segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Contraponto 14.347 - "As motivações não tão secretas da aposentadoria de Joaquim Barbosa "


Em uma noite calorenta de Brasília em maio de 2005, um jornalista pôs-se a dar conselhos a Joaquim Barbosa, então ministro do Supremo Tribunal Federal. Nos seus dois primeiros anos na corte, Joca, como o chamam os mais próximos, mostrava-se perdido nas funções. Ele ouviu que precisava encontrar seu espaço no tribunal. Mostrar a que veio.

Por essa época, cada voto era um suplício. Até a leitura da decisão, preparada pela assessoria, a coisa ia bem. Mas quando chegava a hora dos costumeiros questionamentos dos demais ministros ao relator, complicava. Atônito, sem respostas, ele se punha a reler o voto — que não contemplava a informação solicitada. Uma nova pergunta se seguia de nova leitura do voto.

Até que um ou outro colega mais paciente, ou menos cruel, passou a vir em seu socorro. “Vossa Excelência, então, quanto à preliminar suscitada, acolhe os embargos, certo?” Ao que Joaquim murmurava algo em sentido positivo. Outro completava: “Quanto ao mérito, o relator considera prejudicado o pedido, é isso?”. Com uma variação ou outra, os votos iam sendo acochambrados até se dar formato a uma decisão inteligível ou minimamente satisfatória.

Naquela noite de maio, quando se sugeriu a Barbosa divulgar melhor sua produção técnica, outro ministro ouviu parte da conversa. Em outra roda, da qual participavam cinco colegas dele, o assunto virou piada. “Olha o que ouvi agora: sugeriram ao Joaquim mostrar sua contribuição técnica no Supremo”. E todos caíram na risada.

A pelo menos um amigo, Joaquim Barbosa confessou sua vontade de abandonar o tribunal. Mas foi aconselhado a desafiar e “peitar” a estrutura. No campo do Direito ele não tinha como se destacar, estava claro. Mas poderia puxar os colegas para outro ringue em que eles não tivessem como superá-lo.

No livro Como a picaretagem conquistou o mundo, o jornalista britânico Francis Wheen analisa a receita da construção de personagens que, com largas doses de demagogia e populismo chegaram a altos cargos, como a presidência dos Estados Unidos ou ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. Em uma das resenhas dessa obra, o crítico Rafael Rodrigues cita o teatrólogo Nelson Rodrigues, que disse que esses personagens tomaram o lugar dos melhores a tal ponto que se criou “uma situação realmente trágica: ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina”.

É claro que Joaquim Barbosa não se enquadra no perfil. Mas o livro é pedagógico no sentido de evidenciar como a construção de um personagem, no mundo da política, do jornalismo, das artes ou das finanças, possibilita o sucesso sem que a celebridade artificial tenha realmente o estofo para pontificar no píncaro a que foi alçado.

Assim como nos primeiros anos em que ralhava com seus assessores por não preverem as perguntas que lhe seriam feitas em Plenário, o ministro manteve-se até o fim em estado de guerra com quase todos os colegas. Aperfeiçoou-se no uso da comunicação instantânea pelo laptop de tal forma que outros ministros resolveram não levar mais o equipamento para a bancada. Mas isso aliviou bastante o que considerava uma prática maldosa dos colegas: as tais perguntas embaraçosas.

Em sua passagem pelo STF, Joaquim Barbosa raramente recebeu advogados que lhe solicitavam a oportunidade de oferecer subsídios para suas decisões. Essa tarefa era penosa para ele da mesma forma que a interlocução com os ministros em Plenário. A sua explicação era que considerava esse tipo de “conluio” indecoroso. Em entrevista à revista eletrônica Consultor Jurídico, o também ministro aposentado Cezar Peluzo, aponta outro motivo, mais prosaico, que cabia numa só palavra: insegurança.

Na mesma entrevista, Peluzo contrariou outra crença disseminada largamente por Barbosa: o de que suas ausências no plenário e sua impaciência com as sessões deviam-se a problemas de saúde.

O sucesso de Barbosa, como relator da Ação Penal 470, o chamado mensalão, lustrou a imagem externa do ministro. Mas junto à elite da comunidade jurídica foi motivo apenas de desconsolo. As poucas vozes que ousaram "chutar a santa" canonizada pela opinião pública, sedenta de vingança contra a comunidade política em geral e contra o PT em particular, enfrentaram o risco aventado por Nelson Rodrigues e as vaias da plateia.

Como presidente do Conselho Nacional da Justiça, originalmente apelidado de órgão de controle externo do Judiciário, Joaquim Barbosa viveu um paradoxo lógico entre o substantivo e o adjetivo.

 Durante toda sua gestão, foi o mais feroz crítico do sistema judicial e seus protagonistas. Mas não apresentou ou aprovou uma única proposta que corrigisse as distorções e deformações elencadas por ele mesmo. Na análise de pessoas que acompanham a carreira de Barbosa, o seu portfólio como procurador da República (em que passou dez de vinte anos em licença), como ministro e como presidente do STF e do CNJ têm igual relevância. A sua contribuição técnica, jurídica e institucional deixam a mesma marca nos três órgãos.

Por fim, depois de onze anos de embates e desinteligências, ao menos se sabe que Joaquim Barbosa e os ministros do Supremo, no plano institucional, concordaram em alguma coisa. Essa ideia se resume na sintética expressão que o ministro divulgou em seu perfil no Twitter, ao se retirar do ringue: "Alívio, finalmente"
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Contraponto 14.346 - " Brasil Debate discute peso dos impostos"

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04/08/2014

 Brasil Debate discute peso dos impostos


Do Cafezinho - 04/08/2014


Por Miguel do Rosário, postado em agosto 1st, 2014


Reproduzo abaixo um artigo publicado há pouco no Brasil Debate. Ele traz uma informação que contradiz o clichê martelado por nossa mídia sobre a questão dos impostos. O texto revela que o Brasil tem uma das menores alíquotas máximas de imposto de renda no mundo.

Estados Unidos, todos os países europeus, China, Israel, Coréia do Sul, Japão, todos tem alíquotas máximas maiores do que as praticadas no Brasil, país onde, portanto, os ricos pagam pouco imposto (e ainda reclamam).

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O brasileiro paga muitos impostos?
O brasileiro paga muitos impostos?
O brasileiro paga muitos impostos?
O brasileiro paga muitos impostos?

Depende de qual brasileiro se está falando. O brasileiro pobre paga, sim, muitos impostos. O rico? Não. Explica-se. Há diversos tipos de impostos, mas pode-se resumi-los em dois grupos: impostos indiretos, cobrados sobre mercadorias e serviços, e impostos diretos, cobrados sobre a renda e patrimônio.

