quarta-feira, 4 de março de 2015

Contraponto 16.196 - Joaquim - o "honesto"

Contraponto 16.195 - "Quem tem medo do Lula??"

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04/03/2015

Quem tem medo do Lula??


Lula é odiado porque deveria ter dado errado e deixado as elites para seguirem governando o Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador.



Carta Maior - em 02/03/2015 às 15:21

Emir Sader



Emir Sader 

A direita – midiática, empresarial, partidária, religiosa – entra em pânico quando imagina que o Lula possa ser o candidato mais forte para voltar a ser presidente em 2018. Depois de ter deixado escapar a possibilidade de vencer em 2014, com uma campanha que trata de colocar o máximo de obstáculos para o governo de Dilma – em que o apelo a golpe e impeachment faz parte do desgaste –, as baterias se voltam sobre o Lula.

De que adiantaria ajudar a condenar a Dilma a um governo sofrível, se a imagem do Lula só aumenta com isso? Como, para além das denuncias falsas difundidas até agora, tratar de desgastar a imagem de Lula? Como, se a imagem dele está identificada com todas as melhorias na vida da massa da população? Como se a projeção positiva da imagem do Brasil no mundo está associada à imagem de Lula? Como se a elevação da auto estima dos brasileiros tem a ver diretamente com a imagem de Lula?

Mas, quem tem tanto medo do Lula? Por que o ódio ao Lula? Por que esse medo? Por que esse ódio? Quem tem medo do Lula e quem tem esperanças nele? Só analisando o que ele representou e representa hoje no Brasil para entendermos porque tantos adoram o Lula e alguns lhe têm tanto ódio.

Lula deu por terminados os governos das elites que, pelo poder das armas, da mídia, do dinheiro, governavam o pais só em função dos seus interesses, para uma minoria. Derrotou o candidato da continuidade do FHC e começou uma serie de governos que melhoraram, pela primeira vez, de forma substancial, a situação da massa do povo brasileiro.

Quem se sentiu afetado e passou a odiar o Lula? As elites politicas que se revezavam no governo do Brasil há séculos. Os que sentiram duramente a comparação entre a formas deles de governar e a de Lula. Sentiram que o Brasil e o mundo se deram conta de que a forma de Lula de governar é a forma de terminar com a fome, com a miséria, com a desigualdade, com a pobreza, com exclusão social. Eles sofrem ao se dar conta que governar para todos, privilegiando os que sempre haviam sido postergados, é a forma democrática de governar. Que Lula ganhou apoio e legitimidade, no Brasil, na América Latina e no mundo justamente por essa forma de governar.

Lula demonstrou, como ele disse, que é possível governar sem almoçar e jantar todas as semanas com os donos da mídia. Ele terminou seu segundo mandato com mais de 80% de referências negativas na mídia e com mais de 90% de apoio. Isso dói muito nos que acham que controlam a opinião publica e o pais por serem proprietários dos meios de comunicação.

Lula demonstrou que é possível – e até indispensável – fazer crescer o pais e distribuir renda ao mesmo tempo. Que uma coisa tem a ver intrinsecamente com a outra. Que, como ele costuma dizer, “O povo não é problema, é solução”. Dinheiro nas mãos dos pobres não vai pra especulação financeira, vai pro consumo, para elevar seu nível de vida, gerando empregos, salários, tributação.

Lula mostrou, na pratica, que o Brasil pode melhorar, pode diminuir suas desigualdades, pode dar certo, pode se projetar positivamente no mundo, se avançar na superação das desigualdades – a herança mais dura que as elites deixaram para seu governo. Para isso precisa valorizar seu potencial, seu povo, elevar sua auto estima, deixar de falar mal do país e de elogiar tudo o que está lá fora, especialmente no centro do capitalismo.

Lula fez o Brasil ter uma política internacional de soberania e de solidariedade, que defende nossos interesses e privilegia a relação solidaria com os outros países da America Latina, da África e da Ásia.

Lula foi quem resgatou a dignidade do povo brasileiro, de suas camadas mais pobres, em particular do nordeste brasileiro. Reconheceu seus direitos, desenvolveu politicas que favoreceram suas condições de vida e uma recuperação espetacular da economia, das condições sociais e do sistema educacional do nordeste.

Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo.

A melhor resposta ao ódio ao Lula é sua consagração e consolidação como o maior líder popular da  historia do Brasil. A força moral das suas palavras – que sempre tentam censurar. Sua trajetória de vida, que por si só é um exemplo concreto de como se pode superar as mais difíceis condições e se tornar um líder nacional e mundial, se se adere a valores sociais, políticos e morais democráticos.

Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia.

O Lula é a maior garantia da democracia no Brasil, porque sua vida é um exemplo de prática democrática. O amor do povo ao Lula é a melhor resposta ao ódio que as elites têm por ele.
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terça-feira, 3 de março de 2015

Contraponto 16.195 - "Lista de Janot deve dar trégua a Dilma e ao PT"

Contraponto 16.194 - "O Papa que diz o que a esquerda já não lembra de dizer"

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03/03/2015


O Papa que diz o que a esquerda já não lembra de dizer


Tijolaço - 3 de março de 2015 | 17:15 Autor: Fernando Brito


papa


Tudo o que está no post anterior está aqui neste, e muito mais.

É a cabeça privilegiada de Mauro Santayanna descrevendo a razão profunda das reações à fala do Papa Francisco sobre o dinheiro ser “o estrume do diabo”.

Diante de uma esquerda amorfa e imobilizada por uma covardia imensa em dizer o que pensa, com todas as letras, para que, “republicana” , nutra a esperança de que os salões não lhes torça o nariz, foi preciso que um Papa, um homem de tradição simples e discreta, tomasse o chicote contra os fariseus.

Santayanna descreve com talento a batalha ideológica que a nossa esquerda – impregnada pelo neoliberalismo até a medula e tolamente dócil à ideia do “fim da história” e da supremacia do “mercado” sobre o homem abandonou.

Não somos uma “geléia geral”, todos iguais.

E se devemos saber conviver e cooperar, jamais devemos deixar de mostrar o que somos, o que sentimos e porque dedicamos nossas vidas á política.

O Papa e o estrume do Diabo

Mauro Santayanna

O Papa Francisco está sendo amplamente atacado na internet, por ter dito, em cerimônia, em Roma, que “o dinheiro é o estrume do diabo” e que quando se torna um ídolo “ele comanda as escolhas do homem”.

Acima e abaixo da cintura, houve de tudo.

De adjetivos como comunista, “argentino hipócrita”, demagogo e outros aqui impublicáveis, a sugestões de que ele se mude para uma favela, e – a campeã de todas – que distribua para os pobres o dinheiro do Vaticano.

É cedo, historicamente, para que se conheça bem este novo papa, mas, pelo que se tem visto até agora, não se pode duvidar de que daria o dinheiro do Vaticano aos pobres, tivesse poder para isso, não fosse a Igreja que herdou dominada por nababos conservadores colocados lá pelos dois pontífices anteriores, e ele estivesse certo de que essa decisão fosse resolver, definitivamente, a questão da desigualdade e da pobreza em nosso mundo. Inteligente, o Papa sabe que a raiz da miséria e da injustiça não está na falta de dinheiro mas na falta de vergonha, de certa minoria que possui muito, muitíssimo, em um planeta em que centenas de milhões de pessoas ainda vivem com menos de dois dólares por dia.

E que essa situação se deve, em grande parte, justamente à idolatria cada vez maior pelo dinheiro, o estrume do Bezerro de Ouro que estende a sombra de seus cornos sobre a planície nua, os precipícios e falésias do destino humano.

Em nossa época, deixamos de honrar pai e mãe, de praticar a solidariedade com os mais pobres, com os doentes, com os discriminados e os excluídos, para nos entregar ao hedonismo.

Os pais transmitem aos filhos, como primeira lição e maior objetivo na existência, a necessidade não de sentir, ou de compreender o mundo e a trajetória mágica da vida – presente maior que recebemos de Deus quando nascemos – mas, sim, a de ganhar e acumular dinheiro a qualquer preço.

