quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Contraponto 14.360 - "Max Altman: Israel não é — e não pode ser o 'Estado Judeu' "


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 06/08/2014

 

Max Altman: Israel não é — e não pode ser o “Estado Judeu”

 

Do Viomundo - publicado em 6 de agosto de 2014 às 9:58



gaza




por Max Altman, no blog do Altamiro Borges

Faz tempo que as forças da direita e extrema-direita em Israel, hoje amplamente majoritárias, e as entidades do ‘establishment’ judaicos em todo o mundo, tentam criar a matriz de opinião de que o antissionismo é a outra ou a nova face do antissemitismo.

Este argumento, produzido com o objetivo de criar a ilusão da verdade, é inconsistente, incorreto e deliberadamente enganoso.

. A estratégia é clara e serve aos interesses ideológicos dos sucessivos governos de direita de Israel: qualquer crítica a esses governos, a sua política belicista e expansionista ou aos objetivos históricos do sionismo leva os críticos a receber a pecha de antissemitas, e se forem judeus, ainda a de traidores e de vergonha de serem judeus.

A identificação de antissionismo com antissemitismo é levantada como escudo moral, esperto e cínico.

É que antissemitismo carrega uma conotação milenar de discriminação, perseguição, humilhação, condenação, extermínio de um povo pelos detentores de poder nos vários momentos da História: Inquisição, “pogroms”, Holocausto …

Vasta parcela da humanidade defensora das liberdades, dos direitos humanos, da justiça social, da convivência e fraternidade entre os povos, da paz, em especial a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, e diante dos horrores do nazi-fascismo, passaram a ver a discriminação contra os judeus como a mais abjeta das discriminações raciais.

Qualquer manifestação antissemita é imediatamente condenada e seus responsáveis execrados.
Foi no cenário de pós-Segunda Guerra Mundial que as Nações Unidas aprovaram a Partilha da Palestina.

Judeus progressistas não sionistas e de esquerda em todo mundo — e pode-se afirmar que na altura tinham importante peso numérico – saudaram o novo Estado. Afinal, a União Soviética saia da hecatombe mundial com enorme prestígio.

O Exército Vermelho, principal responsável pela derrota de Hitler, salvara a humanidade da sanha do nazi-fascismo. E na sua ofensiva ao coração da Alemanha nazista abriu as portas do sinistro campo de extermínio de Auschwitz.

Isto calou fundo na alma de grande parte do povo judeu. O episódio da libertação de Auschwitz pelas tropas soviéticas marca nos dias de hoje a lembrança anual do Holocausto.

Na decisão da Partilha da Palestina a URSS logo se mostrou favorável ao anseio dos judeus sionistas de se estabelecer nas terras ancestrais. A ideia de uma região autônoma judaica já tinha se tornado realidade na criação – algo esdrúxula — pelo governo soviético em 1934 de Birobidjan na longínqua fronteira com a China, mas o projeto não foi adiante.

Os Estados Unidos a princípio se mostraram reticentes e a Grã Bretanha, por seus interesses na região, resistiu o quanto pode.

Os judeus progressistas não sionistas saudaram a proclamação da independência de Israel.
No conflito bélico que se seguiu, armas provenientes da Tchecoslováquia, país-membro do bloco socialista, serviram para consolidar o Estado.

Mas criticaram duramente a expulsão e a pilhagem dos habitantes que há séculos viviam naquelas terras, bem como os massacres praticados por organizações terroristas judaicas como o Irgun e o Stern contra a população palestina.

Centenas de milhares de judeus de todo o mundo emigraram para Israel. Muitos dos sobreviventes da “solução final” simplesmente queriam iniciar uma nova vida no país que se formava.

A maioria acreditou na consigna de Theodor Herzl “dar a um povo sem terra a uma terra sem povo”, essência do sionismo. Historicamente falso, porque aqueles territórios eram ocupados por uma população autóctone palestina que convivia com uma população judaica, então minoritária.

Os fundadores da nação israelense eram militantes sionistas na Europa nas primeiras décadas do século 20, bastante influenciados pelos ideais do socialismo e da social-democracia. E isto se refletiu no modelo de país que acabaram formando.

Os dois pilares desta construção – e a marca daqueles primeiros tempos – foram, na cidade, o Histadruth, a poderosa federação de trabalhadores, no campo, os ‘kibutzim’, fazendas coletivas de forte inspiração socialista (hoje reduzidos a uma expressão desprezível).

Constituiu-se como um Estado laico, embora com pesadas concessões ao segmento religioso conservador especialmente no que dizia respeito aos direitos civis.
Um expressivo contingente populacional árabe permaneceu no território no novo Estado. Partidos trabalhistas de centro-esquerda e esquerda sionista dominavam o Knesset (parlamento) e o partido da esquerda não sionista que reunia judeus e árabes tinha importante presença na cena política. A convivência com os palestinos e os países árabes vizinhos era tolerável. 
As coisas começaram a mudar quando Israel resolveu estabelecer no começo dos anos 1950 com os Estados Unidos uma íntima relação geo-estratégica.

A situação foi se tornando complexa e se sucedem guerras – nacionalização do Canal de Suez, Guerra dos Seis Dias, Guerra do Yom Kipur, ocupação, atentados terroristas com homens bombas, massacres – Munique, Sabra e Chatila, Intifadas, retaliações sangrentas de lado a lado, o ódio se alastrando e o fosso da discórdia se abrindo.

Houve momentos em que as negociações de paz poderiam chegar a bom termo – Acordo de Camp David, Acordos de Oslo. O assassinato de Yitzhak Rabin por um fundamentalista de extrema-direita pôs tudo a perder.

Outro fenômeno foi uma radical mudança na composição demográfica. O denso fluxo imigratório dos judeus da ex-União Soviética e dos países árabes, além do crescimento da população religiosa judaica ultraconservadora nos anos 1980 fez com que a base eleitoral se inclinasse hegemonicamente para a direita elegendo, daí por diante e por grande maioria, partidos de direita e extrema-direita que hoje governam Israel.

O sionismo dessa gente comandada por Netanyahu e Lieberman, pelas mãos de seus cães de guerra, está cometendo crimes de guerra, ultrajando moralmente os valores seculares do judaísmo.
O repetido massacre de crianças, recolhidas em abrigos das Nações Unidas, constitui uma grave e imperdoável violação das leis humanitárias universais.

Seria capaz algum ser humano sensível e justo defender essa selvageria, a punição coletiva de um povo? O ser humano, seja ele judeu ou não, que abomina o horror dos bombardeios a que se assiste em Gaza pode ser acoimado de antissemita?

Podem ser chamadas de antissemitas as pessoas que se opõem à política sionista de extensão dos assentamentos na Cisjordânia, anexando aos poucos o que chamam de Judeia e Samária, ou seja, o “Grande Israel”, expulsando os palestinos para fora dessas fronteiras?

Circula nas redes sociais manifesto de entidades progressistas judaicas de longa tradição da Argentina, do Brasil e do Uruguai.

Condenam a direita israelense e o Hamas como cúmplices da destruição de qualquer avanço nas negociações em direção a uma paz justa e duradoura.

E propõe:

1. Um imediato, incondicional e permanente cessar-fogo entre Israel e a Faixa de Gaza, com a retirada das tropas israelenses. Que o cessar-fogo seja supervisionado pelos capacetes azuis da ONU;

2. Desocupação dos territórios palestinos, estabelecendo-se novas fronteiras com base nas linhas existentes antes da guerra de junho de 1967 e respeitando-se a resolução número 242, da ONU, aprovada em 22 de novembro de 1967;

3. A implementação da fórmula dois povos para dois estados, com reconhecimento mútuo e garantias para a segurança de ambos. Que o estado palestino tenha direito a manter todas as instituições definidoras de um estado moderno;

4. O combate a todas as manifestações de antissemitismo originadas no conflito entre os dois povos. Repudiamos energicamente as tentativas de criminalizar todo o povo judeu por conta de atitudes dos governos israelenses. Podem essas entidades que tradicionalmente se opuseram e se opõem ao sionismo também ser tachadas de antissemitas?

Israel não é — e não pode ser o ‘Estado Judeu’.

Nele habitam atualmente cerca de 21 por cento de cidadãos árabes-israelenses.

Um ‘Estado Judeu’ os excluiria e se transformaria numa nação racista. Amplos setores políticos já vem propondo essa limpeza étnica.

O chanceler Avigdor Lieberman, por exemplo, líder do partido Beiteinu (Nosso Lar) com forte bancada no parlamento, defende que os árabes-palestinos sejam deslocados para algum território fora das fronteiras atuais de Israel. Isto se chama limpeza étnica.

Há um clima atual em Israel de patriotismo fanático, cego e opressivo. Já não é raro se ouvir nas ruas de Tel Aviv e Jerusalém gritos de “Morte aos árabes” e “Morte aos esquerdistas”. É assustador. A História já nos mostrou.

