sábado, 5 de setembro de 2015

Contraponto 17.634 - "O verdadeiro crime de Dirceu. Por Paulo Nogueira"


05/09/2015

O verdadeiro crime de Dirceu. Por Paulo Nogueira



Não é fácil ser Dirceu


Paulo NogueiraUma jovem jornalista me pergunta pelo Messenger: “Mas afinal o que o Dirceu fez?”

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Ela confessa a extrema dificuldade de entender.

Primeiro, há um massacre unilateral. Toda a mídia, abastecida pela Justiça amiga, se concentra em publicar horrores de Dirceu.

As acusações parecem um catálogo telefônico daqueles de antigamente.

E a defesa como que não existe.

Dirceu já foi julgado e condenado pelo noticiário.

Tenho para mim que o Caso Dirceu só vai ser devidamente conhecido e esclarecido pela posteridade, quando o fogo das paixões políticas do momento já for coisa do passado.

Dentro desse quadro irracional é que se deve entender certas manifestações sobre Dirceu.

Um procurador da Lava Jato disse, por exemplo, que Dirceu deve ser condenado no mínimo a 30 anos de prisão.

Que conta fez esse procurador?

Os juízes do Mensalão entraram para o anedotário da Justiça quando se puseram a calcular, com ares científicos de Newton e Einstein, a “dosimetria”.

Era a dose – esdrúxula, de resto – de penas para os condenados.

A “dosimetria” do procurador para Dirceu é patética.

Trinta anos, para um homem que chega aos 70, significam a morte na prisão.

Mas não é este exatamente o ponto.

Vamos para uma terra altamente civilizada, a Escandinávia. Veja como os noruegueses trataram o caso Anders Breivik, o maníaco de direita que matou mais de 70 jovens sob o pretexto alucinado de salvar seu país da ameaça muçulmana.

Breivik foi condenado a 19 anos de cadeia, a pena máxima da Noruega. Caso ele, no fim da sentença, continue a representar uma ameaça à sociedade, o caso será rediscutido.

É assim que os noruegueses enxergam as penas. Cadeia é para recuperar as pessoas, não para fazê-las apodrecer.

Estava em Oslo na época do julgamento, e a cidade funcionava normalmente, sem os espasmos de ódio tão comuns no Brasil de hoje.

E então voltemos para o caso Brasil versus Dirceu. O procurador falou no mínimo em 30 anos. Ele está precisando de uma temporada escandinava, certamente, para refazer seus conceitos.

Existe uma confusão mental na Justiça brasileira que se expressa nas declarações orais e escritas de seus magníficos integrantes.

Tente entender, por exemplo, o que Janot disse ao se manifestar contra o retorno de Dirceu à prisão domiciliar.

“Não há que se falar, com efeito, em conciliação das prisões pelo Supremo, porquanto independentes entre si, não havendo, entre uma e outra, conexão  de qualquer ordem. Ademais, o sentenciado não possui foro por prerrogativa de função, não havendo necessidade de pronunciamento do STF em questões desse jaez [gênero] relativamente a ele”, afirmou Janot.

Outro trecho: “Além disso, tendo em vista os veementes indícios de prática de infrações penais em datas posteriores ao trânsito em julgado do acórdão condenatório proferido nos autos da Ação Penal nº 470, incide, in casu, o disposto no art. 313, II, do diploma processual penal.”

Será que Janot não podia escrever em português?

Um amigo jornalista me contou, no Mensalão, que estava numa padaria, com a televisão ligada, quando um juiz pronunciou um voto. “Como fala bem esse juiz”, notou um popular ali na padaria. “Mas não entendi: ele condenou ou absolveu?”

Toda essa máquina jurídica abstrusa e parcial se voltou contra Dirceu, com a contribuição de uma das piores imprensas do universo.

O tempo haverá de esclarecer um dos episódios mais confusos da história política moderna.

Por ora, o que é claro é que o caso Dirceu é muito mais político do que propriamente legal.

Se Dirceu fosse um servo da plutocracia, viveria a vida tranquila de todos aqueles que optaram por aquele caminho.

Isso é batata.

Me ocorre Mujica ao pensar em Dirceu.

Em maio passado, numa entrevista, Pepe Mujica produziu, com sua habitual franqueza, uma defesa de Dirceu como líder petista nenhum fez.

Disse ele: “Dirceu para mim não é um criminoso. Está condenado, mas é um formidável lutador.”

Este é o verdadeiro crime de Dirceu: ser um “formidável lutador” contra a plutocracia brasileira.


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Sobre o Autor

Paulo Nogueira. Jornalista,  fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

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Contraponto 17.633 - "Casa Grande, tremei. Zelotes chega aos gordos"

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05/09/2015

Casa Grande, tremei. 
Zelotes chega aos gordos

Temor é de que “Operação Abafa” seja colocada em curso


Conversa Afiada - 05/09/2015





Do deputado Paulo Pimenta:


Zelotes chega a nomes com foro privilegiado; temor é de que “Operação Abafa” seja colocada em curso, denuncia deputado Pimenta



Parte da Operação Zelotes terá que ser enviada ao Supremo Tribunal Federal, isso porque as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal chegaram a nomes que detêm foro privilegiado. Pelo esquema de corrupção, grandes empresas, escritórios de advocacia e membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) são suspeitos de desviar cerca de R$ 20 bilhões dos cofres públicos, com a compra e venda de sentenças e pagamento de propina.

Relator dos trabalhos que acompanha os desdobramentos da Zelotes na Câmara Federal, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) alerta para uma possível “operação abafa” . Segundo o parlamentar, quando grandes empresas e pessoas com alto poder de influência aparecem em esquemas de corrupção, o poder econômico se movimenta e a mídia silencia. “Nenhuma tentativa de intimidação nos impedirá de continuar acompanhando a Zelotes e fazer com que toda a verdade venha à tona. O fato de existirem suspeitas de nomes com foro privilegiado só aumenta nossa determinação e a nossa responsabilidade para cobrar que os culpados sejam identificados e punidos”, garantiu o parlamentar.

Em comparação com a Lava-Jato, a Operação Zelotes tem recebido críticas por receber tratamento diferenciado por parte do Poder Judiciário. O processo corre em segredo de justiça, as prisões preventivas solicitadas pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal foram todas negadas, assim como não foram autorizadas as solicitações de monitoramento por escutas telefônicas.

