quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Nº 25.176 - "Foi-se a quinzena do 'mimimi'. A hora da verdade vai chegando"



17/01/2019


Foi-se a quinzena do “mimimi”. A hora da verdade vai chegando


Do Tijolaço - 17/01/2019


POR FERNANDO BRITO

Excluído o dia 1° de janeiro, dividido entre a ressaca e as pompas da posse, cumpriu-se ontem a primeira quinzena do governo Jair Bolsonaro.

Mesmo sua medida de maior impacto, o decreto de facilitação da compra e posse de armas, embora indutor de tragédias pessoais, é algo que, do ponto de vista de políticas públicas (no caso, de segurança pública) em nada modifica a realidade num país que tem, segundo se estima, oito milhões de armas não registradas.

Em matéria de política econômica – uma das quais oferece ao governo a maior capacidade de ser alterada sem intervenção, ou intervenção a posteriori, do Congresso – absolutamente nada foi feito, nem mesmo uma mísera mudança de alíquota nos impostos que, no discurso oficial, seriam os responsáveis por nossas desgraças na economia.

Não tive a pachorra de fazer um levantamento das manchetes, mas não é difícil concluir que – com as exceções de Cesare Battisti e Nicolás Maduro – nada ou ninguém ocupou ocupou as capas dos jornais senão as informações em off sobre a reforma da Previdência, mesmo à bica de completarem-se três meses desde que, eleitos, erigiram esta questão em chave mestra da economia.

O que, é claro, é falso, pois mesmo a mais dura cassação de direitos previdenciários produzirá, nos primeiros tempos, efeitos financeiros muito próximos de zero.

Tudo é indefinido e fluido, desde a indefinição sobre se as mudanças atingiriam os militares até a esdrúxula presença – certamente por amor à pátria – do guru dos fundos de investimento Armínio Fraga.

De concreto, mesmo, só desmontes.

A fiscalização (a do Trabalho, sobretudo)  está semiparalisada – ou quase que totalmente, por semiparalisada já fica por conta do mês de janeiro-; a Embraer foi-se sem deixar um ceitil para o país, mas dando R$ 1,6 bilhões a seus acionistas privados, livres de impostos; o delírio das parcerias público-privadas é uma declaração de intenções sem gestos, pois precisam para já de modelagens e editais e só rendem – a ver como se portam as finanças mundiais, hoje sombrias – investimentos lá adiante.

A lista poderia seguir, é desnecessário.

Já é certo que a próxima semana será consumida pelo desfile do animal exótico no zoológico de Davos e a seguinte pelos arranjos das eleições das presidências da Câmara e do Senado.

E o país que elegeu um presidente sem idéias relevantes completará um mês de governo irrelevante, pois em nada muda a desgraça nacional meninas vestirem rosa e meninos, azul.

Só num setor a produção nacional saltou vertiginosamente: a produção de asneiras.

O resto, inclusive os festejados recordes da Bovespa, é só especulação.

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

N. 25.175 - TV Afiada - Governos Temer e Bolsonaro



16/01/2019 

Do  Conversa Afiada"- 16/01/2019



 TV Afiada: Governos Temer e Bolsonaro


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Moro, Globo, STF... A ideia era essa...

O Brasil explodiu por dentro!
Moro, Globo,, STF... A ideia era essa...
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Nº 25.174 - "A quem interessa uma intervenção na Venezuela?, por Gleisi Hoffmann"



10/07/2019

A quem interessa uma intervenção na Venezuela?, por Gleisi Hoffmann


Do Jornal GGN  - SEG, 14/01/2019 

             ...Foto Eduardo Matysiak
 

A quem interessa uma intervenção na Venezuela?


Por Gleisi Hoffmann

Acabo de voltar da Venezuela, onde participei, como presidenta do PT e a convite do governo eleito, das solenidades de posse do presidente Nicolás Maduro. Não me surpreendi com o ataques e reações por parte de quem não compreende princípios como autodeterminação e soberania popular; quem não reconhece que partidos e governos de diferentes países podem dialogar respeitosamente.

Por várias razões, os problemas internos da Venezuela, econômicos, sociais e políticos, têm sido motivo de pressões externas indevidas que só agravam a situação interna. Mas a posse de Maduro em seu segundo mandato desatou um movimento coordenado de intervenção sobre a Venezuela, patrocinado pelo governo dos Estados Unidos e referendado por governos de direita na América Latina, entre os quais se destaca, pela vergonhosa subserviência a Donald Trump, o de Jair Bolsonaro.

Gostem ou não, Maduro foi eleito com 67% dos votos. O voto na Venezuela é facultativo. Três candidatos de oposição concorreram e as eleições se deram nos marcos legais e constitucionais do país (Constituição de 1999), o que foi atestado por uma comissão externa independente. Um dos membros da comissão, o ex-presidente do governo da Espanha José Luiz Zapatero, declarou: "Não tenho dúvida de que (os venezuelanos) votam livremente". Como outros países se acham no direito de questionar o voto do povo venezuelano?

Não podemos nos iludir: a ação coordenada contra o governo da Venezuela não passa nem de longe por uma suposta defesa da democracia e da liberdade de oposição na Venezuela. Não há nenhum interesse em ajudar o povo venezuelano a superar seus desafios reais. O que existe é a combinação de interesses econômicos e geopolíticos com jogadas oportunistas de alguns governos, como é o caso, infelizmente, do Brasil.

A Venezuela não é um país qualquer. É a detentora das maiores reservas de petróleo do planeta. O país assumiu, desde 1o. de janeiro, a presidência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no ano de 2019. Desde a eleição de Hugo Chávez, em 1998, a Venezuela vem desafiando os modelos econômicos e políticos excludentes que vigoravam naquele país – e na América Latina – e exercendo cada vez mais fortemente sua soberania.

