segunda-feira, 2 de julho de 2018

Nº 24.514 - "Perícia no sistema da Odebrecht mostra que não há pagamentos ou referências a Lula"

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02/06/2018

Perícia no sistema da Odebrecht mostra que não há pagamentos ou referências a Lula


Do GGN - SEG, 02/07/2018 - 12:23


Jornal GGN - A defesa de Lula vai entregar ao juiz Sergio Moro, nos autos da ação penal sobre o sítio de Atibaia, o resultado de uma perícia no MyWebDay, um dos sistemas que a Odebrecht usava para efetuar pagamentos de propina no exterior. Segundo Painel da Folha desta segunda (2), a perícia mostra que "não há referência ao petista nos arquivos nem informações que o vinculem a atos ilícitos relacionados à Petrobras."

No processo do sítio, Lula é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo as obras no imóvel que pertence, na verdade, aos empresário Jonas Suassuna e Fernando Bittar. As empreiteiras OAS e Odebrecht teriam feito reformas no espaço em troca de contratos com a Petrobras, dizem os procuradores de Curitiba.

Assim como ocorreu no caso triplex, a defesa de Lula tenta evidenciar que não há provas ligando os contratos entre as empreiteiras e a estatal de petróleo e dinheiro destinado ao ex-presidente.


Ao lado do MyWebDay, o sistema Drousys é o que rende mais polêmica. O ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran afirma que ele foi adulturado antes e depois da Lava Jato ter sido deflagrada, o que coloca em xeque todas as provas que os procuradores extraem dos sistemas para corroborar denúncias apresentadas a Moro.

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Nº 24.513 - "Carlos Fazio: Como Dilma e Lula no Brasil, Obrador corre risco de ser vítima do lawfare no México"

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02/06/2018

Carlos Fazio: Como Dilma e Lula no Brasil, Obrador corre risco de ser vítima do lawfare no México


Do Viomundo - 02 de julho de 2018 às 15h02


(Brasília – DF, 26/06/2018) Visita do Vice-Presidente dos Estados Unidos, Mike Pence
 em visita ao Brasil é recebido pelo presidente Michel Temer Foto: Cesar Itibere /PR


AMLO e o poder real

por Carlos Fazio, no La Jornada

Ontem, primeiro de julho, milhões de mexicanos foram votar e se não houve fraude de Estado monumental, Andrés Manuel López Obrador (AMLO) será o próximo presidente da República.

Se não ocorrer nada de extraordinário no período de transição, no próximo primeiro de dezembro AMLO deverá assumir o governo.

Mas, neste período, e mais além no médio prazo, o poder seguirá nas mãos da classe capitalista transnacional.

É previsível, também, que a partir do 2 de julho o bloco de poder (a plutonomia, Citigroup dixit), inclusive seus meios hegemônicos (Televisa e TV Azteca, de Azcárraga e Salinas Pliego, ambos multimilionários da lista Forbes) e seus operadores nas estruturas governamentais (Congresso, aparato judicial, etc.) escalarão a insurgência plutocrática buscando ampliar seus privilégios e garantir seus interesses de classe, para seguir potencializando a correlação de forças a seu favor.

Mais além do ruído das campanhas, o processo eleitoral transcorreu sob o signo da militarização e a paramilitarização de vastos espaços da geografia nacional, e de uma guerra social de extermínio (necropolítica) que elevou a violência homicida a limites nunca antes vistos no México moderno, similares às de um país em guerra (“naturalizando” na véspera das eleições o assassinato de candidatos a cargos de escolha popular).

Como recordou Gilberto López y Rivas em La Jornada, esse “conflito armado não reconhecido”, cuja finalidade é a ocupação e a recolonização integral de vastos territórios rurais e urbanos para o saque e uso de recursos geoestratégicos, mediante uma violência exponencial e de espectro completo que é a atual configuração do capitalismo; o conflito e a repressão como meio de acumulação da plutonomia.

Para isso a classe dominante fez aprovar a Lei de Segurança Interior.

E está pronta, para ratificação pelo Senado, a iniciativa de deputados de retirar o foro do presidente da República; a denominada estratégia de lawfare aplicada no Brasil contra Dilma Rousseff e Lula da Silva, que implica no uso da lei como arma para perseguir e destruir um adversário político pela via parlamentar/judicial; uma variável de golpes suaves de fabricação estadunidense poderia se voltar contra AMLO.

A respeito e mais além de seu giro rumo ao centro e o redesenho de seu programa de transição reformista-capitalista, democrático e nacional, com grandes concessões ao bloco de poder dominante, a chegada de López Obrador ao governo poderá implicar, em princípio, num “respiro” (Galeano dixit) à tendência do fim do ciclo progressista e restauração da direita neoliberal na América Latina.

O impulso de uma nova forma de Estado social, sem ruptura frontal com o Consenso de Washington, significará, não obstante, uma mudança na correlação de forças regional e terá tremendo impacto nos povos latinoamericanos.

Por isso não é nada inocente — ou simplesmente centrado no aprofundamento das políticas de mudança de regime na Venezuela e Nicarágua — o recente giro neomonroísta do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, pelo Brasil, Equador e Guatemala.

Cabe recordar o editorial inusualmente crítico do Washington Post no dia 18 de junho, que assumiu como suficientemente críveis as relações de colaboradores próximos de López Obrador com os governos de Cuba e da Venezuela, e as declarações do senador republicano John McCain, intitulando AMLO como um possível “presidente esquerdista antiamericano” e as do atual chefe de gabinete do governo Trump, general aposentado John Kelly, que afirmou que López Obrador “não seria bom para os Estados Unidos, nem para o México”.

Segundo assessores de política externa de AMLO, ante Washington seu governo colocará “a defesa profunda da soberania nacional”; revisará a cooperação policial, militar e de segurança (DEA, CIA, ICE, Pentágono, etc.), e sob a premissa de que a imigração não é um crime, incrementará a proteção dos mexicanos irregulares, como se fosse uma procuradoria diante dos tribunais dos Estados Unidos.

Também revisará os contratos petroleiros e de obras públicas.

O que sem dúvida causará fortes confrontações com a Casa Branca e a plutocracia internacional.

Como disse Ilán Semo, no México a presidência da República encerra potencialidades simbólicas insuspeitas; uma espécie de “carisma institucional”.

Não importa quem a ocupe, mesmo um inepto (como Vicente Fox), o cargo lhe transmite uma aura: é “o presidente”.

Depois da Independência, da Reforma e da Revolução Mexicana, AMLO quer passar à história como o homem da “quarta transformação”.


Mas, para isso, necessita uma mudança de regime e grandes saltos na consciência política dos setores populares; sem um povo mobilizado por trás de um projeto de mudança radical e profundo, não há carisma que seja suficiente.

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Nº 24.512 - "Depressão, denúncias na Justiça, faltas no Senado: o que está por trás do sumiço de Serra da vida pública. Por José Cássio"

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02/07/2018

Depressão, denúncias na Justiça, faltas no Senado: o que está por trás do sumiço de Serra da vida pública. Por José Cássio


Do DCM - -  2 de julho de 2018 -  Publicado por Jose Cassio 



A notícia de que José Serra reatou o casamento com a ex-mulher, Mônica, reacendeu um mistério que o cerca desde o início deste ano.

Sumido do noticiário, em função das inúmeras pendências com a Justiça, e bastante ausente no plenário (é o senador paulista com menos presença, segundo a Veja), Serra não está bem de saúde e a volta para a casa da família pode ser indício de que está precisando de cuidados especiais.

Em Brasília e entre seus correligionários do PSDB o assunto é tratado com a discrição que aquele ambiente permite.

Nas vezes em que é visto em público, Serra aparenta apatia e olhar vago. Recentemente, num encontro casual com lideranças políticas no bairro do Itaim, em São Paulo, foi apresentado a uma pessoa, não esboçou reação e esticou a mão para cumprimentar outra que estava ao lado.

Velhos companheiros tratam o caso ora na base da brincadeira – “está no bico do corvo” –, ora com certa consternação – Fernando Henrique Cardoso, 87 anos, dez mais velho, tem manifestado preocupação afirmando, em seu círculo íntimo, que “Serra está bem mais envelhecido do que eu”.

Notório hipocondríaco, Serra nunca falou claramente sobre seu estado.

Quando deixou o ministério das Relações Exteriores, em março de 2017, enviou carta a Michel Temer relatando que decidiu deixar a pasta “em razão de problemas de saúde”, mencionando dores na coluna que o impediriam de fazer viagens longas.

De fato, quatro meses antes ele havia se submetido a uma cirurgia no Hospital Sírio-Libanês.

Em janeiro de 2014, o senador foi submetido a uma cirurgia na próstata para curar um quadro de hiperplasia prostática benigna, quando há aumento do órgão.

Um ano antes, fez cateterismo. À época, os médicos colocaram no coração dele um stent, mola metálica que expande a artéria e aumenta a capacidade do fluxo sanguíneo.

