segunda-feira, 2 de maio de 2016

Nº 19.281 - "Bresser Pereira lamenta: o Brasil enlouqueceu "

O Brasil perdeu o rumo. Em nome do Combate à Corrupção, estamos trocando um presidente sobre o qual não há qualquer processo, por um vice-presidente envolvido sob diversas maneiras na Operação Lava Jato.
Em nome do Direito, estamos trocando um presidente que fez "pedaladas", por um vice-presidente que também as fez.

Em nome da Economia, estamos trocando um ministro da Fazenda competente, Nelson Barbosa, que está buscando retomar o investimento público e impedir a revalorização do real para enfrentar a recessão, por um ministro, Henrique Meirelles, cuja única proposta é a "austeridade fiscal", e que, enquanto presidente do Banco Central, durante o governo Lula, recebeu de FHC, em janeiro de 2003, uma taxa de câmbio de R$ 7,30 reais por dólar (a preços de hoje) e a entregou a Dilma, em janeiro de 2011, a R$ 2,20 por dólar, quando a taxa de câmbio competitiva, de equilíbrio industrial, gira em torno de R$ 3,90 por dólar. Troca então o ministro da fazenda por um novo ministro que foi, portanto, o principal responsável por tirar competitividade das boas empresas industriais brasileiras, e, assim, causar a desindustrialização brutal e o baixo crescimento do país.

Em nome da Hegemonia de capitalistas rentistas e financistas, estamos trocando uma presidente que tudo fez pelo acordo de classes, mas fracassou, por um presidente que provavelmente chegará ao poder dentro de duas semanas porque foi apoiado por grupos de direita envolvidos na luta de classes.

O novo ministro e o novo presidente "devolverão a confiança aos empresários", nos dizem os defensores desse impeachment em marcha. Na verdade, graças ao câmbio competitivo, a confiança já está retornando, e a economia já está começando a se recuperar. É para isso que está trabalhando o ministro Nelson Barbosa, procurando aumentar o investimento público e tentando impedir a revalorização do real. Mas apenas com a notícia de que Meirelles deverá ser o ministro da Fazenda, o real já voltou a se valorizar, e a recuperação durará mais, não menos tempo.

Aécio Neves, Eduardo Cunha e Michel Temer, PSDB e PMDB, a direita e a classe média tradicional venceram. Paralisaram o Brasil, desestabilizaram a democracia, tornaram o país sujeito a crises políticas sempre que a popularidade do presidente da República cair, trocaram o acordo pela luta de classes, mas satisfizeram seu desejo de poder.

Que desastre, que loucura, que irresponsabilidade!

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Nº 19.280 - "Emenda Dilma só terá chance com povo na rua"

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02/05/2016

 

Emenda Dilma só terá chance com povo na rua

 

Brasil 247 - 02/05/2016

 

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Tereza Cruvinel
 
Em uma tarde monótona de maio de 1983, lá se vão 33 anos, um jovem e desconhecido deputado queacabava de chegar à Câmara, terno branco e chapéu Panamá, aproximou-se da roda de jornalistas que tentavam pescar notícias no salão verde. A ditadura já perdera os dentes mas planejava, através de seu partido ainda majoritário, o PDS, impor um candidato civil-servil, Paulo Maluf, na eleição indireta de janeiro de 1985. O jovem deputado queria vender um peixe. “Apresentei uma emenda constitucional propondo eleição direta para presidente”. Ninguém exclamou “uau!”. Ouvimos com a cortesia dispensada aos assuntos que não vão virar notícias. Era Dante de Oliveira. Um ano depois a emenda que levou seu nome para a História estava sendo votada, depois do maior movimento de massas até então ocorrido, a campanha das “diretas-já”.

Mas se o povo não tivesse perdido o medo e enchido os comícios (chamados por uma frente liderada por PMDB, PT e PSDB) a emenda teria sido arquivada e Dante seria apenas um nome obscuro na lista dos integrantes da legislatura 1983-1986.

Esta digressão é para dizer algo bem simples. A presidente Dilma Rousseff deve, finalmente, enviar ao Congresso, antes da votação que pode afastá-la, uma emenda propondo nova eleição presidencial em outubro. Os beneficiários do golpe vão dizer, ou melhor, já disseram, que é golpe. Golpe contra o golpe? Engraçado é que, para eles, existem dois tipos de pesquisas de opinião. As que convêm e as que não devem ser levadas em conta.

Houve pesquisas convenientes, e que foram exaustivamente citadas na noite de 17 de abril pelos deputados que votaram sim. Eram aquelas que apresentavam altos índices de entrevistados favoráveis ao impeachment. Agora as pesquisas mostram que mais de 60% querem novas eleições, mas estas não valem. Legitimariam o “golpe” da decisão pelo voto popular, ideia que constitui um paradoxo, talvez um oximoro. Golpe pelas urnas é algo como dizer “obscura claridade”. São a favor de novo pleito 62% dos entrevistados pelo IBOPE e 61% dos que foram ouvidos por Vox Populi. Mas estas pesquisas não valem para o bloco de Temer que vai tomar o poder.

Dilma, no entendimento de muitos aliados, perdeu o momento de apresentar a proposta. Agora Temer já conseguiu acomodar em seu barco a maioria das forças políticas, a começar do acordo com o PSDB, que em outras circunstâncias teria vergonha de ficar contra as diretas. O PP foi comprado lá atrás, na semana que antecedeu a votação na Câmara. Democratas e partidos do varejão já estavam na conspiração com o PMDB.  Ficariam a favor da emenda, se Cunha deixasse que fosse votada em condições ordinárias, apenas o PT, PC do B, PSOL e Rede. Juntos, ficam longe do quórum de 3/5. E ainda haveria o problema jurídico, os recursos ao STF alegando que os mandatos não podem ser encurtados por emenda constitucional. O momento para um grande acordo em torno de nova eleição, com renúncia de Dilma e de Temer, poderia ter surgido antes da votação do dia 17, embora nada garanta que teria prosperado. Desde setembro do ano passado, quando disse que Dilma dificilmente chegaria ao final do mandato, Temer e o PMDB passaram a pensar apenas na usurpação da Presidência.

