terça-feira, 2 de outubro de 2012

Contraponto 9372 - "Lula, os poderosos e o complexo de vira-latas"



02/10/2012

Lula, os poderosos e o complexo de vira-latas


Por  Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre -  terça-feira, 2 de outubro de 2012


Para a "elite" econômica e a imprensa corrupta, sociólogo é o *Fernando Henrique Cardoso — o *Neoliberal.

  
*Fernando Henrique Cardoso é aquele ex-presidente tucano, do PSDB, mais vaidoso do que um pavão, adotado pelos barões golpistas da imprensa (*Folha de S. Paulo), que vendeu o patrimônio público brasileiro e foi ao FMI três vezes, de joelhos e com o pires nas mãos, porque, por ser incompetente, irresponsável, entreguista e colonizado quebrou o Brasil três vezes.

*Neoliberal é aquela pessoa ou ser vivente que vende seu próprio País, pois negocia o que não construiu e o que não é dele ou dela. Neoliberal é aquele ou aquela que favorece o privado e é negligente com o que é do público. É aquele ou aquela que acredita na diminuição do estado apesar do crescimento da população, bem como não investe em saúde, educação e infraestrutura, além de não criar empregos e de negar o acesso ao consumo à maioria dos cidadãos. Neoliberal é aquele ou aquela que se considera VIP, portanto, sectário e agente da exclusão em vez da inclusão. Neoliberal é aquele ou aquela que contraria o estado de direito para obter lucros e dividendos para si ou para outros. Neoliberal é aquele ou aquela que se sente superior aos seus semelhantes para se autoafirmar por ter um imenso e inconfessável complexo de vira-lata, além de ter uma conduta subserviente e subordinada aos poderosos ao tempo que arrogante e prepotente com os mais fracos, humildes e oprimidos, por se tratar, irremediavelmente, de um ou uma “cosmopolita” às avessas, por ser colonizado e com sentimentos e preconceitos que envergonham sua própria alma. Enfim, o neoliberal é o fim da picada.


*Folha de S. Paulo é aquele pasquim paulista e de direita, manipulador, reacionário, preconceituoso, de péssimo conteúdo editorial cujo dono e fundador apoiou e foi beneficiado pelos governos da ditadura militar, além de ter emprestado as viaturas do jornal para os órgãos de repressão, que torturavam e matavam os adversários políticos dos governos dos generais e dos empresários. 

Contraponto 9371 - "O diabo no meio do mensalão"


02/1/2012

O diabo no meio do mensalão

Do Cafezinho - 2/1/212



(Guimarães Rosa, autor de Grande Sertão Veredas)

Miguel do Rosário


O diabo existe? A pergunta é falsamente ingênua, porque esconde uma dúvida metafísica muito complexa sobre a existência ou não do mal. Riobaldo, o protagonista de Grande Sertão, acha que todos os sábios do mundo deveriam se reunir para decidirem, de uma vez por todas, se há ou não um capeta assombrando o mundo. 

A mídia brasileira encontrou, nos ministros do Supremo Tribunal Federal, os sábios que faltaram à Riobaldo: sete juízes entenderam que sim, que o diabo existe, ou seja, que o mensalão foi compra de voto de parlamentares.

A Procuradoria, as CPIs e toda a mídia brasileira, passaram quase sete anos à procura de um testemunha ou prova consistente que afirmasse a tese da compra de voto. Centenas – talvez milhares – de pessoas foram interrogadas, entrevistadas, devassadas, e todos asseguraram que não, que não houve venda de voto. Não importa. A nossa democracia agora é governada por sete sábios. São eles que dão a palavra final.

O STF produziu uma armadilha para si mesmo, e entrou nela. Desde o início dos debates, muita gente via, estarrecida, que os ministros enveredavam por uma trilha perigosíssima, ao estabelecerem que não havia necessidade de provas ou “atos de ofício” para condenarem os réus. Então, quando todos achavam que o festival de arbitrariedades havia atingido o clímax, eis que ele piora, e o ministros, constrangidos pela dificuldade em condenar sem “ato de ofício”, decidem que o ato de votar é o crime final do parlamentar envolvido no escândalo do mensalão.

Os ministros, no afã de demonstrar a existência do Dito-Cujo, trouxeram-no para dentro do tribunal. Em algum momento dos debates, veremos um redemoinho de papéis num canto do salão. É ele mesmo, o Sem-Nome, rindo-se dos juízes, da imprensa, de nós todos.

Outrora dizia-se que ainda havia juízes em Berlim. Grande ironia da história! Quando a democracia desaba, encontra-se um ou dois juízes tentando salvá-la. Quando a democracia chega a seu momento mais pujante, eis a maioria dos juízes disputando quem a violenta primeiro.

Por sorte ainda temos Wanderley Guilherme, e Blaise Pascal. O primeiro nos lembra o óbvio: que todo acordo eleitoral implica em convergência política. Quando dois partidos fazem um acordo, não é para “inaugurar retratos” nas respectivas sedes. Consegue-se o apoio de uma legenda com o fim de que seus parlamentares concretizem essa parceria na forma de votos. E apoio político, numa democracia altamente concorrencial e capitalista como a brasileira, implica, necessariamente, em acordos eleitorais envolvendo despesas de campanha. Criminalizar isso é criminalizar a própria democracia. É glorificar a hipocrisia.

Se o mensalão foi compra de votos, ou seja, se o governo comprou a consciência dos políticos, então a reeleição de Fernando Henrique Cardoso foi o quê? A própria Constituição de 1988 teria sido “comprada”?  Sim, porque não é sensato pensar que os parlamentares que a promulgaram não receberam dinheiro para tocar suas respectivas campanhas, sendo que boa parte desses recursos, provavelmente, não foi contabilizada. A sabatina de cada ministro do STF também não foi objeto de comércio ilegal? Como o STF pode saber, aliás, qual exatamente foi o voto comprado? Um parlamentar pode receber dinheiro hoje por um voto que já deu na semana anterior. Pode receber adiantado para votar daqui a um mês. Ou seja, até a “coincidência” da datas, que os juízes estão ridiculamente usando como indício de crime, não significa absolutamente nada!
O que os ministros estão fazendo, para o deleite da mídia conservadora, é criminalizar a política brasileira. O discurso de Celso Mello, ontem, representou uma agressão insuportável aos valores democráticos e à nossa própria soberania. Foi um discurso de golpe, com o qual se poderia justificar qualquer violência contra o sufrágio popular. Todos os preconceitos que emergiram com a vitória de Lula voltaram a se manifestar, com força total, nos recentes discursos desses magistrados. Por que não agiram com ira similar quando o réu era Daniel Dantas, um dos maiores corruptores de políticos de que se tem notícia? (Grifo em verde negritado é do ContrapontoPIG)


Pascal, por sua vez, lembra-nos que “nada é justo em si” e que “nada é tão falível como essas leis que reparam as faltas: quem lhes obedece, porque são justas, obedece à justiça que imagina, mas não à essência da lei, que está encerrada em si: é lei e nada mais”.

Celso Mello e seus colegas deveriam reler Pascal antes de se arvorarem paladinos da justiça, da ética e da moralidade. Não porque não sejam éticos e justos, mas porque esses temas pertencem à esfera da pesquisa filosófica, e mesmo assim, objetos de infinitas controvérsias. Quando entra em jogo a política, então, nos deparamos com uma quantidade de areia muito superior ao caminhãozinho dos juízes.

