quinta-feira, 5 de maio de 2011

Contraponto 5306 - "Por unanimidade, Supremo reconhece legalidade da união homossexual estável"

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05/05/2011


Por unanimidade, Supremo reconhece legalidade
da união homossexual estável

Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Os casais homossexuais podem ser incluídos no regime jurídico de união estável e se beneficiar de todas as consequências deste fato. Foi o que decidiu o Supremo Tribunal Federal (STF), hoje (5), por unanimidade.

Os efeitos da decisão, no entanto, não são totalmente conhecidos. Ainda não ficou claro, por exemplo, se os casais homossexuais poderão se casar. Isso não estava no pedido formulado nas ações do governo do Rio de Janeiro e da Procuradoria-Geral da República, em análise pelo STF no julgamento de hoje.

As ações pediam que a união estável homossexual fosse reconhecida juridicamente e que os casais homossexuais pudessem ser considerados como entidade familiar. Com o resultado, os casais homossexuais passam a ter direitos, como herança, inscrição do parceiro na Previdência Social e em planos de saúde, impenhorabilidade da residência do casal, pensão alimentícia e divisão de bens em caso de separação e autorização de cirurgia de risco.

De acordo com a advogada Maria Berenice Dias, do Instituto Brasileiro de Direito da Família (Ibdfam), antes da decisão de hoje, pelo menos 112 direitos eram restritos aos casais hererossexuais.

O julgamento começou ontem (4) à tarde com o voto do ministro Carlos Ayres Britto, relator da matéria. Ele entendeu que o Código Civil deve ser interpretado de acordo com os princípios de liberdade e igualdade previstos na Constituição, de forma que exclua qualquer significado que vede ou impeça a união de pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. “O reconhecimento deve ser feito com mesma regra e mesma consequência da união heteroafetiva”, disse Britto.

Retomado na tarde de hoje, o julgamento teve os votos favoráveis dos ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Ellen Gracie, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Cezar Peluso.

O ministro Antonio Dias Toffoli não votou porque se declarou impedido devido ao trabalho que exerceu à frente da Advocacia-Geral da União (AGU). Em 2009, quando ainda era chefe do órgão, a AGU chegou a receber um prêmio da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABLGT).

Apesar de todos terem votado com o relator, Lewandowski, Mendes e Peluso fizeram algumas ressalvas quanto ao alcance da decisão. Eles entenderam que o Supremo está apenas suprindo uma lacuna deixada pelo Legislativo, e que a Corte extrapolaria suas funções ao se posicionar sobre os efeitos da decisão.

De acordo com os ministros, o reconhecimento da união estável é urgente para a proteção do direito das minorias e para evitar episódios de preconceito e violência. Entretanto, eles acreditam que proposta de lei específica sobre o tema deve ser discutida pelo Congresso Nacional.


Edição: Lana Cristina
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Contraponto 5305 - "A grande imprensa e o preço do silêncio"

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05/05/2011
A grande imprensa e o preço do silêncio

Da Carta Maior - 05/05/2011

Balzac insistia em que se a imprensa não existisse para bem da sociedade, não deveria ter sido inventada. Na época, o jornalismo tinha pouco a ver com informação. Supunha-se que os jornais devessem servir menos como noticiários, e mais como espaços de opinião. Se alguém encontrar algo de parecido com presente, talvez não seja só uma volta ao passado.

Enio Squeff
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A sugestão implícita de Balzac, no seu "Ilusões Perdidas", de que a profissão mais antiga do mundo, pode não ser necessariamente a prostituição, dá-se num contexto em que ele fala do jornalismo. Na época, o jornalismo era uma novidade. O escritor insistia em que se a imprensa não existisse - literalmente, para bem da sociedade, "não" deveria ter sido inventada. Mas já que fazia parte do repertório do seu mundo - que se fizesse presente com tudo de ruim que pudesse acarretar. Na França de então, o jornalismo tinha um sentido unívoco e equívoco, pouco a ver com a informação. É possível que fosse por isso que nos dicionários portugueses antigos a palavra jornalismo não existia. Quem quer que publicasse suas opiniões em diários, era simplesmente "publicista". Supunha-se que os jornais devessem servir menos como noticiários, do que como espaços para opiniões dos possíveis "publicistas". Se alguém, enfim, encontrar algo de parecido com o que se tem hoje em dia, talvez não se trate apenas de uma volta ao passado.


De fato, para os brasileiros que tiveram uma experiência democrática antes dos tempos obscurantistas da Ditadura, deve soar como uma advertência a mudança que houve não só com a nossa imprensa. Até para além da segunda metade do século XX, superados os tempos de Balzac, portanto, os americanos principalmente (sempre eles) descobriram que a notícia custava dinheiro, um bom dinheiro. O jornal que literalmente "furasse" os concorrentes, adiantando-se ao que ninguém tinha dado, era premiado com a compra quase compulsória da sua tiragem inteira por parte dos leitores. Os negócios se faziam, muitas vezes, na contramão dos interesses dos governos e dos grandes conglomerados empresariais. Ganhava a concorrência quem se mostrasse atento às novidades, mesmo que sob a ameaça de perder um ou outro anunciante.

Dizer que, hoje em dia, o silêncio é gritantemente mais lucrativo, parece rebarbativo - mas não deveria ensejar qualquer surpresa. Chega a ser patético: a revista que omite o nome do banqueiro bandido, parece ignorar que o texto do relatório que o incrimina é público. E que as pernas curtas da mentira tropeçam já no dia seguinte, quando a coisa vem a baila trazida ou pela internet. Ou pelo concorrente que muitas vezes até nem gostaria de contar a história toda.

Renato Pompeu, jornalista veterano de larga experiência na imprensa graúda, tempos atrás, definia as coisas da seguinte maneira: na época em que as denúncias, como novidade, valiam mais que o silêncio, como corrupção, o repórter que adentrava a redação, ao ser inquirido pelo editor, normalmente era exaltado e ganhava a manchete de primeira página, se dissesse ; "tenho uma notícia que ninguém deu...". Conforme Pompeu, hoje as coisas se dão forma contrária. Ao repórter que disser ter uma notícia que ninguém deu, quase certamente receberá do editor a advertência de que "se ninguém deu", o fato não tem importância alguma.

Entre o "furo", ou seja, a notícia e o silêncio, vale até muito mais a "barriga", isto é, a mentira. Ou, como dizia Mário Quintana, de forma amena, vale mais a história que se esqueceu de acontecer.

A isso os jornais chamam de direito à "interpretação". Omitir eqüivale quase sempre a mentir - mas isso importa?

Como certas questões são irretorqüíveis, haja prêmio à dubiedade das respostas. Nas últimas semanas, tornou-se insuportável à grande imprensa admitir que, talvez, ("sabrá Dios", como dizia um bolero, no tempo dos boleros), a presidenta Dilma Rousseff seja também "competente", além não fazer uma política muito diferente da de seu antecessor. Para o primeiro caso, a questão se torna premente: se a presidenta fizer uma boa gestão, poderá ensejar o "pior dos mundos" - para eles, naturalmente - e então, poderá vir a ser reeleita. Para o segundo, porém, será a volta do "ogro" - leia-se "Sapo Barbudo". Como se sabe, Lula saiu da presidência com mais de oitenta por cento de popularidade. Fica a questão: precisará sair de casa para ser reeleito uma segunda vez?

Na dúvida, a recorrência a tal ambigüidade é sempre uma boa idéia. Os editores da "Folha", por exemplo, devem ter morrido de rir da manchete - das poucas - que a presidenta mereceu do jornal em sua ida à China. Lá, à parte os bilhões de dólares prometidos, ela teria feito o inevitável, ou seja, como disse o jornalão: "Dilma vende direitos humanos na China". Para o incauto leitor, meia palavra basta: a presidenta conseguiu sim o que queria - mas "vendeu" os direitos humanos no Brasil. "Espera aí" - dirá o autor do título da manchete "não é nada disso: o que a Folha quis dizer é que a presidenta "vendeu" não no sentido em que se pode entender a manchete - mas que agiu como uma publicitária: foi à China e lá expôs o fato positivo de que os direitos humanos são respeitados no Brasil."

