segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Contraponto 10.406 - "Contra desigualdade vale aliança até com o capeta"



04/02/2013

Contra desigualdade vale aliança até com o capeta

 



 Eduardo Guimarães


Dia desses desfrutei de jantar com um dos maiores jornalistas que conheço, um humanista, dotado de cultura e vivência enormes, um idealista sobre quem mais não falo porque sua identidade não importa, mas, sim, o que pensa. E o que pensa, particularmente sobre este que escreve, ilustra um fenômeno da ideologia política brasileira: a falta de foco.
Vale dizer que ao menos essa pessoa tem o mérito de acreditar no que diz, ao contrário de muitos que dizem a mesma coisa sem acreditar em uma palavra.

Fui criticado por ser “muito governista”, como se apoiar um projeto político como o do PT para o país fosse crime ou, na melhor das hipóteses, uma conduta ilógica em um país em que a esmagadora maioria apóia o governo com fervor.

O coração dessa pessoa, vale explicar, balança entre o PT e o PSOL – ao menos no discurso.

O que mais me espanta quando a direita e uma suposta “esquerda” atacam o que chamam de “governismo” é a distância que essa gente mantém em relação à realidade de grande parte do povo brasileiro, que, por séculos, permaneceu alijado da menor expectativa de vencer na vida no país que, ao longo do século XX, ostentou o título desonroso de ser o país virtualmente mais desigual do mundo.

Assim foi até que Lula chegasse ao poder. O Brasil era o terceiro ou o quarto país em pior colocação no índice de Gini, escala pela qual a comunidade das nações mede a concentração de renda nos países e que, em geral, é desconhecida por esses que se espantam com o que chamam de “governismo”. Hoje, somos o 12º país mais injusto.
A situação atual do Brasil é uma tragédia no que diz respeito à desigualdade. Mas para o país que, por seu estágio de desenvolvimento, era o mais desigual apesar de ser o terceiro na escala de Gini, melhoramos de forma quase inacreditável.

Vale explicar que ontem, como hoje, os países mais desiguais que o Brasil são todos países pobres, sem recursos, da África e América Latina, muito diferentes do nosso, rico, em franco desenvolvimento, o que torna sua situação única do mundo, pois não há país em nosso estágio de desenvolvimento que seja tão desigual, mesmo após a distribuição de renda da era Lula.

Durante a era FHC, quando houve alguma redução da pobreza, nunca dei bola para a exaltação que a imprensa fazia de suas políticas sociais tímidas e cosméticas – nas quais punha alguns trocados de dinheiro público – porque o principal não melhorava. A renda praticamente manteve a mesma concentração durante os oitos anos daquele governo de triste memória.

A chegada de Lula ao poder, porém, inaugurou uma era nova no Brasil: estamos distribuindo renda como nunca antes na história deste país.

A redução consistente da desigualdade durante os governos Lula e Dilma me autoriza a apoiar o projeto de país em curso porque atravessei a minha vida enxergando a mesma desigualdade como a raiz de tudo o que há de ruim no país.

Violência, criminalidade, ignorância, má condição da Educação, tudo isso é conseqüência da pobreza, sim, mas, acima de tudo, tem origem na desigualdade. Essa é a mola-mestra de todos os nossos conflitos e mazelas sociais e a âncora pesada que nos impede de deslanchar também pelos mares do desenvolvimento econômico e tecnológico.
Querem uma crítica consistente ao governo? Façam-nas. Há muitas.

Não sou muito dado a bater no governo porque já tem gente demais fazendo isso – a hiper-mega-blaster mídia tucana faz isso o tempo todo usando os argumentos de pseudo esquerdistas que se recusam a ver o processo distributivo de renda em curso no país enquanto acham que estão sendo muito corajosos ao se oporem ao que está dando certo.

Contudo, aí vai uma crítica: o governo não vai acabar com a pobreza extrema porque as famílias não ganharão um pouco abaixo de um padrão ridículo de renda, pois continuarão vulneráveis e a menor oscilação da economia as devolveria ao padrão anterior. Além do que, continuarão sem os elementos que poderiam fazê-las sair de fato da miséria – educação, saúde etc.

O governo, em vez de ficar nessa de que vai acabar com a miséria, poderia se concentrar mais no que importa, que é a distribuição de renda.

Seja como for, nunca redistribuímos renda no Brasil como agora. Durante a ditadura, o governo e a mídia diziam que era preciso primeiro fazer o bolo crescer para depois dividi-lo. A ditadura acabou e muitos dos que lutaram contra ela mantiveram esse discurso até hoje. Mesmo quando não assumem isso.

Quem prega redução de gastos do governo durante crises, por exemplo, está defendendo que os pobres paguem mais por elas, pois sem os investimentos estatais a economia não funciona em momentos de ojeriza do empresário ao risco e, assim, há demissões e achatamentos salariais. Isso é histórico. Todos os que têm mais de trinta e cinco ou quarenta anos sabem.

O que acontece é que para redistribuir renda no Brasil sem fazer uma revolução armada é preciso não esquecer que este ainda é um país capitalista. E para redistribuir alguma coisa, você tem que tirar de alguém para dar a alguém. É por isso que o projeto de país em andamento incomoda a tantos.
A despeito disso, o fato inegável por qualquer critério, e que a direita midiática e sua esquerda de estimação não enxergam, é que, nos dez anos de governos Lula e Dilma, os ricos ficaram menos ricos e os pobres, ficaram menos pobres. Ou seja: estes tiraram daqueles.

Só que isso foi feito de uma forma fantástica, genial, porque os ricos têm parte menor de um bolo maior. Ou seja: fizemos o bolo crescer e depois redistribuímos exatamente como queria a ditadura, mas fizemos de fato e não apenas no gogó. O processo ocorreu em poucos anos, ao longo da década passada. Ou seja: paramos de postergar essa estratégia ao infinito.

Não foi por outra razão que, na década passada, o acesso de pretos e pardos ao ensino universitário simplesmente triplicou no Brasil, ainda que não seja suficiente. E, enquanto isso, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA ) dá conta de que o Brasil é hoje o 2º no mundo em aumento no transporte de passageiros.

Abaixo, trecho de matéria sobre o assunto.

Em 2011, o Brasil havia superado o Japão e se transformado no terceiro maior mercado aéreo no mundo, superado apenas pela China e Estados Unidos. Até 2016, o Brasil deve adicionar 38 milhões de passageiros domésticos – quase 40% a mais do que em 2011. A projeção é de que o País acumulará 118,9 milhões de passageiros domésticos no ano dos Jogos Olímpicos do Rio”.

Quem sabe e sente tudo isso não dá a menor bola para o que diz o noticiário político porque sabe que a despeito da luta política a vida está melhorando, o país está se tornando mais justo e esse processo não parece dar mostras de estar se esgotando.

Há, sim, ainda uma minoria do contra que, em períodos de eleição presidencial, não é tão pequena quanto querem fazer crer as pesquisas fora desses períodos, mas que deixa ver que além de progressivamente insipiente votou contra o projeto de país em curso com o fígado ou por susto, tendendo, com o avanço da Educação – ainda tímido, mas real –, a ir deixando de ser massa-de-manobra de ricaços gritalhões.

