quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Nº 24.688 - "Aécio Neves desiste do Senado e vai concorrer a vaga de deputado federal"

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02/08/2018


EX-PRESIDENCIÁVEL
Aécio Neves desiste do Senado e vai concorrer a vaga de deputado federal

Tucano vinha sendo pressionado até por aliados a desistir da disputa pela reeleição


Do Jornal O Povo -19:06 | 02/08/20180


O senador Aécio Neves (PSDB-MG) desistiu de disputar a reeleição ao Senado e anunciou, na tarde desta quinta-feira, 2, que vai disputar uma vaga de deputado federal por Minas Gerais. A decisão foi comunicada em nota distribuída à imprensa

"Com o objetivo de ampliar o campo de apoio à candidatura do senador Antonio Anastasia, informei a ele hoje a decisão pessoal de não disputar, este ano, a eleição para o Senado, colocando meu nome como pré-candidato à Câmara dos Deputados".

Na nota, o senador disse ainda que essa não foi uma decisão fácil. "Farei isso em respeito à minha trajetória política, à minha família e a todos que me levaram a conduzir o que muitos consideram o mais exitoso governo da nossa história recente".

Aécio vinha sendo pressionado até por aliados a desistir da disputa pela reeleição. Ele não participou de nenhuma atividade de pré-campanha do senador Antonio Anastasia, que é candidato ao governo de Minas pelo PSDB.

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Nº 24.687 - "Chico Buarque e Martinho da Vila: Lula está firme e bem humorado"

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02/08/2018



Chico Buarque e Martinho da Vila: Lula está firme e bem humorado




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Nº 24.686 - " RODA VIVA EXPÕE O PERIGO DE UM PAÍS DE MILHÕES DE BOLSONAROS"

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02/08/2018


RODA VIVA EXPÕE O PERIGO DE UM PAÍS DE MILHÕES DE BOLSONAROS


Do Balaio do Kotscho -  31 De Julho De 2018  


por Ricardo Kotscho

Foram tantas as boçalidades proferidas por este ex-militar bronco e inculto no programa Roda Viva de segunda-feira que fica até difícil escolher uma só para abrir esta matéria sobre a entrevista de Jair Bolsonaro, o candidato das trevas.

Minha filha Mariana, também jornalista, me mandou essa:

“Se você, por exemplo, aumentar o número de empregos no Brasil a tendência de alguém procurar um hospital diminui…”.

Como assim? Quem trabalha não fica doente, pergunta a Mariana, que conclui:

“Pior do que os absurdos dele é ter quem acredite e concorde”.

É verdade. O maior problema político do Brasil hoje não é ter um tipo como Bolsonaro favorito nas pesquisas presidenciais sem o nome de Lula.

O grande perigo de um brutal retrocesso está nos milhões de Bolsonaros que o apoiam e declaram voto nele porque pensam como ele, este projeto de nazista tupiniquim.

Por isso, o grande mérito dos jornalistas entrevistadores do último Roda Viva da série com os presidenciáveis foi expor a exótica figura durante uma hora e meia em rede nacional de televisão para que ninguém depois diga que foi enganado.

Além das barbaridades que falou sobre direitos humanos, as agressões contra pessoas da maior dignidade, como o ex-ministro da Justiça José Gregori, a ofensa à família de Vladimir Herzog ao colocar em dúvida seu assassinato no DOI-CODI, o que mais me chamou a atenção na entrevista foi a total incapacidade dele de juntar duas frases com sentido e não conseguir responder nem às perguntas mais simples, sem nenhum compromisso com a lógica ou com o país.

Debochado e leviano, Bolsonaro seria reprovado em qualquer exame psicotécnico de admissão num emprego.

Para ninguém pensar que estou exagerando (vale a pena ver a integra do programa no site da TV Cultura), vou reproduzir só um trecho do diálogo de surdos entre o candidato e a repórter Maria Cristina Fernandes, do jornal Valor:

MCF: Qual a sua proposta para que a mortalidade infantil deixe de subir?

JB: Quando se fala em mortalidade infantil, isso tem a ver com os prematuros. É muito mais fácil um prematuro morrer do que um bebê que cumpriu uma gestação normalmente. Medidas preventivas de saúde…

MCF: Isso não tem muito mais a ver com saneamento básico?

JB: Tem um mar de problemas (…) Muita gestante não dá bola para a sua saúde bucal ou não faz os exames do seu sistema urinário com frequência.(…) Agora, eu vou dar a missão. Quem for para o ministério da Saúde, tem que realmente cuidar da saúde e não da doença, prioritariamente.

MCF: E como o senhor vai fazer isso reduzindo os gastos?

JB: O que acontece… Não só a Inglaterra… Você, você, você vai conjugar também com desburocratização, desregulamentação… Que é o inferno da vida de quem quer empreender no Brasil. Quem quer ser patrão no Brasil em sã cosnciência?

MCF: Eu tô falando de saúde, deputado.

JB Você falou de economia… Como vai reduzir impostos e vai entender economia (???) Se você, por exemplo, aumentar o número de empregos no Brasil, a tendência de alguém procurar hospital vai diminuir.

Dá para acreditar no que ele respondeu quando a pergunta foi sobre saúde pública?

Foi assim o programa inteiro: ele não entendia as perguntas e respondia qualquer coisa sem se importar com a veracidade dos fatos e números citados, chutando para todo lado.

Pode ser o tema que for, ele usa os mesmos jargões que repete nos discursos gritados em cima de carros de som nos aeroportos por onde passa.

O que mais me assusta é encontrar cada vez mais gente que fala e pensa como ele, numa mistura explosiva de desinformação e má fé, mesmo pessoas com curso superior e bom padrão de vida.

Nesta campanha eleitoral, pior do que tudo, estamos criando uma legião de Bolsonaros que vieram para ficar, cheios de certezas, verdadeiras hordas de seguidores fanáticos que se caracterizam pela violência e ignorância.

Foi a eles que o candidato se dirigiu no Roda Viva, sem dar a menor satisfação aos jornalistas e ao público em casa, o resto do eleitorado que não professa a sua fé num trabuco para resolver todos os problemas nacionais.

É impossível resumir num post todas as sandices, estultices, mentiras e canalhices que ele foi capaz de proferir, às vezes rindo dele mesmo, como se estivesse falando com um bando de retardados.

Bolsonaro tornou-se a melhor expressão do que sobrou da Operação Lava Jato deflagrada para acabar com o antigo “sistema político corrupto e viciado” para pregar a renovação nas eleições de 2018.

O personagem para encarnar o novo que encontraram é esse deputado profissional de sete mandatos, que se apresenta como o Trump nativo contra “tudo isso que está aí”.