A estrutura tributária brasileira, herdada do período de ditadura militar, caracteriza-se por tributar mais mercadorias e serviços do que a renda e o patrimônio. A implicação disso é que pobre paga mais impostos proporcionalmente à sua renda do que o rico.

Um grande exemplo disso é o imposto de renda. Um levantamento da consultoria KPMG mostra a alíquota máxima de imposto de renda para diversos países. A partir do levantamento, o gráfico abaixo foi elaborado contando com os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e de países-chave nos demais continentes.

Pode-se verificar que, na verdade, o Brasil (marcado em verde no gráfico) tem uma das menores alíquotas máximas de imposto de renda dentre os países selecionados. A alíquota máxima de imposto de renda que aqui se pode pagar corresponde a menos da metade da alíquota máxima campeã, a da Suécia.

Este é o principal motivo pelo qual o Brasil precisa de uma reforma tributária: tornar sua estrutura tributária mais progressiva, contribuindo positivamente para uma melhor distribuição de renda. E é contra isso que os conservadores lutarão.


gráfico-reforma-tributaria2

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Contraponto 14.345 - "Marcos Coimbra: Previsões do mercado e armações para lucrar"

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04/08/2014 

 

Marcos Coimbra: Previsões do mercado e armações para lucrar 

 

Do Viomundo - publicado em 4 de agosto de 2014 às 14:10

Aterro-da-Ribeira-20


As “previsões” do mercado
 
As análises eleitorais do setor financeiro são hoje pouco mais que exercícios do wishful thinking, quando não armações para lucrar

por Marcos Coimbra, em CartaCapital — publicado 04/08/2014 08:20

Uma das peculiaridades do momento atual é a intensa e despropositada divulgação das especulações do mercado financeiro a respeito da eleição presidencial. Quase todo dia, a mídia oposicionista faz circular prognósticos eleitorais de bancos e consultorias. E trata-os como se merecessem crédito especial.

Talvez considere que nessas empresas existam especialistas notáveis da vida política brasileira, cujas opiniões e pontos de vista precisariam ser conhecidos por todos.

Sem subestimar a competência dos profissionais do mercado financeiro, é fantasia imaginar que possuam grande habilidade analítica em assuntos políticos e eleitorais. Ao contrário, a regra é que estejam improvisados circunstancialmente no papel de “analistas políticos”, o que deixarão de ser tão logo passe a eleição. Em três meses, lá estarão de volta aos afazeres que conhecem, na interpretação de cenários do agronegócio no Piauí, da indústria de calçados ou do comércio de bebidas.

Os bancos, as consultorias econômicas e outras instituições financeiras, nacionais ou não, claro está, têm o direito de elaborar análises da situação política brasileira. E não é de hoje que monitoram os processos eleitorais, para avaliar o impacto dos resultados em seus negócios. Desde a eleição de 1994, muitos dos mais importantes tornaram-se clientes de institutos de pesquisa, às vezes por meio da contratação de pesquisas próprias, às vezes na busca de assessoramento técnico.

Duas coisas são diferentes neste ano. De um lado, há uma proliferação de atores menores, pequenas empresas que buscam espaço no campo das “previsões eleitorais”, algumas no esforço de vender um know-how que não possuem. Quem dispuser de dinheiro para jogar fora que as compre.

De outro, e mais importante, temos atualmente, na imensa maioria dessas “análises”, um extraordinário predomínio do desejado em relação ao observado. Nas “previsões eleitorais” disponíveis, o que encontramos é o retrato do que seus autores gostariam de ver, não do que é mais provável.

Isso fica claro no uso seletivo das pesquisas e na relutância em aceitar o que elas mostram de fato. É o inverso do que o mercado fez em eleições passadas, quando recebia os números com a cautela devida, mas não brigava com eles.

Hoje, a regra passou a ser não acreditar no que as pesquisas dizem e procurar pretensos significados “ocultos”, escondidos nas entrelinhas.

A larga vantagem de Dilma Rousseff, que tem, sozinha, mais intenções de voto do que a soma dos adversários? O fato de ela ter o dobro do segundo colocado e quase cinco vezes o obtido pelo terceiro? A constatação de que os “outros candidatos” sempre terminam com desempenho modestíssimo na urna e são irrelevantes para propiciar o segundo turno? A dianteira da presidenta ante todos em um possível segundo turno? Não dizem nada para quem gasta tempo a perscrutar tabulações e cruzamentos de dados à cata de algum sinal negativo para a presidenta.

E nossa história eleitoral, que indica que quem mais cresce quando começa a propaganda eleitoral na tevê e no rádio são os candidatos à reeleição? E a experiência internacional, que mostra que o “tempo de antena” é um fator decisivo nas eleições modernas? Nada, tudo seria irrelevante, pois viveríamos agora em um hipotético mundo pós-televisivo, no qual o eleitorado conheceria e selecionaria os candidatos por meio das redes sociais.

Engraçado: nas pesquisas esses analistas enxergam apenas o que lhes interessa: a “vontade de mudança”, a “rejeição a Dilma”, o “desgaste do PT”. Para isso serviriam, mas, para qualquer outra coisa, poderiam ser desconsideradas.

As “análises eleitorais” do mercado são hoje pouco mais que exercícios de wishful thinking (quando não são armações para lucrar à custa dos incautos). Os responsáveis por elas fazem “previsões” com base nos desejos de um determinado resultado. Preferem a derrota de Dilma e a anunciam ao mundo.

Lembram o que alguns “analistas” brilhantes da mídia oposicionista ofereceram aos diplomatas norte-americanos na última eleição e o WikiLeaks revelou: um monte de interpretações equivocadas e previsões furadas. No fundo, são muito semelhantes aos comentaristas e colunistas da mesma mídia hoje em dia. Apenas torcedores. Nada mais.

 Leia também:

Contraponto 14.344 - "PiG tem 14 dias para destruir a Dilma"

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04/08/2014

PiG tem 14 dias
para destruir a Dilma

Dia 19 começa o “direito de antena”, que o Ataulfo diz que não serve pra nada


Conversa Afiada - 04/07/2014


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O PiG (*) tem pouco tempo para destruir a Dilma.

Foi um Governo inteiro na cadeira do dragão.

Clique aqui para ver o “manchetômetro”.

Diante da monumental inépcia da Oposição, o PiG tentou de tudo: anabolizou as manifestações e passou a mão na cabeça dos black blocs; anunciou o apagão, a dengue, e que não ia ter Copa.

No camarote do Itaúúú, tentou dar dimensão universal a um êxtase passageiro da elite branca (de São Paulo).

As notícias boas do Governo ficaram retidas atrás do muro que Israel construiu na Faixa de Gaza.