Escolhe-se a escola do filho, não pela abordagem filosófica, humanística, às vezes nem mesmo técnica ou científica, do tipo de ensino, mas pelo objetivo de entrar em uma universidade para fazer um curso que dê grana, com o objetivo de fazer um concurso que dê grana, estabelecendo, no processo, uma “rede” de amigos que têm, ou provavelmente terão grana.

Favorecendo, realimentando, uma cultura voltada para o aprendizado e o compartilhamento de símbolos de status fugazes e vazios, que vão do último tipo de smartphone ao nome do modelo do carro do papai e da roupa e do tênis que se está usando.

O que determina a profissão, o que se quer fazer na vida, é o dinheiro.

Escolhe-se a carreira pública, ou a política, majoritariamente, pelo poder e pelas benesses, mas, principalmente, pelo dinheiro.

Montam-se igrejas e seitas, também pelo poder, mas, sobretudo, pelo dinheiro.

Até mesmo na periferia, assalta-se, mata-se, se morre ou se vive – como rezam as letras dos funks de batalha ou de ostentação – pelo dinheiro.

Para os mais radicais, não basta colocar-se ao lado do capital, apenas como um praticante obtuso e entusiástico dessa insensata e permanente “vida loca”.

É necessário reverenciar aberta e sarcasticamente o egoísmo, antes da solidariedade, a cobiça, antes da construção do espírito, o prazer, antes da sabedoria.

É preciso defender o dindin – surgido para facilitar a simples troca de mercadorias – como símbolo e bandeira de uma ideologia clara, que se baseia na apologia da competição individual desenfreada e grosseira, e de um “vale tudo” desprovido pudor e de caráter, como forma de se alcançar riqueza e glória, disfarçado de eufemismos que possam ir além do capitalismo, como é o caso, do que está mais na moda agora, o da “meritocracia”.

Segundo a crença nascida da deturpação do termo, que atrai, como um imã, cada vez mais brasileiros, alguns merecem, por sua “competência”, viver, se divertir, ganhar dinheiro. Enquanto outros não deveriam sequer ter nascido – já que estão aqui apenas para atrapalhar o andamento da vida e do trânsito. Melhor, claro, se não existissem – ou que o fizessem apenas enquanto ainda se precise – ao custo odioso de quase 30 dólares por dia – de uma faxineira ou de um ajudante de pedreiro.

O capitalismo está se transformando em ideologia. Só falta que alguém coloque o cifrão no lugar da suástica e comece a usá-lo em estandartes, colarinhos e braçadeiras, e que em nome dele se exterminem os mais pobres, ou ao menos os mais desnecessários e incômodos, queimando-os, como polutos cordeiros, em fornos de novos campos de extermínio.

Disputa-se e proclama-se o direito de ter mais, muito mais que o outro, de receber de herança mais que o outro, de legar mais que o outro, de viver mais que o outro, de gastar mais que o outro, e, sobretudo, de ostentar, descaradamente, mais que o outro. Mesmo que, para isso, se tenha de aprender dos pais e ensinar aos filhos, a se acostumar a pisar no outro, da forma mais impiedosa e covarde.

Principalmente, quando o outro for mais “fraco”, “diverso” ou pensar de forma diferente de uma matilha malévola e ignara, ressentida antes e depois do sucesso e da fortuna, que se dedica à prática de uma espécie de bullying que durará a vida inteira, até que a sombra do fim se aproxime, para a definitiva pesagem do coração de cada um, como nos lembram os antigos papiros, à sombra de Maat e de Osíris.

A reação conservadora à ascensão de Francisco, depois do aparelhamento, durante os dois papados anteriores, da Igreja Apostólica e Romana por clérigos fascistas, e da renúncia de um papa envolvido indiretamente com vários escândalos, que comandou com crueldade e mão de ferro a “caça às bruxas” ocorrida dentro da Igreja nesse período, se dá também nos púlpitos brasileiros.

Não podendo atacar frontalmente um pontífice que diz que o mundo não é feito, exclusivamente, para os ricos, religiosos que progrediram na carreira nos últimos 20 anos, e que se esqueceram de Jesus no Templo e do Cristo dos mendigos, dos leprosos, dos aleijados, dos injustiçados, proferem seu ódio fazendo política nas missas – o que sempre condenaram nos padres adeptos da Teologia da Libertação – ressuscitando o velho e baboso discurso de triste memória, que ajudou a sustentar o golpismo em 1964.

O ideal dos novos sacerdotes e fiéis do Bezerro de Ouro é o de um futuro sem pobres, não para que diminua a desigualdade e aumente a dignidade humana, mas, sim, a contestação aos seus privilégios.
Em 1996, em um livro profético – “L´Horreur Economique”, “O Horror Econômico” – a jornalista, escritora e ensaísta francesa, Viviane Forrester, morta em 2013, já alertava, na apresentação da obra, para o surgimento desse mundo, dizendo que estamos no limiar de uma nova forma de civilização, na qual apenas uma pequena parte da população terrestre encontrará função e emprego.

“A extinção do trabalho parece um simples eclipse – afirmou então Forrester – quando, na verdade, pela primeira vez na História, o conjunto formado por todos os seres humanos é cada vez menos necessário para o pequeno número de pessoas que manipula a economia e detêm o poder político…
dando a entender que diante do fato de não ser mais “explorável”, a “massa” e quem a compõe só pode temer, e perguntando-se se depois da exploração, virá a exclusão, e, se, depois da exclusão, só restará a eliminação dos mais pobres, no futuro.

O culto ao Bezerro de Ouro, ao dinheiro e ao hedonismo está nos conduzindo para um mundo em que a tecnologia tornará o mais fraco teoricamente desnecessário.

A defesa dessa tese, assim como de outras que são importantes para a implementação paulatina desse processo, será alcançada por meio da implantação de uma espécie de pensamento único, estabelecido pelo consumo de um mesmo conteúdo, produzido e distribuído, majoritariamente, pela mesma matriz capitalista e ocidental, como já ocorre hoje com os filmes, séries e programas e os mesmos canais norte-americanos de tv a cabo, em que apenas o idioma varia, que podem ser vistos com um simples apertar de botão do controle remoto, nos mesmos quartos de hotel – independente do país em que se estiver – em qualquer cidade do mundo.

As notícias virão também das mesmas matrizes, em canais como a CNN, a Fox e a Bloomberg, e das mesmas agências de notícias, e serão distribuídas pelos mesmos grandes grupos de mídia, controlados por um reduzido grupo de famílias, em todo o mundo, forjando o tipo de unanimidade estúpida que já está se tornando endêmica em países nos quais – a exemplo do nosso – impera o analfabetismo político.

E o controle da origem da informação, da sua transmissão, e, sobretudo dos cidadãos, continuará a ser feito, cada vez mais, pelo mesmo MINIVER, o Ministério da Verdade, de que nos falou George Orwell, em seu livro “1984”, estabelecido primariamente pelos Estados Unidos, por meio da internet, a gigantesca rede que já alcança quase a metade das residências do planeta, e de seus mecanismos de monitoração permanente, como a NSA e outras agências de espionagem, seus backbones, satélites, e as grandes empresas norte-americanas da área, e a computação em nuvem, identificando rapidamente qualquer um que possa ameaçar a sobrevivência do Sistema.

