quarta-feira, 3 de julho de 2013

Contraponto 11.599 - O Violão de Rago




 03/07/2013

O Violão de Rago

Do Nassif - 3/7/013


Antônio Rago, que perdemos há pouco mais de dois anos, sem sombra de dúvida, é um dos grandes representantes do violão brasileiro da badalada Era de Ouro da Música Brasileira.


 

Abismo de Rosas de Americo Jacobino


Contraponto 11.598 - "Europa envergonha o mundo; Unasul reage por Evo"

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03/07/2013

Europa envergonha o mundo;
Unasul reage por Evo

Do Tijolaço - 2 de Jul de 2013 | 22:35

 por Fernando Brito

O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou que convocará uma reunião extraordinária da Unasul – União das Nações Sul-Americanas, para protestar contra a absurda proibição de França, Espanha, Portugal e Itália de que pousasse, para escala técnica, o avião do presidente da Bolívia, Evo Morales.

A negativa de pouso foi feita a pedido dos Estados Unidos, que suspeitavam que Morales pudesse estar conduzindo Edward Snowden, responsável pelo vazamento das informações de que o governo americano estava monitorando as comunicações telefônicas e cibernéticas de milhões de seus próprios cidadãos.

Morales, em Viena, Áustria, onde seu avião foi admitido, deu entrevista dizendo que nem viu Snowden em Moscou, nem trato do caso com o governo russo.

O mais deprimente é que esse absurdo ocorre dois dias depois da revelação de que os escritórios da própria União Europeia, integrada pelos quatro países, foram espionados pelo governo dos Estados Unidos.

Como se vê, desnecessariamente. Seria só pedir e os líderes franceses, italianos, portugueses e espanhóis autorizariam suas conversas serem gravadas, não é?

Vamos ter que mudar o chavão ufanista: mais uma vez a Europa se curva ante…os EUA. Que triste fim vem chegando para aquele que já foi o continente das luzes.

Por: Fernando Brito
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terça-feira, 2 de julho de 2013

Contraponto 11.597 - "Não é só o Darf!"

 .

02/07/2013

Não é só o Darf!


Do Cafezinho -2/7/2013 


Enviado por Miguel do Rosário on 02/07/2013 – 11:56 am 12 comentários

 

Ontem eu tomei uns chopes com um fera do jornalismo investigativo, na área de finanças. Eu comecei a explicar a ele que eu acho até engraçado a gente detonar a Globo por causa de sonegação fiscal. Acho que me senti como Eliot Ness, quando um de seus subordinados diz que a melhor maneira de pegar Al Capone é através do fisco. Caramba, tanta coisa contra essa empresa: levou mensalão dos EUA para participar do golpe de 64; tentou fraudar eleições no Rio; editou debate entre Collor e Lula; manipula diariamente informações; etc. E a gente vai pegá-la por sonegação?

A figura, experiente em tempestades políticas, olhou para mim e sorriu: “Não é apenas sonegação, Miguel. É crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha, além da tentativa de enganar o fisco”.

Nossa senhora! Aí deixei de me sentir um Eliot Ness tupiniquim e passei a me sentir um daqueles garotos do Movimento Passe Livre, que foram às ruas contra o aumento de 20 centavos nas tarifas de ônibus, e viram milhões vir atrás por causa de todos os problemas do Brasil.

A situação da Globo nessa história é a seguinte: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. A emissora diz que pagou, mas não mostra o documento. No entanto, se mostrar o documento, ela confirma o seu crime contra o sistema financeiro. Se não mostrar, pior ainda: deixa no ar que está devendo mais de 1 bilhão de reais ao povo brasileiro; neste caso, deveria estar inscrita na Dívida Ativa da União e não receber mais recursos públicos.

Aí temos uma contradição incrível: segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais, o Brasil perde, por ano, mais de R$ 400 bilhões em sonegação. A legislação brasileira é condescentente, em alguns casos quase conivente em relação aos crimes contra a Receita. Por que, então, os protestos “populares” nunca se lembram de mencionar a “sonegação”, que é um ralo bem maior de recursos públicos do que a corrupção? Pior, ainda vemos alguns coxinhas imbecis, senão mercenários, indo às ruas pedindo redução de impostos. Eu até concordaria com redução de impostos para setores estratégicos, como pesquisa, tecnologia, para os mais pobres, para setores da classe média. Mas aí teríamos que aumentar a tributação sobre os mais ricos: é assim que se faz nos países desenvolvidos.

Se queremos ver o Brasil mudar mais rápido, temos que arrecadar mais. A única maneira de aumentar a arrecadação sem aumentar os impostos é endurecendo contra a sonegação. Uma lei mais dura contra a sonegação de impostos seria muito mais eficiente, para os cofres públicos, do que uma lei mais dura contra a corrupção. Corrupto de verdade, em alta escala, não vai deixar de roubar porque a Constituição aumentou de 3 para 5 anos a penalidade. Na sua cabeça, ele nunca vai ser pego. Mas um sonegador, se for espremido, será obrigado a pagar, senão quiser fechar as portas de seu negócio.

Para uma empresa de concessão pública, como a Globo, a coisa é mais fácil: não pagou, então não recebe mais recursos públicos, e se insistir no calote, perde a concessão.

Independente dos crimes financeiros da Globo, todavia, não podemos perder de vista que o maior mal que a emissora causa ao país é ser a cabeça de um cartel midiático que trabalha dia e noite contra os interesses nacionais.

Ontem, no mesmo jantar com o grande jornalista investigativo, topamos com um grande colunista político da… grande mídia. Conversamos educadamente por um bom tempo, ele defendendo a sua empresa, nós ouvindo e discordando. Lá pelas tantas, quando se viu em apertos na questão do monopólio, ele lembrou que é difícil haver vários grandes jornais num país, e citou o New York Times. Eu rebati lembrando a Guerra do Iraque: matou mais de 1 milhão de iraquianos, e continua matando, e fez os EUA gastarem mais de 1 trilhão de dólares (dinheiro que foi para o bolso da indústria da guerra, que assim ficou mais poderosa e mais golpista), cavando o buraco onde o mundo iria submergir alguns anos depois. A guerra no Iraque aconteceu, entre outras razões, porque o New York Times chancelou a mentira do governo Bush de que Saddam tinha armas de destruição em massa. Um outro colunista da grande imprensa à mesa tentou me atacar, enquanto eu estava no banheiro, com o argumento de que eu defendia Saddam Hussein. Aí começou uma gritaria danada, entre os colunistas e os amigos que me defendiam. Quando voltei, estava instalado o caos. Achamos melhor nos despedirmos, e cada um foi para um lado.

