domingo, 1 de setembro de 2013

Contraponto 12.101 - "JOGARAM M... E O GLOBO PEDE DESCULPAS "

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01/09/2013

 

JOGARAM M... E O GLOBO PEDE DESCULPAS


Blog Palavra Livre     01/09/2013  
 



Por Davis Sena Filho 
As Organizações(?) Globo sempre tentaram passar uma ideia que é querida pelo povo brasileiro. Ledo engano. As pessoas sabem do que se tratam tais organizações e do que os seus proprietários, os irmãos Marinho, são capazes para terem seus interesses concretizados, bem como são conhecidos como porta-vozes não somente dos conservadores tupiniquins, mas também da direita internacional, que luta desde o início da humanidade para limitar e estancar o desenvolvimento social e econômico da humanidade.

Com a conquista da Presidência da República há 11 anos por parte dos trabalhistas, além da ascensão do Partido dos Trabalhadores (PT), partido reformista e não revolucionário, os meios de comunicação privados e de concessão pública dos Marinho deixaram de lado o pudor e passaram a fazer oposição política e intermitente contra os governos dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Algo que somente se viu no Brasil nos governos, coincidentemente trabalhistas, de Getúlio Vargas e João Goulart, presidentes igualmente trabalhistas e que foram ilegalmente derrubados do poder por criminosos que rasgaram a Constituição, a fim de atender os seus anseios financeiros, ideológicos e de submissão rastaquera aos Estados Unidos, país useiro e vezeiro em promover e financiar golpes de estado, bem como invasor contumaz de territórios de incontáveis nações através dos séculos.

O problema de organizações, a exemplo da Globo e de O Globo, é que os seus proprietários por serem poderosos e influentes pensam que governam o Brasil, sem, contudo, terem sido eleitos. Considero arrogância e prepotência tais disparates e insensatez, que chegam às raias da insanidade de homens que administram um poderoso grupo econômico quererem pautar um País que recentemente superou os 200 milhões de habitantes e atualmente é a sexta maior economia do mundo.

O Brasil não é o quintal da casa dos irmãos Marinho e muito menos de seus empregados tão dedicados em agradá-los, que chegam ao ponto de superar os seus afazeres e a fazer mais do que as suas realidades de empregados lhes permitem. A cumplicidade, o apoio desavergonhado e a aliança com a direita partidária brasileira herdeira direta da escravidão é uma mácula que as Organizações(?) Globo não vão conseguir retirar de suas peles, porque o apoio aos militares golpistas está marcado como tatuagem de um regime crudelíssimo que torturou e matou os seus adversários políticos, que foram tratados como inimigos, mesmo a ter sob controle os órgãos de repressão do estado nacional, além das Forças Armadas.

Quem tem o controle do estado não usa o estado para massacrar os seus adversários, mesmo se eles pegarem em armas, porque somente pega em armas é quem se sente reprimido, oprimido e perseguido. As ditaduras não dialogam, Por isto que censuram, demitem, perseguem, exilam, prendem, torturam e matam.

E a Globo e O Globo e a imprensa de mercado em geral compactuaram, serviram, apoiaram e participaram da ditadura militar, bem como se locupletaram das benesses do estado brasileiro, a quem esses empresários magnatas e bilionários combatem, desejam e apostam na efetivação de um estado mínimo, que não controle e fiscalize as mega corporações como a Globo, que está a ser acusada de sonegar mais de R$ 600 milhões em apenas um escândalo relativo aos direitos da Copa do Mundo de 2002.

Agora, vamos à pergunta que não quer calar: o que as Organizações(?) Globo e o restante da imprensa burguesa já não fez no sentido de sonegar em uma existência empresarial que remonta há décadas? Não sei responder e acho que não a Receita ou o Banco Central sabem. Mas sei que os irmãos Marinho não vão enganar o povo brasileiro para sempre, por intermédio de bravatas e leviandades de seus áulicos da moralidade e dos bons costumes também chamados de jornalistas.

O jornal O Globo fez hoje uma mea culpa sobre as suas falhas, em forma de editorial. Contudo, talvez para amenizar os seus golpes baixos e não ficar sozinho na condição de golpista, no decorrer de sua história, afirmou que outros órgãos da imprensa comercial e privada também, tal qual ao jornal impresso dos Marinho participaram do golpe militar, bem como o apoiaram efetivamente.

A Folha de S. Paulo, por exemplo, emprestava os seus carros com logotipo aos policiais e militares de órgãos de repressão como o DOI-Codi e o Dops do policial civil reconhecidamente torturador e assassino da dimensão do delegado Sérgio Paranhos Fleury, morto depois como queima de arquivo da ditadura militar. A verdade é que esses magnatas do setor midiático lutam, diuturnamente, contra a emancipação do povo brasileiro e a independência do Brasil.

Eles são párias no que diz respeito à nacionalidade e se comportam como alienígenas no que é referente a se alinhar com os interesses do Brasil, porque, invariavelmente, são os porta-vozes dos grandes capitalistas e por isto e por causa disto essas realidades se contrapõem à luta dos que querem o desenvolvimento do Brasil, que ainda tem minha pobreza, que vitima o seu povo, alvo de todo tipo de violência e discriminação.

Todavia, O Globo fez a sua mea culpa e, consequentemente, tenta amenizar a sua condição de um dos verdugos protagonistas da ditadura militar de 21 anos que ceifou vidas e, de forma infamante, torturou corpos, deixou rotas milhares de almas e causou dor sem fim a incontáveis famílias brasileiras. O estado a matar os seus próprios cidadãos em nome de um regime draconiano, que foi edificado para garantir a uma elite empresarial e política de direita a concentração das riquezas deste País, bem como evitar que elas fossem distribuídas, além da dar fim a programas e projetos econômicos, estruturais e sociais efetivados pelos socialistas e trabalhistas em um período de 34 anos (1930/1964).

Agora, a família Marinho, aquela que sempre boicotou e sabotou o desenvolvimento e a emancipação do povo brasileiro, juntamente com a família Mesquita, do jornal O Estado de S. Paulo, e a família Frias, de a Folha de S. Paulo, faz um mea culpa, como lobo em pele de cordeiro. Com a nova ascensão ao poder dos trabalhistas, a partir de 2003, os magnatas bilionários das comunicações resolveram fazer uma oposição acirrada e inquestionavelmente voltada para desqualificar os projetos de País e os programas de governo de Dilma e Lula, bem como descontruir as suas imagens perante o povo brasileiro que, majoritariamente, votou e elegeu os dois presidentes socialistas e trabalhistas e, portanto, de esquerda.

