segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Contraponto 12.110 - "Julie Feinsilver estudou a diplomacia médica cubana: mortalidade infantil caiu 50%; FBI vigiou socióloga"

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02/09/2013 

 

Julie Feinsilver estudou a diplomacia médica cubana: mortalidade infantil caiu 50%; FBI vigiou socióloga



Do Viomundo - publicado em 1 de setembro de 2013 às 16:57



 
por Heloisa Villela, de Nova York, especial para o Viomundo

Corporativismo e falta de conhecimento a respeito do sistema de saúde cubano são apenas alguns dos motivos para a reação de alguns médicos brasileiros à chegada dos colegas de Cuba, na visão da socióloga norte-americana Julie Feinsilver, estudiosa da diplomacia médica cubana.

Ela é produto daquelas coisas bem paradoxais dos Estados Unidos. O país que ainda mantém o embargo a Cuba, tantas vezes tentou matar Fidel Castro e minar a revolução também produziu uma estudiosa dedicada a acompanhar a revolução da saúde em Cuba e a diplomacia médica que transformou a pequena ilha em uma potência sem comparação no planeta.

Julie lançou, em 1993, o livro Healing the Masses (poderia ser traduzido para “Curando as Massas”) e mandou uma cópia para a então primeira dama Hillary Clinton que estava, naquele momento, encarregada de propor um novo modelo para o sistema de saúde dos Estados Unidos. Quem sabe Cuba poderia ensinar algo ao inimigo do norte?

Claro que a socióloga nunca ouviu qualquer comentário da Casa Branca. Mas hoje o livro e os artigos de Julie Feinsilver são referência para quem quer estudar o assunto e até a Casa Branca deu sinal de vida.

Julie já viu algumas citações de representantes do governo Obama pescadas do trabalho dela e até recebeu telefonemas de gente que trabalha no atual governo.

Hoje ela conta, entre uma risada e outra, que o presidente Barack Obama foi procurado por vários líderes da América Central e da América do Sul durante a Cúpula das Américas, em 2009, com pedidos para que suspendesse o embargo a Cuba. Muitos citaram a diplomacia médica cubana como exemplo. Obama teria dito (imaginem!) que os Estados Unidos poderiam aprender algo com o que Cuba vem fazendo.

Se hoje acha graça das reações a seu trabalho, Julie Feinsilver também lembra que a pesquisa teve momentos bastante difíceis.

Ela foi vigiada pelo FBI e pela CIA, teve o telefone obviamente grampeado e mais de uma vez entrou em casa e percebeu uma coisa ou outra fora do lugar.

Teve medo, sim, mas nunca largou o assunto pelo qual se interessou quando ainda era estudante. Antes de entrar na faculdade, Julie partiu para uma viagem de mochila nas costas, que começou pela América Latina.

Conheceu vários países, navegou rios da Amazônia e ficou muito impressionada com as desigualdades dentro dos países e entre eles. Ela terminou a viagem em Praga onde, por acaso, comprou “A história me absolverá”, de Fidel Castro.

Foi quando decidiu que a experiência de Cuba era algo interessante, que merecia ser estudado, principalmente levando em conta a realidade que acabara de conhecer.

Dados que ela cita sobre o trabalho médico dos cubanos: 153 milhões de consultas em todo o mundo, sendo 47 milhões em visitas caseiras; 3,5 milhões de cirurgias, sendo 1,6 milhão oftalmológicas; 1 milhão de partos e 1 milhão de doses de vacinas aplicadas. Cerca de 30 mil estudantes recebendo treinamento em seus próprios países. Desde 1961, os cubanos trabalharam em 103 países, seja em serviços médicos duradouros ou por causa de desastres.

Julie Feinsilver conhece bem o Brasil, foi consultora da Fiocruz e está acompanhando o bate-boca em torno do programa Mais Médicos.


De Washington, onde mora, ela conversou conosco.

Viomundo – Essa reação aos médicos cubanos também aconteceu em outros países?
JF – Sim, mas não na proporção do que aconteceu no Brasil. No Brasil o protesto foi mais sério, mais organizado e elevado a outro nível.

Viomundo – Por que essa reação toda?

JF – Não sei, mas talvez as organizações médicas sejam mais fortes do que em outros países, ligadas a partidos poderosos. Talvez o número de médicos seja maior. Também acho que pode haver uma confusão no Brasil por causa dos protestos que já estavam acontecendo, com relação aos gastos em estádios de futebol e preparativos para eventos esportivos no lugar de investimentos em saúde, educação e comida. Transporte, moradia e empregos.
Talvez haja uma confusão entre os assuntos. Mas a primeira coisa que eles pensam é: “Esse cara veio roubar o meu emprego”.  Não é o caso. Até onde eu entendi, poucos médicos brasileiros se inscreveram no programa e como na maioria dos países, profissionais altamente preparados não querem trabalhar em áreas remotas, em favelas. Nos EUA é a mesma coisa. Você não encontra muitos médicos trabalhando em áreas remotas.

Viomundo – Os médicos cubanos ajudam nessas situações?

JF – Tremendamente porque vão lá e trabalham nas áreas onde os médicos locais não vão. Desde 1961, mais de 135 mil profissionais de saúde cubanos trabalharam em 107 países e nas áreas onde trabalharam, em geral reduziram a taxa de mortalidade infantil pela metade. De acordo com as estatísticas deles, salvaram mais de quatro milhões de vidas.
Levaram atendimento básico a áreas onde as pessoas não tinham médico algum. E isso faz uma diferença enorme. O foco deles é bem diferente do foco dos médicos treinados no Brasil e em quase todos os países. Eles focam na medicina preventiva. Na promoção da saúde e na prevenção de doenças. E inclui o que chamam de aspectos bio-psicológico-sociais e de meio ambiente.
Eles olham para a pessoa em todas as suas dimensões e não apenas para um fígado, uma gripe, ou malária…
Eles vão para a comunidade e fazem uma pesquisa epidemiológica. Analisam a situação, os fatores de risco do indivíduo e da comunidade. Ao invés de adotar um ponto de vista da oferta, eles adotam o ponto de vista da demanda. Olham para os problemas da comunidade e tentam resolvê-los, mas também tentam evitar o desenvolvimento de doenças.

