terça-feira, 2 de outubro de 2018

Nº 25.053 - "Exclusivo: Moro descumpriu TRF-4 e Acordo e abertura de sigilo de Palocci foi ilegal"

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02/10/2018

Exclusivo: Moro descumpriu TRF-4 e Acordo e abertura de sigilo de Palocci foi ilegal


Do Jornal GGN - 02/10/2018

Patricia Faermann

 

Jornal GGN - A abertura do sigilo de trecho da delação do ex-ministro Antonio Palocci pelo juiz federal Sérgio Moro, a uma semana para as eleições 2018, contrariou todas as determinações do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) na homologação da delação, em junho deste ano, e também todas as regras acertadas no Termo do Acordo assinado pela Polícia Federal.

O GGN expõe, abaixo, ponto a ponto, como a abertura do sigilo de Palocci pelo magistrado de Curitiba desobedeceu o que foi imposto pela instância superior e pelo próprio acordo assinado pela Polícia Federal e o investigado. 

O que disse o TRF-4?


No dia 21 de junho deste ano, o desembargador federal João Pedro Gebran Neto homologou o acordo entre a PF e Antonio Palocci, estabelecendo alguns critérios. Entre eles, determinou:

 

Apesar de não ter conhecimento de atos posteriores do juiz de primeira instância, que agora acarretariam no levantamento do sigilo, Gebran, o relator da Lava Jato no TRF-4, admitiu que o sigilo somente poderia ser levantado pelos juízes da primeira instância de Curitiba. 

Mas, com a condição de observar "o disposto no artigo 7º, §3º, da Lei nº 12.850/2013 e no parágrafo primeiro da Cláusula 14ª do Termo de Acordo".

A lei mencionada é a que "define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o procedimento crimina". 

O artigo tratado por Gebran estabelece que "o pedido de homologação do acordo será sigilosamente distribuído, contendo apenas informações que não possam identificar o colaborador e o seu objeto". E, em seu parágrado terceiro, diz que "o acordo de colaboração premiada deixa de ser sigiloso assim que recebida a denúncia, observado o disposto no art. 5o."

Entretanto, a delação de Antonio Palocci foi assinada no fim de abril deste ano, exclusivamente com a Polícia Federal, e ainda não foi usada pelo juiz Sérgio Moro para validar ou como meio de prova para alguma ação penal. Tampouco o Ministério Público acrescentou estes dados de Palocci, fornecidos à PF, em nenhuma denúncia encaminhada a Moro.

Dessa forma, o acordo precisaria ser mantido em sigilo, até que tais trechos fossem efetivamente usados em alguma denúncia aceita por Moro. 

Mas, considerando hipoteticamente que tal delação tenha sido utilizada na ação penal que Moro despachou - os autos usados pelo magistrado para abrir o sigilo das acusações de Palocci -, mesmo neste caso, o juiz teria descumprido o prazo regimental.

Isso porque o processo em questão é a que questionava dois imóveis, um que seria a sede do Instituto Lula, em São Paulo, e outro, vizinho ao apartamento do ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo, que na tese dos investigadores, teriam sido adquiridos com recursos de propinas com origem em contratos ilícitos envolvendo a Odebrecht e a Petrobras.

A denúncia deste caso foi enviada pelo MPF a Moro ainda em 2016 e foi aceita pelo magistrado em dezembro de 2016. Naquela ocasião, Palocci ainda não havia fechado acordo de colaboração. 

E, para atender o que diz o artigo 7º da Lei nº 12.850, a decisão sobre abrir ou não o sigilo da delação de Palocci precisaria ser feita imediatamente após os trechos do acordo serem incluídos na denúncia em questão. Mas eles não foram incluídos na denúncia.

Outra determinação de Gebran foi que Moro precisaria observar a Cláusula 14ª do Termo de Acordo assinado entre Palocci e a Polícia Federal. E é aí que entram todas as cláusulas estabelecidas entre as partes interessadas na colaboração, incluindo os cenários em que o sigilo deve ser mantido. 

 O que diz a PF no Termo do Acordo?


 

A Cláusula 14ª trata especificamente do sigilo e inclui oito parágrafos. E todos eles também foram desobedecidos por Moro. Abaixo, cada um deles:
 

O primeiro parágrafo não influi no sigilo em si, mas apenas garante aos investigadores usarem os depoimentos de Palocci em quaisquer investigações, mesmo que estejam em segredo de Justiça. 


Já o parágrafo segundo estabelece a abertura do sigilo quando for(em) aceita(s) pela Justiça uma ou mais denúncias que utilizem as delações de Palocci como meios de prova. O que, conforme já explicamos acima, não ocorreu. 

E, ainda, determina que as acusações divulgadas devem guardar relação direta com a denúncia. Conforme o GGN divulgou nesta segunda (01), as acusações de Palocci liberadas por Moro tratam de temas diversos e aleatórios contra a cúpula do PT e, em uma primeira análise, tampouco dizem respeito à denúncia de possíveis ilícitos na suposta aquisição da sede do Instituto Lula ou do apartamento vizinho ao do ex-presidente em São Bernardo.

Portanto, uma vez mais, descumpre a determinação de quando esse sigilo deve ser retirado. 


O terceiro parágrafo afirma que a defesa de Palocci poderá usar como base aquele acordo fechado com a PF para outras negociações de colaboração com outras instâncias ou Justiças, desde que sejam relacionados a outros "fatos delituosos" sem conexão aos inquéritos que tramitam em Curitiba. 

Neste ponto, foi Gebran, em sua decisão de homologar o acordo, que impôs mais regras: 


O desembargador determinou que as acusações de Palocci só podem ser juntadas a investigações de outras Justiças, afora do Paraná e da Quarta Região, se não "violar o sigilo, que lá [nestas outras Cortes] deverá ser preservado". Ou seja, Gebran mostra preocupação em insistir pelo sigilo. 


O parágrafo quarto permite o acesso/leitura do acordo da "eventuais pessoas denunciadas" com base naquelas acusações. Contra isso, o que Sérgio Moro fez foi torná-lo público a todos.


O sexto parágrafo garante que o sigilo deve ser mantido não somente na transcrição, como também nos áudios e vídeos dos depoimentos. 


O parágrafo sete descreve outras regras não seguidas por Sérgio Moro: estabelece que Palocci concordará com a divulgação de suas acusações "sempre que a Polícia Federal reputar tratar-se de medida necessária ao atendimento do interesse público ou à efetividade das investigações".

Essa regra obriga à Justiça a consultar a PF se quiser retirar o sigilo, uma vez que o órgão é interessado e autor do acordo. Mas no despacho que autorizou divulgar as acusações de Palocci, Moro não pediu o posicionamento da PF. 

Ainda, a manifestação da PF precisaria justificar que liberar tais acusações seria por "interesse público" ou pela "efetividade das investigações", ou seja, por que liberar tais depoimentos ajudaria na apuração. Não há nenhuma dessas sustentações da PF, uma vez que ela sequer foi consultada.


