terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Nº 23.138 - "Algumas dicas para os próximos passos da resistência"

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02/01/2018


Algumas dicas para os próximos passos da resistência


Do Cafezinho - Escrito por Miguel do Rosário, Postado em Redação


A imprensa corporativa brasileira é o núcleo do autoritarismo, do golpe e do pensamento conservador no país.

Apenas como ilustração, segue o tweet publicado há pouco pelo Valor, um dos jornais do grupo Globo:



Eleições complicam retomada no Brasil, México e Colômbia   http://www.valor.com.br/u/5242071 


“Eleições complicam retomada”… É assim que a Globo vê a democracia: como um complicador.

É lamentável que setores da esquerda ainda não tenham, depois de tudo que vivemos nas últimas décadas, antes e depois dos golpes de 1964 e 2016, se apercebido do óbvio: a democracia no país não pode mais conviver com uma imprensa assim.

Quer dizer, há uma explicação.

No Brasil, a passagem do regime autoritário para a democracia se fez através de uma estratégia massiva de cooptação da intelectualidade progressista, que não encontrou outra fonte de renda a não ser trabalhando para os mesmo grandes jornais e revistas que se consolidaram na ditadura.

É assim que todos os exilados, militantes de esquerda, intelectuais, em especial as suas franjas mais livres, mais ambiciosas, vão escrever para a imprensa conservadora.

Para se consolar da humilhação de trabalhar para o “adversário”, irão jurar, a seus amigos, correligionários e leitores, que sua liberdade nunca foi tolhida, que sempre puderam expor suas opiniões.

No fundo, eles sabem que isso não é verdade.

Como esses mesmos intelectuais formarão a massa crítica dos partidos políticos de esquerda, entende-se que as próprias legendas se encontrarão inteiramente contaminadas pela agenda neoliberal da grande imprensa.

Na mesma linha, os dirigentes mais vaidosos dos partidos de esquerda, além de seus intelectuais orgânicos mais ansiosos em interferir no debate público, se verão escravos dessas empresas herdeiras da ditadura.


A expansão das universidades públicas, na era Lula/Dilma, abrirá uma nova grande frente de trabalho para a intelectualidade progressista. Não é por outra razão que as forças golpistas, centradas no aparato repressivo, se voltam com muita agressividade contra a comunidade acadêmica, vista como um núcleo importante ao redor do qual a inteligência popular pode organizar uma resistência pacífica importante.

Lembro-me que, no auge da luta contra o impeachment, Dilma Rousseff publicou um artigo na área de assinantes, da Folha… O que não teria importância, caso ela houvesse enviado, regularmente, artigos exclusivos para outros órgãos de imprensa, incluindo os alternativos.

Não, apenas a Folha teria o privilégio de receber material exclusivo da presidente da república.

Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e hoje coordenador da pré-campanha de Lula à presidência da república, apesar de suas críticas formais ao monopólio da mídia, nunca fez uma autocrítica às estratégias de sua própria administração, que nunca empoderou os centenas, quiçá milhares, de projetos de mídia alternativa que pululam na gigantesca periferia paulistana.

O secretário de comunicação de Haddad repetia a velha fórmula de ser o “amiguinho” de jornalistas da grande imprensa conservadora, e não escondia sua hostilidade por empreendimentos da mídia independente, a quem acusava de só pensarem em “dinheiro”. Ou seja, enquanto criminalizava a pobreza da mídia alternativa, vítima de décadas de políticas de comunicação voltadas exclusivamente para as grandes empresas, a prefeitura petista despejava milhões de reais na mídia tradicional.

A mesma coisa fazem hoje os governos de Minas e Bahia. Mesmo após Michel Temer ter, publicamente, sob pressão da grande imprensa, anunciado que sua primeira medida de governo seria cortar qualquer repasse publicitário a órgãos não-alinhados ao golpe, o Partido dos Trabalhadores não foi capaz de mobilizar seus próprios governadores, para que entrassem em campo compensando as perdas da imprensa alternativa contra a perseguição descarada promovida pelo consórcio golpista formado por governo Temer e mídia corporativa.

No dia seguinte ao anúncio dessa violência cometida por Michel Temer, os governos estaduais do PT, e de outros partidos não-alinhados ao neoliberalismo, deveriam ter vindo à público para afirmar que não concordavam com isto, e que a opinião publica brasileira não poderia ficar à mercê de uma imprensa que, pela segunda vez em algumas décadas, serviu de esteio a um golpe de Estado.

O comportamento de governos estaduais e prefeituras do Partido dos Trabalhadores mostra que a legenda ainda é, por um lado, colonizada politicamente pela lógica da grande imprensa e, por outro, vítima do mesmo terror que tanto estrago fez no governo Dilma.

Desde que ainda mantenham esperanças, mesmo que tênues, de ganhar eleições, ou pior, paralisados de medo de eventuais ataques mais diretos da imprensa a suas administrações, eles continuam ancorando sua estratégia de comunicação na mídia neoliberal.

O aspecto mais covarde dessa tática é que ela é adotada apenas quando o partido está no poder. Fora do poder, Dilma, Haddad, Pimentel, esquecem o preconceito que tinham com a mídia alternativa, quando fingem desconhecê-la, e passam a frequentá-la diariamente.

O mesmo acontece durante períodos eleitorais.

Dá a impressão que esses petistas preferem ser presos, condenados a décadas de cadeia, em processos puramente midiáticos, a se rebelar contra a imprensa que os fustiga diuturnamente. É importante ressaltar que a crítica à esquerda, como ela se dá no Brasil, não é mais democrática: a imprensa conspira abertamente com órgãos judiciais para que haja prisão ilegal de dirigentes partidários e até mesmo criminalização do partido.

O terrorismo que a imprensa conseguiu infundir na mentalidade de importantes dirigentes e políticos da esquerda tradicional tem um componente quase místico – e não estou exagerando. É como se eles farejassem, por trás da imprensa comercial, toda a violência inaudita do Estado, com suas táticas escabrosas de tortura.

