quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Nº 22.114 - "A previsibilidade do caos"


17/08/2017

A previsibilidade do caos



 ·Do Tijolaço - 17/08/201



Fernando Brito

Hão de se recordar os leitores deste blog que, ontem mesmo, escreveu-se aqui “A “batalha” da meta agora é no Congresso” e que começaria “se tanto, na semana que vem”.
Já começou, claro e a Folha dá manchete para o processo de chantagem que começou sobre um governo que, carente de qualquer legitimidade, precisa “acochambrar” despesas que crescem inexoravelmente, apesar das tesouras impiedosas sobre os gastos que são a razão de ser do Estado e receitas que encolhem como roupa da má qualidade, arrochando e sufocando o infeliz que está dentro dela.
Nenhum mérito na antecipação: tudo o que é feito erradamente, dá errado.
Tal como a situação de um sujeito que ganha cada vez menos, a solução de cortar despesas é necessária, mas está longe de ser o suficiente.
Um gráfico da edição de hoje da Folha mostra com clareza solar o que está acontecendo com nossas contas.
Olhe aí ao lado: repare que a receita começa a cair quando o PIB, retrato da atividade econômica, perde força e embica para baixo.
Como isso é uma proporção, não vale o argumento de que é assim mesmo, que quando se produz menos riqueza é natural que se arrecade menos impostos.
Sim, isto é correto, mas como explicar que a queda fiscal seja mais acentuada que a queda da economia como um todo? Há várias causas, com as quais os economistas poderiam encher páginas, desde o crescimento da sonegação fiscal até a concentração das fontes de receita sobre setores que caíram mais que a média (a indústria) e a pouca oneração naqueles que menos sofreram, ou até se expandiram (o agronegócio).

resprim
Como o gráfico evidencia, “o pato é relativo”, porque a carga tributária efetiva caiu de perto de 20% do PIB para algo em torno de 17%, Não é pouco, convenhamos: uma sobre outra representa uma redução de 15%.
O que acontece, porém, é que pagar um pouco menos quando se ganha menos dói mais que pagar um pouco mais quando se ganha mais e, sobretudo, quando se tem a expectativa de ganhar ainda mais.
E que pagar menos quando os serviços pelos quais se paga (saúde, educação, mobilidade urbana, para nós, mortais; infraestrutura, logística, obras, para os empresários) decaem ou se anulam, tirando de pessoas e empresas a perspectiva de bem-estar ou progresso acentua a ideia da inutilidade do pagamento.
Agora tempere isso com o bombardeio diário, minuto a minuto, de que a causa da decadência da economia e da precarização do Estado é a roubalheira dos políticos e os privilégios de servidores (e ambos, de fato acontecem, mas estão longe de ser a causa deste processo), tudo sancionado por uma matilha de justiceiros erigidos em heróis nacionais,  e você terá transformado o país num pântano que, não por acaso, define sua natureza pela própria estagnação.
No pântano, a fauna que prospera são os jacarés, as cobras e os mosquitos.
Não sairemos desta situação com “medidas administrativas de gestão”. É preciso abrir os diques financeiros que fizeram a água econômica parar de correr no Brasil.
De um lado, travando o sorvedouro da dívida pública, que avança celeremente. Quanto mais se o adiar, mais severo ele terá de ser. Bobagem dizer que está esgotado o modelo de crescimento pela elevação do consumo, porque o consumo está deprimido e é ele quem mais rapidamente responde em arrecadação e emprego. E a equação se fecha com a mobilização de parte dos recursos que temos represados em nossas reservas cambiais para repor o caminhão dos investimentos públicos em movimento.
Mas nada disso se faz e ficamos na inglória tarefa de cortar do essencial e ter de ceder no que é irrelevante, fisiológico e socialmente iníquo.
Romper estes diques não é obra para anões espertos, é para gigantes teimosos.
É por isso que jacarés, cobras e mosquitos o importunam e tentam destruir o único que temos disponível para essa tarefa hercúlea.
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Nº 22.113 - "Rombo permitirá a Temer comprar mais votos liberando emendas"

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17/08/2017


Rombo permitirá a Temer comprar mais votos liberando emendas


Brasil 247 - 17 de Agosto de 2017





Tereza Cruvinel



O “desajuste fiscal” de Temer e Meirelles, gerador de um déficit público futuro adentro que somará R$ 726 bilhões entre 2017 e 2020, traz imensos danos ao país, mas propicia um “benefício político” ao governo. Logo que o aumento do rombo deste ano para R$ 159 bilhões for aprovado pelo Congresso (via alteração na LDO), o governo vai liberar recursos para várias rubricas, inclusive mais de R$ 1 bilhão para emendas parlamentares.

