domingo, 2 de junho de 2013

Contraponto 11.365 - “Mau Dia Brasil”

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02/06/2013

O “Mau Dia Brasil” e os seus maus conceitos


Do   Palavra Livre - 02/06/2013

O que sai da boca deles é o que pensa os Marinho. Mas é preciso se esforçar tanto?
Davis Sena Filho

Eu fico a lamentar e jamais surpreso quando tenho o desprazer de assistir o jornal “global” e matutino conhecido como “Bom Dia Brasil”, que deveria se chamar “Mau Dia Brasil”. Os jornalistas Chico Pinheiro, Renata Vasconcellos, Miriam Leitão, Renato Machado, Carla Vilhena, Alexandre Garcia e Zileide Silva se dedicam a praticar a postura oposicionista de seus patrões Marinho contra o Governo Federal administrado pelos trabalhistas, bem como se esmeram para fazer caras e bocas, que talvez nem atores profissionais e consagrados conseguissem performances tão “perfeitas” na arte de representar.

Esses jornalistas, uns por ideologia, como o direitista Alexandre Garcia, e outros simplesmente para garantir o emprego e o status social conquistado, a exemplo dos restantes já citados, vivem em um mundo à parte e coberto por uma redoma de cristal. Seu eu estiver enganado, não tenho como não fazer tais afirmativas, pois, acredito, é o que eles passam para o telespectador mais atento e por isso mais difícil de ter a cabeça feita pelos jornais de mercado, que, indubitavelmente, são os porta-vozes de direita escravagista brasileira, assim como dos banqueiros e dos trustes e governos internacionais.

A luta desses jornais e jornalistas de direita contra o desenvolvimento, a soberania do Brasil e as conquistas do povo brasileiro são de uma mesquinhez e perversidade, que não lhes permitem se orientar sobre os fatos e os momentos históricos pelos quais o Brasil e seu povo estão a vivenciar há quase 11 anos, o que, sobremaneira, é confirmado pelos números e índices econômicos gigantescos, além da sensação de bem-estar social e da crença em dias melhores por parte da população. Realidades inegáveis, até mesmo para os jornalistas que, diuturnamente, mostram, nos meios de comunicação, um Brasil derrotado, negativo, fracassado, incompetente e que não tem condições de ser o senhor de seu destino.

São pessoas que elaboram ou editam um jornalismo, sobretudo, direcionado para a classe média tradicional e, inegavelmente, para os ricos, que, intolerantes, preconceituosos e dominados que são pelos seus DNA colonizados e complexados, não aceitam que o Brasil se torne, definitivamente, um País desenvolvido e proprietário de seus interesses políticos, geográficos e econômicos. É a história a ser escrita pelo povo brasileiro e a tentativa de as “elites” alienígenas e por isto entreguista de reescrevê-la conforme os meios que lhes são intrínsecos às suas verves: a mentira, a manipulação, a confusão e, se necessário for, o conflito a ter como essência a violência pura e simples, a exemplo do Golpe civil-militar de 1964.

O “Mau Dia Brasil” é um jornal televisivo, que reflete e exemplifica toda a imprensa burguesa em geral. A imprensa racista, sectária, classista e irreversivelmente golpista. A imprensa de mercado, corporativa, que se preocupa somente e antes de tudo com os seus negócios privados. Por isto e por causa disto, temos um jornalismo que não condiz com a realidade que vivemos e muito menos retrata a competência e o dinamismo laboral do trabalhador brasileiro. É uma imprensa que confunde propositalmente o público com o privado, a opinião pública com a publicada, pois a sua verdade é a má-fé intelectual.

A imprensa de rapina e que aposta na divisão do País e na adesão da população aos seus interesses. Só que tal sistema midiático não tem programa de governo e projeto para o País. Não tem compromisso histórico com o nosso desenvolvimento, pois alienígena e totalmente voltada à edificação de uma sociedade individualista, sovina, consumista e, consequentemente, violenta. Vivemos a ditadura da imprensa, das mídias, último bastião das classes abastadas e das grandes corporações a ser superado para que o povo brasileiro possa, enfim, ter, de fato, uma democracia popular e não somente representativa, que inclua e acolha a todos, sem preconceitos de cor, classe e credo, e, por seu turno, transformar o Brasil em um País realmente desenvolvido e democrático. O “Mau Dia Brasil” tem de rever seus maus conceitos.
 É isso aí.

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PITACO DO ContrapontoPIG

 
Este jornal é uma espécie de veneno matinal que a Globo destila e solta todas as manhãs.

O mais ridículo é que apenas pouquíssimas pessoas - alguns mauricinhos de classe média alta - o tomam e se sentem donos da verdade e crentes que estão sendo bem informados.

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sábado, 1 de junho de 2013

Contraponto 11.364 - "Lula pode assumir papel político na América Latina "

247 - O presidente do Equador, Rafael Correa, disse neste sábado que gostaria que o ex-presidente Lula se tornasse secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), indicando o que pode ser o caminho do petista no continente. Após a morte, de Hugo Chávez e com o ocaso de Fidel Castro, Lula, que já vem articulando com presidentes como Cristina Kirchner e Nicolás Maduro, assumiria definitivamente o protagonismo no continente.

"Logo ocorrerão as eleições para secretário-geral da Unasul e há vários grandes latino-americanos que podem ocupar este lugar, como Lula, o que seria maravilhoso", destacou Correa durante seu programa semanal, transmitido do norte de Quito, onde é construída a nova sede do órgão. Segundo o presidente equatoriano, o prédio, que estará pronto em maio de 2014, "terá o nome deste grande latino-americano que foi (o ex-presidente argentino) Néstor Kirchner" e será "o edifício mais moderno do Equador e, provavelmente, da América Latina".

