quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Contraponto 4368 - "Governo estuda ajustes ao orçamento e medidas contra desvalorização do dólar"


05/12/2011

Governo estuda ajustes ao orçamento e medidas contra desvalorização do dólar



Do Blog do Planalto - Terça-feira, 4 de janeiro de 2011 às 17:32

O Orçamento Geral da União para 2011 sofrerá alguns ajustes, a serem preparados pelos ministérios, e medidas serão adotadas pelo governo para evitar uma maior desvalorização do dólar, anunciou nesta terça-feira (4/1) o ministro Guido Mantega, em coletiva à imprensa realizada no Ministério da Fazenda, em Brasília (DF). O volume de recursos a serem cortados deve ser definido em até 15 dias.

Mantega explicou que uma ação fiscal forte do governo neste primeiro ano ajudará o câmbio e diminuirá a demanda do Estado. “Estamos garantindo que haverá uma ação fiscal forte do governo”, disse Mantega, acrescentando que a redução de despesas poderá atingir o custeio da máquina pública. Isso poderá, futuramente, reduzir os juros, ajudando a política anti-inflacionária do Banco Central, afirmou. Segundo Mantega, o governo dará atenção especial ao dólar para evitar sua desvalorização exagerada, o que traz prejuízos aos exportadores, mas não quis revelar o “conjunto de bondades”, porque isso poderia causar uma grande procura por dólar no mercado.

“O governo está atento a esta questão do câmbio. Não permitiremos que o dólar derreta. Não vamos deixar os amigos americanos ter o dólar derretendo. O governo vai ajudar seja de forma direta ou indireta.”

Mantega insistiu em diversos momentos que a redução de gastos orçamentários não será linear. “Ainda não temos uma definição em relação a isto e vai demorar um pouco mais. Cada ministério está levantando o que podemos reduzir de custeio, postergar projetos… O governo começa janeiro com gasto pequeno.”

“Vamos analisar cada ministerio. Vamos reduzir gastos com passagens e diárias. Redução de serviços. Os projetos prioritários continuam. Os que puderem ser postergados. Não tenho um número. O parâmetro será aquele que conseguirmos reduzir. Isso faz parte do movimento ciclico. A economia brasileira já está consolidada e não precisa do estímulo fiscal, espaço para o gasto privado. O Estado pode sair ou reduzir as atividades. Teremos um resultado fiscal melhor para este ano. Não se trata de ajuste fiscal conservador. É um movimento de ajuste. Teremos crescimeto de 5% [do PIB] e reacomodação.”

De acordo com o ministro, a atuação da equipe econômica terá por objetivo assegurar um saldo na balança comercial deste ano na ordem de US$ 20 bilhões, próximo ao contabilizado em 2010. As previsões do mercado, conforme disse Mantega, são de saldo de cerca de US$ 8 bilhões. Na conversa com jornalistas, o ministro explicou que uma das medidas em curso diz respeito ao recebimento de créditos dos exportadores. O que antes demorava quatro anos foi reduzido para dois anos. Além disso, podem ser beneficiados exportadores que venderam a outros países 20% daquilo que foi produzido.

Mantega informou que o reajuste do salário mínimo de R$ 510,00 para R$ 540,00 trata-se do cumprimento de acordo com sindicatos dos trabalhadores e que valor superior pode causar efeitos na Previdência Social. O ministro afirmou que esta políticia de reajuste do mínimo é favorável aos trabalhadores e, neste momento, “é temerário aumento acima deste valor”.

“Aumento acima deste patamar causa aumento dos gastos da previdência… O aumento está coerente com conjunto da questão fiscal. Uma solução de equlíbrio. Acima disso não é desejável.”

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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Contraponto 4367 - "PIG Awards revela quem "brilhou" no golpismo midiático em 2010"

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04/01/2011


PIG Awards revela quem "brilhou" no golpismo midiático em 2010

Do Vermelho - 4 de Janeiro de 2011 - 19h01

Num ano de grande comoção política, devido ao processo eleitoral, nossos principais meios de comunicação se esforçaram para mostrar o que têm de melhor em matéria de jornalismo parcial e engajado com os interesses corporativos e oligárquicos. A brincadeira abaixo é iniciativa do internauta Victor Farinelli,via Blog da Maria Frô.


A Folha, grande vencedora dos prêmios em 2009 (um ano inesquecível, quando o jornal brilhou com pelo menos cinco grandes pérolas: editorial da Ditabranda, ficha falsa da Dilma, estimativa de 35 milhões de vítimas de gripe suína, coluna de Cesar Benjamin acusando o Lula de tentar estuprar um menor na cadeia, e o golpe de mestre, a sabotagem do Enem em gráfica da Folha) tentou o bicampeonato, mas teve de se contentar com alguns destaques individuais, e o Porquinho de Pratana categoria jornais, embora também mereça destaque seu prêmio especial por sua excelente ação indenizatória contra a Falha de S.Paulo, um marco na luta pelo pleno direito à liberdade de expressão dos donos da mídia.

Mas a grande maioria dos prêmios, entre eles o Porcão de Ouro, voltam finalmente ao Jardim Botânico (recordemos que, em 2008, ficou com a Editora Abril, graças ao golpe da reportagem do grampo sem áudio da revista Veja). É verdade que a briga foi pau a pau, a Globo mantinha uma pequena vantagem, graças à vinheta do 45, o avião do JN, o tucanismo indisfarçável das suas matérias, dos seus comentaristas e âncoras – incluindo “cala a boca” do Waack pra Dilma e mil desculpas do Bonner pro Serra. Mas foi somente com a fabricação do segundo objeto atingindo a cabeça do presidenciável da direita que a emissora carioca conseguiu definitivamente uma vantagem sobre os seus principais rivais pauslitas. O prêmio vai pro Ali Kamel, como comandante da propaganda serrista, quer dizer, do noticiário global, mas é preciso também destacar a atuação do perito Ricardo Molina, uma espécie de autor do gol da vitória.


Abaixo, segue a lista completa dos vencedores dos prêmios em 2010, os mais destacados do golpismo midiático nacional:


PIG AWARDS 2010

Porquinho de Prata (jornais): FOLHA, com Consumidor pagou R$1 bi por falha de Dilma

Porquinho de Prata (revistas): VEJA, com O grande imitador

Porquinho de Prata (rádios): JOVEM PAM, com sua Pesquisa-Enquete

Porquinho de Prata (TVs): GLOBO, com sua versão de A agressão ao Serra no Rio

Porquinho de Prata (internet): UOL, com Debate presidencial com tucano neutro

Capa de Revista do Ano: ÉPOCA, com O passado de Dilma

Vinheta de TV do Ano: GLOBO, com Globo 45 Anos (clique aqui)

Transmissão Radiofônica do Ano: TRANSAMÉRICA, com Final do Paulistão com o comentarista José Serra

Prêmio PUM (Pensamento Único da Mídia): ESTADÃO, por ter posto a rebelde Maria Rita Kehl no olho da rua e dar o exemplo aos que ousem fazer o mesmo, mostrando o destino que os espera, caso isso aconteça.

Prêmio Roberto Marinho (incentivo à Liberdade de Imprensa dos Donos da Mídia): FOLHA, por não permitir que um blog sujo como o Falha de S.Paulo avacalhe o nome do jornal perante seu crescente universo de leitores e assinantes.

Prêmio especial por reconhecimento ao respeito pelo trabalho dos jornalistas: TV CULTURA, de São Paulo

PRÊMIOS INDIVIDUAIS

Colunista do Ano (jornais): Eliane “Massa Cheirosa” Cantanhêde (FOLHA)

Colunista do Ano (revistas): Diogo “Fugi para não pagar” Mainardi (VEJA)

Colunista do Ano (rádios): Lucia “Telefone Está Piscando” Hippólito (CBN)

Colunista do Ano (TVs): Luiz Carlos “Qualquer Miserável Agora Tem Carro” Prates (RBS/GLOBO)

Colunista do Ano (internet): Josias “Empregada Lésbica” de Souza (UOL)

Prêmio especial da TV fechada: Mônica “Entre Amigos” Waldvogel (GLOBO NEWS)

Perito Especialista do Ano: Ricardo “Segundo Objeto” Molina (GLOBO)

Intelectual do Ano: Demétrio “Navio Negreiro” Magnoli (ESTADÃO)

Cronista Esportivo do Ano: Galvão “Cala a Boca” Bueno (GLOBO)

Radialista do Ano: Carlos Alberto “Odeio o Pibão” Sardenberg (CBN)

Âncora do Ano: William “Me Desculpe Candidato” Bonner (GLOBO)

Blogueiro Limpo do Ano: Marcelo “Mimimi” Tas (TERRA)

Repórter do Ano: Danilo “Empurra Velhinha” Gentili (BAND)

Humorista Engajado do Ano: Marcelo “Vagabundo, Picareta” Madureira (GLOBO)

Executivo do Ano: a presidenta do PIG, Dona Judith “Mídia Faz o Papel das Oposições” Brito (FOLHA)

Prêmio Carlos Lacerda (incentivo à diversidade social na mídia): Boris “Amigos dos Garis” CCCasoy (BAND)

Troféu Porcão de Ouro: Ali KKKamel (GLOBO), pela excelente e imparcial cobertura que a emissora fez das eleições 2010

Os prêmios serão entregues em evento a ser realizado pelo Instituto Millenium na sede do Clube da Aeronáutica do Rio de Janeiro, para o qual foi convidado, para ser anfitrião da entrega, o notável professor Hariovaldo Almeida Prado.

