segunda-feira, 4 de junho de 2012

Contraponto 8349 - "Paulo Teixeira: Ataque de Gilmar Mendes a Lula revela intranquilidade com a CPI"

.

04/06/2012

Paulo Teixeira: Ataque de Gilmar Mendes a Lula revela intranquilidade com a CPI

Do Viomundo - publicado em 4 de junho de 2012 às 14:54

por Conceição Lemes

Na semana passada, a CPI do Cachoeira aprovou:

1. A quebra de sigilos da matriz da Delta Construções e de outras empresas mencionadas nas investigações da Polícia Federal e supostamente ligadas aos negócios do bicheiro.

2. A quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico, de e-mail, SMS e skype do senador Demóstenes Torres (sem-partido GO).

3. A convocação dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e Distrito Federal, Agnello Queiroz (PT), para prestar esclarecimentos. Perillo confirmou para 12 de junho, Agnello, para 13.

Curiosamente, a julgar pelo noticiário da chamada grande imprensa, a CPI vai de mal a pior. É tudo de ruim: vai acabar em pizza, é lerda, entre outras depreciações. O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), eleito na semana passada vice-presidente da CPI, discorda dessas avaliações.

Viomundo – Por quê?

Paulo Teixeira – Não há na CPI qualquer objetivo de fazer dela uma pizza. Pelo contrário. Ela está andando com precisão. A CPI já quebrou os sigilos fiscal, bancário e telefônico de empresas e pessoas envolvidas com a organização criminosa do Carlinhos Cachoeira.

Acontece que essa organização criminosa enredou setores importantes do PSDB e do Democratas, e a CPI inexoravelmente vai chegar mais fortemente na oposição do que já chegou.

Daí a grita de setores da sociedade, inclusive da grande mídia. Estão irritados justamente por causa do objeto da CPI — a organização criminosa do Carlinhos Cachoeira, as empresas e os agentes públicos envolvidos.

A grande mídia está contra, porque essa CPI implica a oposição, sua aliada, além de segmentos da própria mídia. Ao ridicularizar a CPI, a grande mídia revela a sua predisposição em relação à CPI.

Viomundo – Há quem defenda que as acusações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes ao ex-presidente Lula também sejam objeto dessa CPI. Concorda?

Paulo Teixeira – Primeiro, a fala do ministro Gilmar Mendes é muito estranha. Supondo que tivesse havido qualquer tipo de ameaça, pressão, por parte do ex-presidente Lula, ele tinha a obrigação denunciar prontamente o que ele disse que teria havido. E não o fez. A conversa entre o ex-presidente Lula, o ex-ministro Jobim e o ministro Gilmar Mendes aconteceu no dia 26 de abril. Ele só falou sobre este tema um mês depois.

Segundo, ele fala que depois da conversa com o ex- presidente alguns jornalistas disseram-lhe que Lula teria dito isso, aquilo, aquilo outro. Ou seja, ele pode ter sido enredado numa teia de fofocas, de boatos.

Terceiro, há o precedente de que, no passado, o ministro Gilmar Mendes disse ter sido vítima de escuta telefônica, o que, de fato, não aconteceu. Portanto, a forma como o ministro Gilmar investiu contra o ex-presidente Lula demonstra desequilíbrio, confusão.

Viomundo – No seu entender, revela o quê?

Paulo Teixeira — Intranqüilidade do ministro Gilmar Mendes com a CPI, porque ele acaba se debruçando sobre o tema CPI longamente. Até porque dos três presentes à conversa, dois desmentiram o seu conteúdo.

Viomundo – Mas a CPI deveria ou não tratar desse fato?

Paulo Teixeira – Acho que não, a CPI tem coisas muito importantes para investigar. Além disso, eu não creio que o Supremo Tribunal Federal estivesse vulnerável a qualquer tipo de pressão, ainda que eu não acredite que tenha havido qualquer tipo de pressão por parte do ex-presidente Lula.

Na verdade, tanto a mídia quanto a oposição querem desviar o foco de si próprias. Eu creio que esse fato não deveria fazer parte da CPI. Esse fato terá espaço na política brasileira como um embate entre um ex-presidente da República e um ministro do STF. Cada brasileiro fará o julgamento que achar desse ataque do ministro Gilmar Mendes ao ex-presidente Lula.

Consequentemente, na minha opinião, a CPI deve se preocupar com o seu foco inicial, que é o de investigar essa organização criminosa e dar conta dela e não se permitir o desvio de rota por conta desse fato.

Toda a crônica tem sido na direção de desacreditar a CPI, de forçá-la a desviar o seu foco. Afinal, o foco dela é, digamos assim, muito destrutivo, tendo em vista que revela uma grande maracutaia, um grande esquema envolvendo partidos de oposição com o crime organizado.

Insisto. O ministro Gilmar Mendes está dedicando muito tempo à CPI. Na verdade, na sua fala, ele dedica um grande tempo do seu ataque para explicar as suas relações com o senador Demóstenes Torres. Desse modo, caberá à sociedade brasileira julgar se essa relação era ou não adequada.

Na minha opinião, o Gilmar Mendes desferiu um ataque inaceitável ao ex-presidente Lula e agora ele não consegue mais controlar.

Leia também:

Voar contradiz versão de Gilmar Mendes

Contraponto 8348 - Dez perguntas a Gilmar Mendes. A batata assa

.
04/06/2012


Dez perguntas a Gilmar Mendes.
A batata assa

Do Conversa Afiada - Publicado em 03/06/2012


O Conversa Afiada reproduz as perguntas do Charles Carmo, do blog “O Recôncavo”- http://www.oreconcavo.com.br/ – , enviadas pelo Beto:


Beto

Perguntas de Charles Carmo de “O Recôncavo”

1) Ministro Gilmar Mendes, o senhor não fica “perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas” de um ministro do supremo que chama um presidente “às falas”, dizendo-se vítima de um grampo que nunca existiu e de um “estado policial” que ficou a ser provado, ao preço de uma crise institucional?

2) Ministro Gilmar Mendes, “vamos dizer que o Demóstenes me oferecesse uma carona num avião se ele tivesse. Teria algo de anormal” em alguém questionar o meu grau de proximidade com o senador? E se isso ocorresse com um ministro do Supremo Tribunal Federal e o senador em questão fosse alvo de fartas acusações, haveria algo de anormal nestes questionamentos? O senhor se sente intimidado com esta pergunta?