O mundo do Bezerro de Ouro será, então – como sonham ardentemente alguns – um mundo perfeito, onde os pobres, os contestadores, os utópicos – sempre que surgirem – serão caçados a pauladas e tratados a chicotadas, e, finalmente, perecerão, contemplando o céu, nos lugares mais altos, para que todos vejam, e sirva de exemplo, como aconteceu com um certo nazareno chamado Jesus Cristo, há 2.000 anos.
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Contraponto 16.193 - "Cortaram as asas do super-Cunha em pleno voo"

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03/03/2015


Cortaram as asas do super-Cunha em pleno voo


Blog do Kotscho - Publicado em 03/03/15 às 10h26

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1423508207 Cortaram as asas do super Cunha em pleno voo


Ricardo Kotacho


Com seus olhos sempre arregalados, a ave agourenta que sobrevoava soberana pelos céus de Brasília, no melhor estilo do corvo Carlos Lacerda, teve que fazer um pouso de emergência. As asas de Eduardo Cunha, o suprapartidário e plenipotenciário presidente da Câmara, foram cortadas em pleno voo.

O super-Cunha se empolgou demais com os poderes subitamente adquiridos em apenas um mês, e exagerou na dose, ao afrontar a opinião pública, com algo que soou como deboche num momento em que o País e os brasileiros enfrentam graves dificuldades econômicas.

Ao fornecer passagens aéreas de graça por conta da Câmara, ou melhor, com o nosso dinheiro, para os cônjuges dos parlamentares, entre outras benemerências, que custarão mais R$ 150 milhões por ano aos cofres públicos, o novo herói da oposição midiático-financeira e dos setores mais retrógrados da sociedade brasileira percebeu que já tinha ido longe demais.

"Não acho que foi precipitado nem que deveria tomar mais cuidado. Acho muito bom quando se faz uma atitude e pode ter tranquilidade de vir rever. Não somos imunes a críticas e possíveis erros", justificou, candidamente, ao anunciar, na segunda-feira, que os voos da alegria das românticas excelências estão temporariamente cancelados.

Que gracinha!, como diria minha velha amiga Hebe Camargo. Faz uma atitude? Vir rever? Garboso, Cunha recuou, mas não deu o braço a torcer, e ainda disse que a medida foi mal interpretada como regalia. "Foi uma repercussão muito negativa. Não houve entendimento correto". Quer dizer, somos todos burros.

Às vésperas da eleição na Câmara, Cunha encontrou tempo para ir a uma reunião de mulheres de parlamentares a quem garantiu a volta da "bolsa-esposa", que tinha sido suspensa em 2009. Durante sua campanha, ele prometeu mundos e fundos (os nossos fundos, claro) aos seus 512 colegas,  como se fosse candidato a presidente do sindicato dos deputados.

Entre outros projetos, o mais grandioso é a construção de um shopping center próximo ao prédio do Anexo 4 da Câmara. Como se quatro anexos à obra original de Niemeyer não fossem suficientes para abrigar os deputados, seus assessores e todas as mordomias, Cunha agora pretende erguer o Anexo 5, com três prédios, um plenário e o shopping numa parceria público-privada.

As PPPs foram criadas para permitir a participação da iniciativa privada em obras públicas, mas será que é este o caso? A construção está estimada no módico valor de R$ 1 bilhão que, para os padrões do presidente da Câmara, não deve representar muita coisa. "Ninguém vai fazer shopping com dinheiro público", garantiu. Mesmo que isto aconteça de fato, o que se pergunta é: para quê deputados precisam de um personal shopping em plena praça dos Três Poderes? Não têm mais o que fazer?

Nas horas vagas, o super-Cunha se dedica a aprovar projetos de sua autoria que criam o "Dia do Orgulho Heterossexual" e a punição, com reclusão de um a três anos de prisão, a quem cometer atos considerados discriminatórios contra heterossexuais num país em que 200 homossexuais são assassinados a cada ano.  Ao mesmo tempo, luta pela aprovação do Estatuto da Família que, entre outros retrocessos, veta a adoção homoafetiva
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E vamos que vamos.

Em tempo (atualizado às 14h05):

"A decisão unânime foi essa: revogação pura e simplesmente do ato", anunciou, agora há pouco, um constrangido Eduardo Cunha, após reunião da Mesa Diretora da Câmara, que acabou com esta mamata.

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Contraponto 16.192 - " Lava Jato: Renan e Cunha estão na lista de Janot"

Contraponto 16.191 - "Vídeo exclusivo: privatização é a maior ameaça à Petrobras!"


03/03/2015

Vídeo exclusivo: privatização 
é a maior ameaça à Petrobras!

Haroldo Lima: leniência é forma de proteger a empresa nacional 

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Conversa Afiada - 3/3/2015


O acordo de leniência defendido pela Advocacia-Geral da União entre as empresas denunciadas na Operação Lava-Jato e o Estado Brasileiro é uma das soluções para manter a economia do país em andamento. É o que acredita Haroldo Lima, ex-presidente da Agência Nacional de Petroleo (ANP) e ex-deputado federal pelo PC do B, para quem “a questão central é se abre ou não o mercado brasileiro”.

Nesta segunda-feira (2), em entrevista a Paulo Henrique Amorim em vídeo, por volta do minuto 07′30, ele diz: “A discussão já está posta. O que está em pauta é se abre o mercado brasileiro para as multinacionais exclusivamente operarem nas grandes obras do Brasil ou deixam as empresas brasileiras operando nessa obra. Essa é a questão central.Afinal de contas o nosso discurso é o das multinacionais ou o discurso brasileiro. Se for brasileiro, vamos resolver os problemas que existem, que não é fácil, mas é necessário”, afirmou Haroldo.

“Entre as soluções, está a levantada pelo [Luís Inácio] Adams, [da Advocacia-Geral da União] que é o acordo de leniência, que aprofunda o combate a corrupção e estabelece condições para a empresa continuar existindo. Temos 23 empresas consideradas inidôneas. Se nós admitirmos isso passivamente, todas estarão liquidadas. E como o lugar não pode ficar vago, as multinacionais aproveitam. Por trás da discussão, existe o interesse do Brasil ou das estrangeiras”, contou o ex-deputado.

A intenção de privatizar a Petrobras estaria por trás da atual crise enfrentada pela petroleira, de acordo com Haroldo.

“A maior ameaça é a sua privatização. Essa ameaça está posta, em um horizonte das coisas possíveis. Não acho que é a mais provável, pois o povo brasileiro não aceitará.Outras ameaças se acoplam a essa primeira. Por exemplo, fatiar a Petrobras e privatizar algumas partes. E a outra é acabar com a partilha da produção do pré-sal brasileira.Na verdade, eles [a oposição] trabalham com essas hipóteses. O que eles sinalizam, quase como o bode na sala, é ‘vamos privatizar a Petrobras’. Eles não dizem expressamente, mas trabalham nesse sentido”, afirmou.

Na conversa, ele lembra o processo que quase culminou na Petrobrax, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

“Na época do FHC, eles trabalhavam com a ideia de privatizar a Petrobras com um conjunto o tempo todo. Tentaram transformar a Petrobras em algo mais atraente aos empresários internacionais mudando o nome da petroleira para Petrobrax, mas não deu certo, pois o povo brasileiro se revoltou. Daí, eles partiram para outro caminho que era a de fatiar a Petrobras, privatizando uns pedaços e deixar a parte mais significativa como estatal. Nós percebemos que era o contrário, que eles iam fatiar e a parte menos significativa ficaria como estatal”, lembra o ex-deputado.



Leia outros trechos da entrevista:



A maior ameaça que há hoje contra a Petrobras ( aos 00′40)
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Haroldo: A maior ameaça é a sua privatização. Essa ameaça está posta, em um horizonte das coisas possíveis. Não acho que é a mais provável, pois o povo brasileiro não aceitará.

Outras ameaças se acoplam a essa primeira. Por exemplo, fatiar a Petrobras e privatizar algumas partes. E a outra é acabar com a partilha da produção do pré-sal brasileira.

Na verdade, eles [a oposição] trabalham com essas hipóteses. O que eles sinalizam, quase como o bode na sala, é “vamos privatizar a Petrobras”. Eles não dizem expressamente, mas trabalham nesse sentido.

Quando o senador [José] Serra (PSDB-SP) fala em fatiar a Petrobras, fatiar pra quê? É para vender os pedacinhos. Essa ameaça existe.

