nessa crise? E se não chover, vai faltar? Veja a seguir algumas respostas para as dúvidas mais comuns sobre a crise.

1 – COMO SÃO PAULO MERGULHOU NESTA CRISE?

São Pedro tem participação, mas pequena. O último período chuvoso, que vai de outubro à março, foi o mais seco em 45 anos, segundo dados do Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (IAG-USP). Não à toa, o verão de 2014 fez São Paulo bater vários recordes de calor.

Mas, veja bem, a responsabilidade do santo guardião da chuva termina aí. Uma parcela bem maior cabe ao poder público, o zelador oficial da água, incumbido de gerenciar esse recurso natural com parcimônia.

Faz pelo menos quatro anos que o Estado de São Paulo está a par dos riscos de desabastecimento de água na Região Metropolitana. Em dezembro de 2009, o relatório final do Plano da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, feito pela Fundação de Apoio à USP, não só alertou para a vulnerabilidade do sistema Cantareira como sugeriu medidas cabíveis a serem tomadas pela Sabesp a fim de garantir uma melhor gestão da água.

Antes disso, na outorga de 2004, uma das condicionantes era que a Sabesp tivesse um plano de diminuição de dependência do Cantareira. O grande problema foi a demora de planejamento.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para esclarecer a crise no Sistema Cantareira e apurar informações sobre a possibilidade de erros de gestão da Sabesp.

2 - QUAL O IMPACTO DO USO DO VOLUME MORTO NA QUALIDADE DA ÁGUA E NA SAÚDE PÚBLICA?

Este é um dos temas mais delicados. Afinal, nunca São Paulo tinha bebido do chamado volume morto, uma reserva abaixo do nível de captação de água feita pela Sabesp. Por se tratar de uma área mais funda, essa reserva “técnica ou estratégica”, como diz o governo, serve de zona de sedimentação dos micropoluentes no ambiente aquático e, também, de alguns metais pesados. Quando remexida, pode impactar não só a qualidade da água, mas a vida dos seres daquele ecossistema. (Grifos em verde negritado são do ContrapontoPIG)
Estima-se que os gastos da Sabesp tenham aumentado em 40% com tratamento dessa água, comparada à água do volume útil. Procurada pela reportagem, a Sabesp não confirmou a informação.

Em nota, a Cestesb afirmou que realiza, periodicamente, análises da qualidade da água do Reservatório Jacareí, com o objetivo de avaliar os aspectos ambientais do denominado “volume morto”.

"Essa caracterização é realizada por meio de parâmetros físicos, químicos e biológicos. Com base nessa análise, verifica-se que a água do reservatório continua apresentando boas condições de qualidade, tanto para proteção da vida aquática quanto captação visando o abastecimento público”, diz o órgão.

3 – O QUE O GOVERNO ESTADUAL E A SABESP TÊM FEITO PARA TENTAR CONTORNAR A CRISE HÍDRICA?

De saída, a Sabesp ofereceu desconto de até 30% na conta para quem economizasse água. Com a adesão popular e controle dos desperdícios, a ação tem sido bem sucedida.

Outra medida, essa menos popular por vários motivos, foi a tentativa de provocar chuva artificial, um processo chamado de semeadura de nuvens, ao custo de R$ 4,5 milhões.

A investida mais radical, no entanto, foi recorrer a obras para retirada do volume morto, considerada por alguns especialistas uma ação deletéria.
Eles definem o quadro como uma ilusão da abundância em plena escassez, com consequências nefastas para o meio ambiente, a economia e para o próprio bem-estar da população.


Para os experts em recursos hídricos, a reserva do volume morto deveria ser usada a apenas em situação extrema, somente após iniciado um rodízio e caso as chuvas de outubro não chegassem em quantidade suficiente.

Outra alternativa, que depende menos do estado e mais da disposição dos vizinhos, é a proposta de construir um canal para retirar água da bacia do Rio Paraíba do Sul, que abastece o Rio de Janeiro.

4 – O SISTEMA CANTAREIRA CONSEGUIRÁ SE RECUPERAR? QUANDO?

Deixar o manancial se esgotar, como está ocorrendo, gera graves efeitos ambientais. O esgotamento de uma represa afeta os lençóis freáticos do entorno e todo o ecossistema.

“Esses mananciais precisam ser preservados e não explorados à exaustão. É uma questão de preservação da qualidade da água”, diz Roberta Baptista Rodrigues, doutora em recursos hídricos e professora dos cursos de Engenharia Ambiental e Sanitária e de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi.

Recuperar esses sistemas vai ser muito mais complicado, mesmo com chuvas. À medida que o nível da água reduz, aumenta a taxa de evaporação, porque o solo fica mais seco e em contato com a atmosfera. Assim, a água da chuva infiltra e evapora”, acrescenta.

Segundo análise estatística do comitê que monitora a crise, o sistema tem só 25% de chance de acumular entre dezembro e abril de 2015 uma quantidade de água (546 bilhões de litros) suficiente para repor o "volume morto" usado emergencialmente e ainda devolver ao Cantareira 37% da sua capacidade antes do próximo período de estiagem.

5 - VAI TER RACIONAMENTO? 
 
Para especialistas em recursos hídricos, SP já deveria estar racionando água, tanto para poupar este recurso quanto para preservar os mananciais. Sujeitar 9 milhões de pessoas a regime de racionamento não é uma decisão fácil. Mas é necessária, segundo Marco Antonio Palermo, doutor em engenharia de recursos hídricos pela USP.

“O uso do volume morto é uma estratégia paliativa e muito deletéria, que não trata o problema de forma estrutural. Pior, está virando rotina. Isso não pode ser prática de uma política de gestão de recursos hídricos, que deve focar na produção de água e no uso do volume útil”, defende.

Segundo ele, se São Paulo tivesse iniciado o rodízio no começo do ano, não teria sido necessário recorrer à reserva técnica, que só seria usada como estratégia última. Com isso, cresce o risco de SP enfrentar um racionamento drástico com o aprofundamento da crise.

6 – E SE AS CHUVAS NÃO VOLTAREM EM OUTUBRO E NOVEMBRO PARA ACUDIR OS RESERVATÓRIOS? SP CORRE O RISCO DE FICAR SEM ÁGUA?

