terça-feira, 26 de julho de 2016

Nº 19.618 - "Ipsos: aprovação de Temer é de apenas 6%"

 

26/07/2016

 

Um interino amplamente rejeitado

Ipsos: aprovação de Temer é de apenas 6%

 

Diário do Centro do Mundo - Postado em 26 de julho de 2016 às 4:22 pm


Do Instituto de Pesquisas Ipsos:

(…)

Primeira avaliação da gestão interina de Michel Temer traz indicadores negativos e revela incertezas.

Avaliação da gestão Temer está dividida entre aqueles que a consideram ruim ou péssima (43%) e aqueles que não tem opinião formada (22% dos brasileiros não souberam avaliar a atual gestão e outros 29% a consideram regular). Apenas 6% consideram o presente governo bom ou ótimo.

(…)

.

Nº 19.617 - "Hêider Pinto: Propostas de ministro da Saúde sobre contratação de médicos são uma punhalada nas costas de prefeitos e entidades médicas"

.

26/07/2016 

 

Hêider Pinto: Propostas de ministro da Saúde sobre contratação de médicos são uma punhalada nas costas de prefeitos e entidades médicas


Do Viomundo - 25 de julho de 2016 às 19h21

 

BeFunky Collage 2-001

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) declararam guerra ao governo Dilma e insuflaram os seus associados contra a presidenta desde que o Programa Mais Médicos foi anunciado. Uma das reivindicações ao governo federal era a carreira de Estado para médicos. Muitos dos seus associados com nariz de palhaços engrossaram as manifestações pelo impeachment . E agora o que têm a dizer sobre  Ricardo Barros ter afirmado que esse é um problema dos municípios?

por Conceição Lemes

O ministro interino da Saúde, engenheiro e deputado federal licenciado Ricardo Barros (PP-PR), já escancarou: é contra o Sistema Único de Saúde (SUS) e a favor da privatização da saúde pública brasileira, em benefício dos mais diferentes interesses do mercado.

Outra característica dele vai se delineando: o vaivém, do qual o Programa Mais Médicos é uma das vítimas preferenciais, principalmente por razões ideológicas.

Criado em 2013 pela presidenta Dilma Rousseff, sob forte oposição das entidades médicas e da mídia, o programa já atendeu 63 milhões de brasileiros, que antes não tinham acesso à assistência. Tem 18.240 médicos em atuação.

No final da primeira semana de maio, antes mesmo do afastamento de Dilma pelo Senado, Barros reuniu-se em São Paulo com representantes de entidades médicas e se comprometeu atender a reivindicação deles: afastar os estrangeiros, especialmente os cubanos.

Os prefeitos chiaram – afinal são os grandes demandantes do Mais Médicos – e Barros mudou o discurso.

Em sua primeira entrevista coletiva como ministro, disse que o Programa Mais Médicos iria prosseguir, não alteraria a permanência dos estrangeiros e o objetivo, estimular o recrutamento de profissionais brasileiros.

Pouco depois, anunciou a redução dos estrangeiros após as eleições municipais de 2016.
Atualmente, dos 18.240 médicos em atuação, 73% são estrangeiros, a maioria cubanos. Eles trabalham em conjunto com equipes de Saúde da Família. Cada equipe, pelos registros do Ministério da Saúde, atende, em média, 3.450 pessoas.

Em entrevista à Folha de S. Paulo na semana passada, Barros afirmou taxativamente: o Mais Médicos “é provisório”.

Alguns trechos da matéria:
O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou nesta quinta (21), em entrevista à Folha, que o programa Mais Médicos é “provisório”, uma vez que, na organização dos serviços de saúde, cabe aos municípios a responsabilidade de contratar os médicos, e não ao governo federal.
A afirmação contraria a posição de ministros anteriores da gestão da presidente afastada Dilma Rousseff, para os quais o programa, inicialmente temporário, “veio para ficar” e poderia continuar até depois de 2026, quando terminam as metas para formação de novos médicos.
Barros não estipulou prazo para o final do programa, mas afirmou que o pacto federativo determina que é de competência dos municípios a execução do sistema de atenção básica de saúde. “São eles que deveriam contratar os médicos. Mas temos 2.500 municípios que só têm médicos do Mais Médicos.
(…)
Barros afirmou ainda esperar que os cubanos sejam substituídos ao longo do tempo por brasileiros e que convidou o Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira para prepararem um edital com novas medidas que incentivem os brasileiros a ocupar vagas em cidades mais distantes, onde hoje a maioria é de cubanos.
(…)
Apesar de definir o programa como “transitório”, Barros disse que o prazo para acabar ainda é “imprevisível”, por depender da disposição de médicos brasileiros para ocupar os postos. “Médicos formados nessas novas faculdades e qualificados podem não se dispor a ir trabalhar onde precisamos. Temos que aguardar.”
Sobre manter o programa só com brasileiros, afirmou que essa proposta, nos moldes de uma carreira de Estado para médicos, é contra o pacto federativo. “Por que vou ter um contingente de médicos no governo federal se não é minha responsabilidade e se o sistema de saúde é descentralizado?”, disse. “A carreira de médico tem que existir nos municípios.”

A entrevista foi publicada na sexta passada, 22 de julho.

No mesmo dia, provavelmente devido à repercussão negativa, Barros recuou em relação ao discurso do “provisório”

Ele disse: o programa “tem efeitos permanentes, mas bolsistas transitórios”, em referência aos médicos estrangeiros. Foi durante uma apresentação a novos médicos estrangeiros e brasileiros formados no exterior participantes do programa.

Diante dessas declarações, nós entrevistamos o médico sanitarista Hêider Pinto, que coordenou a gestão do Programa Mais Médicos no governo da presidenta Dilma, de abril de 2014 a maio de 2016.


Viomundo – O ministro interino da Saúde já foi e voltou algumas vezes em relação ao Mais Médicos. Na penúltima, disse que o programa é “provisório”. Depois, diante da repercussão, tentou minimizar. O que está por trás desses discursos?

Hêider Pinto — De um lado, reflete o grau de improviso, declarações descuidadas, sem o devido conhecimento e estudo prévio das questões. De outro, mostra a dificuldade do Ministério da Saúde em tentar agradar a população, os prefeitos, os gestores e secretários municipais de saúde e, ao mesmo tempo, os grupos médicos mais conservadores.
Acaba fazendo frases com duplo sentido para afagar interesses antagônicos. Diz que é “provisório”, mas não quando acaba. Depois, diz que só acaba quando tiver médicos em número suficiente.



Viomundo – Mas ele fala com todas as letras, sem meias palavras, que fornecer médicos para atenção básica (unidades básicas, postos, ambulatórios) é responsabilidade dos municípios e não do Ministério da Saúde. O que significa para o Mais Médicos?

Hêider Pinto – Aí, há uma novidade, que pode sinalizar a redução precoce do Mais Médicos. Para garantir a atenção básica à saúde da população, muitos municípios precisam que o governo federal lhes garanta recursos e médicos. Portanto, essa sinalização dele pode resultar em redução do papel do Ministério da Saúde na atenção básica dos municípios, que foi um dos maiores avanços na saúde e no SUS no período do governo Dilma.


Viomundo — Qual a meta que o governo Dilma traçou para o Mais Médicos?