A outra é a partilha da produção. Paulo, o que nós conseguimos no Brasil nos últimos anos de muito importante no setor do petróleo foi introduzir o regime de partilha para o pré-sal. Isso não é uma descoberta nossa, pois existe em vários lugares em que há muita produção de petróleo bom.

Se tem pouco petróleo, admite-se o regime de concessão. No mundo, é assim.

Na concessão, o proprietário do petroleo extraído é o concessionário.

No pré-sal brasileiro, quem extrai o petróleo é o governo e quem é dono do petróleo é o governo.

Já existe no Senado Federal, por iniciativa do senador Aloisio Nunes, uma proposta que quer por fim ao regime de partilha.




A Petrobrax de FHC (aos 04′40):



Haroldo: Na época do FHC, eles trabalhavam com a ideia de privatizar a Petrobras com um conjunto o tempo todo. Tentaram transformar a Petrobras em algo mais atraente aos empresários internacionais mudando o nome da petroleira para Petrobrax.

Tem umas fotografias por aí que é do Serra com a camisa da Petrobrax. Literalmente, eles vestiram a camisa, mas não deu certo, pois o povo brasileiro se revoltou.

Daí, eles partiram para outro caminho que era a de fatiar a Petrobras, privatizando uns pedaços e deixar a parte mais significativa como estatal. Nós percebemos que era o contrário, que eles iam fatiar e a parte menos significativa ficaria como estatal.

À época, a revista Veja publicou uma matéria de dez páginas inteiras com uma quantidade enorme de calúnia e difamação contra a Petrobras. O objetivo era criar junto aos parlamentares a ideia de que não dá mais, isso já era, é um elefante, é atrasado, só da prejuízo.

Foi uma vitória, naquele instante, não ter deixado privatizar a Petrobras.




Acordo de leniência e as empresas nacionais (aos 07′00):


Haroldo: Essa discussão já está posta. O que está em pauta é se abre o mercado brasileiro para as multinacionais exclusivamente operarem nas grandes obras do Brasil ou deixam as empresas brasileiras operando nessa obra. Essa é a questão central.

Afinal de contas o nosso discurso é o das multinacionais ou o discurso brasileiro. Se for brasileiro, vamos resolver os problemas que existem, que não é fácil, mas é necessário.

Entre as soluções, está a levantada pelo [Luís Inácio] Adams, [da Advocacia-Geral da União], que é o acordo de leniência, que aprofunda o combate a corrupção e estabelece condições para a empresa continuar existindo.

Temos 23 empresas consideradas inidôneas. Se nós admitirmos isso passivamente, todas estarão liquidadas. E como o lugar não pode ficar vago, as multinacionais aproveitam.

Por trás da discussão, existe o interesse do Brasil ou das estrangeiras.




A viabilidade do Pré-sal (aos 10′30)



Haroldo: Toda a discussão que havia até agora, que eu participei muito, quando discutíamos o regime de partilha, achava que com o barril valendo US$ 45 em diante, o pré-sal era viável. À época, o barril estava a US$ 112, então a viabilidade era gigante.

No inicio de janeiro, o valor do barril chegou a US$ 46, ou seja, bateu na trave e ficamos bem preocupados.

Hoje, o petróleo já chegou a US$ 62.

Precisamos de um controle maior do petróleo, por meio de regime de partilha, ou então fica difícil o nosso acesso ao próprio pré-sal.




A política de conteúdo local (aos 13′00)


Haroldo: Em primeiro lugar, o conteúdo local se revelou algo positivo. Um exemplo é a indústria naval, que estava liquidada e hoje já tem um porte, graças ao conteúdo local que foi exigido pela Petrobras, pela política do Governo Lula e Dilma.

Na verdade, existe muita critica por parte de investidores de que se você estabelece um rigor muito grande em certo tipo de conteúdo local, inviabiliza, dificulta ou encarece muito aquele produto.

Eu acho que nós devemos ser flexíveis nisso. Temos com certas dificuldades políticas, econômicas, nosso desenvolvimento está pífio, e nesse processo todo, na minha opinião, deveríamos ser flexíveis

A escolha de Bendine e o papel do PiG (aos 15′00)
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Haroldo: Eu acho que quando a Dilma escolheu o atual presidente da Petrobras, ela pegou uma pessoa que domina o certo financeiro e não de petróleo. Neste momento, era bom entender mais de finanças do que de petróleo.

Em um contexto como esse, a Dilma agiu corretamente. E acho que ele procura encontrar mecanismos de fazer, dentro do prazo, apresentar o balanço auditável. Eu creio que isso irá acontecer.

E existe o papel da grande mídia, que é quem diz que a Petrobras está em dificuldade. Quem está em dificuldade é a mídia.

A performance da Petrobras é uma coisa espantosa. No segundo semestre de 2014, a Petrobras passou a ser a maior produtora única de petróleo do mundo entre as empresas de capital aberto.


Alisson Matos, editor do Conversa Afiada


Leia mais:

​Haroldo Lima enfrenta as ameaças à Petrobras

Haroldo Lima: respeitem a Petrobras !


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Contraponto 16.190 - "FHC quase fez brasileiro usar crachá emitido pelos EUA em território nacional"

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03/03/2015

FHC quase fez brasileiro usar crachá emitido pelos EUA em território nacional


Viomundo - publicado em 01 de março de 2015 às 17:15


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PT e militância devem responder a ataques tucanos

Ex-presidente usou imagem em rede social para caçoar da presidenta Dilma Rouseff, mas teve as mazelas de seu governo lembradas pelos internautas

1/03/2015 – 06h53 / Por Agência PT

da Página do PT

O senso de humor do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) costuma colocá-lo em situações constrangedoras. Na quinta-feira (26), o tucano resolveu ironizar discurso da presidenta Dilma Rousseff que atribuiu parte da culpa pelas irregularidades na Petrobras à falta de investigações na gestão tucana.

Ele posou com uma cédula de R$ 2 e um cartaz com os dizeres “Foi FHC”, referindo-se à criação do Plano Real, que ocorreu, na verdade, no governo de Itamar Franco. Mas o tiro saiu pela culatra e o tucano mais uma vez virou piada nas redes.

Para o vice-presidente Nacional do PT e coordenador de Mídias Sociais do partido, Alberto Cantalice, quando atacado, o PT e a militância devem responder e relembrar à população os escândalos de corrupção, em nível nacional e regional, que por muitos anos não eram investigados.
“Mesmo com a blindagem da grande mídia em torno de nomes como FHC e outros tucanos, nós estamos conseguindo, juntamente com blogs e mídias alternativas, desnudar esses figurões e relembrar as mazelas que eles foram responsáveis”, defende Cantalice.

Não há como esquecer a tentativa frustrada do governo tucano de sucatear e vender a baixíssimos preços a Petrobras. Foi FHC que, na época, tentou-se até mesmo mudar o nome da empresa para Petrobrax no esforço de torna-la mais atrativa para o mercado internacional e a petrolífera teve um prejuízo estimado em US$ 50 bilhões.

Ao ver a brincadeira do tucano, dezenas de brasileiros também lembraram que foi o governo FHC conhecido por engavetar as investigações de corrupção. Prova é que  entre os três últimos presidentes do Brasil, o tucano foi o que menos combateu a corrupção, segundo pesquisa Vox Populi realizada no final de 2014.

Foi durante dos mandatos de FHC também que então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, recebeu a fama “engavetador-geral da República”.

Foi FHC também que institucionalizou no Brasil uma onda de privatizações, entre elas, a mineradora Vale do Rio Doce, vendida a preços irrisórios.

Poucos conseguem esquecer ainda do episódio em que o ex-presidente chamou os aposentados de “vagabundos”, quando defendeu mudanças no fator previdenciário, em 1999, ou quando deixou o País diante de um Apagão elétrico em 2001.

Por Flávia Umpierre, da Agência PT de Notícias


PS do Viomundo: FHC foi impedido pelos militares de entregar a base de lançamentos de Alcântara, no Maranhão, aos Estados Unidos, com uma cláusula no contrato que exigiria crachás emitidos pelos EUA para brasileiros circularem em território nacional!

