segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Contraponto 6862 - "Dilma e BRICs a Obama: não meta a mão no Irã"

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28/11/2011
Dilma e BRICs a Obama:
não meta a mão no Irã


Do Conversa Afiada - Publicado em 28/11/2011

Bye-bye Cerra 2014, diriam os alunos da Unicamp

O Conversa Afiada recebeu o seguinte e-mail do amigo navegante Otávio:

É impressionante o boicote da nossa imprensa a esse documento:

http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/notas-a-imprensa/comunicado-conjunto-por-ocasiao-da-reuniao-de-vice-ministros-de-relacoes-exteriores-do-brics-sobre-a-situacao-no-oriente-medio-e-no-norte-da-africa-2013-moscou-24-de-novembro-de-2011

BRICs bloqueiam americanos no Oriente Médio


25/11/2011, MK Bhadrakumar, Indian Punchline


http://blogs.rediff.com/mkbhadrakumar/2011/11/25/brics-blocks-the-us-on-middle-east/


Traduzido, em parte, pelo Coletivo Vila Vudu


A reunião dos vice-ministros de Relações Exteriores dos países BRICS em Moscou, ontem, sobre a situação no Oriente Médio e Norte da África é evento de grande importância, como se vê pelo Comunicado Conjunto. Os principais elementos do Comunicado são:


a) Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) assumiram posição comum sobre o que hoje se conhece como “Primavera Árabe”. O foco deve ser diálogo nacional pacífico; nada justifica qualquer tipo de intervenção estrangeira; o papel central nas decisões compete ao Conselho de Segurança da ONU.


b) Os BRICS adotaram posição comum sobre a Síria. A frase chave do Comunicado é “Fica excluída qualquer tipo de interferência externa nos assuntos da Síria, que não esteja conforme o que determina a Carta das Nações Unidas.”


c) Os BRICS exigiram “revisão completa” para avaliar a adequação [orig. appropriateness] da intervenção da OTAN na Líbia; e sugeriram que se crie missão especial da ONU em Trípoli para conduzir o processo de transição em curso; dessa comissão deve participar, especificadamente, a União Africana.


d) Os BRICS rejeitaram a ameaça de força contra o Irã e exigiram negociações e diálogo continuados. Os BRICS criticaram as ações de EUA e União Europeia de impor novas sanções ao Irã, chamando-as de medidas “contraproducentes” que só “exacerbarão” a situação.


e) Os BRICS saudaram a iniciativa do Conselho de Cooperação do Golfo, que encontrou saída negociada para o Iêmen, como exemplo a ser seguido.


f) Os BRICs apóiam a entrada da Palestina na ONU e um Estado Palestino viável e continuo, que respeite as fronteiras anteriores a 1967.


Clique aqui para ler “Alunos da Unicamp consideram prof. Cerra persona non grata”.

E aqui para ler “Faustino é amigo do Cerra há 50 anos. Será ele o Marcos Valério II ?”.

NAVALHA

Para os que achavam que a política externa da Dilma ia refazer ao Nunca Dantes/Celso Amorim …

E o Cerra, que, na vitoriosa campanha de 2010, só faltou invadir a Bolívia e o Irã ?

“Eles falam grosso com a Bolívia e fininho com os Estados Unidos.”


Paulo Henrique Amorim


Artigos relacionados:


Contraponto 6861 - Brasil mais forte para enfrentar crise que em 2008

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28/11/2011


Paulo Nogueira Batista: Brasil mais forte para enfrentar crise que em 2008

Do Viomundo - 28 de novembro de 2011 às 10:33

por Luiz Carlos Azenha

Em fevereiro de 2010, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. escreveu um artigo publicado no Projeto Nacional que deu a ele muita dor-de-cabeça.

Refletindo sobre o texto, aqui, ele escreveu:

“Suprema humilhação: especulava-se que, pela primeira vez, um país integrante da área do euro teria que recorrer ao FMI – a Grécia. As autoridades europeias, temendo a perda de prestígio, procuravam evitar esse desfecho. Mas a crise grega já contaminava outros países do Sul da Europa, também da área do euro, notadamente Portugal e Espanha. Os europeus ficaram furiosos comigo. Naquele tempo, eles ainda tinham tempo de seguir os meus artigos. Fizeram grande pressão e muitas queixas contra mim, inclusive formais, no FMI e no G-20. Foi medonho.”

Pois hoje o economista, que é diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional representando o Brasil e mais oito países, acredita que a Itália e a Espanha — quem diria — terão de recorrer ao FMI, diante do agravamento da crise da dívida soberana na zona do euro. Suprema humilhação!

Por telefone, de Washington, ele nos concedeu a seguinte entrevista:

Viomundo – Eu queria que você nos desse uma visão sobre a crise europeia…

Como diz com razão a chanceler da Alemanha [Angela Merkel], é a situação mais difícil que a Europa enfrenta desde a Segunda Guerra Mundial. Os lideres europeus demoraram muito a responder à crise da área do euro, que começou a se agravar no inicio de 2010. As medidas são sempre tardias, insuficientes. Medidas que eles tomam hoje, que poderiam ter sido suficientes há um ano, já não são mais. Hoje, medidas muito mais ambiciosas seriam em tese necessárias, mas eles não estão preparados para tomá-las. Então, a situação está indo de mal a pior. Agora, como se sabe, existe um risco real de implosão da área do euro. Não é inevitável, mas esse risco já está no horizonte das possibilidades.

Viomundo – Quando você diz que os políticos não são capazes de tomar as medidas necessárias, é por um defeito de nascença da zona de euro?

Existem, sim, defeitos de nascença. É uma união monetária sem união fiscal, sem união das regras financeiras, sem união política. Então, é uma construção frágil desde o início, por esses motivos e outros. Quando os ventos eram favoráveis esses defeitos de nascença não eram sentidos. Mas com a crise que estourou em 2008, que atingiu muito fortemente a Europa — e ela nunca se refez dessa crise — as vulnerabilidades estruturais da área do euro se manifestaram muito claramente.

O Brasil, por exemplo, é uma união monetária. Mas os estados do Brasil fazem parte de uma união política, de uma união fiscal, têm um Banco Central comum que exerce também a função de supervisor e regulador do sistema financeiro nacional.

Na Europa, não. Existe uma união monetária, um Banco Central comum dedicado primordialmente ao controle da inflação, mas não há políticas fiscais comuns, não há uma estrutura de regulação financeira forte, comum — apenas elementos disso — e sobretudo não existe união política. A construção da união monetária obedeceu muito a uma forma de pensar os problemas econômicos que é uma versão rígida do “mainstream economics”, muito aceita na Alemanha e em outros países do Norte da Europa.

Por exemplo, a ideia de que se pode isolar o Banco Central do resto do sistema teve muita aceitação no mundo inteiro, a ideia do Banco Central independente. Foi parte da ortodoxia econômica durante muitos anos, ainda é. Na Europa isso tomou uma forma extrema, porque o Banco Central Europeu é independente de uma forma radical. Construiu-se uma tecnocracia monetária bastante isolada do sistema político. Como o sistema político europeu é fragmentado, o Banco Central Europeu independente tem uma força que nenhum outro banco central independente tem.

Outro aspecto dessa mesma questão: os alemães entendiam que precisavam fazer algo para compensar a falta de união fiscal. O que veio à mente? Também um elemento típico do pensamento econômico mais ortodoxo, mais rígido, não só na Europa, mas em outros lugares: vamos fixar metas fiscais, simples e ambiciosas. Meta para o déficit, meta para a dívida. Isso não funcionou. Estavam no tratado de Maastricht, mas essas regras fiscais simples e rígidas começaram a fazer água quando a situação se complicou. Por exemplo, a própria Alemanha excedeu a meta de déficit em determinados anos e outros países importantes também não conseguiram cumpri-las. Isso enfraqueceu a credibilidade do sistema. São muitos problemas, dei apenas alguns exemplos de problemas estruturais, ou de nascença, da união monetária europeia.

Viomundo – Nesse momento a gente vê na Grécia e na Itália governos tecnocratas. Você acha que a solução não seria mais política?

De novo, é a uma ideia típica da construção europeia, que foi feita de cima para baixo, como projeto das elites.

Diante de uma emergência, a tentativa, pelo menos em parte, é de “bypassar” [driblar] os processos eleitorais e levar ao poder tecnocratas identificados com a burocracia europeia. É o caso, tanto do primeiro-ministro da Grécia, como do primeiro-ministro da Itália. A questão é saber se eles terão legitimidade para fazer frente aos desafios que a situação comporta para a Itália e para a Grécia.

Viomundo – O risco é de que a população tire do poder um desses governos, ou da Itália ou da Grécia?

Esse risco existe. O governo grego é interino. Haverá eleições no início do ano que vem na Grécia. O horizonte do primeiro-ministro da Itália é um pouco mais longo, ele indicou que pretende ficar até 2013. Mas é um regime parlamentar. Se Mário Monti perder apoio ao longo desse período, ele pode ter uma vida mais curta do que a que pretende ter. Vamos nos colocar do ponto-de-vista de quem está tentando conduzir a crise. Alemanha, França, principalmente, o eixo franco-alemão. Para eles, a presença do Mário Monti na Itália e do [Lucas] Papademus na Grécia é uma oportunidade que eles não podem perder.

