terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Contraponto 15.942 - "Dilma refém do Centrão, Lula de uma vitória em São Paulo e PT no caminho do PSOE"

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03/02/2015


Dilma refém do Centrão, Lula de uma vitória em São Paulo e PT no caminho do PSOE

 

Viomundo - publicado em 2 de fevereiro de 2015 às 19:10

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por Luiz Carlos Azenha

Dois momentos singelos da política brasileira, no domingo, resumem o filme: mais do que nunca, somos reféns do Centrão. Aquele mesmo, do Sarney, agora revigorado pelo lobista Eduardo Cunha.

Lobista. É assim que se refere a ele o blogueiro Altamiro Borges.

Cunha foi o lobista das empresas de telefonia para detonar o Marco Civil da Internet, é lobista dos barões da mídia para bloquear a regulação do setor e será lobista das empreiteiras para garantir que a Operação Lava Jato não atrapalhe futuros negócios.

O novo presidente da Câmara dos Deputados é, na verdade, apenas a correia de transmissão do baixo clero, aquele que está na política essencialmente para inflar o patrimônio pessoal.

Se não fosse trágico, seria irônico constatar que deram nisso as gigantescas manifestações de junho de 2013.

Remando contra a maré, escrevi que Dilma Rousseff tinha acertado ao incluir Kátia Abreu e Joaquim Levy em seu ministério. Acertou, enfatizo, do ponto-de-vista de sua própria sobrevivência política.
Presumi que a presidente tinha feito seu cálculo considerando a vitória magra nas eleições de 2014, a redução da bancada do PT, a Operação Lava Jato e as turbulências na economia internacional.

Com Kátia, Dilma se aproximou do agronegócio; com Levy, dos banqueiros. Dois setores que se mostrarão fundamentais para enfrentar a voracidade de Eduardo Cunha e aliados.

A derrota do governo no Congresso foi monumental. Foram 375 votos de oposição na Câmara! Uma lavada que, em tempos normais, seria suficiente para derrubar toda a “desarticulação política” do governo Dilma.

As consequências?

Lamento discordar mais uma vez da maioria, mas não acredito que está aberta a porta para o impeachment de Dilma.

Se a presidente pretendeu um dia ser mais que uma gerente, que desista. Ela vai gerenciar pelos próximos quatro anos.

Estão enterradas a união civil de pessoas do mesmo sexo, a regulação da mídia eletrônica, o imposto sobre fortunas, o financiamento público de campanhas e qualquer outro projeto progressista com os quais os eleitores de Dilma um dia sonharam.

Seria um arroubo retórico dizer que aquela Dilma que derrotou Aécio Neves foi apeada do poder. Menos. Porém, pelos números de domingo está claro que os conservadores emplacarão suas propostas no Congresso com maior facilidade que o Planalto.

O baixo clero quer dinheiro, venha de onde vier. Dinheiro do Tesouro, para tocar projetos em suas bases políticas e enriquecimento pessoal. Dinheiro de empresários, para campanhas de reeleição e enriquecimento pessoal.

Uma nova CPI da Petrobras será a faca no pescoço de Dilma para extrair concessões, mas as empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato são grandes financiadoras de campanhas e duvido que já não estejam assoprando nos ouvidos do baixo clero.

É óbvio que Aécio Neves, FHC e Geraldo Alckmin vibraram com a espetacular derrota política de Dilma, mas Eduardo Cunha não é ingênuo de entregar de mão beijada ao tucanato os louro$ de sua vitória.

O PMDB, qualquer um deles, nunca fez questão de governar diretamente, desde que tenha acesso aos cofres.

O enfraquecimento do PT no Parlamento terá, obviamente, consequências políticas.

Lula, se quiser de fato concorrer em 2018, dependerá da reeleição de Fernando Haddad em São Paulo. Ao que parece, é aqui que o ex-presidente monta sua base de olho no futuro.

O que fará Marta Suplicy? Com o governo em frangalhos no Congresso, a resposta torna-se agora mais importante.

Enfraquecido no Parlamento, escanteado no interior do governo Dilma, o PT caminha para se tornar o Partido Socialista Operário Espanhol. O PSOE assumiu com gosto a tarefa de carregar o neoliberalismo na Espanha, em meio a uma profunda crise econômica, e encolheu a ponto de não ter qualquer chance nas eleições deste ano.

O PT é menos conservador e mais relevante para a política brasileira que o PSOE na Espanha.

Porém, serão mais quatro anos de massacre cotidiano na mídia. Depois do mensalão, o petrolão. Bombardeio ininterrupto, corrosivo, uma avalanche que encobre qualquer recorde de desemprego — como se viu nas capas das revistas semanais que circulam.

Em retrospectiva, não ter tratado da democratização dos meios de comunicação terá sido o maior dos imensos erros do PT e de suas lideranças. Chávez fez. Evo fez. Correia fez. Cristina fez. Mujica fez. Lula, Dilma e o PT, não fizeram.

Agora pagam a consequência política.

Do ponto-de-vista econômico, a corda vai arrebentar outra vez no lombo dos mais fracos.

Se a própria Dilma, ao abraçar a austeridade, endossou cortes orçamentários que prejudicam os trabalhadores — a ideia de que foi primariamente para combater fraudes é infame –, o que não dizer de Eduardo Cunha e seu bloco, sob o patrocínio dos grandes interesses, sem qualquer compromisso que não com o próprio bolso?

Será que aquele projeto que prevê terceirização generalizada agora anda?

Para os movimentos sociais, só resta uma alternativa: rua.

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Contraponto 15.942 - "Eduardo Cunha é retrocesso, mas é calculista. Sabe que não sobrevive se embarcar no golpe."

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03/02/2015 

 

Eduardo Cunha é retrocesso, mas é calculista. Sabe que não sobrevive se embarcar no golpe.

Amigos do Presidente - segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

 

Confesso que subestimei a capacidade da maioria dos deputados federais de quererem viver perigosamente, não procurando melhorar a imagem do Congresso Nacional e da classe política.

Achava que muitos estavam acenando apoio a Eduardo Cunha (PMD-RJ) apenas para conseguirem mais espaço no governo, mas pelo menos a metade acabaria votando em Arlindo Chinaglia (PT-SP) no segundo turno para evitar mais desgastes diante da opinião pública.

Chinaglia sempre passou uma imagem republicana, de parlamentar que dignifica a política. Já foi presidente da Casa e nunca criou constrangimentos para imagem do parlamento, e nunca apareceu envolvido em escândalos. Como a Operação Lava Jato irá atingir muitos parlamentares (segundo dizem), pensei que a maioria iria querer limpar um pouco a imagem do legislativo, colocando na presidência um deputado menos polêmico do que Eduardo Cunha.

Engano meu. Cunha venceu em primeiro turno, com 267 votos.

Cunha sozinho é o que é. Agora quando a maioria dos deputados preferem segui-lo fica mais difícil qualificar a política, combater o fisiologismo e as causas da corrupção, passar reformas transformadoras e leis de interesse popular e conquistar avanços progressistas. O Congresso fica inclinado para uma agenda voltada para os mais ricos, para privilégios e sabe-se lá mais o quê.

A oposição ganha em dois pontos. Em geral, quando Dilma não atender as demandas de Cunha, gerará crises e desgastes. Quando atender também.