Leia também:

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Contraponto 14.359 - "Santayana: Por que os EUA perdem e temem o avanço dos Brics"

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06/08/2014


Santayana: Por que os EUA perdem e temem o avanço dos Brics

 

Do Viomundo - publicado em 5 de agosto de 2014 às 18:08


OUT


Por que os Estados Unidos perdem

por Mauro Santayana, em seu blog

(Jornal do Brasil) – O Brasil e os Estados Unidos, cada um por suas razões, acabam de retirar seu pessoal diplomático de Trípoli, na esteira da desastrada intervenção dos EUA e da OTAN na Líbia, que teve como consequência a entrega de uma das mais desenvolvidas nações do continente africano a uma matilha de quadrilhas radicais islâmicas, após a derrubada e o assassinato de Muamar Kadafi, em 2011.

Brasília está fechando sua embaixada para proteger seus funcionários. Os EUA, porque, assim como ocorreu no Iraque, foram taticamente derrotados e falharam em colocar no poder governos fantoches, apesar de terem destroçado política e socialmente esses países, deixando, como está acontecendo na Síria, como rastro de sua interferência, direta ou indireta, centenas de milhares de mortos e milhões de refugiados.

Único país do mundo a possuir, sem necessidade de lastro, uma impressora de dinheiro em casa, e a contar com gigantesca máquina de inteligência, espionagem e propaganda, os EUA teriam tudo para, se quisessem, como diria o teórico da auto-ajuda Dale Carnegie, “ganhar amigos e influenciar as pessoas”, incentivando a paz e o desenvolvimento nos países mais pobres, por meio de “soft power”.

Cinco principais razões, no entanto, impedem a república norte-americana de fazer isso:

Em primeiro lugar, o grande business do medo, tocado, protegido, irrigado como frondosa
 e delicada árvore, todos os dias, por milhares de pseudo-intelectuais, “filósofos”, acadêmicos, “pesquisadores” e jornalistas, que vivem de provocar, induzir e realimentar as indústrias do anticomunismo, do anti-islamismo, do “anti-chinesismo”, do anti-russismo, do anti-castrismo, do anti-bolivarianismo, etc.

Em segundo lugar, o complexo imperial da direita fundamentalista norte-americana, que acredita, piamente, ter herdado, dos pais fundadores, exclusivo e expresso mandato recebido – como as Tábuas da Lei – diretamente das mãos de Deus, para conduzir o mundo e o destino da Humanidade.

Em terceiro lugar, a política interna, na qual democratas e republicanos, e concorrentes a indicações e a candidaturas, às vezes até do mesmo partido, se acusam mutuamente de desdenhar a segurança, o que coloca a questão da defesa sempre em primeiro plano no embate político, partidário e eleitoral.

Em quarto lugar, os interesses de um imenso complexo industrial-militar que movimenta milhões de pessoas e centenas de bilhões de dólares na pesquisa, desenvolvimento e fabricação de novas armas, que precisam ter sua existência justificada e ser usadas de alguma forma.

E, finalmente, em quinto lugar, uma política externa e uma diplomacia que não conseguem sobreviver sem a desconfiança e a arrogância. Em seu trato com o resto do mundo, principalmente as nações menos favorecidas, os Estados Unidos poderiam usar a cenoura, mas preferem, como qualquer valentão de bairro, brandir o porrete, porque isso lhes dá prazer e a ilusão de força.

Com base em mentiras, como a existência de armas de destruição em massa, os EUA mataram Saddam Hussein e derrubaram Muammar Kadafi, armando um bando de psicopatas que linchou, no meio da rua, a socos e pontapés, o líder líbio, transformando seu rosto em uma espécie de hambúrguer.

Era Kadafi um tirano? Quando convinha, a Europa e os EUA não se aliaram e fizeram negócios com ele, assim como com outros ditadores que são ou foram apoiados pelo “ocidente”, em estados como a Arábia Saudita ou os Emirados Árabes, ou em países como o Chile de Pinochet e a Indonésia de Suharto ?

Sob a liderança de Saddam Hussein, o Iraque chegou a ser um dos países mais prósperos do Oriente Médio, com uma infraestrutura invejável, boa parte dela construída por brasileiros nos anos 1970 e 1980; e a Líbia, sob Muamar Kadafi, tinha o maior IDH africano.

Hoje, depois de guerras fomentadas e promovidas pelo “ocidente”, os dois países estão entregues a rebeldes islâmicos radicais, perto dos quais Kadafi e Saddam Hussein pareceriam anjos. E os Estados Unidos, depois de um custo financeiro e humano incalculável, estão saindo de Trípoli e de Bagdá escorraçados, como saíram do Vietnam e da Somália.

Em “Von Kriege”, Clausewitz escreveu que “a guerra é a continuação da política por outros meios…”, querendo afirmar a primazia da razão política sobre a força das armas. Para os Estados Unidos, a política é a continuação da guerra.

De uma guerra permanente que os opõe – como podemos ver pela espionagem contra seus próprios aliados, entre eles a Alemanha – ao resto do mundo.

Não por acaso, as únicas vezes em que os EUA foram efetivamente bem sucedidos, do ponto de vista bélico, foi quando lutaram claramente não em defesa de suas empresas e de sua elite, mas pela liberdade, no conflito contra a Inglaterra pela independência de seu território, e na Primeira e na Segunda guerras mundiais.

A Guerra Fria não passou de uma estratégia contínua e paranoide de isolar e enfraquecer a União Soviética, que saíra da Segunda Guerra Mundial e da Batalha de Berlim como uma nação vitoriosa, sem a qual o nazismo não teria sido derrotado.

Hoje, embora não o admita, a direita norte-americana está extremamente preocupada com o avanço do BRICS e mais especialmente da China.

Nos próximos anos, se os EUA não mudarem, esse avanço será cada vez mais eficaz e inexorável.
Não pelo fato de que Pequim esteja se armando militarmente, assim como os outros BRICS. Mas porque, na maioria dos lugares em que chegam, países como o Brasil e a China o fazem por meio de obras, comércio, investimentos, portos, estradas, pontes, ferrovias. E os Estados Unidos, a OTAN, e seus aliados, por meio de mentiras, intrigas e discórdia, bombardeios, drones e porta-aviões.

 Leia também:
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Contraponto 14.358 - "PSDB fez media training em CPI. E agora?"

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06/08/2014


PSDB fez media training em CPI. E agora?


Do Cafezinho - 06/08/2014


Por Miguel do Rosário, postado em agosto 6th, 2014


O Brasil tem duas Constituições, dois sistemas penais, dois parâmetros morais, dois padrões jornalísticos.

De um lado, pode-se fazer tudo. Desvia-se um bilhão de reais. Abre-se conta na Suíça para guardar esse dinheiro. Uma emissora sonega centenas de milhões. As informações vazam com documentos, provas, testemunhos.

Ninguém faz nada. Ninguém fala nada. Está tudo certo.

Do outro lado, pega-se um ministro comprando uma tapioca em Brasília. É acusado de usar indevidamente o cartão corporativo. O ministro diz que o cartão pode ser usado imediatamente fora de Brasília e por isso se confundiu. Pede desculpas e paga a tapioca do próprio bolso.

Cai o mundo. Cai o ministro.

Vejamos o novo “escândalo”.

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 O PSDB sempre fez media training em CPI, aberta e francamente. Inclusive divulga a estratégia para os jornais, que publicam a notícia.
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A descoberta da notícia é do colega Stanley Burburinho, e foi publicada no blog Conversa Afiada.

A notícia é tão corriqueira que não merece nenhuma manchete, nenhum editorial, nenhuma indignação. É uma coisa normal. A CPI interessa à oposição, não ao governo, que tem preocupações outras. Governar, por exemplo.

Quando é o PT que faz a mesma coisa, é uma “fraude”, um “escândalo”!

Imaginem um ministro de Minas e Energia responsável pela crise do apagão de 2001 a 2002, que surrupiou bilhões de reais da economia e destruiu milhões de empregos.

Imaginem que esse mesmo ministro também estava à frente do Conselho de Administração da Petrobrás no momento em que a P-36, a maior plataforma de petróleo do mundo, afundou. Prejuízo: incalculável, porque a plataforma parou de produzir e morreu gente. Teríamos que calcular quanto custa construir uma nova plataforma, quanto se perdeu ao deixar de explorar petróleo por tantos anos e as consequências dessa queda de produção na balança comercial, e todo efeito-cascata disso.

Imaginem que rigorosamente a mesma pessoa também se envolveu com uma confusa troca de ações com uma subsidiária da Repsol na Argentina, provocando prejuízos de quase US$ 3 bilhões (em valores não atualizados).

Imaginem que esse indivíduo infeliz pertence ao grupo que governou o país por oito anos e hoje está na oposição.

Pois bem, agora a grande piada do milênio.

Imagine que esse mesmo ministro, após todas as cagadas que fez, se torna membro do Tribunal de Contas da União (TCU) e relator de um processo contra… a Petrobrás, a principal estatal do governo dominado pelo partido adversário.

A situação encaixa-se perfeitamente num romance fantástico de Gabriel Garcia Márquez.

