segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Nº 24.901 - "Cordeiros sabem apagar incêndios?"



03/09/2018

Cordeiros sabem apagar incêndios?

Do Brasil 247 - 3 de Setembro de 2018


por Valter Pomar*

Valter PomarA destruição do Museu Nacional não foi um acidente: é um crime e como tal deve ser tratado.

Também criminosa é a ameaça de assassinato contra os petistas do Acre, feita em praça pública por um candidato à presidência da República.

Espero que o governador, o senador, cada um dos deputados estaduais e federais, prefeitos e vereadores petistas daquele estado, assim como a direção nacional do PT, já tenham impetrado ações na justiça contra o criminoso.

Igualmente criminosa foi a decisão do Tribunal Superior Eleitoral, impugnando a candidatura de Lula.

Frente a um crime, o cidadão deve convocar as autoridades.

Frente a um crime cometido por uma autoridade, a cidadania deve substituir a dita cuja.

E se porventura nos faltar força para fazer isso imediatamente, não pode nos faltar coragem para dizer as coisas como elas são: Barroso & companhia cometeram um crime hediondo contra o povo brasileiro, contra as liberdades democráticas, contra a soberania nacional.

Apesar disso, certo candidato afirmou publicamente estar "triste" com a impugnação, mas também disse que "como em toda tragédia, há um lado bom": "agora pelo menos temos mais clareza do processo eleitoral".

O que o citado fulano não percebe é o seguinte: ao impugnar o candidato preferido da maioria do povo, o TSE deu um passo mais no sentido de transformar o "processo eleitoral" em uma fraude.

E da mesma forma como cada corte orçamentário contribuiu para o incêndio do Museu Nacional, cada medida arbitrária cometida contra Lula está contribuindo para incendiar a política brasileira.

É nesse contexto que deve ser vista a ameaça criminosa contra os petistas do Acre. O golpe, a prisão, a impugnação fazem parte de uma dinâmica que visa destruir fisicamente a esquerda brasileira.

É também por isso que, além de ansiosos, são profundamente ingênuos os que defendem acatar a decisão do TSE.

Ansiosos, porque a criminosa decisão nos deu 10 dias, nos quais a coligação, Lula pessoa física e seu vice poderão continuar aparecendo no horário eleitoral gratuito.

Tempo decisivo para que – se vier a ser esta a decisão de Lula e da maioria do Partido – se possa criar as condições para uma transferência de votos, na quantidade e na velocidade necessárias.

Condições que não incluem "acatar", mas sim lutar contra a decisão do TSE, tanto fazendo recursos jurídicos, quanto mobilizando e denunciando.

A frio, sem comoção, sem convencer cada eleitor lulista acerca do que está ocorrendo, corremos alto risco de vermos serem desmentidas certas pesquisas que hoje "garantem" altas taxas de transferência, do mesmo jeito que ontem certos advogados "garantiam" que a justiça seria justa, do mesmo jeito que anteontem certos dirigentes "garantiam" que eles não ousariam prender o Lula etc etc.

Além de ansiosos, os que defendem acatar a decisão do TSE são ingênuos, porque no fundo trabalham com hipóteses como: a) os criminosos vão parar por aí; b) os criminosos vão tratar o substituto diferente de como tratam Lula; c) os criminosos vão assistir sem reagir à transferência de votos; d) os criminosos vão desistir de transformar a eleição em uma violenta fraude.

No fundo, parte dos que defendem acatar a decisão do TSE agem como aquele lutador que, exausto, imagina que se parar de resistir, vai parar de apanhar.

A verdade é outra: adaptar-se não vai interromper a violência do lado de lá.

Se não reagirmos com indignação e força contra cada violência, a violência prosseguirá e será ainda maior. O que, ao final, converteria nossa participação nas eleições em trágica adaptação à fraude.

A violência e o golpe só podem ser detidos por quem estiver disposto a reagir, lutar e derrotar o inimigo: cordeiros não conseguem apagar incêndio.

Por tudo isso, segue certo e atual dizer: Lula livre, Lula candidato, Lula presidente.


VALTER POMARé historiador e integrante da Direção Nacional do PT

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Nº 24.900 - "PEPE ESCOBAR: INCÊNDIO É A QUEIMA DA NAÇÃO E CHEGOU A HORA DE CHUTAR A QUADRILHA"

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03/09/2018


PEPE ESCOBAR: INCÊNDIO É A QUEIMA DA NAÇÃO E CHEGOU A HORA DE CHUTAR A QUADRILHA


Do Brasil 247 - 03/09/2018

O correspondente internacional Pepe Escobar afirmou nesta segunda-feira, 3, que o incêndio que destruiu 200 anos de história do Museu Nacional é uma "metáfora cruel" de uma tragédia maior; "O Museu Nacional queimou como resultado direto da atual austeridade estrutural imposta pela - quadrilha ilegal que assumiu o poder no golpe institucional-Político-Judiciário-Judiciário, a variante mais sofisticada ainda da guerra híbrida implantada em todo o sul do mundo", diz ele; "A queima de pedaços vitais da memória coletiva brasileira histórica é uma metáfora trágica para a queima lenta de toda uma nação"



247 - O jornalista e correspondente Pepe Escobar criticou nesta segunda-feira, 3, os responsáveis pela tragédia que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, durante incêndio nesse domingo, 2. 