Hêider Pinto – Sair de 380 mil médicos no Brasil em 2013 para 600 mil em 2026. Isso significa de 1,8 médicos por mil habitantes para 2,7. Com o avanço nessa perspectiva esperava-se que cada vez menos municípios precisassem da ajuda do governo federal para garantir médicos nas equipes de atenção básica.
Contudo, a experiência internacional mostra que, mesmo com proporção adequada de médicos, certas localidades seguem precisando de apoio federal. É assim nos EUA, Canadá e Austrália. Em 2026, se o programa seguir o que estava previsto, provavelmente menos de mil municípios precisarão do provimento de médicos pelo governo federal.


Viomundo — O Conselho Federal de Medicina (CFM) sempre disse que o problema era má distribuição dos médicos no País. Agora está mais do que comprovado que também faltam médicos. Tem-se uma ideia de quando o Brasil terá médicos em número suficiente? E se se mesmo assim, eles não quiserem ir, por exemplo, para as periferias das capitais – São Paulo é um caso típico — e municípios longínquos?

Hêider Pinto –As evidências demonstraram amplamente que o CFM estava equivocado quando dizia que não faltavam médicos no Brasil e que o país tem vagas demais de medicina.
O Brasil tem menos médicos por habitante do que os países que têm sistema universal de saúde, como Reino Unido e Espanha. Tem também menos médicos que a média dos 34 países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). E a metade de médicos dos vizinhos Uruguai e Argentina.
Quando analisamos a quantidade de vagas de medicina por 10 mil habitantes, o quadro se repete nesses três grupos de países que acabei de mencionar.
Daí, a meta do Mais Médicos ter 1,34 vagas de medicina para cada 10 mil habitantes até o final de 2017. É a estratégia para termos 2,7 médicos por mil habitantes até 2026.
Em resumo: o Brasil tem insuficiência de médicos, problema agravado por má distribuição, que piorava a cada ano. Afinal, formavam-se menos médicos que o número de postos de trabalho abertos.


Viomundo – Quando o ministro diz que o problema é dos municípios, ele não está eximindo o governo federal de qualquer responsabilidade na atenção básica? Isso não rompe o pacto tripartite?

Hêider Pinto — Essa é a sinalização mais preocupante de toda a entrevista. Um dos maiores avanços do governo Dilma foi dobrar o repasse de recursos aos municípios para aplicar na atenção básica. Só nos primeiros quatro anos isso resultou em aumento de 104%. O maior aumento desde que foi criado o repasse para atenção básica nos anos 1990.
Parte desses recursos é usado no Mais Médicos, que garantiu que mais 63 milhões de brasileiros que estavam sem assistência passassem a ser cuidados.
Essa fala do ministro interino pode repetir o que acontece em diversos estados da federação. Os governadores lavam as mãos e deixam a conta para os prefeitos, que, por sua vez, não têm como se esconder da população. É na porta dos prefeitos que os cidadãos batem.


Viomundo – Essa fala do interino vai na contramão do que pleiteiam os prefeitos.

Hêider Pinto – Com certeza. Em 2013, as organizações nacionais dos prefeitos construíram um movimento nacional, exigindo ajuda do governo federal para prover médicos. Aliás, essa reivindicação dos prefeitos foi que originou a criação do Programa Mais Médicos.


Viomundo – Se essa ideia for levada adiante, o que significará para os municípios?

Hêider Pinto Quase a metade dos médicos das equipes de Saúde da Família do Brasil é do Programa Mais Médicos. E quanto mais pobre o município, maior o proporção de médicos do programa.
Assim, de modo curto e grosso, essa ideia significará o seguinte:
— Prefeito, você sabe que a metade dos médicos que está na cidade é do Mais Médicos, certo?
— Pois então, agora é você que terá que atrair esses médicos para atuar no seu município e arcar com os custos deles.
Aí, o prefeito vai se lembrar de que não tem recursos suficientes para isso e que anos a fio não conseguiu atrair médicos. E que foi com o Programa Mais Médicos que, pela primeira vez, ele conseguiu garantir atenção básica aos seus cidadãos, como acontece hoje.
Mas, aí, o Ministério diz: vire-se, isso não é mais responsabilidade minha. O problema é só seu.


Viomundo – E a população como ficará?

Hêider Pinto – Com o Mais Médicos a população passou a contar com médico perto de suas casas, com capacidade de resolver seus problemas, durante todos os dias de semana, , e. Agora, se essas ideias do ministro forem levadas adiante, a população voltará a ficar sem médico como antes ou contar com um que vai lá na unidade de saúde ou no município duas vezes por semana, atende 15 pacientes em menos de 3 horas e vai embora. Acho que as pessoas não aceitarão isso. Terá muita reinvindicação e resistência.


Viomundo –A carreira federal de médico é uma reivindicação do CFM, AMB (Associação Médica Brasileira). Agora, o ministro interino diz que não tem sentido ser federal, teria de ser municipal. O que acha disso?

Hêider Pinto – Uma punhalada nas costas dessas entidades médicas. Quero ver como elas vão explicar isso pra suas bases, já que as fomentaram contra o governo Dilma.
O ministro, sem meias palavras, declarou ser contra a carreira com participação federal. Portanto, mais uma vez ele disse que o problema é responsabilidade dos municípios.
Para os cidadãos, o recado é o seguinte: não esperem nada do governo federal, cobrem dos seus prefeitos.
Todos nós da área de saúde pública sabemos que não avançaremos numa carreira para o médico e demais profissionais de saúde sem a participação dos governos federal, estadual e municipal.
É necessária a participação das três esferas, ainda que a carreira se caracterize como regional. Mesmo assim, ela teria que ter recursos dos Municípios, Estados e União. Do contrário, não se viabilizará nunca. Poucos são os municípios têm condições de criar novas carreiras, além daquelas que já têm hoje.


.

_____________________

PITACO DO ContrapontoPIG

E o pior é que Noam Chomsky tem razão quando afirma:

NOAN E A IMPRENSA (2) 

__________________________
.
.

Nº 19.616 - "Eleonora de Lucena: elite deu tiro no pé com o golpe "

"A elite brasileira está dando um tiro no pé. Embarca na canoa do retrocesso social, dá as mãos a grupos fossilizados de oligarquias regionais, submete-se a interesses externos, abandona qualquer esboço de projeto para o país", diz a jornalista, fazendo a ressalva de que o golpe de 2016 não é o primeiro exemplo de retrocesso patrocinado pela própria elite. "Não é a primeira vez. No século 19, ficou atolada na escravidão, adiando avanços. No século 20, tentou uma contrarrevolução, em 1932, para deter Getúlio Vargas. Derrotada, percebeu mais tarde que havia ganho com as políticas nacionais que impulsionaram a industrialização."

Lucena afirma que a inclusão social fortalecida no governo Lula trouxe grande rentabilidade para a elite, mas não ameaçou o rentismo – o que só veio a acontecer na presidência de Dilma Rousseff. "Os últimos anos de crescimento e ascensão social mostraram ser possível ganhar quando os pobres entram em cena e o país flerta com o desenvolvimento. Foram tempos de grande rentabilidade. A política de juros altos, excrescência mundial, manteve as benesses do rentismo. Quando, em 2012, foi feito um ensaio tímido para mexer nisso, houve gritaria."

Ela afirma que, com o impeachament, foi colocada em marcha uma agenda de retrocessos, que coloca o Brasil à beira do abismo. "O impeachment trouxe a galope e sem filtro a velha pauta ultraconservadora e entreguista, perseguida nos anos FHC e derrotada nas últimas quatro eleições. Privatizações, cortes profundos em educação e saúde, desmanche de conquistas trabalhistas, ataque a direitos", diz ela. "O objetivo é elevar a extração de mais valia, esmagar os pobres, derrubar empresas nacionais, extinguir ideias de independência. Em suma, transferir riqueza da sociedade para poucos, numa regressão fulminante. Previdência, Petrobras, SUS, tudo é implodido com a conversa de que não há dinheiro. Para os juros, contudo, sempre há."