Viomundo – Em geral, eles trabalham nos países por um período de dois anos e depois vão embora ou ficam por mais tempo?

JF – Em geral eles vão por dois ou três anos, às vezes renovam o programa para mais uma rodada. Mas em geral são dois anos e vão embora, apesar de alguns ficarem… extra-oficialmente.

[O vídeo acima diz respeito ao programa do Departamento de Estado dos Estados Unidos que tenta convencer médicos cubanos que trabalham fora da ilha a desertar  -- denúncia do Jair de Souza, no Viomundo]

Viomundo – E o que acontece com essa população que não tinha atendimento, volta a ficar desassistida?

JF – Esses acordos são bilaterais, entre governos. E o governo se compromete a melhorar a saúde da população, mas muitos países não tem um número suficiente de médicos e tem que contratar de fora. O compromisso é do governo e ele decide se vai continuar prestando o serviço ou não. Os cubanos também tem um programa de treinamento de profissionais de saúde locais. E mudaram de estratégia. Antes eles ofereciam bolsas de estudo para esses alunos estudarem em Cuba. E formaram mais de 28 mil médicos de outros países desde que começaram o programa, em 1961.
Mas agora estão treinando 50 mil médicos de outra forma. Criaram um modelo tutorial para os médicos cubanos que vão nessas missões internacionais poderem dar aulas. Tornam-se tutores de três ou quatro estudantes locais de medicina. Esses alunos acompanham os médicos e no começo, claro, apenas observam. Depois pesam bebês, medem pressão, não fazem nada muito sério. Mas aprendem técnicas clínicas e epidemiológicas, ao mesmo tempo em que tem aulas e instruções via internet.
É um tipo de treinamento no trabalho com algo mais. E esse, em geral, é o plano quando Cuba envia médicos: treinar alunos locais. Sempre alguém da comunidade mesmo, que vá trabalhar ali e que vai ficar ali porque não está acostumado com outro tipo de vida.

Viomundo – Como nasceu esse sistema de saúde cubano? Muita gente diz que foi inspiração do Che Guevara…

JF – O Che Guevara, que era médico, realmente se preocupou muito com a medicina e com a saúde durante a revolução. Ele teve influência. Mas Fidel Castro, desde cedo, foi um médico frustrado e admitiu isso em biografias. Eu o vi, pessoalmente, em conferências médicas, em Cuba, passar horas questionando os palestrantes. Ele conhece os detalhes. Todo mundo que o conhece e trabalha com ele diz que ele tem uma preocupação constante com a saúde.
Quando a revolução triunfou e os guerrilheiros entraram em Havana, Fidel foi fazer um grande discurso e uma pomba branca pousou no ombro dele. A pomba branca é um símbolo, na santeria afro-cubana, do Obatalá, o deus da saúde e da educação. Você pode olhar as fotos da época. Em 1978 o Fidel disse que faria de Cuba um poder médico mundial e via nisso uma competição moral com os Estados Unidos.

Viomundo – Quem venceu essa competição?

JF – Acho que foi Cuba!

Viomundo – O que é incrível para um lugar tão pequeno com tão poucos recursos…

JF – É extraordinário. Eles têm pouquíssimos recursos materiais, mas têm recursos humanos. E desde cedo Fidel percebeu a importância de investir em saúde, educação e ciência. Em 61, se não me engano, ele disse: “Nós vamos criar cientistas, não somos uma porção de indígenas de fraque”.

Viomundo – Eles perderam muitos médicos no começo da revolução?

JF – Perderam metade. Tinham pouco mais de seis mil médicos e perderam 3 mil imediatamente. Por isso tiveram que mudar o modelo de medicina que era praticado. Como em quase todos os países do mundo, existia uma má distribuição dos profissionais de saúde e das instalações, com grande concentração nas áreas urbanas. Inicialmente, se concentraram na zona rural e enviaram médicos para o interior.

Viomundo – Por que tiveram tanto sucesso? Por conta do planejamento centralizado? Por que não existe a necessidade do lucro então podem conduzir a medicina de outra forma? Por que existia um empenho pessoal?

JF – Acho que é uma combinação de tudo isso. Houve uma mística revolucionária entre os médicos. A experiência que as pessoas tiveram em Sierra Maestra, trabalhando durante a revolução, vendo pessoas morrendo de fome, com todo tipo de doença, resultado das condições em que viviam ou da falta de assistência médica, influenciou. Mas uma vez que o estado é o dono dos meios de produção, da educação e dos empregos ficou tudo muito mais fácil. Mas inicialmente, eram voluntários que se deslocavam porque havia esse idealismo, esse entusiasmo em corrigir os erros do passado. De melhorar a vida das pessoas na zona rural.

Viomundo – E as brigadas internacionais, você  sabe como selecionam quem vai viajar?

JF – Não sei os detalhes, mas existe uma seleção. As pessoas são voluntárias e eles selecionam, checam a experiência e as necessidades da missão. Mas analisam com cuidado os candidatos. Sabem quem trabalha aonde e quais são as qualificações dos candidatos. Muitos querem ir porque ganham bem mais e podem levar para casa produtos que não podem comprar lá [em Cuba]. Muita gente tenta entrar na lista e não consegue. Mas precisam de um grande número de candidatos.

Viomundo – Como a Venezuela resolveu o problema da revolta dos médicos locais?

JF – O governo foi adiante e passou por cima dos médicos. Mas hoje vários médicos 
venezuelanos estão trabalhando com os cubanos no programa Barrio Adentro. Os cubanos foram trabalhar em áreas onde ninguém queria trabalhar. Algumas muito perigosas. 68 médicos cubanos já foram mortos. Não foi por problemas políticos, mas por causa da violência mesmo.