"O Museu Nacional queimou como resultado direto da atual austeridade estrutural imposta pela - quadrilha ilegal que assumiu o poder no golpe institucional-Político-Judiciário-Judiciário, a variante mais sofisticada ainda de guerra híbrida implantada em todo o sul do mundo", disse Escobar  em seu Facebook 

"Uma das primeiras medidas desta humilde quadrilha neoliberal uma vez no poder foi uma emenda constitucional congelando as despesas públicas por 20 anos. A queima de pedaços vitais da memória coletiva brasileira histórica é uma metáfora trágica para a queima lenta de toda uma nação. Está na hora de transmutar imensa tristeza em raiva. Raiva, raiva dura - e atira os malandros para fora", disse ele.

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Nº 24.899 - "O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu ao Comitê de Direitos Humanos da ONU e ao Supremo Tribunal Federal (STF), com pedido de liminar, para concorrer à Presidência da República."

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03/09/2018


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu ao Comitê de Direitos Humanos da ONU e ao Supremo Tribunal Federal (STF), com pedido de liminar, para concorrer à Presidência da República.


Do Blog do Esmael - 03/09/2018



Em coletiva à imprensa, nesta tarde, o vice Fernando Haddad relatou reunião que ele e advogados tiveram com Lula na carceragem da Polícia Federal de Curitiba (assista abaixo).

De acordo com Haddad, o PT apresentará os recursos num prazo de 10 dias. “Hoje na ONU e amanhã (terça) no STF”, disse.

Pelo placar de 6 votos favoráveis a 1 contra, o Tribunal Superior Eleitoral cassou na madrugada de sábado (1º) a candidatura do petista mas deixou que ele aparecesse no programa eleitoral, como apoiador, até o limite de 25% do tempo.

“PT já definiu que usará de todos os recursos para defender Lula e seu direito de ser candidato, conforme determinou o Comitê de Direitos Humanos da ONU. Não titubearemos nisso! Além do direito de Lula está em jogo o direito de voto do povo brasileiro”, afirmou a senadora Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT.


Assista ao vídeo:
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Nº 24.898 - "Defesa de Lula diz que decisão do TSE viola Lei das Eleições e promete ir 'até o fim' Neisser afirma que candidato poderia concorrer mesmo sob judice e promete ir ao STF contra a decisão"

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03/09/2018


Defesa de Lula diz que decisão do TSE viola 
Lei das Eleições e promete ir "até o fim"
Neisser afirma que candidato poderia concorrer mesmo sob judice e promete
 ir ao STF contra a decisão


Do Brasil de Fato  São Paulo (SP), 2 de Setembro de 2018 às 12:50

"Substituímos a farda pela toga. Só nos resta recorrer ao povo", avalia pesquisador. - Créditos: Lula/Reprodução (via Facebook)
"Substituímos a farda pela toga. Só nos resta recorrer ao povo", avalia pesquisador. - Créditos: Lula/Reprodução (via Facebook)


Após o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desta sexta-feira (31), que invalidou o registro da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, a defesa do candidato petista afirma que seguirá lutando por todos os meios para que ele possa concorrer às eleições conforme prevê a lei eleitoral que, segundo Fernando Neisser, da equipe jurídica do ex-presidente, foi violada pela decisão.

Em debate ao vivo transmitido pela internet, Neisser explicou que o julgamento aconteceu de forma apressada, ignorando os tempos do direito e que reflete um sistema de registro e campanha que favorece os partidos fisiológicos e as ilegalidades.

“Há uma regra no artigo 16 da Lei das Eleições (Lei nº 9504 de 1997) que diz que qualquer candidato que esteja respondendo à uma impugnação, mesmo já tendo sofrido julgamento da impugnação, enquanto ele estiver recorrendo, sob judice, pouca importa em qual instância, ele tem direito de fazer atos de campanha eleitoral e de ter seu nome inserido na urna”, explica Neisser, que afirma que esse dispositivo previne o fato de que “não há como voltar no tempo caso o candidato seja inocentado após as eleições”.

Segundo ele, o candidato concorre por conta e risco e caso não consiga reverter a inegibilidade após as eleições, a Justiça Federal pode anular os votos. “A reversão da inegibilidade é muito alta no Brasil. Nas últimas eleições, foram mais de 1500 casos. De 145 prefeitos que estavam inelegíveis, 75% foram absolvidos e puderam com uma liminar ser diplomados. Isso significa que o voto de milhões de brasileiros foi respeitado. Agora a gente corre o risco de ver dezenas de milhões de votos sendo jogados no lixo”, protesta.

Com a publicação da decisão do TSE neste sábado (1), os advogados irão entrar em até três dias com a defesa do ex-presidente. “Essa caminhada não acabou, [nós] vamos lutar pelo direito dele estar na urna, participar da eleição e tomar posse no dia 1º de janeiro de 2019, vamos levar a questão do TSE para o STF e vamos levar junto com essa argumentação essa força que tem por trás do presidente Lula, para tentar sensibilizar o Supremo, para que abra os olhos e respeite os direitos humanos e confira a possibilidade de mais da metade da população brasileira ter sua escolha respeitada”.

Estado de Exceção

A defesa de Lula afirmou estar “triste” com o resultado e com o fato de que os juízes ignoraram a decisão da Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, que defendia os direitos políticos de Lula. “Mostramos no julgamento que os países com maior índice democrático, são os que mais respeitam decisões desse comitê, ignorado por ditaduras e por países de democracia incipiente”, aponta Neisser.

