terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Contraponto 7148 - "O que a "Privataria" revela de novo

Eduardo Guimarães

A partir do momento em que o PSDB e a (sua) imprensa descerraram a cortina de silêncio absoluto que num primeiro momento interpuseram entre o livro A Privataria Tucana e a parcela do distinto público que ainda não descobriu a blogosfera, surgiu uma tese curiosa: a obra conteria apenas denúncias “requentadas” por já terem sido publicadas por essa mesma imprensa, tese que ironicamente reconhece que o que já foi publicado sobre o caso não teria consistência, já que não teria produzido consequências àqueles que o livro acusa.

A tese tucana, compartilhada por Globo, Folha de São Paulo, Estadão, Veja e seus tentáculos espraiados pelos quatro cantos da nação também foi aproveitada – ou reaproveitada, como se verá adiante – por uma das personagens mais freqüentes no livro da Privataria: Verônica Serra, filha do ex-tudo José Serra. No apagar das luzes de 2011, essa senhora divulgaria, através do site do ex-secretário-geral da Presidência do governo Fernando Henrique Cardoso Eduardo Graeff, desmentido que já fora divulgado outras vezes, mas que seria a primeira manifestação de Verônica após a publicação do livro.

A dar crédito à nota da filha de Serra, o leitor da grande imprensa (tucana) fica perdido. Como é possível que alguém escreva um livro com acusações tão graves sendo elas tão flagrantemente falsas quanto faz crer a nota de Verônica? O jornalista Amaury Ribeiro Jr. teria que ser um lunático, um suicida, pois é abissal o descompasso entre o que ele diz e o que diz a filha do tucano e os veículos de comunicação aliados a ele.

Vamos rever, então, a explicação única que Verônica Serra vem usando tanto que, como se poderá constatar em seguida – na reprodução do “outro lado” que a imprensa ocultou –, o jornalista Amaury Ribeiro acabou prevendo em seu livro.

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Nota de Verônica Serra à imprensa

27 de dezembro de 2011

“Nos últimos dias, têm sido publicadas e republicadas, na imprensa escrita e eletrônica, insinuações e acusações totalmente falsas a meu respeito. São notícias plantadas desde 2002 — ano em que meu pai foi candidato a presidente pela primeira vez — e repetidas em todas as campanhas posteriores, não obstantes os esclarecimentos prestados a cada oportunidade. Basta lembrar que, em 2010, fui vítima de quebra ilegal de sigilo fiscal, tendo seus autores sido indiciados pela Polícia Federal. E, agora, uma organizada e fartamente financiada rede de difamação dedicou-se a propalar infâmias intensamente através de um livro e pela internet. Para atingir meu pai, buscam atacar a sua família com mentiras e torpezas.

1. Quais são os fatos?

- Nunca estive envolvida nem remotamente com qualquer tipo de movimentação ilegal de recursos.

- Nunca fui ré em processo nem indiciada pela Polícia Federal; fui, isto sim, vítima dos crimes de pessoas hoje indiciadas.

- Jamais intermediei nenhum negócio entre empresa privada e setor público no Brasil ou em qualquer parte do mundo.

- Não fui sócia de Verônica Dantas, apenas integramos o mesmo conselho de administração.

Faço uma breve reconstituição desses fatos, comprováveis por farta documentação.

2. No período entre Setembro de 1998 e Março de 2001, trabalhei em um fundo chamado International Real Returns (IRR) e atuava como sua representante no Brasil. Minha atuação no IRR restringia-se à de representante do Fundo em seus investimentos. Em nenhum momento fui sua sócia ou acionista. Há provas.

3. Esse fundo, de forma absolutamente regular e dentro de seu escopo de atuação, realizou um investimento na empresa de tecnologia Decidir. Como conseqüência desse investimento, o IRR passou a deter uma participação minoritária na empresa.

4. A Decidir era uma empresa “ponto.com”, provedora de três serviços: (I) checagem de crédito; (II) verificação de identidade e (III) processamento de assinaturas eletrônicas. A empresa foi fundada na Argentina, tinha sede em Buenos Aires, onde, aliás, se encontrava sua área de desenvolvimento e tecnologia. No fim da década de 90, passou a operar no Brasil, no Chile e no México, criando também uma subsidiária em Miami, com a intenção de operar no mercado norte-americano.

5. Era uma empresa real, com funcionários, faturamento, clientes e potencial de expansão. Ao contrário do que afirmam detratores levianos, sem provar nada, a Decidir não era uma empresa de fachada para operar negócios escusos. Todas e quaisquer transações relacionadas aos aportes de investimento eram registradas nos órgãos competentes.

6. Em conseqüência do investimento feito pelo IRR na Decidir, passei a integrar o seu Conselho de Administração (ou, na língua inglesa, “Board of Directors”), representando o fundo para o qual trabalhava.

7. À época do primeiro investimento feito pelo IRR na Decidir, o fundo de investimento Citibank Venture Capital (CVC) – administrado, no âmbito da América Latina, desde Nova Iorque – liderou a operação.

8. Como o CVC tinha uma parceria com o Opportunity para realizar investimentos no Brasil, convidou-o a co-investir na Decidir, cedendo uma parte menor de seu aporte. Na mesma operação de capitalização da Decidir, investiram grandes e experientes fundos internacionais, dentre os quais se destacaram o HSBC, GE Capital e Cima Investments.

9. Nessa época, da mesma forma como eu fui indicada para representar o IRR no Conselho de Administração da Decidir, a Sra. Veronica Dantas foi indicada para participar desse mesmo conselho pelo Fundo Opportunity. Éramos duas conselheiras (e não sócias), representando fundos distintos, sem relação entre si anterior ou posterior a esta posição no conselho da empresa.

10. O fato acima, no entanto, serviu de pretexto para a afirmação (feita pela primeira vez em 2002) de que eu fui sócia de Verônica Dantas e, numa ilação maldosa, de que estive ligada às atividades do empresário Daniel Dantas no processo de privatização do setor de telecomunicações no Brasil. Em 1998, quando houve a privatização, eu morava há quatro anos nos Estados Unidos, onde estudei em Harvard e trabalhei em Nova York numa empresa americana que não tinha nenhum negócio no Brasil, muito menos com a privatização.

11. Participar de um mesmo Conselho de Administração, representando terceiros, o que é comum no mundo dos negócios, não caracteriza sociedade. Não fundamos empresa juntas, nem chegamos a nos conhecer, pois o Opportunity destacava um de seus funcionários para acompanhar as reuniões do conselho da Decidir, realizadas sempre em Buenos Aires.

12. Outra mentira grotesca sustenta que fui indiciada pela Polícia Federal em processo que investiga eventuais quebras de sigilo. Não fui ré nem indiciada. Nunca fui ouvida, como pode comprovar a própria Polícia Federal. Certidão sobre tal processo, da Terceira Vara Criminal de São Paulo, de 23/12/2011, atesta que “Verônica Serra não prestou declarações em sede policial, não foi indiciada nos referidos autos, tampouco houve oferecimento de denúncia em relação à mesma.”

13. Minhas ligações com a Decidir terminaram formalmente em Julho de 2001, pouco após deixar o IRR, fundo para o qual trabalhava. Isso ressalta a profunda má fé das alegações de um envolvimento meu com operações financeiras da Decidir realizadas em 2006. Essas operações de 2006 – cinco anos após minha saída da empresa – são mostradas num fac-símile publicado pelos detratores, como se eu ainda estivesse na empresa. Não foi mostrado (pois não existe) nenhum documento que comprove qualquer participação minha naquelas operações. Os que pretendem atacar minha honra confiam em que seus eventuais leitores não examinem fac-símiles que publicam, nem confiram datas e verifiquem que nomes são citados.

14. Mentem, também, ao insinuar que eu intermediei negócios da Decidir com governos no Brasil. Enquanto eu estive na Decidir, a empresa jamais participou de nenhuma licitação”.

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Dos dezesseis capítulos de A Privataria Tucana, dois deles servem ao propósito de mostrar que a estratégia de Serra e de seu entorno familiar é a de apostar no estrangulamento do contraditório ao menos na imprensa, porém visando a que a censura jornalística acabe produzindo o abandono do caso pelo Poder Judiciário.

A você que, ao ter descoberto a blogosfera, não está mais preso ao instituto da informação controlada por injunções políticas que a dita “grande” imprensa oferece ao seu domesticado público cativo, este blog oferece trechos dos capítulos 9 e 13 de “Privataria”, os quais demonstrarão que quem quer realmente se manter informado, hoje em dia, não pode mais se limitar aos meios de comunicação tradicionais.

O trecho do capítulo 9 do livro em que a tese de que suas denúncias seriam “requentadas” é literalmente moída começa no terceiro parágrafo de sua página 185, apesar de o capítulo ter início na página 181. A essa altura, o autor pergunta:

– E o que este livro tem de novo a acrescentar sobre a Decidir?

E o próprio autor responde:

– Documentos, é claro, obtidos de forma lícita, que esclarecem de vez a saga da sociedade entre as Verônicas – a Serra e a Dantas, sendo esta a irmã do banqueiro Daniel Dantas.

E Amaury prossegue:

– Os papeis comprovam que Verônica [Serra] mentiu várias vezes em sua nota [o jornalista parece adivinhar, enquanto escrevia o livro, a nota de Verônica que seria publicada semanas após sua publicação]. A empresa não fechou as portas, Verônica não deixou a empresa e o dinheiro do Opportunity e do Citibank aplicado na firma também nunca esteve na Argentina. Após cancelar seu registro de funcionamento no departamento de Comércio da Flórida em 2001, a Decidir passa a ter outro endereço (…), as Ilhas Virgens Britânicas, é claro. (…) A decidir é transformada em offshore e rebatizada como Decidir International Limited.