Agora, é bom que Dilma mande a emenda, marcando posição e colocando-se em sintonia com a grande maioria da população que, dizem as pesquisas, rejeita um governo ilegítimo e quer nova eleição. Mas para que tenha consequência e não passe de um gesto altivo na saída, Dilma, Lula, PT e aliados teriam que desencadear uma nova campanha pelas diretas. Base social para o arranque existe. Vide os protestos contra o impeachment e as manifestações do Primeiro de Maio. Se o governo Temer começar implementando a agenda que vem anunciando, contribuirá para levar mais gente para a rua. Não é certo que a campanha deslanche num cenário que ainda está por vir, com elementos que ainda não se delinearam claramente. Mas para perder ou ganhar, seria o caminho histórico correto. Ajudaria também a caracterizar como golpistas os que recusarem ao povo o direito de escolher.

Dilma vem emitindo sinais de que se não ficará reclusa no Alvorada, sendo citada aqui e ali numa notinha de rodapé pelo passeio de bicicleta que fez, o livro que está lendo, o por de sol inesquecível que contemplou, para ficar numa lembrança registrada por Lula de seus tempos naquela casa. Estará na luta, e havendo campanha, será protagonista. Vale aqui recordar algumas das coisas que disse, nas linhas e entrelinhas da entrevista em Nova York.

Em uma das respostas afirmou: “Então, eu acredito que, para além do meu mandato - é óbvio que o meu mandato tem importância - mas, para além do meu mandato, tem uma luta que não parará no Brasil, a menos que os golpistas recuem e sejam derrotados imediatamente. Se isso não ocorrer eu te asseguro que esta luta continuará.”

“Por quanto tempo a senhora entende que esse processo pode se arrastar?”, perguntou outro repórter. E ela: “Até que haja uma eleição por voto direto secreto.”

E mais adiante, em outra resposta: “Então, eu não quero dizer que vou lutar 180 dias, estou te dizendo que meu limite de tempo é político. Eu vou lutar até as eleições diretas. Se me afastarem, o que eu não acredito, acho que é muito constrangedor afastar uma pessoa inocente. Eu sou de fato vítima de um processo e, cada vez mais, acho que as pessoas se conscientizam disso.”

Esta era a disposição dela em 22 de abril, já depois da votação na Câmara. Disposição de lutar pelas eleições diretas. Novamente, cada um terá que escolher seu lado.

Tereza Cruvinel. Colunista do 247, Tereza Cruvinel é uma das mais respeitadas jornalistas políticas do País
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Nº 19.279 - " ‘Caixa não foi usada como cheque especial em 2015’ "

Ele é um dos técnicos que integram a equipe que analisou e recomendou aos ministros do TCU a rejeição das contas do governo Dilma de 2014. Os ministros do TCU entenderam que o balanço apresentado pela União continha irregularidades que violavam a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei Orçamentária e a Constituição. Com base nisso, recomendaram ao Congresso a rejeição das contas da presidenta.

Na comissão do impeachment, ele, que é um dos responsáveis pela tese das 'pedaladas fiscais', reconheceu que não houve nenhuma antecipação de recursos da Caixa Econômica Federal ao governo federal em 2015. A declaração foi feita em resposta a uma questão da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Depois disso, houve confusão no plenário, quando a oposição percebeu que haverá um buraco na acusação.

"Isso é importante porque a acusação se refere a 2015", comentou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Preocupado, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) afirmou que a ala governista tenta desestabilizar emocionalmente o procurador.
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Nº 19.278 - "Lista de Furnas é a Lista dos Golpistas"

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02/05/2016

Lista de Furnas é a Lista dos Golpistas

Cerra, Cerra tua vez chegará ..



Do Conversa Afiada - 02/05/2016

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Nº 19.277 - "Janot investiga Aecím por Furnas e mensalão!"

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02/05/2016

 

Janot investiga Aecím por Furnas e mensalão!

A casa caiu, malandro! Eleições já!

 
Do Conversa Afiada - publicado 02/05/2016
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aqui jaz bessinha
Na Fel-lha:


PGR envia pedidos de inquérito contra Aécio e outros políticos

 

A PGR (Procuradoria Geral da República) enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um pacote de pedidos de aberturas de inquéritos com base na delação do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), dentre eles duas investigações contra o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e outra que atinge a cúpula do PMDB no Senado.

Caso o ministro Teori Zavascki determine a abertura dos inquéritos, Aécio passará a ser oficialmente investigado em desdobramento da Operação Lava Jato. São duas linhas de apuração contra o senador: uma, a suspeita do recebimento de propina de Furnas, e outra, a acusação de que maquiou dados do Banco Rural para esconder o mensalão do PSDB.

No caso do Banco Rural, também deve ser investigado o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), próximo a Aécio e que, segundo Delcídio, sabia que os dados estavam sendo maquiados.

Na época da divulgação de delação de Delcídio, Aécio classificou de "falsas" e "mentirosas" as acusações.

(...)


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Nº 19.276 - Juca Kfouri foi simplesmente fantástico

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02/05/2016

 Juca Kfouri foi simplesmente fantástico

 
Fernando Peroba No Facebook
15 h ·

Juca Kfouri foi simplesmente fantástico. Sem falar de política ou de partidos. Ele expôs tudo que vai acontecer com o trabalhador brasileiro, tudo patrocinado pelos paneleiros, manifestantes e demais alienados de plantão!

PS: Se você tiver vergonha na cara e preocupação com seu futuro, veja o vídeo até o final. Lembre-se, você é trabalhador e não patrão!



-5:20

https://www.facebook.com/fernando.peroba/videos/869182476526775/

Nº 19.275 - "Xadrez de um período obscurantista que se espera breve"

 

02/05/2016 

 

Xadrez de um período obscurantista que se espera breve




Tem-se o seguinte jogo na mesa:

Peça 1 - Um presidente interino, prestes a assumir o poder, com escassa legitimidade, dentro de um caso clássico de golpe parlamentar.

Peça 2 - uma guerra política prévia que dividiu o país ao meio espalhando o ódio.

Peça 3 - um aglomerado de forças dispersas, divididas entre vários núcleos de micro poder, prestes a tomar a cidadela adversária, sem obedecer a um comando central.