Viomundo – Você disse, em um artigo, que a presença dos médicos cubanos em alguns países está promovendo mudanças nas relações entre médicos e pacientes, na forma de pensar a medicina. Poderia explicar melhor?

JF – Os médicos cubanos, quando criam um programa (não sei se será assim no Brasil porque já tem o SUS), eles trabalham em pequenas clínicas e vivem na comunidade. Estão sempre disponíveis. Visitam pacientes em casa, nas escolas, no trabalho. Isso muda a natureza da relação médico-paciente.
Os médicos cubanos não são da elite. Tratam os pacientes mais de igual para igual, sem a hierarquia que você encontra na maior parte do mundo. Eu saí com eles, acompanhei o trabalho. Eles não ficam sentados dentro da clínica. Vão visitar as pessoas e quando fazem isso, estão analisando os fatores de risco, as condições do local para tentar identificar quais podem ser as ameaças à saúde para propor trabalhos conjuntos com outras agências. Distribuição de água, ou algo assim.
E quando circulam na comunidade, são abraçados e cumprimentados como velhos amigos. É uma relação próxima, familiar, o que é uma grande diferença. Isso muda a maneira como olhamos para o serviço de saúde. Os cubanos se destacaram no mundo com esse serviço básico de saúde. Mas ao mesmo tempo eles têm um serviço terciário muito avançado, e biotecnologia, desenvolvimento farmacêutico. Procedimentos cirúrgicos muito avançados também.
Mas quando os pacientes veem a medicina de outra forma, os políticos enxergam uma relação de custo benefício melhor porque a prevenção é sempre mais barata do que a cura, isso obriga a repensar. Como resultado, nos países em que os cubanos trabalharam ou ainda estão trabalhando, muitos decidiram adotar um programa de saúde mais abrangente baseado no modelo cubano.
Isso aconteceu em muitos países da África, da América Central. Foi feito no Haiti, com o apoio do Brasil, através da Organização Pan-Americana de Saúde. E claro, a Venezuela, onde foi feito em larga escala, e no Timor Leste.
Quando as pessoas veem esse modelo funcionando e os resultados, se convencem. Claro que você não vai mudar a estrutura da medicina no Rio, em São Paulo ou Brasília porque são sistemas muito grandes e complexos, com vários interesses poderosos em jogo. Mas para lidar com as necessidades primárias dos cidadãos que não tem nenhum acesso, é uma ótima saída.
Eu ouvi alguns médicos do Brasil dizendo: “Se não tem médico na cidade, os pacientes podem ir até a próxima cidade”. Por favor! Estão pensando apenas nos interesses corporativistas deles. Mas esses que estão reclamando são médicos especializados, que trabalham em hospitais. Se estão chateados assim, por que não vão ao Amapá trabalhar?
Mas lá não poderão ver o paciente por uma hora, no sistema público, e depois enviá-lo para sua clínica particular. Acho que existe uma certa confusão de assuntos e os médicos que estão reclamando não estão pensando com clareza. Fizeram o Juramento de Hipócrates realmente a sério ou estão apenas buscando seus benefícios próprios?

Viomundo – Você se sente uma voz isolada, nos Estados Unidos, neste assunto?

JF – Com certeza! Mas sei que não sou a única voz. Comecei a escrever sobre isso em 1989. Desde então, alguns alunos, que agora são professores, escreveram dissertações sobre o assunto. Usaram meu livro e meu primeiro artigo em seus próprios trabalhos. Mas não existe muita gente estudando e falando disso. É uma pena.
Quando o meu livro foi publicado em 1993 (“Healing the Masses”) mandei uma cópia para a Hillary Clinton porque ela estava encarregada de um projeto de reforma da saúde. Não sei se ela recebeu e ninguém nunca me contatou. Mas sei que algumas pessoas do governo atual usaram meu trabalho porque vi citações e alguns me contataram nos últimos anos.
Em 2009, durante a Cúpula das Américas, o presidente Barack Obama foi abordado por quase todos os líderes regionais pedindo que ele suspendesse o embargo a Cuba e um dos temas mais citados foi a diplomacia médica de Cuba nestes países. E o bem que fez. Ao saber de tudo isso, na época, o presidente Obama disse: “Podemos aprender muito com o que Cuba está fazendo”.

Viomundo – Por que você resolveu se dedicar a este estudo?

JF – Quando terminei a escola, antes de entrar na faculdade, fui viajar pela América do Sul.  Fiquei impressionada com a disparidade de renda dentro dos países e entre os países. Também fui à Europa e fui parar em Praga. Lá entrei em uma livraria e vi esse livro intitulado “A história me absolverá”, do Fidel Castro. Achei interessante. Não era muito consciente politicamente. Mas fiquei impressionada. A revolução cubana era uma experiência nova que tentava reduzir as disparidades entre ricos e pobres, centros urbanos e zona rural. Depois de tudo que eu tinha visto…
Viajei muito pelo Brasil, pela Amazônia cruzando estradas que não existiam na estação chuvosa, descendo rios em pequenos barcos, e vi muitas coisas em vários países e achei que a revolução cubana era algo que merecia ser estudado. E foquei na política de saúde.

Viomundo– Por ser norte-americana, você teve problemas para ir e voltar? Para entrar nos Estados Unidos novamente?

JF – Na verdade, não. Mas os vistos para Cuba muitas vezes chegavam com bastante atraso.

Viomundo – Então, com o governo norte-americano você nunca teve problemas?

