sábado, 29 de junho de 2013

Contraponto 11.575 - "A (I)lógica das pesquisas"


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29/06/2013

A (I)lógica das pesquisas



 
É cientificamente INVÁLIDA qualquer análise dos resultados da pesquisa que procure dizer que, de fato, ela exprime um sentimento genuíno de insatisfação, isso por um motivo muito simples: ninguém que há dois, três meses atrás achasse o Governo bom/ótimo iria mudar de opinião de uma hora para outra tendo verdadeiros e concretos motivos para tanto.

Dessa certeza, que é lógica e racional, segue-se a dedução de que o resultado da pesquisa apenas comprova a facilidade com que se pode induzir o povo a falsas manifestações de vontade, sem amparo na realidade e apenas motivadas pela manipulação midiática e marqueteira do que estamos vendo.

A vida das pessoas que consideravam o governo bom/ótimo até um tempo atrás NÃO pode ter sido afetada de tal modo nos últimos meses ao ponto delas terem genuinamente motivos para mudarem de opinião.

O que se construiu foi uma sensação de desordem a partir dos protestos.
Em suma, a pesquisa apenas mostra o quanto a opinião popular pode ser manipulada numa sociedade de massas, extremamente suscetível de ser influenciada pela FORMA com que os fatos chegam até ela.

Concluindo, trata-se de uma pesquisa que mostra a avaliação da opinião circunstancial de uma parcela da população que retrata a sensação provocada pela forma como os protestos estão sendo transmitidos pelos órgãos de comunicação.

FORA isso, NÃO existe explicação lógica que justifique, cientificamente, que pessoas que há pouquíssimo tempo avaliavam positivamente o Governo Dilma tenham, de fato, motivos concretos para mudarem de opinião.

Tirando os casos dos que perderam parentes mortos nos protestos e dos que tiveram suas vidas afetadas diretamente por eles, como os empresários saqueados, os que ficaram horas presos no trânsito e etc, NADA justifica a queda brusca de popularidade.

A queda não passa de um efeito do marketing político gerado pelos protestos, que em si mesmos foram alimentados por uma certa abordagem midiática não compromissada com a estabilidade da ordem democrática, afora a participação efetiva da oposição dos partidos de sempre (PSDB, DEM e PPS, principalmente estes), que abortaram o diálogo democrático, racional, e investiram pesado no discurso falso e terrorista de sempre, apelando inclusive para acusações de "chavismo" e coisas do tipo, como fizeram com o plebiscito proposto corretamente pelo Governo Dilma.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, mostrou-se um irresponsável incendiário quando declarou que o Brasil havia "amanhecido Venezuela" após a proposta do Governo Dilma acerca da reforma política.

A afirmação, censurável por si mesma quando vinda de um ministro do STF que opina jogando lenha na fogueira, é também censurável porque desrespeita uma nação estrangeira, usada inadvertidamente como exemplo negativo para o Brasil, o que NÃO pode ser admitido quando a declaração vem de uma alta autoridade brasileira. Isso é IRRESPONSÁVEL e é ERRADO, totalmente inadmissível.


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PITACO DO ContrapontoPIG

Seria válida uma pesquisa realizada no meio da torcida do Flamengo, em dia de Fla X Flu, sobre a preferência dos torcedores ?

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Contraponto 11.574 - " 'Golpe'. Assim Veja classifica o plebiscito"

247 - Na lógica da revista Veja, o povo serve para protestar (especialmente se for contra o PT), mas não para decidir. É o que fica claro no editorial desta semana da publicação da Abril, chamado "Plebiscito é golpe".

De autoria do diretor de redação Eurípedes Alcântara, o texto é uma clara demonstração de elitismo conservador. "Não se faz plebiscito para jogar nos ombros das pessoas o peso de decisões sobre o funcionamento de coisas complexas. As pessoas não podem ser obrigadas a decidir exatamente como as instituições devem funcionar", diz o editorial.

Numa clara demonstração de ignorância, má-fé ou ambos, o editorial diz que os brasileiros foram às ruas para exigir a "reforma dos políticos, não uma reforma política". Ocorre que Eurípedes não é desinformado a ponto de desconhecer que são as instituições que fazem os homens. Por isso mesmo, o debate mais avançado em ciência política diz respeito ao melhor desenho institucional para as sociedades – uma vez que até pessoas de boa fé, num sistema corrompido, excessivamente dependente do capital privado, também se corrompem se for essa a lógica para se eleger e se manter no poder.

O plebiscito, ao discutir temas como o financiamento público de campanha, pode chegar à raiz do problema, mas o fato é que, na lógica de Veja, não faz sentido qualquer mudança. O que parece interessar é a permanência de um sistema viciado onde, a cada governo, os mesmos escândalos se repitam.
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Contraponto 11.573 - "A esquerda não pode piscar"


29/06/2013


A esquerda não pode piscar

 

Da Carta Maior 27/06/2013   atualizada em 28/06, às 12hs15


Saul Leblon

O Brasil ingressa num ciclo de turbulência do qual a democracia participativa poderá emergir como parteira de uma sociedade mais equilibrada e justa.

Mas a esquerda não pode piscar.

A disputa fratricida, hoje, é o coveiro das esperanças nacionais.

Nos anos 50, um pedaço das forças progressistas só foi perceber o seu lado no jogo quando o povo já incendiava os carros do jornal 'O Globo', em resposta ao tiro com o qual Getúlio encerrou a sua resistência e convocou a das massas.

