sábado, 2 de fevereiro de 2013

Contraponto 10.396 - "O adeus aos bancos centrais independentes"

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 02/02/2013 

O adeus aos bancos centrais independentes

 



Da Carta Maior - 01/02/2013

A mudança de paradigma dos bancos centrais na América Latina foi chamada de populista e demagógica por políticos, funcionários e colunistas do chamado primeiro mundo. Curiosamente, hoje, quando no mundo desenvolvido se sugere ou se pratica abertamente uma mudança de modelo, ninguém se lembra do epíteto. A análise é de Marcelo Justo, de Londres.

Marcelo Justo


Londres – Os países desenvolvidos são velhos defensores do “faça o que digo, não faça o que eu faço”. Um artigo de fé da ortodoxia neoliberal, eixo do Consenso de Washington, era o lugar que ocupava o Banco Central em meio a um sistema financeiro e econômico desregulado. Neste marco, a independência ou autonomia do banco central era sagrada.

A política monetária de um país devia estar em mãos de técnicos especializados e livres da influência dos governos de turno, sempre sujeitos à demagogia e à lógica do curto prazo. E o eixo central – muitas vezes exclusivo – da Carta Orgânica do Banco Central era o combate à inflação.

A crise econômica que estourou em 2007-2008 está mudando as coisas. Com uma dívida descomunal nos Estados Unidos, Japão e em muitos países da União Europeia, com injeções de dinheiro eletrônico para sanear o sistema financeiro, os Bancos Centrais do mundo desenvolvido estão adotando um intervencionismo adaptado às necessidades dos governos. Esta mudança se reflete nos meios onde se discute cada vez mais abertamente a necessidade de esquecer o velho parâmetro e substituí-lo por um diferente adaptado à nova realidade.

Em um artigo publicado recentemente no Financial Times, sugestivamente intitulado “A era dos bancos centrais independentes está chegando ao fim”, o economista chefe do HSBC, Stephen King, aponta nesta direção ao dizer que “não se pode seguir falando de independência dos bancos porque eles criam ganhadores e perdedores”.

King não é uma exceção. O ex-assessor da Reserva Federal de Nova York, Zoltan Pozsar, e o economista que cunhou o termo “banca nas sombras”, Paul Mc Culley, sugeriram em um artigo sobre a emissão de dinheiro eletrônico ou aceleração quantitativa, que os bancos centrais devem trabalhar seguindo as ordens dos ministérios de finanças para coordenar medidas fiscais e monetárias que ajudem a lidar com a crise atual.

O Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, arrematou este debate dizendo que, na verdade, tratava-se de um equívoco, uma ilusão ou um engano deliberado. “Não há realmente instituições independentes. Todas têm que prestar contas. A questão é para quem”, disse Stiglitz em uma conferência na Índia neste mês de janeiro.

Gritos de batalha
Desde a contração de crédito de 2007, a Reserva Federal nos Estados Unidos e o Banco da Inglaterra estimularam a economia e alavancaram os bancos com diversas medidas, entre elas a aceleração quantitativa, uma emissão eletrônica de dinheiro que procura expandir o crédito para estimular o setor produtivo e o consumo doméstico. O catedrático de sistemas financeiros da Universidade de Negócios de Manchester, Ismail Erturk, considera que estas medidas deixam claras as limitações do modelo autonômico bancário.

É certo que havia uma relativa autonomia no manejo institucional dos bancos. Mas não nas nomeações em nível ideológico. Para ser presidente de um banco era preciso ser monetarista. Se o candidato fosse keynesiano estava fora. Não surpreende então que se definisse a inflação como controle de preços ao consumidor e se ignorasse o impacto que tinham outras apreciações dos preços como as bolhas especulativas imobiliárias ou financeiras. O resultado foi desastroso”, disse Erturk à Carta Maior.

A hecatombe veio com a queda do Lehman Brothers em setembro de 2008 que forçou os governos a intervir para impedir uma corrida bancária e uma depressão mundial. O superendividamento atual do mundo desenvolvido vem desse momento. Mas nem com aquela intervenção fiscal massiva se conseguiu curar a enfermidade.

O Banco Central Europeu (BCE) emprestou mais de um trilhão de euros aos bancos ameaçados por dívidas impagáveis contraídas na época do dinheiro fácil com o soterrado objetivo de salvar seus credores, as instituições financeiras dos países do norte, desde a Alemanha até o Reino Unido.

A emissão de dinheiro eletrônico – a máquina impressora de cédulas deste século, tão criticada no século passado quando usada na América Latina – está na ordem do dia. Nos Estados Unidos, a emissão supera os dois trilhões de dólares. No Reino Unido, os 600 bilhões.

O último caso deste novo intervencionismo é o Japão. Com um forte respaldo democrático das eleições de dezembro, o novo primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, modificou a tradicional independência do Banco do Japão para comprometê-lo com seu gigantesco programa de estímulo fiscal e aumentar as metas inflacionárias que passaram de um estreito 1% para um ligeiramente mais folgado 2%.

Para um dos mais duros defensores da ortodoxia, o presidente do Banco Central da Alemanha, Jens Weidmann, a conduta do governo japonês foi a gota que fez o copo d’água transbordar. “Nos casos do Japão e da Hungria estamos vendo uma clara ingerência na política do banco central que ameaçava a autonomia que deve reger seu funcionamento. Isso está levando a uma crescente politização de sua conduta”, disse Weidmann.

