quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Nº 25.066 - "Toffoli proíbe Fernando Morais e Mino Carta de visitarem Lula em Curitiba"

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04/10/2018

Toffoli proíbe Fernando Morais e Mino Carta de visitarem Lula em Curitiba


Do NOCAUTE  -  4/10/2018

Fernando Morais Mino Carta STF


Os jornalistas Fernando Morais, editor do Nocaute, e Mino Carta, diretor da revista Carta Capital, foram proibidos pelo presidente do STF, Dias Toffoli, de visitar o ex-presidente Lula na sede da Polícia Federal em Curitiba, nesta quinta-feira (4). Ambos iam encontrar o petista na condição de amigos, não para entrevistá-lo.

O STF já havia proibido Lula de conceder entrevistas aos jornalistas Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, e Florestan Fernandes Jr, do jornal El País e Rede Minas.

“Essa proibição não é contra Mino Carta e Fernando Morais, é contra o Brasil. Não querem que vocês saibam o que está acontecendo no Brasil. Está um curso um golpe de Estado que nós dois já tivemos a infelicidade de viver. Mas agora é a ditadura da toga e não dos militares. 

Toffoli, exibido, vaidoso, para aparecer na televisão, proíbe um preso de receber a visita de amigos de 40 anos. Nenhum de nós dois viemos para fazer entrevista, viemos para dar um abraço nele.

O mais irônico disso tudo é que há 30 anos Lula foi preso pela ditadura militar e eu fui ao Dops levar frutas para ele e outros presos, mas na suposta democracia eu não posso dar um abraço nele. Mas o povo brasileiro vai responder a essa censura no domingo”, disse Morais.

“Trata-se de uma disputa entre o coitado que no momento ocupa a presidência do STF, um notório imbecil que infelizmente Lula colocou lá, o sr Toffoli, e o sr Lewandowski. Um autoriza a entrevista e o outro proíbe. Aí a justiça local de Curitiba decidiu que nós, em sendo jornalistas, poderíamos pretender entrevistas Lula. Evidentemente não. Não queremos prejudicar nem Lula e nem a Polícia Federal. Prometemos com a nossa palavra de honra que não usaríamos nada daquilo que conversaríamos com um amigo antiquíssimo nosso e muito querido”, afirmou Carta. “A situação do Brasil é horrível. Tudo o que vivemos é uma vergonha. Me entristece o fato de que não tenhamos gente disposta a quebrar tudo”, continuou.


Nº 25.067 - "Datafolha: Bolsonaro sobe para 35% e Haddad se mantém com 22%"

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04/10/2018

Datafolha: Bolsonaro sobe para 35% e Haddad se mantém com 22%


Do Jornal GGN - QUI, 04/10/2018


Jornal GGN - O candidato Jair Bolsonaro cresceu acima da margem de erro e chegou a 35% das intenções de voto no Datafolha desta quinta (4). A três dias da eleição, Fernando Haddad ficou estagnado no patamar dos 22% dos votos. Enquanto isso, Ciro Gomes se manteve com 11%, Geraldo Alckmin tem 8% e Marina Silva, 4%. A margem de erro é de 2 pontos.

Em votos válidos, Bolsonaro tem 39%, contra 25% de Haddad.

No segundo turno, o capitão da reserva tem 44% das intenções de voto, contra 42% de Haddad. =

Segundo análise da Folha, Bolsonaro teve "melhor desempenho entre os mais ricos, onde subiu nove pontos e chegou a 53% dos votos totais. Aqui, Alckmin teve uma sangria de quatro pontos, sugerindo uma adesão dos tucanos a um voto antipetista. Nos outros estratos de renda, houve estabilidade."

Na pesquisa anterior, do dia 2 de outubro, Bolsonaro estava com 32% dos votos. Haddad oscilou de 22% para 21% em relação à pesquisa da semana passada. Ciro se manteve com 11%, e Alckmin oscilou de 10% para 9%. Marina, que partiu da segunda posição no início da campanha, em agosto, com 16%, oscilou novamente para baixo, de 5% para 4%. 

REJEIÇÃO ATUAL

Bolsonaro: 45%
Haddad: 40%
Marina: 28%
Alckmin: 24%
Ciro: 21%

SEGUNDO TURNO 

Bolsonaro 44% x 43% Haddad (branco/nulo: 10%; não sabe: 2%)
Ciro 48% x 42% Bolsonaro (branco/nulo: 9%; não sabe: 2%)
Alckmin 43% x 42% Bolsonaro (branco/nulo: 13%; não sabe: 2%)
Alckmin 42% x 38% Haddad (branco/nulo: 17%; não sabe: 3%)

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Nº 25.065 - "Debate na Globo: Bolsonaro amarelou"

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04/10/2018

Debate na Globo: Bolsonaro amarelou


Do Blog do Esmael - 4 de outubro de 2018 por Esmael Morais


Jair Bolsonaro (PSL) amarelou. Não comparecerá ao debate de hoje à noite na TV Globo. De posse de um atestado, o ex-capitão do Exército jura que faltará ao encontro por recomendação médica.

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) desconfia da autenticidade do atestado de Bolsonaro e alertou: ‘atestado médico falso é crime.’

Pelo sim pelo não, nas redes sociais que nada perdoam, vazou ontem à noite cópia do atestado de Bolsonaro.

Cabo Daciolo (Patriota) estuda pedir a perícia do atestado do candidato do PSL.

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PITACO DO ContrapontoPIG

Bolsonaro entra em pânico com a possibilidade de debate.

De tão despreparado e covarde, ele prefere uma facada a ter que enfrentar Ciro ou Hadadd.

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Nº 25.064 - "A educação para desaprender que somos um só povo"

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04/10/2018



A educação para desaprender que somos um só povo

Do Tijolaço · 04/10/2018


por Fernando Brito

Os dados do Ibope mostra que se nem tudo está como antes, o que muda é a intensidade.

Jair Bolsonaro, o tosco,  atingiu 43% entre os entrevistados de nível superior, ante apenas 14% de Haddad.

Entre os que têm até a 4ª série do ensino fundamental, Haddad, o professor,  chega a 34%, ante 17%  de Bolsonaro.

Fica, assim, claro, que o que deveria ser o grupamento mais elitizado do eleitorado, aquele que rejeitaria propostas primárias e demagógicas de resolver “na bala” os problemas do Brasil é, justamente, o que mais adere à insânia.

