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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Contraponto 5952 - "Mantega diz que crise internacional não provocará desemprego no país"


09/08/2011


Mantega diz que crise internacional não provocará desemprego no país

Do G1 - 09/08/2011 04h04

Ministro da Fazenda diz que Brasil está preparado para a turbulência.
Segundo Mantega, crise internacional afetará mais os países avançados.

Do G1, com informações do Jornal da Globo

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta segunda-feira (8), em entrevista exclusiva ao Jornal da Globo, , que a crise econômica internacional que afeta principalmente os Estados Unidos e a Europa não vai criar desemprego ou reduzir a renda no Brasil.

Segundo Mantega, a turbulência nos EUA e na Europa é um crise de confiança. “Acho que há uma crise de confiança. É a confiança na capacidade de recuperação dos EUA. Está muito lenta. E a resolução dos problemas da dívida europeia também está demorando”.

Mantega afirmou que os países emergentes, entre eles o Brasil, vão passar melhor pela crise do que os países avançados. “O Brasil é um dos países mais bem preparados para enfrentar uma crise dessa natureza. Por enquanto, é uma crise mais moderada. Vai afetar principalmente os países mais avançados. Enquanto isso os emergentes vão crescendo, vão sobrevivendo melhor que os países avançados”.
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O ministro da Fazenda falou ainda sobre o desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que fechou em queda 8,08%, no primeiro dia de negociações após o rebaixamento da nota de crédito dos EUA na sexta-feira (5) pela agência Standard and Poor’s.

“O que acontece é que o investidor fica sem dinheiro em Nova York porque ele perde ações lá. Os bancos americanos perderam de 18% a 20% de seu valor lá. Aí falta dinheiro, e eles pegam dinheiro que eles colocaram em países emergentes. Como o Brasil tem um Bolsa muito líquida, eles conseguem tirar dinheiro daqui. Não quer dizer que a nossa situação é pior ou melhor”.

De acordo com Mantega, a crise não irá abater o país. “Não, pelo contrário. Essa crise pode derrubar a inflação mundial. Nós vimos o petróleo caindo fortemente. Era um dos alimentadores da inflação. Poderemos ter uma desvalorização de commodities porque são títulos que estão no mercado. Do ponto de vista de inflação até poderá ser uma solução. Não que eu torça para que a solução seja por aí. As preocupações serão outras e não a inflação”.

Mantega disse que o brasileiro deve ter calma, pois, segundo ele, o país não enfrentará desemprego tampouco redução de renda. “Fiquem tranquilos, calmos. Aqui temos condições, se for necessário, de reagir mais rapidamente. No Brasil, não vamos ter perda de empregos, não vamos ter perda de renda. Algum resultado sempre tem, algum problema sempre vamos herdar. Mas temos muito mais condições de superá-la sem problemas”.

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Contraponto 4050 - "Mantega diz que Brasil não permitirá que países ricos tirem proveito da Guerra Cambial"

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24/11/2010

Mantega diz que Brasil não permitirá que países ricos tirem proveito da Guerra Cambial


Agência Brasil - 24/11/2010

Wellton Máximo

Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Brasil não permitirá que os países desenvolvidos tirem proveito da guerra cambial, disse há pouco o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Durante a apresentação da equipe econômica para o próximo governo, ele afirmou que o país tentará impedir que as economias avançadas desvalorizem suas moedas para ampliar as exportações para os países emergentes.

“A crise ainda está causando danos nos países avançados. Existe uma disputa por mercado e uma guerra cambial, mas não permitiremos que a concorrência desleal e valorização do câmbio [da moeda brasileira] prejudiquem o real”, afirmou.

O ministro não mencionou a crise na Irlanda, que pediu ajuda à União Europeia para equilibrar as contas públicas. Ele, no entanto, disse que as dificuldades experimentadas pelos países do bloco econômico não interferem diretamente sobre o Brasil, mas trazem dificuldades para o comércio exterior e o mercado financeiro. “Os problemas da União Europeia retardam a recuperação e causam volatilidade no mercado de capitais”.