Diante das dificuldades relatadas pelas autoridades federais que investigam a Operação Zelotes, em junho, o deputado Pimenta representou contra o juiz Ricardo Augusto Soares Leite no Conselho Nacional de Justiça, que acabou sendo afastado do caso. A atuação do magistrado também foi objeto de representação pelo MPF na Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 1ª região. No lugar dele, assumiu a juíza Marianne Borré, que autorizou pedidos de busca e apreensão em escritórios das empresas envolvidas, em uma nova fase das investigações.

Provocada também por uma representação do deputado Pimenta, a Controladoria-Geral da União realiza uma auditoria no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). No requerimento, o deputado Pimenta pediu análise sobre as “escolhas dos conselheiros”, a “distribuição dos processos”, os “procedimentos relacionados ao trâmite e regras de julgamento, incluídos os pedidos de preferência” e até os motivos para os “eventuais impedimentos de conselheiros” no julgamento dos processos.


Leia também:


Casa Grande, tremei ! A Zelotes está viva !


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Casa Grande, tremei ! 
A Zelotes está viva !


70 julgamentos do CARF estão sob suspeita 
Conversa Afiada 3/9/2015

Conversa Afiada reproduz press-release da Assessoria de Comunicação da Procuradoria da República no Distrito Federal:

03/09/15 – MPF, PF E RF EXECUTAM NOVAS MEDIDAS DE BUSCA E APREENSÃO NA OPERAÇÃO ZELOTES



Investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo e Rio Grande do Sul
O Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal (RF) estão executando nesta quinta-feira (03) novas medidas de busca e apreensão destinadas a viabilizar a completa elucidação dos fatos em apuração na Operação Zelotes. Policiais Federais cumprem mandados de busca e apreensão em nove escritórios de contabilidade que funcionam no Distrito Federal (DF), São Paulo (RS) e Rio Grande do Sul(RS).

Com a medida, os investigadores esperam ter acesso a materiais que possam provar o envolvimento de 12 empresas e 11 pessoas físicas com o esquema fraudento que lesou os cofres públicos, com o não recolhimento de impostos. As irregularidades no Carf estão sendo investigadas desde 2013 e se tornaram públicas em março deste ano, quando foi deflagrada a primeira fase da Zelotes. Na época, foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão.

Ao justificar a necessidade das novas medidas invasivas, o delegado da Polícia Federal Marlon Cajado explicou que a análise pericial do material apreendido na primeira etapa da operação apontou discrepâncias entre os valores efetivamente movimentados pelos suspeitos e os declarados ao fisco. No entanto, apenas com o “acesso a documentos de escrituração contábil como balancetes, diários, recibos e notas fiscais seria possível a realização de um exame mais fidedigno das informações”, resumiu no documento. Os escritórios, alvos da operação de hoje, prestam serviços às empresas investigadas, que também já tiveram materiais apreendidos pela PF.

No pedido – autorizado pela juíza Célia Regina Ody Bernardes – também foi solicitada a quebra de sigilo fiscal, bancário e telemático de todo o material apreendido, bem como o compartilhamento dos dados com as demais investigações em andamento ou que venham a ser instauradas no âmbito da Zelotes. A expectativa é que sejam recolhidos documentos, anotações, mídias de armazenamento, computadores, contratos e recibos referentes à contabilidade dos envolvidos no esquema. O material apreendido passará por espelhamento devendo a versão original ser analisada pelos responsáveis pela investigação. Além do MPF e da PF, também participam da apuração servidores da Receita Federal e da Corregedoria Geral do Ministério da Fazenda.


Sobre o caso
O inquérito referente ao Carf foi instaurado em 2014. Ao todo, os investigadores analisam cerca de 70 julgamentos realizados pelo tribunal administrativo no período de 2005 a 2013. As suspeitas são de que ex-conselheiros, servidores públicos e empresas de consultoria montaram um esquema para negociar o resultado desses julgamentos. Empresas que haviam apresentado os recursos pagavam para ter os débitos anulados ou reduzidos pelo órgão. Os crimes investigados são: formação de quadrilha, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.

Assessoria de Comunicação
Procuradoria da República no Distrito Federal
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Contraponto 17.632 - "A república precisa saber das relações Daniel Dantas x Gilmar Mendes"


05/09/2015


A república precisa saber das relações Daniel Dantas x Gilmar Mendes

Revista Forum - 

A república precisa saber das relações Daniel Dantas x Gilmar Mendes


Rubens Valente, autor do livro Operação Banqueiro, fala sobre o papel do ministro do STF, tido por ele como fundamental no desmanche da Satiagraha e na desqualificação das denúncias

Por Carlos Mercuri

Em julho de 2008, uma operação da Polícia Federal, denominada Satiagraha, levou à prisão, após quatro anos de investigação, o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity; o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o doleiro Naji Nahas, entre outros, indiciados por crimes financeiros. Pouco depois, o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes – que fora advogado-geral da União no governo de Fernando Henrique Cardoso –  manda libertar o banqueiro. O delegado federal responsável pela operação, Protógenes Queiroz, é afastado da operação, bem como o juiz que expediu o mandado de prisão, Fausto de Sanctis, da 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. O que se viu em seguida foi uma reviravolta no caso, com Dantas passando de acusado a acusador, conseguindo sustar o processo e anular as provas do caso.

O assunto é tema do livro Operação Banqueiro, do jornalista Rubens Valente, lançado este mês pela Geração Editorial e cuja primeira tiragem, de 20 mil exemplares, esgotou rapidamente nas livrarias. Nesta terça-feira (21), Valente participou de uma mesa-redonda com blogueiros independentes na sede do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, transmitida ao vivo pela TVT – TV dos Trabalhadores, na qual abordou seu trabalho de apuração que resultou no livro e suas impressões sobre o caso.

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Para Valente, o que mais chama atenção no caso é a relação entre Dantas e Gilmar Mendes, considerado pelo autor peça fundamental no desmanche da Operação Satiagraha e na desqualificação das denúncias. “Mendes nunca escondeu seu papel político na presidência do STF, não era segredo. Por que ele agiu assim?”, questiona o jornalista. “É uma relação que a República precisa saber”, vaticina.

O autor teve acesso a mais de 1,5 mil e-mails apreendidos na casa do lobista Roberto Amaral e em três deles aparece o nome de Mendes, razão pela qual o processo subiu ao STF. Esses e-mails também demonstram o grau de intimidade que Amaral – figura já levada a público durante as investigações que levaram ao impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, quando o lobista era diretor da empreiteira Andrade Gutierrez – com autoridades do governo federal. Um desses e-mails chama a atenção pelos termos pouco formais com que se dirige ao então candidato a presidente José Serra (PSDB), em 2002.