3) Ministro Gilmar Mendes, o senhor se diz vítima de “gângsteres”, “chantagistas” e “bandidos” que estão a espalhar notícias falsas para atrapalhar o julgamento do “mensalão”, processo que o senhor julgará. O ministro Gilmar Mendes não estaria pré-julgando os réus do processo? O ministro prevaricou ao não denunciar formalmente os senhores Luiz Inácio da Silva e Nelson Jobim, bem como os “chantagistas” que o senhor acusa? Ou o senhor não o fez porque simplesmente não há a mínima prova do que diz, além da sua palavra? Se não o fez porque não há provas, pode acaso um juiz acusar ou condenar sem provas?

4)
O senhor demorou mais de um mês para denunciar a suposta tentativa de chantagem. Quando o fez foi por meio da revista Veja, após a revelação de que um “Gilmar” teria viajado em voo reservado pelo esquema de Carlinhos Cachoeira, segundo informações colhidas pela Polícia Federal. A indignação do ministro tem 30 dias de prazo para entrar em vigor? O que o senhor tem a dizer sobre a tese de que isso não passaria de uma cortina de fumaça para desviar a atenção sobre sua suposta proximidade com o senador Demóstenes Torres, que, diga-se de passagem, até recentemente empregava um parente seu?

5) Deve um ministro do STF submeter-se a uma superexposição na imprensa, emitindo, a todo tempo, juízo de valor e opiniões sobre fatos concernentes ao caso que o senhor julgará? O senhor acusa a quem, especificamente, quando diz que há “bandidos” interessados no adiamento do julgamento do “mensalão”? Às partes do processo? Se a resposta for afirmativa, isto não deveria constar no processo e ser comunicado formalmente aos seus pares? Se negativa, eu poderia “inferir” que o senhor estaria influenciando a decisão de seus colegas e pré-julgando, por meio da imprensa, ao levantar questões tão graves sem provar o ocorrido, sugerindo a participação dos réus e testemunhas do processo na trama protelatória?

6) Os demais ministros do Supremo Tribunal Federal deverão acompanhar qual órgão de imprensa para que tenham conhecimento das suas novas acusações, se elas ocorrerem?

7) Ministro Gilmar Mendes, ao ministro do STF é vedado qualquer participação política-partidária. Diante de sua conduta no caso do grampo que nunca existiu e, agora, no caso de suas relações com senador Demóstenes Torres e da denúncia contra o ex-presidente Lula, prontamente desmentida, eu poderia “entender, depreender e inferir” que o senhor não está se comportando de acordo com a liturgia que o cargo exige?

8) “Na coluna do jornalista Bastos Moreno, no jornal O Globo, está dito que Gilmar Mendes, ao sair do escritório de Jobim, foi, enfurecido, a uma reunião com a cúpula dos Democratas”, lembra Wálter Maierovitch. Isso é verdade? Se afirmativa a reposta, o senhor não acha que seus colegas do Supremo Tribunal Federal deveriam ter a primazia, diante dos fatos? Com quem e sobre o que o senhor conversou com o DEM? O DEM sabe destes fatos há um mês, e também se calou?

9) Ministro Gilmar Mendes, segundo matéria da Folha de São Paulo “o ex-ministro de Defesa, Nelson Jobim, teria recebido, há alguns dias, um telefonema do ex-governador José Serra pedindo que falasse com a revista Veja. Jobim atendeu o pedido e só então soube da reportagem sobre o encontro entre Lula e o ministro Gilmar Mendes”. O senhor também recebeu algum telefonema de José Serra pedindo que o senhor falasse à revista Veja? José Serra sabia então, antes da divulgação da revista, sobre o teor da matéria? Quem contou foi o senhor? A revista Veja?

10) O termo “liturgia do cargo” tem, na sua opinião, qual sentido?
Sem mais perguntas, agradeço a atenção de vossa excelência.

Por Charles Carmo

http://www.oreconcavo.com.br/2012/05/31/perguntas-de-um-blogueiro-ao-mod…

.

Contraponto 8347 - "Decifrando os movimentos de Gilmar"

.


Autor:

A última edição da Carta Capital, matéria de Cynara Menezes, liquida de vez com o factoide Veja-Gilmar, meramente juntando a lógica com as diversas versões apresentadas por Gilmar.

Primeiro, desmascara o teatro da indignação de Gilmar com o encontro. Ela não se coaduna com uma espera de 30 dias, sem sequer comentar o episódio com seus colegas de Supremo. A revista mostra que o único comentário foi com o presidente Ayres Brito, na 4a feira anterior à capa da Veja. E teria sido uma conversa informal, papo de cafezinho, sem nenhuma dramaticidade.

Depois, alinhava as diversas versões de Gilmar, mostrando o festival de contradições. A reportagem da revista sustentava que Nelson Jobim não ouviu toda a conversa; em uma das inúmeras entrevistas, o próprio Gilmar garante que sim.

Na versão da revista, houve pressão explícita de Lula para adiar o mensalão. Na entrevista de Manaus, Gilmar diz que houve uma breve menção ao mensalão que ele (trinta dias depois) intuiu ter sido pressão.

É certo que houve intriga da pesada de duas experientes jornalistas - uma da TV Globo, outra da Globonews. Mas se fosse tão fácil levar Gilmar no bico, ele não teria chegado aonde chegou.

O mais provável é que sua estratégia tenha sido montada rapidamente, depois do Ministro Ricardo Lewandovski, do STF, ter assumido as rédes da Operação Monte Carlo e liberado as chamadas gravações de conversas fortuitas não incluídas no relatório da PF.

É curioso também como mudou o comportamento da velha mídia em relação a Lewandovski - alvo de uma quebra de sigilo, quando filmadas as mensagens que trocava com uma colega, em uma sessão do Supremo. Agora, é tratado com deferência. A mudança se deve ao poder de que Lewandovski se viu revestido.

Agora, por sua posição no caso, tem poderes quase absolutos. Coube a ele quebrar o sigilo de todo mundo em Goiás. Pode convocar a Polícia Federal, pedir informações, quebrar sigilos.