"Somente se não chover até outubro é que teremos problemas", disse, em maio, o diretor de relações com investidores da Sabesp, Mario Sampaio. No pior cenário, a água se esgota até outubro, pelo cálculos do grupo de monitoramento da crise, formado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado (DAEE).

Os cálculos contrariam a afirmação do governo de que até março de 2015 água está garantida. Recentemente, a Sabesp anunciou que pode recorrer ao volume morto do Alto Tietê, o segundo maior sistema de água da Região Metropolitana.

Estimativas apontam que a medida daria apenas um mês de sobrevida ao sistema. Qual será o plano C, quando a última gota chegar? Procurada pela redação, a Sabesp não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

Agora que a crise já está instalada, começam a sair do papel projetos antigos que podem proteger a cidade de futuros colapsos. É o caso da construção de um novo reservatório de água, em Ibiúna, fruto de parceria público-privada, prevista para ser concluída em 2018.
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Contraponto 14.308 - "Mídia: piloto ucraniano afirma ter derrubado Boeing malaio "

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29/08/2014 

 

Mídia: piloto ucraniano afirma ter derrubado Boeing malaio

 

Voz da Russia - 29/08/2014  12:38

 

Ucrânia, boeing, acidente, Su-25

Um piloto ucraniano, que tripula o avião de ataque Su-25, assumiu a responsabilidade pela queda do avião da Malaysia Airlines, segundo a publicação na edição alemã Wahrheit fuer Deutschland.

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O piloto contou que disparou contra o Boeing 777 de um canhão instalado a bordo do Su-25 e que foi precisamente o seu avião de ataque que alegadamente aparece nas fotos de satélite apresentadas pelo Ministério da Defesa da Rússia. Segundo o piloto, o Su-25 estava equipado não só com mísseis, mas com um canhão de dois canos de 30 milímetros, do qual ele afirma ter partido o disparo. A edição não revela o nome e o apelido do piloto que fez essas revelações.

Anteriormente, o Ministério da Defesa da Rússia informou que um avião de combate ucraniano seguia por um corredor civil ao mesmo tempo que um avião de passageiros e que os meios russos de controle detectaram o Su-25.
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Contraponto 14.307 - "Audiência do jn chega ao volume morto"

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29/08/2014

Audiência do jn chega ao volume morto


Queda de 11% em 6 meses … Esse Kamel … Um prodíjio ! (É assim mesmo, revisor).


Conversa Afiada - Publicado em 29/07/2014

Na seção “Outro Canal” da Fel-lha (*) (a de mau hálito, porque a bílis apodreceu), sabe-se que a audiência do jornal nacional caiu 11% de janeiro a junho deste ano.

 
11% em seis meses.

Se fosse uma empresa privada, tinha todo mundo rodado.

Mas, como é uma para-estatal …

Mesmo com o empurrão da Copa o jn seguiu ladeira abaixo.

O jornal da Globo, aquele do Traaack, também caiu 7%.

No caso do jornal nacional, a queda se deve à ascensão da Record.

No caso do jornal da Globo se deve a incompetência própria.

Não demora muito e a Globo morre gorda.

Com BV e tudo, ela não vai ter audiência para cobrar o que cobrava dos anunciantes e, com isso, sustentava os custos estratosféricos de produção – que não se comparam, sequer, aos de Hollywood.

É por isso que ela joga o pescoço nessa eleição.

Só o BNDES, o BB e a Caixa podem salvá-la, num Governo do Arrocho.

Com a reeleição da Dilma, segundo o insistente prognóstico do Datafalha, será preciso saber quem vai comprar a Globo – sem o passivo trabalhista: se o Binho, a Friboi ou a Odebrecht.

Ou o Slim, que já a salvou da falência.

Porque o Jandir Macedo não se interessa.

Clique aqui para ler “A Seleção não é a Globo de chuteiras”.

Em tempo: o amigo navegante já observou que os melhores produtos comerciais da Globo vivem hoje à beira do precipício ? A novela das oito, o jornal nacional, o Brasileirinho, a F-1, a Copa e o Fintástico. Está tudo a caminho do iceberg. Ah, se o Dr Roberto soubesse disso … Já tinha demitido esses colonistas (**) todos, Kamels e Ataulfos, e aderia à Dilma.


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.


Contraponto 14.306 - "Mercosul deve endurecer posição contra Israel "

247 – Reunidos em Caracas para a 46ª Cúpula do Mercosul, os presidentes dos cinco países que formam o bloco, Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina e Venezuela, devem discutir, além de outros temas, o conflito entre Israel e os palestinos na região da Faixa de Gaza. Os representantes das nações devem debater uma posição comum diante dos bombardeios das forças militares de Israel, que deixou mais de 1.000 palestinos mortos, a maioria civis, contra 53 soldados israelenses e três civis.

Israel foi o primeiro país fora da América Latina a ter um Tratado de Livre Comércio com o Mercosul, assinado em 2010. Na opinião do cientista político Emir Sader, chegou o momento de discutir a pertinência desse tratado e de o Mercosul "endurecer" sua posição contra o país, em um boicote aos produtos fabricados por Israel em assentamentos palestinos pelos bombardeios contra Gaza. "Países como Brasil e Uruguai têm um intenso intercâmbio militar com Israel. Coisa absolutamente indevida", comentou.

"A ideia da condenação de Israel, especialmente pela postura em relação à Gaza, acho que é algo absolutamente consensual", acrescenta Sader, ainda sobre o Mercosul. O cientista político avalia como positiva a posição do governo brasileiro em relação a Israel, mas lembra que outros países da América Latina tomaram posições formais "mais duras". A Argentina e a Venezuela, por exemplo, estão retirando embaixadores e rompendo relações.

O tema de uma resposta do Mercosul a Israel foi sugerido pelo Brasil para ser discutido na cúpula do bloco. Na semana passada, ao chamar de "ação desproporcional" e classificar de "inaceitável" a escalada de violência na região, o País foi chamado de "anão diplomático" pelo porta-voz da chancelaria israelense, Yigal Palmor. A cúpula em Caracas também vem em boa hora para que os países da América do Sul se unam em defesa do Brasil e contra a ofensa de Israel.