Lançado por um partido nanico, sem alianças nem tempo de TV, sem qualquer programa de governo, candidato do “eu sozinho contra o mundo”, aquele que manda perguntar no Posto Ipiranga (seu assessor Paulo Guedes, um ultraliberal guru do ex-capitão nacionalista e estatista) quando não sabe as respostas.

Estamos bem de candidato favorito, o homem que tem entre 17 e 19% nas pesquisas de intenção de voto a 70 dias da eleição.

O que já está péssimo, sempre pode piorar. Preparem-se.

E vida que segue.



Nº 24.685 - "Lula, o telepata. Ou incrível capacidade de acreditarem em bobagens da mídia"

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02/08/2018

Lula, o telepata. Ou incrível capacidade de acreditarem em bobagens da mídia

Do Tijolaço · 02/08/2018


POR FERNANDO BRITO


A Folha publica uma mediúnica matéria – nenhuma fonte direta é citada – dizendo que “Da cadeia, Lula articulou ações que resultaram no isolamento de Ciro“. É claro que Lula orienta o PT, mas daí a dizer que ele “articulou”  tudo vai uma distância que, francamente, beira a comédia.


Seria uma “capacidade” sobrenatural: alguém isolado numa cela, com direito a apenas uma visita semanal (tem outra, mas  é de natureza religiosa), sem telefone, sem internet ou whatsap conseguiu manipular três partidos, além do seu próprio: o PCdoB, oferecendo uma vice a Manuela D’Ávila; o PR, evitando a candidatura de Josué Alencar, e o PSB, levando o partido para a neutralidade na disputa presidencial. E tudo com recados e bilhetinhos!

Uau! Gente que pensa assim deveria encaminhar ao Vaticano um processo de canonização de Lula, porque o milagre já  está aí: o homem é telepata!

“nesta quarta-feira (1º), Lula teve participação direta na negociação que neutralizou o PSB na eleição nacional, afastando-o definitivamente de Ciro Gomes.”

Participação direta? Como, a menos que ele esteja usando o rádio da Polícia Federal – esse Lula é danado, né? – para passar “instruções”. Porque a visita que tem é na quinta, hoje, e os visitantes serão Chico Buarque e Martinho da Vila!

Não espero que gente com um mínimo de inteligência possa dar um pingo de crédito a isso. Lula, claro, orientou Gleisi Hoffman e outros dirigentes do seu partido a conduzirem assim ou assado os contatos com outros partidos ou lideranças, mas daí a ter sido o “articulador” de tudo, francamente…

São os mesmos “gênios” que dizem que a articulação visava essencialmente atingir Ciro Gomes, como se o que ocupasse a cabeça de Lula fosse Ciro – que, aliás, é o maior “desarticulador” de sua própria candidatura, infelizmente. Só faltou dizer que foi Lula quem fez o “centrão”, depois de cortejado pelo ex-ministro, cair nos braços de Alckmin.

Seria o mesmo que dizer que Ciro buscava o apoio do PSB – e este ele buscava, pessoalmente, com inúmeras reuniões – para “isolar o Lula”.

O raciocínio de Lula é bem mais simples e qualquer um pode fazê-lo. Suas melhores fichas estão no Nordeste, onde o ex-presidente, na última pesquisa Vox Populi, tem 58% das intenções de votos. É, portanto, ali que precisa conservar seus votos à prova de riscos e evitar, á todo custo, que se confunda a cabeça do eleitor.

E é lá que o PSB é mais forte politicamente, com os governos de Pernambuco e da Paraíba. É a mesma razão que o leva em não de meter em hostilidades com Renan Calheiros e Eunício de Oliveira. E é por isso que os quatro querem apoiá-lo, porque Lula é mais forte que todos eles.

Ah, mas Lula está tirando o governo do Estado da vereadora Marília Arraes, virtualmente vencedora da eleição local…

Menos, menos…

Primeiro, porque o cacife de Marília, além de suas próprias virtudes, vem do fato de ter migrado para o PT há dois anos com intenso apoio público do próprio Lula, que foi pessoalmente filiá-la.

Depois, porque ela está em ótima posição, mas longe de ter uma vitória assegurada: as pesquisas no estado revelam um tríplice empate, com Paulo Câmara (PSB) na liderança com 25%, seguido de Marília (21%) e de Armando Monteiro (PTB, 17%). E não pensem que só ela levantaria o nome de Lula: Monteiro, aliás, até foi visitar o ex-presidente em sua cela em Curitiba e, por isso, foi obrigado pelo PSDB local a soltar uma nota dizendo que seu palanque “está aberto” a Geraldo Alckmin.

Mas está bem, acredite quem quiser acreditar que, depois de um golpe, vivendo um estado de deformação judicial em que o presidente do TSE “emenda” uma decisão para incluir a “inelegibilidade chapada” do favorito do pleito, onde se viola a toda hora os dispositivos da Constituição para mantê-lo preso nós devemos, sim, nos guiar pelo “coitadismo” de um candidato que teve tudo para crescer e não cresceu ou por uma questão paroquial do governo de um estado, por mais respeitável que seja, como é Pernambuco.

Enquanto isso, Geraldo Alckmin monta à vontade a salada que o rodeia em São Paulo: o seu ex-preferido Márcio França, o esfarinhado João Dória, o tal do “Vem Pra Rua” e o Pato Skaf, oficialmente com o candidato “de brinquedo” Henrique Meirelles.


O povão não cai nessa, não…

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Nº 24.684 - "Venda da Embraer é questionada no plenário da Câmara"

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02/08/2018


PREÇO DE BANANA

Venda da Embraer é questionada no plenário da Câmara

Para especialistas e parlamentares, transação não tem transparência e ameaça a soberania e a segurança nacional


por Rede Brasil Atual - publicado 02/08/2018 10h20

Embraer
'Por R$ 3,8 bilhões, Embraer foi vendida ao preço de duas churrascarias', lamenta metalúrgico

São Paulo – A venda da Embraer, empresa brasileira do setor de aviação, para a norte-americana Boeing foi criticada em audiência pública no plenário da Câmara dos Deputados nesta quarta feira (1º). Trabalhadores, parlamentares e especialistas querem acessar o processo e temem pelos empregos e pela segurança nacional.

O pedido de realização da audiência foi feito pelo deputado Flavinho (PSC-SP), que avalia existir falta transparência sobre o acordo. Ele entende que o Congresso Nacional, mesmo sem poder de veto, deve questionar e cobrar explicações. "A gente está tentando dar visibilidade ao tema, discutir e mostrar os pontos positivos, se é que eles existem, e os pontos negativos. Vamos tentar fazer uma pressão para os órgãos fiscalizarem esse processo", afirma em entrevista ao repórter Uelson Kalinovski, da TVT.