O fato é o seguinte: em todas as grandes manifestações que vimos no país, havia muita crítica à mídia. No entanto, essa informação não chega à TV, não entra na pauta do congresso, nem no discurso da presidenta. Se há uma crise do modelo representativo, há uma crise muito maior do modelo midiático. As empresas de mídia, ainda mais em países em fase de consolidação democrática, caso do Brasil, tem características alarmantes: concentração em poucos proprietários; um poder enorme para desestabilizar governos; acobertam a corrupção de seus aliados; têm uma disposição ideológica profundamente anti-trabalhista, anti-nacional e anti-popular. E agora ficamos sabendo de uma outra face da mídia tupi: sonega impostos, comete crimes contra o sistema financeiro, lava dinheiro em paraísos fiscais.

Vivemos numa democracia aberta onde a liberdade de imprensa é um valor quase absoluto. Queremos continuar assim. Mas democracia também em implica em respeitar o poder soberano do povo de se autogovernar e fazer leis que o beneficiem. Então voltamos mais uma vez à necessidade de democratizarmos a mídia brasileira, através de uma lei moderna, que nos torne menos dependentes dos caprichos de meia dúzia de herdeiros da ditadura.

Repetindo: não é só o Darf. Não é só a sonegação. Queremos que o governo pare de injetar recursos públicos na conta dos bilionários da Globo. A Globo é concessão pública. Tem que botar os anúncios públicos de graça. O dinheiro que o Estado brasileiro gasta com a Globo deveria ir para a educação, para ensinar nossos jovens a pensarem com suas próprias cabeças, a não se tornarem massa de manobra dos golpistas da grande imprensa. Se o governo do PT quiser sobreviver ao “gigante”, terá que ouvir sua voz, que tem gritado forte nas ruas: “a verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura!”






PS: A Globo afirma em nota, agora oficial, que pagou a Receita, mas não mostra o Darf, e ainda deixa um rabo do lado de fora, ao mencionar dívidas “discutidas” no Conselho do Contribuinte…


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Não é só o Darf!

Enviado por on 02/07/2013 – 11:56 am 12 comentários
Ontem eu tomei uns chopes com um fera do jornalismo investigativo, na área de finanças. Eu comecei a explicar a ele que eu acho até engraçado a gente detonar a Globo por causa de sonegação fiscal. Acho que me senti como Eliot Ness, quando um de seus subordinados diz que a melhor maneira de pegar Al Capone é através do fisco. Caramba, tanta coisa contra essa empresa: levou mensalão dos EUA para participar do golpe de 64; tentou fraudar eleições no Rio; editou debate entre Collor e Lula; manipula diariamente informações; etc. E a gente vai pegá-la por sonegação?
A figura, experiente em tempestades políticas, olhou para mim e sorriu: “Não é apenas sonegação, Miguel. É crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha, além da tentativa de enganar o fisco”.
Nossa senhora! Aí deixei de me sentir um Eliot Ness tupiniquim e passei a me sentir um daqueles garotos do Movimento Passe Livre, que foram às ruas contra o aumento de 20 centavos nas tarifas de ônibus, e viram milhões vir atrás por causa de todos os problemas do Brasil.
A situação da Globo nessa história é a seguinte: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. A emissora diz que pagou, mas não mostra o documento. No entanto, se mostrar o documento, ela confirma o seu crime contra o sistema financeiro. Se não mostrar, pior ainda: deixa no ar que está devendo mais de 1 bilhão de reais ao povo brasileiro; neste caso, deveria estar inscrita na Dívida Ativa da União e não receber mais recursos públicos.
Aí temos uma contradição incrível: segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais, o Brasil perde, por ano, mais de R$ 400 bilhões em sonegação. A legislação brasileira é condescentente, em alguns casos quase conivente em relação aos crimes contra a Receita. Por que, então, os protestos “populares” nunca se lembram de mencionar a “sonegação”, que é um ralo bem maior de recursos públicos do que a corrupção? Pior, ainda vemos alguns coxinhas imbecis, senão mercenários, indo às ruas pedindo redução de impostos. Eu até concordaria com redução de impostos para setores estratégicos, como pesquisa, tecnologia, para os mais pobres, para setores da classe média. Mas aí teríamos que aumentar a tributação sobre os mais ricos: é assim que se faz nos países desenvolvidos.
Se queremos ver o Brasil mudar mais rápido, temos que arrecadar mais. A única maneira de aumentar a arrecadação sem aumentar os impostos é endurecendo contra a sonegação. Uma lei mais dura contra a sonegação de impostos seria muito mais eficiente, para os cofres públicos, do que uma lei mais dura contra a corrupção. Corrupto de verdade, em alta escala, não vai deixar de roubar porque a Constituição aumentou de 3 para 5 anos a penalidade. Na sua cabeça, ele nunca vai ser pego. Mas um sonegador, se for espremido, será obrigado a pagar, senão quiser fechar as portas de seu negócio.
Para uma empresa de concessão pública, como a Globo, a coisa é mais fácil: não pagou, então não recebe mais recursos públicos, e se insistir no calote, perde a concessão.
Independente dos crimes financeiros da Globo, todavia, não podemos perder de vista que o maior mal que a emissora causa ao país é ser a cabeça de um cartel midiático que trabalha dia e noite contra os interesses nacionais.
Ontem, no mesmo jantar com o grande jornalista investigativo, topamos com um grande colunista político da… grande mídia. Conversamos educadamente por um bom tempo, ele defendendo a sua empresa, nós ouvindo e discordando. Lá pelas tantas, quando se viu em apertos na questão do monopólio, ele lembrou que é difícil haver vários grandes jornais num país, e citou o New York Times. Eu rebati lembrando a Guerra do Iraque: matou mais de 1 milhão de iraquianos, e continua matando, e fez os EUA gastarem mais de 1 trilhão de dólares (dinheiro que foi para o bolso da indústria da guerra, que assim ficou mais poderosa e mais golpista), cavando o buraco onde o mundo iria submergir alguns anos depois. A guerra no Iraque aconteceu, entre outras razões, porque o New York Times chancelou a mentira do governo Bush de que Saddam tinha armas de destruição em massa. Um outro colunista da grande imprensa à mesa tentou me atacar, enquanto eu estava no banheiro, com o argumento de que eu defendia Saddam Hussein. Aí começou uma gritaria danada, entre os colunistas e os amigos que me defendiam. Quando voltei, estava instalado o caos. Achamos melhor nos despedirmos, e cada um foi para um lado.
O fato é o seguinte: em todas as grandes manifestações que vimos no país, havia muita crítica à mídia. No entanto, essa informação não chega à TV, não entra na pauta do congresso, nem no discurso da presidenta. Se há uma crise do modelo representativo, há uma crise muito maior do modelo midiático. As empresas de mídia, ainda mais em países em fase de consolidação democrática, caso do Brasil, tem características alarmantes: concentração em poucos proprietários; um poder enorme para desestabilizar governos; acobertam a corrupção de seus aliados; têm uma disposição ideológica profundamente anti-trabalhista, anti-nacional e anti-popular. E agora ficamos sabendo de uma outra face da mídia tupi: sonega impostos, comete crimes contra o sistema financeiro, lava dinheiro em paraísos fiscais.
Vivemos numa democracia aberta onde a liberdade de imprensa é um valor quase absoluto. Queremos continuar assim. Mas democracia também em implica em respeitar o poder soberano do povo de se autogovernar e fazer leis que o beneficiem. Então voltamos mais uma vez à necessidade de democratizarmos a mídia brasileira, através de uma lei moderna, que nos torne menos dependentes dos caprichos de meia dúzia de herdeiros da ditadura.
Repetindo: não é só o Darf. Não é só a sonegação. Queremos que o governo pare de injetar recursos públicos na conta dos bilionários da Globo. A Globo é concessão pública. Tem que botar os anúncios públicos de graça. O dinheiro que o Estado brasileiro gasta com a Globo deveria ir para a educação, para ensinar nossos jovens a pensarem com suas próprias cabeças, a não se tornarem massa de manobra dos golpistas da grande imprensa. Se o governo do PT quiser sobreviver ao “gigante”, terá que ouvir sua voz, que tem gritado forte nas ruas: “a verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura!”