Admito que há razão para o medo. A imprensa comercial soube se aliar aos setores mais reacionários dos aparatos de repressão – e silenciar e intimidar os setores mais progressistas – para transformá-los em como que seus capangas reais. E a capacidade de tortura psicológica da grande imprensa brasileira hoje é muito superior a de qualquer outro momento da nossa história.

A esquerda precisa, no entanto, mobilizar suas forças – de maneira transparente, aberta, pública, e não através de esquemas envergonhados, obscuros, o que é uma herança maldita do período da clandestinidade – para fazer o bom combate da comunicação.

As forças que ainda tem são governos estaduais, prefeituras, mandatos parlamentares, centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais.

E o que eles podem fazer?

Como venho fazendo há tempos, desde os primórdios do governo Dilma, dou aqui as dicas. Uma pena que o PT prefira pagar dezenas de milhões de reais a marketeiros que, em seguida, irão se voltar contra o partido, a ouvir a opinião – gratuita – de jornalistas progressistas comprometidos com valores de justiça social, distribuição de renda e desenvolvimento nacional.

A mídia contou para os dirigentes de esquerda que os jornalistas que tem lado são “engajados” e que não seriam, portanto, jornalistas de verdade.

Essa é, evidentemente, uma falácia, até porque não há jornalismo mais engajado do que aquele praticado pela grande imprensa, embora muitas vezes ele tente se disfarçar sob uma aparência, profundamente hipócrita, absolutamente falsa, de “imparcialidade”.

A iniciativa mais importante é criar um think tank progressista, que receba suporte financeiro de forças políticas do campo popular, do Brasil e do exterior, com objetivo de liderar a luta de contrainformação necessária na resistência ao golpe. Essa é uma necessidade urgente, óbvia, que eu venho explicitando, porém, há muitos anos.

Esse think tank deve ser pluripartidário, naturalmente, e daí que os partidos de esquerda precisarão conviver com um pouco de risco.

Que risco pode ser maior, afinal, do que ficar exposto, nu e desarmado, durante tantos anos, à mídia golpista?

Um think tank não pode repetir o burocratismo dos partidos. Precisa ser ágil e combativo.

A direita brasileira tem vários think tanks importantes, além das dezenas de thinks tanks norte-americanos ou europeus já presentes no país.

O que é o Wilson Center senão um think tank imperialista que serviu para apoiar todos os movimentos golpistas dos últimos anos, a começar pelo julgamento do mensalão e culminando com a Lava Jato?

Ministros do STF, procuradores-geral da república, juízes, passaram por lá desde o início da Lava Jato, sem que a esquerda brasileira desse um pio!

Se as forças progressistas não usarem as armas que ainda possuem, para salvar o país do violento retrocesso neoliberal em curso, achando que vencerá a guerra apenas incitando sua militância desarmada para cima dos tanques de guerra da mídia corporativa e de seus capangas no judiciário, as chances de vitória serão bastante reduzidas. E se houver vitória, esta não se sustentará por muito tempo.


O Brasil precisa de uma nova narrativa. É a única maneira de resistir ao golpe, e derrotá-lo.

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Nº 23.137 - "Adesão do MTST amplia jornada de movimentos sociais em defesa de Lula"



02/01/2018

Adesão do MTST amplia jornada de movimentos sociais em defesa de Lula

Em resposta a entrevista polêmica de deputado do Psol, movimento defende que toda a esquerda deve manter-se unida na luta por direitos e em defesa da democracia




 Rede Brasil Atual - publicado 01/01/2018 16h47


Movimentos
Movimentos consideram perseguição a Lula violação do Estado de direito e defendem unidade pela democracia

o Paulo – O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) divulgou no final de 2017 nota por meio da qual defende a presença da organização nas articulações sociais e populares em defesa da democracia e do direito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputar a eleição presidencial deste ano.
A defesa do ex-presidente tem reafirmado reiteradamente que o julgamento-relâmpago em segunda instância, marcado para 24 de janeiro, é parte do processo de perseguição judicial com objetivos políticos – definido como lawfare no vocabulário jurídico internacional.
O texto do MTST vai ao encontro do vêm afirmando as principais organizações do país – como CUT, Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), União Nacional dos Estudantes (UNE), Frente Brasil Popular, Levante Popular da Juventude, entre outras – de que a operação é uma “clara tentativa” de retirar Lula da disputa.
“O MTST se coloca na luta em defesa do direito de Lula ser candidato. Trata-se de defender a democracia contra mais um passo do golpe, até porque esse julgamento tem se demonstrado profundamente antidemocrático, baseado mais em certas convicções do que em provas concretas. Por isso estaremos em Porto Alegre no dia 24 de janeiro construindo as manifestações”, afirma o movimento liderado pelo também presidenciável Guilherme Boulos.
“A antecipação do debate eleitoral de 2018 tem sido tema de inúmeras discussões no campo da esquerda. A coordenação do MTST tem debatido o convite feito pelo Psol a Guilherme Boulos, para a disputa presidencial, com serenidade e respeitando os tempos da construção coletiva”, assinala a nota. “Colocaremos nossa posição tão logo essa discussão se conclua internamente e junto com companheiros do Psol. Neste momento, porém, acreditamos que toda a esquerda deve se unir mais uma vez na luta por direitos e em defesa da democracia.”
afirmação ocorre dias depois de o deputado estadual pelo Psol do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, um dos principais expoentes da legenda em nível nacional, defender a filiação e candidatura de Boulos, mas, ao mesmo tempo, colocar em dúvida a necessidade e a possibilidade de união das esquerdas no embate eleitoral deste ano.
A mobilização pela democracia e pelo direito do ex-presidente a um julgamento imparcial e a ampla defesa começa o ano reforçada. A CUT orientou todas as entidades sindicais filiadas a convocar suas bases a participar dos atos programados em defesa de Lula antes e durante o julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) em 24 de janeiro em Porto Alegre. Estão previstas caravanas para a capital gaúcha e concentrações por todo o Brasil. O presidente da CUT, Vagner Freitas, afirmou que o processo contra Lula converteu-se em “linchamento político", como parte de um “processo político de perseguição a Lula e ao que ele representa”.
Nos primeiros dias do ano, estima-se que o manifesto "Eleição sem Lula é Fraude", com adesão de personalidades como a ex-presidenta da Argentina Cristina Kirchner, o filósofo norte-americano Noam Chomsky, o compositor Chico Buarque, os escritores Raduan Nassar e Milton Hatoum, os jornalistas Hildegard Angel e Mino Carta, o jurista Fábio Konder Comparato, o economista e ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, e inclusive Boulos, ultrapasse a marca de 100 mil assinaturas.
A Frente Brasil Popular, integrada por dezenas de entidades sociais, articula também uma campanha de arrecadação de fundos para custear despesas com a organização das manifestações. “A Frente Brasil Popular está organizando um grande encontro de solidariedade ao presidente Lula nos dias 23 e 24 de janeiro em Porto Alegre. Lá reuniremos movimentos sociais e populares, juristas, intelectuais, artistas, partidos de esquerda, e nomes internacionais em defesa da democracia e do direito de Lula ser candidato. Para garantir as condições de infraestrutura e receber as Caravanas que virão de diferentes locais do Brasil, estamos realizando uma vakinha virtual. Acesse o link e saiba como contribuir, vamos todos às ruas em defesa da democracia!”, diz a frente.
Leia aqui a íntegra da nota do MTST, que exalta também a unidade das esquerdas durante todo processo de resistência ao golpe de 2016 e contras as retiradas de direitos sociais nos últimos anos.
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Nº 23.136 - "Os dois golpes de 2018"

