segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Contraponto 4353 - "O balanço de Celso Amorim"

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03/01/2011
O balanço de Celso Amorim


Enviado por luisnassif, dom, 02/01/2011 - 18:33

Por MirianL

Renata Giraldi/Agência Brasil | Brasília

Amorim deixa cargo com sensação de dever cumprido e faz balanço da política externa do governo Lula

Ao deixar o cargo neste domingo (02/01), o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim disse que conclui suas tarefas com a “sensação do dever cumprido”. Segundo ele, a política externa adotada pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi marcada pela decisão de “desassombrar”, buscando novos parceiros e reforçando os já existentes. Emocionado, Amorim afirmou que, em muitas situações, sua comunicação com Lula ocorria via “telepatia”.

“Tenho a sensação do dever cumprido. Fizemos o que tivemos de fazer. Realizamos o que prometemos, enfrentamos os desafios de negociações complexas. Fizemos do Mercosul uma prioridade efetiva, buscamos explorar novos horizontes e reforçamos novas parcerias. Entre as novas parcerias, a África”, disse Amorim.

Amorim esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores nos oito anos de mandato de Lula. Ele foi um dos responsáveis pelas negociações de um acordo para a troca de urânio no Irã. Também foi um dos defensores da busca pelo diálogo com o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad e contrário às sanções ao Irã.

O ex-chanceler afirmou que percebe os avanços conquistados por Lula quando anda pelas ruas e praças das cidades brasileiras. “Desenvolvemos uma política na qual o povo brasileiro se reconhece e tenho oportunidade de perceber isso nas ruas e nas praças onde ando, sem seguranças nem assessores. Posso ouvir isso de gente simples”, disse.

Citando o compositor Chico Buarque de Hollanda, Amorim afirmou que o objetivo da política externa comandada por ele sob as orientações de Lula foi, sobretudo, de “desassombrar”. “Nosso poeta Chico Buarque bem definiu que é a política que não fala fino com os poderosos”.

Amorim transmitiu hoje o cargo ao novo ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota. Na gestão de Lula, Patriota ocupou a Secretaria-Geral do Itamaraty, segundo cargo mais importante na estrutura do ministério. Amorim disse que se despede hoje da vida pública.
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Contraponto 4352 - "Erradicação da pobreza é um desafio que será vencido, diz nova ministra do Desenvolvimento Social"

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03/01/2011

Erradicação da pobreza é um desafio que será vencido, diz nova ministra do Desenvolvimento Social

Agência Brasil - 02/01/2011 17:19

Amanda Cieglinski


Repórter da Agência Brasil


Brasília – Ao assumir hoje (2) o cargo, a nova ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, afirmou que a erradicação da pobreza é um desafio “crível, possível e que vai ser conquistado”. Ex-assessora da Casa Civil do governo Lula, Tereza assume o lugar de Márcia Lopes no comando da pasta.


Em seu discurso, ela agradeceu o apoio dos amigos e da família, especialmente o do marido, Paulo Ferreira, e da filha Luiza, 5 anos. Tereza ressaltou o fato de que há mais mulheres assumindo cargos importantes no governo da presidenta Dilma Rousseff. “Ele [o marido Paulo Ferreira, ex-tesoureiro do PT] é um exemplo da nova geração de homens orgulhosos de suas mulheres.”



Tereza destacou os avanços do governo Lula no combate à fome e à miséria e lembrou da criação do Bolsa Família em 2003. “Hoje é fácil elogiar o Bolsa Família, mas, quando começamos a discutir a unificação dos programas de transferência de renda, fomos muito criticados.”



Edição: João Carlos Rodrigues
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domingo, 2 de janeiro de 2011

Contraponto 4351 - Bessinha alerta a blogosfera progressista

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02/01/2011
Charge do Bessinha (263)

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Contraponto 4350 - "Uma despedida em clima de apoteose"

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02/01/2011

Uma despedida em clima de apoteose

Do Amigos do Presidente - por Helena™ - domingo, 2 de janeiro de 2011

Lula foi mais Lula do que nunca no seu último dia como presidente da República, encerrado com o primeiro discurso como ex-presidente. Em São Bernardo do Campo (SP), resumiu sua sensação de dever cumprido e de ter superado "preconceitos" que, segundo ele, enfrentou ao longo de sua trajetória carreira política. "Volto para casa de cabeça erguida. Posso dizer na frente do meu povo que, depois de provar que um metalúrgico tem condições de ser presidente da República, nós elegemos uma mulher", afirmou, diante de cerca de 1,5 mil pessoas.


O ex-presidente chegou com atraso, às 22h45 de ontem, à festa preparada pelo diretório municipal do PT, com apoio da prefeitura comandada pelo petista Luiz Marinho. Antes, visitou seu ex-vice, José Alencar, no Hospital Sírio-Libanês. Lula chegou a São Bernardo acompanhado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que havia prometido ao aliado "deixá-lo em casa" e foi aplaudido pelo público.