Contraponto 4366 - "Tina Rosenberg: O sucesso dos programas de transferência de renda"


04 /01/2011


Tina Rosenberg: O sucesso dos programas de transferência de renda

Do Viomundo - 04/01/2011

To Beat Back Poverty, Pay the Poor [Para derrotar a pobreza, pague aos pobres]

By TINA ROSENBERG

No Opinionator, do New York Times, sugerido pelo Leider Silva

A cidade do Rio de Janeiro é famosa pelo fato de que uma pessoa pode olhar de um barraco precário em um morro, desde uma favela miserável, e ver praticamente dentro da janela de condomínios de alto luxo. Partes do Brasil se parecem com o sul da Califórnia. Partes parecem com o Haiti. Muitos países mostram grande riqueza ao lado de grande pobreza. Mas até recentemente o Brasil era o país mais desigual do mundo.

Hoje, no entanto, o nível de desigualdade econômica no Brasil está se reduzindo num ritmo maior que o de qualquer outro país. Entre 2003 e 2009, a renda dos pobres brasileiros cresceu sete vezes mais que a renda dos brasileiros ricos. A pobreza foi reduzida neste período de 22% para 7% da população.

Contraste isso com os Estados Unidos, onde entre 1980 e 2005, mais de 4/5 do aumento da renda foi para o 1% no topo da escala (veja aqui — the book is on the table — uma grande série sobre desigualdade nos Estados Unidos feita por Timothy Noah, da [revista eletrônica] Slate). A produtividade entre os trabalhadores americanos de renda baixa e média aumentou, mas a renda não. Se a tendência atual for mantida, os Estados Unidos podem em breve se tornar tão desiguais quanto o Brasil.

Vários fatores contribuiram para o feito surpreendente do Brasil. Mas a maior parte é devida a um único programa social que agora está transformando a forma com que os países de todo o mundo ajudam os pobres.

O programa, chamado Bolsa Família no Brasil, recebe nomes diferentes em lugares diferentes. No México, onde primeiro começou em escala nacional e foi igualmente bem sucedido na redução da pobreza, é chamado Oportunidades.

O termo genérico para os programas é “transferência condicional de renda”. A ideia é fazer pagamentos regulares a famílias pobres, em dinheiro ou transferências eletrônicas, se elas cumprirem certas metas.

As exigencias variam, mas muitos países usam o que o México usa: famílias precisam manter as crianças na escola e fazer exames médicos regulares, a mãe precisa fazer cursos sobre temas como nutrição e prevenção de doenças. Os pagamentos quase sempre vão para as mulheres, já que elas mais provavelmente vão gastar o dinheiro com suas famílias. A ideia elegante por trás das transferências condicionais de renda é combater a pobreza hoje, mas quebrando o ciclo de pobreza amanhã.

A maior parte de nossas colunas até agora tem sido sobre ideias bem sucedidas, mas pequenas. Elas enfrentam uma dificuldade comum: como funcionar em maior escala. Esta é diferente. O Brasil está empregando uma versão de uma ideia que agora está em uso em 40 países do globo, uma ideia já bem sucedida em uma impressionantemente enorme escala. Este é provavelmente o mais importante programa de governo antipobreza que o mundo já viu. Vale a pena saber como funciona e porque foi capaz de ajudar tanta gente.

No México, Oportunidades hoje cobre 5,8 milhões de famílias, cerca de 30% da população. Uma família da Oportunidades com uma criança na escola primária e outra na escola secundária, que cumpre todas as exigencias, pode receber um total de 123 dólares por mês. Os estudantes também podem receber dinheiro para material escolar e as crianças que completam o ensino médio dentro do tempo recebem um pagamento de 330 dólares.

A Bolsa Família, que tem exigências similares, é ainda maior. Os programas de transferência condicional de renda do Brasil foram iniciados antes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ele consolidou vários programas e os expandiu. Agora cobre cerca de 50 milhões de brasileiros, um quarto dos habitantes do país. Paga um valor mensal de 13 dólares para as famílias pobres por criança de 15 anos ou menos que estiver na escola, para até três crianças. As famílias podem ter um valor adicional de 19 dólares por criança de 16 ou 17 anos ainda na escola, para um máximo de duas crianças. Famílias que vivem na extrema pobreza recebem um beneficio básico de 40 dólares, sem condições.

Estas somas parecem dolorosamente pequenas? São. Mas uma família vivendo em extrema pobreza no Brasil dobra a sua renda quando recebe o benefício básico. Faz tempo está claro que o Bolsa Família reduziu a pobreza no Brasil. Mas apenas pesquisas recentes revelaram o papel do programa na redução da desigualdade econômica.

O Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento estão trabalhando com governos para espalhar os programas em todo o mundo, dando ajuda técnica e empréstimos. Os programas de transferência condicional de renda são encontrados agora em 14 países da América Latina e em outros 26 países, de acordo com o Banco Mundial. (Um dos programas é em Nova York, um programa piloto pequeno, financiado privadamente, chamado Opportunity NYC. Uma avaliação inicial mostrou sucesso relativo, mas ainda é cedo para tirar conclusões). Cada programa é desenhado para as condições locais. Alguns na América Latina enfatizam a nutrição. O da Tanzânia está experimentando com pagamentos condicionais que dependem do comportamento de toda a comunidade.

O programa combate a pobreza de duas formas. Uma, direta: dá dinheiro aos pobres. Funciona. E, não, o dinheiro não é roubado nem desviado para os mais ricos. O Brasil e o México são muito bem sucedidos em incluir apenas os pobres. Nos dois países houve redução de pobreza, especialmente pobreza extrema, e houve redução da taxa de desigualdade.

O outro objetivo da proposta — dar mais educação e saúde às crianças — é de longo prazo e mais difícil de medir. Mas tem sido medida — o Oportunidades é provavelmente o programa social mais estudado do planeta. O programa tem um grupo de avaliação e publica todos os seus dados. Houve centenas de estudos de acadêmicos independentes a respeito dele.

No México houve redução de desnutrição, anemia e nanismo, assim como de outras doenças da infância e de adultos. A mortalidade infantil e de mães caiu. O uso de contraceptivos na zona rural aumentou e a gravidez de adolescentes caiu. Mas os efeitos mais dramáticos foram vistos na educação. Crianças no Oportunidades repetiram menos de ano e ficaram mais tempo na escola. O trabalho infantil caiu. Em zonas rurais, a porcentagem de crianças entrando no ensino médio aumentou 42%. Matrículas em escolas médias da zona rural aumentaram imensos 85%. Os maiores efeitos em educação se dão em famílias onde as mães têm o menor nível de educação. Famílias indígenas do México foram particularmente beneficiadas, com as crianças ficando mais tempo na escola.

O Bolsa Família tem um impacto similar no Brasil. Um estudo recente descobriu aumentos na permanência na escola e no avanço escolar — particularmente no Nordeste, onde a presença na escola é a menor, e particularmente para as meninas mais velhas, que correm o maior risco de abandonar os estudos. A pesquisa também descobriu que o Bolsa aumentou o peso das crianças, os índices de vacinação e o uso do cuidado pré-natal.

Quando viajei pelo México em 2008 para fazer reportagem sobre o Oportunidades, encontrei família atrás de família com histórias distintas entre o antes e o depois. Pais cujo trabalho consistia em usar machetes para cortar grama tinham, graças ao Oportunidades, filhos formados na escola secundária e que agora estavam estudando contabilidade ou enfermagem. Algumas famílias tinham filhos mais velhos que haviam sido maltrunidos na infância, mas as crianças mais jovens agora eram saudáveis porque o Oportunidades tinha chegado em tempo de ajudá-las a se alimentar melhor.

Na cidade de Venustiano Carranza, no estado mexicano de Puebla, encontrei Hortensia Alvarez Montes, uma viúva de 54 anos de idade cuja renda vinha de lavar roupa. Tinha parado de estudar na sexta série, da mesma forma que três dos filhos dela. Mas quando o Oportunidades chegou, ela manteve as crianças mais novas na escola. Estavam ambos completando o ensino secundário quando os visitei. Um deles planejava fazer faculdade.

Fora do Brasil e do México, os programas de transferência condicional de renda são mais novos e menores. De qualquer forma, há amplas pesquisas demonstrando que também eles aumentam o consumo, reduzem a pobreza e aumentam a permanência na escola e o uso de serviços de saúde.