Atingir esse êxito incrível no soerguimento social do Brasil, porém, não é de graça. Houve preços a pagar. O PT, para chegar ao poder, passou a buscar doações de verbas eleitorais – sem as quais ninguém se elege no Brasil – de forma bem parecida com a que usaram e ainda usam os seus adversários mais fortes.

Além disso, foi preciso fazer concessões à direita, aos ricos, aos que, até 2002, julgavam-se donos do país, dando a eles a chance de negociar como seria a distribuição de renda, em que ritmo ocorreria, de forma que passariam a ganhar mais no volume, mas não tanto no percentual, ainda que o que lhes foi dado seja muito mais do que deveria, sendo já tão ricos.

Seja como for, foi feita justiça social, houve redistribuição de renda e esse processo está só começando. Há dados concretos que mostram que valeu a pena fazer alianças com partidos e políticos de direita para operar o que até o início deste século parecia utopia. O que seja, fazer a renda se desconcentrar em um ritmo aceitável em um país até então absurdamente desigual.

O Estudo Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2012, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em novembro do ano passado, detectou uma diminuição impressionante da desigualdade na década de 2000, medida por diversos indicadores e aspectos.

Abaixo, portanto, reproduzo o Estudo para que não reste dúvida sobre a razão pela qual este blog apoia com entusiasmo esse dito “projeto de país em curso” ao qual tanto me referi. A razão é muito simples: o Brasil está melhorando mais para os mais pobres do que para os mais ricos, como é preciso que seja no país virtualmente mais injusto do mundo.

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Fonte: IBGE

Em 10 anos, renda dos mais ricos cai 6% e dos mais pobres cresce 0,9%

28/11/2012 16:00 – Portal Brasil

Acesso de jovens pretos e pardos à universidade triplicou na última década
A Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2012, divulgada nesta quarta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), detectou uma diminuição da desigualdade na década de 2000, medida por diversos indicadores e aspectos.
Verificou-se que o coeficiente de Gini (índice que mede a distribuição da renda) passou de 0,559, em 2004, para 0,508, em 2011. Quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade. Entre 2001 e 2011, os 20% mais ricos da população diminuíram sua participação de 63,7% para 57,7%, enquanto os 20% mais pobres aumentaram, passando de 2,6% para 3,5% do total de rendimentos.

Em 2011, a renda familiar per capita dos 20% mais ricos foi 16,5 vezes maior que a dos 20% mais pobres, enquanto em 2001, 24 vezes maior. Apesar da evolução, a desigualdade persiste, pois os 20% mais ricos ainda detêm quase 60% da renda total.

Segundo o estudo, a expansão de programas de transferência de renda, como Bolsa Família, resultou em um aumento para famílias com baixos rendimentos. Para famílias com renda familiar per capita de até 1/4 de salário mínimo (6,7% das famílias) e entre 1/4 e meio salário mínimo (14,1% das famílias), fontes de renda como o Bolsa Família passam de 5,3% a 31,5% e de 3,1% a 11,5%, respectivamente, entre 2001 e 2011.

Houve também crescimento do rendimento médio do trabalho para esses grupos. Para o grupo de até 1/4 de salário mínimo, o rendimento médio de todos os trabalhos cresceu, em valores reais, de R$ 273 para R$ 285, no período, enquanto para os que estão na faixa entre 1/4 e meio salário mínimo, cresceu de R$ 461 para R$ 524.

Em relação à cor ou raça, no 1% mais rico, em 2001, pretos ou pardos representavam apenas 9,3%, percentual que passa a 16,3%, em 2011. É, ainda, uma participação distante do total de pretos ou pardos na população, um pouco acima de 50%.
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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Contraponto 10.405 - "Do impacto didático das bolinhas de papel "

 

03/02/2013 

 

Do impacto didático das bolinhas de papel


Do Viomundo - publicado em 1 de fevereiro de 2013 às 19:28

por Luiz Carlos Azenha

 

Em novembro de 2011, publicamos o teor de uma palestra feita pelo ex-ministro Franklin Martins em seminário promovido pelo PT, em São Paulo:

“Não se arranha a Constituição, mas não se deixa a Constituição na prateleira. Ninguém pode ferir a Constituição. Ninguém pode engavetar a Constituição. Devemos ter no marco regulatório a Constituição na forma de marco. Na íntegra”.

Na ocasião, Franklin listou os artigos da Constituição que deveriam ser regulamentados.

Todos os que defendemos um novo marco regulatório para a mídia brasileira sabemos que se trata de ter mais, não menos mídia. De combater os monopólios — e, portanto, a propriedade cruzada — e promover o pluralismo de ideias, a diversidade.

Vários países da América Latina avançaram muitos nos últimos anos, como Gilberto Maringoni e Verena Glass deixaram claro, aqui.

Porém, o assunto não interessa à própria mídia, já que ameaça o poder de uma dúzia de famílias de definir a agenda política do Brasil e, portanto, de extrair favores e concessões de governos variados.

Por isso, a decisão deliberada de confundir regulação da mídia com censura ou restrição à liberdade de imprensa.

Pouco importa que a tal regulação não trate, obviamente, dos meios impressos e se concentre nas concessões públicas de rádio e TV.

A confusão deliberada turva o debate e é este exatamente o objetivo: confundir, não esclarecer.

Ora, se todas as empresas concessionárias de bens públicos são regulamentadas, por que não atualizar o marco regulatório das empresas de radiodifusão?

A resposta óbvia é que os concessionários se encontram na confortável posição de exercerem monopólios locais, regionais ou de alcance nacional, como a empresa que concentra mais de 50% de todas as verbas publicitárias do Brasil.

Meu irmão, José Carlos, costuma dizer que ninguém fala mais da Globo que a própria Globo: as rádios promovem os colunistas de jornais, que aparecem na TV, que coloca O Globo na mão de personagens de novelas, que tocam as músicas da gravadora do grupo, que coloca seus contratados no Faustão…  e assim sucessivamente.

Este modelo é reproduzido regionalmente em todo o Brasil.

As chances de mudar são, a curto prazo, reduzidíssimas.

Por que?

O senador Fernando Collor, que denunciou no Senado os que têm “poder de divulgação”, é ele mesmo concessionário, em Alagoas — como notou o comentarista Paulo Preto — assim como o ex-presidente José Sarney, no Maranhão.

Existem 271 políticos que aparecem como sócios de empresas concessionárias e neste quesito o PMDB de Sarney (com 17,71%) só perde para o DEM (21,4%). O PSDB vem em terceiro, com 15,87%. A estatística, dos Donos da Mídia, não inclui os laranjas.

O que quero dizer é que, embora formalmente aliado ao PT no governo federal, quando se trata da mídia o PMDB está quase que totalmente fechado com a direita na defesa de um modelo concentrador de verbas e poder político.

Podemos dizer sem medo de errar que o nó górdio da nossa jovem democracia está na confluência dos interesses dos que são aos mesmo tempo ou representam os latifundiários-congressistas-empresários de comunicação, não necessariamente nesta ordem.

Hoje, ao assumir o cargo de presidente do Congresso, Renan Calheiros concordou com Dilma Rousseff: quem regulamenta o setor “é o controle remoto”. É o mesmo que dizer que cabe ao consumidor, quando entra na farmácia, regulamentar com suas escolhas o setor farmacêutico.