PS: A Globo afirma em nota, agora oficial, que pagou a Receita, mas não mostra o Darf, e ainda deixa um rabo do lado de fora, ao mencionar dívidas “discutidas” no Conselho do Contribuinte…
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Não é só o Darf!

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Ontem eu tomei uns chopes com um fera do jornalismo investigativo, na área de finanças. Eu comecei a explicar a ele que eu acho até engraçado a gente detonar a Globo por causa de sonegação fiscal. Acho que me senti como Eliot Ness, quando um de seus subordinados diz que a melhor maneira de pegar Al Capone é através do fisco. Caramba, tanta coisa contra essa empresa: levou mensalão dos EUA para participar do golpe de 64; tentou fraudar eleições no Rio; editou debate entre Collor e Lula; manipula diariamente informações; etc. E a gente vai pegá-la por sonegação?
A figura, experiente em tempestades políticas, olhou para mim e sorriu: “Não é apenas sonegação, Miguel. É crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha, além da tentativa de enganar o fisco”.
Nossa senhora! Aí deixei de me sentir um Eliot Ness tupiniquim e passei a me sentir um daqueles garotos do Movimento Passe Livre, que foram às ruas contra o aumento de 20 centavos nas tarifas de ônibus, e viram milhões vir atrás por causa de todos os problemas do Brasil.
A situação da Globo nessa história é a seguinte: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. A emissora diz que pagou, mas não mostra o documento. No entanto, se mostrar o documento, ela confirma o seu crime contra o sistema financeiro. Se não mostrar, pior ainda: deixa no ar que está devendo mais de 1 bilhão de reais ao povo brasileiro; neste caso, deveria estar inscrita na Dívida Ativa da União e não receber mais recursos públicos.
Aí temos uma contradição incrível: segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais, o Brasil perde, por ano, mais de R$ 400 bilhões em sonegação. A legislação brasileira é condescentente, em alguns casos quase conivente em relação aos crimes contra a Receita. Por que, então, os protestos “populares” nunca se lembram de mencionar a “sonegação”, que é um ralo bem maior de recursos públicos do que a corrupção? Pior, ainda vemos alguns coxinhas imbecis, senão mercenários, indo às ruas pedindo redução de impostos. Eu até concordaria com redução de impostos para setores estratégicos, como pesquisa, tecnologia, para os mais pobres, para setores da classe média. Mas aí teríamos que aumentar a tributação sobre os mais ricos: é assim que se faz nos países desenvolvidos.
Se queremos ver o Brasil mudar mais rápido, temos que arrecadar mais. A única maneira de aumentar a arrecadação sem aumentar os impostos é endurecendo contra a sonegação. Uma lei mais dura contra a sonegação de impostos seria muito mais eficiente, para os cofres públicos, do que uma lei mais dura contra a corrupção. Corrupto de verdade, em alta escala, não vai deixar de roubar porque a Constituição aumentou de 3 para 5 anos a penalidade. Na sua cabeça, ele nunca vai ser pego. Mas um sonegador, se for espremido, será obrigado a pagar, senão quiser fechar as portas de seu negócio.
Para uma empresa de concessão pública, como a Globo, a coisa é mais fácil: não pagou, então não recebe mais recursos públicos, e se insistir no calote, perde a concessão.
Independente dos crimes financeiros da Globo, todavia, não podemos perder de vista que o maior mal que a emissora causa ao país é ser a cabeça de um cartel midiático que trabalha dia e noite contra os interesses nacionais.
Ontem, no mesmo jantar com o grande jornalista investigativo, topamos com um grande colunista político da… grande mídia. Conversamos educadamente por um bom tempo, ele defendendo a sua empresa, nós ouvindo e discordando. Lá pelas tantas, quando se viu em apertos na questão do monopólio, ele lembrou que é difícil haver vários grandes jornais num país, e citou o New York Times. Eu rebati lembrando a Guerra do Iraque: matou mais de 1 milhão de iraquianos, e continua matando, e fez os EUA gastarem mais de 1 trilhão de dólares (dinheiro que foi para o bolso da indústria da guerra, que assim ficou mais poderosa e mais golpista), cavando o buraco onde o mundo iria submergir alguns anos depois. A guerra no Iraque aconteceu, entre outras razões, porque o New York Times chancelou a mentira do governo Bush de que Saddam tinha armas de destruição em massa. Um outro colunista da grande imprensa à mesa tentou me atacar, enquanto eu estava no banheiro, com o argumento de que eu defendia Saddam Hussein. Aí começou uma gritaria danada, entre os colunistas e os amigos que me defendiam. Quando voltei, estava instalado o caos. Achamos melhor nos despedirmos, e cada um foi para um lado.
O fato é o seguinte: em todas as grandes manifestações que vimos no país, havia muita crítica à mídia. No entanto, essa informação não chega à TV, não entra na pauta do congresso, nem no discurso da presidenta. Se há uma crise do modelo representativo, há uma crise muito maior do modelo midiático. As empresas de mídia, ainda mais em países em fase de consolidação democrática, caso do Brasil, tem características alarmantes: concentração em poucos proprietários; um poder enorme para desestabilizar governos; acobertam a corrupção de seus aliados; têm uma disposição ideológica profundamente anti-trabalhista, anti-nacional e anti-popular. E agora ficamos sabendo de uma outra face da mídia tupi: sonega impostos, comete crimes contra o sistema financeiro, lava dinheiro em paraísos fiscais.
Vivemos numa democracia aberta onde a liberdade de imprensa é um valor quase absoluto. Queremos continuar assim. Mas democracia também em implica em respeitar o poder soberano do povo de se autogovernar e fazer leis que o beneficiem. Então voltamos mais uma vez à necessidade de democratizarmos a mídia brasileira, através de uma lei moderna, que nos torne menos dependentes dos caprichos de meia dúzia de herdeiros da ditadura.
Repetindo: não é só o Darf. Não é só a sonegação. Queremos que o governo pare de injetar recursos públicos na conta dos bilionários da Globo. A Globo é concessão pública. Tem que botar os anúncios públicos de graça. O dinheiro que o Estado brasileiro gasta com a Globo deveria ir para a educação, para ensinar nossos jovens a pensarem com suas próprias cabeças, a não se tornarem massa de manobra dos golpistas da grande imprensa. Se o governo do PT quiser sobreviver ao “gigante”, terá que ouvir sua voz, que tem gritado forte nas ruas: “a verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura!”