Se programas de transferência condicional de renda funcionarem adequadamente, muitas novas escolas e clínicas serão necessárias. Mas os governos nem sempre podem acompanhar a demanda e algumas vezes só podem fazer isso reduzindo drasticamente a qualidade. Se este é um problema para países de renda média como o Brasil e o México, imagine o desafio para Honduras ou Tanzânia.

Para os céticos, que acreditam que programas sociais nunca funcionam em países pobres e que a maior parte do que é gasto com eles é roubado, os programas de transferência condicional de renda são uma resposta convincente. Aqui estão programas que ajudam os que mais precisam de ajuda e que fazem isso com pouco desperdício, corrupção ou interferência política. Mesmo programas pequenos, que atendam uma única vila e sejam bem sucedidos, são motivo para celebrar. Fazer isso na escala que México e Brasil fizeram é impressionante.
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Contraponto 4365 - Diplomacia na Era Dilma - Mares revoltos: a paz sem ingenuidade


04/01/2011
Diplomacia na Era Dilma
Mares revoltos: a paz sem ingenuidade

Do Escrivinhador - publicada terça-feira, 04/01/2011 às 11:27 e atualizada terça-feira, 04/01/2011 às 12:12

por Antônio Luiz M. C. Costa, na Carta Capital

O planeta no qual Dilma e o chanceler Antonio Patriota conduzirão o País não é o mesmo com o qual Lula e Celso Amorim conviveram durante a maior parte do seu mandato. É um lugar mais perigoso sob muitos aspectos, mas no qual o Brasil não só poderá, como será praticamente obrigado a desempenhar um papel cada vez mais importante.

Estados Unidos e União Europeia encolheram em termos relativos. Devem continuar a lutar com problemas financeiros pelos próximos quatro anos – talvez muito mais. O Japão não conseguiu se recuperar inteiramente desde o estouro de sua bolha no início dos anos 90, mesmo tendo a relativa vantagem de contar com um povo historicamente menos propenso à rebeldia.

O historiador estadunidense Andrew McCoy publicou um artigo no qual propõe quatro roteiros plausíveis, não necessariamente excludentes, pelos quais os EUA poderiam perder a hegemonia global de maneira súbita, antes de 2025: 1. Declínio econômico em razão da perda do status especial do dólar como moeda global de reserva, seguido da necessidade de corte de gastos militares. 2. Novo choque do petróleo, com árabes e iranianos exigindo pagamento em moedas que não o dólar e fazendo acordos militares com a China. 3. Catástrofe militar no Afeganistão e Golfo Pérsico, com retirada humilhante ante o Taleban ou fracasso em garantir o embarque de petróleo após embargo árabe. 4. Terceira guerra mundial, com a estrutura militar e informática dos EUA paralisada por ciberataque chinês.

Mesmo na ausência de eventos tão -espetaculares, McCoy acredita que a decadência relativa dos EUA será mais rápida que a “aterragem suave” até 2040 ou 2050 que muitos tendem a presumir. Entre 2020 e 2040, pode surgir um “oligopólio global” no qual potências ascendentes como China, Rússia, Índia e Brasil colaborariam com as decadentes, Reino Unido, Alemanha, Japão e EUA, numa dominação mundial ad hoc como a das potências imperialistas europeias do fim do século XIX. Outra possibilidade seria o aparecimento de hegemonias regionais, cada potência controlando sua região imediata.

A China ganha peso econômico e político de maneira cada vez mais espetacular, com um crescimento acelerado que deve fazer seu PIB ultrapassar o dos EUA, entre 2017 e 2027, dependendo da valorização ou não de sua moeda em relação ao dólar. Pelo critério de paridade de poder aquisitivo, pode alcançar os EUA já em 2012 e nos anos 2020 sua produção será comparável às dos EUA e da Europa Ocidental somadas, o que significa um consumo similar de energia e matérias-primas. Está também desenvolvendo conhecimento e poderio militar suficientes para fazer valer suas prioridades. Hoje produz por conta própria e exporta caças de última geração que até recentemente importava da Rússia e sua ciência rivaliza com a dos ocidentais em vários campos, inclusive astronáutica, física nuclear, software e engenharia de sistemas: o computador mais poderoso do mundo, hoje, é chinês.

A Rússia, apesar de ter uma economia volátil por causa de sua dependência excessiva da exportação de energia e matérias-primas e continuar a ser basicamente uma potência em crise, com dificuldades para manter adequadamente suas forças militares, também voltou a ser geopoliticamente respeitável. Está reconstituindo sua influência sobre a maior parte da antiga União Soviética e acaba de formar uma nova “União Eurasiana” com Belarus e o Cazaquistão. A prioridade estratégica da Otan hoje é evitar a convergência entre Moscou e Pequim e a consolidação da Organização para Cooperação de Xangai em uma verdadeira aliança militar, que poderia se tornar muito mais ameaçadora que o finado Pacto de Varsóvia.

A Índia cresce de maneira mais lenta, menos ruidosa e com menos pretensões aparentes a um papel geopolítico global, mas também detém armas nucleares, tem uma base considerável em pesquisa científica. A disputa de territórios e recursos hídricos a opõe à China, mas se mantiver o ritmo de desenvolvimento econômico, seu PIB ultrapassará o dos EUA por volta de 2050.

Ao mesmo tempo, o petróleo esgota-se, energia e matérias-primas se tornam mais escassas e o ambiente planetário é cada vez mais comprometido para além de sua capacidade de regeneração natural. As perspectivas globalistas de universalização do consumo estadunidense dos anos 90 se revelam insustentáveis: não há como o mundo inteiro continuar a crescer emulando o modelo ocidental, saqueando recursos finitos como se não houvesse amanhã.

A sobrevivência da civilização a longo prazo está em jogo e nesse jogo de soma zero – ao menos enquanto não surjam novas tecnologias ainda inimagináveis –, velhas e novas potências têm interesses opostos. As primeiras querem manter sua fatia tradicional dos recursos do mundo e do direito a poluir, enquanto as segundas pretendem, de maneira igualmente natural, igualar os padrões de consumo de suas populações aos dos paí-ses mais desenvolvidos. É inevitável que se choquem e o mais que se pode esperar é que isso aconteça da maneira mais negociada e menos violenta possível.

O cenário econômico-financeiro também não comporta mais a desregulamentação neoliberal dos anos 90. Todos os países, principalmente os do Norte, estão pagando caro demais pela farra financeira que endividou governos além de sua capacidade de pagamento para permitir que executivos de um punhado de grandes bancos continuassem em seus cargos, a receber bônus bilionários. A pressão por um mundo mais gerenciado e pelo encurtamento das rédeas- dos centros de poder do Norte também será cada vez mais irresistível.

Que papel o Brasil desempenhará nesse cenário de transição de um mundo unipolar de falsa abundância para um multipolar de escassez administrada? Se quiser ser, ele próprio, um desses polos, não deve se descuidar do crescimento econômico, da sustentabilidade ecológica e da estabilidade financeira, mas é pelo menos igualmente importante firmar-se como centro independente de inovação científica e tecnológica e ter recursos para defender sua soberania, inclusive sobre seus recursos marítimos.

Mais importante ainda é reforçar seus laços de solidariedade e confiança mútua com os países da América Latina, do Caribe e da África, para os quais o Brasil é uma referência e uma alternativa natural à qual devem recorrer para se contrapor tanto às pressões dos países ricos tradicionais – pelas quais todos eles tiveram de abrir mão da soberania e de recursos naturais no passado recente – quanto às pretensões da China e de outras potências asiáticas ascendentes a assumirem o controle de seus recursos, com investimentos que hoje são bem-vindos, mas que amanhã poderão se mostrar tão sufocantes quanto foram os dos poderes imperialistas do passado.

Sejam quais forem as pretensões do Brasil, porém, precisa fazer o possível para evitar que as tensões resultantes dessa recomposição do poder global sem precedentes resultem em guerras inúteis e violência desnecessária. Por suas dimensões, pelo grau de desenvolvimento de sua economia e por sua história e cultura, o Brasil está em posição de atuar como fiel da balança entre Ocidente e Oriente, entre Norte e Sul. Desperdiçar essa oportunidade seria uma falta com seu povo e a humanidade.

Por mais que tenha sido criticado e mesmo ridicularizado pela imprensa conservadora, o rumo da política externa nos últimos oito anos foi, em geral, acertado, como reconheceram os especialistas internacionais. Celso Amorim foi considerado o “melhor chanceler do mundo” pelo editor da Foreign Policy, David Rothkopf,- e este ano ficou em sexto lugar na lista dos cem pensadores globais mais importantes da mesma publicação, seguido por Ahmet Davutoglu, chanceler turco que tem conduzido política semelhante e foi seu parceiro na negociação com o Irã e ambos muito à frente de nomes como Angela Merkel e o casal Clinton. A mesma linha fez de Lula um dos líderes mais -populares do mundo – e o primeiro lugar na lista da revista Time das cem pessoas mais influentes do mundo, também de 2010.