A recepção em São Bernardo encerrou um dia repleto de cenas que marcaram os oito anos de mandato de Lula. Em Brasília, o ex-presidente misturou-se a militantes petistas, chorou várias vezes, posou em formação de time de futebol com seus seguranças, compondo um verdadeiro concentrado de seu estilo exibido nos últimos oito anos. Das primeiras horas do dia com a família no Palácio da Alvorada até acenar da janelinha da cabine do piloto do Aerolula, na Base Aérea, por volta de 17h30, Lula despediu-se do poder em todos os momentos. Até o hino do Corinthians o ex-presidente ouviu ser tocado pela banda da Aeronáutica, enquanto subia no avião que o levaria a São Paulo.


Emoções

Antes de passar a faixa para a presidente Dilma Rousseff, o agora ex-Presidente Lula não conteve as lágrimas. Ao abraçar a sucessora, no gabinete do terceiro andar do Palácio do Planalto, na tarde de ontem, ele disse uma das poucas frases pronunciadas em público no seu último dia de governo. "Eu e o povo brasileiro confiamos em você", disse Lula a Dilma, com voz embargada, segundo relato de um dos auxiliares.

Dilma e o vice-presidente Michel Temer quebraram a tradição e desceram a rampa junto com Lula. Ministros do governo seguiram o ex-presidente para também prestar uma última homenagem. "Agora é que vai cair minha ficha", disse ele, brincando com ministros. Ele quebrou o protocolo, atravessou a rua e foi cumprimentar homens e mulheres que se concentravam atrás do alambrado.


Com os olhos vermelhos e paletó desabotoado, Lula enxugou as lágrimas em um lenço branco, apertou a mão de eleitores, distribuiu beijos e abraços e recebeu um troféu de um adolescente cara-pintada. Enquanto ele se jogava nos braços da multidão, Dilma dava posse ao ministério.

Família

Lula passou a manhã no Palácio da Alvorada com Marisa Letícia e os filhos Fábio, Luiz Cláudio e Sandro. Da equipe mais próxima do presidente, só o chefe da segurança, general Gonçalves Dias, e o fotógrafo da Presidência, Ricardo Stuckert, estiveram no Alvorada.

Quando José Sarney declarou Dilma presidente da República, precisamente às 14h52, Lula ainda estava na residência oficial. Ele deixou o Alvorada já como ex-presidente.Turistas o esperavam do lado de fora do Alvorada.

Antes de Dilma chegar ao Planalto, Lula apareceu no Salão Nobre. Acompanhado de Marisa Letícia, ele saiu abraçando e beijando os convidados. "Vocês estão com cara de ministro e eu de ex-presidente", brincou, assim que passou ao lado dos futuros ministros. Alertado da chegada iminente de Dilma, Lula saiu em disparada para a rampa do Planalto.

Antes de sair de cena, nas últimas horas de seu primeiro dia como ex-presidente, Lula reafirmou que não vai sair da vida pública, no discurso feito em São Bernardo. "O fato de eu ter deixado a Presidência não significa que eu tenha deixado a política", afirmou Lula. "Eu ainda tenho muita coisa a fazer."
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Contraponto 4349 - Dilma sem meias palavras

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02/01/2011
Dilma não se arrepende
de ter sido guerrilheira

Do Conversa Afiada - Publicado em 01/01/2011

Paulo Henrique Amorim


Dilma não fugiu para o Chile


Um dos pontos mais dramáticos do discurso de posse foi perto do final.

Dilma disse que não tem qualquer arrependimento da opção política que fez na juventude: entrar para a guerrilha e combater o regime militar.

Também disse não ter rancor.

E queria dividir essa conquista – a Presidência – com os companheiros de luta que tombaram na luta política contra o regime militar.

Sem meias palavras.
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Contraponto 4348 - "Apesar do Você"

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02/01/2011
Apesar de você

Valdemar Menezes
opiniao@opovo.com.br

Jornal O Povo (CE) - Coluna Cidadania

Os segmentos inconformados com o sucesso do governo Lula (que teve uma aprovação recorde em termos mundiais) não se cansaram de, nos últimos dias, manifestar descontentamento com o monumental apoio popular recebido por ele. Já os especialistas fazem uma leitura positiva. Frisam que embora não pudesse realizar o seu programa partidário, que exigiria reformas estruturais profundas para produzir um país mais justo, o Partido dos Trabalhadores (PT) conseguiu tirar 24 milhões de brasileiro da miséria, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Para conseguir isso e não ser derrubado, como João Goulart, Lula teve de fazer concessões aos segmentos privilegiados, mexendo apenas tangencialmente nos mecanismos que mantêm secularmente o poder nas mãos das mesmas forças monopolizadoras das riquezas nacionais.