O discurso de Renan demonstra que, apesar da atualidade deste debate no Reino Unido — a partir do escândalo envolvendo Rupert Murdoch e o relatório Leveson (íntegra aqui) e na Uniao Europeia (veja aqui), no Brasil ele continuará interditado no Parlamento.

(Parênteses para lembrar que, no Reino Unido, debate-se abertamente regulamentação que afetaria diretamente o conteúdo da imprensa escrita — e ninguém gritou censura!)
Para interditar o debate no Brasil contribuem dois outros fatores.

Por motivos eleitorais, o assunto não interessa neste momento à presidente Dilma.
Por pragmatismo político, os  mesmos parlamentares do PT que, notou José Dirceu aqui, não se apresentam para defendê-lo ou ao partido na tribuna, por conta do julgamento do mensalão, preferem mendigar espaço na mídia tradicional a promover a verdadeira liberdade de expressão, que contemple os interesses dos trabalhadores e movimentos sociais e não apenas os interesses neoliberais dos donos da mídia.

Há raras exceções, mas fica explícito no comportamento dos pragmáticos que eles estão mais preocupados com a promoção de suas ideias ou interesses pessoais do que com a democratização do espaço público.

Porém, o cenário não é de todo desanimador. Desde que Rodrigo Vianna, ao deixar a TV Globo, expôs os bastidores da cobertura eleitoral de 2006, o que era um segredo de insiders passou a ser compartilhado por um crescente número de leitores. Os blogueiros sujos, com a colaboração de internautas e comentaristas, ajudaram a didatizar a crítica da mídia, hoje exercida cotidianamente por centenas de milhares de pessoas.

Todo período eleitoral — com suas bolinhas de papel e retrospectivas de 18 minutos sobre o mensalão — metaboliza este processo, acrescendo um número considerável de brasileiros ao rol dos que se tornam capazes de identificar de forma cristalina o jogo de omissões, descontextualizações, distorções, exageros e mentiras, como na recente “crise” do setor elétrico.

Uma coalizão entre internautas e militantes de movimentos sociais, frequentemente criminalizados pela mídia, continua sendo a melhor aposta para surpreender os atores do que, por enquanto, é um não-debate sobre mídia e democracia no Parlamento brasileiro. Já deu muito certo antes, como no lançamento do Privataria Tucana, o bestseller que a mídia tentou eliminar pelo silêncio.

Leia também:
O fosso que se abre entre opinião pública e opinião publicada
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Contraponto 10.404 - "A histórica entrevista de Lula feita por Mino Carta"


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03/02/2013  

 




Por Nilva de Souza
 
Do Socialista Morena

Entrevistas históricas: Mino Carta entrevista Lula, o metalúrgico


 

(Mino Carta afaga a cabeça de Lula. Ao lado, o repórter Ricardo Kotscho. Foto: Luiz Novaes)

Exatamente 35 anos atrás, em fevereiro de 1978, o jornalista Mino Carta, então diretor de redação da IstoÉ, uma das revistas que criou, entrevistou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, um tal Luiz Inácio da Silva, conhecido como Lula. Lula, que começava a se tornar nacionalmente conhecido como líder dos trabalhadores, tinha 32 anos. Mino tinha 45. Foi a primeira vez que o metalúrgico era entrevistado por um grande veículo de imprensa. Também pela primeira vez, sairia na capa de uma publicação nacional. Ali começaria uma longa amizade entre o jornalista e o sindicalista.

Desmontados os movimentos guerrilheiros contra a ditadura militar, a agitação dos operários no ABC paulista era a carne viva, pulsante, da luta pela volta da democracia no País, bem antes do movimento pelas Diretas-Já. Alguma coisa importante crescia nos pátios das fábricas do ABC e Mino se deu conta imediatamente. Também enxergou no líder operário uma figura diferente, que valia a pena acompanhar com lupa, de pertinho. Provavelmente não imaginou que um dia aquele rapaz de “olhos melancólicos”, como descreveu, fosse se tornar presidente da República. Será?

Na semana passada, quando pedi ao Mino essa entrevista para transcrever aqui, ele publicou um artigo na revista CartaCapital sobre o texto, elogiando a “lucidez, a clareza, a coerência, a energia” daquele jovem Lula. Ao ler estas linhas, o que mais me impressionou foram as certezas que Lula já tinha. E seu pouco interesse pelas ideologias consolidadas naquele momento, mesmo pelo socialismo. Lula parecia acreditar em algo próprio, genuíno, para o Brasil. Chama a atenção um Lula bem mais crítico da política convencional e dos partidos do que o Lula de hoje em dia, embora já se sobressaísse como um negociador, disposto ao diálogo inclusive com o empresariado. Dois anos depois dessa entrevista, Lula seria preso durante 30 dias por comandar uma greve histórica no ABC que durou mais de 40 dias e que teve a adesão de 140 mil metalúrgicos.

Neste post, coloquei trechos da reportagem de abertura, escrita por Mino Carta, a título de introdução do pingue-pongue, que é reproduzido na íntegra. A entrevista foi concedida a Mino e ao repórter Bernardo Lerer.

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O antipelego

Por Mino Carta

(…)O moço (32 anos) raciocina tão depressa quanto um ponta-esquerda dos velhos tempos levava a bola até a linha de fundo. Ele é capaz de frases que têm a ironia de um drible seco. Ele também sabe fazer a sua demagogia –mas quando afirma que “a dignidade é uma coisa que não se compra” –, seu tom fica muito convincente. Ele não é um pelego no mais tradicional estilo brasileiro. Ele é diferente.

O pelego clássico, preposto do poder, cultiva a ignorância dos trabalhadores, enreda-os em grosseiras emoções, aturde-os com acenos paternalistas e apelos populistas. Lula costuma agir de outra maneira. Quando a Ford (janeiro de 1977) decidiu reduzir a jornada de trabalho para abaixar os salários (a alternativa seria a despedida em massa em uma situação de dificuldade), Lula partiu para a briga e a fábrica teve que recuar. Quando o governo admitiu que em 1973 tinham sido cometidos erros no cálculo dos índices do custo de vida (junho de 1977), Lula saiu com a ideia da reposição “daquilo que foi tirado dos trabalhadores”, os 34% já famosos, e os transformou numa bandeira de luta.

Indo ao encontro de Lula, instalado de segunda cedo à noite de sábado no prédio cinzento do sindicato, todo de concreto aparente, áspero prédio de quatro andares solidamente plantado por sobre um panorama de telhados conformados –indo ao encontro do Lula a gente atravessa, entre a periferia de São Paulo e São Bernardo, uma larga zona apinhada de casinholas. Lembra, multiplicada por mil, ou mais, uma gravura de Londres do século passado. Mas o céu é de Pittsburgh dos dias de hoje, de Dusseldorf. Aquela atmosfera baça, de um belo violeta poluído. Passarinho não sobrevive ali. E, de repente, da bruma surgem as grandes fábricas, como transatlânticos no nevoeiro. O número de operários serve para medi-las. A Ford tem (em sua sede de São Bernardo) 11 mil operários. A Mercedes, 13 mil. A Volkswagen, 34 mil. São Bernardo tem 210 mil habitantes, Diadema 90 mil. Total de operários nos dois municípios: 130 mil.