O interesse dos Estados Unidos e seus aliados de subjugar esse incômodo vizinho e avançar sobre suas reservas estratégicas é notório. Nós já vimos esse filme: a invasão americana no Iraque, em nome de defender os direitos do povo e instalar a democracia, resultou em 250 mil mortos, cidades destruídas, miséria, fome e terror na ocupação. Depois, largaram tudo para trás, deixando um rastro de destruição e desalento, sem antes terem propiciado que suas empresas ganhassem muito dinheiro e, como país, se posicionassem estrategicamente no acesso ao petróleo dos países árabes. Como está o Iraque agora? Melhor ou pior do que estava antes? Tem democracia? Seu povo é mais feliz? Isso não interessa mais. O que interessa é que o império conquistou o que queria.

São muito preocupantes os movimentos dos governos Trump e Bolsonaro, entre outros, para desestabilizar o governo eleito de Maduro e sustentar um governo paralelo da oposição. Usam uma retórica de guerra como há muito não se ouvia em nosso continente. Querem intervir na Venezuela – considerando até uma intervenção militar – com a narrativa de que seria uma ditadura, que os direitos humanos não são respeitados, que há crise humanitária; precisa-se intervir para salvar o povo.

Alguém acha, sinceramente, que os EUA estão preocupados com a democracia e com os diretos humanos na Venezuela? Por que não se preocupam com a fome no Iêmen? Por que tratam as pessoas em processo migratório de forma hostil? Foi a preocupação com os diretos humanos que fez o governo Trump enjaular crianças como animais?

Nossa Constituição e a tradição da diplomacia brasileira defendem a não-intervenção em outros países. É o respeito às nações e a autodeterminação dos povos. Não precisamos adular impérios que se utilizam das crises alheias pra cobrir seus próprios problemas e tirar vantagens políticas e econômicas, fazendo guerras e intervenções. Já assistimos esse filme e ele só traz mais dores. Quando o ex-presidente George W. Bush quis comprometer o Brasil na guerra contra o Iraque, o ex-presidente Lula reagiu com altivez: "Nossa guerra é contra a fome".

As dificuldades por que passa o povo da Venezuela só foram agravadas pelas sanções e bloqueios econômicos impostos pelos EUA e seus aliados. Nunca é demais lembrar que o governo da Colômbia recusou vender remédio ao governo venezuelano. Assim acontece com outros produtos. A Venezuela é muito dependente de importações. Enquanto bloqueios e sanções permanecerem, o povo sofrerá e migrará, impondo também sofrimento aos que fazem fronteira com o país.

A saída, a solução pacífica para a crise venezuelana, que tem impacto na América Latina, é a negociação política, é conversar com todos os lados. Papel que o Brasil deveria estar fazendo, como já fez com sucesso, e não colocando mais lenha na fogueira.

Esta semana Bolsonaro se encontrará com o presidente Macri na Argentina. Jornais dizem que primeiro ponto da pauta será a Venezuela. Se tiverem o mínimo de responsabilidade com a paz, a ordem e a boa convivência dos países e povos latino-americanos, proporão diálogo com as partes venezuelanas. Caso contrário, só vamos acelerar a crise. Uma intervenção lá sobrará para todos nós.

Os democratas brasileiros, que se preocupam sinceramente com o destino de nossos povos, sabem que a intervenção, de qualquer espécie, não é a saída para a crise da Venezuela. E não é preciso estar de acordo com Nicolás Maduro, com seu governo ou com os processos institucionais venezuelanos para entender que, no caso de uma intervenção militar, o papel do Brasil, infelizmente, será de bucha-de-canhão.


Gleisi Hoffmann e senadora (PT-PR) e presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores

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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Nº 25.173 - "CADE manda Petrobras entregar por inteiro 4 refinarias! São analfabetos ou corruptos? Ou os dois?"

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08/01/2019


CADE manda Petrobras entregar por inteiro 4 refinarias!
São analfabetos ou corruptos? Ou os dois?


Do Conversa Afiada - publicado 07/01/2019

bessinha (1).jpg


O projeto de um sistema nacional de petróleo integrado, possibilitando um mercado organizado, voltado para atender os interesses nacionais, e não o desejo de lucro de multinacionais, continua sob ataque pesado.

A Petrobras tinha intenção – já equivocada – de vender 60% de 4 importantes refinarias. Nota técnica de um grupo formado por CADE e ANP recomenda a venda integral.

Quando os privateiros oferecem as mãos, o mercado já quer o braço.

Na EPBR

Cade recomenda venda integral de refinarias da Petrobras, inclusive no Sudeste

ANP está indicando que o mercado com apenas um comprador de petróleo pode ser barreira para criação de mercado de produção terrestre e de águas rasas

por Felipe Maciel 

6 de janeiro de 2019

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica está recomendando que a Petrobras venda a totalidade das quatro refinarias que fazem parte do seu programa de desinvestimentos. A recomendação faz parte de uma nota técnica elaborada pelo Grupo Técnico formado com a ANP para estudar o mercado de downstream no Brasil. O GT está defendendo também que a Petrobras faça algum desinvestimento na área de refino também na região Sudeste do país.

“Acredita-se que a manutenção da participação societária, relevante, da Petrobras, mesmo que eminentemente passiva, no cluster de ativos vendidos, tende a diminuir o nível de concorrência no mercado, pelos motivos que serão apresentados a seguir. Assim se a intenção na venda dos referidos ativos é a criação de um ambiente concorrencial vigoroso, entende-se ser oportuna a sugestão de que se faça uma venda de ativos por completo, sem que reste um resquício de participação de societária passiva em tais cluster”, diz a nota técnica.

A nota técnica indica ainda que é importante vender as refinarias para agentes diferentes ao invés de se criar um “quase-monopólios regionais”, o que pode retirar dos consumidores os ganhos possíveis que seriam derivados de uma concorrência na qual os agentes de mercado são mais próximos e capazes de imprimir um grau de rivalidade superior. ” Também, a título de sugestão, é interessante que seja feito algum tipo de desinvestimento em termos de refino no sudeste brasileiro, onde há elevada densidade econômica do ponto de vista de demanda e oferta de insumos”.