Dificilmente eles vão ter nesses dois países governos mais próximos deles. Se houver mudança é para pior, do ponto-de-vista franco-alemão. Eles têm uma oportunidade única agora de tentar resolver o problema. Se eles sobrecarregarem o novo governo grego e o novo governo italiano com condicionalidades intrusivas e demandas e exigências de ajustamento impossíveis de efetuar politicamente…

Vou dar um exemplo. Não me parece sábio, do ponto-de-vista dos europeus, querer que a troika [Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI] tenha uma presença física na Grécia. Isso não é necessário, na minha opinião, e é politicamente contraproducente. É como se quisessem colocar a Grécia sob protetorado. Na minha interpretação do que aconteceu, essa foi uma das razões da reação na Grécia ao último pacote europeu, que levou o [Georgios] Papandreus a fazer aquela movimentação que foi fatal para ele, de convocar um referendo sobre o pacote.

Já que agora existe na Grécia um governo aparentemente mais identificado com os objetivos das autoridades europeias, não pode fazer esse tipo de coisa, no meu entender. Por que insistir que todos os líderes políticos [da Grécia] assumam um compromisso, assinem uma carta-padrão? Os partidos já declararam seu apoio ao programa, já declararam apoio ao governo interino. O que mais que eles querem? Querem ainda essa coisa meio humilhante, de todo mundo assinar uma carta-padrão… falta de bom senso. Isso realmente complica ainda mais a situação.

O essencial não é isso, é claro. O essencial, a chave de tudo — até parece simplista — mas a chave de tudo seria uma ação dramática, pré-anunciada, do Banco Central europeu, garantindo intervenção ilimitada para cortar o ataque especulativo, a corrida contra títulos soberanos, especialmente da Itália e Espanha, criando assim a chamada “firewall”, a barreira de fogo.

Viomundo – Mas a Alemanha não concorda com isso. Por quê?

Eu me pergunto. Deve haver algo profundamente errado com essa ideia, ela é muito simples e parece ser a única forma de estancar a crise. Você hoje tem hoje o seguinte: o Banco Central Europeu intervém como emprestador de última instância para os bancos, isso ele considera consistente com o seu mandato. Mas intervém de forma muito limitada, a conta-gotas, eu diria – quando se considera o tamanho da crise — nos mercados de títulos soberanos. Do ponto-de-vista dos mercados de títulos soberanos, a união monetária europeia não tem emprestador de última instância.

No meu entender, a chave seria o BCE anunciar em determinado momento que estaria disposto a intervir de forma ilimitada nos mercados de títulos soberanos para conter a crise. Isso funcionaria como uma espécie de “deterrent”. Inclusive, se esse anúncio fosse percebido como crível — e não teria porque não ser percebido assim, acho eu — provavelmente nunca se teria de fazer compras massivas.

Vou dar um exemplo, de menor escala, do que eu estou querendo dizer: o caso do Banco Central da Suíça. Desde 2010 a Suíça virou um “safe haven”, um porto seguro dentro da Europa por causa da crise do euro. Havia maciças entradas de capitais na Suíça, que estavam levando o franco suíço a disparar.

O Banco Central suíço interveio várias vezes ao longo de 2010, 2011. Em determinado momento, ele decidiu pré-anunciar que faria uma intervenção ilimitada para conter a alta do franco, fixando um teto para a moeda em relação ao euro. Esse anúncio forte, de uma intervenção ilimitada, estancou [o problema], pelo menos por enquanto. E a força do Banco Central suíço não se compara nem de longe à força do Banco Central Europeu. Então, o anúncio crível de que existe de fato o famoso “firewall” teria efeito tremendo. Aí não se precisa mais tanto do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), que, aliás, já está chumbado, por vários motivos…

Por que os alemães não concordam com essa solução, que vem sendo proposta por várias pessoas, publica e privadamente? Diria que é por uma combinação de motivos. Primeiro, por resistências doutrinárias, ideológicas. Ligada a isso, uma preocupação de não dar incentivos errados a italianos, espanhóis e outros, o chamado “moral hazard”. E, terceiro, restrições jurídicas, institucionais, combinadas com resistência política. Tudo isso se liga. O Banco Central europeu tem um mandato restritivo, um daqueles defeitos de nascença. Ele foi concebido dentro do marco de um pensamento econômico muito conservador e muito rígido, que era moda nos Estados Unidos, na Europa.

Essa ortodoxia foi levada ao extremo no caso da união monetária europeia. Primeiro, o BCE é um banco central cuja função primordial é estabilizar a moeda, controlar a inflação. Ponto. É um mandato mais rígido do que o do Federal Reserve, por exemplo, o banco central norte-americano. Número dois, ele não tem funções de regulação e supervisão bancária, que é uma tendência do pensamento monetário das últimas décadas. No meu entender, foi um erro tirar funções de regulação e supervisão do banco central, como ocorreu em alguns países. Aconteceu na Inglaterra, por exemplo. Tiraram essas funções do Banco da Inglaterra e criaram uma Financial Supervisory Authority. No caso do BCE foi mais grave, ele já nasceu sem isso.

Na carta orgânica do BCE e nos tratados europeus, há uma restrição muito forte a que ele funcione como financiador direto dos Tesouros. Os alemães e outros europeus do Norte não queriam que o BCE fosse financiador de políticas fiscais irresponsáveis, dado que a união monetária estava sendo feita sem união fiscal.

Viomundo – Existe uma questão política dentro da Alemanha, não? Os eleitores alemães provavelmente não aceitam a ideia de que vão bancar o custo desta crise, no fim das contas…

Exato. As elites políticas alemãs têm muito medo de confrontar esse sentimento do eleitorado, das forças políticas. Que é: não vamos pagar pela irresponsabilidade dos países do Sul. Nós, quando tivemos de fazer nosso ajustamento, na época da reunificação alemã, fizemos com sacrifício, para absorver a Alemanha oriental. Agora, italianos, gregos e espanhóis não querem fazer a sua parte. Esse discurso é complicado… “fazer a sua parte”. Eles estão querendo que a Grécia, sobretudo, mas também os outros façam um ajustamento fiscal dramático com a economia estagnada ou em recessão.

No meu entender, ao mesmo tempo em que o BCE fizesse essa movimentação dramática [de anunciar que é emprestador de última instância também para a dívida soberana], os países europeus superavitários em termos fiscais e de balanço de pagamento teriam de praticar políticas fiscais expansivas, se possível, ou pelo menos não tão contracionistas como as atuais. Introduzir algum estímulo fiscal na Suécia, na Alemanha, por exemplo, para aliviar a crise. Nos países que estão sob pressão, não há alternativa a não ser prosseguir com o ajustamento fiscal, se possível não tão intenso, num ambiente regional um pouco mais favorável.

Se você consegue interromper a corrida contra os títulos soberanos via BCE e alivia a política fiscal nos países superavitários, poderia se criar um ambiente em que o ajustamento da Itália, da Espanha, da Grécia, de Portugal não fosse tão dramático, tornando-se, portanto, politicamente mais viável.

Agora, para reconhecer o ponto alemão de que não se quer dar incentivos errados e dar cobertura monetária a políticas fiscais irresponsáveis, só vejo uma solução: esses países aceitarem programas do Fundo Monetário com condicionalidades. Irlanda, Portugal, Grécia e outros europeus que não estão na zona do euro já têm programas com o Fundo, do tipo “stand by” ou “extended fund facility “.

A Itália e a Espanha ainda não têm programas com o FMI. Talvez essa seja uma forma de gerar confiança, junto com a ação do BCE e com a redefinição da política fiscal dos países que estão numa posição [econômica] mais forte. Na verdade, a Itália já aceitou, em Cannes, um monitoramento trimestral do FMI. O fundo vai discutir as políticas com a Itália e depois vai estabelecer um monitoramento trimestral. Temos de ver o que o novo governo da Espanha vai querer fazer.

Ficam o problema legal e o problema político. Será que no Norte da Europa a existência de programas de ajustamento sob supervisão do FMI seria vista como suficiente para gerar apoio político para uma ação dramática do BCE? Isso eu não sei dizer.

Viomundo – A situação vulnerável dos bancos europeus coloca em risco os bancos dos Estados Unidos?

Sim. O BCE funciona como emprestador de última instância para os bancos europeus, mas como não faz o mesmo no mercado dos títulos soberanos, os bancos estão em situação cada vez mais difícil, já que eles carregam títulos soberanos. A deterioração da dívida soberana afeta a carteira dos bancos e os coloca em risco. E pelas ligações que os bancos europeus têm com os bancos norte-americanos de um lado, com o sistema financeiro da Europa central e oriental de outro, isso começa a se propagar para fora da zona do euro, para fora da União Europeia. Para o sistema financeiro nas duas margens do Atlântico Norte é o momento mais difícil desde a quebra do Lehman [Brothers, banco de investimento dos Estados Unidos que faliu em 2008].