Em time que está ganhando não se mexe, dizem. Naturalmente, novos nomes são indispensáveis, por necessidade da democracia e da renovação de quadros e lideranças, mas não se deve mudar o rumo, terá de ter cuidados e muita clareza do que se pretende. Até porque pelo menos os dois próximos anos, os primeiros do novo governo, devem ser particularmente críticos para o cenário internacional.

Dada a situação financeira europeia, há um sério risco de um segundo tempo da crise internacional ser pior que o primeiro. O capital político de todas as principais lideranças ocidentais, bem como sua munição financeira, foram praticamente esgotados pelas medidas tomadas desde 2008. O quadro político dos EUA, até a próxima eleição presidencial é de completo impasse, com risco de ser quebrado em favor do Tea Party e de uma figura como Sarah Palin. Muitos países europeus importantes caminham para situações semelhantes, inclusive a Itália, a Bélgica, a França e, talvez, a Alemanha.

É preciso redobrar o cuidado com posturas ingênuas, ainda mais agora que os vazamentos do WikiLeaks não mais nos deixam ignorar os reais interesses dos EUA por trás dos discursos moralistas. A única crítica aparente de Dilma à política externa dos anos Lula-Amorim, citada em entrevista ao Washington Post, referiu-se à abstenção do Brasil em uma resolução para expressar “grande preocupação” com o uso de apedrejamento, flagelação e amputação como punição no Irã. Disse que “não faria concessões” nessa questão.

Claro que é desejável abolir essas práticas, mas seria esse o verdadeiro propósito da moção? Se fosse, por que não foi estendida a países alinhados ao Ocidente que fazem o mesmo, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Paquistão? Por que não condenar o recurso à pena de morte em geral, inclusive aplicada no Ocidente? O método de execução – injeção letal – foi um tanto mais limpo e moderno, mas pouco antes da votação dessa resolução, os EUA executaram uma mulher com aparente deficiência mental, Teresa Lewis, por acusa-ção de cumplicidade no assassinato do marido análoga à que pesa sobre Sakineh Ashtiani, apesar dos protestos da Anistia Internacional e de outros defensores de direitos humanos.

Deve-se observar que na mesma entrevista, Dilma mostrou estar consciente de que os desastres do Iraque e do Afeganistão são a prova viva da falência da política de guerra e que o melhor caminho é construir a paz no Oriente Médio. A alternativa pode provocar muito mais sofrimento que qualquer crime do qual Saddam Hussein ou Mahmoud Ahmadinejad possam ser acusados.

Mensagens vazadas pelo WikiLeaks vindas da Itália, Austrália e Arábia Saudita deram eco às advertências nas quais Fidel Castro insiste há meses, de que são muito sérios tanto as pressões de Israel e das monarquias árabes por uma guerra contra o Irã quanto o risco de que esta degenere numa guerra nuclear. Somam-se a favor disso os interesses dos EUA em controlar fontes de gás e petróleo cada vez mais escassas, os da Europa em reduzir sua dependência energética da Rússia, os de Israel em eliminar um rival que dificilmente os atacará, mas encoraja a resistência de libaneses e palestinos e assusta israelenses a ponto de levar seu governo a temer a emigração de judeus.

Caso não se queira fazer concessões em uma política internacional de defesa ao respeito aos direitos humanos, isso também deve significar ser imparcial e criticar com a mesma veemência as práticas violentas e autoritárias de grandes potências como a China e os próprios Estados Unidos, bem como de seus aliados. Ou não passará de hipocrisia a serviço deste ou daquele interesse do momento, desmoralizando o próprio conceito de direitos humanos. Este início de século mostrou os perigos do idealismo de conveniência, para os quais as mesmas práticas que são aceitas em nome da soberania e do respeito às diferenças culturais, quando partem de governos aliados ou que não convém desafiar, passam a justificar condenações, embargos e invasões quando se trata do alvo da vez da estratégia das potências dominantes.
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Contraponto 4364 - "Fantástico despenca na TV Globo"

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04/01/2011

Fantástico despenca na TV Globo

Do Blog do Miro - terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Por Altamiro Borges

A coluna Zapping, do jornalista Alberto Pereira Jr., noticiou na semana passada que o programa Fantástico, que já foi um dos xodós da família Marinho, continua despencando na audiência. “O ano não foi muito bom para o ‘Fantástico’, da TV Globo. O dominical teve média de 22 pontos, segundo o Ibope da Grande São Paulo, em 2010, a menor da década. Em 2000, fechou com 34. A queda da audiência se acentua desde 2005 e soma 35% entre 2000 e 2010”.

Ainda segundo o colunista, “no mesmo período e horário, o SBT caiu de 20 pontos para 10. A Record saiu da terceira posição, com cinco pontos, para a vice-liderança com 12 pontos”. Com o objetivo de tentar reverter a acelerada queda, a direção da TV Globo decidiu estrear novos quadros, como o meloso “O cupido”, na qual a apresentadora Patrícia Poeta mostrará “histórias de amor inusitadas”. O médico Dráuzio Varella também reforçará o time do programa em declínio.

Corte de gastos e concorrentes

A notícia só confirma as dificuldades vividas pela ex-poderosa emissora, cria do regime militar, e anima as concorrentes. O Portal R7, da Record, registrou a “queda da audiência global nas noites de domingo”, apontou que é sétima regressão seguida de “uma das principais atrações da Rede Globo” e soltou rojões: "A Record mais que dobrou seus índices e assumiu a vice-liderança, com o crescimento progressivo da audiência do Domingo Espetacular, que hoje vence a programação do SBT e se aproxima mais do Fantástico a cada ano”. A comparação deve irritar profundamente os filhos de Roberto Marinho!

Para baixar ainda mais o astral global, o Portal Terra informou nesta segunda-feira, dia 2, que a “banda do Domingão do Faustão vai deixar o programa apresentado por Fausto Silva... A saída não tem nada a ver com mudanças artísticas ou fim de contrato. A TV Globo resolveu mesmo é cortar gastos. Um DJ substituirá o grupo”. No mês passado, a apresentadora comercial do programa, Talitha Morete, já havia sido demitida. As mudanças abruptas também refletiriam crescentes dificuldades com a audiência.

Sinal de fadiga da ex-poderosa emissora

A família Marinho talvez precise repensar rapidamente o formato dos seus programas – muitos deles teleguiados por Ali Kamel, o senhor das trevas da TV Globo. A linha adotada pela emissora dá sinais evidentes de fadiga. Em dezembro, já houve a morte do Casseta&Planeta, que perdeu toda a graça, afundou na audiência e enveredou para o pior tipo de baixaria política. Já na beira do caixão, o último programa foi melancólico e talvez ajude os filhos do Marinho a descobrirem as causas da crise da emissora global.

Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, acompanhou o velório e não tem dúvida sobre as razões da morte. “No programa em questão, os doublés de humorista Hubert e Cláudio Manoel interpretam, respectivamente, o presidente Lula e Dilma Rousseff. O diálogo sem graça, politiqueiro e desrespeitoso com a condição feminina explica à perfeição porque a tradicional atração da TV Globo vem perdendo audiência ano após ano... Pouco adiantou o histriônico Marcelo Madureira ir bajular a imprensa golpista lá no Instituto Millenium. Televisão é audiência e os Marinho não gastam vela com mau defunto”.

Manipulação e preconceito

O diálogo preconceituoso e rastaquera citado por Eduardo Guimarães confirma que a TV Globo caminha rapidamente para o desfiladeiro:

“Lula” (Hubert) – Ah, Dilmandona, parabéns pela sua vitória nessa tal de eleição, entendeu, mas eu vou logo avisando, hein: não quero trairagem comigo, não. Quem vai mandar, sou eu… He, he, he…

“Dilma” (Cláudio Manoel) com voz rouca igual à de “Lula – Pode ficar tranqüilo, eu vou ser bem obediente e boazinha.

“Lula” – Eu sei, mas você vai ter que seguir o meu regime…

“Dilma” – É claro, chefinho, eu vou fazer tudo igualzinho, vou nomear até os mesmos ministros.

“Lula” – Não, não é nada disso que eu to falando, não. Tu vai ter que seguir o meu regime alimentar. Ó só: tu vai comer ovo, repolho, batata-doce e feijão. Todo dia… He, he, he…

“Dilma” – Mas chefinho, se eu comer isso todo dia vai dar muito pum.

“Lula”, segurando os ombros de “Dilma” e conduzindo-a à “cadeira presidencial” – Eu sei, mas eu quero que você esquente a cadeira pra mim. Assim, quando eu voltar, vai estar bem quentinha… He, he, he…
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Contraponto 4363 - "Até março, Dilma irá à Argentina, ao Peru e ao Paraguai"

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04/01/2011

Até março, Dilma irá à Argentina, ao Peru e ao Paraguai

Agência Brasil - 04/01/2011 - 10:58

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff já decidiu que vai à Argentina no fim deste mês, ao Peru em meados de fevereiro e ao Paraguai em março. As viagens marcam o começo da agenda internacional de Dilma, que pretende dar atenção diferenciada para a América Latina e o Caribe, ressaltando a questão do comércio regional e o respeito aos direitos humanos. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, deve ir na frente a cada um desses países.

