sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Contraponto 15.461 - "Política Nacional de Participação Social resgata o PT, democratiza o Brasil e enquadra os golpistas"

Brasil 247

O histerismo em forma de "protesto" calculado e oportunista da direita midiática é resultado do total desprezo que a burguesia sente pela opinião do povo brasileiro

Davis Sena Filho

A alta burguesia brasileira e seu tentáculo mais feroz e reacionário, representado pela imprensa empresarial, mostraram-se, no dia 23 de maio, inconformados, pois furiosas, deveras, com a assinatura do Decreto Presidencial nº 8.243, por parte da presidenta trabalhista, Dilma Rousseff, política que recentemente derrotou o candidato conservador, o tucano Aécio Neves, e, com efeito, vai governar o Brasil até janeiro de 2019.

O histerismo em forma de "protesto" calculado e oportunista da direita midiática, logo repercutido no Congresso Nacional pelos seus cúmplices ideológicos manipuladores de suas notícias facciosas quando, não, mentirosas, é resultado do total desprezo que a burguesia sente pela opinião do povo brasileiro, porque historicamente sempre lutou contra o desenvolvimento do Brasil, porque compartilha, há séculos, dos interesses dos países que controlam o sistema de capitais em termos mundiais.

O documento assinado pela mandatária petista institui o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS) e a Política Nacional de Participação Social (PNPS). A efetivação do decreto vai permitir um grande avanço para a civilização brasileira, pois democratiza ainda mais a sociedade, além de resgatar a história do Partido dos Trabalhadores que, no primeiro Governo Dilma, afastou-se dos movimentos sociais, dos sindicatos e do próprio PT, realidade esta que não ocorreu no Governo popular e democrático de Lula.

Dilma se dedicou, com maior ênfase, em tocar as obras de infraestrutura, manter e expandir os programas de inclusão social e principalmente tratar de questões econômicas e fiscais, a exemplo de superávit primário, controle de inflação e câmbio flutuante, o famoso tripé tão a afeição dos interesses dos governantes, que pode também se tornar um tiro no pé, se tal trio for efetivado somente para atender às demandas do grande empresariado e dos banqueiros, que têm como porta-vozes os oligopólios privados de comunicação, absurdamente controlados no Brasil por meia dúzia de famílias bilionárias e integrantes da plutocracia.

A classe abastada que se incomoda com os impostos e cria o "impostômetro" em São Paulo (só poderia ser lá), mas não se importa em também criar o "sonegômetro", a fim de mostrar e denunciar a sonegação — a sangria, e, posteriormente, repercuti-la para o povo desta Nação altaneira, conforme os nossos hinos, saber o quanto as "elites" brasileiras, tão cônscias das "boas intenções" e mascaradas em suas honras roubam do Brasil, por intermédio de remessas de lucros maquiadas, da sonegação de impostos e do confisco ilegal do patrimônio estatal, a começar pela utilização patrimonialista das instituições, órgãos e autarquias do Estado nacional e da grilagem de terras públicas.

Realidades essas inerentes ou peculiares às ações daqueles que controlam os inúmeros mercados e atividades financeiras e querem o Estado subjugado aos seus interesses. De acordo com a Receita Federal, os brasileiros ricos têm depositado em paraísos fiscais, além de patrimônios móveis e imóveis, a quantia estratosférica de R$ 1 trilhão. Ou seja, um terço do PIB brasileiro, e essa gente ainda têm a desfaçatez de reclamar da vida, além de sempre estar disposta a desestabilizar os governantes que não conjugam com suas ideias, pensamentos e propósitos. Os magnatas brasileiros são a quarta maior fortuna do planeta criminosamente escondida em paraísos fiscais.

Depois reclamam, por intermédio da imprensa familiar e sonegadora, do crescimento econômico do Brasil e caem do pau no Governo petista. Um berreiro calculado, hipócrita e de fundo arrivista, porque reage com cólera à redução dos gastos com os juros da dívida pública, fato este que deixa nu o mercado financeiro e os magnatas bilionários de todas as mídias cruzada, pois, irrefragavelmente, a decisão de Dilma Rousseff recalcula o superávit primário e revela, indelevelmente, que a imprensa alienígena e de negócios privados não tem quaisquer compromissos com o Brasil e seu povo, mas, evidentemente, com os rentistas e o sistema financeiro.

Em contraponto aos desejos e interesses do País, a mídia radical e de direita se mostra endiabrada e barulhenta quando se trata de defender medidas que prejudicam a maioria da população, a exemplo de pregar, sistematicamente, preceitos econômicos impopulares e socialmente perversos, que, sem sombra de dúvida, levam à diminuição dos investimentos em infraestrutura e programas sociais, bem como chancelam o desemprego, o arrocho salarial e os cortes, no que concerne às aplicações orçamentárias em educação, segurança, saúde e moradia, pilares de qualquer sociedade que deseje ser humana, democrática e civilizada.

Eis o retrato 3 x 4 da Casa Grande, cujos inquilinos são adeptos do patrimonialismo e fazem da corrupção seus autos de fé, a exemplo dos bilionários e de seus executivos, que ora se encontram presos na Polícia Federal por terem roubado a Petrobras, ou seja, o contribuinte brasileiro. Por causa disto, a burguesia e os controladores de suas mídias cruzadas e monopolizadas distorcem os fatos, as verdades, os acontecimentos e passam a denominar de corrupto um Governo que investiga e manda prender, porque, na verdade, as castas elitizadas querem a União em suas mãos e, por seu turno, dar sequência à sua história de espoliação e exploração sobre as camadas sociais mais simples e com menos poder de barganha para defender e negociar seus interesses.

São essas as causas do desespero e do ódio dos ricos e dos muito ricos, que têm o apoio de coxinhas de classe média, instruídos e formados em universidades, mas incrivelmente conservadores e rancorosos, porque muitos deles deixam evidentes seus inconformismos e revoltas com a ascensão social e econômica dos negros, dos índios, dos pobres, dos nordestinos e dos nortistas, conforme se verifica, inquestionavelmente, nas redes sociais.

Esse povo pequeno burguês, empregado dos donos dos meios de produção, transformou-se no lúmpen das camadas sociais mais altas, e, ignorante sobre seu próprio papel na sociedade, até porque a pequena burguesia não é considerada classe, alia-se ao que existe de pior em todas as sociedades e civilizações: a exploração simples e pura do homem sobre o homem, com a permissividade dos governos, que se tornam cúmplices da Casa Grande, bem como luta, diuturnamente, para eleger o mandatário que vai atender seus negócios e manter, a ferro e fogo, os muros visíveis e invisíveis do apartheid social e racial, que acontece em todos os países, sejam eles desenvolvidos ou não.

Os coxinhas são cúmplices da miséria humana e da violência nas cidades, e a maioria tem consciência política e razão social sobre essas questões. Eles não são ingênuos e nem ignoram os fatos, mas abraçam, voluntariamente, os valores e os princípios da Casa Grande, a maior culpada pelos conflitos sociais e guerras entre os países.

Repercutem e defendem os interesses do establishment e, consequentemente, compram gato por lebre, porque a alta sociedade — o high society — nunca vai franquear seus salões, porque jamais vai abrir as portas a quem lhe serve como subalterno. No máximo a classe média tradicional vai ser sua empregada um pouco melhor remunerada e consumidora dos produtos e serviços vendidos pelo empresariado. Ponto.

Como fazer o povo brasileiro sair da condição de apenas eleitor de uma democracia representativa, burguesa e tão subalterna aos interesses de grupos econômicos que se aboletaram no Congresso Nacional? Porque se trata de representantes eleitos pelo capital, em suas diferentes faces, sendo que grande parte dos parlamentares atuam e agem para defender os interesses de seus trustes diversificados em categorias empresariais urbanas e rurais.

Como dar voz e poder de decisão ao povo? Respondo: por intermédio de plebiscitos e referendos, sendo que o plebiscito é mais abrangente, porque o povo vota diretamente sobre determinado assunto, a exemplo da reforma política, que a burguesia e a imprensa corporativa não querem que seja aprovada, pois são contrárias ao fim do financiamento privado aos partidos, que precisam de dinheiro para arcar com as despesas provenientes das eleições, o que os levam a criar os caixas dois e, por conseguinte, à corrupção. Sem dinheiro, não há eleição; e, sem eleição, não se elege candidato algum. É como a história do ovo e da galinha...