Digamos que o verbo "vender" não tinha um sentido que tem: era uma referência ao valor dos "direitos humanos". Já que tudo é negócio, os chineses teriam tido uma informação positiva sobre o estado democrático-"comprável" - do País. Tudo seriam meias verdades. E quanto mais ambígua a notícia, tanto mais os jornalões se livram da pecha de mentir, por omitir.

Quanto vale o silêncio? Para não difundir que o presidente Barack Obama apontou o Brasil como exemplo a ser seguido pelos Estados Unidos, como afirmou o mandatário americano em seu discurso de um mês atrás, talvez o silêncio renda uma boa publicidade dos governos de oposição. Ou, quem sabe (o que é mais razoável) renda o desconhecimento do grande público de que hoje as coisas podem estar melhores do que nunca estiveram. E que, afinal, o Brasil não mudou nada - continua aquela porcaria de antanho; ou como dizia o ex-presidente FHC - aludindo a Nelson Rodrigues -persistiríamos em nossos complexos de "vira-latas".

A questão tem muitas dimensões. O senador Aécio Neves foi flagrado com a carteira de habilitação de motorista já vencida. Um erro grave, mas não imperdoável: todos podemos nos esquecer de que não renovamos a carteira e de que isso implica pontos negativos na nossa condição de motorista. O grave, contudo, foi um senador da República negar-se a fazer o teste de bafômetro. Fica a suposição de que tivesse ingerido bebida alcoólica além da conta. Como tratar a coisa? Dando a notícia, com o direito ao político de se defender. A grande imprensa - uma vez que ele possa vir a ser o futuro candidato da oposição - e uma vez concedendo à notícia - que de resto chegou a ser (pouco) difundida pelas rádios e televisões, - tratou de que a coisa fosse esquecida o mais rapidamente possível.

Acontecesse, porém, com qualquer político da situação, ocupasse ou não um cargo relevante, as manchetes estariam berrando, haveria gritos de toda a ordem ainda hoje a provocar manchetes nos jornais.

Casos do tipo, são tão numerosos, tão flagrantes que nem vale a pena mencioná-los. O pior, contudo, parece ser o silêncio. Vale a velha máxima - se o jornalão não deu, ninguém sabe o que aconteceu. Mas será que ela vale mesmo?

Hoje muito menos. E se a tiragem dos jornais está diminuindo, não é apenas por conta do mercado, além dos jornais e jornalistas. Esses cumprem a sua moda, o corolário da "omertá": o silêncio será sempre inevitável tanto se for para evitar que os governos que eles acham não lhes convir - puder se locupletar e tirar alguma vantagem junto à opinião pública, quanto o contrário: se a discussão sobre as deficiências do transporte público implicar a cobrança da ineficiência de certos governos, "amigos da casa" - instaure-se o silêncio.

Parece ser assim com tudo. Baudelaire, quase ao mesmo tempo que Balzac, assacou uma conclusão interessante a propósito da imprensa da época: ela silenciava sobre o que não era sucesso. Para dizer o óbvio: ela só se permitia a discutir o que ela mesmo incensava. A imprensa só fala sobre o sucesso - constatava o desencantado poeta, como a dizer ser praticamente impossível descobrir ou insistir na novidade. Não naquela com endereço certo, urdida pelo mercado - como o das artes, por exemplo - essa seria sempre louvada. Não foi por acaso, em suma, que o próprio Baudelaire seria combatido e ignorado.

Passados mais de um século, a regra continua. E se a bom tempo a Escola de Frankfurt, sem muitos filosofismos constatou que a indústria cultural exerceria o seu poder, para impor as regras do sistema (leia-se mercado), não é por outra razão que temos uma cultura administrada. O silêncio sobre os artistas que não cumprem a cartilha da academia, faz-se sempre em consonância com os interesses da tal indústria. Continuamos como dantes no quartel de Abrantes. E, no caso, sob a égide de um paradoxo.

De tanto ser xingada por não acolher a vanguarda nas artes, a academia e a indústria uniram-se na consideração de que há uma "vanguarda confiável" - aquela que se define como a "contestadora"a favor" - e que se locupleta por aparecer perante a opinião pública como "enfant térrible", por "ter a coragem" de "arrostar" os governos e as instituições, principalmente se forem comandadas por gente de esquerda.

E que não corre risco algum ao xingar o poder, num país onde, por enquanto, vigem regras democráticas. Ou contra as gentes que os jornalões querem ver longe dos órgãos culturais: eles seriam incômodos por proporem que a vanguarda pode estar do lado do povo e não longe dele, como nas bienais, e salas de concertos. Ou longe dos shows da moda.

Alguém já desafiou que se encontrassem na grande mídia jornalistas de esquerda. Apostava que isso não existiria. Evidentemente, ninguém topou o desafio. Afora um ou outro cronista, perderia. Como perderia se apostasse em encontrar algum artista de esquerda, ou contra o sistema, a ser festejado como são os de direita. Há sim, os renegados que ainda ostentam a máscara de esquerda, coisas de antanho. Esses são sempre bem vindos, obrigado.

É curioso: nunca a era da informação foi tão pródiga em desinformação. Um exemplo relativamente desimportante, mas que mostra como funciona a coisa, deu-se há pouco em São Paulo. Durante a semana inteira anunciou-se a estréia mundial, pela Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado), de uma peça do compositor Willy Corrêa de Oliveira. É dos poucos artistas brasileiros que não compõem as panelas acadêmicas - embora tenha sido professor na USP. E é dos raros, igualmente, que não se considera apartado da política em qualquer sentido. Não se define como um saudoso do estalinismo, mas é um anti-capitalista com todo o alarde que isso possa comportar num mundo onde - máxime - não ser neoliberal, já o colocaria como "avis rara" entre seus iguais. Por motivos entre os quais ele alinha a certeza de que sua obra não seria bem executada pela orquestra, já que a sua partitura é de difícil execução, ele cobrou a promessa explícita, de que a orquestra a ensaiasse bastante. Para tanto, combinou com o maestro Isaac Karabtchevsky encontrá-lo, dias antes, do início dos ensaios, justamente para alertá-lo sobre alguns procedimentos a serem seguidos pela orquestra, e que não estão tão claros na partitura que escreveu.

Como o encontro não se realizou; e a orquestra faria apenas três ensaios para executar a peça, Willy Corrêa de Oliveira pediu que retirassem a obra do concerto. Para o mundo restrito da música clássica, em outros tempos, seria uma notícia quase bombástica: sugere-se (e é sempre verdade), que quando uma orquestra leva a sério o compromisso de tocar bem, que um compositor se sinta honrado de ter sua música executada por um conjunto tão bom quanto a Osesp. Mas a possibilidade de que mesmo uma orquestra da sua qualidade, muito dificilmente tocaria a contento a partitura, o compositor desistiu de contar "como glória", de ter a estréia mundial de sua peça pela Osesp.

O que se quer dizer é que, no frigir dos ovos, brigas de compositores com regentes, ou com orquestras, não são tão freqüentes para serem ignorados. No dia do concerto, porém, preferiu-se não se contar aos ouvintes e aos leitores, uma história, afinal, no mínimo, polêmica. No entanto, o jornalista indicado pela "Folha" para escrever sobre o concerto, simplesmente omitiu o fato. Preferiu fazer uma matéria toda em torno da nona sinfonia de Gustav Mahler - compositor consagrado de quem a orquestra já tocou quase toda a obra orquestral, ao longo de sua existência mais que cinqüentenária. E suma: ao lugar-comum repetido à exaustação nas escolas e nas redações, de que notícia é o homem morder o cachorro, preferiu-se o absolutamente convencional de anunciar, pela undécima vez, que a orquestra iria tocar uma obra conhecida de um compositor consagrado, com descrição até bem feita sobre as observações do maestro nos ensaios. Mas nada sobre a proibição da orquestra de tocar a peça do Willy.

O que fica do episódio, enfim, é que, para os jornalões, conforme a conveniência, a notícia, a grande notícia, é o cachorro morder o homem.

Por que omitir uma história em tudo interessante? Certamente porque a direção da orquestra não quis. E porque assim ninguém dá a noticia que ninguém deu. É essa a lógica.