Nesta segunda-feira, Lula vai à Colômbia falar sobre "integração da América Latina". Na sequência, ele passa por Peru e Equador, onde, assim como ocorre na Colômbia, o brasileiro tem encontros marcados com os presidentes (leia mais). A Unasul, para a qual Correa sugeriu o nome de Lula, é integrada por Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.
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Contraponto 11.363 - "Dilma diz a Correa que Equador será bem-vindo ao Mercosul"

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01/06/2013

 

Dilma diz a Correa que Equador será bem-vindo ao Mercosul



Do Vermelho - 1 de Junho de 2013 - 11h25

 
A presidenta Dilma Rousseff conversou nesta sexta-feira (31) com o presidente do Equador, Rafael Correa, para desejar sucesso no novo mandato. Reeleito, Correa tomou posse na última sexta-feira (24), mas Dilma não compareceu à cerimônia porque estava na Etiópia, onde participou da Cúpula da União Africana. 
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Dilma Correa
Roberto Stuckert Filho/PR


Ao agradecer à presidenta brasileira, Correa disse que o Equador “vem tomando providências para tornar-se membro pleno do Mercosul”, segundo informações da Secretaria de Imprensa da Presidência da República. O Equador é hoje membro associado do bloco, assim como Bolívia, Chile, Peru e Colômbia.

Dilma respondeu a Correa que o Equador será bem-vindo ao Mercosul. A conversa por telefone entre os dois chefes de Estado foi breve e ocorreu por volta das 18h15.

Na sexta-feira (24), Rafael Correa prestou juramento para o terceiro mandato de quatro anos na direção do país. O vice-presidente Michel Temer representou o Brasil na cerimônia de posse, que contou com a presença de nove chefes de Estado e várias delegações internacionais, entre eles Sebastián Piñera (Chile), Nicolás Maduro (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Juan Manuel Santos (Colômbia).

Com Agência Brasil

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Contraponto 11.362 - "Estado Democrático do Dinheiro. Daniel Dantas na WicKepedia"

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01/06/2013

Estado Democrático do Dinheiro. Daniel Dantas na WicKepedia

 

Do Conversa Afiada - Publicado em 01/06/2013 

A mulher é esfaqueada dentro da loja e a prova não vale porque a câmera que filmou o esfaqueamento não tinha autorização para operar !!! Quá, quá, quá !!!

Com base no excelente artigo de Leandro Fortes na Carta Capital, o amigo navegante Aurélio Buarque de Espanha ofereceu à WicKepedia o verbete “Daniel Dantas”, que se segue.


O Deputado Protógenes está sendo investigado com base em uma afirmação provavelmente falsa da mulher do Gurgel e dele, de que uma busca e apreensão em sua casa teria obtido 280 mil reais em dinheiro.

(Veja o artigo do Leandro.

E a denúncia do deputado, da tribuna da Câmara, na votação da MP do Portos, em que Dantas esteve “presente”, in absentia.)

O juiz (?) que autorizou a busca e os documentos da busca negam a afirmação da PGR. O Deputado mostrou isso para o Toffoli em uma certidão. Apesar disso, a investigação segue.

Ninguém pergunta ao PGR e sua esposa porque eles mudaram de ideia tão radicalmente.

Por que essa mudança veio depois de uma petição do Daniel Dantas e de uma visita dos advogados do Dantas ao Procurador Geral, que os recebeu mesmo sem serem parte do processo?

Isso não interessa.

O que interessa é afirmar que, ao se rebelar contra uma investigação indevida, o Deputado Protógenes estaria “com medo” da investigação. Essa é a linha do PGR.

Sobre os pontos acima vide:

http://www.jornalggn.com.br/blog/as-suspeitas-que-protogenes-lancou-sobre-a-procuradoria-geral-da-republica

http://www.jornalggn.com.br/blog/juiz-ali-mazloum-nega-apreensao-de-dinheiro-na-casa-de-protogenes

http://www.jornalggn.com.br/blog/gurgel-recebeu-advogados-de-dantas-que-nao-fazia-parte-do-processo

Ou seja, na “Justiça de Dantas” o Deputado Protógenes é CULPADO ATÉ QUE SE PROVE INOCENTE.

Mas na mesma “Justiça de Dantas”, ele, Dantas, é INOCENTE ATÉ QUE SE PROVE CULPADO, E MESMO QUE SE PROVE QUE ELE É CULPADO, NADA VALE.

Assim, não se vê o PGR argumentar que Dantas tem “medo da investigação da Satiagraha”.

Por que ele, Dantas, nunca se defendeu dos gravíssimos crimes que ele cometeu revelados pela Satiagraha.

Ele sempre atacou o Delegado, o MP, o Juiz, a ABIN, o jornalista Paulo Henrique Amorim e o empresário Demarco tentando sempre anular a verdade.

Nesse processo de anulação da verdade, o 1 milhão de reais colocado na mesa para subornar um delegado da PF não vale.

(Clique aqui para assistir à reportagem histórica do jornal nacional, que se inscreve, com um escândalo, na História da Magistratura brasileira, porque, mesmo depois dela, Gilmar Dantas (*) deu a Dantas um segundo HC Canguru.

Clique aqui para ler “Gilmar tenta reverter duas derrotas na Justiça para o ansioso blogueiro”.)

É como se o Dantas, só por ilustração, tivesse esfaqueado uma mulher dentro de uma loja e a câmera da loja tinha filmado tudo. A mulher morre mas o Dantas não pode ser processado pelo assassinato porque a câmera da loja não tinha autorização judicial para filmá-lo.

Mas eu vi! Foi ele que matou! Estou vendo o filme agora! Tá no Jornal Nacional! …

Mas não vale! A prova é ilícita!

Então, sem essa prova ele não pode ser processado.

Pode continuar matando à vontade …
(Amigo navegante, esse argumento é muito bom ! Que pena eu não tenha pensado nele. Vou passar a usar e dizer que é meu … – PHA)

Assim na “Justiça do Dantas”, ele é vítima de tudo. E ainda vai processar o dono da loja que colocou aquela câmera lá, por invasão de privacidade. Por ter filmado o assassinato.