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02/01/2017

Os dois golpes de 2018

Brasil 247 2 de Janeiro de 2018

Lula Marques/Agência PT | Paulo Pinto/Agência PT


por MAURO SANTAYANNA


O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) anunciou o dia 24 de janeiro como data para a apresentação do resultado do julgamento dos recursos impetrados pela defesa de Lula contra a sua condenação no caso do tríplex do Guarujá. Lula foi condenado, kafkianamente, por ter supostamente "recebido" R$ 3,7 milhões na forma de um apartamento que nunca foi dele – a propriedade está em nome de um fundo gerido pela Caixa Econômica Federal – e de obras nesse apartamento. Segundo seus acusadores, seriam "recursos oriundos" de propinas da Petrobras, quando todo mundo sabe, incluídos os funcionários da empresa, que ele nunca se envolveu diretamente com a gestão da companhia.

Em qualquer lugar do planeta, ninguém poderia ser condenado por ter recebido algo que nunca foi seu.

No país arbitrário, hipócrita e surreal em que estamos vivendo, com o descarado uso político da "justiça" por grupelhos partidários de juízes de primeira instância e procuradores do Ministério Público, isso não é apenas possível, como a parte mais poderosa da mídia endossa e aplaude tal absurdo como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Apenas para efeito de comparação, a mesma "justiça" que se adianta para condenar Lula em segunda instância, no tempo recorde de seis meses, com objetivo de impedir que ele concorra à presidência da República, em uma eleição em que é franco favorito, levou 12 anos para julgar um ex-governador tucano – Eduardo Azeredo, também ex-presidente do PSDB – em primeira instância e mais dois para julgá-lo na segunda, sem confirmar sua prisão e reduzindo, no final, a sua pena.

Mas para uma imprensa que se diz isenta e afirma defender o direito e a liberdade, isso também não vem ao caso e é a coisa mais comum do mundo.

Tivessem um mínimo de pudor, aqueles que querem condenar Lula esperariam outro, entre os muitos processos que estão sendo movidos contra ele, que tivesse um mínimo de provas ou verossimilhança.

Mas isso exigiria, diante de seu constante crescimento nas pesquisas, um precioso tempo.

A mesma justiça que quer homologar a condenação de Lula em tempo recorde, nega à sua defesa o acesso a supostas provas contra ele.

Mas para certa imprensa que se diz isenta e afirma defender o direito e a liberdade, isso também não vem ao caso e é merecedor, apenas, de se fazer cara de paisagem e também a coisa mais banal do mundo.

O povo brasileiro tem o direito de escolher, sem interferência de quem quer que seja, o candidato –qualquer que seja ele – que mais lhe aprouver nas próximas eleições. E de ver subir a rampa do Palácio do Planalto aquele que tiver mais votos.

Há dois golpes em andamento para 2018.

O primeiro, já anunciado, será dado, diante do mundo inteiro, no dia 24 de janeiro: impedir – com uma condenação furada, feita com base em delação premiada e em uma armação jurídica – que o principal candidato concorra às eleições. Isso equivale a um golpe de Estado aqui como em qualquer lugar do globo. É interferir descarada e diretamente na história de um país que conta com a quinta população e o quinto maior território do planeta, como se isso aqui fosse uma República de Banana. (Ou melhor dizendo, alô, alô, sociedade civil organizada; alô, alô, defensores do Estado de Direito e da Democracia: de "bananas".)

Uma coisa leva à outra.

O segundo golpe – depois não adianta dizer que a cigana não avisou – também já está sobejamente anunciado.


Ele também é filho torto da "justiça" e tão hediondo e temerário quanto o primeiro. E equivalerá a promover, historicamente, a deliberada, assumida e desavergonhada entrega do país ao fascismo, pela "justiça" brasileira – tente-se ou não tapar o sol com a peneira, caso se confirme a decisão já claramente sinalizada por juízes, desembargadores, e até mesmo ministros da Suprema Corte. E não me venham disfarçar ou mascarar isso com especulações fantasiosas ou a edificação de improváveis e imponderáveis, oníricas, quimeras eleitorais – no dia 30 de outubro de 2018.


MAURO SANTAYANNA. Jornalista, tendo ocupado cargos de destaque nos principais órgãos de imprensa brasileiros
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Nº 23.135 - "Vídeo: Prof Belluzzo dá uma aula sobre Keynes"


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02/01/2018

Vídeo: Prof Belluzzo dá uma aula sobre Keynes


O que importa são as relações, a vida real!