Pois é, meus camaradas, mas rapidamente repercuto esta pergunta: "O leitor compreendeu o porquê de o capital financeiro, os capitães da indústria, os empresários do agronegócio, os políticos conservadores do consórcio PSDB-DEM-PPS-PSB e, principalmente, os magnatas bilionários de imprensa se mostrarem, furiosamente, contra a instituição do Sistema Nacional de Participação Social (SNPS) e a Política Nacional de Participação Social (PNPS), bem como contrários aos referendos e plebiscitos?

É que essa gente preconceituosa, elitista, sectária e inquilina da Casa Grande, que trata o Brasil como um clube prive, não quer, nunca quis e, se puder, jamais ouvirá a opinião do povo. Por isso que os afortunados criam situações que propiciam a manipulação, a distorção das notícias e das informações, de maneira seletiva, e, geralmente, retiradas de um contexto mais amplo e, portanto, explicativo a quem não participa dos bastidores da luta política, como é o caso da maioria do povo brasileiro.

A imprensa de histórico politicamente golpista e aliada dos trustes internacionais desinforma propositalmente e, se possível, mente. Não interessa a ela elaborar o verdadeiro jornalismo, que tem regras, como, por exemplo, ouvir os dois lados para se chegar a alguma verdade sobre os fatos, que se baseiam em versões. Não; de forma alguma. Os magnatas bilionários de imprensa e seus coiotes de confiança aboletados nas redações se dedicam a fazer política, uma política rasteira, convenhamos, pois não oficial, mas oficiosa. Essa gente simplesmente não quer o desenvolvimento do Brasil e a emancipação do povo brasileiro.

A imprensa burguesa odeia a democracia e quando verifica a ascensão social das camadas populares, trata logo de combater aqueles que propiciaram tal processo, no caso, obviamente, os governos populares e trabalhistas de Lula e Dilma, alvos de suas cóleras e de seus preconceitos e intolerâncias raciais, de classe, de origem, de sexo e, até mesmo, religião. "A burguesia fede; a burguesia quer ficar rica; enquanto houver burguesia, não haverá alegria", já dizia Cazuza, nascido em "berço esplêndido", mas, com efeito e por isto mesmo, sabia o que estava a falar.

O PT tem a obrigação de resgatar suas lutas históricas e a presidenta Dilma Rousseff tem de voltar seus olhos para a militância, os movimentos sociais, os sindicatos e a todos aqueles que votaram em sua pessoa e a reconduziram à cadeira da Presidência da República. O PT tem de enfrentar a oposição de direita e contrária aos interesses do Brasil em todos os terrenos, seja aonde for, pois o povo brasileiro elegeu a mandatária para governar e, consequentemente, determinar e definir o que deve ser feito em benefício de todos os brasileiros, inclusive os que não votaram na candidatura petista.

Urge a aprovação de um plebiscito para a reforma política, bem como deve haver mais celeridade para se efetivar, com a aprovação do Congresso Nacional, o marco regulatório para as mídias — a Lei dos Meios. A presidenta trabalhista também deveria, sobretudo, exigir da Secretaria de Comunicação (Secom), da Presidência da República, que dissemine nos veículos de comunicação, inclusive os privados, as obras do governo, as prontas e as que estão em andamento, bem como repercuta os avanços conquistados por meio de programas sociais e educacionais, além dos que propiciam as pessoas se transformarem em pequenas empreendedoras.
 
Além disso, torna-se necessário ao Governo Federal fortalecer seu sistema midiático, e, para isso, tem de aumentar seu orçamento, realizar concurso e fazer com que a mídia governamental seja disseminada em todo o País, com a ampliação de canais em estados da Federação e regiões que não têm acesso às informações e notícias do que é realizado pelo Governo.

Cadê a Secom? Qual é seu papel? Pelo que vejo é o de apenas empregar pessoas e se ocupar com seu status. A Secom é inoperante. A Política Nacional de Participação Social resgata a história do PT, democratiza o Brasil e enquadra os golpistas, porque dá voz ao povo e o poder de determinar seu destino. É isso aí.
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Contraponto 15.460 - "Globo ataca o Google. Uma Ley de Medios, por favor ! "

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28/11/2014

Globo ataca o Google.
Uma Ley de Medios, por favor !


A audiência do jn não desabou. Vinha desabando e o Ibope segurando …


Conversa Afiada - 28/11/2014


Um número cada vez menor de leitores perde tempo com a edição impressa de o Globo Overseas.

Entre eles o ansioso blogueiro, para contar as páginas publicitárias e acompanhar a inelutável trajetória à falência.

(Clique aqui para ler sobre o fim da imprensa escrita).

Nessa sexta-feira (28/11), o Globo dedica três “reportagens” a atacar o Google.

Na pág 35, invoca o testemunho do Prêmio Nobel de Economia, Jean Tirole, que combate “os monopólios em tecnologia” e ”diz que pode ser necessário intervir, se houver abuso”.

A “reportagem” se refere ao Google.

Porém, omite que essa mesma tese do Tirole serve para condenar o monopólio da Globo e seus malefícios à sociedade brasileira.

(Escolher o Ministro da Fazenda é fácil. Quero ver o das Comunicações …)

Isso, o Globo ignora …

Na mesma página, o Globo informa que o “parlamento europeu pede a divisão do Google”, para separar a função de busca da de outros serviços.

E, na página 39, “deixe-me em paz globalmente”; “Europa agora manda buscador apagar de servidores mundiais links  ‘inadequados’ sobre seus cidadãos”.

De novo, o buscador Google é o alvo.

Como se sabe, o Google vai googlar a Globo.

O Google já é hoje o segundo maior destino de publicidade no Brasil, depois da Globo.

Não são a Record nem o Silvio.

O amigo navegante já deve ter visto pelo Brasil afora os outdoors de programas de televisão no Youtube (que pertence ao Google).

O “Porta dos Fundos”, por exemplo, é um “programa” no Youtube.

O “Porta dos Fundos” agora foi para o cabo também, mas sempre se sustentou com a receita no Youtube.

O Google está googlando a Globo no terreno dela.

Na programação de tevê.

Breve, as agências de publicidade e seus mídias serão compelidos pelos anunciantes a gastar na Globo – com BV e tudo – o que a Globo entrega, de fato, de audiência.

(Menos a publicidade oficial, o Bolsa PiG, que parece mais sólido que o Pão de Açúcar – o morro …)

E vão dirigir à internet uma parcela crescente de suas verbas.

Assim caminha a humanidade, Urubóloga.

Sorry, periferia …

É claro que é preciso vigiar o Google.

A Europa está preocupada, e com razão.

Mas, o Brasil aprovou um Marco Civil da Internet que dá muito poder ao Google.

E aos blogueiros sujos !

E isso não é mau.

O problema é que o Google ganha dinheiro no Brasil e não paga imposto no Brasil.

E para mudar isso tem que passar por cima do Congresso.

E aí a vaca vai pro brejo.

A quem o Eduardo Cunha será fiel: à Globo ou ao Google ?

Quem pode contribuir mais – no futuro – com sua esquálida campanha ?

Mas, Eduardo Cunha – nem ele ! – conseguirá interromper a marcha da tecnologia.

A tecnologia que vai dar uma surra no Globope !

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/197521-grupo-wpp-e-o-novo-dono-das-pesquisas-de-audiencia-no-pais.shtml

O grupo multinacional WPP, da agência de publicidade Ogilvy, comprou o IBOPE.

O IBOPE não poderá mais ser generoso com a audiência da Globo.

Primeiro, porque o IBOPE vai ser cotejado – pelos anunciantes – com o alemão GfK, contratado pela Record e o SBT.

Na verdade, não é que a audiência do jn e do Fintástico tenha desabado de uma hora para outra.

É possível que o IBOPE tenha feito, aos poucos, uma espécie de rede de proteção para receber o GfK: um hedge.

Foi “derrubando” aos poucos o que estava derrubado, diante de uma possível desmoralização retumbante.

Além disso, o Globope não vai poder trabalhar tanto na “margem de acerto” com que opera de mano com o jn, nas eleições.

Os atuais donos do IBOPE ainda mantêm uma participação no Globope eleitoral, muito lucrativo, por certo.

Sobretudo no início das campanhas …

Mas, os ingleses da WPP não vão querer que sua marca, IBOPE, de sua respeitada marca internacional, WPP, com ações na Bolsa de Nova York, se meta nas lambanças do Globo.

Por exemplo, os estrondoso fracasso na Bahia e no Rio Grande do Sul.

E essa lorota de “empate técnico”.