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Contraponto 14.305 - "Dilma em sua versão 4.0 vem aí"






Brasil 247
Se eu fosse qualquer dos principais adversários da candidata Dilma Rousseff começaria a me preocupar com os debates que virão pela frente

DANIEL QUOIST

Daniel QuoistE foi o que ocorreu com Dilma Rousseff entre os anos 2010 e 2014. Temos uma outra Dilma, eloquente, à vontade, com domínio do tempo jornalístico. Isso ficou patente ao assistir ao vivo a sabatina com os presidenciáveis do pleito presidencial de 2014 promovido pelo consórcio Folha/Uol, no Palácio da Alvorada, em Brasília, na tarde desta segunda-feira, 28 de julho.

Chama a atenção a descontração de uma presidente sempre bem-humorada mesmo que as perguntas que lhe destinavam pareciam mísseis teleguiados por Israel em direção à Faixa de Gaza, a diferença é que a segurança da presidente funcionou como perfeita bateria antimíssil, derrubando logo de início o caráter provocativo das questões e abatendo por completo o lait-motiv dos inquisidores que não era outro que deixá-la sem norte e sem rumo, sem resposta, insegura, encurralada.

A segurança das respostas de Dilma também ficou evidente. Sabia dados econômicos na ponta da língua, e mais que isso, se sentia muito à vontade para desqualificar informes estatísticos aventados por Kennedy Alencar e Josias de Souza, não demonstrando irritação com quem fazia a pergunta e sim, buscando apresentar o enfoque que em cada situação lhe parecia ser o mais correto, verdadeiro, genuíno.

Essa sabatina deixou em apuros a visão de nossa grande imprensa: quase sempre distorcida, colocando por baixo do tapete jornalístico o que de bom é feito pelo governo e dando desmedida exposição midiática a qualquer indicador que demonstre inflação descontrolada, desemprego em alta, desaquecimento econômico. E para isso incansável em expor cenários comparativos os mais inusitados como: a maior taxa de desemprego na indústria em meses com maior números de lua no quarto minguante; a maior escalada inflacionária desde que foi inventada a penicilina ou desde quando foi descoberto o ex-planeta Plutão; desde que foi lançado nas farmácias e drogarias de todo o país o regulador Xavier; ou ainda, dos tempos em que Monteiro Lobato criou a boneca Emília e se envolveu  na campanha nacionalista "O petróleo é nosso!"

E nossa imprensa chega às raias do risível quando investe pesado em pintar tempestades perfeitas irrompendo assim do nada, como se surgisse ao acaso em perfeitos dias ensolarados.

Com domínio do lugar da fala, Dilma foi a senhora absoluta do tempo da entrevista, colocou sob sua perspectiva o que era de seu desejo explicitar, soube com rara habilidade de comunicadora – coisa que ela realmente não é ou pelo menos nunca demonstrara antes ser – não se prender à maneira e ao contexto com que os temas eram levantados pelos entrevistadores.

E estes contextos eram claramente desfavoráveis ao seu governo. A maior parte dos tópicos foram levantados tendo como pano de fundo claro clima de confrontação, aquele clima que se bem emoldurado, costuma render além de boas manchetes jornalísticas, farto combustível a ser alardeado pela oposição como fraqueza da presidente que tenta a reeleição.

E tudo assumia tinturas de escândalo, escárnio, menosprezo ao governo da entrevistada. Algumas das bombas logo desarmadas foram:

Santander: Dilma considerou a ação do banco espanhol para influenciar no processo eleitoral como inadmissível, afirmou ainda estar estudando medidas a serem tomadas e disse que o pedido de desculpas do banco foi não mais que protocolar, ou seja, que o governo brasileiro não ficara satisfeito com as explicações e, que pretende,algo entre 0 e 10 como 1,5 ou 2.

Anão diplomático: Acerca do vexame cometido pela chancelaria israelense de taxar o Brasil de “irrelevante” e “anão diplomático”, não só reafirmou que agira de forma certa ao convocar a Brasília nosso embaixador em Israel, como também disse e repetiu que apoia integralmente a posição da ONU de que tem que haver um cessar fogo imediato do bombardeiro de Israel sobre a população civil de Gaza. Falou da importância do Brasil quando da criação do estado de Israel, de grande parte da população brasileira ser descendente dos cristãos novos, aqueles que no século XV  assumiram novos sobrenomes como forma de escapar da diáspora ibérica. Preferiu chamar de massacre ao invés genocídio o que Israel está fazendo em Gaza. E deixou claro que não pretende cortar relações diplomáticas com o estado judeu.

=Mensalão: Dilma afirmou que o processo envolvendo o PT e partidos de sua base aliada, herdada ainda dos governos Lula da Silva foi tratado, se visto em relação ao mensalão do PSDB, como “dois pesos e 19 medidas”. E desconcertou Josias de Souza com essa: “O mensalão mineiro não foi julgado pelo STF e você sabe como será julgado em Minas, não é Josias?”

= Corrupção: Dilma rechaçou a pecha que a oposição e a mídia tenta desde há muito colar no PT de que é um partido que enseja o crescimento da corrupção. Demonstrou que, muito ao contrário do que se acostumaram a difundir, o PT é quem mais investiga qualquer caso de corrupção, é o partido que teve, pela primeira até seus antigos dirigentes condenados, bem ao contrário dos demais partidos que sempre mantiveram a prática de engavetar as denúncias, abafar os escândalos, nada investigar. Dilma reafirmou sua profunda confiança em órgãos como a Controladoria-Geral da União, o Ministério Público Federal, a Advocacia-Geral da União, o Tribunal de Contas da União.

= Inflação: Dilma nadou de braçada, dando informações detalhadas sobre o comportamento anual das taxas de inflação de 1999 a 2013, e com isso esclareceu que os governos do PT sempre estiveram dentro das metas, e na maioria dos anos, bem abaixo do centro das próprias metas. Destacou a robustez econômica do Brasil em relação a diversos países do mundo. Afirmou que mesmo em meio à crise internacional de tal monta. o Brasil optou por políticas de livre emprego e não pelo desemprego e arrocho salarial, que segundo ela, eram práticas dos governos anteriores ao PT.