É a classe média que tão cantada foi durante os governos de Lula e Dilma que progrediu materialmente, mas degradou-se intelectualmente e abandonou, em nome daquela ilusão de meritocracia e de segurança, da ideia de uma só nação, algo tão simples de compreender quanto o verso de Tom Jobim: “é impossível ser feliz sozinho”.

Escrevi, há dois anos, no livro-coletânea Golpe 16, que “na visão ideológica que se irradia do topo em direção à base social, sucesso  é sempre de natureza  pessoal – conquistado por talento, mérito, concurso, esforço, formação educacional etc –, enquanto o fracasso tem origem coletiva ou estatal: o povo [lembram do velho “zé povinho?] ou o governo brasileiro são as razões das dificuldades econômicas dessa gente, de sua falta de condições para atingir seus objetivos ou das vicissitudes de suas relações com mundo real, como na questão da segurança: ou “sobra” pobre, ou falta polícia…”

Da elite, mesmo, nada a esperar. Não será quem que vai transformar o país que ela própria moldou, à sua imagem e conveniência e que deu nisso aí que estamos vendo. Este grupo, hoje já tão terceirizado a seus prestadores de serviços gerenciais, cheios de MBAs e desprovido de qualquer refinamento intelectual, está se lixando se vai colocar no comando formal do país um despreparado, cercado de aventureiros e de autoritários, marcado por ideias racistas, misóginas, escravocratas.

Mas a classe média, como em tantas vezes na história, vai, em boa parte, com ela, levada pelo ímã do “senso comum”, algo próximo à idiotia, construído pela mídia, por um sistema de comunicação selvagem que fornece munição para suas guerrilhas de redes sociais e whatsapp que, como mostra hoje reportagem em I Globo, entrou em polvorosa, distribuindo aos milhões mensagens em que só pessoas imbecilizadas poderiam crer, como a “mamadeira de bico fálico” que o governo petista teria distribuído nas creches.

Vamos escapar, no segundo turno, de termos um país dirigido por gente obtusa e raivosa, mas não fácil.

E nos, letrados e em alguma coisa cultos, devemos, por isso, agradecer ao nosso povão. É que ele, tolo, iludível, enganável, desprezível segundo o pensamento de quem estudou mas não aprendeu, pensa em coisas “abstratas” feito comer, ter água, mandar os filhos à escola e outras “bobagens”que os donos do Brasil sempre lhes negaram..

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Nº 25.063 - "Mercado: o verdadeiro polarizador da disputa eleitoral, por Janio de Freitas"

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04/10/2018


Mercado: o verdadeiro polarizador da disputa eleitoral, por Janio de Freitas

Formadores do poder econômico têm o que comemorar com mais especulações financeiras


Do Jornal GGN - 04/10/2018 

...............                               .Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil


Jornal GGN - A verdadeira polarização da corrida eleitoral no Brasil é alimentada pelo poder econômico,  identifica Janio de Freitas na coluna desta quinta-feira (04), na Folha de S.Paulo. Prova disso é a forma como o mercado se comporta na sequência da divulgação de pesquisas eleitorais que mostram Bolsonaro com maior número de intenção de votos. 

"Sobe o candidato que chega à eleição presidencial sem pronunciar, nem sequer uma vez, qualquer coisa parecida com 'justiça social' ou 'redução das desigualdades'", reflete Janio, e os títulos das matérias de economia são: "mercado vive euforia com pesquisas eleitorais", "Bolsa sobe e dólar cai com pesquisa". Ao mesmo tempo, que os candidatos que simbolizam as reivindicações de maioria se enfraquecem.

"São os lados na polarização da qual derivam todas as que têm significância no Brasil. E os formadores do poder econômico e suas bases na diferenciação sócio-econômica têm o que comemorar com mais especulações financeiras: a polarização-matriz se confirma".

Esse jogo não é articulado apenas com peças do mercado. Janio segue avaliando as últimas tacadas do juiz de primeira instância e coordenador da Lava Jato, Sergio Moro, e do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux. "[Eles] não inovam. Usam a liberdade que lhes é dada e os métodos que a fraqueza das leis e da moralidade institucional liberam". 

Faltando menos de uma semana para o primeiro turno das eleições, Moro decide voltar a divulgar um depoimento feito há mais de seis meses por Antonio Palocci, ex-quadro do Partido dos Trabalhadores. 

"Sergio Moro deu um passo a mais na sua carreira tão particular: deixou seu nome associar-se, em ato político, a uma figura do que há de mais desprezível na criminalidade engravatada", pondera Janio, reforçando que Palocci responsável por um processo que cometeu ainda quando prefeito em Ribeirão Preto, envolvendo grandes empresários e negócios de governo e que teria desembolsado mais do que qualquer um dos incriminados da Petrobras, "livrou-se, sabe-se lá como", neste caso.

"Moro usou agora “trechos da delação” de Palocci à Polícia Federal. Claro, há expectativa de segundo turno. Mas Palocci será sempre Palocci. E seria inútil esperar que Moro não fosse Moro. Embora já não se baste para mostrar-se".

Quanto ao ministro Fux, que derrubou decisão do colega de Corte, ministro Ricardo Lewandowski, que havia reconhecido à Folha o direito de entrevistar Lula, Janio pontua que este tem usado métodos tanto contrários aos mecanismos internos do STF quanto à própria Constituição, se fazendo "passível da acusação de abuso de poder", tudo isso "para o objetivo de um sistema de poder". 

 Clique aqui para ler a coluna de Janio de Freitas na íntegra. 

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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Nº 25.062 - "Vem aí a mãe de todas as pesquisas para presidente da República"

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03/10/2018


Vem aí a mãe de todas as pesquisas para presidente da República

Do Blog do Esmael - 03/10/2018


Por ora esqueça o Ibope e o Datafolha, institutos cujas pesquisas foram e são compradas pela velha mídia golpista. Vem aí a mãe de todas as pesquisas, o Vox Populi, financiada exclusivamente pelos leitores do portal 247 — parceiro do Blog do Esmael.

A pesquisa Vox Populi será divulgada neste sábado, dia 6, véspera da eleição no primeiro turno. O levantamento contratado com recursos adquiridos por crowdfunding (vaquinha), no valor de R$ 99.716,71, terá margem de erro de 2,2% para mais ou para menos.

O Vox 247 entrevistará 2.000 eleitores no próprio dia 6, qual seja, na boca da urna, conforme registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo Leonardo Attuch, editor do 247, a mãe de todas as pesquisas a ser realizada pelo instituto Vox Populi será divulgada às 20 horas deste sábado.

