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domingo, 26 de dezembro de 2010

Contraponto 4299 - "Dilma Rousseff - Brasileira do ano"


26/12/2010
Dilma Rousseff - Brasileira do ano

Isto É - 16/12/2010 atualizada em 26/12/2010

Sem experiência anterior, ela encarou uma dura campanha eleitoral. E saiu consagrada com os mais de 55 milhões de votos que a tornaram a primeira mulher escolhida para assumir a Presidência do brasil

Delmo Moreira e Hugo Marques/ Foto: Uly Martins

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Nenhum brasileiro, em 2010, foi tão observado, teve a vida tão perscrutada, as ideias e intenções tão esmiuçadas, os nervos tão publicamente testados. Também nenhum brasileiro se dedicou mais a conseguir adesões, conquistar confiança e convencer pessoas. O ano de 2010 teve a cara de Dilma Rousseff. Nos quatro meses da campanha eleitoral que a levou à Presidência da República com mais de 55 milhões de votos, Dilma fez 55 viagens, por 35 vezes arrastou multidões em caminhadas e carreatas pelo País, concedeu 117 entrevistas, subiu em 28 palanques para discursar, participou de 61 encontros com representantes de algum setor da sociedade e ainda enfrentou nove debates – alguns ferozes – com adversários. O tamanho da exposição pública certamente correspondeu ao tamanho da gana de exercer uma função pública. Mas nem sempre esse equilíbrio entre vontades e exigências serviu de consolo na rotina pesada dos compromissos. Dilma, esgotada ao final do primeiro turno, por várias vezes se queixou a assessores do ritmo e do ardor “desumanos” da campanha. Mas seguiu jogando o jogo.

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“Um líder como Lula nunca estará longe de seu povo. Baterei muito
à sua porta e tenho certeza deque a encontrarei sempre aberta”

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PARCERIAS
A presidente eleita agradece o apoio de Lula e recebe orientações de Antônio Palocci,
futuro ministro da Casa Civil, antes de tenso debate na tevê

Dilma é a Brasileira do Ano. E lutou por isso como ninguém. Ela vem de uma geração que se formou acalentando sonhos coletivos. Para jovens que tiveram uma trajetória semelhante à dela, colocar interesses e problemas individuais à frente dos projetos políticos era quase uma ofensa. Naquela turma, os chamados “desvios pequeno-burgueses” equivaliam aos pecados veniais. A desistência ao apostolado do combate à ditadura, ao pecado mortal. A felicidade final não estava nos céus, mas na ponta de um destino – o mundo mais justo. A violência dos anos do regime militar e as trapaças naturais do tempo trataram, aos poucos, de rebaixar ambições. Dilma não escapou disto. Houve um curto e pouco conhecido período de sua vida em que imaginar um ano como 2010 seria pura insanidade. Foi a fase menos pública de Dilma.

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CAMPANHA
55 viagens, 117 entrevistas e 28 comícios em apenas 4 meses

Corria o ano de 1974 e o regime dos generais dava ares de que duraria para sempre. Ernesto Geisel havia assumido a Presidência da República, mas ninguém ainda falava em distensão política, nem sequer lenta e gradual. Um ano antes, Dilma, recém-libertada do presídio político em São Paulo, tinha mudado de cidade e pensava em mudar muito mais. Passara a morar com os sogros, em Porto Alegre, para ficar perto do companheiro, Carlos Franklin Paixão Araújo, preso político que cumpria pena na prisão instalada numa ilhota no meio do rio Guaíba. Ela precisava de uma profissão para seguir em frente e assim ingressou na Faculdade de Economia da UFRGS (úrguis, como pronunciam os gaúchos). Não conseguiu aproveitar nenhuma matéria feita antes na Federal de Minas Gerais e teve que se integrar à turma do primeiro ano. Poucos colegas sabiam do passado recente de Dilma. Para a maioria, ela era uma das tantas alunas mais velhas (tinha 27 anos numa classe de calouros), quase sempre bancárias ou funcionárias públicas, que buscavam a faculdade para melhorar de colocação em seus empregos e não gostavam de confusão. Arredia e sabendo que era vigiada, ela não se misturava aos grupos de alunos empenhados em reacender as manifestações de protesto que haviam sido reprimidas no início da década. Dilma, segundo lembram antigos colegas, só estudava.