Em outra vertente, a ANP indicou ao Cade que existe preocupação com o quase monopsônio mercado da Petrobras na comercialização do principal insumo do refino (petróleo), em especial na “coleta, tratamento e escoamento do petróleo , o que poderia se configurar em barreira à criação de um mercado diversificado e competitivo na atividade de Exploração e Produção de Petróleo terrestre e de águas rasas”

A nota técnica aponta ainda que “unanimidade entre os agentes do mercado a respeito da necessidade de uma reforma tributária que consiga simplificar o sistema tributário nacional, a ponto de melhorar o ambiente concorrencial no território nacional”.

Defende também a aprovação do PLP 523/2018, do deputado Hugo Leal (PSD/RJ), como forma de garantir acesso ao Cade para para melhor compreensão deste e de outros mercados. O projeto aguarda parecer do deputado Joaquim Passarinho (PSD-PA) na Comissão de Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (CDEICS) da Câmara dos Deputados.

“Entende-se que o debate social, por si só, a respeito deste tema é relevante, sendo que o posicionamento do CADE de que se entende haver concentração elevada e talvez excessiva no setor, já é um início de um profícuo, democrático e deveras relevante debate nacional sobre o tema”, concluiu o documento.

A Petrobras lançou em abril do ano passado projeto para vender 60% da participação acionária das refinarias Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, e Alberto Pasqualini (REFAP), no Rio Grande do Sul, e Presidente Getúlio Vargas (REPAR), no Paraná. O modelo prevê a criação de duas subsidiárias, uma reunindo ativos da região Nordeste e a outra reunindo ativos da região Sul.


Em julho, contudo, a Petrobras informou a suspensão da venda por conta da decisão cautelar proferida pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal STF), que questiona dispositivos da Lei das Estatais”.A empresa sustenta que os projetos “estão de acordo com o modelo proposto pela companhia, amplamente debatido no Seminário Reposicionamento da Petrobras em Refino, realizado em 19 de abril, na Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro, com representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), da Indústria e da Academia”.

“Tais processos fazem parte do reposicionamento estratégico da Petrobras no segmento de refino, transporte e logística, em linha com o seu Plano Estratégico e Plano de Negócios e Gestão 2018-2022, que prevê o estabelecimento de parcerias e desinvestimentos como uma das principais iniciativas para mitigação de riscos, agregação de valor, compartilhamento de conhecimentos, fortalecimento da governança corporativa e melhora da financiabilidade da empresa”, disse a empresa em nota na época.

Também em virtude da decisão cautelar proferida pelo ministro Ricardo Lewandowski, a Petrobras suspendeu decisões de desinvestimentos na Araucária Nitrogenados e da Transportadora Associada de Gás (TAG), alienação de 90% de ações desta subsidiária.

O mérito da questão ainda não foi julgado pelo STF. A Petrobras não conseguiu derrubar a decisão a decisão cautelar e o desinvestimento segue parado.

* Felipe Maciel é editor-chefe da agência epbr. Jornalista com mais de 10 anos de experiência no setor de petróleo e gás natural e colecionador de mapas.



NAVALHA

De amigo navegante petroleiro e varguista exaltado:

Art. 177. Constituem monopólio da União:

I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos;

II - a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro;

III - a importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes das atividades previstas nos incisos anteriores;

IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim o transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás natural de qualquer origem;

V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios e minerais nucleares e seus derivados, com exceção dos radioisótopos cuja produção, comercialização e utilização poderão ser autorizadas sob regime de permissão, conforme as alíneas b e c do inciso XXIII do caput do art. 21 desta Constituição Federal.

Leia o inciso II, refino é monopólio do Estado pela Constituição, não está submetido ao Cade.

Monopólio constitucional, como o do artigo 177, II, não é da competência dessa autarquia de quinta categoria.

Serão analfabetos ou corruptos, ou os dois?

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Nº 25.172 - "Rovai desmascara o jogo de cena de Queiroz no SBT: Tão bizarras quanto as respostas foram as perguntas e não-perguntas da repórter"

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27/12/2018

Rovai desmascara o jogo de cena de Queiroz no SBT: Tão bizarras quanto as respostas foram as perguntas e não-perguntas da repórter


Do Viomundo - 27/12/2018 

Rovai desmascara o jogo de cena de Queiroz no SBT: Tão bizarras quanto as respostas foram as perguntas e não-perguntas da repórter

A farsa do Queiroz e o jornalismo farsante do SBT

Se o 1,2 milhão que circulou na conta do Queiroz é de compra e venda de carros, por que era depositado por assessores da ALERJ e retirados do banco sempre em quantias menores do que 5 mil reais?


Entre os jornalistas, o SBT já vem sendo chamado de Sistema Bolsonaro de Televisão, tamanha a desfaçatez com a qual a emissora de Silvio Santos aderiu ao novo governo.

Entre outras bizarrices, resgatou o programa Semana com o Presidente e o slogan Brasil, Ame-o ou Deixe-o. Ambos, produtos da ditadura militar.

Mas não foi só isso que o SBT fez para se tornar mais amigo do novo rei do que outros grupos de comunicação.

Também foi se livrando de jornalistas mais sérios e contratando aqueles que fazem qualquer coisa para “subir na vida”.

A entrevista de ontem com Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, foi o encontro desses projetos.

O dos interesses do dono do veículo, do governo que vai assumir e de uma profissional que tem feito qualquer coisa para aparecer, mesmo que seja jogar todos os fundamentos básicos do jornalismo no lixo.

Tão bizarras quanto as respostas de Queiroz, foram as perguntas e as não-perguntas da repórter Débora Bergamasco.

A quem interessar possa, a moça foi a autora da capa contra Dilma Rousseff na Isto É em que Dilma é apresentada como tendo surtos de descontrole e quebrando móveis no Planalto. Uma capa absurdamente machista e mais do que isso, feita só com base no “ouvi dizer”.

Bergamasco também foi a autora da capa da delação de Delcídio, que escondia tudo o que havia contra Aécio Neves no depoimento.

E que, segundo colegas de redação da IstoÉ com os quais o blogue conversou à época, foi obtido via Aécio, que, inclusive, estava com a revista em mãos numa reunião com líderes do Congresso antes mesmo que ela houvesse chegado às bancas.

Não é incomum este tipo de trajetória de jornalistas que fazem qualquer coisa para ascender profissionalmente. Bergamasco é só mais uma entre tantos.

