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sábado, 12 de junho de 2010

Contraponto 2478 - Dilma trata o PiG como o PiG é: instrumento do Serra

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12/06/2010
Dilma trata o PiG como o PiG é:
instrumento do Serra

Conversa Afiada - Publicado em 10/06/2010
O Niskier sabe que o Tancredo fez antes do Obama


Saiu na Folha (*), indignada, na pág. A9 (clique aqui):

“Dilma não comparece a duas outras entrevistas. Petista cancelou ida à sabatina da Folha e UOL, negociada por 4 meses. Pré-candidata ainda não confirmou presença no Roda Viva (também conhecido como Roda Morta – PHA), da TV Cultura, e no CQC da Band.”

Navalha

O Obama não foi o primeiro.

Ele disse que não dava entrevista a Fox News, do Murdoch, porque aquilo não é uma empresa jornalística, mas um partido político a serviço da oposição.

Não foi o primeiro caso, de que me lembre.

Na campanha contra Maluf (**), Tancredo Neves se recusou a ir ao Programa Debate em Manchete, da falecida TV Manchete.

Era um programa de debates políticos ancorado por Arnaldo Niskier.

Maluf já tinha ido.

Tancredo mandou avisar ao Adolfo Bloch, através de seu futuro Ministro da Fazenda, Francisco Dornelles, que só iria se o Alexandre Garcia, notório malufista e diretor da Manchete em Brasília, não fosse um dos debatedores.

Adolfo concordou.

Convidou um substituto e só assim Tancredo foi.

A Cristina Kirchner se elegeu presidente sem dar uma ÚNICA entrevista ao PiG (***). Clique aqui para ler.

Por que a Dilma iria se submeter a um pelotão de fuzilamento ?

Para dar escada a jornalistas anônimos, que precisam fazer posição com os patrões ?

A Dilma tem muito a preservar: o legado do Governo Lula.

E uma responsabilidade gigantesca a construir: um Governo que possa suceder Lula e avançar.

(O Mino costuma dizer que os jornalistas brasileiros são piores que os patrões. Ele lembra que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega.)

Por que a Dilma haveria de comprometer um e outro com uma pergunta facciosa de um jornalista pior que seu patrão ?

Dilma não é só Lula.

E, aos poucos, os tucanos e o PiG (***) vão se dar conta de que a Dilma é a Dilma.

E a relação dela com o PiG (***) será – já é – diferente da relação do Governo Lula.

Como diz o Mino: esse pessoal não percebeu que as coisas mudaram. Ele não sabe se para melhor; mas, que mudaram, mudaram.

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Tancredo dizia que o Maluf tinha uma virtude: o Maluf perde. É o caso de outro paulista candidato a Presidente: ele tem essa vantagem: ele perde.

(***) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Em tempo: o climax do Roda Morta foi entrevistar o ínclito delegado Protógenes Queiroz logo apos a Operação Satiagraha. Faziam parte do pelotão de fuzilamento Ricardo Noblat, Fausto Macedo e Fernando Rodrigues. A âncora era Lilian Witte Fibe.

Nenhum dos acima citados ousou perguntar sobre o passador de bola apanhado no ato de passar bola e alvo da Satiagraha, Daniel Dantas. O momento mais sublime deste epitáfio foi quando, sobre o grampo sem áudio, Witte Fibe disse que a Veja, autora da “denúncia”, não tinha dito que o grampo possuia áudio. Ao fundo, o naipe de cordas interpretava um Adágio de Schubert.

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domingo, 28 de março de 2010

Contraponto 1755 - "Lições para a campanha da Dilma"

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28/03/2010

Lições para a campanha da Dilma

Carta Maior 28/03/2010

Emir Sader*

A manipulação da última pesquisa do Databranda, publicada na FSP (Força Serra Presidente), confirmando que A FOLHA MENTE, não deixa de colocar problemas para a campanha da Dilma. A "sem gracice" com que repercute a “pesquisa” no próprio jornal da família Frias revela que sentiram que foram pegos na tramóia, por tão óbvia, e que fazem parte do comando da campanha do governador de São Paulo, como Diário Tucano que são.