A partir do fortalecimento e da disseminação da blogosfera de esquerda na internet, ou seja, dos sites e dos blogs progressistas também chamados de “sujos”, os meios de comunicação hegemônicos e corporativos passaram a ser combatidos e o jornalismo produzido por essas poderosas companhias passou a ser frontalmente questionado por jornalistas experientes que conhecem o ofício, o sistema de controle e de manipulação da informação, bem como os bastidores da grande imprensa empresarial.

A partir desse processo, milhares de blogs e sites “sujos” se tornaram também fonte de informação e referência para milhões de pessoas que desejavam e ainda querem se informar além do sistema de monopólio de informação das grandes corporações midiáticas. E por quê? Porque o trabalho da blogosfera mostrou, inquestionavelmente, que a imprensa de negócios privados tem cor, tem lado, tem partido e ideologia. E por isto e por causa disto faz política, oposição e se alia a partidos conservadores como o PSDB dos tucanos e o DEM, legítimo herdeiro da escravidão ao tempo que o pior partido do mundo, que já foi Arena, PDS e PFL.

Porém, não acaba por aqui. Os executivos, os jornalistas e os “ideólogos” das Organizações(?) Globo, que estão aboletados no Instituto Millenium, continuam os seus périplos históricos e continuam a maldizer e a propagar intrigas por meio de notícias irrefragavelmente distorcidas e manipuladas. Eles são os escribas das más notícias e das falas polêmicas, pois o objetivo é sabotar o programa de Governo e, por conseguinte, inviabilizar o processo de desenvolvimento do Brasil e com isso submetê-lo aos interesses do grande capital.

O Globo hoje se arrepende de sua participação golpista, mas apoia efetivamente o conservadoríssimo Instituto Millenium, onde empresários, políticos e jornalistas defendem teses já derrotadas e fracassadas do modelo neoliberal, que derreteu as economias de países poderosos e comprovou que a ausência de fiscalização e regulamentação dos banqueiros, por exemplo, é a mesma coisa do que uma pessoa se suicidar. Ponto.

Somente os lorpas e os pascácios, como diria o jornalista Nelson Rodrigues, que ainda, por serem caras-de-pau e mentalmente lentos, defendem o neoliberalismo, um modelo de pirataria e rapinagem, que levou à bancarrota inúmeros países da América Latina, bem como deixou na miséria povos trabalhadores, que ficaram, inclusive, sem acesso ao emprego. Realmente, tempos duros e o fim da picada. E tem gente que tem ainda a desfaçatez de defender um mau negócio como foi o neoliberalismo. Durma-se com um barulho desse.

O Milleninum, lugar onde os direitistas deste País propõem, por meio de palavras “leves” e pouco usuais no palavreado popular, até golpe de estado. O Millenium, que, incontestavelmente, lembra os golpistas pré 1964, a exemplo do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad), fundado em 1959, e do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), de 1961. As duas entidades reuniram militares, empresários, jornalistas, diplomatas e partidos e políticos de oposição, que conspiraram contra o governo popular do presidente trabalhista João Goulart (PTB), deposto em 1964 e que somente retornou morto à sua terra, em 1976.

E o jornal O Globo pede desculpas em seu editorial mequetrefe, como se estivesse arrependido, quando na verdade não está. Lobo é lobo! Escorpião é escorpião! E quanto a essas realidades e verdades nada se pode fazer. A natureza desses empresários é de dominância contra os mais fracos e os que podem menos. São somente subservientes quando seu “deus” começa a diminuir a sua presença. Trata-se do “deus dinheiro”, combustível de poder das seis famílias midiáticas que dominam o mercado de mídias e não aceitam, de forma alguma, ter que viver um Brasil democrático, justo, autônomo e independente.

Os grandes capitalistas ganham dinheiro com a pobreza alheia. E, para isso, contam com a simpatia de parte da população para seus propósitos mercantilistas. As pessoas que compram a ideologia e o pensamento torto dos barões da imprensa fazem parte de uma classe muito peculiar: a conservadora e preconceituosa classe média e média alta. São com as classes médias que os donos do capital contam, e para elas fazem política. Só que, com o tempo, a classe média vai, irremediavelmente, dividir-se, porque ninguém é enganado a vida inteira e a verdade é que nunca conheci qualquer pessoa que gostasse de ser considerada trouxa.

Entretanto, a partir das manifestações de junho, os barões da imprensa e os seus asseclas perceberam uma mudança, que através do tempo vai recrudescer: é que as palavras de ordem “O povo não é bobo! Abaixo a Rede Globo!” se transformou em realidade latente e, consequentemente, descambou para a violência.

De repente e não mais do que de repente, os repórteres da Rede Globo e até mesmo da CBN tiveram de, em um primeiro momento, cobrir os protestos à distância, depois passaram a encobrir os logotipos dos microfones de suas empresas e, posteriormente, somente conseguiram cobrir as manifestações que os jornalistas da Globo inadvertidamente insistiam em chamá-las de “pacíficas” de helicópteros.

A palavra “pacífica” se tornou uma metáfora na boca dos jornalistas da Globo, pois tal palavra usada tinha por finalidade amenizar ou suavizar a violência dos protestantes e as depredações do patrimônio público, privado e histórico. E por que os repórteres, comentaristas e apresentadores da Globo e da CBN se transformaram em pessoas tão suaves e singelas quando se tratava de falar das manifestações “pacíficas”?

Porque a Globo, uma empresa privada, transformou-se em partido de direita que ocupou, inconsequentemente e irresponsavelmente, o lugar dos derrotados PSDB, DEM e PPS na oposição política e ideológica aos governos trabalhistas de Lula e Dilma. Por causa disso, a Globo, além de outras empresas de comunicação e informação, estrategicamente passou a chamar de “pacíficas” as manifestações de junho, pois percebeu naquele momento uma oportunidade para fazer oposição a Dilma Rousseff, afinal o Brasil vai ter eleições presidenciais em outubro de 2014, e se tem alguma coisa que esses magnatas da comunicação não querem é a continuação de políticos trabalhistas no poder por mais quatro anos.

Como pau que bate em Chico também bate em Francisco, e o Brasil está neste momento com a inflação controlada, o PIB a aumentar, estabilidade das instituições republicanas e do regime democrático, além do crescimento da indústria, do agronegócio, do emprego, bem como a presidenta Dilma voltou a crescer nas pesquisas, a Globo e os seus coirmãos aparentemente deram uma recuada.