PS: A Globo afirma em nota, agora oficial, que pagou a Receita, mas não mostra o Darf, e ainda deixa um rabo do lado de fora, ao mencionar dívidas “discutidas” no Conselho do Contribuinte…
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Ontem eu tomei uns chopes com um fera do jornalismo investigativo, na área de finanças. Eu comecei a explicar a ele que eu acho até engraçado a gente detonar a Globo por causa de sonegação fiscal. Acho que me senti como Eliot Ness, quando um de seus subordinados diz que a melhor maneira de pegar Al Capone é através do fisco. Caramba, tanta coisa contra essa empresa: levou mensalão dos EUA para participar do golpe de 64; tentou fraudar eleições no Rio; editou debate entre Collor e Lula; manipula diariamente informações; etc. E a gente vai pegá-la por sonegação?
A figura, experiente em tempestades políticas, olhou para mim e sorriu: “Não é apenas sonegação, Miguel. É crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha, além da tentativa de enganar o fisco”.
Nossa senhora! Aí deixei de me sentir um Eliot Ness tupiniquim e passei a me sentir um daqueles garotos do Movimento Passe Livre, que foram às ruas contra o aumento de 20 centavos nas tarifas de ônibus, e viram milhões vir atrás por causa de todos os problemas do Brasil.
A situação da Globo nessa história é a seguinte: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. A emissora diz que pagou, mas não mostra o documento. No entanto, se mostrar o documento, ela confirma o seu crime contra o sistema financeiro. Se não mostrar, pior ainda: deixa no ar que está devendo mais de 1 bilhão de reais ao povo brasileiro; neste caso, deveria estar inscrita na Dívida Ativa da União e não receber mais recursos públicos.
Aí temos uma contradição incrível: segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais, o Brasil perde, por ano, mais de R$ 400 bilhões em sonegação. A legislação brasileira é condescentente, em alguns casos quase conivente em relação aos crimes contra a Receita. Por que, então, os protestos “populares” nunca se lembram de mencionar a “sonegação”, que é um ralo bem maior de recursos públicos do que a corrupção? Pior, ainda vemos alguns coxinhas imbecis, senão mercenários, indo às ruas pedindo redução de impostos. Eu até concordaria com redução de impostos para setores estratégicos, como pesquisa, tecnologia, para os mais pobres, para setores da classe média. Mas aí teríamos que aumentar a tributação sobre os mais ricos: é assim que se faz nos países desenvolvidos.
Se queremos ver o Brasil mudar mais rápido, temos que arrecadar mais. A única maneira de aumentar a arrecadação sem aumentar os impostos é endurecendo contra a sonegação. Uma lei mais dura contra a sonegação de impostos seria muito mais eficiente, para os cofres públicos, do que uma lei mais dura contra a corrupção. Corrupto de verdade, em alta escala, não vai deixar de roubar porque a Constituição aumentou de 3 para 5 anos a penalidade. Na sua cabeça, ele nunca vai ser pego. Mas um sonegador, se for espremido, será obrigado a pagar, senão quiser fechar as portas de seu negócio.
Para uma empresa de concessão pública, como a Globo, a coisa é mais fácil: não pagou, então não recebe mais recursos públicos, e se insistir no calote, perde a concessão.
Independente dos crimes financeiros da Globo, todavia, não podemos perder de vista que o maior mal que a emissora causa ao país é ser a cabeça de um cartel midiático que trabalha dia e noite contra os interesses nacionais.
Ontem, no mesmo jantar com o grande jornalista investigativo, topamos com um grande colunista político da… grande mídia. Conversamos educadamente por um bom tempo, ele defendendo a sua empresa, nós ouvindo e discordando. Lá pelas tantas, quando se viu em apertos na questão do monopólio, ele lembrou que é difícil haver vários grandes jornais num país, e citou o New York Times. Eu rebati lembrando a Guerra do Iraque: matou mais de 1 milhão de iraquianos, e continua matando, e fez os EUA gastarem mais de 1 trilhão de dólares (dinheiro que foi para o bolso da indústria da guerra, que assim ficou mais poderosa e mais golpista), cavando o buraco onde o mundo iria submergir alguns anos depois. A guerra no Iraque aconteceu, entre outras razões, porque o New York Times chancelou a mentira do governo Bush de que Saddam tinha armas de destruição em massa. Um outro colunista da grande imprensa à mesa tentou me atacar, enquanto eu estava no banheiro, com o argumento de que eu defendia Saddam Hussein. Aí começou uma gritaria danada, entre os colunistas e os amigos que me defendiam. Quando voltei, estava instalado o caos. Achamos melhor nos despedirmos, e cada um foi para um lado.
O fato é o seguinte: em todas as grandes manifestações que vimos no país, havia muita crítica à mídia. No entanto, essa informação não chega à TV, não entra na pauta do congresso, nem no discurso da presidenta. Se há uma crise do modelo representativo, há uma crise muito maior do modelo midiático. As empresas de mídia, ainda mais em países em fase de consolidação democrática, caso do Brasil, tem características alarmantes: concentração em poucos proprietários; um poder enorme para desestabilizar governos; acobertam a corrupção de seus aliados; têm uma disposição ideológica profundamente anti-trabalhista, anti-nacional e anti-popular. E agora ficamos sabendo de uma outra face da mídia tupi: sonega impostos, comete crimes contra o sistema financeiro, lava dinheiro em paraísos fiscais.
Vivemos numa democracia aberta onde a liberdade de imprensa é um valor quase absoluto. Queremos continuar assim. Mas democracia também em implica em respeitar o poder soberano do povo de se autogovernar e fazer leis que o beneficiem. Então voltamos mais uma vez à necessidade de democratizarmos a mídia brasileira, através de uma lei moderna, que nos torne menos dependentes dos caprichos de meia dúzia de herdeiros da ditadura.
Repetindo: não é só o Darf. Não é só a sonegação. Queremos que o governo pare de injetar recursos públicos na conta dos bilionários da Globo. A Globo é concessão pública. Tem que botar os anúncios públicos de graça. O dinheiro que o Estado brasileiro gasta com a Globo deveria ir para a educação, para ensinar nossos jovens a pensarem com suas próprias cabeças, a não se tornarem massa de manobra dos golpistas da grande imprensa. Se o governo do PT quiser sobreviver ao “gigante”, terá que ouvir sua voz, que tem gritado forte nas ruas: “a verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura!”