O apagão de água de São Paulo foi tratado como uma crise condominial.

O PiG inventou uma crise inexistente na compra de Pasadena.

Que o Brasil ia perder o grau de investimento das agências que correm mais risco que o Banco Espírito Santo.

Tentaram reanimar o FMI, que, só aqui, no PiG, ainda é levado a sério.

Anunciaram a disparada da inflação e o estouro das contas das elétricas.

Leram significados ocultos nas pseudo-pesquisas pré eleitorais.

Teve quem anunciasse a vitória do Aécio num segundo turno que não vai haver – clique aqui para se divertir com a Hosian Quenedy.

Botou o Satãder para falar pelo “mercado”.

Instalaram o “pessimismo” no país: confundiram seus balanços trimestrais, especialmente depois do encaixe da Copa, com a situação dos 8 milhões de jovens brasileiros no Pronatec.

Clique aqui e aqui para ter uma visão panorâmica da inescapável crise terminal da Globo Overseas.

E não colou nada.

(Diz o PiG cheiroso, o Valor, da quarta-feira passada, na pág. B1: “Aporte estrangeiro em montadoras sobe a maior nível em cinco anos.”

(Apesar do título inequívoco, a “reportagem” de Eduardo Laguna anuncia o iminente fechamento da indústria automobilística brasileira, diante de 1001 crises e adversativas variadas …  Por isso, a Dilma não lê o Valor nem vê a Globo. E o Mino Carta diz que, no Brasil, os jornalistas são piores que os patrões.)

(Leia “em tempo”.)

Agora, como estão verdes, diria La Fontaine, o jenial Ataulfo (**) assevera que o horário eleitoral não conta e a Dilma será derrotada pelos brancos e nulos.

É que na hora do vamos ver, a Dilma tem o dobro do tempo dos adversários, juntos, no horário eleitoral.

O que só foi possível com a ajuda inestimável do PMDB que, se achasse que o Aécio tinha chance, não se pendurava no PT .

O PiG tem 14 dias para fazer o que não conseguiu em três anos e meio.

Se não der certo, terá sempre o terceiro turno, num plantão do Supremo.

Em tempo: na inauguração do Templo de Salomão, o ansioso blogueiro conversou com o excelente ator Bemvindo Sequeira. E ele perguntou ao ansioso blogueiro: como é possível ter tanto jornalista … no PiG ? (Ele é leitor do C Af.) Será que não tem nenhum que preste ? O amigo navegante deve imaginar o que respondeu o ansioso blogueiro.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Ataulfo de Paiva foi o mais medíocre – até certa altura – dos membros da Academia. A tal ponto que seu sucessor, o romancista José Lins do Rego quebrou a tradição e espinafrou o antecessor, no discurso de posse. Daí, Merval merecer aqui o epíteto honroso de “Ataulfo Merval de Paiva”, por seus notórios méritos jornalísticos,  estilísticos, e acadêmicos, em suma. Registre-se, em sua homenagem, que os filhos de Roberto Marinho perceberam isso e não o fizeram diretor de redação nem do Globo nem da TV Globo. Ofereceram-lhe à Academia.E ao Mino Carta, já que Merval é, provavelmente, o personagem principal de seu romance “O Brasil”.

Contraponto 14.343 - "Os fantasmas que apavoram FHC"

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04/08/2014

Os fantasmas que apavoram FHC 

 

Do Blog do Miro - segunda-feira, 4 de agosto de 2014

 


Por Altamiro Borges
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Em artigo no Estadão deste domingo (3), o ex-presidente FHC fez uma análise sombria da realidade e concluiu: “Vejo fantasmas? Pode ser, mas é melhor cuidar do que não lhes dar atenção”. De fato, ele teme vários fantasmas. Um deles é bem real: o povo brasileiro, que o rejeita – como apontam todas as pesquisas sobre a popularidade do seu reinado ou sobre sua capacidade de influenciar o eleitorado. Outro fantasma, até hoje contido, é o da abertura de investigações sobre as maracutaias do seu governo – como a compra de votos para a sua reeleição, a privataria das estatais e tantas outras. Mas o fantasma que FHC mais teme, sem dúvida, é o de uma quarta derrota consecutiva nas eleições presidenciais.

Seu artigo visa exatamente afastar este fantasma. “Ainda é cedo, mas há fortes indícios de que o PT perderá as próximas eleições. Em que Estado com muitos eleitores seus candidatos a governador se mostram competitivos?”, pergunta logo na abertura. FHC podia aproveitar para responder em que Estados o seu PSDB está bem das pernas. Os tucanos não têm candidatos fortes em importantes unidades da federação – como no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Bahia e tantos outros. Além disso, a sigla corre o risco de perder em Minas Gerais e no Paraná. No caso de São Paulo, o “picolé de chuchu” Geraldo Alckmin, blindado pela mídia tucana, parece imbatível. Mas não é! 

FHC prefere não falar sobre o quadro, este sim muito sombrio, no principal Estado da federação, com a crise de abastecimento de água, o caos no transporte público e os índices alarmantes de violência urbana. Em seu artigo, FHC também poderia citar os capachos do DEM – este, sim, um típico fantasma. Os demos tendem a desaparecer nas eleições de outubro, rumando para o inferno – se o diabo aceitar tão péssima companhia. No caso do PPS, do servil Roberto Freire, não valia realmente gastar tinta e papel! No computo geral, as eleições ainda estão indefinidas – nem começaram de fato. O que dá para dizer, porém, é que “há fortes indícios” de que a oposição neoliberal (PSDB, DEM e PPS) tende a encolher!

Temendo este fantasma, FHC faz um esforço prévio para se inocentar. Afirma que a “herança maldita” – “estigma que petistas ilustres quiseram impingir ao meu governo” – foi uma invenção. Cinicamente, o ex-presidente argumenta que elevou os juros, colocou o Brasil de joelhos diante do FMI e paralisou a economia, causando índices recordes de desemprego, para garantir a chegada tranquila do PT ao governo central. Ele jura que agiu como estadista, sem qualquer apego ao poder e à agenda eleitoral! Para FHC, a presidenta Dilma – com suas “taxas de rejeição nas nuvens, onde nem o céu é limite” – não demonstra a mesma disposição diante dos riscos de derrota nas eleições de outubro. Daí seus falsos temores:

“Agora, na eventualidade de vitória oposicionista (e, repito, é cedo para assegurá-la), que fazem os detentores do poder? Previnem-se ameaçando: faremos o controle social da mídia; criaremos um governo paralelo, com comissões populares sob a batuta da Casa Civil, que dará os rumos à sociedade; amedrontam bancos que apenas dizem o que todos sabem, etc. Sei que são mais palavras equivocadas do que realidades impositivas. Mas denotam um estado de espírito. Em lugar de se prepararem para "aceitar o outro", como em qualquer transição democrática decente, estigmatizam os adversários e ameaçam com um futuro do qual os outros estarão excluídos. Vejo fantasmas? Pode ser, mas é melhor cuidar do que não lhes dar atenção”.