A faculdade de economia era um dos centros do novo movimento estudantil, que sucedia a geração de 68, da qual Dilma fez parte. Uma turma de garotos de barbicha e cabelos compridos começava a agitar o Daeca (Diretório Acadêmico da Economia, Contábeis e Atuariais), que ocupava duas salas amplas, contava com um bom caixa e dispunha de equipamentos para produzir panfletos. O feio prédio de três andares da faculdade tinha uma localização estratégica para os estudantes. Ficava na avenida João Pessoa, que seria escolhida como palco das passeatas de 76/77, de frente para o edifício onde funcionavam o restaurante universitário, a Casa do Estudante e o Diretório Central da UFRGS.

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EM AÇÃO
No Rio, entrevista coletiva e, em São Paulo, visita à
União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis

Muitas vezes Dilma passou pelo saguão de pé-direito alto da faculdade sem se deter nos cartazes que convocavam para atos em defesa da reconstrução da UNE ou para estreias de aguerridos grupos teatrais. Ela alcançava a grande porta central de madeira escura, descia dois degraus até o portão de ferro e virava à direita, galgando a leve ladeira da avenida. Após a primeira esquina, chegava à calçada da praça Argentina, onde os estudantes costumavam se concentrar antes dos atos públicos. Dilma seguia em frente. Mais dois quarteirões e já estava nas ruas estreitas do centro de Porto Alegre, caminhando entre a multidão atarefada e indiferente às pretensões estudantis. Em 1976, quando, após os anos do sufoco, os alunos da UFRGS organizaram sua primeira passeata, nascia Paula, a única filha de Dilma. Nesta época, já estagiária da Fundação de Economia Estatística, Dilma era tão discreta, aplicada e disposta a construir vida nova que conseguiu escapar de uma razia dos órgãos de segurança que caçavam comunistas no quadro funcional desse órgão ligado ao governo do Estado. Dilma acabaria demitida da fundação num outro processo de caça às bruxas, três anos mais tarde.

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“A igualdade de oportunidades entre homens e mulheres é um princípio essencial da democracia”

Aos 62 anos, essa economista, que por um tempo chegou a pensar que poderia levar uma existência comum, centrada apenas nos interesses de sua família, foi colocada em definitivo na história do Brasil. É a presidente de número 36, primeira mulher a ocupar o cargo, eleita 25 anos depois do fim da ditadura que combateu. A exemplo de Lula quando assumiu a Presidência, ela também diz que “não pode errar”. Enquanto trabalha duro na estruturação do novo governo e espera o dia da posse que mudará para sempre sua vida, Dilma tem passado a maior parte do tempo na Granja do Torto, que adotou de vez como escritório de transição. Raramente fica no gabinete do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), ocupado por Lula no período da reforma do Palácio do Planalto.

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SUPEREXPOSIÇÃO
Um ano surpreendente para quem chegou
a pensar em levar uma vida comum

Às margens do ribeirão do Torto, a granja fazia parte do projeto original dos modernistas que planejaram Brasília. Localizada próximo à Asa Norte, foi imaginada como uma área capaz de abastecer a futura cidade (de, no máximo, 200 mil habitantes, conforme o projeto) com ovos e frangos. Como tudo o mais em Brasília, virou outra coisa. A Granja do Torto é a casa de campo oficial da Presidência, uma chácara, com uma pequena floresta, lago com tablado de madeira para pescar e um belo pomar, viveiro natural para bandos de tucanos. Nela moraram os ex-presidentes João Goulart e João Figueiredo. Este criou cavalos ali. Já Lula usou a granja para promover encontros, churrascos e as famosas festas juninas. Dilma aproveita suas trilhas estreitas, fazendo caminhadas enquanto conversa com convidados. Companhias não faltam nessas últimas semanas.

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EXPERIÊNCIAS
Testando a mira antes da indicação como candidata
e recebendo apoio de artistas e intelectuais no Rio

A temporada no Torto vem permitindo mais informalidade para o trabalho de Dilma. Mesmo recebendo gente o tempo inteiro (em geral ela cumpre cinco audiências diárias), a presidente eleita tem dispensado batom e maquiagem, usa roupas leves, às vezes, jeans. Só muito raramente recepciona algum convidado trajando tailleur. A mudança para o Torto obrigou a equipe de transição a se deslocar diariamente para lá. Helena Chagas, futura ministra das Comunicações, despacha com Dilma todas as manhãs. Também quase todos os dias está na Granja o futuro ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, que se transformou num dos principais confidentes de Dilma. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, escolhido para permanecer no cargo, é outra presença frequente.