Viomundo – E nós, brasileiros, como é que ficamos?

A situação do Brasil é relativamente melhor. As regiões mais vulneráveis são a área do euro, a União Europeia, depois o resto da Europa, em seguida a África do norte e o Oriente Médio, com as suas próprias crises políticas e as ligações econômicas com a Europa. Outra área vulnerável é o sistema financeiro americano, ninguém sabe em que medida, já que esses dados [da inter-relação entre os bancos] são complexos e pouco transparentes. O resto do mundo sofre por duas vias. Pela via comercial, porque a Europa ainda tem um peso grande, embora declinante. E pelo lado financeiro, porque a Europa tem um peso financeiro importante no mundo.

O Brasil tem trunfos. Por exemplo: reservas internacionais altas, cambo flexível, reservas compulsórias altas no sistema bancário. O Banco Central pode, além disso, continuar atenuando as medidas macroprudenciais adotadas em outro momento. A taxa de juro básica é elevada — caso haja um choque recessivo externo, ela pode ser reduzida. O Brasil tem tido sucesso em manter uma política fiscal mais austera este ano, o que facilita a redução de juros e outras medidas na área de crédito. O Brasil não está imune à crise internacional, mas a minha impressão — sempre pode haver surpresas — é que a posição brasileira hoje é mais forte do que quando houve a crise do Lehman.

Viomundo – Qual seria o impacto do rompimento da zona do euro?

Como a Europa tem um peso grande na economia mundial, no comércio, nas finanças, se houvesse uma implosão da zona do euro, creio que o choque seria maior do que aquele que foi produzido pelo colapso do Lehman. O resto do mundo aguarda há mais de um ano que os europeus tomem medidas decisivas para controlar a crise. O resto do mundo não pode fazer muito. É um problema interno. Por isso a palavra implosão é a palavra certa. O resto do mundo pode ajudar? Pode, via FMI, provavelmente, não só com os mecanismos, os recursos existentes, mas possivelmente ampliando os recursos do Fundo. Mas o decisivo mesmo é o que será feito pelos governos da zona do euro, pelo Banco Central europeu.

Viomundo – Quando se diz que os BRICs seguram esta crise com seu crescimento econômico…

Poderiam atenuar o problema, em parte. Mas não teríamos força, mesmo os quatro juntos [Brasil, Rússia, Índia e China] para compensar o impacto da implosão da zona do euro.


Paulo Nogueira Batista Jr. é economista e diretor-executivo representando o Brasil e mais oito países no Fundo Monetário Internacional. O economista expressou opiniões pessoais, que não devem ser atribuídas ao FMI ou aos países que representa na diretoria da instituição.

Contraponto 6860 - "Será que vão controlar o caso 'Controlar' "

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28
/11/2011

Será que vão controlar o caso "Controlar"

Do Tijolaço - 28/11/2011

João Faustino (1° à esquerda), José Agripino Maia, José Serra
e Rosalba Ciarlini juntos, na campanha de 2010. Ligações perigosas


As notas publicadas hoje na coluna de Renata Lo Prete na Folha de São Paulo, dando conta de que existem ligações entre o caso “Controlar-Kassab” e João Faustino, ex-secretário de Assuntos Federativos da Presidência da República no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e subchefe da Casa Civil do então governador de São Paulo, José Serra (PSDB), dão a esperança de que o assunto saia das páginas locais dos jornais paulistas.

Ninguém está dando nada. O site NoMinuto, do Rio Grande do Norte, publicou as acusações do Ministério Público contra Faustino, chefe da campanha de Serra no Estado, num direcionamento de licitação para a inspeção veicular no Rio Grande do Norte nos mesmos moldes do feito no Município de São Paulo.

Neste arranjo, teria participado a mesma empresa Controlar, acusada de fraude em São Paulo.

A Controlar, depois de abiscoitar a concessão milionária em São Paulo, foi parcialmente vendida para um consórcio de empreiteiras. Seus donos, o casal Carlos e Abigail Suárez teriam ganho R$ 170 milhões na transação.

A informação é a de que há documentos provando que o casa distribuiu – e oficialmente, através de doações registradas – mais de R$ 2 milhões de seu patrimônio pessoal para diversos partidos e candidatos em 2010.

Isso, oficialmente. A caixa 2 ainda está por ser aberta.

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domingo, 27 de novembro de 2011

Contraponto 6859 - "Aécio na Época. Cadê o bafômetro"

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27/11/2011


Aécio na Época. Cadê o bafômetro


Por Altamiro Borges


A revista Época, dos filhos de Roberto Marinho, cedeu generoso espaço ao senador mineiro Aécio Neves na edição desta semana. O tucano até parece embriagado pelas suas ambições. Ele tenta ocultar a grave crise da oposição de direita, endurece nas críticas ao governo Dilma e defende penas mais duras para os motoristas que dirijam bêbados. É sério! Faltou um bafômetro antes da entrevista!



Apesar do inferno dos demos e das sangrentas bicadas entre os tucanos, Aécio garante que “a oposição chegará altamente competitiva em 2014”. Para ele, o governo Dilma tende a se desgastar rapidamente. “É refém do que lá atrás se chamou de coalizão, mas que não passa de um governo de cooptação. O governo do PT abdicou de um projeto de país para se dedicar a ficar no poder”.

Bebedeira e perda de memória

O ex-governador, que fez alianças com deus e o diabo para se perpetuar no poder em Minas Gerais – inclusive cooptando a maior parte da mídia local, sabe-se lá com que expedientes –, lembra aqueles borrachos que esquecem o que fazem. Na sua embriaguez, eles ficam ainda mais agressivos. Aécio, na entrevista, tira a máscara de bom-moço e parte para o ataque direto contra a presidenta Dilma.

“Ela é responsável pela formação de seu governo, pela incapacidade de tomar iniciativas, pela falência da infra-estrutura no Brasil, pela má qualidade da saúde. Esse é um governo reativo, sem a dimensão necessária para produzir um futuro diferente para o Brasil – e que passou o ano reagindo às crises que surgiram. O malfeito só é malfeito quando vira escândalo”, afirma o santinho.

A parte mais cômica da entrevista

Mas a embriaguez [no sentido figurado] conduz a erros ainda mais grotescos. Aécio insiste em defender a maldita herança tucana. “Abrir mão de defender nosso legado foi o maior dos equívocos do PSDB”. Para ele, Lula só existe por causa de Itamar Franco e, principalmente, de FHC. “Essa foi a bendita herança para o governo do PT. E abdicamos de disputar isso”, afirmou, sóbrio.

Ao final da entrevista, a parte mais cômica. A Época tenta limpar a imagem do senador, flagrado no início deste ano com a carteira de habilitação vencida – a publicação da famiglia Marinho só não menciona que, segundo boletim de ocorrência da polícia carioca, ele estaria dirigindo “embriagado ou drogado”. A revista pergunta: “O senhor é favorável ao endurecimento da Lei Seca?”.

Aécio: Sou. Votei na Comissão de Constituição e Justiça pelo endurecimento da lei.
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Contraponto 6858 - "Senador Agripino Maia Voou em Helicóptero Pago Pelo Esquema de Kassab"

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27/11/2011

Senador Agripino Maia Voou em Helicóptero Pago Pelo Esquema de Kassab

Do Blog O Cachete - 27/11/2011


"Estou passado!"
Nós não, Senador!


Apertem os cintos de segurança: vai ser um fim de semana turbulento, diria Bette Davis.

Conversei com um familiar de João Faustino que me contou o seguinte: Faustino revelou que Agripino Maia conhecia o esquema de arrecadação de dinheiro efetuado pelo seu suplente. Segundo Faustino, o helicóptero usado pelo senador e a então candidata Rosalba Ciarlini durante a campanha foi pago com o dinheiro do esquema. Com a palavra, o senador e a governadora! A Operação Sinal Fechado e a prisão de João Faustino repercutiram na coluna Painel, da Folha e na coluna de Maurício Dias na CARTA CAPITAL. Segue o texto da Painel na íntegra:

Conexão potiguar

Alvo de ação do Ministério Público paulista por suspeita de irregularidades na inspeção veicular, Gilberto Kassab é citado também nos autos da operação Sinal Fechado, do Rio Grande do Norte, que resultou anteontem em 12 prisões relacionadas a um esquema bilionário de desvio de recursos no Detran. Lá também a inspeção aparece entre os serviços fraudados.
Em conversas telefônicas de maio deste ano captadas com autorização judicial, o lobista Alcides Fernandes Barbosa, um dos detidos, diz negociar com o prefeito paulistano o afastamento da Controlar, concessionária do serviço na capital, de licitação congênere no RN.