Além da reportagem da Veja, mudou completamente o comportamento de Gilmar em relação ao Ministério Público Federal e ao próprio mensalão. De uma hora para outra criou caso com Lewandovski, pressionando-o a apressar o relatório.

Do mesmo modo, depois de qualificar o MPF como "milícias" - na Operação Satiagraha -, de repente tomou as dores do Procurador Geral Roberto Gurgel

Se o relatório tivesse sido entregue no prazo pelo qual a mídia pressionava, o julgamento começaria no dia 5 de junho. E, aí, adeus CPI do Cachoeira. Todos os jornais e a Rede Globo centrariam fogo no julgamento do mensalão, abafando completamente a CPI.

Por aí é possível entender a agonia de Gilmar, pressionando pelo relatório de Leeandovski.

Celso Melo e Marco Aurélio Melo já se manifestaram contra essa pressão da velha mídia. E consideraram que a pressão procura transformar o julgamento quase em um rito sumário, prejudicando o direito de defesa. Celso de Melo já opinou que a criação de um mutirão para acelerar o relatório comprometeria o rito legal da corte.

.

Contraponto 8346 - Charge on line do Bessinha

.
04/06/2012
Charge do Bessinha (671 e 672)



.

domingo, 3 de junho de 2012

Contraponto 8345 - "A conexão goiana"

.
03/06/2012
A conexão goiana
Da Carta Maior - 02/06/2012

Gilmar Mendes está demonstrando dificuldade em entender a realidade, em aceitar o jogo democrático que exige, como fundamento maior, a liberdade de expressão, que se concretiza na pluralidade da informação e de opinião. Essa dificuldade, se não for logo vencida, dará suspeição às decisões que ele tomar como juiz do STF.

Mauro Santayana

Os meses a vir pedem aos homens públicos responsáveis, de todos os partidos, a combinação da firmeza com a paciência, a fim de conduzir a campanha e o pleito municipal deste ano. A oposição, instigada pelo julgamento do processo conhecido como mensalão, se encontra açulada por alguns de seus líderes menos sensatos. O presidente Lula, acossado pelos inimigos e em convalescença de um tratamento penoso, não se tem contido diante dos ataques que recebe e fez algumas declarações apressadas, como ocorreu em recente programa de televisão. Na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os negócios de Carlos Cachoeira, parlamentares perdem a compostura, e usam de linguagem chula e repulsiva, provocados pelo soberbo silêncio dos depoentes, entre eles o Senador Demóstenes Torres.

Os diálogos ásperos são normais nas casas parlamentares, desde que elas existem. Os registros do Senado Romano mostram como os debates já se valiam, naquele tempo, da ironia e do insulto – que deviam soar mais ferinos no latim republicano. A Câmara dos Comuns, a partir do confronto com os Stuarts, na primeira metade do século 17, reproduzia a linguagem vulgar dos pubs e das margens do Tamisa. No século seguinte, principalmente durante o reinado de George III, os insultos faziam parte habitual dos debates na Câmara dos plebeus. Entre os lordes, é claro, a coisa era outra: estavam todos de acordo contra o povo.

Em uma comissão parlamentar de inquérito, os ânimos são mais acesos. Mas conviria, tendo em vista a conjuntura política e econômica mundial, que os membros do comitê investigatório se contivessem em sua linguagem, na mesma medida em que se empenhassem, seriamente, na busca da verdade. O momento pede a coesão nacional, mas ela não pode ser construída na tolerância com o crime.

Estamos diante de uma oportunidade singular, a de separar o que é público do que é privado na sociedade brasileira. Ainda que não consigamos tudo, alguma coisa que se consiga irá contribuir para a evolução positiva da democracia republicana em nosso país.

O Sr. Gilmar Mendes continua arrostando a paciência nacional. A ligeireza com que acusa e com que retifica suas versões demonstra que o Ministro não está segurando as rédeas do raciocínio – e, em seu caso, não existe a atenuante de um agressivo tratamento de saúde.

Ainda agora ele mesmo revela que interferiu na autonomia do poder executivo, ao solicitar do Ministro da Fazenda que proiba a Caixa Econômica de anunciar em blogs independentes na internet. Como tive a oportunidade de escrever, em minha coluna no JB – reproduzida pelos blogs que ele quer silenciar – o ministro Gilmar Mendes não é uma instituição, não é o STF. E sua visita ao Ministro da Fazenda, com esse objetivo, é, sim, intromissão em outro poder e pode ser vista como intimidação. Todos os grandes veículos de comunicação do país recebem anúncios – e em valor e volume muito maiores do que a totalidade dos blogs – e exercem forte oposição ao governo. Tanto é assim que a presidente da Associação Nacional dos Jornais, Judith Brito, disse que a imprensa – os jornais que ela representa – desempenha o papel de um partido de oposição que, em seu juízo, não existe no Brasil.

Gilmar Mendes está demonstrando dificuldade em entender a realidade, em aceitar o jogo democrático que exige, como fundamento maior, a liberdade de expressão, que se concretiza na pluralidade da informação e de opinião. É claro que essa dificuldade, se não for logo vencida, dará suspeição às decisões que ele tomar como juiz do STF.


Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.
.
.

Contraponto 8344 - "O dedo de Lula"

03/06/2012

O dedo de Lula

Do Blog do Emir - 02/06/2012

A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia.

Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca, teve sempre como ideologia dominante a da elite branca, Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos.

A elite paulista representa melhor do que qualquer outro setor, esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revoluçao de 30, menos ainda o governo do Getúlio. Foram derrotados sistematicamente pelo Getulio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos “marmiteiros”- expressão depreciativa que a direita tinha para os trabalhadores, uma forma explicita de preconceito de classe.

A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo “a locomotiva da nação”, o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil. Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de Sao Paulo, eram todos “baianos” ou “cabeças chatas”, trabalhadores que sobreviviam morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos em Sao Paulo.

A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de joias e outros bens para a “salvação do Brasil”- de que os militares da ditadura eram os agentes salvadores.

Terminada a ditadura, tiveram que conviver com o Lula como líder popular e o Partido dos Trabalhadores, para o qual canalizaram seu ódio de classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular.

Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem, seu caráter, está sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. O dedo de uma mão de operário, acostumado a produzir, a trabalhar na máquina, a viver do seu próprio trabalho, a lutar, a resistir, a organizar os trabalhadores, a batalhar por seus interesses. Está inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem de classe. É insuportável para o racismo da elite paulista.

Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula, depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da presidência – e da sua sucessora, a Dilma. Tem que conviver com a ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da vitória da esquerda, do PT, do Lula, do povo.

O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos são sua representação política.


Da discriminação, do racismo, do pânico diante das ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado, que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos do FHC, do Serra, do Gilmar, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes.

*Emir Sader. Sociólogo e cientista político

.

Contraponto 8343 - "Nasce a nova agenda de Dilma: preço justo"

03/06/2012

Nasce a nova agenda de Dilma: preço justo

Nasce a nova agenda de Dilma: preço justo
Foto: Ueslei Marcelino/ REUTERS

Juros bancários, tarifas telefônicas e preço da energia elétrica: a presidente já superou o primeiro obstáculo e pretende atacar os outros dois para reduzir o Custo Brasil, não pela ótica das empresas, mas dos consumidores; começa a nascer uma bandeira de governo: o preço justo

Do Brasil 247 /03 de Junho de 2012 às 15:26

247 – Os números da economia brasileira não estão entre os melhores na comparação internacional. O “pibinho” de 0,2% no primeiro trimestre deste ano colocou o Brasil em 21º lugar numa lista de 33 países. É público e notório em Brasília que, mesmo diante de um ambiente conturbado na capital federal, a presidente Dilma Rousseff tem dedicado muito mais atenção à economia do que à política. E, aos poucos, começa a ganhar forma uma marca em seu governo: a de uma mulher que se preocupa com o Custo Brasil, mas não pela ótica das empresas, e sim dos consumidores.

A primeira batalha, a dos juros, vem sendo superada. O Brasil já não tem a maior taxa do mundo e a Selic de 8,5%, fixada pelo Banco Central na última reunião do Comitê de Política Monetária, abriu espaço para um novo ciclo de competição entre os bancos. Instituições como Bradesco, Banco do Brasil, BRB e Caixa Econômica Federal anunciaram novas rodadas de cortes nas taxas.

Agora, a presidente elegeu dois novos alvos: as tarifas de telefonia e de energia elétrica. No primeiro caso, ela determinou ao ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, estudos para reduzir os impostos incidentes sobre o setor e também outras medidas para baratear as ligações, que, no Brasil, são as mais caras do mundo (leia mais aqui).

No caso da conta de luz, a presidente também pediu estudos aos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e de Minas e Energia, Édison Lobão, para reduzir os 42% de impostos que incidem sobre o setor. A ideia é baratear os contas e liberar recursos no orçamento doméstico das famílias.

Durante muito tempo, a discussão sobre o chamado “Custo Brasil” foi liderada pelas empresas, que reclamavam da má infraestrutura, do excesso de impostos e da burocracia. Agora, pela ótica do consumidor, esse assunto começa a ganhar corpo no governo e reflete uma postura que Dilma Rousseff já demonstrava como ministra do governo Lula. No novo modelo do setor elétrico, os leilões tinham como premissa a oferta da energia mais barata ao consumidor. O mesmo foi feito nas concessões de estradas cuja licitação foi conduzida por ela, como no caso da Fernão Dias.

Em busca de uma bandeira

Dilma Rousseff, até agora, não encontrou uma bandeira definitiva para o seu governo. A “faxina”, marca do primeiro ano, foi transitória. O slogan “País rico é país sem pobreza”, de certa forma, reflete apenas a continuidade de um processo de inclusão social iniciado pelo antecessor Luiz Inácio Lula da Silva.

O Planalto, agora, talvez tenha começado a enxergar um dos principais anseios do povo brasileiro, que é a noção de preço justo. Por que, afinal, o Brasil tem a telefonia mais cara do mundo? A energia mais cara do mundo? Os carros mais caros do mundo? Eis aí uma bandeira que começa a nascer.

.

Contraponto 8342 - O criador de oportunidades on line

.
03/06/2012

O POVO apresenta a trajetória de um cearense de 22 anos que teve sua vida revolucionada pela educação. Hoje, através da educação, é ele quem revoluciona a vida de milhares de brasileiros

O cearense Thiago Feijão ainda cursava a 6ª série do ensino fundamental no Colégio Militar de Fortaleza quando descobriu o poder revolucionário da educação. “Tudo começou quando um grande educador, mentor e amigo meu, o professor Geraldo, de Matemática, me convidou para participar da tese de mestrado dele, sobre Educação e Cidadania”, conta Thiago, em entrevista exclusiva ao O POVO.

A partir daí, o pré-adolescente - sempre pródigo em notas excelentes - encantou-se com a capacidade transformadora da formação de um cidadão. Ao terminar a oitava série, a saída do Colégio Militar deu-se no mesmo momento em que sua família passava por grave crise financeira e foi o seu desempenho acadêmico excepcional que lhe garantiu uma bolsa de estudos integral em um dos mais conceituados colégios particulares de Fortaleza. De lá, saiu direto para a faculdade de Engenharia Mecânica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP).

Hoje, dez anos depois de ter aceito o convite do mestre Geraldo, Thiago é o responsável pela criação do Quadrado Mágico, uma plataforma digital que disponibiliza gratuitamente 700 vídeos com aulas de matemática para alunos dos ensinos fundamental e médio e que tem como objetivo conectar os brasileiros à oportunidade de se educar.

“Quando eu entrei no ITA, em 2008, comecei a trabalhar no terceiro setor com educação e comunidades de baixa renda. Vivi a realidade deles. Percebi que deveria contribuir para a solução desse problema, e tudo que eu já pensava antes a respeito de educação se intensificou. Queria que aquelas pessoas tivessem a mesma oportunidade que eu tive”.

ONGs
Até chegar ao Quadrado Mágico (www.qmagico.com.br), o site de “aprendizado misturado” (ou Blended Learning, no original em Inglês) onde as aulas estão disponíveis, Thiago foi professor, diretor de Recursos Humanos e presidente da ONG Casd, que prepara jovens de baixa condição financeira para o vestibular.