Mas é essa a lógica para tudo mais. A fim de não informar que o presidente Osni Mubarack foi tirado do hotel em que se auto-exilou pela mesma multidão que o apeou do poder, um mês antes, a grande imprensa seguiu a cartilha imposta desde fora, do monopólio das agências de notícias, de que já não há mais nada no mundo árabe, fora da Líbia e da Síria, que possa interessar. Para os leitores ocidentais, em suma, faz de conta que o movimento das massas egípcias já não existe. Que o mundo árabe voltou a estaca zero. Que as forças armadas é que mandam e fazem, de novo, no Egito, como a sra. Hilary Clinton gostaria que acontecesse, já que não pode evitar a queda de Osny Mubarack.

Parecerá relevante constatar que de Seca a Meca é assim, hoje, não só no Brasil? Deixemos aos leitores meditarem sobre as considerações do velho Balzac.

*Enio Squeff é artista plástico e jornalista.

Contraponto 5304 - " Teologia do espetáculo"

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05/05/2011
Teologia do espetáculo


Da Carta Capital - 04/05/2011

(Matéria publicada na edição 644, que começou a circular na sexta-feira 29.)

Antonio Luiz M. C. Costa*


A beatificação a toque de caixa de Karol -Wojtyla, o papa João Paulo II, será celebrada em 1º de maio, meros seis anos após seu falecimento, apesar de muitas resistências dentro da própria Igreja. “Sou contra e prevejo que a história não verá com bons olhos João Paulo, que ignorou a pior crise na Igreja desde a Reforma”, disse o padre Richard McBrien, teólogo da Universidade Notre Dame de Nova York. “A beatificação de João Paulo por seu sucessor soa incestuosa e tem afinidade com o hábito de deificar os próprios ancestrais”, declarou o historiador católico Michael Walsh.

Foi política a decisão de não esperar os habituais cinco anos para iniciar o processo, apoiar-se num “milagre” arrancado a fórceps e ignorar as objeções, em especial as fundadas nas obscuras manobras financeiras do Vaticano em sua gestão e a negativa do papa polonês a investigar e punir padres e bispos pedófilos. Principalmente o corrupto padre mexicano Marcial Maciel, líder da Legião de Cristo, que abusou de menores (inclusive dois de seus próprios filhos ilegítimos), mas manteve a boa vontade da Igreja arrecadando rios de dinheiro de milionários mexicanos, boa parte dos quais fluiu para os bolsos da Cúria Romana. O papa polonês protegeu-o até o fim e o próprio Ratzinger teve de esperar subir ao trono papal para discipliná-lo.

Outro de seus protegidos foi o arcebispo estadunidense Paul Marcinkus, que João Paulo II promoveu à chefia do Banco do Vaticano e ao terceiro cargo mais importante na Igreja antes que se envolvesse até o pescoço no escândalo da falência do Banco Ambrosiano (do qual já fora diretor), seguido pelo assassinato disfarçado em suicídio do seu presidente, Roberto Calvi, que teria financiado a dissidência polonesa a pedido do papa. Queima de arquivo, que não se sabe se deve ser atribuída à Máfia ou a setores da própria Igreja.

Trata-se de santificar não a duvidosa virtude de Karol Wojtyla, mas a virada conservadora que promoveu. João XXIII e Paulo VI haviam conduzido a Igreja à modernização e reaproximação com a sociedade laica e com outras igrejas e religiões-, processo subitamente freado após a morte nunca devidamente esclarecida do efêmero João Paulo I e a eleição do polonês identificado com a luta contra o comunismo. Foram congelados os debates sobre contracepção e o papel da mulher na Igreja. Quando o cardeal de Sevilha, José María Bueno, reuniu-se com ele e insistiu em que sua consciência lhe impunha insistir na questão do celibato e da escassez de sacerdotes, Wojtyla foi brutal: “E minha consciência de papa me impõe expulsar sua eminência de meu escritório”.

Joseph Ratzinger, jovem teólogo convidado por João XXIII para participar do Concílio Vaticano II, esteve de início do lado da modernização, apoiando a revisão do celibato e do primado absoluto do papa, que defendia ainda em livros publicados nos anos 70. Elevado a cardeal- por Paulo VI em 1977, não se soube que mudasse de opinião antes de 1981, quando foi escolhido por João Paulo II para chefiar a Congregação para a Doutrina da Fé, sucessora do velho Tribunal do Santo Ofício da Inquisição, para comandar a repressão à dissidência. Ratzinger decepcionou seus ex-amigos progressistas e reprimiu a Teologia da Libertação, mas satisfez seu superior e seu círculo e foi recompensado com a sucessão.

Fora dos corredores estagnados do Vaticano, porém, os ventos continuaram a soprar. Abriu-se ainda mais o abismo entre uma Igreja cada vez mais conservadora e exigente e a sociedade civil dos países católicos, cada vez mais laica e menos interessada nas opiniões do papa sobre moral e pecado. Até 2005, as falhas morais da Igreja e seu crescente esvaziamento e irrelevância no Ocidente foram até certo ponto mascarados pelo colapso do bloco soviético e o carisma pessoal de Wojtyla. O renascimento da Igreja na Europa Oriental e o entusiasmo gerado pelas visitas de João Paulo II pelo mundo permitiam a seu círculo acreditar que estavam no caminho certo.

Com o frio e rígido Ratzinger, as ilusões não se sustentam. Escândalos por muito tempo abafados vieram a público, mostrando que a Igreja não está à altura do que prega – em muitos casos, nem sequer à altura do que a sociedade laica considera decência comum. As tentativas do Vaticano de favorecer partidos conservadores e pressionando contra o uso de preservativos e a legalização do aborto e da união homossexual têm acabado quase sempre em fiascos humilhantes. As viagens e os pronunciamentos de Bento XVI mal atraem- uma fração do interesse e entusiasmo despertado por seu antecessor.

O Vaticano é hostil aos exorcismos das igrejas carismáticas populares, mas sente a mesma necessidade de espetacularização. A apressada multiplicação de beatificações e canonizações tenta suprir o déficit de interesse, distribuindo santos a comunidades e grupos de interesse que não os tinham. Paulo VI fez 11 canonizações em 15 anos; João Paulo II estabeleceu um recorde histórico com 113 em 25 anos, inclusive o controvertido fundador da Opus Dei e a canonização coletiva de 25 fanáticos cristeros que lutaram contra o governo laico do México nos anos 1920 e 1930. Bento XVI fez nada menos de 34 nos primeiros seis anos. Na Páscoa, tentou reanimar o interesse dos fiéis, respondendo perguntas na televisão, cuidadosamente escolhidas. Com a beatificação de João Paulo II, pretende despender o que resta de seu capital de carisma e reunir 300 mil fiéis. Mas aos poucos esse espetáculo se banaliza.

Não são tempos fáceis para a Igreja Católica. Foi deixada por 50 mil alemães e 53 mil austríacos em 2009 e por 180 mil alemães e 87 mil austríacos no ano seguinte. Não se trata do abandono tácito de quem simplesmente deixa de comparecer às missas, mas de pedido formal de baixa, enviado a autoridades civis de forma a encerrar o pagamento de contribuições à Igreja (1,1% da renda, até o limite de 200 euros anuais) e pesa de fato nos bolsos das paróquias e dioceses. Desde 1990, 1,78 milhão de alemães ormalizaram sua apostasia, mas o salto recente nos números está relacionado aos escândalos de pedofilia: é nas dioceses mais afetadas que o êxodo é maior.

Em países onde a filiação formal à Igreja não tem consequências civis, o número dos que saem batendo a porta e exigem o registro formal de sua opção é menor, mas cresce explosivamente. Na Bélgica, foram 66 casos em 2008, 380 em 2009 e 1,7 mil em 2010. Em Portugal, uma comunidade criada no início de 2010 para trocar informações sobre o “desbatismo” no Facebook tem mais de 3 mil participantes, centenas dos quais já cobraram o certificado das paróquias – e, se estas o recusaram, se queixaram ao bispo. Na Argentina, a comunidade Apostasía Colectiva tem mais de 4 mil integrantes.