E Amaury segue questionando:

Qual é a função da offshore Decidir? Internar dinheiro. Onde? Na empresa Decidir do Brasil, que funciona no escritório da filha do ex-governador, localizado na rua Renato Paes de Barros, no bairro Itaim Bibi, em São Paulo (SP).

Neste ponto, uma informação que a filha de Serra jamais explicou em suas reiteradas notas:

Documento da Junta Comercial de São Paulo revela como a empresa [a Decidir das Ilhas Virgens, da qual Verônica é sócia] injeta de uma vez R$ 10 milhões, em 2006, na Decidir do Brasil [com a qual a filha de Serra diz não ter vínculos, apesar de ter recebido a dinheirama da empresa que ela tem no Caribe, e de funcionar em seu escritório em São Paulo], que muda de nome para Decidir Brasil.com.br (…) E além de funcionar no escritório de Verônica Serra (…), a Decidir brasileira tem como vice-presidente a própria filha do ex-governador.

Como se não bastasse, Amaury faz uma afirmação que, se fosse falsa, provaria que ele não está em seu juízo perfeito. Contra a afirmação de Verônica Serra de que jamais foi indiciada criminalmente, o jornalista conta uma história diferente:

– Verônica Serra foi indiciada pela Polícia Federal já no remoto ano de 2003 e é ré em processo que corre na 3ª Vara Criminal de São Paulo. Qual a acusação? Justamente a de ter praticado um crime da mesma natureza [da qual o próprio Amaury é acusado: de quebra de sigilo]. Consta do processo 370-36-2003.401.6181 (numeração atual), no qual Verônica e outros dirigentes da empresa Decidir do Brasil são apontados como autores da violação de segredo bancário.

Quem não acreditar no que leu pode investir a bagatela de três dezenas de reais e adquirir o livro A Privataria Tucana. Os documentos que contém, devidamente autenticados, foram extraídos de juntas comerciais e cartórios no Brasil e no exterior. Comprovam cada afirmação acima. Só não vou reproduzi-los aqui porque o autor tem que ser remunerado pelo serviço prestado ao país ao menos vendendo o seu livro. Afinal de contas, pirataria é com uma outra turma…

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Contraponto 7147 - "Renato Casagrande quer mudanças na lei Kandir em 2012"

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03/01/2012

Renato Casagrande quer mudanças na lei Kandir em 2012


Joaquim Silvério dos Reis, FHC e Aécio Neves


"Obra prima" do pensamento tucano colonizado, a Lei Kandir incentiva a exportação de matérias primas, em vez de produtos industrializados, quando isentou os produtos primários de ICMS na exportação.

Vá lá que quando o Brasil estava quebrado, era tarde demais, e não tinha escolha. Tinha que exportar qualquer coisa de qualquer jeito. O próprio FHC no fim de seu mandato, após acumular sucessivos déficits na balança comercial, disse que o momento era de "exportar ou morrer".

O problema é que a lei Kandir foi feita em 1996, e o Brasil ainda tinha escolha. Mas FHC fez a escolha errada: preferiu manter o populismo cambial do Plano Real para comprar a reeleição, quebrando o Brasil.

Para piorar, a lei foi um presentão doado na privataria da Vale (confira aqui).

Agora a situação do Brasil é outra, e o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), já vem conversando com governadores para articular mudanças na Lei Kandir, que desonera os grandes exportadores de matéria prima do recolhimento de ICMS para o Estado.

Os estados do Pará e Minas Gerais, são outros grandes perdedores de receita. E são governados por tucanos, inclusive na época em que a lei foi aprovada, com a traição de Eduardo Azeredo e Aécio Neves a seu próprio povo. (com informações do Século Diário)

Leia também:
- Balança comercial tem superávit de US$ 30 bi... É hora de rever a lei Kandir
- Aécio e tucanos mineiros receberam R$ 7,25 milhões da Vale e do Bradesco, de Roger Agnelli.
- Vale envolvida em corrupção tucana no governo Aécio: grilagem de terras públicas com jazidas de ferro
- Aécio Neves repete Joaquim Silvério dos Reis, ao defender a derrama da Vale nos royalties de Minas.

Contraponto 7146 - Graziano: fome na África será prioridade da FAO

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03/01/2012


Em sua primeira entrevista, Graziano diz que fome na África será prioridade da FAO

Carta Maior - 03/01/2012


Ao falar à imprensa internacional pela primeira vez após assumir o cargo de diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva disse que os preços dos alimentos continuarão voláteis em 2012, elogiou os programas de transferência de renda na América Latina e prometeu priorizar a África em seu mandato.

Marcel Gomes

São Paulo – Apesar dos sinais de que a crise financeira internacional não dará trégua em 2012, o número de famintos no mundo, próximo a um bilhão, não sofrerá grande incremento. Uma das razões são os programas de transferência de renda em países da América Latina, que já beneficiam 120 milhões de pessoas e têm mitigado as turbulências econômicas. Na África, porém, o drama da fome pode piorar, sobretudo em sua área setentrional.

Por conta disso, José Graziano da Silva, novo diretor-geral da FAO, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, promete priorizar o continente africano em seu início de mandato, que vai até 2015. “A FAO é necessária para os países mais pobres, que não têm capacidade de lidar com esses desafios por si mesmos”, disse o brasileiro, que concedeu sua primeira entrevista coletiva no cargo, nesta terça-feira (3), na sede da organização, em Roma.

Com a experiência de quem conduziu o escritório da FAO na América Latina por quase seis anos, Graziano quer testar na África um novo modelo de atuação da entidade, em que os programas regulares e os de emergência terão atuação integrada. Além disso, promete colocar seus técnicos para auxiliar os governos nacionais a captarem recursos adicionais de outras fontes, porque em muitos casos “eles sequer têm condições de ir aos doadores e apresentar projetos”.

Ao longo de 2012, o novo diretor-geral acredita que os preços das commodities agropecuárias continuarão voláteis, sobretudo porque os estoques mundiais permanecerão baixos. Além da crise financeira, que limita os investimentos para aumento de produção, ele explica que grandes produtores mundiais de cereais foram atingidos por inundações e outros desastres naturais, o que prejudica a atual colheita e desestimula a ampliação das áreas de plantio para o próximo período.

Outro projeto da FAO com foco na África será a criação de regras que permitam aos governos nacionais ao menos monitorarem o mercado de terras em seus países. Nos últimos anos, empresas estrangeiras têm comprado – ou mesmo grilado – largas extensões de terra no continente africano. Segundo Graziano, isso preocupa a FAO por três razões:

- muitos governos nacionais não exigem que haja registros sobre compra e venda de propriedades, o que não permite que eles tenham sequer estatísticas confiáveis sobre terras;

- empresas estrangeiras têm comprado áreas comunais de comunidades e tribos, gerando migração de grandes grupos para a periferia das cidades;

- as empresas compram terras como reserva de valor ou para produzirem commodities destinadas à exportação, o que não contribui para a segurança alimentar local.

A adoção pelos países de regras sobre a posse de terra será voluntária, uma vez que a FAO não tem poder para regular questões desse tipo internamente entre seus membros. “Será uma referência para aqueles que tenham vontade de se defender caso sintam-se ameaçados por esse processo”, explicou.

Consumo sustentável
Questionado por jornalistas, Graziano disse que manterá a FAO como uma organização voltada para a pesquisa e a assessoria técnica, mas sem tirar “os pés do campo”. Ele lembrou que um dos motes de sua campanha a diretor-geral, quando venceu um ex-ministro espanhol, em junho de 2011, diz respeito ao incentivo ao consumo sustentável. “Precisamos mudar não apenas o padrão de produção, que é mais visível ao impactar sobre o meio ambiente, mas também o padrão de consumo”, afirmou.

Na opinião dele, o problema do desperdício não seria exclusividade de poucos países e pode ser encontrado da colheita ao consumidor final. Para exemplificar a questão, lembrou-se de sua passagem pelo Chile, onde fica o escritório regional da FAO para a América Latina. “Vocês sabem que é um hábito do brasileiro comer feijoada aos sábados, junto com caipirinha”, disse aos jornalistas.

“Mas no Chile não havia todos os ingredientes disponíveis, como o caso da couve. A verdura que mais era parecida eram as folhas da couve-flor. Eu ia ao varejão cedo e pedia essas folhas, até um dia em que a senhora ficou com pena de mim e me presenteou com uma couve-flor inteira”, recordou o brasileiro, afirmando que as folhas da couve-flor costumam ser descartadas, mas podem representar ¾ do produto. Valorizar produtos locais, aliás, é uma das soluções propostas por Graziano para mitigar os efeitos da volatilidade das commodities.

Durante a entrevista, o diretor-geral também falou sobre a pressão dos agrocombustíveis sobre o preço dos alimentos. Para ele, esse efeito será menor em 2012, a ponto de os agrocombustíveis “deixarem de ser o vilão da história”. Ele justificou essa versão apontando a queda de subsídios ao etanol nos Estados Unidos e o atraso na adoção de metas de uso do produto na Europa, o que reduz a demanda por matéria-prima.

No entanto, Graziano defendeu que é preciso aumentar os estoques de milho no mundo – segundo ele, um item estratégico como o petróleo. “É um insumo básico que afeta preços de carnes, lácteos e de muitos alimentos processados”, explicou. Nos Estados Unidos, por exemplo, o milho é usado na fabricação de etanol. No final de janeiro, o diretor-geral participará no Fórum Social Temático de Porto Alegre, quando espera dar impulso à sua nova política para a FAO, que prevê maior abertura à entidades da sociedade civil, como ONGs e movimentos sociais.


Leia mais
O desafio de Graziano: 925 milhões de famintos no mundo

Fotos: FAO.

Contraponto 7145 - Fortaleza: Comércio em ruas do centro da cidade parou na manhã desta terça.

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03/01/2012

Comércio em ruas do centro da cidade parou na manhã desta terça.