E os HDs da Satiagraha?

As gravações mostrando corrupção de jornalistas e políticos?

E os emails?

E todo o material apreendido que revela um caminhão de crimes cometidos por Dantas e sua turma?

Não … nada disso pode valer, senão (ameaça no ar), “a República cai”.

(Será que o Eros Grau ainda está sentado em cima dos documentos que o Protógenes apreendeu na parede falsa do apartamento do Dantas ? Aqueles que o Grau sequestrou do destemido Juiz De Sanctis , numa violência  sem precedentes. Ou outro egrégio ministro o substituiu na acrobacia ? – PHA)

Mas, para a Justiça Britânica, Dantas é um mentiroso, é um falsificador de fichas bancárias!

Mas isso não importa para o Brasil.
(A ponto de o Banco Central promover o “banco” do Dantas – PHA)

Os tratados internacionais do Brasil só valem quando Dantas quer manipular um inquérito inócuo onde ele atuou na Itália (com a ajuda do atual Ministro zé da Justiça da Dilma).

Mas … mas … a Veja confessou que o Dantas passou para ela contas falsas no exterior, do Lula enquanto Presidente da República, e de diversas outras autoridades.

Foi aberto um inquérito. Onde está o inquérito? O gato comeu?

Mas … mas … mas … mas … o Dantas não foi indiciado por espionagem na CPI do Grampo?

E não foi denunciado por espionagem da Kroll e de um israelense?

Mais um caminhão de provas que não interessam?

Mas … mas … mas … o Dantas não foi o maior financiador da Caixa Dois do PT?

(Fala, Pizzolatto, fala ! – PHA)

Não foi o originador do Mensalão do PSDB de Minas?

Não foi a Telemig Celular do Dantas “a origem” do valeriodantas ?

Vai ser todo mundo preso por receber dinheiro, mas ninguém prende quem deu o dinheiro?

Mas o Dantas também não está por trás da batalha para aprovar a MP dos Portos?

Tem alguma investigação devido as denúncias do Garotinho de que o Dantas estaria “aliciando” Deputados com propostas “nada republicanas”?

Nada vale contra o Dantas.

Tudo vale a favor.

E isso sempre passa pelos mesmos juízes, pelos mesmos jornalistas, pelas mesmas instituições, sempre com um advogado no meio e ninguém pergunta por que esse advogado recebe 100 vezes mais do Dantas do que recebe pelo mesmo serviço de outra pessoa.

Por que o Dantas paga 100 vezes mais do que o mercado?

Será que a balança pesa para o Dantas porque ele é um “santinho”?

Uma vítima de mais de 20 delegados, 20 juízes (alguns ingleses), 20 promotores, 50 deputados, dois ou três jornalistas de … roxo etc, etc, etc, todos “aquadrilhados” numa  “perseguição ao coitadinho”, protagonista das infinitas provas contra ele, que ele tenta destruir.

Tá tudo muito escancarado.

Na Ditadura Militar, a restrição aos direitos individuais era escancarada e , portanto, o inimigo torturador era visível.

Na época da Ditadura do Dinheiro, as ameaças se escondem por trás de Instituições aparentemente idôneas e se fala em “Constituição” e em “Estado Democrático de Direito”, mas cometem-se barbaridades semelhantes.

Todo mundo vê que tem algo errado e quando se prova, não vale.

É o “Estado Democrático do Dinheiro”!

Assinado: Aurélio Buarque da Espanha


(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele. E não é que o Noblat insiste em chamar Gilmar Mendes de Gilmar Dantas ? Aí, já não é ato falho: é perseguição, mesmo. Isso dá processo… 

Contraponto 11.361 - "#PSDBNuncaMais bombou na internet "

 

01/06/2013

 


#PSDBNuncaMais bombou na internet 

 

Do Blog do Miro - sábado, 1 de junho de 2013

 


Por Altamiro Borges

O programa do PSDB em rede nacional de rádio e tevê na quinta-feira (30), que cinicamente apresentou os tucanos como campeões da justiça social no país, recebeu uma resposta incisiva dos internautas. Na mesma noite e no dia seguinte, a hashtag "psdbnuncamais" bombou nas redes sociais e ocupou os primeiros lugares do "Trending Topics Brasil". O fato curioso foi registrado até pelo jornalista Fernando Rodrigues, da Folha.


O colunista do jornal tucano ainda tentou desqualificar a iniciativa, afirmando que "a hashtag foi articulada de maneira bem organizada por militantes ou simpatizantes petistas, 
incluindo o próprio perfil do PT". Pouco depois, ele mesmo corrigiu a sua incorreta informação. "O blog esclarece que o perfil @ptnacional não é o oficial do PT. É do PT, como está escrito, no sentido de ser alimentado por simpatizantes da legenda". 

Para o jornalista da Folha, o surpreendente sucesso da hashtag "psdbnuncamais" deveria servir de alerta aos tucanos: "Fica claro que o PSDB e Aécio Neves têm de se preparar mais para entrar no ringue das redes sociais contra os petistas, um grupo muito mais coeso e preparado para esse tipo de embate". Também deveria servir para mostrar que internautas não são bobos e não aceitam as bravatas da legenda, conhecida por sua visão elitista e antidemocrática, contrária aos anseios populares.
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Contraponto 11.360 - A mídia e o "Extermínio de ornitorrincos no Brasil"

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01/06/2013 

Extermínio de Ornitorrincos


 Da Carta Maior - 31/05/2013

Emir Sader


As coisas funcionam assim:

Um domingo a Veja denuncia que o governo teria pronto um plano para eliminar todos os ornitorrincos do território nacional.

À noite, o Fantástico, com uma reportagem cheia de detalhes, dando a impressão que já a tinha preparada, rogando aos espectadores para que façam algo para parar o extermínio. E, enquanto soa uma música dramática de fundo, diz que não façam por cada um de nós, mas pelos ornitorrincos.