Não questiono o saber jurídico dos excelentíssimos, mas que se atenham a examinar os autos, que para isso pagamos-lhes os salários. Deixem as interpretações arbitrárias sobre o fazer político para seus momentos de lazer. 
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Contraponto 9370 - "O julgamento do século"


PEDRO PAULO DE MEDEIROS
Se a mais alta corte da República assim procede, imaginem o que as pessoas e advogados comuns, nas comarcas do interior do Brasil, vivenciarão na perspectiva das violações a seus direitos
Pedro Paulo de MedeirosPoucos assuntos demandam tanta atenção da mídia (e dos espectadores, obviamente) quanto casos criminais, em especial quando envolvem pessoas que ocupam posição de destaque na sociedade. O julgamento que todos acompanham há tempos, no Supremo Tribunal Federal, a Ação Penal 470, inclina-se a condenar vários acusados, o que tem causado comoção nacional, ensejando até mesmo apostas quanto a quem será preso, quando e por quanto tempo.

Devo, contudo, procurar eliminar um pouco de suas expectativas, indicando uma vez mais que há concretas chances de esse julgamento ser anulado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.


Já escrevi, ao tempo da investigação, sobre as impropriedades formais da denúncia, que não descrevia quem teria feito o que, quando e como, requisitos formais exigidos em qualquer petição inicial que pretenda iniciar uma ação. Se hoje, durante o julgamento, nos parece simples entender o enredo, antes, apesar de imprescindível que fosse, não era. Esse ponto, contudo, já foi tratado. Falo aqui de coisas mais profundas e inéditas.


E não falo só. Jurista e professor, Luiz Flávio Gomes, por amostragem, compartilha desse mesmo entendimento. As chances de anulação desse histórico julgamento, a despeito de sua alta relevância social, pedagógica e jurídica, baseiam-se no fato de que não se está permitindo aos acusados que possam recorrer a uma instância superior, caso sejam condenados. O fato de já estarem sendo julgados pelos juízes reputados mais sábios da sociedade não lhes retira o direito consagrado pela Convenção Americana de Direitos Humanos de receber um julgamento em outra Instância superior. No caso, como no País não há outro tribunal acima do Supremo Tribunal Federal, essa segunda instância deve ser a Corte Interamericana de Direitos Humanos, pois o Brasil se submete a sua Jurisdição desde 1998.


Adicione-se a isso circunstância de que vários acusados não possuem qualquer função pública a lhes exigir julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, senão porque poucos acusados a possuem (a prerrogativa). Assim, esses acusados sem prerrogativa de função estariam perdendo chances de manejo de recursos caso estivessem sendo julgados perante juízes em primeira instância (varas criminais, estaduais ou federais), motivo da arguição lançada logo ao início do julgamento, em questão de ordem suscitada da tribuna por uma das defesas, representada pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, que dispensa apresentações.


Essas chances de anulação são exponencialmente incrementadas quando se observa que o mesmo juiz (um ministro) que colheu as provas durante a investigação está sendo o juiz que está julgando (com) os elementos que ele mesmo colheu, fundindo em uma mesma pessoa investigador e julgador, algo próximo ao que se viu na inquisição. No caso concreto aqui presente, justiça se faça com os fatos, diferencia-se minimamente do passado porque há um órgão auxiliar da investigação e que faz a provocação formal da acusação, que é a Procuradoria-Geral da República.


Situações semelhantes já foram submetidas à Corte Interamericana, que decidiu no sentido de acolher os argumentos da defesa, anulando os julgamentos ocorridos nos países então levados àquela Corte.


Aguardemos o que será decidido em nosso caso brasileiro, não olvidando que uma possível decisão condenatória poderá ser submetida à Corte, inclusive com chances de anulação e de concessão liminar de medida cautelar para não se permitir sequer imposição do cumprimento de pena aos eventuais condenados, enquanto a questão não for decidida de forma definitiva pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.


Vez mais conclamo a sociedade para que reflita: se a mais alta corte da República, diante de acusados bem posicionados social e politicamente, defendidos por alguns dos mais preparados advogados do País, assim procede, imaginem o que as pessoas e advogados comuns, nas comarcas do interior do Brasil, vivenciarão na perspectiva das violações a seus direitos, agora legitimados pela influência paradigmática de seus chefes máximos. Ditado de nossos ascendentes: “Pau que bate em Chico também bate em Francisco”.

Contraponto 9369 - "A história sinistra de Arthur Virgílio"

 

02/10/2012 

A história sinistra de Arthur Virgílio

http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br

Por Altamiro Borges

Em debate promovido ontem pela TV A Crítica, em parceria com a Rede Record, o candidato tucano Arthur Virgílio até tentou se travestir de civilizado e humilde – já que o estigma de truculento e “valentão” pesa contra ele junto ao eleitorado de Manaus. “Eu já cometi muitos erros, nunca o da omissão”, confessou. “Eu lhe desejo paz”, disse, dirigindo-se à senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), que cresce nas pesquisas e está tecnicamente empatada na disputa pela prefeitura da capital amazonense.

A manobra marqueteira

Já numa entrevista ao sítio do jornal A Crítica, o tucano garantiu que cumprirá os quatro anos de mandato e que não usará o cargo como trampolim. “Não sou macaco político”. Ele evitou criticar o ex-presidente Lula – a quem já prometera “dar uma surra” - e disse que o convidará para assistir os jogos da Copa de Mundo “na tribuna de honra”. Solicitou apenas que Lula parasse de atacá-lo. “Raiva não faz bem à saúde de Lula”. Ele ainda pediu desculpas aos camelôs, que foram reprimidos durante sua gestão na prefeitura.

Diante da mídia, Arthur Virgílio se esforça para manter a pose de civilizado – já nas ruas, seus apoiadores distribuem material difamatório proibido pela Justiça Eleitoral e alguns até disparam cusparadas.  O tucano deve estar apavorado. Em 2010, ele também usou esta tática marqueteira, mas foi derrotado na disputa pelo Senado – exatamente para Vanessa Grazziotin. O seu desespero decorre do fato de que ele não consegue apagar a sua sinistra trajetória de mais de 30 anos na política. Lembro abaixo alguns fatos marcantes:

Amigo dos ricos, inimigo dos pobres

Na batalha da CPMF, Arthur Virgílio foi um dos mais ácidos críticos do tributo que penalizava os ricaços e priorizava os programas sociais. Ao tentar agradar as camadas abastadas, inimigas de impostos e adeptas da sonegação, colocou-se contra os mais pobres, inclusive do seu estado, que dependiam deste tributo para ter acesso à saúde. Furioso, o senador até ameaçou renunciar ao cargo de líder do PSDB caso os seus pares seguissem a orientação de governadores tucanos, que contavam com o repasse da CPMF.

A revista Carta Capital estampou na capa a fotomontagem de Arthur Virgílio como papagaio de pirata de FHC, prognosticando que o senador poderia sentir os reflexos desta atitude antipopular com uma nova “surra” no pleito ao Senado em 2010. Mas o tucano não recuou. Logo na sequência, ele reocupou o papel de testa de ferro dos ricaços, em especial dos banqueiros, na batalha contra o aumento das alíquotas do IOF (Imposto sobre as Operações Financeiras) e da CSLL (Contribuição Social sobre Lucros Líquidos).

As bravatas do senador tucano
As mentiras e bravatas de Arthur Virgílio já são conhecidas. A enciclopédia eletrônica Wikipédia até as tornou famosas no mundo. No verbete dedicado ao folclórico político amazonense, ela apresenta vários casos escabrosos. Lembra que o tucano, um dos vestais da ética contra os “recursos não contabilizados” do PT, confessou ao Jornal do Brasil, em 19 de novembro de 2000, que também usou tal expediente: 

“Em 1986, fui obrigado a fazer Caixa-2 na campanha para o governo do Amazonas. As empresas que fizeram a doação não declararam com medo de perseguição política”, confessou. A matéria, intitulada “ilegalidade é frequente”, abordou ainda as denúncias de doações de R$ 10 milhões à campanha pela reeleição de FHC. Mas logo o papagaio de pirata fez a defesa do chefão: “Vamos acabar com essa história de mocinhos pré-fabricados e bandidos pré-concebidos. Neste país, o Caixa-1 é improvável. A maioria das campanhas tem Caixa-2”.
“Dou uma surra no Lula”

A enciclopédia também aborda outros temas constrangedores. Cita a reportagem do jornal O Povo sobre a prisão do deputado Arthur Bisneto, filho do senador, em outubro de 2004 – logo após obter apenas 3,3% dos votos na eleição para prefeito de Manaus. Na praça matriz de Eusébio, nas redondezas de Fortaleza, ele teria “baixado as calças, mostrando as nádegas”, para duas adolescentes que não souberam dizer onde ficava o “Cabaré da Tia Bete”.