"Com instituições esfarrapadas, o Brasil está à beira do abismo. O empresariado parece não perceber que a destruição do país é prejudicial a ele mesmo", lembra ainda a jornalista.

.

Nº 19.615 - "Ipsos: cai o apoio ao golpe e brasileiros preferem Dilma a Temer "

247 – Uma pesquisa feita pelo Instituto Ipsos, publicada nesta terça-feira pelo Valor Econômico (confira aqui), traz números importantes sobre como os brasileiros enxergam o golpe de 2016.

Entre março e julho deste ano, o percentual dos que defendem o impeachment da presidente Dilma Rousseff caiu de 61% para 48%. Isso demonstra que, após atingir um pico com a histeria golpista provocada pela mídia tradicional, a adesão ao impeachment caiu à medida que a população se deu conta da natureza perversa do atual processo político.

Além disso, o percentual de brasileiros que defendem que Dilma volte e conclua seu mandato é maior do que o dos que desejam a permanência do interino Michel Temer. Ela tem 20% de apoio contra 16% do vice em exercício, que é rejeitado por 68% da população brasileira e aprovado por apenas 19%. Isso demonstra que manter Temer no poder contraria a vontade da ampla maioria dos brasileiros.

O que a pesquisa também demonstra é que a preferência é por novas eleições – tese defendida por 52%. Como a realização de uma nova disputa presidencial depende da volta de Dilma, que faria uma consulta popular a respeito, os senadores não têm escolha, a não ser rejeitar o golpe.

A pesquisa Ipsos também confirma a dimensão da fraude do último Datafolha, que chegou a divulgar que 50% dos brasileiros defendiam a permanência de Temer no poder, até ser desmascarado (saiba mais aqui).
.

Nº 19.614 - "Esmael: Dilma divulga Carta aos Brasileiros dia 8"

 

26/07/2016

Esmael: Dilma divulga Carta aos Brasileiros dia 8

Requião acha que ela tem 40 votos



Conversa Afiada - publicado 25/07/2016
.
 
bessinha b1.jpg


O Conversa Afiada reproduz artigo do Blog do Esmael Morais:

Dilma deverá divulgar ‘carta aos brasileiros’ no póximo dia 8 de agosto


A presidente eleita Dilma Rousseff já tem pronta a ‘carta aos brasileiros’ que levará em primeira mão aos senadores. A data escolhida foi 8 de agosto, véspera da votação do “juízo de pronúncia”, isto é, quando os parlamentares deverão decidir se o processo de impeachment seguirá ou não para o plenário do Senado.

“Logo após o recesso, na véspera do ‘juízo de pronúncia’, nós teremos conhecimento da carta de Dilma”, confirmou a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

As linhas mestras da ‘carta aos brasileiros’ focam os senadores ditos éticos e desenvolvimentistas, que votaram pela admissibilidade do afastamento da presidente, mas que não veem elementos suficientes para afastá-la definitivamente do cargo.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) acredita que Dilma voltará ao cargo num cenário de mudança da economia e de antecipação das eleições presidenciais. As pesquisas de opinião apontam para esse rumo, pois 62% dizem querer o interino Michel Temer (PMDB) fora da Presidência da República.

Há 11 dias, o Blog do Esmael publicou trecho de uma entrevista de Dilma que pode conter a espinha dorsal da ‘carta aos brasileiros’ que virá à tona em 8 de agosto:

“Governo de reconstrução nacional, baseado em pautas importantes como o compromisso com um grande pacto nacional, que permita que haja um entendimento entre todos os brasileiros e brasileiras. Esse pacto é a reconstrução do Estado Democrático de Direito, e se dará em cima da soberania nacional, do desenvolvimento econômico e das conquistas sociais”, disse a presidente numa entrevista a rádios do Piauí.

.

Nº 19.613 - "Merval: delação de Odebrecht, sem apontar crime a Lula, não será aceita pelo MP"

 .

26/07/2016

 

Merval: delação de Odebrecht, sem apontar crime a Lula, não será aceita pelo MP


aroei

Por
 


Merval Pereira, ministro autonomeado do Supremo Tribunal Federal e chefe honoris causa da Força Tarefa do Ministério Público, disse hoje na CBN que os procuradores “não devem aceitar” a delação premiada de Marcelo Odebrecht.

A razão é que ela conteria uma  “versão adocicada”sobre a relação da empresa com o ex-presidente Lula.

Porque, mesmo desesperado após um ano de prisão e 19 outros de condenação, Odebrecht não tem ato de corrupção a relatar dele.

Diria que fez favores ao ex-presidente, como em obras no sítio de Atibaia, mas sem que isso se vinculasse a qualquer contrapartida.

Lula, aliás, nem mais  presidente era.

Admitiria que o ex-presidente também ajudou, com seu prestigio pelo mundo, a empresa a candidatar-se obras em outros países, mas sem contrapartida por isso.

Então, diz Merval, a delação – que fala em propinas para uma multidão de políticos, não valeria.

Não presta porque não atribui crime a Lula.

E é só isso que interessa.

Tem de arranjar um crime para o Lula, senão não tem negócio com redução de pena.

É claro que isso é uma coação, só que não para o MP, para Sérgio Moro e para a mídia.

E, claro, não para Merval.

Já nem se preocupam em disfarçar que as delações são premiadas de acordo com o “prêmio” que oferecerem  aos que só pensam “naquilo”: a condenação de Lula.
 
É o grande prêmio.
.
.

Nº 19.612 - "Canta a Democracia, por Roberto Amaral"

.

26/07/201

Canta a Democracia, por Roberto Amaral



Jornal GGN - ter, 26/07/2016 - 08:46 
.

Canta a Democracia

 

por Roberto Amaral



Wagner Moura, Bebel Gilberto, Fernando Morais, Letícia Sabatella, Tico Santa Cruz, Zélia Duncan, Bia Lessa, Ernesto Neto, Sérgio Sérvulo da Cunha, Márcia Tiburi, Edgard Scandurra, Tata Amaral, Arrigo Barnabé, Roberto Amaral, Daniel Filho são alguns dos artistas e intelectuais que apoiam a campanha Canta a Democracia.

Serão dois grandes espetáculos, um no Rio de Janeiro, outro em Nova York. Arte, música, vídeo e poesia no palco com um único objetivo: defender a democracia brasileira. Sem priorizar partidos políticos. Sem financiamentos ou apoios de grupos específicos. Os shows serão bancados por uma campanha totalmente independente.Por um Brasil mais ético.

E quem vai ajudar a construir este Brasil é você. Uma campanha que já é democrática no próprio formato: os artistas e o público, juntos, colaboram para os shows acontecerem.

Canta a Democracia é o nome do espetáculo e também da campanha que coloca no palco artistas e nomes da cultura brasileira que querem defender os direitos de todo cidadão brasileiro. O Brasil das mulheres. Dos negros. Dos cidadãos LGBT. Dos indígenas. O Brasil dos trabalhadores, dos aposentados, dos estudantes, de todos nós. O Brasil que já teve importantes conquistas e não pode, de forma alguma, voltar para trás. Um país que tem de preservar o que já conseguiu com muita luta. Um país que tem de assegurar o direito do voto. Um país que diz não ao golpe.

