sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Contraponto 4119 - Jornalismo 1 x 0 Gilmar Mendes

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03/12/2010


Jornalismo 1 x 0 Gilmar Mendes

Tocado pela Justiça, enfim

Brasília, eu vi - 03/12/2010

Leandro Fortes


Na edição de 8 de outubro de 2008 da CartaCapital, em uma reportagem de minha autoria intitulada “O empresário Gilmar Mendes”, revelei a ligação societária entre o então presidente do Supremo Tribunal Federal e o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). Trata-se de uma escola de cursinhos de direito cujo prédio foi construído com dinheiro do Banco do Brasil sobre um terreno, localizado em área nobre de Brasília, praticamente doado (80% de desconto) a Mendes pelo ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz. O IDP, à época da matéria, havia fechado 2,4 milhões em contratos sem licitação com órgãos federais, tribunais e entidades da magistratura, volume de dinheiro que havia sido sensivelmente turbinado depois da ida de Mendes para o STF, por indicação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O corpo docente do IDP era formado, basicamente, por ministros de Estado e de tribunais superiores, desembargadores e advogados com interesses diretos em processos no Supremo, o que, por si só, já era passível de uma investigação jornalística decente. O que, aliás, foi feito pela CartaCapital quando toda a imprensa restante, ou se calava, ou fazia as vontades do ministro em questão. Foi a época da Operação Satiagraha, dos dois habeas corpus concedidos por Mendes ao banqueiro Daniel Dantas, em menos de 48 horas. Em seguida, a mídia encampou a farsa do grampo sem áudio, publicado pela revista Veja, que serviu para afastar da Agência Brasileira de Inteligência o delegado Paulo Lacerda, com o auxílio luxuoso do ministro da Defesa, Nelson Jobim, autor de uma falsa denúncia sobre existência de equipamentos secretos de escuta telefônica que teriam sido adquiridos pela Abin.

Naqueles tempos duros, fazer uma cobertura crítica da atuação de Gilmar Mendes no STF era uma tarefa quase suicida. Mesmo o governo federal, instado a não comprar briga com Mendes justo no momento em que o inquérito do chamado “mensalão” passava às barras do Supremo, manteve-se amedrontado. Emblema daquela circunstância foi a submissão do presidente Lula às idiossincrasias de Mendes, chamado pelo ministro “às falas” para responder pela inverossímil denúncia de espionagem no STF. CartaCapital e este repórter, por revelarem as atividades comerciais paralelas de Gilmar Mendes, acabaram processados pelo ministro, evidencie-se, dentro das regras democráticas e legais do Estado de direito.

Acusou-nos, Mendes, de termos elaborado a referida reportagem com o intuito de lhe “denegrir a imagem” e “macular sua credibilidade”. Alegou, ainda, que a leitura da reportagem atacava não somente a ele, mas serviria, ainda, para “desestimular alunos e entidades que buscam seu ensino”. Essa argumentação foi desmontada ainda antes da sentença, por este blog, no post que pode ser acessado aqui.

Em 26 de novembro de 2010, portanto, na semana passada, a juíza Adriana Sachsida Garcia, do Tribunal de Justiça de São Paulo, julgou improcedente a ação de Gilmar Mendes e extinguiu o processo contra mim e a CartaCapital. Dentre outras considerações, afirmou:
“As informações divulgadas são verídicas, de notório interesse público e escritas com estrito animus narrandi. A matéria publicada apenas suscita o debate sob o enfoque da ética, em relação à situação narrada pelo jornalista. Não restou configurado o dolo ou culpa, condição sine qua non para autorizar a condenação no pagamento de indenização. A população tem o direito de ser informada de forma completa e correta, motivo pelo qual esse direito deve sobrepor-se às garantias individuais, sob determinadas circunstâncias, como são as objeto de análise.”

Abaixo, alguns trechos da sentença proferida pela juíza Adriana Garcia. A decisão ainda é passível de recurso por parte da defesa do ministro Gilmar Mendes:

“(…) Desnecessária a colheita de outras provas, pois a matéria é eminentemente de direito e os fatos controversos vieram bem comprovados por documentos, de maneira que autorizado o julgamento antecipado, em conformidade com a regra do artigo 330, inciso I, do Código de Processo Civil. O pedido é improcedente. (…) Ocorre que, a documentação trazida com a defesa revela que a situação exposta é verídica; o que, aliás, não foi negado pelo autor.”

“Considerado o modelo da reportagem e as palavras utilizadas, não vislumbro ofensa ao ordenamento jurídico, condição indispensável para a condenação no pagamento de indenização.”

“O tema exige cautela do julgador para que não incida na odiosa restrição das liberdades de informação e de expressão, as quais contêm o direito de criticar. Careceria de justa causa a notícia falsa ou imprudentemente divulgada, mas não a baseada em fatos reais e de manifesto interesse público.”

“Insta aqui destacar que a reportagem de fato assevera não haver ilegalidade no proceder do autor ou de qualquer das pessoas físicas mencionadas, tanto que eminentes juristas foram entrevistados para emitir opinião técnica sobre a participação de magistrados em sociedades empresariais e restou registrada a controvérsia existente sobre o tema.”

“Não se considera ‘caviloso’ o texto do jornalista porque não criou fatos ou incluiu inverdades, nem omitiu dados importantes ao bom entendimento da notícia. De fato, já na inicial, o autor reconhece que o Ministro Gilmar Mendes é sócio da empresa e detém uma terça parte das quotas sociais. (…) Bem assim, a inicial admite a realização de contratos com vários órgãos do Poder Público no âmbito federal, com dispensa de licitação, por inexigibilidade.”

“Ainda, o autor relata que possui corpo discente de alto gabarito, ilustrado por figuras ocupantes do alto escalão dos diferentes Poderes da República. E se os fatos não são mentirosos, não vejo fundamento jurídico para coibir o livre exercício do questionamento e da crítica pela imprensa.”

“A reportagem impugnada consubstancia regular exercício de direito, consubstanciado em crítica jornalística própria dos regimes democráticos. A doutrina e a jurisprudência concordam que, pelo menos para efeito de responsabilidade civil, a licitude da matéria jornalística decorre do interesse público, da veracidade e pertinência de seu conteúdo.”

“E, finalmente, também o conteúdo é pertinente – não obstante a crítica inserida – havendo articulação lógica entre o conteúdo narrado e as conclusões expostas. A relevância dos fatos narrados foi apresentada de modo adequado em relação ao contexto dos fatos noticiados. A documentação acostada pela defesa demonstra que foi apurada a procedência dos fatos narrados, de modo a neutralizar a alegação de que houve divulgação precipitada e indevida de fatos aptos a arruinar a reputação das pessoas citadas.”

“Não se pode cogitar de verdadeira liberdade de informação e expressão sem a possibilidade da crítica, a possibilidade de emitir juízo de valor – favorável ou não – em relação a determinado comportamento.”

“Reconhecer ilicitude, sem provas sobre animus injuriandi ou animus nocendi, constitui, pelo peso da indenização por dano moral, restrição que se aproxima da censura”

“Condeno o autor no pagamento das verbas oriundas de sua sucumbência, com honorária que fixo em R$ 5.000,00 para cada um dos co-réus, atualizados monetariamente a partir da data desta sentença pelos índices da Tabela Prática editada pelo Egrégio Tribunal de Justiça deste Estado, nos termos do que preceitua o artigo 20, § 4º, do mesmo Código de Processo Civil. Transcorrido o prazo para recurso, ou processado o que houver, diligencie a serventia o arquivamento dos autos, observadas as formalidades legais e cautelas de praxe.

P.R.I. São Paulo, 26 de novembro de 2010.

Adriana Sachsida Garcia Juíza de Direito”

Aqui, a íntegra da sentença.
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Contraponto 4118 - "Em entrevista a rádios, Lula anuncia 'grande debate' sobre mídia"

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02/12/2010

Em entrevista a rádios, Lula anuncia "grande debate" sobre mídia

Do Vermelho - 2 de Dezembro de 2010 - 17h37

Os ativistas da comunicação no Brasil devem se preparar para um importante debate que vai ganhar corpo a partir do ano que vem: a mudança na regulação dos meios de comunicação do País. O alerta foi dado pelo presidente Lula nesta quinta-feira (2/12) no Palácio do Planalto, em Brasília (DF) em entrevista coletiva a oito rádios comunitárias.