Denunciado por testemunhas, Bisneto foi preso por “atos obscenos”. Já na delegacia, ostentando seu nome, desacatou a própria delegada Penélope Malveira, voltando a baixar as calças. “Ele teria reagido com palavrões e dito que com o relógio que estava no seu pulso dava para comprar ‘policiais, viaturas e você’ – referindo-se à delegada”. A cena grotesca, envolvendo o “filhinho de papai”, é que explicaria a reação de Arthur Virgílio, em novembro de 2005, quando afirmou em plena tribuna do Senado que “se ameaçarem um filho meu, dou uma surra no próprio Lula”.


Quem é “idiota ou corrupto”?


Agora, novamente em campanha, o ex-senador evita criticar Lula, no mais patético oportunismo eleitoral. Mas a sociedade sabe que ele foi um inimigo raivoso do ex-presidente. Inclusive, ele utilizou a tribuna do Senado para chamar Lula de “idiota ou corrupto”. Na sua histeria golpista, pregou o impeachment contra o governante eleito democraticamente. Durante uma única sessão da CPI dos Correios, usou 17 vezes o termo “idiota” ao se referir ao ex-presidente. “Volto a dizer que nós temos um presidente que é um completo idiota ou é um corrupto”.


No auge da sua fama, durante a crise do governo Lula, o exibicionista tentou posar de arauto da ética. Mas, como revelou a minuciosa reportagem de Fábio Jammal, na revista Fórum, ele não teria moral para falar em corrupção. “Denúncias de mau uso do dinheiro público não faltaram quando ele foi prefeito de Manaus (1989-93)... Em dezembro de 2004, a Corregedoria Geral da União lhe cobrou a restituição de R$ 154,7 mil aos cofres públicos por causa da falta de comprovação da aplicação de recursos transferidos pelo extinto Ministério do Interior”.


“Virgílio foi dos que pior reagiu à ação da Comissão de Ética quando, em fevereiro de 2002, recebeu pedido de explicações. Ele era titular da secretária-geral da presidência da República e frequentou naquele carnaval os camarotes de empresas privadas no sambódromo carioca. Ele considerou um acidente a admoestação da comissão e tentou dizer que havia pagado R$ 2,5 mil pelo convite. Foi contestado, já que as camisetas da empresa em questão não estavam à venda”.


Inimigo do MST e de Chávez


O tucano também é inimigo declarado de todas as causas progressistas, como a reforma agrária. Quando o ex-presidente Lula colocou o boné vermelho do MST na cabeça, ele criticou “a sinistra e perigosa escalada do governo, que tolera de maneira licenciosa, e por vezes indecorosa, a agressividade do MST”. Para ele, a atitude democrática do presidente, de respeito e diálogo com os movimentos sociais, “pode ser interpretada como um apoio aos métodos ilegais, autoritários, antidemocráticos e violentos de reivindicação política”.


Partidário da derrotada proposta neocolonial dos EUA da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o ex-senador fez de tudo para implodir a integração soberana dos povos da região. O alvo da sua retórica agressiva era o presidente da Venezuela. “Caso dependa do PSDB, a Venezuela de Chávez não terá sua entrada no Mercosul aprovada”, afirmou. Numa entrevista à revista Veja, o diplomata de formação Arthur Virgílio revelou todo o seu rancor anti-diplomático. “O PSDB não compactuaria jamais com um regime ditatorial como o de Hugo Chávez. O PSDB não perderia tempo acreditando nas balelas do senhor Evo Morales”.

Contraponto 9368 - "O arreganho golpista do STF"


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02/10/2012

O arreganho golpista do STF


Eduardo Guimarães 


Deve demorar alguns anos para que a farsa em curso no STF seja denunciada por organismos internacionais como a Corte Interamericana de Justiça. Por conta disso, as ameaças que estão se levantando contra a democracia brasileira terão muito tempo para se desdobrar.

Todavia, cada vez mais juristas e cientistas sociais vão se espantando com o esmagamento de direitos individuais que vai sendo produzido pela mais alta instância do Judiciário brasileiro.

O inconformismo vai se espalhando pelos setores pensantes da sociedade de tal maneira que o ministro Celso de Mello, na sessão de segunda-feira do julgamento da AP 470, passou recibo e respondeu às críticas, afirmando que a Corte que integra não estaria promovendo inovação alguma.

É uma piada. A crer que o STF não está inovando e invertendo princípios consagrados no Direito teremos que aceitar a teoria estapafúrdia de que a corrupção na política brasileira teve início em 2003 com a chegada do PT ao poder, pois jamais aquela Corte agiu como está agindo.

Você já viu, leitor, algum partido político sendo condenado – ainda que apenas retoricamente – por membros do STF? O DEM, por exemplo, nos últimos anos revelou-se um valhacouto de bandidos, tendo até expoentes do partido indo para trás das grades.
Como é que não está havendo inovação se em 129 anos de história republicana jamais o STF condenou partido ou político de expressão algum?

Esse STF rigoroso, cheio de frases de efeito contra o PT, é o mesmo que deu fuga a Salvatore Cacciola, que deu habeas-corpus ao banqueiro Daniel Dantas e que absolveu o ex-presidente Fernando Collor por inexistência de provas que também caracteriza o mensalão petista.

Só sendo muito calhorda, portanto, para afirmar que o PT inventou a corrupção no Brasil. Só sendo golpista até o âmago para aceitar que um processo idêntico ao mensalão petista, o mensalão tucano, receba tratamento diametralmente diferente por parte do STF.
Aliás, vale dizer que o mensalão tucano é mais grave. Primeiro que o mesmo Marcos Valério envolvido com o PT foi quem distribuiu dinheiro para o PSDB. E no mensalão tucano o uso de dinheiro público é inquestionável.

O que espanta é que enquanto Mello negava violação do Estado de Direito o procurador-geral da República dava entrevista afirmando existir “uma torrente de provas” contra José Dirceu. Instado a apontar quais, citou “verossimilhança” da culpabilidade do petista.

Detalhe: a tese de Mello sobre anulação de  atos legislativos de que tenham participado réus do mensalão deve acender o sinal vermelho pois abre a porta para uma crise institucional, já que alguns desses réus, até há pouco, participaram de tudo que deliberou a Câmara dos Deputados desde a década passada.

A mídia, por sua vez, já cita, em tom escancarado de comemoração, benefícios políticos que a oposição ao governo Dilma estaria colhendo por conta do circo armado em torno do julgamento da AP 470, deixando claros os objetivos políticos da cobertura do assunto.
Pouco importa que esses benefícios políticos que a mídia diz que o julgamento estaria gerando à oposição não passem de balela, pois pesquisas recentes mostram que o PT está tendo desempenho igual ao de eleições municipais anteriores. Isso sem falar na popularidade de Dilma e Lula, que só faz subir.

O que importa, então, é o descaramento da mídia ao comemorar abertamente esse pseudo enfraquecimento eleitoral do PT, deixando ver, a quem quiser, que seu objetivo é meramente eleitoral.