= Cuba: Dilma fez clara defesa do seu Mais Médicos, explicou que o maior número de médicos vem de Cuba simplesmente porque foi o país que melhor atendeu aos propósitos do programa que é o de interiorizar o atendimento à saúde básica nas regiões Norte e Nordeste, em lugares remotos do Brasil, áreas indígenas e nas periferias das grandes cidades de todo o país: primeiro abriu para médicos brasileiros, conseguiu pouco mais de mil; depois abriu para médicos do exterior, pouco mais de 12 mil se inscreveram e destes cerca de 10 mil eram de nacionalidade cubana, quando então o governo brasileiro buscou concretizar a parceria com a entidade de saúde que tratava de convênios da espécie (OPAS). Afirmou também que não se trata de salário e sim de bolsa. E que é algo temporário, até que o Brasil consiga formar médicos em quantidade suficiente às necessidade do país e consiga convencê-los a se estabelecer em centenas de municípios-metas do Programa. Depois mencionou que achava um contrassenso que, em pleno século XXI, ainda existisse tanta aversão a Cuba. E afirmou que a totalidade dos países da América do Sul, inclusive o Brasil, são unânimes ao se posicionar contra o embargo/bloqueio mantido pelos Estados Unidos contra a pequena ilha caribenha há tantas décadas.

= Rejeição: Dilma disse que boa parte dessa rejeição atribuída ao PT e ao seu governo tem a ver com o desconhecimento da população das ações do governo e que com o horário eleitoral isso será sanado. Lembrou que um mês antes da Copa do Mundo pesquisas davam conta que mais de 60% da população estavam contra o Mundial e que durante e logo após o evento, cerca de 84% da população mostrou posição amplamente favorável, positiva acerca de Copa no Brasil. Perguntada sobre o que pretende fazer quanto à sua rejeição em São Paulo, apresentou várias grandes obras do governo federal em São Paulo: 600 mil casas pelo “Minha casa, minha vida”, grande parte da construção do Rodoanel. Creditou isso ao nível de desinformação.

= Dinheiro em casa: Josias de Souza quis saber porque ela conservava consigo R$ 152.000,00 em espécie, porque não tinha esse dinheiro em banco. Dilma foi de uma sinceridade desconcertante: ”acho que isso vem do tempo em que eu vivia fugindo, dos três anos em que fui presa durante a ditadura militar, eu era uma fujona”. Matou assim dois coelhos de uma só cajadada. Primeiro, porque relembrou seu passado de resistência à ditadura, coisa que nenhum de seus adversários na corrida pelo Planalto podem trazer para si. Segundo, porque é uma pessoa de hábitos e que prefere ir ao longo do ano ir depositando em poupança. È óbvio que uma pessoa que é perseguida por um regime, como aquele que os militares instauraram no Brasil no período 1964/1985, não cometeria a insensatez de manter conta em banco, até porque nunca se sabia em que residência pernoitaria ou em qual cidade buscaria refúgio. Simples assim.

Ao final, nenhuma pergunta ficou sem resposta. E em nenhuma Dilma fraquejou ou gaguejou, simplesmente porque enfrentou todos os temas com extrema naturalidade e segurança. Aquela naturalidade de quem se orgulha do que fez e a segurança de quem sente orgulho do que faz.
A candidata que tenta sua reeleição em outubro próximo é imensamente diferente daquela desconhecida bancada por um presidente-rei-da-comunicação como o foi Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Por outro lado, foi um bom exercício para jornalistas que sempre se achavam  "a última bolacha do pacote" perceber como a realidade é outra quando há espaço para o contraditório.

Se eu fosse qualquer dos principais adversários da candidata Dilma Rousseff começaria a me preocupar com os debates que virão pela frente. Porque, levando em conta esse aperitivo servido pela Folha/Uol, Dilma nunca esteve tão à vontade como agora para discorrer sobre qualquer tema.

O mesmo não se pode dizer de Eduardo Campos. O pernambucano, neto de Miguel Arraes, posou  tempo demais tentando passar a imagem de que é a encarnação de  um novo modo de fazer política, uma terceira via possível para a política nacional em contraponto ao binômio PT/PSDB, agora nos debates terá que explicar pencas de contradições internas de seu combalido PSB: histórias mal contadas e numerosos atritos envolvendo o consórcio PSB/Rede de Marina Silva e atinentes à distância entre “programático e pragmático”; percepção que nordestinos têm de que ele traiu Lula em favor de sua ambição pessoal; compra de apoio político para seu candidato ao governo de Pernambuco; coligações com expoentes da direita ao estilo Jorge Bornhausen e Heráclito Fortes; apoio aos candidatos tucanos aos governos de Minas (Pimenta da Veiga) e São Paulo (Geraldo Alckmin).

Quanto ao mineiro Aécio Neves, neto de Tancredo Neves, ele terá que conviver com uma imprensa que decididamente não é a das Minas Gerais. E terá que parar de gaguejar e de mostrar seu incontrolável nervosismo ao tratar de temas triviais em uma campanha presidencial que faz completo contraponto do atual governo ao legado de FHC; aeroportos que vão de Montezuma a Claudio; bafômetro; drogas; evolução patrimonial; rádio Arco-Íris; cerco à imprensa de oposição ao seu governo; perda de posições de Minas Gerais para vários outros estados brasileiros nos últimos 5 anos; mensalão tucano envolvendo seu candidato Pimenta da Veiga ao governo de Minas;Petrobrax.
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Contraponto 14.304 - "A conversa da CNI é a do Armínio: 'os salários estão altos demais' "

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29/07/2014

A conversa da CNI é a do Armínio: “os salários estão altos demais”

 

Tijolaço - 28 de julho de 2014 | 18:16 Autor: Fernando Brito

pibpercapita


Fernando Brito

O Estadão anuncia que a Confederação Nacional das Indústrias apresenta aos candidatos uma nova fórmula de reajuste do salário mínimo.

Fórmula, aliás, espertíssima.

O aumento, que hoje considera a inflação e o avanço do PIB de dois anos antes, passaria a usar como indicador o PIB per capita, ou seja, a divisão do PIB pela população.

Mas não dá no mesmo?

Não, não dá, porque a variação do  PIB per capita é sempre menor que a variação do PIB, salvo quando a população diminui.

Ou seja, quando morre mais gente do que nasce.