Ontem a entrevista já começa num jogo de cena sobre a doença do entrevistado.

Ele fala que está defecando sangue e a jornalista pede permissão a ele para voltar ao assunto mais tarde.

Ah, tá certo, quer dizer que alguém que está fugindo de depoimentos e é acusado de participar de um esquema de corrupção envolvendo o futuro presidente da República te insinua estar com câncer, você pede autorização para tratar do assunto com ele depois? É mais fácil acreditar nas respostas do Queiroz.

A entrevista segue com perguntas dóceis e sem qualquer contestação.

O entrevistado diz que comprava carros de segurados para vender e que era bom de negócios.

A jornalista não pergunta quantos carros ele comprou e vendeu e se tem esses registros, afinal carros são adquiridos com documentos de compra e venda. E não com pedaços de papel no bar da esquina. Principalmente de seguradoras.

A jornalista pergunta o nome do médico que atendeu o entrevistado quando ficou internado, ele diz se lembrar só do primeiro nome.

Ela não insiste em saber mais nada. Nem perguntar quem o apresentou ou quais as referências do tal doutor.

Ele fala que ficou num hospital. Ela pergunta qual, mas quase como um deslize. Ele silencia e diz que depois revelará. Ela fala tá e segue o jogo.

Outra pergunta inocente, que qualquer cidadão que não tivesse feito jornalismo faria, se os 1,2 milhão que circulou na conta dele é de compra e venda de carros, por que eram depositados por assessores da ALERJ e retirados do banco sempre em quantias menores do que 5 mil reais. Às vezes em três agências diferentes no mesmo dia.

E mais básico ainda, por que eram depositados em dias próximos aos pagamentos desses servidores.

Em relação à família do Queiroz, a entrevistadora deixou barato a história da filha que é personal trainner, mas que trabalhava na “área de mídia” do gabinete, segundo o entrevistado. Nem um “como assim” escapou da boca de Bergamasco.

– Como assim uma pessoa que é formada em educação física é a responsável pela área de mídia do gabinete de um deputado?

Talvez até num descuido essa pergunta escaparia, tamanha a desfaçatez da desculpa.

Evidente que o que se deu ontem com Fabrício Queiroz não foi uma entrevista.

Foi um encontro negociado entre o Sistema Bolsonaro de Televisão e o futuro presidente da República para tentar colocar panos quentes no assunto que está queimando a imagem do recém eleito.

E Silvio Santos escolheu a nova imagem do jornalismo da casa para fazer o serviço ao estilo que ela fazia na Isto É.

Mas a despeito de tudo isso, a entrevista é reveladora de como a situação de Bolsonaro e sua tropa tende a se complicar se essa investigação avançar.

Queiroz é um limítrofe. Uma pessoa que não consegue articular três frases sem cometer erros de português e de raciocínio.

Certamente tem outras habilidades ou não ganharia 23 mil por mês e além disso empregaria toda a família em diferentes gabinetes dos Bolsonaros.

Mas essas habilidades não resistem a um interrogatório bem feito e a uma apuração dos fatos com documentos.

As desculpas que ele escolheu são tão simplórias que qualquer ida a um cartório local basta para desmontá-las.

O fato é que a cada dia que passa a saga de Bolsonaro fica mais parecida com a de Fernando Collor.

Até a camiseta usada por sua esposa Michelle provocando Lula e seus eleitores remetem a isso.

Collor era mestre em usar camisetas. Uma que carregava a frase “o tempo é o senhor da razão”, nunca me saiu da memória.


O tempo é o senhor da razão e essa suposta entrevista será tratada como o que foi quando a verdade vier à tona. Como uma farsa.

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Nº 25.171 - "Moro e Parente se uniram para destruir a indústria naval Estão na primeira fila do paredón do C Af!"

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21/12/2018

Moro e Parente se uniram para destruir a indústria naval
Estão na primeira fila do paredón do C Af!


Do  Conversa Afiada - publicado 20/12/2018

bessinha (1).jpg

Por Pedro Gabrielli:

Os Municípios do Recôncavo Baiano foram mortalmente atingidos em suas finanças, com a desativação total do estaleiro naval implantado em S. Roque do Paraguaçu, operando desde o governo Lula e Dilma Rousseff, quando foi reativada a industria naval brasileira nos estados de Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, com encomendas de sondas e navios de todos os tipos, tendo como principal cliente a PETROBRÁS.

Com a implantação do Estaleiro dotado dos mais modernos equipamentos do mundo na industria naval, guindastes monumentais, toda uma parafernália de instrumentos de altíssimo nível e pessoal técnico e operários especializados, municípios do Recôncavo baiano em seu entorno entraram febrilmente num programa de desen volvimento nunca visto, inaugurando hotéis, pousadas, restaurantes, comercio local e gerando empregos e mão de obra nunca vistos.

Com a chegada do estaleiro e a injeção maciça de capital, as finanças municipais de S. Roque, Maragojipe, Barra do Paraguaçu, Salinas das margaridas, Cachoeira, S. Felix, Muritiba tiveram substancial acréscimo em seus impostos e rendas municipais.

Eis que após o "impeachment" da Presidente Dilma, nomeia-se o Sr. PEDRO PARENTE como presidente da Petrobrás, que de imediato CANCELA E INATIVA TODOS OS CONTRATOS EM ANDAMENTO, COM AS OBRAS EM ADIANTADO ESTAGIO DE CONSTRUÇÃO E CONGELA PERMANENTEMENTE OS PAGAMENTOS CONTRATUAIS.

SONDAS E NAVIOS EM CONSTRUÇÃO FORAM ABANDONADOS E SUA CONSTRUÇÃO FOI ENTREGUE A ESTALEIROS ASIÁTICOS E SE DESCONHECE SE HOUVE AO MENOS ALGUMA LICITAÇÃO OU CONCORRÊNCIA PUBLICA PARA TANTO.

Estabeleceu-se o caos com a demissão, em 1 mês, de 7000 operários e técnicos!!!! Fecharam-se os hotéis e as pousadas, restaurantes e houve falência no comercio local atingindo outras cidades relacionadas ao canteiro de obras.