Todavia, na opinião deste blog – que há anos diz que o golpismo tupiniquim está bem vivo –, a direita brasileira já ambiciona muito mais do que enfraquecer o PT nestas eleições. Vejam que já virou manchete de primeira página a intenção de envolver Lula no mensalão.
E com um STF e uma Procuradoria Geral da República que aceitam tudo o que os inimigos políticos do PT acusam, além de Lula não custará propor a teoria de que Dilma também estaria envolvida por ter participado do governo anterior.

Detalhe: para quem não sabe, a dupla PGR e STF tem a prerrogativa constitucional de processar presidentes da República.

Se a teoria lhe parece muito ousada, leitor, saiba que incontáveis juristas e cientistas políticos já concordam com essa e com muitas outras possibilidades, dado o processo espantoso em curso no STF.

No último sábado, por exemplo, participei de um jantar que o blogueiro Paulo Henrique Amorim ofereceu ao jornalista Mauro Santayana pelos seus 80 anos. Mauro, amigo íntimo de Tancredo Neves, viveu intensamente os idos de 1964 e vê similaridade entre este momento político e aquele.

Como em 1964, a direita está combalida, não tem votos e, portanto, não tem a mais ínfima perspectiva de retomar o poder. E, como durante o governo Jango Goulart, o Brasil está promovendo forte distribuição de renda.

Aliás, toda a vez que o Brasil distribui renda e o governo que promove essa distribuição se fortalece eleitoralmente a direita dá golpe, retoma o poder na marra e reverte o processo distributivo.  Foi assim com Getúlio Vargas, foi assim com Jango…

Nesse aspecto, a última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domícilios (PNAD – IBGE) acaba de detectar dados que sustentam a tese em questão.

A PNAD 2011, divulgada na semana passada, revelou que, de 2009 para o ano passado, a renda dos 10% mais pobres subiu 29,2%, enquanto que a renda dos 10% mais ricos cresceu 4%. Isso significa distribuição de renda na veia.

A distribuição de renda da era Lula-Dilma foi tão intensa que deixamos de ser o 4º país mais desigual do mundo em 2002 para sermos o 15º hoje (segundo a PNAD), o que ainda é uma péssima colocação. No entanto, muitíssimo melhor do que era quando o PSDB governava.

O “pior” – para a direita midiática – é que, nesse ritmo, em alguns anos o Brasil deixará de ser a aberração de injustiça que o caracteriza. Deveremos atingir um nível civilizado de distribuição de renda em poucos anos caso o efeito Robin Wood continue nessa toada.
Volto explicar: não há mágica para distribuir renda. Para dar a alguém é necessário tirar de alguém. Isso, por óbvio, não se processa por meio de expropriação do dinheiro dos ricos, mas através de políticas públicas que fazem a renda do pobre crescer mais do que a do rico.

A história mostra que toda vez que o Brasil distribuiu renda a elite deu um jeito de interromper o processo e, como em 1964, de revertê-lo. Entre o ano do golpe militar e o fim da ditadura, a desigualdade brasileira subiu 10 pontos no índice de Gini e só começou a cair de fato em 2004.

Durante os últimos anos, toda vez que este Blog aludiu ao golpismo da elite sobreveio descrença. Agora, não mais. Até porque, após espetáculo como o do STF, fica difícil descrer de fenômeno que o Brasil já testemunhou tantas vezes porque integra sua cultura política.
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Contraponto 9367 - "Santayana: O brasil precisa ter a bomba"


 01/10/2012

Santayana: O brasil precisa ter a bomba

                    
Do Conversa Afiada - Publicado em 01/10/2012

“Não sei o que é pior para o Brasil – se a suposta loucura do Darcy, ou a suposta lucidez de Fernando Henrique.”

Não se paga a dívida com a fome do povo.
 Crédito foto Santayana: Conceição Oliveira


Ainda faz sentido falar em nacionalismo ?

Depois da globalização, das multinacionais, em pleno século XXI e no Brasil – que sentido pode ter o nacionalismo, hoje ?

O nacionalismo é a ideologia que permite articular a defesa da pátria que amamos, porque é nossa, de uma agressão.

Especialmente agora que o Brasil achou o pré-sal.

No Brasil, hoje, ser nacionalista é ser solidário com com os países da América Latina.

Como dizia Perón: o século XXI nos encontrará unidos ou dominados.

Por tudo isso, o Brasil deve ter a bomba atômica.

Por que não tem nenhuma ONG que vá à Sibéria reclamar do desmatamento ?

Porque a Rússia tem todas as bombas.

Essas são palavras do jornalista Mauro Santayana, no programa Entrevista Record Atualidade, que foi ao ar na última sexta-feira, na Record News.


(Clique aqui para assistir a entrevista com Mauro Santayana.)

Mauro Santayana acaba de fazer 80 anos.

Com exceção da Revista do Brasil e do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, trabalha na internet.

Ele trabalha no Jornal do Brasil online, é blogueiro, e já trabalhou na Folha, na última Hora, em Minas, foi jornalista no exílio, no México, em Cuba, na República Tcheca, e, depois, como correspondente, na Espanha, na Itália e na Alemanha.

Santayana já viu tudo.

Ou quase tudo. E muito do que sabe deve à convivência, por muito tempo, com Tancredo Neves.

Amigo, confidente, companheiro de articulações políticas, Santayana e Tancredo eram tão próximos que, um dia, depois de ler o rascunho de um discurso escrito por Santayana e que ia ler em seguida, Tancredo disse: não sei você escreve o que eu penso ou se eu penso o que você escreve.

Santayana admite a paternidade de poucas frases de Tancredo.

Por exemplo, “não se paga a dívida externa com a fome do povo”, pronunciada nos Estados Unidos, depois de eleito.

Tancredo foi Ministro da Justiça de Vargas aos 42 anos.

Na noite do dia 23 de agosto, véspera do suicídio, Tancredo sugeriu ao Ministro da Guerra, Zenóbio da Costa, recrutar uma tropa de elite para prender os revoltosos e esconder Carlos Lacerda no interior de Minas.

O Ministro da Guerra respondeu: “seremos esmagados”.

Tancredo retrucou: Ministro, poucas pessoas tem a possibilidade de morrer por uma boa causa. Por que não aproveitamos essa ?

Santayana lembra que a última viagem de Vargas foi a Belo Horizonte

Aparentemente, para inaugurar a siderúrgica Mannesman.

Mas, na verdade, o governador JK pretendia, com Tancredo, articular uma resistência ao Golpe, a partir de Minas.

Mas, Vargas recusou.

Em plena Guerra da Coréia, ele temia que os Estados Unidos aproveitassem a secessão para dividir o Brasil ao meio, como na Coréia.

E esse teria sido, no fundo – acredita Santayana -, o motivo por que Jango não resistiu, em 1964.

Tancredo foi Primeiro-Ministro de Jango e seu líder na Camara.

E tinha profunda admiração por Vargas.

Sobretudo por seu senso de nacionalismo.

Mas, também pela astúcia de Vargas – “Maquiavel é pinto para o sr Getúlio Vargas”, dizia Chateaubriand.

Santayana conta episódio que consta do livro de Lira Neto, “Getúlio, 1882 1930 – Dos anos de formação à conquista do poder”, da Companhia das Letras.

Na página 28, ele conta que, criança, Getúlio e um amigo, numa estrepolia, derrubaram um quadro na parede do pai, Manoel Vargas, e o espatifaram no chão.

Um quadro a óleo de Julio de Castilhos, o guia político de Manoel Vargas.

Com medo, os dois subiram num umbuzeiro e se esconderam.

E lá ficaram, noite adentro, até esperar a fúria do pai passar.

Quando viram a mãe, dona Candoca, na porta da casa, em prantos, em busca do filho sumido, ele desceu.

E guardou uma lição para o resto da vida: “Jamais descer do umbuzeiro antes da hora”.

Com a mesma astucia, pouco antes da  posse, Tancredo incumbiu Santayana de estudar o modelo das televisões públicas européias, especialmente a alemã e a inglesa.