“O sucesso deste projeto nos permitirá também realizar pesquisas solidárias no segundo turno”, antecipa Attuch.

Mas até sábado tem muito chão pela frente.. Hoje (3) ainda tem novo Ibope e amanhã (4) novo Datafolha sobre a corrida presidencial.

Nº 25.061 - "E se a biometria não funcionar na hora de votar?"

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03/10/2018

E se a biometria não funcionar na hora de votar?

Do Nocaute -   03/10/2018

biometria

por Sergio Amadeu

Eu sou Sergio Amadeu da Silveira, professor da Universidade Federal do ABC e estou aqui no Nocaute para falar um pouco sobre tecnologia e política.

Neste momento, às vésperas do primeiro turno das eleições brasileiras, acaba de ocorrer uma decisão política com aspectos tecnológicos: o cancelamento dos títulos de eleitor das pessoas que não foram cadastrar, registrar, sua biometria.

Isso está causando uma enorme polêmica e eu resolvi fazer alguns comentários que ajudam a entender o que está acontecendo e qual é o problema.

A Justiça Eleitoral cancelou, segundo ela própria, mais de 3 milhões de títulos. Para se ter uma ideia, eles não são cancelados uniformemente pelos estados brasileiros. A Bahia, por exemplo, teve cancelado 586.333 títulos eleitorais. Mais de meio milhão de eleitores que tiveram seus títulos cancelados. São Paulo teve um número menor – mesmo assim o número é grande, apesar da população de São Paulo ser maior que a da Bahia – aqui, foram cancelados 375 mil títulos.

Logo surgiu a seguinte questão: “isso vai prejudicar as candidaturas que têm mais presença nos pobres ou no Nordeste?”.

Para responder a essa pergunta precisaríamos de dados mais precisos, dados socioeconômicos de quem teve os seus títulos cancelados. Mas, de qualquer forma, eu quero trazer uma discussão séria sobre a aplicação da biometria e o direito da pessoa votar.

E isso tudo me preocupa bastante porque não importa se são cem mil ou um milhão. O que importa é que as pessoas tenham o direito de participar desse momento fundamental da escolha de quem vai governar o país. Muitas vezes acabamos impedindo que essa pessoa tenha esse direito assegurado.

Mas o que é a biometria?

Ela é uma técnica de segurança. Existem muitas empresas vendendo soluções biométricas porque ela substitui outras formas de identificação. A biometria permite que uma pessoa seja identificada, autenticada, com base em um conjunto de dados de reconhecimento do seu próprio corpo, de características que são únicas dessa pessoa para garantir a autenticação.

Ou seja, a biometria busca garantir que aquela pessoa seja quem ela está dizendo que é.

Existem dois tipos de biometria.

A biometria de medição fisiológica, por exemplo, da mão, do dedo, do olho, da íris (que é mais complicada) e a biometria de modelos comportamentais – que é a forma como você tecla, a pressão que você faz na caneta ao escrever, o seu movimento, seu comportamento – isso é mais difícil e essa tecnologia avança menos.

Então, a biometria mais barata e considerada mais confiável é, por exemplo, a da impressão digital – “Finger Print” para os americanos.

Trago pra vocês, também, que existem várias outras tentativas de verificação que estão sendo pensadas, inclusive algo que parece ficção científica que é a identificação de ondas cerebrais. Isso já está sendo testado em vários lugares.

Como toda tecnologia tem um erro, ela tem um problema, que é previsível. Isso não tira a confiabilidade mas pode complicar quando tratamos do direito de uma pessoa votar.

Por exemplo, existe uma coisa muito consolidada pra quem trabalha com biometria, chamado de falso negativo. Um falso negativo ocorre quando o sistema biométrico não reconhece aquele indivíduo autêntico.

Por quê?

Por culpa de um erro, seja do scanner – aquela máquina que vai comparar a impressão digital com o arquivo digitalizado que está no servidor – que pode não te identificar. Existe um percentual desse erro.

A minha pergunta para a Justiça Eleitoral é a seguinte: o que acontece com uma pessoa que for votar e não funcionar a biometria?

A Justiça Eleitoral deve ter um procedimento. Deixa a pessoa votar?

Esse indivíduo tem um título, cadastrou a biometria mas ele não foi reconhecido na hora de colocar o dedo na máquina. Como é que faz? A Justiça Eleitoral não pode impedi-lo de votar porque ele existe, ele até tinha se cadastrado mas o sistema acusou um erro.

A minha pergunta contínua nesse sentido: qual é o erro que a Justiça Eleitoral deveria informar a todos os brasileiros que o sistema que ela usa tem? Ou o sistema que ela usa é o único no mundo que não possui erro nenhum?

Aliás, há uma lógica nas indústrias que vendem equipamentos biométricos e estão avançando cada vez mais nessa área de segurança e identificação que diz o seguinte: “como existem falsos negativos é bom você nunca ter só o métodos biométrico”. Então em vários casos você tem impressão digital com uma outra biometria ou com senha, isso é muito comum nos bancos – quando a sua biometria não funciona, mesmo assim você tem como acessar a sua conta.

Pergunto ao nossos magistrados e aos organizadores da Justiça Eleitoral, como faz quando dá o falso negativo? A gente simplesmente impede a pessoa de votar?

Isso é uma dúvida que eu tenho e que a Justiça Eleitoral precisaria esclarecer aos brasileiros. E não é porque vai apoiar ou deixar de apoiar, prejudicar ou favorecer, um ou outro candidato. Estou falando como cidadão, como uma questão de cidadania.

Estamos vendo também outro tipo de problema em técnicas de reconhecimento de uma tecnologia que está na moda, que também é biométrica, e se chama reconhecimento facial. Não é o que estamos utilizando na eleição mas está sendo muito comum no uso de aparatos policiais, principalmente nos Estados Unidos e em outros países do mundo.

Existem erros no reconhecimento, o falso positivo, que pode acontecer em qualquer técnica biométrica. Isso porque a biometria trabalha com pontos de identificação – que só o seu corpo tem – mas é uma probabilidade, ela trabalha com estatística e por isso pode haver erros. Não só por isso, existe os erros do equipamento também.

Em Londres, a polícia emitiu 104 alertas e 102 dos 104 eram falsos. Isso foi divulgado muito, era um reconhecimento facial falso.

E aí tem a polícia de South Wales, ela desenvolveu 2.400 falsos positivos também porque jogou câmeras em estádios de futebol e o equipamento ainda estava sendo aprimorado. Você tem esses problemas. Mesmo um equipamento já consistente tem problemas.