Fernando Hideo, pesquisador de direito penal, acredita que quem ignora a decisão da ONU precisa entender melhor qual sua função. Segundo ele, o organismo ganhou força após a Segunda Guerra Mundial, devido ao fato de que “as barbaridades da Alemanha nazista foram feitas conforme o direito do país. Com isso, o mundo chega ao consenso de que o direito interno pode muito, mas não pode tudo” e que decisões como essa abrem “precedentes preocupantes”.

Hideo ressaltou que o julgamento acontece no aniversário de dois anos do afastamento de Dilma Rousseff pelo Senado e que faz parte de um processo mais amplo do que qualifica de um “Estado de exceção”, ou seja, “suspender as leis para perseguir o inimigo e depois voltar à normalidade”.

Em sua visão, o processo de Lula é repleto de ilegalidades desde o primeiro dia, e não respeita o tempo da justiça e sim o calendário eleitoral. “Quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o STF forem avaliar o recurso especial extraordinário, eles vão ter que avaliar essas ilegalidades, isso vai ser central. Ele foi condenado sem crime no caso do Triplex, por lavagem de dinheiro sem nenhuma operação em seu nome”, analisa.

O pesquisador lamenta que o país “tenha substituído a farda pela toga” e acredita que diante desse quadro, a única alternativa ao autoritarismo judicial é a resistência do povo.

“Se o sistema de justiça, que deveria ser o guardião da Constituição, é aquele que viola, a quem vamos recorrer? Fomos até a ONU e eles ignoraram. Só nos resta o povo contra a universalização do arbítrio. Nossa justiça sempre foi escravocrata, nunca abandonamos a forma escravocrata social e agora ela se volta contra o representante daqueles excluídos, porque os interesses neoliberais não vão ser implementados pela urna”, afirma Hideo.


Edição: Nina Fideles

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Nº 24.897 - "A interdição de Lula e a última ilusão, por Aldo Fornazieri"

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03/09/2018



A interdição de Lula e a última ilusão, por Aldo Fornazieri


Do Jornal GGN - 03/09/2018



A interdição de Lula e a última ilusão

por Aldo Fornazieri

Resultado de imagem para aldo fornazieriA interdição da candidatura Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral representou a queda da última ilusão que setores progressistas e petistas foram construindo desde o início de 2015. A ideia de que os golpistas não aprovariam o impeachment foi a primeira ilusão a cair, a prisão de Lula foi a penúltima e agora veio a última. Algumas outras, a exemplo do "nenhum direito a menos", ficaram pela estrada devastada pelo golpe como escombros e lições a aprender de como é possível destruir, em pouco tempo, os parcos direitos e avanços sociais conquistados às duras penas. Claro que ainda há recursos contra a decisão do TSE que precisam ser levados até o fim. Mas, no fundamental, o Judiciário, que hoje é o centro do golpe e do Estado de Exceção, já tomou a sua decisão e não vai retroceder.

Agora a quase unanimidade de vozes afirma que já se sabia que a interdição seria o desfecho. Mas há um grave problema nisso. Se esta conclusão era sabida e plausível por que razão a direção do PT apostou, fundamentalmente, na via judicial para tentar garantir o direito de Lula ser candidato e exigir a sua liberdade? É preciso lembrar que dirigentes petistas manifestaram a certeza absoluta de que o nome de Lula estaria nas urnas. A rigor, desde o momento em que se iniciou o martírio da condenação, da prisão e da interdição de Lula, apenas três atos, com alguma importância, foram efetivados: um em Porto Alegre no dia anterior ao julgamento pelo TRF4; um em São Bernardo, no dia da prisão de Lula e o último em Brasília, na inscrição da chapa.

Então, não há outra conclusão: se o desfecho como interdição era sabido, houve uma clara omissão da direção do PT e, em grande medida, ela foi artífice da derrota de Lula e do Partido. Sim, porque tirar Lula das eleições é uma imensa derrota para o povo brasileiro e para Lula, pois ele está impedido de oferecer o que de melhor tem enquanto político e enquanto ser humano ao Brasil e ao seu povo. Depois desse calvário, desse martírio, dessa perseguição e dessa injustiça, Lula traz não só as marcas da experiência, mas a sabedoria extraída da dor de ver-se injustiçado. E uma sabedoria extraída da dor, orientada pelo humanismo e pelo sentimento de compromisso e de responsabilidade para com o povo e o país, tem condições de edificar coisas grandiosas, de redimir sofrimentos recorrentes. É isto que está sendo negado ao povo, ao Brasil e a Lula. Uma dúzia de togados, envaidecidos de seu poder arbitrário, refestelados com seus privilégios indecentes, decidiu deixar o maior líder político do país, reclamado pelo povo como futuro presidente, no silêncio de sua solidão no cárcere, impedindo-o de doar-se ao país e ao povo. A história não oferecerá tão cedo nova ocasião propícia e fecunda como esta que foi dilacerada, apunhalada e rasgada pelos tiranos de toga.

A outra hipótese de que se pode cogitar em relação à direção do PT é de que ela acreditou na banca de advogados que defendem Lula nas ações penais e na frente eleitoral. Os erros e confusões jurídicas que esses advogados protagonizaram não são poucos. Não venceram nenhuma causa e transformaram a defesa num ninho de intrigas. Não impõem respeitabilidade diante dos juízes, nem pela postura e nem pela evidência de sua competência e de sua experiência. Alguns parecem mais preocupados com os seus ornamentos do que com os seus argumentos. Não uma só vez, parecem se dar uma importância superior a do Lula e a da causa que defendem. Juristas sérios haviam recomendado que o canal internacional ao qual deveria se recorrer era a Corte Interamericana de Direitos Humanos e não ao Comitê da ONU que, efetivamente, ao contrário do que disseram os advogados, não tem poder de impor uma recomendação.