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“Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.
Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto”

A presidente eleita gosta de ficar acordada até tarde quando tem uma boa conversa para espichar. “Vem aqui no Torto que a gente entra noite adentro conversando”, falou recentemente ao telefone a uma autoridade do governo Lula que ela estava interessada em manter na função. Este telefonema, na verdade, começou de outro jeito, com uma frase que já está virando marca de Dilma junto a seus assessores: “Preciso falar com Vossa Excelência”, disse ela. Conforme reproduziu à ISTOÉ a autoridade convocada, a conversa seguiu bem-humorada: “Quero seu conjunto de ideias. Me passa suas obras completas recentes.” Dilma pediu que o interlocutor lhe enviasse “textos interessantes” sobre “temas cultos”: “Antes você me mandava coisas assim, agora não manda mais nada”, reclamou.

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DOIS TEMPOS
Já eleita, participa da sessão de posse do presidente e do
vice-presidente do Tribunal de Contas da União (no alto).
E a infância passada em Belo Horizonte (acima)

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“Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome.
A erradicação da miséria é uma meta que assumo”

No CCBB, o gabinete de Dilma fica no segundo andar, com vista para o Lago Sul. Os assessores decoraram as salas com inúmeras fotos dela em parceria com Lula inaugurando obras do PAC. Ali há escritórios para os principais coordenadores de sua campanha presidencial e futuros ministros, como Antônio Palocci e José Eduardo Cardozo. No primeiro andar funciona o gabinete do vice-presidente Michel Temer. Membros da equipe de transição contam que ela é rígida com as tarefas que repassa e exigente no cumprimento dos prazos. “Mesmo assim demonstra grande afabilidade”, diz um deles.

Com frequência, Dilma vai ao Palácio da Alvorada para se aconselhar com Lula. As reuniões acontecem quase sempre à noite, algumas vezes durante um jantar. Ela tem sido extremamente atenciosa com o presidente que deixa o cargo. Orientou os subordinados e todos os ministros nomeados que tenham cuidado de não fazer nenhum pronunciamento ou movimentação passíveis de sugerir que ela está “passando por cima” de Lula. “Só vou começar a governar no dia 1º. Não quero ocupar o espaço que é do presidente Lula”, disse ela no início da semana passada. A Brasileira do Ano está determinada a brilhar mesmo é em 2011.

Luiz Inácio Lula da Silva - Brasileiro da década
Aécio Neves - Brasileiro do ano na política
Marcelo Tas - Brasileiro do ano na televisão
Tony Ramos - Brasileiro do ano na cultura
Thiago Pereira - Brasileiro do ano no esporte

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Contraponto 3593 - Marina Silva declara apoio a DILMA ROUSSEFF

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15/10/2010

Marina Silva declara apoio a DILMA ROUSSEFF


Onipresente
- 15/10/2010

MARINA SILVA declara apoio a DILMA ROUSSEFF | Epocaestado Brasil
de Epocaestado

Suas origens no Partido dos Trabalhadores falou forte na decisão de apoiar abertamente Dilma Rousseff no segundo turno.

Agora só falta marcar o dia para seu depoimento no Programa Eleitoral de Dilma Rousseff.

Postado por Oni Presente às 12:18:00 Links para esta postagem
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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Contraponto 3555 - "O mercador do pré-sal"

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12/10/2010
O mercador do pré-sal


Blog Cidadania
- 12/10/2010

Eduardo Guimarães

O uso de qualquer arma pela campanha de José Serra, que está recorrendo à difamação da adversária, Dilma Rousseff, por todos os meios, com todo tipo de acusação, o que inclui até a vida sexual dela, e o espantoso apoio que os maiores jornais, revistas e televisões estão dando à estratégia difamatória, tudo isso não acontece só pela retomada do poder.

Você nunca viu uma campanha eleitoral como esta. Mesmo Fernando Collor de Mello, em 1989, jamais chegou ao ponto de difamar Lula usando homossexualidade ou acusações de que ele matava criancinhas. A campanha de difamação movida contra Dilma é a maior que este país já viu e utilizando “acusações” que em pleno século XXI são espantosas e inéditas.


Tudo isso só para se eleger presidente?

Os livros de história contarão a verdade sobre a campanha mais insidiosa contra uma única pessoa que fora empreendida até então no país. O que leva um único homem a se tornar beneficiário e autor de um processo tão repugnante e a grande imprensa de uma nação com a visibilidade do Brasil a se acumpliciar a ele?