PS: A Globo afirma em nota, agora oficial, que pagou a Receita, mas não mostra o Darf, e ainda deixa um rabo do lado de fora, ao mencionar dívidas “discutidas” no Conselho do Contribuinte…
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Contraponto 11.596 - "Havelange e Ricardo Teixeira irrompem no caso Globo versus Receita"


02/07/2013 

 

Havelange e Ricardo Teixeira irrompem no caso Globo versus Receita

 

Do Diário do Centro do Mundo 2 de julho de 2013
 

Contraponto 11.595 - "Bachelet tem vitória esmagadora nas primárias chilenas"

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02/07/2013

 

Bachelet tem vitória esmagadora nas primárias chilenas

 
 
Ex-presidente socialista deve disputar as eleições gerais de novembro contra o ultraconservador Pablo Longueira
 
Da Carta Capital por AFP — publicado 01/07/2013 18:05 
 
Martin Bernetti / AFP 
Ex-presidente socialista deve disputar as eleições gerais de novembro contra o ultraconservador Pablo Longueira


SANTIAGO (AFP) - A ex-presidente socialista Michelle Bachelet conquistou neste domingo 30 a indicação da oposição às eleições gerais de novembro no Chile, com 73,05% dos votos, enquanto no oficialismo a vitória ficou com o ultraconservador Pablo Longueira, em inéditas eleiçõs primárias.

Bachelet venceu com 73,05%, superando com facilidade o independente Andrés Velasco, que ficou com 13% dos votos.

No oficialismo, o ex-ministro da Economia Pablo Longueira, defensor do regime de Pinochet, surpreendeu e recebeu 51,37%, superando o moderado Andrés Allamand (48,62%), após a apuração de 99,9% das urnas, segundo dados oficiais do Serviço Eleitoral chileno.

A alta porcentagem de apoio recebido pela ex-presidente, juntamente com uma participação que foi o dobro da esperada, aumentam as chances de que Bachelet vença no primeiro turno em 17 de novembro, o que não acontece há duas décadas no Chile, segundo analistas.

As eleições primárias foram promovidas pelo governo de Sebastián Piñera, em uma tentativa de "democratizar" o sistema político - pouco representativo, e que consolidou o bipartidarismo -, baseado em um sistema eleitoral confeccionado durante a ditadura.

Leia mais em AFP Movel
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Contraponto 11.595 - "Hipocrisia não faz bem à Saúde"


02/07/2013

Hipocrisia não faz bem à Saúde

 

Guia para entender a vinda de médicos estrangeiros


Do Tijolaço - 2 de Jul de 2013 | 11:48


Por Fernando Brito

É absolutamente compreensível que haja resistência da corporação médica à contratação de médicos estrangeiros pelo Governo brasileiro. Não há uma categoria, de qualquer espécie, no mundo, que não defenda o seu “mercado” de trabalho.

É compreensível, também, que a classe média e os mais ricos, que podem escolher seus médicos nos grossos caderninhos ou nos CDs dos planos de saúde achem que há médico sobrando. Nos grandes centros, para quem pode pagar, há, sim.

O que não é compreensível é que, para manter o status quo, a gente permita que milhões de brasileiros tenham menos médicos que os países mais atrasados do mundo, e isso não é retórica.

Ninguém pode perder de vista é que saúde é, constitucionalmente, direito de todos. Ricos ou pobres, morando ou não em metrópoles.

O site do  médico Drauzio Varela publica uma reportagem que é extremamente esclarecedora sobre o assunto. E dá informações que estão ausentes da mídia, que prefere destacar até supostas dificuldades de comunicação de médicos que falem espanhol ou português de Portugal com eventuais pacientes aqui. Seria de rir, se não se tratasse do cuidado com a saúde, muitas vezes emergencial, de pessoas como eu ou você.

Vamos aos argumentos sérios, porque o assunto é sério.

Consigo naquele site o número de médicos de acordo com o porte de cada município. 

Nos 5282 municípios (ou quase 95% dos municípios brasileiros)  com menos de 50 mil habitantes, onde vivem, segundo o censo do IBGE, 63 milhões de pessoas, exatamente 29.519 médicos.

Ou seja, apenas 7,8% dos médicos são responsáveis pelo atendimento de um terço dos brasileiros.

O que dá um médico para 2.136 pessoas, em média, ou, para usar o índice da Organização Mundial da Saúde, 4,7 médicos para 10 mil habitantes.

Vamos ver como é o “padrão Fifa”?

São 48 médicos na Áustria a cada 10 mil cidadãos, contra 40 na Suíça, 37 na Bélgica, 34 na Dinamarca, 33 na França, 36 na Alemanha e 38 na Itália.

Nas grandes cidades estamos bem acima disso, com taxas da ordem de 45 ou 50 médicos por dez mil habitantes.

Mas o  nosso padrão, nos municípios menores – e nem tão menores, têm até 50 mil habitantes! –  é o de Botswana, Suriname, Vietnam…

Argumentar que a média nacional está acima dos padrões mínimos da OMS é uma hipocrisia, porque ninguém é atendido por um “doutor média”, mas por um profissional de carne e osso.

Gente como o Dr. Sérgio Perini, único médico de Santa Maria das Barreiras, no interior do Pará, com seus 18 mil habitantes, um rico exemplo trazido por Dráuzio Varela.

Perini é graduado pelo ISCM-VC (Instituto Superior de Ciências Médicas de Villa Clara), em Cuba, com o qual a Faculdade de Medicina da UNESP de Botucatu-SP mantém convênio desde 2002. Trocou sua cidade de São Simão, em Goiás, que tinha cerca de 15 médicos para seus 17 mil habitantes, para viver com a família no interior do Pará, mesmo por um salário menor. 

“Quando escuto o CFM falando que os médicos estrangeiros podem não ter formação suficiente, fico indignado. Me dá a impressão de que eles não fazem ideia do que aprendemos por lá”.

Ah, mas os e os médicos iriam para estas comunidades se houvesse incentivo e se houvesse lá um mínimo de condições de atendimento.

Santa Maria das Barreiras tem uma Unidade Mista de Atendimento (local para atendimento básico com pequeno centro cirúrgico). Mas como não tem médicos, além do Dr. Perini, ele tem de atender entre 40 e 50 pessoas por dia.

Mas porque não contratam médicos brasileiros?

Diz lá o site do Dráuzio Varela:

“O governo federal criou em 2011 o Provab (Programa de Valorização dos Profissionais da Atenção Básica), uma iniciativa para levar médicos recém-formados a regiões carentes oferecendo uma bolsa de R$8 mil. O incentivo, porém, não foi suficiente. O último levantamento, feito com base nos dados de 2012, mostrou que 2.856 prefeituras solicitaram 13 mil médicos. Menos da metade, 1.291, foi atendida por pelo menos um profissional, já que apenas 4.392 médicos se inscreveram e 3.800 assinaram contrato. O número equivale a 29% das vagas abertas.”