Ademais, se o Brasil está diante de um Estado de Exceção Judicial, como efetivamente está, não são os recursos ao poder excepcional que solucionarão conflitos e estabelecerão as mediações necessárias. Embora se possa recorrer a esse poder para efeito de lula política e jurídica, só há um recurso que pode romper os impasses: o recurso às ruas, o recurso ao povo. Quando o Judiciário se torna parte política do conflito, o que decide é o jogo de forças, a imposição do temor, pois são esses elementos que podem induzir a uma solução negociada do conflito ou a uma conflagração maior. A conclusão que se pode tirar da leitura da conduta do PT, desde 2015, é a de que se trata de um partido que não entende os códigos do poder.

Acrescente-se que o PT é o partido preferido do eleitorado, com 24% a 29% de preferência, tem mais de dois milhões de filiados e presença forte nas instituições políticas, inclusive em governos estaduais. Isto também torna inexplicável o fato de o partido não ter apostado na mobilização popular para defender a liberdade e a candidatura de Lula. O momento político também era favorável às manifestações: Lula liderando e crescendo  em todas as pesquisas e os golpistas desmoralizados junto à opinião pública. Essa omissão, sem dúvida, contribuiu para interdição de Lula e para mais essa derrota do povo.

Embora Lula ainda tenha uma imensa capacidade de influência política, força junto ao povo e sua lealdade, a sua exclusão das eleições marca o fim de uma era política para o Brasil e para as esquerdas. Lula, por imposição de um Judiciário arbitrário, por força da pressão militar, por força da perseguição das elites e da grande mídia, foi afastado do protagonismo direto na presidência da República. Somente acontecimentos extraordinários e improváveis poderiam repor essa ocasião.

A partir dessa nova condição do Brasil, a luta política terá que ser outra, as esquerdas terão que ser outras e a organização e a força terão que entrar na ordem do dia para aqueles que querem mudar o país. O povo brasileiro não está apenas anestesiado pela grande mídia, mas está pacificado pelas esquerdas. Ao manter o povo dócil, passivo, sem transformar a indignação em ação, as esquerdas contribuem para manter o Brasil nas mãos dos malvados.

O que se viu na história recente foi Dilma deposta, Lula preso, Lula interditado e o povo quieto, o PT em casa. Há algo de estranho e inaceitável nessa conduta. Essa nova era terá que ser criada a partir da herança que Lula deixa e a partir de novas determinações, de um novo poder que imerja da sociedade, de baixo para cima, um poder constituinte do povo e, se for o caso, contra o Estado, pois este é instrumento de dominação e exploração e carece de sentido universalizante.

Após a decisão do TSE decepando a candidatura Lula, o advogado do PT, Luis Fernando Casagrande, teria declarado o seguinte aos juízes: "O PT se rende à decisão". Essa rendição não pode ser aceita. O arbítrio do Judiciário precisa ser combatido nos programas do PT e nas ruas. As eleições sem Lula são ilegítimas e o futuro presidente poderá ter contra si um movimento pela renúncia e por novas eleições. O Judiciário deixou de ser um poder mediador dos conflitos e se tornou o principal promotor da discórdia, do ódio e da degradação constitucional do país.

Em que pese a grave derrota para o povo e para o Brasil que a interdição da candidatura do Lula representa, os ilusionistas não param de criar fantasias mentirosas, vendendo uma falsa sensação de vitória, um triunfalismo imbecilizado. Antes tinham a certeza de que Lula estaria nas urnas e que subiria novamente a rampa do Planalto como presidente. Agora proclamam que os votos de Lula serão todos transferidos para Haddad e que este será o vencedor das eleições. Haddad até pode vencer. Mas não vencerá se acreditar nos ilusionistas. Estes seguem a típica ética da aventura de que fala Sérgio Buarque de Holanda: querem apanhar o fruto sem plantar a árvore. Ao invés de advertir para as dificuldades, preparando o espírito do povo para lutas árduas, tenazes e difíceis, vendem ilusões para colher derrotas. Sem responsabilidade, passam alegremente de uma ilusão a outra enquanto a tragédia brasileira se aprofunda.



Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política (FESPSP).om o guarda da esquina ou com o soldado da blitz na hora do rush ou da onça beber água,  a partir de meados do próximo ano.

N º 24.896 - "JUSTIÇA, LAWFARE, FASCISMO E INEGIBILIDADE."

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03/09/2018

JUSTIÇA, LAWFARE, FASCISMO E INEGIBILIDADE.


Do Blog do Mauro Santayana 1 de set de 2018





(Da equipe do Blog)

Não há nada mais falso, depois de um assassino que mata crianças dizendo que estava cumprindo ordens, que um juiz que, com a desculpa de se ater ao estrito cumprimento da lei, finge que as consequências de seus atos e decisões não irão ultrapassar os umbrais da sala de tribunal de que toma parte.

A justiça brasileira quis dar ao mundo, no último dia de agosto, a impressão de que o que estava em jogo no TSE era o julgamento isolado da elegibilidade ou não do ex-presidente Lula.  

Quando tratou-se apenas de mais um passo, talvez o definitivo, de um longo processo de combate político ao ex-presidente da República e ao seu partido que começou bem antes, quando se permitiu que fosse montada contra o PT a farsa do mensalão - urdida por pilantras que agora estão sendo investigados por outros crimes - com a inauguração da criminalização  da política pela justiça brasileira e o recurso a uma retorcida, dopada e mal importada teoria do Domínio do Fato.