O jornalista aponta que esse e-mail, enviado por Amaral a um assessor de Serra, “mostra que há segredos subterrâneos que a República precisa saber. Fala em dívida de Dantas, a qual Amaral diz que, na verdade, o banqueiro é credor. Não se trata de doação à campanha eleitoral. Serra deve não ter gostado de algo e Amaral dá esta resposta”, diz Valente. Ele deduz que Dantas não queria que houvesse investigação sobre correntistas nas Ilhas Cayman, um paraíso fiscal no Caribe. Essas contas teriam sido criadas, de acordo com Valente, para empresas participarem do processo de privatização das telefônicas, e a legislação à época proibia brasileiros de criar fundos em paraísos fiscais para participar dos leilões.

Valente questiona a posição da Procuradoria-Geral da República e diz que o atual procurador-geral, Rodrigo Janot, deve tomar a iniciativa do pedido de reabertura do caso. “Não sei o destino desses 1,5 mil e-mails, se ainda existem ou foram destruídos. Mas há a hipótese de o STF julgar que há elementos para investigar o ministro Gilmar Mendes”, acredita o repórter.

O jornalista diz que o que o motivou a escrever o livro-reportagem foi o fato de Daniel Dantas acumular muito poder. “É um grande personagem do ponto de vista jornalístico. É um grande empresário com conexões com o interesse público, gosta de se relacionar com o poder, gosta de estatais e consegue exercer pressão sobre o governo, de onde deve vir boa parte de seu poder”, avalia.

Sobre as relações de Daniel Dantas com o publicitário Marcos Valério, apontado como operador do mensalão, Valente diz que o banqueiro o procurou, inicialmente, para se retratar junto ao governo do então presidente Lula por não ter feito doações a sua campanha eleitoral e queria estabelecer relacionamento com o novo governo. “A agência de publicidade de Valério tinha a conta do Opportunity, o que levou a Polícia Federal a suspeitar se os recursos eram carreados para o mensalão.

É possível que parte do valerioduto possa ter sido irrigado por empresas ligadas ao Opportunity, mas nada foi esclarecido”, afirma o jornalista.

A respeito da reação do banqueiro ao livro, Valente disse que ele tentou por via extrajudicial impedir o lançamento e distribuição, alegando que a obra é “ilícita e ilegal”. “Pesquisei a legislação apontada por Dantas (leis 9.096/96 e 105/01) e nada se fala sobre limites do jornalismo, mas sim sobre como o Estado deve cuidar do sigilo de suas investigações”, explica Valente. “As duas leis evocadas por Dantas na notificação não tocam no tema da liberdade de expressão. É pura coação psicológica sobre a editora e o autor, ainda mais considerando que o livro sequer havia sido publicado”, esclareceu.

Valente considera que a obra teve boa repercussão na imprensa, tanto entre a mídia alternativa quanto na imprensa tradicional. “Tive grande apoio da blogosfera, manifestações pelo Facebook, Twitter e também dos jornais e revistas, como Carta Capital, Agência Globo e Folha de S. Paulo”, comentou. 

Ainda a respeito da imprensa, o autor lamenta sua obra não ter podido analisar o papel dela em todo o processo. “Em alguns momentos trato do comportamento dos meios de comunicação, mas como coadjuvantes, porém, digo tranquilamente que o caso merece um trabalho extenso sobre essa questão.”
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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Contraponto 17.631 - "Belluzzo: Os economistas do mercado financeiro são todos pernas de pau"

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04/09/2015


Belluzzo: Os economistas do mercado financeiro são todos pernas de pau



Do Vioumundo - publicado em 03 de setembro de 2015 às 20:01

Belluzzointerna1

Para economista, “a melhor solução para essa situação fiscal seria a CPMF, mas ficou todo mundo contra”

POLÍTICA ECONÔMICA

Para Belluzzo, juros e ‘terapias de choque’ causam efeitos perversos ao país

Economista critica ajuste fiscal e diz que governo tem “obsessão” por combater a inflação pelo aumento dos juros. Defensor da CPMF por prevenir a sonegação

por Eduardo Maretti, da RBA publicado 02/09/2015 10:27, última modificação 02/09/2015 13:46

São Paulo – Nesta quarta-feira (2), o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve manter a taxa básica de juros em 14,25%. Desde 29 de outubro de 2014, quando o índice passou de 11% para 11,25%, foram sete aumentos consecutivos da Selic, com um crescimento de 3,25 pontos.
Com a obsessão do governo pelo combate à inflação, via aumento de juros, e a terapia de choque adotada com o ajuste fiscal, o país já sofre os efeitos perversos das medidas: o desemprego, a queda da atividade econômica e, consequentemente, a perda de arrecadação.

Para o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, o governo fez uma leitura equivocada dos sinais de que, no final de 2014, a recessão já era uma realidade, situação que o ajuste fiscal só agrava. Para ele, não existe inflação de demanda, que justificaria em parte “remédios” como a terapia de juros. “Muito ao contrário, você tem uma inflação de choque de oferta, uma inflação de custos, a demanda estava se desacelerando rapidamente de 2012 para a frente, mas isso se acentuou em 2014”, diz. “A economia já estava entrando em recessão, tanto que nós terminamos com um crescimento praticamente nulo (o PIB cresceu 0,1% em 2014). Essa desaceleração foi muito forte e isso veio acompanhado por uma queda da receita fiscal”.

Na opinião do economista, o governo pode estar misturando terapias de choque de maneira perigosa. “Quando você tem ajuste fiscal, não se recomenda que a taxa real de juros fique acima da taxa de crescimento da economia”, defende, observando a distância entre a Selic em 14,25% e a inflação projetada para os próximos 12 meses na casa dos 7% e que essa conduta contraria, inclusive, os próprios formuladores dessa ideia de “política de metas”.

Belluzzo considera “demagógicos” os ataques desferidos de todos os setores da sociedade contra a ideia de recriar a CPMF. “A melhor coisa que você poderia ter agora é a CPMF, porque a base de incidência é muito grande e, além disso, previne sonegação, permite investigação”, disse o economista, que não poupou críticas ao vice-presidente Michel. “Vai o Michel Temer e diz ‘não queremos mais impostos’. Isso qualquer um diz. Não precisa ser o Michel Temer. O cara que toma conta do carro na minha rua fala a mesma coisa. Ele está convencido pela televisão de que é isso, ‘chega de imposto’, mesmo que não pague imposto.”