O Brasil de 2002 e de 2006 não valia o preço de o candidato da direita e a imprensa conservadora irem tão longe. Não valia porque não existia neste país a riqueza que atualmente é a mais cobiçada da face da Terra, tão cobiçada que fez os Estados Unidos desencadearem uma onda de guerras contra países produtores de petróleo a fim de garantirem para si o abastecimento de um produto que escasseia no mundo e sem o qual esse país invasor poderia parar, literalmente.

É o pré-sal, estúpido. A Petrobrás, sob o governo Lula, tornou-se a quarta empresa mais valiosa do mundo. Um grupo político que consiga viabilizar a entrega dos subsolo brasileiro às petrolíferas multinacionais, exatamente como o governo Fernando Henrique Cardoso fez em 1997, ganhará dinheiro que sobrará aos seus descendentes daqui a mil anos.

As reservas de petróleo encontradas na camada pré-sal do litoral brasileiro estão dentro da área marítima considerada zona econômica exclusiva de nosso país. São reservas com petróleo considerado de média a alta qualidade, segundo a escala API.

O conjunto de campos petrolíferos do pré-sal se estende do litoral dos estados do Espírito Santo até Santa Catarina, com profundidades que variam de 1000 a 2000 metros de lâmina d’água e entre quatro e seis mil metros de profundidade.

Apenas com a descoberta dos três primeiros campos do pré-sal – Tupi, Iara e Parque das Baleias – as reservas brasileiras comprovadas, que eram de 14 bilhões de barris, aumentaram para 33 bilhões de barris. Além destas, existem reservas possíveis e prováveis de 50 a 100 bilhões de barris.

Há estimativas de que o preço do barril do petróleo deve chegar até a 80 dólares no ano que vem. Se tivermos, no limite, 100 bilhões de barris de petróleo enterrados no mar que banha as nossas praias, estaremos falando de OITO TRILHÕES DE DÓLARES. (Os grifos em verde negritado são do ContrapontoPIG)

Só para se ter idéia de quanto dinheiro é, basta dizer que o PIB dos EUA em 2009 foi de 14 trilhões de dólares. Ou seja, o Brasil pode ter mais da metade do PIB americano enterrado em seu litoral. Quanto vale a comissão de quem intermediar a venda de uma riqueza desse quilate? 1, 2 ou, quem sabe, até uns estupefacientes 3%?!

Muito dinheiro, não? Quem acha que há homens que matariam a própria mãe por tanta riqueza e poder?

Quem seriam esses homens? Penso que são aqueles que desde que se confirmou a riqueza imensurável que há em nosso subsolo apressaram-se em defender a privatização do subsolo brasileiro que o governo FHC promoveu, sobretudo em 1997 quando vendeu um enorme pedaço da Petrobrás.

As operações de exploração e produção de petróleo foram conduzidas pela Petrobrás de 1954 a 1997. Depois de 40 anos de monopólio da empresa, o trabalho de exploração, produção, refino e transporte do petróleo no Brasil foi permitido a empresas estrangeiras em 1997, quando Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei N° 9.478, que gerou a permissão.

Não é por outra razão que o PSDB e o PFL (agora disfarçado de “democratas”) propõem o regime de concessão para exploração do pré-sal enquanto que o governo Lula defende o regime de partilha.

No regime de concessão, que os tucanos implantaram no Brasil em 1997, a multinacional ganhará aquele pedaço do subsolo brasileiro para explorar e será a dona do que ali encontrar. Já no sistema do governo Lula, de partilha, tudo que for encontrado será do povo brasileiro e a quem extrair o petróleo caberá, simplificando, uma comissão pelo trabalho.

Essa riqueza toda pode dar ao país educação e saúde públicas de alta qualidade, por exemplo. Estradas, segurança, infra-estrutura… O pré-sal é o passaporte do Brasil e do seu povo para o Primeiro Mundo. Não lhe parece bom demais para ser verdade, leitor?

Sim, como você intuiu, há um problema. Para variar, os piratas da nação, os autores da mesma privataria que, por exemplo, vendeu o subsolo brasileiro ao privatizar a Vale, agora querem vender a Petrobrás. Por isso, não existe limite para o que o PSDB, o PFL, a Globo, a Folha, a Veja e o Estadão poderão fazer para eleger José Serra.
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Contraponto 3015 - Maria da Conceição Tavares fala de Dilma


13/08/2010

Maria da Conceição Tavares fala de Dilma


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Contraponto 335 - Investimento privado no setor imobiliário


25/09/2009


Dilma: Caixa terá R$ 38 bi para casa própria
Dilma defende expansão de investimento privado no setor imobiliário

Blog do Favre
24/09/2009 - 17:35h

GIULIANA VALLONE da Folha Online

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) defendeu nesta quinta-feira a ampliação do crédito imobiliário nos bancos privados. Para ela, o setor da construção civil vai impulsionar o crescimento econômico no país.