De positivo, pela votação de Chinaglia menor do que a esperada (136 votos) ficou claro que Dilma não fez nenhum toma-lá-dá-cá daqueles impublicáveis que os tucanos costumavam fazer. O PSDB também colheu uma derrota, ainda que pequena, porque sem segundo turno e com os tucanos apoiando Júlio Delgado (PSB) no primeiro turno, o PMDB não ficou devendo nada aos tucanos.

Esse número mostra didaticamente para os movimentos sociais e para a militância que elegeu Dilma, que contamos com apenas cerca de 136 votos no Congresso, o que não dá para nenhum presidente da República fazer na canetada coisas como Lei dos Meios, Reforma Política progressista, imposto sobre grandes fortunas, etc. Não adianta movimentos sociais pressionarem o poder executivo sem mobilizar mais povo para pressionar o legislativo.

Também não vamos exagerar no significado da vitória de Cunha. É bem provável que sua gestão não seja tão diferente assim do que foi a de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Ambos sempre foram afinadíssimos nos últimos dois anos, com Alves na presidência da Câmara e Cunha na liderança do PMDB. Ambos já atuavam juntos para votar contra e a favor do governo, conforme a votação. Na prática, há uma continuidade.

O amigo leitor deve estar pensando que eu me esqueci do sonho de consumo da oposição: o impeachment. Não acredito que Cunha vá se aventurar por este caminho, justamente por ele ser um pragmático e calculista.

Cunha não tem o perfil de paladino da ética para conduzir um processo de impeachment sem que sua própria cabeça acabe rolando no processo e levando junto uma parte dos 267 deputados que votou nele.

Dilma tem uma imagem austera e trabalhadora, não ostenta sinais de enriquecimento na política, não tem nenhuma mácula pessoal em sua biografia, não blinda a corrupção, pelo contrário apoia seu combate, e sairia como vítima no processo caso a oposição conseguisse derrubá-la no tapetão.

E banalizar um processo traumático como impeachment, sem uma causa compreendida como justa pelo povo, não dá estabilidade para nenhum sucessor ficar na presidência. Além disso, é enorme o risco de deflagrar um clima popular para derrubada do Congresso eleito, de governadores e prefeitos impopulares.

É como a estória de que é fácil derrubar alguém de um cavalo bravo, mas o difícil é tomar o lugar e ficar em cima dele.

Como disse o deputado Sibá Machado (PT-AC), é vida que segue. Quem é de luta não pode desistir. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Contraponto 15.941 - "Só o povo nas ruas evita o Golpe Político"

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 02/02/2015

Só o povo nas ruas
evita o Golpe Político


Conversa Afiada -  02/02/2015


Aldo Arantes luta por um 1,5 milhão de assinaturas para fazer a Reforma Politica 

Arantes: o Golpe hoje não será militar ! Será outro !

Mais de 100 instituições brasileiras, entre elas a OAB, a CUT e a CNBB, firmaram uma  Coalizão que propõe  uma Reforma Política no Brasil a partir de inciativa popular.

Trata-se da Coalização pela Reforma Política Democratica, organizada por um grupo da Ordem dos Advogados do Brasil que conta com  o ex-deputado constituinte Aldo Arantes, além de Cesar Britto, Claudio Pereira de Sousa Neto e Marcelo Lavenère.

Em entrevista ao Conversa Afiada, Arantes defendeu a necessidade de o país se mobilizar em torno da  proposta e lembrou que a Coalizão não é partidária.

Para ele, é preciso “que o povo entenda o que está em jogo” para evitar que a história se repita.

“Eu vivi uma experiência semelhante na Constituinte, em que no primeiro momento se formou o centrão, que está se formando novamente. Para acabar com o centrão, foi o povo na rua, pressão popular que terminou deslocando setores de centro para uma aliança”, revelou Aldo ao ansioso blogueiro.

“A Reforma Política é a mãe de todas as Reformas”, diz, para em seguida afirmar que há outras necessárias como, por exemplo, a “regulamentação dos meios de comunicação no Brasil, a reforma tributária e a urbana”, comenta.

Aldo começou sua militância política no movimento estudantil no Liceu de Goiânia, e depois atuou como presidente do DCE da PUC-RJ. Foi, também, presidente da UNE, entre 1961 e 1962.

Como deputado federal, exerceu o mandato por quatro vezes. Foi constituinte em 1988.

Atuou como secretário estadual do meio ambiente e dos recursos hídricos no governo do estado de Goiás. Hoje, ele é o representante do Conselho Federal da OAB na Coalizão.

Leia a entrevista na integra e ouça o áudio.


PHA: Converso com Aldo Arantes, que faz parte com Cesar Britto, Claudio Pereira de Sousa Neto e Marcelo Lavenère do grupo da OAB que organizou a Coalização pela Reforma Política Democrática. É uma articulação da sociedade brasileira composta por 101 entidades e movimentos e organizações sociais, entre as quais a própria OAB, a CNBB, o Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral, UNE, CUT, UBN, Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação, UBS, INESP, entre outros.

Aldo Arantes, o que é essa coalizão pela Reforma Política?


Aldo Arantes: Paulo Henrique, é uma articulação da sociedade civil, que procura trabalhar uma alternativa de reforma política democrática. Porque, definitivamente, a reforma política entrou na pauta do país. E é necessário que a sociedade se expresse em torno de uma proposta concreta.

A coalização procurou identificar aquelas questões consideradas estruturantes, que degradam o processo político brasileiro. Identificamos quatro questões.

A primeira e mais importante é a questão da influência do poder econômico nas eleições. A OAB, por isso, entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade que tramita no Supremo Tribunal Federal com seis votos a um, já que o Ministro Gilmar Mendes sentou e ainda não despachou.

Essa questão do financiamento é  decisiva porque ela não só é o canal da corrupção eleitoral como é o canal que formata o sistema de representação.

Nós apresentamos como alternativa o que chamamos de financiamento democrático de campanha para criar uma igualdade na disputa política eleitoral.


PHA: Como seria isso?

Aldo: Ele opta pelo financiamento público  e admite financiamento de pessoas físicas desde que limitado pessoalmente a R$ 700 e no todo não mais do que 40% do financiamento público de tal forma que não possa ser um outro mecanismo de poder econômico influenciar no processo eleitoral. Essa é a questão mais importante.

Uma outra questão é o sistema de representação, o sistema eleitoral. Nós defendemos o sistema proporcional que é o que a Constituição Brasileira incorporou. Mas ele surgiu como uma alternativa ao sistema majoritário. Ele surgiu no processo de luta dos trabalhadores exigindo uma representação mais sintonizada com a diversidade da sociedade.

Mas o sistema proporcional brasileiro tem um problema grave, que é o voto em pessoa, em que ganha tem mais dinheiro. É um sistema despolitizado.


O que a gente propõe é um sistema proporcional em dois momentos, para transformar o voto em um voto transparente, em que se vote em propostas políticas no primeiro turno, em alternativas políticas, em que a partir do coeficiente eleitoral se define o número de cada partido. E no segundo turno você tem aquilo que a cultura política incorpora que é o voto do cidadão.

Então, você, por um lado, eleva o patamar da luta política, consolida os partidos políticos, acaba com os partidos de aluguel, mas permite a existência de partidos pequenos, grandes ou médios desde que tenham representação real na sociedade e, no segundo turno, a sociedade define quem é que vai ser eleito.