Segundo informou, o Ministério das Comunicações do governo Dilma Rousseff vai priorizar esse debate, com ampla participação da sociedade, porque a legislação brasileira é ultrapassada e não reflete o mundo altamente tecnológico e conectado à internet que temos hoje.

De acordo com o presidente, depois da realização da 1a. Conferência Nacional de Comunicação, "ficou claro pra todo mundo que no mundo inteiro tem regulação, que tem algum tipo de regulação (dos meios de comunicação)" e que será possível, com esta discussão, "conquistar muitas coisas na elaboração deste marco regulatório".

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A discussão está na mesa: "O novo Ministério está diante de um novo paradigma de comunicação. Quero alertar vocês porque esse debate vai ser envolvente, tem muita gente contra e muita gente a favor. Certamente, o governo não vai ganhar 100% e quem é contra não vai ganhar 100%. Eu peço que vocês se preparem para esse debate. Se a gente fizer um bom debate conseguiremos encontrar um caminho do meio. Esse será o papel do novo Ministério de Comunicações", disse o presidente.

Lula expressou a vontade de se dedicar às discussões a respeito do marco regulatório das comunicações após o fim do mandato, já que, segundo disse, poderá ter um discurso que não podia ter na função de presidente da República. Ele disse que como militante político exercerá um papel centralizador dos debates da sociedade brasileira para politizar a questão do marco regulatório e “resolver a história das telecomunicações de uma vez”. Para isso, "é preciso ter força política” e embasamento, para vencer “o monopólio” que existe atualmente nas comunicações.

Democratização da comunicação

Na opinião do presidente, é preciso mudar urgentemente o padrão da comunicação brasileira, que não reflete a pluralidade do País e não contribui para a difusão da diversidade cultural. Lula disse que não é mais possível que uma pessoa que mora na região Norte, por exemplo, só tenha acesso à programação de São Paulo e do Rio de Janeiro. Na opinião dele, “sem querer tirar nada de ningúem”, é preciso que se dê a oportunidade para que moradores do Sudeste tenham acesso às informações de todo o País e para que todas as regiões estejam em contato com sua própria cultura. "Daqui a pouco no Nordeste, os companheiros vão esquecer de falar macaxeira e vão falar só aipim", ironizou.

"A democracia tem uma mão para ir e uma para voltar. Por isso é que nós trabalhamos a necessidade que você tenha uma programação regional para uma interação mais forte. Acho que poderemos avançar", disse Lula.

O presidente enfatizou ainda a necessidade de travar este debate sem cair na ladainha da "ameaça" à liberdade de imprensa. Ele disse que esta é uma tese propagada pelos "monopólios" que consideram as propostas de democratização dos meios de comunicação como um cerceamento à liberdade de imprensa no Brasil: "É uma briga histórica. Tratam (o assunto) como se fosse cerceamento à liberdade de imprensa. É uma coisa absurda alguém achar que não pode receber críticas, que são intocáveis", afirmou.

Ele ainda lembrou que, quando chegou ao Planalto, ouviu muita reclamação porque decidiu "democratizar" e "regionalizar" a publicidade do governo quando passaram de 499 meios de comunicação que recebem dinheiro do governo para 8010. "Tinha um pequeno grupo acostumado a comer sozinho e quando você reparte, as pessoas reclamam", comentou.

Lula não citou o nome de Paulo Bernardo, cotado para assumir o Ministério das Comunicações no próximo governo, mas falou a respeito da escolha que a presidente eleita Dilma Rousseff deve fazer. Segundo o presidente, deve ser algum que tenha "afinidade" com a ideia da democratização.

Rovai: donos da mídia "estão nervosos"

O presidente já havia abordado longamente o tema mídia em entrevista coletiva que deu na semana passada a blogs de diferentes pontos do Brasil. Leia mais

O jornalista Renato Rovai, da revista Fórum, que participou da entrevista de blogueiros com Lula, avalia que "como presidente da República, Lula teve a percepção nítida de que se fosse contar apenas com a mídia tradicional para se dirigir à sociedade estaria perdido. A experiência de muitos anos de contato com esses meios, como líder sindical e depois político, deu a ele a possibilidade de entendê-los com muita clareza". Segundo Rovai, "jornalões e televisões ficaram nervosos ao perceberem que eles não são mais o único canal existente de contato entre os governantes e a sociedade", o que torna ainda mais relevante o debate sobre a mídia no país.

"Curioso lembrar as várias teses publicadas sobre a sociedade mediatizada, onde se tenta demonstrar como os meios de comunicação estabelecem os limites do espaço público e fazem a intermediação entre governos e sociedade. Pois não é que o governo Lula rompeu até mesmo com essas teorias. Passou por cima dos meios, transmitiu diretamente suas mensagens e deixou nervosos os empresários da comunicação e os seus fiéis funcionários, abalados com a perda do monopólio da transmissão de mensagens", disse Rovai durante o curso anual do Núcleo Piratininga de Comunicação, realizado semana passada no Rio.

Para ele, "está dada, ao final deste governo, mais uma lição: governos populares não podem ficar sujeitos ao filtro ideológico da mídia para se relacionarem com a sociedade. Mas também não pode depender apenas de comunicadores excepcionais como é caso do presidente Lula. Se outros surgirem ótimo. Mas uma sociedade democrática não pode ficar contando com o acaso. Daí a importância dos blogueiros, dos jornais regionais, das emissoras comunitárias e de uma futura legislação da mídia que garanta espaços para vozes divergentes do pensamento único atual".

Preconceito

Durante a entrevista de Lula às rádios comunitárias, que durou pouco mais de uma hora, o presidente também falou sobre o preconceito que existe na política brasileira que o vitimou “a vida inteira” e que o assustou durante a campanha presidencial. Lula ressaltou, entretanto, que acredita que prevalecerá o bom senso e que está certo de que Dilma Rousseff fará mais e melhor, porque encontrou um País muito mais desenvolvido e com a economia em amplo crescimento.

"O que eu vi nessa campanha me assustou. Eu sempre fui vítima de preconceito, carreguei a vida inteira, e o preconceito deixa marcas profundas, quase que incuráveis. Eu não tinha noção de que eles seriam capazes de fazer uma campanha tao preconceituosa quanto fizeram com a Dilma… apenas porque era uma mulher candidata. Mas podem ficar certos de que a Dilma não veio de onde eu vim, mas ela vai para onde eu fui".

No final da entrevista, um dos radialistas perguntou a Lula se ele achava que as rádios comunitárias "derrubavam avião ou tubarão", em uma referência implícita aos grandes grupos de comunicação. Lula, então, respondeu: "Eu sinceramente não sou técnico especialista para dizer se rádio comunitária derruba avião. Obviamente que qualquer rádio que interferir no sistema do avião pode criar um problema. Mas eu acho que hoje ela preocupa muito mais o tubarão do que um avião".

Participaram da entrevista com o presidente Lula as rádios Maria Rosa, de Curitibanos (SC); Heliópolis, de São Paulo (SP); Líder Recanto, do Recanto das Emas (DF); Oito de Dezembro, de Vargem Grande Paulista (SP); Santa Luzia, de Santa Luzia (MG); Cidade, de Ouvidor (GO), Fercal, de Sobradinho (DF) e Comunitária Integração, de Santa Cruz do Sul (RS). A entrevista foi transmitida ao vivo pelo Blog do Planalto e também por diversos outros blogs do País.

Com informações do Blog do Planalto e agências
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Contraponto 4117 - "Pré-sal: Câmara aprova partilha, fundo social e royalties"

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02/12/2010

Pré-sal: Câmara aprova partilha, fundo social e royalties

Modelo de partilha garante para o
Estado controle das riquezas


Do Vermelho - 2 de Dezembro de 2010 - 0h39

Por 204 votos a favor, 66 contra e duas abstenções, os deputados aprovaram na noite desta quarta-feira (1º) o projeto do marco regulatório do pré-sal, que cria o Fundo Social e institui o modelo de partilha. No início da madrugada, foi também aprovado, em votação simbólica, o destaque que estabelece a distribuição dos royalties entre os Estados e municípios produtores e não produtores.