JF – Não é bem assim… Em 1979, quando estava voltando de Houston para Nova York, dormi no carro que me levava do aeroporto para New Haven, em Connecticut. Um caminhão bateu no carro bem onde eu estava sentada, no meio da noite.
Fui levada para o hospital com o nariz quebrado. Fui liberada as quatro ou cinco da manhã. Me deram um remédio forte para dor e fui para meu dormitório na Universidade de Yale. Às 8 da manhã recebi uma chamada de um agente do FBI.
Ele pediu desculpas por me incomodar depois do acidente, mas disse que precisava me fazer umas perguntas. Ninguém sabia do acidente! Eu estava sozinha!  Tinha ido a Cuba uns meses antes. Disse que não podia falar e no dia seguinte procurei um advogado de direitos civis que defendeu um dos Panteras Negras [grupo que atuou em defesa dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos].
Ele mandou dar o número de telefone dele caso ligassem novamente. Decidimos entrar com um pedido, dentro da Lei da Liberdade de Informação e consegui a cópia do arquivo a meu respeito no FBI. Eles estavam me vigiando. Os relatórios estavam quase todos cobertos com tarjas pretas. Não pude ler quase nada além do meu nome e do meu endereço. Mas na lateral estava escrito: “Enviado para a CIA”.

Viomundo – Você ficou com medo?

JF – Claro! Eu chegava em casa e algumas vezes algumas coisas estavam um pouco fora do lugar nas minhas gavetas. A minha linha de telefone sempre tinha uns barulhos estranhos. Acho que eles queriam me assustar porque não precisavam deixar sinais. Fiquei um pouco paranoica por um tempo. Descobri que meu telefone estava mesmo grampeado com a ajuda de um amigo especialista nisso.

Viomundo– E no meio acadêmico, teve dificuldades?

JF – Uma vez, com a editora da Universidade Harvard. Mandei um manuscrito. Exigiram mudanças em umas comparações que fiz com os Estados Unidos. Era importante demais e me recusei. Então, não publicaram.

*****

Abaixo, em inglês (desculpem, não tivemos como traduzir) a participação de Julie Feinsilver em um seminário sobre saúde em Cuba. Com ela participa o canadense John Kirk, co-autor do livro Cuban Medical Internationalism: Origins, Evolution, and Goals. Foi no Centro para Estudos Estratégicos Internacionais, em Washington.


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Contrapponto 12.109 - "Terceiro trimestre 'desastroso' não é previsão econômica. É vontade, só "

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.02/09/2013

 

Terceiro trimestre “desastroso” não é previsão econômica. É vontade, só 


Do Tijolaço - 02/092013
 
tucanouro

Por: Fernando Brito
 

O colunista Paulo Moreira  Leite, da Istoé, comenta a reação dos “analistas de economia” ante o crescimento de 1,5% do PIB brasileiro no segundo trimestre do ano, que só ficou abaixo do chinês.

Ele se impressiona como o “muxoxo” da turma da catástrofe.

Nenhuma surpresa, Paulo.

Como você mesmo observa, este não é um jogo de lógica.

Não há nenhuma lógica em prever um terceiro trimestre desastroso.

Os mercados mundiais estão em aquecimento: China, EUA e Europa. O preço das principais commodities de exportação brasileiras, soja e minério de ferro, está em recuperação, depois de cair durante todo o segundo trimestre. A balança comercial inicia uma recuperação que alivia um pouco o déficit em transações correntes do país, que é um dos principais problemas que o câmbio subvalorizado nos trazia.

Também a evidenciação, por mais que a mídia o apregoasse, de que não há nenhum descontrole inflacionário vai ajudar a atividade econômica.

O jogo é outro, de expectativas.

Que, há tempos, apenas variam entre o caos e o desastre nos jornais brasileiros.
Quando Lula foi à TV no final de 2008, pedir que as pessoas confiassem na economia e seguissem transformando em consumo seus ganhos, jogou o jogo anticatastrofista e foi ridicularizado com a “marolinha”.

Não estamos diante de nenhum boom econômico, mas certamente estamos bem longe de um bum!


E o pibinho, hein?

 


Paulo Moreira Leite

Três dias depois da notícia, ainda estou chocado com a resposta de nossos analistas de economia diante da descoberta de que o PIB teve um crescimento espetacular no último trimestre, chegando a 1,5%. 

Se você somar os últimos 12 meses, chega-se a um índice total de 3%, o melhor desde a posse de Dilma. 

Este dado torna a previsão de 3% de crescimento anual de 2013 bastante realista. Claro que nada está assegurado nas apostaseconômicas nos dias atuais, quando o cenário externo é um horror e o ambiente interno exibe fissuras e sinais de desconfiança. 
Ainda assim, seria razoável imaginar que nossos analistas tivessem disposição para bater no peito e fazer autocrítica de forma clara e absoluta. Ninguém enxergou uma dinâmica que se movia na indústria, no comércio, nos serviços… 

Ninguém precisa chegar às humilhações da escola stalinista, onde se formaram tantos analistas convertidos ao conservadorismo na idade adulta, mas seria razoável admitir que seus termômetros perderam a confiabilidade.

 Nada disso. A reação padrão é apresentar uma serie de poréns, mases, todavias, contudos, para o futuro.

Um deles chegou a escrever, como se fosse uma professorinha de primário segurando a palmatoria, que “finalmente” a economia cresce.

Finalmente? O pessoal passou os últimos meses anunciando que o país estava à beira do abismo e agora estamos no “até que enfim”. 

É certo que esse ritmo de 1,5% não será mantido nos próximos meses. Ninguém imagina isso.

 Mas o esforço para transformar a economia num alvo fácil para o ataque da oposição em 2014 torna-se mais difícil.

Ao fazer uma aposta econômica errada, nossos analistas cumprem um papel complicado.
 Num universo em que a confiança cumpre uma função essencial, os maus profetas ajudam a transformar o bom em regular, o regular em ruim, o ruim em péssimo.

 Criam um ambiente de desânimo, de falta de vontade, de descrédito. Isso é ruim para o país.

 A agenda muda. O sujeito que ia ao banco para fazer um empréstimo para ampliar seu investimento para no meio do caminho. Aquele que iria contratar uma nova leva de funcionários coloca as barbas de molho.