A nova postura talvez seja porque o dinheiro da propaganda que ia para as empresas dos bilionários das comunicações diminuiu desde os tempos do presidente Lula, o que, sem sombra de dúvida, levou tais organizações(?) a redirecionar as suas estratégias de luta política e econômica e, por sua vez, abrir diálogo com o Governo Federal, com o presidente Lula (João Roberto Marinho solicitou encontro com o ex-presidente) e se reportou à sociedade brasileira por intermédio de editorial que reconhece o erro de as Organizações(?) Globo ter apoiado a ditadura militar.

Por seu turno, não acredito que lobos se transformem em ovelhas, ainda mais quando se trata dos donos dessa megaempresa, que se confunde com o estado dentro do estado. Um estado privado, evidentemente, mas que sempre foi sustentado pelo dinheiro público. Deveria haver uma campanha para que a Globo se privatizasse, pois já que defende com unhas e dentes a iniciativa privada e um País VIP para poucos privilegiados.

Jogaram, em manifestação recente, literalmente merda nas paredes e vidraças da sede da Globo, e os seus repórteres são alvos de chacotas, protestos, de cantos de guerra e até mesmo de violência física, com a qual explicitamente não concordo, por parte de quem protesta. A Globo sentiu o golpe, como se fosse atingida por um boxeador peso pesado na boca do estômago ou na ponta do queixo.

Os donos da Globo e os seus jornalistas enfrentam, arrogantemente, até o Governo, mas quando se trata de enfrentar o povo eles optam, espertamente, por recuar. Pega muito mal para as suas imagens quase “assépticas”. A Globo e O Globo gostam muito de pichar os outros, as pessoas e instituições, mas detestam verem o seu mundinho provinciano, tacanho, presunçoso, egoísta e medíocre a ser questionado, e, o pior, agredido.

As Organizações(?) Globo e os seus donos são gigantes com os pés de barro e as suas paredes são pichadas com merda, produto animal também chamado de esterco. Se daqui a alguns meses os proprietários dessa empresa alienígena e descompromissada com a cidadania brasileira perceberem que os tucanos do PSDB vão perder mais uma eleição presidencial, eles certamente vão negociar para amenizar as diferenças políticas e as perdas financeiras, afinal o Governo tem a Receita Federal e a Polícia Federal e impostos sonegados e remessas ilegais são crimes que estão a ser combatidos.

Os Marinho são espertos, pediram desculpas pela ditadura, mas o povo não é bobo... É isso aí.  
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Contraponto 12.100 - "Como interpretar a confissão da Globo?"

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01/09/2013

 

Como interpretar a confissão da Globo?

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Do Diário do Centro do Mundo - 1 de setembro de 2013
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 Admitir que foi errado apoiar o golpe foi provavelmente uma ação de marketing — destinada ao fracasso. 


O JN é filho do golpe
 O JN é filho do golpe

Contraponto 12.099 - "Leandro Fortes: 'há motivos para temores dos aliados de FHC' "



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01/09/2013

Leandro Fortes: “há motivos para temores dos aliados de FHC”

Tijolaço - 001/09/2013 

 

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Reproduzimos abaixo um artigo de Leandro Fortes publicado na edição desta semana da Carta Capital sobre o lançamento do novo livro de Palmério Dória, O príncipe da privataria. Fortes faz alguns comentários muito interessantes sobre o que livro traz sobre o escândalo do filho  de Fernando Henrique com uma jornalista da Globo, assunto mantido em segredo pela emissora por muitos anos.

Trecho do artigo:
“Há razão para os temores dos aliados de FHC. Na obra, Dória reconstituiu um assunto que os tucanos prefeririam ver enterrado: a compra de votos no Congresso para a emenda da reeleição que favorecia o ex-presidente. E detalha o “golpe da barriga” que o deixou refém das Organizações Globo, em especial, e do resto da mídia durante seus dois mandatos.”

Carta Capital n˚ 764
As Desventuras do Príncipe

Lançamento: Livro sobre a compra de votos para a emenda da reeleição e o caso extraconjugal de FHC alvoroçam os tucanos

Por Leandro Fortes, na Carta Capital

A obra chega às livrarias no sábado 31, mas antes mesmo de sua publicação tem causado desconforto no ninho tucano. Luiz Fernando Emediato, publisher da Geração Editorial, responsável pela edição, tem recebido recados. O último, poucos dias atrás, foi direto: um cacique do PSDB telefonou ao editor para pedir o cancelamento do livro e avisou que a legenda havia contratado um advogado para impedir a publicação, caso o apelo não fosse atendido.

Tanto alvoroço deve-se ao lançamento de O Príncipe da Privataria – A história secreta de como o Brasil perdeu seu patrimônio e Fernando Henrique Cardoso granhou sua reeleição, do jornalista Palmério Dória. O título da obra faz alusão à alcunha de “príncipe dos sociólogos”, sugestão de amigos do ex-presidente, e ao termo privataria, menção ao processo de privatização comandado pelo PSDB nos anos 1990 e eternizado por outra obra da Geração Editorial, A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr.
Há razão para os temores dos aliados de FHC. Na obra, Dória reconstituiu um assunto que os tucanos prefeririam ver enterrado: a compra de votos no Congresso para a emenda da reeleição que favorecia o ex-presidente. E detalha o “golpe da barriga” que o deixou refém das Organizações Globo, em especial, e do resto da mídia durante seus dois mandatos.

A maior novidade é a confirmação da identidade do Senhor X, a fonte anônima responsável pela denúncia do esquema de compra de votos para a emenda da reeleição. O ex-deputado federal Narciso Mendes, do PP do Acre, precisou passar por uma experiência pessoal dolorosa (esteve entre a vida e a morte depois de uma cirurgia) para aceitar expor-se e contar novos detalhes do esquema.

A operação, explica Mendes no livro, foi montada para garantir a permanência de FHC na Presidência e fazer valer o projeto de 20 anos de poder dos tucanos. Para tanto, segundo o ex-parlamentar, foram subornados centenas de parlamentares, e não apenas a meia dúzia de gatos-pingados identificados pelo jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo, autor das reportagens que apresentaram em 1997 as gravações realizadas pelo Senhor X, apelido criado pelo repórter para preservar a identidade do colaborador, então deputado do antigo PPB.