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Contraponto 14.342 - Meu "comunismo"

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 04/08/2014

Meu "comunismo"  


Do Facebook            Uol -  4/7/2014


ARIANO SUASSUNA

Nunca fui marxista. Apesar disso, quando, na década de 50, foi lançado o "Auto da Compadecida", fui denunciado como comunista num artigo de Plínio Salgado, líder da extrema direita brasileira. E, no dia 26 de novembro de 1959, abrindo a "Folha da Tarde", li a seguinte notícia:

"Infiltração comunista no teatro -determinado maior rigor da Censura:

- Em cumprimento ao despacho do diretor da Divisão de Diversões Públicas da Secretaria da Segurança, a Censura deverá intensificar a fiscalização das peças teatrais. Foi recomendada aos censores acuidade à denúncia feita pelo cardeal do Rio de Janeiro, segundo a qual o teatro estaria sendo utilizado para a infiltração comunista no país. Dom Jaime de Barros Câmara, naquela denúncia, fez alusão a um relatório sobre o teatro brasileiro, feito por agentes soviéticos e enviado à URSS. Esse relatório diz que o campo de ação dos comunistas visa os cursos de arte cênica nos países da América, como Uruguai, México e Brasil, e terá por objetivo semear a discórdia entre a população. Diz ainda que da ofensiva cultural da URSS constará a criação da Federação Mundial Juvenil de Teatro, que comportará um departamento latino-americano e que já teria assegurada a colaboração de diversos autores, inclusive brasileiros. Entre esses autores, dom Jaime aponta nominalmente Ariano Suassuna, além de outros, estrangeiros (principalmente poloneses), que desenvolvem suas atividades naqueles países citados".

O mais curioso, porém, é que mais ou menos naqueles dias eu estava sendo atacado pelos marxistas porque, atento aos crimes que então se praticavam na União Soviética (inclusive perseguindo ou fuzilando intelectuais, como fizeram com Boris Pasternak e Ossip Mandelstam), eu era contrário à colaboração dos católicos com eles.

Em 10 de junho de 1962, por exemplo, publiquei num jornal recifense um artigo no qual fazia uma distinção entre a esquerda "definida" e a esquerda "amestrada", isto é, a que obedecia incondicionalmente ao comando dos marxistas. É que um grande amigo meu se queixara do tom violento que eu vinha usando em minhas definições. Disse-me que ele próprio era da esquerda e estava se sentindo atingido por elas; o que me levou a escrever, no artigo, que, quando me opunha aos esquerdistas "amestrados", incluía aí somente aqueles que "sendo católicos, por exemplo, não se definem diante dos comunistas, omitindo-se de seus crimes ou aliando-se com eles". Acrescentava: "Quando os capitalistas cometem seus crimes, tais católicos de esquerda se juntam aos comunistas para protestar contra eles; mas, quando os comunistas cometem os seus, amoitam-se e os subscrevem com seu silêncio, uns por oportunismo, outros pelo medo ridículo de passarem por reacionários".
Trinta anos se passaram e, graças a Deus, a situação mudou. Marxistas como os do PC do B, por exemplo, reviram suas posições e hoje são nossos aliados na busca de um socialismo brasileiro e democrático e na luta contra o governo antinacional e antipopular de Fernando Henrique Cardoso.

São Paulo, Terça-feira, 31 de Agosto de 1999


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Contraponto 14.341 - Chico Buarque fala tudo


Contraponto 14.340 - "Nas redes, Dilma dobra a exposição de seus rivais"

247 – A presidente Dilma Rousseff possui mais do que o dobro das citações em redes sociais que os seus dois principais adversários juntos.

Segundo relatório da empresa de monitoramento R18, em julho, a candidata petista à reeleição foi mencionada 1,19 milhão de vezes no Facebook, no Twitter e no Instagram --aumento de 13% em comparação a junho.

Já o senador e candidato Aécio Neves (PSDB) registrou 360 mil referências nos mesmos sites, 88% a mais que no mês anterior. Por sua vez, o candidato do PSB, Eduardo Campos, teve o nome citado 130 mil vezes, 165% a mais que em junho.

Segundo a pesquisa, o desempenho de Dilma no período está relacionado à Copa do Mundo. Após a eliminação da seleção brasileira por 7 a 1 contra a Alemanha, Dilma atingiu o pico mensal de citações em julho: mais de 65 mil.

Já o pico de Aécio está relacionado às acusações sobre a construção de aeroporto no município de Cláudio (MG) em terreno que pertencia a sua família.

Leia aqui reportagem de Igor Salles sobre o assunto.

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Contraponto 14.339 - "Neoliberalismo e fundos abutre"

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04/08/2014

Neoliberalismo e fundos abutre

Os fundos abutre são o exemplo mais radical do caráter parasitário do capital especulativo, típico da era neoliberal.Os Brics começaram a apontar a alternativa.
 

Blog do Emir - 03/08/2014 às 12:19

por Emir Sader 

Quando se esgotava o ciclo longo expansivo do capitalismo, se impôs o debate sobre as razões desse esgotamento e as formas de retomada do desenvolvimento econômico. Triunfou a renascida versão do liberalismo, vocalizada, em particular, por Ronald Reagan, que disse que haveria que suspender os limites à livre circulação do capital, haveria que desregulamentar a economia. O capital voltaria a circular haveria investimentos, as economias voltariam a crescer e todos ganhariam.

Promoveu-se a livre circulação do capital em escala global, mediante a abertura dos mercados nacionais, a privatização de patrimônios públicos, a mercantilização do que antes eram direitos, a precarização das relações de trabalho, a retração do Estado, a centralidade do mercado. Mas o que aconteceu foi diferente do previsto.

Acontece que, como recordava sempre Marx, o capital não está feito para produzir, mas para acumular. Liberado das travas do período anterior, o capital se dirigiu, maciçamente, para a esfera financeira, onde ganha mais, tem liquidez total, paga menos impostos e exerce forte pressão sobre os governos. (Uma agência de apoio aos especuladores, uma vez concluiu suas sugestões, dizendo, literalmente : Aproveitem a festa, mas fiquem perto da porta. Em escala mundial se deu uma gigantesca fuga de capitais do setor produtivo ao especulativo, com o capital financeiro assumindo o papel hegemônico na era neoliberal do capitalismo.