Além do falso negativo, há uma outra questão: há um desgaste no corpo da pessoa, na forma como a pessoa segura as coisas, quando ela envelhece. Muitas pessoas têm desgaste da impressão digital. Várias pessoas de mais idade e profissionais que trabalham com a mão, pedreiros, marceneiros, etc, vão ter problema na biometria.

Como a Justiça Eleitoral trata desses casos? Ou pelo fato de serem mais velhas ou terem problemas perderão o direito de votar? Não dá para ser assim. É preciso esclarecer isso porque a Justiça Eleitoral toma decisões no Brasil de forma autocrática. A Justiça não está acima da sociedade, tem que cumprir a lei, tem que aceitar a Constituição, defender direitos. Deveria ser para isso, mas infelizmente vivemos uma situação muito complicada no país, de autoritarismo, afinal vivemos um golpe.

E aí toda vez que você faz crítica, faz perguntas, parece que você está fazendo acusações infundadas. Eles têm que responder essas questões porque é de interesse dos brasileiros.

É melhor eles responderem do que ficar essa nuvem confusa que joga para deslegitimar a eleição. Eu não tenho nenhum interesse em deslegitimar a eleição. Gostaríamos que o resultado das urnas fosse o resultado que efetivamente vai consolidar o futuro governo.

Eu sou contra, por exemplo, general falando que se o candidato dele não ganhar é porque houve fraude. Enfim, independentemente desses absurdos que são ditos, precisamos deixar o processo o mais transparente possível e reconhecer problemas no processo.

E tem problema com falso negativo na biometria? Sim, tem problema. Qual o percentual dos testes que ocorreram na Justiça Eleitoral? Essa é uma pergunta. Como que vamos fazer para garantir a votação dessas pessoas? A Justiça Eleitoral deve ter uma explicação para isso. Que torne pública!

Por isso não tem o menor cabimento você impedir que aquelas pessoas que não se cadastraram votem. Dentre elas podem ter pessoas que não existem mesmo e elas não vão poder votar, a não ser que já tenhamos tido milhões de fraudes nos processos anteriores.

Eu acredito que não, não existia a biometria. Em São Paulo não vai existir biometria, então significa que a eleição está em risco? É claro que não! Então esse cancelamento na véspera das eleições é uma atitude que eu acho equivocada e que contribui para deslegitimar o processo.

Então é melhor a Justiça Eleitoral esclarecer o máximo possível para que a gente tenha um resultado que seja extremamente aceito porque vai ser importante para que o Brasil retome a democracia porque nós estamos vivendo dias terríveis de quebra do Estado de Direito, então a transparência não faz mal à democracia.

É isso, espero que tenha ajudado com essas informações para você refletir sobre o que está acontecendo no país.


Valeu, até a próxima!

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Nº 25.060 - "Bolsonaro x Haddad: faz sentido falar em eleição dos extremos? por Marina Gama Cubas"

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03/10/2018

Bolsonaro x Haddad: faz sentido falar em eleição dos extremos?

por Marina Gama Cubas

Os 13 anos de governos petistas mostraram uma esquerda branda, mas posição em relação à Venezuela reforça no senso comum que PT é radical

Da Carta Capital — publicado 03/10/2018 

Jair Bolsonaro x Fernando Haddad
               Pesquisas apontam segundo turno presidencial entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT)


por Marina Gama Cubas

Colunas analíticas, notas de jornais disfarçada de textos informativos, comentários em telejornais, entrevistas com celebridades e propagandas políticas não cansam de apontar que estamos à beira de duas candidaturas extremista, disseminando tal ideia a boa parte do eleitorado brasileiro. Segundo eles, o embate ferrenho se dá entre o deputado federal e ex-militar Jair Bolsonaro (PSL) e o ungido por Lula e carregado pelo PT, Fernando Haddad.

A estratégia parece ter reflexo nas pesquisas. Enquanto a rejeição do capitão reformado do Exército se manteve em 44% na pesquisa Ibope revelada na segunda-feira 1º, a do petista foi de 27% a 38%.

"Me chama muita a atenção ver gente repetindo quase que acriticamente esse discurso de que existem dois extremos. Isso é uma arrematada bobagem. Eu escrevi sobre isso em dezembro do ano passado, chamando a atenção justamente do fato de que que Lula e Bolsonaro - na época Lula ainda era o candidato do PT - não eram comparáveis porque era muito assimétrica essa polarização. De um lado há uma esquerda moderada, de padrão socialdemocrata, e do outro lado se tem um extremista de direita ", afirma o cientista político e professor da FGV, Claudio Couto.

A construção desse discurso, no entanto, não é culpa apenas dos adversários do PT que tentam sair vencedores na disputa política ou daqueles que "compram" essa ideia para si sem fazer qualquer análise mais crítica, diz o cientista político. Trata-se também de uma construção que o próprio Partido dos Trabalhadores faz questão em manter aberta quando se coloca como aliado do atual governo da Venezuela, hoje chefiado por Nicolás Maduro. 

Fica uma pergunta: Quais os benefícios que o PT vê nessa postura de se manter vinculado a governos autoritários?

Dois polos


Jair Bolsonaro já mostrou que flerta com a ditadura e tem pouca intimidade com a democracia. Em uma de suas mais recentes declarações disse que não reconhecerá nenhum outro resultado eleitoral que não seja aquele que o coloque como vitorioso no pleito.

Bolsonaro em visita a Feira Internacional de Defesa e Segurança, em 2015Seu vice, general da reserva Hamilton Mourão, não fica nada atrás: declarou ser a favor da elaboração de uma nova Constituinte sem participação popular, disse que o coronel Ustra é seu herói e defendeu um "autogolpe" do presidente com as Forças Armadas em caso de "anarquia". 

Dentro de outras propostas identificadas da extrema-direita, o deputado federal e ex-militar defende a política imigratória de Donald Trump, quer reforçar o papel das Forças Armadas, tipificar como terrorismo ações do MST e MTST, militarizar o ensino e colocar um general no Ministério da Educação, entre outros pontos. Na análise de Couto, Bolsonaro é um "neofacista".

Do outro lado, há Fernando Haddad e o PT. Nem um nem outro deram qualquer sinal em suas gestões de um governo de extrema-esquerda se resumirmos isso a ideia básica que concerne a essa vertente: reformas estruturantes e radicais. 