A mídia, por sua vez, não faz nenhuma ponderação ao fato de José Jorge, ministro do TCU, ter um histórico incompatível com a necessidade de avaliar a Petrobrás com imparcialidade.

A bem da verdade, quem deveria ser investigado numa CPI é o próprio José Jorge.

Sob sua gestão, a Petrobrás não comprou nem construiu nenhuma refinaria, e sim vendeu as que tinha.

Para a imprensa brasileira, o escândalo é quando a Petrobrás amplia sua produção, o seu patrimônio e o seu faturamento.

Quando vende o que tem a preço de banana, na bacia das almas da especulação internacional, aí ela está “se modernizando”.  Ninguém investiga as negociatas das privatizações.

Abaixo, artigo do Paulo Moreira Leite, sobre o mesmo tema.

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ONDE ESTÁ JOSÉ JORGE?

por Paulo Moreira Leite, em seu blog.

5 de agosto de 2014 -

O destino de José Jorge, ministro do TCU, relator de cinco denúncias contra diretores da Petrobrás, é alvo de justas preocupações por parte da CPI.

Ele já foi convidado para dar depoimento mas não disse nem sim nem não e, a qualquer momento pode ser convocado pelos parlamentares para dar depoimento e, neste caso, será obrigado a comparecer. A requisição do senador Antonio Carlos Rodrigues, de São Paulo, está pronta para ser debatida e votada.

O TCU, não custa lembrar, não é um poder autônomo. É um órgão auxiliar do Legislativo, a quem presta assessoria jurídica.

José Jorge chegou ao tribunal por indicação de Fernando Henrique Cardoso e, antes disso, foi ministro das Minas e Energia durante o reinado tucano. Na condição de ministro, presidiu o Conselho Administrativo da Petrobrás e ocupava o posto quando ocorreram dois desastres na empresa.

O primeiro foi uma ruinosa troca de ações com uma subsidiária da Repsol, na Argentina. Prejuízo estimado: US$ 2,5 bilhões. O segundo foi o naufrágio da P-36, plataforma oceânica, responsável por 6% do petróleo do país. Prejuízo estimado: US$ 1 bilhão por ano.

Referindo-se aquele período em que José Jorge era o manda-chuva na área de energia brasileira, a revista VEJA fez uma observação curiosa, sem dar nomes, mas reveladora do que se passava na maior empresa brasileira:

“Um urubu pousou no ombro da Petrobras e nada consegue espantá-lo”.

Você já fez as contas: no armário de José Jorge guarda-se um esqueleto equivalente, por baixo, a cinco vezes aquele prejuízo que, em teoria foi produzido pela compra de Pasadena. Detalhe: Pasadena existe, refina petróleo e pode dar lucro. Se a economia americana mantiver o ritmo deste ano, o prejuízo registrado na compra. Quanto a plataforma naufragada, hoje serve de moradia para lagostas, peixes coloridos e outros animais estranhos que habitam o fundo do mar. Irreversível, a troca de ações fez a alegria de mão única de quem empurrou o mico para os cofres brasileiros.

Não se deve colocar o carro na frente dos bois e incriminar José Jorge por aquilo que ocorreu sob sua gestão. Todos são inocentes até que se prove o contrário, certo?

Mas, com todos estes números no currículo, José Jorge conseguiu ser o relator de cinco “missões investigativas” realizadas para apurar a denúncia de Pasadena. Vamos ser simpáticos.

Imagine se, um dia, quando deixar o governo, o atual ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, vai parar no TCU. De repente, surge uma denúncia sobre a Repsol, ou sobre a plataforma, José Jorge vai parar na berlinda e Lobão vai parar na berlinda. Pode? Claro que não. O conflito de interesses seria óbvio demais para ser ignorado.

Estamos falando de um personagem múltiplo, que às vezes faz o papel de raposa e em outros, de galinha e, quem sabe, daquele urubu sugerido pela VEJA. Como imaginar que possa ter isenção para examinar, julgar e condenar?

É neste jogo de sombras que a oposição procura manter o interesse sobre a denuncia contra a Petrobrás. É um fracasso recorde, vamos combinar. O Congresso fez duas CPIs para investigar o caso e nenhuma delas trouxe qualquer novidade substancial – apenas confirmou aquilo que era possível perceber depois dos primeiros depoimentos.

Essa é a utilidade do factóide da semana, em torno das reuniões dos dirigentes da Petrobrás que antecederam seus depoimentos. Só o puro interesse político-eleitoral pode tentar tranformar uma banalidade em escândalo, distorção assinalada hoje pelo mestre Jânio de Freitas. Ele escreveu: ”Não pesquisam nada, não estudam nada, apenas ciscam pedaços de publicações para fazer escândalo. Com tantos meses de falatório sobre Petrobras e seus dirigentes, o que saiu de seguro (e não é muito) a respeito foi só por denúncias à imprensa. Mas a Petrobras sangra, enquanto serve de pasto eleitoral.”

Incapaz de apontar para irregularidades reais, consistentes, que seria de interesse de todos investigar, a oposição monta um circo em torno dos bastidores, como se ali tivesse ocorrido uma trama para iludir o país.

É de rir – quando se recorda que a a maioria das questões colocadas pela CPI eram públicas, estavam no site do senado e podiam ser consultadas por qualquer pessoa. Qualquer parlamentar que tivesse alguma questão surpreendente, fantástica, bombástica, também teria direito a colocar sua questão e, heroicamente, desmontar a conspiração. As câmaras e microfones estavam ali, ávidos, famintos, a espera justamente de uma cena como esta.
Só que para isso era preciso ter consistência, informações, conhecimento.

Sob outro aspecto, também é o caso de chorar. A oposição só não participou da CPI do Senado porque não quis, preferindo fazer o teatrinho da denuncia. Mas foi até o STF garantir outra CPI, a segunda, para tratar do mesmo assunto, que nada apurou nem demonstrou de relevante. Quer convencer os brasileiros, agora, que a CPI nada descobriu porque os diretores combinaram as respostas. Não dá para acreditar na pura ingenuidade de tantos políticos veteranos.

Ou contavam com a disposição dos acusados para se autoincriminarem, ainda que estes sempre tenham afirmado que as denúncias eram falsas.

Ou já sabiam de antemão que nada havia para ser descoberto e que o importante era manter o clima inquisitório – de grande utilidade na campanha eleitoral.

O ponto é este. Chamados a depor, os acusados compareceram a CPI e prestaram todos depoimentos necessários. Se algum ponto relevante ficou para ser esclarecido, ninguém lembrou de perguntar.

Os depoentes receberam orientação de advogados e assessores, o que é natural num ambiente agressivo, onde provocações, frases de efeito e acrobacias perante câmaras de TV são o trunfo de cada parlamentar-inquisidor, treinado em jogar para a platéia que tudo acompanha de casa.

Se não fossem prestar este serviço, por que seriam contratados, muitas vezes à peso de ouro?

Invertendo o sinal: alguém acha que os deputados e senadores da oposição buscam informações num convento de freiras? Preparam perguntas e montam cenários lendo poemas barrocos? Seria este um mundo sem promessas obscuras, negócios prometidos, recompensas insinuadas?

A questão real, sabemos todos, é outra.

Mesmo reunindo o tradicional adversário do PT, e dois ex-ministros de Lula que agora frequentam outro palanque, a oposição não consegue ser uma ameaça ao governo. Suas intenções de voto, somadas, nunca estiveram tão baixas, lembra Maurício Puls, no artigo “Sem rumo,” publicado na Folha de S. Paulo no último sabado. Este é o combustível do dia. O resto é teatro.

Bonner

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Contraponto 14.357 - "Dom Orvandil descasca Joaquim Barbosa "


247 - Em post em seu blog, o pastor anglo-católico, professor e militante Dom Orvandil desfere uma longa lista de críticas contra o presidente do STF, Joaquim Barbosa e avalia que o que fica da Ação Penal 470 "é a desfaçatez de um malandro golpista que constrói um falso circo de condenações sem provas para prender inocentes".

Leia seu texto:
Joaquim Barbosa é uma chaga social violenta e malcheirosa

Querida amiga Lohayne

Muitos autores, pensadores, jornalistas, cientistas políticos e sociais, juristas, partidários sérios da justiça, artistas e teólogos pensam e escrevem sobre as diatribes e falta de respeito de Joaquim Barbosa, acentuadamente desde que à frente do Supremo Tribunal Federal e principalmente quando o Ministro Barroso descascou toda a trama montada em torno das mentiras e desvios do chamado "mensalão do PT."

Vivemos a impressão de que um temporal ético se armava em forma de carnaval quando de repente a máscara cai e mostra que o reizinho veste-se de nudez e má fé.

O que fica é desfaçatez de um malandro golpista que constrói um falso circo de condenações sem provas para prender inocentes. O objetivo é atender a sede de golpe de uma elite e de uma mídia acostumadas a manter esse povo cego, calado e escravizado.