A ação: Canta a Democracia é uma ação independente que começa agora, quinta-feira, dia 14/7, para arrecadar fundos para um espetáculo com artistas e nomes fundamentais da cultura brasileira que se uniram, voluntariamente, para denunciar o risco da perda de direitos básicos da cidadania e de nossa democracia.

A meta: De 14/08 até dia 4/8 tem de ser alcançada para realizarmos o show no Rio de Janeiro, dia 23 de agosto, no Circo Voador e caso ela seja superada, a produção de Nova York se inicia com o Shout For Democracy Concert, no tradicional Apollo Theater.

O conceito: A ideia é contar, nos dois espetáculos, com muita música, arte, vídeo e poesia, os principais fatos políticos recentes da nossa história, nossas lutas, o que ganhamos nos últimos anos, o que estamos sofrendo, o que não podemos perder.

Os espetáculos serão gravados para transmissão posterior em canal de televisão e para a produção de um vídeo. E ali, ao vivo, multiplicaremos nossa força transmitindo para todas as redes sociais, denunciando ao Brasil e ao mundo, como a nossa democracia está sendo usurpada. A arte tem poder : vamos aprender e cantar, celebrar, denunciar, pressionar e fazer nossa parte por um Brasil mais justo e melhor.

Artistas e intelectuais entusiastas da campanha CANTA A DEMOCRACIA: Amir Haddad, Arrigo Barnabé, Arícia Mess, Bia Lessa, Bia Salgado, Bebel Gilberto, Bete Mendes, Caroline Onikute, Cristina Pereira, Daniel Filho, Diléa Frate, Denise Dummont, Djalma Amaral, Edgard Scandurra, Eduardo Tornaghi, Edith Derdyk, Eliete Negreiros, Elisa Lucinda, Ernesto Neto, Ernesto Piccolo, Fernando Morais, Gabriel Moura, Guilherme Kastrup, Letícia Sabatella, Luciana Sérvulo da Cunha, Mauro Refosco, Márcia Tiburi, Matthew Chapman, Natália Barros, Olívia Byinton, Osmar Prado, Otto, Roberto Amaral, Sérgio Mamberti, Sérgio Sérvulo da Cunha, Simone Soul, Tata Amaral, Teresa Cristina, Tico Santa Cruz, Wagner Moura e Zélia Duncan convidam você a colaborar.

Na Criação e Direção dos espetáculos: Amir Haddad, Bia Lessa, Bia Salgado, Daniel Filho, Diléa Frate, Djalma Amaral, Edgard Scandurra, Ernesto Neto, Ernesto Piccolo, Guilherme Kastrup, Luciana Sérvulo da Cunha e Zélia Duncan.

Precisamos da sua colaboração. Participe, divulgue nas redes sociais. Vamos lutar, pressionar e cantar juntos pela democracia.

catarse.me/cantaademocracia Luciana Sérvulo da Cunha (21) 997 47 5899 /
cantaademocracia@gmail.com

Video:  https://youtu.be/xwH0ZvjxOzE

.

Nº 19.611 - "O tucano Aloysio Nunes some no Caixa-2 "


 

26/07/2016

O tucano Aloysio Nunes some no Caixa-2


Do Blog do Miro - segunda-feira, 25 de julho de 2016

 Por Altamiro Borges


É impressionante a capacidade da imprensa venal de abafar as denúncias que envolvem os falsosmoralistas do PSDB, DEM e de outras siglas golpistas. Elas até aparecem em pequenas notinhas e logo somem da cobertura. Não são manchete e nem merecem acompanhamento nos dias seguintes.

Em meados de julho, a mídia chapa-branca relatou que o tucano Aloysio Nunes, líder do covil de Michel Temer no Senado, foi denunciado pela segunda vez seguida por receber recursos do Caixa-2. Já no final de junho, o noticiário informou que o líder do DEM, o “ético” Agripino Maia, teria que devolver R$ 1 milhão aos cofres públicos.

O cambaleante Aécio Neves e José Serra também foram citados em episódios recentes, mas logo sumiram das páginas dos jornalões e das telinhas da TV. A manipulação midiática, que consiste em realçar o que interessa e omitir o que não interessa, como já ensinou o mestre Perseu Abramo, só engana mesmo os “midiotas”.

No caso do hidrófobo Aloysio Nunes, a denúncia teve como base a delação premiada do ex-diretor financeiro da UTC, Walmir Pinheiro. Ele relatou à Polícia Federal que a campanha do PSDB ao Senado em 2010 recebeu uma doação ilegal de R$ 200 mil - "em dinheiro vivo". Segundo o delator, o dinheiro foi entregue na sede da empresa em São Paulo para o advogado Marco Moro, que conheceu o tucano por volta de 1970, quando os dois, então perseguidos pela ditadura, estavam exilados na Europa. A mesma denúncia já havia sido feita pelo empresário Ricardo Pessoa, também da UTC, que deu detalhes sobre a doação através do Caixa-2 da campanha. A Folha e o Estadão até publicaram matérias sobre a segunda delação, mas o assunto explosivo já sumiu das suas páginas. Nas emissoras de rádio e tevê, os ácidos "calunistas" nem se dignaram a tratar do tema, blindando Aloysio Nunes.


moralistas do PSDB, DEM e de outras siglas golpistas. Elas até aparecem em pequenas notinhas e logo somem da cobertura. Não são manchete e nem merecem acompanhamento nos dias seguintes. Em meados de julho, a mídia chapa-branca relatou que o tucano Aloysio Nunes, líder do covil de Michel Temer no Senado, foi denunciado pela segunda vez seguida por receber recursos do Caixa-2. Já no final de junho, o noticiário informou que o líder do DEM, o “ético” Agripino Maia, teria que devolver R$ 1 milhão aos cofres públicos. O cambaleante Aécio Neves e José Serra também foram citados em episódios recentes, mas logo sumiram das páginas dos jornalões e das telinhas da TV. A manipulação midiática, que consiste em realçar o que interessa e omitir o que não interessa, como já ensinou o mestre Perseu Abramo, só engana mesmo os “midiotas”.

A "pensão vitalícia" de Agripino Maia

Já o demo Agripino Maia, que adora postar fotos da sua presença nas marchas golpistas pela "ética", teve o seu nome metido em um novo caso suspeito pela enésima vez. No final de junho, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte solicitou que ele devolva cerca de R$ 1 milhão por recursos recebidos irregularmente nos últimos anos. Presidente nacional do DEM, o senador recebe por mês R$ 64.234,11 dos cofres públicos. O valor é 90,2% acima do teto do funcionalismo, que atualmente é de R$ 33.763, e representa a soma do salário que recebe como congressista com a "pensão especial vitalícia" de ex-governador do Rio Grande do Norte (R$ 30,4 mil), que ele abocanha desde 1986.
Para o procurador Kleber Martins, "mais do que exótica, a mencionada pensão desmoraliza a própria noção de republicanismo, porque condenou o pobre povo potiguar a conceder a José Agripino Maia, por todo o resto de sua vida, um valor mensal equivalente às mais altas remunerações dos servidores estaduais". O pedido de reembolso virou notinha nos principais jornais do país. A Folha até lembrou que o falso moralista do DEM está metido em vários escândalos. "No Supremo Tribunal Federal, Agripino Maia é alvo de um inquérito que apura se o parlamentar negociou o pagamento de propina da empreiteira OAS durante a construção da Arena das Dunas, estádio em Natal usado na Copa do Mundo de 2014. O STF autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador". E nada mais!
.
Aécio e Serra viraram pó
.
Nos últimos meses, a mídia também noticiou novos casos sinistros envolvendo o vampiro José Serra e o cambaleante Aécio Neves. Numa notinha, Mônica Bergamo informou que "um novo personagem surge nas negociações das delações premiadas das grandes empreiteiras com a Operação Lava Jato: o ex-deputado tucano Márcio Fortes. Ele seria um dos interlocutores do ministro José Serra junto aos empresários... A repercussão que as citações a Serra podem ter preocupa o atual chanceler brasileiro. Além de conversar com mais de um grande advogado paulista sobre o assunto, ele acaba de contratar uma assessoria só para se dedicar ao tema". A denúncia, porém, logo foi abafada pela Folha serrista.