Paralisação de PMs está no 5º dia; Força Nacional policia rua

Do G1 CE - 03/01/2012 13h55 - Atualizado em 03/01/2012 14h19

Diana Vasconcelos Do G1 CE


Muitas lojas da Av. Gomes de Matos fecharam as portas na manhã desta terça-feira (3) (Foto: Gisleine Carneiro/TV Verdes Mares)
Muitas lojas da Avenida Gomes de Matos fecharam as portas na manhã desta terça-feira (3). (Foto: Gisleine Carneiro/TV Verdes Mares)


Comerciantes e shoppings da cidade fecharam as portas dos estabelecimentos ou reforçaram a segurança particular com receio de assaltos, em meio à paralisação dos PMs do Ceará, na manhã desta terça-feira (3). Por volta das 9 h da manhã, lojas de pequeno ou grande portes das principais ruas do Centro da cidade, como Floriano Peixoto e Major Facundo, estavam fechadas, segundo constatou a reportagem da TV Verdes Mares.


Aviso na agência de Correios da rua Maria Tomasia diz: "por motivo de falta de segurança não atenderemos ao público neste dia" (Foto: Elias Bruno/G1 CE)
Aviso na agência de Correios no Meireles diz: "por
motivo de falta de segurança não atenderemos ao
público neste dia" (Foto: Elias Bruno/G1 CE)

Algumas agências dos Correios também pararam o atendimentos por falta de segurança, segundo a empresa. Salas da Companhia Energética suspeneram atendimento nos Bairros Centro, Parangaba, Carlito Pamplona, Conjunto Ceará, José Walter, Messejana, Pajussara e das cidades de Maracanaú e Baturité.

Nas redes sociais e no Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), relatos de supostas ocorrências não param de chegar. Mas segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado (SSPDS), parte das denúncias de assaltos são boatos.

Sindicato
O sidicato dos lojistas de Fortaleza (Sindlojas) informou ao G1 que não houve qualquer orientação da entidade para que os comerciantes fechassem as lojas. Segundo o órgão, os lojistas agiram por conta própria e não há informações sobre o percentual de estabelecimentos fechados.

Tentativa de assalto
Na manhã desta terça-feira (3), nas proximidades na Avenida Maria Tomásia, assaltantes tentaram roubar lojas usando armas sem munição. Os seguranças reagiram e os suspeitos fugiram e deixaram a arma para trás. Na noite desta segunda-feira (2), comerciantes relataram que houve arrastão na Avenida Mozart Pinheiro de Lucena, no Bairro Jardim Guanabara e uma estudante de ficou ferida quando homens invadiram um supermercado no Bairro Montese.

Reivindicações
Paralisados desde a última quinta-feira (29), policiais militares e bombeiros querem reajuste salarial de 80% até o fim de 2015, além de anistia a todos os policiais que participam do movimento. Segundo o comando do movimento de paralisação da PM, 10.000 policiais estão parados em pelo menos dez cidades do Ceará.

Por conta do movimento, o governo do estado decretou situação de emergência na sexta-feira (30) e solicitou a presença do Exército Nacional para auxiliar na segurança da festa de réveillon de Fortaleza. Força Nacional está na cidade desde sábado.

Com o aumento da adesão de militares à paralisação, o reforço nacional permaneceu em Fortaleza. Na segunda-feira (2), 2.449 homens do Exército, Forças Armadas e órgão de segurança faziam policiando da Grande Fortaleza nesta segunda-feira (2). Mas, no mesmo dia, começaram os relatos de arrastões e assaltos.

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Contraponto 7144 - "Economia: 2011 es-pe-ta-cu-lar"


03/01/2012

Economia: 2011
es-pe-ta-cu-lar

    Do Conversa Afiada - Publicado em 03/01/2012

Saiu na newsletter desta terça-feira do Bradesco:

Bom desempenho das exportações garantiu elevação do saldo comercial brasileiro em 2011, chegando a US$ 29,7 bilhões em 2011


O bom desempenho das exportações favoreceu a ampliação do saldo comercial brasileiro no ano passado, totalizando US$ 29,7 bilhões, o que representa importante avanço em relação aos US$ 20,1 bilhões verificados em 2010, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC), considerando o acumulado entre janeiro e dezembro de 2011. Assim, as vendas externas chegaram a US$ 256,04 bilhões, mostrando expansão de 26,8% em relação a 2010 e foram impulsionadas principalmente pelos produtos básicos, dentre eles minério de ferro e petróleo, favorecidos pelo aumento de preços internacionais. As importações, por sua vez, somaram US$ 226,25 bilhões no ano passado, ante US$ 181,8 bilhões em 2010, representando crescimento de 24,5% nesta base de comparação. Além disso, vale citar que a China se consolidou com o principal destino das exportações do Brasil, com US$ 44,3 bilhões, seguida dos Estados Unidos (US$ 25,9 bilhões), da Argentina (US$ 22,7 bilhões), dos Países Baixos (US$ 13,6 bilhões) e do Japão (US$ 9,5 bilhões). Já do lado das importações, os destaques ficaram com: Estados Unidos (US$ 34,2 bilhões), China (US$ 32,8 bilhões), Argentina (US$ 16,9 bilhões), Alemanha (US$ 15,2 bilhões) e Coréia do Sul (US$ 10,1 bilhões). Especificamente em dezembro, o resultado da balança comercial surpreendeu positivamente ao somar US$ 3,8 bilhões, ante nossa expectativa de US$ 2,0 bilhões, e decorreu tanto de exportações mais fortes quanto de importações mais fracas do que esperado, ajudando no resultado anual. Neste último mês do ano passado, as vendas externas atingiram US$ 22,1 bilhões, puxadas principalmente por minério de ferro e petróleo na última semana; com isso, destacamos a categoria de produtos básicos, que cresceram 13,9% em relação a dezembro de 2010, seguida por manufaturados (+9,4%) e semimanufaturados (+7,2%). Já as compras externas totalizaram 18,3 bilhões, com destaque para a importação de combustíveis e lubrificantes (+78,3%) e bens de consumo (+21,9%). Para 2012, esperamos um saldo menor de US$ 18,4 bilhões, explicado por exportações mais fracas do que no ano passado, considerando nossa expectativa de arrefecimento moderado dos preços de commodities ao longo do ano.


Atividade

- Fenabrave: vendas de automóveis e comerciais leves foram recordes em 2011, mas seguiram mais fracas nos últimos meses do ano


As vendas de automóveis e comerciais leves totalizaram 329.237 unidades em dezembro, de acordo com os dados preliminares disponibilizados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Na comparação interanual, os emplacamentos destas categorias de veículos apresentaram queda de 8,9% e certa estabilidade ante novembro, ainda sugerindo uma lenta recuperação do consumo no último trimestre do ano passado. Apesar disso, no acumulado do ano, as vendas de automóveis e comerciais leves totalizaram 3,426 milhões de unidades, o que representou um recorde anual, ficando 2,9% acima do verificado em 2010. Vale pontuar que um maior detalhamento dos dados referentes a dezembro será divulgado na próxima quarta-feirapela Fenabrave.


- Forte reajuste do salário mínimo, que já começa a valer em janeiro, ajudará a impulsionar o consumo neste primeiro trimestre de 2012


O salário mínimo foi reajustado para R$ 622 para este ano, de acordo com decreto presidencial publicado na última semana do ano passado, e já está valendo a partir deste mês. O reajuste foi de 14,13% em termos nominais, frente a R$ 545 válidos para o ano passado. Essa variação corresponde ao crescimento do PIB em 2010, de 7,5% em termos reais, mais a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 2011 – neste caso, estimado em 6,20% – conforme a regra válida até 2015. Acreditamos que o forte reajuste do salário mínimo deverá ter um impacto positivo sobre a massa salarial, e consequentemente sobre o consumo das famílias no primeiro trimestre do ano, reforçando a trajetória esperada de reaceleração da economia em 2012. Parte deste impulso se dará pelas transferências governamentais, atreladas ao salário mínimo, como benefícios previdenciários, assistência social e abono e seguro desemprego. Naturalmente, também esperamos um impacto sobre as contas públicas, já que, juntos, esses novos gastos representam R$ 23 bilhões a mais de despesas ao governo central no ano.


Setor Externo

- Reservas internacionais somaram US$ 63,4 bilhões em 2011

Por mais um ano, as reservas internacionais avançaram em 2011, chegando a US$ 352 bilhões, o que representa expansão de 22% em relação a 2010, quando estavam em US$ 288,6 bilhões, conforme divulgado ontem pelo Banco Central.


NAVALHA

Comércio com o exterior.

Venda de automóveis.

Impacto do salário mínimo sobre as vendas internas.

Reservas cambiais.

E 2012 vai ser ainda melhor !

Coitada da Urubóloga.

Se o Cerra ainda estivesse vivo, seria o caso de dizer “Bye-bye Cerra forever !”.




Em tempo: amigo navegante, não deixe de ir ao Tijolaço para testemunhar o que que aconteceu com os “pobres” – que o Farol de Alexandria quer esquecer – quando o Banco do Brasil assumiu o Banco Postal. Um horror !, amigo navegante !


Paulo Henrique Amorim



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Contraponto 7143 - "As perspectivas da Petrobras para 2012"

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03/01/2012


Por Marco Antonio L.

Do Fatos e Dados

BOAS PERSPECTIVAS EM TODAS AS ÁREAS PARA 2012

“Dando prosseguimento ao ‘Plano de Negócios 2011-2015’, a Petrobras trabalha para que 2012 seja mais um ano de realizações e conquistas. Com mais sondas à disposição, a Companhia poderá intensificar suas atividades de exploração e produção em 2012. Só em 2011, a Petrobras recebeu nove sondas de perfuração e outras quatro estão em fase de recebimento (testes de aceitação). Em 2012, ao menos outras doze sondas de perfuração, já contratadas, devem começar a operar.

