segunda-feira, 29 de maio de 2017

Nº 21.519 - "É medo de Cunha o que leva Moro a não mexer em Cláudia Cruz? Por Paulo Nogueira"

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29/05/2017


É medo de Cunha o que leva Moro a não mexer em Cláudia Cruz? Por Paulo Nogueira



Do Diário do Centro do Mundo  -  28 de maio de 2017


claudia_cruz

Este artigo está sendo republicado por motivos óbvios.


Por Paulo Nogueira


Sérgio Moro tem medo de Eduardo Cunha.

Esta é a única explicação razoável para a inoperância patética da Lava Jato em relação a Cláudia Cruz, a mulher de Cunha.

A desculpa de que não foi possível notificá-la por não saber seu endereço é uma das coisas mais ridículas da história da Lava Jato e do golpe.

Ou é uma prova da extrema inépcia de Moro ou é uma evidência do caráter da Lava Jato.

Fico com a hipótese dois, com o acréscimo, repito, do medo que Moro parece ter de Cunha.

Examinemos o caráter da Lava Jato. Ficou claro, e já faz tempo, que seu alvo é o PT. O resto são efeitos colaterais, e em geral indesejados. O tratamento é completamente diferente. Rigor extremo para uns, complacência absoluta para outros.

Cunha mesmo: ele só se enrolou mesmo porque os suíços entregaram suas contas secretas no país. 

Mesmo assim, ele continua aí, e não são pequenas as possibilidades de que escape quase impune dos múltiplos crimes que cometeu.

E então chegamos a Moro e Cunha.

Moro mostrou extrema valentia, aspas, sobre os pedalinhos de Atibaia. E não hesitou em coagir Lula indevidamente para um depoimento, sob cobertura circense da imprensa.

Mas é pateticamente manso com Claudia Cruz.

É que Cunha manda muito. Seu poder de retaliação, nas sombras, é tão grande quanto era antes à luz do sol.

Sua ligação com Temer é estreita e antiga. Imagine o que ele não conhece sobre o amigo Michel.

E se ele abrir a boca?

Não é uma hipótese plausível, a rigor. Sua força reside exatamente em mantê-la fechada por um preço que lhe seja compensador.

O que Cunha poderia fazer contra Moro caso quisesse?

Ninguém sabe. Moro também não parece saber, como sugere sua chocante maneira de conduzir o caso Cláudia Cunha.



Paulo Nogueira. Jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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Nº 21.518 - " Desvastação: o 'novo' Brasil dos justiceiros afunda na crise "

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29/05/2017

Desvastação: o “novo” Brasil dos justiceiros afunda na crise


Do Tijolaço · 29/05/2017


estadnaval



Por Fernando Brito


O Estado de S. Paulo publica hoje ótima reportagem de Renée Pereira e Daniel Teixeira que não podia revelar um quadro mais devastador no que era uma dos mais dinâmicos setores da economia brasileira: a indústria naval:


Símbolo de um Brasil que tentou repetir o crescimento dos anos 70, o setor naval entrou em colapso. De um conjunto de 40 estaleiros instalados no País, 12 estão totalmente parados e o restante está operando bem abaixo da capacidade instalada. Sem encomendas, com o caixa debilitado e, em alguns casos, com sócios envolvidos na Operação Lava Jato, cinco desses estaleiros entraram em recuperação judicial ou extrajudicial. Dos tempos de euforia, sobraram uma dívida bilionária para pagar no mercado e quase 50 mil trabalhadores demitidos, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria Naval (Sinaval). 

Entre os estaleiros que ainda estão em operação, uma parte é voltada para a construção de embarcações fluviais, como barcaças, ou de transporte de passageiros, como os catamarãs comuns no Norte do País. A indústria voltada para a construção de plataformas e navios offshore, que nasceu para atender as demandas da Petrobrás, está em contagem regressiva, com os últimos projetos em fase final de construção. Alguns grandes estaleiros têm pouco mais de dois meses de trabalho e depois podem engrossar a lista de estabelecimentos parados.