Além dos problemas internos, Belluzzo acredita que a crise atual, do ponto de vista internacional, pode ser mais séria do que se pensa. “Minha opinião, cada vez mais consolidada, é que o arranjo internacional dos anos 1980 pra frente, que foi avançando e tinha como dois polos dominantes a China e os Estados Unidos, se esgotou.”

Leia a entrevista do economista à RBA.

Hoje o Copom define a taxa Selic, com previsões de que será mantida em 14,25%. Qual sua expectativa, se ficar no atual patamar?

O que o Banco Central está prometendo é a manutenção da taxa por algum tempo. Parece que não vão reajustar, ainda que o dólar venha se valorizando e o real desvalorizando fortemente, o que tem impacto na inflação. A inflação já chegou a 9%, não só por conta da desvalorização, mas também por causa do reajuste de tarifas. O problema é que na política econômica, nada combina com nada. Uma coisa tromba com a outra.

Por exemplo, a política de metas. Quando você tem ajuste fiscal, não se recomenda que a taxa real de juros fique acima da taxa de crescimento da economia. Como a economia está caindo e a taxa real de juros está em 7 pontos percentuais, você está contrariando inclusive as recomendações dos que formularam essa ideia da política de metas. O déficit nominal, que inclui os juros, está indo a 10% do PIB, nós estamos pagando 8% do PIB de juros. Isso se traduz em uma dinâmica da dívida pública perversa, a dívida vai ultrapassar os 70% do PIB, provavelmente, e isso tudo decorre, ao meu ver, de uma má interpretação da situação da economia no final do ano passado, quando de fato o nível de atividade estava caindo, o superávit primário estava caindo, e o que a política econômica do ajuste fez foi agravar esta situação.

Estão corretos os analistas que dizem que combater a inflação com taxa de juros é equivocado hoje, porque não há inflação de demanda?

Muito ao contrário, você tem uma inflação de choque de oferta, uma inflação de custos, a demanda estava se desacelerando rapidamente de 2012 para a frente, mas isso se acentuou em 2014. A economia já estava entrando em recessão, tanto que nós terminamos com um crescimento praticamente nulo (o PIB cresceu 0,1% em 2014). Essa desaceleração foi muito forte e isso veio acompanhado por uma queda da receita fiscal, é óbvio, porque a receita é muito pró-cíclica, quando a economia está crescendo ela tem uma elasticidade muito alta e cresce mais rápido do que o PIB. Foi o que aconteceu no período Lula e no primeiro ano da Dilma ainda, e depois começou a desacelerar, o superávit primário começou a ficar menor. O governo reagiu, do meu ponto de vista, equivocadamente, porque cometeu um erro trágico. Não podia jamais ter aceitado a política econômica do adversário.

Mas quando Dilma baixou a Selic, que chegou a 7,25% em abril de 2013, sofreu uma pressão gigantesca. Ela tinha como sustentar esta política?

Pois é, mas se ela acha que é uma inflação de demanda, poderia ter ajustado a taxa de juros, mas não dar esse choque de juros que deu. Muito menos fazer um ajuste fiscal nessas proporções. Esse é um caso clássico. Os economistas do mercado financeiro, que são todos pernas de pau, não têm nenhuma noção de como funcionam as coisas, eles forçaram a barra por conta dos interesses deles, aí o Levy disse que não podia perder o grau de investimento. Vai perder.

Vai perder por quê?

Porque de acordo com os critérios das agências de classificação de risco o Brasil está em uma situação difícil. Não estou dizendo que os critérios delas sejam bons, mas infelizmente isso é considerado importante pelos chamados mercados. Eles levam em conta o rebaixamento da nota. O que estou dizendo é que agora eles vão olhar o desempenho da economia, olhar o crescimento. Não vai ter crescimento, vai ter queda.

O fato de o governo ter sido sincero, ter mandado orçamento para o Congresso com déficit, não é positivo na medida em que é realista?

Não, imagina. Basta olhar o que está acontecendo agora com os juros futuros e com o câmbio. Eles estão interpretando negativamente. Quem é que inventou essa história?

Algumas pessoas dizem que o realismo do governo é positivo, ao contrário do período com Mantega, que teria colocado problemas para baixo do tapete, represando tarifas etc.

Tarifas represadas, eu acompanhei, nem foi culpa dele (Mantega). Tarifas represadas foi teimosia dela (Dilma), que na verdade podia ter reajustado e não teria essa gritaria agora, o impacto sobre a inflação ia ser mínimo. Mas ela teimou e não quis. Agora fez um ajuste de tarifas tudo junto, eletricidade, gasolina e tal, com efeito negativo sobre os preços indexados, fora a valorização do câmbio.

Precisava fazer uma correção de rumos na economia, e precisava sobretudo ter começado a fazer o programa de concessões mais rápido. Porque o ciclo das commodities e da expansão americana terminou em 2008, do qual o Lula se beneficiou. E deu oportunidade a ele para subir o salário mínimo, botar mais gente com renda capaz de tomar crédito e consumir. Isso deu força, deu fôlego à economia, que cresceu 4,5%, chegou a crescer 10% depois da crise de 2008-2009. Mas, depois, esse ciclo acaba se esgotando, como é todo ciclo de consumo, sobretudo deste consumo que tem um peso muito grande, de bens duráveis. E isso foi acompanhado do quê? A situação fiscal foi se agravando por causa da queda da receita. A indústria, depois de 2010, começou a apresentar déficits monumentais na relação com o exterior, no balanço da indústria com o resto do mundo. Isso foi puxando a indústria para baixo e a indústria tem uma grande importância no dinamismo da economia.

Mas o problema da indústria brasileira não é estrutural?

Sim, exatamente, estrutural, porque você manteve a taxa de câmbio valorizada, e portanto danosa para o desenvolvimento da indústria, durante 20 anos! Falava-se e ninguém dava bola. Achavam que não era importante. Olhavam o desempenho das exportações, inclusive das industriais, na época do boom, que vai de 2004 a 2008, todo mundo achava que não havia problema nenhum, mas havia.