Peça 4 - Os últimos episódios parlamentares, tanto a votação da Câmara quanto o contraste chocante no Senado, entre propositores do impeachment e seus críticos, entre os argumentos de Janaína Cabral e José Eduardo Cardozo. Para qualquer pessoa dotada do mínimo de discernimento, não há mais dúvidas quanto à natureza do golpe, deslegitimando ainda mais o novo bloco de poder.

Juntando as quatro peças não se tenha dúvida de que nos primeiros tempos do novo governo haverá uma verdadeira Noite de São Bartolomeu política.

Será um período de intensa repressão, de ajuste de contas, até que haja uma relativa unificação do poder de Estado e uma reação das vozes democráticas contra os abusos. Não será uma repressão centralizada, de Estado, mas uma vendetta generalizada em todos os setores onde houve disputa política e resistência ao golpe.

Será um período rico para análises de caráteres e de condutas. Os mais velhos verão muitos pontos similares com o período militar, com delações, acertos de contas, tentativas de expurgo, ações políticas contra os recalcitrantes. Muitos estranharão o comportamento de conhecidos, endossando arbitrariedades, expelindo ódio pelas ventas, contribuindo com delações, insuflando a vingança. Faz parte desses momentos excepcionais, em que a barbárie toma conta de um país e engolfa as instituições, trazendo à tona o que de pior existe na sociedade.

Nos últimos dias houve um pequeno ensaio do jogo.

·      O indiciamento do advogado Augusto Botelho, acusado de conspirar contra a Lava Jato, por ter divulgado postagens no Facebook de delegados da Lava Jato em campanha pro-Aécio. Segundo a denúncia, ele teria “conspirado” contra o Superintendente da Polícia Federal em Curitiba.
·      A juíza de Belo Horizonte que proibiu reunião do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) para manifestar discordância do processo de impeachment.
·      As sucessivas ameaças de senadores a quem pronunciasse a palavra “golpe” na reunião da comissão do impeachment.

Os próximos capítulos já estão delineados.

No Judiciário, representações contra juízes que ousaram sair em defesa da democracia. Já existem pelo menos quatro casos no Rio de Janeiro.

No Ministério Público, representações contra procuradores que se posicionaram a favor da democracia. Vários casos em Brasília.

A Lava Jato prepara duas operações simultâneas: uma contra advogados das partes; outra contra jornalistas e blogueiros críticos.

E aí, o quadro político ficará exposto a um paradoxo curioso.

As arbitrariedades generalizadas são frutos da falência ampla do regramento político e jurídico, dos instrumentos institucionais e das regras sociais que regem as sociedades civilizadas, incluindo as normas que garantem direitos individuais.

É como se o golpe rompesse os fios que unem a Presidência da República, o STF (Supremo Tribunal Federal), os tribunais superiores, ao cidadão comum, toda a edificação que garante a convivência civilizada de pensamentos opostos.

O país está, de fato, ingressando no mais virulento faroeste, regredindo aos idos dos anos 60.
Em circunstâncias normais, caberia ao provável novo presidente Michel Temer organizar o estatuto da gafieira em que se converterá o país após o golpe. Mas, como, com a parca legitimidade e as ameaças que pairam sobre ele?

Sabe-se como os golpes começam; não se sabe como terminam.

E aí Temer terá um de seus grandes dilemas. Se estimular a guerra, ou mesmo se não conseguir evita-la, terminará na fogueira, com o país envolto em uma pré-guerra civil.

Sua única saída será propor alguma forma de pacto. Mas como ser bem-sucedido se assume o poder de forma ilegítima? E quem serão os interlocutores, com a Procuradoria Geral da República buscando a todo custo a criminalização de Lula e Dilma, além de manter em suspenso os indiciamentos de Temer e Renan?

Os próximos meses exigirão um enorme exercício de boa-vontade – que, por sinal, é a matéria prima mais escassa no mercado da opinião pública. Será um período obscurantista, mas passageiro, a não ser que se aposte na volta do país à República Velha. Enquanto durar, doerá.

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domingo, 1 de maio de 2016

Nº 19.274 - Correspondentes internacionais se chocam com “audácia” golpista



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01/05/2016

 

Correspondentes internacionais se chocam com “audácia” golpista

 

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É divertido ver o novo joguinho de manipulação da imprensa brasileira, diante das denúncias crescentes vindas da mídia internacional, cada vez mais convencida de que o processo de impeachment em curso no Brasil não é democrático.

A imprensa brasileira está acostumada a manipular a opinião pública brasileira. Manipular a opinião mundial é um desafio novo para ela.

Possivelmente nossos barões da mídia não contavam com ataques tão diretos da mídia estrangeira, e ataques não apenas contra o golpe, mas também contra a cobertura do impeachment feita pela imprensa nacional.

No twitter, dois importantes correspondentes internacionais, Vincent Bevins, do Los Angeles Times e Alex Cuadros, da Bloomberg, trocaram hoje comentários sarcásticos sobre o golpe.

A conversa se iniciou com Alex Cuadros mencionando anunciadas medidas do "governo Temer" contra a corrupção: mudar o nome da Controladoria Geral da União, instituição criada por Lula. Ou seja, medidas apenas midiáticas, num esforço algo patético de melhorar a imagem do PMDB.

Vincent Bevins então rebate: "A mesma coisa vale para o atual impeachment. Como eles podem ser tão audaciosos a ponto de nem ao menos ´fingir´que é por crime de responsabilidade? "

Alex Cuadros replica, irônico: "Eles podiam fingir nem que fosse por polidez".


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É isso. A democracia brasileira virou piada, e com razão de ter virado, na boca dos correspondentes internacionais.

Os golpistas sequer simulam direito. Provavelmente terão que voltar ao cursinho de teatro da Globo...
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Nº 19.273 - "O crepúsculo deprimente de um ex-defensor da educação brasileira. Por Carlos Fernandes"

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01/05/2016

 

O crepúsculo deprimente de um ex-defensor da educação brasileira. Por Carlos Fernandes


Em Brasília, eleitores ‘desvotaram’ em Cristovam Buarque neste 1.o de Maio em Brasília


Carlos FernandesHouve um tempo em que o senador Cristovam Buarque representava uma das raras ilhas de lucidez e coerência em meio a um oceano de hipocrisia, ignorância e estupidez política.