O baixo crescimento ou a estagnação ou até mesmo a retração das economias se deve justamente ao fato de que o setor hegemônico na economia é um setor parasitário, que não produz nem bens, nem empregos. É o capital financeiro sob sua forma especulativa, que não financia o consumo, nem a produção, nem a pesquisa. Vive da compra e venda de papéis.

Os fundos abutre são o exemplo mais radical desse caráter parasitário do capital especulativo, típico da era neoliberal. Nesse caso, se valeram da crise da dívida dos países latino-americanos nos anos 1980 para impor normas draconianas a governos subalternos, parte fundamental da herança maldita recebida pelos governos antineoliberais. Empréstimos a juros brutais em troca da renuncia à soberania nacional.

Assim, mesmo os governos que reagiram contra o neoliberalismo, começando a construir alternativas a esse modelo esgotado, tem que enfrentar ainda essa herança. Para a direita seria sinal de fracasso dos governos progressistas, quando na realidade são ainda restos dos governos da própria direita.

Os Brics começaram a apontar a alternativa: um Banco de Desenvolvimento para o Sul do mundo, um fundo de apoio frente a problemas que possam enfrentar esses países. O conflito atual da Argentina com os fundos abutre representa os estertores do modelo contra o qual foram eleitos e reeleitos os governos progressistas, que constroem um modelo alternativo ao neoliberal.

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Contraponto 14.338 - "Deixe de usar lâmpadas incandescentes"

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04/08/2014


Deixe de usar lâmpadas incandescentes




led

 

 
Sergio AiexHoje eu estava conversando com um supervisor da Sabesp sobre a crise de água que estamos vivendo.

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Estávamos levantando a redução média no consumo que houve desde que essa crise apareceu.

Nas cidades da região metropolitana onde há incentivo financeiro, a redução medida ficou acima de 40% (exceto pelo período de Copa do Mundo, em que naturalmente houve um aumento). Isso não é apenas para nos pequenos consumidores, mas para todo o mercado.

É uma ótima notícia, mas acho uma pena que nós só economizemos quando há incentivo financeiro.

Os fabricantes de veículos são capazes, há muito tempo, de tratar a água que sobra do sistema de pintura. Hoje essa água é reutilizada por conta da seca, mas esses sistemas poderiam estar em uso há muito tempo e não estavam. Era mais barato usar água nova – não necessariamente mais sustentável.

E esse é só um exemplo entre vários.

Há, certamente, um desafio de infra-estrutura para os governos e empresas: o aumento da capacidade de geração de energia no Brasil está na pauta há um bom tempo; o de melhorar a captação de água em São Paulo entrou no radar por conta da crise.

Mas o desafio mais importante é da própria população, em diminuir seu consumo, senão o número absoluto, o per capita.

Em alguns casos, é necessário fazer alguma renovação. E pode acreditar, não fica caro: a utilização de equipamentos mais eficientes gera, na maioria das vezes, uma economia maior do que o gasto que temos mantendo equipamentos e produtos menos eficientes.

Você pode começar essa economia pela energia. É mais fácil e mais barato do que criar sistemas de reutilização de água, e já é uma grande coisa.

Montei uma tabela comparativa para os três principais tipos de lâmpadas que temos hoje: a incandescente comum, a fluorescente compacta e a de led.

A casa que usá-las vai ter o mesmo nível de luminosidade com qualquer que seja o tipo de lâmpada escolhida.

Para o consumo, vamos considerar um custo de R$0,32 por kW/h. Para as lâmpadas, consideremos que a incandescente custa três reais, a fluorescente compacta custa 18 reais e a de led custa 50 reais.

Vamos considerar um período de 10 anos. O tempo de vida útil máximo da lâmpada de led, a nossa opção mais durável nessa história, é de 17, 18 anos e uma utilização média de 8 horas por dia por lâmpada.
DCM-SUSTENTABILIDADE-LAMPADAS

A lâmpada de led é mais eficiente, e a longo prazo, acaba sendo mais barata também (é bom lembrar que para uma lâmpada durar 10 anos, é necessário que seja de boa qualidade).

Esse é só um passo para tornar a sua casa mais sustentável. Mas é sempre necessário começar pelo primeiro.

 
é engenheiro formado pela FEI. Com passagens por empresas como Areva (distribuidora de energia de alta tensão), Volkswagen e Sabesp, atua hoje no desenvolvimento, construção e manutenção de infraestruturas sustentáveis de sistemas de distribuição de água, escoamento e energia elétrica.
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domingo, 3 de agosto de 2014

Contraponto 14.337 - "As vítimas dos EUA "

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03/08/2014


As vítimas dos EUA 

 

Do Blog do Miro - domingo, 3 de agosto de 201

 

Por Emir Sader, na Rede Brasil Atual:


O que tem em comum o Afeganistão, o Iraque e a Líbia? Todos foram vitimas de brutais intervenções militares, que derrubaram seus governos e agora estão em franco processo de desagregação como países.

Com o fim da guerra fria, os EUA se tornaram a única superpotência e puderam impor a Pax Americana sem fronteiras. Avançaram tudo o que puderam no leste europeu e, sobretudo, no Oriente Médio. Não por acaso, os países que sofreram ocupações militares têm a ver com recursos energéticos, petróleo e/ou gás. (Grifo em verde negritado é do ContrapontoPIG)


Os EUA passaram a valer-se da sua inquestionável superioridade militar para militarizar os conflitos. Foi assim na ocupação do Afeganistão, do Iraque. Mais de 10 anos depois, os EUA não se mostram capazes de resolver dois conflitos militares ao mesmo tempo, sua retirada militar se mostra uma farsa, enquanto ambos países se encontra em processo de decomposição interna, com esfacelamento dos seus Estados, com a proliferação de grupos armados que se disputam o poder.

Na Líbia, deturpando uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que havia decidido por uma proteção à população civil, a OTAN montou uma gigantesca operação militar, que bombardeou a Líbia durante seis meses, ao mesmo tempo que armava grupos opositores internos. Não havia nessa ação nada que se parecesse a proteção da população civil. Uma operação que desembocou na queda do regime de Kadafi e na sua morte, de maneira muito similar ao que havia acontecido no Iraque.

A primavera árabe se havia iniciado com grandes movimentos populares no Egito e na Tunísia, que derrubaram ditaduras no poder há décadas, apoiadas pelas potencias ocidentais. Tentou-se estender à Líbia essa onda, algumas pessoas de esquerda, na Europa, chegaram a enganar-se com isso, mas logo ficou claro que não havia nada similar à primavera árabe na Líbia, não se tratava de movimentos populares contra o regime, mas de uma operação militar da OTAN.

A ocupação do Afeganistão e do Iraque, há já mais de uma década, apresenta países desfeitos.