A verdade é que o custo de um curso de medicina no Brasil é algo tão proibitivo que representa, na prática, um “investimento” pelo qual se espera ser muito bem remunerado.

Passar para o curso de medicina, numa universidade pública, é para poucos, a maioria – dos fora das cotas – vindos do melhor ensino privado.

Nas faculdades particulares, as mensalidades variam entre R$ 2,3 mil e R$ 6,8 mil. Em Manaus e São Luiz, cidades grandes pobres, pode custar R$ 6 mil estudar medicina, confira.
Quem pode pagar isso por seis anos, sem trabalhar?

E mais os dois anos de residência, se desejar ser um especialista?

Quem investiu, entre mensalidades, transporte, livros e tempo, quase meio milhão de reais quer ir tratar de pobre? Há exceções, claro, vocações generosas.

Dos 13 mil médicos que o Brasil forma anualmente, quantos são estão dispostos a ir para esses lugares tão mal atendidos?

Será que supera o número dos filhos e filhas de médicos que vão seguir a tradição – e a clientela – dos pais? Não é ilegítimo, repito, mas é uma realidade visível a quem – como eu, infelizmente – é assíduo frequentador de consultórios médicos.

Se há médicos disposto a vir ocupar vagas que os médicos brasileiros não querem, qual é o erro?

Ah, mas são médicos sem qualidade, porque dos formados no exterior só 12% passaram no “Revalida”, prova de suficiência a que são obrigatoriamente submetidos.

Alguém pode dizer qual o grau de dificuldade destas provas? Alguém pode jurar que ele é adequado e não apenas restritivo?

Ou terá padrão “Dr. Zerbini”?

Precisamos de um “Dr. Zerbini” lá em Catitolé da Grota Funda ou de um médico que esteja lá,  que cure precocemente o que é corriqueiro (mas que pode virar grave) e encaminhe os casos mais complexos a unidades de referência?

Tomo o depoimento do médico brasileiro Pedro Saraiva, que é nefrologista e trabalha em Portugal. Lá, 60 médicos cubanos prestaram exame e 44 foram aprovados (73,3%). Aqui, 11%.
E os brasileiros? Em São Paulo, o Conselho Regional de Medicina faz um exame de suficiência profissional para os formandos em Medicina. Opcional, onde só 15% dos jovens médicos se inscrevem, e claro que os que sabem que estão mal de conhecimentos nem participam. Mesmo assim, quase a metade (46,7%) ficou reprovada.

Agora, o exame será obrigatório. Mas apenas fazer o exame. Mesmo que tire zero, o médico formado aqui terá seu registro e todo o direito de exercer a profissão.
Mas aí pode, não é?

Sem hipocrisia, por favor, doutores.

Porque se trata da saúde de milhões de Brasileiros.

Que precisam de saúde, que não se faz sem médico.

E sem médicos como o Dr. Perini, lá de Santa Maria das Barreiras, no interior do Pará.

Ele diz muito bem:
“Como médico, posso afirmar que a vinda de profissionais estrangeiros pode ‘ameaçar’ meu cargo, mas presenciando o dia a dia das pessoas que vivem em Santa Maria das Barreiras e não têm ninguém além de mim para socorrê-las, é um deslize se posicionar contra a vinda desses médicos. Erro é não ter ninguém para atender essa população”.

Diagnóstico preciso, Dr. Perini.


Por: Fernando Brito

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PITACO DO ContrapontoPIG

Já é tempo do de acabar com esta hipocrisia.
Grandes parcelas dos médicos brasileiros se consideram donos deste mercado de trabalho e espantam qualquer possibilidade de concorrência, ainda que para isso a saúde de milhões de brasileiros seja esquecida e  cidades inteiras fiquem  sem sequer a presença de um médico, abandonadas à própria sorte.
Muitos médicos brasileiros se julgam  pertencentes  a uma  verdadeira casta - a dos príncipes do  jaleco branco, superior e intocável - e não a um classe profissional que deve prestar serviços ao povo como outra qualquer.
Quantos médicos formados em nosso país topariam fazer ao mesmo tempo um revalida em iguais condições aos submetidos aos médicos estrangeiros?  Ao que se sabe, o tal revalida consiste em exame propositalmente difícil com o escopo de impedir a entrada de estranhos no seu campo de  trabalho e que seria intransponível mesmo para figurões da medicina nacional que vivem a arrotar conhecimento e sapiência por aí. Por que não um exame adequado à realidade brasileira?
O que há contra médicos, sejam eles portugueses, espanhóis ou cubanos. Estes últimos testados em dezenas de países espalhados pelo mundo, inclusive em situações de guerra e de calamidades quer em função de acordos diplomáticos quer em caráter humanitário, com sucesso. Por que o medo de médicos estrangeiros, quando estes já estão em países como os Estados Unidos, a Inglaterra e muitos outros. 
Perguntem a opinião de brasileiros cujos filhos  nunca tiveram direito uma única consulta médica na vida. 

Seguidores de Hipócrates, ou hipócritas?
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Contraponto 11.594 - "Dilma faz no rádio a pauta de sua fala na TV"


 

02/07/2013

Dilma faz no rádio a
pauta de sua fala na TV


Do Tijolaço - 1 de Jul de 2013 | 13:46

A Presidenta Dilma Rousseff começou, hoje, no programa Café com a Presidenta, a dar as linhas do pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão que deve gravar amanhã à tarde e dá pistas de que a proposta de reforma política não se cingirá à discussão do voto distrital ou por lista e ao financiamento público ou privado das campanhas.

Dilma também deixa claro que não vai anunciar a proposta de reforma “descolada” da apresentação de planos administrativos concretos para as áreas de transportes, saúde e educação.
Leia a transcrição do programa:

Café com a Presidenta

 

Apresentador: Olá, bom dia! Eu sou o Luciano Seixas e começa agora mais um Café com a Presidenta Dilma. Bom dia, presidenta! 

Presidenta: Bom dia, Luciano! E bom dia para você que acompanha o Café hoje!

Apresentador: Presidenta, a senhora propôs a governadores e prefeitos cinco pactos em favor do Brasil. O que significa essa proposta? 

Presidenta: Olha, Luciano, é bom a gente começar pelo significado da palavra pacto. O que ela quer dizer? Significa entendimento, união, trabalho em comum, significa a gente deixar de lado aquilo que nos separa e buscar os pontos em comum para um trabalho concreto. Por exemplo, eu acho que todo mundo quer o melhor para a sua família, para a sua cidade, para o seu país. Vamos, então, nos unir e buscarmos soluções rápidas e concretas para alguns problemas da economia, do transporte, da saúde, da educação, e também, Luciano, da política. Se há muita coisa ainda a melhorar no país, por que não fazermos isso juntos, somando esforços sem dispersão? Se você olhar bem, Luciano, vai ver que as pessoas saíram às ruas para dizer isso, para dizer: “Olha aqui, estamos juntas querendo melhorar o Brasil e queremos melhorar rápido”. Nossa obrigação, como governantes, é ouvir esse recado e transformá-lo em realidade.