Está prevista a perfuração de 66 poços exploratórios no mar. Desses, 18 serão perfurados na Bacia de Santos, 16 na Bacia de Campos, 11 na Bacia do Espírito Santo, nove em Sergipe, cinco na margem leste (bacias do Jequitinhonha (2) e Camamu/Almada (3)) e sete na margem equatorial (nas bacias de Barreirinhas (2), Potiguar (3) Foz do Amazonas (1) e Ceará (1)).

p>Para este ano, também está previsto aumento de capacidade de produção de petróleo com a entrada de novas unidades nos campos de “Baleia Azul” (Pré-Sal da Bacia de Campos), “Tiro/Sidon” (pós-sal da Bacia de Santos) e “Guará” (Pré-Sal da Bacia de Santos). Os projetos pilotos de “Baleia Azul”, com capacidade de 100 mil barris por dia (bpd), e de “Tiro/Sidon”, com 80 mil bpd de capacidade, estão previstos para entrar em produção no terceiro trimestre do próximo ano. A Petrobras tem 100% de participação em ambos. Já o projeto piloto de “Guará” (capacidade de 120 mil bpd), em que a Companhia tem 45% de participação, deve entrar em produção no último trimestre do ano.

Em 2012, a Companhia conectará mais poços à P-56, que atingirá seu pico de produção (100 mil bpd) no primeiro trimestre, à P-57, que atingirá sua produção máxima (180 mil bpd) no terceiro trimestre de 2012, e ao “FPSO Cidade de Angra dos Reis” (“Piloto de Lula”), que atingirá sua capacidade de produção de 100 mil bpd ao longo do ano. A Petrobras tem 65% de participação em “Lula”.


Produção de ureia e amônia

O Plano de Negócios 2011-2015 prevê investimentos de US$ 13,2 bilhões na área de Gás e Energia. A maior parcela dos recursos (US$ 5,9 bilhões) será destinada à conversão de gás natural em ureia e amônia para produção de fertilizantes e à produção de metanol, melamina, ácido acético e ácido fórmico, bem como aos projetos GTL Parafinas, Flua (Arla 32) e sulfato de amônio.


UreiaCom esses investimentos, o Brasil, que atualmente importa 53% da amônia que consome, será autossuficiente na produção desse insumo em 2015. As importações de ureia, que totalizam hoje 67% do consumo interno, cairão para 28% também em 2015 e, em 2017, a importação de metanol, que atualmente representa 68% do consumo interno, cairá para 17%.

Em março de 2012, a Petrobras inicia a construção do “Terminal de Regaseificação da Bahia” com capacidade para regaseificar 14 milhões de m³/dia de GNL. Esse terminal tem conclusão prevista para janeiro de 2014 e, somando-se aos terminais da Baía de Guanabara (RJ) e Pecém (CE), ampliará para 41 milhões de m³/dia a capacidade de regaseificação do Brasil.

Em abril de 2012, começará a ser construída a “Usina Termelétrica Baixada Fluminense” que entrará em operação em março de 2014, com capacidade para gerar 530 MW. Em setembro do mesmo ano, começará a operar a “Unidade de Fertilizantes Nitrogenados de Três Lagoas-MS” (UFN III) que entregará ao mercado 1,27 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia por ano.

A construção da planta de sulfato de amônio, com capacidade para produzir 303 mil toneladas/ano na Fafen-Sergipe, permitirá ampliar a capacidade de produção desse insumo no País, saltando das atuais 477 mil toneladas/ano para 780 mil toneladas/ano em 2013.

Entre 2012 e 2013, entrarão em operação 14 novos pontos de entrega de gás natural, acompanhando o crescimento do mercado das distribuidoras estimado em 12,5% nesse período, o que equivale a um volume adicional de 5,1 milhões m³/dia.

No Abastecimento, a partir de janeiro de 2012, a Petrobras ampliará o fornecimento do Diesel S-50, com baixo teor de enxofre, para todos os estados brasileiros. O uso do Diesel S-50 nos novos motores resultará na redução de, no mínimo, 80% da emissão de material particulado. Novas unidades destinadas a melhorar a qualidade da gasolina entram em operação na RECAP (Refinaria de Capuava, em Mauá, SP) e na REPAR (Paraná), e, para a qualidade do diesel, na RECAP, na RLAM (Bahia) e na REPAR. Ainda em 2012, a “Petroquímica Suape”, em Pernambuco, estará com a planta de PTA (ácido tereftálico purificado) e a unidade de PET em operação.

No exterior, terá sequência, em 2012, a exploração dos blocos 57 (participação de 46,16% Petrobras) e 58 (100% Petrobras), ambos operados pela Companhia no Peru, onde há perspectivas promissoras em gás natural. A entrada em produção dos campos de Cascade e Chinook, nos quais a Petrobras atua como operadora (participações de 100% e 67%, respectivamente), está prevista para o início de 2012. O projeto representa importante marco para a Companhia, por se tratar de iniciativa de desenvolvimento pioneiro na porção americana do Golfo do México, uma vez que utiliza unidade de produção do tipo FPSO (tecnologia dominada e amplamente utilizada no Brasil pela Petrobras).

Em Angola, há previsão, no início de 2012, de perfuração de um poço no Bloco 26 (bloco de pré-sal localizado na Bacia de Benguela, ao sul do offshore angolano, no qual a Petrobras é operadora com 30% de participação). Já na Tanzânia, deverá ser concluída, também no início de 2012, a perfuração de um poço exploratório no Bloco 5 (50% Petrobras, operadora), iniciada este ano. Na Namíbia, está prevista, para 2012, a perfuração de poço exploratório no Bloco 2714A, no qual a Petrobras é operadora com 50% de participação.

Até 2015, a Petrobras investirá US$ 1,2 bilhão em ações de eficiência energética e de redução de intensidade de emissões, incluindo pesquisa e desenvolvimento na área. A redução das emissões degases de efeito estufa (GEE), por exemplo, é tema de dois programas tecnológicos desenvolvidos pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (CENPES): o PROCLIMA (Programa Tecnológico de Mudanças Climáticas), que estuda soluções tecnológicas para a redução das emissões nos processos da Companhia, e o ProCO2 (Programa Tecnológico de Gerenciamento do CO2), que visa a desenvolver e implementar tecnologias decaptura, transporte, armazenamento e aproveitamento do CO2 que será produzido no Pré-Sal. Com a entrada em operação do “FPSO Angra dos Reis” na Bacia de Santos, a Petrobras reinjeta atualmente 220 toneladas/dia de CO2 no reservatório produtor.

Na área de Recursos Humanos, a Petrobras estima admitir 17 mil novos empregados até 2015, conforme seu Plano de Negócios. O planejamento da companhia é realizar dois processos seletivos por ano, tanto para cargos de nível superior como para técnicos de nível médio.

Para 2012, está previsto o lançamento da seleção pública do “Petrobras Cultural”. Criado em 2003, o Programa baliza as ações de patrocínio da Companhia em torno de uma política cultural de alcance social e de afirmação da identidade brasileira. É o maior programa de patrocínio cultural do país. Desde a primeira edição, o PPC já teve sete edições, abrangendo 76 áreas de seleções públicas, destinando R$ 311 milhões a 1.246 projetos contemplados. Foram mais de 26 mil projetos inscritos, avaliados por 356 especialistas integrantes das comissões de seleção.

Está programado para abril o lançamento da edição 2012 da “Seleção Pública do Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania”. Através dele, a Companhia investe em projetos voltados para geração de renda e oportunidade de trabalho, educação para a qualificação profissional e garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes. Para 2012, a meta do “Mova-Brasil” é de formar aproximadamente 4.800 turmas, mantendo a finalidade de contribuir para a redução do analfabetismo no Brasil, para ofortalecimento da cidadania e para a geração de renda.

Em 2012, o “Programa Petrobras Ambiental” (PPA) concluirá um ciclo de cinco anos com investimentos de R$ 500 milhões em projetos de conservação ambiental relacionados à água e clima em todo o País. No próximo ano, está prevista nova edição da seleção pública de projetos ambientais. Também será lançado o “Programa Petrobras Agenda 21”, que investirá cerca de R$ 12 milhões, ao longo do ano, na construção de plano participativo de desenvolvimento sustentável em mais de 200 comunidades em todo o Brasil.

Na área de biocombustíveis, a Petrobras, por meio da subsidiária Petrobras Biocombustível, segue na sua estratégia de ampliação da produção conforme previsto no Plano de Negócios 2011-2015. No etanol, terá sequência em 2012 projeto de expansão da Usina Boa Vista (GO), da Nova Fronteira, que quando concluído, em 2015 se tornará a maior do mundo, a partir de cana, com capacidade de 700 milhões de litros/ano, além da duplicação da usina de Bambuí (MG), parceria com a Total Agroindústria Canavieira, além de prosseguir os investimentos para aumento de produção e cogeração na Guarani. Também seguirão os estudos para produção de etanol em Moçambique, primeiro projeto de produção de etanol fora do país.

No biodiesel, a empresa prossegue no desenvolvimento da parte agrícola do “projeto Pará”, para construção de usina biodiesel para atender a região Norte, e do “projeto Belém”, voltado à produção de “green” diesel em Portugal, em parceria com a GALP Energia.

Em 2012, a Petrobras Distribuidora prevê investimentos da ordem de R$ 1,3 bilhão, de um total de R$ 5,2 bilhões incluídos no Plano de Negócios 2011-2015. Com vendas globais estimadas em 47.471 mil m³ (6,4% acima do volume projetado para 2011), a Distribuidora espera continuar ampliando seu “market share”, atingindo 39,4%.

Entre os principais projetos que demandarão recursos, estão a construção, ampliação e melhoria de terminais e bases em 13 estados das cinco regiões do país, a modernização de cerca de 1.050 postos e a ampliação da rede, investimentos no segmento de GLP (Liquigás), em clientes do segmento de Grandes Consumidores, a implantação do diesel BTE (junto com a solução integrada Flua e Lubrax Advento), modernização e ampliação da fábrica de lubrificantes, obras, instalações e equipamentos em pools e aeroportos, construção de montagem da rede de distribuição de gás natural para atendimento a cidades do interior do ES (Vila Velha, Linhares, Cachoeiro do Itapemirim) e investimentos no segmento de asfaltos, destacando-se a construção de fábrica de emulsões em Mato Grosso.