Conversa Afiada - 27/12/2018



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Nº 23.134 - "Dirceu: o povo é o fio da História"


02/01/2018


Dirceu: o povo é o fio da História

Revolta! Todos a Porto Alegre!


Do Blog Conversa Afiada - 02/01/20189


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Nº 23.133 - "Entrega da Embraer é retrato do papel de polícia a que relegam os militares"

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02/01/2018


Entrega da Embraer é retrato do papel de polícia a que relegam os militares


Do Tijolaço · 02/01/2018


folhamil

POR FERNANDO BRITO

Da capa da Folha desta terça-feira, difícil não ver a metafórica associação entre a foto da intervenção policial do Exército em natal (RN) e a manchete que revela o óbvio: que a tal “fusão” – obviamente uma compra, dada a diferença de tamanho entre elas – entre a Boeing e a Embraer é a entrega de qualquer pretensão de termos tecnologia própria de defesa militar.

Igor Gielow, durante muitos anos especialista em assuntos militares da Folha, deixa claro que a empresa norte-americana mira exatamente no núcleo de capacidade tecnológica formado pelo corpo técnico da brasileira e que a aviação militar é um dos seus alvos, especialmente o cargueiro multipropósito KC-390, produto brasileiro com imensas perspectivas de mercado.

É claro que os americanos têm condições de produzir um cargueiro militar igual, mas a possibilidade de ter um modelo já desenvolvido (acaba de receber o “certificado de operação“), com dinheiro alheio,  e um imenso mercado à vista (substituir o Hércules C-130, que voa, em versões modernizadas, desde os anos 50). Mas seu interesse nisso não é de hoje e quem tiver dúvida, que leia a reportagem de Assis Valente, publicada pelo Valor em abril de 2015, muito antes desta negociação ser proposta:

Os Estados Unidos entraram com força na competição com o Brasil para a venda de seis cargueiros militares para Portugal, num pacote de dezenas de milhões de dolares. A Embraer está na briga com seu KC390, da qual uma parte é inclusive produzida em sua usina de Évora, em Portugal. (…)Ocorre que Washington ofereceu ao governo português um pacote financeiro considerado extremamente interessante, que inclui não só a venda dos seis cargueiros em condições vantajosas, fabricados pela Boeing, como a reforma dos aparelhos Hércules da Força Aérea Portuguesa que estão em má situação e mesmo a reforma de base aérea no país.

Os mercados de aviação regional (até 150 passageiros) e de jatos executivos, evidente, também interessam, mas só os tolos acham que uma empresa como a Boeing não é ponta-de-lança da política militar dos EUA.

E faz parte desta política ter as Forças Armadas de países como o Brasil serem essencialmente polícias internas, meras garantidoras da “ordem”, desprovidas de senso (e de capacidade tecnológica) de guardiães da soberania nacional.

mensagem do comandante do Exército, general Eduardo Villas-Bôas, na virada do ano, criticando o uso exagerado e repetido das tropas em missões policiais é um sinal de que isso não passa despercebido em parte importante do alto escalão das Forças Armadas.

Só isso explica que até um governo entreguista e sabujo com o que temos esteja levantando obstáculos à absorção da Embraer pela Boeing – pois é isso, afinal, do que se trata.

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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Nº 23.132 - "A narrativa golpista e os possíveis caminhos para vencê-la, por Eliara Santana e Juarez Guimarães"


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01/01/2018

A narrativa golpista e os possíveis caminhos para vencê-la

Este primeiro artigo inaugura uma série voltada para analisar o poder comunicativo que se formou em favor do golpe e de uma contrarrevolução neoliberal


Carta Capital - 27/2/2018

Reprodução - Youtube

Este primeiro artigo inaugura uma série voltada para analisar o poder comunicativo que se formou em favor do golpe e de uma contrarrevolução neoliberal e buscar caminhos para derrotá-lo.A construção vitoriosa da narrativa do golpeAntes de tudo começar, havia a elaboração de uma narrativa. Que construiu um enredo. Que projetou para a população um cenário de caos econômico, desordem, perda de qualidade de vida, volta da inflação, turbulência política, corrupção nunca antes vista. Cenário muito bem ancorado em medos que estão sempre povoando a mente do cidadão médio brasileiro (aquele que precisa trabalhar para pagar as contas e não vive de rendas, que acredita em meritocracia e acha que não é beneficiado por políticas públicas): perda do emprego, crise econômica (porque já vivemos muitas), perda do poder aquisitivo (o terror da classe média), inflação galopante, entre outros. 

Na recente história do Brasil, que mostra o afastamento de uma presidenta eleita legitimamente com 54 milhões de votos, a construção e a projeção desse cenário jamais poderiam se tornar efetivassem um instrumento vital: a grande imprensa. Não restam mais dúvidas de que o catalisador do golpe que arrancou Dilma Rousseff do poder, em 2016, foi o discurso de informação da imprensa brasileira,  capaz de construir uma narrativa competente que associou os governos petistas a uma “corrupção nunca antes vista” e projetou para a população o cenário de “uma crise econômica sem precedentes”.  

Para entender o golpe, precisamos, portanto, entender a narrativa. E precisamos, sobretudo, compreender o seu poder. A narrativa que alicerçou o golpe foi projetada e disseminada pela grande imprensa brasileira, esse grupo formado por sete famílias que dominam a comunicação no país. De que se trata? Como foi construída? Que estratégias discursivas deram a ela tamanha força, capaz de projetar para um país um cenário e dar suporte à derrubada de um governo? Quais são os seus limites? E por quais caminhos é possível vencê-la?
Um processo de construção de sentidosA narrativa é o processo de contar algo que aconteceu, e a notícia, no discurso de informação, incorpora essa narrativa ao levar as informações sobre um acontecimento a um grande número de pessoas. Portanto, entendê-la como processo, e não como ação, é essencial. A narrativa como ação implica o ato isolado de narrar. Compreendê-la como processo envolve a percepção de que há uma construção de efeitos de sentido. E é isso que se deve considerar quando nos referimos à narrativa que embasou o golpe. Considerar a narrativa como processo em que há construção de efeitos de sentidos implica também considerar que a notícia – esse suporte que conduz a narrativa e a dissemina –não é o simples reportar de fatos/acontecimentos.