Eram 50 mil empregos diretos. Some aí os indiretos e você terá, sem exageros, ao menos 200 mil pessoas que perderam o seu ganha-pão graças a este espetacular processo de “moralização” do país.

Embora seja ainda mais evidente que, de “moralizado” não temos nada. Há apenas uma sucessão infinita de denúncias, delações, arapongagens, brigas de poder, abusos, xingamentos e tudo mais que é típico em situações de desordem generalizada.

Conseguiu-se transformar o Brasil onde Diógenes e sua lanterna não achariam um homem honesto a começar porque o próprio Diógenes, em cognição sumária, poderia ser recolhido compulsoriamente por João Dória, por  ter se tornado um mendigo nas ruas de Atenas.

Ou, de Diógenes, sobre ao casal Jorge Roberto Peixoto da Fonseca e sua mulher, Maria Angélica – antes empregados no setor, com de bons salários –  o que fazem hoje (e com dignidade: ele limpa fossas e ela, faxinas)  aquilo que o grego foi surpreendido fazendo: pedir esmolas a uma estátua.

Quando lhe indagaram a razão de fazer isso, o filósofo respondeu: duas: primeiro, ela não me vê; segundo, nada me dará.

Os moralistas brasileiros não merecem um estátua, já são uma como aquela a quem Diógenes pedia piedade.
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Nº 21.517 - "BRASIL PRECISA DE 'MÃOS LIMPAS', DIZ FINANCIAL TIMES SOBRE TEMER"

Nº 21.516 - "KPMG INFORMA MORO: NÃO HOUVE ILÍCITOS DE LULA NA PETROBRAS"


29/05/2017


KPMG INFORMA MORO: NÃO HOUVE ILÍCITOS DE LULA NA PETROBRAS


Brasil 247 - 29/05/2017

Nº 21.515 - "PSDB tem que devolver saco cheio do Aécio"


29/05/2017

PSDB tem que devolver saco cheio do Aécio


Temer vai agonizar como Nixon - e vai para a cadeia!

 
Conversa Afiada - publicado 29/05/2017


Nixon.jpg


Melhor renunciar que sair algemado

O Tribunal Superior Eleitoral se preparara para julgar – sabe-se Deus quando! - e provavelmente absolver o ladrão presidente.

MT  já caiu.

Mas, vai agonizar como Nixon,  demonstrou Patricia Campos Mello, de forma sempre competente.

A Temer está reservado um futuro de que Nixon escapou: a cadeia!

Mas, é preciso recuperar a origem desse processo no TSE sobre a chapa Temer-Dilma.

Como disse o gângster do  Mineirinho, foi só  “para encher o saco do PT!".

Quer dizer, então, que o país gasta uma fortuna, submete um tribunal superior a um trabalho supostamente afanoso e tudo isso, para encher o saco!

Esse é um outro crime por que o gângster do Aécio tem que responder: manipulação da Justiça, falsa denúncia de crime.

O que o Aécio gângster fez foi o mesmo que gritar “FOGO! FOGO!” num cinema lotado, só “para encher o saco”!

O PSDB tem que ressarcir a Nação desse crime de seu Presidente!

A Justiça tem que exigir do PSDB restituir os recursos dispendidos para um “julgamento” que não passava de uma “encheção de saco”!

Agora, imagine, amigo navegante, se a Casa Grande e a Globo Overseas Investment BV conseguem eleger esse gângster Presidente da República!

Quantos sacos ele não encheria!

(De dinheiro!)

PHA

Nº 21.514 - "Exclusivo: está sendo armado novo golpe dentro do golpe. É Fora Temer e tucanos no poder"

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29/05/2017

Exclusivo: está sendo armado novo golpe dentro do golpe. É Fora Temer e tucanos no poder



Atenção movimentos sociais e lideranças populares: os golpistas estão rascunhando um golpe dentro do golpe para salvar a pele (não o cargo) de Michel Temer, formar um governo de maioria tucana e jogar por terra a campanha por eleições diretas já.