Pelo acordo firmado no começo de julho deste ano, a norte-americana Boeing vai pagar US$ 3,8 bilhões para ficar com 80% do controle da fusão, que terá atuação exclusiva na área de aviação comercial. Pelos termos anunciados, a Embraer manteria o controle do setor militar, mas a decisão é contestada. "Algumas versões dizem que a área militar estaria fora dessa negociação, mas não se sabe. É um problema de emprego e soberania, mas também de segurança nacional", critica o economista Paulo Kliass.

Herbert Claros, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, lembra que a empresa brasileira é líder no seu segmento. "A principal concorrente dela em aviões do tamanho dos que produz é a Bombardier. Recentemente, numa feira na Inglaterra, a Bombardier vendeu cinco aviões e a Embraer, 300", conta.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos foi coautor do pedido da audiência. Entre as preocupações estão os 18 mil empregos diretos e indiretos que estariam em risco. "Qual é a garantia de que os Estados Unidos farão um investimento no Brasil? O emprego e o futuro da Embraer no país são as principais preocupações", questiona Herbert.

O diretor do sindicato também questiona o valor do negócio, estimado em R$ 3,8 bilhões. "A churrascaria Fogo de Chão foi vendida por R$ 1,8 bilhão, enquanto um dos melhores corpos de engenharia do mundo, construído em 49 anos, foi vendido pelo dobro do preço uma churrascaria."

A Embraer foi notificada ainda nesta semana para se manifestar a respeito de uma outra ação movida pelo PT. O documento foi assinado pelos deputados Carlos Zarattini, Vicente Cândido, Paulo Pimenta e Nelson Pelegrino e exige a suspensão da fusão entre a empresa brasileira e a empresa norte-americana.


Assista à reportagem do Seu Jornal, da TVT


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Nº 24.683 - "Lula 'fecha' o Nordeste com acordo com o PSB"

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02/08/2018


Lula “fecha” o Nordeste com acordo com o PSB

Do Tijolaço · 02/08/2018


por Fernando Brito 

O episódio da adesão do PSB – especialmente de sua porção nordestina, a mais expressiva – à candidatura Lula é a prova mais evidente que se poderia ter de que são improcedentes as análises políticas que apontam um “isolamento suicida” do PT ao manter a candidatura Lula.

Os “caciques” do PSB não são “bobinhos”, não são “sonháticos”, não são “festivos”. Estão cuidando é de garantir sua eleição e, ao menos no Nordeste, não tem eleição para quem não tiver/der apoio a Lula.

Ou a quem ele indicar, se impedido de disputar a eleição, como desejam a Justiça, a mídia, o “mercado” e analistas de política valentes ao ponto de não verberarem contra o afastamento do líder das preferências populares do direito de estar na urna.

O que Lula fez, portanto, foi “fechar” o Nordeste, parte vital de sua estratégia.

Ter metade dos votos no Nordeste é o equivalente a pouco mais de 13% dos votos nacionais.

Míseros 15% de votação no resto do país ( para ficar num número que nem mesmo os antilula se atreveriam a contestar) ainda assim, dariam mais 11% e, portanto 24% do Brasil inteiro.

Mais do que tem hoje qualquer outro concorrente e suficiente, com sobras, para levar alguém ao segundo turno e, portanto, a “outra história”.

É uma bobagem esta história de que o PT “isolou” Ciro.

Quem isolou Ciro foi ele mesmo, ao dar ênfase exagerada às suas legítimas diferenças com PT e achar que bastaram os anos em que esteve com Lula e Dilma para credenciá-lo a absorver os votos do ex-presidente.

Com todo o respeito a ele e também aos pré-candidatos do PT que tiverem de remanejar suas ambições pessoais por tal ou qual cargo local, o que está em jogo é o Brasil.

E o Brasil está se movendo por conta de Lula, que é o centro de gravidade desta eleição, mesmo preso em Curitiba.

A “ideia Lula”, que não é contida por grades, espalhou-se e dá a eleição ares de um estranho plebiscito.

Os a favor do ex-presidente, na prática, estão coesos, como mostram as pesquisas e não mostram as candidaturas.

O antilulismo, porém, é um saco de gatos a se engalfinharem.

A realidade da eleição vai se encaminhando para um só “Lula” e vários “antilula”.

Dos quais, teme a direita, sairá um talvez tão horrendo que não consiga liderar os outros.

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Nº 24.682 - "O passado 'bolivariano' de Bolsonaro"

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02/08/2018


O passado “bolivariano” de Bolsonaro


Do Blog da Cidadania - 2 de agosto de 2018




por Eduardo Guimarães

Livro resgata um Bolsonaro fã de Chávez e malvisto no Exército. Sob o título ‘O Homem que Peitou o Exército e Desafia a Democracia’, a obra relata que Bolsonaro era fã de Hugo Chávez. Houve um tempo em que Jair Messias Bolsonaro era visto com bons olhos pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro) e pelo PC do B (Partido Comunista do Brasil) e como um estorvo por oficiais com mais estrelas na farda.

Um distante 1999 em que o hoje presidenciável elogiava Hugo Chávez (“uma esperança para a América Latina”), sugeria fechar o Congresso caso um dia chegasse ao Palácio do Planalto (“daria golpe no mesmo dia, no mesmo dia!”) e propunha matar “uns 30 mil”, começando pelo então presidente FHC (“não vamos deixar ele pra fora!”).

Ou um Bolsonaro moleque que, na interiorana Eldorado (SP), caçava passarinhos com espingarda de chumbinho e assistia a filmes de Mazzaropi.

“Bolsonaro: o Homem que Peitou o Exército e Desafia a Democracia” (Máquina de Livros, R$ 39,90, 192 págs.) é farto de curiosidades sobre seu personagem-título. Esse apanhado o livro do jornalista Clóvis Saint-Clair faz bem.

Mas, sem entrevistar o político nem seus aliados mais próximos, valendo-se sobretudo de discursos públicos e notícias publicadas pela imprensa nas últimas três décadas, a obra está longe de ser uma biografia definitiva de uma das figuras políticas mais intrigantes dos nossos tempos.

O autor faz um trabalho de corte e colagem ao transcrever na íntegra falas do deputado. Em alguns casos, denota falta de curadoria. Em outros, ajuda a contextualizar controvérsias que alimentam o “mito”, como Bolsonaro é chamado por seus simpatizantes, ou o ódio de seus detratores.

Por exemplo, a certa altura diz que, “se Bolsonaro faz sucesso nas baixas patentes, é visto com desconfiança pelo comando e tratado como um ‘bunda-suja’ —termo usado pelos militares com mais estrelas no peito para se referir aos que não alcançaram posições mais altas na carreira”.

Não põe sob escrutínio uma informação extraída de uma segunda fonte, como um bom biógrafo faria. Mais parece um aluno que copia um parágrafo da Wikipédia e altera algumas palavras para disfarçar.