Sabe com quem…


Em um dos telefonemas, quando lhe perguntam se poderia ser identificado como uma pessoa que “tem ligação com Kassab”, Alcides responde: “Não precisa, mas pode dizer que é um cara que já trabalhou com o Kassab quando ele foi secretário do Pitta. E pede que não deixe isso vazar para ninguém”.


está falando?


Segundo os promotores, Alcides ligou em 25 de maio para o gabinete de Kassab, identificando-se como “a pessoa que tem a concessão da inspeção veicular no Rio Grande do Norte”.
No dia seguinte, o lobista disse a um interlocutor que conseguira falar com o prefeito e que a conversa fora “muito boa”.

Q.I. Quem viu de perto a articulação que colocou João Faustino, preso na operação Sinal Fechado, na suplência do senador José Agripino (DEM-RN) afirma: José Serra trabalhou intensamente para que isso ocorresse.

Fonte:
Blog do Ailton Medeiros

Opinião dO Cachete: Qual a probabilidade desta notícia sair na capa da VEJA? Ou na primeira página da FOLHA? .
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Contraponto 6857 - Cadê a Veja e o JN?

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27/11/2011
Faustino preso: Serra mudo. E a mídia?

João Faustino

Do Blog do Miro - 27/11/2011

Por Altamiro Borges


Na quinta-feira passada, a operação “Sinal Fechado” do Ministério Público Federal resultou no pedido de prisão de 14 pessoas no Rio Grande do Norte. Elas são acusadas de fraudes bilionárias na inspeção veicular – o mesmo esquema que bloqueou os bens do prefeito Gilberto Kassab. A mídia até tem tratado do escândalo na capital paulista, mas evita destacar as prisões em Natal. Por que será?

Um dos envolvidos no escândalo potiguar, já preso e acusado de ser o chefão da quadrilha, é o tucano ricaço João Faustino, suplente do senador Agripino Maia, presidente nacional do DEM. Mais grave ainda: Faustino foi um dos homens-fortes da campanha de José Serra em 2010. Enquanto o esquecido Paulo Preto chefiava a arrecadação de recursos financeiros em São Paulo, ele fazia a coleta nacional.

Relação antiga e sólida

As relações entre Faustino e Serra são antigas. Ele foi o seu subchefe da Casa Civil em São Paulo, subordinado ao ex-secretário Aloysio Nunes Ferreira, eleito senador no ano passado. Quando o grão-tucano se afastou do cargo de governador para disputar o pleito presidencial, Faustino foi acionado para o comando da campanha nacional – principalmente na área de arrecadação de recursos.

Até agora, José Serra, que adora se fingir de paladino da ética, nada falou sobre Faustino. Nem sequer prestou apoio ao seu amigo preso, ao antigo colaborador no Palácio dos Bandeirantes – bem diferente da postura “solidária e humanista” do demo Agripino Maia, outro ícone da “ética”, que logo inocentou seu suplente ricaço. Ingrato, o falante Serra está calado.

Cadê a Veja e o Jornal Nacional?

Já a mídia hegemônica, sempre tão imparcial e neutra, evita dar destaque para a prisão do arrecadador tucano, homem-forte de Serra. Faustino ainda não virou capa da Veja. Willian Bonner e Fátima Bernardes não fizeram cara de nojo no Jornal Nacional da TV Globo. Os jornalões dão apenas pequenas notinhas, nada de manchetes ou das tais reportagens “investigativas”. Estranho, não é?

E olha que o caso é cabeludo. Renata Lo Prete, da Folha, informa hoje (27) que “tucanos graúdos se mobilizam intensamente nos bastidores para avaliar a situação e projetar os danos da prisão de Faustino, que foi o número dois do hoje senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) na Casa Civil durante o governo de José Serra”. Então, por que a mídia não faz seu costumeiro escarcéu? Ela é seletiva?
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Contraponto 6856 - "Malfeitos do capitalismo"

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27/11/2011

Malfeitos do capitalismo

Do Direto da Redação - 27/11/2011

Rodolpho Motta Lima*

O vazamento de óleo na plataforma fluminense permite algumas observações que merecem atenção. A Chevron é, na sua especialidade, no mundo do petróleo, uma empresa grande, segundo dizem maior que a nossa grande Petrobras. Mas essa gigante petrolífera americana (será ela um dos orgulhos da iniciativa particular?), deu um show de incompetência no episódio do vazamento. Mobilizando-se apenas depois de ter sido alertada pela Petrobras, mostrou-se incapaz de identificar com precisão o local do desastre, por falta de equipamento adequado. E foi a nossa estatal que emprestou à empresa americana equipamentos mais modernos, capazes de possibilitar essa identificação e de ensejar um atrasado plano de contenção. Retardando procedimentos, a Chevron revelou-se pouco ágil diante do acidente e, com informações incorretas e desencontradas, permitiu que se pusesse em dúvida outros aspectos de sua gestão no campo administrativo e mesmo ético.

O artigo do Mair Pena Neto aqui no DR (“Fora Chevron!”) é, a esse respeito, bem esclarecedor. E aqui vou além. Que me desculpe o pessoal do neoliberalismo, mas o desastre põe a nu, uma vez mais, a realidade que um pensamento falacioso teima em escamotear: não é verdadeira a afirmação de que o empreendimento particular é, por definição, mais eficiente que o estatal.

E é bom, mais uma vez, tomarmos cuidado para não engolirmos gato por lebre. Ouvi na CBN uma incensada comentarista política declarar que “salta aos olhos”, na ocorrência, a incompetência dos órgãos reguladores (ou seja, vinculados ao Estado), aos quais faltaria uma ação fiscalizadora mais eficaz. Claro que ela não deixou de criticar a petrolífera americana, mas imediatamente me lembrei do caso da TAM, em que certa mídia fez o possível para transferir para o âmbito do Estado brasileiro a responsabilidade pela tragédia de então. Se você prestar atenção, verá que todas as vezes que o empreendimento particular dá com os burros n’água, surge uma acusação ao poder público. Cômodo, não? Os desavisados que ouvem esses acusadores podem imaginar que eles defendem uma forte ação controladora do Estado, mas as pessoas atentas percebem que esse controle só é lembrado nas catástrofes...

Para o neoliberalismo – uma das piores versões assumidas pelo capitalismo -, parece que o bom é a existência de um Estado fraco (chamado Estado mínimo), subserviente, que lhe facilite a vida; um Estado que abdique da instauração do bem-estar social; que privatize, que subsidie, que financie, que privilegie, sem levar em conta os interesses do povo; um Estado, enfim, que dê facilidades, sejam elas morais ou imorais. Um exemplo? O poder público vai gastar quase 1 bilhão de reais para a “reconstrução” do Maracanã nos moldes FIFA, um crime contra um dos ícones da minha cidade. Afirma-se, porém, com a maior tranquilidade, que, depois da Copa, o estádio será entregue à administração particular. Coitado do povão! Já dá para pressentir o “legado” que lhe será reservado: um Maracanã elitizado, construído com dinheiro do povo para o lucro de poucos. Essa é a lógica neoliberal. É para isso que o Estado serve...

Não estou aqui defendendo a excelência do Estado e seus prepostos, que também cometem, e muitas vezes, sérios deslizes. Questiono, sim, essa visão maniqueísta e comprometida que confere um ar vestal ao particular e transforma em pérfido vilão o serviço público. Seja ente público ou privado, ninguém desfruta dos privilégios da excelência. Exemplifico com a recente onda de denúncias de corrupção. É óbvio que devem ser fortemente coibidas e punidas as ações de quem usa o dinheiro do povo em proveito de seus interesses escusos. Mas é bom não esquecer – e esse “esquecimento” é nítido na mídia - que, em inúmeros episódios de corrupção, os corruptores, sedentos de lucro fácil, vêm da iniciativa particular que é, no caso, cúmplice na fraude ao interesse público. Penso que todas as empreiteiras ou congêneres que oferecem propina a funcionários públicos para ganhar concorrências deveriam também submeter-se às penas da lei e, no mínimo, ser definitivamente impedidas de transacionar com o Estado. Uma “ficha-limpa” empresarial... O problema é saber se sobraria alguma...

Como os indignados que vão tomando conta das ruas do mundo, julgo que os atos e fatos aqui expostos se interligam, direta ou indiretamente, em maior ou menor intensidade. Eles deixam à mostra algumas das incontáveis feridas de um perverso sistema econômico fundado no lucro a qualquer título, a qualquer preço, que beneficia uns poucos, penaliza as grandes massas e abomina políticas públicas de um Estado forte que lhe ameace o poder. Também penso que esse sistema – na atual versão - tenderá à agonia, se insistir nas reverências cegas a um deus Mercado com seus apóstolos tecnocratas e suas palavras de ordem contrárias às históricas conquistas sociais dos trabalhadores.

Em recente editorial, o jornal “O Globo” deitou falação sobre o pessoal do “Ocupe Wall Street”, culminando com a apoteótica afirmação de que tentar apressar a “crise final do capitalismo” seria “algo tão ilusório quanto apostar no fim da história”. Sem ousar definir prazos ou mesmo apontar o que virá depois, acho que o bom senso torna possível imaginarmos que o fim do capitalismo, quando vier, estará na essência da dinâmica da própria história...