Depois que o arbitrário, violento batedor em mulher, em velho e socador da poltrona da sala de seções do STF quando viu sua falsa tese condenatória cair aos cacos e cair a máscara começam a aparecer as pontas dos cabos que o ligam aos golpistas. Quem acompanha os noticiários televisivos, lê os jornalões e revistas mentirosas sabe que todos os meios midiáticos foram utilizados para pressionar os ministros e para impressionar a chamada opinião pública a constrangê-los a fazer sujeira, a sujeira comandada pelo fracassado Joaquim Barbosa.

Mas não foi somente através da mídia que a elite domesticadora e dominante agiu. Como diz o meu amigo jornalista Altamiro Borges, essa elite é competente e inteligente. Eu não acho isso, em todo o caso vamos lá.

Organizações como o escritório Borges e Strübing Müller Advogados, de Adriano José Borges Silva - ex-genro de Ayres Britto, que saiu direto do STF para outra organização golpista - dono de imensa mansão em Brasília, frequentada por Joaquim Barbosa para tratar de "investimentos" no exterior, sempre cuidadosamente sem a presença dos funcionários da mansão e sem testemunhas. Adriano publicou documento de teor claramente golpista contra o que classificou de caos político no País [1]. Adriano é um dos mentores do mistificador e golpista da justiça.

O senhor Ayres Britto, com aquela voz mansa e com fama de poeta, "depois de sair do STF virou presidente do Instituto Innovare, um dos braços políticos da Rede Globo e que até pouco tempo atrás (sic) dava prêmios em dinheiro para magistrados e promotores"[2]. Essa ligação já é bastante promíscua e indicativa de orientação de dicas políticas a Joaquim Barbosa e a Gilmar Mendes. É fácil entender que as armações para condenar Dirceu, Delúbio, Pizollato, Genoino e João Paulo Cunha visavam desmoralizar os que a direita entendia como elaboradores da vitória eleitoral da esquerda e do governo de Lula. A decisão de caluniar o grupo da cúpula do governo e de enganar o povo se esclarece cada vez mais.

O jornalista Paulo Nogueira[3] conta que a Innovare é claramente uma empresa da Globo. Sua função é fazer a mente da justiça em todo o País. Essa empresa paga altos valores a palestrantes. Quem ganha muito dinheiro em palestras são exatamente Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes. Este ministro é um dos mais suspeitos de ligações escusas desde que era advogado de Fernando Henrique Cardoso. O site de Nogueira mostra fotos desses ministros em encontros na Innovare juntamente com os donos da Globo.

Luiz Nassif identifica a conduta grosseira e o discurso de Joaquim Barbosa com o clima "de radicalização, de criminalização da política, do denuncismo desvairado que a oposição levantou a partir de 2006 e, especialmente, a partir da era José Serra.

Trouxeram de volta para a cena política o macartismo, abusaram da religiosidade, despertaram os piores demônios existentes no tecido social brasileiro, aqueles que demonizam as leis e propõem o linchamento, transformaram a disputa política em um vale-tudo.

Não valia denunciar aparelhamento da máquina, a política econômica, apontar erros na gestão pública, como em qualquer disputa política civilizada.

Repetiram nos mínimos detalhes a radicalização da política norte-americana, o movimento da mídia e do Partido Republicano dos Estados Unidos adotando o discurso virulento de ultra-direita do Tea Party."[4].

Não tenho dúvidas de que Joaquim Barbosa, vestido de imensa hipocrisia e cara de pau, era porta voz de organizações políticas das mais perversas da direita golpista e fascista brasileira. Tanto suas ligações reais quanto seu discurso e comportamento toscos, intenso em desrespeito e falta de civilidade, sinalizam o uso do Supremo Tribunal Federal como aparelho para a prática de golpes contra o País e a democracia.

Já escrevi aqui sobre a traição que esse homem representa para os negros e para os pobres. Carrega a tintura de nossa origem africana em uma mente colonial embranquecida e imperialista na realização dos interesses dos escravocratas. Quando empossado no cargo de presidente do STF apresentou sua mãe sofrida pelos tempos de trabalho duro de trabalhadora doméstica e mencionou seu pai pobre. Porém, Joaquim os desonra ao trair os pobres no acercamento dos ricos e poderosos com o objetivo de obter vantagens financeiras e de ver o mundo a partir da ideologia dominante. Vergonhoso e mau exemplo para o povo.

Joaquim Barbosa ao servir aos interesses mesquinhos dos poderosos, que odeiam o povo e a revolução libertária, encarna o espírito de porco e se torna chaga social malcheirosa, carente de ser extirpada de onde indignamente está.

Poxa, Joaquim Barbosa causa estragos na consciência informe e ingênua de nosso povo. Na tarde em que saiu o resultado que condenou à prisão os tais "mensaleiros" fui a uma farmácia comprar refis para minha bombinha contra a asma. Relaciono-me bem com o balconista. Mas o mal joaquiniano atingiu o rapaz que disse achar muito "bão" prender aqueles "ladrões". Esse é o serviço de Joaquim Barbosa ao levar os cegos sociais a cegueira rancorosa e odiosa, imersas em tremendas injustiças. Um aluno meu de um curso de pós-graduação ao se encontrar comigo me perguntou o que achei da prisão dos mensaleiros.

O grave de tudo é que as pessoas a cabresto da dominação que insensibiliza e bestifica se sentem alimentadas pelo desserviço da besta fera. Repentinamente as pessoas se mostram armadas e prontas para a guerra, sem a menor criticidade e questionamento sobre as forças que movem pessoas tão degradadas como Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes.

Penso que a verdade começa a mostrar sua face em meio a toda a borrasca. Nosso desafio é suspeitar sempre do que a mídia "anuncia" e de suas calúnias. O poderio da classe dominante se traduz sempre em tentar influenciar os que comandam os poderes. Desgraçadamente o Supremo Tribunal Federal está nas mãos da pior orientação, a mais injusta possível.

Sinto enorme tristeza com o fato Joaquim Barbosa. Ele é uma amargura estúpida e egoísta, uma completa frustração da justiça. Sua origem negra e pobre lhe deu a grandiosa oportunidade e raízes robustas para escolher o caminho mais justo a seguir. Poderia inspirar-se em Marthin Luther King e somar-se aos que vivem sob condições desumanas e oprimidas. Poderia orientar-se por Nelson Mandela e lutar pela defesa e libertação do povo negro e pobre de nosso País e do mundo, como o grande líder sul africano fez virando um santo canonizado por seus irmãos de luta. Poderia exemplificar-se em Mahatma Gandhi na luta contra a violência e a opressão imperialista. Teve a oportunidade de entender Zumbi e Tiradentes na luta contra as brutais causas da opressão que desumaniza.

Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz.
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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Contraponto 14.356 - "Aliança antidólar para deter às guerras dos EUA"

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05/08/2014

 

 

Gilson Sampaio -  terça-feira, 5 de agosto de 2014


Via Rede Democrática

Tyler Durden


Tyler Durden


Para pôr fim às guerras dos EUA em todo o planeta, assessor de Putin propõe Aliança Antidólar: “Uma coalização antidólar será o primeiro passo para criar-se uma coalizão antiguerra capaz de deter a agressão norte-americana.” Washington não parece ter previsto que a guerra pela Ucrânia pode, em pouco tempo, converter-se em guerra pela independência da Europa – que pode interessar-se por livrar-se do domínimo pelos EUA – e guerra contra o dólar.

Assessor de Putin propõe “Aliança Antidólar”

Já faz algum tempo que tanto a Ucrânia como a resposta russa às sanções (que puseram em movimento o grande eixo eurasiano, aproximando China e Rússia e acelerando o negócio “Santo Graal” de gás entre os dois países) deixaram as manchetes. Mas ainda não se entendeu por que a imprensa-empresa ucraniana largou a cobertura da Ucrânia como se fosse batata quente, sobretudo porque a guerra civil prossegue no Donbass ucraniano e continua a fazer dúzias de mortos dos dois lados.

O mais provável é que o público tenha-se cansado de ouvir metáforas sobre jogos de xadrez ou de damas entre Putin e Obama, e tenha sido despachado para ler a propaganda que cerca as metáforas ‘analíticas’ e os eventos mortais da 3ª guerra do Iraque, como há tantas décadas.
Mas é provável que ‘sair do foco’ seja exatamente o que mais deseja a elite política russa. De fato – como noticia Valentin Mândrăşescu, editor de Voice of Russia –, enquanto a grande máquina norte-americana de distrair a atenção popular foca-se em outros temas, a Rússia já se prepara para os passos seguintes.

Assim se chega a um conselheiro de Putin, Sergey Glazyev – o homem que, no início de março, foi o primeiro a sugerir que a Rússia se livrasse dos títulos dos EUA e abandonasse o sistema do dólar, como retaliação contra as sanções – estratégia que funcionou naquele momento, porque, apesar de o Kremlin ter conservado integralmente o controle sobre a Crimeia, as sanções ocidentais pararam como por passe de mágica. (E não só isso como, também, como acaba de informar o banco centra da Rússia, o superávit do país em conta corrente de 2014 pode alcançar $35 bilhões, bem superior aos $33 bilhões de 2013, e distantíssimo dos inventados “mais de $200 bilhões” de capitais que fugiriam da Rússia e sobre os quais muito falava recentemente Mario Draghi).