Na sequência, fundou outras duas organizações não governamentais. A Casdinho e o Instituto Semear. Em ambas o foco é reverter, através da educação, “uma realidade social marcada pela desigualdade” e, ao mesmo tempo, “despertar nos jovens assistidos a cultura da educação como um fator de mudança social”. Foi o sucesso destas iniciativas que o levou para a criação do Quadrado Mágico.

“O estalo da ideia veio quando se inscreveram mais de 2.000 alunos para o processo seletivo de uma das minhas ONGs, e nós somente tínhamos 120 vagas”, lembra Thiago. “Fiquei me questionando como eu criaria algo que fosse ‘sustentável e escalável’ para que eu conseguisse replicar o modelo das ONGs para todas as escolas, professores e alunos de todo o Brasil a baixíssimo custo. Assim, surgiu o QMágico”.

Entre a o insight inicial, em março de 2011, e o lançamento da plataforma, no mês passado, passou-se pouco mais de um ano. Tempo necessário para atrair mais dois parceiros e co-fundadores, montar uma equipe pedagógica e aperfeiçoar a plataforma. Em menos de 20 dias no ar, os 700 vídeos de matemática do Quadrado Màgico já foram assistidos por mais de 10 mil alunos.

“Os alunos podem assistir a vídeos, resolver exercícios interativos, ganhar pontos e medalhas, compartilhar o conhecimento com os outros”, orgulha-se Feijão, que já pensa emestender para outras disciplinas as aulas disponibilizadas.

700
aulas de matemática, divididas por ano escolar e por áreas de conhecimento (como Geometria, Funções e Conjuntos) estão disponíveis no site

10 MIL
alunos já utilizaram o material pedagógico disponibilizado no Quadrado Mágico


Émerson Maranhão emerson@opovo.com.br


_________

Como assistir os vídeos do Quadrado Mágico (aqui)

.

Contraponto 8341 - "Dilma vai à guerra"

.
03/06/2012

Dilma vai à guerra

Carta Capital
- 3/6/2012

Mauricio Dias

Após embate com o poderoso capital financeiro, a presidenta Dilma forçou e conseguiu a redução dos juros para um patamar histórico. A taxa de 8,5% ao ano, anunciada nos últimos dias, não só marca o aniversário dos primeiros 18 meses de administração dela como também consolida, para decepção dos céticos, a identidade de Dilma.

Fonte: CNI/Ibope

Ela não é mais tão somente uma invenção de Lula. E, com o perdão das feministas e para fazer escárnio dos machistas, o feito não é alcançado pelo fato de uma mulher ser responsável pelo sucesso nem por ela ser “durona como um homem”, como insistiria o frustrado.

O gênero não define nada. O que vem ocorrendo é resultado de coragem e determinação política.

Após superar a difícil fase de denúncias sobre assessores suspeitos de corrupção, ou malfeitos, como diz ela, Dilma foi em frente. Afastou ministros indicados pela base governista e deixou o Congresso baratinado, soltando grunhidos de insatisfação.

Chegou-se a pensar que ela faria uma faxina capaz de desestabilizar o governo, ou cederia. Não fez a faxina e não cedeu. Assim começou a imprimir suas digitais na administração. O Congresso cedeu.

Posteriormente, pressionada pela crise internacional, partiu resoluta para a queda de braço com os agentes do mundo financeiro. Eles esboçaram uma reação.

Esperavam o recuo e se surpreenderam com o avanço.

A presidenta exibiu a musculatura do braço estatal – Banco do Brasil e Caixa Econômica – e os agentes privados cederam.

Poucos, além de fanáticos torcedores partidários, acreditavam que a presidenta pudesse, sem o tutor político dela, ganhar identidade própria. Pensavam assim os próprios militantes, os órfãos de Lula e, naturalmente, a oposição, por elementar dever de ofício.

Dilma, neste curto período de ano e meio, contrariou os mais importantes atores políticos do País ou, quando menos, grupos influentes como os ambientalistas.

Ruralistas poderosos e ambientalistas influentes foram desagradados por Dilma a partir das decisões tomadas em relação aos vetos e propostas, nesse caso por via de medidas provisórias, do polêmico Código Florestal.

Para desespero dos profissionais de uma lógica superada, ela não desestabilizou a base governista que, contabilizadas as alianças formais, é formada por cerca de 350 parlamentares.

“Dilma fez tudo isso sem bravata e com a sobriedade que a função presidencial exige”, constata Carlos Augusto Montenegro, do Ibope.

Mas, sem dúvida, não teria sucesso sem um apoio maciço da população. Os porcentuais do índice de “Confiança no Presidente” (tabela) sustentam a estabilidade do governo malgrado os conflitos frequentes com a base governista no Congresso.

Leia também:
Prevaricação
Pacto com o diabo


Ela só tem porcentual menor de confiança do que Lula tinha (80%) após três meses de governo no primeiro mandato. Mas no primeiro trimestre do segundo ano de governo comparado com Lula, seja no primeiro ou no segundo mandato, ela já deixou Lula para trás: 72% dela contra 60% de Lula no primeiro mandato e 68% no segundo.

Dilma contrariou também os militares com a formalização da Comissão da Verdade e irritou a burocracia ao promulgar a Lei de Acesso à Informação.

O Brasil está diante de uma importante transformação. E ela projeta uma mudança fundamental: o ambiente político-eleitoral que elegeu Dilma em 2010 já não será o mesmo. Em 2014, talvez não seja inteiramente outro, mas certamente será diferente.

Dilma deve, no entanto, a implantação de um novo código para o setor de comunicações. Para isso, no entanto, ainda virá a tempo.
.

Contraponto 8340 : "Marcos Coimbra: Gilmar Mendes consguirá julgar com isenção"

.
.03/06/2012

Marcos Coimbra:

Gilmar Mendes consguirá julgar com isenção

Do Viomundo - publicado em 3 de junho de 2012 às 10:18

por Marcos Coimbra, no Correio Braziliense

Nessa história do encontro entre Lula, Gilmar Mendes e Nelson Jobim, só uma coisa é certa: todos estão errados.

Por motivos óbvios, tornou-se o principal assunto da semana. Tem tudo para permanecer no centro dos debates por longo tempo.