INVESTIDAS FUTURAS
O que ajudou Lula foi a existência de um partido de massas

com fortes vinculações com a sociedade. Vantagem que Jango não teve. Não existe ilusão, porém, de que a continuação do projeto do PT (que combina democracia política com democracia social), através de Dilma Rousseff, enfrentará resistências ainda mais agudas do sistema de poder tradicional. Primeiro, porque se trata da primeira representante da geração que enfrentou a ditadura de peito aberto a chegar ao poder (isso quando forças que apoiaram o regime ditatorial continuam dominantes, inclusive em certos setores da mídia). Em segundo lugar, porque se tratará de avançar mais em direção à transformação social, que é o compromisso fundamental
das esquerdas, junto com a estratégia de aprofundamento da democracia e fortalecimento do Estado Democrático de Direito.


VÍRUS DA INTOLERÂNCIA
A última decisão do governo Lula, concedendo refúgio político ao italiano Cesare Battisti, açulou novamente o ódio dos intolerantes,

que querem torpedear o tradicional instituto do asilo político. Os indignados contra a concessão de refúgio a Battisti nunca protestaram quando o Brasil deu asilo ao sanguinário ditador do Paraguai, Alfredo Stroessner (responsável por assassinatos de presos políticos, de torturas e inúmeros crimes contra os direitos humanos). Nem quando outros ex-ditadores, igualmente criminosos, buscaram refúgio no Brasil para escaparem da punição.


DISCRIMINAÇÃO
Como Battisti é uma figura oriunda da esquerda, tendo sido condenado por atos cuja atribuição ele nega, num processo eivado de vícios jurídicos, querem negar-lhe um direito protegido pela constituição brasileira. Mais: tenta-se anular um ato soberano do Brasil e a tradicional prerrogativa presidencial de conceder asilo. Baseiam-se na alegação estapafúrdia do governo italiano de que as ações atribuídas a Battisti não eram políticas. Ora, ele pertencia a uma organização que lutava pela conquista do poder, como demonstrou cabalmente o ministro Marco Antonio de Mello (foto), do STF. É fato que todo governo sempre considera seus insurgentes como criminosos comuns. Organizações esquerdistas da Itália, é certo, cometeram um erro político ao lançar mão da luta armada para deter a conspiração fascista em marcha, na época. Fizeram-no por causa da omissão dos comunistas. Mas, o estado policial surgido, então, na Itália, também foi um erro histórico, denunciado na época pelos abusos cometidos contra os direitos humanos e os princípios jurídicos democráticos.


ARROGÂNCIA

O governo Berlusconi é sustentado por antigos simpatizantes fascistas. Sua arrogância e truculência se juntam às acusações de corrupção e escândalos sexuais. As leis baixadas contra os imigrantes só têm paralelo no regime de Mussolini. As prisões italianas têm um sistema desumano que leva, a cada ano, inúmeros presos especiais - tanto políticos como comuns - ao “suicídio”. Battisti não teria destino diferente, se fosse entregue às mãos de encarniçados inimigos, que fariam de sua vida um inferno. O Brasil desonraria sua tradição política humanista se entregasse um perseguido político nas mãos de quem não tem interesse em dar-lhe segurança. Ao invés de uma anistia, há muito cobrada, o governo italiano continua a cultivar um ódio de 30 anos atrás, como se a História tivesse parado. Ao praticar um ato de soberania, o Brasil não pode ser desrespeitado por um governo estrangeiro, ainda que tenha brasileiros dispostos a prestar vassalagem aos que querem tratar sua pátria como uma república de banana.

Valdemar Menezes
opiniao@opovo.com.br
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Contraponto 4347 - "Três capas de três velhos jornais: decadência sem nenhuma elegância"

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02/01/2011


Manchetes no dia da posse
Três capas de três velhos jornais: decadência sem nenhuma elegância

Do Escrivinhador - publicada sábado, 01/01/2011 às 11:13 e atualizada sábado, 01/01/2011 às 11:04

por Rodrigo Vianna

Por dever de ofício cheguei cedo à redação da TV, em Brasília, nesse primeiro de janeiro.

Com o pensamento ainda enevoado pela noite mal-dormida, vi sobre a mesa do chefe de reportagem os três principais (?) jornais do país.

Demorei pra entender que aquela capa de “O Globo” era mesmo a capa do dia em que Lula passaria a faixa para Dilma: acima da dobra, nenhuma referência à posse. Apenas fotos da queim,a de fogos no Rio. Como se nada estivesse acontecendo no Brasil. A manchete de “O Globo” era para a “retomada” do orgulho carioca – com olimpíada, Copa e combate ao tráfico. Uma capa provinciana de um jornal provinciano. Sobre Dilma , o destaque (quase no pé da primeira página) de “O Globo” era: “No adeus, Lula deixa para Dilma crise diplomática com a Itália”. Ah, então tá bom. Lula deixa só isso? O presidente mais popular desde Vargas merece isso apenas no dia em que vai embora? “O Globo” fazia oposição a Vargas, como fez – de forma cerrada – a Lula. Mas no passado era menos chinfrim. Pra que Casseta e Planeta se existe a primeira página de “O Globo”?

