quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Nº 22.618 - "Lula e Ciro, pelo Brasil"

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02/11/2017


Lula e Ciro, pelo Brasil


Brasil 247 - 1 de Novembro de 2017

RICARDO STUCKERT
RICARDO STUCKERT


por RAFAEL CEDRO

Este artigo de reflexão discute a hipótese de se juntar os dois principais candidatos presidenciais do campo progressista, da centro-esquerda, em uma única chapa, apontando alguns dos inúmeros argumentos para tal junção. Juntar os 36% de intenções de voto de Lula mais os 5%-10% de Ciro (ou potencialmente até mais, tendo em vista que ainda estamos a cerca de um ano das eleições), dá para selar a definição da eleição presidencial de 2018 já no primeiro turno.

Mas, por que os campos dos dois candidatos deveriam considerar seriamente isso? Primeiramente, porque assim se conseguiria viabilizar a formação efetiva de uma frente progressista, praticamente imbatível frente aos Hucks, Dórias, Alckmins, Bolsonaros e/ou outra invenção qualquer da grande mídia. Segundo, que a capacidade de oratória de Lula e de Ciro Gomes, distribuídas em andanças pelo país, têm potencial realmente de gerar uma onda de mobilização, com base em ideias de futuro, de construção e de nação.

É dentre os aspectos específicos, no entanto, que a coisa fica ainda mais interessante. Alguns dos pontos são destacados abaixo.

Argumentos para Lula se unir a Ciro:

- Ciro tem um projeto de país claro, sobre como retomar a economia, como reconstruir o desenvolvimento produtivo-industrial do país e implementar um modelo macroeconômico livre do rentismo que adoece a economia nacional;

- Tem, ainda, grande capacidade de mobilizar os universitários e a inteligência acadêmica nacional, através da discussão de ideias e de um projeto de país – projeto este, por sinal, que em inúmeros aspectos é similar às bandeiras históricas do petismo e da centro-esquerda brasileira (vide as inúmeras palestras e debates que Ciro tem participado);

- Sempre foi muito leal a Lula, mesmo quando fez/faz críticas, que são genuínas, de substância, e não por simples criticismo, e que deveriam de fato ser ouvidas. Vale lembrar que Ciro já abdicou em distintas ocasiões de candidatura própria em nome de candidaturas presidenciais petistas, e foi um dos mais importantes defensores da institucionalidade e da legitimidade dos governos do PT nas ocasiões em que a direita e a mídia tentavam desestabilizar o governo petista (2006, 2014-2016);

- Seria um vice respeitabilíssimo, com ampla experiência administrativa, tendo sido governador, prefeito de capital, Ministro da Fazenda, deputado, executivo de empresa, nunca processado por improbidade e deixou os cargos executivos que ocupou com altíssimos níveis de aprovação;

- Com Ciro como candidato a vice, na eventual hipótese de a justiça impedir Lula de se candidatar, seria bem mais fácil e imediata a transferência de votos de Lula para o "vice" da sua chapa (Ciro, que já teria consigo o porte necessário de presidenciável, que já é reconhecido, e que neste caso poderia passar a ter o petista Fernando Haddad como seu vice). Este teria, no entanto, que ser um acerto claro e prévio.

Argumentos para Ciro se unir a Lula:

- Apesar das críticas que Ciro tem a Lula, que são de substância e não por mero criticismo e sempre destacando e enaltecendo os aspectos positivos que Lula trouxe ao país, Ciro deveria se unir a Lula em nome de um bem maior: seria a chance mais robusta de resgatar o povo brasileiro das trevas que se tornou o Brasil depois de 2016 (um país entristecido, pouco respeitado, com o Estado de Direito em frangalhos, com direitos e avanços que haviam sido historicamente conquistados sendo retirados semana a semana). Este é o momento, portanto, de, deixando as divergências de lado, unir as forças políticas mais robustas que estão comprometidas com um desenvolvimento progressista, calcado na justiça social e no fortalecimento do sistema produtivo nacional, em detrimento do rentismo que tomou conta das esferas mais estratégicas de poder.

- Seria mediante um compromisso assumido por Lula de: (i) caso Lula seja eleito presidente, o vice Ciro teria papel relevante no apoio ao desenho da estratégia de desenvolvimento econômico do país (tema sobre o qual Ciro vem se debruçando aprofundadamente e conversando com o melhor da inteligência nacional, em fóruns de debate, universidades, sindicatos, etc, sempre muito ovacionado); seria muito mais que um "vice decorativo", mas um verdadeiro parceiro para a implementação de um projeto de país; Ciro poderia até mesmo – tal como o fez o então vice de Lula, José de Alencar (que foi também Ministro da Defesa) – ocupar o cargo duplo de vice-presidente e de Ministro de Estado (neste caso, o posto de Ministro da Fazenda ou Casa Civil da Presidência); (ii) caso a justiça impeça Lula, no apagar das luzes, de concorrer ainda durante as eleições de 2018, Ciro (então candidato a vice de Lula) seria então automaticamente alçado à cabeça de chapa (com um quadro como o ex-Ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Haddad, em sua vice); nesta hipótese, vencida a batalha judicial posteriormente às eleições, com sua ulterior absolvição, Lula poderia ainda no futuro até mesmo se unir ao governo na posição de Ministro das Relações Exteriores, ajudando a reconstruir o prestígio do país no cenário internacional (lembrando que será um país em reconstrução, e precisaremos dos "melhores jogadores" em campo).