Ela reafirmou, na abertura do Salão Imobiliário de São Paulo, que os recursos liberados pelo governo para a habitação por meio da Caixa Econômica Fededal devem somar R$ 38,5 bilhões neste ano, com aumento de 65% em relação ao valor de 2008.

Desse total, o vice-presidente de Governo da Caixa, Jorge Hereda, disse que R$ 4,8 bilhões serão destinados ao Minha Casa, Minha Vida, possibilitando a construção de 400 mil moradias. O programa federal engloba unidades novas com valor de até R$ 130 mil e é destinado a famílias com renda mensal de até dez salários mínimos (R$ 4.650).

A Caixa já investiu R$ 25,6 bilhões em financiamento habitacional até 28 de agosto, segundo a presidente da instituição, Maria Fernanda Ramos Coelho.

De acordo com Maria Fernanda, houve crescimento de 84% nos recursos alocados até agora para crédito habitacional, na comparação com os R$ 13,9 bilhões aplicados em igual período do ano passado. O volume já ultrapassa em 11,3% os R$ 23 bilhões gastos em todo o ano de 2008. Ela disse que os recursos beneficiaram mais de 506 mil famílias neste ano.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Contraponto 202 - Pré-sal: entrevista com Dilma

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- Pré-sal: Empresas que quiserem fornecer à Petrobras, terão que se instalar no país, avisa Dilma Rousseff


- Cabe ao Congresso mudar a regra de divisão dos royalties

Do Blog do Favre 03/09/2009 - 09:36h

Ruy Baron/Valor
Foto Destaque
Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil:
empresas estrangeiras não vai deixar de investir no Brasil



Claudia Safatle e Cristiano Romero, de Brasília - VALOR

Principal responsável pelo modelo de exploração de petróleo na camada pré-sal, enviado pelo governo ao Congresso na segunda-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, defendeu a mudança da lei que destina o pagamento de royalties apenas aos Estados produtores de óleo e gás. Nesta entrevista ao Valor, ela disse que o tema não é da alçada do governo, mas sugeriu que o Congresso deve mudar a legislação para beneficiar todos os Estados e não apenas os sete que recebem esses recursos atualmente.

Dilma deixou claro, também, que, nas áreas de pré-sal a serem leiloadas daqui em diante, não haverá pagamento de participações especiais. “Mandamos nossa proposta ao Congresso sem mexer na regra atual de royalties, não porque achamos que não tenha que mexer, mas porque consideramos que essa discussão terá de ser feita no Congresso”, revelou.

Ela argumentou que o Estado do Rio de Janeiro, cujo governo é o que mais tem se queixado da mudança nas regras, já vai se beneficiar dos royalties e participações especiais das áreas licitadas do pré-sal (29% do total) pelo modelo de concessão.

Mais descansada, depois de passar duas noites em claro antes do anúncio das regras do pré-sal, ela rebateu, com veemência, as críticas feitas ao conteúdo nacionalista e estatizante do modelo proposto pelo governo, assegurou que as empresas estrangeiras terão interesse em investir no Brasil e avisou que quem quiser fornecer equipamentos à Petrobras, operadora única do pré-sal, terá que produzir no Brasil. A seguir, a íntegra da entrevista :

Valor: Por que a senhora está tão segura do modelo do pré-sal?

Dilma Rousseff: Porque o que estamos propondo não é algo que não seja usual. Não é possível tratar essa questão com o primarismo com que estão tratando. Além disso, não usamos um modelo único. Combinamos dois modelos, o que até um marciano entende. Se a área é de baixa rentabilidade e alto risco exploratório, é concessão; se a área já foi concedida, é concessão, não se mexe porque sempre respeitamos contratos. O que tem baixo risco exploratório e alta rentabilidade, é partilha. O que ficar no meio será decidido pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). O modelo de partilha nos permite controlar as reservas. O controle não é para tributar mais ou ter mais participação especial. É para controlar o ritmo da produção, ter uma parte da produção na sua mão e ter acesso ao que é o ‘filé mignon’ da renda petrolífera.

Valor: O regime de partilha só existe em países pobres e sem democracia. É um bom modelo para o Brasil?