Já imaginou, amigo navegante, se a Bolsa de NY descobre o que o Globope faz no jornal nacional” em ano de eleição ?

A WPP vai ter que rebolar !

(Embora seja possível que o Congresso brasileiro venha a tomar a saudável providência de limitar a divulgação dessas gazuas eleitorais, as chamadas pesquisas de intenção de voto.)

Pois é, amigo navegante, sabe o que os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – vão fazer, agora que estão cercados pela GfK, o Google e a WPP ?

Vão pedir uma Ley de Medios !

Quá, quá, quá !

E agora ela sai !

Quá, quá, quá !


Paulo Henrique Amorim
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Contraponto 15.459 - "No país de Lula, o grande conciliador "


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28/11/2014


No país de Lula, o grande conciliador



Debate sobre composição do segundo governo Dilma não pode ignorar experiência do mais bem sucedido presidente da história

 Os leitores do Brasil 247 tem o direito de festejar um fato raríssimo em nossa vida pública: um debate político franco, travado com ideias e argumentos, no qual a intenção de esclarecer se sobrepõe ao esforço nocivo de ganhar uma discussão de qualquer maneira.

Estou me referindo a polêmica aberta por Breno Altman, um bom amigo, articulista claro e corajoso, a respeito de meu artigo “Dilma tenta evitar armadilha de Jango.” Breno comentou com o texto “Dilma está diante da armadilha de Getúlio.” Estamos falando de lutadores, no sentido figurado e no literal.  Admirei Waldemar Zumbano, avô de Breno, que era técnico de boxe. Assisti a muitas lutas de seus tios, inclusive Eder Jofre, campeão mundial. Também li muitos textos de Breno, referência em diversos debates.

Tudo está disponível no Brasil 247. Aqui vai meu comentário:

Concordo com grande parte das afirmações de Breno Altman. Temos a mesma visão sobre a necessidade de proteger o bem estar dos trabalhadores e dos brasileiros mais pobres. No passado e no presente, nenhum de nós teve receio de assumir bons combates pela liberdade, pela Justiça, contra a criminalização das lideranças populares.

Mas creio que Breno Altman comete um erro essencial ao apontar a lógica da conciliação como uma espécie de desvio fundamental de grandes homens públicos brasileiros, como Getúlio Vargas e João Goulart.
 
Quanto a Goulart, também conciliador, “manteve-se preso a determinados paradigmas herdados de Getúlio.” O problema de Jango, explica, era resistir em se preparar para uma “uma situação de ruptura, na qual as contradições costumeiramente se resolvem pela vitória da revolução ou da contrarreevolução.”

LULA, O GRANDE CONCILIADOR

Acho que é impossível debater conciliação politica, no Brasil de 2014, sem discutir Luiz Inácio Lula da Silva, cujo espírito conciliador é um traço essencial de sua personalidade política.

Lula e seu espírito para negociar, ceder, avançar e ir em frente são parte insperável dos progressos que o país obteve nos últimos doze anos, quando o Brasil deu passos importantes — ainda que limitados — na formação de um Estado de Bem-Estar Social.

Estamos falando de acordos nascidos de vários pactos de conciliação — alguns selvagens, outros elegantes, muitos desastrados — entre a classe dominante tradicional e a direção do Partido dos Trabalhadores, onde Lula sempre assumiu um papel destacado e único.

Palavra associada, erradamente, a capitulação e recuo, a conciliação é um exercício fundamental na prática cotidiana das democracias, onde as instituições existem para conciliar — compatibilizar, harmonizar, as palavras são muitas — os direitos da maioria e proteger a minoria.

A adatação fácil a essa situação ajuda a entender o desempenho fora do comum de Lula na presidência da República. Sem perder sua referência de classe, que lhe garantiu o reconhecimento do eleitorado, ele não deixava de dialogar e mesmo fazer concessões a aliados, adversários e até inimigos.

Antes mesmo de vestir a faixa presidencial já se tornara amigo de infância de George W. Bush.

Refazendo um percurso ocorrido em vários países ao longo do século XX, autores como Tony Judt e Adam Przeworski relatam o que se pode chamar de grande conciliação universal desde a emergência dos trabalhadores na cena política européia.

Num processo diferenciado de um país a outro, a classe dominante aceitou abrir mão de uma parte de seus lucros para fazer concessões e benefícios aos assalariados, num grau de conforto que nenhum de seus profetas seria capazes de imaginar. Em troca, os trabalhadores concordaram em respeitar a propriedade privada, trocando a ideia de mudanças revolucionárias pelo respeito às regras do regime democrático.

Vivemos um país que, foi capaz de evoluir por negociação e também por ruptura. Um dos méritos da obra de Lira Neto sobre Vargas é mostrar que tivemos uma revolução de verdade em 1930, ao contrário do que sustenta uma historiografia da cordialidade. Boa parte de nossa legislação social é fruto desse período. Mas o país chegou a um momento essencial de sua história republicana, a Constituição de 1988, pela negociação democrática.

NOSTALGIA AUTORITÁRIA

Olhando o ministério que foi empossado por Lula em 2003, com Antonio Palocci e Henrique Meirelles nos postos principais, Joaquim Levy no Tesouro, alinhados pela Carta ao Povo Brasileiro que falava em elevar o superávit primário até onde fosse necessário — como sugeriu o empresário João Roberto Marinho, da TV Globo — é obrigatório falar em conciliação.

Olhando os resultados, cabe perguntar: conciliação entre quem?

Era possível, na época, ler jornais que diziam que o medo tinha vencido a esperança.

Economistas ligados ao PT diziam que Lula havia superado o presidente argentino Carlos Menén na fidelidade ao Consenso de Washington.

Impaciente com a demora na reforma agrária, a CNBB anunciou sua ruptura com o governo.

Hoje reconhecido como um dos maiores programas de distribuição de renda do planeta, o Bolsa Família era criticado como “política compensatória”, uma espécie de esmola institucional propagandeada pelo Banco Mundial. Também foi acusado — internamente — como fonte de corrupção, prestação de favores e clientelismo.

Maior feito econômico do governo Lula, a resposta a crise de 2008 foi um carrossel de negociações com empresários, sindicalistas, banqueiros e políticos. Conciliação pura.

No Brasil dos anos 1950 e 1960, a democracia não era vista como um regime respeitável por si — mas como caminho para uma revolução socialista ou uma sala de espera para golpes de Estado.

Considerava-se que, em função de seu atraso economico e perfil sociológico, o país não era capaz de alimentar regimes democráticos estáveis — nem possuía políticos à altura das necessidades da população. Lideranças populares, comprometidas com causas democráticas, eram tratadas com desprezo por estudiosos influentes de nossa vida pública. O professor Octavio Ianni, conceituado autor de O Colapso do Populismo no Brasil , costumava se referir ao sistema político como “democracia populista” — conceito-avô do “bolivarianismo” empregado hoje pelos adversários do PT.

Estudioso de uma geração posterior, em O Populismo na Política Brasileira Francisco Weffort, que anos mais tarde seria um dos fundadores do PT, escreveu: “Na impotência histórica da pequena burguesia está a raiz da demagogia populista. (…) por limitar-se às formas pequeno-burguesas de ação, o populismo traz em si a inconsistência que conduz inevitavelmente à traição.”

Essa visão mudou. A fraqueza da democracia liberal do pós-Guerra tinha a ver com suas origens — um golpe de Estado que derrubou um ditador popular — e também em seu pouco interesse para atender reivindicações das grandes camadas da população.

A democracia que vivemos nasceu nas campanhas de rua contra a ditadura, que envolveram estudantes e trabalhadores, a classe média liberal e mesmo empresários. Sofrida, difícil, a eleição direta não foi uma dádiva, mas uma conquista e isso é reconhecido pela memória da população, que despreza os movimentos de nostalgia autoritária

“NADA VIAM ALÉM DA REVOLUÇÃO

Apesar de uma imensa votação popular, Getúlio foi emparedado por uma conspiração de políticos, empresários conservadores e aliados locais do governo norte-americano, inconformados com a criação da Petrobrás, na época em que, no Irã, a CIA promovia — às claras — um golpe de Estado para derrubar um primeiro-ministro nacionalista e restaurar a monarquia.

Getúlio foi combatido, também, por quem poderia ter-lhe dado apoio e sustentação, pois falava em nome de uma parcela importante dos trabalhadores e da população pobre do país, o PCB, uma das principais organizações populares de então.