O peleguismo ainda é regra na nossa situação sindical. Mas o pelego e quem acredita poder controlar os trabalhadores por intermédio do pelego são sobreviventes do passado. Enquanto isso, Lula, o antipelego, é contemporâneo do mundo. Para Lula, os interesses da classe trabalhadora não se confundem com os interesses de qualquer outra. E o ideal seria que cada trabalhador fosse igual a João Ferrador, o herói das histórias em quadrinhos e das charges publicadas pela Tribuna Metalúrgica, órgão do sindicato. João Ferrador, desenhado pelo cartunista Laerte, com histórias criadas pelo próprio Lula e por Mauricio Soares de Almeida, advogado do sindicato, “sempre sabe o que é bom para ele e o que não é”. João Ferrador logo mais vai aparecer em camisetas estampadas e chapeuzinhos. “Todo metalúrgico tem de conhecer”, diz Lula. João Ferrador é uma figurinha agitada, sempre risonha. Fisicamente, não se parece com Lula. Mas não importa, outra semelhança é que vale. Eu acho até que Lula e João Ferrador são a mesma pessoa.





(o João Ferrador de Laerte)
Em todo caso, João Ferrador representa um fato de certa forma novo dentro da situação política atual. Ele está aí, e não há como deixar de sentir a sua presença. Ele é o resultado da industrialização, isto é, de uma opção inevitável que hoje coloca o Brasil em oitavo lugar entre os países economicamente mais fortes do mundo capitalista. Paradoxalmente, é um país onde o poder olha para a classe trabalhadora com desconfiança (se não for medo) e lhe nega as mais elementares liberdades. Mas a tragédia, para quem considera o trabalhador como uma espécie de servo medieval, é que, se o Brasil cresce, João Ferrador cresce com ele.

(entrevista a Mino Carta e Bernardo Lerer)

IstoÉ – Lula, os políticos estão cercando você e seu sindicato. Que acha disso?
Lula – A gente tem que dar risada, porque esse negócio é realmente muito engraçado. Eu acho que este é o momento que o trabalhador deve tirar proveito de alguma coisa. Mas é preciso agir com inteligência, saber jogar, e isso é difícil. você pode ser hostilizado dentro do próprio movimento sindical. Eu participei certa vez de uma reunião com cerca de cem dirigentes sindicais, no qual se discutiu a formação de um novo partido, o apoio a este ou aquele político, em lugar de discutir a libertação do movimento sindical. E me pediram para falar e eu fui muito agressivo, disse o que pensava. Não agradei nem um pouco. Quem fala a verdade fica marginalizado. Não fui mais convidado para reuniões.



IstoÉ – Na sucessão paulista, você tem candidatos?
Lula – Eu acho que o movimento sindical de alguma maneira tem de se manifestar, porque quem cala, consente. Mas não existe compromisso meu com nenhum candidato. Agora, a gente começa a perceber que o negócio deve ser bem lucrativo se todo mundo quer ser governador, e sem ter direito ao posto, isto é, sem ter compromisso com o povo, mas apenas com quem indica e com os grupos que o apoiam. Engraçado: eleição direta ninguém quer. (Ele apoiaria e faria campanha para o candidato do MDB ao Senado, Fernando Henrique Cardoso.)

IstoÉ – Você não chegou a ser sondado pelo MDB para ser candidato a deputado?
Lula – Especulou-se a respeito. Mas eu não sou inscrito em nenhum partido, e graças a Deus esgotou-se o prazo para inscrição. Jamais participaria da MDB ou da Arena, são farinha do mesmo saco e tem os mesmos objetivos. A Arena e o MDB não representam a classe trabalhadora. Eu só me inscreveria no partido que afinasse comigo ideologicamente. Não me interessa partido de cima para baixo. E é isso que acontece sempre: quando algo começa a fervilhar por aí, vêm meia dúzia de caras, os mesmos de sempre, mexem maravilhosamente na coisa toda e continuam mandando.


IstoÉ – Mas onde está você ideologicamente?
Lula – Eu digo de peito aberto que não tenho compromisso com ninguém, e que o sindicato de São Bernardo e Diadema é uma das poucas coisas independentes que existem nesta terra. Só tenho compromisso com os trabalhadores que me elegeram. No mais, a gente é chamado de dedo-duro pela oposição, de comunista pelo governo e de subversivo pelos patrões. É uma condição muito boa, porque a gente pode dar pau em todo mundo e ninguém pode falar: “vou pegar o Lula porque ele assina a Voz Operária“. Nunca assinei a Voz Operária, mas já li: era um jornal que não dizia nada para mim, jornal para intelectual, não para conscientizar o povão. Então eu tenho uma preocupação muito especial de manter o sindicato independente. A gente andará de cabeça erguida enquanto puder criticar você e amanhã aplaudir, se for o caso, e sem dor na consciência. Infelizmente tem muitos dirigentes sindicais que estão com o boi na sombra…


IstoÉ – E a ideologia, Lula, a ideologia?
Lula – Para fazer um partido dos trabalhadores é preciso reunir os trabalhadores, discutir com os trabalhadores, fazer um programa que atenda à necessidades dos trabalhadores. Aí pode nascer um partido de baixo para cima.




(Lula usava bigode na época da entrevista, como agora. Foto de Osvaldo Daniel Kaize)
IstoÉ – Embora nascido de cima para baixo, o PTB não teria, à certa altura, servido aos interesses dos trabalhadores?
Lula – A estrutura sindical foi criada dentro de um regime de exceção: o de Getúlio. Mas nos poucos momentos em que o país viveu uma democracia formal, ninguém mexeu nessa estrutura. Eu ouso dizer que durante os governos de JK, Jânio Quadros e João Goulart houve democracia mas a situação da classe trabalhadora não mudou naquele período. Seu Franco Montoro foi ministro do trabalho, seu Tancredo Neves foi ministro do Trabalho e tantos outros foram ministros do Trabalho, e hoje estão aí dizendo que as coisas deveriam mudar mas não as mudaram quando tiveram chances de mudá-las. E por quê? Porque para esse pessoal não interessa que o movimento sindical se organize. Quero dizer, nem PTB, nem PSD, nem PS, nem muito menos Arena e MDB deram passos concretos para mudar alguma coisa. A grande verdade é que a classe política nunca se interessou em procurar voto, sempre se interessou em procurar grupos capazes de comprar votos.


IstoÉ – E a ideologia, Lula, a ideologia? Que tal o socialismo?
Lula – Eu acho que o mundo caminha para o socialismo. Bem, o socialismo democrático na Alemanha é um belo exemplo: 60% dos deputados saem dos sindicatos. Você pega a Suécia, é a mesma coisa. Há tantos exemplos bons por aí.