Uma das razões para isso é que ele faz pensar em aspectos relevantes de nossa vida política: a relação entre os Poderes, a natureza do Supremo Tribunal Federal, a atuação dos ex-presidentes da República – para ficar nos mais evidentes.

Olhando-o do ponto de vista de seu principal personagem, seria, no entanto, algo até corriqueiro.

Que mal – deve ter pensado Lula – pode haver em encontrar Gilmar Mendes? Não tendo função no Executivo, sem ocupar cargo formal na estrutura do PT, não pertencendo a nenhuma entidade vinculada ao governo, não seria, apenas, o encontro de dois velhos conhecidos?

Lula – como sabem até as criancinhas do grupo – é um ser que vive a política em regime de dedicação exclusiva e tempo integral.

Pensa, em primeiro lugar, no seu partido. Conhece cada militante da velha guarda pelo nome e acompanha de perto o surgimento da nova geração.

Também se envolve nas questões dos outros partidos que estiveram em sua base e que estão na de Dilma. Seus integrantes sabem que podem contar com ele.

Tem compromisso com os amigos – especialmente os que passam dificuldades. Parece-se, nesse aspecto, com muitas de nossas lideranças maiores, do passado e do presente. Não abandonar os companheiros é uma qualidade sem a qual não se vai longe na política.

Na iminência do julgamento do mensalão, Lula está preocupado. Não com sua imagem – ou a de seu governo. Essas, ele sabe – assim como nós – quais são. Mas com alguns dos acusados, cujos atos – ele sabe, assim como nós – são regra em nosso sistema político. Ele quer ajudá-los.

Gilmar Mendes ignorava tudo isso quando foi encontrá-lo?

Se vivêssemos nos Estados Unidos, o ministro teria todo motivo para se escandalizar se visse um ex-presidente da República em plena atividade política – falando e se agindo como liderança partidária. Lá, todos saem do combate e se tornam estadistas.

Aqui, nenhum.

Pelos relatos dos participantes da reunião – considerando os muitos que forneceram -, parece confirmado que Lula sugeriu ao ministro a conveniência de não correr com o julgamento e deixá-lo para depois das eleições (o que, segundo o ministro Marco Aurélio Mello, um dos decanos da Corte, seria um pleito “natural” e “legítimo”).

O quanto Lula foi além é duvidoso: para Jobim, nada; para Mendes – em algumas versões – também nada; em outras, bem mais.

Domingo, o ministro Celso de Mello disse que, se Lula ainda fosse presidente, o caso justificaria a discussão do impeachment. Mas é uma declaração apenas retórica. Muitas coisas que a lei veda aos agentes públicos não proíbe aos líderes partidários.

As regras que regem o funcionamento da Suprema Corte não impedem os encontros de ministros com políticos – mesmo fora do Tribunal – para tratar de assuntos políticos. Mas o bom senso os desaconselha. Ainda mais na véspera de julgamentos politicamente sensíveis.

Está claro o que Lula queria do encontro. E o que imaginava o ministro? Que seria uma tertúlia sobre temas do direito?

Depois da celeuma provocada pelo episódio, o presidente do STF, ministro Ayres Britto, falando em nome de seus pares, assegurou: “Nós não perdemos o foco, que é o nosso dever de julgar todo e qualquer processo – inclusive esse chamado de mensalão – com objetividade, imparcialidade e serenidade”.

A pergunta é outra: Gilmar Mendes tem, hoje, essa condição? Conseguirá por de lado a mágoa que revelou em seus pronunciamentos e julgar com isenção?

Em situações análogas, alguns de seus antecessores mais ilustres reconheceram que deviam declarar-se impedidos.

.

Contraponto 8339 - "Dilma vem para fazer História"

.
03/06/2012
Dilma vem para fazer História


Do Direto da Redação - Publicado em 02/06/2012

Quem não se lembra da crônica política de dois anos atrás que, diante da iminência da vitória da candidata Dilma Roussef, rotulava-a como inexperiente, pronta para ser engolida, seja pela previsível subserviência ao que seria o seu inventor (Lula) seja pela matreirice corporativista de um congresso formado basicamente por raposas da política, por aproveitadores e fisiológicos? Quem não se recorda do conceito de “pau mandado” que lhe tentaram impingir em relação ao ex-presidente, eminência parda para quem a presidenta eleita apenas esquentaria o lugar para um hipotético retorno do líder petista ?

Um mínimo de honestidade dessa turma de críticos, alicerçada nos atos e fatos que vêm marcando o governo Dilma, já deve estar mexendo com determinadas convicções então levantadas, ao menos por parte dos realmente bem intencionados. E não é por acaso que mesmo alguns setores da mídia que se pautam permanentemente pelas tentativas de desestabilizar o poder constituído pelo povo, mesmo esses estão mais cautelosos nas observações e análises sobre as posturas da Presidenta, que hoje desfruta dos mais altos índices de aceitação conferidos nos últimos anos a um mandatário nacional. E então, claro, voltam suas baterias para o Lula, contando com a cumplicidade de alguns golpistas e de muitos figurões da República. ... E elegem o “mensalão” petista (que, diga-se, tem mesmo que ser julgado e, se for o caso, punido) como o nosso mais sério delito de corrupção, esquecendo o seu irmão gêmeo mineiro, a compra de votos para a reeleição, as denúncias da Privataria Tucana e tudo mais que, em nosso país, está se transformando numa cachoeira, ou, se quiserem, numa enxurrada . Mas esse é um outro assunto...

A Presidenta não titubeou no caso dos ministros que se viram envolvidos em denúncias de malversação, tráfico de influência ou coisas do gênero. Com sabedoria de estadista, administrou as crises – que muitos pretendiam avassaladoras – e deixou que o bom senso (ou o rabo preso) dos envolvidos encaminhasse as soluções de afastamento. Recusou o rótulo pejorativo de faxineira, e afirmou-se pela sobriedade e seriedade com que foi equacionando os problemas. Nas substituições que fez, deixou clara uma posição de independência em relação a muitos interesses da sua própria base política de apoio, apostando no técnico contra o político, na eficiência contra a demagogia.