Alinhado com uma perspectiva ultra-esquerdista de expandir a revolução a qualquer custo, típica dos anos inciais da Guerra Fria, o PCB considerava Getúlio mais do que um inimigo de classe: um aliado do imperialismo, recusando-se até a fazer campanha por sua eleição, em 1950. Pregou o voto branco. Graças a esse comportamento, que auxiliava a elite que tentava derrubar Getúlio de qualquer maneira, após o tiro no peito, em 1954, a multidão que saiu às ruas para defender suas conquistas e esperanças empastelou as redações dos jornais do partido.

Jango tomou posse em função de uma luta democrática que chegou às fronteiras de uma guerra civil — quando Leonel Brizola mostrou que a democracia nem sempre pode ser defendida de mãos vazias. Procurando enfrentar uma inflação de 25% anuais, Jango não conseguiu apoio para o Plano Trienal de Celso Furtado, projeto que implicava num pacto social que previa o controle de preços, que os empresários não apoiavam, e de salários, que os sindicatos combatiam.

O esvaziamento desse possível acordo de conciliação foi seguido pela nomeação de Carvalho Pinto, político com fortes ligações com o empresariado paulista e também com a esquerda católica. Um de seus principais assessores na época era Plínio de Arruda Sampaio, que ajudou a levar o PDC para a base de apoio de Goulart e, décadas depois, seria dirigente do PT e, após nova mudança, candidato a presidente pelo PSOL.

Após a queda de Carvalho Pinto ocorre uma nova mudança no governo Goulart, que abandona projetos de acordo político para uma ação de ruptura. “Vendo que seu governo acabaria sem realizar as reformas, o presidente aderiu a proposta de enfrentamento pregada pelas esquerdas,” avalia Jorge Ferreira, na espetacular biografia João Goulart. “Mesmo contrariado, fez tudo o as esquerdas quiseram. Todos os projetos de lei exigidos foram enviados ao Congresso Nacional.”

Mas a cena política mudava rapidamente, liberando forças que pareciam mais importantes do que se pensava. Jango fora ultrapassado — embora não fosse fácil distinguir o rumo dos acontecimentos. Ferreira avalia que, diante do motim dos marinheiros — liderados pelo sempre obscuro Cabo Ancelmo — “as esquerdas, embriagadas pela arrogância e autossuficiência, nada viam além da revolução.”

A BUSCA DE UM NOVO GOVERNO

Dilma venceu as eleições mais apertadas ocorridas depois da democratização do país. Comprou e venceu o debate politico, o mais claro de nossas eleições recentes.

Mas Dilma foi derrotada em urnas de forte presença operária e tradição de voto no PT, como aconteceu no ABC paulista. Enfrentou uma campanha atroz por uma parte da elite de grandes empresários e da cúpula do aparelho de Estado, que terminou numa inaceitável tentativa de intervenção no resultado da eleição. Antes que seus eleitores fossem as ruas para celebrar a vitória, em várias cidades do país ocorreram manifestações de cunho fascista a favor de um golpe militar.
É nesse ambiente que Dilma tenta construir um novo pacto político, mais amplo do que o governo de 2010-2014. Convencida de que os problemas econômicos tem uma raiz política, quer ampliar a base do governo. Em sintonia com Lula, seus movimentos tem como objetivo aproximar-se dos mercados, que em vários momentos do primeiro mandato mostraram disposição de sabotar as medidas do governo.

É uma decisão que implica em alguma dose de risco para Dilma. Não se sabe até onde ela irá, para encontrar novos caminhos em relação ao modelo atual.

Pode-se apostar que, em breve, será pressionada a entregar plenos poderes a Joaquim Levy, afastando-se da área econômica. Qualquer senho franzido será motivo de crise midiática.

Esses movimentos fazem parte do jogo político. Mas temos o direito de duvidar que a presidente irá ceder.

Dilma também trouxe o empresário Armando Monteiro Neto, responsável pela campanha vitoriosa no Recife, e que foi duas vezes presidente da Confederação Nacional da Industria, CNI. Está comprando uma briga para nomear Katia Abreu, que foi presidente da Confederação Nacional da Agriculutura, é inimiga número 1 do MST e dos movimentos sociais ligados a terra — mas tem uma boa relação pessoal com a presidente e, numa eleição disputadíssima, ajudou na vitória em Tocantins. Num movimento para o outro lado, Dilma recebeu o teólogo Leonardo Boff e Frei Betto, a quem disse que fará dos movimentos sociais a prioridade de seu governo.

Cumprindo o que disse, terá mais facilidades para enfrentar turbulências que certamente virão.
O reconhecimento popular pela importância da vitória se manifesta na empolgação pela cerimonia de inauguração do segundo mandato. As notícias são de uma grande mobilização rumo a Praça dos 3 Poderes.
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Contraponto 15.458 - "Petrobras: despejar a criança junto com a água do banho?"

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 28/11/2014 

Petrobras: despejar a criança junto com a água do banho?

 

Tijolaço - 27 de novembro de 2014 | 14:08 Autor: Fernando Brito

juniao

Fernando Brito 

É curioso o que ocorre na Petrobras.

A atual direção da empresa, mesmo em meio ao furacão de denúncias, não tem contra si nenhuma acusação.

Ao que parece, também não há contra ela nenhuma acusação de incapacidade técnica: a empresa registra aumentos expressivos de produção, cumpre com relativa regularidade  o cronograma de incorporação de novos poços, aumenta significativamente o nível de eficiência de seu parque de refino.

Ao que parece, também não há contra ela nenhuma acusação de incapacidade técnica: a empresa registra aumentos expressivos de produção, cumpre com relativa regularidade  o cronograma de incorporação de novos poços, aumenta significativamente o nível de eficiência de seu parque de refino.

Ao contrário, Graça Foster era saudade pela imprensa como uma técnica exigente e duríssima com qualquer desvio na empresa.

E, no entanto, está politicamente fraca.

Não porque, de maneira inédita, se tenha descoberto, durante sua gestão, casos de corrupção (ate aqui, passados) na empresa.

Isso  nem vem só de FHC, mas do Governo Geisel, quando o Shigeaki Ueki – o homem que faria a operação de compra da Light um ano antes de que ela revertesse, sem custo, para o Governo Brasileiro – nomeado para a estatal pelo austeríssimo luterano Ernesto Geisel.

O problema da atual direção da Petrobras não é falta de competência ou de honradez, mas do entendimento de que a Petrobras tem um papel político que se confunde com os anseios de desenvolvimento e independência do Brasil.

É que o que se faz contra a empresa é, antes de tudo, o que se faz contra esta aspiração do povo brasileiro.

É que, embora asqueroso que servidores do quadro da companhia não apenas a roubem como fragilizem sua imagem, o tema serve a um duplo propósito.

E adiante, romper o semi-monopólio reconquistado pela Petrobras sobre o pré-sal.

Já recomeçou a cantilena de que o pré-sal “não é tão lucrativo assim” frente á queda dos preços do petróleo.

Mentira: no mix – pré e pós-sal – o petróleo brasileiro custa US$ 14 dólares por barril para ser extraído, o que o deixa ainda com muitíssima folga diante dos US$ 75 dólares para os quais caiu hoje, depois que a Opep (leia-se Arábia Saudita ou leia-se EUA, como preferir) não adotou o corte de produção que defenderia os interesses dos países exportadores.

Por isso, faço questão de reproduzir aqui o olhar muito mais atilado que o meu, do veterano jornalista Nílson Lage, que pratica, estuda e critica o comportamento do jornalismo brasileiro há mais de meio século. E que, depois de tantos anos de janela, conhece todos os personagens deste jogo, desde os tempos do “Petróleo é Nosso”.

O jogo está escancarado

Nilson Lage, no Facebook

O que se disputa é o Brasil.

A campanha mobiliza a mídia comandada pela Sociedade Interamericana de Imprensa através de organizações corporativas nos moldes das agências nacionais de jornais e de emissoras de rádio e televisão – destacadamente, as empresas sempre fiéis, como as Organizações Globo e o que restou dos Diários Associados.

Os recursos fluem através dos mecanismos hegemônicos de patrocínio publicitário implantados nos últimos 60 anos e do financiamento pelas multinacionais interessadas; para isso, elas cooptaram lideranças políticas ambiciosas dos estados mais industrializados no quadro do “desenvolvimento dependente”.

Numa sociedade em que todos os negócios têm comissões e que a corrupção é generalizada – embora se venha reduzindo nos últimos anos – , cuida-se de demonizar seletivamente as empresas brasileiras mais importantes e as principais detentoras de tecnologia com expressão internacional.