O último parágrafo diz que se o acordo for fechado depois da sentença do juiz, a pena do delator pode ser reduzida, e suas acusações permanecem em sigilo "para o fim de se preservar a eficácia das demais investigações". Uma vez, mais insistindo no segredo de Justiça. 

Por fim, as primeiras cláusulas do acordo também informam que a delação de Palocci poderia ter efeito em cinco investigações em andamento. Nenhuma delas é a ação penal relativa às propriedades do Instituto Lula ou do apartamento em São Bernardo, que Moro usou como justificativa para abrir o sigilo.

O que diz Sergio Moro?


Para liberar as acusações publicamente, Moro apenas disse que a publicidade daqueles trechos da delação de Palocci não acarretariam em "riscos às investigações". 



"Examinando o seu conteúdo, não vislumbro riscos às investigações em outorgar-lhe publicidade. Havendo ademais ação penal em andamento, a publicidade se impõe pelo menos no que se refere a depoimento que diz respeito ao presente caso", restringiu a dizer no despacho, sem nenhuma outra sustentação para todos os descumprimentos acima listados.

Mas mesmo nessa justificativa de Moro, o quinto parágrado do termo do acordo de Palocci também confronta:


Nesse trecho, a PF e a defesa de Palocci assumem que os trechos do acordo que não têm relação com aquelas cinco investigações em andamento (que não inclui o caso despachado por Moro) devem ficar em sigilo. 

Conforme foi exposto, as acusações tornadas públicas agora por Moro não têm relação direta com a ação penal tratada, das propriedades do Instituto Lula e de São Bernado. E, portanto, também precisariam ser mantidas em sigilo porque, na tese da PF, poderiam prejudicar outros inquéritos que tivessem como base aquelas acusações.

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Nº 25.052 - "MANIFESTO INTERNACIONAL: JUDICIÁRIO AMEAÇA ELEIÇÃO E FAVORECE BOLSONARO"

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02/10/2018

MANIFESTO INTERNACIONAL: JUDICIÁRIO AMEAÇA ELEIÇÃO E FAVORECE BOLSONARO

Do Brasil 24702/10/2018 

Um manifesto internacional alerta para o risco que corre o processo eleitoral brasileiro, com a "instrumentalização do Poder Judiciário" que condena injustamente "políticos vistos como um freio na agenda ditada pelos mercados" e abre "a perspectiva perigosa de vitória em um candidato fascista, racista, misógino e homofóbico, autor de convocações à violência e repressão armada"; entre outros, assinam o texto Celso Amorim, Noam Chomsky, e Baltasar Garzón


247 - Um manifesto internacional assinado por juristas, intelectuais, jornalistas e líderes de direitos humanos alerta para o risco que corre o processo eleitoral brasileiro, com a "instrumentalização do Poder Judiciário" que condena injustamente "políticos vistos como um freio na agenda ditada pelos mercados" e abre "a perspectiva perigosa de vitória em um candidato fascista, racista, misógino e homofóbico, autor de convocações à violência e repressão armada".

Assinam o manifesto, lançado na Espanha, entre outros, o embaixador Celso Amorim, o intelectual Noam Chomsky, professor emérito do Massachusetts Institute of Technology (MIT), o jurista espanhol Baltasar Garzón, que em 1998 mandato de prisão contra o ditador chileno Augusto Pinochet por tortura e morte de cidadãos espanhóis, Pierre Sané, ex-secretário-geral da Anistia Internacional e Renata Ávila, diretora da Fundação Cidadania Inteligente da Espanha.

Segue a íntegra do texto em tradução do 247 (leia aqui o texto original)

A deposição da presidente Dilma Rousseff, em 31 de agosto de 2016, lançou um ataque contra a democracia no Brasil, cujo marco seguinte foi, em 01 de setembro de 2018, a cassação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder das pesquisas para as eleições presidenciais de 7 e 28 de outubro. Como resultado de ambos os atos, fica a cidadania brasileira diante da perspectiva perigosa de vitória em um candidato fascista, racista, misógino e homofóbico, autor de convocações à violência e repressão armada.

Esses dois golpes ilegítimos, golpe parlamentar contra a presidente Rousseff e golpe judicial para a condenação de Lula sem provas a 12 anos de prisão e agora sua cassação como candidato, são passos de um plano para evitar que o Partido Trabalhadores (PT), a que pertencem, possa implementar o modelo de redistribuição da riqueza, de redução das desigualdades sociais, raciais e de gênero, que nos 16 anos desde 2002 têm sido exemplo bem sucedido de uma alternativa ao neoliberalismo que causou a crise global.

Alertamos para a instrumentalidade do Poder judiciário, no Brasil e outros países em desenvolvimento, como a ponta de lança de uma estratégia global do capital financeiro internacional e dos meios de comunicação que não cumprem seu dever de veracidade. Esta estratégia prossegue, sob a alegação de luta contra a corrupção; na verdade, pervertem rtal objetivo para retirar da corrida eleitoral, com sentenças injustas, políticos vistos como um freio na agenda ditada pelos mercados.

Particularmente preocupante é a situação do Brasil, país que, com grande vigor, foi um grande impulsionador do multilateralismo e de iniciativas valiosas, tais como os BRICS e que agora decidiu ignorar a determinação da Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas para "garantir os direitos políticos de Lula, incluído o de ser candidato nas eleições presidenciais de 2018."

Nossa preocupação é grave, pelas consequências que o favorecimento ilegítimo à vitória do candidato fascista no Brasil podem ter tanto internamente como na arena internacional, onde líderes da extrema direita mais belicosa ascendem e até governam, com os votos resultantes da frustração com a crise de 2008 e o austericídio pelo qual o neoliberalismo é responsável.

Pero también porque para que el resultado electoral de los comicios del 7 y 28 de octubre sea pacíficamente aceptado por la sociedad, deben garantizarse las condiciones de justa concurrencia entre candidatos de todos los partidos, incluido el PT.

Estamos igualmente preocupados com a aceitação pacífida dos resultados eleitorais de 7 e 28 de outubro, uma vez  garantidas as condições de disputa leal entre os candidatos de todos os partido, incluindo o PT.

A lista dos signatários, em espanhol:

Celso Amorim, ex Ministro de Defensa y de Relaciones Exteriores de Brasil

Renata Ávila, Directora de la Fundación Ciudadanía Inteligente

William Bourdon, Abogado y socio fundador de Bourdon & Associés

Pedro Brieger, Periodista y director de NODAL

Noam Chomsky, Profesor Emeritus del Massachusetts Institute of Technology (MIT)

Gaspard Estrada, Director Ejecutivo de OPALC, Sciences Po

Baltasar Garzón, Jurista y Presidente de la FIBGAR

Rafael Heiber, Director Ejecutivo y Co-fundador del Common Action Forum

Alexander Main, Director de Política Internacional del CEPR, Washington, DC

Pierre Sané, ex Secretario General Amnistía International y Presidente del Instituto Imagine Africa.