Na Espanha, a Igreja, temerosa das consequências políticas da queda nas estatísticas formais sobre número de fiéis, alegou que seus livros de batismo não são arquivos sujeitos à Lei de Proteção de Dados. Conseguiu que a Suprema Corte e o Tribunal Constitucional a isentassem da obrigação de atender a tais pedidos, no mesmo país no qual outrora fazia da excomunhão a mais terrível das ameaças. Mas os -apóstatas, com ou sem certificados, são milhares. Tentaram organizar uma “procissão ateísta” e uma campanha pelo uso de preservativos na Semana Santa de 2011, proibidos pelo governo de Madri, pressionado por um abaixo— assinado- de 100 mil conservadores.

Apesar do renascimento do fundamentalismo e do fanatismo em várias partes do mundo cristão, muçulmano e hindu, desde os anos de Ronald Reagan e João Paulo II, mais espetacularmente nos anos de Bush júnior, as últimas décadas veem crescer atitudes que vão da simples indiferença ante a religião organizada ao ateísmo militante. Em dezembro de 2010, o estudo de um grupo de matemáticos dos Estados Unidos indicou que a religião organizada tende a desaparecer até 2050 em pelo menos nove países: Austrália, Áustria, Canadá, República Tcheca, Finlândia, Irlanda, Holanda, Nova Zelândia e Suíça.

Mesmo na arquicatólica Polônia, a frequência à Igreja caiu de 60% nos últimos dias do regime comunista para 45% nos dias de hoje. Nos EUA, as pessoas sem religião são o único grupo religioso em crescimento em todos os 50 estados. E mesmo “ter uma religião” pode não significar muita coisa além de um rótulo social para ocasiões como casamentos e funerais. Na Inglaterra e em Gales, 61% dizem que têm uma religião, mas apenas 29% se dizem religiosos. Só 48% dos 53,5% que se dizem cristãos (ou seja, 25,7% dos ingleses) acreditam que Jesus foi de fato o filho de Deus e ressuscitou dos mortos.

Uma pesquisa Ipsos de abril de 2011 em 23 países encontrou que, em média, apenas 19% acreditam em céu e inferno (4% na França, 5% na Espanha e Alemanha, 10% no Reino Unido, 12% na Rússia, 15% no México, 21% na Itália, 28% no Brasil, 41% nos EUA). Para outros 23% a existência cessa com a morte, 26% não têm opinião, 2% acreditam no céu mas não no inferno, 7% creem em reencarnação e 23% em alguma vida após a morte que não o céu e inferno cristãos. Na maioria dos países da Europa Ocidental, a crença definida em um Deus ou Ser Supremo varia de 18% (Suécia) a 28% (Espanha), e o ateísmo explícito, de 28% (Espanha) a 39% (França). Só a Itália destoa, com 50% de teístas e 13% de ateus (no Brasil, respectivamente, 84% e 3%).

A opção por sistemas de crenças -pessoais “faça você mesmo” ou pela pura e simples irreligiosidade está crescendo, em que pese o fervor de organizações como a Fraternidade Muçulmana, a Opus Dei ou a Westboro Baptist Church. Na maioria dos países ricos e em pelo menos alguns dos “emergentes”, como Rússia, Coreia do Sul, China e Argentina, caminha-se a médio prazo para sociedades nas quais não só a prática religiosa, como também a identificação formal com a religião organizada, será minoritária. Mas também parece bem possível que essas minorias se mostrem mais exaltadas do que a média dos religiosos de hoje. A aposta do Vaticano de Joseph Ratzinger parece ser em uma Igreja capaz de manter influência política (e arrecadar recursos financeiros) por meio de um rebanho pequeno, mas monolítico e militante.

Aponta para isso a indiferença para com as defecções de setores liberais e de -esquerda da Igreja – do teólogo Hans Küng ao ex-frade Leonardo Boff – combinada com os esforços extremados para atrair dissidências pequenas, mas ferozmente hostis à modernidade laica. Um exemplo é a Fraternidade São Pio X, do falecido arcebispo Marcel Lefebvre, rompida com o Vaticano desde 1988. Para tentar reincorporar seus 500 sacerdotes e alguns milhares de fiéis, o papa Bento XVI permitiu, em 2007, a celebração da missa tridentina em latim e anulou a excomunhão de seus quatro bispos, incluindo o britânico Richard Williamson, que nega o Holocausto, defende a autenticidade dos Protocolos dos Sábios de Sião e se associa a neonazistas. Nem por isso foi acatado por esses dissidentes, que continuam a ordenar seus próprios sacerdotes e exigir que o Vaticano declare inválidas as missas vernáculas de Paulo VI celebradas desde 1969 e repudie o Concílio Vaticano II e os gestos ecumênicos em relação a outras igrejas e religiões, inclusive o judaísmo.

Mais recentemente, Ratzinger abriu as portas a dissidentes tradicionalistas da Igreja Anglicana inconformados com a ordenação de mulheres e bênção a uniões homossexuais dentro de sua igreja, incorporando uns 900 fiéis ao custo de prejudicar o relacionamento do Vaticano com o protestantismo e o arcebispo de Canterbury – e de aceitar algumas dezenas de padres casados e com família, embora exija o celibato dos que se formaram no catolicismo. A Igreja se encolhe e a instituição que moldou a civilização ocidental pouco a pouco se transforma em uma entre muitas seitas reacionárias e intolerantes.

*Antonio Luiz M.C.Costa é editor de internacional de CartaCapital e também escreve sobre ciência e ficção científica.

Contraponto 5303 - "A execução de Bin Laden: uma vitória de Pirro"

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05/05/2011

A execução de Bin Laden: uma vitória de Pirro


Da Carta Maior - 04/05/2011

A “guerra contra o terror” não possui um inimigo homogêneo representado na figura de Bin Laden como quer fazer-nos acreditar os EUA. Existem diversos grupos que, por compartilharem alguns interesses comuns, estabeleceram alianças estratégicas. Como muitos já alertaram, não é possível carimbar como terror islâmico tudo aquilo que contesta a ocupação militar dos EUA naquela região. Quem será o próximo monstro a ser executado em nome da humanidade? O artigo é de Reginaldo Nasser e Marina Mattar Nasser.
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Reginaldo Nasser e Marina Mattar Nasser

Uma das grandes perguntas que se colocam agora, após a morte de Bin Laden, diz respeito ao futuro da Al-Qaeda e da “guerra contra o terror” iniciada pelos Estados Unidos logo após os atentados do 11 de Setembro. Com a morte de seu líder, a Al -Qaeda se enfraquecerá? Isso representa a vitória dos EUA contra o terrorismo? Afinal, o que representa a morte de Bin Laden? Em que muda a situação atual no Iraque, Afeganistão e em seus países vizinhos?

A imagem da Al-Qaeda construída pela política externa norte-americana e veiculada pela mídia ocidental mostra-nos uma organização forte e homogênea com atuação global cujo principal objetivo é o de combater a civilização ocidental e reestabelecer o regime de Califados no mundo islâmico. A Al-Qaeda, entretanto, funciona mais como uma empresa de capital de risco, proporcionando dinheiro, contatos e assessoria a numerosos grupos e indivíduos militantes de todo o mundo islâmico. Ou seja, a organização tem como estratégia vincular aos grupos locais que não necessariamente compartilham seus ideais e objetivos, mas que por interesses circunstanciais, estabelecem uma aliança. Em muitos casos, a relação destes grupos com a Al-Qaeda é apenas nominal.

Talvez por esta razão que os EUA e as informações da grande imprensa não tenham percebido – ou revelado - que a Al-Qaeda está se enfraquecendo há anos. Em 2007, o atual número 1 da Al-Qaeda, al-Zawahiri, percebendo a crescente impopularidade da organização, realizou um debate aberto em um fórum de jihadistas, de perguntas e respostas, no qual foi amplamente questionado sobre a morte de civis muçulmanos em atentados realizados pela a Al-Qaeda. Diversas pesquisas mostram a crescente queda em popularidade da Al-Qaeda em diversas sociedades do mundo árabe e islâmico após terem sofrido atentados terroristas da organização. Um bom exemplo disso é a Jordânia, onde o índice de aprovação da Al-Qaeda entre a população teve uma queda brusca de 70%(quando?) para 10% no ano de 2005 quando três explosões em hotéis da capital Amman mataram e feriram centenas de pessoas, muitas delas estavam celebrando um casamento.