A “Folha” também é a “Folha” de sempre. Mais importante que Dilma ou Lula é a opinião da “Folha” sobre Dilma e Lula! O editorial em primeira página é cheio de termos que lembram o “Estadão” de outros tempos: “o grande repto que se apresenta à nova mandatária”… Repto? E a “Folha” – no editorial que ocupa um terço da primeira página – segue a ensinar Dilma: saiba como governar, aprenda com a gente aqu na Barão de Limeira! Dilma deve es estar muuito agradecida pela lição em primeira página.

O “Estadão”, como sempre, é o mais correto. Vai no factual. Manchete principal: “Começa o governo Dilma”. Sem arroubos, sem invencionice, sem provincianismo, sem “lição de governo” em primeira página . A história de Battisti está na capa, mas de maneira sóbria. O “Estadão”, todo mundo sabe, faz oposição ao lulismo. É um jornal conservador. Mas ainda tenta ser um jornal.

As capas indicam o que se pode esperar do velho jornalismo no governo Dilma. Decadência, sem nenhuma elegância.

Mas não posso escrever mais: preciso correr pra praça dos Três Poderes, de onde vou acompanhar a posse – participando da transmissão na Record.

Bom 2011 a todos!
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sábado, 1 de janeiro de 2011

Contraponto 4346 - "A íntegra do discurso de posse de Dilma"


01/01/2011
A íntegra do discurso de posse de Dilma

Do Blog do Miro 01/01/2011


Queridas brasileiras e queridos brasileiros,


Pela decisão soberana do povo, hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher.


Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico desta decisão.


Sei, também, como é aparente a suavidade da seda verde-amarela da faixa presidencial, pois ela traz consigo uma enorme responsabilidade perante a nação.


Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber, neste momento, uma centelha de sua imensa energia.


E sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa desta ousadia do voto popular que, após levar à presidência um homem do povo, decide convocar uma mulher para dirigir os destinos do país.


Venho para abrir portas para que muitas outras mulheres, também possam, no futuro, ser presidenta; e para que no dia de hoje todas as brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher.


Não venho para enaltecer a minha biografia; mas para glorificar a vida de cada mulher brasileira. Meu compromisso supremo é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos!


Venho, antes de tudo, para dar continuidade ao maior processo de afirmação que este país já viveu.


Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Luis Inácio Lula da Silva, com quem tive a mais vigorosa experiência política da minha vida e o privilégio de servir ao país, ao seu lado, nestes últimos anos.


De um presidente que mudou a forma de governar e levou o povo brasileiro a confiar ainda mais em si mesmo e no futuro do seu País.


A maior homenagem que posso prestar a ele é ampliar e avançar as conquistas do seu governo. Reconhecer, acreditar e investir na força do povo foi a maior lição que o presidente Lula deixou para todos nós.


Sob sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem da história.


Minha missão agora é de consolidar esta passagem e avançar no caminho de uma nação geradora das mais amplas oportunidades.


Quero, neste momento, prestar minha homenagem a outro grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do Presidente Lula nestes oito anos: nosso querido vice José Alencar. Que exemplo de coragem e de amor à vida nos dá este homem! E que parceria fizeram o presidente Lula e o vice-presidente José Alencar, pelo Brasil e pelo nosso povo!


Eu e Michel Temer nos sentimos responsáveis por seguir no caminho iniciado por eles.


Um governo se alicerça no acúmulo de conquistas realizadas ao longo da história. Ele sempre será, ao seu tempo, mudança e continuidade. Por isso, ao saudar os extraordinários avanços recentes, é justo lembrar que muitos, a seu tempo e a seu modo, deram grandes contribuições às conquistas do Brasil de hoje.


Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional: milhões de empregos estão sendo criados; nossa taxa de crescimento mais que dobrou e encerramos um longo período de dependência do FMI, ao mesmo tempo em que superamos nossa dívida externa.


Reduzimos, sobretudo, a nossa histórica dívida social, resgatando milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudando outros milhões a alcançarem a classe média.


Mas, em um país com a complexidade do nosso, é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar nos caminhos e buscar novas soluções.


Só assim poderemos garantir, aos que melhoraram de vida, que eles podem alcançar mais; e provar, aos que ainda lutam para sair da miséria, que eles podem, com a ajuda do governo e de toda sociedade, mudar de patamar.


Que podemos ser, de fato, uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo - um país de classe média sólida e empreendedora.


Uma democracia vibrante e moderna, plena de compromisso social, liberdade política e criatividade institucional.


Queridos brasileiros e queridas brasileiras,


Para enfrentar estes grandes desafios é preciso manter os fundamentos que nos garantiram chegar até aqui.