Na Argentina, Dilma vai se reunir com a presidente Cristina Kirchner. A Argentina vive um momento político e econômico delicado. No fim do ano passado, houve desabastecimento de combustíveis e faltaram produtos nas prateleiras dos supermercados, assim como houve apagões em algumas cidades. Em outubro, há eleições presidenciais no país e a corrida já começou.

No Peru, a presidenta participa da Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa). A cúpula é um mecanismo de cooperação interregional e um fórum de coordenação política cujo objetivo é aproximar os líderes das duas regiões – nas áreas política, econômica e cultural. Será a primeira reunião com vários chefes de Estado e de governo em que Dilma participará como presidenta.

“[Essa cúpula] constituirá uma valiosa oportunidade de contato da presidenta com líderes da América Latina e do mundo árabe”, disse Patriota no discurso de posse, informando ainda que haverá um compromisso de intensificar a “cooperação e o diálogo com o continente-irmão”.

Assim como a Argentina, o Peru terá eleições presidenciais, só que ocorrerão em abril. Na disputa há quatro candidatos com possibilidades de suceder o atual presidente Alan Garcia. São eles: Luis Castillo e Alejandro Toledo, além de Keiko Fujimori (filha do ex-presidente Alberto Fujimori) e Ollanta Humala.

No Paraguai, o presidente Fernando Lugo confirmou hoje (4), por meio do ministro da Secretaria de Comunicação, Roque Gonzalez Benitez, que Dilma estará no país em março. Segundo Benitez, o objetivo é reforçar o relacionamento entre os dois países. As informações são da Presidência do Paraguai.

De acordo com o ministro, a agenda bilateral é intensa. "Eu reitero o que disse a presidenta [Dilma Rousseff] a ele [presidente Lugo]: 'o Brasil está pronto e disposto a cumprir todos os compromissos assumidos com o Paraguai”, afirmou Benitez.

Na cerimônia de posse, em Brasília, no último dia 1º, Lugo e Dilma conversaram por cerca de dez minutos na fila de cumprimentos. O paraguaio se recupera de um câncer linfático e faz tratamento no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Edição: Graça Adjuto
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Contraponto 4362 - "Ministério das Comunicações terá secretaria de inclusão digital"

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04/01/2011


Ministério das Comunicações terá secretaria de inclusão digital



Do Blog Os Amigos da Presidente Dilma - por Zé Augusto - 4 de janeiro de 2011

As mudanças no Ministério das Comunicações desperta grande interesse entre nós, internautas, e na blogosfera, tanto pelo PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) como pela expectativa de maior democratização dos meios de radiofusão.

Na primeira entrevista como Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo falou da criação de uma secretaria de inclusão digital no ministério, voltada para coordenar as diversas iniciativas dispersas nos diversos ministérios. Falou também sobre o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga), sobre TV Digital, Correios, e sobre o marco regulatório do setor.
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Contraponto 4361 - "Alckmin tenta corrigir maior erro de Serra"

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04/01/2011


Alckmin tenta corrigir maior erro de Serra

Do Nassif - 03/01/2011

Enviado por luisnassif, seg, 03/01/2011 - 23:26

Lendo a matéria do Estadão, o leitor não irá entender a abrangência do decreto de Geraldo Alckmin, destinando mais recursos para o desassoreamento do rio Tietê - o jornal fala em R$ 24 milhões; o Diário do Grande ABC sustenta que são R$ 64 milhões.

Na nota pequena do Diário, é possível entender as motivações. O governo José Serra cortou as verbas para o desassoreamento do rio. Com isso, perdeu-se todo o dinheiro investido no rebaixamento da calha do Tietê. Mais que isso: provocou a maior enchente da história de São Paulo.

Essa informação foi sonegada dos leitores da velha mídia. Deixaram a bom com o prefeito Gilberto Kassab - que assumiu a linhda de frente da batalha da informação -, enquanto Serra se escondia e sua enorme responsabilidade era varrida para baixo do tapete.

Mesmo depois das enchentes, não houve um só movimento dele para voltar com os investimentos no desassoreamento do rio.
Alckmin libera R$ 24 milhões para desassorear calha do Rio Tietê - saopaulo - Estadao.com.br

Alckmin libera R$ 24 milhões para desassorear calha do Rio Tietê

Expectativa é que sejam removidos um milhão de m³ de resíduos, que poderão ser usados na construção civil

Gustavo Uribe e Anne Warth - Agência Estado

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou nesta segunda-feira, 3, a destinação de R$ 24 milhões ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), através da assinatura de um decreto, para o desassoreamento do Rio Tietê, logo após a primeira reunião de todo o seu secretariado.

Os recursos serão usados para a retirada de até um milhão de metros cúbicos de resíduos da calha do rio. O governador explicou que a meta do governo é retirar, em dois anos, todo o material assoreado do Rio Tietê.

No ano passado, o rio tinha 2,7 milhões de metros cúbicos de resíduos e foram retirados um milhão. Alckmin detalhou que, a cada ano, os afluentes trazem para o Tietê uma média de 400 mil metros cúbicos de resíduos.

O governo estadual calcula que o rio tenha hoje 2,1 milhões de metros cúbicos de resíduos. Segundo Alckmin, a previsão é que sejam investidos R$ 64 milhões para o processo de retirada desse material assoreado do rio - R$ 40 milhões já previstos no Orçamento do DAEE para este ano. O restante foi suplementado pelo decreto assinado hoje.

Reaproveitamento. Segundo Alckmin, parte dos recursos assoreados, em torno de 60%, serão reaproveitados pelo governo estadual na construção civil. "Uma grande parte do material assoreado é de areia que poderá ser utilizada na construção, reduzindo os custos da gestão pública", disse. Alckmin anunciou ainda que o decreto autorizou a DAEE a fazer licitação do projeto de desassoreamento.

Ao todo, o governador assinou, durante a primeira reunião de seu secretariado, quatro decretos. Um deles cria uma Agenda Paulista de Gestão que o governador explicou serem metas e propostas para melhoria da gestão pública. "É um esforço para melhor a eficiência do gasto público, onde a gente pode fazer um ajuste fino no avanço da aplicação de recursos do Estado", disse.

Outro decreto define um prazo de 60 dias para definir qual secretaria ficará responsável pela gestão do Detran, que deixará de ser vinculado á Secretaria de Segurança Pública. Um outro decreto é o de contingenciamento de R$ 1,5 bilhão dos recursos do governo estadual paulista.
SP destina R$ 64 milhões para desassoreamento do Rio Tietê - Diário do Grande ABC


SP destina R$ 64 milhões para desassoreamento do Rio Tietê
Do Diário OnLine

O governador Geraldo Alckmin anunciou na manhã desta segunda-feira o aumento de R$ 24 milhões nos recursos destinados ao desassoreamento do Rio Tietê. O montante será somado aos recursos já previstos no orçamento do DAEE (Departamento de Água e Energia Elétrica), totalizando R$ 64 milhões.

"Autorizamos hoje o DAEE a fazer a licitação e liberamos os recursos para retirar mais 1 milhão de metros cúbicos. Acho que até o ano que vem vamos voltar ao nível do rebaixamento da calha, o que ajuda toda a macrodrenagem da cidade de São Paulo", disse o governador. Parte do material assoreado é areia, e Alckmin disse que a expectativa é poder aproveitá-la, como no setor de construção civil, reduzindo custos para o Estado.

Projeto Tietê - Em novembro de 2010, foi autorizado o início da terceira fase do Projeto Tietê, que está ampliando a coleta e o tratamento do esgoto que é lançado no rio. Os investimentos totais desta terceira fase, que deve terminar em 2015, somam US$ 1,05 bilhão. Até hoje, a Sabesp já investiu US$ 1,6 bilhão no Projeto Tietê.


Clique aqui para ir à notícia

Para acompanhar pelo Twitter: http://twitter.com/luisnassif

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Contraponto 4360 - "Bons ventos no Ministério das Comunicações"

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03/01/2011

Bons ventos no Ministério das Comunicações

Do Blog do Miro - segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Por Altamiro Borges

Tomou posse nesta segunda-feira (3) o ministro das Comunicações do governo Dilma Rousseff, o ex-sindicalista Paulo Bernardo. Bem diferente dos seus antecessores, que nunca trataram a pasta como estratégica no processo de democratização do país, ele deu sinais positivos neste rumo. Em seu rápido pronunciamento, afirmou que a sua prioridade será o fortalecimento do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), “que garanta o acesso da grande massa da população brasileira ao serviço”. Ele ainda enfatizou o desafio da reestruturação dos Correios. "A empresa é uma das mais admiradas do país e nós queremos garantir que isso continue".