A mesma Mônica Bergamo, em matéria publicada em 14 de junho, levantou outra pauta-bomba sobre o blindado cacique do PSDB. "A OAS citou o senador e chanceler José Serra nas negociações para firmar acordo de delação premiada na Lava Jato. O tucano integra a lista de quase uma centena de políticos sobre os quais a empreiteira promete dar informações detalhadas de contribuições para campanhas eleitorais. Serra pode integrar também a delação da Odebrecht. Ele já aparecia na lista de mais de 200 políticos que foi obtida em operação de busca e apreensão na casa de um dos executivos da empresa. O chanceler sempre foi admirado na Odebrecht por pessoas do calibre de Pedro Novis, que antecedeu Marcelo Odebrecht na presidência da empreiteira. Novis vai depor na Lava Jato". Mas a pauta-bomba novamente foi arquivada e sumiu do noticiário. 

Já o cambaleante Aécio Neves, que também morre de medo da lista de propina da Odebrecht, voltou a ser notícia em outro caso exótico. Segundo matéria do jornal O Tempo, publicada em 10 de junho, a estatal Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) fez parceria com uma firma do pai do senador, Aécio Ferreira da Cunha (1927-2010), quando o filho ainda era governador. Assinado em março de 2010, dias antes do tucano renunciar ao mandato para concorrer ao Senado, o contrato previa o pagamento de R$ 250 mil para a produção de feijão na fazenda de Cunha em Montezuma, no norte do Estado. A denúncia do jornal mineiro, porém, virou pó na mídia nacional. Não foi manchete nos jornalões, capa nas revistonas e nem motivo de comentários na TV Globo. Haja manipulação!

.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Nº 19.610 - "Repressão na Funarte foi aperitivo"

.

25/07/2016

Repressão na Funarte foi aperitivo

 

Brasil 247 - 25/07/2016

 

:
 

por Tereza Cruvinel

Nesta segunda-feira, às seis horas da manhã, a polícia invadiu o Palácio Campanema e expulsou os funcionários e ativistas que ocupavam as instalações da Funarte desde maio, quando o governo interino extinguiu o Minc. Recriada a pasta como arremedo do que era, eles continuaram a ocupação com a bandeira Fora Temer. Foi um aviso: se o golpe for confirmado pelo Senado e Temer efetivado, o recurso à repressão vai se tornar rotineiro no país.

Governos autoritários não escapam de duas tentações: calar as divergências e reprimir as insurgências.

Na interinidade, Temer interveio na EBC e investiu contra blogs e sites alternativos cortando seus patrocínios. Até aqui, tolerou as manifestações contra o golpe e contra seu governo, até porque ainda podem ocorrer manifestações pró-impeachment. Até para usar o método dos “dois pesos, duas medidas”, é preciso algum cuidado. Mas depois de agosto, se o golpe prevalecer, não há dúvida. Haverá repressão.

E nem será por impulso irrefreável ao sadismo social. Será uma imposição das circunstâncias. As reformas neoliberais que o governo proporá vão gerar protestos, greves e manifestações, único recurso para tentar evitar a perda de direitos e conquistas. As centrais sindicais podem responder até com a greve geral à reforma trabalhista anunciada. A da previdência terá que mobilizar os jovens, pois eles, mais que os idosos de hoje, é que terão o futuro afetado pelas mudanças. O desmonte de políticas públicas dos anos recentes vai se acelerar, engrossando os protestos. E aí, será inevitável para o governo, por sua natureza autoritária e seus compromissos conservadores,  o recurso à repressão.

Os que frequentam as ruas podem começar a recordar as técnicas de enfrentamento do gás lacrimogêneo e outras técnicas policiais de repressão a protestos.

Tereza Cruvinel. Colunista do 247, Tereza Cruvinel é uma das mais respeitadas jornalistas políticas do País
.

Nº 19.609 - "Lembra do trensalão? Alckmin acaba de perdoar dívida de R$ 116 milhões de empresa envolvida no escândalo"



.

25/07/2016

 

Lembra do trensalão? Alckmin acaba de perdoar dívida de R$ 116 milhões de empresa envolvida no escândalo

 


trensalao_latuff
Charge: Latuff

 

Governo Alckmin perdoa dívidas de R$ 116 mi de acusada de cartel, diz Folha

A negociação, concluída em janeiro deste ano, ocorreu em um contrato com a multinacional Alstom no qual o Metrô, que enfrenta grave crise financeira, apontava perdas de cerca de R$ 300 milhões, afirma o jornal

no Congresso em Foco

O governo de Geraldo Alckmin (PSDB) fez um acordo com a multinacional francesa Alstom em que perdoou dívidas que somam R$ 116 milhões e aceitou que o produto contratado seja entregue com dez anos de atraso, ou seja, somente em 2021

A negociação, concluída em janeiro deste ano, ocorreu em um contrato no qual o Metrô, que enfrenta grave crise financeira, apontava perdas de cerca de R$ 300 milhões. As informações são da Folha de S.Paulo.

As relações da Alstom com tucanos são investigadas desde 2008. Processos, ainda não concluídos, apuram denúncias de pagamento de propina pela multinacional francesa a integrantes do PSDB em São Paulo para fechar contrato com estatais de energia entre 1998 e 2003.

Segundo a Folha, o objeto do contrato é um sistema digital que visa a diminuir o intervalo entre os trens conhecido nos meios técnicos como CTBC (Controle de Trens Baseado em Comunicação). O acordo foi fechado em uma câmara arbitral. O governo foi representado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE). “A arbitragem teve início em 2013 sob sigilo, como previa o contrato, mas a Folha obteve acesso ao acordo pois uma lei de 2015 passou a obrigar os governos a dar publicidade às arbitragens que envolvam recursos públicos”, explica a reportagem.

O sistema da Alstom foi contratado em 2008, no governo de José Serra (PSDB), por R$ 780 milhões, para melhorar a eficiência de três linhas do metrô até 2011. Mas, pelo acordo fechado há seis meses,  o cronograma será estendido até 2021. Devido ao atraso, o Metrô aplicou a partir de 2012 multas de R$ 78 milhões e ameaçava romper o contrato. A estatal e a multinacional travaram uma disputa que foi parar na Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional em janeiro de 2013.

O Metrô argumentava que os atrasos provocaram perdas de R$ 289,1 milhões para a companhia. A Alstom alegava que os atrasos e a exigência de novas funções aumentaram o valor do contrato em R$ 173,1 milhões. A pedido das duas partes, a arbitragem foi suspensa no ano passado e um acordo foi homologado em janeiro de 2016. Para chegar ao entendimento, a estatal e a multinacional desistiram dos valores que cobravam.