Ela é um objeto discursivo engendrado pela máquina de informar que é a mídia corporativa e se reveste de elementos como representações dos atores citados, valores, encenação. A narrativa é, portanto, uma construção argumentativa, cuja função é convencer (o leitor, o espectador, o ouvinte) de algo (um ponto de vista, uma análise, um dito) a partir de um projeto de dizer de um enunciador. As narrativas nos apresentam os acontecimentos, e por meio dos acontecimentos, o mundo. Portanto, servem para organizar nossa percepção de uma realidade que não está ao nosso alcance direto, pois não somos testemunhas oculares dos fatos, nossa percepção é mediatizada, temos acesso às versões trazidas pela mídia. Elas ajudam a formar uma visão de mundo e não são relatos meramemte objetivos, posto que incorporam a emoção.  

Realidade mediadaAs sociedades contemporâneas são sociedades mediatizadas. As notícias divulgadas pela imprensa cumprem o papel de mediar nossa relação com a realidade dada. E essa notícia, tomada como objeto do discurso, se ancora numa linguagem que não é transparente, cujo funcionamento deve ser percebido para além das regras formais de uso da língua e das regras técnicas do jornalismo.Na tessitura do discurso, o sentido se materializa nos caminhos dados pelas formas do texto, ele se constrói num processo de transformação e ressignificação dos acontecimentos, por meio de qualificações, descrições e argumentações. Portanto, a narrativa jornalística, que projeta um ethos de objetividade e pretensa neutralidade, tem viés, valores, pontos de vista, representações e dissimulações das vozes presentes que, muitas vezes, se ocultam sob estratégias discursivas bem construídas.

E assim se deu com a narrativa pró-golpe que se consolida no discurso de informação da grande imprensa brasileira a partir de 2013, com duas marcações fundamentais para a produção de efeitos de sentido: as representações e os repertórios. O  ator central, de maior poder comunicativo, foi o Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, que trabalhou de modo sistemático para consolidar essa narrativa.

RepresentaçõesPersonagens de que tratam as notícias são nomeados, caracterizados e recebem predicados, mesmo que não de forma explícita, mas de forma simbólica, até mesmo na hierarquia das notícias ao longo da edição. Assim, por exemplo, as entradas em relação a Dilma Rousseff, a depender do momento discursivo, sobretudo no período da eleição de 2014, eram antecedidas e quase sempre secundadas por notícias negativas de economia (com as devidas referenciações: crise, pibinho, déficit). Portanto, reforçava-se a alusão à incompetência. Em relação a Lula, a alusão prevalente era a da corrupção, com a mesma estrutura. 

Os referentes utilizados na abordagem dos temas principais da  política (as alcunhas para determinados assuntos sempre remetendo à corrupção - Petrolão, Mensalão) e da  economia(Brasil em crise, Crise, Recessão) e para determinados atores (“petistas”, “corruptos”, “mensaleiros”) se repetiam como marcas que faziam referência a determinados grupos e/ou sujeitos e instauravam um lugar (da não corrupção, do cidadão de bem, do Brasil verde e amarelo) em oposição a outro (da corrupção, da sujeira na política). 

Os problemas econômicos no Brasil (alta de preços, menor crescimento), circunstanciais em alguma medida, deixam de ser problemas econômicos, que agregam um conjunto de sentidos,e se convertem nos marcos “Crise sem precedentes”, “Recessão”, num outro campo de sentidos que integra um sistema de valores específico. Na narrativa jornalística, o movimento de nomear e predicar,qualificando, personagens e acontecimentos, alimenta o que Bakhtin denominou de uma “ideologia cotidiana”, aquela que parte de um sistema de referência (a mídia corporativa) e se insere nas instâncias da vida cotidiana (o bar, o salão, o supermercado, as famílias).

Repertórios centrais Direcionar o olhar para que o receptor da notícia possa perceber as coisas do mundo é uma estratégia de que se utiliza o discurso de informação no processo de produção de sentido. O discurso utiliza estratégias que direcionam o olhar, delimitam os sentidos possíveis, conduzem a interpretações. Assim, a função primordial da mídia corporativa não é informar, mas antes transmitir sistemas de valores.

Nesse sentido, os dois grandes repertórios, ou temas, que sustentaram a narrativa pró-golpe foram:

1. Corrupção:sempre associada a determinado grupo, ligado à candidata à reeleição (a então presidente Dilma Rousseff), o que pode ser percebido pela marcação temporal – a corrupção é sempre mencionada em referência a determinado período histórico, levando a uma associação em termos de localização temporal. 

2. Crise econômica: como elemento que perpassa toda a produção dos conteúdos e das informações, até mesmo em chamadas e manchetes que não se referem a esse aspecto em particular. Como a crise é marcada discursivamente? Pela menção direta a problemas econômicos, pela dimensão negativa no tratamento de certos dados econômicos, pela ressignificação de termos e referentes (“pibinho”), pela descontextualização marcada (a crise não se ligava a nenhum fator externo ou contextual – era um elemento solto e sozinho no universo da notícia global).

A dimensão desses repertórios na narrativa trazida pelo Jornal Nacional foi devastadora, pois eles consolidaram a perspectiva de que o país estava assolado por corrupção, em decorrência da ação de um determinado grupo, e por uma grave crise econômica, também em função da incompetência desse mesmo grupo. Os dois temas se comunicavam em uma mesma direção de sentido pela visão de mundo neoliberal: Estado corrupto, inchado, ineficiente e gastador.