É bem nítido que o nosso sistema político de composições para a malfadada “governabilidade” tem impedido muitas vezes a Presidenta de fazer valer seus propósitos. Mesmo assim, até pelas reações corajosas de Dilma, poucas vezes a sociedade brasileira pôde perceber tão claramente esse jogo espúrio de pressões e contrapressões que ainda marcam o cenário nada republicano de nossa política.

De qualquer forma, a Presidenta vem impondo sua marca, cada vez mais particular, na condução de assuntos que, embora de interesse de todo o povo brasileiro, são (ou eram) tidos como intocáveis. Um deles : os juros cobrados no sistema bancário. Dilma não economizou críticas – em horário nobre e rede nacional – às exorbitâncias praticadas e não apenas cobrou medidas da rede particular como usou os bancos oficiais como elementos de concorrência, em uma linguagem que o “mercado” certamente entende ...

A criação da Comissão da Verdade , acompanhada da verdadeira profissão de fé da Presidenta , e a transparente Lei do Acesso, são ações que, embora tardias, finalmente surgem agora como irreversíveis conquistas da cidadania, marcas adicionais no perfil de estadista da Presidenta.

Se Dilma não pôde – como queriam os ambientalistas – vetar totalmente o escandaloso Código Florestal aprovado no Congresso, nem por isso cedeu aos ruralistas naquilo que considerou mais relevante para a preservação de nossas florestas e para a afirmação de princípios éticos como o da não anistia aos grandes desmatadores.

São apenas alguns exemplos, dentre muitos , que justificam os números que as repetidas pesquisas estão revelando. Agora mesmo leio nos jornais a publicação, pelos Ministérios da Saúde e da Justiça, de lei que criminaliza a exigência, por parte de entidades de saúde particulares , de cheque-caução para atendimento médico de urgência, tipificando a exigência como crime de omissão de socorro. Sabemos todos da “caixa preta” que envolve esse e outros assuntos ligados aos planos de saúde.

Evidentemente, nem tudo são ou serão flores no âmbito federal. Há muitos desafios pela frente. Dilma reafirmou em recente pronunciamento que seu compromisso é com o crescimento econômico do país, com inclusão social e sustentabilidade. Lamentavelmente, a permanente tentativa dos nossos partidos de fazer valer a política do “toma lá dá cá” não são práticas que desaparecerão em um repente, por milagre ou por espasmo. Dilma , nesse âmbito, às vezes tem que empenhar-se em dobrar alguns dos seus próprios companheiros de partido...

Mas o caminho da Presidenta, esperamos todos , deve ser o do enfrentamento do fisiologismo reinante. Aproveitando-se dos exitosos índices que o país vem revelando no cenário mundial – que garante aos brasileiros uma relativa tranquilidade em meio à crise geral -penso que está na hora de fazer valer sua merecida popularidade para trocar, gradativamente, o comprometido apoio de políticos discutíveis pelo indiscutível apoio popular. Nas ruas, se for o caso, quando necessário, na velha tradição das grandes causas públicas.

Rodolpho Motta Lima. Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.
.
.

Contraponto 8338 - "Charge do Bessinha"

.
03/06/2012
Charge do Bessinha (671)

.
.

sábado, 2 de junho de 2012

Contraponto 8337 - "Profecia de Professor "


02/06/2012

Profecia de Professor

Dalari e Gilmar

Do DoLaDoDeLa - 02/05/2012


por Dalmo de Abreu Dallari (*)

Nenhum Estado moderno pode ser considerado democrático e civilizado se não tiver um Poder Judiciário independente e imparcial, que tome por parâmetro máximo a Constituição e que tenha condições efetivas para impedir arbitrariedades e corrupção, assegurando, desse modo, os direitos consagrados nos dispositivos constitucionais.

Sem o respeito aos direitos e aos órgãos e instituições encarregados de protegê-los, o que resta é a lei do mais forte, do mais atrevido, do mais astucioso, do mais oportunista, do mais demagogo, do mais distanciado da ética.

Essas considerações, que apenas reproduzem e sintetizam o que tem sido afirmado e reafirmado por todos os teóricos do Estado democrático de Direito, são necessárias e oportunas em face da notícia de que o presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica.

Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. Por isso é necessário chamar a atenção para alguns fatos graves, a fim de que o povo e a imprensa fiquem vigilantes e exijam das autoridades o cumprimento rigoroso e honesto de suas atribuições constitucionais, com a firmeza e transparência indispensáveis num sistema democrático.

Segundo vem sendo divulgado por vários órgãos da imprensa, estaria sendo montada uma grande operação para anular o Supremo Tribunal Federal, tornando-o completamente submisso ao atual chefe do Executivo, mesmo depois do término de seu mandato. Um sinal dessa investida seria a indicação, agora concretizada, do atual advogado-geral da União, Gilmar Mendes, alto funcionário subordinado ao presidente da República, para a próxima vaga na Suprema Corte. Além da estranha afoiteza do presidente - pois a indicação foi noticiada antes que se formalizasse a abertura da vaga -, o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país.


É oportuno lembrar que o STF dá a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e dos atos das autoridades públicas e terá papel fundamental na promoção da responsabilidade do presidente da República pela prática de ilegalidades e corrupção.

É importante assinalar que aquele alto funcionário do Executivo especializou-se em "inventar" soluções jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governoFernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas. Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, "inventaram" uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.

Medidas desse tipo, propostas e adotadas por sugestão do advogado-geral da União, muitas vezes eram claramente inconstitucionais e deram fundamento para a concessão de liminares e decisões de juízes e tribunais, contra atos de autoridades federais.

Indignado com essas derrotas judiciais, o dr. Gilmar Mendes fez inúmeros pronunciamentos pela imprensa, agredindo grosseiramente juízes e tribunais, o que culminou com sua afirmação textual de que o sistema judiciário brasileiro é um "manicômio judiciário".


Obviamente isso ofendeu gravemente a todos os juízes brasileiros ciosos de sua dignidade, o que ficou claramente expresso em artigo publicado no "Informe", veículo de divulgação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (edição 107, dezembro de 2001). Num texto sereno e objetivo, significativamente intitulado "Manicômio Judiciário" e assinado pelo presidente daquele tribunal, observa-se que "não são decisões injustas que causam a irritação, a iracúndia, a irritabilidade do advogado-geral da União, mas as decisões contrárias às medidas do Poder Executivo".