Bolsonaro contestou quando a revista Veja disse que colegas de patentes mais altas usam a expressão “bunda-suja”. Saint-Clair, em vez de checar se militares de fato a adotam, ateve-se a reescrever o texto da revista: “Termo usado pelos militares de alta patente para designar os que não galgaram posições na carreira”.

Lançada num ponto nevrálgico da trajetória de seu personagem, a obra está mais para um canapé —até tem seu sabor, é verdade— do que para um material que sacie o apetite por investigação mais alentosa do biografado.

Um mérito: ao trazer na íntegra falas de Bolsonaro, dá ao leitor maior contexto para tirar suas próprias conclusões sobre algumas polêmicas que sempre o perseguem.

A briga com Maria do Rosário (PT-RS), por exemplo. O deputado sempre reclama que, ao mencionar o caso, jornalistas só relatam que ele disse que não a estupraria “porque você não merece”.

Saint-Clair remonta o episódio —que na verdade aconteceu em 2003, sem grande repercussão, e foi resgatado no Congresso pelo próprio Bolsonaro em 2014, aí sim provocando uma celeuma que fez dele réu no Supremo Tribunal Federal  sob acusação de apologia ao estupro.

A contenda começou quando a petista interrompeu o colega numa discussão sobre maioridade penal. Naquele ano, o país digeria o assassinato de um casal adolescente por um grupo liderado por Champinha, 16. O namorado foi logo executado; a namorada, estuprada coletivamente e morta cinco dias depois.

O leitor pode concordar ou se aviltar com argumento comum entre bolsonaristas, o de que Rosário “pediu por isso”.  Pode se alinhar ou não ao presidenciável no tema da maioridade —o vereador Ari Friedenbach, pai da menina morta, é contra a penalização de menores como se adultos fossem, aliás.

Mas é intelectualmente honesto que tenha o máximo possível de elementos da história para formar sua própria opinião. E Saint-Clair, por beber em fontes críticas e amigáveis a Bolsonaro, oferece uma bricolagem decente da carreira daquele que, na juventude, atendia pelos apelidos Palmito (por ser espichado e branquelo) e Cavalão (atlético).

Ali estão as querelas com a alta cúpula militar, após o então capitão reivindicar aumento salarial para a tropa e supostamente armar “a explosão de algumas espoletas” em quartéis, para assustar Leônidas Pires Gonçalves, ministro do Exército nos anos Sarney, que tachava de “incompetente e até racista”.

E também a primeira campanha política, para vereador carioca, quando “contava somente com uma moto de 250 cilindradas e dois ajudantes”: Negão Lino, soldado que servira com ele, e Edson Pau de Arara. Nas faixas pintadas à mão: “A esperança está em nós mesmos – Cap. Bolsonaro”.

Por um lado, capítulos reforçam rótulos há muito grudados em Bolsonaro, como o de homofóbico. Numa entrevista, ele diz que um casal gay como vizinho desvaloriza a sua casa. “Se eles andarem de mãos dadas, derem beijinho, vai desvalorizar.”

Há também espaço para o “macho sensível”. No casamento de Bolsonaro com a terceira e atual esposa, Michelle, celebrado por Silas Malafaia, o noivo chorou duas vezes —a segunda quando trocou alianças ao som de “Jesus, Alegria dos Homens”, de Bach.

Qual Bolsonaro vai agradar (ou desagradar) mais, aí fica a gosto do freguês.

Com informações da Folha de S. Paulo.


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Nº 24.681 - "Ao antecipar voto sobre Lula, Fux desrespeita princípio do Código de Processo Civil, que ajudou a escrever"

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02/08/2018

Ao antecipar voto sobre Lula, Fux desrespeita princípio do Código de Processo Civil, que ajudou a escrever

Do DCM - 2 de agosto de 2018 -  Publicado por Joaquim de Carvalho

........................Fux e Lula

Ao rejeitar a ação que procurava a declaração antecipada de inelegibilidade de Lula, o presidente do TSE, Luiz Fux, antecipou, na prática, o voto que deverá proferir quando a questão for, legitimamente, colocada na corte — ou seja, quando o PT registrar a candidatura do ex-presidente. Escreveu ele:

“Independentemente da análise do conteúdo do pedido, cujo entendimento deste prolator é publico e notório, a existência de vício processual insanável impede a própria apreciação do pleito. Não obstante vislumbrar a inelegibilidade chapada do requerido, o vício processual apontado impõe a extinção do processo”, disse ele.

Com essa manifestação, Fux desrespeita o “Código Fux”, como é chamado o novo Código de Processo Civil, que ele ajudou a escrever como coordenador de uma comissão de juristas.

O artigo 9o. do “Código Fux” determina: ”Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida.”

A defesa de Lula não foi ouvida no TSE, pela simples razão de que não existe processo. E, quando a questão lá chegar, não faltarão argumentos para sustentar o direito de Lula de ser candidato.

Os argumentos se sustentam nos próprios julgamentos do TSE, que já autorizou candidaturas em situação parecidas com as de Lula.

Em 2014, por exemplo, Paulo Maluf teve o registro da candidatura indeferido, disputou a eleição mesmo assim — enquanto o recurso não era julgado pelo TSE —, elegeu-se e o TSE, acolhendo o recurso, autorizou sua posse.

Fux pode ter a posição que quiser, mas deveria se manter em silêncio quanto a casos que poderá vir a julgar.  Não é adequado para um magistrado.

Muitas vezes, entrevistando juízes, ouvi deles: “Não posso falar de casos que ainda poderei julgar.”

Houve um tempo em que juízes só se pronunciavam nos autos e sempre de acordo com o que existe no processo. “O que está fora do processo está fora do mundo”… Quem, no direito, nunca ouviu essa expressão? Ou seja, se não está no processo, não existe.

Tudo o que Fux sabe sobre a inelegibilidade ou não de Lula é extra-oficial — uma reportagem do Jornal Nacional, por exemplo.

Se todos os juízes se comportarem como Fux, antecipando julgamento, sem ouvir as partes, fica a pergunta: Para que Justiça? Basta assistir ao Jornal Nacional e tomar a decisão.

Não é adequado, não é ético, não é próprio de uma nação civilizada.

Nesse caso, juízes não fariam julgamento, mas participariam de linchamentos.

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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Nº 24.680 - "Brasil tem 11 milhões de pessoas sem registro e 23 milhões vivendo de 'bico' "

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01/08/2018


Brasil tem 11 milhões de pessoas sem registro e 23 milhões vivendo de 'bico'


Do Jornal GGN - QUA, 01/08/2018 - 14:06

notice

da CUT


92,2% do total de 1 milhão de empregos gerados no último ano são precários. Taxa oficial de desemprego recua no trimestre encerrado em junho, mas ainda atinge 13 milhões de pessoas que buscam uma oportunidade

por Tatiana Melim

Com a economia estagnada e a legalização do bico, o que mais aumenta no Brasil é a geração de postos de trabalho precários, sem direitos, sem garantias.