Também tem a representação das mulheres em que propomos a alternância de gênero e a questão da melhor regulamentação dos temas da democracia direta através do plebiscito, projeto de iniciativa popular, referendo, que na verdade deixaram de ser algo efetivamente praticados. Estão na Constituição, mas  foram deixados de lado.
Nós temos convicção que isso só será possível com ampla mobilização popular. Estamos intensificando a luta pela coleta de 1 milhão e 500 mil assinaturas e estamos chamando os movimentos sociais para uma grande mobilização, para uma pressão democrática sob o Congresso Nacional, pois temos elementos para dizer que está em curso uma aliança que pretende impor uma Reforma Política que será um retrocesso na democracia brasileira.

PHA: Na proposta, o que seria votado no primeiro turno?

Aldo: No primeiro turno, você votaria em uma plataforma política, votaria, portanto, em um partido político e em uma lista pré-ordenada de candidatos escolhida democraticamente por meio de eleições primárias.

Com base no coeficiente eleitoral, você definiria o número de cadeiras de cada partido. Suponhamos que, no Rio de Janeiro, um determinado partido obteve cinco vagas. Então, no primeiro turno ele disputa vagas. E no segundo turno, esse partido vai disputar com o dobro das vagas que ele obteve. Ou seja, ele disputaria com dez vagas, cinco homens e cinco mulheres. Aí, o eleitor saberia decidir dentre os dez quais seriam eleitos e poderia alterar a ordem da lista.


PHA: Seria um voto misto com lista pré-ordenada?

Aldo: Sim, seria no primeiro turno. Mas no segundo poderia haver uma alteração. Existem certos seguimentos que defendem a lista com a possibilidade de no mesmo turno você fazer a alteração da posição. Isso volta à situação atual, em que você vota em pessoa.

O que se quer é um momento em que se consolide o partido, que esse partido crie identidade política e ideológica. Porque hoje a maioria dos partidos não tem programas e o candidato se elege sem nenhum compromisso.

Você vota em um candidato que representa uma condição a favor do direito das mulheres e acaba elegendo um que é contrário.




PHA: Como fazer para enfrentar esse problema novo que é a eleição de Eduardo Cunha para presidente Câmara. Ele já se declarou contra o financiamento público e a favor do financiamento de empresas. O Ministro Gilmar Mendes, que se sentou em cima dessa decisão do STF, foi o ministro que livrou Cunha de uma ação criminal. Como enfrentar isso?

Aldo: Povo na rua. Se não tiver mobilização popular a democracia brasileira sofrerá um profundo golpe. O povo na rua significa a coleta de 1 milhão e 500 mil assinaturas, mas não só isso. Mas o mais importante é o povo na rua com uma proposta alternativa para que o Congresso Nacional sinta o que o povo brasileiro quer em termos de Reforma Política.

A eleição do Cunha tornou isso mais importante e revelou essa aliança política que alguns setores fazem no Congresso. Se não fizer nada, a gente pode ter uma Reforma altamente conservadora.

É bom dizer que esse projeto de iniciativa popular é um projeto de transitação simples, ele pode ser aprovado por maioria simples. A proposta conservadora exige emenda Constitucional.

Então, uma pressão popular e eu vivi essa experiência na Constituinte, em que no primeiro momento se formou o centrão, que está se formando novamente.

Para acabar com o centrão, foi o povo na rua, pressão popular que terminou deslocando setores de centro para uma aliança.

Essa luta é muito importante. O resultado eu não posso saber, mas depende da intensidade da mobilização e da capacidade do povo entender o que está em jogo, o que isso afeta no futuro da democracia e no futuro das outras reformas. Porque, se consegue uma Reforma Política que torne o Congresso mais representativo das aspirações da sociedade, isso coloca na ordem um conjunto de outras reformas.

Nós temos outras questões, como a democratização dos meios de comunicação, a reforma tributária, a reforma urbana, e outras. Mas consideramos a mãe das reformas a Reforma Política.

PHA: Como o senhor pretende colocar o povo na rua?

Aldo: Na verdade, quem tem colocar o povo na rua são as entidades. É necessário que elas se convençam que vivemos um momento de emergência política no país. A democracia está em risco. Ou a sociedade se mobiliza e temos condições para fazer isso ou nós estaremos em uma situação dificil.

Aí, eu quero destacar o papel do seu blog e dos outros blogs na luta democrática. Daí a importância de que a gente possa ter canais de comunicação com a sociedade de forma mais ampla para que ela possa tomar conhecimento dessa proposta.


PHA: Qual é o maior risco que a sociedade brasileira corre hoje?

Aldo: De um retrocesso econômico, político, social e democrático. Nesse sentido, quem conhece a história sabe que os avanços da sociedade só são possíveis na medida em que a sociedade se mobilize.

Nós já vivemos momentos tensos, importantes da história política brasileira, vivemos um golpe militar quando houve uma ofensiva da direita. Hoje, você não tem golpe militar, mas tem golpe político.

Só a sociedade mobilizada pode impedir que isso ocorra e de colocar na ordem do dia um processo de aprofundamento da nossa democracia.
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Contraponto 15.940 - "Vitória de Cunha é do PSDB, dos magnatas bilionários, de certos juízes e contra as reformas política e da mídia"

Contraponto 15.939 - "E do que se riem?"

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02/02/2015

E do que se riem?

 

E de quem? Deles mesmos, ou de todos nós, vítimas da incompetência das nossas elites? Para o país da casa-grande e da senzala, a Idade Média continua

 

Carta Capital — publicado 02/02/2015
 Jonny Ueda/Futura Press/Estadão
Alckmin 

Quanta graça no toque do boné

por Mino Carta 


E no outro dia, janto em um restaurante e na mesa ao lado senta-se um tucano emérito, cercado, creio

eu, por familiares. Conheço-o faz quase quatro décadas, mas ele não me cumprimenta. Chamo o garçom e peço tucano ao forno em tom audível da rua. “Não sei se tem, vou verificar”, diz o garçom, e parte para a cozinha. Chega o maître minutos após: “O que o senhor pediu?” Tucano ao forno, repito no tom precedente. O maître ri com gosto.

O vizinho da mesa, quando o conheci, tempos de ditadura, declarava-se de esquerda, até com alguma veemência. Era um jovem e promissor quadro e, de fato, fez carreira como parlamentar e na administração pública. Emedebista, peemedebista, enfim tucano desde os primórdios. Perfeitamente à vontade dentro de um partido que se tornou o melhor representante da casa-grande. Já o PMDB é a agremiação que interpreta admiravelmente, e sem a mais pálida intenção de disfarce, o oportunismo, o arrivismo, a falta de escrúpulos e compromissos ideológicos. O poder pelo poder.

E o PT? No governo não difere dos demais. Sua frequentação da hipocrisia está no fato de que ainda proclama ser dos trabalhadores. A esta altura, não engana mesmo os mais ingênuos, a começar por aqueles que afirma representar. Se o governo já praticou políticas de inclusão social, e com êxito não somente para os diretos beneficiados, hoje em dia tal orientação está em xeque, por obra de um ajuste fiscal a prometer desemprego e recessão.