As versões extra-oficias vindas de amigos nesses últimos dias apontam para um quadro de depressão profunda e continuada. Mas cenas recentes – como a do encontro casual no Itaim supracitada e, anteriormente, confusões com nomes de lugares e pessoas – podem indicar problemas mais sérios.

Seja por depressão ou algum mal neurológico não revelado, é certo que o estado de saúde de José Serra é assunto de interesse público, já que, na condição de um dos principais líderes do PSDB, suas propostas e atitudes têm impacto direto na vida de milhões de brasileiros.

Serra é autor da Lei 131/2015, que determinou o fim da participação obrigatória da Petrobras na exploração de petróleo nas camadas do pré-sal.

Também teve o seu DNA a legislação dos medicamentos genéricos e a Lei Antifumo.

Disputou e perdeu duas vezes (2002 e 2010) a presidência da República. Foi prefeito de São Paulo e governador do Estado, deputado federal Constituinte, ministro duas vezes de Fernando Henrique, nas pastas do Planejamento e da Saúde.

Serra vem tentando manter sua rotina no Senado, mas a falta de energia é notável. No mês de abril, faltou a metade % das sessões.

Retomou um pouco o ritmo em junho. Já avisou que não concorrerá a nada neste ano.

Nenhuma aparição pública, seja em eventos de pré-campanha ou locais onde há concentração de pessoas. 

O retorno à casa da família foi vendido pela imprensa velha amiga como se Serra e Mônica tivessem reatado um romance que começou em 1973 e encerrou em 2013, após 40 anos juntos.


O casal tem dois filhos, Luciano e Verônica, e dois netos.

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Nº 24.511 - "Cérbero e a Medusa"

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02/07/2018

Opinião

Cérbero e a Medusa

A realidade mostra que o cão do inferno serve o monstro da cabeleira de serpentes


Da Carta Capital  — publicado 02/07/2018 00h10, última modificação 29/06/2018 11h36





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..............................Edson Fachin pretende devorar Lula, instigado por Cármen Lúcia

por Mino Carta 

A mitologia da antiga Grécia é flor de estufa da sabedoria mais profunda e até hoje traça o caminho de quem investiga a alma humana. E direi então que, se Cármen Lúcia é a Medusa, Edson Fachin é o seu Cérbero, o cão do inferno de três cabeças.

No caso, permito-me um retoque à trama grega, pois, pelo que sei, parceria não houve entre o monstro e o animal terrificante. Agora está claro, porém,  que a dupla pode agir ao sabor de uma aliança feroz para manter Lula onde se encontra, condenado sem provas e preso contra a lei.

Cérbero, digo, o citado Fachin, nesta encenação confirma-se como subdoloso ser de muitas faces e dentes afiados. Nascido em Rondinha, Rio Grande do Sul, 5,5 mil habitantes, saiu da sua aldeia, mas esta não saiu dele. Assim emergiu a cabeça do provinciano recalcado em busca de ascensão.

Advogado de causas justas, não se sabe se por fé ou oportunismo, Fachin acabou por defender publicamente a legitimidade de ações do MST, organização que muitos encaram como subversiva. Para chegar a envergar a toga do Supremo, Fachin recorreu à recomendação de João Pedro Stedile, líder dos sem-terra. 

Recomendação importante junto à presidenta Dilma, talvez decisiva. E Fachin chegou lá. Ao assumir o papel desempenhado pelo falecido Teori Zavascki, a relatoria da Lava Jato, ele mostrou os dentes, a contar com o incentivo da Medusa.

As figuras mitológicas assumiram carne e osso para fazer o jogo dos golpistas empenhados em explorar a demência do País e vendê-lo a preço de ocasião. Enxovalham impunemente, e diria mesmo coerentemente, uma dita Alta Corte em proveito do Brasil da casa-grande e da senzala.

As razões do ódio desvairado a Lula, tão bem representado pela Medusa e seu Cérbero, merecem um estudo capaz de atingir as raízes. Não basta limitar-se ao ódio de classe e à crença, alimentada também por muitos pobres, de que presidente da República tem de ser doutor.

Não basta entender que inúmeros brasileiros graúdos enxergam no ex-presidente e no seu partido a força maligna que levaria à comunistização do Brasil ou a uma forma de chavismo verde-amarelo.

Nesta edição, José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, entrevistado por Carlos Drummond, fixa com extrema precisão os elos entre as ações que com o golpe de 2016 resultam no estado de exceção em que continuamos a precipitar.

Há uma precisa ligação, uma implacável conexão, entre a Lava Jato e o desmonte da Petrobras para entregar o nosso petróleo aos Estados Unidos e outros mais, e, enfim, com a interdição eleitoral de Lula, preso para impedir a vitória de quem representaria o entrave fatal ao entreguismo criminoso.


O golpe corresponde ao propósito da casa-grande de reconduzir o País à condição de vassalo de Tio Sam, obediente na aplicação do neoliberalismo e na divinização do mercado a favor do rentismo.



A entrevista de Gabrielli nos conduz à percepção de que por trás do golpe há um plano minuciosamente elaborado, com suporte estadunidense, como é fácil imaginar. Mais complexa a tentativa de perceber as razões de Edson Cérbero e Cármen Lúcia Medusa.



Engajam-se de caso pensado na operação anti-Lula, afinados com as vontades da casa-grande, ou participam da demência geral? Os botões me puxam pela manga, perguntam: mas que diferença há entre uma situação e outra? A demência é própria do enredo em todos os seus aspectos, de cabo a rabo. 

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Nº 24.510 - " A lógica da Lava Jato destruiu o STF"

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02/07/2018

A lógica da Lava Jato destruiu o STF

O jogo duplo do ministrário Gilmar



Do Conversa Afiada - publicado 02/07/2018

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Por sugestão de Eugênio Aragão, o Conversa Afiada tem o prazer de publicar magistral artigo de Marcelo Semer, juiz de Direito e escritor, mestre em Direito Penal pela USP e também membro e ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia.

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A lógica da Lava Jato dilacera a racionalidade do STF


A ministra Carmen Lúcia está a poucas semanas de encerrar seu mandato como presidente do Supremo Tribunal Federal e aparentemente não vai conseguir realizar o principal de seus intentos: evitar que a Corte se apequene. Uma contribuição considerável a este fracasso se deu justamente pela adesão desenfreada em busca do prestígio popular a que parte do Judiciário se entregou sem perceber o seu potencial corrosivo.

A luta por engrandecer a Justiça, em resumo, se transformou em uma corrida do cachorro em busca do próprio rabo.

Por mais serviços que tenha prestado ao erário e mesmo à autoestima dos promotores, como resgate de uma tradicional noção de impotência contra réus poderosos – e não pretendo aqui discutir o mérito de nenhum das dezenas de processos dela derivados – é a lógica da chamada Operação Lava Jato, sobretudo, que tem dividido a Corte.

A ideia de que é preciso flexibilizar a lei para que se faça justiça, de que é necessário fragilizar os mecanismos de defesa para dar correto trâmite às acusações, de que o apoio popular é essencial para a obtenção de resultados justos.

A lógica Lava Jato envolve uma transposição da atuação dos operadores do direito de guardiães da lei, nos quais devem coexistir tanto os fundamentos quanto os limites da acusação, para um arranjo que mistura coragem, arrojo e, sobretudo, obstinação para alcançar o resultado.

Se é difícil obter a prova que demonstra autoria, suplanta-se por uma que apenas a insinua; se os mecanismos da lei impedem que se constranja a defesa, uma leitura inovadora pode abrir caminhos; se o apelo popular depende do conhecimento de dados sigilosos, fundamenta-se a divulgação. Enfim, se o sucesso da operação pode não ser replicado com segurança em outros processos, crie-se uma nova lei à sua imagem e semelhança –e falo aqui das malsinadas dez medidas do MPF, que sem sucesso pretendeu fazê-lo.

Parte considerável da procedência nas ações deveu-se às chamadas colaborações premiadas, por intermédio das quais a verdade é adquirida em troca de penas mais leves, regimes mais brandos e até reembolso de valores. Tal qual uma cascata, a ideia de delação acabou por entronizar a prisão provisória como regra de um processo penal para o qual havia sido criada como hipótese de exceção.

Foi justamente para preservar a higidez e a continuidade das delações que a ideia de “prisão após julgamento de segunda instância” foi incorporada artificiosamente às decisões, como se estivesse no texto constitucional desde sempre. E não fosse ela uma fissura no horizonte que o legislador havia imposto como cláusulas pétreas, inclusive a si mesmo.

É possível prender provisoriamente a qualquer momento do processo, até mesmo antes dele começar, desde que demonstrada a necessidade cautelar, como uma espécie de garantia para a normal realização do processo ou para a aplicação de suas penas. Mas porque era necessário que réus se sentissem fortemente intimidados com a proximidade da prisão e não pudessem apostar eles mesmos em uma decisão dos tribunais superiores, operou-se uma mudança de entendimento, muito mal absorvida pelos membros da Suprema Corte.

A ética de resultados pode estar contaminando decisões processuais. O ministro Marco Aurélio, há 28 anos na Corte, afirmou recentemente que nunca viu manipulação da pauta como esta.