Do Nocaute -  29 de maio às 12h11


Por Fernando Morais 



Por Fernando Morais 

Resultado de imagem para fernando moraisUm grande acordo da Casa Grande começou a ser costurado no último sábado em uma reunião “social” ocorrida no Palácio do Jaburu. Participaram do encontro, além de Temer, o general Sérgio Etchegoyen (ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional), os ministros Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Bruno Araújo (Cidades), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidencia) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Para disfarçar, Marcela Temer recebeu em outro ambiente do palácio as esposas presentes. Por meio de mídia eletrônica o encontro foi acompanhado à distância pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Os principais termos do acordão são os seguintes:

 Temer deve sair logo, para evitar a cassação pelo TSE e a eventual convocação de eleições diretas já para presidente da República.

. Esvaziar a Operação Lava Jato.

Formar um governo de maioria tucana, no qual Henrique Meirelles seria substituído no Ministério da Fazenda por Armínio Fraga.

. Garantir o silêncio de Eduardo Cunha com a preservação da liberdade de sua mulher e sua filha.

.  Controlar a delação de Palocci, que se torna irrelevante com o acordão.

Como o plano não contempla todos os problemas dos golpistas, há dúvidas sobre como solucionar algumas questões-chave e sobre a mesa ainda há obstáculos a serem superados:

. Oferta de anistia aos crimes de Caixa 2, com o que livrariam a pele, entre outros, de Moreira Franco, Eliseu Padilha e demais congressistas que fazem parte da “lista de Fachin”. Com isso os golpistas imaginam neutralizar o ex-presidente Lula e seus familiares, que seriam beneficiados pela medida.

. Não há consenso a respeito do nome que seria eleito indiretamente com a saída de Temer. O mais cotado parece ser mesmo o ex-ministro Nelson Jobim. O lançamento informal pelos tucanos do nome do senador Tasso Jereissati teria sido apenas uma cortina de fumaça, um “boi de piranha” previamente acordado com o político cearense.

. Ainda não se conseguiu solucionar o “problema Rodrigo Maia” e a fórmula legal para oferecer garantias a Temer após sua saída – seja ela indulto, perdão ou salvo-conduto.


Aparentemente não há objeções maiores ao acordão por parte das Forças Armadas – aí incluídos os oficiais da reserva, que não mandam mas fazem barulho.




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PITACO DO ContrapontoPIG.

Tal plano faria o Brasil sair do espeto e cair na brasa.

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Nº 21.513 - "A MULTIDÃO DAS DIRETAS QUE A IMPRENSA FINGE NÃO VER"

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29/05/2017 


A MULTIDÃO DAS DIRETAS QUE A IMPRENSA FINGE NÃO VER


Brasil 247 - 28 DE MAIO DE 2017 ÀS 20:56



Numa tarde fria e chuvosa em Copacabana, mais de 50 mil pessoas foram à praia para soltar dois gritos presos na garganta: Fora Temer e Diretas já; segundo pesquisa Datafolha recente, este é desejo de nada menos que 85% dos brasileiros; no entanto, assim como na ditadura militar, a imprensa brasileira, que agora se associou ao golpe parlamentar de 2016, finge não ver a gigantesca mobilização popular, que tende a continuar crescendo nos próximos dias; o silêncio da mídia é tão vergonhoso, que gerou protestos nas redes sociais; "Jornalismo? Milhares de pessoas numa grande manifestação em Copacabana por Diretas Já e os portais ignoram literalmente", escreveu o jornalista Florestan Fernandes Júnior; barões da mídia sabem que Michel Temer, investigado por corrupção, obstrução judicial e organização criminosa, se tornou inviável, mas correm para emplacar um presidente biônico


247 – O governo Temer, como todos sabem, apodreceu. Pela primeira vez na História, o Brasil tem um ocupante da presidência da República investigado por corrupção, organização criminosa e obstrução judicial, pego em flagrante, numa ação controlada da Polícia Federal.

Além disso, segundo o Instituto Datafolha, 85% já queriam a realização de eleições diretas, antes mesmo da divulgação dos grampos da JBS – o que indica que o número atual deve ser próximo a 100%.