E a América Latina?
Os países em desenvolvimento têm historicamente uma conduta mais sinuosa, flutuando entre a ortodoxia neoliberal e as próprias urgências de sua economia. Sinal de uma ruptura no consenso que predominava antes do estouro financeiro de 2008, os bancos centrais e reguladores financeiros dos chamados “países emergentes” assinaram em 2011 no México a declaração de Maya para a inclusão financeira dos setores excluídos da sociedade. O Brasil se encontrava entre os países que anunciaram iniciativas concretas para expandir o acesso ao crédito a amplas parcelas da população.

No ano passado, Argentina e Bolívia modificaram a carta orgânica que regulamenta o funcionamento de seus bancos centrais mantendo o princípio de preservação do valor da moeda – evitando episódios inflacionários que erodissem seu valor -, mas acrescentando a seu mandato a necessidade de desenvolver políticas que contribuam ao desenvolvimento econômico e social do país. Em 2008, a nova Constituição equatoriana eliminou a autonomia do Banco Central do Equador.

“A redefinição dos objetivos que está se ensaiando vai pelo bom caminho, mas é preciso lembrar que há limites sobre o que o um Banco Central pode realmente fazer. Além disso, na América Latina, um objetivo essencial dos bancos centrais é a questão cambial frente às flutuações que sofrem suas moedas”, assinalou Erturk.

A mudança de paradigma dos Bancos Centrais na América Latina foi chamada de populista e demagógica por políticos, funcionários e colunistas do primeiro mundo. Curiosamente, hoje. Quando no mundo desenvolvido se sugere ou se pratica abertamente uma mudança de modelo, ninguém se lembra do epíteto.

Tradução: Katarina Peixoto

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Contraponto 10.395 - "Senado não se curva e tira o fio do Gurgel da tomada"

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02/02/2013

Senado não se curva e tira o fio do Gurgel da tomada

 


Do Conversa Afiada - publicado em 02/02/2013
  
Que monstruosidade – diria o Mauricio Dias – confere tanto poder desestabilizador a tão insignificante ator ?
 
O conflito institucional entre o Senado e a Justiça tem dois artefatos de efeito retardado.

O Supremo aceitar a denuncia de Gurgel contra Renan.
E o Supremo condenar Gurgel por prevaricação e chantagem – como acusa Fernando Collor (Clique aqui para ler e ver “Collor: Senado não pode se curvar ao Gurgel”)

A denúncia de Collor contra Gurgel corre na Corregedoria do Ministerio Público e no Senado – o único foro para cassar o Gurgel.

A de Gurgel contra Renan depende de o Supremo considerar que ele apresentou provas convincentes que justifiquem uma investigação.

Como se sabe, o Senado já absolveu Renan dessas mesmas acusações agora recauchutadas com o Big Ben de Propriá, no dia da votação (Clique aqui para ler “Golpe do MP contra Renan – MP denuncia na hora de votar”)

(Gurgel, com o mesmo Big Ben – Clique aqui para ver o importante depoimento do Miro do Barão de Itararé sobre a “cronometragem” do  julgamento do mensalão ( o do PT) – esperou o Supremo fechar as portas de 2012 para tentar, na calada da noite, cassar o mandato do Genoíno. Ainda bem que o Presidente Barbosa devolveu-o ao seu lugar.)

Gurgel também mandou para São Paulo (onde deve haver mais tucanos …) e não para Brasília a denuncia do Marcos Valeriodantas contra Lula.

Como se sabe, o brindeiro Gurgel se transformou na espuma inflamável que pretende incendiar a República.

Com a parcialidade de sua Procuradoria.

E a sistemática incriminação do PT.

O Senado não se curvou ao Gurgel.

E derrotou o PiG e o Gurgel com uma sova: 56 a 18.

Mais votos do que o Renan teve quando foi eleito cinco anos atrás, e  ainda não havia acusações contra ele.

Em algum ponto do meio do caminho até essa anunciada crise institucional – inflamada pelo PiG e seus capatazes – alguém tem que tirar o fio do Gurgel da tomada.

Esse equívoco, primeiro da lista, perde o mandato no meio do ano.

E não pode deixar um rastro de cinza ardente atrás dele.

O que o Gurgel quer ?

Proteger-se do Collor na sombra da Casa Grande ?

Prefaciar a segunda edição do livro do Ataulfo Merval de Paiva (*) e entrar pela porta da frente do PiG (**) ?

Qual é a dele ?

Deslocar o centro de decisão politica do país do voto para o Supremo ?

Quem é Gurgel para re-escrever a Constituição ?

Que obras, que talentos, que serviços ao País tem esse cavalheiro ?

De onde veio ?

Para onde vai ?

Que obras já escreveu ?

Em que a História do Ministério Público se enriquecerá com sua desastrada passagem pelo cargo superior da hierarquia ?

Como terá contribuído para deslustrar o Ministério Público ?

Que votos proferiu que, um dia, um estudante de Direito compulsará ?

Que méritos profissionais exibia, além de ser o primeiro da lista ?