Porque na verdade a indústria já estava mal tratada, teve um alívio momentâneo porque o choque de demanda foi muito forte e muito generoso, não só as commodities mas também a demanda de produtos industriais, pelo resto do mundo, e na verdade nós não nos demos conta de que a indústria estava totalmente desarticulada, no mesmo momento em que a China estava explodindo. Aliás, uma coisa tem a ver com a outra, porque a China compete em preços, então é muito difícil você competir com ela nos setores em que os chineses são mais agressivos. São os setores em que tecnologicamente são mais avançados, que nós perdemos.

Então a saída da crise não é nada fácil…   
        
Mas não é só isso. Minha opinião, cada vez mais consolidada, é que o arranjo internacional dos anos 1980 pra frente, que foi avançando e tinha como dois polos dominantes a China e os Estados Unidos, se esgotou. Se esgotou para China e para os Estados Unidos. Essa vai ser uma crise prolongada.

Não depende só do Brasil…

É mais ampla e mais profunda. E aqui, ancorou-se na sociedade um conjunto de concepções e ideias. Por exemplo, veja o episódio da CPMF. A melhor solução para essa situação fiscal seria a CPMF. Não é ótimo, mas é a menos ruim. E ficou todo mundo contra.

Isso virou um estigma, já que a CPMF não pesava para ninguém e tem um efeito positivo na fiscalização…

Exatamente. Ninguém sente pagar. A melhor coisa que você poderia ter agora é a CPMF, porque a base de incidência é muito grande e, além disso, é preventiva da sonegação, permite investigação.

Todo mundo vira demagógico. Vai o Michel Temer e diz “não queremos mais impostos”. Isso qualquer um diz. Não precisa ser o Michel Temer. O cara que toma conta do carro na minha rua fala a mesma coisa. Ele está convencido pela televisão de que é isso, “chega de imposto”, mesmo que não pague imposto.

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Contraponto 17.630 - "Estadão doou para Aécio. Cadê a grana?"


04/09/2015

Estadão doou para Aécio. Cadê a grana?


Brasil 247 - 3 de Setembro de 2015

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Altamiro Borges
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Altamiro BorgesE ainda tem gente que acredita na imparcialidade da chamada grande imprensa.

Na análise das contas de campanha do cambaleante Aécio Neves, a relatora do processo, ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Tribunal Superior Eleitoral, apontou 15 suspeitas de graves irregularidades. Entre elas, três doações feitas pela famiglia Mesquita, dona do decadente jornal Estadão, ao candidato derrotado do PSDB. Uma delas foi emitida no valor de R$ 52,885,30 e outras duas de R$ 52.982,00. O pior é que nenhuma destas doações foi declarada no TSE, o que caracteriza crime eleitoral. Cadê a grana Aécio?

Segundo matéria do jornalista André Richter, da Agência Brasil, "a ministra Maria Thereza de Assis Moura, do TSE, pediu esclarecimentos sobre inconsistências encontradas na prestação de contas do senador Aécio Neves (PSDB/MG), candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2014. As contas da campanha presidencial do parlamentar ainda não foram julgadas pela Justiça Eleitoral, que continua analisando os documentos contábeis apresentados. A decisão da ministra é do dia 14 de agosto, mas os detalhes sobre as divergências foram divulgados somente na segunda-feira, dia 31/8".

A descoberta das irregularidades nas contas de campanha de Aécio Neves não causou alarde na mídia - não viraram manchetes nos jornalões, capas dramáticas nas revistonas ou comentários hidrófobos nas emissoras de rádio e tevê. Pelo contrário. A chamada opinião pública pensa que apenas as contas de campanha de Dilma estão sob averiguação. O grau de desinformação é explicável. Afinal, a mídia fez de tudo para derrotar a candidata petista - e só lembrar os interrogatórios travestidos de entrevista no Jornal Nacional, da TV Globo, ou a capa criminosa da "Veja" na véspera do segundo turno.

Na análise das contas, os técnicos do TSE descobriram que a empreiteira Odebrecht, investigada na midiática Operação Lava-Jato, fez uma doação de R$ 2 milhões para Aécio Neves. O registro desta transferência milionária também não consta da prestação de contas do tucano. "Segundo os auditores, a campanha deixou de declarar R$ 3,9 milhões em recebimentos estimáveis. O valor foi declarado somente na prestação de contas final. Também houve divergência nos serviços jurídicos prestados pelos escritórios dos ex-ministros Carlos Ayres Britto e Carlos Velloso" - o que confirma as intimas relações do tucanato com alguns figurões do Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar da gravidade destas descobertas, elas não foram destaque na mídia venal. E agora se descobre que, além da manipulação descarada, parte da chamada grande imprensa financiou a campanha de Aécio Neves. "No cruzamento dos dados de informações prestadas por doadores e candidatos, o TSE encontrou diversas omissões de despesas de serviços prestados. Entre as empresas está a S/A Estado de São Paulo. De acordo com o TSE, constam três notas fiscais no CNPJ da empresa jornalística. Uma delas foi emitida no valor de R$ 52,885,30 e duas de R$ 52.982,00", descreve André Richter.

Do Blog do Miro.  Altamiro Borges é responsável pelo Blog do Miro - Uma trincheira na luta contra a ditadura midiática

Contraponto 17.629 - "A prima de Aécio, Anastasia e o próprio Aécio. Por Paulo Nogueira"

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04/09/2015


A prima de Aécio, Anastasia e o próprio Aécio. Por Paulo Nogueira




A prima Tânia com o marido
A prima Tânia com o marido

Paulo NogueiraDe uma coisa Aécio não pode ser acusado: de não dar empregos públicos para a família.

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Ele passou a campanha toda falando em meritocracia, que é a negação, exatamente, da prática de nomear a parentada.

E é uma prima sua, Tânia Campos, que trabalhou com ele no governo de Minas que irrompe, agora, no caso Anastasia, que a PF quer reabrir depois de Janot mandar arquivar.

O fato novo que justifica a reabertura, segundo a PF, é um email que afirma que dinheiro de propina foi entregue na casa de Tânia para a campanha de Anastasia para o Senado.

É revelador do mundo estranho em que vivemos que, mesmo com tamanha dor de cabeça por causa de dinheiro para campanha, Anastasia tenha votado dias atrás a favor da manutenção das doações de empresas para partidos e candidatos.

Ele e Aécio, e mais todo o PSDB.

Anastasia postou um vídeo-desabafo no YouTube no qual diz estar vivendo um “verdadeiro calvário” com esta história.

Há um ponto que merece consideração nas lamúrias de Anastasia.