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Nº 25.051 - "Embraer à venda: Brasil pode abrir mão de seu principal polo tecnológico"

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02/10/2018

Embraer à venda: Brasil pode abrir mão de seu principal polo tecnológico

Medida é articulada por meio de um acordo entre as duas gigantes; trabalhadores se queixam de falta de informação


Cristiane Sampaio

Do Brasil de Fato | Brasília (DF), 02/10/2018

Empresa de capital aberto, Embraer foi fundada em 1969 e é a terceira maior do mundo em produção de jatos comerciais - Créditos: Arquivo/Agência Brasil
Empresa de capital aberto, Embraer foi fundada em 1969 e é a terceira maior do mundo em produção de jatos comerciais - Créditos: Arquivo/Agência Brasil

A proposta de fusão da Embraer, companhia brasileira do ramo de aviação, com a Boeing, multinacional estadunidense, vem sendo alvo de críticas em diferentes áreas.  

O negócio foi anunciado em julho deste ano, com a criação de uma joint venture, que consiste no surgimento de uma nova companhia, com vistas à divisão dos resultados.

Pelas informações oficiais, a Embraer teria direito a 51% do capital, mas um memorando – anteriormente sigiloso – assinado entre as duas empresas indica que a brasileira contaria apenas com 20% do total e não teria poder de decisão nos rumos da nova companhia, previamente batizada de NewCo, que teria a Boeing como controladora social e administrativa.

Além disso, as ações resultantes desse documento firmado entre as partes ficariam a cargo da Justiça dos Estados Unidos, e não do Judiciário brasileiro.

O memorando veio à tona nas últimas semanas, após iniciativa do Ministério Público do Trabalho (MPT), que abriu um inquérito civil para apurar possíveis consequências trabalhistas no âmbito da Embraer. A suspeita do órgão é de que a Boeing tenha a intenção de transferir a produção de aeronaves comerciais brasileiras para o exterior.  Matéria do Estado de S. Paulo desta terça-feira (2) aponta que as empresas pretendem incluir a instalação de uma linha de montagem nos Estados Unidos do cargueiro militar KC-390, um dos projetos mais promissores da empresa brasileira.

A Embraer se constitui como uma empresa privada de capital aberto, mas tem o governo brasileiro como acionista especial com direito a veto, o que faz com que a fusão entre as companhias precise ser aprovada pelo chefe do Executivo. Apesar de ainda não ter sido oficialmente avaliada,  medida é inconstitucional porque fere os interesses nacionais.   

Em São Paulo, nos últimos meses, um grupo de advogados ingressou com uma ação popular na Justiça Federal pedindo que a União vete o acordo. Uma das justificativas apresentadas é a de que a medida é inconstitucional porque fere os interesses nacionais.   

“Do jeito como as coisas estão sendo colocadas, não há garantia alguma de que a gente não vá ter interferência direta na nossa soberania, e num momento geopolítico extremamente conturbado pro mundo inteiro, especialmente pra América do Sul”, argumenta o advogado Rodrigo Salgado.

A polêmica segue em meio a um contexto nebuloso. Do ponto de vista dos trabalhadores, sindicalistas se queixam que os funcionários não têm tido acesso à informação no que se refere à nova operação.

De acordo com Herbert Claros, da direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (Sindmetal-SJC), os trabalhadores temem que haja uma demissão em massa, especialmente se a companhia norte-americana transferir o polo de produção local para os Estados Unidos.

A Embraer tem cerca de 18 mil funcionários, dos quais 16 mil no Brasil, e promoveu mais de 400 demissões desde janeiro deste ano, segundo informações do Sindicato. O avanço recente das negociações entre as companhias aumentou a tensão entre os funcionários.    

“Os trabalhadores, vendo agora informações vindas da imprensa, e não só do Sindicato, estão começando a ficar com ainda mais medo dessas operações, estão convivendo com muito mais desconfiança. O clima de apreensão dentro da fábrica é muito forte”, conta.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da companhia para ouvir a empresa a respeito desse e de outros aspectos que envolvem a fusão, mas as ligações não foram atendidas. 

Tecnologia e Economia

Outra frente em que surgem faíscas em torno da fusão da Embraer com a Boeing é a da esfera tecnológica e desenvolvimentista. O professor Marcos Barbieri, da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, destaca que a fabricante brasileira tem grande importância como produtora de tecnologia de ponta. Por conta disso, é referência nacional e mundial.

A empresa ocupa o terceiro lugar no ranking global de fabricação de jatos comerciais, sendo líder no segmento de aeronaves de até 130 assentos. Também produz peças e oferece serviços em unidades distribuídas em quatro continentes – América, África, Ásia e Europa. Os produtos da Embraer alcançam mais de 60 países, segundo dados oficiais da companhia.

“O único setor em que o Brasil tem uma inserção ativa, [em que ele] se destaca e realmente desenvolve tecnologia é no setor aeronáutico. Nos outros, temos um grau de dependência muito grande. Países como Coreia, que nós admiramos pela tecnologia da inovação, e Japão não têm uma indústria aeronáutica como a Embraer”, afirma.

O professor ressalta ainda que a companhia atua como vetor no desenvolvimento de diferentes tecnologias, o que resulta num outro elemento importante: os saldos comerciais. A Embraer é a terceira maior exportadora do Brasil, sendo superada apenas pela Petrobras e a Vale.

Em 2017, por exemplo, a companhia fechou o ano com lucro líquido de R$ 795,8 milhões, uma alta de mais de 35% em relação ao ano anterior, segundo dados oficiais da fabricante.  

Ao todo, cerca de 4,5 mil engenheiros de alta qualificação trabalham na empresa, não só no desenvolvimento de projetos, mas também na busca por novos mercados. Barbieri projeta que uma eventual perda dessa mão de obra poderia trazer alto risco para o país em termos de posicionamento internacional e econômico.

“Existe um conhecimento técnico, mas também um conhecimento mercadológico fantástico. Se essa operação for concretizada do jeito como está colocada, a Embraer como nós conhecemos deixa de existir. É uma perda muito grande”, considera.

O acordo entre a companhia brasileira e a Boeing será avaliada pelo governo brasileiro até o dia 5 de dezembro deste ano.