Que monstruosidade – diria o Mauricio Dias – confere tanto poder desestabilizador a tão insignificante ator ?

Cabe ao Senado, senão ao Senado, ao Executivo, senão ao Executivo a  alguma alma iluminada no Supremo tirar o fio da tomada desse provocador institucional.

O que ele quer ?

Encarcerar o Lula ?

Provar que o Lula é o que o Millenium diz que é: o brasileiro mais corrupto ?

Mais que o Demóstenes ?

Mais que o Cachoeira ?

Impedir a reeleição da Dilma na chapa com o PMDB ?

Quer fechar o Senado ?

Como disse o valoroso senador Pedro Simon nesta sexta-feira: Gurgel, tua biografia ficará um pouco melhor se você renunciar.

Antes de sair ignoto, repudiado, ao fim de um mandato que desonrou.


Paulo Henrique Amorim


(*) Até agora, Ataulfo de Paiva era o mais medíocre dos imortais da história da Academia Brasileira de Letras. Tão mediocre, que, ao assumir, o sucessor, José Lins do Rego, rompeu a tradição e, em lugar de exaltar as virtudes do morto, espinafrou sua notoria mediocridade.





(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

 

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Contraponto 10.394 - "No Senado, Collor acusa Gurgel de ser chantagista"


02/02/2013

 

No Senado, Collor acusa Gurgel de ser chantagista


Do Viomundo publicado em 1 de fevereiro de 2013 às 15:08

Contraponto 10.393 - "Para Lula, interação na web pode ajudar governos de esquerda""

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02/02/2013

 

Para Lula, interação na web pode ajudar governos de esquerda



Por alfeu

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que acredita que a interação permitida pelos novos meios de comunicação, em especial a internet, podem ajudar a furar o bloqueio que a grande mídia tradicional impõe aos governos de esquerda. A declaração foi feita na quarta-feira (30), durante o encerramento da 3ª Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, patrocinada pela Unesco e realizada em Cuba.
Lula criticou a resistência dos grandes meios de comunicação aos governos progressistas. Em tom irônico ele afirmou: “Eu nem reclamo, porque no Brasil a imprensa só fala bem de mim. Mas nasci assim, cresci assim e vou morrer assim, ou seja, deixando eles muito nervosos”.

“Não pense que a imprensa não gosta do Chávez porque ele fala do socialismo do século 21. Não pensem que não simpatizam com Corrêa, Morales ou Cristina. A verdade nua e crua é que a elite política e econômica dos nossos países não gosta de nós, não pelos erros que tenhamos cometido, mas pelas coisas que fizemos bem.”

Lula também defendeu o fim do embargo econômico dos Estados Unidos a Cuba, que segundo ele não se justifica mais. “Espero que o presidente Obama, neste segundo mandato, tenha um olhar mais equitativo e mais justo para nossa querida América Latina e, principalmente, acabe com o bloqueio contra Cuba, porque não existe motivo nenhum para mantê-lo.”
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Contraponto 10.392 - "Empossado, Renan pode dar o troco em Gurgel"

247 - A denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) não chegou a impedir a eleição do peemedebista à presidência do Senado nesta sexta-feira, mas foi motivo de grande constrangimento. Antes mesmo de assumir oficialmente sua candidatura, nesta quinta-feira, o senador teve de se explicar sobre um caso que estava há dois anos nas mãos do procurador-geral e foi encaminhado por ele a apenas uma semana da eleição. Pois, se Renan guarda algum rancor, tem uma boa oportunidade de dar o troco.

Enquanto novo presidente do Senado, o peemedebista terá a atribuição de colocar sob apreciação do Senado uma representação contra Gurgel. A representação foi apresentada pelo senador Fernando Collor (PTB-AL) e pede a abertura de impeachment contra o procurador-geral no caso do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

O pedido de impeachment foi apresentado no ano passado, durante a CPI do Cachoeira, e se baseia na recusa do procurador-geral em comparecer ao Senado para explicar por que não encaminhou a denúncia da organização criminosa, apesar das provas colhidas pela Polícia Federal nas operações Vegas e Monte Carlo. Nesta sexta-feira, Collor voltou a fazer duras críticas ao trabalho de Gurgel à frente da Procuradoria Geral da República.


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PITACO DO ContraontoPIG

"Não importa a cor do gato, desde que ele cace o rato".  A frase de Deng Xiaoping se encaixa na situação atual

O rato prevaricador agora corre perigo ...

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Contraponto 10.391 - Videos: Altamiro Borges e Hildegard Angel soltam a voz


 01/02/2013

 Altamiro Borges e Hidegard Angel soltam a voz

 

Ato pela anulação do julgamento do STF

 



Do sítio da CUT do Rio de Janeiro:
 

O ato da CUT-RJ e do Barão de Itararé, nesta quarta (30), na ABI, no Rio, transbordou de gente e fez lembrar os grandes eventos da luta pela redemocratização do país. Com o auditório superlotado, extrapolando a capacidade máxima de 600 pessoas, muita gente não pôde entrar porque não cabia mais ninguém. A manifestação foi marcada pelo farto conteúdo político das falas, pelos esclarecimentos jurídicos cabais e detalhados e, acima de tudo, por muita emoção, espírito de luta e energia militante. A mesa de debates, que foi mediada por Fernanda Carísio, ex-presidente do Sindicato dos Bancários do Rio e integrante da direção Executiva do Partido do Trabalhadores, contou com o ex-ministro José Dirceu, os jornalistas Raimundo Pereira, da revista "Retrato do Brasil", Altamiro Borges (Barão de Itararé) e Hildegard Angel, além do advogado e professor da PUC-Rio, 

Adriano Pilatti.
 (...)