Para ele não importava o problema secular que o país enfrentasse, a educação, e só ela, era a solução definitiva. Não é exagero falar que Cristovam dedicou uma grande parte de sua vida em defesa de uma educação pública inclusiva e de qualidade para todos. Sobretudo para os menos favorecidos.

Durante muito tempo utilizou de sua erudição para divulgar a importância do ensino público, dos profissionais da educação e das políticas governamentais para a democratização do ensino como as cotas raciais e o financiamento público para estudantes pobres em universidades particulares.

É justamente em função desse histórico invejável que Cristovam Buarque é hoje a maior decepção entre os principais traidores da jovem e inexperiente democracia brasileira.

Que víboras como Michel Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves e todos os seus asseclas acampem no pantanoso terreno de um golpe de Estado não é surpresa alguma. Mas alguém com as credenciais de CB aderir a um expediente tão avesso à democracia e à Constituição Federal é realmente desalentador.

Não é à toa que está em curso no Distrito Federal um dos movimentos mais impressionantes e conscientes de agravo a um político feito exatamente pelos eleitores que o elegeram.

A outrora referência de dignidade, Cristovam Buarque, agora é alvo de uma campanha de “desvotação”.

Nem Eduardo Cunha, um energúmeno, conseguiu tamanha desonra.

A revolta com que os cidadãos que votaram em Cristovam acreditando ser ele um porto seguro contra toda essa insanidade é gritante. É enorme a desilusão dos movimentos sociais que o ajudaram durante tanto tempo a estar no lugar de destaque que ocupa atualmente.

As evidências do descontentamento já são claras. O senador foi hostilizado recentemente numa livraria.

Entre palavras de ordem, foi obrigado a ouvir de pessoas que provavelmente nutriam grande afeto por ele o estigma de “fascista” e “golpista”.

É inegável que o Brasil de transformou numa grande dicotomia ideológica. Chega a ser deprimente constatar que CB optou por opor-se ao lado onde se encontram todos os movimentos sociais, todos os partidos políticos de esquerda, a Organização dos Estados Americanos – OEA, a Organização das Nações Unidas -ONU, toda a imprensa internacional especializada, um vencedor do Pulitzer, um Nobel da Paz e até o Papa mais socialista da história recente da Igreja Católica.

Mais deprimente ainda é constatar que o homem que defendia a educação agora é defensor de um governo ilegítimo que, ao que tudo indica, trará um crápula como José Serra para o Ministério da Educação. Na prática é impor o desastre do governo Alckmin nesse setor a todo o país.

Trocando em miúdos – para não deixar Chico Buarque fora dessa discussão em que o outro Buarque faz um papel tão abjeto – Cristovam nega, descaradamente, Darcy Ribeiro, talvez o maior educador da história desse país.

É imprevisível saber como Dilma Roussef sairá dessa monstruosidade a que está sendo submetida. Mas uma coisa é certa. Ou Cristovam Buarque retorna urgentemente às suas origens ou um dos maiores perdedores de toda essa história será exatamente ele. Depois, é claro, da democracia e de toda a população brasileira.

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Sobre o Autor
Economista com MBA na PUC-Rio, Carlos Fernandes trabalha na direção geral de uma das maiores instituições financeiras da América Latina
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Nº 19.272 - "Os problemas que esperam por Temer, por André Singer"

 

01/05/2016

 

Os problemas que esperam por Temer, por André Singer

 

Jornal GGN - André Singer, professor da USP e ex-porta-voz da Presidência da República, analisa os problemas que serão enfrentados pelo vice-presidente Michel Temer, caso assume o lugar de Dilma Rousseff. Para Singer, nada indica a existência de um plano que evite que o novo ajuste fiscal piore a recessão econômica, assim como não há garantias de que a Lava Jato não atinga o interino na Presidência, além da proximidade com Eduardo Cunha, que macula "ainda mais a imagem do homem que traiu Dilma".

Singer prevê que a escolha de Henrique Meirelles significará "cortes estruturais que irão deprimir mais a atividade econômica", que devem incidir diretamente no bolso e no direito dos trabalhadores. Por último, afirma: "A quem achou que o domingo 17 representava o fim da crise, recomenda-se reforçar o estoque de Rivotril." Leia a coluna abaixo:


Da Folha
André Singer
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Em cerca de duas semanas o Brasil terá novo governo, pois o Senado deve aprovar o afastamento de Dilma Rousseff. O vice, no entanto, assume em condições inéditas, pois o julgamento da atual presidente, em até 180 dias, acabará por ser, também, um veredito sobre a própria interinidade de Michel Temer.
A sorte pode resolver os complicados problemas postos para o líder do PMDB, mas trata-se de verdadeira, passe o trocadilho, temeridade contar com ela. E até aqui, nada indica a existência de plano razoável para evitar que novo ajuste fiscal aprofunde a recessão; que a Operação Lava Jato atinja o interino na Presidência; que a proximidade com Eduardo Cunha macule ainda mais a imagem do homem que traiu Dilma.

O senador José Serra (PSDB-SP), óbvio candidato à Presidência, apresentou-se para realizar a difícil missão de produzir rápida retomada do crescimento sem perder o apoio do "mercado". Se desse certo, Temer teria carimbado o passaporte para ficar até 2018 e o ex-governador paulista, por sua vez, repetiria a trajetória de Fernando Henrique Cardoso com o real. Ambos ganhariam.

O voo do tucano, contudo, foi abatido pelo veto do seu colega de partido,Geraldo Alckmin, e pelo medo do próprio Temer de desagradar as finanças. Ao escolher Henrique Meirelles, vinculado aos bancos, opta pela proposta de fazer cortes estruturais que irão deprimir mais a atividade econômica, em busca das chamadas "condições fiscais sustentáveis".

A guerra de classes promete esquentar, pois as tesouradas incidirão diretamente sobre o bolso e os direitos dos trabalhadores. Além disso, livre do fardo de ter que defender uma política indefensável, o PT trará o discurso classista à tona, voltando a ter o que dizer na disputa pelas prefeituras. Como ficará o ânimo popular, quando perceber que os empregos continuam a sumir?