O valor total destinado a emendas foi parcialmente contingenciado, por força de lei, em valores proporcionais aos recursos orçamentários contingenciados este ano para tentar cumprir a meta, agora estourada. 

E com isso Temer, que torrou a “munição” de emendas autorizada com a rejeição da primeira denúncia de Rodrigo Janot por corrupção passiva, agora vai dispor do poder de liberar mais verbas aos parlamentares para enfrentar uma segunda denúncia. Poderá usá-las, inclusive, para agradar aos aliados na labuta que será a aprovação de medidas do pacote de medidas restritivas anunciado anteontem, como as maldades dirigidas aos funcionários públicos. Ou, quem sabe, para arrancar medidas empacadas como o Refis e a reoneração da folha de pagamento das empresas. Está visto que os deputados não estão dispostos a se desgastarem com tais medidas, a menos que recebam uma boa compensação. Emendas compensam o desgaste porque eles podem faturar junto aos eleitores estas verbas destinadas a obras municipais ou regionais.

Para enterrar a primeira denúncia o governo gastou R$ 4,5 bilhões em emendas. Segundo  um levantamento do Estadão, o governo poderá liberar R$ 1 bilhão a mais até dezembro se a nova meta fiscal, que deveríamos chamar anti-meta, for aprovada pelo Congresso. De cara, o governo deve autorizar despesas da ordem de R$ 10 bilhões em várias setores, incluindo neste pacote a liberação das emendas que estão contingencias. 

A matéria do Estadão identifica a possibilidade de liberação de novas emendas mas não aponta o destino político a que estão reservadas. Mas não há dúvida, e os deputados já esperavam por isso. Elas serão usadas, fundamentalmente, para barrar uma segunda denúncia e para tirar o governo de outros sufocos no Congresso, agora que a base começou a esfarelar a olhos vistos.



TEREZA CRUVINEL. Colunista do 247, Tereza Cruvinel é uma das mais respeitadas jornalistas políticas do País

Nº 22.112 - "Exclusivo: Maria do Rosário, que levou Bolsonaro à condenação, vai pedir à PF que identifique grupo de eleitores dele que promoveu linchamento digital; ouça as ofensas"

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17/08/2017

Exclusivo: Maria do Rosário, que levou Bolsonaro à condenação, vai pedir à PF que identifique grupo de eleitores dele que promoveu linchamento digital; ouça as ofensas