Ajuste necessário, em princípio, mas desde logo vincado pela inspiração neoliberal. Avisa-se do alto, com pretensa generosidade, que de ajuste “pequeno” se trataria, quando até o mundo mineral capta o contrário. Pequeno? À mesa do governo, 39 ministros ali sentados em torno da presidenta, se riem largamente, e nesta bonomia risonha tem algo de sinistro. De todos, o mais vampiresco é o ministro da Fazenda. Podem crer, ele não é de ajustes pequenos. Gargalha, em uníssono, um Alckmin de boné, ao anunciar o drama hídrico instalado em São Paulo.

Um grande ajuste poderia haver, salutar, a taxação dos ricos. No entanto, que esperança, tanto mais no país da casa-grande e da senzala. Joaquim Levy, aliás, poderia nos poupar de suas lições a respeito de patrimonialismo, mesmo porque, ou não entende do assunto, ou tenciona levar-nos na conversa. A ideia vale em dois sentidos. Um gênero de patrimonialismo é aquele praticado pelo governante que se nega a perceber a diferença entre público e privado e usa o poder qual fosse de sua propriedade. Outro é aquele que permite a presença do Estado onde se faz necessária conforme as circunstâncias. Se tiverem dúvidas, perguntem a Franklin D. Roosevelt e lord Keynes.

Não há progresso desde a Revolução Industrial e a Revolução Francesa, sem a participação decisiva do Estado. Suponho que a este gênero de patrimonialismo se refira Joaquim Levy ao se dispor a erradicá-lo. Prefere um mundo de insuportável desigualdade, construído para a felicidade de banqueiros e especuladores, a fim de conseguir que 1% da população detenha 99% dos bens, como acontecerá em breve.

Perguntam meus botões: “Será que Dilma sabe ter ganho a eleição?” Evito respostas, embora perceba que o ajuste excogitado pelo ministro da Fazenda prejudica os eleitores da presidenta, antes de quaisquer outros. De todo modo, ao pensar no governo sorridente, me ocorre a imagem de um pesqueiro a navegar ao largo da costa nortista da Escócia, na neblina da madrugada invernal. E sem dispor do apito, irremediavelmente avariado.

Joaquim Levy se moverá ao escárnio se alguém se permitisse dizer que Tsipras, o grego, arca com um papel interessante. Cabe-lhe, ao menos, o destemor de levantar um debate importante sobre questões vitais. Inescapáveis, se estivermos interessados no futuro, do Brasil e da humanidade. Certo é, e insisto neste ponto, que nossa imensa terrinha poderia ter sido o paraíso terrestre. Se não é, cada vez mais escancarada a responsabilidade de uma elite incompetente, sobretudo incompetente, empenhada em manter de pé a casa-grande e a senzala.

Se padecemos uma crise hídrica e outra energética, a quem atribuir a responsabilidade? Quem sabe valesse perceber que o Brasil não carece de águas. São Paulo, digamos, atravessada por dois rios de notável porte, transformados em esgotos ao ar livre, em um país incapaz de alcançar com saneamento básico um terço do seu território. Incompetência, descaso, ignorância, irresponsabilidade, jactância dos provincianos recalcados e a impotência de um povo ignaro de sua própria cidadania. No meio, a ausência de mediação política eficaz. Meros exemplos da nossa persistente Idade Média.

O Brasil pretende-se democrático e civilizado e é o único país em que mais de 60 mil assassínios são cometidos anualmente, crimes contra a humanidade prescrevem, rico não vai para a cadeia e o novo ano só começa depois do Carnaval.
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Contraponto 15.938 - "Petrobras: a seta do tempo se quebrou? Desistimos? "


02/02/2015 


Petrobras: a seta do tempo se quebrou? Desistimos? 


O que as centrais sindicais e a esquerda pretendem fazer diante da destruição do último impulso industrializante do Brasil no século XXI? Nada? 


Carta Maior - 02/02/2015
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Arquivo

  
por: Saul Leblon


O que vier a ocorrer com a Petrobrás contagiará irremediavelmente o destino do desenvolvimento brasileiro e a sorte da sociedade nas próximas décadas.

Se urgências e retificações de rumo forem deixadas ao sabor da lógica de mercado, descuidando-se da dimensão política que entrelaça o seu destino ao da nação, apetites vorazes debulharão a  estatal até amesquinhá-la à condição de um trem enferrujado e solto no ar. Pronto para ser vendido como sucata.

O Brasil todo será tragado pelo mesmo arrastão, com consequências econômicas devastadoras e, políticas, imponderáveis.

A Petrobras é a maior produtora de petróleo do mundo entre as empresas de capital aberto.

Superou a produção da Exxon em mais de 150 mil barris/dia no final do ano passado.

Não foi um ponto fora da curva.

A estatal brasileira tem reservas e tecnologia para figurar na linha de frente do mercado por décadas.

Sozinha, ela representa mais de 10% de todo o investimento brasileiro de 2014, estimado em insuficientes 18,5% do PIB.

 A operação Lava Jato flagrou a ação de um cupinzeiro incrustrado no mecanismo dessa alavanca decisiva para o salto estratégico do país no século XXI.

As empreiteiras associadas ao esquema investigado respondem, por sua vez, por um conjunto de obras em diferentes setores que somaria quase a metade da taxa de investimento em curso na economia.

Jogar no ralo esse conjunto com a água suja do banho –para usar uma metáfora tão gasta quanto pertinente— significa escavar o chão do país em profundidade suficiente para deixa-lo à deriva na luta pelo desenvolvimento em boa parte deste século.

 A Petrobras e o pré-sal ocupam o centro da almejada transição de uma economia rica, cevada na injustiça secular, para  uma democracia social próspera, convergente e soberana.

Ao lado do cupinzeiro que esburacou o caixa e a identidade histórica da estatal criada por Vargas,  pulsa ainda intacto esse potencial capaz de reorientar a história brasileira.

Ainda, mas não por muito tempo, exceto se ganhar a blindagem de  uma resistência política ao desmonte.

Desde 2010, quando o governo Lula instituiu a regulação soberana das reservas do pré-sal  --as maiores descobertas de óleo deste século em todo o planeta-- abriu-se na agenda e no imaginário do país o horizonte de uma virada histórica.
Ela colocou na defensiva o projeto conservador para a sociedade. E o manteve assim até hoje...

De novo: mas não por muito tempo, se o desmente em marcha não for detido.

Se socialismo  é levar a democracia às últimas consequências, esse lastro estratégico atalhou o percurso brasileiro rumo a uma fronteira ainda distante, mas que passou a ter um rumo crível e factível.

Embora tenha sugado escandalosos R$ 4 bilhões da estatal, o  cupinzeiro empresarial-político e burocrático não invalidou essa densidade encorajadora.

O cupinzeiro feriu de vergonha a alma brasileira.

Não é só uma questão policial.

 É que falhamos diante de um tesouro que cabe preservar e legar às futuras gerações.

O cupinzeiro deve ser investigado, extirpado e lancetado até o último ovo.

 Doa a quem doer.

Uma falha, porém, não justifica outra pior.

O que se busca preservar não pode ficar à mercê da lógica que conduz ao desfecho oposto.

O saneamento contábil não pode, como se fez na intempestiva avaliação de perdas de R$ 88 bilhões, servir à ingênua compra de indulgência junto à república dos dividendos e  seus porta-vozes na mídia.

É inútil o afago:  a Petrobras ‘saneada’ que serve a essa gente já tem até nome e logotipo, é a Petrobrax tucana.