Os mentores da operação que pagou 200 mil reais a cada deputado comprado para aprovar a reeleição, diz o Senhor X, foram os falecidos Sergio Motta, ex-ministro das Comunicações, e Luís Eduardo Magalhães, filho de Antonio Carlos Magalhães e então presidente da Câmara dos Deputados. Em maio de 1997, a Folha publicou a primeira reportagem com a transcrição da gravação de uma conversa entre os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do PFL do Acre. No áudio, a dupla confessava ter recebido dinheiro para votar a favor da emenda. Naquele momento, o projeto tinha sido aprovado na Câmara e encaminhado para votação no Senado.

À época, a oposição liderada pelo PT tentou instalar uma CPI para apurar as denúncias. Mendes resume os acontecimentos a Dória e ao jornalista Mylton Severiano, que participou das entrevistas com o ex-deputado em Rio Branco: “Nem o Sérgio Motta queria CPI, nem o Fernando Henrique queria CPI, nem o Luís Eduardo Magalhães queria CPI, ninguém queria. Sabiam que, estabelecida a CPI, o processo de impeachment ou no mínimo de anulação da emenda da reeleição teria vingado, pois seria comprovada a compra de votos”.

E assim aconteceu. A denúncia foi analisada por uma única comissão de sindicância no Congresso, que apresentou um relatório contrário à instalação de uma CPI. O assunto foi enviado ao Ministério Público Federal (MPF), então sob o comando de Geraldo Brindeiro. O procurador fez jus ao apelido de “engavetador-geral”, nascido da sua reconhecida leniência em investigar casos de corrupção do governo FHC. O MP nunca instalou um processo de investigação, a mídia nunca demonstrou o furor investigatório que a notabilizaria nestes anos de administração do PT e o Congresso aprovou a emenda, apesar da fraude.

O Príncipe da Privataria tenta reconstituir os passos da história que levou uma repórter da TV Globo em Brasília, a catarinense Miriam Dutra, a um longo exílio de oito anos na Europa. Repleta de detalhes, a obra reconstituiu o marco zero dessa trama, “nalgum dia do primeiro trimestre de 1991”, quando o jornalista Rubem Azevedo Lima, ao caminhar por um dos corredores do Senado, ouviu gritos do gabinete do então senador Fernando Henrique Cardoso. “Rameira, ponha-se daqui pra fora!”, bradava o então parlamentar, segundo relato de Lima, ex-editorialista da Folha de S.Paulo, enquanto de lá saía a colega da TV Globo, trêmula e às lágrimas. A notícia de um suposto filho bastardo não era apenas um problema familiar, embora não fosse pouco o que o tucano enfrentaria nessa seara. A mulher traída era a socióloga Ruth Cardoso, respeitada no mundo acadêmico e político. O caso extraconjugal poderia atrapalhar os planos futuros do senador. Apesar de se apresentar como um “presidente acidental”, em um tom de desapego, FHC sempre se imaginou fadado ao protagonismo na vida nacional.

Escreve Dória: “Entra em cena um corpo de bombeiros formado por Sérgio Motta, José Serra e Alberico de Souza Cruz – os dois primeiros, cabeças do “projeto presidencial”; o último, diretor de jornalismo da Rede Globo e futuro padrinho da criança”. Motta e Serra bolaram o plano de exílio da jornalista, mas quem tornou possível a operação foi Souza Cruz, de atuação memorável na edição fraudulenta do debate entre Collor e Lula na tevê da família Marinho às vésperas do segundo turno. A edição amiga, comandada diretamente por Roberto Marinho, dono da emissora, e exibida em todos os telejornais do canal, levaria o “caçador de marajás” ao poder. Acusado de corrupção, Collor renunciaria ao mandato para evitar o impeachment.

Miriam Dutra e o bebê foram viver na Europa e o caminho político de FHC foi novamente desinterditado. Poucos anos depois, ele se tornaria ministro da Fazenda do governo de Itamar Franco, surfaria no sucesso do Plano Real, a ponto de renegar a importância do falecido ex-presidente na implementação da estabilidade monetária no País, e venceria a eleição de 1994 no primeiro turno.

Por muito tempo, apesar de o assunto circular nas principais rodas políticas de Norte a Sul, Leste e Oeste, imperou nos principais meios de comunicação um bloqueio a respeito do relacionamento entre o presidente e a repórter. Há um pressuposto não totalmente verdadeiro de que a mídia brasileira evita menções à vida particular dos políticos, ao contrário das práticas jornalísticas nos EUA e Reino Unido. Não totalmente verdadeiro, pois a regra volta e meia é ignorada quando se trata dos adversários dessa mesma mídia.

No fim, o esforço para proteger FHC mostrou-se patético. Só depois da morte de Ruth Cardoso, em 2008, o ex-presidente decidiu assumir a paternidade do filho da jornalista. Mas um teste de DNA, feito por pressão dos herdeiros do tucano, provou que a criança não era dele.

Dória entrevistou inúmera personalidades, entre elas o ex-presidente da República Itamar Franco, o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes e o senador Pedro Simon, do PMDB. Os três, por variadas razões, fizeram revelações polêmicas sobre FHC e o quadro político brasileiro. Há outras declarações pouco abonadoras da conduta do ex-presidente. A obra trata ainda do processo de privatização, da tentativa de venda da Petrobras e do plano de entrega da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil ao setor privado. “O livro mostra que FHC é um caso de crime continuado”, resume o autor.

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Por: Miguel do Rosário

Contraponto 12.098 - "O plebiscito bate à porta. O mais difícil está feito"

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01/09/2013
 O plebiscito bate à porta.
O mais difícil está feito


Do Conversa Afiada - 31/08/213

O Eduardo é da base e opera com os tucanos.


O Projeto de Decreto Legislativo, PDC, número 1258 foi subscrito na Câmara por 188 deputados.

Eram necessários 171.

É o projeto que convoca o plebiscito que a Dilma enfiou pela goela abaixo do Congresso e da Oposição.

A liderança do PT entregou o pepino ao presidente da Casa, Henrique Alves, que dizia que o plebiscito não ia pra frente.

Basta que duas Comissões – Finanças e de Constituição – aprovem para que a questão vá ao plenário.

Aí, desde que estejam presentes pelo menos 257 deputados, a maioria simples aprova.

Ou seja, o mais difícil foi conseguido: as 188 assinaturas.

O plebiscito saiu empurrado na marra, contra o PiG e seus tentáculos.