Os aumentos de salário ficam mais difíceis, as negociações sindicais se mostram mais difíceis e emperradas.

Este é o problema.
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Contraponto 12.108 - "Formados em Cuba lideram no Revalida"

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02/09/2013


Formados em Cuba lideram no Revalida

 
Amigos do Presidente - segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Dos 77 aprovados em 2012, 15 vieram da Escola Latino-Americana, cujo currículo é criticado por médicos brasileiros

Médicos formados em Cuba foram os mais aprovados no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida) em 2011 e 2012. Dos 65 que conseguiram revalidar o diploma em 2011, 13 estudaram na Escola Latino-Americana de Cuba (Elam), assim como 15 dos 77 aprovados em 2012. Os dados são do Ministério da Educação (MEC) e foram obtidos via Lei de Acesso à Informação.

A escola oferece curso de Medicina para estudantes de 113 países, incluindo brasileiros saídos de movimentos populares. A instituição, porém, recebe críticas de especialistas e conselhos de Medicina brasileiros, pois seus profissionais têm de fazer um complemento nos estudos para atuar no sistema de saúde cubano.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Cid Célio Jayme Carvalhaes, os médicos aprovados no Revalida têm o conhecimento necessário para exercer a profissão no Brasil, apesar das críticas à escola. “Sabemos que, por determinação do governo cubano, os alunos da Elam não podem atuar em Cuba sem o complemento (residência). Mas, se foram aprovados no Revalida, têm o mínimo exigido para atuar no Brasil. Eles passaram, tiveram mérito”, disse.

Quem estudou na Elam e teve seu título aprovado no Brasil diz que não há diferença na prática médica dos dois países. “Mas a gente vê que os formados em Cuba têm um enfoque mais humanitário. Na faculdade, por exemplo, tive uma disciplina específica de Medicina Familiar e Comunitária e atendi os pacientes onde eles precisavam”, afirma a médica paulistana Denise Assumpção do Nascimento, de 32 anos.

Ela se formou na Elam em 2003, fez especialização em Medicina Comunitária na Venezuela e teve seu título revalidado no Brasil em 2011. Hoje, cursa Medicina do Trabalho no Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo (USP).

Nessas duas edições do exame, os médicos formados na Bolívia foram os que mais se inscreveram. Em 2011, dos 677 inscritos, 304 haviam se formado naquele país. Em 2012, eles foram 411 dos 884. Porém, o porcentual de aprovação foi um dos menores, de 4,61% e 3,65%, respectivamente. Com informações do O Estado de S. Paulo - Siga nosso blog no Facebook
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Contraponto 12.107 - "Nota pública do Barão de Itararé sobre a suposta “autocrítica” da Globo"

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02/09/2013 

 

Nota pública do Barão de Itararé sobre a suposta “autocrítica” da Globo

 




fora Globo

A Realidade é bem mais dura que a autocrítica 


Quando chegar o momento Esse meu sofrimento Vou cobrar com juros, juro Todo esse amor reprimido Esse grito contido Este samba no escuro Você que inventou a tristeza Ora, tenha a fineza De desinventar Você vai pagar e é dobrado Cada lágrima rolada Nesse meu penar

(Chico Buarque)


As Organizações Globo publicaram no último dia 31 de agosto editorial onde reconhecem o apoio ao Golpe de 1964 e afirmam que essa postura foi um erro. O mesmo editorial também reconhece o que todo mundo já sabia: que o Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, o Correio da Manhã e outros veículos também foram coniventes com a ditadura que se constituiu em um dos capítulos mais vergonhosos da história do Brasil.

 O que o Jornal O Globo fez durante a ditadura militar, não foi apenas um apoio. Foi uma parceria simbiótica. Um crime. Um crime de uma organização que se transformou em ferramenta dos militares para consolidar sua hegemonia e que também tem em suas mãos o sangue de todos os mortos pelo regime autoritário. Um crime que fez a família Marinho ter hoje três dos seus herdeiros entre os 10 homens mais ricos do Brasil.

 Um crime que acobertou outros crimes, como o impedimento da instalação de um CPI para investigar o acordo Globo-Time Life em 1966; que garantiu o aproveitamento da Embratel (uma das primeiras estatais criadas pelo Governo Militar) para desenvolvimento desse império das comunicações, que segue até hoje usando o poder construído através da colaboração com um dos regimes mais sangrentos da história do Brasil para tentar ditar os rumos da política no nosso País. Um crime que permite que essa empresa continue até hoje cometendo outros crimes, como por exemplo, usar do seu poder de comunicação para pautar a agenda política de governos, travestindo sua imposição de pautas e prioridades sob uma falsa prestação de serviço e capitalizando para si as ações realizadas pelo poder público em suas variadas esferas.

 Quantos anos ainda serão precisos para a Globo fazer a autocrítica pela cobertura das greves de 1979? Quando vão fazer a autocrítica pelas movimentações contra Brizola em 1982? Quando vão reconhecer o erro da edição do debate de Lula e Collor em 1989 e do apoio ao “caçador de marajás”? Quando farão a autocrítica por terem sido contra as cotas, por não terem noticiado os escândalos da Era FHC, pela construção da agenda das privatizações e pelos esforços na defesa da agenda neoliberal no Brasil? Quando as Organizações Globo farão a autocrítica pela maneira criminosa como cobrem os movimentos sociais?

 As Organizações Globo fazem a autocrítica ao apoio à ditadura, mas não fazem a autocrítica de quanto esse apoio foi lucrativo. Em seu discurso ainda são presentes as velhas mentiras para justificar o injustificável. Reconhecem o que dizem ser um erro, mas justificam na base de mentiras, mais uma vez tentando escrever a História do Brasil através de deturpações que reafirmam sua falta de compromisso com o Brasil. Uma autocrítica forçada pelas ruas, que gritou a plenos pulmões não apenas que “a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”, mas que também gritou “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.