Portanto, uma imprensa sintonizada com os anseios dos leitores teria total interesse em acompanhar de perto o que aconteceu neste domingo no Rio de Janeiro. Numa tarde fria e chuvosa em Copacabana, mais de 50 mil pessoas foram à praia para soltar dois gritos presos na garganta: Fora Temer e Diretas já.

Nada disso, porém, aconteceu. Assim como na ditadura militar, a imprensa brasileira, que agora se associou ao golpe parlamentar de 2016, fingiu não ver a gigantesca mobilização popular, que tende a continuar crescendo nos próximos dias.

O silêncio da mídia foi tão vergonhoso, que gerou protestos nas redes sociais. "Jornalismo? Milhares de pessoas numa grande manifestação em Copacabana por Diretas Já e os portais ignoram literalmente", escreveu o jornalista Florestan Fernandes Júnior.

Os barões da mídia sabem que Michel Temer se tornou inviável, mas correm para emplacar um presidente biônico. O motivo? Medo da volta de Luiz Inácio Lula da Silva.

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domingo, 28 de maio de 2017

Nº 21.512 - Ao vivo, em Copacabana, a campanha #Fora Temer e pelas #Diretas Já

28/05/2017


Ao vivo, em Copacabana, a campanha #Fora Temer e pelas #DiretasJá; acompanhe

Viomundo 28 de maio de 2017 às 12h26

Nº 21.511 - "No jogo das delações premiadas, Temer demite ministro indicado por Eduardo Cunha e empurra deputado da mala para longe de Fachin — por enquanto"


28/05/201

Presidiários em polvorosa

No jogo das delações premiadas, Temer demite ministro indicado por Eduardo Cunha e empurra deputado da mala para longe de Fachin — por enquanto


Do Viomundo - 28 de maio de 2017 às 15h38

Temer demite Serraglio e nomeia Torquato Jardim como ministro da Justiça
Presidente tira Osmar Serraglio, citado nas investigações da Operação Carne Fraca
Na tentativa de sobreviver à crise provocada pela delação da JBS, o presidente Michel Temer decidiu trocar o comando do Ministério da Justiça.
Neste domingo (28), o Planalto confirmou em nota a demissão de Osmar Serraglio (PMDB-PR) e a escolha imediata do substituto, Torquato Jardim.
Ele estava na pasta da Transparência, que não teve o novo titular anunciado.
Com a decisão, Serraglio retoma o mandato de deputado federal, tirando da Câmara o ex-assessor de Temer, Rodrigo Rocha Loures, filmado pela Polícia Federal recebendo uma mala com R$ 500 mil em uma das ações controladas da delação da JBS. Loures foi afastado do mandato pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin.
O presidente já havia confidenciado a interlocutores o desejo de promover a mudança, que também tenta reverter a imagem de que o Planalto atua para conter a Lava-Jato, já que Loures perde o foro privilegiado com a demissão de Serraglio.
Levado à Esplanada pela bancada do PMDB, Serraglio encerra uma passagem de apenas três meses pelo Ministério da Justiça. O paranaense assumiu no final de fevereiro, depois que Alexandre de Moraes deixou à pasta em razão da indicação para o STF.
No período, Serraglio sofreu críticas de auxiliares do próprio ministérios e de assessores de Temer pela falta de pulso e de condições técnicas para ocupar o cargo. Ele também convivia com o desgaste provocado por aparecer em um dos grampos da Operação Carne Fraca.
O deputado será substituído por uma escolha de perfil técnico. Titular da Transparência desde junho de 2016, Torquato Jardim é advogado e professor, com a carreira focada no Direito Eleitoral. Ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidiu o Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral (Ibrade) de 2002 a 2008.
Professor de Direito Constitucional na Universidade de Brasília (UnB) por quase vinte anos, Torquato tem pós-graduação nos Estados Unidos e na França, pelas universidades de Michigan e Georgetown e pelo Instituto Internacional de Direitos do Homem.
Leia a nota da assessoria do Planalto:
“O Presidente da República decidiu, na tarde de hoje, nomear para o Ministério da Justiça e Segurança Pública o Professor Torquato Jardim. Ao anunciar o nome do novo Ministro, o Presidente Michel Temer agradece o empenho e o trabalho realizado pelo Deputado Osmar Serraglio à frente do Ministério, com cuja colaboração tenciona contar a partir de agora em outras atividades em favor do Brasil”.
PS do Viomundo: Temer ganha tempo. Há a possibilidade de delação do fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho na Operação Carne Fraca, aquele que foi chamado de “chefe” por Osmar Serraglio quando este era deputado. Com a medida, Temer se distancia da possível delação do fiscal e da Carne Fraca.
Segundo afirmou o senador Renan Calheiros em discurso recente, foi o deputado Carlos Marun quem trouxe de Curitiba a indicação de Serraglio para o Ministério da Justiça, a pedido do presidiário Eduardo Cunha.
Por enquanto, o deputado da mala de Temer, Rodrigo Rocha Loures, suplente de Serraglio, perde o mandato e seu caso em tese vai para a primeira instância, para longe de Edson Fachin. Isso aumenta a pressão em Loures para não fazer delação premiada, como se cogitava. Por que? Porque Temer pode colocar Serraglio no Ministério da Cultura, que está vago, devolvendo Loures ao Congresso.
Rodrigo Vianna, por outro lado, sugere que Temer e Loures preferem Moro a Fachin — diante da recente absolvição de Cláudia Cruz, a esposa de Cunha. Um verdadeiro xadrez das delações.
O Brasil foi reduzido a isso: uma série de jogadas de bastidores entre presidiários e ladrões para salvar o pescoço.