Do Viomundo 17 de agosto de 2017 às 00h04
  
Reprodução da sequência de comentários feitos no whatsapp no grupo Bolsonaro 2018, ao qual o número de Maria do Rosário foi adicionado sem autorização da petista
por Conceição Lemes e Luiz Carlos Azenha
A deputada Maria do Rosário (PT-RS) quer que a Polícia Federal identifique eleitores de Jair Bolsonaro que promoveram o ‘linchamento virtual’ dela num grupo de whatsapp.
O episódio foi denunciado pela deputada no twitter: “Informo q +uma vez grupos criminosos de apoio ao deputado hj condenado descobrem na Câmara meu nº e usam whats para agressões sem limite”.
Bolsonaro teve a condenação confirmada pelo STJ por 4 a 0 no episódio em que ofendeu Maria do Rosário dizendo que ela era muito feia para ser estuprada. A condenação por danos morais prevê que ele se desculpe nos jornais, no Facebook e no You Tube.
Bolsonaro prometeu recorrer ao STF, onde já responde por injúria e incitação ao estupro, ações movidas respectivamente por Maria do Rosário e pelo Ministério Público.
As ações foram unificadas. O depoimento da deputada será no próximo dia 23. Em 15 de setembro será ouvido o repórter Gustavo Foster, do Zero Hora, para o qual Bolsonaro repetiu a ofensa que havia feito na Câmara.
A advogada da deputada, Camila Gomes, espera que uma eventual condenação de Bolsonaro no STF o torne inelegível para 2018.
Em reação à condenação no STJ, eleitores de Bolsonaro incluiram o numero de Maria do Rosário em um grupo de whatsapp e passaram a promover o linchamento virtual dela.
Viomundo conseguiu contato telefônico com o homem que administra o grupo, de primeiro nome Aldimar.
Ele se disse morador de Manacapuru, no estado do Amazonas. Repetiu ofensas a Maria do Rosário, se disse um cristão fervoroso e afirmou que o grande erro de Hitler foi não ter matado todos os judeus.
A foto de perfil de Aldimar é a mesma utilizada numa rede social por um sargento da Força Aérea Brasileira que serve em Manaus. Ele não respondeu a nossas tentativas de confirmar a identidade.
Ligações para outros números de telefone que aparecem no grupo não foram respondidas.
Viomundo obteve com exclusividade não apenas os prints das mensagens que ficaram registradas no telefone utilizado pela deputada, como os áudios ofensivos (ouça abaixo).
Dois homens e uma mulher se revezam fazendo ameaças. “Te coloquei aqui apenas para zoar contigo”, diz Aldimar, o homem que incluiu Maria do Rosário no grupo e se disse decepcionado com Hitler ao conversar com o Viomundo.
“Tem que primeiro aterrorizar ela”, diz uma voz de mulher, que se identifica como Loca, quando Aldimar fala em tirar a deputada do grupo.
Um outro participante, de nome Jhony, faz uma série de ameaças e diz que contatos de Eduardo Bolsonaro, o filho de Jair Bolsonaro, fazem parte do grupo.
“Vaca” e “vagabunda” são usados a todo momento. Jhony diz que vai grampear o telefone de Maria do Rosário usando o setor de inteligência da polícia civil, sem entrar em detalhes.
O número ligado ao perfil dele tem código de acesso do Espírito Santo.
Ameaças também são feitas à família da deputada. A tentativa é mesmo de aterrorizar com mensagens repugnantes.
Refletem o que vai pela cabeça dos brasileiros que pretendem eleger Jair Bolsonaro presidente da República em 2018.
Estão em sintonia com fenômenos como o da ascensão do neonazismo na Europa e nos Estados Unidos.
Segundo a assessoria da deputada, o pedido será para que a Polícia Federal identifique todos os integrantes do grupo. O passo seguinte será decidido posteriormente.
Ouça abaixo a sequência de áudios dos eleitores de Bolsonaro:

Nº 22.111 - "EM ‘GRANDE VIAGEM’ PELO NORDESTE, LULA DIRÁ QUE O PT ESTÁ DO LADO DO POVO"


17/08/2017

EM ‘GRANDE VIAGEM’ PELO NORDESTE, LULA DIRÁ QUE O PT ESTÁ DO LADO DO POVO



Brasil 247 - 17 DE AGOSTO DE 2017 ÀS 13:27 



Em vídeo divulgado nas redes sociais nesta tarde, quando começa a caravana por nove estados do Nordeste, a partir da Bahia, o ex-presidente Lula anuncia que fará "uma grande viagem" para "ver de perto" as obras que realizou em seu governo, além de "ouvir as pessoas"; "Foi indústria, porto, refinaria, gasoduto, a transposição do São Francisco, as cisternas, o Bolsa Família, o Luz Para Todos, as novas universidades e escolas técnicas", lembra ele; "E para dizer que o PT estará sempre ao seu lado", completa, num prenúncio de volta em 2018


247 - No dia em que inicia sua Caravana pelo Nordeste, por onde andará, de ônibus, por 25 cidades dos nove estados da região, o ex-presidente Lula divulgou um vídeo nas redes sociais que indica o anúncio do que ele espera ser sua volta à presidência em 2018. 

Lula diz que fará "uma grande viagem" para "ver de perto" as obras que realizou durante seu governo. "Foi indústria, porto, refinaria, gasoduto, a transposição do São Francisco, as cisternas, o Bolsa Família, o Luz Para Todos, as novas universidades e escolas técnicas", lembra ele.
Além disso, irá "ouvir as pessoas". "E para dizer que o PT estará sempre ao seu lado", finaliza (assista acima).

Lula começa sua viagem por Salvador, na Bahia, onde participará de mais uma fase da inauguração do Memorial da Democracia, às 17h, na Arena Fonte Nova.