Vejam a íntegra do contrato no link abaixo.

Do artigo VI, Controles de Acesso, número 5:
O Governo da República Federativa do Brasil assegurará que todos os Representantes Brasileiros portem, de forma visível, crachás de identificação enquanto estiverem cumprindo atribuições relacionadas com Atividades de Lançamento. O acesso às áreas restritas referidas no Artigo IV, parágrafo 3, e aos locais e áreas que tenham sido especificamente reservados exclusivamente para trabalhos com Veículos de Lançamento, Espaçonaves e Equipamentos Afins será controlado pelo Governo dos Estados Unidos da América ou, como autorizado na(s) licença(s) de exportação, por Licenciados Norte-americanos, por meio de crachás que serão emitidos unicamente pelo Governo dos Estados Unidos da América ou por Licenciados Norte-americanos, se autorizados pelo Governo dos Estados Unidos da América, e incluirão o nome e a fotografia do portador.
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Contraponto 16.189 - "Especulações conspiratórias sobre a Lava Jato"

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03/03/2015

Especulações conspiratórias sobre a Lava Jato


Do Cafezinho  postado em março 02/03/2015
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Por Miguel do Rosário 

Siga o dinheiro, pensei comigo mesmo, e entrei no site Donos do Congresso, para verificar quem foram os principais doadores para o senador Alvaro Dias, do Paraná.

Pensei em Alvaro Dias por causa de suas antigas relações com o doleiro Alberto Youssef. Na campanha de 1998, Dias andava para lá e para cá no jatinho do doleiro.

Como é tucano, porém, não houve problema, nem na época nem agora.

Dias é da mesma região de Sergio Moro e Alberto Youssef, e se há uma conspiração na maneira como a Lava Jato passou a ser tocada, o senador provavelmente está envolvido.

Outra figura central na conspiração é o advogado de Youssef, o doutor Antonio Augusto Lopes Figueiredo Basto, que tem feito astutas dobradinhas com a mídia.

Sempre que alguém próximo a Alberto Youssef faz denúncias envolvendo o PSDB, Basto trata de ocupar todos os jornais com veementes negativas.

O exemplo mais notório é de Leonardo Meirelles, o laranja de Youssef. Meirelles afirmou que Youssef operava para o PSDB. A mídia deu a informação, mas logo em seguida a neutralizou com negativas frenéticas do advogado de Youssef.

A Lava Jato começou investigando, como o nome diz, esquemas de lavagem de dinheiro.

Quando esbarrou em contratos da Petrobrás, porém, mudou completamente de direção e passou a ser instrumentalizada como uma arma da oposição contra o governo.

Aí teria começado o que tomo a liberdade para chamar de conspiração.

Quando o uso o termo, não penso em “illuminatis”, nem em algo parecido ao Protocolo dos Sábios de Sião.

Todas as forças políticas conspiram, de uma forma ou de outra. É normal. Se não gostar do termo, use “operação política”.

A coisa só não é normal quando envolve, por exemplo, a manipulação desonesta de um processo legal, através de aparelhos do Estado, como o Ministério Público, setores da PF e membros do Judiciário.

Também não é normal quando a imprensa, organizada num regime de cartel ideológico, passa a promover uma perseguição unitaleral a um campo, lançando mão dos instrumentos mais sujos à sua disposição: não promove um debate plural, estimula o linchamento, não dá o contraponto; age, em suma, com o mesmo espírito panfletário de um jornalzinho radical editado por extremistas.

Uma conspiração política envolve um conjunto de agentes, nem todos necessariamente conscientes dos métodos usados, mas unidos em torno do objetivo central.

No presente caso, o objetivo central é derrubar a presidenta Dilma, criminalizar o PT e destruir politicamente o ex-presidente Lula.

O principal doador de Alvaro Dias é o homem mais rico do Paraná e um dos mais ricos do país, o empresário Joel Malucelli.

Em 2014, Malucelli doou, através de duas de suas empresas, quase R$ 1,3 milhão a Alvaro Dias.


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Malucelli atua pesadamente no ramo da construção civil, incluindo concessões públicas de estradas, hidrelétricas, aterros sanitários, etc.

Aí eu descobri algumas coincidências curiosas.

A mídia procura abafar essa informação, mas a gente a tem repetido. Antonio Augusto Lopes Figueiredo Basto, advogado de Alberto Youssef, foi conselheiro da Sanepar, estatal do Paraná, por um bocado de tempo (sempre durante governos tucanos).

Nesse período, achei um processo, onde consta apenas a sua assinatura, no qual Basto homologa a vitória de uma empresa de Joel Malucelli numa licitação para a estatal.

Aparentemente não há nada demais, mas acredito que devemos divulgar esse tipo de coincidência, quando aparecer. Se o caso envolvesse um petista, iria para a capa dos jornalões, em tom de denúncia. Aqui a gente tenta divulgar com prudência.

Numa ata de 2011, Basto aprova um contrato da Malucelli Seguradora, no valor de R$ 1,6 milhão, para um “seguro de garantia judicial” da Sanepar.


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Em 2014, Joel Malucelli tentou ser candidato a governador pelo PSD. Ao cabo, porém, o partido se coligou ao PSDB de Beto Richa, que venceu no primeiro turno.

O principal patrocinador do PSD do Paraná foi o próprio Joel: doou R$ 3,45 milhões para o PSD em 2014.

Malucelli também é dono das repetidoras da TV Bandeirantes do Paraná; e das principais rádios integrantes do Sistema Globo, CBN e Rádio Globo.

Outra construtora fortemente ligada ao PSDB, que teria bastante interesse em ver as grandes empreiteiras destruídas, é a Valadares Gontijo, que doou, através de uma de suas herdeiras, Ana Maria Baeta Valadares Gontijo, mais de R$ 16 milhões para o PSDB, em 2010.

O valor é bem superior à doação de qualquer outra empreiteira ao PSDB, ou a qualquer partido.

É também a doação individual mais alta já feita no país, em qualquer época.

Doações individuais muito altas, em geral, são feitas por doadores-candidatos, o que não é o caso de Ana Maria.

Malucelli e Valadares Gontijo, portanto, são os primeiros suspeitos de integrarem o elo financeiro de uma conspiração que pode lucrar, e muito com os desdobramentos da Lava Jato.

Em novembro de 2013, a JMalucelli anuncia o maior contrato da história da construtora, R$ 800 milhões, para participar das obras da hidrelétrica de Jirau, substituindo a Camargo Correa, cujas relações com o Consórcio Energia Sustentável do Brasil, controlador da Jirau, haviam “azedado”.

A informação confirma que a JMalucelli, cujo dono é suplente do senador Alvaro Dias, além de seu maior doador, tende a ser uma das principais beneficiadas com a destruição das empreiteiras acusadas na Lava Jato.

O grupo Malucelli possui, dentre dezenas de empresas, um importante banco, o Paraná Banco, que registrou um lucro líquido de R$ 150,2 milhões em 2014, alta de 15% sobre o ano anterior. Os ativos totais do banco totalizaram R$ 6,1 bilhões ao final do ano passado, avanço de 25%.

Possivelmente, o Paraná Banco, que trabalha principalmente com oferta de crédito para o funcionalismo público do estado, foi um dos grandes beneficiados com o desaparecimento do Banestado, o banco público do Paraná, vendido para o Itaú por uma bagatela.

O Banestado foi destruído após o saque promovido por sucessivos governos demotucanos.

Mais tarde, o juiz Sergio Moro – mais coincidências –  seria o responsável por julgar os desdobramentos penais do escândalo Banestado, que tinha como pivô o mesmo Alberto Youssef.

As relações de Joel Malucelli com a Globo, sua rede de relações no Paraná, sua ligação orgânica com o PSDB, fazem dele um dos principais suspeitos de integrar o núcleo de uma operação política para derrubar Dilma Roussef.