Quem tivesse um aparelho de televisão e quisesse ter acesso, pagava – como a BBC e a Deutsche Welle.

Tancredo estava especialmente preocupado com a degradação dos costumes de que a tevê brasileira se tornara um instrumento.

Ele achava que as crianças não poderiam ser expostas àquilo.

Mas, ele não se preocupava com a Globo?, que o apoiou e até indicou o Ministro das Comunicações, Antonio Carlos Magalhães.

Uma coisa é ganhar a eleição, outra, governar.

Governar é pelo centro, preferia Tancredo.

Se governar pela Direita aliena a esquerda e vice-versa.

Radical, só no nacionalismo.

Governar é administrar recursos, dizia Tancredo.

Por isso, seu Ministro da Fazenda foi o sobrinho e hoje senador Francisco Dornelles.

Preciso de um Ministro da Fazenda que seja de minha estrita confiança, disse Tancredo a Santayana.

Tancredo jamais entregaria o Ministerio da Fazenda a um paulista.

Tanto assim que nomeou o aliado Olavo Setúbal, dono do Banco Itau, Ministro das Relações Exteriores e não da Fazenda.

Como disse a Santayana que, apesar das pressões de Franco Montoro, essa mão aqui, e mostrou a mão direita, jamais assinará uma nomeação de Fernando Henrique para o Ministério.

Ele disse, uma vez, depois de assistir a uma palestra de Darcy Ribeiro: não sei o que é pior para o Brasil – se a suposta loucura do Darcy, ou a suposta lucidez de Fernando Henrique.

Tancredo ia promover, depois de eleito, em agosto, uma reunião de presidentes da America do Sul para discutir o pagamento da dívida externa.

Por fim, o ansioso blogueiro perguntou se Tancredo – que se elegeu Presidente num colégio eleitoral, ao derrotar Paulo Maluf – se submeteria à eleição direta, caso a Emenda das Diretas passasse no Congresso.

Sim , disse Santayana.

Ele estava convencido da vitoria no voto direto e no que chamava “conselho” eleitoral.

Estava na hora de levar os militares até o ponto de ônibus de volta para casa, disse Tancredo, em voz baixa a Santayana.


Paulo Henrique Amorim

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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Contraponto 9366 - "Não posso dirigir o País sem meter o bico em São Paulo"

 

01/10/2012

 

"Não posso dirigir o País sem meter o bico em São Paulo"

Do Brasil 247 - 01/10/2012 às 21:44

Edição/247:

Do Brasil 247 - 1/01/10/2012

Edição/247:

No dia D de Haddad, presidente Dilma parte para cima no enfrentamento com os tucanos; no palanque armado em Itaquera, na periferia Leste de São Paulo, ela ironiza ataque desferido por José Serra e assume toda a sua militância; "Lula deixou pra mim uma herança bendita", disse; sobre Haddad, foi longe: "Ele é um realizador de sonhos"; irá conseguir transferir sua popularidade em alta para o candidato?; os dados estão lançados

247 – A seis dias das eleições de 7 de outubro, a relutância da presidente Dilma Rousseff em mergulhar de cabeça na candidatura de seu ex-ministro Fernando Haddad finalmente foi vencida. Vinda especialmente de Brasília, ela subiu ao palanque, em Itaquera, na periferia Leste de São Paulo, ao lado do ex-presidente Lula, como a atração principal do mais importante comício do candidato do PT até aqui, nesta segunda-feira 1. E 247 – A seis dias das eleições de 7 de outubro, a relutância da presidente Dilma Rousseff em mergulhar de cabeça na candidatura de seu ex-ministro Fernando Haddad finalmente foi vencida. Vinda especialmente de Brasília, ela subiu ao palanque, em Itaquera, na periferia Leste de São Paulo, ao lado do ex-presidente Lula, como a atração principal do mais importante comício do candidato do PT até aqui, nesta segunda-feira 1. E não se furtou ao enfrentamento direto com o tucano José Serra, que a provocou, dias atrás, recomendando-lhe não "meter o bico em São Paulo".

"Não posso dirigir o País sem meter o bico em São Paulo", devolveu Dilma, para alegria e aplausos da platéia reunida pelo PT. Ela falou por cerca de quinze minutos. Não poupou elogios ao ex-presidente Lula, que se manteve todo o tempo ao seu lado. "Lula me deixou uma herança bendita. Ele fez o melhor governo, isso ninguém pode nos tirar", completou a presidente. "Gosto muito de estar ao lado do Lula. Se tem um homem que faz a diferença, é Luiz Inácio Lula da Silva". A seguir, rasgou elogios ao candidato a prefeito. "Haddad é um companheiro de fé. Ele melhorou as condições da Educação", assegurou. "Haddad é um realizador de sonhos". Até mesmo a mulher dele, Ana Estela, ganhou a atenção da presidente. "É uma mulher especial, uma mulher de fé", disse Dilma.

A presidente cumpriu à risca com seu papel de tentar estimular a candidatura de Haddad, com frases sob medida para serem reproduzidas no programa de televisão do candidato. "O Fernando faz a diferença. Na hora de votar, vote em quem faz a diferença", exclamou, numa afirmação pronta e acaba para esta reta final de primeiro turno.

Lula, ao discursar, virou suas baterias para a direção de Serra. "Ele não quer ser prefeito", disse o ex-presidente, batendo na tecla que mais acarreta rejeição ao candidato tucano -- a desistência do mandato de prefeito para concorrer, em 2006, ao cargo de governador de São Paulo. "Serra não conhece as necessidades do povo da Zona Leste", cravou Lula.

A senadora e ministra Marta Suplicy igualmente deu o ar da graça. "Vocês acham que há alguma chance de o nosso candidato não emplacar?", perguntou ela. "Não", respondeu, "não há chance de isso acontecer. Ele tem o apoio de Lula e Dilma e o melhor programa de governo para a cidade".

Fernando Haddad, por seu lado, escolheu um flanco do líder das pesquisas, Celso Russomano, para tentar bater forte. Tratou-se da proposta feita pelo candidato do PRB de cobrar o bilhete único pela distância percorrida pelo usuário dentro do coletivo. "Vocês acham que é justo isso?", perguntou. "O povo da Zona Leste vai ser um dos mais prejudicados", lembrou, numa referência à grande distância da região em relação ao centro da cidade. "Russomano não tem proposta", resumiu.

Com a popularidade em alta, Dilma vai testar, pela primeira vez desde que assumiu a Presidência da República, seu poder de transferir prestígio. O momento, para tanto, não poderia ser melhor e, paradoxalmente, mais arriscado. Se Haddad, efetivamente, ultrapassar o tucano José Serra nas urnas do dia 7, com quem trava uma briga parelha nas pesquisas das últimas duas semanas, consumará uma virada espetacular. Caso, porém, o mesmo Haddad não consiga o feito, tendo contado com Dilma a plenos pulmões, o ex-presidente Lula manipulando seus córdeis políticos e a senadora Marta Suplicy contemplada com o Ministério da Cultura, despejando todo o seu charme sobre a periferia da cidade, o fracasso será de igual proporção. Um verdeiro desastre político, de causar ressaca pelos próximos dois anos, até a próxima eleição presidencial.

Dilma preferia, desde o início, um outro roteiro, no qual tivesse menos exposição na campanha de Haddad. Ela foi convencida pelo ex-presidente Lula, porém, a jogar todas as suas fichas na candidatura caso, antes disso, seu pupilo se mostrasse minimamente competitivo. Ele não subiu como um rojão, como alguns esperavam, sequer chegando perto, segundo as pesquisas, dos 30% que, dizem, o PT teria como voto cativo na maior cidade do País. Porém, entrou para a zona dos dois dígitos de preferências e, à exceção do Datafolha, até mesmo ultrapassou o volume de opções prévias pró-Serra nas pesquisas de opinião. Nesta segunda, às vésperas do comício decisivo, trackings feitos pelo PT davam conta de que o candidato do partido estaria abrindo distância do ex-governador, enquanto o líder nas pesquisas, Celso Russomano, caia. Pode ser, mas o certo mesmo é que a verdade verdadeira só aparecerá no domingo, após o fechamento das urnas.