Trata-se, como sempre, de minar o poder nacional brasileiro, intimidar sua eventual base de suporte econômico e, afinal, tomar posse integral dos minérios e do bioma amazônico e, com maior urgência, do subsolo do Atlântico que a Petrobrás começou a explorar – o petróleo do pré-sal e muita coisa mais.

Para esse assalto, há traidores bastantes; uma esquerda cega que sonha impossível “revolução já”; bacharéis carreiristas ou alienados; vigilantes que se supõem super-heróis; e forças armadas de caça-fantasmas perseguindo um comunismo de araque que já foi trabalhismo e agora é bolivarianismo.
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Contraponto 15.457 - "Dilma começa a jogar os dados do segundo mandato"

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28/11/2014

 

Dilma começa a jogar os dados do segundo mandato

 





 É possível que a presidente Dilma Rousseff esteja acertando em seus primeiros movimentos para a composição do segundo governo.

Ela tem dois desafios. Um deles, o da recomposição da segurança fiscal. O outro, o da composição de um Ministério plural, que contemple as diversas forças sociais e econômicas.

Trata-se não apenas de medida de eficiência, mas de governabilidade. Não se governa o país apoiado em um espectro político restrito.
 
***

O modelo ideal é aquele em que em cada Ministério haja representantes autênticos da respectiva área de atuação, que tenham o pulso do setor e possam propor as melhores políticas setoriais.
Quando for temas interministeriais, monta-se um grupo de trabalho, discutem-se as questões e a presidente arbitra.

Houve muitas críticas à possível indicação da presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura) para o Ministério da Agricultura, por acusações de complacência com trabalho escravo e desmatamento. Para o bem geral, ela não foi indicada nem para a Secretaria de Direitos Humanos nem para o IBAMA.

***

Na frente econômica, o desafio de um plano fiscal factível, sem gestos heroicos.
 

O risco é se aplicar um ajuste fiscal radical. Nesse caso, sai de baixo. Como já escrevi, se Joaquim tocar, Dilma dança

A oportunidade, se implementar um ajuste fiscal gradual, nos moldes defendidos por seu provável futuro colega de Planejamento, Nelson Barbosa.

Nessa segunda hipótese, a presença de Levy poderá ser positiva em três frentes.

A primeira, por permitir – por sua simples indicação – maior rapidez na recuperação da confiança do mercado.


A economia contará com dois interlocutores pesos-pesados – ele e Barbosa.


***


A terceira é a contrapartida que Dilma poderá oferecer aos grupos que protestaram contra sua indicação.

Dilma sempre foi resistente a formas de participação social. Assinou quase a contragosto o decreto de regulamentação (de figuras previstas na Constituição de 88) – o tal decreto “bolivariano”, conforme batizado pela ignorância radical.

A marca do primeiro governo Dilma foi de um profundo descaso com questões indígenas, fundiárias e de outras minorias – paradoxalmente ao lado de um profundo comprometimento em combater a miséria desorganizada.

As indicações de Levy e Kátia Abreu provocaram enorme alarido na banda esquerda do seu bloco de apoio, aquele que Dilma sempre contou nos momentos mais cruciais da sua curta carreira política – inclusive nas eleições passadas.

Se, como compensação, Dilma radicalizar no novo estilo e abrir espaço para a construção de políticas públicas por parte de atores da sociedade civil – de movimentos populares a ONGs empresariais –, especialmente nos Ministérios sociais, aprofundando a democracia social, poderá iniciar o segundo mandato sob ventos bastante auspiciosos.

***

Se completar os preparativos com sinais claros de uma agenda de reformas macro ou micro, poderá inaugurar um período com perspectivas mais otimistas.


Obviamente, é do conjunto de decisões e do exercício do segundo mandato que se saberá melhor o que esperar de Dilma 2. Por enquanto, é apenas torcida.



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Contraponto 15.456 - "Dilma começa, pelo PT, seu ajuste na política "

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28/11/2014
Dilma começa, pelo PT, seu ajuste na política 

Teresa Cruvinal - 28/11/2014



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Tereza CruvinelA presidente Dilma começa, pelo PT, a fazer agora seu ajuste na política. Depois das críticas de setores do partido e de sua militância à escolha dos ministros da área econômica, ela participa hoje, em Fortaleza, da primeira parte da reunião do Diretório Nacional do PT. As dúvidas sobre sua foram dirimidas com a inclusão do evento em sua agenda oficial de hoje. No encontro, ela deve defender as escolhas de Joaquim Levy, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini, assegurando que o ajuste fiscal será gradual e que a meta de superávit primário anunciada nesta quinta-feira – 1,2% do PIB para 2015 e de 3% para os anos seguintes – não trará recessão, terá foco no crescimento econômico e preservará as políticas sociais.

Este é o segundo ponto de tensão na relação entre ela e o partido. Até agora não houve conversa alguma sobre os demais ministérios. Dilma já convidou Katia Abreu, do PMDB, para Agricultura, sem ouvir o próprio partido dela. Reconheceu a gafe e prometeu mais quatro ministérios ao PMDB, afora a manutenção de Moreira Franco na SAC. Seriam eles Henrique Alves, Eliseu Padilha, Eduardo Braga e Eunício Oliveira. E como Dilma ainda tem que acomodar o PP, o PROS, o PROS e o PC do B, o PT receia perder espaços. O Gabinete Civil e a Secretaria-Geral da Presidência têm titulares petistas mas estas são pastas tidas como da cota pessoal da presidente, por integrarem a estrutura da própria Presidência. As outras são Educação, Saúde, Desenvolvimento Social, Reforma Agrária, Justiça, Direitos Humanos, Relações Institucionais, Comunicações e Igualdade Racial.

Outro ponto importante na relação entre Dilma e o PT é a reforma política, que o partido transformou em bandeira a partir das manifestações de 2013 e do segundo grande escândalo de corrupção, o da Petrobrás, relacionado, como o do mensalão, ao financiamento da política. O PT defende um plebiscito sobre a reforma política, o voto em lista e o fim do financiamento privado de campanhas.

Dilma, na campanha, defendeu a proposta mas depois não voltou ao assunto. No mundo da política todo mundo sabe. Reforma política é assunto que se enfrenta no início do governo, ou então não se fala mais nisso, porque não vai sair. Ele também deve entrar na pauta da reunião de Fortaleza.

Tereza Cruvinel atua no jornalismo político desde 1980, com passagem por diferentes veículos. Entre 1986 e 2007, assinou a coluna “Panorama Político”, no Jornal O Globo, e foi comentarista da Globonews. Implantou a Empresa Brasil de Comunicação - EBC - e seu principal canal público, a TV Brasil, presidindo-a no período de 2007 a 2011. Encerrou o mandato e retornou ao colunismo político no Correio Braziliense (2012-2014). Atualmente, é comentarista da RedeTV e agora colunista associada ao Brasil 247. 

Contraponto 15.455 - "Escolha da nova equipe econômica visou destravar investimentos"


28/11/2014

 

Escolha da nova equipe econômica visou destravar investimentos

levy

 

Eduardo Guimarães

 

A escolha da presidente Dilma Rousseff para o principal cargo da equipe econômica, o de ministro da Fazenda, gerou aflição em muita gente. O Blog tem recebido mensagens via e-mail e comentários privados nesta página e nas redes sociais. Leitores perguntam se devem temer por seus empregos diante do que vem sendo pintado como a adoção pela presidente do programa econômico que ela dizia, durante a campanha eleitoral, que provocaria desemprego no país: o programa econômico de Aécio Neves.

Para começar a explicar, vale propor uma reflexão: por que a presidente faria tal maldade com o povo brasileiro? Estaria finalmente revelando uma perversidade latente que ocultou ao longo dos quase quatro anos de seu primeiro mandato ou é apenas covardia imotivada?

A revolta com a escolha do engenheiro naval Joaquim Levy para comandar a principal pasta econômica do governo federal levou muitos dos que votaram em Dilma há um mês a, agora, dizerem-se arrependidos da escolha. Um dos mais decepcionados chegou a sugerir que, diante da escolha deste ou daquele nome para o novo ministério da presidente, nada haveria a estranhar se ela colocasse o assustador deputado fluminense Jair Bolsonaro na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o que dá uma ideia do climão que se instalou entre os setores progressistas da opinião pública ante a escolha de Levy.
A nova equipe econômica não fará algo que a anterior não faria, apesar de o agora ex-ministro da Fazenda Guido Mantega dificilmente poder ser considerado um bicho-papão como Levy. Diante disso, este Blog dará sua opinião sobre o que aconteceu na economia brasileira durante o primeiro mandato de Dilma e o que acha que deverá acontecer daqui para frente. E, ainda, irá explicar a razão da escolha de Levy e de outros ministros polêmicos do segundo mandato.