Edição: Luiz Felipe Albuquerque

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Nº 25.050 - "CHOMSKY: LULA É O MAIS IMPORTANTE PRESO POLÍTICO DA ATUALIDADE"

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02/10/2018


CHOMSKY: LULA É O MAIS IMPORTANTE PRESO POLÍTICO DA ATUALIDADE


Do Brasil 247 - 02/10/2018


Maior intelectual da atualidade, o linguista Noam Chomksy acaba de publicar artigo em que aponta o ex-presidente Lula como o prisioneiro político mais importante da atualidade e em que denuncia a participação do Supremo Tribunal Federal no golpe e na censura. "Lula foi sentenciado à prisão perpétua virtual", disse ele. "No dia seguinte à nossa visita, um juiz, citando liberdades de imprensa, atendeu ao pedido do maior jornal do país, a Folha de S.Paulo, para entrevistar Lula, mas outro juiz interveio rapidamente e reverteu essa decisão. Para a estrutura de poder do Brasil, aprisionar Lula não é suficiente: eles querem garantir que a população, enquanto se prepara para votar, não possa ouvi-lo"


247 – Maior intelectual da atualidade, o linguista Noam Chomksy acaba de publicar artigo em que aponta o ex-presidente Lula como o prisioneiro político mais importante da atualidade e em que denuncia a participação do Supremo Tribunal Federal no golpe e na censura. "O prisioneiro que visitamos, Luiz Inácio Lula da Silva – 'Lula', como é universalmente conhecido – foi sentenciado à prisão perpétua virtual, em confinamento solitário, sem acesso a imprensa ou periódicos e com visitas limitadas um dia por semana", escreveu Chomsky.

"No dia seguinte à nossa visita, um juiz, citando liberdades de imprensa, atendeu ao pedido do maior jornal do país, a Folha de S.Paulo, para entrevistar Lula, mas outro juiz interveio rapidamente e reverteu essa decisão, apesar dos criminosos mais violentos do país – seus líderes de milícia e traficantes de drogas – serem rotineiramente entrevistados na prisão", apontou, referindo-se à censura imposta à imprensa brasileira por Luiz Fux e Dias Toffoli (saiba mais aqui).

"Para a estrutura de poder do Brasil, aprisionar Lula não é suficiente: eles querem garantir que a população, enquanto se prepara para votar, não possa ouvi-lo", aponta o intelectual.

Segundo Chomsky, o poder imperial sempre viu com ressalvas a ascensão geopolítica do Brasil, como ator global, durante a era Lula. "No cargo, Lula foi tolerado pelo poder ocidental, mas com reservas. Havia pouco entusiasmo pelo seu sucesso, com seu ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, em levar o Brasil ao centro do cenário mundial, começando a cumprir as previsões de um século atrás de que o Brasil se tornaria 'o colosso do sul'. As iniciativas foram duramente condenadas, notadamente os passos para resolver o conflito sobre os programas nucleares do Irã em coordenação com a Turquia em 2010, prejudicando a insistência dos EUA em administrar o programa. De maneira mais geral, o papel de liderança do Brasil na promoção de forças independentes do poder ocidental, na América Latina e além dificilmente seria bem-vindo para aqueles acostumados a dominar o mundo", pontuou.

Chomsky também afirma que a prisão política de Lula atende ao projeto de extrema-direita, representado por Jair Bolsonaro. "Com Lula impedido de concorrer, há uma boa chance de que o favorito direitista, Jair Bolsonaro, consiga a presidência e aumente seriamente as políticas duramente regressivas do presidente Michel Temer, que substituiu Dilma Rousseff depois que ela sofreu impeachment em um processo ridículo – estágio inicial do 'golpe suave' agora em curso no país mais importante da América Latina", diz ele.

O intelectual afirma que a prisão de Lula atende ao projeto de levar adiante o golpe. "Tudo isso nos leva de volta à prisão, na qual um dos presos políticos mais significativos do atual período é mantido em isolamento para que o 'golpe suave' no Brasil possa prosseguir no curso, com consequências prováveis que serão severas para os brasileiro, sua sociedade e grande parte do mundo, dado o potencial papel do Brasil".

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Nº 25.049 - "O sistema se entrega a Bolsonaro, por Luis Nassif"

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02/10/2018

O sistema se entrega a Bolsonaro, por Luis Nassif


Do Jornal GGN - 02/10/2018



O sistema se entrega a Bolsonaro, por Luis Nassif


por Luis Nassif

A lógica de Bolsonaro é ser anti-sistema, o representante do país sombrio, da maioria silenciosa que nunca se viu representada na política. No parlamento, é o baixo clero. Na mídia, é personagem secundário, restrito aos veículos regionais. Ou limitando-se a ver o país através das lentes dos programas policiais e do filtro dos jornais nacionais, sempre na posição passiva.

Os bolsonaristas são cidadãos de um país anacrônico, que acompanhava, passivamente, o cosmopolitismo provinciano do Rio e de São Paulo, mas não se sentia politicamente integrado.

É o valentão da moto, que só consegue se impor fisicamente sobre os nerds, esses moleques exibidos que querem falar chic. São os grupos, as gangs que se formaram em torno de temas não-políticos, colecionadores de motos, de veículos antigos, valentões de bar, grupos religiosos, colegas de bar, irmãos de maçonaria. Ou apenas cidadãos classe-média que escondiam preconceitos e ódios, comuns à pré e a pós-modernidade e que, graças às redes sociais, se descobriram maioria em seus redutos.

Junte-se a esse grupos empresários que aprenderam apenas a ganhar dinheiro, sendo submetidos dia após dia ao liberalismo superficialíssimo do sistema Globo, condenando qualquer forma de regulação e de atuação do Estado.

Quando a Globo decidiu levar o povo para as ruas, para atropelar a Constituição, e o STF (Supremo Tribunal Federal) convalidou o golpe, esse Brasil soturno emergiu com toda força. Pensaram repetir as maiorias silenciosas de 1964 que, depois de usadas, foram deixadas de lado. Não se deram conta do poder de aglutinação das redes sociais. Eles, agora, têm voz própria e se valem da desorganização total no sistema, da quebra de todas as regras e leis, para ocupar espaços, trazendo consigo agentes oportunistas de todas as espécies - derrotados políticos, economistas, lideranças que foram sucessivamente derrotadas no jogo eleitoral e que, agora, se julgam em condições de cavalgar o leão sem ser devorado.

Tudo isso ocorre no país de Macunaíma. Aproveitam-se do jogo Ministros do Supremo, ministros de tribunais, economistas de mercado, mais abaixo um pouco, promotores liberados para prender, juízes liberados para condenar, fazendo acertos de contas em cada canto do país. Abrem a jaula achando que vão parlamentar com o leão faminto.

E aí acontece o paradoxo.

O Brasil que saiu às ruas no sábado, nas históricas manifestações das mulheres, é o país civilizado, defendendo bandeiras adequadas aos tempos modernos. O Brasil anacrônico dos grandes meios de comunicação, segura a informação. A reação da maioria silenciosa é aumentar a adesão a Bolsonaro – se a pesquisa IBOPE foi efetivamente séria, captando um soluço ou uma tendência.

A cada jogada de cena combinada, nos debates de presidenciáveis, mais se esboroa o Brasil institucional. A cada autodesmoralização do Supremo, mais gás para a besta.