Essa é uma investigação, de qualquer forma, que está só começando.

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Contraponto 16.188 - "Quem ameaça a democracia: Lula ou a Globo de Noblat?"


03/03/2015


Quem ameaça a democracia: Lula ou a Globo de Noblat?


Sem noção



Paulo NogueiraO artigo de Ricardo Noblat sobre Lula merece figurar entre as piores coisas já publicadas pela imprensa brasileira.

Nas escolas de jornalismo, os professores poderiam usá-lo como uma amostra do que não se deve fazer.

Os problemas começam numa fonte – melhor, “fonte” – que conta uma história, ou pseudo-história, na qual Dilma aparece como um monstro.

Dilma, segundo essa “fonte”, teria mandado alguém calar a boca mediante o argumento de que ela tem 50 milhões de votos.

Sei o quanto jornalistas fabricam fontes, e estamos diante de uma situação em que Wellington diria que quem acredita em Noblat acredita em tudo.

Pessoas do círculo íntimo de Dilma não contam histórias para jornalistas como Noblat, porque sabem o uso que será dado a elas.

Minha aposta, como editor, é que Noblat criou uma fonte. A única alternativa que vejo é alguém ter contado a ele uma lorota para atacar, por ele, Dilma.

Mas isso não é o pior.

O que mais chama a atenção no texto é Noblat tratar Lula como “ameaça à democracia”.

Deus, onde foi parar o pudor?

Noblat trabalha para uma empresa que tem um histórico terrível de conspirações contra a democracia. E vem posar de defensor da ordem?

Roberto Marinho tramou contra Getúlio. Foi peça vital na derrubada de João Goulart. Beneficiou-se extraordinariamente da ditadura, da qual foi porta-voz.

Era, antes dos generais, o dono de um jornal de segunda classe, o Globo. Ninguém admirava o Globo na era do Correio da Manhã e do Jornal do Brasil. Ninguém lia. Ninguém levava a sério.

Com a ditadura, Roberto Marinho, já sexagenário, recebeu de presente uma televisão e todas as mamatas possíveis para fazê-la crescer.

O pacto era assim: Roberto Marinho teria o que quisesse da ditadura, desde que desse a ela uma cobertura totalmente amiga.

Você vê como a Globo trata Lula e Dilma. Na ditadura, era exatamente o tratamento oposto. O Brasil era uma maravilha segundo a Globo. Éramos prósperos, éramos virtuosos, éramos até bonitos.

Não vou nem colocar aqui a conta dos brasileiros mortos, torturados e perseguidos pela ditadura. E nem vou dizer que Roberto Marinho e a Globo jamais pagaram sua parte nessa conta.

Também não vou falar dos privilégios dados à Globo com recursos públicos: publicidade em níveis abjetos, financiamentos de bancos estatais, compras de livros e de assinaturas de jornais e revistas, reserva de mercado etc.

Quer dizer: com todo esse histórico, Noblat tem coragem, em plena Globo, de falar em “ameaça à democracia”.
Lula foi um cavalheiro com a Globo, e este foi um de seus maiores erros.
Boni, publicamente, se gabou trabalho que a Globo fez com Collor no debate que decidiu a presidência em 1988.

Todos sabem, depois, a edição do debate, e sua influência na vitória de Collor.

E o que Lula fez quando se tornou presidente? Compareceu, respeitoso, ao enterro de Roberto Marinho. Não compareceu apenas. Fez um elogio fúnebre a ele e decretou luto de três dias.

E mais importante que tudo para a Globo: manteve o mensalão milionário da publicidade federal.

Tudo isso para dar na perseguição impiedosa que a Globo moveu contra Lula e agora move contra Dilma.

Isso sim é ameaça à democracia – Lula antes e Dilma agora foram erguidos à base de voto popular.
Não espero nada da Globo e de seus capangas-jornalistas.

Mas Noblat se superou.

Insultou não apenas o leitor com seu bestialógico. Insultou também a si próprio.

(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

Paulo Nogueira. Jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.
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Contraponto 16.187 - "Impeachment S.A.: como o lucrativo negócio de abrir fogo contra Dilma ajuda a varrer a corrupção para debaixo do tapete"


03/03/2015 

Impeachment S.A.: como o lucrativo negócio de abrir fogo contra Dilma ajuda a varrer a corrupção para debaixo do tapete


Quem for às ruas no dia 15 vai estar vomitando seu ódio com o patrocínio de empresas e políticos que querem tirar o foco da lista de políticos da Lava Jato



Antonio Lassance (*)


Impeachment S.A.: uma empresa de capital aberto e mente fechada


Que ninguém se engane ou se faça de desavisado. As organizações Impeachment S.A. - uma sociedade mais ou menos anônima - está aí não só para promover eventos, mas, sobretudo, para se capitalizar.

Quem quiser ir às ruas no dia 15, com nariz de palhaço e cartazes pró-impeachment, vai estar batendo o bumbo e vomitando seu ódio com o patrocínio de empresas e políticos que querem bombar o desgaste de um governo por razões nada republicanas.


Algumas das organizações mais ativas na mobilização das manifestações do dia 15 de março são um negócio patrocinado pela oposição partidária e empresarial, com os préstimos sempre valiosos do cartel midiático, que dá uma boa força para a sua divulgação.

Tal e qual nos bons tempos do golpismo dos anos 1950 e 1960, trabalhar pela derrubada de um governo é, em parte, ideologia, mas tem seu lado 'business'. Dá dinheiro.

Os grupos que organizam os protestos e clamam pelo impeachment começam como rede social, mas crescem com apoio partidário e empresarial.

Nenhum desses grupos deixa de pedir, publicamente, recursos para financiar seu 'trabalho' - seria melhor dizerem 'seu negócio'. Até aí, nada de mais.

Porém, o grosso das contribuições que algumas dessas pessoas recebem não são públicas e nem de pessoas que dão 5, 10, 100 reais. Hoje, a maior parte da grana que rola em prol do impeachment de Dilma tem outra origem.

Empresários em pelo menos três estados (São Paulo, Pernambuco e Paraná) relatam ter recebido telefonemas pedindo dinheiro para a organização dos atos do dia 15. A fonte da informação são advogados consultados para saber da legalidade da doação e possíveis implicações jurídicas para as empresas.

Em um dos casos, o pedido não foi feito diretamente por alguém ligado aos perfis de redes sociais que convocam o ato, mas por um deputado de oposição, com o seguinte argumento: "precisamos ajudar esse pessoal que está se mobilizando para tirar esses vagabundos do poder".

O curioso é que o deputado oposicionista faz parte do seleto grupo de parlamentares que teve o privilégio de contar, entre seus financiadores de campanha, com empresas citadas na Lava Jato. Portanto, pelo critério da Impeachment S.A., o deputado amigo é, de fato, um honorável vagabundo.

É bom lembrar que quase a metade dos nomes da famigerada lista do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, estava ligada às campanhas de Aécio ou Marina Silva

As empreiteiras pegas na Operação Lava Jato doaram quase meio bilhão de reais aos políticos e aos partidos com as maiores bancadas no Congresso, o que inclui os de oposição, como PSDB e DEM. Será que alguém vai se lembrar disso no dia 15?

Como o negócio funciona e prospera

A Impeachment S.A. virou franquia. Uma pessoa ou um pequeno grupo monta um perfil, sai à cata de adesões e seguidores e cria memes para serem espalhadas na rede. Com alguma sorte, essa 'produção' se torna viral - pronto, a fórmula de sucesso deu resultado.

Os grupos que organizam o protesto do dia 15 são muitos. Cada estado tem um ativista ou grupo de maior proeminência. Eles hoje disputam o mercado do protesto de forma cada vez mais empresarial. Com naturalidade, eles são absolutamente francos em dizer que o capitalismo é seu sonho de consumo. Qualquer maneira de ganhar dinheiro vale a pena.