Para desespero dos barões da mídia, Paulo Bernardo também defendeu a urgência de um novo marco regulatório para o setor. “Para o fortalecimento das comunicações, não posso omitir a necessidade do marco regulatório. Não se trata da revisão de direitos arduamente conquistados de liberdade de expressão... É uma garantia da pluralidade da informação", afirmou o ministro, que assumiu a pasta das Comunicações após deixar a do Planejamento, ocupada no governo Lula. É evidente que esta meta, que esbarra na raivosa resistência da ditadura midiática, demandará forte pressão dos movimentos sociais.

Alvarez desagrada as teles

Outro sinal positivo foi dado com a composição do Ministério. Paulo Bernardo indicou como seu secretário-executivo, segundo no posto de comando da pasta, o ativo Cezar Alvarez, ex-assessor especial do presidente Lula e coordenador do programa de inclusão digital do governo passado. Esta nomeação deve ter incomodado as poderosas operadoras de telefonia, as teles – na sua maioria, multinacionais –, conforme já registrou, num texto que visa estimular a cizânia, o sítio Convergência Digital:

“A decisão deverá desagradar as empresas de telefonia, que identificaram Alvarez como o principal adversário político a ser combatido no governo Dilma Rousseff, na tentativa de esvaziar o ímpeto da implantação do Plano Nacional de Banda Larga... Alvarez colheu dentro e fora do governo Lula inimigos poderosos, que não vão se acomodar diante do novo quadro político do Ministério das Comunicações”.

O destrutivo lobby das teles

Ainda segundo revela o sítio, “as teles não perdoam Cezar Alvarez pelo fato dele ter interferido diretamente na Anatel nos últimos meses e obrigado a agência reguladora a colocar a banda larga como serviço público, sob o regime privado, na revisão dos contratos de concessão... Nas últimas semanas Alvarez foi duramente combatido dentro do Palácio do Planalto por executivos das empresas de telefonia, na tentativa de evitar a nomeação dele para a Secretaria Executiva do Ministério das Comunicações”.

Como se observa, o ministro Paulo Bernardo terá muitas dores de cabeça. Se não se atolar no pragmatismo conciliador, ele terá que enfrentar os latifundiários da radiodifusão, que não aceitam qualquer tipo de marco regulatório, e as ambiciosas teles, que não toleram entraves aos seus lucros. Caso queira, de fato, encarar a comunicação como algo estratégico para o aprofundamento da democracia, Paulo Bernardo necessitará do respaldo da presidenta Dilma, de muita convicção e habilidade política e de forte pressão dos movimentos sociais. O jogo promete ser duro, mas parece que começou bem.
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Contraponto 4359 - "Bernardo enquadra teles: quer banda larga a R$ 30"

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03/01/2011
Bernardo enquadra teles:
quer banda larga a R$ 30

Do Conversa Afiada - Publicado em 03/01/2011

Era uma vez um Brasil de 20 milhões

Do Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, ao Valor, pág. A7:
“ Acredito que as empresas (teles) tenham a decisão estratégica no Brasil de fornecer serviços caros para pouca gente … é uma visão curta. Posso vender mais barato e ganhar na escala.”
“Este ano foram vendidos 13 milhões de computadores no Brasil.”
“A Telebrás é um instrumento que reativamos com a visão de que vamos fazer uma estrutura de rede e nos associar com o setor privado, que pode ser as teles ou simplesmente os provedores e conteúdo.”
“Queremos que a banda larga seja popularizada. Fala-se em R$ 30, R$ 35. Acho que é razoável. Com isso, podemos massificar.”

Navalha

Eis aí uma bela diferença da Dilma para o Lula.

Os ministros das Comunicações do Lula mantinham com a Globo relações de cordial camaradagem.

O Senador Evandro Guimarães, diretor da Globo em Brasília, tratava os ministros pelo primeiro nome, numa nice, como diria o Padim Pade Cerra.

O Helio Costa, então, era a sopa no mel.

Além de ser muito simpático à Globo, ele era também extremamente simpático às teles.

Uma questão de estilo.

Ser simpático.

O Paulo Bernardo mudou o jogo.

Na primeira entrevista de Ministro, chama as teles às falas:

1) O Brasil não é mais o Brasil do Faoro: um Brasil de 20 milhões de pessoas.

Onde se ganhava na margem e não no volume.

Agora, o Alemão também conta.

2) Bernardo fez a conta de traz pra frente.

Primeiro, diz quanto quer cobrar: R$ 30, R$ 35.

Depois, chama as teles.

Se houver alguma dúvida, a Telebrás está atrás da porta e, como diz ele, “leva o serviço aos rincões”.

Ao Alemão.

Em tempo: Bernardo também fala da próxima entrada das teles na tevê por assinatura.

As teles faturam 13, 14 vezes mais que as tevês. Se ficarem sozinhas, engoliriam as tevês.

Mas, elas vão poder prover conteúdo, segundo a PL 116 que está no Senado.

A banda larga a R$ 30 e tevê por assinatura sem o monopólio da Globo são novidades que explicam por que os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio - não foram à posse da Dilma


Paulo Henrique Amorim
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Contraponto 4358 - Frases da Carta Maior

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03/01/2011
Frases da Carta Maior


A REVANCHE DA ORTODOXIA MIDIÁTICA
No 1º dia útil sem Lula, manchetes dos jornalões tentam pautar o governo Dilma como se o país tivesse escolhido Serra:

"BNDES vai reduzir cobertura de crédito"
"Em 2010, superávit foi o pior da era Lula"
"Dilma vai privatizar expansão de aeroportos"
"Corte de gastos testa Dilma"
"Orçamento pode ser cortado em até R$ 30 bi"
"Dilma muda orientação para direitos Humanos"
"Palocci finge ser o que não é "(o novo superministro)
"Agenda represada opõe governo e sindicatos"

LEMBRETES AOS AFOITOS:
""Gilbertinho, eu quero você ao meu lado para me dizer as verdades, dizer o que acontece e me trazer a sensibilidade e os sofrimentos do povo brasileiro." (Presidenta Dilma Rousseff a Gilberto Carvalho, novo Secretário-geral da Presidência da República ; Valor,03/01)
A luta mais obstinada de meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos..." (Presidenta Dilma Rousseff, no discurso de posse;01/01/2011)

SAMUEL PINHEIRO REPRESENTARÁ O MERCOSUL

Um dos mais importantes quadros da chancelaria brasileira, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, indicado por Dilma e Lula, teve seu nome aprovado por todos os governos do Mercosul e pelo Presidente Chavez, da Venezuela: Samuel será o primeiro ocupante do recém-criado cargo de Alto Representante do Mercosul diante da comunidade internacional. O posto substitui a antiga função de presidente do bloco, que teve em Nestor Kirchner seu último ocupante. Afastado do Itamaraty no governo FHC por se manifestar abertamente contra o projeto da ALCA, acalentado pelo tucanato em intercurso explícito com os interesses norte-americanos, Samuel Pinheiro será agora a voz oficial do Mercosul, consolidando-o como polo germinador da soberania latinoamericana pela qual sempre lutou. (Carta Maior, com agências;03/01/2011)
(Carta Maior; Segunda-feira, 03/01/2011)A REVANCHE DA ORTODOXIA MIDIÁTICA
No 1º dia útil sem Lula, manchetes dos jornalões tentam pautar o governo Dilma como se o país tivesse escolhido Serra:

"BNDES vai reduzir cobertura de crédito"
"Em 2010, superávit foi o pior da era Lula"
"Dilma vai privatizar expansão de aeroportos"
"Corte de gastos testa Dilma"
"Orçamento pode ser cortado em até R$ 30 bi"
"Dilma muda orientação para direitos Humanos"
"Palocci finge ser o que não é "(o novo superministro)
"Agenda represada opõe governo e sindicatos"

LEMBRETES AOS AFOITOS:
""Gilbertinho, eu quero você ao meu lado para me dizer as verdades, dizer o que acontece e me trazer a sensibilidade e os sofrimentos do povo brasileiro." (Presidenta Dilma Rousseff a Gilberto Carvalho, novo Secretário-geral da Presidência da República ; Valor,03/01)
A luta mais obstinada de meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos..." (Presidenta Dilma Rousseff, no discurso de posse;01/01/2011)

SAMUEL PINHEIRO REPRESENTARÁ O MERCOSUL

Um dos mais importantes quadros da chancelaria brasileira, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, indicado por Dilma e Lula, teve seu nome aprovado por todos os governos do Mercosul e pelo Presidente Chavez, da Venezuela: Samuel será o primeiro ocupante do recém-criado cargo de Alto Representante do Mercosul diante da comunidade internacional. O posto substitui a antiga função de presidente do bloco, que teve em Nestor Kirchner seu último ocupante. Afastado do Itamaraty no governo FHC por se manifestar abertamente contra o projeto da ALCA, acalentado pelo tucanato em intercurso explícito com os interesses norte-americanos, Samuel Pinheiro será agora a voz oficial do Mercosul, consolidando-o como polo germinador da soberania latinoamericana pela qual sempre lutou. (Carta Maior, com agências;03/01/2011)