*Rodolpho Motta Lima. Advogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasil.
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Contraponto 6855 - "O Globo mentiu: Chevron vaza o dobro da Petrobras"

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27/11/2011

O Globo mentiu: Chevron vaza o dobro da Petrobras

Do Tijolaço - 27/11/2011

Postado por Fernando Brito



O ódio de O Globo à Petrobras é um péssimo conselheiro para seus profissionais.

Porque, na ânsia de cumprir a pauta que recebem, acabam fazendo um mau jornalismo.

É o que fizeram, hoje, quando publicam que os acidentes ocorridos com a Petrobras representam, em quantidade de petróleo derramado, o dobro do acidente da Chevron no Campo do Frade. Foram 4.201 barris em 2010, contra o que seriam 2.400 barris deste acidente.

Ora, além do fato de aceitar passivamente o número fornecido pela Chevron, quando todos sabem que a empresa fez (e faz) o que pôde para “dourar a pílula” deste derrame, ignorou um fato essencial.

É que a Chevron, no Brasil, tem apenas uma dezena de poços e produz 79 mil barris diários. E a Petrobras produz 2.600 mil barris/dia, tem milhares de poços, doze refinarias, milhares de quilômetros de oleodutos, dezenas de terminais de embarque e desembarque de petróleo e derivados, em terra e no mar, e uma frota enorme de navios petroleiros.

É, portanto, uma comparação estapafúrdia. Igual a dizer, apenas como exemplo, que uma empresa enorme como a Volkswagen teve o dobro de acidentes de trabalho, porque duas pessoas se machucaram lá no ano passado, do que a Oficina do Zezinho, onde ele trabalha com um ajudante, porque o dito Zezinho se feriu ali em 2010.

Se o jornal quisesse ser honesto, faria o que este modesto blog, com o Google apenas, fez.

Leria no mesmo relatório de sustentabilidade de onde tirou os dados, está escrito que estava sendo mantida sendo mantida a tendência de níveis de vazamento na Petrobras ” inferiores a um metro cúbico por milhão de barris de petróleo produzidos, um referencial de excelência na indústria mundial de óleo e gás”.

E se perguntaria: isso é referência de excelência? Então, quanto será o de outras grandes petroleiras, como a Chevron?

E acharia o último número tornado disponível pela empresa, o de 2007. Para uma produção então de 2.620 mil barris/dia (praticamente igual à da Petrobras) , os vazamentos de petróleo, segundo os números oficiais da própria Chevron, somaram 9.245 barris, muito mais que o dobro da petroleira brasileira. Estatisticamente, o volume dos acidentes com a Petrobras, em 2010, é 55% menor que o da gigante americana.

Mas a cegueira provocada pelo ódio leva àquela comparação desonesta. Desonesta, com a Petrobras e, sobretudo, desonesta com o leitor.

E é desonesta porque é sabido que, se tem deficiências, os sistemas de segurança da Petrobras são reconhecidos como excelentes por todos, como registrou, esta semana, até mesmo Miriam Leitão, totalmente insuspeita de simpatias pela empresa:

“A Petrobras trabalha com políticas de redundância na operação, tem equipes para situações de emergência. É preciso saber se esse protocolo está sendo usado por outras empresas que operam no Brasil.”

Ou será que nem O Globo leva a sério o que diz a Miriam Leitão?

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sábado, 26 de novembro de 2011

Contraponto 6854 - "Donos da mídia querem ganhar no grito"

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26/11/2011

Donos da mídia querem ganhar no grito

Do Blog do Miro - 26/11/2011

Por Sérgio Lirio, na CartaCapital:

Franklin Martins afasta o corpo da mesa, gira levemente a cabeça e contorce os lábios em um de seus gestos típicos, um misto de impaciência e desdém com um comentário que no primeiro momento lhe parece irrelevante ou fora de foco. Ele veste jeans e uma camisa social, e tem dedicado o “ano sabático” a escrever dois livros sobre a forma como a música brasileira retrata a política, projeto interrompido quando aceitou ingressar no governo Lula em 2007.

Talvez tenha sido um recurso para ganhar tempo na elaboração da resposta. Martins nem bem sentara à mesa de um café em Brasília, onde topou o encontro após uma razoável dose de insistência minha, quando observei que os meios de comunicação têm tentado nos últimos anos impingir-lhe a marca de “censor”, de um autoritário disposto a conspurcar o sagrado direito à liberdade de expressão. “É um reflexo condicionado, ideologia”, começa. “A mídia brasileira não quer se discutir nem deixar discutir. Mas não hácomoescapar, é inevitável diante das mudanças tecnológicas. Ou fazemos um debate franco e democrático sobre a regulação dos meios, com a participação de todos, ou prevalecerá a lei do mais forte.”

Desta vez e ao contrário do passado, desconfia Martins, a selva tem um novo rei, as companhias telefônicas. “Em 2010, as empresas de mídia faturaram 13 bilhões de reais. As teles, 180 bilhões. É fácil imaginar quem vai ganhar essa disputa econômica se a opção for o vale-tudo, o faroeste. O problema para a sociedade é que são enormes os riscos de uma concentração ainda maior.”

Esta é uma discussão deliberadamente distorcida pela mídia. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, os donos dos meios de comunicação barraram os projetos em acordos de bastidores. Por isso FHC é considerado um “democrata”. Sob Lula não foi diferente, os grupos sempre impuseram sua vontade no fim das contas, mas a antipatia do presidente e de parte do PT pela maneira como foram tratados ao longo da década levou as empresas a adotarem um discurso mais beligerante. Do confronto, mais aparente que real, vicejou a tese de um viés autoritário cujo objetivo seria calar “a imprensa livre”.

O ex-ministro lembra, com humor, de uma frase atribuída a ele durante a conferência de comunicação patrocinada pelo governo para discutir um novo marco regulatório. À época, jornais, revistas, tevês e rádios reproduziram como verdade uma suposta frase sua: “Vou enfiar esta lei goela abaixo da sociedade”. Ao mesmo tempo, as associações empresariais anunciavam oficialmente a não participação na conferência. “Nunca disse isso. Perguntei aos jornalistas de onde eles haviam tirado essa informação. Ninguém conseguiu me responder, mas a pauta estava pronta.”

Não foi a primeira vez, nem será a última, que frases e intenções são arbitrariamente atribuídas a quem não as defende. Se existe um ato de censura hoje em voga no País ele parte daqueles que se proclamaram defensores das liberdades. Qualquer discussão a respeito da legislação é logo interditada sob o argumento de uma suposta matriz autoritária. Não adianta argumentar que nossas leis são antigas, confusas, não dão conta das profundas e recentes mudanças tecnológicas. Nem que o setor, em vários aspectos, vive na ilegalidade pelo fato de boa parte dos artigos da Constituição referentes à comunicação nunca terem sido regulamentados. Ou que os países desenvolvidos promoveram alterações profundas em suas leis nos últimos 20 anos e que a Unesco, em relatório independente, tenha apontado falhas graves que aproximam a legislação nativa da completa barbárie.

Discursar em favor da liberdade de expressão virou um cacoete – e serve, em geral, para desqualificar propostas que desejam ampliá-la e não reduzi-la. A insistência é tanta que chega a produzir cenas patéticas, como a de uma repórter que viu no assassinato do cinegrafista da Band durante uma operação no morro carioca, lamentável, mas parte do risco profissional, um ataque à liberdade de imprensa.

A realidade mostra, ao contrário, que o exercício do jornalismo nunca foi tão livre no Brasil. Pode-se até afirmar, com base nos fatos, que desde a decisão do Supremo Tribunal Federal de liquidar a Lei de Imprensa sem regulamentar o direito de resposta, a mídia tem sido mais algoz do que vítima de abusos diversos. Fora raras exceções a comprovar a regra, não há poder capaz de contrastar a força dos meios.

Liberais da economia costumam comungar da mesma visão de mundo dos veículos de comunicação, mas até esse grupo deveria refletir. Há uma distorção dos mecanismos de livre mercado que prejudica o bom funcionamento dos agentes econômicos. Após quase três décadas da volta dos civis ao poder, e dos inúmeros choques produzidos na economia nacional, o setor de comunicação continua um raro, senão único, setor a contar com fortes barreiras protecionistas – e sua eficiência tem sido prejudicada por uma crescente oligopolização e pela limitação a novos competidores.

Nem regras simples adotadas na maioria dos países e previstas na Constituição brasileira conseguem vigorar. Qualquer cidadão concordará: o ideal para a democracia e para a economia seria impedir que um mesmo grupo controlasse, em uma mesma cidade, emissoras de tevê, rádio e jornais. É uma norma válida, por exemplo, nos Estados Unidos, onde a mídia nasceu e vicejou a partir da livre iniciativa. Também deve achar razoável que políticos em mandato ou no exercício de cargos públicos sejam proibidos de controlar meios de comunicação.