Apesar da taxa oficial de desemprego ter recuado para 12,4% no trimestre encerrado em junho, o Brasil ainda tem 13 milhões de desempregados. Entre os trabalhadores e trabalhadoras que conseguiram uma ocupação, 11 milhões assinaram contratos sem registro em carteira e, portanto, sem direitos, e 23,1 milhões foram obrigados a recorrer ao trabalho por conta própria.

Se comparado com o mesmo período do ano anterior, são menos 497 mil trabalhadores com carteira assinada e mais 367 mil pessoas ocupadas, mas sem registro em carteira, ou seja, sem proteção trabalhista. Já o número de trabalhadores por conta própria teve um acréscimo de 555 mil pessoas no último ano.

Os dados divulgados nesta terça-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da pesquisa Pnad Contínua, mostram ainda que voltou a crescer no país o número de pessoas que não trabalham e nem procuram emprego. O contingente fora da força de trabalho chegou a 65,6 milhões, alta de 1,2% sobre o trimestre anterior e 1,9% (ou 1,2 milhões de pessoas) em comparação com o mesmo período de 2017.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, esse é o Brasil de Temer, que usurpou o cargo da presidenta Dilma prometendo aquecer a economia e gerar emprego, mas está entregando um país quebrado, com milhões de chefes de família desempregados.

“Quando foram à mídia defender a nefasta reforma trabalhista disseram que o fim da CLT e a legalização dos bicos gerariam mais de um milhão de empregos só este ano. O que eles estão gerando é desalento, desespero entre os trabalhadores que aceitam qualquer emprego ou vão trabalhar por conta para a família não morrer de fome.”

Segundo Adriana Marcolino, técnica da subseção do Dieese da CUT, praticamente todos os empregos criados no último ano foram em condições precárias.

“Isso significa que 92,2% do total de 1 milhão de empregos gerados são precários, com remuneração menor e renda estagnada.”

Já o total de pessoas fora da força de trabalho cresceu, em parte, porque as pessoas estão desistindo de procurar emprego. É o desalento, explica Adriana.

“O tempo de procura por um novo emprego está em mais de 11 meses, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese. Antes da crise, o tempo médio era de 6 meses.”

“Se a procura pelo emprego dura quase um ano ou mais, muita gente desiste de procurar, até por falta dinheiro para ir atrás de um novo trabalho”, diz a técnica da subseção do Dieese da CUT.

Dia do Basta - 10 de agosto

Para dar um basta ao desemprego e ao trabalho precário, o presidente da CUT afirma que é preciso ocupar as ruas e realizar paralisações no Dia do Basta, em 10 de agosto, quando haverá atrasos de turnos e atos nos locais de trabalho e nas praças públicas de grande circulação de todo o País.

“Vamos denunciar os desmandos promovidos pelo governo ilegítimo Temer e dizer basta de desemprego, de postos de trabalho precários, de retirada de direitos, de reforma trabalhista", diz Vagner.


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Nº 24.679 - "Armadilha para Lula no STF: nada é limpo numa 'Justiça com Partido' "

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01/08/2018


Armadilha para Lula no STF: nada é limpo numa “Justiça com Partido”

Do Tijolaço · 01/08/2018




POR FERNANDO BRITO

Não fique surpreso com a notícia que é, neste momento, manchete do site do Estadão, afirmando que “Fachin quer julgar pedido de liberdade de Lula ainda em agosto“.

O assunto acaba de virar manchete também no site da Folha., que reproduzo acima.


Não, não há nisso qualquer intenção de reexaminar, como será inevitável que se faça, a questão da execução da pena antes do trânsito em julgado da sentença do ex-presidente.


Se fosse assim, não haveria porque empurrar com a barriga, como se faz, a definição geral sobre o tema, com os julgamento das ações que discutem a constitucionalidade da questão.


É apenas uma armadilha, aproveitando-se do que, em Direito, chama-se “pré-questionamento” que, num escorregão – a meu ver – da defesa de Lula, menciona a questão da elegibilidade do ex-presidente num recurso ao STF.


Colocar a questão em pauta, agora, abre espaço para que, com uma decisão negativa, não seja reconhecido um recurso à Corte Suprema contra uma eventual – e provável – decisão do TSE de negar registro à candidatura Lula. Ou, ao menos, negar efeito suspensivo a tal recurso.


Não se iludam que isso venha a ser uma fórmula para que as eleições transcorram com liberdade e sem exclusões.


Tudo é caviloso e nada é sincero no exame judicial do caso de Lula.



Trata-se de uma “Justiça com Partido”, em sua porção dominante. E de uma Justiça sem coragem, na minoria que não se insurge contra o arbítrio, presa a  laços corporativos que falam mais alto do que consciências frágeis.

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Nº 24.678 - "2018, anno domini da revolução brasileira?, por Fábio de Oliveira Ribeiro"

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01/08/2018


2018, anno domini da revolução brasileira?, por Fábio de Oliveira Ribeiro


Do Jornal GGNQUA, 01/08/2018 - 09:26



por FÁBIO DE OLIVEIRA RIBEIRO

2018, anno domini da revolução brasileira?, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Em 2015, por uma série de fatores que não vem ao caso discutir aqui, a classe média aderiu ao movimento que resultou no golpe de estado disfarçado de processo de Impedimento. Em 2016 a presidenta Dilma Rousseff foi derrubada, mas o resultado do golpe foi devastador para a classe média. Os preços dos combustíveis subiram muito, o desemprego aumentou, o comércio encolheu, os preços dos serviços consumidos pela classe média (saúde, educação, etc...) continuaram aumentando e a taxa de juros não foi reduzida. A retomada econômica não ocorreu e o país está mais perto de afundar do que de se salvar, e se depender de Michel Temer apenas os banqueiros e os corruptos se salvarão.

Abandonada a própria sorte pelo desgoverno neoliberal a classe média será convocada a escolher o presidente do país. As opções que se apresentam para ela são basicamente três: o milagrinho 2.0 (proposta do PT com ou sem Lula), a continuidade neoliberal (Geraldo Alckmin) e a incerteza absoluta (Jair Bolsonaro). A candidatura presidencial de Ciro Gomes é inoportuna e inviável. A de Manuela D’Avila é importante e consistente, mas não passará no teste das urnas. A de Boulos idem. 