Logo, a justiça brasileira não pecou  ontem. 

Continuou a fazê-lo quando, ciega pero no mucho, aceitou, sem impedimentos, que se montasse contra Lula um processo espúrio, extremamente frágil e polêmico em provas e cheio de ilações forçadas.

Baseado em casuísmos variados e delações de conveniência, com inegáveis motivações e drásticas consequências políticas.

Que desaguou em uma condenação de segundo grau igualmente espúria, caracterizada por inéditas pressa e parcialidade, que está sendo denunciada e repudiada em todo o mundo.

Nunca é demais lembrar que, escritura por escritura - e a do triplex do Guarujá não existe nem nunca existiu com relação a Lula - há  outros candidatos que foram extremamente mais bem sucedidos que o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva em seus negócios imobiliários nos últimos anos.

E ainda outros que, apesar de afirmar que irão pagar do próprio bolso sua campanha, irão fazê-lo com milhões de reais recebidos, também nos últimos anos, por serviços de consultoria prestados a empresas estrangeiras e aos seus interesses.   
             
Tivesse o Judiciário controlado a tempo e coibido exemplar e firmemente os arroubos onipotentes e egocêntricos da Operação Lavajato e seus inúmeros atentados contra o Estado de Direito, entre eles o da ampla divulgação do conteúdo do grampo telefônico de um Presidente da República, resistindo à chantagem de uma pseudo opinião pública fascista e à pressão de uma parcela da mídia, militante e partidária, a nação não teria chegado ao julgamento de ontem, em que a justiça brasileira teve de ser confrontada com o sistema internacional de defesa dos direitos humanos.

É incrível, tragicamente irônico, cristalinamente hipócrita, que um sistema de justiça totalmente incapaz de controlar e coibir a violência policial e o abuso de autoridade - lembre-se a proporção de 36 mortos pela polícia para cada policial morto no Rio de Janeiro, o aumento de quase 40% no número de mortes pela polícia, o maior dos últimos 15 anos, e de 128% no número de chacinas no último ano -  aja da forma mais empostada, prepotente, intransigente, arrogante e impiedosamente implacável contra um homem já preso e controlado fisicamente, com sua sentença ainda não transitada em julgado, impedindo-o de exercer seus direitos políticos, quando ele não foi condenado a isso e sim à pena de perda de liberdade, em um país no qual, como bem demonstrou a defesa de Lula, o mesmo Tribunal agiu de forma diferente com relação a 1500 candidatos a prefeito envolvidos com a lei da ficha limpa.

Ao impedir Lula de ser candidato, a justiça brasileira precisa ter plena consciência de que será responsabilizada pela História  por assumir o risco, diríamos, quase a certeza, de levar ao poder, com a sua decisão, nesta República, o policialismo, o armamento seletivo da direita e a apologia da violência repressiva do estado.

Que levarão à criação e implementação de leis eximindo a polícia que já é a que mais mata no mundo de qualquer punição ou controle, já que quem pode mais - matar sem ser punido - também poderá menos, torturando, extorquindo, abusando de todas as formas de quem quiser - em uma sociedade em que membros das forças policiais e de eventualmente outras áreas de segurança se transformarão em cidadãos de uma casta superior e especial, com poder de vida ou morte sobre a população que paga com seus impostos seus salários, suas armas e suas balas, sem nenhum tipo de controle social ou institucional, efetivando como lei o que já ocorre de fato, vide a intenção do Comando da Intervenção no Rio de Janeiro de isentar de responsabilidade os policiais envolvidos em mortes durante as operações e a ausência de qualquer punição prática por massacres cometidos pela polícia brasileira, que impactaram historicamente o mundo inteiro, como o do Carandiru e o de Eldorado do Carajás, por exemplo.

Todo sistema autoritário procura isentar seus soldados da morte de indesejáveis ou  adversários. 

Muitos soldados alemães que mataram mulheres e crianças no leste da Europa exibiam o adágio Gott Mit Uns - Deus Conosco em suas fivelas. Será que Deus estava mesmo com eles nessas ocasiões?   

E que não tentem nos convencer que um Estado que irá legalizar esse tipo de coisa será um exemplo de Democracia para o mundo.  

Uma “democracia” ora em estado de preservação e valorização graças à impoluta e patriótica contribuição da justiça nacional.

Porque ele será, neste país escravocrata, que deu a luz ao tronco, à palmatória, ao pau de arara, o sabiá, à jabuticaba e à chibata, e às masmorras medievais  repletas de sujeitos que sequer foram julgados, na verdade e na prática - talvez até mesmo devido à ausência de absurdo semelhante em qualquer nação civilizada -  o estado de exceção permanente mais violento e arbitrário do planeta. 

Em caso de indagações e dúvidas dos leitores sobre o que espera a nação, respostas eventuais com o guarda da esquina ou com o soldado da blitz na hora do rush ou da onça beber água,  a partir de meados do próximo ano.

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Nº 24.895 - "A (2ª) maior obra do Moro: o fim da indústria naval"

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03/09/2018

A (2ª) maior obra do Moro: o fim da indústria naval

80 mil desempregados. R$ 17 bilhões encalhados. Culpa também do PT


Do Conversa Afiada - publicado 02/09/2018


Estaleiros.jpg
Estaleiros.jpg

Sondas inacabadas, petroleiros semi-acabados enferrujam plataformas vendidas como sucata

"Sondas, plataformas e navios petroleiros, que tiveram investimentos de R$ 17,6 bilhões, estão parados em estaleiros do Rio e podem virar sucata. Crise da Petrobras e casos de corrupção levaram à suspensão de contratos bilionários. Até 2020, setor perderá 80 mil vagas."