A mudança de modelo de exploração do pré-sal de concessão para partilha de produção foi proposta pelo governo federal em agosto do ano passado. No modelo proposto o governo passa a receber uma parte da produção em óleo. Outra mudança é que a Petrobras participará de todos os consórcios com no mínimo 30% e será a operadora única das reservas que serão leiloadas.

Este novo modelo seria aplicado na área do pré-sal que ainda não foi licitada, que equivale a 2/3 das reservas já descobertas.

Redistribuição dos royalties

Em votação simbólica, os deputados concordaram com emenda do senador Pedro Simon (PMDB-RS) que prevê uma distribuição mais equitativa entre os Estados da Federação dos royalties pagos pelas petroleiras. A emenda aprovada prevê que os recursos da exploração de petróleo no mar que são destinados a estados e municípios sejam divididos pelos critérios dos fundos de participação, que privilegia os estados mais pobres.

Nos cálculos do deputado Marcelo Castro, as mudanças fariam os recursos para o Rio de Janeiro cair de R$ 24 bilhões para R$ 680 milhões, enquanto o Piauí passaria a receber R$ 1 bilhão por ano, em vez de R$ 260 milhões.

A votação do tema aconteceu em meio a muito tumulto. Líderes da base do governo tentaram uma manobra regimental para impedir a aprovação da emenda. A manobra, no entanto, não resistiu à maioria do plenário, que claramente se manifestou a favor da redistribuição.

O governo federal já sinalizou que deve vetar a questão dos royalties, já que após a votação na Câmara, o projeto segue para a sanção presidencial. Mesmo assim, todos os parlamentares do Rio de Janeiro e do Espírito Santo usaram o microfone para reclamar da aprovação do destaque dos royalties.

Fundo Social: Lucros x arrecadação

Na questão do Fundo Social, o parecer do relator, o deputado Antonio Palocci (PT-SP), que baseou seu relatório no texto substitutivo aprovado do Senado, retirou o percentual de 5% que seria destinado à Previdência Social. Com isso, os recursos do fundo irão para combate à pobreza e desenvolvimento da educação, da cultura, do esporte, da saúde pública, da ciência e tecnologia, do meio ambiente e da mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Segundo o governo federal, a criação do fundo visa evitar a chamada “doença holandesa”, quando um país recebe muitos dólares pela exploração de petróleo e acaba tendo sua moeda sobrevalorizada, prejudicando a indústria nacional. Por este motivo, as aplicações financeiras do fundo serão, preferencialmente, feitas no exterior.

“Se aprovássemos [da forma que veio do Senado], isso significaria que não restaria nada para o Fundo Social, que será um fundo vazio, sem recursos”, defendeu Palocci.
O ex-ministro da Fazenda também mudou o trecho o que se referia aos recursos destinados à área da Educação. A proposta que saiu do Senado pediu que 50% da arrecadação pela União que seria colocado no caixa do Fundo Social fosse reservado para a área.

A mudança do relator prevê que 50% dos lucros iriam para a área da educação e, dentro deste montante, 80% devem ser investidos em educação básica e infantil. As outras áreas como Ciência e Tecnologia, Esportes, Meio Ambiente e Erradicação da Pobreza ainda estão sem definição de porcentagem de quanto cada setor deverá receber.

O deputado Marco Maia (PT-RS), que presidiu a sessão, comemorou o resultado da votação dizendo que a Câmara promoveu uma sessão histórica ao aprovar os itens chaves do marco regulatório do pré-sal que terá influência decisiva no desenvolvimento do país.

O projeto do pré-sal tramitava no Congresso desde setembro do ano passado.

Da redação,
com agências
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Contrapoto 4116 - "Sobre a Premium II: Refinaria está a todo o vapor, diz Gabrielli

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02/12/2010


Sobre a Premium II
Refinaria está a todo o vapor, diz Gabrielli

Gabrielli: "não é refinaria prometida. A refinaria está se efetivando", garantiu sobre o projeto cearense
FOTO: DIVULGAÇÃO

Produção de petróleo no Estado é atualmente
da ordem de 7,2 mil barris por dia, segundo dados da ANP
FOTO: CID BARBOSA


Diário do Nordeste - 02/12/2010


Durante uma hora, Gabrielli atendeu a repórteres da rádio Verdes Mares, do Ceará, e de outros oito estados

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse ontem que as providências para a concretização da refinaria Premium II, a ser instalada pela empresa no Ceará, estão "a todo o vapor". Ele ressaltou que o projeto da refinaria é de "alto grau de complexidade", mas garantiu que as questões referentes à fase inicial do empreendimento estão sendo "ultimadas".

A avaliação foi feita ontem pelo presidente da Petrobras ao responder pergunta do repórter da Rádio Verdes Mares, Newton Sales, que questionou como estaria a implantação da refinaria prometida para o Ceará. "Primeiro, não é refinaria prometida. A refinaria está se efetivando", garantiu Gabrielli em resposta à Verdes Mares.

A entrevista foi dada ao programa Brasil em Pauta, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Durante uma hora, Gabrielli atendeu a repórteres de rádios do Ceará, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Bahia, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Amazonas. Os investimentos em novas refinarias foi um dos assuntos mais abordados.

Segundo o presidente da Petrobras, a Universidade Federal do Ceará (UFC) está realizando os estudos de impacto ambiental e o Governo do Estado, finalizando a questão da legalização do terreno para instalar o empreendimento. A previsão é que a refinaria a ser instalada no Complexo Industrial do Pecém comece a funcionar em 2017.

Preparação

Gabrielli lembrou que foi iniciado em algumas áreas o trabalho de sondagem, atividade apontada por ele como indispensável para iniciar o processo de terraplenagem da área. "Dentro em breve, assim que resolvidas essas questões legais sobre o terreno, nós iniciaremos a licitação para a terraplenagem", disse o presidente da Petrobras.

A proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2011 prevê que a Petrobras investirá cerca de R$ 310,27 milhões no empreendimento no próximo ano. O investimento total estimado para o projeto é de cerca de US$ 11 bilhões, segundo valores anunciados pela empresa em 2008.

"Estamos avançando na definição do projeto básico (da refinaria). Contratamos uma empresa de engenharia que é considerada uma das melhores em projeto de refinaria do mundo para desenhar a estrutura dos equipamentos. A refinaria é uma planta industrial complexa", disse Gabrielli. Segundo ele, a Premium II é particularmente mais complexa porque será utilizada para produzir principalmente diesel. "Estamos em pleno vapor na alavancagem de um empreendimento que leva cinco, seis, sete anos para ser efetivado", declarou.

Partilha

Caso o projeto de partilha da produção de petróleo no Brasil seja vetado pela Presidência da República, Gabrielli considerou que o próximo governo poderá discutir proposta mais equânime. A nova divisão não favoreceria somente os Estados que são os maiores produtores, mas daria a eles algumas vantagens sobre os demais.

"Se for aprovado e o presidente vetar, a cobrança volta à forma original, e é provável que retorne à Câmara dos Deputados em 2011 como um novo projeto de lei que discuta de maneira mais equânime a questão dos royalties, permitindo uma distribuição de parcela maior para estados produtores, ao mesmo tempo que também dê oportunidade aos outros de se beneficiarem da produção", disse.

O projeto que altera o novo marco regulatório está em tramitação na Câmara, após ter sido alterado no Senado. Na primeira Casa Legislativa, houve a adição de emenda que alterou a distribuição dos royalties beneficiando todos os Estados.

MUNICÍPIOS CEARENSES

Pagamento de royalties em baixa

Recuperação dos campos no Ceará e a descoberta de novas províncias podem elevar arrecadação de royalties

Os municípios cearenses continuam recebendo um montante decrescente proveniente dos royalties da exploração de petróleo. Após serem aquinhoados com R$ 3,2 milhões em outubro, receberam apenas R$ 2,8 milhões em novembro, caindo 12,5% no benefício, de acordo com relatório da ANP (Agência Nacional do Petróleo).

No acumulado de janeiro a novembro, a quantia se situa em R$ 25,3 milhões, também inferior aos valores de igual período de 2009, quando as cidades do Ceará haviam acumulado R$ 25,8 milhões. No mesmo ritmo da maioria dos municípios, a Capital registrou redução na captação de royalties, caindo de R$ 1,5 milhão em outubro para R$ 1,25 milhão no mês seguinte. Na soma dos onze meses de 2010, Fortaleza totaliza R$ 6,98 milhões, cifra que equivale a mais do que o quádruplo do valor registrado pela ANP em igual época do ano passado, quando foram acumulados R$ 1,6 milhão.