Enquanto isso, acusações como a de que a campanha do presidente interino recebeu propina de R$ 1 milhão em 2014, segundo afirmou um dos donos da Engevix; ou de que o peemedebista indicou diretor corrupto da Petrobras; ou de que foi beneficiário de pagamento de R$ 5 milhões, conforme disse um dos sócios da OAS, continuarão no noticiário. Qualquer iniciativa de aplacar a sanha da República de Curitiba, como foi o virtual convite a um dos advogados de acusados para ocupar a pasta da Justiça, pode ter resultado bumerangue. As revelações voltarão mais fortes.

Para completar, existe a sombra do aliado Eduardo Cunha. Trata-se do clássico caso em que o executor do trabalho sujo precisa ser eliminado, pois ameaça conspurcar a reputação do mandante. A quem achou que o domingo 17 representava o fim da crise, recomenda-se reforçar o estoque de Rivotril.

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Nº 19.271 - Anhangabaú disse: vai ter luta!

 

01/05/2016

Anhangabaú disse: vai ter luta!

Quero ver o Temer rasgar a CLT!

 
Conversa Afiada - publicado 01/05/2016
 
1 de maio
O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo (Foto: Giovanni Marques/Conversa Afiada)

O Conversa Afiada está no Anhangabaú, em São Paulo, onde a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula se encontram com o povo no evento que marca as comemorações do dia 1º de maio.

Ainda hoje a cobertura completa do ato no C Af.



Nº 19.270 - "A íntegra do discurso de Dilma no 1º de Maio"



 

01/05/2016

A íntegra do discurso de Dilma no 1º de Maio

primeirodemaio

(MANTENHO O TEXTO ANTERIOR E COLOCO O VÍDEO DO DISCURSO DE DILMA)

Já se iniciou a transmissão do ato de 1º de maio mais importante do país: o do Vale do Anhangabaú.
A presença de Lula e Dilma – prevista para o início da tarde – terá,necessariamente, de balizar a estratégia de enfrentamento da fase final do golpe, a esta altura inevitável, salvo por algum inesperadíssimo fato novo, mas sobretudo sobre como produzir as linhas de resistência aos avanços que se farão contra os direitos econômicos e sociais do povo brasileiro.

Precisamos de extrema lucidez e clareza. O combate ao golpe se dará muito mais pela via da mobilização social que pela institucional, porque as instituições brasileiras estão em frangalhos.

Desculpem os sofisticados, mas na questão política é possível algum muro diplomático: na social, não.
Soou estranho que alguns líderes da esquerda tenha aceitado mostras as canjicas ao embaixador do golpe na classe operária, Paulinho da Força. Paulinho não pode ser tratado como um líder sindical: vestiu desavergonhadamente o uniforme das tropas golpistas e deve ser recebido nesta condição.

Se ele, como pretende, tornar-se ministro – do que duvido -, aí sim: um líder de movimento social não tem o direito de recusar-se ao diálogo contra um dirigente público, ainda que de legitimidade precaríssima. Por enquanto, não: Paulinho é neste momento apenas um sicário da quadrilha que assalta o poder.





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Nº 19.269 - "Dilma aumenta Bolsa Família em 9%, corrige tabela do IR em 5% e denuncia ataque à CLT"

"Esse aumento não foi decidido agora e já estava previsto no orçamento", disse a presidente.
Num duro discurso neste domingo, ela afirmou que o golpe parlamentar em curso no Brasil visa destruir a Consolidação das Leis do Trabalho.

"Querem transformar a CLT em letra morta. Sabe como vão fazer isso? Dizendo que o negociado deve prevalecer sobre a lei. Ou seja: menos do que a lei. Nós aceitamos, desde que seja mais do que a lei."
Dilma disse ainda que os golpistas pretendem tirar 36 milhões de pessoas do Bolsa Família, mas anunciou um aumento médio de 9% nos benefícios. Também lembrou que aliados do vice-presidente Michel Temer já anunciaram o fim dos reajustes dos aposentados e da política de correção do salário mínimo.

"Querem acabar com uma política que permitiu a elevação, em termos reais, de 76% do salário mínimo", afirmou. "O golpe é contra a democracia e contra os direitos dos trabalhadores".

A presidente Dilma também falou sobre a promessa do vice-presidente Michel Temer de privatizar tudo o que for possível. "A primeira vítima será o pré-sal", afirmou.

Eduardo Cunha

Dilma também citou nominalmente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e disse que ele foi o principal agente da desestabilização de seu governo. "Não aprovaram nenhuma das nossas reformas. Sabe por quê? Porque o PT se negou a dar três votos que impediriam sua cassação. Até o subscritor dessa peça do impeachment, o advogado Miguel Reale Júnior, ex-ministro do presidente Fernando Henrique, disse que se tratava de chantagem explícita e abuso de poder".

Dilma bateu duro no golpe, ao dizer que "se fazer isso com uma presidente da República, o que serão capazes de fazer com o cidadão ou a cidadã anônima".

Ela afirmou ainda que o projeto que querem impor ao Brasil não é aquele que venceu nas urnas. "Se querem isso, se coloquem sob o crivo do povo brasileiro. Chegar ao poder, sem voto, e numa eleição indireta, não! Não passarão!"
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Nº 19.268 - "Banco dos Brics: a primeira pedra que Serra vai desmanchar para os EUA"

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01/05/2016

 

Banco dos Brics: a primeira pedra que Serra vai desmanchar para os EUA

 

bricsusa

Fiquei penalizado, ontem, lendo o artigo do corretíssimo Paulo Nogueira Batista Jr. sobre os avanços do Banco dos Brics, integrado, além do Brasil, por Rússia, India, China e África do Sul. Batista é o diretor brasileiro, com mandato de dois anos e Serra, a esta altura, deve estar analisando a possibilidade de substituí-lo ou de “renunciá-lo”.

Gente do calibre de John Craig Roberts, economista, colunista do The Wall Stret Journal e ex-dirigente da Secretaria do Tesouro americano não usa meias palavras para descrever o interesse americano nisso: Washington está se movendo para colocar no poder político de um partido de direita que Washington controle, a fim de encerrar as  crescentes relações do Brasil com a China e a Rússia.