Apresentador: A senhora fez propostas bem objetivas, não foi, presidenta? Quais são elas? 

Presidenta: Olha, Luciano, como há uma distância enorme entre o querer e o fazer, as coisas só andam se a gente se unir em torno de pontos concretos, específicos e urgentes. Por isso, propus cinco pactos aos governadores, aos prefeitos, ao Congresso e a toda sociedade. Primeiro, um pacto em torno do equilíbrio fiscal. O que isso significa? Significa defender nossa economia e combater, com todas as armas, a inflação, defender nossa economia para que ela continue a gerar muito emprego, e lutar contra a carestia, para que o povo possa continuar comendo bem, se vestindo bem, melhorando sempre sua qualidade de vida. Propus também um pacto para melhorar o transporte público nas grandes cidades. Propus um pacto para melhorar a saúde em todos os pontos do Brasil. Propus um pacto para melhorar ainda mais a educação, em todos os níveis. E propus um pacto, Luciano, para se começar a grande reforma política que o Brasil precisa e para aperfeiçoar nossas armas de combate à corrupção.

Apresentador: Presidenta, vamos começar falando sobre o pacto para a reforma política, que tem gerado uma ampla discussão no país. 

Presidenta: Vamos sim, Luciano. Um país não pode andar bem se sua política não estiver bem, porque o papel da política é harmonizar a sociedade. E a política só pode estar bem se houver participação popular, se o povo participar das decisões, acompanhando de perto e fiscalizando a ação dos governantes. Por isso, Luciano, estou apresentando uma proposta ao Congresso Nacional de convocar um plebiscito popular para que os cidadãos opinem sobre os temas mais urgentes que o Legislativo deve discutir em uma reforma política. Para que os cidadãos opinem, por exemplo, o que querem mudar na forma de eleger seus representantes e o que querem mudar no financiamento das campanhas, e outras coisas mais.

Apresentador: Esse pacto inclui também o compromisso de combate à corrupção. 

Presidenta: Olha, Luciano, o combate à corrupção é um dos eixos básicos do pacto e já tem sido uma prioridade para o meu governo. Precisamos aprofundar essa luta de forma ainda mais decisiva. Por falar nisso, quero cumprimentar o Senado, que aprovou, com rapidez, na semana passada, o projeto de lei que torna a corrupção um crime hediondo, e que era um dos pontos do nosso pacto. Sabe, Luciano, transformar em crime hediondo significa que quem for condenado por corrupção não terá direito à fiança, não poderá ser anistiado e estará sujeito a penas de, no mínimo, quatro anos. É preciso ter leis cada vez mais duras contra a corrupção. É preciso que todos os governos, municipal, estadual ou federal, tenham mecanismos internos que inibam a corrupção já na sua origem. É preciso repensar o financiamento das campanhas políticas, porque é uma fonte permanente de conflitos entre os interesses públicos e privados.

Apresentador: Presidenta, uma das reivindicações mais importantes que chegaram das ruas foi a melhoria do transporte público no Brasil. Como o governo vai ajudar estados e municípios a atender essa reivindicação? 

Presidenta: Olha, Luciano, como todos que foram às ruas, nós queremos promover um salto de qualidade na vida nas cidades, em especial no transporte público de nossas cidades. Queremos que o transporte coletivo seja confortável, rápido, seguro e tenha um preço justo para todos. O meu governo já está investindo em metrôs, VLTs, uma espécie de metrô de superfície, e também está investindo em corredores de ônibus, os chamados BRTs. Obras que estamos fazendo, Luciano, em parceria com os governos estaduais e com as prefeituras. Nós queremos fazer mais, Luciano, e é por isso que eu anunciei mais R$ 50 bilhões para apoiar as obras que vão melhorar o transporte coletivo nas cidades. Hoje, nós investimos, junto com os governadores e prefeitos, praticamente R$ 90 bilhões. E agora, nos próximos dias, nós vamos detalhar em que projetos esses R$ 50 bilhões a mais devem ser aplicados. Além disso, Luciano, nós temos feito desonerações, ou seja, corte de impostos para ajudar a baratear as tarifas do transporte público. Isso, inclusive, ajudou a diminuir o preço das tarifas nas cidades brasileiras nos últimos dias, atendendo aos apelos dos manifestantes. Mas vale lembrar que as tarifas de metrô e dos trens, operados pelo governo federal, em muitos casos estão com os mesmos preços desde 2003, como é o caso de João Pessoa, Maceió, Natal e Belo Horizonte. Nós também, Luciano, diminuímos impostos, por exemplo, o IPI, que é o Imposto Sobre Produtos Industrializados, para a compra de ônibus novos. Agora, Luciano, nós vamos ampliar a desoneração do PIS/COFINS sobre o óleo diesel dos ônibus das empresas de transporte coletivo, e também a energia elétrica consumida por metrôs e trens, o que vai ajudar a diminuir ainda mais os custos das empresas. E eu acredito, Luciano, que assim que as novas desonerações entrarem em vigor, os governadores e os prefeitos vão dar a sua contribuição para que essas medidas tenham rápido efeito e beneficiem o maior número de pessoas passando essas desonerações para a tarifa, ou seja, Luciano, reduzindo o preço das passagens.

Apresentador: Presidenta, há uma grande expectativa da população em relação à saúde. 

Presidenta: Olha, Luciano, é verdade. E eu estou trabalhando firme para garantir a todos os brasileiros e brasileiras um serviço de saúde de qualidade. Com o pacto da saúde, vamos acelerar os investimentos na construção e ampliação de hospitais, postos de saúde e de UPAs, que são as chamadas Unidades de Pronto Atendimento. Mas para que tudo isso funcione direito, Luciano, precisamos de mais médicos em todos os pontos de nosso imenso território, médicos que estejam ao lado do povo todos os dias e todas as horas, especialmente nas regiões mais pobres do país, nas periferias das grandes cidades e no Norte e no Nordeste do país, onde há mais carência de médicos. Não sei se você sabe, mas o Brasil tem menos médicos por habitante, por exemplo, que Argentina, Uruguai, Portugal e a Espanha. Por isso, temos de incentivar os médicos a irem onde o povo precisa e dar condições boas de trabalho a eles e a todos os profissionais de saúde.

Apresentador: Então, o aumento do número de médicos faz parte do pacto pela saúde que a senhora propôs, presidenta?