Maracanaú é 2º

Maracanaú foi a segunda cidade no ranking de receitas advindas dos royalties em novembro. O município da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) teve R$ 698 mil incrementados em sua receita no mês, aproximando-se dos R$ 8 milhões no ano e sagrando-se como a localidade cearense que mais recebeu dinheiro do petróleo em 2010.

No Estado, apenas outras quatro cidades foram beneficiadas com quantias superiores a R$ 100 mil: Tianguá (R$ 115 mil), Paracuru (R$ 107 mil), Itapipoca (R$ 105 mil), Aracati (R$ 121 mil). O total captado pelos municípios cearenses só foi superior aos montantes destinados às cidades do Amapá (apenas R$ 23 mil), Minas Gerais (R$ 41 mil), Pará (R$ 130 mil) e Santa Catarina (R$ 2,5 milhões). Maior produtor de petróleo do País, o Rio de Janeiro somou R$ 165 milhões em novembro.

Benefício

De acordo com a ANP, apenas nove governos estaduais foram beneficiados com o dinheiro oriundo da exploração do petróleo em novembro. A receita direcionada às contas do Ceará foi entre as unidades federativas: R$ 960 mil. De janeiro a novembro, o Estado soma R$ 11 milhões. Líder, o Rio de Janeiro obteve R$ 152 milhões e acumula R$ 1,8 bilhão nos onze primeiros meses do ano.

Produção

A produção cearense é, atualmente, da ordem de 7,2 mil barris por dia. Esse petróleo é retirado tanto do mar, na Bacia do Ceará, como da terra, em poços na Bacia Potiguar.

Em solo, o óleo é explorado na Fazenda Belém, localizada entre os municípios de Icapuí e Aracati. Já em mar, a atividade se dá nas águas rasas de Paracuru, através de quatro campos petrolíferos: Atum, Xaréu, Curimã e Espada. O primeiro campo de petróleo do Ceará foi descoberto em 1976.

A produção marítima, porém, vem declinando por conta do natural processo de envelhecimento das jazidas.

CRISTIANE BONFIM
REPÓRTER
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Contraponto 4115 - "Série "Nunca Antes...": recursos em Educação triplicaram"


02/12/2010


Série "Nunca Antes...": recursos em Educação triplicaram


Amigos do Presidente - quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

No mês de dezembro o Blog do Planalto publica a série "Nunca antes…" com as principais realizações do governo do presidente Lula.

A série abre com a área da educação.

Nunca antes na história deste País, como bem diria o presidente...

- 750 mil jovens (metade afrodescendentes) ingressaram na Universidade pelo PROUNI;
- Entre 2003 e 2009, as matrículas em universidades de todo o País aumentaram de 3,94 milhões para 5,95 milhões;
- o número de vagas nas Universidade Federais mais que dobrou com o REUNI, passando de 109,2 mil em 2003 para 222,4 em 2010. Até 2012, a expectativa é de que as vagas anuais ultrapassem a marca de 240 mil;
- O Programa de Financiamento Estudantil (Fies) dispensou fiador, e facilitou as condições de pagamento;
- somente em 2010 mais de 60 mil brasileiros estão estudando com a ajuda do Fies;
- o Brasil ganhou 14 novas universidades federais nos últimos 8 anos (10 delas são voltadas para o interior do País);
- 126 novos campi universitários foram criados;
- hoje, as universidades federais estão presentes em 230 municípios nas 27 unidades federativas;
- 240 novas escolas técnicas federais foram criadas;
- o número de estudantes no ensino técnico passou de 140 mil em 2003 para 348 mil este ano;

Confira os infográficos especiais sobre escolas técnicas e expansão universitária.
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Contraponto 4114 - "Nasa deixa mundo em suspense sobre descoberta de vida extraterrestre"


02/12/2010


Nasa deixa mundo em suspense sobre descoberta de vida extraterrestre


(AFP) – Há 1 hora

WASHINGTON — A Nasa, a agência espacial americana, vem causando efervescência, principalmente na internet, ao anunciar para esta quinta-feira uma entrevista à imprensa sobre uma descoberta científica ligada à vida extraterrestre.

"A Nasa realizará uma coletiva de imprensa às 14h00 (17h00, horário de Brasília) na quinta-feira, dia 2 de dezembro, para discutir uma descoberta em astrobiologia com consequências para a pesquisa de provas da existência de vida extraterrestre", informou a agência em seu site na Internet. A coletiva acontecerá em Washington.

Os apaixonados pelo espaço e pelos extraterrestres fizeram uma enxurrada de especulações na web sobre a importância deste anúncio, mas a Nasa não quis dar mais detalhes até o momento.

Entre as pessoas que falarão na quinta-feira estão Mary Voytek, que dirige o programa de astrobiologia da Nasa, Felisa Wolfe-Simon, pesquisadora em astrobiologia no USGS (Instituto de Geofísica Americano), bem como Pamela Conrad, astrobióloga do Centro Espacial Goddard da Nasa.

A astrobiologia é uma disciplina que estuda a vida no universo, incluindo sua origem e evolução, sua localização e as chances de ela se perpetuar.

Copyright © 2010 AFP. Todos os direitos reservados.
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Contraponto 4113 - "A traição de Jobim"

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01/12/2010
A traição de Jobim

Do Direto da Redação Publicado em 01/12/2010

Mair Pena Neto*

A presidente eleita Dilma Rousseff tem uma excelente oportunidade de se livrar de um grande problema no nascedouro. Desconvidar, se é que o convite foi feito, o ministro da Defesa Nelson Jobim para continuar à frente da pasta em seu governo. O argumento seria de traição à pátria por passar informações privilegiadas aos Estados Unidos, como revelaram os documentos vazados pelo site Wikileaks.

A palavra traição pode soar forte, já que Jobim não entregou nenhum dado que ameaçasse a segurança do país, mas se valeu do cargo para transmitir ao embaixador do EUA no Brasil, Clifford Sobel, informações confidenciais, às quais só teve acesso pelo cargo que ocupa.

Jobim jamais poderia ter dito ao embaixador americano, dias depois de uma visita do presidente Lula a La Paz, da qual participou, que o presidente boliviano Evo Morales teria um diagnóstico de câncer e citado, inclusive, uma oferta brasileira de um tratamento em São Paulo. A doença de qualquer presidente é um assunto estratégico de cada país, e, no caso de Morales, tinha um caráter ainda mais relevante por se tratar de um desafeto do governo americano. O ministro brasileiro não é nenhum inocente para alegar que teria feito apenas um comentário. Ele sabia, se o fato for confirmado, que detinha uma informação importante e de grande interesse para os EUA. Se a passou foi com algum propósito cuja explicação deve à sociedade brasileira.

Se tal fato parece insuficiente, Jobim incorreu em falta ainda mais grave ao falar ao embaixador de inclinação antiamericana do Itamaraty e acusar um colega de governo, o então secretário- geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, de ter ódio aos EUA e trabalhar para criar problemas nas relações.

A política externa brasileira deu um salto de qualidade no governo Lula e ganhou respeitabilidade mundial para ser exposta, mesmo que sob a ótica individual e limitada, por um ministro de governo, que deveria ser investigado desde já com vistas a uma possível exoneração caso os fatos fossem comprovados. Os EUA não negaram a veracidade dos documentos de sua diplomacia, apresentados pelo Wikileaks, e os relatos das correspondências são detalhados o suficiente para incriminar os envolvidos.

A Jobim, como ministro do governo brasileiro, jamais competiria externar a um representante estrangeiro orientações da política externa do país. As revelações do Wikileaks expuseram também um brasileiro subalterno, que funcionou como fonte de informação do governo americano. O protagonismo do Brasil no cenário internacional foi conquistado arduamente para ser ridicularizado por um político que parece se orientar pela famosa frase de Juracy Magalhães de que o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.

O presidente Lula peca ao minimizar os documentos secretos da diplomacia americana e colocar a palavra de Jobim contra a de Sobel sem a menor investigação. Se pretende evitar problemas no último mês de seu governo, ao menos poderia impedir o prosseguimento dos mesmos no mandato de sua sucessora.