Mesmo eleições fantasmas realizadas recentemente e legitimadas pelos EUA, não conseguiram trazer legitimidade mínima aos governos eleitos com mínima participação popular. No Afeganistão dois candidatos reivindicam a vitória e não reconhecem o triunfo do outro. No Iraque, os próprios EUA consideram que o presidente reeleito do pais é um obstáculo para a tentativa de construção de um governo minimamente abrangente no pais, enquanto os curdos ocupam mais territórios no norte, e os islâmicos radicais ocuparam a segunda cidade da Líbia, incluídos importantes poços de petróleo e ameaçam avançar sobre Bagdá.

A Líbia também teve eleições há pouco tempo, no começo de agosto deveria tomar posse o novo Parlamento, em meio a lutas já não apenas políticas, mas abertamente militares entre facções armadas. Em Bengházi, cidade em que mais se concentrou a repartição de armamentos aos grupos internos opostos ao regime de Kadafi, há enfrentamentos militares abertos, ao mesmo tempo que o aeroporto da capital está praticamente destruído pela disputa entre dois grupos militares. Um incêndio em poços de petróleo ameaça provocar um desastre de proporções incontroláveis no pais.

Afeganistão, Iraque e Líbia tem em comum serem vitimas de ocupações militares das potencias ocidentais que, nos dois primeiros casos, destruíram algumas das mais antigas e avançadas civilizações do mundo. A Líbia apresenta, por sua vez, penosas imagens de uma sociedade destruída, abandonada agora por todas as mais importantes representações diplomáticas, entregue a seu destino.
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Contraponto 14.336 - "O esforço da Veja para varrer o aecioporto para debaixo do tapete"


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03/08/2014

 

O esforço da Veja para varrer o aecioporto para debaixo do tapete

 

Tijolaço - 3 de agosto de 2014 | 04:50

bessinha09876
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Miguel do Rosário 


Que a Veja se tornou um fenômeno antes psiquiátrico do que propriamente midiático, disso já sabíamos.

No entanto, ela se supera a cada dia.

Do psiquiátrico ela tem migrado para o escatológico.

O novo “escândalo” fabricado por ela revela o desespero de varrer o aecioporto para debaixo do tapete.

Do que se trata o escândalo?

Um vídeo com parlamentares aliados passando instruções ou apenas conversando com figuras aliadas, num preparativo para uma CPI.

CPI é um evento político. Tem situação e oposição.

A situação defende os aliados do governo.

A oposição ataca os aliados do governo.

Escândalo seria se flagrássemos Alvaro Dias tentando ajudar Graça Foster. Aí sim, todos ficariam espantados!

Tentar criar uma CPI da CPI corresponde ao apogeu do ridículo. É como ver um tucano devorando a própria cauda.

Ora, se a oposição tem espaço garantido na CPI, mesmo minoritário, então ela que faça as perguntas que quiser fazer.

Como fizeram, aliás.

A oposição fez perguntas incômodas a Graça Foster, a Sergio Gabrielli, a Nestor Cerveró.
Eles já foram diversas vezes ao Congresso. Porque há uma redundância. Há duas CPIs, sobre o mesmo tema, acontecendo ao mesmo tempo.

Cada vez que Graça Foster vai a CPI, para repetir a mesma coisa, ela deixa de trabalhar, e isso atrapalha a Petrobrás.

Petrobrás cuja produção tem batido recorde e cujas ações se valorizaram mais de 70% nos últimos meses.

Foster, Gabrielli, Cerveró, estiveram várias vezes no Congresso, em CPIs.

Os tucanos é que nunca dão as caras em CPIs que os investigam.

Como eles são blindados e protegidos pela mídia, quase não há CPI investigando tucano.

E quando há, a mídia faz de tudo para abafá-la, até porque, sempre que se investiga tucano, a mídia entra na história. Como réu.

Foi o caso da CPI do Cachoeira. Mais um pouco, e se tornaria uma CPI da mídia, porque o Brasil estava descobrindo as relações íntimas entre a bandidagem e o jornalismo.

É hora de chamar Aécio Neves numa CPI para explicar porque construiu aeroporto na terra de seu tio, e porque este foi o aeroporto mais caro do Brasil.

É hora de chamar os chefões da Globo para explicar a sonegação de R$ 615 milhões, feita através de uma “intrincada engenharia financeira para ludibriar a Receita”, segundo as palavras do auditor fiscal responsável pelo processo.

A Petrobrás é importante demais para ser alvo de abutres que sempre quiseram destruí-la.

A Petrobrás é uma empresa mista regulada, supervisionada, monitorada, por diversos órgãos, nacionais e internacionais.

Se existe uma coisa a ser investigada na CPI da Petrobrás é o afundamento da plataforma P-36.

Era a maior plataforma do mundo. O prejuízo foi incalculável.

Morreu gente.



Brasil quer saber como afundou a P-36



Enquanto Gabrielli e Graça Foster compraram refinarias, construíram outras, e apostaram no crescimento da produção de petróleo bruto de um lado e refinado de outro, os tucanos venderam metade da Petrobrás para fundos abutres da Bolsa de Nova York.

Não descobriram petróleo. Não fizeram nem compraram refinarias.

Apenas privatizaram, sucatearam e afundaram a maior plataforma do mundo.

Hoje uma boa parte do lucro da Petrobrás vai para bilionários estrangeiros.

Esses mesmos bilionários fazem pressão, através da mídia, para que a Petrobrás dê lucro rápido e fácil, para eles gastarem em festinhas, iates e… jatinhos.

Jatinhos que pousam em aeroportos particulares construídos, no caso de Minas Gerais, com dinheiro público.

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Contraponto 14.335 - "Altman desmonta a tese da autodefesa de Israel "

247 - Em artigo publicado neste domingo, o jornalista Breno Altman, diretor do Opera Mundi, desmonta a tese de que Israel exerce o le
gítimo direito de defesa em sua ofensiva contro o povo palestino.
Leia abaixo:

SOBRE O DIREITO DE ISRAEL A SE DEFENDER

Por Breno Altman

O governo de Netanyahu alega que os ataques a Gaza são legítima defesa. Como se a situação tivesse começado com lançamento de mísseis pelo Hamas.

O argumento, para início de conversa, tem um déficit original: ao menos desde 1967, quando tomou a força territórios árabes, Israel é o Estado agressor. Os palestinos, desde então, são os que possuem direito natural à auto-defesa e à rebelião, como está escrito na Carta das Nações Unidas sobre povos submetidos a situação colonial.