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Nº 22.110 - "Lula lidera em todas as regiões do Brasil"


17/08/2017


Lula lidera em todas as regiões do Brasil




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Nº 22.109 - " '“O Judiciário virou instrumento contra todos que apoiam Lula, mas a cascavel aqui está viva', diz Roberta Luchsinger ao DCM "

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17/08/2017

“O Judiciário virou instrumento contra todos que apoiam Lula, mas a cascavel aqui está viva”, diz Roberta Luchsinger ao DCM

Diário do Centro do Mundo -  17 de agosto de 2017




Roberta Luchsinger

Por Pedro Zambarda de Araujo

Roberta Luchsinger tem 32 anos e é neta do ex-acionista do Credit Suisse, Peter Paul Arnold Luchsinger, e sobrinha de Roger Wright, alto executivo do mesmo banco no Brasil. Ela foi casada com o ex-delegado da Polícia Federal e ex-deputado pelo PCdoB Protógenes Queiroz, que encarou o caso Daniel Dantas na Operação Satiagraha. O ex-marido hoje está asilado na Suíça.

Roberta ganhou holofotes da mídia após anunciar a doação de R$ 500 mil ao ex-presidente Lula após o bloqueio de seus bens com a condenação em primeira instância do juiz Sérgio Moro.

Nesta quinta-feira (17), disse que vai dobrar o valor.

Isso ocorreu porque o juiz Felipe Albertini Nani Viaro, da 26ª Vara Cível de São Paulo, determinou que Roberta Luchsinger pague antes uma dívida de R$ 62 mil cobrada dela judicialmente por uma loja de decoração.

O magistrado deferiu o pedido de execução imediata da dívida. Determinou ainda que ela deve “abster-se de qualquer ato de disposição graciosa dos bens” até que salde o débito. O advogado de Roberta Luchsinger, Paulo Guilherme de Mendonça Lopes, disse que a cliente encomendou móveis que ficaram “muito mal feitos” e saldou parte do serviço.

O DCM falou com ela.

DCM: O juiz Felipe Albertini Nani Viaro pediu para executar uma dívida sua de R$ 62 mil. O que você acha disso?

Roberta Luchsinger: A decisão do juiz não nos surpreende. É incrível como o Poder Judiciário, em qualquer instância, se transformou num instrumento de luta política contra Lula e todos que o apoiam.


DCM: Você acha que esse tipo de decisão mostra que o Judiciário persegue pessoas pelo que elas pensam ou fazem?

RL: Não gosto de generalizar nada, mas é incrível como ele em qualquer instância se transformou num instrumento de luta política contra nós de fato.

Lula disse que a jararaca está viva e engordou, uma alusão à sua capacidade de sobreviver a qualquer adversidade. Eu digo que também sou resiliente, que a cascavel aqui também está viva e pronta para lutar contra a intolerância da direita e de seus representantes no Poder Judiciário.

DCM: Você quer doar R$ 1 milhão ao ex-presidente Lula e tem consciência de que seu ato foi político. Sendo herdeira de um ex-acionista do Credit Suisse, você sofreu represálias da elite brasileira?

RL: Minha doação ao presidente Lula tem um poder simbólico, porque mostra à sociedade o quanto um presidente como ele faz falta aos mais desfavorecidos.

Represálias de uma elite que olha apenas para seu próprio umbigo? Não vejo como contra mim, mas sim contra eles mesmos.  Estou mais preocupada em colaborar com o desenvolvimento social do país do que com críticas pejorativas.

Gosto de críticas quando são construtivas e escuto com maior prazer. Os que me criticam deveriam sair da zona de conforto e fazer algo pelo país.

DCM: Algum amigo pessoal deixou de falar contigo após a doação ao Lula?

RL: Meus amigos de verdade me conhecem e conhecem minha essência. Jamais deixarão de falar comigo por isso.

DCM: A sua atitude pode mover parte da elite que não é mais afetada pelo antipetismo?

RL: Acredito que sim. Tenho recebido com surpresa e entusiasmo muitas mensagens de pessoas que jamais imaginaria.

DCM: Qual é a sua leitura sobre a elite brasileira neste momento, com o governo Temer aumentando o rombo econômico?

RL: A elite desse país é mesquinha, provinciana, não sabe olhar além de seu umbigo. Mesmo diante do rombo, ela se nega a reconhecer que esse governo está levando o país para o buraco.

DCM: Você se envolve em programas sociais há algum tempo. Quais foram? Você pode explicar?