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Contraponto 10.390 - "O forte apache das tesourarias"

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01/02/2013

O forte apache das tesourarias

 

Da  Blog das Frases - Carta Maior - 01/02/2013

 


 Saul Leblon

A tesouraria é o forte apache do capitalismo desregulado. E o centro logístico da oposição conservadora no Brasil.

Tesouraria é o espaço físico. O departamento que cuida de maximizar os ganhos do capital a juro. Mas também é a palavra símbolo de uma lógica que disputa a hegemonia da política econômica.

Na ciranda da tesouraria embalam-se os interesses das grandes corporações –bancos ou grupos empresariais, locais e globais. Ademais da insaciável legião dos acionistas, cuja pátria são os dividendos.

O conjunto movimenta riquezas apreciáveis.

Fundos de aplicações financeiras registraram um giro de R$ 2,4 trilhões no Brasil em 2012.

O valor equivale a mais da metade do PIB em direitos sobre a riqueza real.

Não é um país à parte, embora se avoque mordomias, soberania e imunidades equivalentes às de um poder paralelo.

Pelotões de estrategistas, exércitos de consultores, inteligência acadêmica, bancadas legislativas, mídia e aliados internacionais
mantêm-se e são mantidos a seu serviço.

Em prontidão permanente.

Diária.

Para assegurar à riqueza financeira ganhos de rentabilidade inexcedíveis em qualquer outro setor econômico. Aqui e alhures.

O governo Dilma vem tornando difícil a vida das tesourarias no Brasil.

O rebate é forte.

O inconformismo escorre do noticiário econômico para os espaços onde os cifrões são traduzidos em 'projeto de país'. E daí estampados em colunas, editoriais, discursos, candidaturas amigáveis aos mercados.

Com propriedade o ministro Paulo Bernardo carimbou na rebelião das tesourarias um adesivo certeiro: 'o partido do juro alto'.

Aécio Neves com seu aparato de ‘professores-banqueiros' colou-o na testa.

A tesouraria prepara-se para 2014, mas ainda não em campo aberto.

Droners controlados à distância cuidam do bombardeio.

A meta é implodir a costura de uma política econômica que busca promover a eutanásia do rentista em duas frentes.

Seccionando linhas de alimentação do capital fictício com juros baixos e IOF alto, de um lado.

De outro, abrindo frentes de infraestrutura e mantendo o consumo de massa aquecido, na indução de um ciclo de investimento com maior igualdade social.

Busca-se um país que o Brasil nunca foi de verdade.

O governo cutuca placas tectônicas.

Com um juro básico em 7,25%, uma inflação em torno de 5,5%, mais impostos, obter ganho real nas aplicações financeiras deixou de ser mamão com açúcar.

O que está em jogo não é algo trivial.

Trata-se de mudar as condições de financiamento da economia.

E os objetivos do desenvolvimento.

Aconteceu antes, em 32 e 53 – quase como uma revolução burguesa à revelia das elites; foi feito sob o patrocínio do capital estrangeiro em 55; reprimido em 64; ordenado ditatorialmente contra o povo nos anos 70 e terceirizado aos livres mercados nos anos 90.

A seta do tempo vive um novo estirão.

Luta-se para consolidar uma nova hegemonia ancorada nas energias, demandas e protagonistas que iniciaram a longa viagem à procura de um Brasil inédito, a partir das greves metalúrgicas do ABC paulista, nos anos 70/80.

Um passaporte da travessia é regenerar a base industrial brasileira. E tampouco aqui é contabilidade.

Trata-se de um requisito para gerar empregos e salários de qualidade; ademais de receita fiscal compatível com investimentos sociais, ambientais e logísticos que uma cidadania plena reclama.

Estabilidade ancorada em juro baixo e câmbio desvalorizado (para impedir importações devastadoras da produção local) é uma receita é mortal para a riqueza financeira.

Seu habitat é o jogo intertemporal incessante em que presente e futuro se fundem na busca do rendimento alto e constante.

Todo o círculo de interesses que orbita em torno dessa roleta está em pé de guerra contra o governo.

À falta de um horizonte volátil, semeia-se um ambiente político de beligerante 'desconfiança'.

Do forte apache partem mísseis com alvos selecionados.

A saber:

I) ‘a ameaça inflacionária voltou: com juros baixos, salários, emprego e crédito em alta, em contraposição à oferta rígida de bens – um reflexo do baixo investimento –, a disparada dos preços é inevitável’.
É uma meia verdade. A inflação encontra-se estável, com os preços no atacado em queda. E o investimento é uma batalha em curso. A rigidez por enquanto é mais um alarmismo que o jogral rentista quer transformar em profecia autorrealizável.