Mas, igualmente, agregar novas ferramentas e novos valores.


Na política é tarefa indeclinável e urgente uma reforma política com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e aperfeiçoar as instituições, restaurando valores e dando mais transparência ao conjunto da atividade pública.


Para dar longevidade ao atual ciclo de crescimento é preciso garantir a estabilidade de preços e seguir eliminando as travas que ainda inibem o dinamismo de nossa economia, facilitando a produção e estimulando a capacidade empreendedora de nosso povo, da grande empresa até os pequenos negócios locais, do agronegócio à agricultura familiar.


É, portanto, inadiável a implementação de um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário, orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade. O uso intensivo da tecnologia da informação deve estar a serviço de um sistema de progressiva eficiência e elevado respeito ao contribuinte.


Valorizar nosso parque industrial e ampliar sua força exportadora será meta permanente. A competitividade de nossa agricultura e da pecuária, que faz do Brasil grande exportador de produtos de qualidade para todos os continentes, merecerá toda nossa atenção. Nos setores mais produtivos a internacionalização de nossas empresas já é uma realidade.


O apoio aos grandes exportadores não é incompatível com o incentivo à agricultura familiar e ao microempreendedor. As pequenas empresas são responsáveis pela maior parcela dos empregos permanentes em nosso país. Merecerão políticas tributárias e de crédito perenes.


Valorizar o desenvolvimento regional é outro imperativo de um país continental, sustentando a vibrante economia do nordeste, preservando e respeitando a biodiversidade da Amazônia no norte, dando condições à extraordinária produção agrícola do centro-oeste, a força industrial do sudeste e a pujança e o espírito de pioneirismo do sul.


É preciso, antes de tudo, criar condições reais e efetivas capazes de aproveitar e potencializar, ainda mais e melhor, a imensa energia criativa e produtiva do povo brasileiro.


No plano social, a inclusão só será plenamente alcançada com a universalização e a qualificação dos serviços essenciais. Este é um passo, decisivo e irrevogável, para consolidar e ampliar as grandes conquistas obtidas pela nossa população.


É, portanto, tarefa indispensável uma ação renovada, efetiva e integrada dos governos federal, estaduais e municipais, em particular nas áreas da saúde, da educação e da segurança, vontade expressa das famílias brasileiras.


Queridas brasileiras e queridos brasileiros,


A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos.


Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do Presidente Lula. Mas, ainda existe pobreza a envergonhar nosso país e a impedir nossa afirmação plena como povo desenvolvido.


Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa, enquanto houver famílias no desalento das ruas, enquanto houver crianças pobres abandonadas à própria sorte. O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. E este é o sonho que vou perseguir!


Esta não é tarefa isolada de um governo, mas um compromisso a ser abraçado por toda sociedade. Para isso peço com humildade o apoio das instituições públicas e privadas, de todos os partidos, das entidades empresariais e dos trabalhadores, das universidades, da juventude, de toda a imprensa e de das pessoas de bem.


A superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento. É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e as novas gerações.


É com crescimento, associado a fortes programas sociais, que venceremos a desigualdade de renda e do desenvolvimento regional.


Isso significa - reitero - manter a estabilidade econômica como valor absoluto. Já faz parte de nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que esta praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres.


Continuaremos fortalecendo nossas reservas para garantir o equilíbrio das contas externas. Atuaremos decididamente nos fóruns multilaterais na defesa de políticas econômicas saudáveis e equilibradas, protegendo o país da concorrência desleal e do fluxo indiscriminado de capitais especulativos.


Não faremos a menor concessão ao protecionismo dos países ricos que sufoca qualquer possibilidade de superação da pobreza de tantas nações pela via do esforço de produção.


Faremos um trabalho permanente e continuado para melhorar a qualidade do gasto público.


O Brasil optou, ao longo de sua história, por construir um estado provedor de serviços básicos e de previdência social pública.


Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e educação universais. Portanto, a melhoria dos serviços é também um imperativo de qualificação dos gastos governamentais.


Outro fator importante da qualidade da despesa é o aumento dos níveis de investimento em relação aos gastos de custeio. O investimento público é essencial como indutor do investimento privado e como instrumento de desenvolvimento regional.


Através do Programa de Aceleração do Crescimento e do Minha Casa Minha Vida, manteremos o investimento sob estrito e cuidadoso acompanhamento da Presidência da República e dos ministérios.


O PAC continuará sendo um instrumento de coesão da ação governamental e coordenação voluntária dos investimentos estruturais dos estados e municípios. Será também vetor de incentivo ao investimento privado, valorizando todas as iniciativas de constituição de fundos privados de longo prazo.


Por sua vez, os investimentos previstos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas serão concebidos de maneira a dar ganhos permanentes de qualidade de vida, em todas as regiões envolvidas.