No dia seguinte, a Folha intitula: "Feroz investida do governo contra os ornitorrincos". "Ameaça de extinção"

Na terça, o Jô coloca a pergunta: Vão desaparecer os ornitorrincos? Como os brasileiros não reagem frente à extinção dos ornitorrincos?

Miriam Porcão fala da escassez dos ornitorrincos, com seus reflexos na inflação e na pressão para novo aumento da taxa de juros.

FHC escreve sobre a indiferença do Lula e a incompetência gerencial do governo para proteger a vida de um animal que marcou tão profundamente a identidade nacional como o ornitorrinco.

Aécio diz que está disposto a por em prática um choque de gestão, similar ao que realizou em Minas, onde a reprodução dos ornitorrincos está assegurada.

Marina diz que a ameaça de extinção dos ornitorrincos é parte essencial do plano do governo da Dilma de extinção do meio ambiente. Que assim que terminar de conseguir as assinaturas para ser candidata, vai apelar a organismos internacionais a que intervenham no Brasil para evitar a extinção dos ornitorrincos.

Marcelo Freixo denuncia que são milícias pagas pelo governo os que estão executando, fria e sistematicamente, os ornitorrincos.

Em editorial, o Estadão afirma que o extermínio dos ornitorrincos faz parte do plano de extinção da imprensa livre no Brasil e que convocará reunião extraordinária da SIP para discutir o tema.

Um repórter do Jornal Nacional aborda o ministro da Agricultura, perguntando os motivos pelos quais o governo decidiu terminar com os ornitorrincos, ao que o ministro, depois de olhar o microfone, para saber se é do CQC, respondeu: Mas se aqui não há ornitorrincos! O repórter comenta para a câmera: No governo não querem admitir a existência do plano de extermínio dos ornitorrincos, que já está sendo posto em prática.

Começam a circular mensagens na internet, que dizem: "Hoje todos somos ornitorrincos" e "Se tocam em um ornitorrinco, tocam a todos nós".

Heloisa Helena declara que os ornitorrincos são só o princípio e que o governo não tem limites na sua atuação criminosa, os coalas e os ursos pandas que se cuidem.

Uma ONG com sede em Washington lança uma campanha com o lema: "Fjght against Brazilian dictatorship!! Save the ornitorrincs!!"

O Globo, Folha e o Estadão com a mesma manchete: Sugestivo silêncio da presidente confirma culpabilidade.

Colunista do UOL diz que, de fonte segura, lhe disseram que o governo, diante da péssima repercussão do seu plano de exterminar os ornitorrincos, decidiu retroceder.

Todos os jornais editorializam, no final da semana, que os ornitorrincos do Brasil estão salvos, graças à heroica campanha da imprensa livre.

(Este artigo é a simples tradução e adaptação dos nomes para personagens locais, de um texto que corre nas redes da Argentina. As coisas funcionam assim lá e aqui)



Emir Sader. Sociólogo e cientista político
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Contraponto 11.359 - "Gurgel mostra sua fé"

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01/05/2013 

Gurgel mostra sua fé

 

Da CartaCapital - 01/06/2013

 

O procurador-geral não se apega à lei, e sim às suas convicções políticas

 
por Mauricio Dias — publicado 01/06/2013 10:59


Roberto Gurgel deve se aposentar ao deixar Procuradoria-Geral da República

Roberto Gurgel, o mais controvertido dos procuradores na história da República, tomou e toma decisões que marcaram e marcarão de forma melancólica o desfecho do mandato dele na Procuradoria-Geral em agosto.



Uma dessas decisões, a mais recente, é o fato de Gurgel ter mandado para as profundezas do arquivamento a ação que envolve os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL) e João Capiberibe (PSB).  Ambos, em tese, da base governista. Na prática, não.

Gurgel, ao contrário de Geraldo Brindeiro, que engavetava tudo que o governo FHC queria engavetado, tem ido muito além do engavetar ou desengavetar. Ele deu clara noção de sua orientação política.

Há outras diferenças. Fiquemos, por enquanto, no fato de que o procurador-geral ora desengaveta, ora engaveta. Engavetou, por exemplo, o caso citado acima.

O episódio ocorreu em 1999, quando Randolfe era deputado estadual e Capiberibe, governador do estado. Nesse período, conforme denúncia feita por Fran Soares Junior (PP), Randolfe teria recebido dinheiro além do salário regulamentar para votar projetos de interesse do governador. Há conversas gravadas, periciadas, entre Capiberibe e o deputado João Brandão, com menção clara sobre isso.

Randolfe, a única flor do PSOL no Jardim do Senado, nega tudo. E justifica alguns recibos que assinou. Não justifica todos ou tudo. Há recibos, assinados por Randolfe, reconhecidos como legais por análise feita pelo perito Ricardo Molina. Há também gravações em áudio, periciadas, que reforçam a denúncia.

Se fosse possível admitir dúvidas em favor de Randolfe, seria impossível engolir o arrazoado de Gurgel que conduziu a representação para o arquivo sob a alegação de que os fatos narrados na representação “são inverídicos”. 

Eis algumas razões em contrário:

– Não houve montagem dos áudios.

– O procurador-geral faz “exercício argumentativo” para deduzir que “a representação noticiou fatos inverídicos”.  Também faz descaso das provas apresentadas, indiferente ao fato de que só a perícia pode averiguar a veracidade da prova técnica.

– Gurgel foi além de sua competência. O Ministério Público analisa as questões de direito. As de fato competem exclusivamente a peritos.

– A acusação diz que não apresentou todos os recibos assinados por Randolfe, porque teriam sido recolhidos pela Polícia Federal. Gurgel poderia averiguar. Oficiaria à PF sobre os recibos e, se existissem, os submeteria a exame pericial.