RL: Minha família sempre foi envolvida em trabalhos sociais. Meu tio Roger Wright por exemplo, fez uma creche em Búzios quando minha tia Barbara morreu há 20 anos. Meu pai doou em Minas há mais de 30 anos um terreno para que fosse construída uma escola. Quando minha filha Valentina fez um ano, eu pedi que fosse feitas doações a Casa das Crianças de Mirai, em Minas Gerais. Aqui em São Paulo há muitos anos eu mantenho projetos sociais. A comunidade de Brasilândia me conhece bem, estou sempre atendendo aos pedidos que me chegam em prol da comunidade, sempre participando ativamente.

Não faço só isso lá, pois ajudo outras comunidades de São Paulo, mas não fico por aí alardeando. Quando namorei o Gustavo Reis, atual prefeito de Jaguariúna, fui atrás de amigos para me ajudarem a doar ovos de Páscoa para que ele fornecesse às crianças.  Meu dia a dia é em busca de melhorar a realidade de comunidades que realmente precisam. Recebi recentemente na minha casa algumas mulheres da União Brasileira de Mulheres (UBM) para desenvolver uma ação voltada a educação.

DCM: Três gerações da sua família morreram num acidente aéreo em 2009. Eles teriam orgulho dos seus posicionamentos políticos hoje?

RL: Minha luta é pelo social, assim como sempre foi da minha família. Quem conhece a história da minha família, sabe o quanto ela sempre valorizou o trabalhador.

DCM: Você foi esposa do ex-delegado Protógenes Queiroz. Como você enxerga a Lava Jato e operações anticorrupção que só atingem o PT?

RL: Considero que a Operação Lava Jato transplanta modelos e conceitos jurídicos de outros países, provenientes do combate ao crime organizado. Ao meu ver ela fornece elementos para que instituições estrangeiras promovam ações contra os interesses nacionais.

Aniquilou empresas, exterminou postos de trabalho, dificulta a realização de acordos de leniência, entre outras ações. Ela constituiu um embrião de poder paralelo, instituindo medidas de exceção em lugar do Estado Democrático de Direito.

O protagonismo político da Lava Jato é indevido, fere o sistema de pesos e contrapesos entre os poderes da República. Ela é o partido mais agressivo do consórcio golpista. Creio que o real sentido político desta história é uma operação que tenta desabilitar o presidente Lula de se lançar candidato em 2018.

DCM: Alguns setores da esquerda criticam a ajuda que uma pessoa como você, que é rica, dá ao Lula. Como encara as críticas?

RL: Eleger Lula presidente é muito mais importante do que qualquer tipo de crítica relacionada à minha classe social. Estamos no momento que devemos vislumbrar a união máxima em prol do país. Eu quero ajudar Lula a ajudar milhões e milhões de brasileiros que precisam dele.

DCM: Como você entende o fato de Bolsonaro ter um percentual de intenção de voto vindo de gente com educação e posses?

RL: É birra de crianças mimadas. Eles sabem que Lula é o melhor para o Brasil, mas não querem aceitar isso. Então insistem no Bolsonaro, assim como insistiram no Aécio.

DCM: Você deve se lançar como deputada pelo PCdoB em 2018. Por que nesse partido?

RL: Na verdade já faço parte do PCdoB desde que fui casada com Protógenes. Tive oportunidade de conhecer de perto o partido e seus princípios.

Estou filiada no PCdoB porque o partido tem um projeto de desenvolvimento para o país que contempla o crescimento econômico com distribuição de renda que considero importante para a sustentabilidade.

Projeto que não é de hoje. Desde 2014 o partido defende isso. Me sinto absolutamente à vontade no PCdoB.

Tirar Dilma foi esfaquear a democracia. Deu no que deu … no que estamos vivendo hoje.

DCM: Você acha que o PT errou quando esteve no poder?

RL: Teve mais acertos que erros. Isso é um fato inegável. Acredito que em relação ao erros podemos apontar alguns exemplos do ciclo Lula/Dilma.

Foi um erro grave ter mantido intacta a estrutura conservadora do Estado. A democratização, a modernização do Estado e o combate ao poder exorbitante das corporações de agentes públicos foram um tema que passou ao largo e, no geral, foi tratado quase sempre com um falso republicanismo. Igualmente grave foi ter sido tratado como intocável o monopólio dos meios de comunicação. A regulamentação do setor, em alguma medida, deveria ter sido realizada.

Houve uma subestimação da luta de ideias, da necessidade de informar e politizar o povo através de meios e instrumentos diversos. O governo não se empenhou devidamente pela Reforma Política democrática. Em consequência, adentrou em um verdadeiro campo minado que, estruturalmente, o expôs a denúncias de corrupção que, manipuladas pela grande mídia, provocaram uma fratura na confiança que o povo depositava no governo e na esquerda.