É o que mostram Ordoñez e Bruno Rosa, com fotos (magníficas) de Márcio Foletto, no Globo Overseas (empresa que tem sede na Holanda para lavar dinheiro e subornar agentes da FIFA com objetivo de ter a exclusividade para transmitir os jogos da seleção).



NAVALHA



É óbvio que a maior obra do Judge Murrow foi prender o Presidente Lula.


Era missão que os interesses nacionais americanos lhe destinaram, desde que protegeu os tucanos e a senhora do Procurador Santos Lima no Banestado...

(Sobre a matéria - Banestado, CC5, Santos Lima, tucanos gordos e Moro não deixar de ler "Zé Dirceu - Memórias Volume I".)

Os juristas Gilberto Bercovici, Walfrido Warde e José Francisco Siqueira entregaram ao zé da Justiça uma genial solução para punir os ladrões - a maioria nomeada no governo do Príncipe da Privataria - e preservar a Petrobras, empresas de engenharia pesada e empregos, na sequência do trabalho deliberadamente destruidor do Judge Murrow.

O zé pretendia ser ministro do Supremo e não queria se confrontar com Moro - e, portanto, com o Supremo.

E engavetou a proposta salvadora.

(Esse é um dos capítulos da biografia não-autorizada do zé da Justiça que, breve, um estudante da PUC de São Paulo concluirá. Sua proeminência é uma das páginas sinistras do Governo Dilma.)

Portanto, Moro contou com a pusilanimidade petista.

Que deixou Moro correr solto!


PHA 


Em tempo: do amigo navegante Bruno Sulank, no Facebook do Conversa Afiada: "Consegui perder meu emprego no estaleiro Atlântico Sul em Pernambuco, obrigado Moro!"
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Nº 24.894 - "Exclusivo: Documentos revelam que MPF pediu para ouvir Tacla Durán na Espanha, mas desistiu. Por Joaquim de Carvalho"

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03/09/2018


Exclusivo: Documentos revelam que MPF pediu para ouvir Tacla Durán na Espanha, mas desistiu. Por Joaquim de Carvalho


Do Diário do Centro do Mundo -  3 de setembro de 2018

Publicado por Joaquim de Carvalho*
 
..........................................................Tacla Durán, Deltan Dallagnol e Carlos Fernando

O site de estrema-direita O Antagonista publicou um documento, provavelmente vazado pelo Ministério Público Federal, que dá conta de que o advogado Rodrigo Tacla Durán não quis prestar depoimento na Espanha a pedido da Lava Jato.

É meia verdade.

E meia verdade é também meia mentira e, como tal, de um jeito ou de outro, indigna de crédito.

Serve para alimentar fofoca, mas nunca como matéria jornalística.

Vamos aos fatos.

No dia 22 de agosto do ano passado, três procuradores da Lava Jato — Orlando Martello, Roberson Pozzobon e Júlio Carlos Noronha — encaminharam à Espanha pedido para tomar o depoimento de Tacla Durán.

O ofício foi remetido ao Ministério da Justiça espanhol, através do Ministério da Justiça brasileiro, com base na Convenção de Palermo, como é conhecido o tratado da ONU sobre crime organizado transnacional, e no acordo de auxílio jurídico mútuo assinado por Brasil e Espanha e transformado em decreto brasileiro em 2008.

Do lado espanhol, quem estava ciente do pedido era a procuradora Rosa Ana Morán Martinez.

No ofício, os procuradores fazem quatro solicitações à justiça espanhola:

– “Forneça as condições para que seja realizada a oitiva” de Rodrigo Tacla Durán.

– “Seja autorizada a exibição de documentos produzidos na investigação brasileira”.

– “Sejam as autoridades brasileiras informadas com antecedência para que possam programar viagem para participar do ato”.

– “Sejam compartilhadas eventuais provas já produzidas na Espanha”contra Tacla Durán.

A oitiva foi marcada para 4 de dezembro do ano passado, na Audiência Nacional, um tribunal superior da Espanha.

Nesse dia, Tacla Durán compareceu, mas não havia um único procurador brasileiro.

E, como prestar depoimento, se não havia quem interrogasse?

O site de extrema-direita O Antagonista publicou um trecho da ata da audiência, em que Tacla Durán aparece como questionado pelo juízo se gostaria de prestar depoimento, e ele disse que não, o que é natural: não havia perguntas específicas, nem procurador para formulá-las.

O que o site O Antagoista não informa é o teor do pedido brasileiro: a Espanha deveria apenas fornecer as condições para que a oitiva fosse realizada e permitir que os procuradores, além de perguntarem, apresentassem documentos.

É o que está no pedido, a que tive acesso.

Mas nenhum procurador compareceu.

E era a intenção deles comparecer, como fizeram constar no pedido — “Sejam as autoridades brasileiras informadas com antecedência para que possam programar viagem para participar do ato”.

A ausência dos procuradores pode ter relação com uma notícia que saiu no Brasil, a 27 de agosto, cinco dias depois de encaminharem o pedido na Espanha.

É que, nesta data, a Folha de S. Paulo publicou reportagem de Mônica Bergamo sobre o livro que Tacla Durán escreve, no qual relata que foi procurado pelo advogado Carlos Zucolotto Júnior, que lhe teria feito a proposta de obter facilidades no acordo de delação premiada, em troca de 5 milhões de dólares pagos por fora.