O único balanço consistente, desse ponto de vista,  é o que inviabiliza a exploração soberana do pré-sal;  devolve o comando da estatal aos mercados; troca o impulso industrializante do conteúdo nacional pelo bombeamento vertiginoso do óleo  bruto; recicla os royalties da educação e da  saúde  em dividendos imediatos.

E faça isso como se não houvesse amanhã.

Como de fato não haverá, para o país acalentado pela maioria, se essa lógica prevalecer.

 A mesma ressalva vale para a delegação integral do presente e do futuro da estatal à Polícia Federal.

Não é verdade que para ser contra a corrupção é preciso ser a favor  de uma força-tarefa cuja  isenção ficou lavrada no panfletária esforço  de seus integrantes para eleger Aécio em 2014.

O juiz Moro exerce a sua determinação investigativa do alto de uma biografia que inclui esposa, irmão, amigos e empregos interligados pelo intercurso com o tucanato e o ódio ao PT .

A Moro o que é de Moro.

Aos acionistas o que é dos acionistas.

Não se inclua nessas atribuições a terceirização do passo seguinte do país e do  pré-sal ao braço local da agenda do arrocho.

Qual?

A mesma que acumula sinais explosivos de saturação  no seu laboratório de ponta, na Grécia, onde logrou derrubar o PIB em 25%; e na Espanha, em que jogou 24% dos assalariados no desemprego (leia o especial sobre a vitória do Syriza, nesta pág,  e a cobertura da Marcha pela Mudança, que levou multidões às ruas de Madrid no último sábado, sob a liderança do Podemos).

Se o governo federal erra ao descuidar do que lhe cabe –a preservação política e estratégica da Petrobras--  não se justifica que as forças progressistas endossem a mesma eutanásia em versões diferentes de silencio e prostração.

O que tem a dizer as centrais sindicais sobre a rota de destruição do projeto que encerra o derradeiro impulso industrializante do país no século XIX?

Nada?

Então, viva Eduardo Cunha.

 Desqualificar a Petrobrás, e o potencial que ela representa, é a pedra basilar do mutirão graúdo, cujo alvo não é  a lisura na gestão da coisa pública.

Fosse, o impoluto Cunha –que nunca se perderá pelo nome-- não teria a sua vitória à presidência da Câmara festejada como a praça da apoteose do corso conservador.

 Fosse outra coisa, o clamor pela faxina viria associado não a ‘cunhas’, mas à luta pela reforma política, à defesa do pré-sal e do que ele significa para o crescimento, a educação e a saúde.

 O alalaô  do dinheiro grosso enxerga na Laja Jato a larga avenida do samba até o impeachment de Dilma, a destruição do PT e a entrega do estandarte de ouro do pré-sal ao capital estrangeiro, acompanhado da dedicatória:  um banco de sangue alternativo à anemia dos juros internacionais.

É a hora da xepa do petróleo brasileiro, vibram os patrióticos editoriais das Organizações Globo, de conhecidas tradições.

 Seu peculiar ufanismo consiste em sobrepor os casos de corrupção à projeção rudimentar da irrelevância da estatal com base na cotação presente do barril  (50% abaixo dos US$ 100 de um ano atrás).

Um pouco como fez, desastradamente,  a direção da Petrobras na reavaliação de seus ativos, na semana passada.

Se é assim, ladeira abaixo, com tantos problemas e mazelas, qual o sentido em se manter uma trava de soberania em torno de 50 bilhões de barris acumulados seis mil metros abaixo da linha do mar?

Por que não queimar logo isso, bombeando o estorvo a quem quiser levar, antes que seja tarde demais?

O despropósito entreguista não admite resposta contábil, nem policial.

Ele deve ser afrontado  por uma frente progressista, que incorpore o desassombro e o discernimento histórico da geração que há 67 anos lançou a campanha ‘O petróleo é nosso’. A mesma que cinco anos depois havia acumulado massa crítica para dar a Getúlio a base política de onde nasceria a Petrobras, em 1953.

Se dependesse das restrições da época, do derrotismo das elites e do jogral entreguista, Vargas não teria cometido o arrojo de desafiar a supremacia inconteste das grandes petroleiras internacionais.

Tampouco teria atado isso a uma teimosa insistência na industrialização, que legou ao Brasil um trunfo singular entre as nações em desenvolvimento.

Assim como Juscelino não teria feito Brasília.

Ou Celso Furtado fincado pé em erradicar o apartheid nacional, que tinha no Nordeste um  bantustão avant la lettre.

A determinação de abraçar cada uma dessas agendas extraiu do engajamento popular a viabilidade sonegada pelos orçamentos, pelas elites, pelos seus sócios estrangeiros e o seu aparato emissor e golpista.

Se a seta do tempo não se quebrou, cabe aos sindicatos, movimentos sociais e partidos de esquerda atualizarem essa determinação nos dias que correm.

E não há muitos dias mais a perder nessa corrida contra o tempo.

Como fazê-lo?

Na forma de uma conferência nacional em defesa da Petrobrás -- por que não?

Que redesenhe o futuro da estatal quebrando a espinha das expectativas entreguistas no presente.

Ideias?

Todas as que forem   ordenadas pelo que é essencial.

O  essencial  é o inadiável:  mobilizar a força política dos que tem muito a perder se o destino da empresa for reduzido a um obituário nas mãos da contabilidade de mercado e da força tarefa comandada pela isenção dos juízes que ontem condenariam Vargas, Jango e Juscelino; hoje esganarão a Petrobrás, Lula , Dilma, o PT e o que mais recender qualquer aroma de tradição trabalhista e progressista.

A menos que sejam confrontados por uma coluna de fogo política, cuja articulação está nas mãos dos movimentos sociais e da esquerda.

O patrimônio do FGTS soma mais de R$ 340 bilhões, por exemplo.

Equivale a três vezes o valor de mercado a que foi reduzida a Petrobrás na última sexta-feira, estrangulada  pela ação convergente de corruptos, entreguistas e da inefável pátria dos dividendos.

Sim, o FGTS está aplicado em diferentes projetos; o financiamento imobiliário, o principal deles.

Mas se as ações da maior empresa aberta de petróleo do mundo caíram 18% apenas este ano, brasileiros na linha de tiro da sua derrocada –a maioria--  poderão decidir e exigir que uma fatia do Fundo  ajude  a fustigar a marcha da destruição.

Ou será melhor deixar que o juiz Moro cuide disso?

É preciso discernir o que está em jogo.

Para escrutinar com desassombro os desafios em curso.

 A importância da Petrobrás hoje talvez seja até maior do que nos anos 50.

Ela deixou de significar apenas petróleo nacional.

Tornou-se o espelho de uma dissidência poderosa aos interditos ao desenvolvimento num tempo de mobilidade paralisante dos capitais na vida das nações.

Fortemente imbricada nas encomendas cativas de toda a cadeia da extração, refino e usos sofisticados da petroquímica, a regulação soberana do pré-sal faculta ao Brasil um novo berçário industrializante.

Uma espécie de controle de capitais via encomendas à indústria local.

Um genial drible nos livres mercados.

Não é uma certeza, é uma possibilidade histórica.

Mas a integração entre compras direcionadas à indústria brasileira e o investimento estratégico já funciona, de forma similar e com sucesso, nas aquisições de medicamentos para o SUS, com fomento da rede de laboratórios nacionais pelo BNDES, por exemplo.