Provou-se correta a concepção tática de que a esquerda nem vence e nem governa sem alianças, sem constituir maioria no Congresso Nacional e na sociedade. São indispensáveis coalizões amplas, firmadas em torno de programas e lideradas pelas forças progressistas e de esquerda.

Foi um erro a não realização, ainda que de modo parcial, das reformas estruturais. No período 2007-2012, estabeleceu-se correlação de forças mais favorável, criando espaço para se tentar implementar as reformas, mas os governos Lula e Dilma não souberam aproveitá-lo. Faltou-lhes visão, convicção e decisão política.


Pedro Zambarda de Araujo. Escritor, jornalista e blogueiro. Autor do projeto Geração Gamer, que cobre jogos digitais feitos no Brasil. Teve passagem pelo site da revista EXAME e pelo site TechTudo.
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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Nº 22.108 - "Cafeína - A resistência contra o golpe é crescente"

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16/08/2017


Cafeína - A resistência contra o golpe é crescente



Do Cafezinho - 16/08/2017




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Nº 22.107 - "CONSOLIDADO NA DIANTEIRA, LULA INICIA CARAVANA HISTÓRICA PELO NORDESTE"

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16/08/2017



CONSOLIDADO NA DIANTEIRA, LULA INICIA CARAVANA HISTÓRICA PELO NORDESTE


Brasil 24716 DE AGOSTO DE 2017 ÀS 13:18 

Nº 22.106 - "Manifestantes se reuniram no aeroporto, mas não levaram ovo"

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16/08/2017


Manifestantes se reuniram no aeroporto, mas não levaram ovo

DORIA É RECEBIDO COM PROTESTO EM NATAL








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Nº 22.105 - "Maranhão desmonta a farsa do Parente"