Dos quase 8 mil funcionários sobraram 50 para vigiar o equipamento de milhões de dólares, ora expostos Á DETERIORAÇÃO E FERRUGEM, BEM COMO AS CARCAÇAS DE SONDAS E CASCOS NAVAIS.

MAIS UMA VEZ, DESTRÓI-SE O MATRIMONIO NACIONAIS À CATA DE CORRUPTOS!!!

O estaleiro em tela foi uma PARCERIA ENTRE A Petrobras E A ODEBRECHT. ambas vitimas de falcatruas de diretores.

A NOSSO VER, SUA EXCELÊNCIA o Juiz da Lava Jato, deveria punir e execrar os ladrões e preservar as empresas.NUNCA DESTRUIR UMA INDUSTRIA FUNDAMENTAL AO BRASIL, PARA LIQUIDAR COM GESTORES DESONESTOS.

O INDIVÍDUO PEDRO PARENTE JÁ TINHA SEU PASSADO DE DESTRUIÇÃO DO PATRIMÔNIO NACIONAL, QUANDO FOI UM DOS RESPONSÁVEIS PELO CRIME DE "vender' a CIA. VALE DO RIO DOCE NO GOVERNO FHC POR MÍSEROS 3 BILHÕES DE REAIS, CUJO PATRIMÔNIO FOI AVALIADO PELO MERCADO EM 42 BILHÕES DE DÓLARES.
FOI O MESMO QUE VENDEU AÇÕES DA PETROBRAS A BAIXO PREÇO NA BOLSA DE NOVA IORQUE, QUASE TRANSFERINDO A PROVISORIEDADE PARA MÃOS AMERICANAS.

Apesar de não pertencer a qualquer partido politico ou grupo, manifesto meu protesto como brasileiro nato, patriota e amante incontestável do meu país, apesar dos meus 85 anos.

Saudações brasileiras e continência á nossa bandeira e não às estrelas azul, vermelha e branca.

Pedro Gabrielli

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Nº 25.170 - "LULA DESABAFA: NÃO ESTOU PRESO, SOU REFÉM"


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20/12/2018

LULA DESABAFA: NÃO ESTOU PRESO, SOU REFÉM


Do Brasil 247 - 20 DE DEZEMBRO DE 2018

                      Ricardo Stuckert
Ricardo Stuckert

Um dia depois de ter sua liberdade impedida pelo ministro Dias Toffoli, que sucumbiu à pressão das Forças Armadas, o poder que hoje tutela o Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Lula foi às redes sociais e denunciou ao mundo a sua condição de refém; de fato, Lula foi feito refém pelo ex-juiz Sérgio Moro em 7 de abril deste ano para ser impedido de disputar eleições presidenciais que ele venceria em primeiro turno; sua condição de preso político já foi denunciada por várias lideranças internacionais e até pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU


247 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta quinta-feira (20), um agradecimento especial aos integrantes da Vigília Lula Livre, que mantêm resistência democrática contra a prisão política do ex-presidente desde abril deste ano.

O funcionário do Instituto Lula Marco Aurélio Ribeiro esteve com Lula nesta tarde e afirmou que o ex-presidente pediu para receber visitas de membros da Vigília a agradeceu a mobilização de todos, em especial a relacionada ao Natal.

"Ele disse que cada vez que está ali, ele ouve o bom dia, o boa tarde e o boa noite. Pediu para a gente se reenergizar neste período natalino, que o ano que vem será um período de muita luta, que ele mais precisar muito de vocês", disse Marco Aurélio, conhecido como Marcola. 

Na mensagem lida para os militantes, Lula diz que se há alguém disposto a fazer oposição no Brasil, esse alguém é ele. "Eu não estou preso, eu sou refém. Quem não entendeu isso ainda não entendeu o que está acontecendo comigo", disse a mensagem do ex-presidente.

"Eu não vou estar sozinho [no período do Natal], eu vou estar com eles", disse Lula, reafirmando que o ano será de oposição firme ao governo de Jair Bolsonaro. "Se tem uma pessoa disposta  a fazer oposição neste País, é o Lula".

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Nº 25.169 - "Venda da Embraer para Boeing coloca em risco ITA e 26 mil empregos, alerta MPT"

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05/12/2018

Venda da Embraer para Boeing coloca em risco ITA e 26 mil empregos, alerta MPT


Do Jornal GGN - QUA, 05/12/2018

Lilian Milena


TRT-15 dá provimento parcial para mandado de segurança e Conselho de Defesa Nacional terá que fazer consulta sobre venda da Embraer para a Boeing 
Foto: Divulgação Infraero
 
Jornal GGN - O Brasil está prestes a cometer uma verdadeira tragédia comercial e trabalhista, na avaliação do Ministério Público do Trabalho (MPT), que está movendo uma ação civil pública para exigir que o contrato de incorporação da parte comercial da Embraer pela Boeing contenha dispositivos de proteção aos empregos no país, e que a produção de aeronaves não seja remetida para o exterior. 
 
“O MPT não está dizendo que não pode ocorrer [a transação], mas em ocorrendo, que Embraer e Boeing assumam a obrigação, sob pena de multa, de não transferir para o exterior as atividades produtivas”, explicou o procurador do trabalho, Rafael de Araújo Gomes, ao GGN. 
 
Ao contrário do que vem sendo anunciado, o MPT avalia que o negócio não tem contornos de uma "joint venture", modelo de empresa temporária e que, em tese, mantém a identidade das partes jurídicas na parceria comercial. 
 
A nova empresa será administrada exclusivamente pela Boeing, sem interferência da Embraer na gestão, abrindo espaço para a transferência de toda a atividade produtiva e geração tecnológica para os Estados Unidos. Na prática, mais de 26 mil empregos estão em risco.  
 
Em termos econômicos, a perda também seria irreparável: a companhia responde hoje por 2,3% da balança comercial brasileira e mais de 80% da receita de toda a indústria aeroespacial do país, que arrecada milhões de reais todos os anos a título de impostos, taxas e contribuições sociais. 
 