Os fatos podem lhe dar razão. Dependendo da decisão que se espera, julga-se um processo individual ou uma ação direta com efeitos para todos; de acordo com a sentença que se aguarda, a competência para o julgamento vagueia das turmas para o plenário ou vice-versa.

Independente do lado que se esteja, das preferências ideológicas ou visões jurídicas que se tenha, é muito difícil não constatar que o STF está perto de se transformar em um tribunal ad-hoc, daqueles que julgam de acordo com as partes, o momento político ou a pressão da mídia.

Os juízes, efetivamente, têm pensamentos diferentes e isso é parte integrante da democracia.

A independência, como dizia Eugenio Raul Zaffaroni, é uma premissa da jurisdição –existe, mesmo que não venha escrito em canto algum. E junto com o pluralismo que a Constituição também agasalha, impedem que um juiz seja punido por decisões jurisdicionais, ainda que o apelo ao controle ideológico e as tentativas de tutela do pensamento permaneçam extemporaneamente resistentes.

Mas o STF é um desaguadouro natural destas diferenças. Aos poucos, elas vão sendo corporificadas em jurisprudências que, diante da construção eminentemente coletiva, do amadurecimento judicial, costumam angariar respeito.

Assim foi o STF quando firmou em 2009 que, diante da interpretação que, em outros processos e temas correlatos já vinham fazendo os ministros, que não podia haver, como é expresso o texto constitucional, tratamento ao réu como culpado, antes de sua condenação definitiva – exceto quando presentes as exigências cautelares. Com base nesta interpretação, fruto de um amadurecimento gradual nos vinte anos de aplicação da Constituição, a própria lei foi alterada, aprovando projeto encaminhado ainda em 2001, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, que congregava o pensamento consolidado dos doutrinadores de processo constitucional.

Foi assim que se mudou o artigo 283 do Código de Processo Penal que vincula a prisão provisória à condenação definitiva, quando não presentes outros fundamentos.

Mas justamente a pressão política, jurídica e midiática da Lava Jato fez com que o STF decidisse, de afogadilho, alterar seu próprio e refletido entendimento: porque isso, enfim, poderia obstar futuras delações –o que foi defendido expressamente pelo ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot. Nessa época, Gilmar Mendes era o ponto de contato com o STF nesse campo – e foi ele justamente quem mudou de opinião.

Foi tanto de afogadilho a mudança que o STF nem se preocupou em dizer, enfim, se o artigo 283, do Código de Processo Penal – e outro de mesmo teor da Lei das Execuções Penais – estavam ainda valendo. E até hoje não se conseguiu saber porque o tema nunca é pautado.

O resto da história é mais ou menos conhecido. Com a deposição de Dilma Rousseff, Gilmar Mendes voltou ao garantismo que havia marcado seus votos (e algumas das principais decisões do plenário do STF) e teve que se desdizer até em certos processos em andamento, como foi na apreciação da perda de mandato da chapa vencedora no TSE, quando isto significaria não mais a deposição da presidenta, como supunha até então, mas agora de seu vice.

A partir desta decisão, Gilmar incorporou, sem pudores e até com coragem, que isso fique consignado, o figurino de inimigo do povo, reassumindo, de uma forma um pouco inusitada, a função contramajoritária que é da essência do papel do juiz criminal. O julgamento ad-hoc, o controle da pauta, a estratégia de alteração de competência, o apelo ao sentimento popular. A ética de resultados é a convidada indesejada na agenda de um tribunal que jamais pode se apequenar.

Mas a verdade é que o se pode chamar de lógica Lava Jato dilacerou a racionalidade do STF. E ainda vai demorar um pouco para juntar os cacos.

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Nº 24.509 - "FHC e o conceito de radicalidade em consignação, por Luis Nassif"

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02/07/2018

FHC e o conceito de radicalidade em consignação, por Luis Nassif


Do Jornal GGN - SEG, 02/07/2018 - 08:08 ATUALIZADO EM 02/07/2018 - 09:00


O artigo de Fernando Henrique Cardoso no Estadão, “Sejamos radicais” é bastante revelador. 
Especialmente no trecho em que ele brada:

“O medo da violência reinante e a perda de oportunidades econômicas tornam o eleitorado suscetível às pregações de “mais ordem”. Empunhemos essa consigna, mas sem substituir a lei pelo arbítrio”.

“Consigna” vem do verbo “consignar”, que significa "pegar algo em consignação, ou seja, "sem compromisso" de que irá comprar, podendo devolver após tempo determinado”.


O artigo visa aglutinar o que FHC denomina de candidatura de centro, para combater a selvageria representada por Bolsonaro.

No Twitter, o grande campeão branco Geraldo Alckmin atende ao chamado de seu líder, e pega em consignação propostas de Bolsonaro. Diz que é preciso combater o tráfico de armas e, ao mesmo tempo, autorizar os fazendeiros a se armarem no campo, em um caso clássico de excesso de desinformação. Trata-se daquele que é considerado a alternativa racional da direita.
Voltemos ao artigo de FHC e ao malabarismo fantástico para pegar as propostas de Bolsonaro em consignação e revesti-las de terno e gravata,

Abre assim o artigo:

“O Brasil exige: sejamos radicais. Mas dentro da lei: que a Justiça puna os corruptos (N.do A.: deles), sem que o linchamento midiático (N. do A.:dos nossos) destrua reputações antes das provas serem avaliadas. Não sejamos indiferentes ao grito de “ordem!”

Ele não vem só da “direita” política, nem é coisa da classe média assustada: vem do povo e de todo mundo (sic!). Queremos punição dos corruptos e ordem para todos, entretanto, dentro da lei e da democracia.”.

Vai além:

“O País foi longe demais ao não coibir o que está fora da lei, o contrabando, o narcotráfico, a violência urbana e rural, a corrupção público-privada. Devemos refrear isso mantendo a democracia e as liberdades antes que algum demagogo, fardado ou disfarçado de civil, venha a fazê-lo com ímpetos autoritários”.

O artigo contem uma sucessão de lugares-comuns que não ficam devendo em nada ao soberano máximo Luís Roberto Barroso.

Qualquer análise de estilo constatará que não foi FHC que o escreveu. FHC é fraco de propostas, mas tem um estilo escorreito, incapaz de empunhar uma consigna, seja lá o que isso signifique.

A marca dos grandes estadistas sempre foi a facilidade em identificar as propostas básicas e saber explica-las. Vale para Roosevelt e para Reagan, para Felipe Gonzales e para Margareth Thatcher. Valia para Mário Covas e Franco Montoro, nos tempos em que o PSDB tinha um mínimo de consistência programática.

FHC inaugurou a era do lero-lero. É um ping-pong fenomenal entre o consignado e o politicamente correto, uma balbúrdia que, se fosse uma bússola, deixaria o seguidor perdido no meio do Sahara atrás de água:

PING - Só com soldados armados se enfrentam os bandidos, eles também com fuzis na mão. 

PONG - Se não há mais espaço para a pregação e a condescendência, tampouco queremos, entretanto, que a arbitrariedade policial prevaleça. 

Em qualquer país civilizado, o crime organizado é combatido pela Polícia. FHC jamais ousaria uma afirmação dessas em um dos seminários do Instituto Fernando Henrique Cardoso, Para fora, vale qualquer demagogia.

PING: A Constituição preserva, e isso deve ser mantido, tanto a intangibilidade e os limites sociais da propriedade privada como os direitos humanos fundamentais. 

PONG - Mas ela não abriga atos de violência nem de desordem continuada.

PING - Entende-se a motivação dos sem-teto, como também a dos sem-terra.

PONG - Há que dar um basta a tanta desordem. Façamo-lo com a Constituição nas mãos, antes que outros o façam, em nome da ordem, mas sem lei.

O que dá gás às invasões é a falta de políticas públicas que assegurem o cumprimento da Constituição, desapropriando propriedades improdutivas, com passivos fiscais e ambientais.

***

PING - Que os governos se unam à iniciativa privada se for necessário e lhe cedam o passo quando for mais racional para assegurar o atendimento às necessidades do povo.

PONG - Um programa simples como esse requer autoridade moral dos que vierem a nos comandar. (...)  Só assim levaremos adiante as reformas, incluída a da Constituição, sem que os poderosos se tornem suspeitos de estar a serviço das oligarquias políticas, econômicas e corporativas.

Em qualquer nação civilizada, a maneira de fiscalizar a prestação de serviços públicos, seja pelo Estado ou pelo privado, é através de conselhos de cidadãos. Para FHC, basta a autoridade moral. Quem é o demiurgo capaz de privatizar ou terceirizar serviços públicos sem despertar suspeitas de jogadas? FHC?

***

PING - O medo da violência reinante e a perda de oportunidades econômicas tornam o eleitorado suscetível às pregações de “mais ordem”.

PONG - Empunhemos essa consigna, mas sem substituir a lei pelo arbítrio. Ordem na lei e com bases morais sólidas.