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“Descaramento”: Temer tirou o foro de Rocha Loures por suspeita de que ele faria delação, diz Aragão


Do Diário do Centro do Mundo - Postado em 28 de maio de 2017 às 3:48 pm

O ex-ministro da Justiça no governo Dilma, Eugênio Aragão, comentou sobre a substituição de Osmar Serraglio por Torquato Jardim:
“Impressiona o descaramento do Sr. Temer na manipulação da investigação dos crimes a si atribuídos. Num primeiro momento, blindou seu parceiro Moreira Franco, elevando seu cargo à condição de Ministro de estado. Ninguém falou nada. Por muito menos a imprensa e o ministério público fizeram um escarcéu com a nomeação de Lula.
Mas agora passaram-se todos os limites. Suspeitando que seu estafeta da mala, Deputado suplente Rocha Loures, estava prestes a fechar acordo de delação com a PGR, resolveu tirar-lhe o foro privilegiado, na suposição de que na primeira instância talvez o acordo não saia.
Para isso, exonerou o Deputado Serraglio do cargo de Ministro da Justiça, para que reassuma sua vaga na Câmara. Rocha Loures é seu suplente.
Mas a manobra desavergonhada será um tiro n’água. Estando o Presidente da República implicado nos fatos delatados, o acordo continua na atribuição do PGR. Nada muda. Só ficou patente que o Sr. Temer é capaz de tudo para obstruir as investigações e, por isso, o seu afastamento do cargo de Presidente é agora mais urgente do que nunca.”
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Nº 21.510 - "Resistência democrática"


27/05/2017

Resistência democrática



Jornal O Povo - 17:00  27/05/2017

Valdemar Menezes


Causou repúdio, na consciência democrática, o massacre a que foi submetida, na última quarta-feira, uma passeata pacífica de mais de 100 mil trabalhadores, em Brasília, que apenas exerciam o direito constitucional de livre manifestação. Protestavam contra a perda de direitos e pediam a escolha de um novo governo através de eleições diretas. A iniciativa da violência partiu da Polícia. Ainda que fosse verdade que alguns adolescentes teriam avançado além do limite territorial delimitado, bastaria aos policiais terem isolado eventuais afoitos. O que aconteceu, no entanto, foi um absurdo em termos de segurança: a investida contra uma multidão pacífica e desarmada (mais de uma centena de milhar de pessoas), com balas de borracha, gás pimenta e cavalaria, no melhor estilo nazista. Poderiam ter isolado eventuais black blocs (estranhamente sempre utilizados para “melar” manifestações pacíficas). Provocadores colocados por serviços de inteligência? Não seria novidade, dado o que está em jogo. Nada justifica a selvageria repressiva que se seguiu.