O MPT também destaca que o ITA e o CTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) terão suas atividades minguadas, podendo até deixar de existir, com a transferência das atividades de planejamento, desenvolvimento e construção de aeronaves e sistemas aeronáuticos para os Estados Unidos. 
 
“America first”
 
O CEO da Boeing, Dennis Muilenburg, é um dos maiores defensores e aliados de Donald Trump no meio empresarial. O presidente dos Estados Unidos venceu as eleições com o mote "America First" (américa primeiro), alinhado ao discurso protecionista.
 
“A principal promessa de campanha de Trump, repetida em discursos proferidos em visitas a fábricas da Boeing depois de tomar posse, está em exigir que empresas norte-americanas produzam nos Estados Unidos e contratem apenas trabalhadores norte-americanos”, pontua o MTP em um agravo entregue ao TRT-15. 
 
A Boeing está no centro do complexo industrial-militar daquele país e Trump tem feito reiteradas declarações que irá penalizar empresa estadunidenses que levarem a produção para fora. 
 
Um caso recente de cumprimento dessa promessa envolve a tradicional Harley-Davidson. No início de 2018, a fabricante de motocicletas anunciou um plano para transferir sua produção para a União Europeia, numa estratégia comercial para escapar das tarifas impostas pelo bloco em retaliação às tarifas de Trump sobre as importações de aço e alumínio. Em resposta, Trump iniciou uma campanha de boicote contra a Harley-Davidson que inclui aumento de impostos cobrados da montadora e atração de produtores estrangeiros para os Estados Unidos.  
 
“Sendo a Boeing absolutamente dependente dos contratos que mantém com o governo norte-americano, é certo que não irá enfrentá-lo de forma direta. Se Trump disser à empresa que ela precisa produzir os jatos desenvolvidos pela Embraer nos EUA, ela o fará”, ponderam procuradores na ação entregue ao TRT-15. 
 
Antes de considerar a política protecionista de Trump, vale destacar que qualquer aeronave produzida fora daquele país sempre esteve sujeita a tratamento tributário, e não deverá ser diferente se a Boeing mantiver a planta da nova empresas no Brasil, evitando que a sua produção de aviões comerciais fique em condições menos favoráveis que a produção da principal concorrente, a francesa Airbus. 
 
Esse componente, somado à capacidade produtiva que a Boeing consolidou em território norte-americano, derruba o único ponto de competitividade para manter a planta no Brasil que é a mão-de-obra mais barata, representando apenas 8% do custo das aeronaves da Embraer. 
 
Nesta terça-feira (04), o sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região protocolou um pedido de reunião com a Embraer para discutir demissões anunciadas pela fabricante nos últimos dias. Mais de 40 trabalhadores nas unidades Eugênio de Melo e Faria Lima foram desligados desde a segunda-feira. 
 
“Acreditamos que as demissões estejam ocorrendo em função do avanço das negociações de venda [da Embraer pela Boeing]. Não é novidade que a fabricante norte-americana espera comprar uma empresa mais enxuta. Não podemos aceitar demissões por este motivo”, afirmou em nota da assessoria o diretor do sindicato, Herbert Claros.

 
Foto: Divulgação Embraer
 
O processo 
 
Logo quando tomou conhecimento da transação entre Embraer e Boeing, no final de 2017, o MPT propôs às companhias um termo de ajuste no contrato para garantir que a montagem de aeronaves e os empregos permaneçam no Brasil, mas as fabricantes não atenderam ao pedido. 
 
A situação gerou uma ação civil pública movida pelos procuradores na 1ª Vara do Trabalho de São José dos Campos. No inquérito, a Boeing alegou que a nova empresa "irá operar em um segmento extremamente competitivo, e muitas vezes cíclico, que está sujeito a variáveis fora de seu controle”.
 
“Limitações do tipo que provavelmente seriam incluídas em um TAC [termo de ajuste de conduta] poderiam afetar a habilidade dessa nova entidade de lidar com este ciclo natural, assim como a habilidade de a nova entidade enfrentar a realidade do mercado”, completou a companhia, cogitando assim a possibilidade de mudar a planta para o exterior.
 
Paralelo a ação civil pública, os procuradores entraram com um pedido de liminar de tutela de urgência no tribunal para que o governo utilize o poder de veto das golden shares  - ou ações de ouro, que dão poderes especiais à União -, condicionando a negociação das duas empresas aos interesses nacionais. A liminar foi negada pelo juiz da 1ª Vara, Bernardo Moré Frigeri, alegando que a decisão do governo em vetar ou não a negociação deve acontecer por vias políticas e não jurídicas. 
 
O MPT recorreu ao TRT-15, onde o relator do caso, desembargador Hélio Grasselli, também indeferiu a liminar. Os procuradores, então, entraram com um agravo no tribunal, pedindo para o colegiado reformar a decisão monocrática. 
 
Na última semana de novembro, os desembargadores do TRT-15, deram provimento parcial ao mandado de segurança, exigindo que o governo, por meio do Conselho de Defesa Nacional, vinculado ao Gabinete de Segurança da Presidência da República, reúna informações sobre a negociação envolvendo as companhias. 
 
O objetivo é comparar o acordo atual à situação enfrentada pela Embraer em 1999, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso usou o poder da golden shares para vetar a venda de 20% das ações ordinárias da companhia para um grupo francês. 
 
“Nota-se que na ocasião [em que FHC vetou a venda de parte da Embraer] se discutia a transferência de apenas 20% das ações, o que não conferia a condição de controlador ao grupo francês, e isso foi visto pela União como intolerável intromissão nos interesses do país”, destacaram os procuradores no agravo apresentado ao TRT-15. 
 
Apesar de ser uma vitória, a decisão parcial do TRT-15 não elimina a preocupação do MPT, salienta Araújo Gomes. Pelas regras legais, a partir do momento que Embraer e Boeing submeterem, formalmente, a proposta de fusão ao governo federal, o que deve ocorrer nos próximos dias, a União terá apenas 30 dias para analisá-la. Expirado o prazo, a operação estará selada. 
 