Dilma: É a política a responsável pelo empobrecimento dos países produtores de petróleo. É a importação a qualquer custo de sondas, equipamentos e navios, como fizeram no Brasil no passado. Quando chegamos ao governo, importava-se tudo da Coreia e de Cingapura. Havia também proibição para investir em refinarias e petroquímica. Não somos um país condenado por qualquer razão a importar todos os equipamentos, como faziam antes. Isso não é correto nem no regime de concessão. Pelo contrário, somos um país que tem que aproveitar e dizer para as empresas que querem pegar nosso petróleo: ‘Vamos criar empresas aqui e criar empregos para os brasileiros.’ Por que não criticam a Noruega por ter feito isso? Ela criou uma política industrial que tornava obrigatório o conteúdo nacional. Lá é concessão com ‘joint venture’ e, claro, o dedo do rei. O processo é totalmente sem licitação.

Valor: O modelo não diminui o interesse dos investidores privados?

Dilma: Não estamos propondo uma coisa absurda, que não seja do conhecimento das empresas. Elas sabem que é assim a regra do jogo. Estamos estimando uma reserva substantiva e o acesso a ela é estratégico. Hoje, 77% das reservas internacionais de petróleo estão nas mãos de estatais e apenas 7% sob controle de empresas privadas. Ter acesso a reservas é o único jeito de valorizar o patrimônio de uma empresa internacional. O que entra no balanço, e que faz com que a empresa tenha acesso a financiamentos para seus investimentos, é a quantidade de reserva que ela pode registrar no seu portfólio. O que acontece é que, num país como o nosso, que vai ter regra do jogo estável, as empresas privadas internacionais não são loucas de falar que não vão vir. As empresas não ideologizam. Elas sabem que quem detém a reserva quer a renda.

Valor: O que garante que as empresas terão acesso a grandes quantidades de petróleo?

Dilma: Temos três campos quantificados na área do pré-sal. Iara é de 2 a 4 bilhões de barris. Tupi é de 5 a 8 e Parque das Baleias, de 1,5 a 2 bilhões. Se uma empresa tiver acesso a 10% de tudo isso, terá 1,4 bilhão de barris. Ora, se tiver 400 milhões já tem que dar graças a Deus.

Valor: Por que o governo optou por capitalizar a Petrobras com petróleo das franjas do pré-sal?

Dilma: O que estamos dando é dinheiro. Os 5 bilhões de barris é dinheiro sob a forma que mais interessa às empresas. E dará à Petrobras capacidade de alavancagem. Com os 5 bilhões, ela poderá ter acesso a reservas de petróleo não concedidas. Quando um banco olhar para os números, verá o potencial da empresa. O preço do barril no subsolo está entre US$ 5 e US$ 15. O banco vai olhar tudo que a Petrobras tem de riqueza para explorar, refinar e exportar. Isso dará fôlego à empresa nos próximos dez anos. Se precisar, capitalizaremos mais, a partir do processo de unitização num campo de pré-sal isolado, por exemplo.

Valor: Não seria mais eficaz capitalizar pelo método tradicional, via Tesouro? Não seria mais eficaz

Dilma: Não queremos gastar dinheiro, botar dinheiro na frente.

Valor: Por causa do pré-sal, o governo pretende capitalizar também o BNDES?

Dilma: Não discutimos nada disso. O que discutimos nós mandamos para o Congresso. Não vejo por parte da Fazenda nenhum interesse em fazer uma nova capitalização do BNDES até porque o banco ainda não gastou a capitalização feita este ano, de R$ 100 bilhões. Por outro lado, a Petrobras conseguiu captar US$ 31 bilhões (cerca de R$ 58 bilhões), incluindo o dinheiro do BNDES e junto a bancos e aos chineses, que colocaram US$ 10 bilhões. Isso cobre os investimentos até 2013.

Valor: Os acionistas minoritários vão poder usar o FGTS para acompanhar o aumento de capital da Petrobras?

Dilma: Não. Eles vão poder aumentar a participação, mas não com cotas do FGTS.

Valor: Por que não?

Dilma: Porque tira liquidez do Fundo.

Valor: Como operadora única do pré-sal, a Petrobras vai poder subcontratar outras companhias?

Dilma: Isso não está na lei, então, enquanto não houver veto, ela pode fazer parcerias. Mas será a operadora única. Nenhuma das empresas está sozinha. Elas contratam prestadoras de serviço, como a Halliburton.

Valor: O governo vai exigir conteúdo nacional dos fornecedores?