A inviabilização do Banco dos Brics é uma peça chave para a imposição da  política de “Aliança Transpacífico” dos Estados Unidos para manter seu controle sobre o comércio internacional e, acima de tudo, o poder incontrastável  do dólar no padrão monetário internacional.

Para quem não sabe, o fato de poder emitir sem gerar inflação interna – porque dois terços dos dólares circulam fora de suas fronteiras – e poder manter sua moeda sobrevalorizada – foi uma das chaves da hegemonia norte-americana desde o pós-guerra e qualquer pacto multinacional que trabalhe fora do padrão-dólar é perigoso a ele.

José Serra, portanto, fará o possível e o impossível para melar os Brics, com ou sem a prudência necessária para não criar um mal-estar. E melar a trajetória – ainda tímida – de sucesso, na nova instituição, que nogueira Batista Jr. descreve abaixo, inicialmente focada na área de energia sustentável.

Um bom começo

Paulo Nogueira Batista Jr.


O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) estabelecido pelo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) está avançando em ritmo acelerado. Queria falar um pouco hoje sobre o que conseguimos alcançar nos primeiros meses de existência da instituição. Bem sei que, em meio às convulsões que vive nosso país, será difícil conectar o interesse do leitor com tema tão específico e distante, mas vou tentar mesmo assim.

Quando cheguei a Xangai, em julho de 2015, estávamos começando praticamente do zero. Tínhamos o Convênio Constitutivo, assinado em Fortaleza um ano antes, e um andar praticamente vazio de um prédio no distrito financeiro de Pudong. Agora, em abril de 2016, apenas dez meses depois, a diretoria do NBD aprovou a primeira leva de projetos do banco.

Confesso que tive dificuldade de acreditar quando o presidente do NBD, K.V. Kamath, definiu o objetivo de aprovar os primeiros projetos já no segundo trimestre de 2016. Mas conseguimos — à custa de muito trabalho e sacrifício de uma equipe ainda pequena e do apoio que tivemos dos governos dos países fundadores. No caso do projeto brasileiro, foi fundamental a parceria com o BNDES, um dos mais experientes bancos nacionais de desenvolvimento do mundo.

Foram aprovados quatro projetos, num total de US$ 811 milhões, a maior parte no campo da energia renovável, seguindo orientação recebida dos líderes do Brics por ocasião da sua última cúpula, em julho de 2015, na Rússia.

O projeto brasileiro é um empréstimo ao BNDES, de US$ 300 milhões, que será repassado a empreendimentos privados em áreas como energia eólica e solar. O projeto chinês, denominado em yuan e equivalente a US$ 81 milhões, é na área de energia solar. O sul-africano, de US$ 180 milhões, está direcionado ao financiamento de linhas de transmissão de energia elétrica. O projeto indiano é uma linha de crédito de US$ 250 milhões ao Banco Canara, destinada a projetos nas áreas solar, eólica, geotérmica e ao financiamento de pequenas hidrelétricas. Um quinto projeto, com a Rússia, está em fase avançada de negociação.

Do lado do funding, o NBD também está fazendo progresso. Em janeiro deste ano, os sócios fundadores fizeram o primeiro aporte de capital, conforme previsto no Convênio Constitutivo. A Rússia pagou adiantado a segunda parcela do seu aporte e, assim, o NBD conta com mais capital do que o previsto, num total de US$ 1 bilhão. Estamos preparando também a primeira emissão de bônus, que deve ocorrer em meados deste ano. Será um bônus verde, emitido em yuan no mercado chinês.

Assim, o NBD, em linha com o seu mandato, está se configurando como um banco “verde” tanto do lado do ativo quanto do lado do passivo. A questão da sustentabilidade dos projetos apoiados está sendo e continuará a ser um dos focos fundamentais do NBD.

Estamos apenas começando. Há uma tarefa imensa pela frente. Temos muito que aprender. Não subestimamos jamais o tamanho do desafio que este banco foi chamado a enfrentar.

Afinal, é a primeira vez que um banco que tem a aspiração de ser uma instituição de escopo global está sendo construído exclusivamente por países emergentes, sem a participação de países avançados.

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Nº 19.267 - "Frentes preparam 1º de Maio por direitos, e indústria já pede mudanças"


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01/05/2016
 

Dia do Trabalho

Frentes preparam 1º de Maio por direitos, e indústria já pede mudanças

 

Rede Brasil Atual -  29/05/2016
A dois dias das manifestações de movimentos que consideram o impeachment um golpe, empresários pedem a Temer medidas que incluem mudanças na legislação trabalhista. Dilma e Lula estarão em SP
por Redação RBA publicado 29/04/2016 17:31, última modificação 29/04/2016 19:06
Paulo Pinto / Fotos Públicas
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Manifestação de centrais contra o projeto da terceirização. Esse é um dos itens que os empresários querem aprovar, caso o golpe seja consumado. Atos de 1º de Maio em todo o Brasil voltarão a fazer esse alerta
São Paulo – A dois dias das manifestações de 1º de Maio, quando centrais sindicais e movimentos sociais pretendem amplificar denúncias sobre o "golpe" no país contido no processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, apesar de críticas à gestão, empresários do setor industrial encaminharam ao vice-presidente Michel Temer um documento contendo o que considera "medidas fundamentais".

São 36 propostas para, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), serem implementadas "imediatamente" pelo governo depois de o país solucionar a questão política. Pelo texto, entende-se que a "solução" está na troca do governo, uma vez que as medidas foram encaminhadas a Temer. Neste domingo, Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participarão de ato no Anhangabaú, em São Paulo.

Quatro dessas medidas abordam diretamente as relações de trabalho, no que a CNI chama de segurança jurídica para o setor. O primeiro item fala em "valorizar a negociação coletiva" – os empresários, desde sempre, apoiam iniciativas que privilegiam acordos em relação à legislação. A tese do "negociado sobre o legislado" foi formulada no governo Fernando Henrique Cardoso e chegou a ser aprovada na Câmara, permaneceu travada no Senado e foi arquivado no início do governo Lula, em 2003, às vésperas do 1º de Maio. Mas existem outros projetos de lei com a mesma finalidade em tramitação no Congresso, como os PLs 4.962, deste ano, e 4.193, de 2012.