Momentos discursivos
Perceber estratégias discursivas que compõem uma narrativa requer a observação de padrões de uso da linguagem que são recorrentes e orientam o olhar. É nesse sentido que é preciso marcar os momentos discursivos, considerados como espaços histórico-temporais em que se observam, na construção do discurso de informação, características e estratégias discursivas específicas e marcadas, que alimentam e constroem padrões discursivos, compondo a narrativa pró-golpe.

 Os momentos discursivos são:

1: Jornadas de Junho 2013

2: Eleições 2014 – janeiro a outubro/Pós-eleições até votação do impeachment na Câmara (outubro/2015 a maio/2016)

3: Período de afastamento de Dilma Rousseff até votação de afastamento definitivo pelo Senado (maio a agosto/2016)

A observação das estratégias e dos padrões presentes na narrativa da mídia corporativa, considerando-se veículos representantes da grande imprensa comercial, estabeleceu a projeção de um determinado cenário econômico e político no país. Dessa forma, as construções simbólicas (presentes nas estruturas linguísticas das chamadas e reportagens econômicas), repetidas de maneira constante, consolidadas em valores simbólicos, possibilitaram a criação de identificações e a formação de um quadro negativo de percepção do real em relação a determinado contexto e a determinados atores. De um modo geral, nas notícias veiculadas pelo Jornal Nacional nesse período dividido em três momentos, percebe-se um padrão narrativo, com variações nos momentos, marcado por:

- Ênfase na dimensão negativa: Observamos o uso de palavras, expressões e termos com referenciações negativas para os sujeitos, além de uma dimensão referencial negativa para determinados temas – como economia e política, prioritariamente, com associações reiteradas a crise, tendo força o uso de termos como crise, caos, recessão, 

- Composição de uma cena enunciativa: a emoção no discurso é muito bem trabalhada para que o leitor interaja com a narrativa. Um bom recorte é o “jogral” apresentado por William Bonner e Renata, na divulgação dos áudios vazados de uma conversa entre o ex-presidente Lula e a então presidenta Dilma. Os trechos recortados não são projetados na tela nem tampouco apenas lidos: eles são interpretados. Saem da cena os locutores e entram a representação de Lula e Dilma no diálogo, com as supostas entonações pertinentes. 

- A dramatização da informação enunciada: a emoção na narrativa não deixa espaço para a contextualização histórica. E rouba a cena.

- O silenciamento como estratégia: há um projeto de dizer que utiliza o silenciamento como estratégia de produção de sentido. Esse projeto de dizer orienta a materialização do discurso (querer dizer), construindo uma estrutura de “dizer X” para “não dizer Y”. Assim se comporta o Jornal Nacional na edição que mostra o encerramento das Olimpíadas, sendo Michel Temer ainda interino. A sua ausência da cerimômia – por temer as vaias – foi discretamente citada, em poucos segundos, na voz de um jornal estrangeiro. Prevaleceu o espetáculo. Ao silenciar assuntos/temas/abordagens, a mídia reconfigura o espectro político e econômico, pois há sentidos no silêncio. O silenciamento, política editorial da mídia corporativa, como descreve Eni Orlandi, limita o percurso dos sentidos pelo leitor, pelo espectador. 

Uma marca importante para perceber como o silenciamento se torna política editorial – e não simples lapso ou ocultação – é o tempo dedicado à notícia. Em 16 de setembro de 2014, por exemplo, a ONU divulga em seu relatório que o Brasil, pela primeira vez na história, está fora do mapa da fome. Era o governo Dilma Rousseff, já em período eleitoral. O Jornal Nacional não dá chamada de abertura e dedica 38s à notícia na edição interna, antecedida por uma notícia sobre onda de violência, que recebe 1min15s. Nessa mesma edição, a notícia sobre o tempo recebe 37s. Silenciar não é apenas ocultar, é fazer calar, retirar de um acontecimento sua dimensão. Num país desde sempre assolado pela fome, é de se espantar que essa chamada não tenha entrado na abertura do jornal. 

4.Ressignificação de temas, dando origem a novos campos de sentido (petrolão – petróleo corrupção)

O discurso produz sentidos e direciona interpretações, o que se liga a um real histórico, ao contexto, às disputas de poder engendradas na sociedade. Enfim, a palavra não é neutra, e os padrões nos mostram a continuidade da narrativa, que elabora seu fio condutor para que o espectador produza sentido. Uma ideologia política, nos lembra Jean-Pierre Faye, coloca em sua origem uma narração. A marcação repetida, a ocorrência sistemática de termos e personagens, a construção cuidadosa da cena enunciativa, tudo conspira para a produção de sentidos. E tudo, na narrativa da mídia corporativa, conspirou para o sucesso do golpe.

 * Eliara Santana é doutoranda em análise do discurso PUC Minas /CAPES

 * Juarez Guimarães é professor de Ciência Política da UFMG e coordenador do Centro de Estudos Republicanos Brasileiros
 ( Cerbras).

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Nº 23.131 - " Pautas de política que a grande mídia tentou abafar em 2017"