Recado aos petistas: prestem atenção com carinho no projeto de país que Ciro Gomes vem propondo, o seu diagnóstico sobre os problemas econômicos e sociais do país e especialmente os seus prognósticos de como os enfrentar.

À turma do Ciro, e ao Ciro Gomes: observem que, por mais que o avanço eleitoral de Lula traga polarizações, é ainda a força política mais pujante que encarna no país o sentimento de esperança; esperança de que as políticas públicas e mudanças institucionais anti-povo que não foram chanceladas pelas urnas possam ser de fato revertidas e que o Brasil tenha um novo momento em que se possa voltar a pensar o desenvolvimento do país.

Uma união de Lula e Ciro não seria uma união de iguais. Será uma união de diferentes, mas que se somam em nome de um bem maior e comum: a sociedade brasileira. Sugiro um início de debate entre os dois grupos, deixando-se o ceticismo mútuo de lado, para se estabelecer um diálogo genuíno.

Não é isto, afinal, o que se deve esperar de uma efetiva democracia? 2018 é o ano em que todas as fichas estarão em jogo; e o ganhador ou perdedor, mais do que os partidos políticos, será o querido povo brasileiro.


RAFAEL CEDRO. Especialista em políticas públicas e gestão governamental. Integrante do programa internacional de PhD em Estudos sobre Desenvolvimento do International Institute of Social Studies na Holanda.

Nº 22.617 - "CIRO: DÓRIA É UM FARSANTE E FEZ FORTUNA COM DINHEIRO PÚBLICO"

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02/11/2017

CIRO: DÓRIA É UM FARSANTE E FEZ FORTUNA COM DINHEIRO PÚBLICO


Diz que não é político, mas foi corrido da Embratur por corrupção


Do Conversa Afiada - 02/11/2017


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Nº 22.616 - "O áudio da entrevista de Tacla Duran com Wadih e Paulo Pimenta"

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02/11/2017


O áudio da entrevista de Tacla Duran com Wadih e Paulo Pimenta


Wadih Damous e Paulo Pimenta divulgam áudio de sua entrevista com o ex-advogado da Odebrecht, Tacla Durán, que tem informações comprometedoras para a Lava Jato.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Nº 22.615 - "Caravanas de Lula: a força das mídias sociais e a resposta do povo"

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01/11/2017


Caravanas de Lula: a força das mídias sociais e a resposta do povo


Brasil 247 - 01 de Novembro de 2017

Ricardo Stuckert
Ricardo Stuckert


As caravanas que o ex-presidente Lula têm realizado Brasil afora demonstram, pelo seu sucesso, que a imensa maioria da população, mesmo bombardeada, diuturnamente, pela mais sórdida perseguição jurídico-midiática a uma liderança política, anseia pela sua volta ao comando da nação.

Ovacionado por onde passava no nordeste brasileiro, deu-se o mesmo fenômeno ao percorrer as cidades das Minas Gerais. 

Para a desgraça dos grandes barões da mídia monopolizada que de tudo fazem para jogar as caravanas na invisibilidade, a emergência das mídias sociais, deram volume e produziram noticiário em tempo real que alcançaram cifras de milhões de brasileiras e brasileiros de todos os quadrantes, que acompanhavam e interagiam em cada atividade realizada.

A cada pesquisa de opinião pública que sai independentemente da metodologia aplicada, Lula segue liderando. A forte resiliência de Lula, ao mesmo tempo que assusta as elites conservadoras, faz destilar esse oceano de ódio e preconceito que se dissemina pela população.

O elitismo não conhece o Brasil. Talvez se fosse Miami, Nova York ou Paris eles compreendessem mais.  Estamos em um país de dimensões continentais, onde a diversidade cultural é escamoteada pelos principais veículos da mídia televisiva. Eles se surpreendem quando o povo é chamado a opinar.

O mesmo fenômeno, observado nas chamadas Caravanas da Esperança será replicado nas periferias dos demais estados da federação.

O entusiasmo crescente das camadas populares com a perspectiva da volta de Lula em 2018 faz aflorar por outro lado a sanha mesquinha daqueles que, mesmo minoritários, consideram-se donatários da nação brasileira. Esses “senhores” sabem que só um novo governo com nitidez democrática e popular será capaz, pela força do povo, de barrar o desmonte do estado nacional.