Projete isso para a escala de uma riqueza da ordem de 50 bilhões de barris (mesmo que seja a um preço médio de US$ 60 cada).

Se esse modelo entrar em voo de cruzeiro, o discurso da insignificância brasileira na definição do passo seguinte do seu crescimento cairá em coma.

Esse é o ponto de mutação que está em jogo.

É sobre isso que os movimentos sociais e a esquerda precisam refletir.

Logo.

E, sobretudo, antes de aquiescerem ao desalento convocado por aqueles que demonstram intolerância  com o círculo virtuoso que palavras como soberania, petróleo, industrialização, educação e democracia social  desenham nas possibilidades do futuro brasileiro.

Ao contrário do que martela a mídia isenta, o óleo do pré-sal –graças à tecnologia da Petrobras e ao risco zero dos poços-- é o menos vulnerável  a um novo preço de equilíbrio  em torno de US$ 60/70/b/dia.

A escala gigantesca das reservas é outro diferencial quando cálculos de amortização de custos tem que ser refeitos.

O conjunto oferece o melhor horizonte de desenvolvimento para a indústria de petróleo em todo o mundo.

 A taxa que mede isso, como já se mencionou neste espaço, mostra que o pré-sal brasileiro garante 88% de óleo recuperável sobre o total existente, contra 75% na Arábia Saudita, 65% na Rússia e 55% nos EUA.

Claro, há a questão ambiental. E não é negligenciável.

Acrescente-se a esse acervo a insubstituível necessidade de uma oferta estável de petróleo para que a humanidade –e cada nação-- possa transitar  rumo a energias renováveis, sem atropelos de abastecimento ou de custos.

Os custos ainda são expressivos por conta do elevado aporte de crédito externo, mas a espiral ascendente da produção –o pre-sal já propicia  700 mil barris/dia— reafirma aquilo que o conservadorismo tenta negar em múltiplas  frentes nesse momento.

O pré-sal e o seu modelo de regulação soberana continuam a figurar como o grande bilhete premiado do desenvolvimento brasileiro em nosso tempo.

Se o corporativismo imobilizante, a exemplo do esquerdismo cego, ignorar as interações entre esse trunfo e a resistência ao modelo do arrocho que acossa o país, é porque, de fato, a seta do tempo se quebrou.

Pior que isso, talvez.

Mudou de direção.

E avança agora como um raio para reverter aquilo que a geração de 1953 tinha como guia inabalável:  a consciência histórica de sua responsabilidade para fazer do desenvolvimento a construção coletiva de um povo, não uma prerrogativa dos mercados.

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Contraponto 15.937 - "Rafael Pato: 'De que adiantam as tantas concessões que o governo faz ao bloco da reaçada?' "

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02/02/2015 

 

De que adiantam as tantas concessões que o governo faz ao bloco da reaçada?

Do Facebook
A vitória do bandido Eduardo Cunha deveria nos propor algumas reflexões. E deveríamos tentar elaborar uma resposta para a seguinte pergunta: de que adiantam as tantas concessões que o governo faz ao bloco da reaçada? Se é pra levar porrada de todos os lados, não seria melhor mudar de atitude? Não existe conciliação possível quando apenas um lado se dispõe a ceder.

Francamente. Depois de todos esses anos sem mexer nos privilégios monárquicos da mídia
oligopolista, o governo é alvo diuturno de investidas desestabilizadoras de uma imprensa golpista e manipuladora. Depois de todos esses anos assegurando o lucro estratosférico dos rentistas, o governo segue sendo refém da animosidade do "deus-mercado" e suas bravatas especulativas. Depois de todos esses anos fazendo a vontade da base "aliada", cada vez mais voraz, o governo ainda se vê enredado pelos conchavos daqueles que deveriam defendê-lo e fortalecê-lo.

É pra isso que temos de engolir uma Katia Abreu? É pra isso que temos de engolir um Levy? É pra isso que não avançamos na regulamentação dos meios de comunicação? É pra isso que nos esquivamos de taxar as grandes fortunas? Pra tomar de 367 a 136 na Câmara??? Que "governabilidade" é essa?

Não estou criticando o PT, nem o governo, nem a Dilma. (Embora exista muita coisa a ser criticada em todos eles, sobretudo no que se refere à maciez com que enfrentam seus adversários). Estou apenas tentando extrair uma lógica da estratégia que vem sendo traçada. Ou eu sou muito obtuso e não tô conseguindo antever os movimentos das peças nesse tabuleiro, ou o jogo, de fato, não tá lá muito bom.

Acho que é papel da militância fortalecer o governo. E isso, para ser conseguido, demandará um grandioso pacto anti-neoliberal, que dependerá da união e organização dos movimentos populares, sociais e trabalhistas verdadeiramente de esquerda. São esses segmentos que detêm legitimidade para apontar os caminhos para o governo, que precisa urgentemente parar de mimar os "donos do poder", os herdeiros das capitanias, e deixar de jogar segundo as regras de seus cartórios.

Quem aplaude qualquer macaquice é auditório de programa dominical. Eu não.
Haja fé.

Boa segunda. Boa semana. Bom DILMA pra todos nós!

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PITACO DO ContrapontoPIG
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Tem que sair das cordas.  E dando cotoveladas. 
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Enquanto a direita luta MMA , o governo Dilma parece estar num irritante concurso de dança.

As esquerdas têm que partir para o tudo ou nada. Reagir de alguma forma.

Ou estaremos de novo em 1954 ou 1964.
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Contraponto 15.936 - "Cunha, a nova faca no pescoço de Dilma"


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02/02/2015


Cunha, a nova faca no pescoço de Dilma

 
Tijolaço - 1 de fevereiro de 2015 | 21:49 Autor: Fernando Brito
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cunhafesteja

Consumou-se o óbvio.

Fernando Brito

Eduardo Cunha teve uma vitória avassaladora, eleito em primeiro turno, com praticamente o dobro dos votos de Arlindo Chinaglia.

Não foi, propriamente, uma vitória da Oposição, mas uma vitória de oposição ao Governo.

Foi, sobretudo, uma vitória do “sindicato” dos deputados, o que já, de cara, Cunha deixou claro ao prometer colocar, de imediato, em votação e aprovar o orçamento impositivo, ou a “mordida” obrigatória no dinheiro público para projetos de prefeituras, de estados e para os malsinados “convênios”, dos quias não me permito falar por problemas estomacais.

Cunha vai seguir, claro, fazendo seus lobbies, como fez nos governos de Lula e de Dilma.
Mas, depois de um pequeno período de “pose de estadista”, o que ele fará é o mesmo, em ponto muito maior.

Porque, agora, é quem decide o que entra ou não em pauta para votação.

Cunha mudou de “ordem de grandeza”.

O negócio, agora, não é uma diretoria da Caixa ou de algum outro órgão.

É tudo.

Experimente-se, para ver, resistir à sua gazua.

Porque, no sistema eleitoral que temos, montam-se bases parlamentares com base em que?

Porque é que Marina, com Itaú e tudo, não conseguiu formar partido e Paulinho da Força fez o Solidariedade com um pé nas costas?

E não pense que essas “boas obras” vão para a conta deles, não.

Vão para a conta do governo que eles pressionam e politicamente chantageiam.