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Contraponto 9365 - "Onda vermelha atinge oposicionistas"

247 – Há uma onda vermelha se formando no horizonte? Aparentemente, sim. E os mais prejudicados são os candidatos da oposição, que contavam com algumas vitórias em cidades estratégicas, como Salvador, Fortaleza e Manaus.

De acordo com um levantamento publicado nesta segunda-feira pelo jornal Valor Econômico, nas cidades onde houve maior alteração nas pesquisas, os mais prejudicados foram candidatos de partidos da oposição ao governo federal, como DEM e PSDB.
O caso mais emblemático é Salvador, cidade com 1,8 milhão de eleitores. Entre 12 e 27 de setembro, o demista ACM Neto, que sonhava com vitória em primeiro turno, caiu de 39% a 31%, enquanto Nelson Pelegrino, do PT, foi de 27% a 34%. O petista tem ainda uma vantagem, que é o provável apoio de Mário Kertesz, do PMDB, no segundo turno.

Outra esperança que se esvai para o DEM é Fortaleza, que tem 1,6 milhão de eleitores. Moroni Torgan, que tinha 27% em 22 de julho, caiu para 18% e foi ultrapassado tanto por Elmano de Freitas, do PT, com 24%, como por Roberto Cláudio, do PSB, que tem 19%. Na capital cearense, o que se desenha é uma disputa entre o grupo da prefeita Luizianne Lins, do PT, e do governador Cid Gomes, do PSB.

Também no Nordeste, há o caso de João Pessoa, onde Cícero Lucena, do PSDB, caiu de 26% para 20%, enquanto Luciano Cartaxo, do PT, foi de 14% a 29%. O tucano corre o risco de ficar fora do segundo turno, porque é seguido de perto pelo ex-governador da Paraíba José Maranhão, que tem 18%.

No Norte, Manaus, com 1,2 milhão de eleitores, é uma cidade que também coloca em risco o que antes parecia uma provável vitória do PSDB, com Arthur Virgílio Neto. Desde o início da corrida eleitoral, ele liderou todas as pesquisas, mas agora está em empate técnico com Vanessa Grazziotin, do PC do B. Ambos estão com 29%.

Se a onda vermelha continuar crescendo daqui até 7 de outubro, os candidatos da oposição correm o risco de se afogar e morrer na praia.
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Contraponto 9364 - "O uso eleitoral do julgamento no STF"


01/10/2012

O uso eleitoral do julgamento no STF

 

Por Vinicius Mansur, no sítio Carta Maior:


Após cinco anos de trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF) - que possui mais de 700 processos na fila de espera, sendo o mais antigo de 1988 -, a Ação Penal 470, chamada de “mensalão”, teve seu julgamento iniciado em 2 de agosto, em estranha coincidência com o calendário das eleições municipais de 2012: em 6 julho a campanha foi iniciada oficialmente e em 21 de agosto começou o horário eleitoral nas TVs e rádios.

Para esta semana, a última antes do primeiro turno, mais uma coincidência foi agendada: os petistas José Dirceu, José Genuíno e Delúbio Soares entrarão pela primeira vez na pauta do julgamento, pelo crime de corrupção ativa. Também são acusados neste capítulo da denúncia os publicitários Marcos Valério, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach; o advogado e sócio de Valério, Rogério Tolentino; a ex-diretora financeira da agência de publicidade SMP&B, Simone Vasconcelos; e a funcionária subordinada a Vasconcelos, Geiza Dias.

O ministro relator Joaquim Barbosa irá começar a proferir seu voto sobre a corrupção ativa ainda nesta segunda-feira (1°) ou, no mais tardar, na quarta (3). Dependerá de quanto tempo os ministros Dias Toffoli, Marco Aurélio, Celso de Mello e Ayres Britto levarão para concluírem suas análises sobre os 13 acusados de corrupção passiva.

Barbosa já adiantou que levará menos de uma sessão para posicionar-se sobre o crime de corrupção ativa, o que condiciona o revisor, Ricardo Lewandowski, a utilizar o mesmo tempo ou menos. Como serão três sessões esta semana – hoje, quarta e quinta – dificilmente haverá conclusão deste ponto antes do primeiro turno. Resta saber qual ritmo de trabalho será imprimido na Corte, cuja agilidade é constantemente cobrada por setores da mídia, e qual coincidência terá com o calendário eleitoral. O mais provável é que haja o pronunciamento do relator e revisor sobre este item da acusação, com direito a uma réplica de Barbosa.

Reflexos do julgamento na eleição 
 
A coincidência entre os calendários do julgamento do mensalão e das eleições municipais levou, na última sessão (27), a presidenta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e também ministra do STF, Carmem Lúcia, a manifestar sua preocupação com os reflexos do julgamento no pleito a pedir, especialmente aos jovens, para que não transformassem as condenações em descrença na política. A ministra ressaltou que no “estado de Direito a política é sim necessária”, que “a humanidade chegou aonde nós chegamos porque é a política ou a guerra” e que “há muitos bons políticos”. Entretanto, lembrou que o sistema político brasileiro é muito difícil: “Porque um governo que não tem a maioria parlamentar tende a não se sustentar, ele cai. E se ele não cair pouca coisa será feita. Então, cada vez mais é preciso mais rigor na ética e no cumprimento da lei pelos políticos”.

A oposição ao PT está ansiosa com a munição que devem ganhar esta semana, porém, em São Paulo a Justiça Eleitoral já proibiu uma propaganda do PSDB associando o candidatado petista, Fernando Haddad, a Dirceu. De acordo com o juiz eleitoral Henrique Harris Júnior, a peça publicitária "é passível de enquadramento, em tese, como degradante". O PSDB pode recorrer da decisão.

Ansiosidade semelhante também paira nos setores da mídia tradicionalmente antipetistas. Ponta de lança deste setor nos jornais impressos, O Globo, já na última sexta-feira (28), trouxe como manchete: “STF condena aliados do PT por corrupção passiva”. No dia anterior, os votos dos ministros, ainda que incompletos, já haviam selado a condenação de réus ligados ao PP, PL, PTB e PMDB. Neste e em outros jornais, pipocaram artigos para destacar “A hora H” em que, enfim, estará “o PT direta e nominalmente no banco dos réus”, uma vez que “até agora só desfilaram coadjuvantes naquela passarela”.

O “efeito mensalão”, porém, parece estar bem abaixo das ansiosas expectativas. Pesquisa divulgada pelo Ibope na semana passada aponta que o governo Dilma Rousseff alcançou seu melhor índice de aprovação, passando de 59% para 62%. A aprovação pessoal da presidenta se manteve em 77%.

O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, em declaração a O Globo, também considerou que o mensalão não está pesando nas eleições. "O Haddad (SP), o Pelegrino (BA) e o Elmano (CE), todos do PT, estão crescendo. O mensalão está ajudando?", refletiu.

Em ato de campanha de Haddad, na semana passada, o ex-presidente Lula deu indícios de qual discurso irá adotar para tentar impedir que o julgamento do mensalão ataque seus candidatos. “No nosso governo as pessoas são julgadas e as coisas são apuradas. No deles, tripudiam. Na nossa casa, quando nosso filho é suspeito de cometer um erro, nós investigamos e não culpamos os vizinhos, como eles costumam fazer”, declarou. 
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Contraponto 9363 - "Presidenta, a SIP é um ninho de Golpes"

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01/10/2012

Presidenta, a SIP é
um ninho de Golpes

 

Do Conversa Afiada - Publicado em 01/10/2012

 

Nada justifica a participação da presidenta Dilma Rousseff na 68ª Assembleia Geral!