Gurgel navega orientado por bússola política e com a frieza de um frade de pedra. É possível perceber a linha que norteia as decisões que toma. Não é uma linha reta. Bem avaliada, nota-se, porém, como é definida. Por isso é possível supor que, só aparentemente, a decisão beneficia Randolfe e Capiberibe. O arquivamento, falho e apressado, mantém sobre os dois um incômodo ponto de interrogação.

Gurgel não é profissional descuidado. Ele sempre sabe o que faz.


Andante Mosso


Iluminações I

Logo, logo, o ministro Luís Roberto Barroso vai virar referência de bom senso no Supremo Tribunal Federal.

Exemplo disso é a reflexão dele sobre os votos longos:

“Os advogados têm exatos e rígidos 15 minutos para a sustentação oral, independentemente do grau de complexidade. O sistema considera, portanto, que esse é um prazo razoável”.
Critério análogo deveria inspirar os ministros do Supremo. 

Iluminações II

Sobre isso, Barroso observa:

“A leitura de votos extremamente longos, ainda quando possa trazer grande proveito intelectual para quem os ouve, gera um problema de disfuncionalidade. A leitura em sessão poderia resumir-se a 20 minutos, 30, excepcionalmente”.
Ele propõe um compacto dos melhores momentos. 

É uma boa ideia.

Porém, no plenário do STF, como no futebol sem gols ou grandes jogadas, às vezes não há muitos momentos de “proveito intelectual”. 

O nome do gato

Persiste, no Senado, a demora na instalação da CPI dos erros médicos.

A proposta, do senador Magno Malta, foi aprovada há mais de dois meses, mas a instalação da CPI tem sofrido sucessivos adiamentos. 

Será por força do ativo lobby dos planos de saúde e dos hospitais privados? 

Para o Conselho Federal de Medicina, a CPI deve ser chamada de “Direito Humano à Saúde”, e não dos erros médicos.

O nome do gato não importa. Importante é que ele cace o rato.

Bandalheira fardada

Foi concluída a investigação do Ministério Público Militar sobre as fraudes em licitações feitas pelo Exército na execução de obras para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Dnit, do Ministério dos Transportes.

O primeiro denunciado é o general de divisão R/1 Rubens Brochado, que chefiou o Instituto Militar de Engenharia (IME), órgão executor das obras.

Calculam-se em 11 milhões de reais os recursos desviados.Na fila de suspeitos há mais três generais que, entre 2004 e 2009, chefiaram o IME. Entre eles, Enzo Peri, atual comandante do Exército.

Em nome do pai  I

O Tribunal Regional Federal (TRF), no Rio, deve fechar os nomes da lista tríplice a ser enviada, nos próximos dias, à Presidência para Dilma escolher o novo juiz daquele tribunal.

Há uma especulação desarvorada porque na lista sêxtupla, da qual sairá a tríplice, consta o nome de Letícia de Farias Mello, filha do polêmico Marco Aurélio Mello, ministro do STF. 
Como foram escolhidos os outros cinco concorrentes?

Em nome do pai II

O nome de Letícia gera fantasia, pelo fato de ela ser filha de quem é, em um processo no qual o mérito não é determinante.

Mas, sem dúvida, isso deve ter pesado.

Não há informações, no entanto, de pressões feitas pelo pai em favor da filha. Se houve, os pressionados se acovardaram e ficaram calados.

Em caso recente, o pai valeu-se do poder que tem para beneficiar a filha. Houve reações e a pressão não deu certo. 

O sistema de escolha favorece naturalmente os sobrenomes assinalados.

Plano de ação

A agenda político-econômica de Aécio Neves e de Eduardo Campos, dois postulantes à Presidência, já está montada.É curta e grossa: rachar a base governista e torcer pelo fracasso da economia.


Maurício Dias - Jornalista, editor especial e colunista de CartaCapital. mauriciodias@cartacapital.com.b

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Contraponto 11.358 - "As escolhas de Dilma"

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01/06/2013

As escolhas de Dilma 

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Saul Leblon

As notícias que chegam dos correspondentes de Carta Maior na Europa formam um denso exclamativo de alerta.

A austeridade estala o relho do desemprego nas costas de quase 27 milhões de pessoas no continente –mais de 19 milhões só na zona do euro.

Um círculo vicioso de arrocho social, demência fiscal e privilégio às finanças escava o fundo do abismo.

Aleija o Estado; esquarteja o tecido social.

A fome está de volta numa sociedade que imaginava tê-la erradicado com a exuberância da política agrícola do pós- guerra, associada à rede de proteção do Estado social.

Quem não se lembra das montanhas de manteiga e trigo?

Inútil é a opulência quando a repartição se faz pela supremacia dos mercados desregulados.

Que meio milhão de pessoas passem fome no coração financeiro da Europa, como informa o correspondente em Londres, Marcelo Justo, nesta pág, deveria ser suficiente para afastar as ilusões na ‘solução ortodoxa’ para a crise sistêmica do capitalismo desregulado.

Mas a história não segue uma lógica moral; tampouco é imune a retrocessos.

A calibragem fina entre a barbárie e a libertação humana não está prevista nos manuais de economia.

Esse apanágio pertence à democracia.

Vale dizer, ao movimento das gigantescas massas de forças acumuladas na caldeira social de cada época.

A esquerda europeia, ao longo dos últimos 30 anos, jogou água fria no vapor.

Sua rendição histórica representa hoje o chão firme em que prospera a restauração conservadora.

A regressividade econômica se faz acompanhar da contrarrevolução sempre que a esquerda troca a resistência pela adesão à lógica cega dos mercados.

Os paralelepípedos de Paris assistem, estarrecidos, às marchas extremistas contra os direitos das minorias --num ensaio de assalto aos das maiorias, patrocinado pela tibiez do governo Hollande.

A França vive o seu ‘Maio de 68 de direita’.

Quem avisa, nesta pág, é o experiente jornalista Eduardo Febbro, correspondente de Carta Maior que tem o olho treinado na cobertura de grandes levantes sociais do Oriente Médio à América Latina.