Jobim sempre foi um bufão, ávido de poder, que prestou péssimos serviços ao país, atuando contra o Plano Nacional de Direitos Humanos e contribuindo para prejudicar a Operação Satiagraha ao denunciar em reunião da coordenação do governo a compra pela Abin de equipamentos de escutas telefônicas que poderiam ter grampeado o então presidente do STF Gilmar Mendes. A suposta escuta, que jamais foi comprovada, custou o afastamento do diretor-geral da agência de inteligência, Paulo Lacerda

Já os serviços prestados aos EUA foram reconhecidos pelo embaixador Sobel, que classificou o ministro da Defesa como “um dos mais confiáveis líderes no Brasil”. Confiável certamente para os EUA, mas não para o Brasil.

Mair Pena Neto. Jornalista carioca. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia.
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Contraponto 4112 - "Líderes acreditam na votação do pré-sal ainda este ano na Câmara"

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01/12/2010


Líderes acreditam na votação do pré-sal ainda este ano na Câmara

Do Vermelho - 1 de Dezembro de 2010 - 17h55

Os trabalhos legislativos estão desacelerando. A situação é considerada natural para o final de ano que coincide com o fim da legislatura. A expectativa é de que se vote, a cada semana, um ou duas Medidas Provisórias (MPs), como vem ocorrendo até agora. E ainda o pré-sal, que está sob regime de urgência, e duas matérias que são de interesse das duas bancadas – governista e oposição -, que são as alterações na Lei Kandir e o Fundo de Combate à Pobreza.

A avaliação é do líder do Bloco de Esquerda, deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), opinião que recebe a concordância da líder do PCdoB na Câmara, deputada Vanessa Grazziotin (AM). Os dois também defendem a votação da PEC 300, que trata da remuneração dos policiais militares e bombeiros, mas que dificilmente ela será votada ainda este ano, apesar da pressão de um grupo de parlamentares nesse sentido.

Daniel Almeida considera “um equívoco” a opinião do governo, de parte da base aliada e de governadores de que não se deveria votar agora a PEC 300. “É um equívoco, a gente podia votar o segundo turno da matéria e enviar para o Senado, o que daria tempo, até o próximo ano, aos governadores refletirem sobre o assunto.”

Mas ele insiste em dizer que é muito pouco provável que se vote a matéria esse ano. “O que prevalece é que não se conquiste condições favoráveis para votá-la esse ano.” E também adianta que será difícil limpar a pauta. Ontem foi votada uma MP e nesta quarta-feira os deputados estão votando mais uma. Ainda trancam a pauta nove MPs.

Acordo é melhor

“Ninguém é contra a PEC 300”, diz a deputada Vanessa Grazziotin, lembrando que a exemplo dos professores, o Parlamento acredita que os policiais também precisam de um piso salarial nacional. E acredita que “até a próxima semana vamos construir consenso em torno das matérias a serem votadas”, destacando que “acordo é melhor para todos os segmentos.”

Ela disse que já existe um acordo entre o governo, a presidente eleita Dilma Rousseff e os governadores – de todos os Partidos – citando o tucano Geraldo Alckmin (SP) e os socialistas Cid Gomes (CE) e Renato Casagrande (ES) - sobre o adiamento para o próximo ano da votação da PEC 300.

“Do ponto de vista político do Executivo há acordo entre o presidente, a presidente eleita e os governadores, mas a Câmara não está correspondendo. Nós temos que construir ambiente de segurança, porque ninguém é contra a PEC 300, que deve ser tratada com a importância que tem como tratamos o piso salarial do professor”, explica.

Compromisso com pré-sal

Daniel Almeida acredita na votação do pré-sal, explicando que para votar as duas matérias de interesse de todos os Partidos e dos governadores – Lei Kandir e Fundo de Pobreza – tem que ser superada a urgência do projeto do pré-sal.

Grazziotin disse que a bancada do PCdoB tem compromisso forte com o pré-sal e com as MPs sobre os eventos esportivos – Copa do Mundo e Olimpíadas -, além da Lei Kandir e Fundo de Combate a Pobreza.

Ela disse que ainda existe tempo para isso porque os parlamentares trabalham até o dia 22 de dezembro antes de sair para o recesso. E comemora o fato do orçamento não está sendo contaminado pela pauta de Câmara. Ela acredita que a presidente Dilma Rousseff assume o cargo com o orçamento aprovado pelo Congresso.

Votações da semana

Nesta quarta-feira (1o) está sendo votada a Medida Provisória que permite ao governo criar um fundo para garantir o pagamento de empréstimos no caso de inadimplência dos alunos vinculados ao Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). O Fies financia a graduação de estudantes que não têm condições de arcar com os custos de sua formação.

A MP também aumenta para R$134 bilhões o limite de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que terão juros subsidiados pela União.

Ontem (30), foi aprovada a MP que autoriza a União a usar o Fundo Soberano do Brasil (FSB) para capitalizar estatais que colocarem ações à venda.

De Brasília
Márcia Xavier
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Contraponto 4111 - Amorim diz que percepção de diplomatas dos EUA não lhe interessam

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01/12/2010


Amorim diz que percepção de diplomatas dos EUA não lhe interessam

Do Vermelho - 1 de Dezembro de 2010 - 12h34

Questionado sobre os documentos divulgados pelo site Wikileaks envolvendo a política externa brasileira, o chanceler Celso Amorim reagiu de maneira contundente ontem (30) dizendo que as percepções de diplomatas norte-americanos não lhe interessavam. Em evento do qual participa em Washington, Amorim declarou aos jornalistas não estar “tão emocionado como a maioria de vocês” sobre o conteúdo divulgado, uma vez que "a maior parte do que li eu já conhecia ou é pouco relevante".

"Não vou discutir percepções de agentes
diplomáticos americanos", diz amorim


As declarações de Celso Amorim foram feitas no mesmo dia em que a revista Foreign Policy, uma das realizadoras do evento, o reconheceu como um dos 100 pensadores globais de 2010.

Ao continuar tratando dos documentos divulgados pelo Wikileaks, o chanceler enfatizou: “Não vou discutir percepções de agentes diplomáticos americanos. Sinceramente, o tom que um agente diplomático americano utiliza para fazer suas avaliações é algo que não me interessa".

Ao ser perguntado sobre a preocupação dos Estados Unidos com a negativa de Brasília de qualificar certos grupos como terroristas, ou sua "sensibilidade" diante de insinuações de que estes grupos poderiam manter atividades no Brasil, disparou: "Você acredita em tudo o que dizem nos telegramas?".

Segundo ele, “o Brasil combate o terrorismo, mas tem uma visão diferente: não tendemos a associar todo crime ao terrorismo". "O fato é que o Brasil não é palco de atos terroristas".

Sobre o fato de alguns desses documentos apontarem que diversos países do Oriente Médio, em particular a Arábia Saudita, estavam temerosos quanto ao programa nuclear iraniano e pediam que os Estados Unidos interviessem, Amorim colocou: "Me preocupa que o Irã, os Estados Unidos ou qualquer outro país que tenha um programa nuclear o use (para fins bélicos)".

Amorim defendeu o pacto nuclear assinado entre Brasil, Turquia e Irã, em 17 de maio, dizendo que "entrará para a história como a inauguração de um mundo multipolar". De acordo com o chanceler, o Irã concordou em negociar com Brasil e Turquia um acordo de troca de urânio enriquecido por combustível nuclear porque via os dois países como bons garantidores. Outros países, segundo Amorim, não tinham esse grau de credibilidade, do ponto de vista de Teerã.

Com relação aos apontamentos dos norte-americanos de que o presidente Hugo Chavez contribuiria para “desestabilizar” o continente, o chanceler rebateu: "O Brasil não tem nada esconder. O presidente Chavez é nosso amigo e temos uma relação intensa de cooperação. Queremos fortalecer a América do Sul", afirmou o chanceler.

Celso Amorim está em Washington para participar do evento "The New Geopolitics: Emerging Powers and the Challenges of a Multipolar World (A Nova Geopolítica: Potências Emergentes e os Desafios de um Mundo Multipolarizado)", promovido pela Carnegie Endowment for International Peace e pela revista Foreign Policy.

