terça-feira, 30 de maio de 2017

Nº 21.523 - "Centrais decidem nova greve geral em junho"

30/05/201

Centrais decidem nova greve geral em junho


Do Cafezinho - 30/05/2017 Escrito por Luis Edmundo, Postado em Redação


Foto: Portal CTB
Por Renato Bazan
As centrais sindicais (CTB, CUT, UGT, Nova Central, Força Sindical, Intersindical, CGTB, CSB, CSP-Conlutas) se reuniram nesta segunda-feira (29) na sede da CTB Nacional para debater os próximos passos na luta contra o governo golpista de Michel Temer. Em comum, todas comemoraram a vitória significativa do #OcupeBrasília no último dia 24, e apontaram para a realização de uma nova greve geral.
A defesa dos direitos sociais e o repúdio às Reformas da Previdência Social e Trabalhista continuam sendo o fio condutor do movimento sindical. Para o secretário-geral da CTB, Wagner Gomes, será possível continuar na unidade de ações enquanto cada central puder convergir nesses dois pontos.
“A manifestação em Brasília teve papel importantíssimo, os números chegaram ao patamar da grande marcha do MST em 1997. Infelizmente, houve uma repressão desmedida, que impediu a imprensa de cobrir nossas reivindicações, mas a avaliação da CTB é que o ato teve uma função política essencial, dando um novo baque no governo”, avaliou. “As centrais, mais uma vez, tiveram um papel de liderança, e isso nos impõe a responsabilidade de continuar pressionando contra essas reformas”.
Já para o vice-presidente da CTB, Nivaldo Santana, a reunião serviu para demonstrar a unidade dos movimentos trabalhistas: “Todas as centrais saudaram a vitória retumbante em Brasília, com a maior marcha já vista na cidade. Do ponto de vista da continuidade, a principal resolução foi a da realização de uma nova greve geral, a depender dos presidente das centrais. As grandes bandeiras serão novamente o Fora Temer e a defesa dos direitos dos trabalhadores”.
 