IstoÉ – Mas não achamos que os sindicatos lutem muito para mudar a estrutura sindical…
Lula – A estrutura sindical para um dirigente que quer fazer carreira é perfeita. Nas eleições sindicais o presidente do sindicato é o dono, ele escolhe o policial para tomar conta da urna, ele escolhe os mesários, ele escolhe o presidente da urna. A oposição tem de se contentar em registrar a chapa, do resto ele cuida. Há muita brecha para o continuísmo, brecha demais. Pergunto: qual o dirigente que já se manifestou sobre imposto sindical? Todos estão calados. E, no entanto, se a gente não acabar o imposto sindical (existe até hoje) vamos ficar amarrados ao governo. A consciência do trabalhador começa com a compreensão de que cabe a ele sustentar o sindicato. Em lugar de ter 38 mil sócios, o sindicato de São Bernardo e Diadema poderia ter 2 mil que pagam 500 cruzeiros cada um, mas sabem por que pagam e o que pretendem da gente. Seria preferível. Mas os chefes sindicais se acomodam com a situação atual: o dinheiro é garantido, e ninguém reclama. E sempre sobra o argumento de que não se faz muita coisa porque a estrutura não permite. Ah, se eu fosse o governo eu dava plena liberdade aos sindicatos. Sabe o que iria acontecer? 99% não saberiam o que fazer com a liberdade sindical. Digamos que de repente fosse reconhecido o direito de greve: a maioria das diretorias de sindicatos cairia de um dia para outra. Mas não podemos esperar que a liberdade sindical venha de cima para baixo. A liberdade vem a partir do momento em que o trabalhador começa a participar, vê que está tudo errado e exige modificações.


IstoÉ – Em termos de consciência de classe, a situação melhorou na sua área?
Lula – Existe, na categoria dos metalúrgicos, um pessoal que lê jornal e sabe das coisas. Mas a maioria dos trabalhadores não tem tempo de dar a bênção para seus filhos. E há um negócio que só quem está por dentro percebe. Um trabalhador que está no Nordeste, ou mesmo no interior de São Paulo, trabalhando numa fabriqueta de fundo de quintal, e entra numa Volkswagen, numa Ford, numa Mercedes, vai ganhar no início 10, 11 cruzeiros por hora, 200% mais do que ganhava, e então acha que está no céu. Ele tem assistência médica e tem banco para pagar a continha de luz dele, e um serviço social para emprestar dinheiro para ele. E recebe um livreto lá na empresa que diz que ele trabalha num lugar maravilhoso, e toma um copo de leite de graça dependendo da função que tiver, e ganha um par de sapatos para trabalhar, e um macacão novinho. Então ele pensa: “Os caras do sindicato são umas bestas, eu estava na pior até outro dia e ninguém falava em lutar, agora estou aqui numa boa e os caras querem que eu lute e perca meu emprego”. Quando ele começa a entender que na verdade está sendo explorado, passou um ano e meio, dois anos, um pouquinho mais e a empresa manda ele embora e pega um outro, tão ingênuo quanto ele era quando chegou. Em São Bernardo e Diadema há empresas que apresentam rotatividade de até 4 mil trabalhadores por ano. Quando esse pessoal sai da fábrica está ganhando, em termos de hoje, 15, 18 cruzeiros por hora. Aí, ele vai arrumar um emprego de 8, por aí. Tem de recomeçar. Quer dizer, o reajuste de salário não tem a menor validade, é roído pela rotatividade. E esse operário tem condições de brigar? É por isso que estamos pensando na criação de um fundo de desemprego. Alguns sindicatos acham que deve ser criado pelo governo e sustentado pelas empresas, mas eu acho que, enquanto não tivermos o poder de exigir isso, temos de criá-lo com nossos próprios recursos. Só assim teremos condicões de pedir ao trabalhador que entre na briga.


IstoÉ – Briga ou negociação?
Lula – Eu tenho muito cuidado para movimentar essa classe trabalhadora ainda inconsciente, porque o retrocesso pode ser muito maior. Na época mais quente do debate em torno da reposição dos 34%, eu cheguei a sentir que haveria condições até para fazer uma greve. Mas nunca pensei nisso, não era o momento, mesmo porque antes de chegar a uma greve nós temos de contar com pessoal de comando para sustentar essa greve. Agora, eu acho que não devemos abandonar a reivindicação. Se não conseguirmos o que queremos este ano, devemos voltar à carga em 1979, e se não conseguirmos em 1979… Entende? Eu acho que a época propícia para voltar é exatamente esta. Não estou preocupado se o ano é eleitoral. Ao contrário. Os donos do poder é que num ano desses estão preocupados. Por isso acho que é o momento de negociar, num nível bem alto. Infelizmente, receio que o movimento sindical não esteja preparado para esta negociação…





(a capa da revista, em fevereiro de 1978)

IstoÉ – Mas qual é o poder de barganha dos sindicatos?
Lula – Quando eu digo negociar é porque não existe poder de barganha. Mas eu acho que o governo está preocupado com um monte de coisas, num ano chave como este, e entre elas com o crescimento do movimento sindical. No entanto, veja como são as coisas, o movimento sindical está preocupado com o AI-5. O que me incomoda é um artigo da CLT que não permite que um dirigente sindical discorde do modelo econômico. Se discorda, pode ser cassado. A gente tem de se empenhar para acabar com coisas assim. No Brasil existem 7 mil e poucos sindicatos. Se você calcular que cada um tem 24 pessoas na diretoria, verá que há muita gente em condições de exigir a favor da classe trabalhadora…


IstoÉ – Você vê alguma possiblidade de aliança com alguns segmentos da nação? Igreja, intelectuais, estudantes?
Lula – Para mim, a Igreja está fazendo o papel de quem está com remorso. Eu era coroinha, segurava batina, fiz primeira comunhão e um monte de coisas, e cansei de ver o padre pedir para a gente não brigar, pois quem sofre hoje alcança o reino dos céus amanhã. A Igreja também contribuiu, e muito, para a situação que vive hoje a classe trabalhadora. Agora, uma parte da Igreja quer se redimir aos olhos daqueles que prejudicou. Eu tenho lido algumas matérias da Pastoral Operária e não gostei, porque estão colocando o operário num nível baixo, ele aparece ali como um Zé Ninguém e eles como os bons. O que a Igreja não pode fazer é criar movimentos paralelos ao sindical. Ajuda, se fizer um bom trabalho de conscientização do trabalhador para que ele atue dentro do sindicato. Eu acho que frequentemente a Igreja se coloca na mesma posição dos radicais de 1968, mas o trabalhador não está preparado para radicalismos. Quanto aos intelectuais, acho que tem muita gente aí escrevendo sobre o que não entende. Quanto aos estudantes… Olha, eu vinha de minha casa outro dia e tinha uns estudantes andando de carrão pelas ruas, e atirando uns folhetos a favor dos trabalhadores oprimidos. Eu não posso admitir que um cara daquele esteja preocupado com a condição dos trabalhadores. Eu acho que eles são os patrões de amanhã. Um outro dia vieram me convidar para fazer palestra na faculdade deles e eu disse que só iria se me permitissem levar um operário de mãos estouradas, macacão sujo de graxa e marmita. A marmita que a mulher preparou de véspera e no almoço do dia seguinte até a gema estava branca. Eu disse isso e o moço saiu berrando que eu era muito radical. Se eu fosse universitário, me preocuparia com o mercado de trabalho que teria de enfrentar na hora de sair da faculdade…