.

Nº 19.608 - "Sujeira do jatinho de Campos está exposta, mas mídia nacional não vê…"

 

25/07/2016

 

Sujeira do jatinho de Campos está exposta, mas mídia nacional não vê…

giovane


Por  

O empresário Eduardo Freire Bezerra Leite, o Eduardo Ventola, era o titular da conta bancária da conta da “fantasma” Giovani Pescados, que  ajudou a comprar o avião que, em agosto de 2014, matou o candidato Eduardo Campos que, tendo Marina Silva como vice, disputava a Presidência da República. A empresa, de um pobre pescador que ficou conhecido após aparecer, atônito, no Jornal Nacional, dizendo que não sabia de nada, movimentou mais de R$ 20 milhões, embora seu “dono” legal more quase num casebre.

Esta é apenas uma das dezenas de revelações do inquérito que, dois anos depois do acidente, só aparece eventualmente no noticiário nacional, embora envolva todos os elementos para ser um escândalo de grande repercussão nacional: além da trágica morte de Campos, há o envenenamento de outro dos “laranjas” usados na aquisição do avião, Paulo Morato, encontrado morto em um quarto de motel.
Mas você só vai ler sobre isso nos blogs, como o de Noélia Brito e o Blog de Jamildo, do Jornal do Comércio do Recife.

Muito embora, claro, todo mundo saiba que rolou muito dinheiro sujo na campanha do candidato que, com sua vice, proclamavam a “nova política”. Tanto que, em setembro de 2014, até este desinformado Tijolaço publicava que “Eduardo Freire Leite Bezerra, vulgo Eduardo Ventola, cuja microempresa (sim, microempresa) Ele Leite Negócios Imobiliários Ltda. passou R$ 727 mil para o pagamento do jato à AF Andrade desfila em paz com o helicóptero Robinson PR-EDL (de Eduardo Leite, porque eles adoram batizar seus brinquedinhos com seus nomes)  sem que ninguém o aborde”.

Praticamente há dois anos, portanto.

.

Nº 19.607 - "Ombudsman confirma crime da Folha. Só isto? "

 

25/07/2016

Ombudsman confirma crime da Folha. Só isto?


 

Do Blog do Miro - segunda-feira, 25 de julho de 2016


Por Altamiro Borges


A famiglia Frias, dona do Datafolha e da Folha, visitou o inferno neste final de semana. A grosseira manipulação de uma pesquisa, com o nítido intento de beneficiar o Judas Michel Temer na véspera da votação do impeachment de Dilma, foi alvo de ácidas críticas dos internautas no Brasil e no mundo. O site “The Intercept”, do premiado jornalista estadunidense Glenn Greenwald, desnudou a “fraude jornalística”.

A blogosfera nativa, que tanto incomoda os barões da mídia e os censores do covil golpista, não poupou o partidarismo do império midiático. Talvez preocupada com a perda de credibilidade do jornal – que resulta na queda de tiragem e na fuga de anunciantes –, a ombudsman da Folha, Paula Cesarino Costa, postou uma crítica ao próprio jornal neste domingo (24).

Intitulado “A Folha errou e persistiu no erro”, o texto começa confirmando o desgaste: “É preciso reconhecer que a semana que passou foi amarga para o Datafolha e para a Folha. Desde que assumi o mandato, nenhum assunto mobilizou tanto os leitores. Do total de mensagens recebidas desde quarta-feira, 62% foram críticas e acusações ao jornal. Variavam de fraude jornalística e manipulação de resultados a pura e simples má-fé, passando por sonegação de informação e interpretação tendenciosa. A questão central está na acusação de o jornal ter omitido, deliberadamente, que a maioria dos entrevistados (62%) pelo Datafolha se disseram favoráveis a novas eleições presidenciais, em cenário provocado pela renúncia de Dilma Rousseff e Michel Temer”.

De forma discreta, a ombudsman até reconhece a força da blogosfera, ao citar o papel dos “sites The Intercept, do jornalista Glenn Greenwald, e Tijolaço, do jornalista Fernando Brito, que acusaram a Folha de ‘fraude jornalística com pesquisa manipulada visando alavancar Temer’”. Mas não deixa de satanizar a mídia alternativa, bem ao gosto dos patrões, insinuando que ela “alimenta teorias conspiratórias”. Ela também tenta amenizar as críticas à “sua” empresa, afirmando que “diante da polêmica, Folha e Datafolha optaram por divulgar link para o relatório completo” da pesquisa. O editor-executivo do jornal, o subserviente Sérgio Dávila, também tenta explicar o inexplicável no texto maroto da ombudsman.

Após vários ziguezagues, Paulo Cesarino conclui que “a Folha errou e persistiu no erro”. Para ela, “o jornal cometeu grave erro de avaliação. Não se preocupou em explorar os diversos pontos de vista que o material permitia, de modo a manter postura jornalística equidistante das paixões políticas. Tendo a chance de reparar o erro, encastelou-se na lógica da praxe e da suposta falta de apelo noticioso. A reação pouco transparente, lenta e de quase desprezo às falhas e omissões apontadas maculou a imagem da Folha e de seu instituto de pesquisas”.

Tendo chegado a esta conclusão, fica a pergunta: o Grupo Folha, da golpista famiglia Frias, cometeu um crime premeditado, visando influenciar a votação do impeachment de Dilma no Senado e interferir nos rumos políticos do país, e não será punido? Basta a crítica da ombudsman? Só isto? Não seria o caso do Ministério Público começar a investigar as corriqueiras fraudes nas pesquisas de opinião, que servem de munição para as gritantes manipulações da mídia?
.

Nº 19.606 - "Gerson Carneiro: Suplicy é preso por defender desfavorecidos; Cunha segue solto com contas na Suíça para esconder propinas"

 

25/07/2016

Gerson Carneiro: Suplicy é preso por defender desfavorecidos; Cunha segue solto com contas na Suíça para esconder propinas


Do Viomundo - 25 de julho de 2016 às 14h42


 


Vídeo enviado por Artur Scavone


Ex-senador Eduardo Suplicy é detido durante reintegração de posse em SP


Redação/RedeTV!, sugestão de Gerson Carneiro*

O ex-senador e candidato a vereador pelo PT Eduardo Suplicy deitou no chão para impedir a reintegração de posse nesta segunda-feira (25) na ocupação Terra Pelada, no Jardim Raposo Tavares, zona oeste da cidade de São Paulo, e acabou sendo detido pelos Policiais Militares. A ação foi registrada pelo programa Melhor Pra Você.

Em entrevista ao portal da RedeTV!, Suplicy contou que estava sendo levado para o 75ªDP, no Jardim Arpoador. Mas não quis dar detalhes sobre a detenção, já que ainda estava na viatura da polícia. Segundo a Polícia Militar, ele foi detido por obstrução da Justiça e desacato a autoridade.

A assessoria do ex-senador também informou sobre o ocorrido em sua página oficial do Facebook.

Ainda por meio da rede social, a assessoria disse que Suplicy estava no local “para evitar a violência da PM”.

Com a prisão, internautas passaram a utilizar a hashtag#FreeSuplicy  para pedir a soltura do ex-senador.

Reintegração de Posse

Os moradores protestam desde o início da madrugada contra a reintegração. Manifestantes soltaram rojões a jogaram pedras nos militares da Tropa de Choque, que revidou com bombas de efeito moral. Eles também fizeram barricadas, atearam fogo a pneus e tentaram queimar um ônibus.