Na Transpetro, a expectativa é acelerar, em 2012, o ritmo de entregas de navios, com o início das operações dos “suezmax” “João Cândido” e “Zumbi dos Palmares”, construídos pelo “Estaleiro Atlântico Sul”, e dos navios “Sérgio Buarque de Holanda”, “Rômulo Almeida” e “José Alencar”, que estão em fase de acabamento no “Estaleiro Mauá”.”

FONTE: blog “Fatos e Dados, da Petrobras (http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/2012/01/01/boas-perspectivas-em-todas-as-areas-para-2012/#more-48323). [imagens do google adicionadas por este blog 'democracia&política'].

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Contraponto 7142 - "Os urubus queimam a língua"

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03/01/2012


Os urubus queimam a língua
Do Tijolaço 03/01/2012

Postado por Fernando Brito


Indústria de petróleo tem, além da tecnologia e do conhecimento geológico, uma dose grande de perseverança e convicção. Quem desiste no primeiro problema, pode ser outra coisa, mas não petroleiro.

Dia 13 de dezembro, a revista Exame, do Grupo Abril, numa matéria intitulada “O que deu errado para a Petrobras em 2011″, onde “o mercado” reclamava da Petrobras – eles, como Roger Agnelli com o ferro da Vale, querem pressa, a qualquer preço -, um trecho chamava a atenção:

“Acostumada a lidar com termos como pós-sal e pré-sal, a Petrobras precisa também de um pouco de sal grosso. Segundo os especialistas, até o azar rondou a estatal neste ano. O caso é o do Campo de Golfinho, no litoral do Espírito Santo.

Uma das boas apostas da Petrobras para 2011, Golfinho não rendeu o que se esperava – atualmente, ele produz mais água do que petróleo. Por volta de outubro, o campo produzia cerca de 26.000 barris diários, menos de 10% dos 300.000 estimados.”

Bem, ontem a Petrobras anunciou que ali mesmo, em Golfinho, encontrou novos depósitos de petróleo de excelente qualidade, e gás, em ótimas condições de aproveitamento, porque próximo à costa (74km) e a um navio-plataforma já operando na área. O campo é concessão integral da Petrobras e, por isso, mais rentável que os partilhados com outras empresas.

O “fracasso” de Golfinho já havia sido tema de uma reportagem na Folha, com o mesmo tom derrotista.

A história do petróleo, aqui, é a dessa luta sem fim contra os “isso não vai dar certo”, desde os tempos em que teimavam que aqui não havia petróleo. Só uma empresa disposta a acreditar e insistir, como a Petrobras, pode localizar e realizar todo o nosso potencial. E isso quer dizer risco, o mesmo risco que as multis nunca querem encarar, como aconteceu na era dos “contratos de risco” de Ernesto Geisel, o primeiro a tentar abrir o petróleo brasileiro para as petroleiras do exterior.

A própósito: como tem dados promissores, a Petrobras continuará furando após essa acumulação, localizada a cerca de 4600 m de profundidade. Vai aprofundar a prospecção por mais 1,5 mil metros. A região é o extremo Norte da camada de pré-sal e o trecho em que ela mais se aproxima da costa.

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Contraponto 7141 - "O partido único da mídia"

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02/01/2012
O partido único da mídia

Ao se fixar nos seus próprios dogmas, desprezando o real, o poder dos partidos midiáticos tende ao enfraquecimento. Ao se descolarem da realidade perdem credibilidade e apoio, cavando sua própria ruína. Trata-se de um caminho trilhado de forma cada vez mais acelerada pela mídia tradicional brasileira.

A superficialidade e o descrédito a que chegaram os meios de comunicação tradicionais no Brasil é incontestável. Posicionamento político-partidário explícito e "reengenharias" administrativas estão na raiz desse processo.

Dispensas em massa de profissionais qualificados explicam, em parte, a baixa qualidade editorial. Foi-se o tempo em que ler jornal dava prazer. Mas fiquemos, por aqui, apenas na orientação política.

A concentração dos meios e a identidade ideológica existente entre eles criou no país o "partido único" da mídia, sem oposição ou contestação. Ditam políticas, hábitos, valores e comportamentos. O resultado é um grande descompasso entre o que divulgam e a realidade. Hoje, para perceber esse fenômeno, não são mais necessárias as exaustivas pesquisas em jornalismo comparado, tão comuns em nossas academias lá pelos anos 1980.

Agora basta abrir um jornal ou assistir a um telejornal e compará-los com as informações oferecidas por sites e blogues sérios, oferecidos pela internet. São mundos distintos.

No caso da mídia brasileira essa situação começou a se consolidar com a implosão das economias planificadas do leste europeu, na virada dos anos 1980/90.

Em 1992, no livro "O fim da história e o último homem", ampliando ideias já apresentadas em ensaio de 1989, Francis Fukuyama punha um ponto final no choque de ideologias, saudando o capitalismo como modo de produção e processo civilizatório definitivo da humanidade, globalizado e eternizado.

Tese rapidamente endossada com euforia pela mídia conservadora e hegemônica que, a partir dai, pautaria por esse viés seus recortes diários do mundo, transmitidos ao público. Faz isso até hoje.

Só que, obviamente, a história não acabou. Ai estão as crises cíclicas do capitalismo, neste início de milênio, evidenciando-o como modo de produção historicamente constituído, passível de transformações e de colapso, como qualquer um dos que o precederam. Mas a mídia trata o capitalismo como se fosse eterno, excluindo de suas pautas as contradições básicas que o formam e o conformam. Dai a pobreza de seus conteúdos e o seu distanciamento da realidade, levando-a ao descrédito.

De fomentadora de ideias e debates, fortes características de seus primórdios em séculos passados, passou a estimuladora do conformismo e da acomodação. Para ela o motor história não é a luta de classes e sim o consumo, apresentado em gráficos e infográficos, alardeando números e índices que, muitas vezes, beiram o esotérico.

Se nos anos 1990 essas políticas editoriais obtiveram relativo êxito apoiadas na expansão do neoliberalismo pelo mundo, na última década a realidade crítica abalou todas as certezas impostas ideologicamente. As contradições vieram à tona.

No entanto a mídia, reduzida e conservadora, especialmente no Brasil, segue tratando apenas das aparências, deixando de lado determinações mais profundas. Movimentos anti-capitalistas espalhados pelo mundo são mencionados, quando o são, particularmente pela TV, como "fait-divers", destituídos de sentido, a-históricos. Seguindo rigorosamente a tese de Fukuyama.

Fazendo jus ao seu papel de "partido único", os meios oferecem ao público, como elemento condutor de sua ideologia conservadora, algo que genericamente pode ser chamado de kitsch. Definição dada pelos alemães no século passado para a arte popular e comercial, feita de fotos coloridas, capas de revistas, ilustrações, imagens publicitárias, histórias em quadrinhos, filmes de Hollywood. Atualizando seriam os nossos programas de TV, os cadernos de variedades de jornais e revistas, as músicas e as preces tocadas no rádio.

Esse é o prato diário da mídia, oferecido em embalagens sedutoras e entremeado de informações ditas jornalísticas, apresentando o mundo como um quadro acabado, inalterável. Não existindo alternativas, resta o conformismo anestesiado pelo consumo, ainda que para muitos apenas ilusório.

Claro que esse quadro midiático tem eficácia até certo momento, enquanto realidade e imaginário de alguma forma guardam proximidade. Mas ele também é histórico e, portanto, mutável.

Enquanto as contradições básicas da sociedade, aqui mencionadas, permanecerem existindo, a integração das consciências "pelo alto" será irrealizável, alertava Adorno, num dos seus últimos textos. Por mais que os meios de comunicação se esforcem por integrá-las.

Ao se fixar nos seus próprios dogmas, desprezando o real, o poder dos partidos midiáticos tende ao enfraquecimento. Ao se descolarem da realidade perdem credibilidade e apoio, cavando sua própria ruína. Confrontados com a internet desabam. Trata-se de um caminho trilhado de forma cada vez mais acelerada pela mídia tradicional brasileira. Sem falar na contribuição dada a esse processo pela queda da qualidade editorial, tema que fica para outro momento.


*Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.

Contraponto 7140 - "Câncer induzido, uma arma da CIA?"


02/01/2012

Câncer induzido, uma arma da CIA?

Adital - 30/12/2011

Percy Francisco Alvarado Godoy
Escritor guatemalteco
Adital

Tradução: ADITAL
29 de dezembro de 2011.

As operações secretas da CIA mantêm uma direção permanente e invariável, orientadas contra personalidades políticas específicas que desafiam a hegemonia imperial norte-americana, aos que tenta eliminar fisicamente, bem como contra nações inteiras que sofrem as criminosas consequências de guerras préfabricadas, agressões biológicas, campanhas contínuas de ataques midiáticos, ameaças, invasões e o isolamento total mediante bloqueios e embargos não justificados. Essa ação criminosa da CIA foi desvendada pela Asociación para El Diseño Responsable, que estimou que, já em 1987, seis milhões de pessoas haviam sido assassinadas como resultado das operações encobertas da CIA. Hoje, ao culminar o ano 2011, essa cifra cresceu enormemente.

Chávez tem razão

O presidente Hugo Chávez abriu a caixa de Pandora ao expor sua suspeita sobre o inusual padecimento de câncer por parte de vários mandatários e personalidades progressistas latino-americanos nos últimos meses, entre os que se destacam sua própria pessoa, a presidenta argentina Cristina Fernández; o mandatário paraguaio Fernando Lugo, a presidenta brasileira Dilma Rousseff; o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, entre outros.