O antipetismo desvairado da mídia, o oportunismo de presidenciáveis, de explorar o fantasma do suposto autoritarismo do PT tem efeito multiplicado nas redes sociais. Revive as maluquices do “comunista-comedor-de-criancinhas” e é tiro nos dois pés. Não demoniza apenas o PT, desmoraliza as instituições, o “sistema” – que Bolsonaro, mais uma vez, anunciou que irá destruir. E até Ciro Gomes, o presidenciável com melhores propostas, embarca nessa aventura que, em vez de levá-lo para o segundo turno, poderá levar Bolsonaro ao poder.

O PT tem defeitos enormes. Mas o oportunismo do país institucional, de atribuir ao partido propósitos ditatoriais, para navegar nas águas fáceis do anticomunismo mais primário, tem um efeito multiplicador terrível na base, nos escaninhos das redes sociais de onde se alimenta o bolsonarismo.

E fica o Brasil institucional aguardando o momento em que FHC descerá do seu ego e engrossará a frente contra o atraso. Sabe o que vai acontecer? Nada. Será anulado com um pum que Bolsonaro reteve no hospital.

Nº 25.048 - "Record entra na briga das pesquisas e indica o contrário do Ibope"

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02/10/2018


Record entra na briga das pesquisas e indica o contrário do Ibope


Do Tijolaço· 02/10/2018




por Fernando Brito 

Pesquisa contratada pela TV Record – não esquecer que Edir Macedo assumiu o apoio a Jair Bolsonaro –  é mais uma a publicar dados contraditórios à suspeitosíssima pesquisa Ibope veiculada pela Globo.

Aplicada pela Real Time Big Data, com 3.200 entrevistas, ela aponta uma diferença próxima à margem de erro: 29% para Jair Bolsonaro; 24% para Fernando Haddad.

Todos os demais ficam em índices compatíveis com o Ibope, com um ponto, no máximo, de variação.

Dependendo do comportamento do Datafolha, talvez não seja possível dizer que é só o PSDB que está desaparecendo nestas eleições.

Mas não tenham ilusões: o “dono” de ambas é a Globo.

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Nº 25.047 - "Um câncer chamado Moro e a recompensa para um bandido confesso"

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02/10/2018


Um câncer chamado Moro e a recompensa para um bandido confesso


Do Brasil 247 - 02/10/2018


por Jeferson Miola*

Os malefícios para a democracia causados pelo câncer chamado Sérgio Moro são irreparáveis.

Moro sequer deveria estar atuando, porque há muito tempo, em março de 2016, deveria ter sido demitido do serviço público, julgado e condenado à prisão pela gravação criminosa e divulgação ilegal de conversas telefônicas da Presidente Dilma com o ex-presidente Lula.

Protegido, porém, pelo judiciário de exceção, o afilhado de casamento de Carlos Zucolotto – o ex-sócio da Rosângela Moro que, segundo Tacla Duran, pedira U$ 5 milhões de propina para facilitar acordo de delação premiada com a Lava Jato – continua usando a toga e aparelhando o juizado para praticar crimes e perseguir adversários.

O último crime do Moro foi no tormentoso domingo de 8 de julho, quando ele – em férias, porém acorrentado ao réu pelo qual nutre doentia obsessão – anulou decisão de magistrado de instância superior do judiciário e mandou a pf desobedecer ordem judicial que mandava libertar Lula do cárcere político.

A interferência indevida do Moro na política não tem limites. A 6 dias da eleição, ele tomou para si a delação feita pelo Palocci à PF com o objetivo exclusivo de repassar seu conteúdo à imprensa municiar novos ataques a Lula e ao PT para avariar a candidatura do Haddad.

Dois detalhes importantes: [1º] a delação do Palocci sequer será usada por Moro como prova nos processos do Lula que ele julga, o que explica o interesse puramente político dele em perseguir Lula, e [2º] o ministério público recusou-se a fechar acordo de delação com Palocci devido à enorme fragilidade das acusações e à absoluta falta de provas.

Aliás, falta de provas é o mínimo que se pode dizer das 12 páginas do depoimento do Palocci à PF. O documento não contém uma prova mínima, um único documento, ou um reles comprovante de que Lula tenha recebido ilegalmente 1 centavo de real [R$ 0,01].

O depoimento, ao invés disso, coleciona afirmações genéricas e suposições vagas. Nele, abundam expressões como “segundo tem conhecimento …”, “soube que …”, “tem conhecimento mas …”, “… mas sabe que”, “podem ter sido …”, “que pode exemplificar que …”, “soube por terceiros que …”, “estima que …”, “que pode afirmar que …”, “que não pode garantir …”, “que soube por terceiros …”, “que se sabia que Lula …”, “que acredita que Lula …”, “que era comum Lula …”, “que a intenção de Lula …” etc.

A recompensa generosa que o estamento judicial concederá a Palocci em retribuição pelo trabalho sujo prestado é um acinte.

Ao celebrar acordo de delação, Palocci implicitamente se assumiu como criminoso confesso e aceitou devolver, segundo divulgado, R$ 35 milhões na forma de multa.

Em contrapartida, preservará outros tantos milhões do patrimônio acumulado de maneira que, como “se sabe por terceiros”, como ele diria, podem ter sido originados em ilícitos praticados em nome e benefício próprio e de sua famiglia.

Palocci ainda será generosamente recompensado com a redução de 2/3 da condenação recebida, de sorte que ele, portador de cidadania italiana, em breve poderá ser libertado para desfrutar seu butim, com os seus, na Itália ou em outros paraísos no velho continente.


*Jeferson Miola . Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial

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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Nº 25.046 - "Candidato apologista do nazifascismo e sua família batem recorde de baixaria política"


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01/10/2018

Candidato apologista do nazifascismo e sua família batem recorde de baixaria política

Do Brasil de Fato - 29/09/2018

A Câmara dos Vereadores deve analisar com rigor o que representa um de seus integrantes divulgar tal baixaria - Créditos: Redes Sociais/Reprodução
A Câmara dos Vereadores deve analisar com rigor o que representa um de seus integrantes divulgar tal baixaria / Redes Sociais/Reprodução

Com a palavra os vereadores cariocas!

por Mário Augusto Jakobskind*

O candidato Jair Bolsonaro pediu, em 2006, que a Embaixada brasileira no Chile transmitisse mensagem de solidariedade ao neto do ditador Augusto Pinochet. Bolsonaro, defensor entusiasta da ditadura brasileira, queria se solidarizar com Augusto Pinochet Molina por ter ele sido afastado do Exército ao se pronunciar, no sepultamento do avô, em favor de quem a história demonstrou ter sido um criminoso. A Embaixada na época, por determinação do Ministério do Exterior, se recusou a entregar o recado, segundo informou o jornal Folha de S.Paulo.