 Com a credibilidade cada vez menor, as Organizações Globo tentam forjar uma autocrítica para se preparar para a disputa eleitoral que se avizinha, mas dessa vez o cenário será diferente. Não aceitaremos mais as velhas mentiras e nem permitiremos que mais uma vez essa máfia midiática use do seu poder para iludir a população brasileira.

 O Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé denuncia a falsa autocrítica publicada pelo Jornal O Globo e reafirma sua posição de lutar contra os impérios da comunicação que servem às elites conservadoras desse país, seguindo na busca pela construção de novas mídias que sejam capazes de representar esse novo momento vivido pelo País e que possam sepultar, de uma vez por todas, o espectro das mídias golpistas forjando assim uma nova comunicação no Brasil.

 A real autocrítica sobre a relação promíscua das Organizações Globo com o nefasto Golpe Militar deve ser feita pelo Estado brasileiro, através da Comissão Nacional da Verdade, investigando a fundo o dia a dia de colaboração da Rede Globo e da grande mídia burguesa nacional com o regime assassino que derramou muito sangue, de brasileiros e brasileiras, no solo de nossa pátria. Trazer à luz da sociedade a verdade sobre o real papel da imprensa golpista no empenho contra a emancipação do povo brasileiro é dever do Estado, pois a memoria de um povo é fundamental para que se possa tentar evitar que os erros do passado se repitam.

 A verdade é mesmo muito dura, a Rede Globo apoiou e parasitou a ditadura!

O Povo não é bobo! Abaixo a Rede Globo!


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PITACO DO ContrapontoPIG

A Globo quer deletar o seu passado sujo... pode? 

Estranho, não?

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Contraponto 12.106 - "A resposta de um professor a uma jornalista racista"

Por Wilson Gomes, professor da Universidade Federal da Bahia

Sim, Micheline Borges, as médicas cubanas, de fato, parecem-se com as suas empregadas domésticas. Eu também me pareço com a sua faxineira e a sua cozinheira. E, se me permite a comparação, Barack Obama também é cara dos garçons dos restaurantes que você deve frequentar, dos vendedores de coco na praia, da maioria dos presidiários brasileiros, dos desempregados e subempregados do país.

Feita esta constatação certeira, seria legal se você se perguntasse por que é uma ilha de loiridão e alvura cercada de tantos pretos pobres por todos os lados. Será determinação do destino que estabelece que as pessoas não-brancas tenham que se tornar empregadas domésticas de michelines? Será prescrição do Oráculo de Apolo que pessoas com cara de micheline sejam jornalistas casadas com engenheiros?

Pergunte-se, além disso, qual é a magia que fizeram em Cuba para que tantos que bem poderiam ser suas empregadas domésticas sejam hoje médicas que embarcaram para este país, de saúde pública de terceira, a fim de ajudar pessoas de todas as cores que não são ajudadas pelas alvas michelines que moram ao lado.

Não, Micheline, eu não diria “coitada da nossa população” de pessoas com cara de empregadas domésticas porque serão atendidas por médicos com a mesma cara delas. Eu tenho pena é do coitado deste país, açoitado pela mentalidade-micheline, que resolve que o lugar de pessoas com cara de empregadas doméstica é na cozinha das suas casas, fazendo a limpeza ou picando cenoura para o jantar. Na falta de uma boa e velha senzala…”
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Contraponto 12.105 - Convencimento, vergonha ou conveniência na ‘autocrítica’ da Globo?

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02/09/2013
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 Convencimento, vergonha ou conveniência na ‘autocrítica’ da Globo?


Emir Sader 
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Apoiou o golpe, buscou sua legitimidade e apoiou a ditadura militar ao longo de toda sua existência. E seguiu justificando-a até agora.

Não apoiou apenas o golpe. Apoiou tudo o que ditadura fez de ignominioso: desde todas as formas de repressão – prisões arbitrárias, torturas, execuções, condenações sem provas, etc. etc. Apoiou a política de superexploração dos trabalhadores com o arrocho salarial, que permitiu a recuperação da economia, com um modelo de favorecimento dos ricos e dos capitais estrangeiros, em detrimento da massa da população e das pequenas e médias empresas nacionais.
Apoiou inclusive o famigerado AI-5, que terminou de liquidar com os pequenos espaços de oposição ainda existentes. Saudou o golpe, a ditadura, a repressão, a liquidação da democracia, tudo em nome da “democracia”, que ressurgiria.

Se opôs à democratização do país, às eleições diretas, ao direito de o povo brasileiro escolher seu presidente pelo voto universal, foi favorável à auto-anistia – vigente até hoje – imposta pelos militares.

Se projetou como a porta-voz oficial da ditadura, se enriqueceu com as vantagens que a ditadura lhe propiciou e que são responsáveis, até hoje, pelos privilégios que a Globo tem.

Se poderia listar muito mais monstruosidades que a Globo apoiou e de que participou ativamente. Não foi um “mau momento”, um “equívoco” de avaliação no “apoio editorial” a uma circunstância concreta.

Foi uma posição firme e forte a favor da ditadura e contra a democracia, a favor das elites e dos interesses estrangeiros, e contra o povo e o Brasil.

Por que agora esse “arrependimento”? Não foi arrependimento, senão não teria o cinismo de tentar restringir o erro a um “apoio editorial”. Teria feito autocrítica da participação ativa no mais hediondo regime que o Brasil já teve.

Em parte, como confessam, é “vergonha”, porque pessoas jogam na cara deles ter participado do golpe e da ditadura. Tentam se limpar disso, dar álibis aos que colaboram com seus órgãos de imprensa, de que “fizeram autocrítica”.

Que chega a poucos meses de se completar 50 anos do golpe e do início da ditadura. Por que não o fizeram durante a ditadura? Por que não o fizeram no começo da democratização? Por que não o fizeram em outro momento?