“A União pode permanecer em silêncio, depois de receber a notificação formal das empresas. Caso isso aconteça, segundo as normas estatutárias, será o mesmo que manifestar a concordância", explica o procurador.    
 
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil. Presidente e equipe do governo no lançamento do avião da FAB KC-390, da Embraer Defesa
 
E o governo?
 
Em setembro de 2017, antes do anúncio da fusão entre Embraer e Boeing, o então Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, consultou o Tribunal de Contas da União se poderia se desfazer das ações de ouro, mas o setor de análise técnica do TCU concluiu pela "inexistência de previsão legal para a extinção de ações de classe especial, tampouco de competência definida para quem pode extinguir os direitos delas decorrentes".
 
Mais recentemente, em uma audiência administrativa, realizada em julho, o Major Brigadeiro do Ar, Vice-Chefe do Estado Maior da Aeronáutica, Heraldo Luiz Rodrigues, declarou que o grupo de trabalho, formado pelo governo federal para acompanhar as tratativas entre as empresas, não entende que a golden share confere à União a abrangência apontada pelo MPT nas recomendações de garantia dos interesses nacionais e na preservação dos postos de trabalho. 
 
O procurador Araújo Gomes reforça que o entendimento não mudou nos últimos meses. "A visão do governo federal [apresentada nos autos] é que ele não teria poderes para exercer a golden share por esses motivos, o que, na verdade, está na literalidade do estatuto [da golden share que a União detém na companhia] que permite esse exercício", rebate completando que as próprias companhias alertaram para a prerrogativa de poder da União, nos primeiros comunicados quando a fusão foi anunciada. 
 
Esvaziamento da indústria aeroespacial brasileira
 
A Embraer mantém hoje uma cadeia de fornecedores com, aproximadamente, 70 empresas e que empregam mais de 4.500 pessoas. O procurador Araújo Gomes destaca que a Boeing possui atualmente uma cadeia mundial maior e mais diversificada. Portanto, dificilmente, irá aproveitar todas as empresas brasileiras que hoje atendem às demandas da Embraer.
 
Ao mesmo tempo, os procuradores acusam a companhia norte-americana de manter conversas com alguns fornecedores para levar a produção para fora do país.
 
“Com o decisivo apoio do governo norte-americano, a Boeing já está trabalhando silenciosamente no sentido de esvaziar o polo industrial aeroespacial brasileiro, concentrado em São José dos Campos, buscando deslocar para os Estados Unidos as empresas (e, portanto, os engenheiros e profissionais qualificados) que lhe interessam, o que facilitaria inclusive a migração integral da Embraer para os EUA”, escrevem os procuradores na ação levada ao tribunal. 
 
O MPT destaca também que existem “fortes indícios” de que a companhia norte-americana estuda levar para fora os principais cérebros da companhia brasileira. 
 
Nos próximos 5 anos, cerca de 25% dos engenheiros da Boeing se aposentam e, em uma década, 50%. A Embraer tem hoje cerca de 3 mil engenheiros, predominantemente jovens. A transferência da plataforma para os Estados Unidos não significa, porém, que todos os engenheiros serão absorvidos, provavelmente apenas os mais talentosos.  
 
"Nos últimos anos, a Boeing demitiu nos Estados Unidos milhares. Então a lógica é que serão levados poucos, os mais originais, ao contrário do restante, executores de projetos", observa Araújo Gomes completando que, com a migração de profissionais altamente especializados, o Brasil terá sua capacidade de produção tecnológica de ponta seriamente comprometida. 
 
Golden share e o caso Britoil-British Petroleum 
 
A golden share, ou ação de ouro, é um mecanismo criado na Inglaterra, durante a onda de privatizações dos anos 1980, tornando o Estado acionista das empresas privatizadas com poder especial de veto, em situações que coloquem em risco a soberania e segurança econômica do país. No Brasil, a União possui esse tipo de papéis na Vale e Embraer
 
A principal preocupação do MPT é que o Brasil termine repetindo o mesmo que aconteceu na Inglaterra, do final dos anos 1980, quando a British Petroleum adquiriu as ações a Britoil. 
 
Na ocasião, o governo britânico cogitou o veto, mas voltou atrás após um acordo político onde a British se comprometeu a manter os empregos e não alienar ativos de titularidade da Britoil, ao mesmo tempo em que o Estado se comprometeu a não impedir a aquisição e a considerar o resgate da golden share. Mais tarde, a companhia descumpriu totalmente o acordo. 
 
“Não se pode, no Brasil, repetir o erro cometido no Reino Unido, de exigir uma obrigação sem a fixação de consequências para o caso de descumprimento”, reforçou o MPT no pedido de liminar. 
 
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sábado, 1 de dezembro de 2018

Nº 25.168 - "Orgulhosamente burros Embora tragicamente..."



01/12/2018

Do Facebook Laerte Alencar
01/12/2018


Orgulhosamente burros Embora tragicamente... - Fernando Branquinho

Orgulhosamente burros

Embora tragicamente óbvio, é para pensar o texto do alemão Philipp Lichterbeck, que viveu até recentemente no Brasil e escreve na agência estatal de notícias da Alemanha, a Deutsche Welle. Em que estamos nos tornando, sob os "hospícios" da mídia, da elite dirigente, e de interesses políticos e de uma casta jurídica – bacharéis idiotas, intelectuais de concurso – que, para derrubar uma sequência de governos progressistas, nos fazem viver o paradoxo de termos um estadista na cadeia e um imbecil no poder.

A inteligência tornou-se um crime nestas terras, enquanto durar o tempo do orgulho de ser burro.

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Brasil, um país do passado

Philipp Lichterbeck, na DW Brasil


É sabido que viajar educa o indivíduo, fazendo com que alguém contemple algo de perspectivas diferentes. Quem deixa o Brasil nos dias de hoje deve se preocupar. O país está caminhando rumo ao passado.

No Brasil, pode ser que isso seja algo menos perceptível, porque as pessoas estão expostas ao moinho cotidiano de informações. Mas, de fora, estas formam um mosaico assustador. Atualmente, estou em viagem pelo Caribe – e o Brasil que se vê a partir daqui é de dar medo.