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01/01/2017


TOP 10 - Pautas de política que a grande mídia tentou abafar em 2017


Jornal GGN - 01/01/2018

Jornal GGN - Algumas pautas de política em 2017 renderiam um "troféu abafa" para jornais da grande mídia, dado o esforço que fizeram para encobertar ou dar o mínimo de destaque possível a alguns temas que "não vêm ao caso". Sobrou à imprensa alternativa e àquela com um pézinho na gringa (como El País e BBC) a missão de explorar ou repercutir os assuntos espinhosos.
Aqui vai uma lista, sem ordem de relevância, com 10 tópicos que deram o que falar no mundo à margem da mídia comercial:
1 - O depoimento de Tacla Duran
Leitores disseram que se Rodrigo Tacla Duran se prestasse a relatar propina aos governos Dilma e Lula na CPI da JBS, a audiência com ele teria sido transmitida ao vivo na Globo News. Mas como as denúncias atingiam em cheio a indústria da delação criada pela República de Curitiba, os jornais trataram de empurrar as falas do advogado para debaixo do tapete. A cobertura foi vergonhosamente protocolar.
A acusação de Duran contra Carlos Zucolotto, amigo pessoal de Sergio Moro que foi acusado de cobrar propina para ajudar na delação, foi ignorada pelos jornais. 
Os procuradores que adoram dar pitacos sobre a vida política do País nas redes sociais não foram incomodados nenhuma vez para explicar as denúncias.
GGN e o DCM fizeram, juntos, uma série especial sobre a indústria da delação que explora as revelações de Duran. O mutirão pode ser acessado aqui.
2 - A Lavanderia Perrela
Tudo bem que Aécio Neves (PSDB) saiu chamuscado da crise envolvendo a mala de dinheiro que seu primo retirou na sede da JBS em São Paulo. Com fotos, vídeos e áudios, nenhum jornal conseguiu esconder a história.
Mas só quem teve a paciência de fuçar nos depoimentos que os envolvidos prestaram à Polícia Federal pôde descobrir que os investigadores suspeitam que empresa da família do senador Zezé Perrela teria sido usada para lavar a "propina" que Joesley Batista afirma ter pago a Aécio. Para complementar os serviços da lavanderia Perrela, um doleiro condenado por tráfico internacional de pedras preciosas teria sido acionado. Nenhum jornal quis mergulhar no assunto. O GGN abordou o caso, com base nos documentos da PF, aqui.
3 - Meirelles e a JBS
Ainda na esteira dos estragos provocados pela delação da JBS temos a blindagem oficial a Henrique Meirelles. Nem imprensa tradicional, nem Procuradoria Geral da República sob Rodrigo Janot ousaram incomodar o ministro da Fazenda, queridinho do mercado, potencial presidenciável em 2018. 
Foi como se Joesley Batista jamais tivesse explicitado que um dos motivos para ter ido ao Jaburu conversar com Michel Temer na calada da noite foi justamente pedir autorização para pressionar Meirelles a trabalhar (ou deixar que trabalhassem) em prol dos interesses da JBS.
4 - Denúncias contra FHC
Quando o assunto é FHC, o manual de redação da Reuters de 2015 - aquele do "Podemos tirar, se achar melhor" - parece ainda estar em vigor.
Doação de empreitas ao instituto que leva seu nome, propina na Petrobras na época da crise energética, delação sobre empresa do filho ter sido contratada por indicação política, caixa 2 em campanha eleitoral. Nada parece despertar o interesse das autoridades.
A última blindagem do ano ao governo do tucano - Folha teve a pachorra de criar distinção entre PT e PSDB sob o ângulo de que o primeiro partido foi o que desviou mais recursos da estatal - foi registrado neste post aqui.  
5 - Denúncias contra os tucanos paulistas
Na esteira da proteção ao tucanato estão os R$ 23 milhões desviados de obras públicas no governo Serra em São Paulo e os R$ 10 milhões para a campanha de Geraldo Alckmin.
Os casos foram divulgados sem reproduzir o alarde dos casos de corrupção que supostamente envolvem petistas. O tratamento diferenciado, inclusive, não parte apenas da imprensa. Quase não se viu procuradores alimentando os jornais com o vazamento de delações cabeludas e, no Judiciário, os processos tramitam com total discrição e até sigilo. É preciso vasculhar as colunas de política para encontrar notinhas sobre os casos.
6 - A farsa do aluguel de Lula
Longe de conseguir provar que Lula recebeu vantagem indevida da Odebrecht a partir de dinheiro desviado da Petrobras, envolvendo 8 contratos entre as partes, os procuradores de Curitiba lançaram mão da parceria que têm com a grande mídia para transformar a segunda ação penal contra o ex-presidente em Curitiba numa guerra de narrativas. Lula pagou ou não pagou o aluguel de um apartamento que pertence a Glaucos da Costamarques, primo de José Carlos Bumlai
Como a Lava Jato sustenta que Glaucos recebeu indiretamente recursos da Odebrecht para gastar no apartamento (só faltou combinar uma cronologia lógica para os supostos fatos), é importante que a tese de que Lula não pagou o aluguel seja considerada verdadeira. Afinal, se não pagou, recebeu vantagem indevida.
O problema é que Glaucos muda a versão sobre o pagamento do aluguel ao sabor da conveniência. 
E foi preciso encontrar em um documento da Receita Federal um motivo para a instabilidade nos depoimentos de Glaucos: sua família pode ter sofrido ameaças e, por isso, ele teria resolvido colaborar com a Lava Jato na condição de réu delator informal. O GGN foi o primeiro portal a levantar a hipótese, a partir da análise dos documentos da Lava Jato.
7 - A delação da JBS contra Dilma e Lula
O blog também foi o primeiro a questionar algumas lacunas na delação da JBS contra Lula e Dilma, e publicou um texto explicando porque as acusações de Joesley Batista e outros executivos contra os ex-presidente petistas não pareciam tão substanciais como os eventos colhidos contra Michel Temer e sua turma.
Meses depois, a jornalista Mônica Bergamo foi a única a enfatizar em sua coluna na Folha que as suspeitas sobre a fragilidade da delação eram reais e a história de que Lula e Dilma tinham uma conta no exterior com centenas de milhões de dólares começou a ruir.
Na hora de apresentar provas da delação, Joesley deixou transparecer que ele era a única pessoa com acesso às contas e, além disso, usou os recursos que lá existiam para comprar um apartamento em Nova York, bancar sua festa de casamento e custear outras despesas luxuosas.
8 - A delação de depoimento de Delcídio
Usada para empurrar o governo Dilma ladeira abaixo, a delação de Delcídio do Amaral contra a presidente deposta e o ex-presidente Lula também se provou uma farsa. Desde meados de 2016, este blog também vinha mostrando os sinais de que o senador cassado parecia ter criado uma fantasia para se livrar da cadeia.
Em setembro de 2017, o procurador Ivan Cláudio Marx, responsável pela ação penal contra Lula derivada da delação de Delcídio, teve de reconhecer que não existem provas de nada do que foi dito sobre a suposta participação do petista na compra do silêncio de Cerveró. A revelação passou longe de ser discutida sob os holofotes da grande mídia.
9 - Propina da Globo
Por motivos óbvios, o escândalo conhecido como Fifa Gate não é a pauta preferida do Jornal Nacional e demais produtos Globo. Alguns blogs esportivos de veículos concorrentes produziram informações sobre as acusações de Alejandro Buzarco contra a emissora, por pagamento de propina na compra dos direitos de transmissão de torneios esportivos.
GGN cobriu o caso e até comprovou que um ex-diretor da Globo, Marcelo Campos Pinto, peça fundamental na investigação, tentou esconder que era uma espécie da agente duplo com cargo na FIFA. O episódio é mais um a revelar obstáculos não apenas da mídia brasileira, mas também no Judiciário.
10 - Tráfico internacional de crianças pela Igreja Universal 
Da mesma forma, a investigação internacional sobre o suposto tráfico internacional de crianças criado a partir de Lisboa pela cúpula da Igreja Universal - envolvendo diretamente a família de Edir Macedo, dono da Record - só chegou em terras tupiniquins por meio de poucos portais que repercutiram a reportagem especial de uma TV portuguesa.