O que movimentou a classe média em 2015 foi um misto de ódio revanchista (instigado por Aécio Neves e pela imprensa) e de medo em razão da desaceleração econômica. O ódio da classe média ao PT está lentamente sendo diluído pela percepção causada pela crise econômica profunda alimentada pelo desgoverno Michel Temer. A reação dos caminhoneiros aos aumentos diários do preço do diesel é um bom termômetro. Eles haviam aderido ao golpismo com esperança de que teriam mais fretes e que gastariam menos com combustível. Ocorreu exatamente o oposto: os fretes reduziram em razão do aprofundamento da crise econômica e a política de preços da Petrobras ajudou a colocá-los em pé de guerra com os antigos aliados.

Octavio Ianni nos deu uma descrição acurada da classe média brasileira. Disse o grande sociólogo que nos momentos de crise e desespero:

“...sua consciência social parece realmente protestar. Não recorrem a esses métodos sem uma secreta ansiedade e preocupação; relutam em unir-se integralmente às organizações trabalhistas, embora sejam associadas dentro de uma estrutura comum. Agarram-se tenazmente ao seu mais elevado status social e nunca esquecerão a distinção entre eles mesmos e os trabalhadores manuais. Essa indecisão mesclada a incerteza torna-se ´´obvia quando são forçados a agir em conjunto com os sindicatos de trabalhadores. As diferenças são preservadas; não se fundem completamente. Formam-se alianças, mas as organizações permanecem separadas. O mesmo tipo de situação ocorre entre soldados profissionais, ou um exército em ação, por um lado, e um exército recrutado numa região que jamais esteve em guerra e está bem pouco preparado para ela; podem realizar manobras conjuntas, mas permanecem fundamentalmente separados, não havendo unidade de espírito. Em tempos normais, a consciência das diferenças predomina, não sendo totalmente eliminada na tensão da batalha. Assim, é mais na esfera das sociedades assistenciais e cooperativas, que não são organizações de classe, que o espírito associativo dos empregados de escritório entra em ação.” (Estratificação Social, Octavio Ianni, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1978, p. 355)

Uma coisa é certa nesta eleição presidencial. O fato de Geraldo Alckmin ter conseguido se tornar o candidato do Centrão (nome que foi dado aos políticos de diversos partidos que ajudaram a consolidar o sistema de poder político-midiático-judicial que surgiu com o golpe de 2016) não vai se traduzir automaticamente em votos. A classe média que se uniu contra Dilma Rousseff vai se dividir entre os candidatos que forem apresentados para a disputa.

O comportamento da classe média não será errático. Ele provavelmente obedecerá o esquema de associação/diferenciação que foi descrito por Octavio Ianni. A capacidade da classe média de odiar de maneira permanente um partido ou um político é moderada pelo temor da queda. O aprofundamento da crise econômica não interessa à classe média e a esta altura ela já começou a perceber que foi vítima de um “Boa noite, Cinderela...” político em 2016.

Se Lula for o candidato do PT ele ganhará facilmente a eleição. Se o ex-presidente petista for impedido de se candidatar o nome que ele indicar e apoiar será um concorrente com mais chances de ganhar do que o próprio Geraldo Alckmin, pois a garra dos militantes do PT sempre fez a diferença. Bolsonaro certamente tem espaço para crescer entre os eleitores de Alckmin, mas no eleitorado do PT a capacidade de penetração dele é reduzida.

Desde que Lula ganhou a primeira eleição instalou-se uma crise de hegemonia no Brasil. O governo tinha o povo, mas a imprensa, o empresariado e os juízes tinham vários instrumentos de poder à sua disposição para limitar o ímpeto reformista do PT. A queda de Dilma Rousseff foi um desdobramento dessa crise de hegemonia, mas o novo sistema de poder é instável. Ele terá que passar no teste das urnas. Se o candidato do Centrão (ou seja, dos políticos corruptos e entreguistas) perder tudo que foi feito poderá ser desmanchado. Se Bolsonaro ganhar alguma coisa do que foi feita será mantida, mas a hegemonia do governo será desafiada tanto pelo PT (e pelos movimentos populares) quanto por aqueles que se colocaram ao lado de Alckmin e que não querem ou não podem se apoiar num cachorro louco racista, homofóbico, truculento e autoritário.

No passado, as crises de hegemonia eram resolvidas através do populismo, reservando-se:

“… ao líder ou ao partido populista a função de intermediário entre os grupos dominantes e as massas. Deste modo, o reconhecimento da legitimidade da dominação populista por parte das classes populares significa, de certo modo, uma mediação – uma forma substantiva da hegemonia inexistente – para o reconhecimento do status dominante. Em uma palavra, na adesão das massas ao populismo tende necessariamente a obscurecder-se a divisão real da sociedade em classes com interesses sociais conflitivos e estabelecer-se a idéia do povo (ou da Nação) entendido como uma comunidade de interesses solidários. Pareceria dar-se o caso de que o que é vedado às classes dominadas como tais – reconhecer a dominação das demais classes em situação de crise hegemônica – é permitido aos indivíduos que as compõe através do ‘subterfúgio’ do reconhecimento das lideranças populistas. Na estrutura interna deste aparente absurdo está a raiz da irracionalidade essencial do populismo, da emocionalidade necessária da relação líder-massa. Como também a explicação da imprevisibilidade e da aparente ‘irresponsabilidade’ do comportamento de lideranças populistas; expressão de uma situação contraditória, são por vezes obrigadas a formular objetivos que não poderão atingir do mesmo modo que, em certas circunstâncias, poderão atingir objetivos que nunca pensaram em formular.” (O populismo na política brasileira, Francisco Weffort, Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1986, p. 159)

Alckmin não é populista. Bolsonaro quer ser um líder populista, mas como todo militar ele odeia a massa ignara. O PT teve a oportunidade de flertar com o populismo durante o "milagrinho econômico", mas a ligação direta entre governo popular e as massas foi moderada e de certa maneira interrompida por causa do sucesso econômico do governo Lula e dos primeiros anos do governo Dilma Rousseff. O distanciamento entre as lideranças petistas e suas bases fragilizou a capacidade do partido de Lula de resistir ao golpe de 2016. Essa ligação direta está sendo reestabelecida em razão da perseguição feroz a Lula, mas não me parece possível ao PT chegar novamente ao poder recorrendo ao populismo.

O espaço criado entre as massas e o partido existe e não será facilmente preenchido se Lula for solto. Se o ex-presidente petista ficar preso esse espaço diminuirá mais rapidamente (isso já tem ocorrido, razão pela qual podemos concluir que a estratégia do PT está funcionando), mas em compensação o líder não poderá exercitar o poder que conquistou sem recorrer a um intermediário. E esse detalhe limita a eficácia do populismo.

