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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Contraponto 3342 - "A hipocrisia da ANJ, a verdadeira oposição"

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20/09/2010
A hipocrisia da ANJ, a verdadeira oposição

Tijolaço - 19/09/2010

Brizola Neto

A ANJ finge que não tem este senhor como candidato

Lula tocou na ferida no histórico discurso de ontem, em Campinas, e a imprensa acusou o golpe. Depois que o presidente denunciou que jornais e revistas atuam como partidos, têm candidato mas não assumem, e fazem um papel vergonhoso, a Associação Nacional de Jornais ANJ, órgão de representação dos donos dos meios de comunicação,soltou logo uma nota hipócrita sobre o que seria o papel da imprensa em sociedades democráticas.

“O papel da imprensa, convém recordar, é o de levar à sociedade toda informação, opinião e crítica que contribua para as opções informadas dos cidadãos, mesmo aquelas que desagradem os governantes”, diz a nota da ANJ. Redação melhor no que toca ao comportamento da mídia brasileira seria dizer que “o papel da imprensa é o de levar à sociedade toda desinformação, opinião parcial e crítica infundada que contribua para confundir o cidadão e agradar o candidato que apoiamos.”

A ANJ não tem como negar que atue como partido de oposição. Sua própria presidente, Judith Brito, diretora do Grupo Folha, afirmou isso. Só que os jornais que a integram fingem que não fazem isso. Fingem que não apoiam Serra ou qualquer outro candidato que possa enfrentar o campo popular,como mostrou Merval Pereira em seu artigo de hoje em O Globo, que mencionei mais cedo aqui. O objetivo é derrubar Dilma como sucessora de Lula e de um projeto político que os ameaça. Serra parecia o nome indicado para isso. Mas diante do seu fracasso, que seja Marina ou qualquer outro que demonstrar um mínimo de viabilidade.

A atuação da mídia é desonesta e golpista. Como foi em 54, como foi em 64, como foi em 89 e como vem sendo a cada eleição desde que a esquerda se viabilizou eleitoralmente. Sua falsa postura democrática vai por água abaixo quando vê seus interesses de classe ameaçados. A imprensa brasileira não faz jornalismo político. Ele atende aos interesses de seus donos. Lula disse isso ontem em Campinas, se dirigindo diretamente aos jornalistas. Que não se iludam de estarem fazendo jornalismo, porque o que fazem é contribuir com os interesses dos donos dos jornais e revistas para os quais trabalham.

Como disse Lula, a imprensa brasileira dá vergonha. Num país que vive um momento de euforia, com o crescimento do PIB se anunciando magnífico, com as políticas de distribuição de renda trazendo resultados, e com a possibilidade de nos tornarmos econômica e socialmente desenvolvidos, o jornalismo praticado é ultrapassado, retrógrado e ofensivo à inteligência.
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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Contraponto 2925 - "Racha na ANJ e crise dos jornalões"

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03/08/2010
Racha na ANJ e crise dos jornalões
Blog do Miro - 03/07/2010

Por Altamiro Borges


A Associação Nacional de Jornais (ANJ), presidida por Judith Brito – executiva do Grupo Folha que confessou recentemente que a “grande imprensa” exerce a função inconstitucional de partido de oposição ao governo Lula –, sofreu um duro baque na semana passada. Ela foi acusada de ser uma entidade contrária à liberdade de expressão, que se esquiva de “defender os direitos do ser humano, os valores da democracia representativa, a livre iniciativa e a livre concorrência”.

A critica não partiu, como era de se imaginar, de um movimento de luta pela democratização dos meios de comunicação. Ela foi feita por um ex-sócio da ANJ, a Empresa Jornalística Econômico S.A. (Ejesa), responsável pela publicação dos jornais Brasil Econômico, O Dia, Meia Hora e Campeão. Por considerar que a entidade não respeita os princípios que alardeia e defende apenas os interesses dos jornalões O Globo, Folha e Estadão, a Ejesa pediu a sua desfiliação da ANJ.

O falso discurso do “livre mercado”

O racha na entidade confirma a brutal crise vivida pela mídia impressa. Os jornalões tradicionais têm reduzido drasticamente suas tiragens – a Folha, por exemplo, caiu de mais de um milhão de exemplares, nos anos 1980, para menos de 300 mil nos dias atuais –, e temem a concorrência no setor. Numa prova de que a defesa da “liberdade de expressão” e do “livre mercado” é conversa fiada, a ANJ tem feito de tudo para excluir outras empresas do restrito mercado editorial.

Recentemente, a entidade moveu pedido ao Ministério Público para que investigasse a origem da Ejesa, alegando que ela fere o limite de 30% de capital estrangeiro autorizado para o controle dos meios de comunicação no país. A ANJ acusou o grupo de ser controlado por capital português. A reação da empresa foi pedir sua desfiliação da entidade e escancarar a sujeira existente no setor. Na sua nota, a Ejesa afirma que é vítima da perseguição implacável dos monopólios midiáticos e que a ANJ defende unicamente os interesses das Organizações Globo e do Grupo Folha.

Disputa fratricida e cinismo

O grupo editorial também reafirmou que “apóia de forma incondicional toda e qualquer ação que vise assegurar a manifestação do pensamento, a criação, a expressão, a educação e o livre fluxo informativo”. Em sua defesa, a Ejesa argumentou que os “documentos societários se encontram devidamente registrados na Junta Comercial” e garantiu que não fere a legislação brasileira. Para ela, o que ocorre é uma ação mesquinha dos monopólios para restringir a concorrência no setor.

Nesta briga de titãs é difícil tomar partido. A apuração da origem do capital é necessária para se evitar qualquer ilegalidade que dê brechas à invasão estrangeira. O que chama atenção, porém, é a disputa fratricida neste setor e a hipocrisia dos contendores. A “patriótica” ANJ sempre defendeu a criminosa desnacionalização da economia brasileira. Já o jornal O Globo, que agora também pousa de nacionalista, parece que se esqueceu das razões do enriquecimento deste império.

A origem ilegal da Globo

O grupo burlou a legislação brasileira ao se associar ilegalmente à empresa estadunidense Time-Life, em 1962, garantindo acesso a cerca de US$ 6 milhões, o que era proibido pela Constituição. Com esse capital ilegal, a TV Globo montou toda sua infra-estrutura e o Time-Life passou a ter influência direta na emissora brasileira, inclusive indicando o suspeito ianque Joseph Wallace para o cargo de diretor-executivo. O cinismo dos barões da mídia é realmente impressionante.
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