Outro pedido dos industriais é "regulamentar a terceirização". Existe um projeto nesse sentido em tramitação no Senado (PLC 30), que é combatido pelas centrais sindicais, por, segundo afirmam, abrir a possibilidade de terceirização em todos os setores e atividades.

A CNI também pede ao governo para "sustar ou alterar o texto da NR 12", a norma regulamentadora sobre segurança do trabalho em máquinas e equipamentos, que tenta evitar ou reduzir a incidência de acidentes nesse setor. Por fim, a entidade quer que acidentes ocorridos no trajeto – de casa para ou trabalho, ou vice-versa – sejam excluídos do cálculo do Fator Acidentário de Prevenção (FAP).

No documento, a confederação patronal fala em mudança de equipe ao se referir à agenda brasileira. "A saída da grave crise econômica por que passa o país exige a adoção de uma série de medidas na área fiscal e de aumento da competitividade. Não existe uma bala de prata ou uma mágica para melhorar o ambiente de negócios. É um conjunto de ações, que somadas à retomada do diálogo e à escolha de uma equipe eficiente, podem tirar o país da recessão", diz o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

"O projeto do Temer e dos empresários que financiam o golpe é extinguir ou reduzir programas sociais e direitos conquistados com muita luta, como carteira assinada", diz o presidente da CUT, Vagner Freitas. "Eles já falaram em acabar com a política de valorização do salário mínimo e fazer reforma na Previdência, como querem os patrões. E, como diz o jornal O Globo de hoje, 'privatizar tudo que for possível'."

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As entidades que compõem as frentes Brasil Popular e Povo sem Medo vão organizar atos em todo o país neste domingo. Na cidade de São Paulo, a manifestação começará às 10h, no Vale do Anhangabaú. Haverá um ato político com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve chegar por volta das 13h, e da presidenta Dilma, uma hora depois. Em seguida haverá apresentações musicais, a partir das 14h, com Beth Carvalho, Chico César, Detonautas e Martinho da Vila.

Na região do ABC paulista, por volta de 12h os metalúrgicos sairão em caminhada da Igreja Matriz de São Bernardo do Campo em direção ao Espaço de Eventos Poliesportivo, onde será realizado o ato de 1º de Maio, a partir das 10h. "O Dia do Trabalhador, neste ano, ganha um novo contorno neste momento em que as conquistas dos trabalhadores, acumuladas ao longo de muitos anos de luta, são ameaçadas pelo golpe em curso no Brasil", afirma o presidente do sindicato da categoria, Rafael Marques.

"Além do lazer que o trabalhador merece, ainda mais neste ano tão difícil, no nosso 1º de Maio também faremos a reflexão necessária sobre o momento delicado por que passa o país", acrescenta o sindicalista. "Aqueles que defendem o impeachment são os mesmos que promovem ataques constantes aos nossos direitos no Congresso, que querem a flexibilização da legislação trabalhista, a instituição da idade mínima para a aposentadoria, entre outras ameaças à classe trabalhadora." O evento no ABC terá diversos shows – Arlindo Cruz, Leci Brandão, Tico Santa Cruz, Grupo Pixote, Fundo de Quintal, Teatro Mágico, Rappin Hood e GOG –, com encerramento de Zeca Pagodinho.

Segundo os organizadores, já estão confirmadas manifestações em Alagoas (Maceió), Bahia (Salvador e outras 13 cidades), Ceará (Fortaleza e Icó), Distrito Federal (com Virada Cultural do sábado para o domingo), Espírito Santo (Vitória, a partir do sábado), Goiás (Goiânia), Maranhão (São Luís), Mato Grosso (Cuiabá), Minas Gerais (Belo Horizonte), Pará (Belém), Paraíba (João Pessoa), Paraná (Curitiba), Pernambuco (Recife), Piauí (Teresina), Rio de Janeiro (capital, na sexta e no sábado), São Paulo (capital, Bauru, Campinas, São Bernardo e São Sebastião), Santa Catarina (Florianópolis, Blumenau, Chapecó, Joinville e Laguna), Rio Grande do Norte (Natal e Mossoró), Rio Grande do Sul (Porto Alegre), Rondônia (Porto Velho), Roraima (Boa Vista) e Sergipe (Aracaju). Confira a programação no final do texto.

Outras entidades também farão atividades de 1º de Maio na Praça da Sé, região central de São Paulo, com ato público a partir das 10h30. Participam o Fórum das Pastorais Sociais da Arquidiocese de São Paulo, a CSP-Conlutas e a Intersindical. Pela manhã, a Igreja realiza tradicional na Sé a sua Missa do Trabalhador.

Já a Força Sindical organizará seu evento, como de costume, na Praça Campo de Bagatelle, zona norte da capital paulista. As atividades, que incluem shows musicais e sorteio de prêmios, ocorrerá das 9h às 15h. Presidida pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SD-SP), a Força confirma as presenças dos deputados Mendonça Filho (DEM-PE), Bruno Araújo (PSDB-PE), Carlos Sampaio (PSDB-SP), André Moura (PSC-SE), Major Olímpio (SD-SP), Darcísio Perondi (PMDB-RS), Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Rubem Bueno (PPS-PR).

Atos já confirmados

Alagoas

Cidade: Maceió
7h - Concentração no Posto 7 (Praia) caminhada até Alagoinha. Por volta das 12h, final com ato político e cultura pela democracia


Bahia

Cidade: Salvador
11h - Ato político, ecumênico e cultural em defesa da democracia, contra o golpe e por direitos, no Farol da Barra.
Outras cidades com atos confirmados: Itabuna, Eunápolis, Vitoria da Conquista, Paulo Afonso, Camaçari, Vale Jiquiriçá, Valença e Santo Antônio de Jesus, entre outras




Ceará

Cidade: Fortaleza
8h - Concentração  na Areninha do Pirambu. Logo após haverá caminhada pela Avenida Presidente Castelo Branco e encerramento com ato político no Cuca da Barra.
Cidade: Icó-CE
7h30 - Concentração no Balão de Padre Cícero

Distrito Federal
Em Brasília, as atividades começam no sábado, dia 30: a CUT realizará uma Virada Cultural (Eixo Monumental Setor Divulgação Cultural - estacionamento da Funarte - entre a Torre de TV e a Funarte) a partir das 16h do dia 30 de abril até o dia 1º de maio.