 O golpe perpetrado pelos atuais inquilinos do Palácio do Planalto tem inspiração clara nas forças do império e está produzindo um caudal de insatisfações e repúdio na imensa maioria dos brasileiros. Mantem-se no poder em parte pelo intenso fisiologismo e também pela omissão do Poder Judiciário, notadamente, o Supremo Tribunal Federal.

Os endinheirados das áreas nobres, os barões do agronegócio e os privilegiados do sistema financeiro perfazem os 3% que aprovam Temer e sua trupe.

As forças do atraso movimentam-se no sentido de tentar barrar, pela via do tapetão, a candidatura de Lula. Entendem que ao abrir o diálogo sincero e franco com a população Lula tende a ampliar, em muito, suas bases de apoio.

A nitidez com que se percebe o golpe parlamentar nos dá a quase certeza que este foi urdido por forças internacionais, aliadas ao que há de mais podre na política nacional. Os golpistas impulsionados pela força do capital se encontram encastelados na Câmara e no Senado da República.  Essas forças que sustentam o governo usurpador estão promovendo a maior rapinagem da história e com isto levando de roldão conquistas históricas dos trabalhadores.

A banca internacional interessada nas riquezas brasileiras, notadamente, o petróleo do pré-sal, promove, juntamente, com os setores conservadores do aparelho de Estado uma verdadeira quebra de empresas, permitindo a entrada em nosso território dos grandes trustes multinacionais da construção pesada e da engenharia.

A rapinagem explícita não poupou nem a Amazônia, considerada o “pulmão” do mundo.  Não fosse a resistência dos amplos setores da sociedade civil organizada parte desse território teria sido alienado para grupos estrangeiros.

Aos poucos, amplos setores da população vêm percebendo o que de fato está ocorrendo: mesmo com toda a blindagem da grande mídia, as redes sociais conseguem furar o bloqueio.

Ressurge nos corações e mentes de amplas parcelas do povo brasileiro uma esperança de reverter esse estado de coisas: a liderança de Lula, ancorada em um amplo programa de restauração das conquistas sociais e em um compromisso cristalino com o desenvolvimento nacional, é a porta de saída da crise.


Avizinha-se um cenário de grandes lutas. Estejamos preparados!



ALBERTO CANTALICE   é vice-presidente do Partido dos Trabalhadores.

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Nº 22.615 - "Pré-sal: estratégia de abutres"