Como, supõe-se, a CNI não está pensando que haverá hecatombes no Brasil, matando gente em proporções colossais, a realidade é de um crescimento – embora menos veloz – da população e, portanto, um PIB per capita evoluindo em índices menores do que o PIB.

E onde vai bater essa crueldade de “dar um pouquinho menos”?

Em quem já ganha muito pouco, os mais humildes, os aposentados, os beneficiários de programas de amparo à velhice, à invalidez ou aos deficientes.

É a linha do “medidas impopulares” que a dupla AA – Aécio-Armínio – diz que não hesitarão em tomar. (Grifo em verde negritado é do ContrapontoPIG)

Dê uma conferida lá no gráfico para ver quanto teria sido “economizado” no salário mínimo com esta fórmula.

E, como é índice sobre índice, cada uma destas diferenças se acumula.

De 2009 para cá – a lei considera a variação desde aquele ano – a diferença já ficaria na casa de sete a oito por cento, a menor.

Essa gente não consegue entender que trabalhador com dinheiro é consumidor.

Sem dinheiro, é recessão.

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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Contraponto 14.303 - "Bob Fernandes / O 'mercado' que toca o terror na eleição, quebrou o mundo "

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28/07/2014

 

Bob Fernandes / O "mercado", que toca o terror na eleição, quebrou o mundo 

Do Facebook  - 28/07/2014

 

  

Contraponto 14.302 - "Wikileaks revela gravíssima sabotagem dos EUA contra Brasil com aval de FHC"

 

28/07/2014

 

Wikileaks revela gravíssima sabotagem dos EUA contra Brasil com aval de FHC

Do Blog do Gilson Sampaio 


Sanguessugado do Pragmatismo Político

Telegramas revelam intenções de veto e ações dos EUA contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro com interesses de diversos agentes que ocupam ou ocuparam o poder em ambos os países

 

Sanguessugado do Pragmatismo Políticosegunda-feira, 28 de julho de 2014

 

alcântara brasil fhc wikileaks tecnologia


Os telegramas da diplomacia dos EUA revelados pelo Wikileaks revelaram que a Casa Branca toma ações concretas para impedir, dificultar e sabotar o desenvolvimento tecnológico brasileiro em duas áreas estratégicas: energia nuclear e tecnologia espacial. Em ambos os casos, observa-se o papel anti-nacional da grande mídia brasileira, bem como escancara-se, também sem surpresa, a função desempenhada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, colhido em uma exuberante sintonia com os interesses estratégicos do Departamento de Estado dos EUA, ao tempo em que exibe problemática posição em relação à independência tecnológica brasileira.

 Segue o artigo do jornalista

 Beto Almeida


O primeiro dos telegramas divulgados, datado de 2009, conta que o governo dos EUA pressionou autoridades ucranianas para emperrar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes Cyclone-4 – de fabricação ucraniana – no Centro de Lançamentos de Alcântara , no Maranhão.
Veto imperial
O telegrama do diplomata americano no Brasil, Clifford Sobel, enviado aos EUA em fevereiro daquele ano, relata que os representantes ucranianos, através de sua embaixada no Brasil, fizeram gestões para que o governo americano revisse a posição de boicote ao uso de Alcântara para o lançamento de qualquer satélite fabricado nos EUA. A resposta americana foi clara. A missão em Brasília deveria comunicar ao embaixador ucraniano, Volodymyr Lakomov, que os EUA “não quer” nenhuma transferência de tecnologia espacial para o Brasil.

“Queremos lembrar às autoridades ucranianas que os EUA não se opõem ao estabelecimento de uma plataforma de lançamentos em Alcântara, contanto que tal atividade não resulte na transferência de tecnologias de foguetes ao Brasil”, diz um trecho do telegrama.

Em outra parte do documento, o representante americano é ainda mais explícito com Lokomov: “Embora os EUA estejam preparados para apoiar o projeto conjunto ucraniano-brasileiro, uma vez que o TSA (acordo de salvaguardas Brasil-EUA) entre em vigor, não apoiamos o programa nativo dos veículos de lançamento espacial do Brasil”.
Guinada na política externa
O Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA (TSA) foi firmado em 2000 por Fernando Henrique Cardoso, mas foi rejeitado pelo Senado Brasileiro após a chegada de Lula ao Planalto e a guinada registrada na política externa brasileira, a mesma que muito contribuiu para enterrar a ALCA. Na sua rejeição o parlamento brasileiro considerou que seus termos constituíam uma “afronta à Soberania Nacional”. Pelo documento, o Brasil cederia áreas de Alcântara para uso exclusivo dos EUA sem permitir nenhum acesso de brasileiros. Além da ocupação da área e da proibição de qualquer engenheiro ou técnico brasileiro nas áreas de lançamento, o tratado previa inspeções americanas à base sem aviso prévio.

Os telegramas diplomáticos divulgados pelo Wikileaks falam do veto norte-americano ao desenvolvimento de tecnologia brasileira para foguetes, bem como indicam a cândida esperança mantida ainda pela Casa Branca, de que o TSA seja, finalmente, implementado como pretendia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas, não apenas a Casa Branca e o antigo mandatário esforçaram-se pela grave limitação do Programa Espacial Brasileiro, pois neste esforço algumas ONGs, normalmente financiadas por programas internacionais dirigidos por mentalidade colonizadora, atuaram para travar o indispensável salto tecnológico brasileiro para entrar no seleto e fechadíssimo clube dos países com capacidade para a exploração econômica do espaço sideral e para o lançamento de satélites. Junte-se a eles, a mídia nacional que não destacou a gravíssima confissão de sabotagem norte-americana contra o Brasil, provavelmente porque tal atitude contraria sua linha editorial historicamente refratária aos esforços nacionais para a conquista de independência tecnológica, em qualquer área que seja. Especialmente naquelas em que mais desagradam as metrópoles.
Bomba! Bomba!
O outro telegrama da diplomacia norte-americana divulgado pelo Wikileaks e que também revela intenções de veto e ações contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro veio a tona de forma torta pela Revista Veja, e fala da preocupação gringa sobre o trabalho de um físico brasileiro, o cearenseDalton Girão Barroso, do Instituto Militar de Engenharia, do Exército. Giráo publicou um livro com simulações por ele mesmo desenvolvidas, que teriam decifrado os mecanismos da mais potente bomba nuclear dos EUA, a W87, cuja tecnologia é guardada a 7 chaves.