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16/08/2017

Maranhão desmonta a farsa do Parente


Golpe vai destruir a segurança energética do Brasil



Conversa Afiada - 16/08/2017


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O engenheiro Ricardo Maranhão, conselheiro da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), apresentou em Salvador, no último dia 27/VII, uma palestra com o título "Petróleo, Petrobras, Tecnologia e Soberania Nacional".
A brilhante explanação de Maranhão amarra todas as pontas soltas: após discutir o próprio conceito de energia e dissecar o papel geopolítico do petróleo ao longo da História, discute a questão brasileira, desde a gigantesca mobilização do movimento "O Petróleo é Nosso" até a descoberta do pré-sal.
Pré-sal, aliás, que ajuda a explicar as constantes tentativas de desmonte da Petrobras:
- Produção superior a um milhão e meio de barris por dia
- em dois anos, já produzia. Em oito anos, a produção atingiu 400 mil barris/dia.
- poços com extraordinária produtividade
E, então, Maranhão analisa a Operação Lava Jato. Logo de cara, ressalta: o problema não é o "combate à corrupção", mas a falta de preocupação com a preservação de empresas e da engenharia brasileira.
E destaca o papel do PiG na partidarização do debate.
Aliás, segundo Maranhão, "segmentos da mídia oligopolizada exageram a dimensão da dívida [da Petrobras]. Interesses bem identificados chegam a classificá-la como 'impagável', afirmando, leviana e irresponsavelmente, que a Petrobras está 'quebrada', 'falida' e 'só não entrou em recuperação judicial ou pediu falência' porque é estatal.
Entre as razões, aponta:
- entre 2009 e 2016, com exceção de 2012, a Petrobras sempre apresentou saldo de caixa superior a 15 bilhões de dólares
- o endividamento é positivo porque aumenta a geração de caixa, os lucros futuros, empregos, renda e pagamento de tributos
- palavras de Ivan Monteiro, diretor financeiro, em janeiro deste ano: "Independentemente da venda de ativos ou de captação de novos recursos, a empresa já dispõe dos recursos para cumprir seus comprmissos nos próximos 2,5 anos. Nossa posição de caixa é maior que todos os vencimentos (dívidas) de 2017 e 2018. Se a Petrobras não fizer nada nestes dois anos e meio, ela já tem recursos suficientes para cumprir com seu serviço da dívida".
- Entre 2010 e 2014 (fim do Governo Lula e primeiro mandato de Dilma), a dívida foi formada, sobretudo, devido a grandes investimentos, especialmente no pré-sal. Foram os maiores investimentos na história da empresa.
Sobre o famigerado "Plano de Desinvestimentos", ele ressalta o absurdo da ideia de vender ativos no valor de 34 bilhões de dólares até 2021. E ressalta:
- privatização disfarçada com o eufemismo "parcerias estratégicas"
- privatização inclui campos de petróleo, terrestres e submarinos, participações na petroquímica, usinas de biodisel e etanol, fábricas de fertilizantes, redes de dutos, instalações no exterior
- nem mesmo campos gigantes, com reservas de bilhões de barris, como Carcará, Lapa e Iara, ficam de fora
- esta venda de ativos é feita no pior momento, em conjuntura recessiva, desemprego, preços do óleo deprimidos
- a dívida pode ser alongada e paga sem despojar a companhia de ativos, estratégicos, geradores de caixa
- há, pelo menos, DEZ ALTERNATIVAS para saldar a dívida sem vender o patrimônio
- é um projeto desnacionalizante e entreguista, com transferência do patrimônio nacional ao capital estrangeiro
- desprovido de visão estratégica, o plano tira da Petrobras a condição de empresa integrada e a afasta da petroquímica, dos biocombustíveis (além de enfraquecer a sua participação no mercado de gás natural)
- e ainda contribui para o desemprego e o fechamento de unidades de produção em regiões carentes, desprestigiando a engenharia e a indústria nacional
- o plano transfere para o exterior o controle e as decisões sobre instalações vitais para nossa soberania
- enfraquece e ameaça o futuro da Petrobras.
- os ativos vêm sendo alienados a preços vis; deve-se considerar que a gestão da Petrobras, através do mecanismo do "impairment", promove desvalorização de cerca de 20 bilhões de dólares nos últimos exercícios
Maranhão estabelece as mais graves consequências das privatizações:
- o esquartejamento da empresa e a redução de seu porte
- ameaças à segurança energética do país
- criação de monopólios privados estrangeiros
- agravamento do processo de desnacionalização da Economia brasileira
- retrocessos tecnológicos
- aumento de preços para o consumidor
- prejuízo para a Engenharia e a Indústria do Brasil
- desequilíbrio no balanço de pagamentos com o incremento das remessas de lucros
- desemprego em massa
- maiores riscos de acidentes com prejuízos ambientais
- Estado perde o controle sobre a produção de recurso estratégico
- queda na arrecadação de tributos
- produção predatória
- concentração de poder econômico em grupos privados
E finaliza: todos os brasileiros devem se empenhar na consolidação, no fortalecimento e no crescimento da Petrobras.
Por essas e outras, o Pedro Malan Parente é um fortíssimo candidato a estrear o paredón do
C Af.

Nº 22.104 - "A 'batalha' da meta agora é no Congresso"

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16/08/2017

A “batalha” da meta agora é no Congresso



Do Tijolaço  · 16/08/2017


revmetaamorim


POR FERNANDO BRITO

Engana-se quem acha que a novela da meta fiscal terminou.

Recomeça – se tanto – na semana que vem.

É a decorrência lógica de tudo o que foi noticiado: que a “ala política” (o “centrão”) queria uma meta maior do que a “conta de chegar” de R$ 159 bilhões bancada por Henrique Meirelles.

Que – diga-se de passagem – parecia perdido e contando uma história inverossímil ontem, na apresentação dos números.

Recorde-se que os deputados têm, agora, dois “artigos” para negociar com Michel Temer.

A segunda denúncia de Janot e a aprovação da meta.

A primeira é som ou não, mas na segunda “tem jogo”.

Que não é de todo desinteressante para o governo e para a equipe econômica, desde que fique na “conta” do Congresso.

Porque os R$ 159 bilhões da nova meta têm um risco imenso de “estourarem”.

O déficit acumulado em 12 meses, até o mês passado, estava em R$ 164,7 bilhões. Neste valor, estão contidas as receitas  da Repatriação-1, algo como R$ 35 bilhões e, valores líquidos, já retirada a parte que foi para estados e municípios.

Com os possíveis R$ 10 bilhões do aumento dos impostos sobre combustíveis e as receitas de venda das usinas da Cemig, de um acerto do Refis e dos leilões do petróleo, a muito custo, sairiam os R$ 25 bilhões restantes.

E ainda se buscaria o milagre de que os rombos, mês a mês, sejam menores que os do final de 2016.