Enquanto o grupo que FHC teima em chamar de centro se afoga na ausência de um discurso consistente de seu guru máximo, a política se move no Instagram. E o político que o PT colocou como vice-presidente decorativo e que FHC entronizou como presidente de fato, mostra o nível da política atual.

No perfil oficial do Planalto, os gênios da comunicação do governo Temer colocam uma montagem do Palácio do Planalto, atrás, uma bola imensa e um texto estranho:

“CÉU ESTRELADO

Não é conversa de outro planeta, os números mostram a melhora do País nos últimos anos. Consertamos uma economia e, de quebra (PS: e de quebra!) liberamos os FGTS, prestamos muitas das suas prestações às suas despesas. Estamos buscando alternativas para o povo brasileiro crescer e viver melhor”.

Ao lado, os comentários provavelmente semelhantes aos que serão motivados pela  tal “autoridade moral” apregoada por FHC.

jolusadasiMentirosos, Golpistas, Safados, você ainda vai pagar por tudo isso !!!

realmauriciofrancaMelhor quem pra quem cara pálida?

prof.erivelton#temergolpista

lanysbergEm outro planeta MESMO !!!

victor.reisMelhorando ????????? Estou quase correndo há quase 3 anos, o mercado de trabalho esta merda, uma perspectiva existe a melhoria, a vida ta PASSANDO e vcs dizem que o país está crescendo ?????? Melhorando pra quem ?????? Governo mais sem.vergonha que ja existiu !!!!!!! Obs .: amanha entro de novo p é exibida no meu comentario

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Nº 24.508 - "AMORIM: OBRADOR TRAZ ESPERANÇA, MAS PRESSÃO SOBRE BRASIL VAI AUMENTAR"

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02/07/2018

AMORIM: OBRADOR TRAZ ESPERANÇA, MAS PRESSÃO SOBRE BRASIL VAI AUMENTAR

Do Brasil 2472 DE JULHO DE 2018 ÀS 08:58


247 | Reuters

O ex-chanceler Celso Amorim comemorou a eleição do candidato de esquerda Andrés Manuel López Obrador para presidente do México; "Vitoria esmagadora de López Obrador e da esquerda no México! Uma luz de esperança para a América Latina! A hora é de celebração desse grande triunfo das forças progressistas, que marca o fim de um projeto baseado no neoliberalismo e na dependência", disse Amorim ao 247; "Mas temos que ficar em alerta: a pressão sobre o Brasil e a América do Sul vai ser ainda maior. A visita do vice-presidente Pence foi só o prelúdio. E a luta por Lula Livre, Lula candidato é mais do que nunca vital"


247 - O ex-chanceler Celso Amorim comemorou a eleição do candidato de esquerda Andrés Manuel López Obrador para presidente do México, com 53% dos votos, enquanto o segundo colocado, Ricardo Anaya, deve somar 22,1%.

"Vitoria esmagadora de López Obrador e da esquerda no México! Uma luz de esperança para a América Latina! A hora é de celebração desse grande triunfo das forças progressistas, que marca o fim de um projeto baseado no neoliberalismo e na dependência", disse Amorim ao 247. 

Segundo Amorim, a vitória de Obrador, no entanto, deve colocar as forças progressistas em alerta. "Mas temos que ficar em alerta: a pressão sobre o Brasil e a América do Sul vai ser ainda maior. A visita do vice-presidente Pence foi só o prelúdio. E a luta por Lula Livre, Lula candidato é mais do que nunca vital", diz ele. 

Leia reportagem anterior do 247 sobre o assunto: 

O Instituto Eleitoral do México informou que o candidato de esquerda Andrés Manuel López Obrador venceu as eleições presidenciais do país com ampla margem, estimando que o candidato recebeu mais da metade dos votos. Obrador tem entre 53% e 53,8% dos votos, enquanto o segundo colocado, Ricardo Anaya, deve somar 22,1%.

"Uma 'contagem rápida' baseada em resultados de cerca de 8 mil locais de votação, ou 5% do total de cabines, mostrou que Obrador tem entre 53% e 53,8% dos votos, de acordo com o instituto. O método tem uma margem de erro de meio ponto percentual. O presidente do instituto, Lorenzo Córdoba, disse que o comparecimento dos eleitores é estimado entre 62,9% e 63,8% dos mais de 89 milhões de eleitores registrados.

Ricardo Anaya, de uma coalizão entre o conservador Partido da Ação Nacional centro-esquerdista Partido da Revolução Democrática, deve receber de 22,1% a 22,8% dos votos, e José Antonio Meade, apoiado pelo governo atual, deve ter entre 15,7% e 16,3%. O candidato independente Jaime Rodriguez deve ter recebido entre 5,3% e 5,5% dos votos, segundo os cálculos do instituto. A margem estimada pelo instituto é ainda maior que a das pesquisas de boca de urna indicavam, entre 43% e 48%. Pesquisas de opinião também sugeriram que o partido Morena, de Obrador, ganhará uma maioria simples na câmara baixa do Congresso."

A Agência Reuters prevê um novo tempo no país e "investidores apreensivos":

"Andrés Manuel López Obrador venceu a eleição presidencial do México no domingo, abrindo caminho para o governo mais de esquerda na história democrática do país em um momento de relações tensas com o governo dos Estados Unidos.

O ex-prefeito da Cidade do México ganhou com a maior margem em uma eleição presidencial no país desde a década de 1980, de acordo com levantamento que o mostrou recebendo mais da metade dos votos —cerca de 30 pontos percentuais a mais do que seu adversário mais próximo.

Comprometendo-se a erradicar a corrupção e reprimir os cartéis de drogas com uma abordagem menos agressiva, López Obrador assume o poder com grandes expectativas e seus esforços para reduzir a desigualdade serão observados de perto por investidores apreensivos. 


Os adversários Ricardo Anaya, ex-líder da legenda de centro-direita Partido da Ação Nacional (PAN), e o candidato da então sigla governista Partido Revolucionário Institucional (PRI), José Antonio Meade, admitiram derrota minutos após as pesquisas de boca-de-urna."

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Nº 24.507 - "A anarquia judicial e o Brasil na noite trevosa. Por Aldo Fornazieri"

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02/07/2018


A anarquia judicial e o Brasil na noite trevosa. Por Aldo Fornazieri


Do Diario do Centro do Mundo -  2 de julho de 2018



Publicado originalmente no jornal GGN

Por ALDO FORNAZIERI


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O golpe promoveu a mais profunda desorganização institucional que o país já experimentou nos breves períodos de sua frágil vida democrática. A corrosão da legitimidade institucional levou o Executivo e o Legislativo à irrelevância, à infuncionalidade e ao desgoverno. Esses poderes, simplesmente faliram, não funcionam, a não ser num único aspecto: o de fazer o mal ao povo e ao Brasil. Com a falência do governo e do Congresso, sobrou o poder Judiciário, que se tornou o centro das decisões políticas do país, usurpando competências e violando a Constituição. Se, por algum tempo após o golpe, o Judiciário, comandado pelo STF, dava a aparência de ser um poder unitário com as naturais divergências, aos poucos foi revelando ser um poder anárquico e promotor da anarquia judicial, da ilegalidade e da recorrente violação da Constituição.


O Judiciário como um todo, na verdade, sempre foi um poder tirânico contra os pobres, perseguindo-os, adotando uma justiça enviesada para proteger a propriedade contra os direitos civis e sociais das pessoas simples do povo, enchendo as cadeias por pessoas que cometeram pequenos delitos de baixo poder ofensivo. O Estado de Direito nunca existiu para 60% a 70% da população. No Brasil só existe democracia para cerca de 30% das pessoas. A violência jurídica é uma das formas mais cruéis da violência do Estado a serviço de uma elite perversa contra os pobres. Com o golpe, o Estado de Exceção, a violência judicial, o seu arbítrio e a sua parcialidade atingiram também setores da classe política, principalmente políticos petistas, notadamente o presidente Lula.


A anarquia judicial se acentuou após a criminosa omissão do STF em não barrar o impeachment sem crime de responsabilidade, permitindo que a Constituição fosse violada. Ali ficou claro que amplos setores do Judiciário integravam o golpe parlamentar-judicial. Igualmente criminosa foi a conivência do STF com os arbítrios de violação da Constituição cometidos pelo juiz Moro, a exemplo das conduções coercitivas, da transformação das prisões como instrumentos coativos para arrancar delações premiadas mentirosas e orientadas e da gravação ilegal da presidente Dilma e a divulgação do conteúdo. Em qualquer Estado democrático sério, Moro estaria preso por ter conspirado contra a segurança do Estado.

Outro atentado grave ao ordenamento jurídico do país consistiu no fato de o juiz Moro ter julgado o caso do triplex, pois, não tendo este caso nenhuma relação com a Petrobras, Moro não era o juiz natural para julgá-lo. Assim, ficou evidente que a 13ª Vara Federal de Curitiba foi sendo transformada em tribunal de exceção e Moro em juiz de exceção. Agora Edson Fachin viola o mesmo princípio do juiz natural ao remeter recursos da defesa de Lula para o plenário do STF, quando o procedimento correto seria que eles fossem julgados pela segunda turma.