Nos 13 anos em que o PT governou o País houve significativos avanços nas áreas sociais, como o Fome Zero e Minha Casa Minha Vida, no entanto, Lula e Dilma Rousseff  abriram mão de reformas estruturais que poderiam transformar tais avanços em algo mais sólido e próximo a "revolução social".

Antes mesmo do "dia D" que poderia ou não levá-lo ao Palácio do Planalto, em 2003, Lula divulgou sua Carta aos Brasileiros. No documento, o petista deixava claro ao mercado financeiro e ao empresariado que não seria ele e seu governo uma ameaça aos interesses do setor. Já fora do comando, em inúmeras ocasiões, o ex-presidente falou com orgulho que ele foi o presidente que mais ajudou a classe empresarial.

Reforma agrária e democratização da mídia foram algumas das propostas levadas ao eleitorado nas campanhas presidenciais do PT, mas prontamente deixadas de lado após as vitória. Haddad agora volta a antiga promessa da democratização dos meios de comunicação nunca cumprida. 

Outra iniciativa do governo do PT foi a Lei Antiterrorismo, redigida pelo Executivo e que prevê 12 a 30 anos para o crime de terrorismo - medida fortemente criticada por movimentos sociais que acreditam que da forma como se coloca  abre espaço para criminalização manifestações populares. Na Agenda Brasil, Dilma propôs o fim da gratuidade do Sistema Único de Saúde, a diminuição das áreas indígenas e preservação ambiental, e referendou a política de encarceramento em massa.

A ausência de qualquer extrema-esquerda também está bem representada, segundo Couto, nas escolhas na composição do governo federal. "É só pensar: 13 anos de governo do PT: Luiz Fernando Furlan no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Henrique Meirelles no Banco Central, Kátia Abreu na Agricultura. Cadê afinal de contas o chavismo?", questiona.

Haddad, colocado na disputa presidencial após Lula ser barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral, já foi chamado de "o mais tucanos entre os petistas" ou, ainda, "o menos petistas dentre os petistas". Porém suas divergências com o PT no passado pouco tiveram a ver com algum lado mais "extremo" do atual candidato.

Haddad foi ao Ceará e transmitiu apoio de Lula a Eunicio na disputa ao SenadoEnquanto prefeito da capital paulista, mantinha forte contato com o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) ao mesmo tempo em que se queixava dos integrantes do próprio partido e do governo de Dilma, em privado. Dirigentes da legenda, por sua vez, reclamavam que o então prefeito não escutava ninguém do PT e se restringia a ouvir o seleto grupo de amigos de academia paulistana, sobretudo aqueles do Largo São Francisco, faculdade de Direito da USP.

Hoje, o ex-prefeito aperta a mão do emedebista Renan Calheiros e sobe no palaque de Eunício Oliveira. Não descarta o apoio do PSDB para o segundo turno nem do que é chamado de Centrão, ainda que diga que só o fará se o programa de governo petista for respeitado pelos aliados.

Para o cientista político, há sim dois polos, em que apena um deles está no extremo: Jair Bolsonaro. Então por que o discurso de que Lula, Haddad e o PT são de extrema-esquerda "cola" para determinado/parte do público e eleitorado?

Geraldo Alckmin, candidato à Presidência pelo PSDB estagnado nas pesquisas eleitorais, vem explorando essa imagem na campanha eleitoral - numa tentativa desesperada de ser visto como o "caminho do meio". Em inserções no rádio e na televisão, o tucano fala que "o risco do Brasil se tornar uma nova Venezuela é real, a partir dos extremismo que se estão colocados nessa eleição". Ele relembra que tanto Bolsonaro como Lula - afinal, "Haddad é Lula e Lula é Haddad" - já declararam apoio ao então governador venezuelano Hugo Chávez.

Bolsonaro e seus eleitores também vinculam PT ao chavismo. Em post no Twitter, em agosto, publicou: "Nos últimos anos o PT doou bilhões para ditaduras amigas via BNDES. Seu dinheiro que deveria ser utilizado de forma responsável para nosso crescimento, serviu pra alimentar governos autoritários e antidemocráticos como Cuba e Venezuela, sem nos dar retorno algum. Isso vai acabar!".

Couto destaca que não são apenas os políticos vem alimentando essa falsa relação. "É claro que o PT tem uma baita de uma culpa nisso porque o PT sempre aliviou em relação a Venezuela e boa parte da esquerda. Esse fetichismo na esquerda com os regimes autoritários de esquerda mundo a fora, em particular na América Latina, como Venezuela e Cuba fazem com que agora ao PT seja comparado a eles por uma parte da sociedade."

E completa: "O PT sempre foi muito leniente com relação a Venezuela e por conta da sua defesa a esse país as pessoas falam: o PT é venezuelano, é chavista, sendo que nunca foi", afirma Couto. Segundo ele, a relação da legenda com governos autoritários é um "problema que deve ser levado ao divã". 

Ausência de críticas


De fato, as relações do PT com Venezuela vem de longe. No último ano, quando a situação do país vizinho se agravava, Gleisi Hoffmann, presidenta do partido, e Mônica Valente, secretária de Relações Internacionais da legenda publicaram nota cujo título era: Venezuela: mais uma vez, um exemplo de democracia e participação cidadão”. A nota fazia referência às eleições regionais que ocorriam no país.

Questionado pela CartaCapital se o PT mantém a posição que explicita no título da nota, Valente não quis responder assertiva ou negativamente, preferiu dizer: “Nós achamos que o sistema político venezuelano é um sistema político eleitoral democrático e quem vem se aperfeiçoando progressivamente desde 1999”.

E complementou: “Se tem divergências internas, se permanece uma atitude de bloqueio econômicos, de muito conflito interno, qual a posição do PT? A posição do PT é de contribuir como país na construção das instituições multilaterais que podem fazer esse processo de mediação”.

Para o professor da FGV, tal postura só alimenta ainda mais a falácia do discurso que vivemos dois entremos. "O PT deveria condenar claramente regimes autoritários. Não interessa se são regimes autoritários de esquerda ou de direita. A Venezuela, não vamos dourar a pílula, é uma ditadura. Tem pessoas presas, não se pode fazer oposição ali. 'Ah, mas a oposição da Venezuela é péssima'. Não interessa se a oposição da Venezuela é péssima, inclusive porque não existe a oposição, existem oposições. É um pouco como o velho MDB aqui durante o regime militar, tem de tudo ali. Inclusive oposição de esquerda."