Pertencer ao PSDB tem garantido imunidade contra aborrecimentos e investigações. A mídia amiga e a Justiça amiga cuidam de tudo.

E a regra é rompida logo comigo? É do parece se queixar, não sem alguma razão, Anastasia.

Considere seu mentor, Aécio.

Desde que se tornou uma figura nacional, ao disputar a presidência, emergiu nas sombras um Aécio bem diferente do Catão das Minas.

Ninguém investigou com seriedade, por exemplo, o aeroporto mandado construir em terras que eram da família, usado, aparentemente, para facilitar as idas de Aécio à sua fazenda nas redondezas, a “Versalhes” particular, como ele descreveu à revista Piauí.

Nem a Folha, que trouxe o assunto, fez um trabalho decente. Largou a história mal a iniciara, num coitus interruptus jornalístico.

Mais anedótica ainda foi a atitude do Jornal Nacional.

O aeroporto foi desprezado no noticiário como se não valesse nada. Só que na entrevista que o JN fez com Aécio o aeroporto recebeu tratamento de gala.

Aécio poderia ter respondido a Bonner, se estivesse preparado para a pergunta: “Mas, meu querido, se era uma coisa importante, e não uma armação dos meus inimigos, por que vocês não deram?”

O Outro Aécio surge de algo que nem as grandes empresas de mídia e nem a Justiça controlam: a internet. O jornalismo independente que se pratica longe das corporações.

É este jornalismo independente que cobra vigorosamente que as mesmas regras jurídicas e legais aplicadas contra o PT valham também para o PSDB.

O símbolo máximo da blindagem era FHC, cuja emenda de reeleição foi comprada com dinheiro vivo no Congresso, conforme documentou anos atrás a Folha em mais um coitus interruptus investigativo.

Agora FHC foi substituído, como ícone da blindagem total, por Aécio, o cínico que prega a meritocracia mas emprega a parentada como a prima Tânia, agora metida nas investigações da Lava Jato.

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Sobre o Autor

Paulo Nogueira. Jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.
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Contraponto 17.628 - "Mino: Lula é quem mais inquieta a Casa Grande"

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04/09/2015

Mino: Lula é quem maisinquieta a Casa Grande


Só aqui …


Conversa Afiada - Publicado em 04/09/2015


Bicudo: aonde é que ele foi parar?


O Conversa Afiada reproduz editorial de Mino Carta:


Só mesmo por aqui


É fato inédito que a mídia em bloco atire contra um líder para impedir, ou enfraquecer, sua eventual candidatura 3 anos depois

Em qual país do mundo civilizado e democrático, a mídia, praticamente em bloco, se uniria para envolver um importante líder político em um escândalo das proporções da Lava Jato? Sem serem convocados, os meus botões assumem a cadência do coro grego e declamam: não há país democrático e civilizado em que um fenômeno deste porte pudesse verificar-se.

Colhido de surpresa, argumento: mas é o que acontece no Brasil neste exato instante. Retrucam: e haveria como comparar o Brasil com países como Grã-Bretanha, França, Estados Unidos, Alemanha etcétera? Cabisbaixo, silencio. O coro grego insiste: a mídia nativa porta-se qual fosse a própria oposição, igual a um partido disposto, para alcançar seu alvo, a forjar pretensas provas. A inventar, omitir, mentir.

Provoco: e a reportagem de capa da revista Época da semana passada? Diz que o ex-presidente Lula intermediou negócios da Odebrecht em Cuba. Até apresentam documentos secretos… Patética reportagem, decreta o coro, embora tenha assumido o tom da velha tia. Revelam-se informados, de todo modo, a respeito do assunto. A chefe de Comércio Exterior do BNDES, Luciene Ferreira Monteiro Machado – dizem pausadamente – esclarece que o financiamento do banco às obras do porto cubano de Mariel já estavam em andamento antes da viagem de Lula a Cuba em 2011, à qual Época se refere. Acrescenta dona Luciene: qualquer pressão do ex-presidente seria impossível, porque os contratos necessitam da aprovação de diversas equipes e comitês do BNDES.

Estranho, comento: João Roberto Marinho foi a Brasília para garantir que a Globo quer, de alguma forma, acalmar os ânimos, e até o Jornal Nacional baixou a bola. E eis que Época, semanal global se sai com essa capa, e além disso, para o horror dos seus leitores, revela que Dilma é amiga de Cuba. Ora, ora, intervêm os botões, o problema Dilma não é o problema Lula, e este, na perspectiva, é muito mais inquietante.

O objetivo de envolver Lula na Lava Jato, ou em outro escândalo qualquer, tornou-se obsessão febril. Um caso patológico, define o coro, de volta à cadência inicial. O motivo é do conhecimento até do mundo mineral: pretende-se, se não inviabilizar, ao menos enfraquecer uma candidatura do ex-presidente em 2018. Vara curta: pela primeira vez em cinco anos longe da Presidência, Lula admite a possibilidade da sua candidatura ao próximo pleito. Se for para impedir uma ascensão tucana.

Quem ganha espaço na mídia, cedido com simpatia e apreço, é um ex-petista de denominação de origem controlada e garantida, o veterano Hélio Bicudo. Salvo melhor juízo, desinteressado da conciliação em andamento, renova a ideia do impeachment de Dilma Rousseff por “crime de responsabilidade”.

Aos meus olhos, a postura de Bicudo configura uma situação peculiar. Na minha mocidade, enxergava nele um conservador, sem, com isso, experimentar irritação. Tempos de ditadura, ele exerceu com honra o papel de tribuno contra os esquadrões da morte. Logo tornou-se petista no começo dos anos 80 ao fazer profissão de fé esquerdista. Não duvidei da sua sinceridade.

Ao longo da existência, sempre desprezei quem começa à esquerda e descamba para a direita, a par de que trafega pela vida com o propósito de amealhar fortuna. Ao abandonar o PT à época do chamado “mensalão”, Bicudo deu crédito a acusações em boa parte mal formuladas e inequivocamente hipócritas, mas seu gesto poderia ter sido ditado por um impulso moral.

Agora não me arrisco a insinuar que Bicudo guinou mais uma vez. Não deixo, porém, de apontar para uma situação nova em relação à minha resistente ojeriza. Começou à direita, foi para a esquerda e não se entende aonde acabou.