A anarquia judicial se define exatamente por isto: para cada caso e para casos semelhantes são aplicadas regras jurídicas diferentes, ao sabor do arbítrio do juiz e segundo seu interesse político ou segundo quem é a pessoa do réu. Lula tem seus direitos e garantias fundamentais violados de forma despudorada, criminosa e explícita. A anarquia judicial quebra a uniformidade procedimental, desorganiza a jurisprudência, agride a Constituição e as leis e gera uma imensa insegurança jurídica e um vácuo constitucional. Ao agir de forma anárquica, o Judiciário e o STF agridem a cultura jurídica e constitucional que, às duras penas, tenta se firmar.

O caso da prisão em após condenação em segunda instância, sem que a sentença tenha transitado em julgado, como determina a Constituição, é a mais violenta transgressão das garantias e direitos individuais fundamentais. A concessão de poderes judiciais ao Senado para salvar Aécio Neves foi o ápice escandaloso dos exemplos de parcialidade política e partidária de uma Corte Constitucional, só comparável ao arbítrio de tribunais que servem ditaduras. Como juízes de primeiro grau e de tribunais superiores vêm recorrentemente cometendo crimes contra a Constituição e a ordem jurídica do país é preciso lutar para que sejam julgados e punidos. Chega a ser estranho que nem a OAB e nem os grandes juristas tenham proposto isto.


Após as eleições será preciso organizar um movimento Constituinte do povo, que faça emergir uma nova Constituição a partir do poder popular. Uma Constituição fundante da soberania do povo quanto a sua origem popular e quando ao seu resultado. Isto significa que a Constituição terá que ser submetida a um referendum popular, sem o qual não há soberania do povo. No Brasil, o povo nunca foi soberano, pois nenhuma Constituição foi referendada por ele. Uma Constituinte soberana e exclusiva deveria destituir o atual STF e os colegiados de outros tribunais superiores, julgar os magistrados que cometeram crimes contra a Constituição e reorganizar de forma democrática um novo Judiciário, limitando os mandatos dos ministros dos tribunais superiores e encontrando outras formas de suas escolhas. Este é um aspecto fundamental para que o Brasil tenha uma democracia efetiva.


O impedimento de Lula e a noite trevosa


Ao manter Lula preso sem crime e sem prova, sem prova porque sem crime, e ao tentar impedi-lo de concorrer às eleições, juízes, desembargadores e ministros dos tribunais superiores estão cometendo um grave crime político, não só contra Lula, mas contra o povo e contra a nação. O povo quer Lula presidente, pois, em sua maioria, o povo o reconhece como o único líder capaz de tirar o país da grave crise, do caos e da desesperança.


O Judiciário será responsável por mergulhar o Brasil numa noite trevosa, de tormentas e de tormentos, mais grave da que já se encontra. O dilaceramento social, econômico, político e moral do país requer um presidente que seja um líder forte, capaz de unificar o povo sob a sua liderança e seu governo. Por mais qualidades e virtudes que tenham alguns dos atuais candidatos, nenhum deles tem a alargada liderança que Lula exerce junto ao povo.  Um governo democraticamente forte só se constitui se tiver ampla legitimidade popular, conferida pelas urnas. Lula é o único capaz de alcançar esta condição. Se o Brasil for impedido de se reencontrar politicamente pela via da legitimidade democrática poderá mergulhar num caos ainda mais profundo ou poderá se tornar prisioneiro de poder da força e do arbítrio.



O povo chegou no limite da suportabilidade das injúrias, dos agravos e da humilhação que sofre por parte das elites e de um Estado que é seu inimigo. Isto precisa servir também de advertência às lideranças progressistas e de esquerda e a muitos deputados que nada representam a não ser esquemas ossificados de poder. Será preciso trabalhar para que surjam novas lideranças, autênticas, dos setores explorados e oprimidos. Será preciso varrer esses deputados acomodados, os burocratas e esses líderes fracos e sem virtudes para os cantos da vida política,  pois fracassaram.


A representação branca, de classe média, universitária, faliu. Pouco ou nada tem a dizer aos pobres, aos negros, às mulheres, aos jovens e ao povo das periferias. Pouco fez para esses abandonados e sem destino. Esses setores precisam se auto-representarem. Estão surgindo novas lideranças e novos candidatos no seio do povo sofrido. Mais dia menos dia forçarão as portas dos esquemas constituídos de poder e arrebentarão as fechaduras trancadas pelos esquemas burocráticos e acomodados do status quo. Se, neste momento, Lula é a única Estrela Polar a indicar o caminho de chegada, essas novas lideranças, devem ser o novo Sal da Terra das novas lutas e de uma nova forma de fazer política. Devem ser a luz a espargir esperanças alicerçadas em movimentos sociais e políticos organizados e fortes, capazes de conter e derrotar as investidas das elites cruéis que querem perpetuar a tragédia do povo brasileiro.



ALDO FORNAZIERI, professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP)

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Nº 24.506 - " 'Paz e amor', López Obrador leva esquerda ao poder no México com promessa de acabar com a 'máfia neoliberal' "

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02/07/2018

POLÍTICA

“Paz e amor”, López Obrador leva esquerda ao poder no México com promessa de acabar com a “máfia neoliberal” 

Do Viomundo - 02 de julho de 2018 às 01h04


Da Redação

Na sua terceira tentativa de alcançar o cargo, o ex-prefeito da Cidade do México, Antonio Manuel López Obrador, o AMLO, elegeu-se neste domingo o novo presidente do México.

Os primeiros resultados indicam que ele terá pouco menos de 50% dos votos, contra cerca de 27% de Ricardo Anaya, do Partido de Ação Nacional, e 17% de José Meade, do Partido Revolucionário Institucional, o PRI.


Os dois principais adversários admitiram a derrota, garantia de que não haverá questionamentos quanto ao mandato de Obrador.

Ele foi eleito pelo Morena, o Movimento de Regeneração Nacional, que fez aliança à esquerda com o Partido do Trabalho e à direita com o Encuentro Social, um partido conservador fundado por um pastor neopentecostal.

López Obrador fez campanha numa plataforma de combate à corrupção e à criminalidade, com justiça social.

Porém, ele suavizou sua imagem em relação às campanhas anteriores, muito no estilo Lula.

Assim como o ex-presidente brasileiro, AMLO escreveu uma carta aos investidores prometendo autonomia do Banco Central, equilíbrio orçamentário e respeito à propriedade privada.

Da mesma forma que Lula anunciou que seria “paz e amor”, assessores de López Obrador disseram que ele rebateria as críticas de campanha com AMLOve, um trocadilho com a palavra amor em inglês.

A coalizão liderada por López Obrador saiu na frente em cinco das nove disputas estaduais e elegeu a primeira mulher prefeita da Cidade do México, Claudia Sheinbaum.

As parciais relativas à Câmara e ao Senado mostram vantagem da coalizão Morena/PT/ES, mas sem maioria ampla.

López Obrador já foi descrito como um “esquerdista conservador”, que deve se concentrar nas questões econômicas.

Um de seus jingles de campanha prometia acabar com “a máfia neoliberal”.

A expectativa é de que, feito Lula, deverá implantar ambiciosos programas sociais para enfrentar a pobreza.

Embora muito se tenha falado sobre eventual endurecimento da relação do México com os Estados Unidos, há pelo menos uma coisa em comum entre Donald Trump e AMLO: os dois foram eleitos numa onda anti-establishment, da mesma cepa que provocou o Brexit.

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domingo, 1 de julho de 2018

Nº 24.505 - "Projeto de José Serra em 2010 já prometia entregar o pré-sal"

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01/07/2018


ENTREGUISMO

Projeto de José Serra em 2010 já prometia entregar o pré-sal

Senador tucano já havia se posicionado contra PL 12.267/2010, feito por Lula, que aumentou a participação do capital votante da União na Petrobras


Da Rede Brasil Atual - Brasil 247 J-  01/07/2018 08h56


Petrobras e Serra
Motivos de entreguismo de Serra aos EUA vieram à tona em meio às revelações do Wikileaks

por Helena Sthephanowitz 

A aprovação na Câmara do Projeto de Lei 8.939/2017 de autoria do deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) é apenas mais um capitulo do golpe que se iniciou pelo menos há sete anos. Na semana passada, por 217 votos a 57, deputados aprovaram proposta que permite à Petrobras vender até 70% dos seus direitos de exploração das áreas de cessão onerosa a outras empresas. Isso significa a possibilidade de a petrolífera brasileira repassar para empresas estrangeiras o direito de exploração de 5 bilhões de barris do pré-sal. No regime de cessão onerosa, a União só recebe 10% dos royalties sobre a produção de petróleo. A taxação é inferior à do regime de partilha, onde se paga 15%. 

Em 2010, o senador José Serra do PSDB foi candidato à presidência da República. Naquele ano, o tucano se declarou contra o PL 12.267/2010 enviado ao congresso pelo presidente Lula.