A exceção alemã, ademais de suspeita num continente devastado, assenta-se em mecânica perversa.

Frau Merkel gaba-se de ter acrescentado 1,4 milhão de vagas ao mercado de trabalho germânico no século 21.

O feito encobre uma aritmética ardilosa.

Desde 2000, a classe trabalhadora alemã perdeu 1,6 milhão de empregos.

Vagas de tempo integral, com direitos plenos.

Substituídas por 3 milhões de contratações em regime precário, de tempo parcial.

O salário mínimo (hora/trabalho) do semi-emprego alemão só não é pior que o dos EUA de Obama.

É no alicerce das ruínas trabalhistas que repousa o sucesso das exportações germânicas, cantadas em redondilhas pelo jogral conservador aqui e alhures.

Exportando arrocho, o colosso alemão consegue vender mais do que consome internamente.

A fórmula espalha desemprego e ‘bons exemplos’ ao resto do mundo.

O ‘modelo alemão’, ademais, traz no DNA a singularidade que o torna inimitável: se todos acionarem o moedor de carne de Frau Merkel, quem vai comprar o excesso de salsicha?

O fundo do poço, enevoado neste caso pelo lusco-fusco da retomada norte-americana contrastada pela desaceleração asiática, é o ponto mais perigoso da crise. De qualquer crise.

As fragilidades estão no seu nível máximo.

E sempre surge alguém para propor que a hora é de escavar o porão com mais arrocho e desmanche social.

Roosevelt ouviu os conselhos dos ‘austeros’, em 1937, quando a economia dos EUA começava a respirar. O rebote depressivo foi tão longe que dele o país só saiu com o keynesianismo de guerra.

O próprio FMI alerta : nas condições atuais, cada unidade adicional de austeridade produz duas vezes mais decrescimento, do que no início do ‘ajuste’.

A ortodoxia acha que nada disso vale para o Brasil.

O país ingressa nesse capítulo do colapso neoliberal equilibrado em trunfos e flancos significativos.

Sua engrenagem econômica se ressente da mortífera sobrevalorização cambial que inibe exportações e transfere demanda para o exterior; as contas externas padecem, ademais, com a erosão nas cotações das commodities; o parque industrial retraído e defasado tecnologicamente é acossado pela invasão dos importados.

A determinação central, porém, é a luta pelo poder.

A disputa eleitoral de 2014 comanda o relógio dos mercados.

Os ponteiros do capital buscam candidaturas ‘amigáveis’.

Não investir na ampliação da oferta, capaz de domar a inflação, faz parte da campanha.

‘Culpa das incertezas’, justifica a mídia obsequiosa.

A mesma que encoraja a retranca aos investidores:

“Não façam agora o que poderá ser feito depois, lubrificado por ‘reformas desregulatórias’, caso a Dilma intervencionista seja derrotada”.

O BC endossa o cantochão.

Se não há investimento para atender a demanda, o equilíbrio virá pelo arrocho.

Pau nos juros.

A negociação do futuro não pode ficar restrita ao monólogo entre o mercado e o diretório do BC.

O saldo é mundialmente conhecido. As ruas da Europa dão seu testemunho.

O falso ‘remédio’ agrava a doença e calcifica o recuo do investimento.

Tudo adornado pela guarnição sabida: angu de desemprego com caroço de atrofia fiscal.

Perigosamente ilusória é a hipótese de curar essa indigestão com saltos nas grandes obras públicas.

O retrospecto não endossa a expectativa.

O Brasil já tem uma parte daquilo que as nações buscam desesperadamente (leia o artigo do economista Amir Khair, nesta pág.)

O singular trunfo brasileiro é o binômio ‘pleno emprego e demanda popular de massa’, parcialmente ancorado no Real 'forte'

Foi ele que protegeu o país da crise até agora.

É preciso erguer linhas de passagem para um novo ciclo. Mas essa é uma tarefa política e não contábil.

Se não dilatar o espaço da política na condução da economia, o governo corre o risco de perder o que já tem, sem obter o que a ortodoxia lhe promete.

Ao contrário da Europa, o Brasil tem forças sociais organizadas; suas centrais sindicais e a inteligência progressista dispõem de propostas críveis e sensatas.

Não foram desmoralizadas pela rendição ao neoliberalismo.

O governo construiu sólidas políticas sociais, ademais de estruturas de Estado para ampliá-las.

O conjunto permite à Presidenta Dilma negociar rumos e metas do desenvolvimento com a sociedade; bem como preservar seu mercado de massa com o reforço nas políticas sociais.

Acreditar que a ação do BC será suficiente para reordenar a economia no rumo dos investimentos é terceirizar o país à lógica conservadora, até agora restrita à exortação midiática.

Política é economia concentrada.

O governo Dilma tem escolhas a fazer. E legitimidade para exercê-las.

É a hora.

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Contraponto 11.357 - "Luiz Dulci: 'Tucanos perderam a sintonia com a maioria da população brasileira' "



01/06/2013

  Luiz Dulci: “Tucanos perderam a sintonia com a maioria da população brasileira”

 


Do Viomundo - publicado em 1 de junho de 2013 às 12:36




por Luiz Carlos Azenha

“Os tucanos perderam sintonia com a maioria da população brasileira”.
Ao contrário do que eles dizem, o governo Lula rompeu com a política econômica de Fernando Henrique Cardoso.

Lula, em certa medida, tornou real o sonho de Celso Furtado em relação ao desenvovimento regional.

Os números do PIB não dizem tudo sobre a economia brasileira, que durante a ditadura militar chegou a crescer 12% sem que a população em geral tirasse proveito disso.

As opiniões são de Luiz Dulci, que foi ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República e hoje é diretor do Instituto Lula. Recentemente, ele lançou o livro Um Salto para o Futuro, no qual defende a tese do rompimento que contraria a opinião da maioria dos jornalistas econômicos da grande mídia — segundo a qual Lula apenas deu continuidade às políticas de FHC.