IstoÉ – E as possibilidades de entendimento com os empresários?
Lula – Empresários de visão menos poluída já perceberam que é melhor fazer algumas concessões a curto prazo. Dentro de cinco ou dez anos, as coisas poderão ficar mais complicadas. Conheci empresários de muito valor, homens inteligentes e bastante abertos. Cláudio Bardella, Carlos Villares, José Mindlin. Dizem que o Luis Eulálio Vidigal é um reaça, mas gostei dele. É um cara honesto, tem a coragem de dizer não. Em defesa do capital nacional eu me aliaria a eles, como brasileiro, como se estivesse cumprindo um dever para com meu país. Claro que pretenderia levar as minhas vantagens nessa aliança, mas acima de tudo estaria o interesse nacional. Existem leis para proteger a produção nacional, produtos feitos aqui não deveriam sofrer a concorrência de similares estrangeiros. Mas há concessões para as multinacionais e a Petrobrás. Eu não concordo com isso. Se houvesse um movimento contra essa situação, eu o apoiaria. Mas outras alianças com os patrões são muito problemáticas, não é mesmo? Veja como são as coisas: nessa relação empregado-patrão, a única arma que torna a classe trabalhadora verdadeiramente respeitada pelo patrão é a greve. Eu não tenho dúvidas de que, se os trabalhadores estivessem bem preparados para fazer greve, bem preparados mesmo, com comandos dentro das empresas, os patrões dificilmente iam pagar para ver. O que proponho nos próximos três anos não é incentivar os trabalhadores a fazerem greve, mas prepará-los para entenderem o que é fazer greve. Eu sei que há muitos velhos trabalhadores decepcionados com as greves antes de 1964, porque quem promovia aqueles movimentos não tinha preocupação com a classe, tinha apenas interesses pessoais. A gente tem de instalar o espírito novo. E todo meu esforço é no sentido de criar um movimento que não tenha qualquer parentesco com o passado.


Publicado em 3 de fevereiro de 2013


Por Cynara Menezes

http://www.socialistamorena.com.br/entrevistas-historicas-mino-carta-ent...

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Contraponto 10.403 - "Em vídeo, Dirceu pede reação a Gurgel"

247 - Já foram postados, no YouTube, os vídeos da palestra que o ex-ministro José Dirceu, condenado a dez anos e dez meses de prisão, proferiu na sede da Associação Brasileira de Imprensa, sobre o julgamento da Ação Penal 470.

No evento, ele se disse espantado com a falta de reação do PT às iniciativas da procuradoria-geral da República, comandado por Roberto Gurgel, que, nesta, sexta, encaminhou para o Ministério Público de São Paulo as denúncias de Marcos Valério contra o ex-presidente Lula. "Qual é o limite disso? Vão fazer de novo o que fizeram com o chamado mensalão? Onde estão os nossos?", perguntou Dirceu, que elogiou a "reação à altura" da senadora Kátia Abreu às denúncias da PGR contra o Código Florestal. Num artigo de jornal, a senadora questionou a conduta da procuradora Sandra Cureau.

Na palestra, Dirceu disse que continuará se defendendo, mesmo que seja numa "solitária" ou num presídio de "segurança máxima". Definindo-se como jornalista, uma vez que mantém um blog na internet, Dirceu disse que no dia em que o Congresso perder o medo em relação à Rede Globo, fará uma regulação dos meios de comunicação no Brasil.
Confira, abaixo, um trecho da fala de Dirceu:





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Contraponto 10.402 - " Imprensa e toga: a tentação do golpe"

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 03/02/2013

 Imprensa e toga: a tentação do golpe


Da Carta Maior - 3/2/2013

Não deve ser motivo de surpresa que os membros dos dois campos (midiático e jurídico) se vejam empenhados em mudar as regras formais do jogo político, inaugurando uma série de eventos dramáticos com o objetivo último de deslegitimar o governo eleito pelo povo.

Gilson Caroni Filho

 

Como realizar uma tarefa desmedida, a retomada da agenda neoliberal, se na direita nada há que não seja um imenso vazio? A sua ideologia, incapaz de se reciclar, continua se apoiando em um pensamento econômico que, além do fracasso retumbante, exige para sua implantação, a derrocada das mínimas condições democráticas vigentes.

Para operar a demolição do país é necessário modificar profundamente a estrutura de poder no Brasil. E não nos iludamos. O protagonismo do judiciário, traduzido em confronto permanente com o Legislativo e outras instâncias da organização republicana, nomeadamente, o Poder Executivo, é peça central de uma onda golpista que tende a se acirrar em 2013. (Grifo do ContrapontoPIG)

É bom lembrar, como destaca a tradição marxista, a capacidade das classes dominantes de deslocar o centro do poder real de um aparelho para outro tão logo a relação de forças no seio de um deles pareça oscilar para o lado das massas populares. A estratégia é restabelecer, sob nova forma, a relação de forças em favor do capital rentista. É à luz da perda de importância dos partidos conservadores, em especial do PSDB, que se estabelece a proeminência das corporações midiáticas e de um STF por elas pautado.

Não deve ser motivo de surpresa que os membros dos dois campos (midiático e jurídico) se vejam empenhados em mudar as regras formais do jogo político, inaugurando uma série de eventos dramáticos com o objetivo último de deslegitimar o governo eleito pelo povo.

E por que tal empreitada ainda se afigura no horizonte das viúvas do consórcio demotucano? Porque nossas elites estão pouco acostumadas com a vida democrática, sendo incapaz de enriquecer o debate político. A democracia, como todos sabemos, não prospera sem o compromisso de todos com sua manutenção.

Seria preciso que a imprensa, o sistema educacional, as lideranças empresariais e intelectuais apoiassem a ideia democrática como única forma que legaliza e legitima o conflito. Nada mais incompatível com a prática e o discurso que caracterizam a falange neoliberal brasileira, forjada a ferro e fogo em uma formação autoritária secular que considera a negociação de interesses opostos como fator impeditivo para a adoção das medidas necessárias solicitadas pelo mercado. Estamos diante de atores que, como sabemos há muito tempo, não recuam de medidas mais radicais para a execução das tarefas a que se propõem: o desmonte do Estado e o aniquilamento da cidadania.

A maior presença, dia a dia, do Poder Judiciário reconstitucionalizando o direito ordinário à luz dos editoriais (estatutos) da mídia corporativa, não é um episódio isolado, uma carta encomendada apenas para o julgamento da Ação Penal 470. A nova direita brasileira, cega e surda, arrogante e displicente, irá às últimas consequências para o cumprimento de suas metas. Nem que para isso tenha que levar à desmoralização o seu próprio braço parlamentar.


Não há limites para o golpismo. Se dessa vez o estamento militar opera nos marcos da legalidade, não há problemas. Que se troquem as fardas por togas dóceis. A margem de manobra é mínima, mas a tentação é grande.

A tarefa mais urgente, pois, é continuar mobilizando a vontade nacional, atuando em todos os movimentos sociais organizados. É preciso deflagrar uma campanha orgânica de desmistificação do noticiário envolvendo questões legais. Ao país interessa um Poder Judiciário que , como guardião da Constituição Federal, dinamize os instrumentos processuais constitucionais previstos para garantir o funcionamento da democracia. E isso significa evitar que o Estado volte a ser atropelado pela insanidade dos golpistas, ficando sem condições para cumprir e fazer cumprir as leis.


Gilson Caroni Filho
é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

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Contraponto 10.401 - "Dilma em ação"

03/02/2013

Mídia e Poder

Dilma em ação



Da Carta Capital - 03.02.2013 08:37

Marcos Coimbra

 

O comportamento de nossas oposições é, às vezes, francamente infantil. Parece-se com as crianças pequenas que gostam de atazanar os coleguinhas maiores com chutes, beliscões e xingamentos. E que choram quando os grandes reagem e lhes dão um chega pra lá.