A lei aprovada autorizou a União a “ceder” para a Petrobras o direito de produzir até 5 bilhões de barris de petróleo em grandes áreas do pré-sal; em contrapartida, a Petrobras teria o ônus de repassar o valor correspondente a essa quantidade de barris para a União em forma de ações preferenciais da empresa. O projeto de José Serra, que mais parece ter sido redigido no departamento jurídico de alguma petroleira estrangeira, representou o PSDB, as petroleiras do exterior e os aliados dos tucanos, já que todos os líderes de oposição ao governo do PT acompanharam o pensamento de Serra. 

Não demorou muito para aparecer a verdadeira “preocupação” de Serra com a Petrobras: sua ligação com os Estados Unidos veio à tona em meio às revelações do Wikileaks.  Os documentos vazados no final de 2009 reproduziam telegramas do consulado americano em São Paulo a Washington, segundo o qual Serra — então governador de São Paulo em final de mandado e candidato a presidente — se comprometia com uma executiva da petrolífera Chevron, a mudar as regras de exploração de petróleo no pré-sal, que o governo Lula havia aprovado no Congresso, caso fosse eleito.

“Deixa esses caras do PT fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo – do governo Fernando Henrique Cardoso – funcionava... E nós mudaremos de volta”, disse Serra à diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama divulgado na época no WikiLeaks. Em 1997, no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, quando acabou o monopólio da Petrobras, a exploração de campos petrolíferos obedeceu a um modelo de concessão. Nesse caso, a empresa vencedora da licitação ficava dona do petróleo a ser explorado pagando royalties ao governo.

Com a descoberta dos campos gigantes na camada do pré-sal, o governo Lula mudou o modelo e o vencedor teria de partilhar o petróleo encontrado com a União, e a Petrobras tinha duas vantagens: ser a operadora exclusiva dos campos e ter, no mínimo, 30% de participação nos consórcios com as outras empresas. Na época, o vazamento da WikiLeaks, ganhou grande repercussão na mídia alternativa, enquanto a imprensa comercial comentava timidamente o caso, levando muitos brasileiros a desconfiar na veracidade das informações do jornalista Julian Assange. 

Wikileaks mostrou também a preocupação dos EUA com uma possível vitória de Dilma na eleição.

O consulado americano avaliava que as descobertas de petróleo e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) poderiam "turbinar" a candidatura de Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil. O consulado citava que o Brasil se tornaria um "player" importante no mercado de energia internacional. 

Serra foi derrotado nas urnas por Dilma. Em 2014, foi eleito senador. Valendo-se do cenário em que a oposição já havia decidido pelo impeachment em 2015, José Serra apresentou o PL 131/2015, no Senado que alterava a Lei da Partilha (exatamente como, segundo os telegramas vazados, havia prometido às petrolíferas americanas). O projeto de José Serra reduzia a participação da Petrobras e ampliava a fatia das multinacionais do setor na exploração das reservas de petróleo da camada pré-sal. 

Coincidentemente, na eleição de 2014 o candidato do PSDB, Aécio Neves, também defendeu o fim do modelo de partilha. As gigantescas multinacionais petrolíferas (Chevron, Shell, Texaco, Total, e outras) já cobiçavam o Pré-Sal.

O projeto do senador José Serra impulsionou o impeachment?

Por que a Total Petroleo, hoje dona de uma fatia da Petrobras, anunciou na TV Globo?

No período eleitoral de 2014 a Total, empresa de petróleo multinacional cuja sede é na França, vinculou propagandas na TV Globo.

Mas foi em 2016 que Temer mandou a Petrobras vender fatia de áreas no pré-sal para francesa Total

A Petrobras vendeu participações em áreas do pré-sal e usinas térmicas para a francesa Total. O acordo com a Total previa a venda de fatias em duas áreas que estão entre as mais promissoras do pré-sal, na Bacia de Santos. Com o acordo a Total passou a ter produção de petróleo no Brasil e seguindo os passos da Shell (estrangeira com maior presença no pré-sal) e a norueguesa Statoil

Muito estranho. Em 2014, a Total não atuava (e nem atua) no varejo no Brasil, não tinha e – não tem rede de postos – para anunciar em meios de comunicação de massa. Então o retorno em vendas, uma das razões de ser da qualquer propaganda, seria zero.

Outro motivo mais justificável seria uma propaganda institucional. É comum quando a imagem da empresa sofre algum desgaste, por exemplo, quando há acidente com danos ambientais, ou que vitima trabalhadores, ou quando a empresa se vê envolvida em algum escândalo. Também não foi o caso da Total no Brasil. O retorno, neste caso, também seria zero.

Em países onde empresas estrangeiras são consideradas imperialistas por ficarem com a maior parte do lucro do petróleo, deixando muito pouco da riqueza para o povo, também é comum esse tipo de propaganda institucional para melhorar a imagem e fazer um contraponto neoliberal aos nacionalistas que pregam mudanças nos contratos. Mas no Brasil, a Total não tinha nenhum problema de má imagem desse tipo. Pelo contrario. Pouco se ouvia falar na petroleira

Na época, petroleira francesa até aceitou participar da extração de petróleo no campo de Libra no pré-sal com participação minoritária, ao lado da majoritária Petrobras. Aceitou as regras de partilha, onde a fatia do leão da riqueza ficava com o povo brasileiro. Portanto, também não tinha esse tipo de problema, e o retorno da propaganda também seria zero. 

Aliás, se a Total tivesse que fazer propaganda institucional seria em 2013, após participar do consórcio de Libra com a Petrobras. Ali seria hora de fazer uma propaganda comemorativa para marcar a presença institucional de investir no Brasil e esse blá-blá-blá corporativo que grandes empresas costumam fazer quando anunciam grandes investimentos, mesmo que não atuem no varejo.

Mais surpreendente é que a propaganda era internacional, não foi feita no Brasil, nem concebida para o Brasil. São visíveis cenas gravadas em países africanos, inclusive com placas em outros idiomas. No Youtube, quando pesquisamos, vemos que o anúncio existe dublado em diversas línguas. 

Por que então anunciar na TV Globo? 

Não se pode afirmar ao certo, mas que dá para desconfiar, isso dá. O único motivo que não fosse rasgar dinheiro é que os anúncios fossem uma forma de patrocínio à linha editorial das Organizações Globo para defender mudanças no modelo de partilha e enfraquecimento da Petrobras, de forma que as petroleiras privadas estrangeiras ficassem com uma fatia maior da riqueza do pré-sal. Como está ocorrendo hoje, quatro anos depois.

Só dava para ver retorno financeiro para a Total nesse tipo de propaganda se a pregação da Globo desse como certo contra a Petrobras e contra o modelo de partilha no pré-sal, onde cerca de 80% da riqueza ficavam para o povo brasileiro.

Já em 2014, o presidente da Total, em entrevistas, defendia o fim da exclusividade da Petrobras no pré-sal. Os jornais e telejornais da Globo também defendia a mesma coisa. Juntava a fome de um com a vontade de comer do outro.

Não é proibido nem ilegal anunciar com objetivo de patrocinar linhas editoriais que atendam ao lobismo corporativo. Mas o povo brasileiro tem o direito de saber qual é o jogo político pesado em torno da riqueza do pré-sal que foi jogado na telinha da TV Globo.



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PITACO DO ContrapontoPIG

Não tem outra qualificação: Serra é um traidor da pátria e por isso deveria ser julgado e condenado. No entanto, vive por aí flanando, cínico, rindo na cara do povo, certo de que pertence ao time dos intocáveis pela justiça brasileira. 

Um corrupto dos grandes - o maior ladrão do Brasil segundo o Paulo Henrique Amorim -  Serra forma, juntamente com o FHC  uma abjeta dupla de dos principais titulares entreguismo no nosso país. 

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Nº 24.504 - "Exclusivo: Lava Jato queria pegar Lula, mas encontrou Roberto D’Avila, astro da Globo. Por Joaquim de Carvalho"

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01/07/2018


Exclusivo: Lava Jato queria pegar Lula, mas encontrou Roberto D’Avila, astro da Globo. Por Joaquim de Carvalho


Do DCM  -  1 de julho de 2018 - Publicado por Joaquim de Carvalho

.................................................................Roberto D’Avilla...........


Foi no programa de Roberto D’Ávila, da Globonews, que Edson Fachin disse que estava sendo ameaçado. Não apresentou provas nem citou nomes. Apenas jogou a suspeita no ar, e insinuou que as ameaças estariam partindo de quem estaria insatisfeito com suas decisões na Lava Jato.

O que o público não sabe é que Fachin, naquela entrevista, estava diante de um nome alcançado pela operação conduzida pela Polícia Federal, operação que tem em Sergio Moro o líder de fato e em Fachin, seu convalidador.

D’Avilla foi dono da Intervídeo, a produtora que um delator da Lava Jato diz ter usado para dissimular o patrocínio do Grupo Schahin para o filme “Lula, o filho do Brasil”.