A primeira suspeita revelada nos telegramas diplomáticos era de espionagem. E também, face à precisão dos cálculos de Girão, de que haveria no Brasil um programa nuclear secreto, contrariando, segundo a ótica dos EUA, endossada pela revista, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, firmado pelo Brasil em 1998, Tal como o Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA, sobre o uso da Base de Alcântara, o TNP foi firmado por Fernando Henrique. Baseado apenas em uma imperial desconfiança de que as fórmulas usadas pelo cientista brasileiro poderiam ser utilizadas por terroristas , os EUA, pressionaram a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que exigiu explicações do governo Brasil , chegando mesmo a propor o recolhimento-censura do livro “A física dos explosivos nucleares”. Exigência considerada pelas autoridades militares brasileiras como “intromissão indevida da AIEA em atividades acadêmicas de uma instituição subordinada ao Exército Brasileiro”.

Como é conhecido, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, vocalizando posição do setor militar contrária a ingerências indevidas, opõe-se a assinatura do protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que daria à AIEA, controlada pelas potências nucleares, o direito de acesso irrestrito às instalações nucleares brasileiras. Acesso que não permitem às suas próprias instalações, mesmo sendo claro o descumprimento, há anos, de uma meta central do TNP, que não determina apenas a não proliferação, mas também o desarmamento nuclear dos países que estão armados, o que não está ocorrendo.
Desarmamento unilateral
A revista publica providencial declaração do físico José Goldemberg, obviamente, em sustentação à sua linha editorial de desarmamento unilateral e de renúncia ao desenvolvimento tecnológico nuclear soberano, tal como vem sendo alcançado por outros países, entre eles Israel, jamais alvo de sanções por parte da AIEA ou da ONU, como se faz contra o Irã. Segundo Goldemberg, que já foi secretário de ciência e tecnologia, é quase impossível que o Brasil não tenha em andamento algum projeto que poderia ser facilmente direcionado para a produção de uma bomba atômica. Tudo o que os EUA querem ouvir para reforçar a linha de vetos e constrangimentos tecnológicos ao Brasil, como mostram os telegramas divulgados pelo Wikileaks. Por outro lado, tudo o que os EUA querem esconder do mundo é a proposta que Mahmud Ajmadinejad , presidente do Irà, apresentou à Assembléia Geral da ONU, para que fosse levada a debate e implementação: “Energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém”. Até agora, rigorosamente sonegada à opinião pública mundial.
Intervencionismo crescente
O semanário também publica franca e reveladora declaração do ex-presidente Cardoso : “Não havendo inimigos externos nuclearizados, nem o Brasil pretendendo assumir uma política regional belicosa, para que a bomba?” Com o tesouro energético que possui no fundo do mar, ou na biodiversidade, com os minerais estratégicos abundantes que possui no subsolo e diante do crescimento dos orçamentos bélicos das grandes potências, seguido do intervencionismo imperial em várias partes do mundo, desconhecendo leis ou fronteiras, a declaração do ex-presidente é, digamos, de um candura formidável.

São conhecidas as sintonias entre a política externa da década anterior e a linha editorial da grande mídia em sustentação às diretrizes emanadas pela Casa Branca. Por isso esses pólos midiáticos do unilateralismo em processo de desencanto e crise se encontram tão embaraçados diante da nova política externa brasileira que adquire, a cada dia, forte dose de justeza e razoabilidade quanto mais telegramas da diplomacia imperial como os acima mencionados são divulgados pelo Wikileak
Leia com atenção

FHC entrega Base de Alcântara a Tio Sam

José Arbex Jr

Contraponto 14.301 - "Dilma já sabe o que e quem enfrentar

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28/07/2014

Dilma já sabe o que e quem enfrentar

Quem busca exibir-se não é ela, mas são eles.


Conversa Afiada -   Publicado em 28/07/2014

O Coronel Pantaleão quis saber se ela transaciona ministério na cadeia


A Presidenta Dilma Rousseff se submeteu à primeira sabatina do PiG (*) na temporada eleitoral em que, como insiste o Datafalha, culminará  com sua reeleição no primeiro turno.

Dilma deu um passo adiante nas formulações que tem feito até aqui: ela espera ardentemente que a campanha se radicalize entre pobres e ricos – numa “luta de classes”, como disse o repórter da Fel-lha (**), hoje, porta-voz da Jovem Pan.

Ela gostaria, sim, de mostrar como os  pobres melhoraram de vida nos Governos Lula e Dilma, quando todos ganharam.

E os pobres ganharam mais.

Embora, como diria o Jabor, seja muito chato entrar num avião e ter uma empregada doméstica ao lado.

Um horror !

(Não deixe de votar na trepidante enquete: quem sustenta o tripé do FHC ?)

Dilma demonstrou que está bem preparada.

Soube enfrentar com sangue frio e até bom humor as provocações – como as de Josias de Souza, que a acusou de ceder a uma chantagem para nomear um ministro negociado dentro da cadeia, por um mensaleiro.

Gente fina, esse Josias.

Aliás, ele parecia o Joaquim Barbosa.

Não ficou de pé.

Mas, se recostou na cadeira como o Coronel Pantaleão do Chico Anísio.

À vontade, dono do pedaço.

Só faltou ir de pijama

Se acha !

As perguntas deram a Dilma uma ideia de como os candidatos de oposição e o PiG – tudo a mesma sopa – vão se comportar nos próximos debates.

A agenda é:

- inflação desembestada (o FHC NUNCA ficou dentro da meta !);

- baixo crescimento do PIB;

- desemprego = ao da Espanha e da Grécia;

- Pasadena;

- corrupção desenfreada;

- mensalão;

- concessão é igual a privataria (tucana );

- datafalha e globope, com rejeição cavalar, especialmente em São Paulo;

- o Satãder tem razão;

- a Copa foi, de fato, um fracasso retumbante.

Não vai fugir disso.

E aí ela dominou a discussão e desidratou a entrevista.

Os repórteres voltaram para casa sem manchete.