Sem Hugo Chavez o chavismo enfraqueceu na Venezuela. Sem Lula na presidência o lulismo inevitavelmente enfraquecerá no Brasil. Portanto, o cálculo que está sendo feito pelos inimigos de Lula no Poder Judiciário não está inteiramente equivocado. O plano do sistema de poder instaurado com o golpe de 2016 só tem um ponto fraco: a incerteza eleitoral (suponho que foi por esta razão que Sérgio Moro disse que as eleições livres põe em risco a Lava Jato). Lula não é um revolucionário. A moderação reformista dele durante os dois mandatos presidenciais é um fato. Mas se a represa neoliberal levantada pelos juízes/mídia/políticos corruptos estourar ninguém sabe exatamente qual será a posição dele. Lula pode obrigado a liderar uma revolução?

Bem… na história do Brasil tudo é possível. D. Pedro traiu o pai ao declarar a independência e se tornar o primeiro Imperador do Brasil. Deodoro da Fonseca era um militar fiel ao Imperador D. Pedro II, mas acabou se convencendo de que deveria trair a monarquia e proclamar a república (depois ele se arrependeu, mas era tarde demais). Michel Temer traiu Dilma Rousseff porque queria ficar impune. O usurpador está traindo o Brasil ao entregar aos gringos tudo que tem valor no país (petróleo, Embraer, Base de Alcântara, etc...) porque acredita que eles podem garantir sua impunidade (ledo engano, os gringos costumam se livrar de seus trastes estrangeiros sem qualquer pudor e com a mesma velocidade que usualmente empregam para corromper e recrutar outros).

De um lado a inescapável corrupção imposta pelo capital, através dos seus agentes e por causa dele. De outro a inevitabilidade da revolução. Em 1975 Paul Singer afirmou que:

“...tudo indica que o capitalismo está esgotando seu papel histórico: tendo surgido como um modo de produção que revolucionou a técnica de modo contínuo e sistemático, elevou os níveis de produtividade do trabalho humano a níveis nunca antes sonhados. A Revolução Industrial foi a grande realização histórica do capitalismo, e sua rápida difusão permitiu ao capitalismo tornar-se o primeiro modo de produção universal da história. Mas a Revolução Industrial teve por base a sistematização da atividade científica e sua conexão íntima com a produção. Daí surgiram descobertas que permitem, ao menos potencialmente, superar os limites da própria Revolução Industrial e libertar o homem do encargo de prover pelo seu próprio esforço direto os meios para seu sustento. O abismo que se abre entre esta potencialidade e as realizações do capitalismo indicam que ele não tem mais condições de levar a humanidade à era pós-industrial. A transformação das promessas da Revolução Técnico-Científica em realidade exige um outro modo de produção, em que o controle do processo produtivo seja retomado pela sociedade como um todo, de modo a eliminar qualquer tipo de privilégio que esteja no caminho da substituição do homem pelo autômato. Só assim a velha profecia de que em lugar do governo dos homens haverá apenas a administração das coisas poderá ser realizada." (Curso de introdução à economia política, Paul Singer, Forense-Universitária, Rio de Janeiro, 1975, p. 141/142)

A vida de Paul Singer se esgotou em 16 de abril de 2018. Antes disso, porém, ele foi obrigado a observar o esgotamento político e econômico da URSS e a fantástica guinada capitalista da China comunista. O capitalismo conseguiu sobreviver às diversas crises econômicas que ele mesmo criou desde a década de 1970. Mas a ideia da inevitabilidade da revolução socialista é tão persistente quanto a irritante capacidade do capitalismo de continuar migrando de uma crise a outra enquanto se reproduz à custa do suor, do sangue e das lágrimas de todos (inclusive dos excluídos que, paradoxalmente, não podem deixar de ser consumidores).

Não sabemos ainda se o capitalismo brasileiro conseguirá sobreviver à Lava Jato, mas me parece evidente que em algum momento todo o entulho lavajatiano (com Sérgio Moro, Deltan Dellagnol, etc…, incluídos) poderá ser ou necessariamente será descartado. Em algum momento o velho jeitinho brasileiro terá que voltar a lubrificar os negócios públicos e privados. Se ficarem no caminho do capital juízes e promotores também podem ser triturados.

Nesse momento Lula não é o amigo da revolução nem o verdadeiro adversário do sistema de poder que tenta sobreviver às eleições de 2018. Nos EUA e na Europa o neoliberalismo promete mundos e fundos e entrega apenas o crédito fácil a juros baixos para que todos possam se tornar escravos de suas dívidas. Cá os neoliberais nos oferecem várias coisas: menos direitos sociais, previdenciários e trabalhistas, mais desemprego, desnacionalização do petróleo, repressão policial, fome, Direito Penal seletivo, taxas de juros estratosféricas e condições de trabalho análogas às dos escravos. O Estado já parou de combater a escravidão, portanto, ela foi mais ou menos legalizada por omissão.

No contexto do neoliberalismo brasileiro os pobres ficaram miseráveis e a classe média empobreceu. Os extremamente ricos nunca correm riscos: aqueles que não estão lucrando com o golpe de 2016 já enviaram suas fortunas para os paraísos fiscais. Portanto, o verdadeiro inimigo de Alckmin e do Centrão (ou seja, da corja de ladrões, juízes e golpistas, não necessariamente nessa ordem) é a classe média. Após ter sido drogada e roubada a classe média brasileira começa lentamente a readquirir a consciência e o desejo de se preservar (ou de ser preservada pelo Estado, o que dá no mesmo). Lula está preso e tudo segue indefinido. O golpe ganhou, mas ainda não venceu.

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Nº 24.677 - "Raquel Dodge diz que Lula é ladrão! E o Temer, Procuradora Geral?"

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01/08/2018

Raquel Dodge diz que Lula é ladrão!
E o Temer, Procuradora Geral?
  
Do Conversa Afiada - publicado 31/07/2018


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De Bernardo Barbosa, no UOL:

Dodge diz que Lula desprezou "ideais republicanos" e defende prisão de petista


A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se manifestou contra recurso feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar suspender sua prisão.

Os advogados do ex-presidente querem que o Supremo conceda efeito suspensivo --ou seja, que suspenda a execução da pena-- ao recurso feito à Corte contra a condenação de Lula em segunda instância no chamado caso do tríplex, da Operação Lava Jato.

O UOL procurou a defesa do ex-presidente para saber se haveria comentário sobre a manifestação de Dodge e aguarda resposta.

Em documento de quase 80 páginas enviado ao Supremo no último dia 26 de julho e anexado ao processo nesta terça (31), Dodge fez duras críticas a Lula, dizendo que o ex-presidente "demonstrou desprezo aos ideais republicanos que prometeu cumprir como chefe de Estado" e "frustrou as expectativas de milhões de brasileiros" ao usar o cargo "para obter vantagem financeira".