Glazyev foi também quem empurrou o Kremlin a aproximar-se da China e forçou que os russos assinassem o acordo de gás com Pequim (mesmo que não tenha sido assinado nos termos que mais interessariam à Rússia naquele momento).

É esse o Glazyev que publicou artigo na revista russa Argumenty Nedeli,[1] no qual delineou um plano para “minar a força econômica dos EUA” e, assim, forçar os EUA a pôr fim à guerra civil na Ucrânia. Glazyev entende que o único meio para impedir que os EUA iniciem uma nova guerra fria é pôr abaixo o sistema do dólar.

Como Voice of Russia resume o artigo publicado em Argumenty Nedeli,[2] o conselheiro econômico de Putin e homem que concebeu a União Econômica Eurasiana argumenta que Washington está tentando provocar uma intervenção militar da Rússia na Ucrânia, usando a Junta de Kiev como isca. Se desse certo, o plano daria a Washington várias importantes vantagens.

Primeiro, permitiria que os EUA introduzissem novas sanções contra a Rússia, riscando as posições russas em papéis do Tesouro dos EUA. Mais importante: uma nova onda de sanções criará uma situação na qual empresas russas não terão como honrar os juros de suas dívidas com bancos europeus.

Nas palavras de Glazyev, a chamada “terceira fase” de sanções contra a Rússia terá custo tremendo para a União Europeia. O total da perda estimada será superior a 1 trilhão de euros. Essas perdas ferirão gravemente a economia europeia, convertendo os EUA em único “paraíso seguro” do planeta. Sanções fortes contra a Rússia também deslocarão dos mercados europeus de energia a empresa russa Gazprom, o que deixará aqueles mercados abertos à entrada do gás natural liquefeito – muito mais caro – que os EUA têm para vender.

Co-optar os países europeus para uma nova corrida armamentista e de operação militar contra a Rússia fará aumentar também a influência política dos EUA na Europa, e ajudará os EUA a forçar a União Europeia a engolir a versão norte-americana do Tratado TTIP [Transatlantic Trade and Investment Partnership] – acordo comercial que, basicamente, converterá a União Europeia em grande colônia econômica dos EUA.

Glazyev entende que iniciar uma nova guerra na Europa trará só benefícios para os EUA e só problemas para a União Europeia. Em inúmeras vezes, Washington já usou guerras globais e regionais como ferramentas para favorecer a economia norte-americana; agora, a Casa Branca tenta usar a guerra civil na Ucrânia como pretexto para repetir o velho truque.

Glazyev: “Só nos resta atacar a máquina de imprimir dinheiro do FED”

O conjunto de contramedidas que Glazyev propõe toma por alvo, especificamente, o coração que bombeia ‘energia’ para a máquina de guerra dos EUA: as impressoras que imprimem dinheiro no FED.

O conselheiro de Putin propõe que se crie uma “ampla aliança antidólar” de países que desejem e possam extrair o dólar de seu comércio internacional. Membros da aliança também têm de abandonar instrumentos de reservas denominados em dólares.

Glazyev aconselha tratar os instrumentos denominados em dólares como papeis-lixo[3] e que os reguladores devem exigir colateralização total desses papeis. Uma coalização antidólar será o primeiro passo para a criação de uma coalizão antiguerra capaz de deter a agressão norte-americana.
Não surpreendentemente, Sergey Glazyev entende que o papel principal para que se crie essa coalizão política deve caber à comunidade empresarial e de negócios da Europa, porque as tentativas dos EUA para iniciar grande guerra na Europa e guerra fria contra a Rússia ameaçam, em primeiro lugar, o big business europeu.

A julgar pelos recentes esforços para deter as sanções contra a Rússia empreendidos por líderes empresariais alemães, franceses, italianos e austríacos, o conselheiro de Putin está correto em sua avaliação. Washington não parece ter previsto que a guerra pela Ucrânia pode, em pouco tempo, converter-se em guerra pela independência da Europa – que pode interessar-se por livrar-se do domínimo pelos EUA – e guerra contra o dólar.
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Contraponto 14.355 - "A resposta ao arrocho"

 
05/08/2014

A resposta ao arrocho
 
 
Contrapor-se ao discurso padrão de uma época nunca foi tarefa simples. A politização do embate econômico é a pedra de toque desta campanha.
 

Carta Maior - 04/05/2014


 Arquivo
 
por: Saul Leblon

Numa sequência de pronunciamentos encadeados entre a quinta e a sexta feira  da semana passada, Lula e Dilma começaram  exercitar a politização de um tema divisor da campanha presidencial de 2014.

Está em jogo a apresentação de uma alternativa crível  ao arrocho neoliberal, vendido como um misto de panaceia e fatalidade pelo conservadorismo  brasileiro.

Contrapor-se ao discurso padrão de uma época nunca foi tarefa simples.

Mais complexa ainda é a sua tradução para uma narrativa popular numa sociedade dominada por um oligopólio midiático de conhecido alinhamento ideológico com as causas dos endinheirados.

A politização do embate econômico é a pedra de toque capaz de romper a falsa aparência de consenso que reveste a defesa do interesse particular como se fosse o de todos os brasileiros.

Foi isso que Dilma e Lula começaram a fazer. É isso que precisa ser aprofundado até a boca da urna de outubro.

Trata-se de romper o jogo de espelhos que hipnotiza a sociedade impedindo-a de enxergar além da muralha que aprisiona seu potencial, sua criatividade e  seus recursos.

O Brasil está no meio do caminho de se enxergar com os  próprio olhos.

Reconhecida pelo FMI como a nação que mais reduziu o desemprego em pleno colapso mundial –11 milhões de vagas foram criadas  desde 2008, enquanto o mundo fechava mais de 60 milhões de postos de trabalho--  o país, todavia, é estigmatizado  como a ovelha negra pelo padrão ortodoxo.

Assim tem sido tratado pelos candidatos do peito dos mercados nesta eleição.

Nos salões elegantes o lamento é unânime: ‘o quase pleno emprego vigente na economia impede que os ganhos de produtividade se façam pelo método tradicional’. Qual? A compressão dos holerites, também chamado arrocho, impulsionado pela  rotatividade  descendente da mão de obra assalariada.

A ‘purga’  trabalhista e social é acenada como elixir paregórico  capaz de devolver ‘eficiência’ à indústria, moderação aos preços (pelo garrote sobre a demanda) e equilíbrio fiscal (com a depreciação do salário mínimo e, por tabela, dos benefícios aos aposentados da previdência).

 Entre os doutores da ‘racionalidade’, a arrochoterapia  é anunciada como um tratamento obrigatório após as eleições, ganhe quem ganhar.

O ‘consenso’  não conta com a anuência da candidata que lidera a disputa, nem do seu principal cabo eleitoral.

No evento na CUT, 6ª feira passada, Dilma flechou: ‘Nosso remédio para os males do Brasil não passa pelo desemprego’.

Falando ao seu lado no dia seguinte, em Montes Claros (MG), no primeiro comício da campanha,  Lula reiterou: ‘Dilma sabe que a inflação prejudica exatamente a população que vive de salário. Ela quer provar que é possível controlar a inflação sem ter desemprego e sem ter arrocho salarial (como preconiza o PSDB)’.

A determinação encerra desafios apreciáveis.

 Ao resistir à ‘destruição criativa’ promovida pela maior crise do capitalismo desde 1929, o Brasil tornou-se de fato um paradoxo.

 Enquanto a participação do trabalho na renda esfarela em boa parte do mundo, aqui ela cresceu  desde 2008.

 Em boa parte, segundo o Ipea, por conta do ganho real de poder de compra do salário mínimo, que teve um aumento de 70% acima da inflação, desde 2003.

 Sob governos do PT , a renda dos  10% mais pobres  deu um salto de 91,2%.  A parcela endinheirada ficou com um ganho da ordem de 17%.

Estamos falando do fluxo da riqueza, sem mexer ainda nos estoques acumulados.

 Uma parte da distribuição promovida desde 2003, porém, tem vazado para os mercados ricos,  através das importações baratas que sufocam a manufatura brasileira. Por tabela depreciam os salários ao gerar um número menor de vagas no setor industrial, que paga melhor e irradia produtividade a todo o sistema econômico.

 25% do consumo atual de manufaturados no Brasil tem origem em mercadorias importadas.

 O déficit comercial específico nessa área foi de US$ 105 bi no ano passado.

 A solução conservadora é martelada sem trégua pelo seu aparato emissor.

 O Brasil precisaria, segundo essa visão,  de um choque de juros e de um aumento do desemprego; mais um arrocho de gastos públicos.

Finalmente, necessitaria de uma abertura comercial ampla, com cortes de tarifas, câmbio livre e mobilidade irrestrita para os fluxos de capitais.