Em pesquisa desenvolvida pelo centro PEW sobre a confiança das populações muçulmanas de diversos países do mundo árabe e islâmico em Bin Laden prova que os diversos atentados da Al-Qaeda que mataram civis muçulmanos afetou, em grande medida, sua popularidade entre as sociedades. No Paquistão, sua popularidade caiu de 46%, em 2003, para 18% em 2010; na Palestina, de 72% para 34%; e na Jordânia, caso de maior índice de queda, de 56% para 13%.

De acordo com relatório da RAND Corporation de 2008, houve uma mudança na estratégia do braço da Al-Qaeda no Iraque, a partir de 2005, quando deixaram de atacar os oficiais dos EUA e de seus aliados e passaram a atacar a própria sociedade iraquiana, o que não foi bem recebido pela população. A onda de atentados entre 2005 e 2007 liderada pela Al-Qaeda iraquiana matou, em média, 16 civis por dia. Durante todos os anos de guerra, de 2003 aos dias atuais, os anos de 2006 e 2007 foram os que mais civis morreram, superando, até mesmo, os bombardeios dos EUA em 2003.

Basta perceber que a Al-Qaeda não está presente na chamada primavera árabe. Estes movimentos civis, por meio de protestos pacíficos, conseguiram derrubar governos que a Al-Qaeda se propõe a combater, há mais de duas décadas, apresentando uma alternativa às sociedades árabes e marginalizando, ainda mais, o grupo terrorista.

Assim, além das áreas tribais no norte do Paquistão, a Al-Qaeda está presente apenas em regiões marginais do mundo árabe e islâmico por contatos, muitas vezes, superficiais como no nordeste do Yemen, na Somália e no sul da Argélia. Por conta das diversas alianças realizadas, a Al-Qaeda não conseguiu liderar uma única estratégia e seu principal objetivo de tornar-se um movimento insurgente, caracterizado, sobretudo, pelo grande apoio da comunidade, acabou, portanto, por falhar.

Prova disso foram os desentendimentos entre Bin Laden e Al-Zarqawi, que liderou o braço da Al-Qaeda iraquiano, quanto às formas de agir no país. A CIA interceptou cartas entre eles que mostravam discordância de Bin Laden com a crescente onda de atentados no Iraque uma vez que isto impossibilitaria a aproximação da Al-Qaeda da sociedade iraquiana. a Al-Qaeda já enfrentava, portanto, um momento de crise e de possível mudança estratégica, anterior à morte de seu líder.

A “guerra contra o terror” não possui um inimigo homogêneo representado na figura de Bin Laden como quer fazer-nos acreditar os EUA. Existem diversos grupos que, por compartilharem alguns interesses comuns, estabeleceram alianças estratégicas. Como muitos já alertaram, não é possível carimbar como terror islâmico tudo aquilo que contesta a ocupação militar dos EUA naquela região. Quem será o próximo monstro a ser executado em nome da humanidade?
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Contraponto 5302 - "Demasiadamente desumano"

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05/05/2011
Demasiadamente desumano

Mair Pena Neto*

A morte de Osama Bin Laden foi um circo dos horrores com todos os elementos que atestam a precariedade de nossa condição humana. Um homem, por pior que ele seja, foi executado, seu corpo jogado ao mar e as pessoas sairam às ruas para comemorar em júbilo, como se estivessem no coliseu vibrando com cristãos jogados às feras. Desumano, demasiadamente desumano.

Compreende-se toda a revolta dos americanos e não americanos que perderam pessoas queridas no atentado de 11 de setembro de 2001. Nada justifica tamanha atrocidade, mas a reação não pode ser proporcional em termos de irracionalidade e nem ser considerada natural, como se fossemos todos selvagens. A humanidade evoluiu ao longo dos séculos. Conquistamos direitos e desenvolvemos valores que devem ser respeitados. Execução sumária é crime e não pode ser estimulada. Seja a de Bin Laden ou do chefe do tráfico de um morro carioca.

A operação teve requintes de sadismo. Obama pode acompanhá-la ao vivo por meio de imagens geradas por câmaras montadas nos capacetes dos fuzileiros navais que invadiram a fortaleza do líder da Al Qaeda, no Paquistão, e depois disse que a justiça foi feita. Que tipo de justiça? A vingança, o olho por olho dente por dente?

Bin Laden estava desarmado e segundo o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, teria resistido. Como? Será que pulou no pescoço de um marine armado até os dentes? Se estava desarmado, por que não foi detido e levado a interrogatório e julgamento. Será que a captura do principal líder da maior organização terrorista não teria sido útil para obter mais informações e desmantelá-la definitivamente? Ou Bin Laden se tornaria um prisioneiro incômodo, cujas revelações poderiam constranger e comprometer muita gente na inteligência e no governo americanos?

A versão inicial foi a de que Bin Laden teria sido morto numa troca de tiros. O que provocou a mudança na história? O porta-voz da Casa Branca disse que foi a necessidade de dar detalhes imediatos de uma complexa operação militar. Não convenceu. Se ela foi acompanhada ao vivo por Obama e seus auxiliares, como foi transmitida para o público de maneira diferente da que foi testemunhada?

A raiva das ruas não teria se transferido para os bem preparados marines sem ordens superiores. A execução que se revela a cada dia teria destroçado o líder da Al Qaeda. Essa é uma das razões porque sua imagem não pode ser exibida. Bin Laden estaria dilacerado e desfigurado pela execução por armas de alto impacto. Pelos relatos divulgados até agora, uma das mulheres de Bin Laden ficou ferida. Onde ela se encontra? Seria importante saber sua versão do ataque.

A falta de uma imagem de Osama morto alimenta teorias conspiratórias. O mundo tem que acreditar no que o governo dos Estados Unidos afirma. Que o líder terrorista foi morto nessa operação, que exames de DNA comprovam que era ele mesmo e que seu corpo foi jogado ao mar. Quando Che Guevara foi executado na selva da Bolívia, seu corpo foi fotografado e suas mãos cortadas para identificação posterior que não deixasse dúvidas de que o guerrilheiro que assombrava os EUA tinha sido morto. O requinte macabro não impediu a criação do mito e a inspiração que exerceu sobre gerações.

Seria pouco provável que os EUA blefassem com a morte de Bin Laden, já que o governo poderia ser desmoralizado por uma futura aparição do líder da Al Qaeda em algum vídeo enviado a Al Jazeera, fora a derrota de Obama na próxima eleição. Mas os EUA estão condenados a provar o fato, o que deve causar constrangimento e novas cenas de barbárie. O porta-voz da Casa Branca afirma que a imagem macabra pode ferir sensibilidades, mas o diretor da CIA, Leon Panetta, acha que em algum momento elas terão que vir a público.

Discussão repugnante, que assim como a morte de Bin Laden não representa o fim do terrorismo. As transformações democráticas em curso no Oriente Médio prometiam reduzir o espaço para a Al Qaeda e similares. A fúria irracional pode renascer agora.

*Mair Pena Neto. Jornalista carioca. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia.

Contraponto 5301 - Charge on line do Bessinha

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05/05/2011
Charge do Bessinha (364)

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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Contraponto 5300 - "A semente do medo"

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04/05/2011

A semente do medo

Do Brasil mostra a tua cara - 04/05/2011

por Mauro Santayana

Os Estados Unidos celebram a morte de bin Laden, e um ex-embaixador brasileiro considerou-a “espetacular”. É melhor ver a morte de qualquer homem, bom ou mau, como a morte de parte de nós mesmos. Como no belo poema em prosa de Donne, any man’s death diminishes me, because I am involved in mankind, and therefore never send to know for whom the bell tolls; it tolls for thee. A morte de qualquer homem me diminui, disse o poeta, porque sou parte da Humanidade, e, por isso, não pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por você. Todos nós morremos um pouco, quando as Torres Gêmeas vieram abaixo, e todos nós morremos quase diariamente com os que tombam e tombaram, na Palestina, no Iraque, no Afeganistão, na Costa do Marfim, no Realengo, em Eldorado dos Carajás, na Candelária e nas favelas brasileiras.