El complementa: "O petista aponta o dedo para o Bolsonaro e diz: olha só, o Bolsonaro defende um ditador. Mas o PT também", diz, ao se referir a Maduro. "É esse o ponto que reforça esse discurso dos extremos" e que o PT não faz nenhuma questão de combater."


Partido é partido, governo é governo


Para um dirigente da alta cúpula do PT é errado dizer que a posição do partido é ou deve ser a mesma que a do candidato da legenda. 

Até agora, Haddad deu sinais pouco claros de divergência com seu partido sobre esse ponto. Seu plano de governo, redigido e coordenado por ele próprio, não menciona faz referência ao avanço do autoritarismo na América Latina, porém sem especificar quais países ele classifica de governos autoritários.

Questionado por meio de seu assessor de imprensa, Haddad respondeu à CartaCapital que o trecho “se refere a movimento conservadores que despontam em alguns países, como Chile, Peru, Colômbia” e não citou a Venezuela. O candidato diz se tratar de “movimentos políticos que tendem a fortalecer a tendência neoliberal na economia e favorecer a intolerância nos costumes”. 

Em entrevista ao Jornal da Globo, no último dia 19, a jornalista Renata Lo Prete perguntou ao candidato se ele concorda com a declaração de seu partido de que a Venezuela é um exemplo de democracia. Haddad, pra variar, tergiversou:

“A Venezuela não vive um processo de normalidade. Porque há contestação sobre o ambiente democrático. Não se reconhece resultado eleitoral, a oposição contesta quando um plebiscito é chamado, as eleições não são respeitadas, o clima ali é de conflagração. É inequívoco isso.”


Ele reconheceu que "as coisa não andam bem lá" e que a situação é de "conflagração", mas afirmou que não deverá tomar partido em um eventual governo seu. "O papel do Brasil pela sua importância e pela sua liderança não é tomar partido na Venezuela. É junto aos organismos internacionais buscar mediação reconhecendo que o ambiente não é o mais saudável."

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Nº 25.059 - "O alerta do engenheiro aeronáutico: Brasil vai retroagir aos anos 50, “o que vai sobrar” da Embraer não permitirá que desenvolva e fabrique aviões; veja o vídeo"

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03/10/2018

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O alerta do engenheiro aeronáutico: Brasil vai retroagir aos anos 50, “o que vai sobrar” da Embraer não permitirá que desenvolva e fabrique aviões; veja o vídeo

O alerta do engenheiro aeronáutico: Brasil vai retroagir aos anos 50, “o que vai sobrar” da Embraer não permitirá que desenvolva e fabrique aviões; veja o vídeo
Cargueiro KC-390, produto da Embraer; foto Lula Marques/Agência PT


Do Viomundo 02/10/2018



O professor, engenheiro aeronáutico e aviador Wagner Farias da Rocha afirmou a que transferência de controle da Embraer para a Boeing está sendo apresentada ao público de forma irregular e alertou que se a transferência ocorrer dessa forma o Brasil vai perder a capacidade de projetar aviões, retroagindo ao estágio tecnológico que tinha na década de 1950.

“Esse ponto de vista estou apresentado por dever de consciência, como cidadão brasileiro, sem nenhum vínculo com qualquer organização pública ou privada”, afirmou o professor.

Para Rocha, é preciso que, nesse processo, não se repita o “complexo de vira-lata” brasileiro, segundo o qual tudo que vem de fora é melhor.

Segundo ele, se o processo se concretizar, “o que vai sobrar” da Embraer não permitirá mais que a empresa desenvolva e fabrique aeronaves.

Para o especialista, a solução seria estabelecer uma efetiva joint venture contratual e não societária, permitindo que cada empresa mantenha sua identidade, sem transferência de ativos.

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Nº 25.058 - "Bolsonaro e as ondas eleitorais, por Luis Nassif"

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03/10/2018



Bolsonaro e as ondas eleitorais, por Luis Nassif
O que pode acontecer até o 2o turno.
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Nº 25.057 - "Ciro rasga acordo da Embraer no 1º dia de Governo"

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03/10/2018

Ciro rasga acordo da Embraer no 1º dia de Governo

Estão tomando o emprego do povo brasileiro!
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Do Conversa Afiada - publicado 02/10/2018


Sem Título-17.jpg
(Charge: Bruno Galvão)

No PiG cheiroso:

Em São Caetano do Sul (SP), para onde se dirigiu após visitar Santos, o candidato (Ciro Gomes) do PDT disse que o acordo entre Embraer e Boeing será desfeito "no primeiro dia" de seu eventual governo. O presidenciável fez a afirmação ao comentar a notícia publicada pelo Valor de que as duas empresas pretendem fabricar o novo cargueiro militar KC-130 nos Estados Unidos. "Já estava no Valor Econômico inclusive [a fusão] da parte militar. É uma grande mentira [que vai haver fusão]. A Embraer não tem autonomia nem sinergia tecnológica para fazer uma Embraer militar sem a parte civil. E agora é a parte militar mesmo que está furada e vai ser feita nos Estados Unidos", disse Ciro.

"Ou seja, eles estão comprando um projeto que foi desenvolvido com o dinheiro do povo brasileiro e que tem um mercado cativo já desenhado pelos especialistas de US$ 20 bilhões. Eles estão tomando isso do povo brasileiro e os empregos do povo brasileiro."

"Isso não é uma fusão. Eu acompanhei a fusão da Bombardier. A Bombardier era 51% a 49%. Aqui é 80% [Boeing] e 20% [Embraer] numa empresa nova", disse.



Não deixe de ler o que diz Wagner Farias da Rocha, professor de Engenharia Aeronáutica, do mundialmente reconhecido Instituto de Engenharia Aeronáutica, o ITA - PHA.

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Nº 25.056 - "O resultado do terror antipetista: Datafolha mostra raiva e tristeza por trás do voto em Bolsonaro. Por Kiko Nogueira".

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03/09/2018

O resultado do terror antipetista: Datafolha mostra raiva e tristeza por trás do voto em Bolsonaro. Por Kiko Nogueira

Do DCM-  03/10/2018 - Publicado por Kiko Nogueira

Bolsonaro ameaça fuzilar “petralhas”

Dado revelador do Datafolha retrata o ânimo do brasileiro em relação às urnas.

Segundo a pesquisa de ontem que traz Jair Bolsonaro ampliando a liderança, 68% dizem sentir raiva quanto pensam no país, sendo os mais enfurecidos os mais jovens.

São 88% os que se sentem inseguros, 79% os que estão tristes, 78% os desanimados, 59% os amedrontados.