O candidato afirmava a admiração a Molina e automaticamente ao ditador que assumiu o poder com a ajuda da ditadura, que Bolsonaro faz hoje a apologia e chega ao ponto de afirmar que no Brasil nunca existiu, juntamente com elogios ao militar Brilhante Ustra, que chefiou o DOI-CODI de São Paulo por vários anos.

Ustra foi responsável por torturas e execuções de presos políticos que se insurgiam contra a ditadura, entusiasticamente também defendida pelo candidato a vice -presidente de Bolsonaro, o general da reserva Mourão.

É preciso que a opinião pública seja informada sobre tais fatos e outros que depõem contra a democracia. Bolsonaro, sem dúvida, representa um perigo para a democracia. Não só ele como também o seu vice, que volta e meia tem se pronunciado de forma mais abjeta possível sobre várias questões, em um de seus últimos vômitos (a palavra é essa mesmo) criticou a conquista do 13º salário, ainda segundo a Folha de S. Paulo.

Por estas e outras, quando faltam poucos dias para a realização do primeiro turno presidencial, é mais do que necessário a divulgação de fatos que ajudem o eleitorado a conhecer quem são e o que representam verdadeiramente os candidatos. E que não restem dúvidas sobre a dupla Jair Bolsonaro-Hamilton Mourão, inclusive para os eleitores de Alckmin que percebem a inutilidade eleitoral do candidato do PSDB, um direitista que tenta se apresentar como de centro, e estão se bandeando para o lado do capitão da reserva do Exército.

Alckmin, salvo alguma surpresa de última hora, é carta fora do baralho, mas Bolsonaro, segundo as pesquisas, ainda engana, possivelmente parte de incautos e desinformados.

Portanto, todo cuidado é pouco, inclusive nos últimos debates, que, aliás, não contam com a participação de Bolsonaro, o que para ele é um fato positivo, porque toda vez que participava o eleitorado passava a conhecer o seu programa que revive no Brasil o nazifascismo. Bolsonaro prefere se manter na condição de coitadinho esfaqueado, pois isso, para ele, até certo ponto, rende votos.

Se recorrermos a história, por exemplo, em Portugal, qual o político que defende o regime salazarista? Os direitistas atuais preferem se posicionar em partidos defensores de ideias obscurantistas, mas jamais fazendo a apologia do regime ditatorial de Antonio Salazar.

Na França, até mesmo extremistas de direita como Marine Le Pen tentam se apresentar como se não fossem afins dos tempos odiosos de defensores do nazismo como Vichy.

No Brasil, Bolsonaro se orgulha de ser na prática uma edição 2018 do galinha verde integralista Plínio Salgado, também apoiador entusiasta da ditadura empresarial militar instalada em abril de 1964.

Ah, sim, para culminar, um dos filhos de Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro, ainda por cima faz circular nas redes sociais a imagem, com a insígnia “ele não”, de alguém sendo torturado. É a forma que ele encontrou para ameaçar o movimento das mulheres que alerta aos brasileiros e brasileiras sobre o perigo representado pelo ressurgimento do nazifascismo no Brasil.

Realmente, a Câmara dos Vereadores deve analisar com rigor o que representa um de seus integrantes divulgar tal baixaria. É uma afronta à democracia que deve ser respondida pelos demais representantes do eleitorado carioca. Até porque, ficar em silêncio diante de tal fato não deixa de ser uma forma de compactuar.

Com a palavra os vereadores cariocas!


*Mario Augusto Jakobskind.  Jornalista e escritor. Foi colaborador de "O Pasquim" e redator e editor, no Rio de Janeiro, da revista "Versus", a primeira publicação de caráter latino­americano publicada no Brasil.
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Nº 25.045 - "ZANIN: MORO PROVOU DE NOVO QUE FAZ POLÍTICA E NÃO JUSTIÇA"

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01/10/2018


ZANIN: MORO PROVOU DE NOVO QUE FAZ POLÍTICA E NÃO JUSTIÇA

Do Brasil 247 - 1 DE OUTUBRO DE 2018


O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Lula, criticou a decisão do juiz Sérgio Moro, que divulgou parte do acordo de delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci; "A conduta adotada hoje pelo juiz Sérgio Moro apenas reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente Lula", diz Zanin em nota; "Palocci, por seu turno, mentiu mais uma vez, sem apresentar nenhuma prova, sobre Lula para obter generosos benefícios que vão da redução substancial de sua pena – 2/3 com a possibilidade de 'perdão judicial' – e da manutenção de parte substancial dos valores encontrados em suas contas bancárias", acrescentou


Paraná 247 - O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a decisão do juiz Sérgio Moro, que quebrou nesta segunda-feira, 1, o sigilo de parte do acordo de delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci a apenas seis dias das eleições presidenciais. 

"A conduta adotada hoje pelo juiz Sérgio Moro na Ação Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000 apenas reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente Lula", diz Zanin em nota. 

"Moro juntou ao processo, por iniciativa própria ('de ofício'), depoimento prestado pelo Sr. Antônio Palocci na condição de delator com o nítido objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados, até porque o próprio juiz reconhece que não poderá levar tal depoimento em consideração no julgamento da ação penal. Soma-se a isso o fato de que a delação foi recusada pelo Ministério Público. Além disso, a hipótese acusatória foi destruída pelas provas constituídas nos autos, inclusive por laudos periciais", acrescenta o advogado de Lula. 

Sérgio Moro incluiu as informações delatadas por Palocci na ação penal do Instituto Lula. No despacho, o juiz afirma que "examinando o seu conteúdo, não vislumbro riscos às investigações em outorgar-lhe publicidade". A delação é Palocci é classificada pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos principais procuradores da Lava Jato, como um blefe. "Está mais para o acordo do fim da picada", disse ele (leia mais). 

Leia, abaixo, a nota na íntegra:

A conduta adotada hoje pelo juiz Sérgio Moro na Ação Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000 apenas reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente Lula.

Moro juntou ao processo, por iniciativa própria ("de ofício"), depoimento prestado pelo Sr. Antônio Palocci na condição de delator com o nítido objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados, até porque o próprio juiz reconhece que não poderá levar tal depoimento em consideração no julgamento da ação penal. Soma-se a isso o fato de que a delação foi recusada pelo Ministério Público. Além disso, a hipótese acusatória foi destruída pelas provas constituídas nos autos, inclusive por laudos periciais.

Palocci, por seu turno, mentiu mais uma vez, sem apresentar nenhuma prova, sobre Lula para obter generosos benefícios que vão da redução substancial de sua pena – 2/3 com a possibilidade de "perdão judicial" – e da manutenção de parte substancial dos valores encontrados em suas contas bancárias.