Às 9h30, a ordem de reintegração não havia sido cumprida. De acordo com a PM, o oficial de Justiça ainda não chegou ao local, na Rua José Porfírio de Souza.

A área pertence à prefeitura de São Paulo. Segundo decisão da Justiça, emitida pela 9ª Câmara de Direito Público, o local apresenta alto risco de deslizamento, por ser região de encostas.

Parecer da Defesa Civil avalia que as construções precárias na área aumentam os riscos de desabamentos e até mesmo de incêndio. “Há ainda muito lixo e entulho no local, bem como árvores queimadas e visível dano ambiental”, diz a avaliação.

suplicy e cunha-001

Gerson Carneiro, no Facebook

Brasil bizarro.
Dois Eduardos:
Eduardo Suplicy é preso por defender pobres desfavorecidos.
Eduardo Cunha está solto com contas na Suíça para esconder propinas.
Vem meteoro.
.

Nº 19.605 - "Patrus: governo golpista está destruindo a agricultura familiar"

Em nota, Ananias afirmo que, "há mais de dois meses, o governo ilegítimo de Michel Temer começou a impor e ameaça impor ainda mais, às estruturas e às políticas públicas de apoio à agricultura familiar, um desmonte que já seria grave se fosse irresponsável. Mas é pior do que isso. Os golpistas estão submetendo a agricultura familiar a algo muito semelhante a um crime ou a uma série de crimes contra o Brasil, os brasileiros e as brasileiras".

"O governo golpista extinguiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Desmontou a estrutura do MDA. Imobilizou o INCRA. Destituiu o comando da ANATER. Desfez políticas. Engavetou, suspendeu e destruiu projetos e programas. Arrasou programas fundamentais como o PAA, de aquisição de alimentos; o Mais Gestão, de apoio ao cooperativismo; o Minha Casa Minha Vida Rural", disse.

Leia o texto na íntegra:

Nesta segunda-feira, 25 de julho, movimentos rurais estão nas ruas de várias cidades. É o dia do trabalhador e da trabalhadora rural, do agricultor e da agricultora familiar. E é, na agenda deles - com que nos solidarizamos todos os que lutamos pela democracia e pela justiça social - outro dia de resistir à devastação que o governo golpista instalado no Brasil está fazendo e a que ameaça fazer contra a agricultura familiar e, de modo geral, contra as políticas sociais desenvolvidas nos governos Lula e Dilma.

É imperioso lembrar que os agricultores e as agricultoras familiares e os assentados da reforma agrária produzem 70% dos alimentos que o povo brasileiro consome. Então, práticas e políticas públicas que prejudiquem a agricultura familiar são, além de danosas aos produtores, dramaticamente perversas aos interesses populares.

Há mais de dois meses, o governo ilegítimo de Michel Temer começou a impor e ameaça impor ainda mais, às estruturas e às políticas públicas de apoio à agricultura familiar, um desmonte que já seria grave se fosse irresponsável. Mas é pior do que isso. Os golpistas estão submetendo a agricultura familiar a algo muito semelhante a um crime ou a uma série de crimes contra o Brasil, os brasileiros e as brasileiras.

O governo golpista extinguiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Desmontou a estrutura do MDA. Imobilizou o INCRA. Destituiu o comando da ANATER. Desfez políticas. Engavetou, suspendeu e destruiu projetos e programas. Arrasou programas fundamentais como o PAA, de aquisição de alimentos; o Mais Gestão, de apoio ao cooperativismo; o Minha Casa Minha Vida Rural...

E, enquanto produz ruínas, proclama ou promete recriar o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Esta hipótese não está associada pelos golpistas aos interesses maiores do país pela agricultura familiar. Toda a mídia parceira do governo provisório afirma que a possibilidade de volta do MDA está associada aos interesses de meia dúzia de golpistas que reclamam mais cargos.

E por aí eles vão. De improviso em improviso, é evidente; mas sempre no mesmo rumo: o de inviabilizar ou, no mínimo, debilitar a agricultura familiar e favorecer outros negócios, entre eles os agronegócios.
Querem porque querem submeter a produção de alimentos e, portanto, a segurança alimentar do povo brasileiro a um modelo de agronegócio cujas limitações estão, neste exato momento, se traduzindo pela falta, pela necessidade de importação e pela alta dos preços do feijão e do arroz.

Estão comprometidos em favorecer a produção e o uso de agrotóxicos - até já liberaram a pulverização aérea de agrotóxicos nas cidades, a pretexto de combater mosquito.

Trabalham para alterar a legislação de modo a permitir que estrangeiros comprem terras no Brasil.
Preparam uma reforma previdenciária para sacrificar ainda mais os trabalhadores e as trabalhadoras das cidades e dos campos...

Nós reafirmamos nosso compromisso com outra agenda, oposta à deles.

Trabalhamos e continuaremos a lutar pela proteção ao trabalhador e à trabalhadora rural. Defendemos a previdência rural como justiça social.

Trabalhamos e continuaremos a trabalhar pela reforma agrária e por uma larga expansão, na agricultura familiar, da produção de alimentos saudáveis.


Patrus Ananias
.

Nº 19.604 - "Estrella: não há lugar para bonzinhos no pré-sal"



25/07/2016 

 

Estrella: não há lugar para bonzinhos no pré-sal





:


Paulo Moreira Leite

Na terceira parte da entrevista exclusiva ao 247, o geólogo Guilherme Estrella, líder da equipe que descobriu o pré-sal brasileiro, explica o caráter enganoso do debate sobre mudanças na legislação que garante o lugar da Petrobras como operadora exclusiva de pesquisas de gás e petróleos situadas milhares de quilômetros abaixo do nível do mar. Enquanto os aliados da proposta de José Serra tentam construir a versão amena de que se trata de uma opção de caráter técnico, sem maiores consequências para o país, Estrella demonstra que o fim da exclusividade da Petrobras como operadora única do pré-sal envolve medidas e possibilidade que terão um caráter decisivo no futuro, quando a soberania de cada país no plano energético tende a desempenhar um papel fundamental em seu desenvolvimento. Estrella também faz um balanço da experiência da Petrobras fora do país, na década de 1970, quando o governo brasileiro furou o bloqueio que as grandes potências queriam impor ao Iraque.

BRASIL 247 – Só para retornar ao ponto urgente em discussão no Congresso, que envolve o projeto sobre o pré-sal brasileiro, a maior reserva de petróleo nos últimos 50 anos. O ponto central da mudança envolve retirar a Petrobras da condição de operadora única do pré-sal. Falamos disso na segunda parte da entrevista, mas eu gostaria de saber se o senhor gostaria de acrescentar algo.
GUILHERME ESTRELLA – Eu acho importante reconhecer que na disputa pela soberania energética das nações, não há lugar para bom mocismo nem ingenuidade. É guerra entre mastodontes, que frequentemente envolve ações típicas de pirataria, em pleno século XXI, e também pode levar a confrontos abertos. A regra é: escreveu não leu, aparecem porta aviões ou cruzadores -- quando as reservas estão no mar.