Este princípio vai reger também nossa política de transporte aéreo. É preciso, sem dúvida, melhorar e ampliar nossos aeroportos para a Copa e as Olimpíadas. Mas é mais que necessário melhorá-los já, para arcar com o crescente uso deste meio de transporte por parcelas cada vez mais amplas da população brasileira.


Queridas brasileiras e queridos brasileiros,


Junto com a erradicação da miséria, será prioridade do meu governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança.


Nas últimas duas décadas, o Brasil universalizou o ensino fundamental. Porém é preciso melhorar sua qualidade e aumentar as vagas no ensino infantil e no ensino médio.


Para isso, vamos ajudar decididamente os municípios a ampliar a oferta de creches e de pré escolas.


No ensino médio, além do aumento do investimento publico vamos estender a vitoriosa experiência do PROUNI para o ensino médio profissionalizante, acelerando a oferta de milhares de vagas para que nossos jovens recebam uma formação educacional e profissional de qualidade.


Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a educação das crianças e jovens.


Somente com avanço na qualidade de ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento.


Queridas brasileiras e queridos brasileiros,


Consolidar o Sistema Único de Saúde será outra grande prioridade do meu governo.


Para isso, vou acompanhar pessoalmente o desenvolvimento desse setor tão essencial para o povo brasileiro.


Quero ser a presidenta que consolidou o SUS, tornando-o um dos maiores e melhores sistemas de saúde pública do mundo.


O SUS deve ter como meta a solução real do problema que atinge a pessoa que o procura, com uso de todos os instrumentos de diagnóstico e tratamento disponíveis, tornando os medicamentos acessíveis a todos, além de fortalecer as políticas de prevenção e promoção da saúde.


Vou usar a força do governo federal para acompanhar a qualidade do serviço prestado e o respeito ao usuário.


Vamos estabelecer parcerias com o setor privado na área da saúde, assegurando a reciprocidade quando da utilização dos serviços do SUS.


A formação e a presença de profissionais de saúde adequadamente distribuídos em todas as regiões do país será outra meta essencial ao bom funcionamento do sistema.


Queridas brasileiras e queridos brasileiros,


A ação integrada de todos os níveis de governo e a participação da sociedade é o caminho para a redução da violência que constrange a sociedade e as famílias brasileiras.


Meu governo fará um trabalho permanente para garantir a presença do Estado em todas as regiões mais sensíveis à ação da criminalidade e das drogas, em forte parceria com Estados e Municípios.


O estado do Rio de Janeiro mostrou o quanto é importante, na solução dos conflitos, a ação coordenada das forças de segurança dos três níveis de governo, incluindo - quando necessário - a participação decisiva das Forças Armadas.


O êxito desta experiência deve nos estimular a unir as forças de segurança no combate, sem tréguas, ao crime organizado, que sofistica a cada dia seu poder de fogo e suas técnicas de aliciamento de jovens.


Buscaremos também uma maior capacitação federal na área de inteligência e no controle das fronteiras, com uso de modernas tecnologias e treinamento profissional permanente.


Reitero meu compromisso de agir no combate as drogas, em especial ao avanço do crack, que desintegra nossa juventude e infelicita as famílias.


Queridas brasileiras e queridos brasileiros,


O pré-sal é nosso passaporte para o futuro, mas só o será plenamente se produzir uma síntese equilibrada de avanço tecnológico, avanço social e cuidado ambiental.


A sua própria descoberta é resultado do avanço tecnológico brasileiro e de uma moderna política de investimentos em pesquisa e inovação. Seu desenvolvimento será fator de valorização da empresa nacional e seus investimentos serão geradores de milhares de novos empregos.


O grande agente desta política é a Petrobrás, símbolo histórico da soberania brasileira na produção energética.


O meu governo terá a responsabilidade de transformar a enorme riqueza obtida no Pré Sal em poupança de longo prazo, capaz de fornecer às atuais e às futuras gerações a melhor parcela dessa riqueza, transformada, ao longo do tempo, em investimentos efetivos na qualidade dos serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente. Recusaremos o gasto apressado, que reserva às futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.


Meus queridos brasileiros e brasileiras,


Muita coisa melhorou em nosso país, mas estamos vivendo apenas o início de uma nova era. O despertar de um novo Brasil.


Recorro a um poeta da minha terra: "o que tem de ser, tem muita força".


Pela primeira vez o Brasil se vê diante da oportunidade real de se tornar, de ser, uma nação desenvolvida. Uma nação com a marca inerente da cultura e do estilo brasileiros --o amor, a generosidade, a criatividade e a tolerância.


Uma nação em que a preservação das reservas naturais e das suas imensas florestas, associada à rica biodiversidade e a matriz energética mais limpa do mundo, permitem um projeto inédito de país desenvolvido com forte componente ambiental.


O mundo vive num ritmo cada vez mais acelerado de revolução tecnológica. Ela se processa tanto na decifração de códigos desvendadores da vida quanto na explosão da comunicação e da informática.