Dependendo da força de adesão de cada perfil, o criador usa sua lista de seguidores, com ou sem nariz de palhaço, como portfólio para negociar patrocínio privado.

Quanto mais o impeachment se tornar um oba-oba, do tipo "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu", tanto melhor para o negócio de derrubar a presidenta.


A busca de um mercado do protesto veio a partir do momento em que esses mascates do impeachment bateram às portas dos partidos, como o PSDB, o DEM e o PPS.

Pelo menos no caso de Pernambuco, houve tentativas também junto ao PSB, cujo ex-candidato à presidência, Eduardo Campos, também consta citado na delação de Paulo Roberto Costa. O PSB hoje abriga, entre outros, 'socialistas' da estirpe do antigo PFL, como os renomados Heráclito Fortes (PI) e Paulo Bornhausen (SC).


Alguns dos ativistas da Impeachment S.A., de espírito empreendedor mais aguçado, pegaram a lista de financiadores de campanhas de políticos da oposição com os quais mantêm contato e foram pedir ajuda para conseguir abrir portas em empresas dispostas a financiar a campanha do impeachment.

Os políticos tucanos, ao que parece, têm sido os mais empenhados em redirecionar os pedidos de patrocínio privado para o universo das empresas.

Publicamente, só para variar, os tucanos definiram, com o perdão ao vocábulo 'definir', que apoiam o ato pró-impeachment, mas são contra o impeachment. Hein? Precisamos de pelo menos uns dois minutos para entender o raciocínio e pegar algum tucano pelo colarinho branco, escondido atrás de mais esse muro.

Os tucanos querem o protesto, torcem pelo protesto, ajudam a patrocinar o protesto, mas fingem que não têm nada a ver com isso. Faz sentido - e ainda tem gente que acredita que eles realmente não trabalham pelo impeachment.

Por que 15 de março?

A própria data do protesto foi calculada politicamente, pela Impeachment S.A., com um propósito evidente.

O alvo do protesto é a presidenta Dilma Rousseff, convenhamos, justamente no mês em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, divulgará a lista dos políticos envolvidos no escândalo. Mais exatamente, na semana seguinte àquela em que a lista de políticos será tornada pública.

Os revoltontos do dia 15 pedirão o impeachment de Dilma, que sequer aparece citada na Lava Jato. Será que vão pedir também o impeachment do senador Aécio Neves, cuja campanha recebeu doações das mesmas honoráveis empreiteiras, diretamente para o comitê de campanha desse candidato?

Vão pedir pelo menos o impeachment de Agripino Maia (DEM-RN), acusado de receber R$ 1 milhão em propina? Delator por delator, Agripino tem o seu e merece algum cartaz de algum revoltonto mais bem informado.

Irão pedir a apuração rigorosa e a prisão dos envolvidos com o trensalão tucano? Ou a falta d'água em São Paulo racionou também a memória e o senso de moral e ética dos que se dizem fartos - principalmente depois de seu repasto?

Irão eles pedir o impeachment dos parlamentares do PMDB? Eles fazem parte do segundo maior partido da Câmara, o primeiro no Senado, e seriam decisivos para a chance de impeachment. Só que, por coincidência, estão entre os preferidos das empreiteiras na hora de financiar campanhas.

Os revoltontos do dia 15 ainda não pararam para pensar que querem um impeachment de Dilma a ser feito por um Congresso cujo financiamento de campanha desenfreado deixa a maioria de seus parlamentares abaixo de qualquer suspeita - se for para generalizar o 'argumento' de quem vê Dilma como uma inimiga a ser banida.

Serão esses, de fato, os que podem abrir a boca para falar em afastar a presidenta eleita ? Estranho. Não deveriam ser eles os primeiros alvos de cassação?

Quem promove a campanha pelo impeachment está dando sua contribuição voluntária ou patrocinada para tirar o foco dos corruptos que de fato têm nome no cartório da Lava Jato - o que não é o caso da presidenta.

Seria melhor, antes de falarem em impeachment de uma presidenta eleita pelo voto de 54,5 milhões, que os revoltontos do dia 15 esperassem a lista de Janot e a usassem para escrever seus cartazes.

Por que não o fazem? Talvez por que isso não seja lá um bom negócio.




(*)Antonio Lassance é cientista político
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Contraponto 16.186 - "A lista de Janot e a histeria da imprensa"

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03/03/2015

A lista de Janot e a histeria da imprensa


Tijolaço - 2 de março de 2015 | 07:51 Autor: Fernando Brito

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Fernando Brito 


Hoje ou amanhã, será divulgada a lista dos políticos que serão investigados no contexto da Operação Lava-Jato.

Embora parte dos nomes já seja conhecida, graças aos vazamentos promovidos no Paraná, mais importante é interpretar a atitude do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot,  de pedir a abertura de inquérito sobre os indícios de crime dos acusados, em lugar – como lhe exigia quase abertamente a mídia – apresentar denúncias, no STF e no STJ, imediatamente.

Ou, pelo menos, em relação à maioria dos nomes citados.

Por que?

Parece estar claro que Janot tem dúvidas – a esta altura quase obrigatórias – não apenas sobre o conteúdo e a precisão das informações enviadas pelo Ministério Público Federal e pelo juiz Sérgio Moro, mas sobre os métodos que levaram à sua obtenção.

À denúncia, juridicamente, se exige uma descrição precisa e circunstanciada do alegado crime (o que ocorreu, como, onde, através de que pessoas ou meios se realizou e o conjunto de provas sobre os quais estas afirmações se dão).

Não vale o “ele sabia”, o “ouvi dizer” ou o “era notório que” da escola de “direito” paranaense.

Perante um Juiz – com maiúscula, por favor – isso provoca a rejeição (tecnicamente, o não-acolhimento) da denúncia.

Só um promotor irresponsável e politiqueiro faria isso e empurraria para um Juiz (de novo com maiúscula) ao papel de aceitar o que não deveria, por pressão da mídia linchadora.

Por isso a Folha antecipou a posição de Janot com uma manchete para lá de parcial: “Janot pedirá só abertura de inquéritos contra políticos“.

“Só”?

Um colunista disse que  “se pedir só inquéritos, Janot desidratará Lava Jato no STF”.

Desidratar quer dizer tirar o poder total de Sérgio Moro.

Com a abertura do inquérito, embora não se avoque ao Supremo ou ao STJ os processos daqueles que não possuem privilégio de Foro, os seus depoimentos (e, consequentemente, suas declarações sobre os chamados “agentes políticos”) passam a integrar o inquérito das instâncias superiores. Podem, inclusive,  serem chamados a prestar novas declarações, se o que foi colhido for impreciso ou se restarem dúvidas sobre como foram colhidas os depoimentos.

É muito mais difícil que se possa ter, como no caso do chamado “mensalão”, ações paralelas, relativas aos mesmos acontecimentos que, numa penada, possam ficar de fora do processo, baseado apenas naquelas tiradas de Joaquim Barbosa do “ah, isso não interessa”.

É por isso que a imprensa se frustrou com a opção de Janot de pedir a abertura de inquérito.

Por que ela descarta a espécie de “rito sumário” que se pretendia dar a este processo, no qual o “Superior Tribunal do Paraná” dá o veredito, aplica a nema e envia para o STF apenas homologar e estender aos que estão sob sua jurisdição as penas correspondentes.

O Dr. Janot parece estar sendo prudente, em meio ao festival de histeria do “prende até que confesse o que eu quero”  desta loteria de delações que vem sendo promovida, que já anda pela casa de duas dezenas, ao que se sabe, se considerarmos as “passagens para o perdão” fornecidas pelo Dr. Moro, “com direito a acompanhantes”.

É bom, para a Justiça e para o Estado de Direito que o seja.

Do contrário, é melhor revisarmos a organização judiciária do país e passemos a ter como instância máxima da Justiça o “STM”, o “Supremo Tribunal do Moro”.

Ou da Mídia, no que se aproveita a sigla e que não é o mesmo, mas é igual.