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Contraponto 17.625 - "Parlamentares cobram ação de Janot contra Cunha



04/09/2015

Parlamentares cobram ação 
de Janot contra Cunha

Documento foi entregue por parlamentares do PSOL, PT, PSB e PDT




No G1:


Grupo de parlamentares entrega a Janot pedido para afastar Cunha



Documento foi entregue por sete parlamentares do PSOL, PT, PSB e PDT. Grupo quer saída de Cunha caso STF aceite denúncia contra ele.


Um grupo de sete parlamentares do PSOL, PT, PSB e PDT entregou nesta quinta-feira (3) ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, um pedido para que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), seja afastado  do cargo caso a denúncia contra ele seja aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Alvo de investigação da Operação Lava Jato, Cunha foi denunciado em agosto por Janot ao Supremo por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. Se a corte aceitar a denúncia, Cunha passa a ser réu em uma ação penal.

O pedido foi entregue ao procurador-geral foi pelos deputados Chico Alencar (PSOL-RJ), Ivan Valente (PSOL-SP), Jean Wyllys (PSOL-RJ), Alessandro Molon (PT-RJ) e Glauber Braga (PSB-RJ) e os senadores Lasier Martins (PDT-RS) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

Se eventualmente o procurador-geral pedir o seu afastamento, caberá ao plenário do STF decidir se acata ou não o pedido.


(…)


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Contraponto 17.624 - "As 'revoluções made in CIA' e as mortes de migrantes"


04/09/2015 

As 'revoluções made in CIA' e as mortes de migrantes

Estas mortes não são acidentes, são crimes. Os imigrantes são forçados a esta realidade devido à política imperialista da OTAN, dos EUA e da UE


Agência EFE


Carta Maior - 3/9/2015

Diário Liberdade - Via Jornal GGN
Agência EFE

União Europeia - LBI-QI - A cena de um menino de dois anos morto por afogamento na costa turca chocou o mundo. Desgraçadamente ele é “apenas” um dos milhares de mortos que perdem a vida nas viagens de imigrantes desesperados para a Europa.

Contudo, estes não são acidentes, são crimes. Os imigrantes e os refugiados são forçados a esta realidade devido à política imperialista da OTAN, dos EUA e da UE, pela agressividade e intervenção na Líbia, Iraque, Mali, Iêmen, vendidas ao mundo como “revoluções”, assim como pelas políticas das transnacionais e pelo saque de recursos naturais na África e Oriente Médio, pela destruição e manipulação das economias dos países e, finalmente, pela política da União Europeia e seus governos contra os trabalhadores imigrantes.

A maioria vem da Líbia, Síria, Mali, Iraque, Afeganistão e do norte da África, países que foram ou são alvo das intervenções militares imperialistas ou da ação de grupos terroristas patrocinados pelas potências capitalistas, como o Estado Islâmico (EI). É o chamado “efeito bumerangue” que agora se volta contra os países europeus. Os dirigentes dos governos imperialistas reunidos em Bruxelas decidiram que vão usar drones para bombardear embarcações ancoradas nos portos da Líbia e que sejam capazes de transportar imigrantes até a costa da Itália e Grécia. A política anti-imigração do imperialismo é bem clara.

Anteriormente, os imigrantes foram utilizados como mão-de-obra barata a fim de rebaixar os salários nos países imperialistas e quebrar a resistência da classe operária desses países. Agora, com o aprofundamento da crise capitalista, que está elevando a níveis altíssimos o desemprego, a burguesia imperialista descarta os estrangeiros para explorar os seus próprios operários. De acordo com dados da ONU cerca de 2,5 mil imigrantes se afogaram no mar Mediterrâneo neste ano vítimas dos muitos barcos superlotados que tentam chegar à costa da Itália e da Grécia.

O fluxo de pessoas desesperadas que parte da Síria, Líbia e do norte da África na tentativa de alcançar a Europa já é muito maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Números recentes mostram que milhares de pessoas estão usando uma rota perigosa através dos Bálcãs para chegar à Alemanha e a outros países do norte da União Europeia. Na última semana, novas tragédias voltaram a expor ao mundo a gravidade do problema. Mais de 300 mil imigrantes já arriscaram suas vidas tentando atravessar o Mediterrâneo neste ano. Em todo o ano passado, foram 219 mil pessoas.

Dois barcos com cerca de 500 imigrantes afundaram após deixar Zuwara, na Líbia, em 27 de agosto. Corpos de ao menos 71 pessoas, que podem ser imigrantes sírios, foram descobertos em um caminhão abandonado na Áustria, também em 27 de agosto. Naufrágio nos arredores da ilha de Lampedusa, na Itália, matou cerca de 800 pessoas em 19 de abril. Ao menos 300 imigrantes se afogaram ao tentar atravessar as águas agitadas do Mediterrâneo em fevereiro.

Desde a LBI denunciamos a política assassina do imperialismo ianque e europeu e de seus governos contra os imigrantes que fogem dos efeitos da barbárie capitalista imposta pelas “revoluções made in CIA”. Lutamos para derrotar as agressões imperialistas contra o povo no norte da África e do Oriente Médio, pela destruição da OTAN e pela utilização dos recursos naturais para o benefício dos trabalhadores. A questão central colocada frente ao avanço da barbárie capitalista que vem deixando um rastro de morte na Europa é a necessidade de superar a agonia do capital pela via da revolução socialista.

Não há outra vereda a não ser o da violenta demolição da sociedade de classes e o da construção revolucionária de um novo modo de produção, genuinamente socialista, baseado na solidariedade e no internacionalismo!
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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Contraponto 17.623 - "Em peso, PSDB votou contra fim de doações privadas"

Contraponto 17.622 - "Gilmar, uma lebre no TSE e uma tartaruga no STF"


03/09/2015


Gilmar, uma lebre no TSE e uma tartaruga no STF

tartalebre



Por 


Janio de Freitas, em seu artigo de hoje, na Folha, é implacável.

Faz pior que comparar as atitudes de Gilmar Mendes e Luiz Edson fachin, ministros do Supremo.

Compara Gilmar Mendes, ministro do Supremo, com Gilmar Mendes, ministro do Tribunal Superior Eleitoral e relator das contas de campanha de Dilma Rousseff.

O primeiro, capaz de sentar-se placidamente por mais de um ano sobre um processo, para evitar que se consume um julgamento no qual já se formara maioria, para evitar que se proibissem as doações de empresas a candidatos.

O segundo, célere e bufante, a exigir que se investigue até o avesso as doações de empresas a uma candidata, especificamente: a mulher que se elegeu Presidenta da República.

Os dois gilmares são um só e um só é seu objetivo.