01/11/2017

Pré-sal: estratégia de abutres
pré desenho
No leilão das jazidas brasileiras, corporações globais adotam curiosa artimanha. Atuam à sombra da Petrobras, à espera de que esta, exaurida pelo governo, passe-lhes a parte do leão
Por Cloviomar Cararine Pereira, Eduardo Costa Pinto, Rodrigo Pimentel Ferreira Leão e William Nozaki*
A segunda e terceira rodadas de leilão das jazidas do pré-sal, realizadas na sexta-feira 27, começaram com atraso de mais de quatro horas em razão de uma liminar da 3ª Vara Federal Cível da Justiça do Amazonas que suspendeu o pregão na noite de quinta-feira 26. A ação,  uma iniciativa do Sindipetro-AM, foi fundamentada a partir de dois eixos: lesão ao patrimônio público por uma possível perda de receita tributária, e lesão contra o desenvolvimento nacional, dada a potencial perda para a indústria nacional.
A liminar, concedida por juiz federal, apontou “suposto vício de iniciativa no projeto de lei que encerrou a obrigação da Petrobras de ser a operadora única do pré-sal, passando a ter participação mínima de 30% por campo”, além de decidir pela suspensão a fim de afastar “qualquer possibilidade de ocorrência de danos ao patrimônio público”.  Na manhã da sexta-feira, a Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu reverter a suspensão. Ao comentar o evento, o atual presidente da Petrobras afirmou que a liminar concedida pela Justiça era um “ato político”. Chama a atenção esse tipo de discurso quando feito por um dos participantes do certame, que parece atuar como uma espécie de ministro de Minas e Energia invocando para si a tarefa política de questionar a Justiça e os rumos dos leilões. Tal posicionamento, uma vez mais, demonstrou como o atual executivo-chefe da Petrobras na realidade tem se posicionado muito mais como um grande articulador no processo de abertura do setor de petróleo do que como um defensor dos interesses da estatal brasileira.
Tal impressão é reforçada, em primeiro lugar, pela própria postura da Petrobras nos leilões realizados, uma vez que a empresa ingressou apenas nas áreas que já havia manifestado previamente seu interesse de exercer sua participação de operadora com no mínimo 30% dos blocos. Ou seja, um adiamento dos leilões não alteraria as chances de participação da Petrobras nas áreas desejadas.
Além disso, o indício reafirma-se quando se observa o grande interesse das empresas estrangeiras nos dois leilões do pré-sal, muito superior ao observado na 14ª rodada dos leilões ocorridos sob o Regime de Concessão. Dos oito blocos licitados (área 7.977 km²), seis blocos foram arrematados (6.786 km²), cerca de 85% em termos de área. O valor arrecadado com bônus de assinatura pelo governo foi de 6,15 bilhões de reais, abaixo do valor esperado de 7,75 bilhões caso todas as áreas fossem arrematadas (tabela 1). Destacou-se o elevado porcentual médio de 55,72% da parcela do petróleo excedente destinado à União resultante do leilão, bem acima do valor médio de 16,18% exigido pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) nas licitações. Considerando-se a média ponderada pelo volume estimado de reservas nas áreas leiloadas, esse porcentual superou a faixa dos 70%.
Tabela1 pre sal
Participaram dessas rodadas 15 empresas de dez países estrangeiros e desse total dez empresas estrangeiras de oito países compuseram os seis consórcios vencedores. A Shell (anglo-holandesa) ingressou em três consórcios vencedores. A Petrobras participou e venceu também nas três áreas nas quais fez oferta.
Esses resultados (duas áreas não arrematadas, elevado ágio do óleo excedente, especialmente dos consórcios liderados pela Petrobras, além de três áreas leiloadas onde a Petrobras não vai operar) novamente confirmam a relevância da estatal brasileira para o desenvolvimento do pré-sal. O grande apetite das empresas estrangeiras deve-se, em parte, ao fato de que nesse processo, enquanto a Petrobras absorve o risco do investimento inicial, as empresas estrangeiras incorporam retornos garantidos.
Graças ao conhecimento da Petrobras, a área do pré-sal adquiriu grande atratividade em virtude do baixo risco exploratório, dos custos de extração competitivo (< 7 US$/barril), do suficiente conhecimento geológico e da fase inicial de descobertas. Além disso, foi exatamente nas áreas em que a Petrobras participou onde verificaram-se as maiores ofertas de excedente de óleo. Por fim, as empresas estrangeiras adotaram a estratégia de fazer parcerias com a estatal brasileira (nos casos dos campos de Entorno de Sapinhoá, Alto Cabo Frio-Central e Peroba) ou atuaram em áreas que possuem proximidade com campos onde elas atuam (a Shell em Sul de Gato do Mato e a Statoil em Carcará). Logo, o ingresso das empresas no pré-sal brasileiro ocorre no “rastro” da Petrobras ou em áreas onde já detém conhecimento prévio.
Embora esses aspectos sejam centrais, cabe observar mais de perto a dinâmica de atuação da China que, por meio de diferentes empresas (Sinopec, Cnooc Petroleum e CNODC), integrou três consórcios vencedores. Sendo assim, o país asiático ingressou de modo diversificado e mais pulverizado nos leilões, na esteira da Shell e da Petrobras (as duas principais operadoras do pré-sal) e em áreas distintas.
O suposto êxito do leilão (ágio elevado e grandes volumes de recursos arrecadados por meio do bônus de assinatura) esconde, dessa forma, a subordinação da atual política de exploração e produção aos interesses estrangeiros – nesse caso, principalmente aos chineses. Em estudos anteriores, já observamos que há um roteiro estratégico das grandes empresas de petróleo e dos países interessados para tomarem suas decisões de investimento no setor.
Há uma geoestratégia em que as gigantes de petróleo se movem a partir de uma lógica próxima à militar, analisando o controle de suas reservas de petróleo e de seus territórios e também de seus competidores, dado o cenário geopolítico e os interesses nacionais existentes.
No caso da China, a crescente demanda interna por petróleo, o interesse global de se posicionar em outras regiões fora da Ásia e o acesso a novos espaços territoriais são alguns dos interesses que moveram o país a ingressar no setor de petróleo e gás (P&G) brasileiro com a intensidade mencionada anteriormente.
Além de parcerias em outros segmentos da cadeia de petróleo e gás, na exploração e produção, a China, que já possuía acordos de cooperação para fornecimento de petróleo com a Petrobras, consolidou-se como o segundo grande “parceiro” brasileiro no pré-sal. Até o mais recente leilão, a Sinopec tinha participação nos campos de Carioca e Sapinhoá (Bacia de Santos) e também tornou-se concessionária do bloco BM-C-33, na Bacia de Campos.
Segundo a ANP, em agosto de 2017, a petroleira chinesa ocupava a terceira posição entre os maiores produtores de petróleo e gás do Brasil, com uma produção de 103.407 barris equivalentes por dia. Além da Sinopec, a Cnooc e CNPC ingressaram como sócias no leilão de Libra em 2013. Somando as licitações da segunda e da terceira rodada, a China obteve um volume de reservas de óleo recuperáveis superior a 3 bilhões de barris (tabela 2).
Tabela2 pre sal
Como observado nos artigos anteriores desta série, há uma estratégia de atração do capital estrangeiro que se explicita com as mudanças regulatórias e com o aumento da apropriação da renda petrolífera pelas empresas de fora. Essa abordagem, na contramão dos interesses nacionais, desfruta de forte apoio da gestão da Petrobras, a despeito da estatal brasileira ser uma concorrente das operadoras estrangeiras.
Dado o grande potencial atrativo dos leilões do pré-sal, as mudanças regulatórias em prol do aumento da apropriação das empresas estrangeiras evidenciam que o Estado brasileiro está abrindo mão de enormes massas de recursos financeiros e produtivos gerados pelo pré-sal. Isso diminui a capacidade nacional de controle da renda do petróleo nessas áreas, na medida em que importantes fases produtivas de maior valor agregado (intensivas em renda e tecnologia) serão desenvolvidas em outros países – sem que isso gerasse grandes efeitos sobre o desempenho da segunda e terceira rodadas.
Desse modo, a inserção das empresas estrangeiras na exploração do pré-sal está muito mais relacionada à pressão por elas exercida desde a descoberta das reservas, em um cenário em que ascendeu no Brasil um governo de caráter fortemente desnacionalizante, do que com medidas institucionais e setoriais. Tais medidas têm, inclusive, como característica geral a quebra de instrumentos importantes para assegurar que a forma de exploração do pré-sal fosse controlada pelo Estado Nacional.
Os resultados do leilão expressam, portanto, duas facetas de uma mesma moeda: o sucesso do esforço tecnológico e exploratório da Petrobras e a fragilidade institucional de assegurar que os frutos desse esforço sejam usufruídos pela própria Petrobras em particular e pela sociedade brasileira em geral.
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* Cloviomar Cararine Pereira é economista e técnico do Dieese; Eduardo Costa Pinto é professor do Instituto de Economia da UFRJ; Rodrigo Pimentel Ferreira Leão é economista, foi gestor de planejamento da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros) e é pesquisador da Cátedra Celso Furtado-FESPSP; William Nozaki é professor de Ciência Política e Economia da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Todos colaboram com o Grupo de Estudos Estratégicos e Propostas (GEEP) da Federação Única dos Petroleiros (FUP), parceiro editorial de Outras Palavras
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Nº 22.614 - " Sem Lula, Ciro Gomes lidera votos no Nordeste com 21%"