Entre 2008 e 2013, o mundo passou pela maior crise econômica da história recente da humanidade. Foi considerada mais grave do que a que quebrou a bolsa de valores americana em 1929. Sessenta milhões de empregos foram extintos em todo o planeta. Países como os Estados Unidos, o mais rico do mundo e o terceiro em qualidade de vida (segundo o IDH 2013), viram surgir favelas em seus territórios.

No Brasil, poderia ter sido feita uma política econômica que contivesse a inflação no centro da meta de 2014 (4,5%). Essa política, apesar de recessiva, segundo os economistas de linha liberal teria resultado em maior crescimento. Os investimentos do Estado em programas gigantescos de obras, a renúncia fiscal para incontáveis setores da economia, os aportes em bancos públicos para conter os juros ao consumidor e propiciar financiamento farto e crescente a esse consumidor, porém, geraram inflação mais alta.

As políticas anticíclicas (ou antirrecessivas) do governo Dilma fizeram a inflação bater no teto da meta, mas, em contrapartida, impediram o desemprego e o arrocho salarial. Com isso, o brasileiro, apesar de pagar mais caro a compra do mês no supermercado, teve dinheiro para fazê-la – e quanto mais baixa a classe social, menos os hábitos de consumo ora gastadores foram afetados pela crise devido aos salários virem subindo acima da inflação.

Houve, porém, um preço a pagar por essa proteção que Dilma deu ao emprego e ao salário: além da inflação um pouco mais alta (2 pontos percentuais a mais do que o centro da meta), houve certo desarranjo nas contas públicas. Por exemplo, o país reduziu drasticamente o superávit primário, economia que o governo faz para pagar suas dívidas.

O superávit primário, porém, é uma tara neoliberal. Sobretudo em um país que tem quase 400 bilhões de dólares de reservas cambiais e, portanto, mesmo sem economizar um centavo via superávit primário por certo tem como pagar suas dívidas. Porém, esse superávit demonstra a disposição do governo de não confrontar o investidor.

Por isso, apesar de tudo o que se falou de Levy ele deu uma declaração na edição do Jornal Nacional da data em que foi anunciado como novo ministro da Fazenda que contraria tudo o que disse a oposição durante a recente campanha eleitoral e que indica que o bicho-papão neoliberal, visto como uma espécie de genérico de Armínio Fraga, talvez venha a se mostrar muito menos malvado do que parece – ao menos por ter que se reportar a uma Dilma Rousseff.

Para ver um Levy menos carrasco do que o previsto, leia, abaixo, trecho de matéria do JN de quinta-feira 27 sobre a nova equipe econômica.

“(…)Os ministros indicados para a Fazenda e para o Planejamento anunciaram o compromisso de fazer um ajuste nas contas do governo nos próximos três anos. Descartaram a adoção de um pacote econômico e medidas drásticas para acertar as contas do país. Segundo Joaquim Levy, os ajustes serão graduais, porque o Brasil não vive uma crise (…)”

Epa! Como assim? Se Levy implementará o modelo de gestão que o ministro da Fazenda que Aécio Neves disse que nomearia, caso fosse eleito, prometeu adotar, então deveria ter, como Armínio Fraga, dito que o Brasil vive uma grave crise que requer justamente ao contrário, ou seja, “medidas drásticas para acertar as contas do país”.

Não foi o que ele disse. Ele e os outros membros da equipe econômica. Ah, ele está fazendo média com Dilma? Bem, se está fazendo média ou não, tanto faz. Sua declaração não é a que daria Fraga ou o possível ministro da Fazenda de Marina Silva, Eduardo Gianetti. Sem uma declaração catastrofista não se pode dizer que a nova política econômica será draconiana como a que prometiam o PSDB e o PSB durante a última campanha eleitoral.

Além disso – agora no campo dos fatos efetivos e não do que eles parecem ser –, a proposta da nova equipe econômica para o maldito superávit primário está longe de ser “draconiana”. Outro trecho do Jornal Nacional revela que o ajuste será mesmo gradual, de forma a não gerar desemprego e arrocho salarial.

Ele [Levy] anunciou que o governo pretende fazer, em 2015, um superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública) de 1,2% do PIB –  que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país num determinado período. Esse número é menor do que a previsão feita pelo governo em agosto, de 2%, mas é maior que a economia esperada para 2014. Para 2016 e 2017, a meta é de um superávit primário 2% do PIB

Para quem não sabe, no tempo de FHC/Armínio Fraga (2002) o Brasil chegou a fazer superávit primário de 4,06% do PIB, o que fez o desemprego explodir para cerca de 12% no país. E, em 2003, primeiro ano do primeiro governo Lula, o superávit primário teve a maior meta da história, de 4,25%.
Detalhe: quem fez aquele superávit primário do primeiro ano de Lula foi Antonio Palocci, do PT.
Porém, como o mundo vai saindo da crise – sobretudo porque os EUA estão saindo, após mais de 5 anos de uma quase depressão econômica –, agora é hora de se preocupar com a higidez das contas públicas.

Tivemos recursos para bancar a preservação do povo brasileiro dos horrores da crise internacional. Foi como se tivéssemos uma gorda poupança da qual retiramos uma pequena parcela para atravessar um período difícil e, agora que a situação começa a melhorar, trataremos de repor o que usamos daquela reserva.

Por conta da boa situação de caixa do país, pode-se adotar, paulatinamente, uma fórmula que, mais do que as contas públicas, terá o condão de melhorar um componente da economia que, devido à política, contribuiu para manter o país estagnado durante o período em que o governo Dilma foi mais “heterodoxo”, por assim dizer: a taxa de investimento privado, que foi brecada por aquelas injunções políticas e pelo temor dos investidores que se estabeleceu.

Aliás, convenhamos, muito empresário segurou investimentos visando criar uma situação-limite para a política econômica, em uma espécie de chantagem política do capital contra o Estado.

Não adiantaria Mantega tocar a mesma política econômica dura que tocou Palocci durante o primeiro governo Lula porque antecessor de Levy perdeu a confiança do mercado ao cumprir a determinação de Dilma Rousseff de afrouxar o garrote das finanças públicas de modo a que o país não mergulhasse no desemprego e no arrocho salarial. Assim, Levy e outros ministros conservadores pretendem, agora que a direita midiática perdeu a eleição, fazer com que os empresários parem de pirraça e voltem a investir, o que é vital para o país.

É simples assim, leitor. Por conta disso, a opinião deste Blog é a de que você não precisa se preocupar com seu emprego. Mas é claro que aqui tampouco se recomenda que continue comprando o último modelo de carro ou de celular, viajando toda hora de férias com a família etc. É hora de poupar para ajudar o país a atravessar um par de anos menos duros do que foram os primeiros anos do primeiro governo Lula, mas, ainda assim, mais duros, do ponto de vista fiscal e monetário, do que entre 2006 e 2014.

PS: a nova equipe econômica também irá produzir um outro efeito benfazejo. Qual seja, o de reduzir o custo-benefício do golpe “paraguaio” que vem sendo articulado pela direita midiática praticamente à luz do dia.

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Contraponto 15.454 - "Pepe Mujica e seu diálogo com o mendigo El César"

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28/11/2014

 

Pepe Mujica e seu diálogo com o mendigo El César


Por Maria Frô novembro 27, 2014 11:08 
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Pepe Mujica e seu diálogo com o mendigo El César
 

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Com informações de Victor Farinelli:

O presidente Uruguaio Pepe Mujica durante uma coletiva ontem em Montevidéu é abordado por um mendigo, conhecido como El César. O morador de rua choraminga e pede uma moeda ao Pepe Mujica. O presidente uruguaio pede pra ele parar de chorar e pra um assessor ajudar El Cesar com algum dinheiro, mas o mendigo insiste:

– Quero uma moeda tua, Pepe.

– Moeda eu não tenho – tira uma nota de cem pesos da carteira, entrega ao morador de rua e diz: mas não chora, caralho!!

– Obrigado! Obrigado… Pepe, quero que você seja presidente pro resto da vida!