Dilma: Estamos tendo um crescente conteúdo nacional. Hoje, está em cerca de 65%. Não produzimos ainda módulos compressores porque não temos tecnologia. Se uma empresa estrangeira quiser fornecer para a Petrobras, ela tem que saber que tem que entrar e ficar aqui. No pré-sal, vamos fazer uma política industrial absolutamente clara para as empresas. Está sendo elaborada pelo BNDES e as empresas estrangeiras também vão ter que ter conteúdo local.

Valor: Como a senhora responde à crítica de que o modelo proposto é estatizante e nacionalista?

Dilma: Vejo que ele implica maior controle do Estado brasileiro sobre a sua riqueza. Nesse sentido, se quiser chamar de estatizante, que chame. Nós achamos que a questão não é essa.

Valor: Qual é a questão?

Dilma: É possível ter maior controle sobre a nossa riqueza e ao mesmo tempo definir regras claras para as empresas internacionais participarem. Queremos, sim, maior controle sobre a nossa riqueza e que não haja dúvida sobre isso. Se é nacionalista querer que a maior parte dos recursos sirva ao país, então, nós também queremos.

Valor: O que se diz é que o novo regime não vai atrair as petrolíferas.

Dilma: Essa história vai durar pouco. Por que elas vão para a Venezuela, onde o contrato é de serviço; para a Rússia, que é concessão e partilha; para o Cazaquistão, Arábia Saudita, Líbia, onde 95% do petróleo é do governo? Essa coisa, tradicional no Brasil, de criar constrangimentos para o país fazer uma política em seu próprio benefício, alegando que não é atrativo para investidores, não se sustenta sob argumento algum. A diferença entre concessão e partilha é que, na concessão, eu não acesso a renda petrolífera, a não ser com imposto e participação especial e, ao fazê-lo, não controlo minha produção; na partilha, acesso o grosso da renda petrolífera e, ao fazê-lo, controlo o ritmo de produção e posso utilizar isso para fazer uma política de alianças internacionais, considerando o papel geopolítico do petróleo.

Valor: De que forma?

Dilma: Fingir que o petróleo não tem aspectos geopolíticos é absolutamente ingênuo. Falar que o mercado de petróleo internacional é o reino da livre concorrência é esquecer recentemente a invasão do Iraque, a estruturação da Opep (cartel dos países produtores) e, um pouco mais recentemente, a forma pela qual a Rússia trata a questão petrolífera. Olhar isso de uma forma ingênua só traz um benefício: a defesa das empresas internacionais porque elas não irão a público falar isso. Não irão!

Valor: Que acordos internacionais o Brasil pode fechar a partir do pré-sal?

Dilma: Nos últimos tempos, o (ministro Edison) Lobão tem participado de discussões internacionais. Esteve na Arábia Saudita, na China, na Rússia. A primeira pergunta feita a ele é: ‘Como eu acesso o pré-sal?’. Na Arábia Saudita, a maior detentora de reservas de petróleo do mundo, a Saudi Aramco quis saber como fazer uma parceria no pré-sal. A China, idem. Nós ainda vamos ver que parcerias internacionais que faremos porque vamos ficar, na Petro-sal, com uma parte expressiva do petróleo para exportar.

Valor: A história mostra que no Brasil os condomínios políticos se apropriam das empresas públicas que, não raro, viram fonte de corrupção. Por que não será assim com o novo modelo?

Dilma: Porque ele tem um sistema de pesos e contrapesos. Há várias camadas de controle.

Valor: Quais?

Dilma: A primeira é a exigência de capacidade técnica na escolha de uma empresa para participar da licitação, como já é hoje no modelo de concessão. Se deixássemos isso livre, financeiras e bancos poderiam entrar nas licitações. Para entrar, tem que ser do ramo. A segunda camada de controle é o comitê operacional, do qual faz parte a Petro-sal.

Valor: Qual será a missão da Petro-sal no comitê?

Dilma: Ela vai ficar de olho no custo do óleo. A forma pela qual se pode reduzir a parte da União na partilha de petróleo é aumentar, de forma artificial, o custo de extração. Então, a Petro-sal existe para controlar o custo do óleo e ver como é que os participantes dos consórcios estão decidindo os programas de investimento e qual é o ritmo da produção. Acima dessas camadas de controle, está a Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Valor: A ANP perderá força?

Dilma: A ANP continuará fazendo o que já faz. Hoje, o consórcio se reúne, aprova um plano de investimentos e o leva para a ANP. Isso está mantido. No novo modelo, a Petro-sal é obrigada, inclusive, a pegar informações dos consórcios e repassá-las à ANP. Isso é importante, porque, no modelo, a Petro-sal está no nível dos agentes participantes dos consórcios. Não há o risco de a Petro-sal influenciar. Na verdade, o risco que corremos é o de a Petro-sal ser influenciada pelos agentes.