No Brasil, isso não só ocorre,como existe uma simbiose secular entre o controle da mídia e o poder político. Não se trata apenas do fato de a Globo, no Rio de Janeiro e emSão Paulo, ser dona de tevê, rádios e veículos impressos. Ou de a RBS, associada à família Marinho, dominar as comunicações de forma horizontal, vertical e transversal no Sul do País. Os herdeiros de Antonio Carlos Magalhães naBahiae a família Sarney no Maranhão, para citar os dois casos notórios, mas não isolados, comandam os principais meios de comunicação em seus estados, a ponto de sufocar qualquer concorrência empresarial e política.

“É o único setor da sociedade que combina economia e política. O detentor de um meio de comunicação tem um poder que nenhum outro proprietário tem”, diz Laurindo Leal Filho, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP. “Essa situação, por si só, exigiria um olhar atento da sociedade. Há ainda o fato de as frequências de rádio e tevê serem bens finitos, pertencentes a todos os brasileiros. Portanto, não há como contestar a regulação.”

A influência política permite a concessionários se comportarem como no Velho Oeste. Ninguém em sã consciência acha normal que o proprietário de uma concessão de uma usina hidrelétrica ou de uma frequência de telefonia possa vendê-la a um terceiro sem que a transação seja aprovada pelos respectivos órgãos reguladores – e em alguns casos as transações são simplesmente vetadas. Mas é o que acontece, com frequência abusiva, na radiodifusão (sem falar nos “laranjas”).

E o que dizer da venda de horários na programação? Alguém admitiria ir ao cinema assistir a um filme dos irmãos Coen e no meio da projeção ser obrigado a ver cenas de ação de Jackie Chan? Pois acontece na maioria das tevês abertas e em muitas rádios, que ganham dinheiro com o aluguel de largos espaços a igrejas pentecostais. Essa burla à lei permite, por exemplo, à Record concorrer de maneira desleal no mercado de televisão.

A simbiose, de um lado, e o simples medo, de outro, impedem que a discussão caminhe no Congresso Nacional. O governo Fernando Henrique Cardoso chegou a preparar três projetos de modernização da radiodifusão. Todos engavetados. Lula acenou várias vezes com a possibilidade, até que Martins, em sua última missão, organizou a conferência de comunicação e dela extraiu os elementos de uma proposta. Na transição para a administração Dilma Rousseff, o texto foi entregue ao ministro Paulo Bernardo, que promete colocar a proposta em discussão pública a partir de dezembro, embora o Palácio do Planalto tenha deixado claro não se tratar de uma prioridade do mandato.

O tema também não empolga os partidos. Uma frente parlamentar reúne deputados de diversas legendas, mas as cúpulas mantêm um claro distanciamento do grupo. Há duas exceções, talvez. Após aprovar uma resolução em seu congresso nacional, o PT patrocina na sexta-feira 25,em São Paulo, um debate sobre o tema. A ideia é ouvir os movimentos sociais a respeito e, em certa medida, se descolar do governo, que ainda não encontrou a melhor forma de encaminhar a discussão.

Já o Psol foi a única agremiação a encampar uma ação no Supremo Tribunal Federal proposta pelo Intervozes, organização formada por jornalistas e radialistas que há oito anos defende regras para ampliar o acesso aos meios de comunicação. Na ação, a entidade civil pede que o STF exija do Ministério das Comunicações o cumprimento do capítulo da Constituição que trata dos políticos: quem estiver na ativa deve ser afastado do controle de empresas do setor.

Segundo João Brant, do Intervozes, a regulamentação dos artigos da Constituição referentes à comunicação seria um grande passo para garantir mais pluralidade e diversidade na mídia. Mas seria preciso, diz ele, avançar em alguns outros pontos, entre eles a separação entre infraestrutura e conteúdo na radiodifusão. É uma regra adotada na Europa e nos Estados Unidos e, ironicamente, incorporada à lei de tevê por assinatura no Brasil. Ela parte de uma constatação simples que tem o poder de controlar os riscos de monopólio: quem distribui conteúdo, não pode produzi-los.

“Há uma tendência de concentração na mídia maior do que em outros setores. E o pior: os efeitos não se dão apenas sobre a economia. Eles afetam diretamente a democracia”, diz Brant. “Em consequência, o setor deve estar sob constante vigilância e discussão. No Reino Unido, as leis são revistas praticamente de cinco em cinco anos”.

Professor aposentado da UnB e um dos mais ativos críticos de mídia do País, Venício Lima acha que a lei de tevê por assinatura expôs novamente o ainda enorme poder político da Rede Globo. Segundo Lima, a lei conseguiu limitar o avanço das empresas de telefonia, proibidas de produzir conteúdo, enquanto na tevê aberta, a Globo sobretudo e as demais emissoras continuam a ter o direito de controlar a transmissão e ao mesmo tempo produzir o que irá ao ar. “Entre 35% e 40% dos senadores são vinculados a concessionárias de comunicação. Não vejo como as coisas podem avançar.”

Martins é mais otimista. Segundo ele, a lei de tevê por assinatura estabeleceu um parâmetro para as futuras discussões de uma regulação geral. Além de separar transmissão e conteúdo, estabeleceram-se cotas para a produção nacional e regional a ser exibida, outro ponto da Carta de 1988 ainda não regulamentado. “Na sociedade do conhecimento, haverá uma oferta espetacular de informação. E o Brasil precisa se preparar.”

Para afastar o que considera um “bode na sala”, a tese da censura, o ex-ministro propõe: “A discussão deveria se circunscrever a um conceito simples. Nada que fira a Constituição e nada que engavete a Constituição”. Martins afirma que os movimentos sociais evoluíram nos últimos anos. Uma das provas seria o fato de a expressão “controle social da mídia”, um conceito vago e autoritário antes repetido ad nauseam, ter desaparecido do léxico dos defensores da regulação.

Os representantes dos meios de comunicação continuam presos a velhos mitos. Distorcem conceitos e declarações, omitem informações e têm dificuldade em admitir que seu poder real e relativo se dilui por conta dos avanços tecnológicos mundiais e das transformações sociais no Brasil.

Seria recomendável a leitura de um artigo de 1829 do jornalista Líbero Badaró, intitulado Liberdade de Imprensa, relançado recentemente em uma elegante edição de capa dura. A intenção de quem republica o texto neste momento, um grupo de advogados paulistas, é inegável: alinhar-se a quem enxerga riscos à liberdade de expressão no Brasil.

Do lúcido texto é possível, porém, extrair outras lições. Badaró foi assassinado por partidário de dom Pedro e seu artigo, uma crítica à monarquia, concentra-se nos excessos do poder da realeza. Mas o jornalista não deixa de comentar os abusos do jornalismo: “Nada há de mais baixo, de mais vil, de mais criminoso, que mereça mais todo o peso do público opróbrio do que aquele que prostitui a sua pena”. Dois séculos depois, aqui estamos no mesmo ponto. Discutir de forma honesta a modernização das leis poderia ser uma forma de a mídia brasileira enfrentar seu pior inimigo: ela mesma.
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Contraponto 6853 - "Bolsonaro e o decoro parlamentar"

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26/11/2011
Bolsonaro e o decoro parlamentar

Da Carta Maior - 25/11/2011

Não se iluda o deputado pelo Rio de Janeiro. Se houver uma vontade política da maioria da Câmara dos Deputados, o seu mandato poderá vir a ser cassado por falta de decoro parlamentar. O conceito de decoro é político. O julgamento político não se submete aos ritos jurídicos comuns.

Os debates parlamentares são, normalmente, incontroláveis. Desde que há parlamentos, as discussões conduzem a insultos e impropérios. Mas nem sempre os mais audaciosos na virulência, ou no mau gosto de seus argumentos, conseguem ser bem sucedidos na política. A ironia inteligente, a lógica no argumento e a paciência didática na defesa de uma idéia, ou de uma posição em assuntos pontuais, são sempre mais eficientes no confronto parlamentar.

O deputado Jair Bolsonaro, quer isso nos agrade ou não, representa uma parcela ponderável do eleitorado do Rio de Janeiro, constituída de militares saudosistas do regime ditatorial, de obstinados lacerdistas, de neoconservadores. Sua presença no Parlamento é assim legítima, de acordo com os ritos da democracia representativa. Ele é protegido, pelo que disser na tribuna, pela imunidade parlamentar. Sendo assim, nada pode impedir seus excessos verbais – a não ser uma ação política. O julgamento político, pelo parlamento, não está sujeito a regras jurídicas. Ele depende da vontade da maioria dos representantes do povo, sobretudo quando se trata de verificar se o acusado ofendeu ou não o decoro parlamentar.

Na defesa de suas idéias, mais do que conservadoras, o deputado Bolsonaro não se impõe limites. Ninguém pode impedir que ele defenda um governo de extrema direita, da mesma forma que seria estúpido impedir que alguém defendesse o contrário, ou seja, uma política de extrema-esquerda, conforme garante a Constituição. Mas aos debates parlamentares convém um mínimo de cortesia e de respeito aos outros. Bolsonaro é costumeiro em se dirigir, sobretudo às mulheres, com palavras pesadíssimas, que não são próprias de um cavalheiro, senhor de sua hombridade - em todos os significados do último vocábulo.