Dulci admite que não houve rompimento na política monetária, mas sustenta que isso aconteceu nas políticas sociais, externa e no papel assumido pelo Estado na economia.

Ele diz que o crescimento médio durante os dois mandatos do governo Lula foi de 4,4%, contra 2,2% de FHC. Sustenta que quando se trata do PIB não se deve olhar apenas para o número frio, mas para a qualidade do crescimento. Nos 12% de crescimento da ditadura militar o Brasil se tornou mais desigual, afirma Dulci. Agora, não.

O ex-ministro argumenta que a oposição partidária ao governo de coalizão do PT — e aqui ele estende o comentário aos adversários do governo Dilma — está “presa aos dogmas do neoliberalismo”, apesar da crise econômica de 2008 ter resultado no questionamento dos fundamentos do modelo. Daí, o fracasso eleitoral recente dos tucanos. Segundo Dulci, eles teriam perdido a sintonia com a maioria dos eleitores.

Sobre a argumentação de que o governo Lula teria apenas tirado proveito da valorização internacional das commodities, outro argumento brandido pelos tucanos, o ex-ministro rebate exemplificando com o conjunto de iniciativas econômicas de Lula.

As empresas públicas estavam proibidas de investir no final do governo FHC, diz. O crédito, que era de 300 bilhões de reais no conjunto da economia, se multiplicou para atingir R$ 1,5 trilhão atualmente. Foram gerados 15 milhões de empregos com carteira assinada. Os aumentos do salário mínimo — que os tucanos condenavam alegando que poderiam falir a Previdência Social — injetaram R$ 60 bilhões no mercado interno.

Para Dulci, Lula criou um “novo modelo de desenvolvimento econômico” para se contrapor ao neoliberalismo, provocando a saída de 28 milhões de pessoas da extrema pobreza e colocando 38 milhões na classe trabalhadora, muitos dos quais nas chamadas “novas classes médias”.

Na História do Brasil, isso só tem paralelo na era de Getúlio Vargas, escreve Dulci.





Destaca, também, que o Brasil se tornou menos desigual, inclusive regionalmente.

Apesar do impacto inegável do Bolsa Família no Nordeste, ele lembra que a duplicação dos portos de Suape e Itaqui, a construção de 900 km da ferrovia Transnordestina, a duplicação da BR 101 e a construção de 4 das 5 novas refinarias da Petrobras na região são fatores importantes para a dinamização da economia local.

Segundo Dulci, o neoliberalismo extinguiu a Sudene, engavetou os planos de desenvolvimento regional e sucateou o Banco do Nordeste. No último ano do mandato de FHC, o banco emprestou 300 milhões de reais, mas chegou aos R$ 9 bilhões no período equivalente do governo Lula.

Para o ex-ministro, é preciso comparar números: sob Lula, os mais pobres tiveram um aumento de renda que foi o triplo do obtido pelos mais ricos. No Nordeste, o número de empregos com carteira assinada aumentou mais que no Sudeste, o que segundo ele demole a argumentação dos tucanos de que o crescimento da região baseou-se apenas nas transferências de renda do Bolsa Família.

Clique nos links abaixo para ouvir a primeira parte da entrevista:



[Queremos fazer um documentário sobre o papel da Globo nas eleições brasileiras. Já pensou em nos ajudar?]

Leia também:

Rogério Correia: Para proteger Aécio, Gurgel mantém ação na gaveta
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Contraponto 11.356 - "O esquema Globo de publicidade e o uso da Bonificação por Volume"


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Bonificações por Volume em esquema Globo de publicidade





Do Brasil de Fato via Correio do Brasil

O esquema Globo de publicidade e o uso da Bonificação por Volume


Por Patrícia Benvenuti, do Brasil de Fato - de São Paulo

mídia conservadora
“O Grupo Abril e o Grupo Globo se sentem intocáveis e assumem sem complexo o controle absoluto de quase todos os veículos de comunicação”

Mais de 16 milhões de comerciais por ano e um relacionamento com 6 mil agências. Esse é um resumo do desempenho da Rede Globo junto ao mercado publicitário brasileiro, orgulhosamente exibido na página de internet da emissora.

Líder na arrecadação de verbas publicitárias entre todos os meios de comunicação, a Globo também mostra sua força em cifrões. Somente em 2012, os canais de TV (abertos e por assinatura) das Organizações Globo arrecadaram R$ 20,8 bilhões de reais em anúncios, segundo informe divulgado pela corporação.

Por trás dos números, porém, se esconde uma prática que os grandes grupos de mídia preferem ocultar: o pagamento das Bonificações por Volume (BV), apontado por especialistas como um dos responsáveis pelo monopólio da mídia no país.

Monopólio

Desconhecidas pela grande maioria da população, as Bonificações por Volume são comissões repassadas pelos veículos de comunicação às agências de publicidade, que variam conforme o volume de propaganda negociado entre eles.

A prática existe no Brasil desde o início da década de 1960. Criada pela Rede Globo, seu objetivo seria oferecer um “incentivo” para o aperfeiçoamento das agências. Com o tempo, outros veículos aderiram ao mecanismo, que hoje é utilizado por todos os conglomerados midiáticos no Brasil.

O pagamento dos bônus, no entanto, é alvo de críticas de militantes do direito à comunicação, que argumentam que a prática impede a concorrência entre os meios de comunicação na busca por anunciantes. Isso porque, quanto mais clientes a agência direcionar a um mesmo veículo, maior será o seu faturamento em BVs.

Para o professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB) Venício Artur de Lima, a prática fortalece os grandes grupos, já que leva anunciantes aos meios que recebem publicidade. “Exatamente por terem um volume alto de publicidade é que eles (meios) podem oferecer vantagens de preço”, explica.