BRASIL 247 – O senhor não está exagerando?
GUILHERME ESTRELLA  Precisamos entender que “operador” de uma área está longe de ser apenas uma equipe técnica que cumpre determinações de quem obteve a concessão para pesquisar e explorar petróleo. Todas as empresas que participam de uma licitação vencedora, mesmo que não tenham a maioria das cotas, adquirem um status de “proprietário” das instalações, sistemas submarinos, navios de produção, equipamentos, tubulações de transferência. O operador é quem manda e desmanda. São as equipes do operador que, a bordo, embarcadas ou em terra, assumem a coordenação das operações. Também são elas que se apropriam, manuseiam e interpretam todos os dados de engenharia e geologia das rochas que produzem petróleo e gás natural dos sistemas implantados. Este sistema é cuidadosamente tratado pelo operador. Os segredos são guardados a sete chaves, pois são informações absolutamente confidenciais, apontam para novas descobertas e prioridades de investimentos.

BRASIL 247 – Para os leigos, esse debate sobre “operador exclusivo” parece um debate técnico, sem maiores consequências na exploração do petróleo, sem nenhuma implicação sobre a soberania de uma nação...
GUILHERME ESTRELLA – As “prerrogativas” do operador têm um incalculável valor científico, tecnológico e financeiro para a empresa que comanda os trabalhos. Imaginemos uma gigantesca instalação de uma empresa estrangeira, que trabalha para o país-sede e até se confunde com seu governo, produzindo enormes volumes de petróleo e gás natural, insumos estratégicos, essenciais, para seus países de origem. Em termos financeiros, coisa de uma dezena de bilhões de dólares investidos. A bordo, centenas de cidadão estrangeiros: técnicos, engenheiros, geólogos, especialistas de alto padrão profissional. Peculiaridade: este magnífico sistema industrial marítimo se localizada a 300 km de nossa costa, nas proximidades dos limites de nossa zona econômica exclusiva, a chamada “Amazonia Azul.” Pois bem. Como é frequente em investimentos dessa natureza, chega um dia em que surgem divergências de qualquer tipo. Nas últimas décadas, no mundo do petróleo e gás, essas divergências têm sido muito comuns, como todos sabemos. Neste caso, o Brasil, no exercício de sua soberania, toma a decisão de intervir nas instalações. Estamos falando de uma decisão de envergadura, quando um acordo comercial se torna uma questão política. Alguém poderia me dizer o que aconteceria? A Marinha certamente está preocupada com isso.

BRASIL 247 – Em 1976, o senhor participou da descoberta do campo de Majnoon, no Iraque, um dos grandes campos de petróleo do mundo, na época, episódio que também produziu ensinamentos úteis para o Brasil. Como foi?
GUILHERME ESTRELLA – A história do super campo de Majnoon, com uma reserva que chegamos a estimar em 80 bilhões de barris, é especialmente importante, porque ajuda a entender o caráter criminoso que pode assumir a disputa pelas áreas ricas  em petróleo. Este campo era o verdadeiro alvo, o grande botim procurado pelos invasores do Iraque em nome da chamada Colização da OTAN, promovendo um genocídio que envergonha qualquer noção de civilização. A barbárie promovida no Iraque, com base na mentira inventada de que o país possuía armas de destruição em massa, é uma lição exemplar sobre a absoluta falta de qualquer sentido ético por parte do esforço das grandes potências para garantir seu suprimento de gás e petróleo. A causa real dessa invasão, um ato de pirataria em pleno século XXI, foi a tentativa, apoiada por tropas e forças mercenárias, de recuperar Majnoon.

BRASIL 247 – Qual a relação da Petrobras com Majnoon?
GUILHERME ESTRELLA – No início da década de 1970, o Brasil vivia uma fase de grande crescimento econômico. Mas, naquele tempo, nossa produção de petróleo era baixa: as importações cobriam 80% das necessidades do país.  Não tínhamos pesquisas apuradas, capazes de identificar a riqueza de nossos reservas e, por isso, em 1972 foi criada a Petrobras Internacional, Braspetro. Sua missão era explorar e produzir petróleo no exterior, usando a tecnologia que já possuíamos para reforçar o suprimento nacional. Em julho de 1971, o governo do Iraque nacionalizou as empresas estrangeiras que controlavam o setor de petróleo e gás do país. Numa decisão obviamente a mando dos países de origem dessas empresas – Estados Unidos, Reino Unido, França e Holanda – a Corte Internacional de Haia decretou o bloqueio do petróleo iraquiano, que a partir de então não poderia ser comercializado. Era uma forma de estrangular um esforço legítimo de um país por sua soberania, que inclui o melhor aproveitamento possível dos recursos naturais, que deve ser assegurado a toda nação. Em 1973, o preço do barril de petróleo quadriplicou. Numa medida que seria seguida por outros países, que se recusavam a arcar com um prejuízo que não lhes dizia respeito, o governo brasileiro decidiu quebrar esse o bloqueio. Naquele período, Ernesto Geisel era o presidente da Petrobras. Os países da OPEP fizeram um movimento na mesma direção. Para estimular a chegada de investimentos de fora, criaram a categoria de “cliente preferencial”, que envolvia um conjunto de facilidades para países importadores dispostos a exploração petróleo em seus territórios.  Era uma decisão política, como tudo o que acontece no petróleo.

BRASIL 247 – Quando Braspetro decidiu ir para o Iraque?
GUILHERME ESTRELLA – A empresa foi para o Iraque em 1973, logo iniciando os trabalhos de exploração. Mesmo com apoio de excelentes estudos de geologia de superfície e de geofísica, nós sabemos que é um trabalho de risco.  O primeiro poço foi aberto -- sem sucesso. Mas aprovamos a perfuração de um segundo poço. Era Majnoon, onde assumi, em 1976, o cargo de gerente de exploração. Num trabalho de equipe, que envolveu vários profissionais por um longo período de estudo, e que não deve de forma alguma ser visto como fruto de uma ação individual, logo  surgiram sinais de que se tratava de uma reserva realmente enorme. Tão grande que, nos anos seguintes, era possível perceber que havia sido criada uma situação insustentável, do ponto de vista político e estratégico. O governo do Iraque não tinha condições de deixar a exploração de Majnoon com uma empresa de país estrangeiro, ainda que fosse do Brasil, país que se recusara a participar do boicote. Em 1978, o contrato foi suspenso. É bom reconhecer que não éramos donos de Majnoon. Éramos prestadores de serviço do governo iraquiano, apenas.

BRASIL 247 – O que aconteceu depois?
GUILHERME ESTRELLA – Foi feito um grande movimento, por parte do governo dos Estados Unidos e seus aliados, para recuperar a situação anterior. Entramos, assim, numa época em que a disputa pelo abastecimento de petróleo, até hoje responsável por 90% da energia que move a economia e a vida cotidiana do planeta, assume o caráter aberto de uma disputa militar permanente. Ela provocou a destruição da Líbia como país e como sociedade organizada. Idêntica situação viveu o Egito. O povo foi à rua e derrubou uma ditadura de 40 anos. O novo presidente, eleito democraticamente, só precisou murmurar que, em sua opinião, os contratos de gás natural do Delta do Nilo precisavam ser revistos, em benefício da população do país. Semanas depois, foi deposto e uma nova ditadura instalada no país. O que está acontecendo no Brasil, país que acabou de descobrir imensas reservas de seu petróleo e gás, as mais promissoras em 50 anos

BRASIL 247 – O que está acontecendo?
GUILHERME ESTRELLA  Tudo o que os governos que representam as grandes empresas de petróleo desejam é retornar ao mundo anterior a 1971. Convém lembrar que nessa época toda resistência era vencida pela força, como aconteceu com o golpe que instaurou a ditadura pró-Estados Unidos de Reza Pahlevi, e na intervenção na Argélia.


Paulo Moreira Leite. O jornalista e escritor Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em Brasília
 .