CABEÇA DE PONTE O mais potencialmente perigoso para a saúde das instituições foi a convocação ilegal das Forças Armadas contra eventuais manifestantes. Ora, essa é tarefa para a Polícia. Houve polêmica sobre o pai da iniciativa. Na confusão com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o governo acabou assumindo pra si e isentou o deputado. Há quem mencione o general linha-dura Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional. Ele teria mexido os pauzinhos para trazer os militares para a linha de frente, de novo (pois ocupada uma cabeça de ponte, sempre é mais difícil para os milicos largá-la depois). Contudo, o bom senso democrático do general Villas Boa, comandante do Exército, não se deixou seduzir pela sereia golpista. E Temer teve de “desconvocar” os militares. PATOS AMARELOS Os responsáveis pelo golpe que derrubou Dilma (sobretudo o empresariado dos patos amarelos) querem lavar as mãos e alegar que nada têm a ver com o atual embrulho. Estão colhendo os resultados – bastante previsíveis (como alertou esta coluna na ocasião) da conspiração contra o ordenamento democrático, em nome de seus interesses mercadistas. Esperavam que o povo aceitasse, cabisbaixo, a investida criminosa de 2016 contra a democracia? Só falta de discernimento histórico para esperar isso. Quando se sai dos trilhos da democracia dá-se um pulo no escuro. A burguesia brasileira sabe disso, pois essa sempre foi sua prática (em 1947, 1954, 1955, 1961 e 1964). O andar de cima nunca se conformou com o exercício contínuo da democracia. Sempre arranjou um pretexto para mutilá-la, interrompê-la ou tirá-la do mapa.

DITADURA DO MERCADO Após o golpe, implantou-se, na maior cara-de-pau, um modelo econômico oposto ao aprovado nas urnas, de total subordinação aos imperativos do mercado financeiro (banqueiros, rentistas e financistas em geral). Nisso coincidiu com o objetivo confessado por Rodrigo Janot, na cúpula de Davos, ao justificar a ação da Operação Lava Jato como ação “pró-mercado”: “Se é para ser capitalista, vamos ser capitalistas de vez”. O seguinte artigo do embaixador Samuel Pinheiro, publicado na revista Fórum, explica didaticamente a razão do golpe do impeachment e da crise: http://bit.do/dsSfV. Ora, querer mudar o modelo econômico é uma aspiração legítima de qualquer segmento da sociedade insatisfeito. Mas, desde que isso se faça por meios democráticos, através de um programa de governo aprovado pelas urnas. Tentaram isso em 2014, através da candidatura Aécio Neves (PSDB), mas foram derrotados pelo voto da maioria dos eleitores, que preferiu continuar no caminho que vinha sendo trilhado. 

CONSPIRAÇÃO Os derrotados na eleição de 2014 não se conformaram e passaram a conspirar para paralisar o governo e desestabilizá-lo. Pautas-bomba e manobras regimentais escandalosas (além de dinheiro para comprar os congressistas, como hoje está revelado) impediram que Dilma Rousseff pudesse aprovar iniciativas destinadas a enfrentar os reflexos da crise econômica internacional na economia nacional. Não tiveram escrúpulos em provocar deliberadamente falências e desemprego em massa, deixando milhões de pais de família sem meios de sustento, como estratégia para lançar o povo contra o governo e, assim, inviabilizá-lo. Um verdadeiro crime de lesa-pátria. Agora, manifestam indignação quando os atingidos se organizam para resistir à castração de seus direitos, como trabalhadores e cidadãos eleitores. Ora, só a restauração da integridade da democracia, com a devolução do poder aos eleitores para eleger um governo e um congresso legítimos poderão pôr fim à crise. O meio técnico institucional para isso existe, basta ter vontade política e honestidade para efetuá-lo. Golpistas são mestres em hermenêutica (interpretação das leis) quando é para mutilar a democracia, mas, sofrem de embaraço mental quando se trata de encontrar os meios institucionais adequados para restaurá-la plenamente.




Valdemar Menezes colunista do jornal O Povo