 O conjunto, assegura-se, permitiria desmantelar a couraça de ‘atraso’ e custo elevado  --o ‘populismo lulopetista’  que impede o  país de  voltar a crescer com eficiência e a competitividade.

Não se explica crescer para quem, nem como a partir daí.

 Trata-se, em síntese, de trazer para o país os  desdobramentos da crise mundial  que o PT tenta evitar desde 2008, e de faze-lo  na forma de um grande  arrocho em dose única – ‘no primeiro ano; se possível, no primeiro dia’, promete Aécio às plateias empresariais.

As intervenções de Dilma e Lula colocam um pé na porta que ameaça interditar o futuro da população com um longo ferrolho de arrocho e desemprego.

O desafio é convencer o eleitor de que desmontar a tranca não é tarefa exclusiva dos  sábios da macroeconomia. O impulso da alavanca depende de um maior  discernimento da sociedade, capaz de engajá-la  na repactuação das bases do desenvolvimento.

Alimentar essa engrenagem é a tarefa progressista nesta campanha.

A aposta exige  forte coordenação do Estado e a ampliação da democracia participativa para funcionar.

Mais que nunca vale o mandamento: política é economia concentrada.

Nas discussões em curso dentro e fora da academia, algumas estacas começam a delinear  o caminho ainda a ser debulhado em linguagem popular nos palanques e na televisão; a saber:

1. Evitar a recessão evocada pelo conservadorismo -- Preservar o mercado de consumo de massa ampliado desde 2003 é crucial para se ter um trunfo na reordenação do crescimento. Dispor de um mercado interno em expansão  é  o principal diferencial do Brasil  num mundo em crise, capturado pelo binômio da demanda rastejante associada à baixa atividade produtiva. É isso que o conservadorismo quer importar para cá como lacto purga para restaurar o império dos livres mercados sobre os anseios da sociedade.

2. Não errar o diagnóstico da inflação --Arrochar salário e crédito para derrubar a  inflação é um erro.  A  inflação de alimentos, bem como as pressões decorrentes  do custo da energia, tem origem na seca, não na exacerbação da demanda. E os indicadores estão em queda.

3. O ajuste cambial possível -- O dólar baixo que desequilibra a balança comercial reflete, em primeiro lugar, a fraca recuperação mundial e a inundação de liquidez nos mercados globais, que já ensaia novo ciclo de bolhas. É possível recuperar alguma margem competitiva com uma dose combinada de desvalorização cambial e redução do juro , a partir do próximo ano, quando a inflação climática perder seu ímpeto. Mas  as projeções para o comércio mundial são pouco animadoras. As cotações das commodities, sobretudo grãos, segundo a FAO,  tendem a recuar ainda mais nos próximos dois anos. Os superávits comerciais elevados da última década que ampliaram a margem de manobra do desenvolvimento brasileiro  não devem se repetir. Daí a importância de se preservar o dinamismo interno como condição indispensável para reordenar o crescimento econômico.

4. Em vez de arrocho fiscal, corte de juros –  A despesa fiscal que pode ser contida é o gasto com o juro da dívida pública, que devora cerca de  5% do PIB  ao ano. As demais despesas são incomprimíveis. Há espaço para cortar juros em linha com um recuo da inflação de alimentos. A relação dívida bruta/PIB permanece estável no Brasil desde 2004, em torno de 57%. Não se justifica que o país tenha uma das três maiores taxas de juros do planeta. Nos países desenvolvidos, a relação dívida/PIB saltou de 80,4% para 108,5% desde 2004. A taxa de juro elevada  impede operações de longo prazo: os bancos não emprestam para projetos de investimento de 20 e 30 anos. Criou-se um círculo de ferro: o desestímulo ao investimento produtivo serve, ao mesmo tempo, como incentivo à atividade rentista; que por sua vez deixa o crescimento  na dependência exclusiva do consumo. Quebrar esse torniquete requer quebrar o dogma conservador do juro alto.

5. Controle de capitais --  As linhas de passagem para um corte sustentado dos juros incluem: a) salvaguarda contra fugas de capitais na forma de uma regra de ingresso que estabeleça uma permanência mínima no país; b) forte incentivo à produtividade industrial para reduzir o peso dos importados no consumo interno. Porém, sem ilusões: o Brasil não será capaz de suplantar a competitividade asiática em boa parte das linhas de consumo já abocanhadas pela oferta oriental; a ênfase das políticas de desenvolvimento industrial deve recair sobre setores nos quais o fôlego manufatureiro ainda resiste. O equilíbrio entre importações e contas externas terá que ser modulado com a maturidade das exportações do pré-sal; o forte incremento na industrialização de commodities e saltos de inserção em cadeias globais nas quais a competitividade brasileira é real –caso da aeronáutica, por exemplo, emas também setor de energia e serviços (grandes obras). Arrochar  o mercado interno como forma de equilibrar a balança comercial, ao contrário, sepultaria de vez o atrativo ao investimento representado pela pujança da demanda popular.  Sobretudo, porém, não teria nenhum efeito positivo sobre a relação de troca desfavorável, fruto de um horizonte de queda nos preços das commodities. A receita ortodoxa simplesmente engessaria a economia de vez, privando-a de uma das poucas alavancas de comando endógeno que ainda restam ao país.

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Contraponto 14.354 - "Água de Alckmin é só até a eleição "


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05/08/2014

Água de Alckmin é só até a eleição

 

Blog do Miro - terça-feira, 5 de agosto de 2014

 
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:
 
Na entrevista de ontem ao Estadão, o governador Geraldo Alckmin disse que “o abastecimento de água está garantido” em São Paulo.

Ele, mais do que ninguém, sabe que isso não é verdade.

Ou que é meia-verdade, porque está garantido, por, talvez, 90 dias.

Isso se as condições forem favoráveis como foram em julho (choveu, no mês, 80% da média, enquanto em junho a precipitação não chegou a 30% da normal para o mês)

Depende de fatores que, ao contrário do que ocorre com a mídia, não estão sob o controle do PSDB: os climáticos.

Do dia em que foi iniciado o bombeamento, 17 de maio, entre “volume morto” e a água remanescente no sistema, foram consumidos cerca de 145 bilhões de litros além do que a Natureza foi capaz de fornecer às represas do Cantareira.

Como restam 142 bilhões de litros, hoje, não é difícil, até para um leigo, perceber que se consumiu a metade das reservas em menos de três meses.

Portanto, a “garantia” de Alckmin, se você quiser comparar com a de um aparelho eletrodoméstico, é de perto de 90 dias.

Com uma diferença: depois do prazo, ele vai quebrar e, como já terão passado as eleições, só restará aos desavisados praguejar aos céus.

Exatamente como ocorreu com aqueles “os preços vão continuar tabelados e congelados” do Cruzado de Sarney em 1986 ou com o “um real é igual a um dólar” de Fernando Henrique em 1998.

Um engodo irresponsável como este, claro, se prenuncia de muitas formas.

Os técnicos e cientistas dizem que é irresponsável?

Que se danem.

O que é um professor de Recursos Hídricos, como Antonio Carlos Zuffo, da Unicamp (ouvido pelo Estadão) perto do Zeca Camargo, no Fantástico?

No Diário do Centro do Mundo, um ótimo artigo mostra como Alckmin foi escafedido da “reportagem” sobre a falta de água.

Sobrou para São Pedro e para os prefeitos do interior, que têm de se virar com as gotinhas que a Sabesp ainda deixa fluir para os rios que abastecem suas cidades.

Dentro de duas semanas, começa a ser bombeada a segunda parcela do fundo das represas, em Atibainha, que está, neste momento, respondendo pela maior parte da água do sistema.

O Jaguari-Jacareí está exaurido e não pode produzir mais sequer a metade dos 20 m³ diários que lhe competiam.

O cenário, parcamente mostrado na mídia, é pavoroso: virou um simples canal lamacento.

Na anatomia deste crime, social, econômico e ambiental, há cúmplices.
 

Contraponto 14.353 - "Cristovam Buarque sugere plebiscito no dia da eleição"

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05/08/2014 

Cristovam Buarque sugere plebiscito no dia da eleição

 



Jornal GGN - O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) conseguiu emplacar na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado um projeto de convocação de um plebiscito de âmbito nacional para consultar o eleitorado a respeito da transferência para a União da responsabilidade sobre a educação básica.

De acordo com o Projeto de Decreto Legislativo (PDS) 460/2013, a consulta deverá ser realizada simultaneamente com o primeiro turno das eleições de 2014, em 5 de outubro. O cidadão deverá responder, com sim ou não, à seguinte questão: “O financiamento da educação básica pública e gratuita deve passar a ser da responsabilidade do governo federal?”.

Atualmente cabe, em sua maior parte, aos estados e municípios custear a educação infantil e os ensinos fundamental e médio. O projeto segue para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e depois para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e ainda terá que ser analisado pelo Plenário.