Da redação, com agências
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Contraponto 4110 - "A cara do governo, por Marcos Coimbra"

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01/12/2010


A cara do governo, por Marcos Coimbra

Enviado por luisnassif, qua, 01/12/2010 - 11:35

Por Ivonildo Dourado

Do Correio Braziliense

A cara do governo

Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

A reação de parte da imprensa às informações sobre a composição do governo Dilma é curiosa. Em alguns veículos, chega a ser cômica.

Outro dia, um dos jornais de São Paulo estampou em manchete que Dilma estava "montando o núcleo de seu ministério com lulistas". O que será que o editor imaginava? Que ela fosse recrutar "serristas" para os postos-chave de sua administração?

Como ensinam os manuais do jornalismo, essa não é uma notícia. Ou será que algo tão óbvio merece destaque? "Cachorro come linguiça" não é um título para a primeira página. No dia em que a linguiça comer o cachorro, aí sim a teremos uma notícia (que, aliás, deverá ser impressa em letras garrafais).

Na mesma linha, um jornal carioca achou que era necessário alertar os leitores para o fato de que "Lula está indicando várias pessoas para o governo Dilma". Em meio a estatísticas sobre quantos nomes já havia emplacado, a matéria era de franca desaprovação.

Na verdade, tanto nessa, quanto na manchete do jornal paulista, estava implícita quase uma denúncia, como se um duplo mal-feito estivesse sendo cometido. Por Lula, ao "se meter" na formação do novo governo, ao "tentar interferir" onde, aparentemente, não deveria ter voz. Por Dilma, ao não reagir à intromissão e o deixar livre para apontar nomes.

Quem publica coisas assim dá mostras de não ter entendido a eleição que acabamos de fazer. Não entendeu como Lula, seu principal arquiteto, a concebeu, como Dilma encarnou a proposta, e como a grande maioria do eleitorado a assimilou.

Tudo mundo sabe que, quando Lula formulou o projeto da candidatura Dilma, a ideia central era de continuidade: do governo, de suas prioridades, de seu estilo. Ele nunca disse o contrário e insistiu no uso de imagens que caracterizavam, com clareza, o que ela representava. Para que ninguém tivesse dúvidas, chegou a afirmar que votar em Dilma era a mesma coisa que votar nele. Foi explícito nos palanques, nas declarações, na televisão.

Dilma sempre falou a mesma coisa. Mostrou-se à vontade como representante de Lula e do governo, seja por sua lealdade para com o presidente, seja pela boa razão de que o governo era dela também. Apresentar-se ao país como candidata de continuidade nunca a deixou desconfortável, pois significava defender aquilo a que havia se dedicado nos últimos oito anos.

Isso foi bem entendido pelos eleitores. Desde o primeiro momento e até o fim da eleição, as pessoas olharam para Dilma sabendo qual era a natureza de sua candidatura. Muitas descobriram suas qualidades pessoais, mas o núcleo da decisão de votar em seu nome foi outro, como mostraram as pesquisas.

Ninguém votou em Dilma para que o "dilmismo" vencesse o "serrismo". Só quem quis que a eleição fosse essa foi o próprio Serra, que sabia que perderia se o foco da escolha se alargasse, se os eleitores olhassem para o que cada candidato representava e não se limitassem a fazer a velha comparação de biografias.

Agora, quando Dilma escuta Lula na montagem do governo, ela apenas cumpre a promessa fundamental de sua candidatura, a razão principal (para alguns eleitores, a única) dela ter sido votada. Quando dá mostras de que manterá ministros e dirigentes, faz apenas o natural. Se, por exemplo, se comprometeu durante a campanha com a preservação de determinada política, porque razão não seria adequado que o responsável permanecesse?

O governo que está sendo organizado terá a cara da continuidade, política e administrativa. Terá a cara de Lula, do PT e das outras forças partidárias que venceram a eleição. Terá a cara da atual administração, que é aprovada pela maioria da sociedade. Terá a cara de Dilma, pois é ela que o chefiará.

É isso que foi combinado com o país.
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Contraponto 4109 - Historinha contada em dialeto cearensês

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01/12/2010

HUMOR

Só entende quem é cearense

"Chico, cabra errado e bonequeiro, já melado depois de traçar um burrinho e duas meiotas , vinha penso, cambaleando, arrodiando o pé de pau, quando deu um trupicão que arrancou o chaboque do dedo.

- Diabeísso!

- Vai, cú-de-cana! - mangou a mundiça que estava perto.

- Aí dento! - disse Chico

Chico estava ariado desde ontonti, quando o gato-réi que ele acunhava lá na baxa da égua, bateu fofo com ele pra ir engabelar um galalau estribado da Aldeota.

- É o que dá pelejar com canelau, catiroba, fulerage, - pensava ele - ganhei um chapéu de touro, mas não tem Zé não, aquela marmota ta mesmo só o buraco e a catinga. Dá é gastura.

Chegando em casa se empriquitou de vez e rebolou no mato todas as catrevage da letreca: uma alpercata, um gigolete amarelo queimado e uns pé de planta que ela tinha trazido enquanto iam se amancebar.

Depois se empanzinou de sarrabui e panelada e foi dormir pensando nas comédias."
Autor desconhecido.
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*Se não conseguir entender, peça a um cearense pra traduzir.
** Se tu é cearense tu tira de letra.
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Contraponto 4108 - "Robert Fisk: EUA não se importam com injustiças no Oriente Médio"

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01/12/2010


Robert Fisk: EUA não se importam com injustiças no Oriente Médio


Da Carta Maior - Quarta-Feira, 01 de Dezembro de 2010

Quantidade imensa de literatura diplomática prova que o pilar da política dos EUA para o Oriente Médio é o alinhamento com Israel, que seu principal objetivo é encorajar os árabes a unir-se à aliança EUA-Israel contra o Irã, que a bússola da política dos EUA é a necessidade de domar e, por fim, destruir o Irã. O maravilhoso jornalista palestino Marwan Bishara acertou ao dizer, no fim-de-semana, que esses papéis diplomáticos dos EUA são mais interessantes para estudos antropológicos, que para estudos políticos; porque são documento de uma perversão do pensamento ocidental sobre o Oriente Médio.

Robert Fisk - The Independent

Aproximei-me desconfiadíssimo, do mais recente rumoroso episódio diplomático. E ontem, depois das eleições no Cairo – as eleições parlamentares egípcias foram, como sempre, mistura de farsa e fraude, o que, afinal de contas, sempre é melhor que choque e horror – mergulhei nos milhares de telegramas diplomáticos norte-americanos, sem absolutamente qualquer esperança. Como disse o presidente Hosni Mubarak, e lê-se num dos telegramas, “vocês sabem esquecer a tal de democracia”.

Não que os diplomatas dos EUA não entendam o Oriente Médio; é que eles já não sabem ver a injustiça. Quantidade imensa de literatura diplomática prova que o pilar da política dos EUA para o Oriente Médio é o alinhamento com Israel, que seu principal objetivo é encorajar os árabes a unir-se à aliança EUA-Israel contra o Irã, que a bússola da política dos EUA é a necessidade de domar e, por fim, destruir o Irã.

Não vazou praticamente (pelo menos até agora) nenhuma referência às colônias israelenses ilegais exclusivas para judeus na Cisjordânia, nem aos ‘postos de controle’ israelenses, aos colonos israelenses extremistas, cujas casas pintam como cicatrizes de varíola toda a Cisjordânia palestina ocupada – ao vasto sistema ilegal de roubo de terra que é o coração da guerra Israel-palestinos. O que se vê mais, por incrível que pareça, são os mais variados espécimes de importantes diplomatas norte-americanos acocorados e rendidos ante as exigências de Israel – vários deles visivelmente apoiadores ardentes de Israel. É como se os chefes do Mossad e os agentes militares de inteligência de Israel obrigassem os padrinhos ouvir e decorar as instruções dos apadrinhados.

Há maravilhosa passagem nos telegramas, quando o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu explica a uma delegação do Congresso dos EUA, dia 28/4/2009, que “Estado palestino, só se for desmilitarizado, sem controle sobre o espaço aéreo e campo eletromagnético [sic], sem poder assinar tratados nem controlar fronteiras”. Assim sendo, adeus ao Estado palestino “viável” (palavra de Lord Blair de Isfahan) que todos supostamente desejamos. Não há registro nos telegramas de que os rapazes e moças deputados e senadores dos EUA e que lá ouviam Netanyahu tenham discordado.