O Superior Tribunal Eleitoral diz que não pode fazer plebiscito em 2013, por causa do principio da anualidade.

Muito simples.

Por que não fazer o plebiscito no começo de 2014 ?

O TSE pode definir a data, assim que o plenário da Câmara aprovar.

A presidenta Dilma recebeu os líderes do PT que foram levar a boa notícia.

Ela ficou radiante.

Até porque, segundo um dos presentes, o plebiscito vai tratar de um tema que não constava da proposta inicial dela: a participação popular via internet.

Permitir que, pela internet, o povo submeta ao Congresso projetos de Lei.

Hoje, o Projeto de Lei de Iniciativa Popular, o PLIP – e já existe um, o PLIP contra o PLIM, que que pretende escrever a Ley de Medios – exige um milhão de assinaturas.

Além do projeto via internet, o plebiscito vai tratar de:

– formas de financiamento da campanha;

– e coincidência de todas as eleições numa mesma data – de vereador a Presidente da República.


Essa última proposta foi uma concessão do PT ao PSB de Eduardo Campriles, que,  irremediavelmente, se tornou o Viagra dos tucanos.

Para respeitar a “base aliada”, o PT concordou em submeter essa proposta ao plebiscito.

Mas, não gosta da ideia.

O problema é que, embora, cada vez mais, o PSB se alie aos tucanos, formalmente, ainda é da “base”.

(Quando é que o Eduardo vai devolver os cargos no Governo Federal ?)

Durante a negociação, o PT pretende reforçar a proposta – difícil – de financiamento público exclusivo das campanhas.

Com certeza, porém, deve ser proibido – ou limitado de forma severa – o financiamento de empresas.

O líder do PT na Câmara, José Guimarães, deve se encontrar nos próximos dias com a liderança da CNBB, Confederação Nacional dos Bispos, e com a Ministra Carmen Lucia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, para pedir apoio à ideia do plebiscito no inicio de 2014.

O amigo navegante se lembra de a Presidenta Dilma Rousseff ter proposto, no auge das manifestações de junho, uma Constituinte exclusiva, convocada e ratificada por plebiscito e referendo.

A Constituinte Exclusiva foi torpedeada pelo PMDB.

Então, ela insistiu no plebiscito.

Era uma forma de responder às manifestações – clique aqui para ler sobre como o Caixa Dois faz e acontece no Brasil, “Quem é o Senhor X que gravou a compra da reeleição do FHC” – e, rapidamente, aperfeiçoar o sistema eleitoral.

O plebiscito foi tratado com desdém e descrença pelos colonistas (*) merválicos do PiG (**).

Deram-se mal.


O plebiscito bate à porta.


Paulo Henrique Amorim

 


(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.


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Contraponto 12.097 - “A medicina perdeu a aura de profissão exclusivamente dedicada a minorar o sofrimento"


01/09/2013

 

Saúde

“A medicina perdeu a aura de profissão exclusivamente dedicada a minorar o sofrimento”

 

Da Carta Capital - 01/09/213

Para o ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão, formação médica excessivamente voltada à especialização leva ao desinteresse dos jovens brasileiros pelo Mais Médicos
por Miguel Martins — publicado 01/09/2013 08:12, última modificação 01/09/2013 09:19
Agência Brasil
 
José Gomes Temporão 
O ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão
Ex-ministro da Saúde do governo Lula e atual diretor-executivo do Isags, braço de saúde da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), José Gomes Temporão afirma que o desinteresse dos profissionais brasileiros em participar do programa Mais Médicos deve-se a uma formação médica excessivamente centrada na especialização, afastando os jovens de uma ação voltada ao atendimento familiar e preventivo. Sanitarista de formação, Temporão não antevê problemas de adaptação aos 400 médicos cubanos que desembarcaram no Brasil no último fim de semana. Quanto às possíveis barreiras na legislação trabalhista brasileira à vinda dos profissionais, o ex-ministro argumenta que não há “vínculo laboral”, mas apenas um acordo de cooperação trilateral entre o Brasil, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e Cuba. Confira, abaixo, a íntegra da entrevista a CartaCapital.

CartaCapital: Por que houve tão pouco interesse dos médicos brasileiros na convocação do Mais Médicos? O senhor considera que haja um desinteresse por medicina familiar e preventiva entre os profissionais formados no Brasil?

José Gomes Temporão: São múltiplos os aspectos envolvidos. Em primeiro lugar o clima criado, no momento em que as entidades médicas desencadearam uma guerra santa contra o projeto do governo. Mas esse não me parece o fator central. Há muito a medicina perdeu aquela aura de profissão nobre e única e exclusivamente dedicada a minorar o sofrimento humano. Transformou-se em um florescente negócio que envolve gigantescos recursos financeiros em todo o mundo. Embora importante, o médico é uma peça nessa engrenagem. Existe toda uma cultura do cuidado voltada para a sofisticação tecnológica, nem sempre adequada ou necessária, o que acaba colocando barreiras ao que se considera como exercício profissional seguro ou em condições adequadas. Ao lado do fato de que médicos, arquitetos, advogados etc. optam por trabalhar e viver onde possam ter segurança, conforto e perspectivas de longo prazo na carreira. Por fim a formação médica fortemente centrada na especialização precoce e na fragmentação da atenção entre subespecialidades afasta os jovens médicos de uma ação mais holística e centrada na atenção primária e na prevenção. De todo modo, deve ficar claro que o Mais Médicos é uma proposta parcial, focal e que, por si só, não tem potencial para mudanças substantivas no sistema de saúde.

CC: Como o senhor avalia a educação e a prática médicas em Cuba? Acha que os médicos cubanos conseguirão se adaptar e fazer um bom trabalho?

JGT: Cuba tem uma saúde pública de bom padrão com indicadores de fazer inveja a muito países desenvolvidos. Eles possuem décadas de experiência em trabalhos deste tipo em países da África e América Latina. Não antevejo nenhum problema de adaptação à realidade dos municípios onde vão atuar.

CC: Muitas críticas tem sido feitas à forma de contratação dos cubanos. As bolsas no valor de 10 mil reais serão repassadas ao governo cubano e os médicos devem receber entre 2,5 mil a 4 mil reais. Em entrevista recente à CartaCapital, o senhor levantou o problema do tipo de vínculo que será estabelecido com os profissionais, se será apenas uma bolsa ou um plano de carreira na saúde pública, com perspectiva de longo prazo. Em relação a vinda dos cubanos, como o senhor vê essa questão trabalhista?