Mas não deixam de colocar para a campanha da Dilma problemas que apenas começam a aflorar em toda a sua dimensão. Em princípio, um governo cuja popularidade continua a bater recordes numa pesquisa após a outra – isso nem a Databranda consegue esconder -, numa situação econômica muito favorável – em que nem parece que até um ano atrás enfrentávamos os efeitos da pior crise do capitalismo desde a de 1929 -, tem condições muito favoráveis para eleger seu sucessor.

Ainda mais que a oposição tem dificuldades para definir seu perfil. Nem Serra se sente à vontade no figurino que a oposição gostaria de ter em um candidato, nem a oposição adora o Serra – preferiria muito mais um Alckmin. Mas diante do risco do PT renovar seu ciclo de governo, com mais 4 ou 8 anos, tem que se resignar a se unir em torno daquele que tem melhor colocação nas pesquisas, deixando para um hipotético depois a disputa ferrenha pelos cargos e orientações de um eventual novo governo dos tucanalhados-demoníacos.

Mas a campanha de Dilma corre riscos reais. Depois de se recuperar de uma grave crise como a de 2005, e do extraordinário apoio que o governo Lula conquistou em todas as regiões do pais e em todas as camadas da população, as condições de derrota de uma candidatura para a sua sucessão tem que contar com erros graves na condução dessa campanha. É certo que o poder econômico e o monopólio brutal da mídia contam fortemente como os dois pontos centrais de apoio da candidatura de oposição, contra os quais a candidatura da Dilma tem que lutar. Mas a campanha de 2006 demonstra que se pode ganhar.

Neste episódio ficou claro que as pesquisas são um forte instrumento nas mãos da oposição, que demonstra disposição de se valer da capacidade de manipulação e de iniciativa que elas permitem com todo seu peso. Contando com o Databranda e o Ibope e a difusão e repercussão que suas divulgações têm no conjunto da mídia monopolista, podem conseguir efeitos que não devem ser subestimados.

Diante dessas duas empresas, claramente alinhadas com o candidato opositor, o efeito das pesquisas da Vox Populi e da Sensus tem se demonstrado menor. A Vox Populi não divulga há tempos pesquisas nacionais, apenas ótimas análises de Marcos Coimbra sobre aspectos da campanha, e a Sensus faz a cada dois meses pesquisa para uma entidade empresarial, longe da dinâmica que podem impor as duas outras empresas.

Ter ficado esperando que a FSP (Forca Serra Presidente) desse de presente a esperada superação de Serra por Dilma nas vésperas do lançamento da candidatura deste, foi uma grande ingenuidade. Perdeu-se capacidade de iniciativa e sem dúvida se sofreu um golpe psicológico, com efeitos políticos. Um gol ilegal, validado pelo juiz, vale e altera o marcador.

Pode ter sido resultado de um certo salto alto, conforme a subida da Dilma aparece como irreversível, apontando até para a possibilidade de uma vitória no primeiro turno. Sabe-se da falta de limites para o que a oposição e, em particular, sua imprensa, podem fazer. Mas de repente parece que nos esquecemos disso e ficamos relativamente inertes diante das suas manobras.

Há outros obstáculos para a campanha da Dilma. Um deles é a de que, apesar dela ter menor rejeição que o Serra, há resistências maiores entre as mulheres, aparentemente como resultado do preconceito feminino de confiar em uma mulher para governar, acostumadas tradicionalmente a delegar nos homens as responsabilidades políticas.

Outro problema é a já tradicional resistência dos estados de São Paulo para o sul, com um preconceito “anti-petista”, que tem que ser compreendido nos seus mecanismos, para poder ser combatido com eficiência.

No resto, são os problemas que podem advir em setores mais atrasados das tentativas de desqualificação da trajetória militante da Dilma. E, claro, as manobras de invenção que devem surgir durante a campanha.

No seu conjunto, uma condução vitoriosa da campanha tem que contar com profissionalismo, rapidez, criatividade e capacidade de envolvimento da maior quantidade possível de militância.

A vitória é possível, talvez provável, mas não começará a se configurar até que as pesquisas apontem a ascensão da Dilma ao primeiro lugar.

Emir Sader*. Sociólogo e cientista político
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