Em vez disso, o The New York Times procurou as melhores frases. Eis o rei Abdullah da Arábia Saudita, por seu embaixador em Washington (sempre amigo da imprensa), dizendo que Abdullah crê que os EUA devem “cortar a cabeça da serpente” – onde, em “a serpente”, leia-se “o Irã” ou “Ahmadinejad” ou “as instalações nucleares do Irã” ou qualquer um desses itens ou todos.

Mas os sauditas vivem ameaçando cortar a cabeça de serpentes. Em 1982, Yasser Arafat disse que deceparia o braço esquerdo de Israel (depois que Israel invadiu o Líbano) e o então primeiro-ministro de Israel Menachem Begin respondeu que deceparia o braço direito de Arafat. Acho que quando somos informados – como, desgraçadamente, agora, por Wikileaks – de que candidatos a visto norte-americano, mas que os EUA não queiram por perto, são chamados pelos diplomatas dos EUA de “víboras do visto” [ing. visa vipers], a única conclusão a que podemos chegar é que cresce em todo o mundo a demanda por ofídios.

O problema é que, por décadas, os potentados do Oriente Médio ameaçam decepar cabeças de cobras, serpentes, ratos e insetos iranianos – esses últimos preferidos de Saddam Hussein, que usou “inseticida” fornecido pelos EUA para a matança como bem se sabe –, enquanto os líderes israelenses chamaram os palestinos de “baratas” (Rafael Eitan), “crocodilos” (Ehud Barak) e “bestas de três patas” (Begin).

Tenho de confessar que gargalhei, de chorar de rir, ante um telegrama de diplomata dos EUA, em tom solene-ridículo, reportando do Bahrain, que o rei Hamad – ou “Sua Alteza Suprema Rei Hamad”, como faz questão de ser chamado, em sua ditadura de maioria xiita em reino pouco maior que a ilha de Wight – havia declarado que o perigo de deixar prosseguir o programa nuclear iraniano era “maior que o perigo de fazê-lo parar”.

O maravilhoso jornalista palestino Marwan Bishara acertou ao dizer, no fim-de-semana, que esses papéis diplomáticos dos EUA são mais interessantes para estudos antropológicos, que para estudos políticos; porque são documento de uma perversão do pensamento ocidental sobre o Oriente Médio. Se o rei Abdullah (versão saudita em ruínas, em oposição à versão Reizinho Valente da Jordânia) realmente chamou Ahmadinejad de Hitler, se o conselheiro de Sarkozy chamou o Irã de “Estado fascista”, então se prova, apenas, que o departamento de Estado dos EUA continua obcecado com a II Guerra Mundial.

Adorei o espantoso relato de alguém que visitou a embaixada dos EUA em Ancara e contou aos diplomatas que o Líder Supremo do Irã Ali Khamenei sofria de leucemia e estava à morte. Não porque o pobre velho sofra de câncer – é mentira –, mas porque é o mesmo tipo de descalabro sobre líderes do Oriente Médio recalcitrantes que se vê há muitos anos. Lembro de quando “fontes diplomáticas” norte-americanas ou britânicas inventaram que Gaddafi estaria morrendo de câncer, que Khomeini estaria morrendo de câncer (muito antes de ele morrer), que o matador de aluguel Abu Nidal estaria morrendo de câncer 20 anos antes de ser assassinado por Saddam. Até na Irlanda do Norte um miolo-mole britânico contou-nos que o líder protestante William Craig estaria morrendo de câncer. Claro que Craig sobreviveu, como o horrível Gaddafi, cuja enfermeira ucraniana é descrita nos documentos dos EUA como “voluptuosa”, o que ela é. Mas haverá alguma dama loura não “voluptuosa”, nesse tipo de novelão?

Uma das reflexões mais interessantes – atentamente ignorada pela maioria dos jornais pro-Wikileaks de ontem – aparece no relato de encontro entre uma delegação do Senado dos EUA e o presidente Bashar Assad da Síria, no início de 2010. Os EUA, disse Assad aos visitantes, possuem “gigantesco aparato de informação”, mas fracassam ao analisar essa informação. “Nós não temos as habilidades que os senhores têm”, disse em tom sinistro, mas “somos bem-sucedidos no combate aos extremistas porque contamos com melhores analistas. (...) Nos EUA vocês gostam de fuzilar [terroristas]. Sufocar as redes deles dá melhor resultado”. O Irã, concluiu Assad, era o mais importante país da região, seguido da Turquia e – número três – a Síria. O coitado velho Israel nem aparece no retrovisor.

Evidentemente, o presidente Hamid Karzai do Afeganistão é “movido à paranóia” – como todos os habitantes daquela terra, inclusive quase toda a OTAN e, sobretudo, os EUA – e naturalmente o presidente do Iêmen mente ao próprio povo que está matando representantes da al-Qa'ida, quando todos o mundo sabe que os verdadeiros culpados são os guerreiros do general David Petraeus. Líderes muçulmanos não fazem outra coisa além de mentir que as proezas militares dos EUA contra outros muçulmanos são proezas deles, não ‘nossas’.

Claro, não se pode ser tão cínico. Gostei muito do telegrama diplomático dos EUA (do Cairo, claro, não de Telavive) no qual se lê que Netanyahu seria “elegante e sedutor (...) mas nunca cumpre o que promete”. Ora! Não se aplica também a metade dos líderes árabes?

E assim chegamos ao apimentado e assustador relato de encontro entre Andrew Shapiro, “Secretário Assistente de Estado do Gabinete Político-militar dos EUA” e espiões israelenses há quase exatamente um ano. Israel não pode proteger seus Cessna Caravan e Raven aviões-robôs não pilotados no sul do Líbano, reconheceu o Mossad (o Hezbollah deve ao Mossad essa preciosa informação). Um coronel israelense “J5”, coronel Shimon Arad gorjeia sobre os perigos do “Hezbollahstão” e do “Hamastão” e sobre “o impasse político interno” no Líbano – naquele momento não havia; agora, há – e sobre o Líbano como “arena militar volátil” e a “suscetibilidade do Líbano a influências externas, inclusive da Síria, do Irã e da Arábia Saudita”.

E – claro, apesar de o coronel Arad não ter falado sobre isso – também suscetível à influência de norte-americanos, israelenses, franceses, britânicos, além, também de o Líbano também ser suscetível à influência dos turcos. Shapiro “citou a necessidade de oferecer alternativa ao Hezbollah” – talvez... os policiais da Costa Rica? – e sugeriu que o exército libanês poderia defender o Hezbollah (improvável, nas atuais circunstâncias).

Há uma inestimável rejeição-negação do relatório Goldstone da ONU sobre as atrocidades em Gaza em 2008-09, pelo major-general da reserva Amos Gilad, que diz que os documentos em que se critica Israel são “sem fundamento, porque os militares israelenses fizeram 300 mil chamadas telefônicas para as residências em Gaza antes dos ataques aéreos (...) para evitar baixas entre os civis.” O infeliz, pobre Shapiro, dado que o telegrama não registra resposta dele, manteve-se em silêncio. Teria sido apenas uma, de cada cinco famílias palestinas, avisadas por telefone, se se considera a população palestina total de Gaza, crianças, bebês, todos. E mesmo assim os israelenses mataram 1.300 palestinos, a maioria dos quais civis. Claro que a Autoridade Palestina do insípido Mahmoud Abbas não quis assumir esse campo de morticínio depois que os israelenses venceram – como Israel propôs-lhe, com aprovação dos EUA – porque Israel não venceu em Gaza. Sequer conseguiram localizar nos túneis de Gaza o soldado israelense que o Hamás mantêm preso há anos.