A procuradora-geral defendeu a condenação de 12 anos e um mês dada ao petista pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito para o mais alto cargo do Executivo Federal com um ferrenho discurso anticorrupção, alardeando sua honestidade e prometendo combate aos dilapidadores dos cofres públicos. Elegeu-se em virtude de sua retórica de probidade e retidão. Tais fatos elevam sobremaneira o grau de censurabilidade da conduta do recorrente e devem ser punidos à altura.

Raquel Dodge, procuradora-geral da República

(...)

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PITACO DO ContrapontoPIG

... e quem ajuda a roubar o futuro de uma nação,  é o que ?

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Nº 24.676 - "Recorde histórico: 65,6 milhões sem emprego no Brasil"

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01/08/2018


Recorde histórico: 65,6 milhões sem emprego no Brasil


Do DCM - Publicado em 1 agosto, 2018 10:33 am



Reportagem de Lucas Vettorazzo na Folha de S.Paulo informa que o número de pessoas que não trabalham e nem procuram emprego bateu recorde no país. Apesar da taxa de desemprego ter desacelerado no segundo trimestre do ano, o contingente fora da força de trabalho chegou a 65,6 milhões, alta de 1,2% sobre o período anterior e o mais alto da série histórica do IBGE, iniciada em 2012, informou o órgão nesta terça-feira (31). As pessoas fora da força de trabalho são indivíduos em idade para trabalhar, mas que não estão em busca de oportunidade. Isso ocorre, geralmente, por conta do desalento, que é quando a pessoa desiste de procurar emprego depois de tentar sem sucesso.

De acordo com a publicação, a taxa oficial de desemprego do país ficou em 12,4% no segundo trimestre. Segundo analistas da Bloomberg a expectativa era de uma taxa de desemprego de 12,6%. O resultado representa queda em relação ao verificado no primeiro trimestre do ano, quando a taxa foi 13,1%. Os dados são da Pnad Contínua. Na comparação dos três meses encerrados em junho com igual período do ano passado, o emprego caiu também. Na ocasião, a taxa esteve em 13%. O contingente de desocupados, que são as pessoas que estão sem emprego, mas em busca de oportunidade, somou 12,9 milhões no segundo trimestre deste ano.

O indicador registrou queda frente ao apurado no trimestre encerrado em março, quando 13,6 milhões estavam nessa condição. No total, 723 mil pessoas deixaram a fila do emprego na passagem do primeiro para o segundo trimestre deste ano, diz a Folha.

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Nº 24.675 - "Eleição: não haverá substituto"

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01/08/2018


Eleição: não haverá substituto


Do Jornal "O Povo" - 29/07/2018

por Valdemar Menezes

Valdemar Menezes
O cenário político brasileiro sofreu um “freio de arrumação” com a decisão tomada pelo ex-presidente Lula de levar sua candidatura até o fim, seja qual for o resultado do seu registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no próximo dia 15 de agosto. O pedido de registro será testemunhado por milhares de apoiadores em Brasília. Se vetado, ele lançará mão de todos os recursos legais a que tem direito, inclusive depois de 17 de setembro, último prazo dado pela Justiça Eleitoral para mudar o candidato de uma chapa eleitoral. Isso significa que não haverá mais a estratégia ambígua, defendida por alguns, de indicar um substituto de última hora para receber eventual transferência de votos do dirigente petista. Toda a estratégia de correligionários e aliados deverá estar, daqui para frente, subordinada à diretiva: “é Lula ou Lula”.


BASE LEGAL

Base legal para isso – concorrer mesmo de dentro da cadeia - existe, de acordo com o advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, um dos responsáveis pela defesa do ex-presidente, em entrevista concedida à TV Estadão. A recusa, pela ministra Rosa Weber, do STF, de antecipar a impugnação da candidatura do petista, como foi pedido pelo Movimento Brasil Livre (MBL) é um indicativo disso. Aliás, concorrer a uma eleição, ainda que na condição de prisioneiro, não é inédito e já ocorreu em vários países. Um dos casos mais famosos foi o de Bobby Sands, líder do movimento pela autonomia da Irlanda do Norte, eleito em 1981, mesmo estando preso e condenado. Nos Estados Unidos, em 1920, o candidato do Partido Socialista, Eugene Debs, líder sindicalista, disputou a presidência da República de dentro de um presídio – e ficou em 3º lugar, obtendo cerca de um milhão de votos, dentre 26 milhões de eleitores.

PRECEDENTES BRASILEIROS

No caso do Brasil, 145 prefeitos condenados (alguns até encarcerados) com base na Lei de Ficha Limpa, no ano passado, concorreram às eleições, foram diplomados e até exercem o mandato, depois de insistirem nos recursos. No caso de Lula, ele não teve os direitos políticos cassados e não foi condenado em última instância, isto é, não teve o processo “transitado em julgado” (condição exigida pela Constituição). Ademais, pela Lei da Ficha Limpa, Art. 26-C: “O órgão colegiado do tribunal ao qual couber a apreciação do recurso (...) poderá, em caráter cautelar, suspender a inelegibilidade sempre que existir plausibilidade da pretensão recursal”. No caso de Lula, ele ainda tem muitos recursos plausíveis pela frente, até serem exauridos completamente. Assim poderá manter sua candidatura até que os recursos findem, o que atravessará toda a campanha eleitoral. Ou seja, ele poderá ser votado, mesmo na cadeia, e, se eleito, aguardar, aí, a diplomação.

IMPERATIVO

O entendimento crescente é o de que votar, ou não, em Lula é uma opção legítima, segundo a própria consciência política, mas, defender o seu direito constitucional de concorrer é um dever incontornável para qualquer democrata verdadeiro (seja da direita ou da esquerda), mesmo discordando das ideias do candidato e não votando nele. Pois se trata de defender a ordem jurídica constitucional, o Estado Democrático de Direito, e assim evitar, segundo os críticos, a naturalização de um regime de exceção em andamento, comandado pelo arbítrio de juízes, procuradores e delegados de polícia.

“NÃO SOU TRAIDOR”


Lula diz que não trairá os que confiam nele para reverter a crise que afunda o País. Segundo a Vox Populi, ele tem 41% das preferências, enquanto os demais pré-candidatos somam 29% - significando que seria eleito, em primeiro turno, com 58% dos votos válidos. Para ele, caberá à Justiça a responsabilidade de “sujar as mãos”. Quanto a si, acaba de receber a solidariedade de um grupo de 29 congressistas americanos, liderados pelo senador Bernie Sanders (pré-candidato à presidência dos Estados Unidos em 2016 e o mais prestigiado político do país). Outro que o visitou, em Curitiba, foi o deputado Roberto Gualtieri, do Parlamento Europeu, que ficou horrorizado com as ilegalidades do processo contra Lula: http://bit.do/esGgc

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