II) 'o governo fracassou em expandir o investimento em infraestrutura'.
Também uma verdade parcial, descontextualizada. Esquece-se de que o Estado foi desmontado nos anos 90 e sistematicamente acuado para não se reerguer –coisa que vem sendo feita com acanhamento. Ainda assim, em 2012 o investimento público cresceu 13%; o PAC acionou R$ 40 bi em obras.

III) 'a política econômica intervencionista gera incertezas e trava a retomada do crescimento'.
Capcioso. Até o FMI admite que a santíssima trindade ortodoxa feita de meta de inflação pautada pelo mercado financeiro, superávit fiscal rígido e câmbio livre pode e deve ser adequada às necessidades contracíclicas do desenvolvimento.

Mas a fuzilaria não vai parar.

Quem perdeu a doce vida de dividendos médios de 19% ao ano (fruto predominante da especulação em bolsa e não da produtividade), e viciou na roleta generosa, de juros três vezes acima da inflação, não vai largar o osso pacificamente.

Por trás dos ganidos emitidos pela mídia, há um cachorro grande a latir grosso.

É o forte apache das tesourarias.

Sob risco de se mistificar o protagonismo da mídia, seu nome não pode mais ser omitido quando se denuncia a narrativa do golpismo. 

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Contraponto 10.389 - "A imbecilização do Brasil"

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01/02/2013 

A imbecilização do Brasil



Da Carta Capital - 01.02.2013 08:33 Editorial

 

Mino Carta


Há muito tempo o Brasil não produz escritores como Guimarães Rosa ou Gilberto Freyre. Há muito tempo o Brasil não produz pintores como Candido Portinari. Há muito tempo o Brasil não produz historiadores como Raymundo Faoro. Há muito tempo o Brasil não produz polivalentes cultores da ironia como Nelson Rodrigues. Há muito tempo o Brasil não produz jornalistas como Claudio Abramo, e mesmo repórteres como Rubem Braga e Joel Silveira. Há muito tempo…

Os derradeiros, notáveis intérpretes da cultura brasileira já passaram dos 60 anos, quando não dos 70, como Alfredo Bosi ou Ariano Suassuna ou Paulo Mendes da Rocha. Sobra no mais um deserto de oásis raros e até inesperados. Como o filme O Som ao Redor, de Kleber Mendonça, que acaba de ser lançado, para os nossos encantos e surpresa.

Nos últimos dez anos o País experimentou inegáveis progressos econômicos e sociais, e a história ensina que estes, quando ocorrem, costumam coincidir com avanços culturais. Vale sublinhar, está claro, que o novo consumidor não adquire automaticamente a consciência da cidadania. Houve, de resto, e por exemplo, progressos em termos de educação, de ensino público? Muito pelo contrário.

Nossa vanguarda. Imbatíveis à testa da Operação Deserto
Nossa vanguarda. Imbatíveis à testa

da Operação Deserto
E houve, decerto, algo pior, o esforço concentrado dos senhores da casa-grande no sentido de manter a maioria no limbo, caso não fosse possível segurá-la debaixo do tacão. Neste nosso limbo terrestre a ignorância é comum a todos, mas, obviamente, o poder pertence a poucos, certos de que lhes cabe por direito divino. Indispensável à tarefa, a contribuição do mais afiado instrumento à disposição, a mídia nativa. Não é que não tenha servido ao poder desde sempre. No entanto, nas últimas décadas cumpriu seu papel destrutivo com truculência nunca dantes navegada.

Falemos, contudo, de amenidades do vídeo. De saída, para encaminhar a conversa. Falemos do Big Brother Brasil, das lutas do MMA e do UFC, dos programas de auditório, de toda uma produção destinada a educar o povo brasileiro, sem falar das telenovelas, de hábito empenhadas em mostrar uma sociedade inexistente, integrada por seres sem sombra. Deste ponto de vista, a Globo tem sido de uma eficácia insuperável.

O espetáculo de vulgaridade e ignorância oferecido no vídeo não tem similares mundo afora, enquanto eu me colho a recordar os programas de rádio que ouvia, adolescente, graciosas, adoráveis peças de museu como a PRK30, ou anos verdolengos habitados pelos magistrais shows de Chico Anysio. Cito exemplos, mas há outros. Creio que a Globo ocupe a vanguarda desta operação de imbecilização coletiva, de espectro infindo, na sua capacidade de incluir a todos, do primeiro ao último andar da escada social.

O trabalho da imprensa é mais sutil, pontiagudo como o buril do ourives. Visa à minoria, além dos donos do poder -real, que, além do mais, ditam o pensamento único, fixam-lhe os limites e determinam suas formas de expressão. O alvo é a chamada classe média alta, os aspirantes, a segunda turma da classe A, o creme que não chegou ao creme do creme. E classe B também. Leitores, em primeiro lugar, dos editoriais e colunas destacadas dos jornalões, e da Veja, a inefável semanal da Editora Abril. Alguns remediados entram na dança, precipitados na exibição, de verdade inadequada para eles.

Aqui está a bucha do canhão midiático. Em geral, fiéis da casa-grande encarada como meta de chegada radiosa, mesmo quando ancorada, em termos paulistanos, às margens do Rio Pinheiros, o formidável esgoto ao ar livre. E, em geral, inabilitados ao exercício do espírito crítico. Quem ainda o pratica, passa de espanto a espanto, e o maior, se admissível a classificação, é que os próprios editorialistas, colunistas, articulistas etc. etc. acabem por acreditar nos enredos ficcionais tecidos por eles próprios, quando não nas mentiras assacadas com heroica impavidez.