O Conversa Afiada reproduz artigo do Miro sobre a instituição que anuncia uma visita da Presidenta Dilma Rousseff:

Por Altamiro Borges

 


O texto “Dilma irá ao antro midiático da SIP?” gerou certa polêmica. Alguns amigos argumentaram que, como presidenta da República, ela não teria como se ausentar de um fórum de empresários da mídia do continente. Uma atitude deste tipo seria encarada como um “desrespeito à liberdade de expressão”. Os mais otimistas chegaram a dizer que até seria positiva a sua participação na 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa, que ocorrerá em outubro na capital paulista, para “dizer umas verdades”.

Respeito os argumentos, mas discordo. A SIP não é uma entidade empresarial, mas sim um antro golpista. Na semana retrasada, a própria presidenta Dilma arrumou uma desculpa para não participar de um evento do Grupo Abril, após saber de uma reportagem asquerosa da Veja contra o ex-presidente Lula [vale insistir: cadê a entrevista com o Marcos Valério?]. No caso da SIP, não há diferença nas ações asquerosas. Não precisa nem inventar desculpa. Exponho abaixo um pouco da sinistra história desta entidade “empresarial”.

Jules Dubois, o homem da CIA

A Sociedade Interamericana de Imprensa não tem nada a ver com liberdade de expressão e, muito menos, com democracia. Ela reúne os barões da mídia do continente que apoiaram golpes militares e sustentaram ditaduras sanguinárias – alguns destes grupos, como a Globo e o Clarín, inclusive construíram seus impérios neste período com as mãos sujas de sangue. Com a redemocratização na região, estes mesmos barões da mídia foram os difusores do receituário neoliberal de desmonte de estado, da nação e do trabalho.

Sediada em Miami, a SIP defende os interesses das megacorporações capitalistas e as políticas imperiais dos EUA. Ela até tenta se travestir de “independente”, mas a sua direção sempre foi hegemonizada pelos empresários mais ricos e reacionários do continente.  Num estudo intitulado “Os amos da SIP”, o jornalista Yaifred Ron ainda apresenta inúmeros documentos que comprovam os vínculos da entidade com a central de “inteligência” dos EUA, a famigerada CIA.

A SIP foi fundada em 1943 numa conferência em Havana, durante a ditadura de Fulgencio Batista. Num primeiro momento, devido à aliança contra o nazi-fascimo, ela ainda reuniu alguns veículos progressistas. Mas isto durou pouco tempo. Com a onda macartista nos EUA, ela foi tomada de assalto pela CIA. Em 1950, na conferência de Quito, dois serviçais da agência, Joshua Powers e Jules Dubois, passam a dirigir a entidade. Dubois comandou a SIP por 15 anos e tem seu nome gravado no edifício da entidade em Miami.

Desestabilizar governos progressistas

Neste período, a SIP se tornou um instrumento da CIA para desestabilizar os governos progressistas da América Latina. Para isso, os estatutos foram adulterados, garantindo maioria às publicações empresariais dos EUA; a sede foi deslocada para os EUA; e as vozes críticas foram alijadas. “Em resumo, eles destruíram a SIP como entidade independente, transformado-a num aparato político a serviço dos objetivos internacionais dos EUA”, afirma Yaifred.

Na década de 50, ela fez oposição ao governo nacionalista de Juan Perón e elegeu o ditador nicaragüense Anastácio Somoza como “anjo tutelar da liberdade de pensamento”. Nos anos 60, seu alvo foi a revolução cubana; nos anos 70, ela bombardeou o governo de Salvador Allende, preparando o clima para o golpe no Chile. “A ligação dos donos da grande imprensa com regimes ditatoriais latino-americanos tem sido suficientemente documentada e citada em várias ocasiões para demonstrar que as preocupações da SIP não se dirigem a defesa da liberdade, mas sim à preservação dos interesses empresariais e oligárquicos”.

Contra a regulação da mídia

Na fase mais recente, a SIP foi cúmplice do golpe midiático na Venezuela, em abril de 2002, difundido todas as mentiras contra o governo democrático de Hugo Chávez. Este não vacilou e considerou os seus representantes como personas non gratas no país. Ela também tem feito ataques sistemáticos aos governos de Evo Morales, Rafael Correa e Cristina Kirchner. Atualmente, o maior temor da SIP decorre das mudanças legislativas que objetivam democratizar os meios de comunicação na América Latina.

Qualquer iniciativa que vise regulamentar o setor e diminuir o poder dos monopólios é taxada de “atentado à liberdade de expressão”. Como aponta Yaifred, o maior esforço da entidade na atualidade é “para frear as ações governamentais que favoreçam a democratização da mídia”. A 68ª Assembleia Geral deverá, apenas, ratificar esta linha golpista. Ou seja: nada justifica a participação da presidenta Dilma Rousseff!

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PITACO DO ContrapontoPIG

Dilma: manda o PHA te representar ... (já imaginaram?)

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Contraponto 9362 - "Celso de Mello abre possibilidade de anulação de leis"

 

 01/10/2012

Celso de Mello abre possibilidade de anulação de leis 

 




Por Maximiliam Klimberger

 

Nassif: pareceu-me bastante grave a afirmação do Ministro Celso de Mello, conhecido por suas posições conservadoras e atual decano do Supremo Tribunal Federal em suas considerações de voto sobre a fatia que analisa os partidos políticos quanto à acusação de corrupção de que "os atos parlamentares contaminados pela corrupção que agora julgamos, como as reformas da Previdência e outras", são passíveis de anulação.

Na visão do Ministro este e todos os atos de que participaram os parlamentares arrolados na ação e eventualmente condenados, são passíveis de anulação por vício de origem.
Apesar de se tratar de apenas uma "consideração", a fala de Celso de Mello serve de sinalização para que qualquer um invoque nulidade em TODAS, repito, todas as votações do Congresso nas quais estiveram presentes quaisquer dos réus do chamado "mensalão".

É uma afirmativa grave e que pode ter repercussões seriíssimas na vida institucional do País, levando-nos a um quadro semelhante ao vivido recentemente por Honduras e o Paraguay.

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PITACO DO ContrapontoPIG 

Con esta sanha maluca, o STF vai querer revogar até a Lei da Gravidade...
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Contraponto 9361 - "Izaías Almada: o STF e a democracia fatiada"


01/10/2012

Escândalos

Izaías Almada: o STF e a democracia fatiada


Do Escrivinhador - publicada segunda-feira, 01/10/2012 às 10:40 e atualizada segunda-feira, 01/10/2012 às 10:14


Por Izaías Almada *

Tudo indica, e a semana promete, que a mais alta instância judiciária do país, o Superior Tribunal Federal, quer mesmo reescrever a história do Brasil a partir daquele que é considerado o “maior escândalo” em matéria de corrupção entre nós. Novos conceitos e pontos de vista para crimes e ações penais, a rigorosa (aparente, pelo menos) distinção entre indício e prova, a negação do foro privilegiado e, sobretudo, uma sutil, hipócrita, original e ladinamente construída caracterização entre a “corrupção do bem” e a “corrupção do mal”.

Sim, porque é disso que se trata a espetacularização dada pela imprensa ao julgamento da AP 470, vulgarmente chamada de “mensalão”. Ao classificar o tal “mensalão” como a maior corrupção já praticada no Brasil, segundo o entender do Procurador Geral da República, seguida e aumentada pela lente do relator do processo, uma falaciosa questão se coloca. Vejamos: se essa é a maior delas até agora, outras médias, menores ou – quem sabe – do mesmo tamanho ou ainda maiores, foram momentaneamente esquecidas. Falácia, para dizer o menos, pois corrupção é corrupção, não tem maior nem menor.