Temendo o indiciamento do apresentador da Globonews por falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, seus advogados encaminharam ao delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace, no dia 22 de junho, um ofício em que requerem (sic) a exclusão de D’Avilla do inquérito e, entre as razões expostas, dizem que, se indicado, o jornalista terá sua “morte civil” decretada. Lembram:

“O Sr. Roberto D’Avilla é jornalista de renome nacional e internacional, com mais de 42 (quarenta e dois) anos de carreira na área, gozando de enorme reconhecimento, constituindo-se em um dos decanos dos entrevistadores brasileiros e, atualmente, conduzindo e protagonizando um programa intitulado por seu nome no canal Globonews — tamanha é a sua credibilidade e respeitabilidade no meio”.

Os advogados dizem também que ele “não deve continuar a sofrer a sombra da persecução penal injusta”, pois “sua biografia, que se confunde com a própria imagem e a excelência de sua atuação profissional, depende diretamente de seu prestígio e confiabilidade.”

Por muito menos do que é atribuído a D’Avila, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o juiz Sergio Moro mandaram para a cadeia — ou conduziram coercitivamente — pessoas citadas na Lava Jato. Mas, no que diz respeito a D’Avila, os fatos foram mantidos em sigilo. Não houve vazamento.

D’Avila passou a ser, efetivamente, investigado quando Milton Schahin, um dos donos do Grupo Schahin, formalizou o termo de colaboração premiada com a força-tarefa coordenada pelo procurador Deltan Dallagnol.

Schahin disse que, em 2009, quando foi produzido o filme sobre a biografia de Lula, ele esteve num encontro a sós com Roberto D’Avila para definir como poderia colaborar com R$ 1 milhão de reais para a produção do filme, sem que seu nome aparecesse nos créditos da obra.

Depois disso, foi celebrado contrato entre a empresa de D’Avila e o grupo Schahin, para a produção de um vídeo institucional. O dinheiro foi repassado, a empresa de D’Avila enviou as faturas, com nota fiscal, só que o vídeo objeto do contrato nunca foi feito.

E nem era para ser feito, segundo Shahin. De acordo com ele, o envolvimento de D’Avila no caso se deu por iniciativa do ex-ministro Antônio Palocci, na época deputado federal.

No depoimento de colaboração, ele disse que foi procurado por Palocci e pressionado a colaborar com o filme. De acordo com o empresário, esta era uma das condições para renovar contrato de Schahin com a Petrobras.

Depois disso é que D’Avila teria entrado em contato e acertado como ele poderia colaborar com o filme sem que o nome aparecesse.

O apresentador da Globonews prestou depoimento à Polícia Federal e negou que tenha se encontrado a sós com Shahin, mas admitiu que o vídeo não foi feito, por desistência de Schahin. Mas o dinheiro repassado aos produtores do filme.

Nos argumentos apresentados para exclusão de D’Avila do inquérito, os advogados lembram que o contrato diz respeito a duas empresas privadas e, portanto, não poderia ser relacionado direta ou indiretamente a um caso de corrupção.

Se ele não prestou serviços pelos quais a empresa recebeu, isso diria respeito apenas às partes. Sobre a delação de Schahin, afirma que ela deveria ser desconsiderada, já que a delação sem provas não serve para fundamentar indiciamento ou acusação.


Por mais que os advogados critiquem, e é um direito deles, além de existirem razões para criticar o ambiente de caça às bruxas criado pela Lava Jato, não se discute a pertinência da investigação.

O ironia dessa história é que, como no caso do triplex do Guarujá, a Lava Jato queria encontrar algo que derrubasse Lula, mas acabaram encontrando documentos que comprometiam a filha de João Roberto Marinho, um dos donos do Grupo Globo, que mantém a Globonews.

Algumas unidades do condomínio tinham sido compradas por empresas de paraíso fiscal, abertas pelo escritório Mossack Fonseca, do Panamá Papers.

Os investigadores perseguiram a pista da Mossack, talvez imaginando que encontrariam Lula ou alguém da família, mas encontraram Paula Marinho, filha de João Roberto, inclusive manuscrito supostamente dela indicando como pagaria pela offshores que é formalmente proprietária de outro triplex, este ilegal, construído na área de proteção da natureza em Paraty.

A investigação foi abortada, os responsáveis pela Mossack no Brasil, soltos, mas Lula continuou na mira da Lava Jato até o desfecho do que poderia ser um roteiro de um filme sobre conspiração: a prisão do ex-presidente.

Desta vez, com o filme “Lula, o filho do Brasil”, a Polícia Federal mais uma vez buscou Lula e encontrou D’Avila, na ponta de uma trama que, segundo o delator Shahin, foi construída por Palocci.

Sobre o filme, não é verossímil imaginar que um presidente com mais de 80% de aprovação popular precisasse recorrer a expedientes escusos para viabilizar a produção.

Num jargão da comunicação, Lula é um excelente produto, sua imagem vende.

Schahin não querer aparecer nos créditos dos filmes é natural para um grupo que mantém relacionamento com governos de todos os partidos.

Se aparece prestigiando um presidente filiado ao PT, pode ter problemas com um governador do PSDB. Isso é do jogo.

O estranho nesta história é o papel da Intervídeo.

Se fosse uma produtora de alguém sem a fama e o prestígio de D’Avila, como justificar o pagamento de R$ 1 milhão (em valores da época) para a produção de um vídeo institucional?

O contrato parece ter sido de fachada, uma operação da mesma natureza dos patrocínios angariados pelo publicitário Marcos Valério em Minas Gerais, com o governo de Eduardo Azeredo, na origem de todos os mensalões.

A Polícia Federal ainda não decidiu se indicia ou não Roberto D’Avila, mas permanece com o inquérito guardado, longe de vazamentos.

Os lavajateiros têm um problema na mão: queriam pegar Lula, mas encontraram um astro da Globo.

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Nº 24.503 - "Lula pode aparecer no horário eleitoral no primeiro turno"

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01/07/2018

Lula pode aparecer no horário eleitoral no primeiro turno


Do Blog da Cidadania - 1 de julho de 2018


A pressa do Judiciário para prender Lula antes da eleição produzirá um dos fenômenos mais espantosos em uma eleição. Por mais que mídia e Justiça Eleitoral neguem, não há como impedir que ele participe da campanha ao menos até meados de setembro, caso o PT decida que não mudará de candidato enquanto o ex-presidente não for declarado oficialmente impedido.

Análise publicada neste domingo pelo insuspeito Diário Catarinense, o maior jornal impresso em circulação no estado de Santa Catarina, e assinada pelo Colunista Vitor Pereira, permite entender facilmente como Lula colocou os golpistas na defensiva mesmo tendo sido alvo da maior farsa processual da história brasileira.

Confira

DIÁRIO CATARINENSE

Entenda como fica o cenário eleitoral à sombra de Lula

01/07/2018- 07h35min – Atualizada em 01/07/2018- 07h35min

Por VICTOR PEREIRA

Juristas, advogados, políticos e militantes partidários podem ter posições radicalmente opostas quando se trata da condição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputar as eleições de outubro, mas todos concordam em um ponto: a pré-candidatura do ex-presidente será levada às últimas consequências legais, gerando incertezas na leitura do cenário. Pesquisas nacionais mantêm ele nas intenções de voto, o que coloca sombra na visualização das candidaturas. É fato que o petista, hoje e até que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgue seu registro de candidatura, pode ser pré-candidato.

O julgamento só começará depois de 15 de agosto, data-limite para o pedido de registro. Depois disso, um dos ministros examinará os requisitos da candidatura e Ministério Público, Procuradoria Geral Eleitoral ou qualquer outro partido ou candidato podem impugnar o pedido. De qualquer forma, é aberto espaço para o contraditório e manifestações das partes e do tribunal. Essas etapas do processo dificilmente terminarão no TSE antes da metade de setembro. E ainda caberá recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto o registro estiver aguardando determinação judicial, Lula poderá efetuar todos os atos de campanha, inclusive no horário eleitoral gratuito.

— Mesmo se o registro da candidatura estiver sub judice até o dia da eleição, isso seria inédito? Não. Nas últimas eleições, 145 prefeitos foram eleitos mesmo com registro indeferido e alguns até presos, porque tanto a prisão como a inelegibilidade são provisórias e podem ser revertidas mesmo depois da eleição, antes da diplomação. Portanto, Lula eleito presidente, restará ao STF decidir se homologará ou revogará a soberana vontade da maioria dos brasileiros e das brasileiras — diz o advogado e atual secretário de Comunicação do PT-SC, Murilo Silva.

Leia mais: “Nossa meta é tirar ele da prisão no início de agosto”, afirma Gleisi Hoffmann sobre Lula

Para o advogado Márcio Vicari, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Santa Catarina, o único jeito de não se aplicar a Lei da Ficha Limpa a Lula e, portanto, deixá-lo elegível é caso o recurso que ele interpôs ao STJ obtenha da turma competente um efeito suspensivo quanto à inelegibilidade. No entanto, o ex-magistrado acredita que é pouco provável que isso aconteça. Na análise de Vicari, além da condenação em segunda instância tornar Lula inelegível, decisões dos tribunais superiores (STJ e STF) contrárias ao petista também em relação à prisão sinalizam no mesmo sentido.