"A essas alturas, é muito difícil explicar com a lei das probabilidades, por exemplo, o que atinge a alguns de nós (líderes) na América Latina”, disse Chávez, apontando suas suspeitas para Washington e, particularmente, para a CIA.

Chávez reconheceu as suspeitas de Fidel sobre o não usual fenômeno, que não deixam de carecer de lógica, sobretudo se partem de quem tem sido alvo de mais de 600 planos de atentado, inclusive tentando usar armas biológicas e venenos. Durante um de seus encontros com ele, quando o Comandante manifestou com suspicácia: "Chávez, te cuida... Fique atento. Cuidado que essa gente desenvolveu tecnologias... Cuidado com o que te dão para comer. Cuidado com uma pequena agulha através da qual injetam sabe-se lá o quê...”

Com certeza, nem Fidel e nem Chávez se equivocam se se leva em consideração alguns elementos e antecedentes essenciais para fundamentar tal acusação, envolvendo na tão tangível ameaça a CIA e as autoridades norte-americanas.

Há décadas, vários laboratórios da CIA e do Departamento de Defesa dos Estados Unidos dedicam volumosos recursos ao bioterrorismo e, particularmente, na busca de inoculação de enfermidades, como o câncer, bem como outros tipos de vírus ou bactérias capazes de infligir dano massivo sobre pessoas específicas, forças militares e cidadãos comuns, violando as proibições estabelecidas pelas Nações Unidas. A guerra biológica ou bacteriológica, concebida como uma arma de alta efetividade, se implementa mediante o desenho de bombas e outros tipos de agentes de dispersão das enfermidades. Desses laboratórios saíram o Napalm, o Agente Laranja, a cepa do Antraz, a Gripe AH1N1, a gripe Porcina; bem como outros vírus letais, como o HIV e o Ébola.

No caso particular do câncer, sabe-se que desde 1975, o Forte Detrick tem sido usado como instalação onde há uma secção especial dentro do Departamento Vírus, do Centro para a Investigação de Guerra Biológica, conhecida como "Instalações Fredrick para a Investigação do Câncer”, sob supervisão do Departamento de Defesa, da CIA e do Instituto Nacional do Câncer. As investigações ultrasecretas estão encaminhadas a desenvolver um programa especial de vírus do câncer sumamente agressivo e letal, para o qual existe imunidade e foi identificado como Vírus Humano da célula T de Leucemia (HTLV). A insistência desses laboratórios de conseguir os mecanismos para elaborar artificialmente células malignas ou cancerígenas sumamente invasivas e capazes de propagar-se no organismo, desenvolvendo uma metástase incontrolável, tem se mantido ao longo de mais de 4 décadas. De acordo com esses projetos, as enfermidades cancerígenas seriam capazes de inibir qualquer defesa ante seu ataque ao organismo humano, disseminando-se através do sangue ou da linfa, após ter sido inoculadas no mesmo mediante vias diversas.

A alteração do material genético das células humanas que provoca o câncer por via artificial nesses laboratórios são a premissa básica dessa arma desenvolvida com a vênia do governo norte-americano. Para isso, elaboram células mães ou stem cells, mediante mutações monitoradas e preconcebidas, convertendo-as em um fenótipo maligno mais heterogêneo, de rápido desenvolvimento.

Outro elemento sobre o desenvolvimento da guerra biológica por parte do governo norte-americano, particularmente relacionado com o câncer, é o testemunho gravado do Dr. Maurice Hilleman, prestigiado investigador em vacinas dos laboratórios Merk, onde admite que seus laboratórios produziram vacinas contaminadas com leucemia e vírus do câncer na década dos 70, que foram administradas deliberadamente a cidadãos soviéticos. Esse fato macabro foi divulgado graças ao Dr. Len Horowitz, investigador da guerra biológica da CIA, que o registrou em um documentário ‘In Lies We Trust: The CIA, Hollywood, and Bioterrorism', que estreou em 2007.

A CIA aperfeiçoou seus métodos para assassinar, particularmente, induzindo o câncer em determinadas pessoas. Desprezou, por exemplo, o método empregado contra Jack Leon Ruby, mafioso que assassinou ao suposto homicida de John F. Kennedy, que morreu na prisão, supostamente com um câncer, no dia 3 de janeiro de 1967. Na realidade, Ruby morreu devido a uma intoxicação com Tálio, que produziu um deterioro acelerado de sua saúde e sua morte em pouco tempo. Os sintomas que apresentou após ingerir Tálio, arma química letal, solúvel em água, incolor, e praticamente inodoro e insípido, capaz de ser colocado nos alimentos da vítima sem ser detectado, foram similares a uma reação invasiva de células cancerígenas: febre alta, queda de cabelo, insuficiência cardíaca ou respiratória, destruição do sistema nervoso, dores musculares, paralisia ou imobilidade em determinadas zonas do corpo e uma morte dolorosa.

As administrações norte-americanas tem cuidado com zelo seus programas supersecretos de guerra biológica, ao extremo de que, segundo um relatório elaborado pelo escritor Steve Quayle, para Free Press International, em março de 2006, sugeriu que cerca de 40 microbiólogos morreram suspeitosamente entre 2002 e 2006. Em todos os casos, ninguém foi culpabilizado pelas mortes, suicídios suspeitos ou acidentes não esclarecidos.

Através de Victoria Nuland, portavoz do Departamento de Estado, Washington reagiu de maneira sucinta e cinicamente às declarações de Hugo Chávez, rotulando de "horrendos e repreensíveis” as suposições de que os EUA esteja envolvidos nas enfermidades cancerígenas dos mandatários latino-americanos.

A guerra biológica da CIA e do Pentágono

A CIA e outras agências do governo norte-americano têm ampla experiência em bioterrorismo e guerra bacteriológica. De acordo com informações aparecidas em vários sites, o governo dos EUA desenvolveram múltiplos projetos secretos de guerra biológica, entre os quais sobressaem:

1947 – A CIA começou a estudar o Ácido Lisérgico (LSD) para empregá-lo como arma biológica contra seres humanos. Em 1960, a Equipe Assistente Principal da Inteligência do Exército (ACSI) autorizou o emprego do LSD na Europa e no Oriente para avaliar as reações em humanos. Ambos projetos foram codificados como Terceira Oportunidade e Chapéu de Fungo, respectivamente.

1953 – A CIA iniciou o projeto MK ULTRA, que se estendeu durante 11 anos de investigação, sendo concebido para produzir e provar drogas e microorganismos para controlar a mente e modificar a conduta dos seres humanos, sem seu consentimento.

1965 – A CIA e o Departamento de Defesa começaram o projeto MK SEARCH, com a finalidade de manipular a conduta humana através do uso de drogas psicodélicas.

1966 – A CIA iniciou o Projeto MK OFTEN, dirigido a provar os efeitos toxicológicos de certas drogas nos humanos e nos animais.

1966 – O Pentágono fez quebrar várias ampolas com a bactéria Bacillus Subtilis no sistema de ventilação do Metrô de Nova York, expondo mais de um milhão de civis de forma deliberada.

1967 - A CIA e o Departamento de Defesa implementaram o projeto MK NAOMI, sucessor do MK ULTRA, desenhado para manter, reservar e provar as armas biológicas e químicas.

1970 – A Divisão de Operações Especiais no Forte Detrick desenvolveu técnicas de biologia molecular para produzir retrovírus (HIV).

1970 – A CIA e o Pentágono desenvolveram "armas étnicas”, desenhadas para eliminar grupos étnicos específicos, suscetíveis por suas diferenças genéticas e variações de DNA.

[Em breve, a tradução completa ao português].

1977- Audiencias del Senado, en la Comisión Investigación Científica y de Salud, confirmaron la contaminación deliberada por parte del Pentágono y la CIA de 239 poblaciones con agentes biológicos, entre 1949 y 1969, fundamentalmente en San Francisco, Washington, D.C., Centro-Oeste de EE.UU., Ciudad de Panamá, Minneapolis y St. Louis.

1987- El Departamento de Defensa admitió la investigación y el desarrollo de agentes biológicos en 127 laboratorios y universidades alrededor de EE UU.

1990- Aplicación en Los Ángeles a más de 1500 bebes negros e hispanos, de seis meses de edad, de una vacuna "experimental" del sarampión, no autorizada por la CDC.

1994- Se descubrió, mediante una técnica llamada "rastreador de genes", por parte del Dr. Garth Nicolson, científico del Centro del Cáncer MD Anderson de Houston, que los soldados la Tormenta del Desierto fueron infectados con una cadena alterada de Micoplasma Incognitus, una bacteria normalmente utilizada en la producción de armas biológicas, la cual contiene un 40 por ciento de la proteína del virus del SIDA. Luego, en 1996, se admitiría que cerca de 20 000 soldados fueron afectados.

1995- El Gobierno americano admitió que había ofrecido a los criminales de guerra y científicos japoneses sueldos e inmunidad de prosecución a cambio de los datos de sus investigaciones sobre guerra biológica.

1995- El Dr. Garth Nicolson reveló evidencia de que los agentes biológicos usados durante la Guerra del Golfo habían sido manufacturados en Houston, (Texas) y Boca Ratón, (Florida) y probados en prisioneros en el Departamento Correccional de Texas.

1996- El Departamento de Defensa admitió que soldados de la Tormenta de Desierto fueron expuestos a agentes químicos, lo que condujo a que 88 miembros del Congreso firmaran una carta, un año después, exigiendo una investigación sobre el uso de armas biológicas la Guerra del Golfo.

AGRESIONES BIOLOGICAS CONTRA CUBA

La Operación Mangosta de la CIA había concebido en su tarea número 33, luego del fracaso de Playa Girón, el uso criminal de la guerra biológica contra Cuba, estrenada con la introducción del virus patógeno New Castle.

Años después, en 1978, la CIA introdujo en la Isla la epifitia Roya de la Caña, afectando las áreas cañeras del país.