JGT: Na realidade, a vinda dos médicos cubanos não se caracteriza pelo estabelecimento de um vínculo laboral entre esses profissionais com o governo brasileiro. É um acordo de cooperação trilateral entre o Brasil, as Nações Unidas (OPAS) e Cuba, de caráter claramente provisório e com o claro objetivo de, em caráter emergencial, levar serviços médicos essenciais a quem hoje não dispõe deles. Claro que podem surgir outras implicações neste tipo de relação que inclusive estão sendo analisadas pelos órgãos de controle e da Justiça do Trabalho.

CC: No lugar do Revalida, os médicos estrangeiros serão avaliados por professores de instituições públicas e aqueles considerados aptos receberão um registro profissional provisório. Um dos argumentos a favor da mudança é o de que o Revalida tem índices de reprovação altíssimos entre os médicos estrangeiros. Como o senhor vê essa nova forma de avaliação?

JGT: É perceptível um evidente preconceito em relação aos médicos estrangeiros e sua capacidade técnico-científica. Claro que a proposta correta seria a de submeter todos esses profissionais ao Revalida. O argumento de que o Revalida reprova muito e por isso não pode ser utilizado me parece falacioso. Seu conteúdo deveria expressar o grau de conhecimento necessário para aquele profissional exercer determinada função no sistema de saúde. A opção do governo pela concessão de um registro provisório com vigência apenas durante o período de 3 anos e atuação exclusiva na atenção primária, tem a ver com o fato de que não se poderia restringir legalmente, do ponto de vista do exercício da profissão, a atuação no setor público ou privado e em qualquer local do território nacional, aos aprovados no Revalida. Se o revalida fosse exigido para todos os estrangeiros, os que fossem aprovados poderiam exercer a medicina em qualquer local e especialidade, tanto no setor público como no privado. Isso vai contra a estratégia do governo de restringir os locais de exercício apenas aqueles municípios definidos, apenas na atenção básica e apenas no setor público.

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Contraponto 12.096 - "A Globo, afinal, cospe no golpe em que comeu e engordou"


31/08/2013

 

A Globo, afinal, cospe no golpe em que comeu e engordou

 

Do Tijolaço31/08/2013

globogolpe1

Por Fernando Brito

 
O Globo divulgou neste sábado à tarde um comunicado, em que reconhece que seu apoio ao Golpe de 64 foi um erro.

“Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura.
Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.”

Não foi um erro, não.

Foi um crime, e deste crime as Organizações Globo beneficiaram-se lautamente, ao ponto de fazer com que a fortuna dos três herdeiros do capo Roberto Marinho constitua-se na maior do Brasil e uma das maiores do mundo.

Nenhum militar dos que tenham feito e servido à ditadura tem sequer um milésimo do que o regime deu aos Marinho.

Portanto, comecemos assim, chamando as coisas pelo que elas são. Não erro, não “equívoco”.
Crime. Contra a democracia, contra o voto popular, contra a vida de milhares de cidadãos mortos pela ditadura que a Globo ajudou a fazer e a sustentar, e ganhando muito, muito, muitíssimo dinheiro com isso.
Esse dinheiro, certamente, a Globo não considera um “erro”, pois não?

Pois seu império nasceu ali, junto com a ditadura, com um negócio ilegal que o regime ditatorial tolerou e acobertou: a associação com o grupo Time e as fartas verbas que os EUA destinavam a evitar o “perigo comunista”, colocando a nascente e poderosa mídia, a televisão, nas mãos amigas de “gente confiável”.

A Globo usou esse poder. Em condições ilegais perante o Código Brasileiro de Telecomunicações que proibia a concentração de emissoras em todo o país nas mãos de um só grupo empresarial, comprou televisões em todo o Brasil, dissimulando-as na condição de “afiliadas”, quando são verdadeiras sucursais do grupo, presas inteiramente a seu comando e estratégia de negócios.

Para isso, lambeu as botas da ditadura e serviu-lhe de instrumento despudorado de propaganda.
O que seu editorial de hoje diz, ao procurar desvincular-se do horror da tortura e da morte, ao falar de como Roberto Marinho protegia “seus comunistas” é de uma indignidade sem par. Ou vamos entender que aquele que não era seu empregado poderia bem morrer sob seu silêncio, ou vamos entender que aqueles profissionais, que trabalhavam e contribuíam para o sucesso da empresa, merecem ser exibidos como “gatinhos de estimação”, gordos e protegidos, e “livres da carrocinha” que laçava outros pelas ruas deste país.

A Globo nunca teve vergonha de, nas palavras de seu Füher, “usar o poder” de que dispunha em benefìcio dos políticos e governantes de sua predileção, durante e depois do período militar.

Patrocinou a Proconsult contra Brizola. Manipulou o debate de 89 em favor de Collor e contra Lula. Apoiou desavergonhadamente a eleição de Fernando Henrique Cardoso, encobrindo-lhe a escapada conjugal desastrada, somando-se à manipulação eleitoral da nova moeda, promovendo a dilapidação das empresas pertencentes ao povo brasileiro,  apoiando e dando legitimidade à vergonhosa corrupção que envolveu a aprovação da proposta de reeleição em causa própria.

Quem quiser provas disso, leia O Príncipe da Privataria, que chegou este final de semana às livrarias.
A autocrítica, que nos homens de bem é uma virtude e um momento a ser louvado, na Globo é apenas o que ela é: interesse em dinheiro transformado em sabujice.

Percebeu que o projeto Lula-Dilma não pode ser derrotado, malgrado todas as suas tentativas, e lança estes “mea culpa” fajutos para se habilitar – ainda mais, ainda mais! – aos dinheiros públicos do Governo, vício incorrigível de seu ventre dilatado e enxundioso.

Tudo na Globo é falso, como tive a honra de escrever há quase 20 anos para Leonel Brizola em seu famoso “direito de resposta” à Globo.

Nem o coro que diz que “voltou às ruas” – ele nunca saiu! – não é esse: é “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.

Porque o povo, que não é bobo, pode perdoar aqueles que erraram e mudaram sinceramente de atitude ao perceber seu erro.

A Globo, não.

Comeu cada côdea do rico pão que o regime lhe deu e só mudou de lado quando as ruas, inundadas pelas “Diretas-Já” tornaram o regime uma sombra em ruínas.