O deserto cultural em que vivemos tem largas e evidentes explicações, entre elas, a lassidão de quem teria condições de resistir. Agrada-me, de todo modo, o relativo otimismo de Alfredo Bosi, que enriquece esta edição. Mesmo em épocas medíocres pode medrar o gênio, diz ele, ainda que isto me lembre a Península Ibérica, terra de grandes personagens solitárias em lugar de escolas do saber. Um músico e poeta italiano do século passado, Fabrizio de André, cantou: “Nada nasce dos diamantes, do estrume nascem as flores”. E do deserto?
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Contraponto 10.388 - "GURGEL PARA INICIANTES"


01/02/2013

GURGEL PARA INICIANTES

Do Facebook -1/2/2013
Leandro Fortes
As motivações do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ao denunciar o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) duas semanas antes das eleições para a presidência do Senado Federal e, em seguida, vazar o relatório da mesma denúncia pelo site da revista Época, no dia da eleição, nada tem a ver com preocupações morais ou funcionais.

A máscara de servidor exemplar com a qual tem se apresentado ao país desde a micareta do mensalão não resiste a uma chuva de carnaval, basta lembrar da atuação do chefe do Ministério Público Federal no caso do arquivamento da Operação Vegas da Polícia Federal, de 2009, a primeira a pegar as ligações do ex-senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. O sempre tão diligente e cioso dos bons costumes procurador-geral escondeu as informações da Justiça e obrigou a PF a realizar outra operação, a Monte Carlo, no ano passado – esta, afinal, que se tornou impossível de ser novamente engavetada por Gurgel.

O que Roberto Gurgel pretendeu ao denunciar Renan Calheiros às vésperas das eleições do Senado foi viabilizar a eleição do também procurador da República, o senador Pedro Taques (PDT-MT), praticamente um representante do procurador-geral dentro do Parlamento. Mas não se trata apenas de um movimento corporativista. Uma vez presidente do Senado, Taques teria nas mãos o poder de definir o que deve ou não ser colocado em votação no plenário.

Dadas as ligações viscerais estabelecidas, desde o julgamento do mensalão, entre a PGR e a oposição, sem falar no apoio irrestrito dos oligopólios de mídia, não seria pouca coisa ter um preposto num cargo tão importante.

Mas como Gurgel não entende nada de política e Taques é apenas um neófito no Senado, as campanhas de um e de outro foram só tiros n’água.

Mas é bom que se diga, não há nada a comemorar.

Sai José Sarney, o Kim Il-sung do Maranhão, entra Renan Calheiros, o adesista das Alagoas.

Nem ética, nem interesse público. As eleições das mesas diretoras do Congresso Nacional continuam sendo o resultado da baixa política de alianças entre o Executivo e o Legislativo, onde grassam como moedas de troca as indicações de cargos, os favorecimentos regionais, as mesquinharias paroquiais e a blindagem mútua.
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Contraponto 10.387 - "Gurgel ataca Lula em SP"

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01/02/2013

 Gurgel ataca Lula em SP


Do Conversa Afiada - Publicado em 01/02/2013

 Até onde Gurgel quer ir ?


Saiu em O Globo:


Depoimento de Marcos Valério sobre Lula será enviado à PGR-SP


BRASÍLIA – O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que vai enviar até segunda-feira à Procuradoria da República em São Paulo o depoimento no qual Marcos Valério acusa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter recebido dinheiro do mensalão. Como Lula não tem direito a foro especial, os procuradores devem enviar o caso para a primeira instância da Justiça. Segundo o procurador, o documento tem três ou quatro páginas.

O depoimento de Valério foi dado em setembro do ano passado. Como o julgamento do processo do mensalão já estava em curso, não foi possível inserir o novo fato à investigação. Gurgel disse que não fez nenhuma recomendação aos procuradores de São Paulo. Ele explicou que, normalmente, o Ministério Público faz uma análise preliminar sobre o caso antes de mandar para a Justiça:

- Normalmente feita análise preliminar, mas depende de cada colega.

 NAVALHA

 



Teoricamente, Gurgel conta com mais apoio no MPF de São Paulo do que no de Brasiíia, que seria a opção.

PHA


 

Contraponto 10.386 - "O fosso que se abre entre opinião pública e opinião publicada"

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01/02/2013

 

  O fosso que se abre entre opinião pública e opinião publicada

 


Do Viomundo - publicado em 1 de fevereiro de 2013 às 8:44



A velha mídia, fora da realidade

por MARCELO ZERO e DOUTOR ROSINHA, especial para o Viomundo

Chávez não era Chávez. A foto exibida no último dia 24 de janeiro pelo “El País”, jornal conservador espanhol, havia sido retirada de um vídeo médico de 2008, que mostrava um homem anônimo em coma.