La CIA también introdujo la Fiebre Porcina Africana, aparecida inicialmente en 1971 y que obligó a sacrificar más de 700 cerdos, y que reapareció entre 1979 y 1980. En el caso del Moho Azul del tabaco, introducido a Cuba dentro de la tela de tapado de los cultivos importados de Estados Unidos, destruyendo más del 85% de las plantaciones de esa planta. La consecuencia fue que Cuba no pudo exportar uno de sus principales reglones.

La acción más condenable de la guerra biológica contra Cuba fue la introducción del virus del Dengue Hemorrágico en 1981, ocasionando la muerte a 158 cubanos, de ellos 61 niños. Ese mismo año, la CIA introdujo el virus de la Conjuntivitis Hemorrágica y, poco después, la Seudodermatosis Nodular Bovina, cuyo agente etiológico fue aislado en el laboratorio de Camp Ferry, en New York.

Cuba también fue agredida con la epifitia exótica Sigatoca Negra, con afectación en la masa ganadera y, en 1994, la CIA introdujo la exótica Hemorragia Viral del conejo. Dos años después, en 1996, nuevamente la Agencia la Varroasis y el Thrips Palmi, afectando a la actividad de obtención de miel de abeja, en el primer caso, y a las producciones de frijol, la papa, pimiento y otros cultivos, en el segundo caso.

CONCLUSIONES

Poco hay que comentar sobre las aseveraciones del Comandante Hugo Chávez sobre lo sospechoso del padecimiento cancerígeno en varios mandatarios y personalidades latinoamericanas y a su sospecha de que EE UU pudiera ser el responsable.

La señora Victoria Nuland, portavoz del Departamento de Estado, funcionaria de bajo rango de la administración Obama, apenas si pudo usar argumentos para desmentir esa posibilidad. La CIA y el Pentágono, mientras tanto, conocen la verdad.

Quien asesinó niños inocentes mediante la introducción del Dengue Hemorrágico en Cuba, carece de escrúpulos y de piedad. Sin lugar a dudas, algún día esta sospecha se convertirá en verdad, para vergüenza de Estados Unidos y sus gobernantes.

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Contraponto 7139 - " 'Pó Parar, Aécio'. A guerra do esgoto "

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02/01/2012

"Pó Parar, Aécio". A guerra do esgoto

Por Altamiro Borges


Em 28 de fevereiro de 2009, o Estadão publicou um texto que atiçou a guerra de bastidores entre os dois pré-candidatos do PSDB à Presidência da República. Assinado pelo falecido colunista Mauro Chaves, ele recebeu título provocador: “Pó pará, governador”. O objetivo do jornal serrista era pressionar Aécio Neves a desistir da disputa interna e aceitar o papel de vice na chapa tucana.


Conforme relata Amaury Ribeiro Jr., no best-seller “A privataria tucana”, o artigo e os indícios sobre a contratação de arapongas para espionar o governador mineiro azedaram de vez as relações no PSDB. O jornalista, que já investigava há vários anos a lavagem de dinheiro da corrupção nas privatizações durante o reinado de FHC, foi acionado pelo jornal Estado de Minas para "dar o troco"!

"Insinuação pesada" do jornal serrista

“Sem nunca ter ocultado seu serrismo, o Estadão dispensou o protocolo e disparou um torpedo visando atingir a pré-candidatura de Aécio abaixo da linha-d’água. Contrastando com a linha conservadora do jornal, instilou uma insinuação pesada, uma suposta ligação de Aécio ao “Pó”, ou seja, cocaína”, avalia Amaury Ribeiro logo na apresentação do seu livro.

A reação do jornal mineiro foi imediata. No editorial “Minas a reboque, não!”, ele retrucou: “Indignação. É com esse sentimento que os mineiros repelem a arrogância de lideranças políticas que, temerosas do fracasso a que foram levadas por seus próprios erros de avaliação, pretendem dispor do sucesso e do reconhecimento nacional construído pelo governador Aécio Neves”.

Bicadas tucanas seguem sangrentas

A guerra estava declarada e penas voaram para todos os lados. O governador mineiro rejeitou o papel subalterno de vice do rival paulista e fez corpo mole durante a campanha presidencial de 2010. Amaury Ribeiro, por sua vez, prosseguiu na pesquisa sobre a privataria tucana. Temendo os estragos, a mídia de São Paulo difundiu que seu livro era um dossiê “petista”. Pura malandragem!

A eleição passou, mas as bicadas tucanas prosseguem. Com a publicação do livro, as tensões internas só cresceram. José Serra, na reunião da executiva do PSDB na véspera do Natal, explicitou que a obra é fruto do “fogo amigo” no interior do partido. Já Aécio Neves se finge de morto, tentando pavimentar seu caminho para a disputa presidencial de 2014. Mas a empreitada não será fácil.

Um senador frustrante

Nesta semana, dois jornais paulistas voltaram à carga, de maneira inusitada, contra o tucano mineiro. O jornal Valor, das famiglias Marinho e Frias, publicou hoje longa reportagem sobre o péssimo mandato do senador Aécio Neves. Reproduzo alguns trechos:

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O senador e pré-candidato a presidente da República Aécio Neves (PSDB-MG) frustrou as expectativas não apenas por omitir-se na elaboração de um projeto nacional para a oposição. Também no Senado Federal, neste primeiro ano do seu mandato, ele não conseguiu levar adiante as propostas que apresentou.

Foram nove projetos de lei, uma proposta de emenda constitucional e 14 pedidos de informações a ministérios que sequer se aproximaram do estágio de votação. O insucesso esteve até nas emendas a projetos do governo, que costumam tramitar mais rápido na Casa. Das doze emendas que apresentou, apenas quatro obtiveram êxito...

Todas suas outras propostas não tiveram apreciação final. Algo previsível para um parlamentar de oposição, como ele. Mas para alguém considerado o principal adversário do PT em 2014, cujo maior mérito lembrado pelos políticos é a habilidade, o resultado final pífio põe em dúvida se essa característica o favorece num cenário de adversidade...


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"Blá-blá-blá mineiro"

Se o artigo do Valor é mais jornalístico, apontando as limitações do senador mineiro, o texto da Folha de 29 de dezembro lembra muito as insinuações maliciosas de Mauro Chaves. Assinado pelo articulista Rogério Gentile, ele já é venenoso no título: “Blá-blá-blá mineiro”. Reproduzo-o na íntegra:

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Já está virando regra. É só o fim de ano se aproximar que o senador mineiro Aécio Neves repete o mantra de que é necessário "refundar o PSDB".

A primeira vez foi em 2010, logo após a eleição da presidente Dilma Rousseff. Ansioso para herdar a posição de José Serra no partido, Aécio disse que o PSDB deveria refazer e atualizar seu programa para "recuperar sua identidade".

Como isso não ocorreu e, aparentemente, não surgiu outra ideia para tirar a sigla da letargia pós-FHC, Aécio voltou à carga às vésperas deste Natal, acrescentando apenas que o PSDB precisa “andar de cabeça erguida, discutindo as grandes questões nacionais e propondo uma nova agenda para o Brasil”.


Blá-blá-blá à parte, Aécio encerra 2011 sem ter conseguido se firmar como a principal referência da oposição no país. Teve dificuldades para se movimentar em um Senado dominado amplamente pelos aliados do governo, não apresentou nenhuma proposta de repercussão, tampouco soube se desemaranhar da briguinha partidária com Serra.

Sem conseguir se impor politicamente, precisou dar declarações à imprensa lembrando que está à disposição do partido para disputar a próxima eleição presidencial.

Faltando tanto tempo assim e, sobretudo por se tratar de um político mineiro, neto de Tancredo Neves, soou muito mais como se ele tivesse algum receio de ser esquecido.

Aécio tem demonstrado confiar em um futuro racha na base do governo para viabilizar-se para 2014. Cultiva boas relações com o PSB do governador Eduardo Campos (PE) e o PSD do prefeito Gilberto Kassab (SP) por entender que, se Dilma perder parte de sua popularidade até a eleição, os partidos poderão apoiá-lo.

Mas política não se faz apenas na base da calculadora. Se o senador não conseguir se mexer no Congresso e no PSDB, corre o risco de chegar sem fôlego à sucessão presidencial.


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Por que a mídia paulista está tão arisca com o senador mineiro? Teme que, se eleito presidente, Aécio se vingue das suas baixarias e não seja bondoso nas verbas publicitárias, como ocorre há duas décadas com os governos tucanos de São Paulo? É o retorno da velha disputa entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais? Ou é expressão acabada apenas da grave crise da direita no Brasil?
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Contraponto 7138 - "Atiram em Cristina para acertar Dilma"

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02/01/2012

“Atiram em Cristina para acertar Dilma”

Da Carta Maior - 02/01/2012

Em entrevista ao jornal Página/12, o jornalista Paulo Henrique Amorim fala sobre as críticas feitas pela imprensa brasileira contra as reformas na legislação da comunicação impulsionadas pelo governo argentino. “O PIG se horroriza com o que acontece na Argentina, diz que é o exemplo que não deve ser seguido; imagine se Dilma resolvesse fazer o que fez Cristina, a colocariam diante de um pelotão de fuzilamento...Por isso aparecem editoriais dizendo que há uma ‘democradura’ na Argentina. Em matéria de comunicações, o Brasil é uma ditadura perfeita”, diz Amorim.

“A imprensa brasileira, com a Globo na liderança, tem por hábito promover chanchadas para demonizar a presidenta Cristina, criticando as reformas na legislação dos meios de comunicação”. Dizem que Paulo Henrique Amorim, um dos jornalistas mais influentes do Brasil, está entre as pessoas mais detestadas pelos executivos da rede Globo, onde trabalhou por mais de uma década.