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01/11/2017



Sem Lula, Ciro Gomes lidera votos no Nordeste com 21%


Do Cafezinho - 1/11/2017Escrito por , Postado em Redação


Segundo a pesquisa DataPoder 360, realizada entre os dias 26 e 29 de outubro último, num cenário eleitoral sem Lula, o líder das pesquisas seria Jair Bolsonaro. O total de brancos e indecisos na pesquisa chegaria a 25%.
A sondagem revela ainda que Ciro Gomes é o principal herdeiro dos votos lulistas. Sua posição no ranking salta para o segundo lugar, com 15%, e seria ele a disputar um eventual segundo turno com Jair Bolsonaro.
Entre alguns setores importantes do eleitorado, Ciro já é o principal candidato, ou aparece empatado com Bolsonaro.
No Nordeste (num cenário sem Lula, naturalmente), Ciro Gomes tem 21% das intenções de voto, bem à frente do segundo colocado, Jair Bolsonaro, com 18%Ciro lidera também entre eleitores com idade entre 45 e 59 anos, com 21%, contra 15% de Marina e 13% de Bolsonaro. Nessa faixa, o número de brancos, nulos e indecisos, sem Lula, estão em 46%,
Outro segmento onde Ciro lidera, mas empatado com Bolsonaro, é o feminino. Ciro tem 13% do voto feminino, o mesmo percentual de Bolsonaro.
Alckmin tem 5% entre as mulheres. Marina, 9%.

Nº 22.613 - "TEMER CONDENA BRASIL A PAPEL SECUNDÁRIO NO MUNDO, DIZ DESCOBRIDOR DO PRÉ-SAL"

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01/11/2017


TEMER CONDENA BRASIL A PAPEL SECUNDÁRIO NO MUNDO, DIZ DESCOBRIDOR DO PRÉ-SAL


Brasil 247 - 1 DE NOVEMBRO DE 2017 ÀS 09:0



Agência Brasil



“A imprensa estrangeira não se cansa de denunciar esse governo e de exibir perplexidade pela inação da sociedade brasileira em ir às ruas. É a única maneira de fazer com que esse projeto de Brasil dependente e escravo seja incinerado e todas as medidas tomadas por este governo, anuladas”, diz Guilherme Estrella, o geólogo que descobriu o pré-sal




Por Maurício Thuswohl, na Rede Brasil Atual



A entrega de blocos de exploração do pré-sal para empresas estrangeiras em consórcios sem a participação da Petrobras doeu em todos os brasileiros que enxergam o setor de petróleo e gás como instrumento primordial para garantir a soberania nacional e o desenvolvimento econômico e científico do país. Talvez mais do que qualquer outro brasileiro, uma pessoa viu no leilão realizado nesta sexta-feira (27) pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) uma razão especial para se entristecer: o geólogo Guilherme Estrella. Estrella foi diretor de Exploração e Produção da Petrobras na época da descoberta do pré-sal, ainda no governo Lula. E afirma que a realização de leilões como esse é um dos objetivos centrais do golpe que afastou Dilma Rousseff da Presidência da República.