Seus jovens executivos, que planejaram este ato de contrição fajuto, com todos as suas melosidades e senões, são apenas pequenos maquiadores deste monstro que acanalhou a vida brasileira e que vai ter um fim mais rápido e ruidoso do que muitos imaginam.

Porque o povo não é bobo, sabe que a Globo é um cancro que precisa ser extirpado da vida brasileira.

E é por isso que grita o que a Globo não pode confessar:

Abaixo a Rede Globo!

PS. reproduzo, enojado, o texto editorial de O Globo.

Apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro

  • A consciência não é de hoje, vem de discussões internas de anos, em que as Organizações Globo concluíram que, à luz da História, o apoio se constituiu um equívoco
RIO – Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura.
Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.
Não lamentamos que essa publicação não tenha vindo antes da onda de manifestações, como teria sido possível. Porque as ruas nos deram ainda mais certeza de que a avaliação que se fazia internamente era correta e que o reconhecimento do erro, necessário.
Governos e instituições têm, de alguma forma, que responder ao clamor das ruas.
De nossa parte, é o que fazemos agora, reafirmando nosso incondicional e perene apego aos valores democráticos, ao reproduzir nesta página a íntegra do texto sobre o tema que está no Memória, a partir de hoje no ar:

1964

“Diante de qualquer reportagem ou editorial que lhes desagrade, é frequente que aqueles que se sintam contrariados lembrem que O GLOBO apoiou editorialmente o golpe militar de 1964.
A lembrança é sempre um incômodo para o jornal, mas não há como refutá-la. É História. O GLOBO, de fato, à época, concordou com a intervenção dos militares, ao lado de outros grandes jornais, como “O Estado de S.Paulo”, “Folha de S. Paulo”, “Jornal do Brasil” e o “Correio da Manhã”, para citar apenas alguns. Fez o mesmo parcela importante da população, um apoio expresso em manifestações e passeatas organizadas em Rio, São Paulo e outras capitais.
Naqueles instantes, justificavam a intervenção dos militares pelo temor de um outro golpe, a ser desfechado pelo presidente João Goulart, com amplo apoio de sindicatos — Jango era criticado por tentar instalar uma “república sindical” — e de alguns segmentos das Forças Armadas.
Na noite de 31 de março de 1964, por sinal, O GLOBO foi invadido por fuzileiros navais comandados pelo Almirante Cândido Aragão, do “dispositivo militar” de Jango, como se dizia na época. O jornal não pôde circular em 1º de abril. Sairia no dia seguinte, 2, quinta-feira, com o editorial impedido de ser impresso pelo almirante, “A decisão da Pátria”. Na primeira página, um novo editorial: “Ressurge a Democracia”.
A divisão ideológica do mundo na Guerra Fria, entre Leste e Oeste, comunistas e capitalistas, se reproduzia, em maior ou menor medida, em cada país. No Brasil, ela era aguçada e aprofundada pela radicalização de João Goulart, iniciada tão logo conseguiu, em janeiro de 1963, por meio de plebiscito, revogar o parlamentarismo, a saída negociada para que ele, vice, pudesse assumir na renúncia do presidente Jânio Quadros. Obteve, então, os poderes plenos do presidencialismo. Transferir parcela substancial do poder do Executivo ao Congresso havia sido condição exigida pelos militares para a posse de Jango, um dos herdeiros do trabalhismo varguista. Naquele tempo, votava-se no vice-presidente separadamente. Daí o resultado de uma combinação ideológica contraditória e fonte permanente de tensões: o presidente da UDN e o vice do PTB. A renúncia de Jânio acendeu o rastilho da crise institucional.
A situação política da época se radicalizou, principalmente quando Jango e os militares mais próximos a ele ameaçavam atropelar Congresso e Justiça para fazer reformas de “base” “na lei ou na marra”. Os quartéis ficaram intoxicados com a luta política, à esquerda e à direita. Veio, então, o movimento dos sargentos, liderado por marinheiros — Cabo Ancelmo à frente —, a hierarquia militar começou a ser quebrada e o oficialato reagiu.
Naquele contexto, o golpe, chamado de “Revolução”, termo adotado pelo GLOBO durante muito tempo, era visto pelo jornal como a única alternativa para manter no Brasil uma democracia. Os militares prometiam uma intervenção passageira, cirúrgica. Na justificativa das Forças Armadas para a sua intervenção, ultrapassado o perigo de um golpe à esquerda, o poder voltaria aos civis. Tanto que, como prometido, foram mantidas, num primeiro momento, as eleições presidenciais de 1966.
O desenrolar da “revolução” é conhecido. Não houve as eleições. Os militares ficaram no poder 21 anos, até saírem em 1985, com a posse de José Sarney, vice do presidente Tancredo Neves, eleito ainda pelo voto indireto, falecido antes de receber a faixa.
No ano em que o movimento dos militares completou duas décadas, em 1984, Roberto Marinho publicou editorial assinado na primeira página. Trata-se de um documento revelador. Nele, ressaltava a atitude de Geisel, em 13 de outubro de 1978, que extinguiu todos os atos institucionais, o principal deles o AI5, restabeleceu o habeas corpus e a independência da magistratura e revogou o Decreto-Lei 477, base das intervenções do regime no meio universitário.
Destacava também os avanços econômicos obtidos naqueles vinte anos, mas, ao justificar sua adesão aos militares em 1964, deixava clara a sua crença de que a intervenção fora imprescindível para a manutenção da democracia e, depois, para conter a irrupção da guerrilha urbana. E, ainda, revelava que a relação de apoio editorial ao regime, embora duradoura, não fora todo o tempo tranquila. Nas palavras dele: “Temos permanecido fiéis aos seus objetivos [da revolução], embora conflitando em várias oportunidades com aqueles que pretenderam assumir a autoria do processo revolucionário, esquecendo-se de que os acontecimentos se iniciaram, como reconheceu o marechal Costa e Silva, ‘por exigência inelutável do povo brasileiro’. Sem povo, não haveria revolução, mas apenas um ‘pronunciamento’ ou ‘golpe’, com o qual não estaríamos solidários.”
Não eram palavras vazias. Em todas as encruzilhadas institucionais por que passou o país no período em que esteve à frente do jornal, Roberto Marinho sempre esteve ao lado da legalidade. Cobrou de Getúlio uma constituinte que institucionalizasse a Revolução de 30, foi contra o Estado Novo, apoiou com vigor a Constituição de 1946 e defendeu a posse de Juscelino Kubistchek em 1955, quando esta fora questionada por setores civis e militares.
Durante a ditadura de 1964, sempre se posicionou com firmeza contra a perseguição a jornalistas de esquerda: como é notório, fez questão de abrigar muitos deles na redação do GLOBO. São muitos e conhecidos os depoimentos que dão conta de que ele fazia questão de acompanhar funcionários de O GLOBO chamados a depor: acompanhava-os pessoalmente para evitar que desaparecessem. Instado algumas vezes a dar a lista dos “comunistas” que trabalhavam no jornal, sempre se negou, de maneira desafiadora.
Ficou famosa a sua frase ao general Juracy Magalhães, ministro da Justiça do presidente Castello Branco: “Cuide de seus comunistas, que eu cuido dos meus”. Nos vinte anos durante os quais a ditadura perdurou, O GLOBO, nos períodos agudos de crise, mesmo sem retirar o apoio aos militares, sempre cobrou deles o restabelecimento, no menor prazo possível, da normalidade democrática.
Contextos históricos são necessários na análise do posicionamento de pessoas e instituições, mais ainda em rupturas institucionais. A História não é apenas uma descrição de fatos, que se sucedem uns aos outros. Ela é o mais poderoso instrumento de que o homem dispõe para seguir com segurança rumo ao futuro: aprende-se com os erros cometidos e se enriquece ao reconhecê-los.
Os homens e as instituições que viveram 1964 são, há muito, História, e devem ser entendidos nessa perspectiva. O GLOBO não tem dúvidas de que o apoio a 1964 pareceu aos que dirigiam o jornal e viveram aquele momento a atitude certa, visando ao bem do país.
À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma.”
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Contraponto 12.095 - "Por que a direita odeia tanto Zé Dirceu?"