(Carta Maior; Segunda-feira, 03/01/2011)
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Contraponto 4357 - "Dilma e Patriota reafirmam diretrizes da política exterrna"

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03/12/2011


Dilma e Patriota reafirmam diretrizes da política externa

Governo Dilma deverá desenvolver diplomacia universal

Do Vermelho - 3 de Janeiro de 2011 - 10h34

A presidente Dilma Rousseff dedicou o primeiro de trabalho como chefe de Estado à política externa. Neste domingo (2), ela recebeu no Palácio do Planalto o presidente uruguaio, José Mujica, o vice-presidente de Cuba, Machado Ventura, o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas , entre outras autoridades internacionais que representaram seus países na cerimônia de posse.
O primeiro compromisso da presidente foi uma audiência com o príncipe Felipe de Astúrias, herdeiro da Coroa espanhola. O príncipe entregou a ela uma carta de seu pai, o rei Juan Carlos. Eles trataram questões referentes aos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

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Argentina será o primeiro país que Dilma visitará

Palestina

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Presidente Dilma cumprimenta o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.
O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, manifestou satisfação pelo Brasil ter reconhecido o Estado palestino, durante a audiência com Dilma.

Abbas demonstrou o desejo de manter a proximidade entre o Brasil e a Palestina, a exemplo do que vinha ocorrendo no governo do presidente Lula.

Ele convidou a presidente para uma visita a Ramalá, cidade situada na Cisjordânia, onde está sediado o governo da Autoridade Nacional Palestina.

Em dezembro passado, o governo brasileiro reconheceu o Estado palestino com as fronteiras existentes em 1967. A declaração foi feita por meio de carta enviada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente Mahmoud Abbas. .

Nos últimos anos, o Brasil vem intensificando seu relacionamento com a Palestina. Em 2004, foi aberto um escritório de representação em Ramalá. O presidente Mahmoud Abbas veio ao Brasil em duas ocasiões e Lula esteve nos territórios palestinos ocupados em março deste ano.

Uruguai

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma Rousseff recebe o presidente do Uruguai, José Mujica no Palácio do Planalto
Uma reunião bastante positiva pela identidade política e magnitude dos laços de boa vizinhança e cooperação foi com o presidente do Uruguai, José Mujica. Dilma reafirmou o compromisso de manter a frequência dos encontros bilaterais que estavam sendo realizados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a cada três meses com o país platino. Recentemente, o Uruguai optou pela adoção do sistema nipo-brasileiro de TV digital, decisão que foi elogiada pela presidente.

Cuba

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma cumprimenta o primeiro vice-presidente de Cuba, José Ramón Machado Ventura
A presidente brasileira teve um encontro fraternal e amistoso com o vice-presidente de Cuba, Machado Ventura. O representante da ilha socialista apresentou os resultados do trabalho da Missão Médica Cubana no combate ao cólera no Haiti. Ambos manifestaram a decisão de manter a mais estreita cooperação neste terreno. Brasil e Cuba desenvolvem relações positivas em todos os terrenos. A disposição de ambos os governos é desenvolver e aprofundar ainda mais a cooperação bilateral.


Portugal

O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, afirmou que a intensificação das relações com o Brasil tem um valor estratégico. Portugal enfrenta desde a segunda metade de 2010 um aprofundamento de sua crise econômica.

“Nesses últimos anos, o mundo mudou muito em várias dimensões. Essas mudanças foram muito significativas. Uma delas é da maior importância para Portugal. A afirmação do Brasil tanto em nível político quanto em nível econômico”, considerou. “É por isso que para Portugal a relação com o Brasil, que já era uma prioridade, se transformou em uma prioridade ainda maior”, completou.

José Sócrates informou que pretende incentivar parcerias entre empresas portuguesas e brasileiras, como as já em curso entre a Petrobras e as empresas de energia portuguesas Galp e EDP. Em maio de 2010, a Petrobras firmou parceria para a produção de biodiesel em Portugal. A estatal brasileira também assinou com o governo português um acordo que definem a exploração de hidrocarbonetos em águas profundas na Bacia do Alentejo.

Sócrates destacou ainda o apoio para que o Brasil ocupe uma vaga permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) — que conta com cinco membros permanentes (Estados Unidos, China, Reino Unido, França e Rússia.

“Tive a oportunidade de dizer à presidente do Brasil que pode contar com Portugal como mais fiel e mais próximo aliado, no que vai ser a caminhada do Brasil para ocupar o seu espaço no Conselho [de Segurança] das Nações [Unidas]”, destacou.

Japão e Coreia

As trocas na área de alta tecnologia com o Japão e com a Coreia do Sul deram a tônica das audiências da presidente Dilma com o primeiro-ministro coreano, Kim Hwang-Sik e o ex-primeiro ministro do Japão, Taro Aso. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, Dilma tratou com o primeiro-ministro da Coreia sobre a cooperação na área de energia nuclear, petróleo e construção naval.

A presidente também conversou, tanto com o ex-primeiro ministro do Japão, quanto com o primeiro ministro da Coreia, sobre o trem de alta velocidade.

Dilma e Taro Aso se conhecem há mais de cinco anos, desde que a então ministra-chefe da Casa Civil esteve no Japão para a celebração dos 100 anos da imigração japonesa. “Dilma agradeceu papel de Taro Aso como presidente do grupo parlamentar nipo-brasileiro e também todo o apoio que ele deu na tramitação no Congresso de um acordo na área da previdência que beneficia os imigrantes brasileiros no Japão”, disse Patriota.

Soberania nacional e diálogo

Ao assumir o Ministério das Relações Exteriores, o embaixador Antonio de Aguiar Patriota, defendeu as posições de firmeza adotadas pela política externa brasileira em favor dos interesses nacionais, do multilateralismo e da busca pelo diálogo. Segundo ele, é essencial que todos os países tenham voz, do contrário erros do passado serão reproduzidos.

Para Patriota, é importante ainda que a presidente Dilma Rousseff desenvolva uma “diplomacia universal” dando importância aos países da América do Sul e do Caribe, assim como parceiros comerciais importantes, como os Estados Unidos e a China.

“O Brasil não se furtará em defender interesses nacionais específicos”, disse Patriota, que participou no domingo da cerimônia de transmissão de cargo, no Itamaraty. “Continuaremos a privilegiar a via diplomática e a defender o multilateralismo e o fim das armas nucleares.”

De acordo com o novo chanceler, é necessário que os países em desenvolvimento sejam ouvidos. “[Os países que integram o] G20 [grupo dos países mais ricos do mundo] devem ser sensíveis aos países [em desenvolvimento]”, disse ele. “Os antigos formadores de opinião têm encontrado dificuldades em manter suas ideias.”


Com agências
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Contraponto 4356 - A hora e a vez da mulher

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03/01/2011

A hora e a vez da mulher

Do Direto da Redação - Publicado em 02/01/2011

Rodolpho Motta Lima*

Ao ensejo da posse da primeira mulher eleita para a Presidência do país, ocorrem-me algumas considerações a respeito desse marco na história brasileira.

Sabemos que Dilma não foi eleita por ser mulher, mas por representar a continuidade de um projeto político que privilegia as camadas populares, sua ascensão, sua redenção. Confundindo deliberadamente as coisas, os setores da oposição, amplificados pela força auxiliar da grande mídia, procuraram, desde o início, desqualificar a figura da candidata do Governo, atribuindo-lhe,de forma leviana, ausência de personalidade e de atributos para o cargo. Ela seria, no dizer de tais boquirrotos, uma “invenção” do Lula.

Os debates eleitorais e todo o processo político que cercou as eleições mostraram os desacertos dessa teses. O que se viu foi, ao contrário, uma presença forte, ativa, incisiva, da candidata, nada ficando a dever, em termos de expressividade, à opção tucana, representada por um político experimentado e ardiloso. As agressões e baixarias foram respondidas com dignidade e inteligência e, hoje, podem todos perceber que a Presidência da República será ocupada por uma mulher que era, no Governo que se encerra, o melhor dos seus quadros. Dilma, a mulher, está aí , e não por isso, mas por ser a natural e adequada expressão política capaz de encarnar um projeto que o povo decidiu que deve prosseguir.

Embora a eleição de Dilma Rousseff não tenha sido motivada por uma questão de gênero, o fato de haver uma mulher no comando do país permite-nos alimentar fundadas esperanças de que muitos dos problemas que as mulheres vêm enfrentando na sociedade possam ser claramente combatidos , eliminados talvez.