Como se vê, “pouca coisa”, não é?

A situação fiscal, como a dos times que ficam até o final na “zona de rebaixamento”, depende de uma “combinação de resultados”


Que, em geral, sem trocadilhos, em geral acaba em rebaixamento e troca de técnico.

Nº 22.103 - "Temer, Maia, Cármem. Os três pequenos poderes do grande país que encolheu"


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16/08/2017

Temer, Maia, Cármem. Os três pequenos poderes do grande país que encolheu


Do Tijolaço  - 16/08/2017

pequenos


POR FERNANDO BRITO


Do primeiro, é até pleonasmo falar de sua pequenez. Tudo o que se pode dizer é que tem é esperteza entre a corja.

De Rodrigo Maia, em tese presidente da Casa que representa a vontade popular, é alguém que não se envergonha de encher as bochechas e dizer que a agenda do parlamento deve ser a “do mercado”.

Não perde vaza em defender mais arrocho, mais cortes, mais retirada de direitos.

Cármem Lúcia, de quem se podia ainda fazer o elogio da nulidade e das falas juridicamente opacas, perdeu a modéstia e danou a fazer frases de algum efeito e nenhum sentido, como aquela dos “bons terem a ousadia dos canalhas” e esta agora do “eu não quero mudar do Brasil, quero mudar o Brasil”.

É no mínimo ridículo que a presidente (presidente, para não fazer a grosseria gratuita que fez a Dilma Rousseff) de um Tribunal Constitucional diga que quer “mudar o Brasil”, porque papel da instituição que preside é justamente o de guardar e preservar a constituição e seus princípios.

No entanto, a D. Cármem prestou-se ao papel de assegurar ao superjuiz Sérgio Moro, ontem, que tudo fará para que a ex-mais alta corte do País – antes que a República tivesse transferido sua capital para Curitiba, que manterá a prisão em segunda instância, desprezando a secular tradição jurídica de só sedimentar a culpa após o trânsito em julgado.

Será que é preciso explicar à D. Cármem que a prisão, no Brasil, na prática, vem antes da segunda e até antes da 1ª instância, com 40% dos nossos presidiários esperando julgamento, sem culpa formada?

Ou que a prestação jurisdicional é lenta, arrastada, medíocre e preguiçosa para com o cidadão comum?

Os três poderes da República brasileira estão entregues a pessoas miúdas, genuflexas, insensíveis à vida real e absolutamente desprovidas da capacidade de pensar em um país.


É gente deste tamanho que faz Lula parecer um gigante.

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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Nº 22.102 - "Dilma: essa meta é uma fraude!"

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15/08/2017

Dilma: essa meta é uma fraude!



O abuso virou catástrofe!


Conversa Afiada - 15/08/2017


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Conversa Afiada reproduz nota da Presidenta Dilma Rousseff:
O abuso virou catástrofe!
A FRAUDE DA META FISCAL
Antes do golpe, meu governo previa déficit de R$ 124 bi para 2016 e de R$ 58 bilhões para 2017, que seriam cobertos com redução de desonerações, a recriação da CPMF e corte de gastos não prioritários.
Após o golpe, a dupla Temer-Meirelles, apoiada pelo “pato amarelo”, que não queria saber da CPMF por onerar os mais ricos, inflou a previsão de déficit para R$ 170 bi, em 2016 e R$ 139 bi, em 2017.
Os golpistas calculavam ganhar uma grande folga para facilmente cumprir a meta e, com isso, fazer a população acreditar numa competência que eles não tinham.
Eis que a verdade vem à tona e se descobre que nem mesmo a meta de déficit de R$ 139 bi eles conseguirão cumprir.
Agora, querem ampliar o rombo para R$ 159 bi. Mas não vão parar por aí. Com mão de gato, aumentarão o déficit, no Congresso, para R$ 170 bi.
Juntam a fome com a vontade de comer, pois os parlamentares que apoiam o governo golpista vão ajudar a aumentar ainda mais o rombo.
Querem mais dinheiro para emendas, enquanto as despesas para educação estão menores do que em 2015 e os investimentos em valores menores do que em 2010.
O que já era mentira, virou escândalo. O que era abuso, virou catástrofe. O que era esperteza, virou caos nas contas públicas.
O resultado será a paralisia da máquina federal e a depressão da atividade produtiva. Ou seja: mais estagnação econômica e menos serviço público para quem precisa."
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