Há um momento simbólico quando o Xeque Mohamed bin Zayed al-Nahyan de Abu Dhabi – sem comparação possível com o personagem “distante e sem carisma” de seu irmão Califa – preocupa-se com o Irã na presença do embaixador dos EUA Richard Olsen o qual, então, comenta que o Xeque “manifesta visão estratégica sobre a Região curiosamente semelhante à visão israelense”. Mas é claro que manifesta! São idênticos. Todos rezam em suas mesquitas de ouro, reis e emires e generais, comprando mais e mais armas dos EUA para protegerem-se contra “o Hitler” de Teerã – melhor Hitler, acho eu, que o Hitler do Tigre em 2003, que o Hitler do Nilo de 1956 – e praza a Deus Todo Poderoso que sejam salvos pelos santificados EUA e Israel. Fico, em suspense, à espera do próximo capítulo dessa farsa.

Tradução: Vila Vudu
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Contraponto 4107 - "Novidades na montagem ministerial; Bernardo vai para Comunicações"

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01/12/2010


Novidades na montagem ministerial; Bernardo vai para Comunicações

Do Vermelho - 30 de Novembro de 2010 - 19h55

A 15 dias do prazo que estabeleceu para a montagem do seu governo, a presidenta eleita Dilma Rousseff resolveu acelerar a escolha dos ministros do restante da Esplanada. Além de acertar com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), a nomeação de Sérgio Côrtes na Saúde, ela definiu o nome de Paulo Bernardo para as Comunicações. Nas últimas horas, também ganhou força a permanência de Fernando Haddad na Educação.
Três fontes diferentes confirmaram ao portal iG a transferência do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para as Comunicações. O ministério, porém, é comandado há seis anos pelo PMDB. Por isso Dilma precisa acertar com o partido como será feita a contrapartida. Os peemedebistas sonham emplacar um nome nas Cidades para compensar a perda nas Comunicações. Nesse caso, o mais cotado é Moreira Franco, dirigente nacional do PMDB.

O nome de Paulo Bernardo para as Comunicações vem sendo gestado desde a semana passada, quando ele próprio confirmou ter sido convidado por Dilma para permanecer no governo. Contudo, na oportunidade, não foi revelada qual pasta ele assumiria.

Além das Comunicações, Paulo Bernardo surgiu como opção para as Cidades. A pasta é comandada, desde 2005, pelo PP. O partido, contudo, não apoiou Dilma oficialmente durante a campanha. A presidenta eleita chegou a estudar a divisão do ministério em duas partes: o Saneamento seria mantido pelo PP e a Habitação, com o programa Minha Casa Minha Vida, ficaria com o PT.

No entanto, agora o mais provável é que a pasta das Cidades fique com o PMDB para compensar a pasta das Comunicações. Apesar de brigar por seu espaço nas Comunicações, o PMDB do Senado quer mesmo é manter o comando do Ministério de Minas e Energia. O principal objetivo é promover o retorno do senador Edison Lobão (PMDB-MA) ao comando da pasta. Ele também havia saído do cargo para disputar a eleição em outubro. Reeleito para mais um mandato no Senado, tem o apoio de Renan Calheiros e José Sarney para voltar para a Esplanada.

Todos os postos que o PDMB almeja são ligados à infraestrutura e gerenciam parte considerável do orçamento da União.

Educação e Desenvolvimento

Em meio às definições de espaços entre os aliados, o ministro Fernando Haddad também aparece com força para ficar na Educação. Parte da imprensa tentou desqualificar sua gestão a partir dos problemas localizados ocorridos no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). No entanto, o governo não avalia seus ministros com base na "avaliação" da imprensa e reconhece em Haddad um ótimo nome para continuar à frente do Ministério da Educação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é até agora a pessoa que tem mais influenciado Dilma na escolha dos ministros do próximo governo, apoia a ideia.

Além da especulação sobre o nome da Haddad, o do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) também surge como cotado para assumir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Segundo fontes da imprensa, Dilma pretendia convidar o empresário Jorge Gerdau para a pasta do Desenvolvimento. Os dois são próximos desde que ela ocupava a Secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul. Mas parece que Gerdau declinou do convite.

Porém, seu nome continua na lista dos ministeriáveis. Dois outros destinos são agora analisados: a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) e o comando do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, conhecido por "Conselhão". Gerdau já é um dos membros desse fórum de assessoramento do presidente, criado para discutir e formular políticas de desenvolvimento para o país. No passado, Jorge Gerdau chegou a integrar uma lista de Lula para assumir o MDIC, proposta também recusada por ele por alegar conflito de interesses.

Pessoas ligadas a Dilma o definem como "o ministro de seus sonhos". Na campanha, pelo menos duas vezes em que passou por Porto Alegre, a então candidata se reuniu com ele. Nos discursos, ela também cita com frequência uma frase atribuída a Gerdau: "Meta que se cumpre é meta errada".

Das opções cogitadas por Dilma, a SAE está hoje nas mãos do diplomata Samuel Pinheiro Guimarães, titular que deseja continuar à frente do cargo. Já o "Conselhão" funciona sob a chefia do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Até agora, Dilma já oficializou que Guido Mantega segue no Ministério da Fazenda, que Miriam Belchior, coordenadora do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), assumirá o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, e que o atual diretor de Normas do Banco Central, Alexandre Tombini, comandará a instituição. Também já foram confirmadas as escolhas de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula, para chefiar a Casa Civil, e de Gilberto Carvalho, atual chefe de gabinete do presidente, para a Secretaria Geral da Presidência.

Com agências
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Contraponto 4106 - "Wikileaks: até agora o vexame é estadunidense"


01/12/2010

Wikileaks: até agora o vexame é estadunidense

Amigos do Presidente - Zé Augusto - quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Os relatórios confidenciais do governo estadunidense vazados na internet pelo Wikileaks até agora não trouxe nenhuma grande novidade sobre o Brasil. Ainda há muito a vazar.

São relatórios de análise, feitos por embaixadores e outros diplomatas sobre o Brasil, que trazem impressões, comentários e fofocas às vezes constrangedoras, mas até agora, praticamente nada que já não tivesse saído nos jornais, salvo algum factóide sem maior importância.

Nada do que foi vazado até agora se aproxima sequer, daquela declaração grosseira do ex-secretário de Comércio dos EUA, Robert Zoellick, quando disse publicamente, sem qualquer confidencialidade, que "se o Brasil não aceitasse a ALCA teria que vender seus produtos na Antártida".

Das críticas da embaixada dos EUA, é evidente que o Brasil não faria uma lei de excessão anti-terror nos moldes da "guerra ao terror" de Bush, e esse debate chegou ao público na época. Também é evidente que as relações de paz do Brasil com árabes e persas é muito diferente daquela de guerra que os EUA mantém, e o Brasil não iria tratar arábes e descendentes que vivem no Brasil com presunção de culpa.

Também é evidente que o Brasil colabora com a captura de quaisquer criminosos, de qualquer país, pois integra a Interpol.

Também é clara a diferença de relações entre o Brasil e os EUA, com vizinhos como Venezuela e Bolívia.

Enfim, esperar o quê de relatórios confidenciais escritos pela embaixada dos EUA? É sabido que os EUA se guiam por seus interesses, e os relatórios já divulgados não contém surpresa nenhuma.

Saia justa ficou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao receber alguns elogios indesejáveis, e ainda ser retratado como um tanto quanto "linguarudo". Mas, ao contrário do que muitos viram e independente dos defeitos de Jobim, não vi, até o momento, na leitura do relatório nada que comprometa naquilo que importa: os relatos dão conta de que ele desencorajou o lobby dos EUA na compra de caças, que seguiu a orientação do governo brasileiro ao manifestar contrariedade com a política militar dos EUA na Colômbia, e refutou a pretensão dos EUA de isolar Hugo Chavez.

Quem lê o relatório, vê Jobim como ele é. Aliás, é justamente por isso que o presidente Lula o colocou no ministério, e que Dilma o está mantendo. Não é por suas semelhanças com o presidente e com a presidenta eleita. É por suas diferenças. É parte da cota de conservadorismo necessária à governabilidade, e a evitar crises. O presidente Lula é um hábil negociador e conciliador, e essa história dos EUA verem Jobim "como uma contraposição ao Itamaraty", parece bastante conveniente e interessante para o governo Lula.

No final das contas, vexame fez os EUA. Imaginem se um país latino-americano deixasse vazar a comunicação entre a diplomacia com conversas confidenciais, expondo diplomatas e autoridades de outros países?
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Contraponto 4105 - Charge on line do Bessinha

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01/12/2010

Charge do Bessinha (237)

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