Carlos Zucolotto Júnior foi sócio de Rosângela Moro, esposa do juiz Sergio Moro e tem escritório no mesmo prédio do advogado que defende o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima em ações de direito administrativo.

No capítulo do livro tornado público, Tacla Durán transcreve o diálogo que teria mantido com Zucolotto, com quem, em outras situações, também já tinha tido relacionamento profissional documentado:


Carlos Zucolloto – Amigo, tem como melhorar esta primeira… Não muito, mas um pouco.

Tacla Durán – Não entendi.

Zucolotto – Há uma forma de melhorar esta primeira proposta. Não muito. Está interessado?

Tacla Durán – Como seria?

Zucolotto – Meu contato conseguiria que DD entre na negociação.

Tacla Durán – Certo. E o que ele pode melhorar?

Zucolotto – Vou insistir para que troque a prisão por prisão domiciliar e reduzir a multa, ok?

Tacla Durán – Para quanto?

Zucolotto – A ideia é reduzir a um terço do solicitado. E você pagaria um terço de honorários para resolver.

Tacla Durán – Ok. Pago a você os honorários?

Zucolotto – Sim, mas por fora, porque tenho que cuidar das pessoas que ajudaram com isto. Faremos como sempre. A maior parte, você me paga por fora.

Tacla Durán – Ok.


Em novembro do ano passado, na CPI da JBS, Tacla Durán entregou prints de seu celular, com o registro da conversa, prints que foram periciados na Espanha.

Carlos Zucolotto Júnior teria sido a razão para os procuradores desistirem de tomar o depoimento de Tacla Durán na Espanha?

Seria por causa da referência a DD?

Quem é DD?

Seria Deltan Dallagnol, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato?

Em vez de interrogar Tacla Durán, como ensaiou em agosto, o Ministério Público Federal talvez tenha optado pelo vazamento de uma meia verdade para um site amigo.

Tacla Durán reafirmou, através de seu advogado, Sebastian Suarez, que está à disposição das autoridades brasileiras para prestar depoimento.

.x.x.x.

PS: Encaminhei ao MPF no Paraná e-mail com o seguinte teor:

“Estou preparando reportagem sobre a oitava solicitada pelo MPF à justiça espanhola para ouvir Rodrigo Tacla Durán. O pedido foi enviado no dia 22 de agosto do ano passado e a audiência, realizada em 4 de dezembro. Na data, porém, nenhum procurador representou o Brasil.

Em razão disso, gostaria de ouvir o MPF sobre a razão de nenhum procurador ter comparecido, apesar do pedido registrar, expressamente, o desejo de que os procuradores fossem avisados com antecedência, para programarem a viagem e também do pedido circunscrever a ação das autoridades espanholas a fornecerem condições para a realização da oitava.””

Assim que receber a resposta, será publicada.

 


O ofício em que o MPF pede para ouvir Tacla Durán
A ata da audiência publicada pelo Antgonista: meia verdade


Jornalista, com passagem pela Veja, Jornal Nacional, entre outros. joaquimgilfilho@gmail.com

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Nº 24.893 - "A imolação da História"

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03/09/2018



A imolação da História


Do Tijolaço · 03/09/2018




POR FERNANDO BRITO

Sem telhados e os pisos de madeira, com grande parte do seu imenso acervo em cinzas, o Museu Nacional segue, neste momento, cumprindo a sua função: a de nos mostrar que é preciso conhecer o que fomos e refletir sobre onde nos leva a trajetória humana, especialmente a brasileira.

Olhar para suas ruínas é olhar para um país que está se consumindo pelo descaso com o que é seu, uma terra na qual os cupins do “corta, corta” destroem tudo para alimentar a fogueira financeira onde somos queimados e que ontem lançou suas labaredas sobre o museu, seus guardados e suas pesquisas que, teimosamente, insistiam em continuar.

Afinal de contas, para quê, se destas pesquisas não saem softwares, gadgets, tecnologias para startups?

Conhecimento que não gera dinheiro rápido é uma bobagem, não é? “Eu só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder”, canta o hino dos tempos neoliberais. Olhar sobre o passado, para eles, não é aprendizado, é perda de tempo, quando não sentimentalismo romântico, próprio de fracassados e inúteis.

Os pesquisadores que andavam por lá, a estudar fósseis, coleções de insetos ou esqueletos milenares não têm, afinal, SUVs, não torram em champagne nas baladas, não “agregam valor”, na visão argentária da gente míope que nos governa e, sobretudo, que domina o olhar da sociedade.

Saber, mesmo, é saber ganhar dinheiro e até por isso apontam como os que devem dirigir o país o apresentador e o promoter bem-sucedidos como os mais capazes de nos dirigir, ou então os “candidatos do bilhão” que sabem tudo o que é preciso saber: ganhar dinheiro.

Afinal, herança que interessa são fazendas, apartamentos, investimentos que se acumulam, para produzir gerações de inúteis que deles vivam, além de uma camada de executivos que disso cuidem e façam render.

Não faltará logo quem proponha uma “parceria-público-privada”, para cuidar da velharia em troca dos ingressos, dos royalties de marcas e de souvenirs para, quem sabe, rebatizar o que sairá daquelas cinzas como “Palácio Itaú de História”.

Não sei se, no mundo dos fatos, o fogo veio de uma emenda de fios desencapada, de uma lâmpada em curto, de um acidente, fortuito, que o descaso fez virar tragédia.