Ela não pisou em nenhuma casca de banana.

E estava preparada para enfrentar todas as perguntas – e até por que guarda R$ 150 mil em dinheiro, em casa. (Leia em tempo.)

(Pergunta que os quatro valentões jamais fariam ao Principe da Privataria, ao Padim Pade Cerra – de que vive ele ? – e ao aecioporto …)

A sabatina teve uma grande vantagem.

Além de oferecer um palanque à Dilma.

Mostrou como funcionam os entrevistadores do PiG.

Sao todos funcionários da Fel-lha (são, foram, ou querem ser).

Eles não fazem perguntas.

Isso é coisa para a ralé.

Não estão minimamente preocupados em informar seus leitores/espectadores.

Eles fazem afirmações para si próprios e seus patroes.

Quem busca exibir-se não é ela, mas são eles.

Também não tem importância se a pergunta já foi feita há pouco, com outras palavras: o importante é que saibam que cada um foi capaz de fazer aquela pergunta valente à Primeira Mandatária da Nação !

Eu sou Maximo, viu patrão ?

No próximo corte na redação, não me inclua !

Não importa se, em quatro anos de Governo, ela tenha feito 21 mil MW de energia – e por isso não houve o anunciado apagao da Urubologa.

E que o Principe da Privataria, o do Yes, we care , fez 1 MW !

1 !

O que subtraiu dois pontos percentuais do PIB !

Isso não tem a menor importância.

Como não vai ter a menor importância ela estabelecer essa comparação na campanha eleitoral.

O que importa é saber se o patrão viu os rapazes.

Porque, como diz o Mino Carta, no Brasil, os jornalistas são piores que os patrões.

(Em tempo: ela não sabe ao certo por que guarda R$ 150 mil em dinheiro, em casa. Talvez pelo mesmo motivo por que, por muito tempo, dormisse de sapatos. Habito adquirido no regime militar, quando esteve três anos trancada, sob torturas, no Presidio Tiradentes, e o seu Frias emprestava as caminhonetes aos torturadores. Ela explicou que, se não estão guardados, ela aplica na poupança. Aí alguém ponderou que a poupança rende juros. Ela disse que é de outra geração. Ela não se preocupava com dinheiro, não era assim que se media “o sucesso”. O que importava para ela era “mudar o Brasil”. O que também é a obsessão dos entrevistados e seus patrões. Mudar para pior.)

Em tempo2: liga o Vasco:

- O Josias tratou a Dilma como se fosse a Terta.

Em tempo3: colaboração desinteressada de amigo navegante que conhece todos os esses entrevistadores da Fel-lha: o Coronel Pantaleão e a onça:



Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.




Contraponto 14.300 - "Recordar é viver: Como a Globo deu o golpe da barriga em FHC e enviou Miriam para Portugal "

 

28/07/2014

Recordar é viver: Como a Globo deu o golpe da barriga em FHC e enviou Miriam para Portugal

 

Do Blog Limpinho e cheiroso


Fotomontagem de FHC e Miriam Dutra

Palmério Doria, lido na redecastorphoto, texto publicado em 16/7/2011

Assim como existe carro-forte, existe armário-forte. O do caso FHC-Miriam Dutra não abria nem com pé-de-cabra até abril de 2000, quando Caros Amigos veio com a primeira reportagem sobre o assunto. A revista entrega o jogo logo de cara. “Por que a imprensa esconde o filho de 8 anos de FHC com a jornalista da Globo” é o título que ocupa toda a capa. Não entra em tricas nem futricas, denuncia o silêncio dos grandes grupos de comunicação diante de “um fato jornalístico”, como diz o título da reportagem.

Por isso, os jornalistas que assinamos a matéria de seis páginas – eu, Sérgio de Souza, Mylton Severiano, Marina Amaral, José Arbex e João Rocha – deixam de lado quase todos os detalhes que cercam o romance para ir fundo no essencial: por que, quando lhe interessa, a mídia publica que fulano ou cicrano teve caso fora do casamento; e naquele caso, passou uma década escondendo o caso FHC-Miriam Dutra. Então, em 2000, não era o caso de contar que…

● … o caso de amor começa com a bênção de outro par constante, Alberico de Souza Cruz, o todo-poderoso diretor de jornalismo da Rede Globo, e Rita Camata, a bela deputada federal do PMDB, sensação do Congresso, mulher do senador capixaba Gerson Camata, que um dia seria candidata a vice de Serra nas eleições presidenciais de 2002.

● … mais saborosa que a pauta da Constituinte, as andanças do quarteto na noite brasiliense eram o grande assunto nos círculos políticos e nas redações. Contudo, os diálogos e as situações vividas por eles não renderam um mísero gossip em coluna social alguma.

● … o bafafá com status de rififi que se instalou no gabinete de Fernando Henrique, ouvido no corredor por jornalistas do naipe de Rubem Azevedo Lima, e presenciado por seus assessores, quando Miriam Dutra foi comunicar-lhe a gravidez, seria digno dos melhores bordéis do mangue: “Rameira!”, xingava o senador aos berros. Tudo com direito a efeitos especiais, arrematados por um chute de bico de sapato de cromo alemão no circulador de ar.

● … a operação cala-a-boca-da-Miriam foi organizada por uma força-tarefa: Alberico de Souza Cruz; o então deputado federal José Serra; e Sérgio Motta, que tinha coordenado a campanha de Fernando Henrique para o Senado, seu amigo mais íntimo.

● … o trio maravilha se desdobra. Providencia a mudança da futura mamãe para apartamento mais confortável na Asa Sul – ao botar o colchão no caminhão, um dos carregadores alisou-o e disse para os colegas: “Este é do senador.” (ah, esse povo brasileiro); e, depois do nascimento da criança, à medida que se projetava a candidatura de Fernando Henrique à Presidência, tratam de mudar Miriam para outro país. No caso, Portugal, onde a Globo era parceira da Sociedade Independente de Comunicação (SIC), primeira estação portuguesa de televisão privada. Aí a repórter iniciaria a longa carreira de última exilada brasileira, que chega aos nossos dias.

● … Ruth Cardoso, antropóloga, pouco ficava em Brasília. Tocava vida própria em São Paulo, o que facilitava o caso extraconjugal do marido.