Edição: Rivadavia Severo .
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Contraponto 3903 - "Mantega botou o dedo na ferida: o mundo precisa de uma nova moeda"

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11/11/2010

Mantega botou o dedo na ferida: o mundo precisa de uma nova moeda

Do Vermelho - 10/11/2010

A reunião de cúpula do G20 será aberta nesta quinta-feira (11) em Seul à sombra de uma guerra cambial que ameaça degenerar em conflitos comerciais e políticos mais sérios entre as nações. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, botou o dedo na ferida ao defender a substituição do dólar como moeda mundial. Mas é pouco provável que a proposta seja debatida ou acatada. O encontro na capital da Coreia do Sul lembra o ruidoso parto da montanha que gerou um rato.

Por Umberto Martins

Mantega defende uma reforma no sistema monetário internacional que subtraia do dólar a condição de moeda mundial, aceita universalmente como meio de pagamento, unidade de referência para contratos e preços e reserva de valor.

O dinheiro de Tio Sam, que não leva em conta o interesse alheio na definição de sua política monetária, seria substituído por um novo papel, supranacional, cujo valor seria estabelecido com base nas principais moedas da atualidade: o dólar, o iuane (chinês), o euro, o iene (japonês), a libra esterlina (britânica) e, segundo a sugestão do ministro, o real brasileiro.

Privilégio americano

Mantega citou como exemplo o Direito Especial de Saque (DES) do Fundo Monetário Internacional (FMI), também baseado numa cesta das principais moedas (excluindo, entre as citadas, o real). A proposta não chega a ser propriamente uma novidade. A China já tinha lançado ideia parecida no ano passado, mas o debate não prosperou.

O ministro tem razão. O pano de fundo da chamada guerra cambial (expressão que ele usou pela primeira vez para caracterizar a instabilidade monetária desses dias) é a posição especial ocupada pelo dólar na economia internacional, ao mesmo tempo em que cabe aos EUA o privilégio da emissão, ou seja, a atribuição de estabelecer o valor relativo das verdinhas ou pelo menos influenciar poderosamente nesta direção, através das políticas monetária e fiscal.

Não se pode negar às autoridades estadunidenses a soberania sobre a política monetária e o direito de emitir dólares, do mesmo modo que não se pode negar à China a soberania sobre a política cambial. O problema, no primeiro caso, é que o dólar é a moeda mundial. Não circula apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. É a referência dos preços das mercadorias, a começar pelo petróleo, e dos contratos.

Inflação mundial

Sendo assim, é inevitável que a emissão excessiva de dólares (como no caso dos 600 bilhões para compra de títulos do Tesouro anunciado pelo Federal Reserve) resulte em desalinhamento cambial, gerando conflitos nos preços relativos das moedas (guerra cambial), reações unilaterais das nações e inflação mundial. Boa parte da alta das commodities, por exemplo, ocorre em contrapartida ao declínio do dólar.

A instabilidade cambial, conforme notaram vários empresários, é pior do que a valorização ou desvalorização da moeda para os negócios, pois inviabiliza o planejamento, sujeita exportadores e importadores a ganhos ou prejuízos inesperados, fomenta a especulação e, como inflação, transforma o comércio exterior num jogo perigoso.

Crise da hegemonia

Vítima dos desequilíbrios colossais e do crescente parasitismo cultivados pelo imperialismo, decorrentes de quatro décadas de acumulação de déficit comercial e refletidos numa escandalosa necessidade de financiamento externo, o padrão dólar há muito não é capaz de garantir estabilidade aos mercados de câmbio. Não tem mais condições de desempenhar as funções de moeda mundial. Daí o clamor crescente por sua substituição.

O diabo é que este tipo de problema não será resolvido apenas no campo da economia. Depende de condições políticas que certamente ainda não estão maduras. Afinal, a supremacia do padrão dólar é emblemática da hegemonia americana. A crise do dólar é mais uma expressão da crise da hegemonia dos EUA e sua solução envolve mudanças mais amplas em direção a uma nova ordem mundial. Mas não creio que isto seja sequer sinalizado pela cúpula de Seul. E tampouco que virá sem luta.
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