Os americanos comemoram nas ruas a morte de bin Laden, enquanto nos países muçulmanos outros oram pelo homem que consideram mártir. Como parte da Humanidade, talvez não nos conviesse a euforia pela execução sumária de bin Laden, nem a consternação por sua morte. Os atentados de Nova Iorque – de resto, nunca assumidos de forma cabal pelo saudita – foram crime brutal contra a Humanidade, bem como todos os atos de terrorismo, ao longo das duas últimas décadas. Mas a vingança exercida pelos comandos norte-americanos não pode ser aplaudida. Foi um ato de guerra, cometido contra a soberania do Paquistão, desde que ao governo de Islamabad não foi solicitada autorização prévia para a operação – segundo informou o diretor da CIA, Leon Panetta.

Isso nos leva a outra leitura de John Donne: não pergunte que povo foi atingido pela intervenção militar norte-americana. Todos nós fomos atingidos, não só por essa operação bélica e pela agressão à Líbia, mas também, no passado, pela intromissão, política, militar, econômica, das elites que controlam o governo de Washington, desde a guerra de anexação de territórios soberanos do México, movida pelo presidente Polk, em 1846. O México perdeu a metade de seu território, e os Estados Unidos ganharam mais de um quarto do que já ocupavam no norte do hemisfério. Essa vitória excitou a voracidade imperialista dos Estados Unidos, mais tarde explícita no fundamentalismo do “Destino Manifesto”.

Devemos ser cautelosos quando procuramos entender o momento atual. Comentaristas internacionais, sob o calor destas horas, tentam pensar nas conseqüências imediatas, e há os que discutem se o homem morto em Abbottab (o nome da cidade é homenagem ao general James Abbott, que serviu nas forças de ocupação da Índia no século 19) é mesmo bin Laden – que começou a sua vida de combatente como aliado dos norte-americanos contra os soviéticos, no Afeganistão dos anos 80. Tenha sido ele, ou não, importa pouco. Osama era apenas um símbolo, na clandestinidade imposta pelas circunstâncias. O que importa, e muito, é o que virá a ocorrer não nos próximos dias, que serão de pausa e perplexidade, mas nos próximos meses e anos.

O perigo maior, e desdenhado, é o de que o conflito atual, iniciado com a ocupação da Palestina por Israel, se transforme realmente em guerra declarada entre os países capitalistas ocidentais, que se identificam como cristãos, e os muçulmanos. Quem definiu a agressão como cruzada foi Bush, ao afirmar que Deus o havia convocado a matar Saddam. E conforme o livro clássico de Essad Bey, todos os movimentos no Oriente Médio, entre eles a ocupação judaica da Palestina, se fazem na busca da posse de seu petróleo. No passado, o saqueio se fazia em nome da “civilização” e, hoje, se faz também em nome da “modernidade”.

No fundo do regozijo, há sementes de medo. Esse medo é muito mais poderoso do que foi o saudita, de 54 anos e, segundo informações não desmentidas, a um tempo amigo e sócio dos Bush nos negócios de petróleo.
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Contraponto 5299 - "Produção de energia eólica deve deslanchar no Brasil"

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04/05/2011

Produção de energia eólica deve deslanchar no Brasil

Da Carta Capital - 04/05/2011

Gerson Freitas Jr 3 de maio de 2011 às 9:33h

A produção de energia eólica no Brasil dá sinais de que pode finalmente deslanchar. A crise nos mercados desenvolvidos colocou o País na mira dos fabricantes de aerogeradores, e a valorização do real barateou o custo dos investimentos. Mais do que isso, o governo parece comprometido a bancar a expansão desta fonte na matriz energética, o que agrada os ambientalistas.
O Brasil possui 44 parques eólicos em operação, todos construídos com incentivos do Programa de Infraestrutura (Proinfra). Apesar do grande potencial dos ventos que sopram por aqui, os turboélices geram apenas 0,5% da energia produzida no País. A expectativa é de que este cenário mude daqui para frente. Nos últimos dois anos, o governo federal contratou a construção de 141 novos empreendimentos, que serão entregues entre 2012 e 2013.

Ao todo, a capacidade instalada nos moinhos deverá saltar dos atuais 900 megawatts para 5,25 gigawatts. E a participação da energia eólica no sistema elétrico, de 0,5% para 4,3%. Apenas estes projetos vão demandar investimentos da ordem de 16 bilhões de reais, calcula Ricardo Simões, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

Os investimentos colocaram o País na mira das multinacionais do setor. Ao menos sete grandes empresas, entre elas a franco-suíça Alstom e a norte-americana GE, anunciaram investimentos no Brasil. O faturamento dessa indústria, inferior a 700 milhões de reais em 2010, deverá quadruplicar até 2014. “Embora o Proinfra tenha marcado o nascimento da indústria eólica no Brasil, a escala ainda era insuficiente para atrair os fabricantes de aerogeradores. Os leilões de 2009 e 2010, combinados com a estagnação dos mercados tradicionais, deram partida a uma expansão”, diz Simões.

Os investidores apostam que a energia eólica pode ter um papel relevante na expansão da oferta de energia nos próximos anos. De acordo com o Plano Decenal (2010-2019) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil deverá aumentar em 63,4 gigawatts a capacidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). Deste montante, 14,6 gigas deverão ser produzidos a partir das chamadas fontes alternativas: pequenas hidrelétricas, termelétricas a base de biomassa e usinas eólicas. Com isso, sua participação deverá dobrar, de 7% para 14%.

A previsão é de que os moinhos de vento respondam por algo próximo a 5,3 gigas, mais do que as pequenas hidrelétricas (2,7 gigas) e praticamente o mesmo que as usinas de biomassa (5,4 gigas). Ainda é pouco, se levado em conta que o aumento na capacidade de energia proveniente das termelétricas movidas a óleo, gás natural e carvão, fontes fósseis e poluentes, deverá ultrapassar a marca dos 12,1 gigawatts.

O problema, explicam os especialistas, é que ainda pairam dúvidas sobre a confiabilidade da energia eólica. Os moinhos dependem da intensidade dos ventos e, por isso, estão sujeitos às variações climáticas. Desde 2006, os parques eólicos entregaram apenas 79% da energia com a qual se comprometeram nos leilões, segundo a Aneel. Os melhores resultados foram obtidos em 2007 e 2008, quando alcançaram 93% e 94% da produção esperada. Mas não entregaram mais que 78%, em 2009, e 80% no ano passado.
Maurício Tolmasquim, presidente da EPE, questiona o dado. Segundo ele, a produção média das 26 usinas que operam há ao menos um ano superou o volume previsto nos contratos de licitação. “Além disso, no Brasil, a energia eólica complementa a hidráulica, pois os ventos são mais fortes nos períodos mais secos”, afirma.

Simões acredita que as previsões da EPE serão revistas para cima nos próximos anos. “Em apenas 10 meses, o governo contratou 3,9 gigas de energia eólica, mais de 70% do que é esperado até o fim da década”, justifica. O setor quer que o governo realize um leilão exclusivo de energia eólica de ao menos 2 gigas ao ano até 2020, garantindo às fazendas de vento ao menos 10% de toda a capacidade de geração do País ao fim da década. “É um passo fundamental para que as indústrias que estão vindo para cá se consolidem.”

De acordo com o presidente da Abeeólica, os leilões propostos assegurariam um investimento anual da ordem de 8 bilhões de reais. Tolmasquim não descarta a possibilidade. “Estamos entrando em um círculo virtuoso: quanto mais leilões são realizados, mais escala os fabricantes ganham e mais os preços caem, o que nos possibilita contratar mais energia.”