O Governo Dilma ganhou a reeleição, mas reluta em assumir o poder.
E o poder exige alinhamento entre os que o partilham.

Se não há um mínimo de alinhamento, não pode haver esta partilha.
Atentem para o que quer dizer o resultado.

Mesmo com parte dos votos tucanos para Julio Delgado, o “cunhismo” teve maioria absoluta da Câmara.

Com o PSDB fechado, tem maioria até para mudanças constitucionais.

Resta ao governo, agora, a triste sina de negociar cada projeto de lei ou Medida Provisória no varejinho da esquina parlamentar.

Ou dialogar com a população, o que até ameaçou fazer – e recuou – ao propor a reforma político-eleitoral em 2013.

Mas dialogar com a população, como?

Cada vez mais o governo vai atando seus movimentos.

Eu sigo os conselhos do velho Brizola e recorro aos poetas, a um dos grandes, Cartola:

Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés

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PITACO DO ContrapontoPIG
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Será que voltaremos a 1954 ou a 1964?
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Contraponto 15.935 - "Petrobras bate sexto recorde anual seguido "

A Petrobras fechou 2014 batendo um novo recorde na produção de derivados de petróleo nas refinarias do país com uma produção 2,17 milhões de barris de petróleo por dia, volume que supera em 45 mil barris de petróleo/dia o recorde anterior, alcançado em 2013. Este é o sexto recorde anual seguido, o que demonstra, segundo nota divulgada pela estatal nesta madrugada, "o crescimento da produção de derivados em patamares sustentáveis".

O aumento e os recordes ocorreram em diversos dos produtos refinados pela empresa, inclusive os mais consumidos pelo mercado, como a gasolina, o diesel e o querosene. As informações indicam que, em 2014, a produção de óleo diesel, combustível com alta demanda no setor de transporte rodoviário, totalizou 311 milhões de barris. Isso proporcionou um acréscimo de 1 milhão de barris em relação a 2013.

O início de operação das unidades de tratamento de diesel da Refinaria de Paulínia (Replan-SP), em novembro de 2013, da Refinaria Gabriel Passos (Regap–MG), em janeiro de 2014, e da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap-RS), em setembro de 2014, contribuíram para o aumento da produção.

Responsáveis por 72,3% da produção de diesel, seis das refinarias que compõem o parque nacional de refino encerraram o ano passado com produção recorde em relação a 2013, a partir da maior utilização das unidades de destilação e de hidrotratamento: Replan, Refinaria Landulpho Alves (RLAM– BA), Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar–PR), Refinaria Presidente Bernardes (RPBC-SP), Refinaria Henrique Lage (Revap–SP) e Refinaria de Capuava (Recap–SP).

Já a produção de gasolina, outro produto com crescente demanda no mercado, mesmo tendo passado em janeiro de 2014 a ser comercializada com baixo teor de enxofre – 50 partes por milhão –, também obteve recorde anual. A produção do derivado totalizou 180 milhões de barris, com acréscimo de 1 milhão de barris em relação a 2013. O crescimento foi alcançado com a maior utilização das unidades de craqueamento – processo utilizado para transformar óleos pesados em derivados de petróleo mais nobres. Quatro refinarias obtiveram seus maiores níveis de produção anual e contribuíram significativamente para esse resultado, respondendo por 34,4% do volume de gasolina: RLAM, Refap, Regap e Recap.

A produção de querosene totalizou 38 milhões de barris em 2014, representando um acréscimo de 3 milhões de barris em relação a 2013. A marca alcançada é resultado da otimização dos processos produtivos, do aproveitamento de sinergias entre as refinarias e da redistribuição de mercados entre os polos supridores, informou a Petrobras. Cinco refinarias alcançaram recorde anual, respondendo por 56,6% da produção de querosene: Refinaria Duque de Caxias (Reduc), Replan, Regap, Repar, além da Refinaria Isaac Sabbá (Reman–AM).

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Contraponto 15.934 - "Eduardo Cunha abre era regressiva "



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02/02/2015


Eduardo Cunha abre era regressiva

 

PauloMoreiraLeite  - 01/02/2015

 

renan13


Com vitória arrasadora na Câmara, candidato do PMDB é adversário da democratização da mídia, da proibição de financiamento de campanha por empresas privadas e outras medidas progressistas

Para entender o alcance da votação de hoje na Câmara de Deputados, convém compreender as propostas do candidato vitorioso, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Ao derrotar Arlindo Chinaglia por 267 votos a 136, Eduardo Cunha cravou a vitória em primeiro turno e deu um golpe duro na agenda de medidas progressistas que o país debateu nos últimos anos.
Cunha teve uma vitória arrasadora. Com cinco votos a mais, teria obtido o dobro do apoio obtido pelo petista Chinaglia.

Se o comando da campanha do PT chegou a imaginar uma eleição emparelhada, o resultado mostra uma situação muito mais adversa e difícil. A incapacidade de chegar a um segundo turno mostra o vigor do espírito anti-governo no Congresso.

A reeleição de Renan Calheiros, por uma margem igualmente folgada (49 a 31) sobre Luiz Henrique (PMDB-SC), na disputa pela presidência do Senado, não pode ser desprezada. Mostra que a Casa continua um local de refúgio para o Planalto proteger seus interesses. A votação na Câmara, porém, aponta para um governo de mãos atadas.

Do ponto de vista do cidadão, a vitória de Cunha tira espaço para mudanças essenciais para o país. O novo presidente é adversário absoluto do ponto principal da reforma política, que consiste em proibir financiamento de campanhas eleitorais por parte de empresas privadas. A democratização dos meios de comunicação, que já era um assunto difícil, tornou-se um debate ainda mais complicado, quem sabe inviável. Cunha também é contra qualquer mudança nessa área. Ao fazer menção a Deus e à Sua Vontade durante o discurso em que apresentou sua candidatura, o novo presidente confirmou que irá cultivar a simpatia de correntes evangélicas, que se tornaram a ponta de lança do conservadorismo — no plano do comportamento — no Congresso, a começar pela proteção aos direitos dos homossexuais e a legalização do aborto.

Cunha já assumiu, publicamente, o compromisso de aprovar projeto que dá caráter mandatário às emendas parlamentares — a mais conhecida janela para deputados terem acesso a verbas do Orçamento e irrigar suas bases eleitorais com recursos públicos, de controle difícil e mesmo impossível.

Se foi uma vitória incontestável pelos votos obtidos, a vitória de Eduardo Cunha pode colocar a Câmara numa trilha conservadora com poucos antecedentes em sua história. Mesmo no regime militar, quando a imprensa estava sob censura e os generais não hesitavam em cassar mandatos de parlamentares mais combativos, a Câmara demonstrou uma postura progressista.

Votou contra a cassação do deputado Marcio Moreira Alves. Em 1984 deu maioria de votos para a emenda das Diretas-Já, que só não foram aprovadas porque era preciso atingir o quorum de dois terços. Mas em 1988 fez uma Constituição com vários pontos progressistas, que instituiu o mais prolongado regime de liberdades públicas de nossa história. Em 2005, quando Severino Cavalcanti derrotou o petista Luiz Eduardo Greenhalgh e tornou-se presidente da Câmara, os deputados deixaram claro que queriam atingir o governo — mas não estavam organizados em torno de uma plataforma conservadora, como a de Eduardo Cunha.