“Este governo entrega o Brasil, destrói o nosso futuro. A entrega do pré-sal às empresas transnacionais – mas que defendem os interesses de seus países de origem – consiste numa das metas centrais do golpe de 2016. As nações hegemônicas sabem que petróleo e gás natural permanecerão a principal fonte de energia para a humanidade ao longo dos próximos 50 anos, senão além, até o final deste século 21. E a província petrolífera do pré-sal brasileiro é, muito provavelmente, a última área petrolífera de reservas de grandes dimensões do planeta. Os geólogos de petróleo de todo o mundo sabem disso”, disse Estrella em conversa exclusiva com a RBA.


Para o ex-diretor da Petrobras, a postura do atual governo em relação ao pré-sal condenará o Brasil a um papel secundário na economia global pelas próximas décadas: “Energia é soberania nacional. Para essas nações assegurarem, defenderem, preservarem suas soberanias e seu poder geopolítico mundial, não há outra saída: é o pré-sal brasileiro ou nada”, afirma o engenheiro.



Estrella lembra que o Iraque foi invadido por causa do “gigante Majnoon” – ironicamente descoberto também por brasileiros, e pela Petrobras, em 1976. “Eram 50 bilhões de barris que estavam preservados como reserva estratégica iraquiana. Bagdá conquistada, o tal do Bush, a bordo do porta-aviões nuclear Nimitz estacionado no Golfo Arábico, concluiu seu cumprimento às tropas invasoras com uma expressão que se tornou mundialmente conhecida: ‘Mission accomplished’.”



Agora, diz o especialista, Temer poderá repetir o gesto: “Essa figura sinistra que agora ocupa o Planalto se apressará em exclamar, orgulhoso, a mesma sentença, e provavelmente no mesmo idioma de seus senhores, mission accomplished. Missão cumprida. Esse governo ilegítimo e rejeitado por todos está a cumprir a missão que lhe foi imposta pelos interesses antibrasileiros que o colocaram no poder”, critica. “Só a eles obedece. E nessa trajetória infame conta com empenho diuturno, incansável da grande mídia doméstica, historicamente a eles submissa.”





Guilherme Estrella
Guilherme Estrella




Estrella: 'Se depender desse governo, Brasil acabou. Cabe a nós, povo, ir às ruas e trazê-lo de volta a nossas mãos'



“A imprensa estrangeira não se cansa de denunciar esse governo e de exibir perplexidade pela inação da sociedade brasileira em ir às ruas. É a única maneira de fazer com que esse projeto de Brasil dependente e escravo seja incinerado e todas as medidas tomadas por este governo, anuladas”


Retrocesso total



O retrocesso que a cada dia se consolida, diz o “pai do pré-sal”, não se resume ao setor de energia: “Não basta entregar as riquezas brasileiras e nosso território – solo e subsolo. O trabalhador brasileiro, como agente e protagonista de tudo o que o Brasil construiu, está em processo terminal de reescravização, perde suas garantias trabalhistas, é condenado a nunca se aposentar de maneira civilizada, a sustentar um sistema ultracapitalista, completamente desumano, explorador e excludente, comandado diretamente do exterior. Estrella observa que um lobista da multinacional Shell, com total naturalidade, transitou entre parlamentares no Congresso Nacional para “dar seu recado” – tanto em pessoa quanto por intermédio de seus representantes nativos. “De alto, médio e pequeno escalão”.



Para ele, o momento agora é de mobilização e denúncia da entrega das riquezas do país pelo governo golpista: “A imprensa estrangeira não se cansa de denunciar esse governo e de exibir sua total perplexidade pela inação da sociedade brasileira, do povo brasileiro em ir às ruas e, concretamente, parar o país, todo o país. É a única maneira de ser ouvido e fazer com que esse projeto de Brasil dependente e escravo seja incinerado e todas estas medidas tomadas por este governo sejam anuladas, na íntegra”.