Temos avançado na pesquisa e na tecnologia, mas precisamos avançar muito mais. Meu governo apoiará fortemente o desenvolvimento científico e tecnológico para o domínio do conhecimento e a inovação como instrumento da produtividade.


Mas o caminho para uma nação desenvolvida não está somente no campo econômico. Ele pressupõe o avanço social e a valorização da diversidade cultural. A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade.


Vamos investir em cultura, ampliando a produção e o consumo em todas as regiões de nossos bens culturais e expandindo a exportação da nossa música, cinema e literatura, signos vivos de nossa presença no mundo.


Em suma: temos que combater a miséria, que é a forma mais trágica de atraso, e, ao mesmo tempo, avançar investindo fortemente nas áreas mais sofisticadas da invenção tecnológica, da criação intelectual e da produção artística e cultural.


Justiça social, moralidade, conhecimento, invenção e criatividade, devem ser, mais que nunca, conceitos vivos no dia-a-dia da nação.


Queridos brasileiros e queridas brasileiras,


Considero uma missão sagrada do Brasil a de mostrar ao mundo que é possível um país crescer aceleradamente, sem destruir o meio-ambiente.


Somos e seremos os campeões mundiais de energia limpa, um país que sempre saberá crescer de forma saudável e equilibrada.


O etanol e as fontes de energia hídricas terão grande incentivo, assim como as fontes alternativas: a biomassa, a eólica e a solar. O Brasil continuará também priorizando a preservação das reservas naturais e das florestas.


Nossa política ambiental favorecerá nossa ação nos fóruns multilaterais. Mas o Brasil não condicionará sua ação ambiental ao sucesso e ao cumprimento, por terceiros, de acordos internacionais.


Defender o equilíbrio ambiental do planeta é um dos nossos compromissos nacionais mais universais.


Meus queridos brasileiros e brasileiras,


Nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira: promoção da paz, respeito ao princípio de não-intervenção, defesa dos Direitos Humanos e fortalecimento do multilateralismo.


O meu governo continuará engajado na luta contra a fome e a miséria no mundo.


Seguiremos aprofundando o relacionamento com nossos vizinhos sul-americanos; com nossos irmãos da América Latina e do Caribe; com nossos irmãos africanos e com os povos do Oriente Médio e dos países asiáticos. Preservaremos e aprofundaremos o relacionamento com os Estados Unidos e com a União Européia.


Vamos dar grande atenção aos países emergentes.


O Brasil reitera, com veemência e firmeza, a decisão de associar seu desenvolvimento econômico, social e político ao de nosso continente.


Podemos transformar nossa região em componente essencial do mundo multipolar que se anuncia, dando consistência cada vez maior ao Mercosul e à Unasul. Vamos contribuir para a estabilidade financeira internacional, com uma intervenção qualificada nos fóruns multilaterais.


Nossa tradição de defesa da paz não nos permite qualquer indiferença frente à existência de enormes arsenais atômicos, à proliferação nuclear, ao terrorismo e ao crime organizado transnacional.


Nossa ação política externa continuará propugnando pela reforma dos organismos de governança mundial, em especial as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança.


Queridas brasileiras e queridos brasileiros,


Disse, no início deste discurso, que eu governarei para todos os brasileiros e brasileiras. E vou fazê-lo.


Mas é importante lembrar que o destino de um país não se resume à ação de seu governo. Ele é o resultado do trabalho e da ação transformadora de todos os brasileiros e brasileiras. O Brasil do futuro será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ele hoje. Do tamanho da participação de todos e de cada um:


Dos movimentos sociais,


dos que labutam no campo,


dos profissionais liberais,


dos trabalhadores e dos pequenos empreendedores,


dos intelectuais,


dos servidores públicos,


dos empresários,


das mulheres,


dos negros, dos índios e dos jovens,


de todos aqueles que lutam para superar distintas formas de discriminação.


Quero estar ao lado dos que trabalham pelo bem do Brasil na solidão amazônica, na seca nordestina, na imensidão do cerrado, na vastidão dos pampas.


Quero estar ao lado dos que vivem nos aglomerados metropolitanos, na vastidão das florestas; no interior ou no litoral, nas capitais e nas fronteiras do Brasil.


Quero convocar todos a participar do esforço de transformação do nosso país.


Respeitada a autonomia dos poderes e o princípio federativo, quero contar com o Legislativo e o Judiciário, e com a parceria de governadores e prefeitos para continuarmos desenvolvendo nosso País, aperfeiçoando nossas instituições e fortalecendo nossa democracia.


Reafirmo meu compromisso inegociável com a garantia plena das liberdades individuais; da liberdade de culto e de religião; da liberdade de imprensa e de opinião.


Reafirmo que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem, como eu e tantos outros da minha geração, lutamos contra o arbítrio e a censura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intansigente dos direitos humanos, no nosso País e como bandeira sagrada de todos os povos.