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Nº 25.044 - "FUP: Temer entrega o petróleo do pré-sal a 0,34 centavos o barril"

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01/102018

FUP: Temer entrega o petróleo do pré-sal a 0,34 centavos o barril


Do Viomundo - 29 de setembro de 2018 


..................FUP

Após cinco leilões, multinacionais já são donas de 75% das reservas do Pré-Sal


Como já era previsto, as petrolíferas estrangeiras fizeram a festa durante a 5ª Rodada de Licitação do Pré-Sal, onde arremataram mais de 90% dos 17,39 bilhões de barris de petróleo que foram leiloados.

Fazendo a equivalência entre os R$ 6,82 bilhões que o governo arrecadou em bônus de assinatura e o valor atual do barril de petróleo, chegaremos a bagatela de R$ 0,34 o preço médio pago por cada barril do Pré-Sal leiloado.

Para protestar contra mais esse crime de lesa pátria, a FUP e seus sindicatos realizaram manifestações em frente às sedes da Agência Nacional do Petróleo (ANP), no Rio de Janeiro, e da Petrobrás, na Avenida Paulista (SP), além de atos e mobilizações nas bases da petrolífera brasileira.

Na terça-feira (25), a FUP também ingressou com uma Ação Civil Pública, cobrando a suspensão da 5ª Rodada.

Todos os quatro blocos ofertados pela ANP no leilão desta sexta-feira, 28, foram arrematados em questão de minutos.

A britânica Shell e a norte-americana Chevron levaram sozinhas o bloco de Saturno, na Bacia de Santos, o mais valioso, com reservas estimadas em 8,3 bilhões de barris de petróleo.

A ExxonMobil (EUA), a BP (Reino Unido), a CNOOC (China), a QPI (Catar) e a Ecopetrol (Colômbia) dividiram os outros dois blocos da Bacia de Santos (Titã e Pau Brasil), enquanto a Petrobrás se contentou com o bloco de Tartaruga Verde, na Bacia de Campos, o menos disputado.

Esse foi o quarto leilão de campos do Pré-Sal, no Regime de Partilha de Produção, que o governo Temer, sem a legitimidade das urnas, realizou em dois anos de golpe.

Neste curto espaço de tempo, as petrolíferas estrangeiras abocanharam a maior parte das reservas do Pré-Sal brasileiro que foram licitadas.

Ao todo, 13 multinacionais já se apropriaram de reservas equivalentes a 38,8 bilhões de barris de petróleo, de um total de 51,83 bilhões de barris que foram leiloados.

Juntas, essas empresas concentram 75% das reservas, onde são operadoras em seis dos 14 blocos licitados.

As britânicas Shell e BP já acumulam 13,5 bilhões de barris de petróleo em reservas do Pré-Sal. Mais do que a própria Petrobrás, que detém 13,03 bilhões de barris em campos leiloados nas cinco rodadas da ANP.

“É o pagamento do golpe. Ou alguém ainda tem alguma dúvida?”, indaga o coordenador em exercício da FUP, Simão Zanardi Filho, lembrando que, assim que o impeachment da presidenta Dilma Rousseff foi aprovado no Senado, o Congresso aprovou imediatamente o projeto do senador José Serra (PSDB/SP), que, atendendo à promessa feita às petrolíferas estrangeiras, tirou da Petrobrás a exclusividade na operação do Pré-Sal e acabou com a obrigatoriedade da estatal ter participação mínima de 30% nos leilões.

“Essa foi a primeira de várias outras contas do golpe que foram pagas pelo povo brasileiro. Por isso, é fundamental elegermos um governo e um Congresso comprometidos com os interesses nacionais . Só assim, conseguiremos deter a entrega do Pré-Sal”, afirma Simão.

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Nº 25.043 - "O segundo turno já pega carona no primeiro"

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01/10/2018

O segundo turno já pega carona no primeiro


Do Tijolaço · 01/10/2018


É provável que a pesquisa Ibope de hoje à noite já aponte um empate estatístico entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad.

Não se trata de “chutar” números, apenas de observar as linhas que se desenharam em pouco menos de um mês, desde que surgiram os fatos relevantes na eleição: o ataque a faca a Bolsonaro, no dia 6 e a entronização de Fernando Haddad como candidato apoiado por Lula, não nas crônicas políticas, mas onde isso influi: na TV e  no rádio.

Bolsonaro, na semana passada, já havia interrompido sua trajetória de alta; Haddad continuava escalando os índices de intenção de voto.

O segundo turno começa a lançar sua presença sobre o primeiro round das eleições e os imensos movimentos do #EleNão foram a maior evidência disso.

Não atingiram, claro, o “núcleo duro” da campanha bolsonarista, formado por grande parte dos 30% que votariam (e já votaram, com Collor) em qualquer candidato de direita, por mais tosco que fosse.

Mas tornaram muito mais difícil que ele possa se expandir por outros setores da classe média e até entre os candidatos que, daqui a uma semana, estarão fora da disputa.

Hidrófobos, os chefes do bolsonarismo – até mais que o próprio candidato – não conseguem controlar o seu radicalismo furioso e virão mais episódios de misoginia, grosserias e agressões brutais.

Uma bobajada, como a que veio me dizer, na fila do banco, uma senhora que repetia que “nossa bandeira jamais será vermelha”. Eu apenas perguntei  se ela estava falando dos comunistas “feito o Fernando Collor”, aquele que tinha tirado o dinheiro da poupança da classe média. Saiu bufando, a coitada.

O discurso do medo, a ridícula escolha de uma “venezuelização” do Brasil, nada disso tem poder eleitoral, embora seja necessária uma articulação ampla para evitar que se torne, na Avenida Paulista e nos quartéis, fachada de uma nova ofensiva golpista, de recusa ao resultado das urnas.

Para quem enxerga a política além de algo como uma paixão clubística, esta já não é uma escolha de preferências pessoais. É, como expressa em sua carta, o ex-presidente Lula, uma “disputa entre civilização e barbárie” na qual  “deve-se escolher um lado”.

É legítimo e respeitável caminhar com outras candidaturas, nas quais até se imagina encontrar contendores mais fortes para enfrentar o adversário fascista.

Mas quem forma no campo popular tem, como primeiro dever, estar ao lado do povão e aceitar o terreno da luta que ele escolhe.

Ele escolheu e cabe a todos saber que o muro é para os covardes e para cúmplices envergonhados.

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Nº 25.042 - "A SEIS DIAS DA ELEIÇÃO, MORO LIBERA DELAÇÃO DE PALOCCI"

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02/20/2018

A SEIS DIAS DA ELEIÇÃO, MORO LIBERA DELAÇÃO DE PALOCCI

Do Brasil 247 - 1 DE OUTUBRO DE 2018

Esculhambação institucional faltando apenas seis dias paras eleições presidenciais; juiz Sérgio Moro quebrou nesta segunda-feira, 1, o sigilo de parte do acordo de colaboração de Antonio Palocci com a Polícia Federal; Moro incluiu as informações delatadas por Palocci na ação penal do Instituto Lula. No despacho, o juiz afirma que "examinando o seu conteúdo, não vislumbro riscos às investigações em outorgar-lhe publicidade"; delação é Palocci é classificada pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos principais procuradores da Lava Jato, como um blefe; "Está mais para o acordo do fim da picada", disse ele


247 - Faltando apenas seis dias paras eleições presidenciais, o juiz Sérgio Moro quebrou nesta segunda-feira, 1, o sigilo de parte do acordo de colaboração de Antonio Palocci com a Polícia Federal.