Uma rápida e simples checagem teria revelado o erro grotesco e primário. No entanto, o “El País”, espécie de sucursal ibérica do antichavismo, resolveu arriscar para ver se “colava”. Não colou. Um internauta percebeu logo o erro e o jornal teve de retirar a foto e pedir desculpas. Tirou a foto e imediatamente colocou em si mesmo uma grande e vergonhosa “barriga”, nome que se dá, no jargão jornalístico, a erros desse tipo.

O episódio não é um fato isolado, um simples erro ocasional. Ao contrário. É emblemático de um tipo de jornalismo que se tornou bastante comum, especialmente na América do Sul.
Na Venezuela, na Argentina, no Equador, no Brasil e em outros países do subcontinente pratica-se, com inquietante desenvoltura, um tipo de jornalismo que tem por hábito diário distorcer ou mesmo falsear a realidade.

Os retratos pintados diuturnamente pela mídia tradicional sobre a situação atual desses países apontam para um quadro de caos, desagregação social e política e falta de rumo que encontram pouca ou nenhuma correspondência com a realidade objetiva. Parecem “fotos” grosseiramente retocadas por um photoshop concebido para enfear, ou mesmo simples falsificações, tal como a imagem do suposto Chávez hospitalizado.

No Brasil, por exemplo, há uma década que boa parte da mídia tradicional e oligopolizada divulga “fotos” e “retratos” das supostas mazelas dos governos do PT, apresentados, quase que invariavelmente, como absolutamente incompetentes, irremediavelmente corruptos, solertemente antidemocráticos e francamente desastrosos.

Por aqui, a velha mídia também não se cansa de lançar mão de barrigas homéricas. Basta lembrar a ficha falsa da presidenta Dilma Rousseff, publicada pela “Folha de S.Paulo” em sua capa. Ou então as inúmeras falsas denúncias veiculadas pela revista “Veja” ao longo dos últimos anos, jamais comprovadas, entre elas a suposta conta de Lula no exterior ou o dinheiro que teria sido remetido pelas Farc ao Partido dos Trabalhadores.

Pelo que se divulga em boa parte dessa mesma mídia, o país vive um processo acelerado de decadência desde 2003, quando o governo liderado pelo PT substituiu o “competente”, “limpo” e “democrático” governo de tintas paleoliberais, que havia colocado a nação no rumo “correto” da “modernidade”.

Bem, seria fastidioso enumerar aqui os claros êxitos dos recentes governos brasileiros. Basta fazer análise objetiva dos principais indicadores socioeconômicos para se chegar à inevitável conclusão de que o Brasil, nos últimos dez anos, mudou substancialmente para melhor.

Estudo mundial do Boston Consulting Group, divulgado há poucos meses e solenemente ignorado, coloca o Brasil como o país que mais se destacou na qualidade recente de seu desenvolvimento.
Assim, se alguém quiser entender o que aconteceu no Brasil na última década, não encontrará respostas fidedignas na cobertura da imprensa conservadora. Terá de recorrer a blogs e sites alternativos e a fontes estrangeiras, ou então fazer suas próprias pesquisas.
A imagem do Brasil recente construída por parte expressiva da grande mídia tradicional está tão longe da realidade quanto a foto do homem hospitalizado dista do autêntico Chávez. Na tentativa incansável de “furar” os governos progressistas recentes, produz-se uma pletora de “barrigas”, numa espécie de vale-tudo midiático.

Trata-se, portanto, de uma mídia-barriga, que fábrica notícias distorcidas, enviesadas, exageradas e até mesmo falsas, de forma sistemática. Uma mídia que convive melhor com figuras do submundo do que com a verdade.

Esse distanciamento da realidade, que beira a esquizofrenia, é preocupante. Porém, não é o único. Há também o claro descolamento entre a opinião publicada e a opinião pública. A primeira dedica ódio profundo ao PT e seus governos. Já a segunda consagra Lula e Dilma com recordes de popularidade.

Não por acaso a mídia tradicional passou, nos últimos anos, a questionar a legitimidade do voto popular. Com a candura que lhe é peculiar, ressuscitou a “tese Pelé”, construída na ditadura, segundo a qual o “povo não sabe votar”. Aqueles que votam com a situação o fazem por que são manipulados e desinformados, escravos do Bolsa Família que não têm o hábito de ler Veja e outros modernos bastões do Iluminismo. É um voto que, no fundo, segundo essa concepção, não conta, ou não deveria contar.

Isso nos leva ao terceiro e mais preocupante distanciamento ou descolamento. O distanciamento entre parte da mídia conservadora e a democracia. Em tempos recentes, segmentos da nossa mídia tradicional, honrando uma notável tradição, não se acanharam em aplaudir e defender golpes militares ou “brancos” contra governos progressistas da América Latina, como aconteceu na Venezuela, em Honduras e no Paraguai.

Autoridades eleitas e reeleitas, em pleitos livres e lisos, são tratadas caricatamente como “ditadores”, “caudilhos” e “populistas”, gentalha que ameaça a “democracia”. 

Provavelmente uma “democracia” sem povo e sem voto, que assegura a independência das instituições, desde que elas sejam conservadoras, e a alternância de poder, desde que entre forças políticas da direita, como no pacto político de Punto Fijo, que dominava, com o aplauso da mídia, a Venezuela pré-Chávez.