O resultado desse processo, segundo o professor, é a dificuldade de sobrevivência dos veículos de menor capacidade econômica, que não têm recursos para as bonificações. “Você compara um blog ou um portal pequeno com um portal da UOL, por exemplo. Não tem jeito de comparar, são coisas desiguais”, afirma.

Antes restrita às mídias tradicionais, as bonificações vão ganhando novos nichos. De acordo com agências de publicidade e com o presidente do Internet Advertising Bureau (IAB), Rafael Davini, atualmente o Google também utiliza BVs. Segundo informações do mercado, o Google seria hoje o segundo grupo em publicidade no Brasil, ficando apenas atrás da Rede Globo.

Líder em BVs

O exemplo mais forte da relação entre bônus e concentração, para o jornalista e presidente do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, Altamiro Borges, é o caso da televisão. “Todos os canais fazem isso, é uma forma de manter a fidelidade da agência de publicidade com o veículo. Só que, como a Globo é muito poderosa, a propina é muito maior”, diz.

De acordo com dados do Projeto Inter-Meios, da publicação Meio & Mensagem, a publicidade destinada à TV aberta em 2012 foi de R$ 19,51 bilhões. Cerca de dois terços desse valor ficaram com a Globo.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom) e editor da Revista Fórum, Renato Rovai, outro procedimento adotado pela emissora é o repasse antecipado dos bônus. “A Globo estabelece uma bonificação por volume de publicidade colocada e antecipa o recurso. Aí a empresa fica presa a cumprir esse objetivo. É assim que fazem o processo de concentração”, ressalta.

Borges critica ainda o silêncio midiático em torno do assunto. “É um tema-tabu, nenhum veículo fala. Como todo mundo utiliza, ninguém pode reclamar. Fica todo mundo meio cúmplice”, dispara.

Regulamentação

Em 2008, as bonificações foram reconhecidas e regulamentadas pelo Conselho Executivo das Normas Padrão (CNPE), entidade criada pelo mercado publicitário para zelar as normas da atividade. O CNPE classifica os bônus como “planos de incentivo” para as agências.

Dois anos depois, as bonificações foram reconhecidas também por lei. Elas estão previstas na Lei nº 12.232, que regulamenta as licitações e contratos para a escolha de agências de publicidade em todas as esferas do poder público. Segundo o texto, “é facultativa a concessão de planos de incentivo por veículo de divulgação e sua aceitação por agência de propaganda, e os frutos deles resultantes constituem, para todos os fins de direito, receita própria da agência”.

Para Renato Rovai, a aprovação do texto agravou o problema. “É uma corrupção legalizada. Nenhum lobby é legalizado no Brasil, mas o BV é”, critica o presidente da Altercom.

A Lei nº 12.232 também foi objeto de polêmicas durante o julgamento da ação penal 470, no caso que ficou conhecido como “mensalão”. Isso porque o texto original da lei permitia que as agências ficassem com o bônus, mas só para contratos futuros. Entretanto, uma mudança feita na Comissão de Trabalho em 2008 estendeu a regra a contratos já finalizados. O fato gerou discordância entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ayres Britto chegou a afirmar que as alterações foram feitas para beneficiar os réus do “mensalão”, acusados de peculato referente a desvios de Bvs.

Mudanças

Mudar a legislação, na avaliação do presidente da Altercom, é um passo fundamental para acabar com a prática das bonificações por volume. No entanto, são necessárias mais medidas para reverter o quadro atual da mídia no país. “É preciso mudar a regulamentação e criar um novo marco legal, incluindo as agências”, defende Rovai. Uma das propostas para isso é o Projeto de Lei de Iniciativa Popular para as Comunicações. Criado por organizações populares, o PL visa, dentre outros objetivos, combater o monopólio no setor e garantir mais pluralidade nos conteúdos.

Em seu artigo 18, o projeto propõe que “os órgãos reguladores devem monitorar permanentemente a existência de práticas anticompetitivas ou de abuso de poder de mercado em todos os serviços de comunicação social eletrônica”, citando “práticas comerciais das emissoras e programadoras com agências e anunciantes”. Para se transformar em um projeto de lei, a proposta precisa de um 1,3 milhão de assinaturas.
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Contraponto 11.355 - "Um recorde após outro. E a Petrobras 'em crise'?"

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01/06/2013

 

Um recorde após outro. E a Petrobras “em crise”?


Do Tijolaço - 1 de Junho de 2013 | 10:52



 Por Fernando Brito


A “crise” da Petrobras, que insistentemente tem sido propagandeada pela mídia, é real? É apenas uma jogada de negócios.

Esta semana, a empresa apresentou resultados extraordinários, que pouca repercussão tiveram na imprensa.

A produção de petróleo cresceu 4,2%, recuperando a redução provocada, no mês anterior, por paradas de manutenção em algumas plataformas, um processo que não terminou e que é vital para a segurança operacional dos campos.

O pré-sal bateu recorde de produção, com 311 mil barris diários. E que logo irá cair também, com a entrada em operação plena do navio Cidade de Paraty, este da foto,que vai interligar e colocar em produção os poços do campo de Lula Nordeste, que progressivamente atingirá 120 mil barris diários de petróleo. Mais 11 novas plataformas entrarão em operação para a produção do pré-sal até o fim de 2016 e a produção de petróleo operada pela Petrobras na camada pré-sal,em 2017, passará de um milhão de barris de petróleo diários.

E o refino, que depende de forma vital da conclusão do Comperj,  em Itaboraí, e da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, também atingiu recorde, com 2,17 mil barris/dia processados, sem aumento nas plantas de produção.

O discurso entreguista, que não funcionou em relação ao petróleo em 60 anos, agora apela para uma suposta “partidarização” da Petrobras, que a estaria tornando ineficiente.
Mas ineficiente em que, diante de seus resultados?

O jogo é outro, e visa enfraquecer o controle brasileiro sobre o pré-sal.

Que está garantido, como já se demonstrou aqui.

E que representa uma galinha dos ovos de ouro em que todos querem botar a mão.
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