Segundo o engenheiro, o não prosseguimento da denúncia contra Temer na Câmara dos Deputados deixa ainda mais “à vontade” o projeto entreguista: “Esse governo podre, mal cheiroso e corrupto é surdo, insensível e debochado às manifestações da sociedade. E, quando se sente incomodado, põe a polícia para resolver a parada. O próprio chefe de governo já disse, em público: ‘Os cães ladram e a caravana passa’. E completou, interpretando mais de 90% dos brasileiros como os cães. Se depender desse governo entreguista, o Brasil acabou. Cabe a nós, povo brasileiro, ir às ruas e trazê-lo de volta para nossas mãos”, completou.
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Nº 22.612 - "Cinco famílias controlam 50% dos principais veículos de mídia do país, indica relatório"




01/11/2017



Cinco famílias controlam 50% dos principais veículos de mídia do país, indica relatório



Da Carta Capital por José Antonio Lima — publicado 31/10/2017 16h51, última modificação 31/10/2017 16h58


Pesquisa das ONGs Repórteres Sem Fronteiras e Intervozes mostra domínio de poucos na comunicação. Em ranking de risco à pluralidade, Brasil é o último 

Bruno Bull / MOM Brasil
Ilustra
Relatório destaca a concentração econômica na mídia brasileira
Cinco famílias controlam metade dos 50 veículos de comunicação com maior audiência no Brasil. A conclusão é da pesquisa Monitoramento da Propriedade da Mídia (Media Ownership Monitor ou MOM), financiada pelo governo da Alemanha e realizada em conjunto pela ONG brasileira Intervozes e a Repórteres Sem Fronteiras(RSF), baseada na França. 
A pesquisa MOM sobre o Brasil é a 11ª versão do levantamento, realizado anteriormente em dez outros países em desenvolvimento: Camboja, Colômbia, Filipinas, Mongólia, Gana, Peru, Sérvia, Tunísia, Turquia e Ucrânia. Trata-se de um projeto global do Ministério de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha que tem como objetivo promover transparência e pluralidade na mídia ao redor do mundo.
A pesquisa acompanha um ranking de Risco à Pluralidade da Mídia, elaborado pela Repórteres Sem Fronteiras, no qual o Brasil ocupa o 11º e último lugar. Nos dez indicadores do ranking, o País apresenta risco "alto" em seis deles, como concentração de audiência e salvaguardas regulatórias. 
No caso do Brasil, o levantamento listou os 50 veículos de mídia com maior audiência e constatou que 26 deles são controlados por apenas cinco famílias. O maior é o Grupo Globo, da família Marinho, que detém nove desses 50 maiores veículos.
Além da rede Globo, líder de audiência na tevê aberta, a Globo tem presenças relevantes na tevê a cabo (com a GloboNews e outros 30 canais); no rádio, com a CBN e a Rádio Globo; e na mídia impressa, com títulos como os jornais O GloboExtra, Valor Econômico e a revista Época.
Segundo a pesquisa, o grupo Globo alcança sozinho uma audiência maior do que as audiências somadas do 2º, 3º, 4º e 5º maiores grupos brasileiros.
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Na sequência, aparecem a família Saad, dona do grupo Bandeirantes, e a família de Edir Macedo, da Record, com cinco veículos cada um, seguidas pela família Sirotsky, da RBS, com quatro veículos na lista, e a família Frias, com três veículos.
Se somados o grupo Estado, do jornal O Estado de S.Paulo; o grupo Abril, da revista Veja; e o grupo Editorial Sempre Editora, do jornal O Tempo, são oito famílias controlando 32 dos 50 maiores veículos, ou 64% da lista.
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Para a RSF e a Intervozes, cujo blog está hospedado no site de CartaCapital, esse domínio configura um oligopólio. "Nem a tecnologia digital e o crescimento da internet, nem esforços regulatórios ocasionais limitaram a formação desses oligopólios", afirmam as ONGs em relatório.
O parágrafo 5º do artigo 220 da Constituição afirma que "os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio". Este artigo, assim como outros que dizem respeito à comunicação social, nunca foram regulamentados pelo Congresso.
Essa previsão a respeito de monopólios e oligopólios se aplica apenas a veículos de rádio e televisão, que são serviços públicos e funcionam em espectro limitado, com um limite de número de emissoras que podem existir. Os veículos impressos, como prevê também a Constituição, podem ser constituídos e publicados sem licença de autoridade.
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Propriedade cruzada da mídia
O relatório destaca, no entanto, que no caso brasileiro a ausência de restrições à propriedade cruzada dos meios de comunicação, com exceção do mercado de TV paga, permite que os líderes de mercado dominem múltiplos segmentos. Assim, no cenário brasileiro grandes redes nacionais de TV aberta pertencem a grupos que também controlam emissoras de rádio, portais de internet, revistas e jornais impressos.
A propriedade cruzada é, segundo os autores da pesquisa, uma "dimensão central da concentração na mídia brasileira", sendo o principal fundamento do sistema de comunicação de massa nacional. O caso da Globo, com seu conglomerado de emissoras de rádio e tevê aberta e fechada, jornais, revistas e sites é o mais conhecido, mas se reproduz com outras famílias. 
A Record, por exemplo, tem canais importantes na tevê aberta e fechada (RecordTV e RecordNews), veículos na mídia impressa (jornal Correio do Povo) e na internet (portal R7), além de controlar a Igreja Universal do Reino de Deus, que possui a Rede Aleluia de rádio e produz o jornal gratuito de maior tiragem no Brasil, a Folha Universal
Segundo as ONGs, essas situações persistem porque o Brasil tem um marco legal ineficiente para combater a monopolização e promover a pluralidade. Além disso, dizem, nem mesmo as poucas provisões legais existentes são aplicadas de fato, pois a propriedade da mídia não é monitorada constantemente pelas autoridades competentes, que se limitam a receber e registrar as informações enviadas pelas próprias empresas.
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Nº 22.611 - "Entreguismo corrupto de Temer choca o mundo"