Na história, já houve momentos frequentes de regresso. Jared Diamond os descreve bem em seu livro Colapso: Como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso. Motivos que contribuem para o fracasso são, entre outros, destruição do meio ambiente, negação de fatos, fanatismo religioso. Assim como nos tempos da Inquisição, quando o conhecimento em si já era suficiente para tornar alguém suspeito de blasfêmia.

No Brasil atual, não se grita "herege!", mas "comunismo!". É a acusação com a qual se demoniza a ciência e o progresso social. A emancipação de minorias e grupos menos favorecidos: comunismo! A liberdade artística: comunismo! Direitos humanos: comunismo! Justiça social: comunismo! Educação sexual: comunismo! O pensamento crítico em si: comunismo!

Tudo isso são conquistas que não são questionadas em sociedades progressistas. O Brasil de hoje não as quer mais.

Porém, a própria acusação de comunismo é um anacronismo. Como se hoje houvesse um forte movimento comunista no Brasil. Mas não se trata disso. O novo brasileiro não deve mais questionar, ele precisa obedecer: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

Está na moda um anti-intelectualismo horrendo, "alimentado pela falsa noção de que a democracia significa que a minha ignorância é tão boa quanto o seu conhecimento", segundo dizia o escritor Isaac Asimov. Ouvi uma anedota de um pai brasileiro que tirou o filho da escola porque não queria que ele aprendesse sobre o cubismo. O pai alegou que o filho não precisa saber nada sobre Cuba, que isso era doutrinação marxista. Não sei se a historia é verdade. O pior é que bem que poderia ser.

A essência da ciência é o discernimento. Mas os novos inquisidores amam vídeos com títulos como "Feliciano destrói argumentos e bancada LGBT". Destruir, acabar, detonar, desmoralizar – são seus conceitos fundamentais. E, para que ninguém se engane, o ataque vale para o próprio esclarecimento.

Os inquisidores não querem mais Immanuel Kant, querem Silas Malafaia. Não querem mais Paulo Freire, querem Alexandre Frota. Não querem mais Jean-Jacques Rousseau, querem Olavo de Carvalho. Não querem Chico Mendes, querem a "musa do veneno" (imagino que seja para ingerir ainda mais agrotóxicos).

Dá para imaginar para onde vai uma sociedade que tem esse tipo de fanático como exemplo: para o nada. Os sinais de alerta estão acesos em toda parte.

O desmatamento da Floresta Amazônica teve neste ano o seu maior aumento em uma década: 8 mil quilômetros quadrados foram destruídos entre 2017 e 2018. Mas consórcios de mineradoras e o agronegócio pressionam por uma maior abertura da floresta.

Jair Bolsonaro quer realizar seus desejos. O próximo presidente não acredita que a seca crescente no Sudeste do Brasil poderia ter algo a ver com a ausência de formação de nuvens sobre as áreas desmatadas. E ele não acredita nas mudanças climáticas. Para ele, ambientalistas são subversivos.

Existe um consenso entre os cientistas conhecedores do assunto no mundo inteiro: dizem que a Terra está se aquecendo drasticamente por causa das emissões de dióxido de carbono do ser humano e que isso terá consequências catastróficas. Mas Bolsonaro, igual a Trump, prefere não ouvi-los. Prefere ignorar o problema.

Para o próximo ministro brasileiro do Exterior, Ernesto Araújo, o aquecimento global é até um complô marxista internacional. Ele age como se tivesse alguma noção de pesquisas sobre o clima. É exatamente esse o problema: a ignorância no Brasil de hoje conta mais do que o conhecimento. O Brasil prefere acreditar num diplomata de terceira categoria do que no Instituto Potsdam de Pesquisa sobre o Impacto Climático, que estuda seriamente o tema há trinta anos.

Araújo, aliás, também diz que o sexo entre heterossexuais ou comer carne vermelha são comportamentos que estão sendo "criminalizados". Ele fala sério. Ao mesmo tempo, o Tinder bomba no Brasil. E, segundo o IBGE, há 220 milhões de cabeças de gado nos pastos do país. Mas não importa. O extremista Araújo não se interessa por fatos, mas pela disseminação de crenças. Para Jared Diamond, isso é um comportamento caraterístico de sociedades que fracassam.

Obviamente, está claríssimo que a restrição do pensamento começa na escola. Por isso, os novos inquisidores se concentram especialmente nela. A "Escola Sem Partido" tenta fazer exatamente isso. Leandro Karnal, uma das cabeças mais inteligentes do Brasil, com razão descreve a ideia como "asneira sem tamanho".

A Escola Sem Partido foi idealizada por pessoas sem noção de pedagogia, formação e educação. Eles querem reprimir o conhecimento e a discussão.

Karl Marx é ensinado em qualquer faculdade de economia séria do mundo, porque ele foi um dos primeiros a descrever o funcionamento do capitalismo. E o fez de uma forma genial. Mas os novos inquisidores do Brasil não querem Marx. Acham que o contato com a obra dele transformaria qualquer estudante em marxista convicto. Acreditam que o próprio saber é nocivo – igual aos inquisidores. E, como bons inquisidores, exortam à denúncia de mestres e professores. A obra 1984, de George Orwell, está se tornando realidade no Brasil em 2018.

É possível estender longamente a lista com exemplos do regresso do país: a influência cada vez maior das igrejas evangélicas, que fazem negócios com a credulidade e a esperança de pessoas pobres. A demonização das artes (exposições nunca abrem por medo dos extremistas, e artistas como Wagner Schwartz são ameaçados de morte por uma performance que foi um sucesso na Europa). Há uma negação paranoica de modelos alternativos de família. Existe a tentativa de reescrever a história e transformar torturadores em heróis. Há a tentativa de introduzir o criacionismo. Tomás de Torquemada em vez de Charles Darwin.

E, como se fosse uma sátira, no Brasil de 2018 há a homenagem a um pseudocientista na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, que defende a teoria de que a Terra seria plana, ou "convexa", e não redonda. A moção de congratulação concedida ao pesquisador foi proposta pelo presidente da AL e aprovada por unanimidade pelos parlamentares.


Brasil, um país do passado.

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