Cá comigo acho que, no mundo dos símbolos, que usam os fatos como matéria-prima, o velho prédio imolou-se, resolveu arder em chamas contra a burrice, contra o obscurantismo, contra a estupidez dos cupins cortadores que, a esta altura, devem estar achando que aquilo ocorreu porque era um prédio antigo, ultrapassado, inútil.

Como é ultrapassada e inútil a História.

Tal e qual um budista, impávido, o velho prédio imolou-se para que todos vissem arder de súbito, em chamas e calor, a destruição fria e indiferente em que o queimamos durante décadas.


Exatamente como fazemos com o Brasil.

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domingo, 2 de setembro de 2018

Nº 24.892 - "Decisão do TSE exige vigorosa campanha por Lula"

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02/09/2018


Decisão do TSE exige vigorosa campanha por Lula


Do Brasil 247 - 2 de Setembro de 2018


por JOSÉ REINALDO CARVALHO

José Reinaldo CarvalhoA sentença do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, interditando-o de candidatar-se à Presidência da República no Brasil, é mais um fato escandaloso a despir aos olhos estupefactos do mundo, para a vergonha nacional, o caráter retrógrado das instituições que imperam hoje no Brasil.

A conduta ditatorial dessas instituições levando adiante uma inominável perseguição política ao maior líder popular da História do país faz parte do fio de acontecimentos de um golpe político, parlamentar e midiático, erradamente chamado de golpe brando, à imagem e semelhança, ressalvadas formas peculiares, do que ocorre em toda a região da América Latina e Caribe.

Vivemos hoje os efeitos de uma multifacética ofensiva reacionária, conservadora e restauradora neoliberal, fruto de interesses convergentes e de esforços combinados entre as elites mundiais do sistema imperialista, do governo dos Estados Unidos como seu núcleo hegemônico, e das classes dominantes a ele aliadas da região.

A prisão de Lula e agora o impedimento de que seja candidato à Presidência da República no Brasil é uma etapa culminante da série de golpes perpetrados pelo imperialismo e as oligarquias locais desde o golpe contra Zelaya, em Honduras (2009); o golpe parlamentar contra Fernando Lugo, no Paraguai (2012); o impeachment contra Dilma Rousseff no Brasil (2016), e as vitórias eleitorais fabricadas na Argentina, no Chile, Paraguai e Colômbia. A exceção é o México, onde venceu uma corrente patriótica, o que pode representar um ponto de inflexão da conjuntura política latino-americana.

No Brasil, um torquemada travestido de juiz liberal, pretenso intelectual e reformador orgânico da direita, persegue Lula, o PT e o conjunto da esquerda, considerando-se vocacionado a promover a refundação da República. Posiciona-se na vanguarda de uma operação de desqualificação da política democrática e progressista, confundida, em seu linguajar empolado e postura teatral, com as abomináveis práticas de políticos carcomidos das classes dominantes, ultrapassados, alvos fáceis de críticas a práticas que supostamente justificariam a terra arrasada da vida política.

Ao tempo em que fazem isto, os setores golpistas alentam objetivamente a ação do neofascismo brasileiro, a fim de forjar uma polarização deste com a direita pretensamente republicana e centrista, representada pelo candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, numa ação retroalimentadora que chega ao ponto de um ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, explicitar a estratégia do antipetismo para forçar um segundo turno entre o ex-governador paulista e Bolsonaro.

Esta manobra não deixa de ser mais uma movimentação no sentido de favorecer os planos da direita e radicalizar o discurso antipetista e anti-esquerda, considerando, segundo as palavras de Fernando Henrique Cardoso, que o PT hoje está mais "intransigente" e "hegemônico"do que antes. Nesta crítica reside a reação das classes dominantes referenciadas no PSDB de FHC e Alckmin ao grande e virtuoso giro estratégico e tático do PT para a esquerda a partir do golpe que depôs a presidenta Dilma.

O postulado de FHC é uma manobra estratégica e tática voltada para impedir o credenciamento nas urnas de 2018 de uma alternativa antineoliberal, democrática, progressista e popular, a favor do Brasil, de seu povo e demais povos latino-americanos e caribenhos. Ele preconiza a polarização Bolsonaro versus PSDB.

Não pode a esquerda brasileira cair no derrotismo e resignação. A polarização é outra: Lula versus quem vier do lado de lá representando a direita.

É sintomático que enquanto isto ocorre no Brasil, estão em pleno vapor as campanhas para derrocar o governo sandinista nicaraguense, o bolivariano na Venezuela, intensifica-se o bloqueio a Cuba e apareçem os sinais do combate para derrocar o governo popular de Evo Morales na Bolívia.

A vitória das forças progressistas e de esquerda no Brasil em 2018 é condição sine-qua-non para que a América Latina siga em pé de luta e mantenha através da Celac - Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos - a decisão de atuar com sentido unitário e integrador.

Isto implica o apoio do conjunto das forças de esquerda brasileiras à decisão do Partido dos Trabalhadores de lutar "contra a cassação política, com Lula até o fim", e do Partido Comunista do Brasil, que condenou a decisão do TSE de impugnar Lula como uma "afronta à democracia" e conclamou o povo brasileiro a dar "a essa violência contra a democracia" uma resposta, que é a "vigorosa campanha eleitoral para eleger, em 7 de outubro, a chapa presidencial liderada por Lula, com ele candidato ou não".



JOSÉ REINALDO CARVALHO. Jornalista, pós-graduado em Política e Relações Internacionais, diretor do Cebrapaz – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz

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