● … Fernando Henrique não contou para Ruth Cardoso o caso extraconjugal durante certa viagem a Nova Iorque como se propala, mas numa casa isolada nos arredores de Brasília, onde o casal descansava nos fins de semana. Foi pouco antes de ele assumir a candidatura. Não se sabe, claro, o que conversaram. O certo é que, por volta das 8 da manhã, jornalistas que ali davam plantão, viram um Gol sair em disparada, com Fernando Henrique ao volante e a mulher ao lado. E foram atrás deles até o Hospital Sarah Kubitschek, onde o casal desapareceu.

● … a futura primeira-dama reapareceria com um braço na tipoia no saguão do hospital. Ao ser abordada pelos repórteres, perdeu sua habitual presença de espírito e afastou-os, quase explodindo: “Me deixem em paz!”

 

Segredos de polichinelo

Não havia, como não há hoje, jornalista em Brasília que não soubesse de tudo quanto se passa, às claras ou nos bastidores. Segredos de polichinelo. Veja fez uma reportagem, mandou repórter atrás de Miriam na Europa (não por coincidência, Mônica Bergamo, que viria a dar na Folha, em 2009, a notícia do reconhecimento do filho adulterino por Fernando Henrique, 18 anos depois). Mas, naquela época, a semanal nada publicou.

Nós também fomos atrás dela na Espanha, onde Miriam passou a morar depois de Portugal: “Perguntem para a pessoa pública”, foi a única coisa que deixou escapar. Ao mesmo tempo, fomos atrás de uma história que envolveu toda a imprensa. E volta a envolver: a história de Tomás Dutra Schmidt. Que a maioria dos colegas, na sua anglofilia, transformou em Thomas. Está lá, no registro do Cartório Marcelo Ribas, conforme cópia autenticada obtida por Marina Amaral, a quem bastou sair do hotel em Brasília, atravessar a pista e entrar no edifício Venâncio 2000, 1º andar, onde a avó materna de Tomás foi declarante do nascimento, ocorrido a 00:15 de 26 de setembro de 1991.

“Por que tanto segredo?”, perguntamos a todos os jornalistas que ocupavam postos de comando nas publicações em que trabalhavam durante a campanha presidencial de 1994. Cada qual apresentou suas razões. Alguns simplesmente desqualificaram o fato.

Outros apelaram para uma ética jornalística válida apenas para FHC. Outros confessaram ainda que guardavam matéria “de gaveta” para a eventualidade de um concorrente sair na frente.
Tentando fazer Caros Amigos sustar a matéria, houve vários tipos de pressões, relatadas uma a uma na reportagem. Algumas sutis, outras ostensivas.

Um amigo jornalista me acenou com emprego público na Petrobras, durante almoço na cantina Gigetto, quando julgavam que eu era o único autor do trabalho. Tinha sido enviado pelo lobista Fernando Lemos, cunhado de Miriam Dutra. O mesmo Lemos que mandou um dublê de jornalista e lobista à redação de Caros Amigos, dizendo estar intercedendo em nome da própria jornalista da Globo, o que ela negou de pés juntos lá em Barcelona.

Um deputado federal do PT ligou-nos para dar “um toque”. Disse que o Planalto estava preocupado com “uma matéria escandalosa” que estaríamos fazendo.

O afável colega Gilberto Mansur chamou Sérgio de Souza e seu sócio Wagner Nabuco de Araújo para jantar no Dinho’s Place da avenida Faria Lima. Começou suave, ponderando que a revista ia criar problemas para si própria, que aquele assunto era irrelevante, que, deixando aquilo pra lá, Caros Amigos passaria a ter o mesmo tratamento da grande imprensa em matéria de anúncios estatais. Vendo que Sérgio de Souza era irredutível, deixou claro que podíamos esquecer a publicidade oficial se publicássemos a matéria, o que já acontecia na prática.

Eternamente otário
Na época, Gilberto Mansur, ex-diretor da revista masculina Status, um mineiro maneiro, era braço direito do publicitário Agnelo Pacheco, que havia conquistado a confiança do secretário de Comunicação de FHC – e homem das verbas publicitárias, portanto.

Falamos do embaixador Sérgio Amaral, porta-voz da Presidência, que o colunista de humor José Simão chamava de “porta-joia”, sempre com a pose de “nojo de nóis”.

Juntos, Agnelo e Amaral “operavam” a Caixa Econômica Federal. Agnelo adorava dizer que era um dos depositantes do “Bolsa Pimpolho”, que financiava a vida de Miriam Dutra e seu filho no continente europeu.

O que não tem a menor relevância perto do custo Brasil para alimentar a conspiração de silêncio em torno do romance. Existem hoje, no eixo Brasília-São Paulo, grupos de picaretas que ficaram ricos graças a esse adultério, bem como ao falso DNA agora brandido pela família Cardoso, a fim de evitar mais um herdeiro a dividir l’argent que FHC vai deixar.

Absolutamente contra sua vontade, FHC cai de novo na boca do povo. Mesmo nas edições on-line dos grupos de comunicação que tanto faturaram para esconder o romance, seus leitores vêm pérolas, tais como este comentário sobre a notícia da Folha do teste de DNA negativo, repercutindo nota da coluna Radar, de Veja – autora do furo:

A Globo deu golpe da barriga em FHC: O Brasil pagou caro essa pensão. FHC, quando era ministro da Fazenda, isentou de CPMF todos os meios de comunicação. Em 2000 houve o Proer da mídia, que custou entre US$3 bilhões e US$6 bilhões aos cofres públicos. Ele também mudou a Constituição para permitir que a mídia brasileira, então falida, pudesse contar com 30% de capital estrangeiro. E autorizou que o BNDES fizesse um empréstimo milionário à Globo.

Ricardo J. Fontes: DNA falso você pode conseguir com qualquer R$10 milhões em qualquer esquina de São Paulo ou Washington, onde Tomás estuda. Mas se FHC, de fato, não for o pai, o Brasil merece conhecer o pai verdadeiro, o homem que tomou dinheiro dos Marinhos e de FHC durante 20 anos e carimbou de vez o ex-presidente como, além de entreguista, zé-mané, trouxa, pangaré, terceirizado. Enfim, otário.

***
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