“Conheço a maquinaria da Globo por dentro, vi ela funcionar quando fui editor e depois correspondente em Nova York, entre 1985 e 1996, sei como orquestraram uma campanha para destruir a reputação de Lula nas eleições de 1989. As campanhas sujas contra governantes que provocam algum incômodo são habituais aqui e, ressalvadas as distâncias, se repetem agora contra Cristina. Isso que digo sobre a Globo alcança também outros meios de comunicação aos quais passei a chamar Partido da Imprensa Golpista (PIG)”, assinala o jornalista. “O PIG se horroriza com o que acontece na Argentina, diz que é o exemplo que não deve ser seguido; imagine se Dilma resolvesse fazer o que fez Cristina, a colocariam diante de um pelotão de fuzilamento...Por isso aparecem editoriais dizendo que há uma ‘democradura’ na Argentina. Um absurdo...em matéria de comunicações, o Brasil é uma ditadura perfeita”.

A entrevista de Amorim ao Página/12 iniciou há dois meses no aeroporto de Porto Alegre, onde um grupo de senhoras o observava insistentemente, até que uma delas se aproximou de mim para perguntar: “É o Amorim, da televisão?” O diálogo foi retomado na semana passada por telefone, desde São Paulo, onde ele trabalha como um dos âncoras da Rede Record, a única que disputa em alguns horários a liderança ainda incontestável da Globo.

Uma espécie de movimento de “indignados” contra o bloco midiático dominante começa a se observar no Brasil, processo vigoroso, mas que ainda permanece nas bordas do sistema, dado que ainda não conseguiu colocar o pé na televisão nem conta com o apoio de um jornal de alcance nacional. Encabeçando essa guerrilha informativa, há centenas de blogueiros e sites independentes como Carta Maior, Vermelho, Opera Mundi, Brasil Atual, identificados com uma bandeira comum: a aprovação de uma nova legislação para a regulação dos meios de comunicação.

Nas últimas semanas de seu governo, Lula deu a benção ao movimento insurrecional concedendo-lhe uma entrevista no Palácio do Planalto e elaborando um esboço para esse projeto de legislação, herdado por Dilma Rousseff.

Paulo Henrique Amorim está entre os poucos, ou pouquíssimos, âncoras televisivos de grande audiência alinhado com as reivindicações da imprensa genericamente chamada de “alternativa”. Por isso, suas intervenções sarcásticas acabam sendo particularmente incômodas para os herdeiros de Roberto Marinho, patriarca do grupo Globo, falecido em 2003.

“O Brasil precisa despertar, e creio que está despertando. A Globo é poderosa, mas já não é mais tanto quanto foi. A Globo quis, mas não conseguiu impedir que Lula fosse eleito e reeleito, quis e não pode impedir que Dilma fosse eleita. A família Marinho é uma ameaça à democracia”.

Uma hipotética lei de comunicação deveria acabar com o modelo “monopolista onde a família Marinho abusa da propriedade cruzada de meios de comunicação para asfixiar a competição; no Rio de Janeiro, são donos de tudo, até do Cristo Redentor, a fundação Marinho limpou a estátua do Cristo Redentor, e o próximo passo é se adonarem da Copa do Mundo de 2014”. O método do maior grupo midiático da América Latina, sustenta Amorim, pode ser sintetizada em uma linha: “Proscrever todo debate com um mínimo interesse na mudança”.

“Se dependesse da família marinho, se interromperiam os movimentos de rotação e translação da Terra, eles não querem mudar nada”, reforça. Seguindo a lógica de um partido político, a “Globo atuou como oposição golpista contra Lula e atrasa mesmo as transições mais modestas em um país como o nosso, onde nunca caminhamos na direção de mudanças com grande velocidade”.

“O Brasil foi o último país a liberar os escravos (no final do século XIX) e para que ninguém se sentisse ameaçado queimaram os arquivos; um século depois veio a transição para a democracia, uma transição porca, porque em 1985 assumiu a presidência um colaborador dos militares, José Sarney. E seguimos esperando a transição completa porque até hoje se obstrui toda investigação sobre a ditadura”.

No dia 18 de novembro, Dilma Rousseff promulgou a Comissão da Verdade, atribuindo a ela poderes para averiguar e examinar os delitos perpetrados durante a ditadura. O lobby militar e o “boicote” do grupo Globo serão, aponta Amorim, dois fatores de poder que oporão “total resistência” a uma comissão que, segundo a lei, só procurará levantar os responsáveis por assassinatos, desaparecimentos e torturas, mas não encaminhará o julgamento de ninguém. “Se a Comissão avançar, inevitavelmente virá a público a cumplicidade da Globo com a ditadura, por isso eles vão combatê-la ou ocultá-la. A Globo foi muito mais porta-voz, foi um dos grupos mais beneficiados pelos militares, que deram a ela uma rede nacional de micro-ondas, tornando possível que se tornasse o gigante que é hoje”.

Tradução: Katarina Peixoto

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Contraponto 7137 - "Band detona privataria e põe Daniel Dantas na roda"

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02/01/2012


Band detona privataria e põe Daniel Dantas na roda

Do Conversa Afiada - Publicado em 02/01/2012


Ouça no Blog da Dilma:



Ricardo Boechat, âncora do jornalismo da Band, comenta o livro Privataria Tucana.

Boechat pesado e põe o ” banqueiro bandido”, segundo o deputado Protógenes Queiroz, na roda.

O Amaury começa a furar o bloqueio do PiG (*).

E a CPI da Privataria ainda não começou.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

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Contraponto 7136 - "Mídia em parafuso"

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02/12/2012
Mídia em parafuso

Do OCafezinho - 2 January 2012
7 comentários

Miguel do Rosario

O Cafezinho inicia o ano com mudanças. Agora todos os posts têm algum conteúdo livre. A primeira análise de mídia vem mais concisa e publicada cedo, por volta das 7 horas. Os outros posts serão publicados até o meio dia.

Nas últimas semanas do ano passado, os jornais publicaram alguns textos pesadamente oposicionistas, a maior parte deles ainda refletindo as emoções despertadas com a publicação do livro Privataria Tucana. Refiro-me, especificamente, aos textos quase histéricos de Merval Pereira e Marco Antonio Villa, e ao artigo paranóico de José Serra.

Entretanto, o primeiro dia de 2012 amanheceu com editoriais e colunas que negavam o teor dos primeiros.

Por exemplo, a Folha publicou, neste domingo, um editorial intitulado “Dilma, ano 1″, surpreendentemente favorável ao governo petista, e não só à gestão Dilma como também à anterior, de Lula.

Confira os dois primeiros parágrafos:

A administração se saiu bem em vários aspectos, mas falta arrojo para desatar nós que emperram a economia e elevar o padrão da educação.

Sucessora de um presidente que fez bom governo e deixou o cargo sob consagração popular, era natural que Dilma Rousseff pautasse sua estreia pela continuidade. Devia o cargo à indicação de Lula, de quem herdou até mesmo boa parte do ministério.

No Globo de domingo, encontrei duas colunas, escritas por personalidades muito influentes da área cultural, que citam elogiosamente o livro de Amaury Ribeiro, que dias antes havia sido tratado com desprezo e até mesmo ódio por outros colunistas do mesmo jornal.

Aldir Blanc abre sua coluna de domingo de maneira impiedosa:

Abro a cortina do passado para melhor encarar 2012. Estou lendo “A privataria tucana”, de Amaury Ribeiro Jr, nos contando sobre o Brasil de FHC I e II, “vendendo tudo”, principalmente o que pertencia a nosotros. Não adianta nhe-nhe-nhem porque o jornalista e escritor tem três prêmios Esso, quatro Vladmir Herzog, e sofreu um sério atentado, investigando assassinatos de menores pelo tráfico no entorno de Brasília. O livro contém lama para mensalão nenhum botar defeito. Só um tira-gosto: o insuspeito Nobel de Economia (2001) J. Stiglitz cunhou o termo “briberzation”, ao invés de privatization. Bribe é coisa roubada, na gíria de ladrões ingleses, desde o século XIV. Infelizmente, não achei, durante a leitura, nada sobre um pretenso compêndio escrito pelo Serra, sob pseudônimo: “O ócio de Aécio no cio”.

Talvez embalada pelo slogan da tucanagem, “vender tudo”, a operadora de telemarketing, amiga de Adriano Ruínas do Imperador, tenha se apresentado — Luzes! Ação! — para depor na delegacia com aquele modelito Das pu Bangu Trois. Gastando um pouquinho meu francês aprendido na Praça Paris foi vraiment une efemèrde.

O outro colunista global que cita o livro é ninguém menos que Caetano Veloso, que aborda o tema, porém, de maneira bem mais comedida que Blanc e compensando com uma tremenda rasgação de seda em prol de Fernando Henrique Cardoso.

Dizem que 2011 foi o ano do livro “A privataria tucana”. (…) “A privataria tucana” tem estilo jornalístico vibrante.

Ainda no domingo, Jânio de Freitas faz uma referência sarcástica e algo misteriosa ao texto de Villa:

Por fim, Marco Aurélio Villa, professor de história da Universidade Federal de São Carlos e colaborador de jornais, escreve que o best-seller “A privataria tucana”, do repórter Amaury Ribeiro Jr., “foi produzido nos esgotos do Palácio do Planalto”.

Aí há duas possíveis metáforas e uma informação. As primeiras são “nos esgotos” e o próprio historiador e professor de história. É a informação que justifica o desejo inalcançável: ver provar-se, por qualquer meio inequívoco, que “A privataria tucana” “foi produzido” no Palácio do Planalto, mesmo que na garagem ou no abrigo das emas.

Com essas referências, pode-se dizer que o livro de Amaury, o grande acontecimento político do segundo semestre de 2011, finalmente conseguiu romper o bloqueio midiático e provocou um alvoroço interessante, forçando colunistas e intelectuais a tirarem a máscara, oferecendo ao leitor uma postura editorial confusa, contraditória, mas extremamente saudável do ponto-de-vista democrático.

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