Segundo, os mísseis do Hamas foram uma resposta, independente do juízo que se faça dela, à maneira como o governo de Israel conduziu o caso dos três jovens israelenses cruelmente assassinados. Ao contrário de considerar um caso policial, que pressuporia investigação e julgamento conduzido pela Autoridade Palestina, dentro de um prazo razoável, Netanyahu tratou como um tema militar, lançou uma onda de prisão em massa contra palestinos e denunciou a responsabilidade do Hamas sem que houvesse provas conclusivas a esse respeito. A organização islâmica contestou com seus disparos a esmo os gritos de guerra e a repressão generalizada conduzida pelo governo de Israel.

Terceiro, não se pode considerar "direito de defesa" um massacre como o que está em curso, com mais de 1,5 mil palestinos mortos, a maioria civil, incluindo mulheres e quase trezentas crianças, além de ataques a edifícios sob controle das Nações Unidas.

Estes três argumentos são suficientes para desmascarar o suposto caráter defensivo da escalada em Gaza. O nome do que faz o governo de Israel é crime de guerra.

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Contraponto 14.334 -"Denúncia" de Veja, repercutida em 4 minutos e 42 segundos do Jornal Nacional, faz lembrar ofensiva midiática de 2006

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03/08/2014

“Denúncia” de Veja, repercutida em 4 minutos e 42 segundos do Jornal Nacional, faz lembrar ofensiva midiática de 2006


Do Viomundo - publicado em 3 de agosto de 2014 às 16:56

trama
De volta ao passado: o objetivo então era levar ao segundo turno. Levaram

por Luiz Carlos Azenha

O “novo escândalo” da Veja, sobre suposto vazamento de perguntas — que de qualquer forma seriam tornadas públicas — aos que foram ouvidos na CPI da Petrobras me parece uma manobra diversionista para mudar de assunto. Tirar o noticiário de Cláudio e Montezuma e trazer Dilma Rousseff mais uma vez para o domínio absoluto das manchetes.

Quando eu era repórter da TV Globo, em 2005, antecedendo minha primeira cobertura de eleições presidenciais no Brasil — havia morado quase duas décadas nos Estados Unidos –, uma investigação que fizemos sobre caixa 2 em Goiás acabou em uma das CPIs que trabalhavam simultaneamente em Brasília.

Vi com meus próprios olhos uma importante jornalista da Globo, de alta patente, que me ciceroneava em um ambiente desconhecido, visitando gabinetes de deputados e senadores para troca de informações. No do então deputado ACM Neto, que participaria do depoimento do homem investigado por nós, houve até entrega de documentos e sugestão de perguntas. Eu vi isso acontecer e, francamente, não me espantei.

Se o objetivo de uma CPI é esclarecer os fatos, não há perguntas, nem assuntos secretos. Os depoentes devem trazer todos os esclarecimentos que forem necessários à opinião pública. A existência de parlamentares de diferentes correntes políticas é garantia de que teremos todo tipo de pergunta, das “levantadas de bola” às “pegadinhas”, das críticas às bajulatórias. Bancadas inteiras combinam estratégias. Não há motivo para guardar nenhuma informação em sigilo, se se pretende de fato esclarecer o assunto.

Qual é o problema de perguntas serem organizadas para facilitar os esclarecimentos do depoente?

Isso não significa que ele vá responder apenas àquelas perguntas, já que a oposição estará presente. O problema está nas mentiras do depoente, não nas perguntas feitas a ele. Não há nada de errado quando um governo tenta vender à opinião pública sua versão dos fatos, desde que a oposição possa, igualmente, fazê-lo. Vamos combinar que não falta espaço na mídia à oposição brasileira, certo?
Portanto, trata-se de uma denúncia tola, transformada em manchete por uma gravação subterrânea, vendida como “comprometedora”.

O que me chamou a atenção naquela CPI de 2005, na verdade, foi que o homem por nós investigado, dono de uma seguradora, quando abriu os arquivos em seu depoimento deixou claro que havia feito doações por fora a todos os partidos políticos, não só ao PT mas também ao PSDB, PMDB, PFL e outros. Assim que isso ficou explícito e demonstrado, acabou nossa investigação. Fui mandado de volta a São Paulo…

Naquele período eleitoral, também constatei por dentro a mecânica da mídia: denúncia na capa da Veja entre sexta e sábado, repercussão acrítica no Jornal Nacional de sábado, bola rolando a partir de domingo na Folha, Estadão e O Globo.

Não foi o que se chama de “nota pelada” do Jornal Nacional, algo passageiro, sem imagens, na edição de ontem. Foram 4 minutos e 42 segundos falando sobre a denúncia de Veja, uma enormidade! Se fosse em comerciais, teria um custo próximo dos R$ 4 milhões. Frequentemente, quando eu era correspondente em Nova York, precisava explicar assuntos complexos, como a crise que precedeu a invasão do Iraque, em 60 segundos.

O que a Globo fez ontem se chama no meio jornalístico de “dar pernas” a uma denúncia.

Eu mesmo, num plantão, fui convocado para fazer uma destas “reportagens”, que envolvia um irmão do então presidente Lula. Argumentei com meu chefe direto que seria impossível fazer uma apuração independente do conteúdo da revista. Estávamos dando tudo aquilo como límpido e verdadeiro. O certo seria fazer nossa própria apuração a partir dos dados trazidos pela Veja. E se as informações não se confirmassem? Resposta dele: é isso mesmo, é apenas para reproduzir trechos da revista.

Foi nesse quadro que, mais tarde, houve um revolta interna na redação da Globo de São Paulo, que envolveu um grande número de profissionais, resultou na demissão de Rodrigo Vianna e, mais tarde, influenciou minha decisão de pedir rescisão antecipada de meu contrato, que venceria quase dois anos depois, para estudar internet nos Estados Unidos. Não me arrependo e, a julgar pelo que aconteceu neste fim-de-semana, vejo que o método da mídia corporativa não mudou. Saiu na capa de Veja, teve grande repercussão no Jornal Nacional e…

A suspeita que eu tinha então agora está desfeita. Não duvido mais que seja tudo combinado. Se não fosse, por que a denúncia da Folha sobre o aeroporto de Cláudio não detonou imediatamente o mesmo rolo compressor investigativo?

Talvez a existência dos blogs e das redes sociais tenha acabado com as mentiras mais deslavadas. A manipulação da mídia corporativa agora é exercida na escolha da pauta e nos recursos direcionados para apurar este ou aquele assunto, de acordo com as conveniências políticas, econômicas ou ideológicas. De volta a 2006!