Caso o projeto seja aprovado, o Congresso Nacional comunicará ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que expedirá as instruções para a realização do plebiscito. Além disso, será assegurado tempo de TV e rádio para que partidos políticos e frentes suprapartidárias organizadas pela sociedade civil façam suas campanhas a favor ou contra a transferência.

Segundo o relator da proposta na CE, senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), estados e municípios são responsáveis por cerca de 80% dos recursos destinados à educação, enquanto a União, que detém para si mais da metade do bolo da arrecadação de tributos, participa com apenas 20%.

Com Agência Senado


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PITACO DO ContrapontoPIG 

Por que não, também,  um plebiscito para a realização de uma reforma política por uma assembleia constituinte  independentemente do Congresso.

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Contraponto 14.352 - "Veja mentiu sobre a Petrobras. De novo ?"


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05/08/2014

Veja mentiu sobre
a Petrobras. De novo ?


Janio: é “o escândalo da banalidade”.

Conversa Afiada - 05/08/2014


Leia a nota oficial da Petrobras sobre a mentira do detrito sólido de maré baixa:

NOTA A IMPRENSA


Sobre a matéria intitulada “A Grande Farsa”, publicada pela revista Veja, esta semana, a Petrobras esclarece que tomou conhecimento das perguntas centrais que norteiam os trabalhos das CPI e CPMI da Petrobras, através do site do Senado Federal, nos dias 14 de maio e 02 de junho, respectivamente, onde foram publicados os planos de trabalho das referidas comissões. Nestes, além das perguntas centrais, constam também os nomes de possíveis convocados, e a relação dos documentos que servem de base para as investigações.

Convém ressaltar que tais informações, tornadas públicas pelas comissões de inquérito, por ocasião do inicio de seus trabalhos, possibilitam a elaboração de centenas de outras perguntas, propiciando à Petrobras a organização das informações necessárias para o melhor esclarecimento dos fatos pertinentes a cada eixo das investigações, quais sejam: Eixo 1 – Refinaria de Pasadena; Eixo 2 – SBM Offshore; Eixo 3 – Segurança nas plataformas; Eixo 4 – Superfaturamento RNEST.

A Petrobras informa que, após cada depoimento, as dezenas de perguntas feitas pelos Parlamentares são desdobradas em novas perguntas pela equipe da Petrobras de forma a subsidiar os depoimentos subsequentes.

Assim como toda grande corporação, a Petrobras garante apoio a seus executivos, e ex-executivos, preparando-os , quando necessário, com simulações de perguntas e respostas, para melhor atender aos diferentes públicos, seja em eventos técnicos, audiências públicas, entrevistas com a imprensa, e, no caso em questão, as CPI e CPMI. Tais simulações envolvem profissionais de várias áreas, inclusive consultorias externas, de modo a contribuir para uma melhor compreensão dos fatos e elucidação das dúvidas.

A Petrobras reafirma que continuará disponibilizando todas as informações referentes as suas atividades e reafirma seu compromisso com a transparência e ética que sempre nortearam suas ações.

Gerência de Imprensa/Comunicação Institucional








Navalha



Na Fel-lha (*) de hoje (5), Janio de Freitas bate:

“O escarcéu em torno do jogo de parceiros … é o escândalo da banalidade. Bem conhecida de jornalistas que, provavelmente, vão explicar qual é a fraude existente, e a que tanto se referem, na colaboração de condutas sempre vistas por eles nas CPIs.
(Esses “escândalos”) …”ficam na mastigação de chicletes por estarem nas mãos da oposição mais preguiçosa … As lideranças do PSDB e do DEM ficam à espera do que a imprensa (? – PHA) publique, para então, quatro ou cinco oposicionistas palavrosos saírem com suas declarações de sempre … Não pesquisam nada, não estudam nada, apenas ciscam pedaços de publicações para fazer escândalo.”

Como se sabe, o “escândalo” foi imediatamente tema de retumbantes reportagens no PiG (**), a começar pelo jornal nacional – a caminho dos dez pontos de audiência.

Como se diz aqui, o detrito sólido se transforma em Chanel #5 no jornal nacional, desde os gloriosos tempos do Carlinhos Cachoeira e do Caneta (cadê ele ?).

Não são só os políticos oposicionistas os preguiçosos – os jornalistas pigais também.

Paulo Henrique Amorim 
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Contraponto 14.351 - "Alckmin, o Fantástico, a falta d’água e a arte de tratar o paulista como idiota"

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05/07/2014

Alckmin, o Fantástico, a falta d’água e a arte de tratar o paulista como idiota



Ele


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Geraldo Alckmin voltou a dizer, numa sabatina do Estadão, que São Paulo não precisa de racionamento de água. Não seria “tecnicamente adequado”.

Segundo ele, há uma exploração política do tema. Seu governo teria feito investimentos vultosos nessa área.

A balela é derrubada pelos fatos. Já existe racionamento, de maneira mais ou menos escamoteada, em diversos bairros da capital. Santana, Vila Mariana, Vila Madalena, Lapa, Butantã, Casa Verde, Perus, Itaquera, Cidade Líder convivem com corte à noite.

No interior, a situação é mais dramática. Em Itu, por exemplo, o fornecimento ocorre apenas entre as 18h e as 4h. Em Holambra, toda uma economia voltada para o cultivo de flores está comprometida.

As causas, do ponto de vista ambiental, têm sido discutidas no DCM por nosso colaborador Edson Domingues numa série de posts. Edson apontou  as fragilidades do Sistema Cantareira e a inação da Sabesp.

O uso político da crise é feito por Alckmin e não pela oposição. A razão para não falar em racionar e não dar respostas decentes é eleitoreira. Em janeiro, quando foi revelado que o Palácio dos Bandeirantes consumiu 22% a mais do que em dezembro, ele atribuiu o gasto ao calor excessivo.

Mais tarde, revelou ao mundo que tem adotado práticas revolucionárias no banho e na hora de escovar os dentes (ele desliga a torneira).

Ora é o verão mais quente das últimas décadas, ora é o “fato climático atípico”. É uma manobra covarde. Em 2001, São Paulo passou por um racionamento. O que se apreendeu da experiência? O que ele pode contar sobre isso?

Digamos que ele encampe a tese de que a questão é a seca recorde. Ou o aquecimento global. Se assim for, ele precisa avisar a população de que algo precisa ser feito. 

A título de ilustração: a Califórnia passa por uma seca histórica. O Projeto Hídrico Estadual, responsável pela distribuição, avisou que terá de fechar as torneiras pela primeira vez em 54 anos.

Empresas e casas têm uma meta a cumprir. Gado morre nos pastos e há níveis de poluição alarmantes em algumas cidades.

O governador Jerry Brown não mentiu, não atribuiu nada a Odin ou contou que lava as mãos uma vez por semana com suco de laranja Maguary. Num encontro sobre desenvolvimento sustentável, fez um apelo: “Peço a todos os californianos, agências hídricas municipais e qualquer um que utilize água para fazer todo o possível para conservá-la”.

Alckmin faz o que faz porque conta, ainda, com a enorme complacência e ajuda dos suspeitos de sempre. No domingo, o Fantástico fez uma reportagem sobre a falta de água no estado. Mencionou a recomendação do MP Federal para começar de imediato um racionamento.

O nome de Alckmin simplesmente não é citado. Em compensação, ficou registrado que Guarulhos é administrada pelo PT, Saltinho, pelo PDT, e Itu pelo PSD.

No final, ao falar da “região abastecida pelo sistema Cantareira, que inclui a cidade de São Paulo”, é lida uma nota da Sabesp, garantindo “o abastecimento de toda região até março de 2015” graças ao apoio da população e a uma “série de medidas adotadas pela companhia”.

Se Alckmin cresceu de algum maneira nessa crise, foi num outro setor: no talento de tratar o eleitor como um idiota, chova ou faça sol.


Kiko Nogueira. Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.
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Contraponto 14.350 - Petrobras responde a Veja

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05/08/2014


Esclarecimento sobre matéria publicada na revista Veja

 
Fatos e Dados - 04.Ago.2014
 
 

Leia nosso esclarecimento a respeito de matéria publicada pela última edição da revista Veja:
Sobre a matéria intitulada "A Grande Farsa", publicada pela revista Veja, esta semana, a Petrobras esclarece que tomou conhecimento das perguntas centrais que norteiam os trabalhos das CPI e CPMI da Petrobras, através do site do Senado Federal, nos dias 14 de maio e 02 de junho, respectivamente, onde foram publicados os planos de trabalho das referidas comissões. Nestes, além das perguntas centrais, constam também os nomes de possíveis convocados, e a relação dos documentos que servem de base para as investigações.

Convém ressaltar que tais informações, tornadas públicas pelas comissões de inquérito, por ocasião do início de seus trabalhos, possibilitam a elaboração de centenas de outras perguntas, propiciando à Petrobras a organização das informações necessárias para o melhor esclarecimento dos fatos pertinentes a cada eixo das investigações, quais sejam: Eixo 1 - Refinaria de Pasadena; Eixo 2 - SBM Offshore; Eixo 3 - Segurança nas plataformas; Eixo 4 – Superfaturamento RNEST.