Segundo a colunista Monica Bergamo, da Folha, Moro incluiu as informações delatadas por Palocci na ação penal do Instituto Lula. No despacho, o juiz afirma que "examinando o seu conteúdo, não vislumbro riscos às investigações em outorgar-lhe publicidade".

"Em um dos anexos, Palocci detalha um suposto esquema de indicações para cargos na Petrobras durante o governo Lula. Ele relata uma reunião no Palácio do Planalto com a presença do então presidente na qual, segundo diz, teria sido acertado o pagamento de R$ 40 milhões em propina para a campanha de Dilma Rousseff em 2010. Ela estaria presente", diz a jornalista. 

A delação de Antonio Palocci é criticada por um dos membros mais importantes da operação Lava Jato, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima. para ele, a delação premiada de Antônio Palocci, que a mídia conservadora qualificou como "delação do fim do mundo", que seria capaz de "destruir o PT", era um blefe. "Está mais para o acordo do fim da picada", afirmou (leia mais).

Leia também reportagem do Conjur sobre o assunto: 

Moro levanta sigilo da delação do ex-ministro petista Antonio Palocci

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, tornou público, nesta segunda-feira (1°/10), o acordo de delação premiada firmado entre o ex-ministro petista Antonio Palocci e a Polícia Federal. O levantamento do sigilo se deu a uma semana das eleições presidenciais, que têm o primeiro turno no domingo, dia 7.

Como indenização, Palocci se comprometeu a pagar, por danos penais, cíveis, fiscais e administrativos, o valor de R$ 37,5 milhões. Pelos termos do acordo, o ex-petista terá redução de pena de prisão em até dois terços. Além disso, o ex-ministro poderá conseguir novos benefícios caso amplie a colaboração acertada.

"Considerando que o presente termo versa sobre meios de obtenção de provas para investigações realizadas exclusivamente no âmbito da operação lava jato e elencadas nos incisos acima, eventuais benefícios em procedimentos investigatórios em que o colaborador é ou venha a ser investigado perante outros juízos não poderão ser pleiteados pelo delegado de Polícia Federal signatário. No entanto, considerando a espontânea e voluntária manifestação do colaborador em não limitar sua contribuição aos procedimentos mencionados, será possível, com a concordância do colaborador e de sua defesa técnica, a adesão, mediante novos acordos de colaboração premiada com outras autoridades, aos termos do presente acordo", disse Moro na decisão.

Para produzir os efeitos acertados, a colaboração deve ser "ampla, efetiva, eficaz e conducente" para identificar autores, coautores e participantes da organização criminosa e das infrações penais por eles praticadas, a revelação da estrutura hierárquica e a divisão de tarefas dela e a recuperação, total ou parcial dos valores desviados.

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a pedir que o prazo para suas alegações fosse aberto apenas após a apresentação das alegações finais pela defesa dos acusados colaboradores e que a ação penal fosse suspensa durante as eleições para evitar exploração política.

Moro, no entanto, afirmou não haver fundamento legal para os pedidos. "Não cabe fazer distinção entre acusados colaboradores e acusados não-colaboradores, outorgando vantagem processual a uns em detrimento de outros. Por outro lado, os acusados colaboradores já prestaram depoimento em Juízo, revelando o que sabiam, não havendo chance da Defesa ser surpreendida por alegações finais", disse o magistrado.

O titular da 13ª Vara Federal de Curitiba acusou, ainda, o ex-presidente Lula de tornar interrogatórios "eventos partidários", negando, também, o segundo pedido, por não haver mais audiências previstas.

"Ora, na ação penal 5021365-32.2017.404.7000 suspendi os interrogatórios para evitar qualquer confusão na exploração das audiências, inclusive e especialmente pelo acusado Luiz Inácio Lula da Silva que tem transformado as data de seus interrogatórios em eventos partidários, como se viu nesta e na ação penal 5046512-94.2016.4.04.7000. Realizar o interrogatório dele durante o período eleitoral poderia gerar riscos ao ato e até mesmo à integridade de seus apoiadores ou oponentes políticos. Não vislumbro os mesmos riscos na continuidade do curso normal da presente ação penal, já que não haverá mais audiências, mas apenas a apresentação de peças escritas."

O desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, homologou o acordo de delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci em 22 de junho. A decisão foi tomada dois dias depois de o Supremo Tribunal Federal ter declarado constitucional trecho da Lei da Organização Criminosa que autoriza a polícia a negociar delações.

Condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, Palocci está preso preventivamente desde agosto de 2016. Em abril de 2017 o ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, negou um pedido de HC monocraticamente. Houve agravo regimental da defesa para que a 2ª Turma julgasse o caso, mas Fachin decidiu levar o processo diretamente ao Plenário, onde o ex-ministro também teve o pedido indeferido por maioria de votos.

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PITACO DO ContrapontoPIG 

O Totó do Tio Sam mais uma vez mostrando serviço.
Parcialidade a toda prova:
- venda de sentenças;
- delações a la carte;
- prisões ilegais;
- lawfare.

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Nº 25.041 - "Lewandowski autoriza imediata entrevista de Lula"

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01/10/2018

Lewandowski autoriza imediata entrevista de Lula


Do Diário do Centro do Mundo -  01/10/2018


Ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF) (Carlos Moura/SCO/STF)

Do site de Lula:

Nesta segunda-feira (01/10), Ricardo Lewandwski, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), reafirmou a autoridade e vigência de sua decisão, emitida no dia 28/09, em que concede o direito à Folha de S. Paulo e ao jornalista Florestan Fernandes Júnior, de entrevistarem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lewandowski determina que sua ordem seja cumprida imediatamente, sob pena de configuração do crime de desobediência.

Diz o documento:

Em face de todo o exposto, reafirmo a autoridade e vigência da decisão que proferi na presente Reclamação para determinar que seja franqueado, incontinenti, ao reclamante e à respectiva equipe técnica, acompanhada dos equipamentos necessários à captação de áudio, vídeo e fotojornalismo, o acesso ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a fim de que possam entrevistá-lo, caso seja de seu interesse, sob pena de configuração de crime de desobediência, com o imediato acionamento do Ministério Público para as providência cabíveis, servindo a presente decisão como mandado.

Comunique-se ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, à Juíza Federal da 12ª Vara Federal de Curitiba/PR.

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