Leia também:
Luciano Martins Costa: Em julho, 97,6% das manchetes sobre a economia brasileira foram negativas
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Contraponto 14.333 - "O encontro de dois escândalos"

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03/08/2014

O encontro de dois escândalos

 

Blog Juca Kfouri -

 
POR LEONARDO DUPIN*


Uma distância de apenas 14 quilômetros separa os dois escândalos recentes da política nacional que envolvem dois senadores por Minas Gerais, o ex-presidente do Cruzeiro, Zezé Perrela (PDT) e o candidato a presidente Aécio Neves (PSDB).

A pista de pouso e decolagem construída durante o governo de Aécio Neves em Cláudio, no Centro-Oeste mineiro, em um terreno que pertenceu a fazenda do tio avô do candidato tucano fica distante 14 quilômetros de Sabarazinho, um povoado de Itapecerica, também no Centro-Oeste Mineiro, onde o helicóptero da empresa Limeira Agropecuária, da família do senador Zezé Perrela, fez uma parada para reabastecimento carregado com 445kg de pasta base de cocaína, em novembro do ano passado.

A parada em um ponto de Sabarazinho aconteceu três horas e meia antes da apreensão da aeronave por policiais militares e federais em um sítio em Afonso Cláudio, no Espírito Santo. O valor da carga é estimada em R$ 10 milhões, podendo multiplicar por dez com o refino. Segundo o inquérito da PF, o carregamento foi feito em Pedro Juan Cabalero, no Paraguai, e tinha como possível destino Amsterdam, na Holanda, o que configura tráfico internacional.

No dia 20 do mês passado, reportagem do jornalista Lucas Ferraz, da “Folha de S.Paulo”, revelou que Aécio Neves construiu a pista na fazenda que pertenceu a seu tio-avô, além de ficar próxima a uma propriedade da família do candidato.

Na última semana, Aécio Neves admitiu que já usou a pista, mesmo o espaço ainda não tendo sido homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil.

O investimento do governo mineiro para a construção da pista foi de R$ 14 milhões. Cláudio tem 25 mil habitantes e está distante 50 quilômetros de Divinópolis, onde já existia uma pista de pouso e decolagem.

O cruzamento dos dois escândalos – do helicóptero e da pista – é comprovado pelos documentos considerados sigilosos do inquérito da Polícia Federal (PF), que este repórter teve acesso.

A PF constatou, com base no rastreamento do GPS do helicóptero e nas anotações do plano de vôo dos pilotos, ambos apreendidos e examinados pela perícia técnica, que o helicóptero carregado com quase meia tonelada de pasta base de cocaína parou em um ponto próximo ao povoado de Sabarazinho.

Segundo o inquérito da PF, no dia 24 de novembro de 2013, às 14h17, aproximadamente três horas e meia antes do helicóptero ser apreendido pela polícia no município de Afonso Cláudio, no Espírito Santo, a aeronave ficou parada por trinta minutos numa fazenda do povoado, onde duas pessoas aguardavam o pouso com galões de combustível.

A localidade fica a 14 quilômetros da pista de Cláudio e também das fazendas da fmília Tolentino, onde nasceu Risoleta Neves, esposa de Tancredo Neves e avó de Aécio Neves.

O município de Cláudio chega, inclusive, a ser citado no inquérito na análise das mensagens telefônicas dos pilotos, que foram captadas pelas Estações de Rádio Base (ERB), que são os equipamentos que fazem a conexão entre os telefones celulares e a companhia telefônica.

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Mapa mostra distância entre a pista de pouso e o local em que o helicóptero parou para reabastecimento

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Detalhe do inquérito da PF, com o local de parada do helicóptero em Sabarazinho
Suspeita que não foi desvendada
O helicóptero foi apreendido no dia 24 de novembro. Três dias depois, 27 de novembro, após a apreensão ganhar destaque na mídia, o proprietário da terra fez uma denúncia para a Polícia Militar de Divinópolis. Segundo a PM, tal denúncia foi feita de maneira “anônima”.O proprietário afirma que avistou um helicóptero sobrevoando a região em baixa altitude e depois encontrou em suas terras 13 galões, de 20 litros cada, com substância semelhante a querosene.

Como o Boletim foi realizado após a apreensão do helicóptero, o delegado da Polícia Federal em Divinópolis, Leonardo Baeta Damasceno, afirma no inquérito não descartar o envolvimento de pessoas da região e recomenda como imprescindível uma diligência sigilosa no local, para saber quem são o dono do terreno e as pessoas que tem livre acesso ao local.

Porém, ainda de acordo com o inquérito que esse repórter teve acesso a diligência não foi realizada. Em outra página do inquérito, o proprietário é inocentado sem explicação convincente, dessa vez por documento assinado pelo agente da PF, Rafael Rodrigo Pacheco Salaroli, que afirma: “A total isenção da propriedade e de seu proprietário na empreitada criminosa, restando, portanto, a terceiros sem ligação com o local, a atuação delituosa de reabastecimento da aeronave”.


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Trecho do inquérito descartando a investigação no local do abastecimento em Sabarazinho
Parente é serpente
Tancredo Aladim Rocha Tolentino é primo de Aécio Neves e filho de Múcio Guimarães Tolentino, o tio-avô do candidato tucano que teve a terra desapropriada para a construção da pista em Cláudio. Quêdo, como é conhecido, é o responsável, segundo o jornal Folha de São Paulo, por controlar a chave do aeroporto público de Cláudio, que fica distante seis quilômetros da fazenda frequentada por Aécio Neves.


Em 2012, Quêdo tentou se candidatar a prefeito de Cláudio, mas foi impedido pela lei da Ficha Limpa devido a pendências judiciais. Meses antes, Quêdo foi preso na operação “Jus Postulandi”, da Polícia Federal, por participar de uma quadrilha especializada na venda de habeas corpus para traficantes de drogas.

Quêdo, segundo a denúncia, fazia a intermediação do negócio. Ele recebia a quantia, que variava entre R$ 120 mil e R$ 240 mil dos traficantes, ficava com uma parte do dinheiro e repassava o restante ao desembargador Hélcio Valentim, que determinava a expedição de alvará de soltura dos presos.

Em três casos descritos na denúncia realizada pelo subprocurador-geral da República Eitel Santiago, as liminares foram negociadas para favorecer presos por tráfico de drogas. Um dos beneficiários foi preso em flagrante, em julho de 2010, num sítio do distrito de Marilândia, também pertencente a Itapecerica, com cerca de 60 quilos de pasta-base de cocaína.
O processo será julgado no STJ e Quedo responderá por formação de quadrilha e três vezes por corrupção, duas delas “ativa qualificada”.

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Trechos da denúncia do procurador Etiel Santiago, que acusa o primo de Aécio Neves de participar de uma quadrilha de venda de habeas corpus para traficantes de drogas



* Leonardo Dupin é jornalista e doutorando em Ciências Sociais na Unicamp.
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