Quase sempre depois de um escorregão mental, ele se desculpa, e procura muletas semânticas, a fim de amenizar o que dissera antes. Essa é uma tática comum, não só no parlamento como na vida de todos os dias, a de desmentir intenções. Na realidade, os doestos, uma vez disparados, permanecem com seus efeitos perversos.

É natural que a muitas pessoas pareça incômoda a postura da sociedade moderna diante de certos comportamentos humanos, que lhes pareçam antinaturais, como é o caso do homossexualismo. A História nos mostra que a intolerância diante desses comportamentos é cíclica e variável nas culturas nacionais de cada época. O fato é que esses comportamentos fazem parte da condição humana. Talvez conviesse ao deputado Bolsonaro ampliar o leque de suas preocupações, e não limitá-las a um só assunto. Ele corre o risco de além da imagem de violento, também se tornar um parlamentar aborrecido, com seu samba de uma nota só.

Sua última tentativa de ofensa à presidente Dilma Rousseff – já acostumada a injúrias vis, como a de que é “assassina de criancinhas” - com a ridícula e desprezível insinuação divulgada, provocou a reação de grande parte dos parlamentares, muitos deles já alvos da agressividade verbal de Bolsonaro. Não se iluda o deputado pelo Rio de Janeiro. Se houver uma vontade política da maioria da Câmara dos Deputados, o seu mandato poderá vir a ser cassado por falta de decoro parlamentar. O conceito de decoro é político. O julgamento político não se submete aos ritos jurídicos comuns. É um ato de vontade da maioria, que o exerce conforme a Constituição.

Como disse, em debate crucial na Assembléia Francesa, o grande Robespierre, ao defender a sentença de morte contra Luís 16, o julgamento político nada tem a ver com a legislação penal.

Sendo assim, convém a Bolsonaro controlar a sua linguagem.


*Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

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Contraponto 6852 - "Yes, nós temos um Berlusconi. 'Yes, we care' " "

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26/11/2011
Yes, nós temos um Berlusconi. "Yes, we care"

Do Amigos do Presidente Lula - 26/11/2011

O senador Aécio Neves e a socialite Ana Paula Junqueira foram fotografados saindo juntos de um balada na madrugada de ontem, quinta feira (25) em São Paulo.Os dois foram fotografados no banco de trás de um carro e tentaram fugir dos flashes dos paparazzi.



Aécio Neves dentro de carro com a socialite Ana Paula Junqueira

Ana Paula apareceu recentemente em um vídeo que discute o conflito da USP com outras socialites.

Baladeiro de plantão

Alguém me explica o que o senador tucano Aécio Neves, estava fazendo em plena quinta feira, dia útil, em São Paulo?. Em um dia útil,Aécio caiu do cavalo em Minas. Em outro dia útil, Aécio fugiu do bafômetro no Rio....

Será que ele já foi informado que ganhou dos mineiros uma vaga no Senado, para trabalhar e é pago com dinheiro público?.Vai ver ele não sabe, por isso não fica em Brasília.

Só falta o senador repetir a frase da Luciana Cardoso (filha do FHC): "Se me chamarem eu vou na hora". Ela também recebia polpudo salário em Brasília (também no Senado) sem comparecer ao trabalho. E os tucanos tem a cara de pau de falar em ética.

Contraponto 6851 - Números de Belo Monte


26/11/2011


Por Sanzio

Um vídeo bastante didático sobre a usina de Belo Monte. O autor utilizou os dados oficiais do site da ANEEL

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Contraponto 6850 - "Franklin Martins: "Ninguém pode engavetar a Constituição"

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26/11/2011

Franklin Martins: "Ninguém pode engavetar a Constituição"

Do Viomundo - 25 de novembro de 2011 às 15:46

por Luiz Carlos Azenha

O ex-ministro Franklin Martins quer que o Partido dos Trabalhadores apresente um marco regulatório das comunicações baseado no cumprimento da Constituição de 1988.

“Não se arranha a Constituição, mas não se deixa a Constituição na prateleira. Ninguém pode ferir a Constituição. Ninguém pode engavetar a Constituição. Devemos ter no marco regulatório a Constituição na forma de marco. Na íntegra”.

Franklin usou uma cópia da Constituição como “prop” durante boa parte de sua apresentação; ao final, diante de militantes e jornalistas, leu os trechos da Constituição relevantes para o debate. “Está tudo ali”, disse, antes da leitura.

O ex-ministro gastou um bom pedaço de sua fala com um tema antigo: a tentativa das corporações de mídia de interditar o debate, alegando que a proposta de um marco regulatório equivale a censurar a imprensa ou ameaçar a liberdade de expressão.

Franklin lembrou que é filho de um jornalista que foi preso cinco vezes durante a ditadura Vargas. O jornal do pai foi censurado. O ex-ministro disse também que todos os que lutaram contra a ditadura militar no Brasil, que nos infelicitou de 1964 a 1985, também lutaram contra a censura. Sem ironia, lembrou que alguns dos que se arvoram defensores da liberdade de imprensa e de expressão, hoje, colaboraram com o regime militar ou pregaram a derrubada do governo constitucional de João Goulart.

[Não sabe quem colaborou? Ouça entrevista com Beatriz Kushnir, autora do livro Os Cães de Guarda]

Franklin disse que o quadro regulatório do setor, hoje, é o do “jeitinho”, dos “laranjas”, um “cipoal de gambiarras”, a “terra de ninguém”, a “lei da selva”. Lembrou que o Código Brasileiro de Telecomunicações, que rege o setor de rádio e televisão, em breve vai completar 50 anos: é de 1962.

Disse que os empresários brasileiros da radiodifusão, a um debate aberto, amplo e transparente, parecem preferir um acerto de bastidores entre eles, as empresas de telefonia e alguns funcionários do governo. Franklin definiu este acerto entre quatro paredes como um “rachuncho”. Disse que um acerto do gênero não daria certo em uma sociedade sofisticada como a brasileira.

Se não houver acordo e, portanto, marco regulatório, Franklin previu que as empresas de radiodifusão serão engolidas pelas teles. Motivo? Em 2010, lembrou o ex-ministro, as teles faturaram 180 bilhões de reais, contra 13 bilhões de reais do setor de radiodifusão.

O ex-ministro enfatizou que o marco regulatório se refere às “comunicações eletrônicas”, não afetando a mídia impressa.

De qualquer forma, disse que o governo Lula “comeu o pão que o diabo amassou” com a mídia brasileira e lembrou três episódios que, segundo ele, deixaram explícito que Lula e o PT respeitam o direito mesmo de uma imprensa ruim: o jornal que sugeriu que o presidente da República era um estuprador; o jornal que publicou na capa uma ficha falsa da candidata Dilma Rousseff; a emissora de TV que gastou sete minutos para provar a existência de um petardo disparado contra um candidato a presidente. Franklin não mencionou os nomes do jornal, da emissora ou do candidato da oposição.

Ele voltou a destacar o papel da blogosfera como “grilo falante” e, para dar a medida da importância dos blogueiros, citou como exemplo um episódio desta sexta-feira. A carta em que o diretor de redação da revista Veja, Eurípedes Alcântara, anuncia a saída do editor Mário Sabino, começa assim:

“Meus caros, antes que prevaleçam a maledicência e a desinformação, matérias-primas dos bucaneiros da internet, gostaria de esclarecer o que existe de factual sobre a decisão do Mario Sabino de deixar o jornalismo e, como consequência, seu cargo de redator chefe de VEJA”.

A plateia riu.

O relato acima reflete uma hierarquização pessoal. Para fazer a sua própria, ouça as gravações (perdemos os minutos iniciais). http://www.viomundo.com.br/politica/franklin-martins-ninguem-pode-engavetar-a-constituicao.html

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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Contraponto 6849 - "Dilma: A indústria do petróleo é nossa. Celso Furtado concorda"

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25/11/2011

Dilma: A indústria do petróleo é nossa
Celso Furtado concorda


Celso Furtado ficaria orgulhoso do Brasil

O Conversa Afiada reproduz post do Blog do Planalto:


Brasil não vai transferir empregos para outros países, diz presidenta na entrega de navio do PAC

A presidenta Dilma Rousseff participou hoje (25) da cerimônia de entrega do navio Celso Furtado no Estaleiro Mauá. É a primeira embarcação entregue por um estaleiro brasileiro ao Sistema Petrobras desde 1997. Sua construção faz parte do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), que marca a retomada da indústria naval brasileira com a abertura de novos estaleiros e a modernização dos existentes.


No discurso, Dilma Rousseff lembrou o desmonte vivido pela indústria naval no Brasil. Seu ressurgimento, afirmou, é resultado do esforço do ex-presidente Lula, que acreditou no trabalhador brasileiro.