Outra demanda do setor privado é a criação de um centro de pesquisa e tecnologia, bem como de um campo de testes para aerogeradores. “Embora seja conhecida há muito tempo, a energia eólica ainda é infante. Trata-se de uma indústria que, tudo leva a crer, ainda dará um salto tecnológico nos próximos anos.” Simões afirma que o modelo, tanto do centro de pesquisa quanto do campo de testes, ainda está sendo discutindo dentro do setor, que pretende levar a proposta ao governo nos próximos meses.
De todo modo, os moinhos têm se mostrado competitivos. Os projetos eólicos foram os grandes vencedores do último leilão de fontes alternativas do governo federal. Dos 2,8 gigawatts de capacidade contratada em agosto de 2010, 2 gigas virão das turboélices, ao preço médio de 130,86 reais por megawatt/hora. O preço médio nos contratos arrematados pelas usinas de biomassa foi de 144,20 reais. Tolmasquim lembra ainda que o preço da energia eólica contratada caiu 18% entre os leilões exclusivos de dezembro de 2009 e agosto do ano passado, de 148,53 para 122,69 reais por megawatt/hora.

“Entre os novos mercados para energia eólica, o Brasil é, sem dúvida, o mais promissor”, afirma Steve Sawyer, secretário geral do Global Wind Energy Council (Gwec). Segundo ele, os investimentos no País podem extrapolar a marca dos 20 bilhões de dólares (34 bilhões de reais) até o fim da década. “As empresas do setor olham o Brasil há muito tempo, pois é o lugar lógico. É um país grande e em rápido crescimento, tem uma forte base industrial, enorme potencial eólico e compromisso com a energia limpa.” Sawyer afirma que o governo brasileiro nunca teve uma posição firme em relação à energia eólica, mas observa uma mudança de postura nos últimos dois anos.

Os leilões de energia eólica promovidos pelo governo federal em 2009 e 2010 aconteceram bem no momento em que as grandes fabricantes do setor viram Europa e Estados Unidos, seus mercados tradicionais, se retrair em função da crise financeira. No ano passado, o acréscimo na capacidade de geração dos parques eólicos em todo o mundo foi 7% menor do que o verificado no ano anterior, de acordo com dados da Gwec. No entanto, o ritmo de crescimento atual é dez vezes maior do que o observado ao fim da década de 90. A capacidade total instalada no mundo, que era de 17,4 gigas no ano 2000, alcançou 194,4 gigas em 2010.

A China, geralmente associada à grande queima de combustíveis fósseis, é a principal responsável pela rápida expansão dos parques eólicos nos últimos anos. Responde por um quinto de toda a energia gerada por moinhos de vento no mundo está no gigante asiático, o que coloca os asiáticos no topo da lista dos maiores produtores, à frente dos Estados Unidos e da Alemanha. Só em 2010, os chineses inauguraram 16,5 gigas em capacidade de geração, quase metade de todo o crescimento mundial. É mais do que o Brasil pretende fazer em uma década.

Gerson Freitas Jr.

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Contraponto 5298 - "Grupo de extrema-direita ameaça Dilma de morte"

Do Blog Cidadania - 04/05/2011


Eduardo Guimarães

Reproduzo e-mail que recebi do leitor F. O. contendo denúncia gravíssima.

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Eduardo,

encaminho e-mail que acabei de receber de um grupo denominado “Guararapes” (formado por militares). Está espalhando na internet. Achei grave. Em minha opinião, há uma ameaça expressa de morte a Dilma.

Talvez seja o caso de encaminhá-lo ao Ministério Público Federal ou à Polícia Federal. Afinal, trata-se de um e-mail enviado por uma associação registrada em cartório, conforme você verá a seguir.

F. O.

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O BURACO É GRANDE.

Doc. nº 43- 2011

WWW.FORTALWEB.COM.BR/GRUPOGUARARAPES

Estamos começando o ano e o governo tapando os buracos deixados pelo o irresponsável que saiu. Tal é o ROMBO que o aumento do salário mínimo foi uma guerra. Ficou em R$545,00 e pronto; e quem foi contra pode ser expulso pelo “DEMOCRATA” PT.

O irresponsável continua a querer fazer comício pelo Brasil e mundo afora. Quer cobrar 200 mil por palestra. Quem vai sair de casa para ouvir analfabeto dizer que é Deus, só se for maluco, ou tolo enganado.

Não adianta querer cobrir o sol com a peneira. Em janeiro de 2003 a dívida total Brasileira (interna mais externa) era de 1 trilhão cento e 3 bilhões e em dezembro de 2010 de 2 trilhões trezentos e oitenta e oito milhões de reais, representando um aumento nominal de 98,31%. No período, gastou-se com o serviço da dívida a importância de R$1.665,2 bilhões.(Ricardo Bergamini)

A dívida externa que se tinha anunciado extinta – mas à custa da interna -, voltou a subir e já ultrapassa a casa dos 200 bilhões de dólares. A inflação torna-se uma preocupação e já chegou a cerca de 6%. Planejam-se os cortes possíveis, com prejuízo do resto. O BURACO DO DÉFICIT DO INSS CHEGOU A R$44,3 BILHÕES. O orçamento de 2010, para fechar, teve que passar uma importância acima de 72,4 bilhões de restos a pagar.

A grande maravilha de tudo isso é que o governo atual, responsavelmente, até, procura cortar despesas e determina um contingenciamento de R$50 bilhões e não deixa subir demais o salário mínimo para não aumentar a falência do maior número de municípios brasileiros, e da própria economia. Diz o IPEA: “em 2005 23,1% da população mais pobre estava desempregada e em 2010 passou para 33,3%, já na população mais rica o desemprego diminuiu 57,1%”. FOLHA DE SÃO PAULO de 20 – fev- 2011. E agora José o que dizer?

É de ficar com cabelo arrepiado quando se somam: serviço da dívida, déficit da Previdência, restos a pagar e todo mundo querendo ser empregado do governo. Sabe-se que o governo passado aumentou as despesas com pessoal irresponsavelmente, dando emprego a rodo, protegendo sobretudo a petralha ou com a intenção de compra de votos.

O GOVERNO ATUAL se encontra num beco sem saída. Se corre o bicho pega e se ficar a cobra morde. E agora José? Estamos precisando de coragem e de um estadista para salvar o Brasil. Os demagogos e ladrões estão de boca aberta, querendo engolir o maior pedaço do que resta do bolo.

Ricardo Bergamini nos informa o seguinte: De janeiro de 2003 até dezembro de 2010, apenas com Serviço da Dívida – R$ 1.665,2 bilhões (8,12% do PIB); Transferências Constitucionais e Voluntárias para Estados e Municípios – R$ 1.104,5 bilhões (5,39% do PIB); Previdência INSS – R$ 1.377,7 bilhões com 23,9 milhões de beneficiários (6,72% do PIB) e Custo Total com Pessoal da União – Civis e Militares – Ativos, Aposentados e Pensionistas – R$ 999,3 bilhões com 2.208.596 de beneficiários (4,87% do PIB) totalizando R$ 5.146,7 bilhões (25,11% do PIB), comprometeram-se 90,23% das Receitas Totais (Correntes e de Capitais) no período, no valor de R$5.704,0 bilhões (27,82% do PIB)

A PRESIDENTE OU APERTA OU O BICHO COME. A GUERRA COMEÇOU AGORA. PENSANDO NO BRASIL, SÃO MUITO POUCOS. SE ABRIR O COFRE PARA GANHAR VOTO NO CONGRESSO, MORRE.

VAMOS REPASSAR! A INTERNET É A NOSSA ARMA!

ESTAMOS VIVOS! GRUPO GUARARAPES! PERSONALIDADE JURÍDICA sob reg. Nº12 58 93. Cartório do 1º registro de títulos e documentos, em Fortaleza . Somos 1.780 civis – 49 da Marinha - 474 do Exército – 51 da Aeronáutica; 2.354. In Memoriam 30 militares e dois civis.

Batistapinheiro30@yahoo.com.br.

www.fortalweb.com.br/grupoguararapes

30 . ABR. 2011.

INDIQUE AMIGOS QUE QUEIRAM RECEBER NOSSOS E-MAILS. OBRIGADO,
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Contraponto 5297 - Michel Moore e presidentes americanos



“Depois de dez anos, duas guerras, 919.967 mortes e 1,188 trilhão de dólares, conseguimos matar uma pessoa.”

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Como seguro, se os maiores terrorista do mundo são os presidentes americanos?!


E esses continuam livres, leves e soltos?