Porque estão cansados de ser derrotados, de ser execrados, de ter manifestações diante das suas sedes, de ter seus jornalistas repudiados pelas manifestações dos jovens, de saber que está consagrado “O povo não é bobo / Abaixo a Rede Globo”, porque sabem que não tem credibilidade alguma. Que seus principais jornalistas são vítimas das chacotas e do ridículo.

É como se, nos anos 1980, fizessem autocrítica de terem sido contra a chegada do Getúlio ao poder, de terem se oposto sempre a seus governos e de terem promovido golpes contra o maior estadista brasileiro do século passado – autocrítica ainda pendente.

O editorial expressa conveniência de uma nova reconversão da empresa – em crise econômica, de audiência e com credibilidade zero. Não por acaso, ao mesmo tempo, os filhos do fundador foram visitar o Lula, depois de tripudiar contra ele durante mais de 10 anos.

Tirarão consequências do editorial? Mudarão radicalmente a orientação e a plana maior que da continuidade ao apoio e participação no golpe e na ditadura, ou seguirão como tem sido nestes 50 anos?

É por conveniência, envergonhada, sem convencimento algum, que a Globo faz como se fosse emendar rumos a partir do editorial. Quer limpar sua imagem diante de uma opinião pública que despreza o que o jornal fiz e opina.

Se dão conta que se desviaram ainda mais do Brasil real quando, depois de apoiarem os governos fracassados de Sarney, Collor e FHC, se opõem frontalmente aos governos que o povo brasileiro mais apoiou e apoia e que deve reeleger de novo. Se dão conta que não elegem presidente da república há mais de 10 anos e que correm o serio risco de seguir assim por pelo menos toda uma segunda década. Percebem que nem sequer no Rio de Janeiro, sua sede, não conseguem eleger governador, senador, prefeito há muito tempo, e devem seguir assim.

Arrependimento, não. Senão mudariam radicalmente sua linha editorial e informativa. Vergonha, não. Senão mudariam as equipes que os fazem passar vergonha. Conveniência, sim. Para tentar romper o isolamento, a desmoralização, a falta de credibilidade, a crise econômica, a perda acelerada de audiência.

Mas nunca conseguirão apagar o papel que tiveram e seguem tendo. “O povo não é bobo / Abaixo a Rede Globo” – seguirá ecoando por todo o país que conseguiu, contra a Globo, derrotar a ditadura, derrotar seus presidentes e consagrar os presidentes que expressam a construção de um país democrático, solidário e soberano, contra todos os que apoiaram o golpe, a ditadura e os governos antipopulares. 



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PITACO DO ContrapontoPIG

Globo fazendo mea culpa ?

Noblat defendendo o Mais Médicos? ...

Come diria Brizola: "Neste angu tem caroço..."

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Contraponto 12.104 - "Inspetora da ONU: rebeldes é que usaram armas químicas "

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02/09/2013

 Inspetora da ONU: rebeldes é que usaram armas químicas 


 
por Miguel do Rosário

Essa notícia deveria estar na primeira página dos jornais, mas o arco midiático em apoio aos lobbies da guerra restringiu severamente sua disseminação. Uma das inspetoras da ONU encarregada de checar o uso de armas químicas na Síria declarou, em maio deste ano, que todos os indícios apontavam para a responsabilidade dos rebeldes. Os rebeldes é que estariam usando armas químicas, e jogando a culpa no governo.

A declaração de Carla Del Ponte circulou em alguns veículos europeus (como a BBC) e em todos os sites árabes, mas foi abafada pela hegemônica mídia pró-americana. Autoridades russas, nervosas com a possibilidade dos EUA iniciarem mais uma guerra insana, voltaram a citar o testemunho de Ponte no intuito de amainar o frenesi guerreiro dos falcões americanos.

Apesar da declaração de Ponte não se referir aos ataques mais recentes, a informação colhida por ela reforça a teoria de que são os rebeldes é que usam gás sarin para chocar a opinião pública mundial e jogá-la contra o presidente sírio.

Segundo o New York Times, Obama deu um passo atrás, e afirmou que deixará a decisão de atacar a Síria nas mãos do Congresso. Mas é difícil acreditar que o Congresso resistirá a pressão dos bilionários lobbies da guerra e da grande mídia americana. O New York Times, como sempre, apoia a guerra; daqui a alguns, possivelmente, fará uma mea culpa.
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domingo, 1 de setembro de 2013

Contraponto 12.103 - "Síria: inspetora da ONU desmente versão norte-americana"

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01/09/2013 

 

Síria: inspetora da ONU desmente versão norte-americana




Sugestão de Assis Ribeiro

Do Tijolaço
Inspetora da ONU: rebeldes é que usaram armas químicas


por Miguel do Rosário

Essa notícia deveria estar na primeira página dos jornais, mas o arco midiático em apoio aos lobbies da guerra restringiu severamente sua disseminação. Uma das inspetoras da ONU encarregada de checar o uso de armas químicas na Síria declarou, em maio deste ano, que todos os indícios apontavam para a responsabilidade dos rebeldes.

Os rebeldes é que estariam usando armas químicas, e jogando a culpa no governo.

A declaração de Carla Del Ponte circulou em alguns veículos europeus (como a BBC) e em todos os sites árabes, mas foi abafada pela hegemônica mídia pró-americana. Autoridades russas, nervosas com a possibilidade dos EUA iniciarem mais uma guerra insana, voltaram a citar o testemunho de Ponte no intuito de amainar o frenesi guerreiro dos falcões americanos.

Apesar da declaração de Ponte não se referir aos ataques mais recentes, a informação colhida por ela reforça a teoria de que são os rebeldes é que usam gás sarin para chocar a opinião pública mundial e jogá-la contra o presidente sírio.

Segundo o New York Times, Obama deu um passo atrás, e afirmou que deixará a decisão de atacar a Síria nas mãos do Congresso. Mas é difícil acreditar que o Congresso resistirá a pressão dos bilionários lobbies da guerra e da grande mídia americana. O New York Times, como sempre, apoia a guerra; daqui a alguns, possivelmente, fará uma mea culpa.