A Petrobras informa que, após cada depoimento, as dezenas de perguntas feitas pelos Parlamentares são desdobradas em novas perguntas pela equipe da Petrobras de forma a subsidiar os depoimentos subsequentes.

Assim como toda grande corporação, a Petrobras garante apoio a seus executivos, e ex-executivos, preparando-os , quando necessário, com simulações de perguntas e respostas, para melhor atender aos diferentes públicos, seja em eventos técnicos, audiências públicas, entrevistas com a imprensa, e, no caso em questão, as CPI e CPMI. Tais simulações envolvem profissionais de várias áreas, inclusive consultorias externas, de modo a contribuir para uma melhor compreensão dos fatos e elucidação das dúvidas.

A Petrobras reafirma que continuará disponibilizando todas as informações referentes as suas atividades e reafirma seu compromisso com a transparência e ética que sempre nortearam suas ações.
Postado em: [Esclarecimentos]

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Contraponto 14.349 - "Por que EUA e Europa relutam em criticar Israel"

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05/08/2014 

Por que EUA e Europa relutam em criticar Israel



Publicado na BBC Brasil.

Enquanto várias cidades do mundo registraram protestos contra Israel pelos ataques à Faixa de Gaza, nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia muitos governos relutam em questionar a estratégia militar israelense.

Desde o início da ofensiva, mais de 1.800 palestinos foram mortos, 75% deles civis, segundo as Nações Unidas. As vítimas israelenses foram 67, quase todos militares, à exceção de três civis.

Mas a ONU fez grandes críticas a Israel depois que uma escola da organização no campo de refugiados de Jabaliy, em Gaza, foi bombardeada pelos israelenses – episódio que resultou em 15 mortes. Os Estados Unidos chegaram a criticar Israel, mas ressaltaram o direito do país “se defender”.

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Há alguns dias, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália também pediram um cessar-fogo e reprovaram a perda de vidas, mas da mesma forma foram cuidadosos em ressaltar o “direito de defesa” de Israel.

Quando o Conselho de Direitos Humanos da ONU votou na quarta-feira passada uma abertura de investigação para determinar se Israel cometeu crimes de guerra em Gaza o resultado foi 29 a 1. Os Estados Unidos votaram contra, e França, Alemanha e Grã-Bretanha se abstiveram.

“Rodeado de inimigos”

 

A própria criação do Estado de Israel, após o holocausto judeu, está enraizada nos interesses de potências como Estados Unidos e Grã-Bretanha.

Washington reconheceu o Estado de Israel no mesmo dia de sua proclamação, em 1948. Com o tempo, o país se tornou o principal aliado americano na região.

“Os Estados Unidos, em diferentes governos, sempre sentiram a necessidade de defender Israel de ataques globais, particularmente na ONU, onde há um amplo número de países da África, Ásia e América Latina que estão dispostos a se unir para criticar Israel”, disse à BBC Mundo Edward Gnehm, ex-embaixador dos Estados Unidos na Jordânia e hoje professor da Universidade George Washington, na capital americana.

A relação atual entre os dois países está embasada em mais de US$ 3 bilhões em ajuda financeira militar fornecida pela Casa Branca. Segundo o Serviço de Investigações do Congresso americano, Israel é o principal receptor de ajuda estrangeira dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial. O valor acumulado da assistência chega a US$ 121 bilhões.

Além disso, parte significativa da população americana simpatiza com Israel. Uma pesquisa recente realizada pelo Centro de Investigação Pew revelou que 40% dos americanos considera que o Hamas é culpado pela violência atual em Gaza. Os que culpam Israel são 19%.

Além disso, 35% dizem que a resposta de Israel ao conflito está sendo adequada, enquanto 25% opinam que ela foi exagerada.

Europa

 

Na Europa, a postura dos países não é homogênea nem responde às mesmas condições. Uma das razões está relacionada ao sentimento de culpa em relação aos judeus, segundo Mariano Aguirre, diretor do Centro Norueguês de Construção da Paz.

A Alemanha, por exemplo, é sensível às relações com Israel e permanece atenta ao surgimento de estereótipos antissemitas.

Segundo Michael Brenner, diretor do Centro de Estudos de Israel da Universidade Americana, em Washington, em algumas manifestações recentes os participantes fizeram uma diferença entre Israel e os judeus.

“Qualquer crítica a Israel é permitida, mas (o governo) será mais severo com os efeitos antissemitas dessas manifestações”, ele disse.

Aguirre afirmou que a história colonial da França e da Grã-Bretanha também estão relacionadas ao tema. Segundo ele, esses países “ficam presos em seus próprios discursos” na medida em que as decisões que tomaram no início do século 20 criaram uma atual “inércia diplomática” – que hoje eles não querem revisar.

Outro fator importante para os países europeus é a relação com Washington. “Se criticam Israel, os países sabem que estão colocando em dúvida a postura dos Estados Unidos”, disse Félix Arteaga, pesquisador do Instituto Real Elcano, uma organização não governamental espanhola.
De acordo com ele, os governos europeus não vão criticar a desproporcionalidade dos ataques israelenses antes que o governo Barack Obama o faça.

Além disso, um fator conjuntural também dificulta que as nações da Europa critiquem Israel. “A União Europeia já tem muitos problemas para articular sanções contra a Rússia por causa do conflito na Ucrânia e não pode abrir outra frente”, disse Arteaga.

Por causa desses fatores, segundo o pesquisador, Israel desfruta uma sensação de “impunidade”.

“Há muito tempo os Estados Unidos e a Europa, líderes nesse conflito, aceitaram implicitamente que Israel tem impunidade. Por isso, pode violar sistematicamente o direito internacional, o direito humanitário e os acordos de que é signatário sem ser condenado”, afirmou.

Israel já violou 32 resoluções do Conselho de Segurança da ONU desde 1968, segundo um estudo de Steven Zines, da Universidade de San Francisco, publicado no jornal israelense Haaretz.

Hamas

 

Segundo Nadim Shehadi, investigador associado de Oriente Médio na Chatan House, um centro de estudos em Londres, uma solução do conflito no momento atual daria força ao Hamas – classificado como grupo terrorista por Washington – na OLP (Organização para a Libertação da Palestina).

“O Hamas se declararia vitorioso”, segundo Shehadi. Ele afirmou que os Estados Unidos e a Europa querem evitar isso a qualquer custo.

Além disso, segundo Aguirre, americanos e europeus ficaram sem uma “resposta política” após o fracasso das negociações da criação dos dois Estados lideradas pelo secretário de Estado americano John Kerry.

“Ficaram sem um marco de referência e sem modelos de negociação para oferecer”.

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Contraponto 14.348 - "Agora essa: aeroporto de Cláudio pode ter servido ao tráfico de drogas"

 


R7  - publicado em 04/08/2014   
 
aeroporto claudio Agora essa: aeroporto de Cláudio pode ter servido ao tráfico de drogas
Tancredo Tolentino administrava o aeroporto. 
 Ele foi denunciado pelo MP como integrante de quadrilha que facilitava habeas corpus a traficantes


 Helcio Zolini

O aeroporto do município de Cláudio (MG) vinha sendo administrado, entre outros, pelo empresário Tancredo Aladim Rocha Tolentino, um dos presos numa operação da Polícia Federal (PF) realizada em 2012, sob a suspeita de integrar uma quadrilha especializada na compra e venda de sentenças em Minas Gerais. Um dos objetivos da quadrilha era obter a libertação de traficantes de drogas.

Tancredo Tolentino ou Quêdo, como o empresário é conhecido na região de Cláudio, é um dos filhos de Múcio Guimarães Tolentino, tio-avô do senador Aécio Neves (PSDB), o dono das terras desapropriadas pelo governo de Minas Gerais, nas quais foi construído o aeroporto da cidade mineira. A obra foi concluída no último ano da administração Aécio (2010) e custou aos cofres do Estado a bagatela de R$ 14 milhões (valor de 2010).

Além de todo o debate já gerado do ponto de vista da ética da gestão pública, pelo fato de o aeroporto ter beneficiado a família do então governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e de nele ter sido investido tanto dinheiro público, a ligação de Quêdo com o aeródromo chamou a atenção da polícia.

Passou-se a suspeitar que a pista de Cláudio tenha sido usada também como rota do tráfico de drogas. Reforça a tese policial o fato de que o helicóptero da Limeira Agropecuária, empresa que pertence aos filhos do senador Zezé Perrella (PDT), e que foi apreendido também pela PF transportando 445 quilos de cocaína pousou na região de Cláudio para abastecer antes de seguir para o Espirito Santo.

A quadrilha na qual Quêdo estaria envolvido contava também com os serviços de um desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Hélcio Valentim de Andrade Filho, da 7ª Vara Criminal (afastado pelo Conselho Nacional de Justiça - CNJ), e um total de 13 investigados. O caso está na Justiça.

 Helcio Zolini nasceu em Belo Horizonte é jornalista formado pela PUC MInas e exerce a profissão há mais de 30 anos.
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