Valor: A senhora acha que pode haver risco de captura?

Dilma: É óbvio. A assimetria de informações é imensa. A força não é da Petro-sal. O conhecimento e o poder da União, vis-à-vis ao das empresas, é completamente assimétrico. Hoje, já o é em relação à Petrobras. É por isso que a Petro-sal tem que ser uma empresa altamente qualificada.

Valor: Com poder de veto?

Dilma: Hoje já é assim nos comitês operacionais dos campos explorados pelo regime de concessão. As empresas assinam acordos estabelecendo que cada uma tem poder de veto nas decisões do consórcio. No caso da Petro-sal, nós colocamos isso na lei.

Valor: Como única operadora dos campos do pré-sal, a Petrobras ditará os custos de extração. Na medida em que é também investidora, não haverá conflito de interesses?

Dilma: Hoje, também já é assim. A Petrobras é operadora e investidora da maioria dos campos. A Esso também é operadora e investidora. O que a ANP já exige, no regime de concessão, é que a operadora do campo tenha, no mínimo, 30% dos consórcios. Isso é para evitar que, na hipótese de ela ter menos de 30%, retire a sonda de um campo e coloque em outro em que a sua participação societária é maior. Portanto, há várias regras no modelo da partilha que já vigoravam no de concessão.

Valor: Por que fortalecer tanto a Petrobras?

Dilma: Na área de exploração de petróleo em águas ultraprofundas, precisamos ter o controle dessa tecnologia e ter um certo conhecimento da plataforma que se vai explorar. A Petrobras tem as duas coisas. Não temos por que fazer o nosso modelo sem levar em conta o papel estratégico que a Petrobras construiu ao longo da história. Não posso fingir que não vi por razões ideológicas de, entre aspas, livre mercado nenhum. Não estou ferindo nenhuma norma. Estou simplesmente reconhecendo que tenho uma variável estratégica sob o controle da União e da nação brasileira que se chama Petrobras. Nem por isso a gente vai achar que a regulação não tem que ser feita. O olho da União no pré-sal será a Petro-sal, que vai olhar para todo mundo, inclusive, a Petrobras.

Valor: Por que ficar de olho na Petrobras, se ela vai ser a operadora única e é uma estatal?

Dilma: Não podemos nos esquecer que há muitos interesses comuns entre a Petrobras e as empresas privadas internacionais.

Valor: A ANP não poderia ser o olho da União?

Dilma: A Petro-sal é o governo, portanto, ela está num nível menor de controle do processo. É aí que entra a ANP, que é o segundo contrapeso. Nós conseguimos construir uma agência reguladora, que é uma outra vantagem do Brasil. A ANP sabe que mantivemos intacto o poder dela.

Valor: Como distinguir o papel da ANP e o da Petro-sal no novo modelo?

Dilma: A ANP é uma agência do Estado. A Petro-sal é uma empresa que funcionará como agente da União e será regulada pela ANP. A vantagem desse modelo é que ele tem flexibilidade, capacidade de ajuste e uma imensa articulação institucional, que permite o controle do processo.

Valor: Por que o Tesouro vai poder investir nos campos, via fundo social?

Dilma: Quando chegamos à discussão do fundo social, vimos que um dos investimentos do fundo que pode ser rentável é a exploração de petróleo no pré-sal. Então, colocamos essa possibilidade na lei para não ter que modificá-la daqui a dez anos. Em algum momento, no futuro, há a possibilidade de a União ter dinheiro para investir. Na Noruega, pode. A União investe diretamente via SDFI (sigla em inglês de interesse financeiro direto do Estado).

Valor: A riqueza do pré-sal está a 300 km da costa brasileira. É justo que os royalties sejam distribuídos preferencialmente entre os atuais Estados produtores?

Dilma: Mandamos nossa proposta ao Congresso sem mexer na regra atual, não porque achamos que não tenha que mexer, mas porque consideramos que essa discussão terá de ser feita no Congresso. Isso não está na nossa alçada. É preciso levar em consideração que o Rio de Janeiro está mantendo intacto o que já recebe na concessão e nas áreas já concedidas do pré-sal (29% do total).
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Valor: Como a questão pré-sal vai ser tratada na campanha eleitoral de 2010?

Dilma: Você não acha que eu vou responder essa pergunta…
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