“A indústria naval, quando o presidente Lula chegou ao governo, estava paralisada. E você via no chão, nos muitos estaleiros que já tinham produzido navio, a grama crescendo por entre as pedras. Isso foi responsabilidade de um momento terrível da nossa história, em que nós tivemos uma das maiores perdas para os trabalhadores do setor metalúrgico do Brasil. E aí, o presidente Lula tomou uma decisão. Nós podemos produzir no Brasil o casco, o navio e a plataforma.”


A presidenta Dilma disse ainda que a indústria naval vai continuar gerando emprego. Além da Petrobras, as empresas de petróleo que atuam no país vão manter seus investimentos, o que aumentará a demanda por navios, plataformas e sondas. Os postos de trabalho aqui criados, afirmou a presidenta, não sairão do país.


“Eu lutei muito para que o Brasil voltasse a produzir o que ele era capaz. Nós não vamos transferir emprego para ouros países do mundo. Os empregos gerados para o Brasil serão mantidos no Brasil.”


A presidenta fez uma homenagem ao economista Celso Furtado (1920-2004), que, segundo ela, soube separar crescimento de desenvolvimento.


“Um país só se desenvolvia se os empregos ficassem cada vez melhor, se cada família pudesse colocar seu filho na escola e ter acesso à saúde. Para ter desenvolvimento, teria que ter crescimento, geração de emprego e distribuição de renda. Senão, não era desenvolvimento.”


Programa de Navios – Com o Celso Furtado, já foram lançados ao mar quatro navios, todos batizados em homenagem a importantes personagens da história do Brasil. Com capacidade para 48,3 mil toneladas de porte bruto, ele será responsável pelo transporte de combustíveis (gasolina e diesel) entre os estados.


Segundo a Transpetro, subsidiária da Petrobras, duas mil pessoas trabalharam na construção do navio. Uma delas, Alessandra dos Santos, subchefe de máquinas, não segurou a emoção. No discurso, falou do antigo sonho de ser comissária de bordo que deixou de lado quando conheceu o trabalho da Marinha Mercante. Trocou o céu pelo mar e acompanhou de perto a construção do Celso Furtado.


“Há dez meses acompanho o nascimento do navio que já faz parte da minha vida. Assim, não poderia deixar de prestar homenagem a todos os trabalhadores do Estaleiro Mauá. Vi de perto o empenho e dedicação de cada um deles que ajudaram a transformar esse sonho em realidade.”


Pelo Promef, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), deverão ser entregues, até 2015, 49 navios petroleiros e gaseiros de grande porte, sendo 23 deles na primeira fase do projeto (com 65% de nacionalização) e 26 na segunda etapa (com 70% de nacionalização). Com isso, a frota da Transpetro, hoje com 53 navios, vai superar o número de 110 embarcações.


“Há dez anos, a indústria naval brasileira estava destruída. Não havia navios em construção, não havia funcionários, apenas um resíduo de dois mil funcionários, e nada mais. Hoje são 60 mil funcionários que trabalham na industria naval brasileira”, disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.


Selo e carimbo comemorativos foram lançados pelos Correios na cerimônia no Estaleiro Mauá. Acompanha a imagem da embarcação Celso Furtado, a legenda: Primeiro navio do PAC em operação.

Ouça aqui o discurso de Dilma na íntegra

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Contraponto 6848 - "Na crise econômica global, Brasil se diferencia também na política"

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25/11/2011

Na crise econômica global, Brasil se diferencia também na política

Da Carta Maior - 25/11/2011


Enquanto Obama enfrenta resistência republicana sem fim e na Europa governos tombam em série, Dilma aprova com folga todas as medidas anticrise propostas ao Congresso. 'Brasil tem maturidade política', diz ministro da Fazenda. Nascido na oposição, PSD ilustra coesão pró-governo. Para cientista político, projeto Lula-Dilma conquistou sociedade. Tucanos acham que Planalto compra apoio.

André Barrocal

BRASÍLIA – O Brasil atravessa um momento econômico bem diferente do vivido por países ricos, como Estados Unidos e alguns da Europa. Cresce e vislumbra tornar-se a quarta economia mundial em 15 anos ou 20 anos, enquanto o “primeiro mundo” está estagnado e sem perspsectiva de sair dessa situação. Mas a distinção não para na economia. Mesmo sendo uma democracia jovem, na comparação com norte-americanos e europeus, o país demonstra hoje mais tranquilidade política também.

Em meio à crise global, o governo tem aprovado tudo o que quer no Congresso. E com folga. Aqui, não houve nada parecido com a guerra travada entre o presidente norte-americano, Barack Obama, e seus adversários do Partido Republicano em torno do limite máximo da dívida pública que resultou no constrangimento de, pela primeira vez na história, os EUA terem reduzida sua nota no ranking de uma agência que classifica países de acordo com a possibilidade de calote deles no 'mercado'.

Também são estranhas ao Brasil as disputas entre governo e parlamento vistas em países europeus endividados até o pescoço e que precisavam tomar uma decisão política: sacrificar as populações e submetê-las à desesperança no curto e médio prazo ou enfrentar o 'mercado'? Nestas batalhas, tombaram primeiros-ministros na Grécia e na Itália, ou partidos à frente do poder, caso da Espanha.

Enquanto isso tudo se passava lá fora, aqui, deputados e senadores aprovavam, a pedido do governo, um pacote de incentivos fiscais para a indústria, redução de tributos para micros e pequenas empresas e a taxação da especulação com dólar no chamado mercado de derivativos, em votações muitas vezes simbólicas. “O Brasil tem hoje uma maturidade política que não existe infelizmente nesses países [desenvolvidos]”, diz o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

“O PSD é um dos reflexos disso. Não tem vínculo oficial com o governo em exercício, nem o compromisso de ser oposição por oposição”, afirma o líder do Partido Social Democrático na Câmara dos Deputados, Guilherme Campos (SP).

Criado este ano por políticos adversários do ex-presidente Lula cansados de ver o país crescer e o governo ser popular apesar dos erros apontados e das críticas feitas, o PSD é o melhor exemplo da “maturidade política” mencionada por Mantega.

Na votação mais importante para o governo este ano na Câmara, em que se decidia a renovação Desvinculação das Receitas da União (DRU), existente há mais de uma década mas que a presidenta Dilma Rousseff diz que é essencial em meio à crise internacional, o partido votou 100% a favor do Planalto.

Versões
Qual seria a explicação para a coesão política observada hoje em torno da presidenta? Aí depende da posição em que se situa o autor da resposta.

Para a ministra-chefe da articulação política de Dilma, Ideli Salvatti, a razão principal é a economia. Como o país está bem, e falar mal do governo não parece um bom negócio do mercado de votos, a maioria dos partidos apoia e continuará apoiando, apesar de problemas pontuais. “Ninguém se rebela se as coisas estão dando certo. E elas estão dando certo”, diz.

Avaliação semelhante tem o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann. Em diversos setores da sociedade, não só nos partidos, a satisfação com o projeto de desenvolvimento em curso seria predominante. “A novidade do Brasil nessa primeira década do século XXI é a construção de uma maioria política que tem clareza que o país não pode mais continuar com voo de galinha”, afirma.

Nas hostes oposicionistas, porém, a explicação é outra. E nada republicana. O governo teria feito um condenável e inaceitável acordo de entrega de fatias de poder (ministérios e cargos) em troca de apoio partidário. É o que diz com frequência o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que também fez um governo de coalizão, embora tenha obtido menos votos favoráveis no Congresso do que tem Dilma hoje.

Para os tucanos, esse modelo de relação seria impróprio porque favoreceria o tipo de prática antiética que já levou à demissão de vários ministros neste primeiro ano de gestão Dilma.

“Há um loteamento da máquina para o governo aprovar o que quer no Congresso”, diz o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), líder do bloco de oposição na Câmara. “Se vivêssemos no parlamentarismo, como na Europa, o governo já teria caído. E se tivéssemos partidos fortes, como nos Estados Unidos, já teria sofrido impeachment.”

Desempate
O tira-teima na disputa de análises fica com o cientista político Fábio Wanderley Reis, professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Para ele, o atual estágio político brasileiro é antes de tudo fruto de um processo histórico. A democracia avançava no início dos anos 60, foi barrada pelo golpe militar de 1964 e adormeceu enquanto o mundo se dividia na guerra fria “capitalismo x comunismo”. Mas, com a volta dos militares aos quartéis, em 1985, retomou o caminho antes abreviado e, agora, vai se consolidando e assistindo a um fortalecimento contínuo das instituições.

Apesar disso, o professor acredita também que é preciso levar em conta o papel do governo Lula na atual coesão política em torno de Dilma, que representa o prosseguimento de um projeto iniciado em 2003.

“Esse esforço de incorporação social tem tido apoio prolongado e sustentado. A questão social se incorporou à dinâmica política nacional”, afirma Fábio Wanderley. “Mas dizer que o Brasil está num patamar político superior a Estados Unidos e Europa, é difícil responder.”


Fotos: Fabio Rodrigues Pozzebom
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