Nesse caldo de cultura, o que poderia cair melhor do que um mensageiro do ódio, do ressentimento, da violência, dos baixos instintos?

Bolsonaro voa como um pato no céu dessa distopia. 

No taxi, o motorista me contava por que ia votar em Bolsonaro.

— Ele vai acabar com os bandidos, me garantiu.

— Como?

— Distribuindo armas para todo mundo. Vamos trocar tiros com eles.

— O senhor não acha que isso pode ser perigoso inclusive para seus passageiros?

— O senhor me desculpa, mas se tiver que morrer, que seja.

“Quando os tempos ficam incertos, as pessoas voltam para aquele lugar primordial de terror”, diz a filósofa americana Martha Nussbaum, autora de livros sobre o fenômeno Trump.

“A raiva é alimentada pela impotência, de modo que, quando nos sentimos apavorados e impotentes, muitas vezes tentamos retomar o controle enlouquecendo. Os bebês fazem isso, começam a gritar e gritar e atingem pessoas que podem não ter nada a ver com a origem do problema real”.

Milhões de crianças apavoradas e furibundas desejando no comando um pai desqualificado, boquirroto, falastrão, que vai botar ordem no terreiro.

Essa gente foi alimentada com uma dieta indigente de antipetismo, desinformação, horror psicológico.

A caixa de pandora, aberta há muito tempo, ganhou força com as redes sociais e o golpe de 2016.

Quem vai meter o gênio do fascismo de volta na lâmpada? Quem falou que ele volta, aliás? Interessa fazer isso ou é melhor deixá-lo solto?

Esqueça Darcy Ribeiro, Sérgio Buarque de Hollanda, Jessé de Souza. A pensadora nacional é Regina Duarte.


Ou reagimos, ou o medo vence a esperança.

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Nº 25.055 - "Luta política irá levar Haddad ao segundo turno e pode dar a vitória"

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03/10/2018

Luta política irá levar Haddad ao segundo turno e pode dar a vitória

Do Brasil 247 - 03/10/2018

Ricardo Stuckert


por Paulo Moreira Leite

Quando faltam quatro dias para o primeiro turno da eleição presidencial, os principais sinais da campanha apontam para a passagem de Fernando Haddad para a segunda fase da eleição.

Ficando nos grandes números.Se uma decisão em primeiro turno exige  de 50% + 1 dos votos válidos, Bolsonaro atingiu 31% das intenções de voto, contra 54% na soma dos adversários.  

Seu crescimento nos últimos dias não deve confundir as coisas. A eleição segue em disputa, talvez a mais dramática em tempos recentes. Máquina de chegada, com 24% de aprovação popular, nestas horas o Partido dos Trabalhadores costuma desempenhar um papel decisivo num debate político dada vez mais necessário -- e irresistível, do ponto de vista dos interesses da maioria. 

Um ponto essencial é mostrar que, por trás da imagem cultivada de "anti-sistema", Bolsonaro é o candidato a dar continuidade ao governo Temer, "só que mais rápido", disse Paulo Guedes à Globonews. Isso quer dizer que irá correr nas privatizações, atacar a Previdência -- já tenta um acordo com Temer para fazer isso antes do fim do ano -- e cortar investimentos públicos. Também planeja reduzir direitos sociais, bandeira sagrada, como demonstra a insistência do vice Hamilton Mourão em denunciar o 13o. salário, contrariando instruções do próprio Bolsonaro, no clássico esforço de manter as aparências enquanto o eleitor ainda pode mudar de ideia. Pela venda, leilão e doações disfarçadas, a proposta é entregar R$ 2 trilhões ao setor privado. 

Como se não bastasse a reforma trabalhista de Temer, que eliminou 80 anos de CLT e que Bolsonaro aprovou com seu voto e pretende manter sem correções nem ajustes, a nova ideia é acabar com a própria carteira de trabalho -- a ser substituída por contratos individuais,  entre patrões e empregados como se fossem partes iguais, com a mesma força econômica e poder de barganha. Algo comum no universo PJ mas desconhecido entre trabalhadores assalariados, com direitos garantidos coletivamente. O plano de reforma tributária é simples e direto: consiste em elevar o imposto dos pobres e diminuir ainda mais o pouco que é pago pelos ricos, quebrando qualquer possibilidade de que um sistema progressivo possa  ajudar a diminuir a desigualdade estrutural do país.

Embora adore apresentar-se em companhia de símbolos nacionais, a começar pela bandeira,  Bolsonaro é integrante daquele setor das Forças Armadas para quem o nacionalismo e apego a soberania é um exercício retórico para datas comemorativas. Herança do anti-comunismo primitivo, que levou ao golpe de 64 e em 1965 enviou tropas brasileiras para combater um governo de esquerda na República Dominicana, o anti-petismo dos discursos de Bolsonaro é parte de uma postura de submissão aos grandes interesses estratégicos norte-americanos nascida nos tempos da Guerra Fria. Essa visão, que nada tem de nacionalista,  tornou-se hegemônica  com  ditadura de 64 e nunca foi questionados de verdade.

A grande força política-empresarial de sua campanha não tem raízes no país, mas é uma organização própria das economias globalizadas. É o Millenium, instituto de milionários e bilionários transnacionais que atua nos bastidores da vida brasileira, com patrocínios para influenciar jornalistas e recrutar jovens para a atuação política, inclusive pela oferta de bolsas no exterior. São os estrategistas do Estado Mínimo e operam em escala máxima na campanha presidencial de 2018, quando a prioridade 0 é impedir por todos os meios a vitória de qualquer candidatura envolvida com as necessidades dos trabalhadores e da população explorada.

 Um dos mais ativos aliados de  Bolsonardo, o empresário Luciano Hang, dono da empresa Havan, gigante do varejo com 112 lojas, cerca de 12 000 funcionários, faturamento de R$ 4,7 bilhões,  está sendo processado pelo Ministério Público do Trabalho. Numa empresa que tem como símbolo a Estátua da Liberdade, Luciano Hang é acusado de não respeitar os direitos de seus funcionários e coagir os trabalhadores a votar no candidato do PSL. O argumento empregado é que "se a esquerda ganhar", fechará lojas e demitirá empregados. É escandoloso mas didático, pois permite compreender o tempo histórico no qual o Brasil pode ser conduzido pelos aliados de Bolsonaro.  