Avançar o sinal vermelho, molhar a mão do policial, comprar trabalhos escolares, andar na contramão, comprar nota fiscal, vender nota fiscal, sonegar imposto de renda, enviar dinheiro para o exterior por doleiros, praticar o caixa dois na empresa, cobrar do cliente com ou sem nota, aceitar pagar sem nota, aceitar o registro de menor salário na carteira e receber a diferença por fora, abrir a micro empresa fora do município em que atual para diminuir o imposto a pagar, aceitar o achaque de fiscais da prefeitura, ter amigos ou parentes que “quebram determinados galhos”, empregar parentes e amigos em empresas públicas, assédio no trabalho, aumentar o preço de um produto em mais de 100%, comercializar a fé, enfim a lista é bem extensa… E são todos “honestos”, por que não?

Há, por exemplo, a CPI do Banestado, devidamente esquecida e arquivada; toda a ilicitude praticada quando da privatização de empresas públicas, em particular as de telefonia, cujo regabofe foi fartamente distribuído por algumas ilustres figuras que não pertencem aos quadros do PT; há o caso da Lista de Furnas e o também chamado “mensalão mineiro”, bem como as estripulias do DEM em Brasília, onde o insigne e honrado até então governador do DF foi pelo com a boca na botija.


Contudo, pelo tratamento dado até agora a esses e outros casos como o “adiamento” da CPMI-Veja/Cachoeira, convenientemente acertado para não atrapalhar o período eleitoral (mas o julgamento da AP 490 pode), e pela lista exposta no parágrafo acima, fica a impressão de que existem, portanto, a “corrupção do Bem”, aquela que pode esperar, pode ser postergada ou até esquecida, quem sabe, e a “corrupção do Mal”, aquela que precisa servir de exemplo para o Brasil, pois uma vez resolvida, isto é, uma vez condenados os réus de determinado partido ou governo, mesmo que sem provas ou com provas tênues, ficará o exemplo para os pósteros. Será?

A quem querem enganar, afinal? Qual o propósito de gerar tamanha desconfiança e confusão na sociedade brasileira? Tamanha injustiça e talvez o ódio. Começando por fatiar o processo da AP 470, o STF começa também a fatiar a democracia brasileira. E depois, hipocritamente, muitos não sabem por que aumenta a violência no país…

*Izaías Almada é escritor, dramaturgo e roteirista cinematográfico, É autor, entre outros, dos livros “Teatro de Arena, uma estética de resistência”, da Boitempo Editorial e “Venezuela, povo e Forças Armadas”, Editora Caros Amigos.
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Contraponto 9360 - "Ajude a aposentar o pior político do Brasil"


 

01/10/2012

Ajude a aposentar o pior político do Brasil

 



 Eduardo Guimarães


A próxima eleição em São Paulo é só mais uma em um país que tem cinco mil municípios, mas vem sendo discutida de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Isso se deve ao fato de que o segundo colocado na eleição presidencial de 2010, um político que conta com o apoio desabrido de toda a grande imprensa, participa da disputa pela prefeitura paulistana.
Ex-deputado, ex-senador, ex-ministro, ex-prefeito, ex-governador, com uma carreira política que remonta a cerca de meio século, José Serra, a esta altura, deveria estar prestes a vencer no primeiro turno a eleição para prefeito de São Paulo. Todavia, é bem provável que chegue em terceiro lugar.

Serra conta com um apoio da grande mídia que, no pós-redemocratização, só o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve igual. Colunistas de jornais como O Globo, Folha de São Paulo, Estadão e revista Veja se desmancham em elogios a ele e qualquer denúncia contra si é sumariamente ocultada do grande público, sobressaindo apenas na internet.

A explicação para sua fragilidade eleitoral justamente na cidade em que deveria ser mais forte, no entanto, reside em sua péssima atuação como governador e prefeito e por ter legado à capital paulista um prefeito rejeitado pela população paulistana como poucos foram até hoje.

Apesar de São Paulo, sob Gilberto Kassab e Serra, ter piorado em todos os aspectos, um deles pode ser o fator determinante para sua débâcle política: o aumento exponencial da população de rua nos últimos oito anos. Essa gente que parece morta-viva e que vaga pela cidade causa muita vergonha ao paulistano.

Isso se dá porque Serra, em 2005, iniciou um processo higienista que visava “limpar” o centro expandido. Abrigos para sem-teto foram fechados no centro e reabertos nas franjas da cidade, obras públicas foram executadas por todo o centro visando impedir que a população de rua dormisse pelas ruas.

A medida teve um efeito contrário. Se até 2004 o problema da população de rua vinha sendo controlado pela ex-prefeita Marta Suplicy através de programas sociais que vinham resgatando essas pessoas da miséria, oferecendo cursos de capacitação, tratamento psiquiátrico e abrigos dignos, com o abandono do social pela gestão demo-tucana tudo isso se esboroou.

Drogada, suja, doente, psicótica, essa população abandonada por Deus e pelo Estado usa as ruas como banheiro, consome drogas, rouba e assalta. Ou, então, simplesmente vegeta. A São Paulo de hoje, pois, dá vergonha ao seu povo. E também dá raiva.

A posição cadente de Serra na disputa eleitoral paulistana deriva, em boa parte, desse fenômeno. E também porque se trata de um político que utiliza métodos sujos contra os adversários como fabricação de dossiês em ritmo industrial, invenção de calúnias, tudo com apoio de dois grandes jornais e de uma revista semanal – Folha, Estadão e Veja.
Além disso, Serra ainda conta com um grande instituto de pesquisas eleitorais que se recusa a registrar seu terceiro lugar na disputa pela prefeitura apesar de que todas as outras pesquisas dão conta de que segue em trajetória cadente.

Seja como for, a política brasileira, em míseros seis dias, pode receber uma das melhores notícias das últimas décadas. Se de fato Serra não passar ao segundo turno da eleição paulistana, sua carreira política estará encerrada – até para evitar novos vexames.
Fernando Haddad e Celso Russomano poderiam perder a eleição que não significaria nada. Aliás, sairão de 2012 com um gordo cacife eleitoral. Estarão habilitados a disputar qualquer cargo público nos próximos anos. Ambos têm carreiras políticas promissoras pela frente.
Já Serra, se não vencer, estará politicamente morto. Sua aposentadoria seria certeza absoluta. A democracia brasileira, então, estaria livre do político que mais joga sujo hoje em dia. E, como se não bastasse, a oposição estará em uma sinuca de bico, pois, ao contrário do PT, não se renovou.

À exceção de Serra, a oposição não dispõe de nomes promissores. Aécio Neves, a alternativa que a direita vê ao tucano paulista, tem uma ficha para lá de complicada, cheia de escândalos, e se porta como um playboy de 20 anos, metendo-se em bebedeiras e otras cositas más.

Aposentar Serra, portanto, é aposentar uma forma de fazer política que tem atrapalhado muito o Brasil, pois sua falta de propostas e de conteúdo o obriga a apelar para denuncismo, o que empobrece a política, reduzindo-a a um processo policialesco que priva o eleitor de examinar os projetos administrativos dos partidos.
Sondagens estatísticas do eleitorado dizem que Serra deve terminar a eleição em terceiro lugar, mas como a diferença para Haddad ainda é pequena será preciso trabalhar duro até domingo que vem.

A você que não é de São Paulo, portanto, roga-se que colabore para que dentro de seis dias o país se livre daquele que, de longe, é o pior político brasileiro da atualidade. Na internet, qualquer um pode atuar em qualquer parte do país. Manifestando sua opinião sobre essa ameaça à democracia que é José Serra, você pode livrar o Brasil dele.

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PITACO DO ContrapontoPIG

Na aposentaria, sim. E também para colocá-lo na prisão, posteriormente, em função da sua ação funesta na Prevataria Tucana e nas bandalheiras no Governo de São Paulo.
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