— O PT tem interesse em criar um fato político, levar a discussão o mais longe possível. A campanha é mais curta e, em determinado momento, a Justiça Eleitoral tem que programar as urnas com os nomes dos candidatos. E chega em um ponto que, incluídos esses nomes, mesmo que julguem o candidato, não dá mais tempo de tirar das urnas. Aí imagina que aconteça isso: programe a urna, vá com o nome dele, o TSE depois indefira. Serão quatro anos de discussão política — avalia.

Presidente do PT catarinense, o deputado federal Décio Lima afirma que mesmo se cogitasse a possibilidade de Lula não disputar as eleições, a causa dele estaria nos palanques. Mas o parlamentar é otimista:

— O Código Penal não se aplica ao eleitoral. Lula foi privado da liberdade, mas não perdeu os direitos políticos. Todas as últimas decisões do TSE de casos similares beneficiam o Lula. Inclusive todos (os candidatos envolvidos nessas decisões do TSE) disputaram as eleições nestas condições, os que ganharam tomaram posse e governam até hoje. Então, seria mais um precedente de utilização do Judiciário para perseguir um líder se não deixarem o Lula ser presidente da República.

Os próximos passos


Lula foi condenado em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso triplex. A pena foi fixada em 12 anos e um mês. O ex-presidente está detido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR) porque, pelo entendimento mais recente do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o assunto, a prisão já pode ocorrer nessa fase do processo, mesmo que os recursos em instâncias superiores ainda não tenham sido julgados.

Mesmo condenado e preso, ele pode ser candidato. O PT tem até 15 de agosto para registrar sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O registro pode ser indeferido por decisão individual do relator do processo no TSE. Se isso ocorrer, a defesa pode recorrer ao pleno do tribunal.

Mesmo se houver novo indeferimento, Lula pode recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, em seguida, ao STF, pedindo efeito suspensivo da decisão que gerou a inelegibilidade, neste caso, a condenação criminal. Enquanto não houver decisão final em última instância, ele poderá fazer campanha. Como isso ocorreria exatamente na prática, já que o petista cumpre prisão em regime fechado, ainda é incerto.

Se conseguir deixar a prisão, Lula pode ser candidato e aí participar da campanha incluindo presença em debates e comícios, por exemplo. Enquanto não tiver decisão final de última instância sobre a inelegibilidade, Lula pode fazer campanha, aparecer em propaganda eleitoral e até ter o nome e o número estampados na urna eletrônica. O mais provável, contudo, é que as instâncias superiores apressem o julgamento, por se tratar de uma eleição presidencial e de um candidato do porte de Lula. Neste caso, o PT teria até 17 de setembro para trocar de candidato.

Partido indica nomes para ocupar espaços

Enquanto aguarda o julgamento do recurso no STF, Lula continua em pré-campanha, mesmo preso em Curitiba, seguindo estratégias traçadas por ele e pelo PT para manter-se em evidência. A deixa foi dada durante a última etapa da caravana de Lula pelo Sul do país e na missa em memória da ex-primeira-dama Marisa Letícia, último ato político e público do ex-presidente antes da prisão, em São Bernardo do Campo. Afirmando que agora ele “era uma ideia” e que se fosse preso “andaria pelas pernas do povo”, o petista deixou claro que continuaria no páreo enquanto fosse possível.

Nas últimas semanas, esteve “presente” em diversos eventos e atos, por meio de cartas lidas por representantes. Foi o caso inclusive do Congresso de Prefeitos da Federação Catarinense de Municípios (Fecam) na semana passada, em Florianópolis. Os textos do ex-presidente também têm sido divulgados quando ocorre algum fato novo na política nacional, como a absolvição da senadora paranaense e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, no STF, ou para enviar mensagens e reforçar posições ao próprio partido, aos adversários, à Justiça e à população brasileira.


Na ação mais recente da pré-campanha, Lula foi o pré-candidato que mais arrecadou nas primeiras semana do crowdfunding, a vaquinha virtual. Até a tarde desta sexta-feira, o valor chegava a R$ 335 mil.

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Nº 24.502 - "Necessária a decisão do STF de barrar privatizações, por Jânio de Freitas"

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01/07/2018

Necessária a decisão do STF de barrar privatizações, por Jânio de Freitas


Do Jornal GGN - DOM, 01/07/2018 - 14:00

.................Foto: Carolina Antunes/PR

Jornal GGN - A decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir por meio de liminar que as privatizações do governo Temer sejam feitas sem a aprovação do Congresso Nacional foi uma exceção da Corte que vem sendo duramente criticada por ocupar um espaço político abandonado pelo mandatário emedebista.

A opinião é de Jânio de Freitas, em coluna na Folha de S. Paulo deste domingo (01). Mas em meio ao vazio do governo Temer e as posições questionáveis da Suprema Corte em meio à crise política, a decisão de Lewandowski foi "há muito necessária".

"Desde o governo Fernando Henrique, não haveria melhor ocasião para exigir-se que privatizações sejam submetidas ao Congresso, como vem determinar medida do Supremo, pelo ministro Ricardo Lewandowski", disse Jânio.

Explicando que "a pretendida venda da gigante Eletrobras ao gosto do governo seria, sem dúvida, a reprodução das vendas de gigantes como a Vale do Rio Doce e as telefônicas", nas quais "o próprio Fernando Henrique deixou gravados, tal como Temer com Joesley Batista, indícios óbvios das cartas marcadas nas transações", para Jânio, "não houve privatização que escapasse ao fracasso".

No caso da Petrobras, "estão indo há mais de dois anos as sucessivas fatias, na simplória política de vendê-las para cobrir dívidas —o que qualquer camelô faria no lugar em que estavam o louvado Pedro Parente e seu conselho de administração", completou o colunista.

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Nº 24.501 - "BRENO ALTMAN: TEMOS QUE NOS ARGENTINIZAR"

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01/07/2018

BRENO ALTMAN: TEMOS QUE NOS ARGENTINIZAR

Do Brasil 247 | - 30 DE JUNHO DE 2018 ÀS 09:34

Editora Brasil 247 | Reuters


O jornalista Breno Altman analisa o movimento de resistência dos argentinos, que promovem a maior greve geral da história contra o governo neoliberal de Mauricio Macri; Ele considera que os brasileiros precisam se espelhar na ação argentina; "Sem pressão, o golpismo se perpetuará; temos que nos argentinizar", ressalta; assista a íntegra da entrevista 


TV 247 - O jornalista Breno Altman concedeu entrevista à TV 247 e analisou a mobilização dos argentinos, que promoveram uma das maiores greves gerais da história contra o governo Macri. Ao comparar o forte engajamento argentino com a conjuntura brasileira, Altman opina: "Sem pressão, o golpismo se perpetuará. Temos que nos argentinizar".

Altman explica que é a terceira greve geral contra a política econômica do presidente Mauricio Macri. "Desta vez, o grau de unidade e mobilização é muito alto e acaba isolando o governo", observa.

Ele diz que o sindicalismo argentino é muito arraigado e forte, diferentemente do Brasil, que é muitas vezes atrelado ao poder público e cartorial. "Além disso, é complexo montar uma greve geral com as dimensões continentais do Brasil", pondera Altman.

O jornalista afirma que, ao contrário de outros povos que mostram suas reivindicações nas ruas, a expressão do povo brasileiro é através da via eleitoral. "Ir às ruas para o povo brasileiro é declarar voto ao Lula, por isso as elites precisam invalidar as eleições, dando sequência ao golpe de Estado e isolando Lula", esclarece Altman.

"Mas, dentro do contexto político que o Brasil enfrenta, a única saída institucional para enfrentar a situação que Lula o País enfrenta, passa pela mobilização popular", acrescenta Breno Altman.

Segundo o jornalista, a apatia social é a contradição que paralisa o povo. "O golpismo está isolado, a Lava Jato perde força, a república de Curitiba se enfraquece, Lula ganha cada vez mais o apoio, mas, sem pressão, o golpismo se perpetuará nas instituições. Temos que nos argentinizar", conclama.

Eleição sem Lula é fraude 

A respeito da candidatura de Lula, Altman a considera como o principal instrumento de confrontação contra o golpe. "Fica explicito que o único candidato impedido de participar da eleição é o ex-presidente, uma eleição falsa", ressalta.

Altman examina que o presidenciável Ciro Gomes (PDT) opera em dois planos: "no isolamento do PT, e movimentos em direção à direita. Com certeza são posturas completamente diferentes da Manuela D`Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL), que fazem suas campanhas eleitorais, mas denunciam as arbitrariedades da prisão de Lula", analisa. 

O jornalista conclui dizendo que Ciro não é uma saída progressista. "Para a o conjunto da esquerda brasileira, apoiar Ciro é renunciar ao protagonismo da da esquerda nos últimos 30 anos", finaliza Breno Altman.

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