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Nº 23.130 - "Michel Temer, ‘o melhor presidente que o Paraguai já teve’, segundo a Folha"

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01/01/2018


Michel Temer, ‘o melhor presidente que o Paraguai já teve’, segundo a Folha


Blog do Esmael - 1 de Janeiro de 2018




Levantamento da Folha diz que continua crescendo a migração de empresas brasileiras para o Paraguai, apesar do trabalho quase escravo entrar em vigor desde 11 de novembro com a reforma trabalhista. Michel Temer deverá ser homenageado em Asunción como ‘melhor presidente que o Paraguai já teve’.


O presidente paraguaio Horácio Cartes, que preside rotativamente o Mercosul, estuda conceder homenagem a seu colega brasileiro.


De acordo com o jornalão paulista, edição deste domingo (31), 70% das novas empresas instaladas no Paraguai vieram do Brasil. A proporção é incrível, portanto: sete em cada dez indústrias são de brasileiros.

O golpe de Temer et caterva não estancou a fuga de empresários como certa feita previra Abílio Diniz, caso Lula vencesse a eleição de 1989.


Pelo jeito, somente a volta de Lula para garantir a industrialização do Brasil.

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Nº 23.129 - "Requião adverte: 'O judiciário não pode escolher o próximo presidente da República' "

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01/01/2018



Requião adverte: “O judiciário não pode escolher o próximo presidente da República”


Do Blog do Esmael - 1 de Janeiro de 2018  por esmael


O senador Roberto Requião (PMDB-PR), em mensagem de Ano Novo publicada nas redes sociais, advertiu que o próximo presidente República não pode ser escolhido por uma pequena parte do Ministério Público nem por alguns juízes. “Tem que ser escolhido pelo voto direito do povo brasileiro.”



“A linha de corte é assegurar democraticamente a candidatura do Lula. À margem de chicanas judiciais inaceitáveis”, disse ao pedir união nacional para renovar o Congresso Nacional e o executivo nas eleições deste ano.


O parlamentar dirigiu a mensagem em formato de manifesto ao Brasil e ao Paraná, estado pelo qual foi eleito, denunciando que a intenção do atual governo é destruir o estado social. Segundo Requião, Michel Temer garantiu sua vontade em 2017 comprando votos no Congresso Nacional. “Tudo festejado pela imprensa”, indignou-se.


No vídeo (assista abaixo), o senador convocou os brasileiros de boa-fé a irem dia 24 de janeiro a Porto Alegre, no julgamento de Lula, para garantir a democracia e eleições livres no país.




Leia a íntegra da mensagem-manifesto de Requião para 2018:



Minha mensagem é de luta, de resistência.



Se não nos juntarmos numa luta de esperança para renovar o Congresso Nacional, renovar o executivo, mudar a situação política no paraná, enfrentaremos uma guerra fratricida de consequências imprevisíveis.


É nosso dever, como homens e mulheres, comprometidos com o bem comum, derrubar as leis, os decretos e as portarias absurdas. Infames mesmo. Da usurpação do governo. Isso tudo pode ser feito mediante um referendo revogatório na primeira oportunidade.


O impeachment de Dilma foi um erro histórico, mas os que de boa-fé erraram poderão engrossar a unidade solidária dos brasileiros em defesa do estado social, da soberania nacional.


A linha de corte é assegurar democraticamente a candidatura do Lula. À margem de chicanas judiciais inaceitáveis.


Quem tem que julgar isso e decidir os caminhos do Brasil é o nosso povo, através do voto universal e direto para presidente da República.


Asseguro aos brasileiros, se escolherem acertadamente os seus líderes, sem a odiosa discriminação que as classes dominantes e elites dirigentes nutrem pelo mais popular de nossos presidentes na história, poderemos no curto prazo um plano econômico que poderá tirar o Brasil da crise de renda e de desemprego. O contrário disso será o caos.


Completamos três anos de contração e estagnação da economia. O povo não suporta mais as consequências disso na forma de desemprego e queda de renda.


Minha revolta cívica com a situação em que nos encontramos é uma revolta similar a da maioria dos brasileiros.


Essa crise já deveria ser superada, mas a obsessão do governo é implantar o neoliberalismo no Brasil até as últimas consequências, mediante redução dos gastos públicos, redução do espaço público na economia e na sociedade, ampliação do espaço do setor privado nacional e internacional (capital financeiro).


O governo, através de uma escalada de privatizações e do achatamento dos salários, não tem tempo de governar para o crescimento, para o emprego e para a renda. O nosso desafio, em 2018, é reverter esse caminho. E o caminho é uma eleição presidencial direta e o povo escolhendo seus destinos e definindo quem será o presidente da República.


O presidente não pode ser escolhido por uma pequena parte do Ministério Público nem por alguns juízes. Tem que ser escolhido pelo voto direito do povo brasileiro. Isso minha gente, se chama democracia. Até dia 24 de janeiro em Porto Alegre.




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