E não faltaram injúrias aos advogados, pois, na opinião do dr. Gilmar Mendes, toda liminar concedida contra ato do governo federal é produto de conluio corrupto entre advogados e juízes, sócios na "indústria de liminares".

A par desse desrespeito pelas instituições jurídicas, existe mais um problema ético. Revelou a revista "Época" (22/4/ 02, pág. 40) que a chefia da Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público - do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários - para que seus subordinados lá fizessem cursos. Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na "reputação ilibada", exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo.

A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão, para que a arguição pública do candidato pelo Senado, prevista no artigo 52 da Constituição, seja apenas uma simulação ou "ação entre amigos". É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática.

_________________

PITACO DO ContrapontoPIG

Acima, artigo de 2002 de Dalmo Dallari sobre Gilmar Mendes

_________________

.

Contraponto 8336 - "Veja e Cachoeira unidos contra CPI 'inferem' que Gilmar foi tiro no pé"

.
02/06/2012

Veja e Cachoeira unidos contra CPI 'inferem' que Gilmar foi tiro no pé

Do Amigos do Presidente Lula - 2/5/2012

Se a calúnia ao presidente Lula perpetrada pela revista Veja na semana passada tivesse tido sucesso, o ministro do STF, Gilmar Mendes seria capa nesta semana e daria entrevista nas páginas amarelas.

Mas foi tiro no pé, a "reporcagem" serviu para provocar polêmica e aborrecimentos ao presidente Lula, mas acabou queimando a imagem de Gilmar Mendes, e ainda reforçou os boatos relacionados a ele com a turma de Cachoeira, principalmente porque a revista manteve uma parceria editorial informal com o bicheiro e seus arapongas.

Além disso queimou nomes da oposição, como Aécio Neves (PSDB-MG), que deixou cair a máscara de moderado, para revelar-se uma ardilosa serpente traiçoeira com veneno escorrendo pelo canto da boca. Ficou ao lado de Gilmar Mendes tentando faturar politicamente e escolheu se declarar inimigo público de Lula, ao apoiar uma ação sem-vergonha na justiça, assinada pelo PSDB, para cassar e aprisionar o presidente Lula, como a ditadura fez quando ele ainda era líder sindical.

José Serra (PSDB-SP) também entrou em processo de combustão. Telefonou à Nelson Jobim, para envolvê-lo na arapuca da revista Veja contra Lula, o que acabou vindo ao conhecimento público. E acabou a semanda entrando no olho do furacão com o escândalo dos "60% para Serra" no Rodoanel, e das pressões de Paulo Preto sobre o Dnit para estourar o orçamento da obra.

Com tanto estrago, a capa da Veja acertou em cheio: Um tiro no pé.


A revista tenta dissimular, ao querer direcionar o tiro no pé para o PT. Assim ela retoma sua parceria em objetivos editorais comuns com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, pois ambos não queriam a CPI e fazem tudo para detoná-la.

A CPI não foi um tiro no pé do PT, e sim da oposição demotucana, da Veja e da Globo, pois jamais acabará pizza. Só o que já revelou até agora já valeu sua instalação. Mal começou e o cardápio não é de pizza, e sim de batatas assando, de Marconi Perillo, Policarpo, Eumano, Época, Civita, José Serra, Paulo Preto, e é só questão de tempo para a fila dos bicudos andar rumo a Siqueira Campos (PSDB-TO), Anchieta Júnior (PSDB-RR), Beto Richa (PSDB-PR), Simão Jatene (PSDB-PA) e outros.

Contraponto 8335 - "Com medo da derrota, tucanos demonstram irritação com Lula"

.
02/06/2012


Com medo da derrota, tucanos demonstram irritação com Lula

Do Vermelho - 1 de Junho de 2012 - 16h54

O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), classificou como "antidemocrática" a promessa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite desta quinta-feira (31), no Programa do Ratinho, de que não pode "deixar que um tucano volte a governar" o Brasil.

Para o chefe do tucanato, a fala de Lula “é demonstração antidemocrática”, de “profunda arrogância” e de “total desequilíbrio". Ao que parece, Sergio Guerra não acompanhou a participação do ex-presidente Lula no programa.

Lula afirmou que será candidato ao governo federal em 2014 apenas se a presidente Dilma Rousseff não quiser disputar a reeleição. E, neste caso, disputará legitimamente a Presidência da República, dificultando o sonho dos caciques tucanos de voltar a ocupar o cargo maior do Estado brasileiro.

Já em relação à suposta arrogância de Lula é de conhecimento de todos que o PSDB perdeu as últimas três disputas à Presidência – duas delas com José Serra e uma com Geraldo Alckmin.

O tucano afirmou ainda que as declarações de Lula são uma tentativa "desequilibrada" de atingir o partido. "O presidente tem feito o que está ao seu alcance. Até procurar ministro do Supremo para limpar a barra de seus companheiros”, fazendo menção às trocas recentes de acusações entre Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que diz ter sido pressionado para atrasar o julgamento do mensalão.

Durante a entrevista com Ratinho, Lula foi incisivo ao tratar das acusações do ministro do STF: "Quem inventa a história, que prove a história".

O PSDB sustenta ainda que a participação do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, ao lado de Lula, pode ser interpretada como propaganda eleitoral antecipada. Em um trecho da entrevista, Lula afirmou: "Ele vai passar para a história, como o ministro da Educação que criou o ProUni e colocou 1 milhão de jovens da periferia nas universidades".

Haddad, que tem como um dos principais rivais na campanha o pré-candidato do PSDB José Serra, é visto pelo presidente do PSDB como uma escolha pessoal de Lula para concorrer às eleições. "O Fernando Haddad não tem legitimidade para ser candidato em São Paulo", disse Guerra.

O departamento jurídico do PSDB está agora analisando medidas a serem tomadas em relação aos comentários, encarados pelo advogado especialista em direito eleitoral como um tipo de campanha eleitoral antecipado.

A irritação do PSDB com Lula e a ameaça de ir à Justiça Eleitoral contra o ex-presidente demonstram que o pânico começa a se instalar no poleiro tucano.


Com informações das agências
.
.