– Não!!! Cê tá louco!!



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Contraponto 15.453 - "INVESTIDOR ESTRANGEIRO NÃO DÁ "BOLA" PARA A "CRISE" E SEGUE APOSTANDO FIRME NO BRASIL "


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28/11/2014

 

INVESTIDOR ESTRANGEIRO NÃO DÁ "BOLA" PARA A "CRISE" E SEGUE APOSTANDO FIRME NO BRASIL 

 

 
 

 (Do Blog) - Enquanto, aqui dentro, refém da síndrome da “crise” e do “fim do Brasil”, muita gente está com medo de fazer negócios ou adiando investimentos, os estrangeiros, menos afeitos à imprensa local e aos comentários nos portais da internet, continuam apostando firme na segunda economia das Américas e  sétima maior do mundo.

A Comissão Econômica para a América Latina, informa que, até setembro, o IED - Investimento Estrangeiro Direto, caiu em cerca de 28%, em média, no continente, com destaque negativo para o México (- 18%), tido como o “queridinho” dos mercados. Enquanto isso, ainda segundo a CEPAL, o Brasil foi o único país em que cresceu o Investimento Estrangeiro Direto - acima de 8% - que deverá se manter em um patamar superior aos 60 bilhões de dólares até dezembro, sem queda expressiva com relação aos últimos anos.
Segundo informa o “Valor Econômico”, as estatísticas do Banco Central mostram que os investidores nacionais e estrangeiros reagiram de forma bem distinta quanto a  um segundo mandato para  Dilma Roussef.

Se o investidor local, no período eleitoral e pós eleitoral, tirou dinheiro do país, os estrangeiros -  certamente motivados pelo fato de o Brasil ter voltado a ter superávit primário no mês passado, ainda ter reservas acima de 375 bilhões de dólares, com uma dívida líquida pública de apenas 33% do PIB, e por recomendações de compra de ações como as da Petrobras, feita pelo Deutsche Bank, há alguns dias - apresentaram forte aporte em IED e na compra de títulos públicos e ações, com ingresso conjunto, no país, de mais de 11 bilhões de dólares em outubro.


Mais informações:

http://noticiasbancarias.com/economia-y-finanzas/03/11/2014/la-inversion-extranjera-en-america-latina-disminuye-un-23/73236.html#comment-1309

http://www.streetinsider.com/Analyst+Comments/Deutsche+Bank+Starts+Petrobras+(PBR)+at+Buy/10030402.html
 
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Contraponto 15.452 - "Novo ministro decepciona neoliberais; Santander anuncia R$ 25 bi para infra-estrutura"

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28/11/2014 

 

Novo ministro decepciona neoliberais; Santander anuncia R$ 25 bi para infra-estrutura



Do Cafezinho  - postado em 27/11/2014


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Novo ministro decepciona neoliberais; Santander anuncia R$ 25 bi para infra-estrutura


Por Miguel do Rosário

 Novo ministro decepciona neoliberais; Santander anuncia R$ 25 bi para infra-estrutura

Novo ministro da Fazenda decepcionou neoliberais ao anunciar meta suave de superávit primário para o ano que vem, e enfatizar que não haverá agressão aos programas sociais, o emprego e à renda.

E mostra que as diretrizes fundamentais da economia continuam em mãos da presidenta Dilma.

*

Meta de superávit primário em 2015 será 1,2% do PIB, diz Joaquim Levy

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil Edição: Marcos Chagas

A meta de superávit primário – economia para pagar os juros da dívida pública – corresponderá a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB – soma das riquezas produzidas no país) no próximo ano. O anúncio foi feito há pouco pelo futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

O superávit primário é a economia de recursos para pagar os juros da dívida pública e permite a redução do endividamento do governo no médio e no longo prazos. Segundo o futuro ministro, em 2016 e 2017, o setor público se comprometerá com uma meta de esforço fiscal de pelo menos 2% do PIB.

Segundo Levy, o superávit primário de ao menos 2% é necessário para assegurar a continuidade da redução da dívida líquida do setor público em relação ao PIB. Levy, no entanto, reconheceu que é impossível alcançar esse nível de esforço fiscal no próximo ano.

“Em 2015, a melhora do superávit primário alcançada não deve permitir chegar ao valor de 2% do PIB. Deve-se trabalhar com meta de 1,2%, na forma das estatísticas do Banco Central. Para 2016 e 2017, a meta não será menor que 2% do PIB”, explicou.

O futuro ministro comprometeu-se a ser transparente na divulgação dos dados das contas públicas. Segundo ele, o acesso pleno às informações facilita a tomada de riscos pelas famílias, pelos consumidores e pelos empresários, principalmente nas decisões de investimento.

“Alcançar essas metas [de superávit primário] é fundamental para ampliar confiança na economia brasileira. Isso permite ao país consolidar o crescimento econômico e melhorar as conquistas sociais realizadas ao longo dos últimos 20 anos”, explicou.

Por causa da queda da arrecadação e do aumento dos gastos, o governo anunciou que a meta de superávit primário, no próximo ano, corresponderá a R$ 10,1 bilhões, em vez da meta original de R$ 80,7 bilhões. A redução do esforço fiscal ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.

O anúncio da nova equipe econômica foi feito nesta tarde pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Thomas Traumann, no Palácio do Planalto. Em nota oficial, a presidenta Dilma Rousseff agradeceu a dedicação dos atuais ministros, que permanecem em seus cargos até que os novos indicados formem suas equipes. Além de Levy, Nelson Barbosa, que assume o Planejamento, e Alexandre Tombini, que permanece no Banco Central, conversaram com a imprensa.

*

Outra notícia boa, que desmoraliza totalmente o discurso apocalíptico da mídia. Já informei, em posts anteriores, que o investimento externo direto cresceu em 2014.

Agora, o Santander promete 10 bilhões de dólares, ou seja, mais de 25 bilhões de reais, em crédito para obras de infra-estrutura no Brasil.

*

No blog do Planalto.

Após encontro com Dilma, presidenta do Santander anuncia crédito de US$ 10 bi para infraestrutura

Quinta-feira, 27 de novembro de 2014 às 18:21
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Presidenta Dilma Rousseff recebe a presidenta do Grupo Santander, Ana Botín, e o presidente do Banco Santander Brasil, Jesús Zabalza. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta Dilma Rousseff recebeu a presidenta mundial do Grupo Santander, Ana Botín, nesta quinta-feira (27) no Palácio do Planalto. Durante a conversa, a presidenta do banco espanhol reafirmou o compromisso com o desenvolvimento do Brasil e anunciou a disponibilização de US$ 10 bilhões de crédito para empresas investirem em infraestrutura.

“Brasil é estratégico para o Grupo Santander. Somente este ano já investimos mais de R$ 4 bilhões e continuaremos investir, pois temos plena confiança no desenvolvimento do País”, afirmou Ana.

Há cerca de um ano, o ex-presidente do grupo, Emílio Botín, anunciou o aporte de US$ 10 bilhões em apoio ao Programa de Desenvolvimento de Infraestrutura. Segundo o Santander, esta verba foi totalmente utilizada. Por isso, a confiança na economia brasileira persiste, principalmente no papel das pequenas e médias empresas. O banco quer assessorar essas empresas em seu dia a dia e na administração de seus negócios.