O ser humano não é só realização prática, mas sonho; não é só cautela racional, mas coragem, invenção e ousadia. E esses são elementos fundamentais para a afirmação coletiva da nossa nação.


Eu e meu vice Michel Temer fomos eleitos por uma ampla coligação partidária. Estamos construindo com eles um governo onde capacidade profissional, liderança e a disposição de servir ao país serão os critérios fundamentais.


Mais uma vez estendo minha mão aos partidos de oposição e as parcelas da sociedade que não estiveram conosco na recente jornada eleitoral. Não haverá de minha parte discriminação, privilégios ou compadrio.


A partir deste momento sou a presidenta de todos os brasileiros, sob a égide dos valores republicanos.


Serei rígida na defesa do interesse público. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para aturem com firmeza e autonomia.


Queridas brasileiras e queridos brasileiros,


Chegamos ao final desse longo discurso. Dediquei toda a minha vida a causa do Brasil. Entreguei minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor.


Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem.


Esta dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu sobretudo coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro mais uma vez ao poeta da minha terra:


"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem"


É com esta coragem que vou governar o Brasil.


Mas mulher não é só coragem. É carinho também.


Carinho que dedico a minha filha e ao meu neto. Carinho com que abraço a minha mãe que me acompanha e me abençoa.


É com este mesmo carinho que quero cuidar do meu povo, e a ele - só a ele - dedicar os próximos anos da minha vida.


Que Deus abençoe o Brasil!


Que Deus abençoe a todos nós!
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Contraponto 4345 - "Presidente Dilma sobe a rampa"

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01/01/2011
Presidente Dilma sobe a rampa



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Contraponto 4344 - Votos de Ano Novo em dialeto "cearensês"

01/01/2011

Votos de Ano Novo Cearense

Autor desconhecido


Sobre suas metas de Ano Novo


Anote os seus querê e pendure num lugar que você enxergue todo dia.

Mesmo que seus objetivos estejam lá prá baixa-da-égua, vale à pena correr atrás. Não se agonie e nem esmoreça. Peleje.

Se vire num cão chupando manga e mêta o pé na carreira, pois pra gente conseguir o que quer, tem é Zé!

Lembre que pra ficar estribado é preciso trabalhar. Não fique só frescando naum!

Sobre o amor

Não fique enrolando e arrudiando prá chegar junto de quem você gosta. Tome rumo, avie, se avexe.

Dê um desconto prá peste daquela cabrita que só bate fofo com você. Aperreia ela. Vai que dá certo e nasce um bruguelim réi amarelo.

Você é um corralinda. Se você ainda não tem ninguém, não pegue qualquer marmota. Escolha uma corralinda igual a você.

As cabritas num devem se agoniar. O certo é pastorar até encontrar alguém beim joiado. Num devem se atracar com um cabra peba, malamanhado e fulerage. O segredo é pelejar e não desistir nunca. Num peça pinico e deixe quem quiser mangar.


Sobre o trabalho


Trabalhe, num se mêta a besta. Quem num dá um prego numa barra de sabão num tem vez não.

Se você vive fumando numa quenga, puto nas calças e não agüenta mais aquele seu chefe réi fulerage, tenha calma, não adianta se ispritar.

Se ele não lhe notou até agora é porque num tá nem aí se você rala o bucho no trabalho.

Procure algo melhor e cape o gato assim que puder.

Se a lida não está como você quer, num bote boneco, num se aperreie e nem fique de lundu.

Saia com aquele magote de amigos pra tomar uns merol.

Tome umas meiotas e conte uma ruma de piadas que tudo melhora.

Sobre a sua vidinha


Você já é um cagado só por estar vivo. Pense nisso e agradeça a Deus.

Cuide bem dos bruguelos e da mulher. Dê sempre mais que o sustento, pois eles lhe dão o aconchego no fim da lida.

Não fique resmungando e batendo no quengo por besteira. Seje macho e pense positivo.

Num se avexe, num se aperreie e nem se agonie. Num é nas carreira que se esfola um preá.


Arrumação motivacional

No forró da entrada do ano, coma aquela gororoba até encher o bucho. É prá dar sorte, mas cuidado, senão dá gastura.

Tome uma branquinha e tire o gosto com panelada que é prá num perder a mania e começar o ano dicunforça.

Reflita sobre as besteiras do ano passado e rebole no mato os maus pensamentos.

Num ligue prá olho gordo, respire fundo e grite bem alto:

Sai carniça!!!

Ah, e no momento da virada, não esqueça do grito de guerra, que é prá dar mais sorte ainda:

Sou Cearense e desisto é porraa!!!

Agora é levantar a cabeça, se agarrar com Padim Ciço, nosso Senhor e Nossa Senhora e

desimbestar no rumo da venta para um 2011 Pai-d’egua.

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