Obama diz que mundo ficou mais seguro, mas faz alerta geral contra represália do terror.


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Contraponto 5296 - " Frases da Carta Maior"

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04/05/2011

Frases da Carta Maior

PARA ONDE VAI O BRASIL MENOS

DESIGUAL DE TODA A SUA HISTÓRIA?

Ao final do ciclo Lula , o Brasil atingiu a menor taxa de desigualdade de sua história. Todos os segmentos de renda e todas as regiões nacionais ganharam nos oito anos de governo petista: mas os pobres ganharam mais. Quem diz é a FGV, num estudo divulgado nesta 3º feira. Fatos: a) a pobreza brasileira diminuiu em 50,64% entre dezembro de 2002 e dezembro de 2010; b) entre os 20% mais ricos da população, a renda obtida de todas as fontes cresceu 8,8% e a escolaridade, 8,12%.; b) já entre os 20% mais pobres, os saltos foram, respectivamente, de 49,52% e 55,59%; c) o estado mais pobre do país, o Maranhão, teve ganho de 46% na renda; d) São Paulo -o mais rico, 7,2%; e) o Nordeste registrou um ganho de 42%; o Sudeste rico, 16%. Não, não nasceu uma nova ‘classe', mas os oprimidos de sempre começaram a ter acessos a direitos mínimos. O que resultará desse movimento inconcluso? Nenhuma sociologia estatística pode confinar em números os desdobramentos subjetivos de um processo dessa abrangência, mais tangível na esfera do consumo, mas dificilmente limitado a ela. Que tendências predominarão no espectro político desses protagonistas, depende da capacidade dos partidos e movimentos sociais captarem seus anseios, transformando-os em respostas historicamente convincentes e consequentes. A história se faz a partir das circunstancias, mas estas envolvem escolhas. A ver.

(Carta Maior; 4º feira, 04/05/ 2011)
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Contraponto 5295 - "Alô, alô STJ ! Carta começa a divulgar acervo de Dantas"

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04/05/2011

Alô, alô STJ ! Carta começa
a divulgar acervo de Dantas

A Carta Capital sabe

Amigo navegante envia para o Conversa Afiada o precioso arquivo que Carta Capital coloca no ar com toda a carreira gloriosa do passador de bola apanhado no ato de passar bola.


Por enquanto, a Carta expõe as operações de Dantas entre novembro de 2000 e março de 2005.

Clique aqui para ler “No Brasil passa a ser terminantemente proibido prender criminoso do colarinho branco, segundo artigo do corajoso Juiz Fausto De Sanctis”.

Clique aqui para ver que o “STJ já tinha decidido, por causa da operação Castelo de Areia, que rico não pode, sequer, ser investigado !”.

Depois, a Carta vai publica o resto, porque a obra do supracitado é imensa.

http://www.cartacapital.com.br/politica/o-acervo-de-cartacapital-sobre-daniel-dantas-e-o-caso-opportunity

O acervo de CartaCapital sobre Daniel Dantas e o caso Opportunity


Dossiê Dantas


Leia todas as matérias produzidas por CartaCapital sobre o banqueiro Daniel Dantas e o caso Opportunity. Aqui, o arquivo de novembro de 2000 a março de 2005


O acervo de CartaCapital sobre as estripulias e falcatruas do banqueiro Daniel Dantas ao longo de 12 anos.


1. O caribe é aqui (8/11/2000)

2. Derrota nas Ilhas Cayman (11/04/2001)

3. Dinheiro e ódio, a ciranda (4/07/2001)

4. A PREVI na sinuca (23/04/2003)

5. A lista oculta de Cayman (8/09/2004)

6. O dia do chacal (3/11/2004)

7. Fecha-se o cerco (10/11/2004)

8. As correntes do Opportunity (09/02/2005)

9. Daniel Dantas e seu banco – parte 1 (23/02/2005)

10. Daniel Dantas e seu banco – parte 2 (23/02/2005)

11. “DD, CC e a quadrilha” (23/02/2005)

12. Todos contra um (16/03/2005)


Dossiê Dantas


O acervo de CartaCapital sobre as estripulias e falcatruas do banqueiro Daniel Dantas ao longo de 12 anos

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Contraponto 5294 - Charge on line do Bessinha

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04/05/2011
Charge on line do Bessinha (363)

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terça-feira, 3 de maio de 2011

Contraponto 5293 - "Os 'rapazes' já podem voltar pra casa?"

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03/05/2011
Obama X Osama
Os “rapazes” já podem voltar pra casa?

Tropas dos EUA, no momento em que
defendiam os valores ocidentais


Do Escrivinhador publicada terça-feira, 03/05/2011 às 15:24 e atualizada terça-feira, 03/05/2011 às 17:03

Por Rodrigo Vianna

Uma das bandeiras de campanha de Obama foi dizer que a invasão do Iraque tinha sido um erro grosseiro da gestão Bush. Iraque não tinha nada que ver com Bin Laden e Al-Qaeda, afirmava o Obama candidato. E estava certo. Ele prometeu retirar as tropas do Iraque (até hoje não retirou, só reduziu o contingente) e concentrar a guerra no Afeganistão, onde estariam Bin Laden e seus apoiadores da Al-Qaeda.

Obama errou por algumas centenas de quilômetros. Bin Laden estava “escondido” numa cidade paquistanesa, num bairro próximo da Academia Militar do Exército daquele país, numa região onde vivem centenas de militares. Seria como se o inimigo público número um, no Brasil, vivesse em Deodoro – ali perto da Vila Militar no Rio.

Mas sejamos justos: Obama estava certo no diagnóstico. O correto, do ponto de vista dos EUA, era centrar esforços onde havia chance de Bin Laden estar. Só podia ser no Afeganistão (onde de fato o terrorista se escondia, antes de escapulir para o Paquistão). Ou no vizinho Paquistão.

A questão é: o que os Estados Unidos farão agora com suas tropas no Afeganistão e Iraque? Morto o inimigo número 1, os “rapazes” podem voltar à pátria depois de deixar pelo Oriente Médio um rastro de bombas, invasões de domicílios, prisões de Abu-Ghraib com torturas medievais, além de outros exemplos edificantes da defesa dos “valores ocidentais”?

Ou seria melhor deslocar parte dos “rapazes” para Líbia, Iêmen, Argélia – onde os “valores ocidentais” também precisam ser defendidos?

Onde houver petróleo, há valores ocidentais a defender. Por isso, a resposta parece evidente.

Tão evidente como o fato de Bin Laden ter sido eliminado (?!) quando já não estava no auge. Hoje, Bin Laden era apenas um “peão” nas disputas internas para decidir quem comandará o Islã. É o que você pode ler nessa análise publicada pelo Asia Times Online, com tradução do coletivo Vila Vudu.

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Contraponto 5292 - "Temos ainda 16,27 milhões para tirar da miséria. E já!"

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03/05/2011


Temos ainda 16,27 milhões para tirar da miséria. E já!

Do Tijolaço - 03/05/2011


“A pobreza extrema ainda atinge quase um brasileiro a cada dez, portanto será necessário um esforço muito grande para acabar com uma das piores mazelas que acumulamos ao longo dos anos”. A frase, do presidente do Ipea, Márcio Pochmann, define o desafio que o Governo Dilma tem pela frente em seu compromisso de erradicar a miséria no Brasil e que foi quantificado hoje, com, a apresentação dos dados do IBGE sobre o número de pessoas que vivem abaixo do que foi estabelecido como “linha da miséria”: renda individual de menos de 70 reais mensais.

Eu chamaria de “linha da indigência”, mas não posso deixar de reconhecer que só a disposição de tirar estes milhões de homens e mulheres desta situação será mais que um grande e necessário feito para o país. Será, antes, um dever.

Você pode ver aí no gráfico que grande parte (59%) dos nossos irmãos nesta condição de abandono são do Nordeste. E 70% das pessoas deste contingente são pardas ou pretas. Metade tem até 19 anos e, entre estas, as crianças são a maioria.

E pensar que tem gente tão má e desumana que fala em “conter o crescimento econômico” diante da necessidade de dar a estas pessoas um patamar humano de existência.
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