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Contraponto 12.102 - "Por que jogamos merda na Globo "

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01/09/2013 
 

Por que jogamos merda na Globo 

 

Do Esquerdopata - domingo, 1 de setembro de 2013

 

No dia 30 de agosto, realizamos protestos em sete capitais brasileiras em frente à Rede Globo e afiliadas, pela democratização da comunicação. A ação que realizamos que ganhou maior repercussão nos escrachos foi jogar merda em frente às sedes da emissora.
No dia posterior, as Organizações Globo lançaram na internet a sua confissão de culpa, em relação ao apoio que deu ao Golpe de 1964 e à Ditadura Militar. Nesse sentido, apresentamos aqui as razões que levaram a nos manifestar dessa maneira:
-Jogamos merda na Globo porque ela é ilegal e antidemocrática. A Globo é a representação máxima do monopólio das comunicações em nosso país, exercendo um poder absoluto na definição do que é verdadeiro e do que é falso, do certo e do errado, do que é legítimo e do que é ilegítimo no Brasil. Tal grau de concentração é incompatível com a Constituição de 1988, que proíbe expressamente o monopólio e oligopólio dos meios de comunicação. Um poder de controlar corações e mentes como o construído pela Globo jamais seria tolerado mesmo em países liberais.
-Jogamos merda na Globo porque ela é manipuladora e faz censura. Está intimamente associada às forças conservadoras do Brasil. Sua trajetória está marcada por uma relação intrínseca com o sistema político vigente e com a classe dominante. Para tanto, a Globo manipula fatos, constituindo e desconstituindo presidentes de acordo com seus interesses e das frações de classe as quais representa. É notória a sua orientação editorial no sentido de criminalizar e deslegitimar a ação dos movimentos sociais e suas bandeiras populares.
-Jogamos merda na Globo porque ela é golpista. Foi o suporte ideológico do Golpe Militar de 1964. As Organizações Globo, como recentemente assumiu, foram cúmplices de um regime ditatorial que perseguiu, prendeu, sequestrou, torturou e assassinou milhares de brasileiros que lutaram pela democracia, mas que eram tratados como “terroristas” nas manchetes dos seus jornais. A Globo foi conivente com a maior marca de sangue que o povo brasileiro carrega em sua história.
-Jogamos merda na Globo porque ela foi beneficiada e construiu um império sobre a obra da ditadura assassina. Nunca assumiu que seu império só se formou a partir das vantagens que obteve por sua associação com as forças sociais, políticas e militares que sustentaram a ditadura. E por conta dessa parceria, até o final do regime ocultou as lutas por redemocratização – inclusive o histórico comício de São Paulo, em 1984, pelas Diretas Já – prolongando ao máximo a sua duração. Portanto, não cometeu um erro, mas um crime.
- Jogamos merda na Globo porque ela é contra as mudanças que o povo quer. Em seu editorial a Globo reafirma que era contra as Reformas de Base propostas por João Goulart. Interrompidas pelo golpe, essas Reformas até hoje não foram realizadas, na medida em que o povo permanece sem acesso pleno a direitos elementares. A Globo é um dos principais entraves para o avanço nas necessárias reformas estruturais no Brasil, como a Reforma Educacional e Política.
-Jogamos merda na Globo porque ela é hipócrita. A Globo é propriedade da família mais rica do Brasil. Os filhos de Roberto Marinho somam um patrimônio de R$ 51 bilhões. Ao mesmo tempo, a Globo deve ao Estado brasileiro R$ 615 milhões, somando os impostos que sonegou na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002 e as multas que recebeu da Receita Federal. Ou seja, suas empresas de comunicação atuam como agente moralizante da sociedade brasileira(julgando e denunciando desvios de verbas públicas) e promovem ações voltadas para “inclusão social”, enquanto acumulam o maior riqueza familiar do país e sonegam impostos.
-Jogamos merda na Globo porque ela joga merda na gente. A Globo contribui decisivamente para a formação de um visão de mundo conservadora, alienada e discriminadora. Sua programação está repleta de narrativas que degradam o papel da mulher, que invisibilizam a população negra e estigmatizam os homossexuais. A Globo representa também o monopólio da arte, da música e do cinema no Brasil, atuando como um torniquete que impede acesso, difusão e produção das expressões culturais mais genuínas do povo brasileiro. A emissora transformou um dos maiores patrimônios do país, o futebol, em um ativo no mercado publicitário, controlando desde a direção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até os horários dos jogos.
-Jogamos merda na Globo para quebrar um pacto de silêncio que existe sobre o seu Império, pois a maior parte das forças políticas, seja por cumplicidade ou por medo de se desgastar politicamente com a emissora, não questiona o seu poder. Da mesma forma, o governo federal, em nome desse pacto, silencia quanto à regulamentação dos meios de comunicação e continua alimentando essa máquina de recursos por meios das verbas publicitárias dos ministérios e empresas estatais.
-Jogamos merda na Globo pois a merda é a representação do que há de mais sujo e repugnante. É aquilo que deve ser descartado. Ao mesmo tempo, a merda fertiliza e pode fazer nascer algo novo, como a confissão de culpa que a empresa assumiu por ter apoiado a ditadura durante 21 anos. Como poderá fertilizar a regulamentação e a efetiva democratização dos meios de comunicação.
Somente com atos dessa natureza seria possível expressar a necessidade urgente de democratizarmos a comunicação em nosso país. Assim como a luta por Memória, Verdade e Justiça, que pautamos a partir dos escrachos aos torturadores, a luta pela democratização da comunicação é uma etapa fundamental para consolidarmos o processo de redemocratização da sociedade brasileira até hoje inacabado.
Não descansaremos enquanto esses objetivos não forem alcançados.
Pátria Livre, Venceremos!
1º de setembro de 2013
Levante Popular da Juventude
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