Acabamos de presenciar uma dessas situações. Nos últimos dias, o que mais se ouve são as queixas oposicionistas contra o protagonismo adotado por Dilma Rousseff em seu pronunciamento a respeito das questões energéticas e da redução das tarifas de eletricidade.

As oposições não gostaram do discurso. Seja na nota oficial do PSDB, seja nos editoriais da imprensa oposicionista ou nas “análises” dos entendidos recrutados por elas, disseram-se indignadas com o conteúdo e a forma da manifestação.

O mínimo que afirmaram é que, ao convocar cadeia nacional de rádio e televisão para anunciar as posições do governo, a presidenta havia se aproveitado das prerrogativas do cargo e feito campanha em favor da reeleição.

Supor que Dilma tenha resolvido se pronunciar em busca de dividendos eleitorais é ignorar quem ela é. Aqueles que a conhecem sabem: em condições semelhantes, ela diria exatamente o mesmo, ainda que não cogitasse se candidatar a nada. Sabem também que seria improvável que ela permanecesse indefinidamente calada, ouvindo o que andou ouvindo.

Quando o grande plano das oposições para voltar ao Planalto fez água, elas passaram a se dedicar a outra estratégia. A espetacularização do julgamento do “mensalão” não causou os danos que esperavam na imagem do PT, como ficou evidente à luz de seu desempenho na última eleição e perante o favoritismo dela e de Lula nas pesquisas sobre a sucessão em 2014.
O antipetismo teve de mudar o alvo.

As oposições parlamentares e extraparlamentares dirigiram suas baterias contra Dilma, querendo desmoralizar o governo. Tudo se tornou pretexto para acusá-lo. A elas, a rigor, nunca importou a razão de cada crítica, se o avaliavam mal por considerá-lo ignorante, incompetente, corrupto ou qualquer outra coisa. O que buscavam era sempre ter uma denúncia para incomodá-lo.

Bateram no governo sem parar. Os articulistas e comentaristas da “grande mídia” fizeram a festa, espicaçando-o pelo que fazia, pelo que deixava de fazer e pelo que nem estava em seus planos. O retardo das chuvas de verão veio a calhar. Sentiram o gosto da vitória que poderiam ter sobre a presidenta, que se orgulha de conhecer o setor elétrico. E acreditaram que se desforrariam: após o vexame do apagão tucano, o PT amargaria o seu.

A presidenta cumpriu com seu dever ao falar diretamente ao País. Depois de três meses de bombardeio negativo, em que os esclarecimentos dos responsáveis mereceram espaço minúsculo na mídia, cabia a ela apresentar a versão do governo.

O pronunciamento foi em tom político, coisa que não é comum em Dilma, que prefere falar de maneira técnica.

Dá-se o caso que o tema já estava politizado e que seria difícil tratá-lo de outra maneira. Para esclarecer o que pensava, ela tinha de dizer por que discordava da oposição.
Não deixam de ser curiosas as expectativas que alguns setores da sociedade têm em relação ao PT e suas lideranças. O que consideram normal nos políticos da oposição torna-se pecado quando vem de um petista.

Os pesos e as medidas são completamente diferentes para os dois lados.

Receber e não declarar recursos para fazer campanha? Nomear correligionários para cargos públicos? Indicar aliados para funções na administração? Tudo isso é regra no sistema político brasileiro. Mas estaria proibido ao PT, que deveria amarrar as mãos e assistir aos adversários fazerem o que apenas a ele é vetado.

Dar a outra face quando atacado? Nenhum faz isso, a começar por alguns dos mais ilustres representantes do oposicionismo, que são incensados quando se mostram duros e até vingativos (ou alguém se esqueceu de quem é e como atua José Serra?). Mas Dilma teria a obrigação de apanhar calada.

O fato é que ela não é assim. E é bom que deixe isso claro desde o início do ano, que deve ser parecido a janeiro no denuncismo. Com sua grande popularidade e o apoio quase unânime do País, é bem provável que tenha de voltar aos meios de comunicação. Quando a provocarem além do normal.

E não vai adiantar fazer beicinho.


Confira os últimos artigos de Marcos Coimbra:


Mídia e Poder: As oposições e suas batalhas
O compromisso da continuidade

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Contraponto 10.400 - "O PGR e a arte de requentar a notícia"

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03/02/2013

O PGR e a arte de requentar a notícia


Enviado por luisnassif, dom, 03/02/2013 - 07:35
 

Por Fabio Soares

 

Re: Denúncia do PGR contra Renan é divulgada antes da eleição

Convenhamos: o Procurador-Geral-da-República sabia de antemão que oferecer a denúncia não alteraria o curso da eleição da Mesa do Senado. O objetivo dele não era esse. O objetivo dele, creio, é deixar claro a todos os demais que têm processos tramitando na PGR (ou seja, exclusivamente nas mãos do próprio e de sua mulher) que coloquem as barbas de molho pois poderão sair no momento conveniente, com direito a vazamento seletivo na mídia e cronometragem de precisão.

Não se trata de defender Renan Calheiros ou Collor. Trata-se de defender um MPF e uma PGR bem como um judiciário que, por não ter obtido um só voto popular - que se atenham às suas funções constitucionais. E que não tenha aí um Procurador que, a soldo da nação (como "servidor público"que deveria ser), valha-se da estrutura da PGR para requentar notícia para a imprensa com viés puramente político. É disso que se trata. Dizer que quem denuncia e é contrário a essa atuação do PGR está saindo em defesa de Renan e Collor é fazer uma manobra rastaquera de desviar o foco da real discussão. Ou seja: má fé. 

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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Contraponto 10.399 - " Por uma cabeça, por André Singer"


 02/02/2013

Por uma cabeça, por André Singer


Enviado por luisnassif, sab, 02/02/2013 - 20:00
 

Por josé adailton.
 

Na imprensa de papel também se publicam artigos interessantes. André Singer merece crédito de todo brasileiro. Esperemos que seu raciocínio esteja correto.
 

Da Folha
 

Por uma cabeça

André Singer

 

Quando, em dezembro último, a "Economist" pediu a demissão de Guido Mantega, brasileiros cordatos se perguntaram se a vetusta revista britânica teria perdido o senso. A sequência dos acontecimentos iria mostrar que havia método naquela loucura, pois, na véspera do Natal, o também inglês "Financial Times" iniciou uma série de ataques à condução da economia pátria.

Na quarta passada, aproveitando a oscilação do dólar ao longo do dia, o "FT" voltou à carga. Algumas horas depois de Guido assegurar a prefeitos reunidos em Brasília que não iria permitir "uma valorização especulativa do real", o jornal de negócios publicou na internet comentário segundo o qual seria "exaustivo" tentar entender o que o ministro queria para o câmbio. De modo a acentuar o tom crítico da observação, o texto levantava a hipótese de que os membros do governo não teriam a menor "ideia do que estão fazendo".

Outra vez, patrícios de boa índole se indagaram sobre o que estaria ocorrendo com o tradicional discernimento anglo-saxão. Seria preciso escandir mais as sílabas para que ficasse compreensível a determinação de evitar a "valorização especulativa do real"?