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01/09/2013

 

Por que a direita odeia tanto Zé Dirceu? 31 de agosto de 2013


Do Diário do Centro do Mundo - 31/08/2013

 Provavelmente porque ela não conseguiu seduzi-lo como fez com tanta gente.

Dirceu
Dirceu

Paulo Nogueira 

Por que Zé Dirceu é tão odiado pela direita?

Ele é ainda mais odiado que Lula, o que não é pouco.

Tenho minha tese.

De Lula era esperado, mesmo, que estivesse do lado oposto ao da direita. Operário, nordestino, nove dedos, pouca oportunidade de estudar.

Seria uma aberração Lula se alinhar ao 1%, para usar a grande terminologia do movimento Ocupe Wall Street.

Mas Dirceu não.

Ele tinha todos os atributos para figurar no 1% que fez o país ser o que é, um dos campeões mundiais de iniquidade, a terra das poucas mansões e das tantas favelas.
Articulado, inteligente, dado a leituras. Bem apessoado. Na ótica do 1%, pessoas como Zé Dirceu são catalogadas como traidoras, e devem ser punidas exemplarmente para que outras do mesmo gênero, ou se preferirem da mesma classe, não sigam seu exemplo.

Na França revolucionária, a aristocracia entendia que os Marats, os Desmoullins, os Héberts  pregassem a morte do velho regime, mas jamais conseguiu compreender o que levou o Duque de Orleans a também lutar pela liberdade, pela igualdade e pela fraternidade.
O 1% brasileiro, na história recente, soube sempre atrair equivalentes a Dirceu. Carlos Lacerda, por exemplo, era de esquerda na juventude.

Depois, se tornou um direitista fanático. Segundo relatos de quem o conheceu, ele se cansou da vida dura reservada aos esquerdistas em seus dias e foi para onde o dinheiro estava.

O 1% recompensa bem. Nos dias de hoje, se você defende os privilégios, acaba falando na CBN, aparecendo em entrevistas na Globonews, tendo coluna em jornais e revistas, dando palestras muito bem pagas. E, com a carteira abastecida, ainda pode posar de ‘corajoso’ defensor da ‘imprensa livre’.

Dirceu não fez a trajetória de Lacerda. Não abjurou suas crenças.

E então virou o demônio.

Quem o demonizou foram exatamente aqueles que o adulariam se ele se vendesse. A imagem que a mídia construiu de Zé Dirceu concentrou num único homem todos os defeitos possíveis: vaidoso, arrogante, corrupto, inescrupuloso, maquiavélico.
Um monstro, enfim.

Pegou essa imagem? Menos do que o 1% gostaria, provavelmente. Quem não se lembra de Serra, num debate com Haddad, repetidas vezes tentar encurralar seu oponente com a acusação de que era “amigo do Dirceu”?

Haddad reconheceu tranquilamente a amizade, e quem terminou eleito não foi Serra.
Na mídia tradicional, a campanha contra Dirceu desconhece limites jornalísticos e, pior que isso, legais.

Um repórter tenta invadir criminosamente o quarto do hotel que ele ocupa, e ainda assim é Dirceu que aparece como o vilão do caso.

Quem conhece o Dirceu real, com seus defeitos e virtudes, grandezas e misérias, são aqueles poucos de seu círculo íntimo. Para eles não faz efeito o noticiário que o sataniza. (Caso interesse a alguém, nunca votei em Dirceu e não o conheço pessoalmente.)

De resto, esse noticiário – ou propaganda – não é feito para eles, mas para os chamados ‘inocentes úteis’, aqueles que em outras épocas acreditaram no “Mar de Lama” de Getúlio Vargas ou no “perigo comunista” representado por João Goulart.

É a imagem demoníaca de Dirceu construída pela mídia que, nestes dias, é utilizada pela maioria dos juízes do Supremo no julgamento do Mensalão.

Não chega a ser surpresa. A justiça brasileira tradicionalmente foi uma extensão do 1%.
Estudiosos já notaram a diferença da atuação da justiça no Brasil e na Argentina na época das duas ditaduras militares.

No Brasil, a justiça foi servil aos militares. Na Argentina, a justiça desafiou frequentemente os militares ao declarar inocentes muitos acusados de “subversivos”.
Isso acabou levando os militares argentinos a simplesmente matar milhares de opositores sem que fossem julgados.

Fundamentalmente, Dirceu paga o preço de sua opção teimosa pelo 99%.

Mas quem vai julgá-lo perante a história não é o 1%, representado por uma mídia que defende seus próprios privilégios e finge se bater pelo interesse público. E nem uma corte em cuja história a tradição é o alinhamento alegremente pomposo com o 1%.

Ele deve saber disso, e imagino que isso o conforte em horas duras como esta.