01/11/2017

Entreguismo corrupto de Temer choca o mundo

Do Cafezinho 31/10/2017  por , Postado em Redação
V






Nº 22.610 - "Despreparo de Bolsonaro provoca piada nas redes sociais"

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01/11/2017

Despreparo de Bolsonaro provoca piada nas redes sociais



Do Cafezinho - 01/11/2017Escrito por Miguel do Rosário, Postado em Redação




O pré-candidato Jair Bolsonaro já descobriu um jeito de não responder a qualquer questão relevante sobre um possível governo dirigido por ele.
Responderá a tudo dizendo que a responsabilidade será de sua “equipe”.
– Bolsonaro, a economia?
– Será minha equipe.
– Bolsonaro, e a defesa do país?
– Será meu ministro da defesa?
– Bolsonaro, e a saúde dos brasileiros?
– Será meu ministro da saúde que vai responder.

Nº 22.609 - "Em sua coluna na Folha, Elio Gaspari lembrou que o golpe Luciano Huck já foi tentado em 1989 com Silvio Santos e deu em Collor"

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01/11/2017

O motivo era o mesmo: o medo de Lula



Em sua coluna na Folha, Elio Gaspari lembrou que o golpe Luciano Huck já foi tentado em 1989 com Silvio Santos e deu em Collor

Diário do Centro do Mundo - por Kiko Nogueira  01/11/2017




Em sua coluna na Folha, Elio Gaspari lembrou que o golpe Luciano Huck já foi tendado em 1989 com Silvio Santos:

Como em 1989, o primeiro turno poderá ser embolado. Lula pode ser condenado na segunda instância e Bolsonaro pode bater com a cabeça no teto da era paleolítica. Como em 1989, quando o governo de José Sarney tinha uma impopularidade que se supunha inigualável (ninguém imaginava que haveria um Michel Temer), há no ar o medo de Lula e, além dele, falta um nome.

Em 1989, era preciso botar um nome na rua e apareceu o do astro Silvio Santos. A busca por candidatos de fora da política era tamanha que no tucanato pensou-se no ator Lima Duarte na chapa de Mário Covas.

Silvio Santos teve até jingle, “agora o povo está contente, o povo já tem em quem votar”, mas, impugnado, deixou a bola murchar e o andar de cima descobriu que o candidato de seu sonhos era Fernando Collor. Deu no que deu.

Em 2017, da mesma cartola de que quase saiu o homem do Baú da Felicidade tenta-se tirar o astro de TV Luciano Huck. A ideia é simples: o povo está desencantado da política, não sabe votar, e pode ir atrás de uma celebridade da telinha. Que tal Henrique Meirelles na vice?

Seria um bom tutor?

Huck parece dispor de uma superassessoria da banca e da marquetagem que, astutamente, não põe a cara na vitrine. Mencioná-los agora seria puro sensacionalismo. Querem que a televisão lhes sirva de palanque. À diferença de Silvio Santos, que era o dono da emissora, Huck sabe os riscos profissionais que corre lançando-se na corredeira de uma campanha política.

Silvio ia sair pelo PFL, mas Aureliano Chaves bateu pé. No PL, Afif Domingos também não renunciou – queria Silvio como vice. O apresentador não aceitou a proposta e passou a ser cortejado por vários partidos.

Ele se decidiu após uma reunião com Armando Corrêa, do “nanico” PMB (Partido Municipalista Brasileiro). Corrêa ofereceu a legenda e o lugar dele. Silvio aceitou a pouco mais de vinte dias para o pleito.

Silvio Santos entrou com o pedido oficial de candidatura no TSE no dia 4 de novembro. Dois dias depois, o PRN, de Collor, entrou com pedido para a extinção do partido do apresentador.

A alegação era de que o PMB não havia feito o número mínimo de convenções exigido pela legislação eleitoral. A menos de dez dias da eleição, o Ibope divulgou uma pesquisa apontando Collor na liderança, com 23%, seguido de Silvio, com 18%, e Brizola, com 14%. O TSE recebeu em seguida mais 14 pedidos contra a candidatura de SS.

No dia 9 de novembro de 1989, o TSE caçou, por unanimidade, o registro do PMB, e anulou a candidatura do apresentador. O PMB deveria comprovar as convenções em nove estados, mas fez apenas em quatro. Sílvio não recorreu da decisão.