“As pequenas e médias empresas são fundamentais para o desenvolvimento social e econômico do País, devido ao seu papel de grande geradoras de emprego e renda. Por isso queremos estar cada vez mais próximos delas”, ressalta.
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Novo ministro decepciona neoliberais; Santander anuncia R$ 25 bi para infra-estrutura

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Novo ministro da Fazenda decepcionou neoliberais ao anunciar meta suave de superávit primário para o ano que vem, e enfatizar que não haverá agressão aos programas sociais, o emprego e à renda.
E mostra que as diretrizes fundamentais da economia continuam em mãos da presidenta Dilma.
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Meta de superávit primário em 2015 será 1,2% do PIB, diz Joaquim Levy
Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil Edição: Marcos Chagas
A meta de superávit primário – economia para pagar os juros da dívida pública – corresponderá a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB – soma das riquezas produzidas no país) no próximo ano. O anúncio foi feito há pouco pelo futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
O superávit primário é a economia de recursos para pagar os juros da dívida pública e permite a redução do endividamento do governo no médio e no longo prazos. Segundo o futuro ministro, em 2016 e 2017, o setor público se comprometerá com uma meta de esforço fiscal de pelo menos 2% do PIB.
Segundo Levy, o superávit primário de ao menos 2% é necessário para assegurar a continuidade da redução da dívida líquida do setor público em relação ao PIB. Levy, no entanto, reconheceu que é impossível alcançar esse nível de esforço fiscal no próximo ano.
“Em 2015, a melhora do superávit primário alcançada não deve permitir chegar ao valor de 2% do PIB. Deve-se trabalhar com meta de 1,2%, na forma das estatísticas do Banco Central. Para 2016 e 2017, a meta não será menor que 2% do PIB”, explicou.
O futuro ministro comprometeu-se a ser transparente na divulgação dos dados das contas públicas. Segundo ele, o acesso pleno às informações facilita a tomada de riscos pelas famílias, pelos consumidores e pelos empresários, principalmente nas decisões de investimento.
“Alcançar essas metas [de superávit primário] é fundamental para ampliar confiança na economia brasileira. Isso permite ao país consolidar o crescimento econômico e melhorar as conquistas sociais realizadas ao longo dos últimos 20 anos”, explicou.
Por causa da queda da arrecadação e do aumento dos gastos, o governo anunciou que a meta de superávit primário, no próximo ano, corresponderá a R$ 10,1 bilhões, em vez da meta original de R$ 80,7 bilhões. A redução do esforço fiscal ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.
O anúncio da nova equipe econômica foi feito nesta tarde pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Thomas Traumann, no Palácio do Planalto. Em nota oficial, a presidenta Dilma Rousseff agradeceu a dedicação dos atuais ministros, que permanecem em seus cargos até que os novos indicados formem suas equipes. Além de Levy, Nelson Barbosa, que assume o Planejamento, e Alexandre Tombini, que permanece no Banco Central, conversaram com a imprensa.
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Outra notícia boa, que desmoraliza totalmente o discurso apocalíptico da mídia. Já informei, em posts anteriores, que o investimento externo direto cresceu em 2014.
Agora, o Santander promete 10 bilhões de dólares, ou seja, mais de 25 bilhões de reais, em crédito para obras de infra-estrutura no Brasil.
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No blog do Planalto.
Após encontro com Dilma, presidenta do Santander anuncia crédito de US$ 10 bi para infraestrutura
Quinta-feira, 27 de novembro de 2014 às 18:21
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Presidenta Dilma Rousseff recebe a presidenta do Grupo Santander, Ana Botín, e o presidente do Banco Santander Brasil, Jesús Zabalza. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta Dilma Rousseff recebeu a presidenta mundial do Grupo Santander, Ana Botín, nesta quinta-feira (27) no Palácio do Planalto. Durante a conversa, a presidenta do banco espanhol reafirmou o compromisso com o desenvolvimento do Brasil e anunciou a disponibilização de US$ 10 bilhões de crédito para empresas investirem em infraestrutura.
“Brasil é estratégico para o Grupo Santander. Somente este ano já investimos mais de R$ 4 bilhões e continuaremos investir, pois temos plena confiança no desenvolvimento do País”, afirmou Ana.
Há cerca de um ano, o ex-presidente do grupo, Emílio Botín, anunciou o aporte de US$ 10 bilhões em apoio ao Programa de Desenvolvimento de Infraestrutura. Segundo o Santander, esta verba foi totalmente utilizada. Por isso, a confiança na economia brasileira persiste, principalmente no papel das pequenas e médias empresas. O banco quer assessorar essas empresas em seu dia a dia e na administração de seus negócios.
“As pequenas e médias empresas são fundamentais para o desenvolvimento social e econômico do País, devido ao seu papel de grande geradoras de emprego e renda. Por isso queremos estar cada vez mais próximos delas”, ressalta.
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Contraponto 15.451 - "As verdades e as fantasias em torno do ministério de Dilma"

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28/11/2014

 

As verdades e as fantasias em torno do ministério de Dilma




Poderia ser bem pior

Paulo NogueiraHá um imenso alarido em torno do ministério de Dilma.

Pela esquerda, floresceu um sentimento de indignação assim que se surgiram nomes como o de Joaquim Levy e Kátia Abreu.

Em sua coluna de hoje na Folha, o ativista Guilherme Boulos sugeriu, dado o andar da carruagem, que Dilma também levasse para sua equipe Lobão, Bolsonaro e Reinaldo Azevedo.

Fora do campo do humor político, intelectuais lançaram um manifesto para que seja seguido por Dilma o programa vitorioso nas urnas.

Joaquim Levy foi sublinhado, no manifesto, como um típico representante das ideias derrotadas pelos eleitores.

Pela importância do cargo de ministro da Fazenda, o inconformismo da esquerda se concentra em Levy, mais que em Kátia Abreu.

Quanto há de realidade no medo de que Dilma, afinal, faça o que Aécio faria caso ganhasse?
Pouco, ou nada.

Nomear Levy é um problema muito mais de simbologia do que de qualquer outra coisa.

É verdade que simbologia conta, e provavelmente se deva à reação negativa a Levy que Dilma tenha protelado sua confirmação no cargo, algo que deveria ter ocorrido na sexta passada.

Mas, concretamente, Levy, ou quem fosse, vai obedecer ao comando presidencial. Suas decisões só serão materializadas com o aval de Dilma.

Imagine uma empresa.

Você tem, nela, um presidente. E tem também, sob sua supervisão, um diretor financeiro.
O diretor de financeiro vai obedecer às diretrizes do presidente. Ele tem que ser competente para executar as ordens e sugerir medidas. Mas a decisão está um degrau acima.

Essa empresa hipotética tem que cortar despesas, porque elas estão acima das receitas, e isto é insustentável.

Compete ao presidente escolher onde cortar. O diretor financeiro pode e deve fazer sugestões. Mas os cortes serão feitos onde o presidente determinar.

É exatamente esta a lógica que vai dominar também a relação entre Dilma e seja quem for o novo ministro.

Ele não terá autonomia, por exemplo, para ceifar programas sociais – algo que fatalmente ocorreria sob Aécio.

Como e onde você corta faz toda a diferença num ajuste fiscal.

Há áreas que pedem por cortes que não terão efeito nenhum sobre a sociedade. Por exemplo, entre 2002 e 2012 os gastos do governo com publicidade dobraram. Passaram de cerca de 1 bilhão de reais para 2 bilhões, aproximadamente.

Há, aí, 1 bilhão fácil de podar.

Outros bilhões você encontrará, sem grandes dificuldades, em outras áreas.

Um bom método para isso – amplamente usado em empresas eficientes mundo afora – é o chamado orçamento zero. Você não parte do orçamento anterior para montar o novo. Parte do zero para verificar o que é, realmente, necessário gastar.

Outro método vital para equilibrar as contas, nas empresas, é explorar ao máximo as receitas.
O Brasil tem um problema dramático de evasão fiscal. Outros países também têm, mas eles estão claramente empenhados em resolvê-lo.

No G20, combater o uso de paraísos fiscais por grandes empresas foi um dos temas dominantes nas discussões.

No Brasil, paira um silêncio inaceitável sobre este tema. Lutar contra a sonegação é algo que tem que ser liderado pelo governo, mas até aqui nenhum pronunciamento sobre o assunto foi feito nem por Dilma e nem por ninguém no poder.

Obama vem falando disso, Cameron também, Hollande também, e assim outros líderes de países que sofrem com os paraísos fiscais – mas Dilma não.

Você chega a situações bizarras.

Levy é do Bradesco – que semanas atrás apareceu num episódio de evasão, via Luxemburgo. O repórter Fernando Rodrigues, em seu último trabalho na Folha, teve acesso a documentos que mostram que o Bradesco “economizou” 200 milhões de reais com o deslocamento de dinheiro para Luxemburgo.

Isto foi ponderado na decisão de convidar Levy? Provavelmente não, uma vez que o primeiro convite foi feito ao chefe de Levy, Trabuco, o presidente do Bradesco.

No campo das receitas, não faz sentido esperar o cerco à sonegação pelos paraísos fiscais, diante do convite a Trabuco e a Levy.

Mas no terreno dos cortes é um erro de avaliação considerar que Levy, ou qualquer outro, vá ter liberdade de ação para fazer o que quiser.

Tudo isso somado, vai-se chegar, no segungo governo de Dilma, ao que caracterizou o primeiro: avanços sociais expressivos – mas aquém daquilo que seria desejável para um país tão desigual quanto o Brasil.

Não é o ideal, mas poderia ser muito pior caso Aécio ganhasse.

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Paulo Nogueira. Jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.
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