Só não enxerga quem está tão cego de ódio político que dispensa a Justiça de ser justa.

Com jato e sem jato

Janio de Freitas

Cada dia do novo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Edson Fachin, vale quase um mês e meio do ministro Gilmar Mendes.

Em 11 dias, Fachin informou o tribunal de que concluíra o seu voto sobre descriminalização do porte de drogas, para o qual pedira vista no julgamento em 19 de agosto. A votação já pode ser retomada.

Gilmar Mendes pediu vista e sustou a decisão sobre financiamento eleitoral por empresas em abril de 2014. Ainda não foi capaz de ter o voto para continuidade do julgamento. Apesar de sua opinião ser conhecida –e já estar derrotada no tribunal, com a companhia dos empresários que financiam campanhas para manipular políticos.

No Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes tem outra atitude típica. Quer uma investigação da Procuradoria Geral da República nas contas da campanha de Dilma Rousseff, suspeitando de recursos provenientes dos truques que a Lava Jato investiga. A defesa argumenta que as contas foram examinadas pelo tribunal e “aprovadas com ressalva”. O relator da aprovação: Gilmar Mendes. Mas, acima disso, lembra a defesa, em abril deu-se o “trânsito em julgado” do processo das contas, o que encerrou o prazo para qualquer recurso contrário à sua aprovação.

Por coincidência, ou não, a iniciativa de Gilmar Mendes corresponde, inversamente, a uma não destacada ou mesmo silenciada na imprensa. Como relatora, a ministra Maria Thereza Moura apontou 15 problemas encontrados pelos técnicos do tribunal nas contas da campanha de Aécio Neves. Pediu esclarecimentos, se possíveis. Na segunda-feira passada, Aécio disse que “já foram apresentadas todas as justificativas, coisas eminentemente formais”.

Não. Algumas estão definidas como graves. Nada mais adequado, tratando-se de pessoa sempre afinada com a moda, que ao menos um dos problemas refira-se a uma doação da Odebrecht: R$ 2 milhões com registro de recebimento e sem a comprovação do destino alegado (o próprio partido). 

Também há declaração de menos de um terço da doação feita pela Construbase, alguns milhões cuja entrada os técnicos do TSE perceberam, mas não encontraram na contabilidade –enfim, não apenas “coisas eminentemente formais”

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Contraponto 17.621 - "Esconda o bico, FHC, por Jandira Feghali"


03/09/2015


Esconda o bico, FHC, por Jandira Feghali


Jornal GGN - qui, 03/09/2015 - 19:27



Enviado por Webster Franklin

Do Viomundo


Jandira Feghali, especial para o Viomundo

A família Ramphastidae, com mais de 33 tipos de tucanos, tem um hábito curioso. Dorme com o bico enorme escondido sob as asas e a cauda dobrada sobre o dorso, cobrindo a cabeça. Seus parentes na política não seguem a mesma conduta. Talvez a falta de descompostura na arte de abrir tanto o bico para acusar os tenha impedido de esconder seus bicos quando deveriam.

Talvez os golpistas da atualidade não se recordem, mas uma longa lista de crimes dos governos tucanos ainda pairam sob enormes dúvidas. Da pasta rosa ao Caso SIVAM, a mesma justiça que hoje apura a Operação Lava-Jato, atravessou a década de 90 num silêncio sepulcral para a maior parte dessas denúncias.

Comecemos pelo Caso SIVAM. No início do primeiro mandato presidencial, FHC viu seu Governo afundado em denúncias de tráfico de influência para contratação e execução de um misterioso sistema de vigilância na Amazônia. O escândalo chegou a bater na porta do Parlamento na tentativa de se instalar uma CPI para apurar o esquema de corrupção, mas o ex-presidente tucano tratou de articular seu bloqueio.

Teve uma boa ajuda do “Engavetador Geral da República”, Geraldo Brindeiro, que recorrentemente arquivava denúncias de corrupção contra o governo tucano – bem diferente do que é feito atualmente por Rodrigo Janot. Quando explodiram denúncias de que bancos públicos teriam financiado campanhas políticas de parlamentares da base de FHC através de Caixa 2, o conhecido caso da “pasta rosa”, Brindeiro varreu todas para debaixo do tapete.

Ainda houve a quebradeira nacional da privataria tucana, registrada no livro de Amaury Ribeiro Júnior. FHC fez “preço de banana” para entregar a Companhia Vale do Rio Doce, empresa de patrimônio único, com gigantesca infraestrutura acumulada. A estatal foi “vendida” ao capital internacional por meros R$ 3 bilhões, algo que a companhia lucra atualmente a cada trimestre.

Também vale recordar a misteriosa venda da extinta Telebrás. Vários grampos divulgados à época revelavam o envolvimento de lobistas do setor de telefonia com autoridades do partido do ex-presidente. Informações privilegiadas eram repassadas a alguns grupos econômicos de forma que os beneficiasse no negócio. Outra CPI impedida pelos tucanos.

A extinção da Sudene e Sudam, órgãos do Governo mantidos para estimular o desenvolvimento do Nordeste e Amazônia, respectivamente, também estão nessa lista. Depois de inúmeras denúncias de fraude nas administrações, FHC resolveu extinguir as superintendências em vez de realizar o que a presidenta Dilma tem feito na Petrobras: criado transparência e facilitado as investigações.

Não se pode esquecer da compra de votos para sua reeleição de 1998, onde parlamentares da base do Governo teriam recebido dinheiro para votar a favor de uma emenda constitucional que criaria esta regra na Constituição Federal. Dois deputados do ex-PFL, hoje DEM, foram manchete dos jornais ao confirmar a informação. Ambos foram punidos pelo partido e o caso arquivado, sepultando qualquer outro tipo de apuração.

Os tucanos, como sua trajetória política mostra, não possuem moral para dar à Dilma o conselho de renúncia quando, na verdade, a História só tem mostrado que foi sob a gestão dela que a Justiça e os órgãos de investigação tiveram fôlego, autonomia e instrumentos para combater a corrupção tanto abafada na década de 90.

Como na natureza, os tucanos da política poderiam tomar como referência os tão bonitos Ramphastidae. É hora de esconder os bicos. O grupo político que lhe toma como símbolo, liderado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, não tem autoridade política nos gorjeios para pedir a renúncia da presidenta Dilma Rousseff.



Jandira Feghali é médica, deputada federal (RJ) e líder do PCdoB
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Contraponto 17.620 - "Será que valeu a pena?"