Os leitores que tenham tido a paciência de chegar até aqui já terão entendido que aos súditos de Sua Majestade não falta capacidade cognitiva. Ocorre que alguns deles não gostam das posições assumidas pela Fazenda do Brasil e, treinados na caça ao pato, decidiram alvejar o titular da pasta em pleno voo industrialista.

Naquele dia, Mantega adotara tom menos moderado do que o de hábito. "O câmbio é flutuante, mas, se exagerar na dose, a gente vai lá e conserta", prometeu. Em outras palavras, garantiu que o ganho de competitividade que a indústria nacional terá com a diminuição do preço da energia elétrica não vai ser anulado por uma valorização indesejada da moeda, a qual facilitaria a entrada de produtos estrangeiros.

Havia um segundo recado implícito no discurso ministerial. Para estimular a reindustrialização do país, o Executivo está disposto a arriscar alguma pressão inflacionária, uma vez que, ao recusar a apreciação do real, abre mão, em certa medida, de contar com as importações para segurar os preços internos.

Tudo somado, assiste-se a um embate político de proporções razoáveis. Sem abandonar o lulismo, mas à diferença de Lula, Dilma adotou posição menos conciliadora na defesa do industrialismo. Comprou briga séria com os bancos ao forçar a redução dos juros. Impôs restrições ao capital internacional flutuante. Enfrentou a ferro e fogo poderosos interesses no setor energético. A resposta dos prejudicados, lá fora e aqui, é exigir a cabeça de Guido, que, todos sabem, no fundo é a da presidente.

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Contraponto 10.398 - Roberto Gurgel, o procurador midiático"

247 – Uma dúvida assalta os que acompanham o modo de agir do procurador geral da República, Roberto Gurgel. Ele não vê relação entre o envio de casos, pela Procuradoria, ao Supremo Tribunal Federal, sempre no exato momento em que o assunto em pauta faz parte dos apetites da mídia. 

Muitos observadores, porém, apontam que não há nada de coincidência entre o timmig do desengavetamento de processos, como o que se abate, agora, sobre o novo presidente do Senado, Renan Calheiros, e o momento político mais propício para o barulho e a repercussão.

Investigado desde 2007, Renan só teve seu processo consolidado e enviado ao Supremo uma semana antes da eleição para a presidência da Casa. Foram quase seis anos de gaveta, para uma reentrada trinfual na cena política. Aliados do peemedebista como o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) não economizaram nas críticas e dispararam ofensas pessoais à Gurgel, chamando-o de "prevaricador" e "chantagista". Os ataques ainda estão sem resposta.

Outro episódio que colocou o nome do PGR nas rodas de bares foi o pedido de prisão contra os condenados pelo processo do mensalão no encerramento do ano judiciário. Assim, a análise iria ficar a cargo apenas do presidente do STF, Joaquim Barbosa, à frente do plantão, e não seria debatido em plenário como se esperaria de um processo que movimentou o noticiário brasileiro por meses.

Mas a principal delas, com certeza, foi a notícia de que Roberto Gurgel já tinha conhecimento do envolvimento do ex-senador Demóstenes Torres com o crime organizado e a turma do bicheiro Carlinhos Cachoeira desde a Operação Las Vegas da Polícia Federal. Porém não formalizou nenhuma denúncia à justiça. Esse foi o combustível que movimentou por meses os jornais, com as sucessivas tentativas de parlamentares em levar o procurador geral da república para depor na CPMI do Cachoeira.

Seja como for, no caso Renan, sua estratégia não funcionou.

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 PITACO DO ContrapontoPIG




 Só um perfeito idiota brasileiro não sabe que o prevaricador e chantagista (na expressão de Collor),  trabalha em consonância com a mídia golpista e a direita brasileira. 

Passa da hora de pensar seriamente no impeachment do bozerrão. Com o 'amor' que o Renan tem por ele, não seria surpresa nem coisa indesejável que isto viesse a acontecer. E Renan teria 100 anos de perdão...

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Contraponto 10.397 - " 'Rola-bosta' da Veja ataca os tucanos"


02/02/2013

 


“Rola-bosta” da Veja ataca os tucanos 

 




Do Blog do Miro - sábado, 2 de fevereiro de 2013

 

Por Altamiro Borges




Reinaldo Azevedo, recentemente batizado pelo teólogo Leonardo Boff de “rola-bosta”, ficou indignado com o resultado da eleição para a presidência do Senado. Não por razões éticas – já ele mantém intimas ligações com corruptos, como o ex-senador Demóstenes Torres, o “mosqueteiro da ética” da Veja –, mas sim por motivos políticos. Ele fez campanha contra Renan Calheiros por ele ser da base aliada do governo Dilma e não gostou das traições na votação dos seus amigos do PSDB. Tanto que rosnou contra os tucanos.





No artigo intitulado “tucanos pra quê?”, postado hoje, Reinaldo Azevedo rosnou: “Não tem jeito, não! As coisas não acontecem por acaso. A oposição não chega ao estado miserável a que chegou ao Congresso por acidente. É preciso muito esforço para isso. É preciso haver muita dedicação. E nisso, convenham, os tucanos são de uma aplicação comovente”. Sua indignação é porque parte da bancada, “os bons de bico, traiu o compromisso e deixou Pedro Taques (PDT-MT) na mão” e votou no senador do PMDB.



Revoltado, ele agora se indaga sobre o futuro da oposição demotucana e pede a cabeça dos traidores. “Os 11 tucanos poderiam vir a público para declarar o seu voto. Não se trata de patrulha, não, mas de vergonha na cara. Já que se anunciou à sociedade o apoio ao adversário de Renan, cumprira agora deixar claro quem fez o quê. Notem: ninguém é obrigado a abrir o voto. Mas todos podem se dispensar de mentir. Se havia senadores contrários ao apoio a Taques, que dissessem, ora”.



Aliado canino de José Serra, o rola-bosta da Veja também fustigou o rival mineiro. “Aécio Neves havia acenado com a possibilidade de fazer um discurso em defesa da candidatura de Taques. Discurso não houve. O senador se limitou, há alguns dias, a fazer uma espécie de convite-apelo a Renan para que retirasse a sua candidatura... O apoio ao opositor de Renan, no fim das contas, foi uma operação de marketing que acabou saindo pela culatra. Agora, resta  suspeita da farsa, do adesismo e da traição, tudo misturado”.



Para Reinaldo Azevedo, a folgada vitória de Renan Calheiros no Senado revela o colapso da oposição no país. Ele lembra que já postou um artigo no seu blog “afirmando que a greve que realmente faz mal ao Brasil é a greve da oposição, que está paralisada há sete anos, caminhando para oito, desde quando ficou com medo das consequências e recuou diante da possibilidade de pedir o impeachment de Lula, na crise do mensalão. Depois disso, não se encontrou mais... Assim, cabe a pergunta: Tucanos pra quê?”.



O rola-bosta da Veja está enraivecido! Parece que lhe faltará bosta para rolar. E a sua revolta não é por razões éticos – apesar de muitos ingênuos acharem que era isto que estava em jogo nas eleições do Senado. É por motivos eminentemente políticos. Para ele, a eleição da presidência da Casa era o momento certo para fortalecer a oposição, derrotar o governo Dilma e, quem sabe, criar as condições para possíveis ações contra a presidenta. Reinaldo não esquece nunca da oportunidade perdida do impeachment de Lula! 
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