Obviamente, nada disso é novidade. A velha mídia do Brasil e de outros países do subcontinente sempre foi muito conservadora. No passado, apoiou ditaduras e esmerou-se na crítica a partidos de esquerda e a movimentos sindicais e sociais a eles associados.

A novidade está em que parte dos países da América do Sul é governada hoje por forças políticas que romperam, até certo ponto, em maior ou menor grau, com a agenda neoliberal que levou os partidos de direita e centro-direita da região à ruína política.

Surgiram ou chegaram ao poder novas forças políticas. De repente, essa mídia, acostumada com o oligopólio político de uma pequena elite, secundada pelos setores conservadores da classe média, viu seu poder de influência decrescer consideravelmente.

Nessa nova conjuntura, a velha mídia revela a sua verdadeira e feroz face: a de um partido de oposição que não mede esforços para recuperar a sua antiga hegemonia e que não tem pudor em atropelar a verdade e as normas básicas do bom jornalismo, colocando em risco a democracia que diz tanto defender.

Entretanto, essa mídia ainda detém firme monopólio da produção e difusão da informação. A internet, por certo, cria circuitos alternativos de debate democrático. Porém, é ilusão pensar que ela, por si só, é capaz de quebrar o monopólio da informação. Na realidade, esse monopólio é também reproduzido no mundo online. A informação destoante ainda é francamente minoritária e escassa.

O Brasil precisa de uma mídia mais aberta, profissional, democrática e, sobretudo, plural, como recomenda, aliás, o relatório intitulado “Uma mídia livre e pluralista para sustentar a democracia europeia”, elaborado recentemente, no âmbito da União Europeia. E seu governo precisa, sim, de críticas consistentes e fundamentadas, e não da atual cachoeira de panfletos histéricos, denúncias vazias, textos mal apurados e mal escritos.

Isso demandaria, obviamente, que se iniciasse um debate amplo, franco e livre sobre a extrema concentração da propriedade dos meios de informação no país. Mas esse é, ao menos por enquanto, um tema tabu, interditado pela mídia conservadora, que alega que tal debate representaria uma ameaça à liberdade de expressão e à democracia.

Uma alegação tão falsa quanto a foto do Chávez no “El País”.


Dr. Rosinha, médico com especialização em Pediatria, Saúde Pública e Medicina do Trabalho, é deputado federal (PT-PR). No Twitter: @DrRosinha; Marcelo Zero, assessor técnico da Liderança do PT no Senado Federal.
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Contraponto 10.385 - "A maçã de Gurgel e o silêncio da mídia "

 

01/02/2013

 

A maçã de Gurgel e o silêncio da mídia

  

Do Blog do Cadu quarta-feira, 30 de janeiro de 2013








O Procurador-geral da República Roberto Gurgel dirigiu uma licitação para favorecimento da Apple na compra de tablets para a Procuradoria Geral da República. Do edital da licitação constam não somente tecnologias que a marca da maçã tem, mas também a marca é citada mais de uma vez.

Essa informação foi dada pelo blog do jornalista Renato Rovai. (clique aqui)

Entre uma das “provas” dos condenados da Ação Penal 470 estava a manipulação de licitações. Mais especificamente João Paulo Cunha foi condenado por isso.

Roberto Gurgel será cassado e exonerado do serviço público?

São posturas como a que o cosplay mais conhecido do Jô Soares tem tomado que fazem com que se questionem a indicação dos primeiros das listas tríplice para escolhas de chefias em órgãos públicos. Gurgel claramente faz oposição ao governo federal.


Não precisa, nem deve dar apoio a esse ou a nenhum governo, somente não tomar partido. Pode até (e deve, por que não?) ter opinião política sobre governos, mas daí militar no espaço que ocupa é outra conversa.

Também não causa estranheza o silêncio ensurdecedor da “grande imprensa” ou “carcomídia”, como preferem alguns. Gurgel vem sendo útil aos seus interesses e ela agora só pensa em explorar o sofrimento das famílias de Santa Maria/RS.

Tragédia, aliás, que fizeram com que prefeitos e governadores de todo o país se mobilizassem para fiscalizar casas noturnas. Ao que parece se conta nos dedos as boates que preenchiam os requisitos. Tinha gente ganhando alguma coisa com isso. Tomara que agora as coisas fiquem nos conformes, antes tarde do que nunca.

Gurgel nada fala sobre sua predileção fraudulenta pelos produtos de Steve Jobs. Dizer o quê também?

O corporativismo das categorias ligadas ao Judiciário é uma das maiores excrescências deste país. Adão e Eva foram expulsos do paraíso por causa de uma maçã e Gurgel parece que não será do Ministério Público por conta da versão high tech.

E à “grande imprensa”, cabem os ouvidos moucos diante das irregularidades de um dos protagonistas da sua última novela tragicômica. Da mesma forma que, além de notas de rodapé, contaram sobre a relação do ator global e deputado federal – pelo puxadinho do PSDB, o PPS – Stepan Nercessian e o bicheiro Carlos Cachoeira.













ATUALIZAÇÃO (13h 15min - horário de Brasília/DF)

A PGR emitiu nota sobre a preferência aos produtos Apple. Enrolou-se ainda mais. Leia mais aqui
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Contraponto 10.384 - Charges do Bessinha

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01/02/2013

Charges do Bessinha 

 


 

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