Todos os representantes lamentaram a grande violência cometida contra Carlos Geovani Cirilo, aposentado de 61 anos, que foi atingido por um tiro de arma de fogo da PM e está em estado grave. Ele passará por cirurgia para reconstruir o maxilar. As centrais estudam as ações legais específicas contra a PM.
Ao final da reunião, foram definidos seis encaminhamentos unitários:
  1. Continuará a luta pelo Fora Temer, impulsionada sobremaneira pelas revelações recentes de corrupção ligadas diretamente à figura do presidente;
  2. Uma nova greve geral de 24 horas será organizada para o período entre 26 e 30 de junho, a definir;
  3. Será editado um novo jornal unitário de 4 páginas, para distribuição gratuita em todo o Brasil;
  4. Continuarão as manifestações independentes nos estados, com as mesmas pautas;
  5. Foi aprovada uma Nota de Repúdio unitária contra a violência que matou 10 trabalhadores rurais no Pará;
  6. As centrais se reunirão novamente na próxima segunda-feira, 5 de junho, para ajustar o plano de mobilização do próximo período. O encontro será na sede da Nova Central, Rua Silveira Martins, 53, às 10h da manhã.
O que dizem as outras centrais
João Carlos “Juruna” Gonçalves, da Força Sindical: “A força que tivemos em Brasília só foi possível, em primeiro lugar, porque nós conseguimos criar uma pauta que fosse confortável para todas as centrais, contemplando diferentes opiniões. Nós conseguimos superar o número de pessoas esperado para Brasília, e isso deu continuidade para um movimento que vem sendo construído desde o início do ano. A luta unitária foi possível porque há consenso contra as Reformas do Temer.”
Ubiraci Dantas, CGTB: “Eu queria parabenizar a todos os companheiros pelas mobilizações recentes – em todos os meus 65 anos, 40 de sindicato, eu nunca vi uma coisa dessa dimensão. Muita gente não acreditou na greve geral, e ela saiu linda daquele jeito. Isso deu um salto de qualidade na nossa luta, porque travou as Reformas. Mas isso aconteceu primeiramente pela força do Fora Temer, porque é ele que está tentando levar adiante essas propostas. 90% dos brasileiros querem esse energúmeno fora do governo, e isso unifica o país. É por isso que os caras lá querem fazer as eleições indiretas, e isso vai incendiar o país!”
José Calixto Ramos, Nova Central: “Nós vamos processar formalmente o governo pelo uso de munição real e repressão desnecessária na manifestação de Brasília. E acusamos também a imprensa, que em nenhum momento visitou as barracas ou nos perguntou sobre nossas reivindicações, mas apareceu para registrar o caos. A questão do Fora Temer, na minha opinião, é uma questão superada, porque este governo já caiu. As delações que vimos recentemente colocaram o presidente em uma situação de crise, então a questão das Diretas Já é o que devemos perseguir”.
Luiz Carlos “Mancha” Prates, CSP-Conlutas: “Gostaria de parabenizar a nossa capacidade de caminhar juntos, mesmo diante de certos desentendimentos – como foi lá no início, por exemplo, quando algumas das centrais acharam que poderiam negociar as reformas, e outras não. Foi com esse espírito que nós fizemos o #OcupaBrasilia, que aconteceu depois da vitoriosa greve geral do dia 28. E nós fomos lá para protestar de verdade, não foi um passeio, e isso resultou numa reação exacerbada do governo, com a selvageria do Exército. Mas o que a população está falando? Está tudo mundo junto querendo se colocar contra o governo, e o movimento sindical não pode parar. Nós achamos que é preciso anunciar outra greve, porque eles vão mudar o governo mas vão manter a Reforma Trabalhista, manter a Reforma da Previdência, e os ataques vão continuar.”
Sérgio Nobre, CUT: “Quem duvidava da nossa capacidade de fazer luta não tem mais o que dizer. É claro que existiram problemas, mas isso não tira o brilhantismo do ato. É triste que a imagem que se propagou foi a da molecada jogando pedra e a polícia reprimindo, pois o que a gente queria era ter os manifestantes na Esplanada exigindo direitos. A CUT não acredita em manifestações violentas. Sobre os próximos passo, vai depender de como as coisas vão andar no Congresso. É importante já preparar novas ações, que podem culminar na realização de outra greve geral, mas é preciso apontar para a construção da greve. A data em si é móvel, pois depende das ações dos parlamentares.
Ricardo Patah, UGT: “Foi um ato cívico de uma importância sem precedentes. Foi uma marcha muito importante, e que demonstrou a indignação dos brasileiros. Mas a ação daqueles jovens dos black blocs me preocupou, porque trouxe um problema grave. Eles avançaram para cima da polícia, e a polícia mal preparada reagiu daquele jeito. Porque na cabeça da população está que o movimento sindical foi lá pra fazer isso, e que a marcha foi apenas um pretexto. Nós todos vimos, foi uma coisa triste. A imprensa ajuda nessa compreensão distorcida. Para eles, tudo o que está sendo feito é só uma questão do imposto sindical, como se nós só nos importássemos com isso.”
Ricardo Saraiva Big, Intersindical: “Todas as centrais estão de parabéns, foi uma manifestação bem organizada. Sobre os black blocs, eu queria dizer que ali havia uma orientação do governo para reprimir. No dia 28, foi a mesma coisa, e eu posso dizer que os companheiros portuários não fizeram absolutamente nada e o pau comeu do mesmo jeito. Quando o governo está acuado, ele age como bicho, pula pra lá e pra cá. É fundamental que as centrais tirem uma nova data para a realização da greve geral, porque é assim que a gente vai pressionar pelas Diretas Já. Esse governo já caiu, o que eles estão organizando é uma eleição indireta, inclusive colocando um banqueiro como presidente. Lá na Baixada Santista, esse presidente nefasto conseguiu unificar todas as centrais no 1º de Maio, até com os movimentos mais sectários.”
Antonio Neto, CSB: “Eu fiquei assustado com o aconteceu em Brasília. Nós vamos responsabilizar a Polícia Militar do Distrito Federal pelo ocorrido, porque foram eles que isolaram o local, foram eles que revistaram as bolsas dos trabalhadores, então se passou gente com arma na mochila, é porque eles deixaram. E tem também o uso de arma letal. Nós vamos processar a PM. E nós temos que fazer também uma autocrítica, não podemos deixar isso acontecer novamente. Por outro lado, isso serviu para liberar uma energia na população, e daqui a pouco será o Brasil inteiro que vai ficar assim. Qual é o próximo passo? Acho que é fazer outra greve geral, que comece com os transportes e cutuque trabalhadores e não trabalhadores, estudantes, todos.”
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