Presidenta: Olha, é um dos pontos importantíssimos do pacto. Para isso, estamos agilizando ações de curto, médio e longo prazo. Por exemplo, no meu governo já criamos mais 2.400 vagas nos cursos de medicina e estamos aumentando ainda mais as oportunidades para os jovens que querem estudar medicina ou fazer uma especialização. Para que você tenha uma ideia, Luciano, nós vamos criar, até 2017, mais 11.447 vagas de graduação e 12.376 vagas de residência médica para estudantes brasileiros. Como você sabe, não é, Luciano, são necessários seis anos para se formar um médico, temos hoje um grande déficit de médicos e precisaremos de milhares de médicos somente para as novas UBSs e as novas Unidades de Pronto Atendimento que estamos construindo. Sobretudo, Luciano, precisamos de medidas imediatas, porque ninguém que está doente tem tempo de esperar. Por isso estamos ampliando o esforço de convocação de novos médicos brasileiros formados aqui no Brasil e também, na ausência desses médicos brasileiros, estamos chamando médicos estrangeiros para, provisoriamente, ocuparem essas vagas.

Apresentador: A senhora disse no seu pronunciamento que os médicos brasileiros terão prioridade e que os estrangeiros só vão preencher as vagas que não forem ocupadas por brasileiros. É isso, não é?

Presidenta: Exatamente isso, Luciano. Vamos autorizar a vinda de médicos estrangeiros somente para aqueles lugares onde os médicos brasileiros não se candidatarem, e isso em caráter temporário. Recebemos o apoio unânime dos governadores e dos prefeitos. Quero ressaltar que somente serão aceitos médicos bem formados, que falem e entendam bem o nosso idioma, e eles serão acompanhados e fiscalizados pelo Ministério da Saúde, pelas faculdades de medicina das universidades federais e pelas secretarias estaduais e municipais de Saúde. O Brasil, Luciano, é hoje um dos países do mundo que menos emprega médico estrangeiro. Vou te dar um exemplo: 37% dos médicos que trabalham na Inglaterra se graduaram no exterior. Nos Estados Unidos, são 25%, e na Austrália, 22%. Enquanto aqui no Brasil temos apenas 1,79% de médicos que se graduaram fora do Brasil. A vinda de médicos do exterior para uma ação emergencial e temporária só trará benefícios para a população que usa o SUS.

Apresentador: Presidenta, a gente sempre conversa aqui no Café sobre a importância da educação para o país se transformar em uma grande nação. A senhora também anunciou um pacto para melhorar a educação pública no Brasil, não foi, presidenta? 

Presidenta: Foi sim, Luciano, eu anunciei. Olha só, nenhum país do mundo alcançou o pleno desenvolvimento sem creches para todas as crianças, sem alfabetização na idade certa, sem educação em tempo integral, sem ensino técnico de qualidade ou sem acesso dos jovens à universidade. O Brasil precisa de tudo isso, o que exige mais investimentos, mais recursos para a educação, e exige, sabe, Luciano, valorização do professor, que é a peça-chave dessa engrenagem professor/aluno. Foi por isso, Luciano, que eu enviei ao Congresso Nacional um projeto de lei destinando os recursos do petróleo para a educação. A proposta aprovada nessa semana pelo Congresso terminou colocando 75% dos recursos do petróleo para a educação, e 25% para a saúde. Esse é um item importantíssimo do pacto que se torna realidade.

Apresentador: Presidenta, eu tenho certeza que o Brasil vai avançar ainda mais com esses cinco pactos que a senhora anunciou. Agora, infelizmente, o nosso tempo chegou ao fim. Obrigado por mais esse Café. 

Presidenta: Antes de encerrar, Luciano, eu quero dizer que o Brasil precisa de mais cidadania, de mais participação popular, mas tudo tem que ser feito em clima de paz e de respeito, sem violência nas ruas. A nossa democracia, Luciano, se consolida e se aprimora a cada dia quanto maior for a participação dos cidadãos nas decisões do país. Eu fiquei feliz, sabe, Luciano, quando li em uma revista, essa semana, uma declaração do sociólogo espanhol Manuel Castells, que é considerado o maior especialista mundial em movimentos sociais nascidos na internet. Ele disse que o nosso governo foi o primeiro, no mundo atual, que ouviu imediatamente a voz das ruas. Reafirmo, Luciano, que vamos continuar, sim, ouvindo a voz das ruas e, ao mesmo tempo, unindo todos os setores da sociedade para, de forma harmônica e ordeira, fazermos o Brasil avançar. Luciano, uma boa semana para você e para todos os ouvintes que nos acompanharam hoje.
Por: Fernando Brito
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Contraponto 11.593 - " O mito do bordão 'padrão Fifa' "


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02/07/2013

O mito do bordão 'padrão Fifa'




Comentário ao post "Os desafios de Dilma, nos novos tempos da política"

Por Carlos Henrique Machado Freitas

O MITO DO PADRÃO FIFA NA COPA DO MUNDO NO BRASIL

Tenho lido muitas bobagens que tentam emparedar politicamente o governo Dilma, mas esta do "padrão Fifa", é comédia. Os que estão com este bordão na boca não se sustentam em nada, ou vão me dizer que os clubes brasileiros não seguem as regras gerais do tal padrão Fifa há muitos e muitos anos? Ou vão me dizer ainda que a profissionalização do clubes, as leis dos passes e mais um montão de novas regras na relação jogadores/clubes não fazem parte da agenda do mercado do futebol mundial que é ditada pela Fifa há muitos anos?

 Quem fala essa babajada toda não vai à beira de um campinho há muito tempo e não vê que é lá, nas escolinhas (ongs) de vários bairros de periferia em todos os lugares do Brasil, que o futebol deixou de ter um mundo próprio, assim como, por exemplo, o vôlei e o atletismo que também estão dentro do mercado esportivo, cada um com a sua tônica a partir de determinada linha de produto.

Por isso as críticas ao "padrão Fifa" que surgem de forma oportunista, agora que a copa do mundo será no Brasil, são meramente imaginadas, ou as pretensões dos antropólogos da bola vão me convencer que continuamos no período das peladas, do time de camisa x sem camisa e todos descalços? Tá bom! Essa classe média de condomínio é idêntica aos ecologistas triunfalistas quando falam sobre este assunto. Não são eles mesmos que alugam campinhos com denominações renovadas pelo marketing esportivo e vestem aquele coletezinho ridículo e se fantasiam de jogador de futebol?

 E agora, neste mesmo meio burguês, surge a certeza de que a realização da copa no mundo foi instalada sob as patas do "padrão Fifa" com uma combinação conspiratória da Dilma contra os pobres.

Se alguém quiser discutir isso seriamente, então vamos discutir, mas não venha com meias verdades ou hipocrisia, pior, não venha bancar o gringo na Sapucaí!

A Copa do Mundo é elitizada no mundo todo e há muito tempo. O que beneficia os países é a geração de empregos, investimentos na economia e na infraestrutura nos países que realizam a competição, além da visibilidade que bomba o turismo não só no durante o evento, mas nos anos que se seguem.

Se fosse ruim para o Brasil, a Inglaterra não se candidataria a suplente num eventual descredenciamento do Brasil e teria com absoluta certeza o apoio entusiasmado do Financial Times.
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