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segunda-feira, 2 de março de 2015

Contraponto 16.185 - Ironia sutil...


02/03/2015

Uma ironia sutil...

Flavío Rezende

Do Facebook

Uma ironia sutil...

Aos que vão marchar no dia 15/03/2015 pedindo o impeachment da Presidenta e o fim do PT; sugiro que incluam nas passeatas as pautas abaixo para que as reivindicações sejam completas e de acordo com o pensamento político de boa parte da sociedade brasileira que lidera a oposição à Presidenta Dilma e ao Partido dos Trabalhadores:


1) Privatização do Banco do Brasil, do Banco do Nordeste, do Banco da Amazônia e a liquidação da Caixa Econômica Federal:

O mercado financeiro precisa de taxas livres e os bancos estatais prejudicam os bancos privados, pois, concorrer com taxas subsidiadas pelo Governo Federal afeta os ganhos das instituições financeiras privadas e o mercado não se agrada muito dessa situação;

2) Privatização da Petrobrás e a alteração urgente do modelo de partilha do Pré-Sal:
O Brasil tem questões mais urgentes e não pode perder tempo nem dinheiro explorando petróleo no fundo do mar. Esse trabalho tem que ser realizado por empresas estrangeiras que devem lucrar muito e repassar parte dos lucros para os integrantes da elite brasileira e somente para eles;

3) Fim do Programa Minha Casa Minha Vida:

O Governo não é obrigado a ajudar ninguém a conquistar a casa própria. Cada um deve se virar para adquirir seu imóvel ou se conformar em pagar aluguel pelo resto da vida. A classe média não tem obrigação de pagar essa conta. O pobre que se vire e compre sua casa se der conta, caso não consiga, deve se contentar em ser feliz, mesmo sem a possibilidade de ter um teto para chamar de seu;

4) Fim do Bolsa Família:

Chega de sustentar quem não tem competência para comprar seu próprio alimento. As mães solteiras ou abandonadas pelos seus homens precisam se virar para colocar comida na mesa, pois esse assistencialismo eleitoreiro é pesado demais para quem paga imposto nesse país! Seus filhos precisam começar a trabalhar desde pequenos, para entenderem que a vida é assim mesmo. Se nasceram pobres é por quê tinham que ser pobres a vida inteira.

5) Fim do PROUNI, do FIES, das Universidades Públicas e dos Institutos Federais:

Quem quiser se graduar ou aprender uma profissão tem que pagar! Tudo tem que ser privado no Brasil e na educação não pode ser diferente. Quer estudar? Pague o preço!
Privatização já de todo o sistema de ensino profissionalizante e superior! Os contribuintes não são obrigados a bancar a formatura de ninguém;

6) Fim das cotas sociais e raciais:

Ninguém tem que pagar pelo fato de alguns brasileiros nascerem marginalizados. Que venha a meritocracia. Se alguém tem mais condições de ir adiante na vida é por quê o mundo precisa de servos e servidores;

7) Revogação dos Direitos das Empregadas Domésticas:

Doméstica não estudou! Onde é que já se viu empregadas domésticas com Carteira assinada e FGTS? Isso é uma afronta para os que precisam de uma mucama! Queremos nossa semi-escrava de volta;

8) Fim do Programa Mais Médicos:

Os habitantes dos rincões do Brasil que já se apegaram aos cubanos e estrangeiros, precisam entender que daqui a uns 10 anos, pode haver a possibilidade de um médico brasileiro chegar até as suas distantes cidades e povoados. Que os cubanos voltem e vocês se virem com chás e remédios naturais, pois, o CRM precisa controlar a quantidade de profissionais para garantir a riqueza de todos os médicos formados no Brasil.

9) Fim dos Concursos Públicos:

Funcionário público é ineficiente, faz greve e não pode ser demitido. A administração pública precisa ser exercida única e exclusivamente por empresas terceirizadas que pagam pouco para os funcionários e podem demitir quando quiserem. Fim da estabilidade do servidor público já!

10) Elitização dos Aeroportos, Shoppings, escolas e de todos os espaços que antes pertenciam somente a classe média e a classe alta! O pobre precisa voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído.


Talvez tenham mais algumas demandas que possam provocar alívio imediato naqueles que não se conformam com a plenitude da Democracia e nem com a ascensão dos mais pobres.
Vamos acompanhar os acontecimentos e ver até onde pode chegar esse movimento.

Bom seria se a oposição (PSDB/DEM) mostrasse com clareza quais são suas propostas e seus projetos para o Brasil. Esse clima de golpismo não é bom para a sociedade e o debate está empobrecido o que faz a alegria dos que sempre dominaram e não querem parar de dominar.

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Contraponto 16.184 - "Espera por lista de Janot e delações da Camargo Corrêa acirram clima de tensão"

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02/03/2015


Espera por lista de Janot e delações da Camargo Corrêa acirram clima de tensão

A Camargo Corrêa foi uma das que mais fez doações a campanhas políticas e tem dados além da Petrobras


Jornal GGN - seg, 02/03/2015 - 20:58

 
Jornal GGN - A lista de Janot, com os nomes de políticos que podem estar envolvidos com a Operação Lava Jato, deve ser enviada esta semana. O atraso na expectativa, inicialmente prevista para a última semana, associado com o acordo de delação premiada de dois executivos da Camargo Corrêa, fomentam um clima de apreensão em Brasília.
 
A conclusão é que a lista não será o ponto final do desgaste em parlamentares. O presidente e vice-presidente da grande empreiteira, Dalton Avancini e Eduardo Leite, respectivamente, decidiram nesta sexta-feira (27) que irão colaborar com as investigações. A Camargo Corrêa foi uma das primeiras flagradas em transações financeiras com o doleiro Alberto Youssef e uma das que mais fez doações a campanhas políticas.
 
Hoje (02), o juiz Sérgio Moro, que conduz as investigações da Operação Lava Jato, deve ouvir Eduardo Leite. Os executivos podem trazer novos dados à revelações de fraudes não apenas na Petrobras, mas em outras áreas de atuação da Camargo Corrêa, como em obras e serviços em hidrelétricas, rodovias e ferrovias.
 
Outro temor é que os dois novos acordos estimulem mais delações. Ricardo Pessoa, da UTC, sente-se pressionado pela família e pelas circunstâncias a depor, a exemplo do que levou os dois empresários da Camargo Corrêa, que decidiram colaborar pela demora que estão detidos na prisão, pela dificuldade de enfrentar as investigações e pelo risco de serem condenados a regime fechado.
 
A lista de Janot não é, assim, a única preocupação, o que tem levado parlamentares possivelmente envolvidos a contatarem o procurador-geral da República, para descobrir se os seus nomes integram as investigações. Neste final de semana, Janot e os 11 procuradores do grupo de trabalho, criado no MPF especialmente para os políticos envolvidos, revisaram os pedidos de abertura de investigação, que devem ser encaminhados ao STF nesta terça. 
 
Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, procuradores informaram que Janot vem recusando pedidos para discutir projetos de interesse do MPF que tramitam no Congresso ou solicitações para visitas de cortesia, que têm chegado nos últimos dias ao seu gabinete.
 
Por outro lado, o procurador-geral da República encontrou-se na última semana com o vice-presidente da República, Michel Temer, e com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Com Temer, Janot teria conversado sobre a greve de servidores do Ministério Público da União (MPU) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que pedem reajuste da categoria. O procurador havia garantido aos funcionários "o empenho da Administração do MPU nessa questão".
 
Para a seleção dos nomes da lista, o grupo de procuradores analisou todos os políticos informados nas delações. Os pedidos de abertura de inquérito devem ser feitos para indícios de crime. No caso das delações que citaram nomes de forma lateral ou que não indicaram a possibilidade de delitos, serão excluídos da lista.
 

Janot vem manifestando a preferência de que o ministro do STF, Teori Zavascki, relator no processo, derrubasse o sigilo  e revelasse o conteúdo dos autos. A justificativa é por fim às especulações. 

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