No meio da tarde, quando estava claro que Arlindo Chinaglia dificilmente chegaria a votação imaginada nos dias anteriores, um parlamentar fazia uma confissão numa rodinha de colegas: “Eu não gostei de nada daquilo que a Marta Suplicy disse ao romper com o governo. Mas sou obrigado a concordar com uma coisa que ela disse: ou o PT muda ou acaba.”

Para o governo Dilma Rousseff, a vitória de Eduardo Cunha não poderia ocorrer num momento pior. Aguarda-se para os próximos dias a divulgação, por parte do Procurador Geral da República, da relação de dezenas de políticos e autoridades com direito a foro privilegiado que são acusadas na Operação Lava Jato. Conforme o volume de acusados, e por sua qualificação na estrutura do governo, pode-se imaginar o tamanho do estrago a ser produzido quando isso acontecer — e seu reflexo numa Câmara que ontem mesmo já discutia a reabertura das CPIs da Petrobrás.

O tempo irá dizer como um Congresso com este perfil, à direita, irá conviver com um país que tem dado sinais à esquerda, como se viu na reta final eleição presidencial. Não custa observar que as urnas de 2015 repetiram, o mesmo comportamento de três eleições presidenciais anteriores.

As chances de choque político e paralisia do Estado são grandes, como se vê nas sucessivas tensões entre o democrata Barack Obama e o Congresso dos EUA, republicano num padrão radical, onde se assiste a um conflito semelhante. A diferença reside na postura do Judiciário.

Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, no Brasil a Justiça tem assumido uma postura de oposição ao governo Lula-Dilma desde o processo da Ação Penal 470. Em artigo publicado neste domingo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu apoiar a Operação Lava Jato como um caminho não apenas para apurar e punir responsabilidades entre empresas e políticos acusados de corrupção, o que sempre irá merecer aplauso, mas também para modificar o sistema político, atribuição que pertence ao Congresso.

FHC escreveu: “ou há uma regeneração ‘por dentro’, governo e partidos reagem e alteram o que deve ser alterado, ou a mudança virá “de fora”. O ex-presidente acrescentou: “no passado, seriam golpes militares. Não é o caso, não é desejável nem se veem sinais.” O presidente conclui: “Resta, portanto, a Justiça.”

Neste ambiente, o Planalto conseguiu uma vitória importante ao garantir a vitória de Renan Calheiros no Senado. A maioria no Senado pode auxiliar o governo a derrubar projetos de lei aprovados pela Câmara de Deputados, ainda que o preço seja, sempre, algum desgaste. O senado tem a última palavra em diversos matérias financeiras. Renan Calheiros mostrou sua fidelidade ao Planalto quando impediu a realização de uma sessão no qual a oposição pretendia debater a mudança no superávit primário, assunto que poderia colocar, inclusive, forçando um debate sobre impeachment da presidente. Os membros do senado ainda tem o poder de aprovar — ou reprovar — as indicações de Dilma ao Supremo Tribunal. Já existe uma vaga a ser preenchida, deixada pela aposentadoria de Joaquim Barbosa. No final do ano, abre-se outra, de Celso de Mello, que completará 70 anos. São posições de grande importância, quando se avalia os próximos passos da Lava Jato. A decisão de aprovar um processo de julgamento do presidente da Republica necessita do voto de dois terços dois deputados, ou 342 cabeças. Caso o processo seja aprovado, o julgamento ocorre no Senado.

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Contraponto 15.933 - "Enquanto a Petrobras é massacrada, a Sabesp é convenientemente esquecida"

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31/01/2015

 

Enquanto a Petrobras é massacrada, a Sabesp é convenientemente esquecida




Tudo sob controle
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Paulo NogueiraUm amigo meu pergunta no Facebook: “O que a Dilma quer? Convencer todo mundo de que a Petrobras tem que ser privatizada?”
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Entrei na conversa.

“Acho que a pergunta certa é: o que a mídia quer com esse bombardeio? Compare com a Sabesp, que está prestes a deixar os paulistanos sem água para dar descarga e ninguém fala nada.”
A Petrobras, para os conservadores, deixou de ser uma empresa petrolífera. Ela se transformou no caminho mais curto para ataques a Dilma e ao PT.

É para isso que a Petrobras serve, hoje: é um instrumento para desestabilizar o governo petista.
Os fatos são minuciosamente escolhidos e manipulados.

Companhias gigantes com ações nas bolsas oscilam extraordinariamente de valor, em certas circunstâncias.

O petróleo enfrenta uma situação particularmente complicada: há um excesso de oferta.
Os preços desabaram.

Os países produtores, agrupados na OPEP, decidiram, até aqui, não responder ao problema com o mecanismo clássico de redução da oferta.

Dentro desse horizonte, todas as empresas do ramo sofrem.

Seu produto vale menos, e consequentemente suas ações também.

Este é o drama real da Petrobras – e de todas as empresas que produzem petróleo.

Todas elas valem menos agora do que valiam antes da recente crise petrolífera. São oscilações de bilhões de dólares.

Normalizada a situação, com o petróleo voltando aos patamares habituais, o valor das empresas oscilará positivamente em vários bilhões de dólares.

Por isso, não adianta você pegar um quadro atípico para tirar conclusões.

Mas é o que a mídia faz, não com o intuito de “salvar a Petrobras”, mas para afundar o PT.
Por mais doída e constrangedora que seja, a questão da corrupção responde apenas por uma parte mínima da perda de valor das ações da Petrobras.

Quando o mercado se normalizar, a Petrobras voltará a valer o que valia antes, bem como todas as corporações do ramo.

A diferença é que o processo de valorização não será notícia.

A Petrobras é sólida o bastante para enfrentar intempéries.

O barulho incessante em torno dela contrasta com o silêncio obsequioso em relação à Sabesp.
O cidadão não é diretamente afetado pela alta ou baixa do petróleo. Mas quando uma empresa que deveria fornecer água entra em colapso, aí sim você tem uma situação de calamidade.

É a escola que pode parar de funcionar. É o banho que pode deixar de ser tomado. É a empresa que pode carecer de água para funcionar.

O drama vinha vindo, sabe-se hoje. No entanto, não foram tomadas providências que reduziriam as ameaças que pairam agora sobre os paulistas.

O motivo da inação criminosa chama-se eleição.

Alckmin não queria correr o risco de perder votos caso houvesse algum tipo de corte na água da população.

Depois, a conta viria, como veio. Mas aí as eleições já teriam passado.

Em nenhum momento a imprensa, ao longo da campanha, cobrou de Alckmin atitudes de interesse público.

A explicação benevolente para isso é que a mídia não tinha noção da gravidade das coisas.
Aí seria um caso de inépcia monumental.

A explicação mais provável é que a imprensa não estava interessada em aprofundar um assunto que poderia custar o cargo do amigo Alckmin.

E assim chegamos ao que estamos vendo agora.

Todos os holofotes se concentram na Petrobras, para a qual tudo se normalizará assim que os preços do petróleo no mercado mundial se restabelecerem.

Enquanto isso, a Sabesp de Alckmin é uma nota de rodapé – ainda que possa faltar aos paulistas água para dar descarga.


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Paulo Nogueira. Jornalista,  fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Contraponto 15.932 - " 'Saiam de São Paulo porque aqui não vai ter água': a espantosa sinceridade de um diretor da Sabesp "