O próprio Ministério já antecipa uma mudança positiva. Teremos, nele, a maior participação feminina da história republicana. E embora, em termos eleitorais nacionais, os quocientes obtidos pelas mulheres brasileiras ainda sejam inexpressivos e incompatíveis com a sua contribuição social em outros níveis (são 45 mulheres em uma Câmara de 513 , 12 em um Senado de 81 , 2 governadoras no total de 27), é de se esperar que frutifiquem os exemplos de mulheres comandando com eficiência pastas ministeriais, contribuindo o governo Dilma como divisor de águas para dizimar de vez o viés machista da sociedade na política (e às vezes até o “machismo às avessas” das próprias mulheres), impondo-se, a partir daqui, a presença marcante do gênero feminino no centro decisõrio político do país.

A mulher brasileira – ainda buscando a igualdade em muitos segmentos – até bem pouco tempo amargava discriminações e preconceitos inconcebíveis, herança antiga da qualificação como “res nullius” (coisa nenhuma) do direito romano. Subjugada ao “pátrio poder” , foi moeda de troca em casamentos por interesse, durante muito tempo concebida apenas como reprodutora e mantenedora do “equilíbrio do lar”. Somente obteve o direto de votar sem qualquer restrição há cerca de 65 anos e até os meados do séculos XX apenas podia viajar sozinha ou trabalhar com autorização expressa do marido. Não por acaso, eram raras as presenças femininas no campo intelectual ou artístico e no âmbito do trabalho qualificado. Mas, agora, a sociedade impõe e espera uma mulher livre da tutela e da dominação secular, em todos os níveis,

Um governo constituído por uma mulher e integrado por várias delas pode e deve influenciar nos avanços que se espera para o gênero feminino e sua participação social. Desafios não faltam. Sabe-se que 51% dos lares brasileiros são sustentados por mulheres, mas, contraditoriamente, ainda é preciso assegurar-lhes uma política de saúde que encare de frente problemas que lhes são inerentes (o aborto é um deles), sendo imperioso, para mencionar alguns exemplos , garantir-lhes creches para os filhos, participação efetiva no mercado no trabalho e salários equivalentes aos dos homens.

Capítulo especial merece a necessidade de que se faça valer com vigor cada vez maior a lei Maria da Penha, que não surgiu de uma ficção, mas de uma nefasta realidade marcada por violência e iniquidade. É preciso combater as discriminações odiosas como as do Juiz que foi notícia recente na mídia quando, em despacho vergonhoso, conseguiu consolidar todas as bobagens que o machismo empedernido vem reproduzindo ao longo do tempo.

É a hora e a vez da mulher Dilma, que não chegou nem está aí por acaso. Representa um processo político que está dando certo e do qual vem sendo um artífice. E, quem sabe, representará um marco inesquecível na garantia do acesso definitivo das mulheres a um estatus de igualdade social com os companheiros masculinos, inclusive com u movimento de atração para a ambiência política, onde, seguramente, há um lugar que a história lhes reservou.

*Rodolpho Motta Lima.Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.
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Contraponto 4355 - Charges do Bessinha

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03/01/2011
Charges do Bessinha (264 e 265)



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Contraponto 4354 - "Manipulação jornalística criminosa"

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03/01/2011

Manipulação jornalística criminosa

Do Direto da Redação - Publicado em 02/01/2011

Mário Augusto Jakobskind
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E chegamos à segunda década do Terceiro Milênio com muitos fatos novos que foram relegados a segundo plano em função não apenas das festas de fim de ano, como também por um certo desinteresse jornalístico dos jornalões e telejornalões. As redações preferem enfatizar o que fazem todos os anos neste período a correr atrás de notícias relevantes.

O Globo, por exemplo, manipula até documentos liberados pelo site WikiLeaks, como aconteceu nestes dias com a “informação”, entre aspas mesmo, segundo a qual o MST tem “espiões no Incra” e que haveria uma suposta prática dos assentados de “alugar a terra de novo ao agronegócio”.

Pois bem, o próprio professor Clifford Andrew Welch, do curso de história da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), citado como fonte das informações de telegramas remetidos por diplomatas estadunidenses no Brasil aos Estados Unidos, desmentiu que tenha dito algo do gênero. Ou seja, segundo Welch, O Globo mentiu descaradamente, como tem feito rotineiramente quando trata de questões da terra e ao se referir ao MST.

“Nunca falei e jamais falaria algo assim. No primeiro lugar, a palavra ‘espião’ é invenção do Globo, porque não aparece nos relatos diplomáticos disponibilizados pelos jornais”, denuncia Welch.

Sobre o aluguel de áreas de assentados ao agronegócio, Welch destaca que a coordenação nacional do MST é declaradamente contra essa prática e que a declaração aparece sem contextualização. Welch também era coordenador adjunto do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (Nera) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 2009, quando recebeu a visita do Vice Consul Benjamin A. LeRoy do Consulado Geral dos EUA, em São Paulo.

E para o professor, o despacho diplomático que apareceu em O Globo sobre aluguel de lotes foi apresentado totalmente fora de contexto e parece de fato “cínico e irônico. Entende o professor de História que “o relatório não contempla a pressão das usinas nos assentados, com oferta de dinheiro fácil para o plantio da cana de açúcar, que tem causado muitos problemas aos assentados, como demonstram várias pesquisas realizadas pela Unesp".

A denúncia de Welch é extremamente grave e demonstra concretamente o comportamento de uma empresa jornalística que tem altos interesses no agronegócio e pauta suas matérias de acordo com o que melhor lhe convier. Isso, portanto, não é jornalismo, está muito mais para mercantilismo, leia-se grana mesmo, do que outra coisa.

Ainda em relação aos segredos revelados pelo Wikileaks, a diplomacia estadunidense por aqui considerou num primeiro momento que o governo Lula adotou uma prática passiva em relação ao Presidente Evo Morales na questão do acordo sobre o gás.

Curiosamente, o mesmo tipo de posição dos diplomatas-espiões estadunidenses foi adotado pela direita brasileira. Na ocasião, editoriais da mídia de mercado, políticos do gênero pilantra só faltavam pedir a intervenção das Forças Armadas na fronteira do Brasil com a Bolívia. Teria sido mera coincidência esse tipo de posicionamento?

É claro que toda a informação do WikiLeaks que está sendo divulgado por O Globo, Folha de S. Paulo e de quebra os demais, devem ser vistos com um pé atrás, porque podem estar sendo objeto de manipulação grosseira, como aconteceu nas informações sobre o MST.

Nestes dias de aparente calmaria o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso voltou às primeiras páginas dos jornais para dizer que foi com ele, e não com Lula, que o Brasil deu o pulo de gato, ou seja, mudou para melhor etc e tal.

Cardoso é um cínico falastrão, sem dúvida. Se ele tivesse sido governante em país com maior rigor de leis para os de colarinho branco, o ex-Presidente teria, isto sim, que estar respondendo na Justiça por uma série de denúncias que caem sobre o seu governo, sobretudo em relação às privatizações a preço de banana de estatais.

Já que o príncipe-sociólogo se julga tão bam-bam-bam e rei cocada preta, porque será que até os seus próprios correligionários do PSDB o esconderam durante a campanha presidencial? É que o temor de que Cardoso tirasse votos era tão grande que foi preferível para a direita o manter no ostracismo.

Na antevéspera do fim do mandato de Lula, Cardoso volta de forma ainda mais ridícula a ocupar as páginas dos jornais. Seria o caso de perguntar: porque se reuniu com representantes de multinacionais do petróleo prometendo mundos e fundos caso Serra fosse eleito? Ele garantia, isso na calada da noite*, que se Serra fosse eleito, o petróleo voltaria a “ser vosso”, como já tinha dito o ex-genro, o entregusita David Zilbestayn.

Felizmente, os eleitores brasileiros deram a resposta.

Ah, sim: Lula, segundo a última pesquisa CNT-Sensus deixa a Presidência com 87% de popularidade, recorde mundial do gênero, superando até a figura histórica de Nelson Mandela. E se fizessem uma pesquisa sobre FHC certamente se confirmaria que o povo brasileiro tem repulsa a ele. Ou será que ainda há dúvidas a esse respeito?

A decisão de Lula em não conceder a extradição de Cesare Battisti para a Itália vai render. O premier Silvio Berlusconi, um aprendiz de Mussolini, usou linguagem de latrina, como é de seu feitio, com ameaças ao Brasil, imaginando que aqui fosse uma colônia ocupada. Está enganado. O país é soberano e o governo toma decisões baseado em fatos. No caso Battisti, a volta dele à Itália, segundo a Advocacia Geral da União, na palavra do Ministro Luís Inácio Lucena Adams, acarretaria risco de vida ao acusado que foi julgado à revelia e sem comprovação das denúncias formuladas por outro acusado que se valeu do artifício de ajudar a Promotoria para ser solto (delação premiada).

Dá-lhe Dilma, Presidente na segunda década do Milênio.

(*) O fato só veio à tona porque foi testemunhado por um jornalista que botou a boca no trombone deixando FHC e os seus de sais justa.

*Mário Augusto Jakobskind. É correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE
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