A virada terá apresentação teatral para as crianças e a partir das 19h shows com artistas da cidade. No dia 1º será realizado um ato unificado com as frentes e encerramento com uma roda de samba.




Espírito Santo

Cidade: Vitória também inicia as comemorações no dia 30, às 10h, com Feira da Agricultura Familiar e Economia Solidária no Espaço Vida Saudável. Às 19h, luau com Preta Roots e Renato Casanova.
No dia 1º, a partir das 7h, concentração e caminhada da Praça dos Namorados até o Espaço Vida Saudável. Às 10h, Feira da Agricultura Familiar e Economia Solidária, e às 11h, ato político e show com Mano Feijó, Gang Sem Frescura e Bloco Bleque



Goiás

Cidade: Goiânia também inicia no dia 30. Às 10h,  na Praça do Trabalhador. No domingo, a festa continuará com apresentações musicais e ato político.



Maranhão

Cidade: São Luis
9h, Caminhada do Trabalhador, na Praça João Lisboa



Mato Grosso

Cidade: Cuiabá
15h – dia 1º Caminhada saindo do INCRA-CPA até Praça Cultural CPA II, onde acontecerá a partir das 17 horas -  Ato Político pela Democracia com atividades Culturais



Minas Gerais

Cidade: Belo Horizonte
10h, ato em defesa da democracia e contra o golpe. Marcha da Praça Afonso Arinos até a Praça da Liberdade, onde haverá ato político-cultura e lançamento do Acampamento da Democracia.



Pará

Cidade: Belém
8h, ato cultural na Praça da República, com café da Acolhida, com participação dos movimentos sociais



Paraíba

Cidade: João Pessoa
Ato “Democrassoca” uma alusão ao bloco de carnaval Muriçocas do Miramar. Sairá da praça das Muriçocas até o busto de Tamandaré, com manifestações culturais e políticas



Paraná

Cidade: Curitiba
Nesta sexta (29), o ato lembrará um ano do massacre contra os professores da rede estadual. A concentração começa às 14h, na Praça Rui Barbosa.



Pernambuco

Cidade: Recife
Acampamento desde o dia 25 na Praça do Derby. No dia 1º, caminhada a partir das 9h pelo centro, terminando na Rua da Moeda (Recife Velho). Ato político a partir das 12h e ato cultural às 14h (junto com tradicional Festa da Lavadeira)




Piauí

Cidade: Teresina
Café da manhã com trabalhadores,  na praça Rio Branco às 9h de sábado (30), quando haverá diálogo com a população sobre democracia, direitos ameaçados



Rio de Janeiro

Cidade: Rio de Janeiro
Dia 29 – Ato da Frente Brasil Popular a partir das 18h na Lapa – Encerramento com show de Arlindo Cruz
Dia 30 – Viradão (de sábado para domingo) a partir das 20h na Lapa com a Juventude. Várias atrações culturais
Domingo, 1º de Maio da CUT, a partir das 14h na Lapa, roda de samba com diversas atrações culturais .



Rio Grande do Norte

Cidade: Natal
Dia 1º, 9h: grande ato de resistência ao Golpe, concentração na Praça das Flores, em Petrópolis. Em seguida, caminhada até a Praia do Meio, para um ato de encerramento

Cidade: Mossoró
Dia 29, 17h30: Mulheres Abraçam Dilma – Memorial da Resistência
20h – Roda de conversa sobre conjuntura e as consequências para a classe trabalhadora – Praça da Igreja Alto da Conceição.
Dia 30 – 17h30 -   roda de conversa sobre conjuntura e as consequências para a classe trabalhadora – Praça da Igreja Nossa Senhora de Fátima



Rio Grande do Sul

Cidade: Porto Alegre
10h – dia 1º - Ato junto ao Monumento do Expedicionário, no Parque da Redenção com movimentos sindical e sociais



Rondônia

Cidade: Porto Velho 
16h, ato político-cultural – Praça Madeira Mamoré 



Roraima

Cidade: Boa Vista
Dia 1º, encontro na sede da Fetraferr (Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar de Roraima) com trabalhadores rurais e rrbanos
Das 8h às 18hm, ato pela democracia



São Paulo

Cidade: São Paulo
Assembleia Popular da Classe Trabalhadora contra o Golpe, na Defesa da Democracia e Por Nossos Direitos, no Vale do Anhangabaú, a partir das 10h.

Cidade: Sâo Sebastião (Praia do Camburi)
Caminhada dos Trabalhadores às 7h, na Praça dos Namorados

Cidade: Campinas
Às 9h, Missa dos Trabalhadores – Catedral Metropolitana
A partir das 14h, ato político e cultura, na Praça de Esportes Amil Rached

Cidade: Bauru
A partir das 18h: Local: Vitória Regia – Ato político, shows e roda de samba 

Cidade: São Bernardo
A partir das 10hs – Local Espaço de Eventos Poliesportivos (Avenida Kennedy)



Santa Catarina

Cidade: Florianópolis
Dia de Luta dos Trabalhadores e Trabalhadoras, às 15h, no Largo da Alfândega

Cidade: Chapecó
Mateada dos trabalhadores contra o Golpe e em Defesa da Democracia, às 16h, em frente à Igreja Católica do Bairro Colatto

Cidade: Joinville
Encontro pela Democracia, às 9h30, no Parque da Cidade

Cidade: Laguna
Ato em Defesa da Democracia e dos nossos Direitos, às 15h, próximo da Ponte Anita Garibaldi, em Cabeçudas.

Cidade: Blumenau
Classe Trabalhadora em Defesa da Democracia, às 15h, na Praça Dr. Blumenau



Sergipe

Cidade: Aracaju
A partir das 14h, assembleia dos trabalhadores contra o golpe, na Praça da Juventude, no Conjunto Augusto Franco

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