   É preciso voltar ao país tempos da Republica Velha, anterior a Revoluçãoi de 1930, para encontrar uma situação semelhante. A elite usava casaca e cartola, a população se amontoava como podia e as greves de trabalhadores eram enfrentadas à bala. Descrevendo as eleições daquele período, uma entidade chamada Coligação Operária de Santos denunciou os esquemas de pressão das empresas sobre trabalhadores durante as eleições.

"Não existe eleitorado livre e independente," registra texto, recuperado pelo historiador Dainis Karepovs no livro "A Classe Operária Vai ao Parlamento ". Ali se diz: "a grande maioria do eleitorado está toda segura e ligada por intermédio dos cabos eleitorais que são ao mesmo tempo os chefes das empresas onde o eleitor trabalha". Descrevendo uma cena habitual, num tempo em que o voto estava longe de ser secreto, mas consumado a vista de todos que estavam por perto, o documento diz que: "à porta de cada seção eleitoral fica um individuo com a lista dos eleitores que votam, assinalando com uma marca à lápis os que votam neste ou naquele partido. " Por esse sistema,  "os eleitores sabem perfeitamente" que quem votar contra a orientação da chefia "estará despedido no seguinte".

 Boa parte dos aspectos mais nocivos da candidatura Bolsonaro pode manter-se longe do olhar dos eleitores em função de um imprevisto que mudou a campanha eleitoral como um todo.

 Vitima de um atentado criminoso, pode manter-se longe de debates entre candidatos que seriam um fator inevitável de contenção, críticas e confrontos a seu crescimento. Passou os últimos dias do primeiro turno em situação mais do que favorável do ponto de vista eleitoral. Pode ficar de mãos livres para reforçar a auto-mistificação que acompanha sua campanha presidencial e sua vida pública há bastante tempo.

Em vez de ser contestado e forçado a dar explicações no ambiente todos-contra-um que marca todo encontro presidencial com a presença de um líder das pesquisas,  atendeu jornalistas aliados que disputaram a chance de lhe fazer perguntas de pai para filho. Mesmo de longe, contou com mãos amigas para reforçar o cerco a Haddad nos últimos dias, inclusive num debate no qual incontroláveis ambições pessoais  uniram-se no esforço para dificultar os movimentos  daquele que, com todas as virtudes e defeitos, já ocupava a condição de único adversário em condição de enfrentar uma  candidatura anti-democracia.


Num cenário político construída por Fernando Henrique Cardoso numa Carta a Eleitoras e Eleitores de duas semanas atrás, a campanha segue a dinâmica de uma fantasia ideológica cuja finalidade consiste em rebaixar Haddad, colocando-o no mesmo patamar que Bolsonaro. Desonesta até a medula no que diz respeito ao candidato do PT, cuja moderação chega a ser alvo de mal-estar entre vários aliados, essa versão tenta sustentar a noção de que a eleição se resume a um conflito entre duas candidaturas radicais e extremistas. O efeito prático deste raciocínio é previsível. Nivelando por baixo forças e opções inteiramente desiguais, acaba-se  beneficiando o pior, realmente perigoso e ameaçador -- em benefício de Bolsonaro, como vem acontecendo nos últimos dias, num processo que provocou um alerta do empresário Ricardo Semler, em artigo publicado na Folha: "Colegas de elite, acordem. Não se vota com bílis. O PT errou sem parar nos 12 anos, mas talvez queira  e possa mostrar, num segundo ciclo, que ainda é melhor do que o Centrão megacorrupto ou uma ditadura autoritária. Foi assim que a Europa inteira se tornou civilizada".


Paulo Moreira Leite é colunista do 247, ocupou postos executivos na VEJA e na Época, foi correspondente na França e nos EUA

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terça-feira, 2 de outubro de 2018

Nº 25.054 - "WADIH DAMOUS: PRESIDÊNCIA DE TOFFOLI TERMINOU ANTES DE COMEÇAR"

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02/10/2018


WADIH DAMOUS: PRESIDÊNCIA DE TOFFOLI TERMINOU ANTES DE COMEÇAR

Do Brasil 247 - 02/10/2018


Em entrevista à TV 247, o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), que é também advogado de Lula, condena a censura praticada pelo Supremo Tribunal Federal, que através do presidente da Corte, Dias Toffoli, proibiu o ex-presidente de conceder entrevista à imprensa, reafirmando uma decisão do ministro Luiz Fux; para o deputado, a presidência de Toffoli "termina antes mesmo de começar" e sua postura é "uma mancha em sua biografia"; Damous também alerta para a aproximação dos militares na Suprema Corte; assista



TV 247 - "Recém-eleito presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli, ao cometer censura, termina seu mandato antes mesmo de começar". Esta é a análise do deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), que condenou, em entrevista à TV 247 nesta terça-feira (2), a série de arbitrariedades cometidas no Judiciário brasileiro. Desta vez, o Supremo proibiu três veículos de comunicação de entrevistarem o ex-presidente Lula, ferindo a liberdade de expressão garantida na Constituição de 1988. 

Na última sexta (28), o ministro Ricardo Lewandowski autorizou que Lula concedesse entrevista à Rede Minas e aos jornais Folha de S.Paulo e El País. No mesmo dia, o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Lewandowski e, agora, o presidente da Suprema Corte, Dias Toffoli, decidiu manter a decisão de Fux até que o caso seja levado ao plenário do STF, respondendo a um questionamento do ministro da Segurança do governo Temer, Raul Jungmann. 

Jogo combinado 


Damous considera que ação de Fux não foi individual. "Não quero aqui dizer leviandades. Mas parece que foi um jogo combinado com Toffoli. Isso é algo muito grave", condena. 

Ele segue criticando a postura dos ministros, dizendo que a presidência de Toffoli terminou antes mesmo de começar. "Ao praticar censura, o ministro faz jus ao comentário lamentável que proferiu, dizendo que não ocorreu golpe algum no Brasil em 1964, mas sim um movimento", afirma. 

Além dos comentários nocivos sobre a ditadura militar, Damous destaca que o assessor de Toffoli, o General da reserva Fernando Azevedo e Silva, é um militar. "É união da toga e farda cerceando a liberdade de expressão", expõe. 

Além de militar, Azevedo é influente na política, participando de um grupo formulador de propostas para a campanha de Jair Bolsonaro (PSL). "A partir da presidência do STF se estabelece a censura no Brasil, ferindo gravemente a liberdade de manifestação", alerta Damous. 


Inscreva-se na TV 247 e confira a entrevista com Wadih Damous:




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PITACO DO ContrapontoPIG 

Supremo sob 'ordem unida'. 
Direita, Volver  !
Rabo preso ou o quê?

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