Ontem, como agora, o enclausuramento ideológico, o acanhamento organizativo e a dispersão programática pavimentam o caminho da ameaça regressiva.

É a hora da verdade de toda uma geração.

Cabe-lhe sustentar um novo desenho progressista para o desenvolvimento do país.

Um notável volume de investimentos é requerido para adequar a logística social e a infraestrutura às dimensões de uma nação que incorporou milhões de pobres ao mercado de consumo nos últimos anos.

Agora lhes deve a cidadania.

O novo giro da engrenagem terá que ocorrer num momento paradoxal.

A recuperação norte-americana encoraja as apostas no fim da crise, mas complica a mecânica do crescimento na periferia do mundo, encarecendo o custo do capital.

Asfixiada antes pela valorização do Real, a indústria brasileira agora é o canal de transmissão da alta do dólar nos índices de preços, por conta das importações.

Dotado de uma base fabril atrofiada pelo irrealismo cambial, o país importa quase 25% das manufaturas que consome.

A sangria transfere empregos ao exterior e corrói o principal irradiador de inovação em um sistema produtivo, ademais de fragilizar as contas externas.

O déficit comercial da indústria este ano alcançará o equivalente a 20% das reservas cambiais.

É só um vagalhão da tempestade perfeita que cobra respostas em várias frentes: prover a infraestrutura, combater a inflação, resgatar a industrialização, dar progressividade ao sistema tributário, ajustar o câmbio, modular o consumo.

Tudo junto e com a mesma prioridade.

A urgência das ruas sacudiu essa equação que há menos de um mês tornava a economia cada vez mais permeável a uma transição de ciclo preconizada pelo conservadorismo.

Com um título sugestivo, ‘Um Plano para Dilma’, coube ao editorial da Folha de 02/06, como já comentou Carta Maior, enunciá-la em detalhes.

O ‘plano’ consistia em impor ao país o projeto derrotado em 2002, 2006 e 2010.

A saber: arrocho fiscal e monetário; entrega do pré-sal às petroleiras internacionais; redução dos gastos sociais e dos ganhos reais de salários; renúncia ao Mercosul e adesão aos tratados de livre comércio.

Essa plataforma envelheceu miseravelmente nas últimas horas.

Mas não foi arquivada.

O interesse conservador que antes pretendia usar o governo para escalpelar as ruas, subtraindo-lhe conquistas e recursos na ordenação de um novo ciclo, agora quer usar as ruas para desidratar o governo.

A bipolaridade reflete a ansiedade típica de quem sabe que joga a carta do tudo ou nada.

Não por acaso, o jornalismo a serviço do dinheiro já constata receoso: ‘o que a rua pede colide com o que o mercado pretende'.(Valor Econômico)

Curto e grosso: o espaço para um ajuste convencional se estreita na colisão entre a agenda do Estado mínimo e a da Democracia Social.

Quem dará coerência ao desenvolvimento brasileiro a partir de agora? -- perguntava Carta Maior há menos de um mês.

Antes turva, a resposta desta vez emerge mais limpa.

A nova coerência macroeconômica terá que ser buscada na correlação de forças redesenhada pelas grandes multidões que invadiram as ruas nas últimas semanas.

Emparedado pela lógica conservadora o governo Dilma passou a ter escolhas (leia a advertência de Paulo Kliass e a análise das opções orçamentárias feita por Amir Khair; nesta pág)

E o PT ganhou a chance de se reinventar, explicitando uma agenda clara para o passo seguinte da história.

Sua e a do país.

O bônus não autoriza o conjunto das forças progressistas a adotar a agenda da fragmentação suicida.

O focalismo cego às interações estruturais é confortável como um conto de fadas, em que a varinha de condão substitui a dialética.

O descompromisso com partidos e organização dá leveza e audiência na mídia conservadora.

Mas levam ao impasse autodestrutivo e à inconsequência histórica. Em entrevista ao correspondente de Carta Maior em Londres, Marcelo Justo, o pesquisador Paolo Gerbaldo, do Kings College, lembra que os indignados do Cairo rechaçaram os partidos na praça Tahrir. E abriram caminho a um governo desastroso da Irmandade Muçulmana no Egito (leia nesta pág).

Não se faz política sem poder; não se conquista poder sem disputar o Estado.

A responsabilidade de interferir num processo histórico pressupõe a adoção de balizas e estruturas que impeçam o retrocesso e assegurem coerência às mudanças.

Sem alianças aglutinadoras, nada feito.Sem construir linhas de passagem entre o real e o ideal, semeia-se angústia e decepção.

O jogo é pesado.

Limites estritos à ação convergente do Estado (mínimo) foram erguidos em todo o mundo nos últimos 30 anos.

A liberdade dos capitais manteve nações, projetos, partidos e governos sob chantagem impiedosa.

Domínios insulares foram instalados no interior do aparato público.

O conjunto elevou a tensão política que explode periodicamente, como agora --como em 2002, em 2006 e em 2010-- quando os mercados blindados se preparam para enfrentar a democracia insatisfeita nas urnas.

Teoricamente, essa é a hora em que o bancário e o banqueiro tem o mesmo peso no escrutínio do futuro.

Na prática, é a locomotiva dos grandes levantes populares que delimita a fronteira da democracia social em cada época. A urna, em geral, dá o acabamento do processo.

A alavanca brasileira, no caso, foram os levantes operários do ABC paulista dos anos 70/80 e a luta cívica contra a ditadura militar.

Nasceria daí o PT.

E o subsequente ciclo de governos do partido, caracterizado pela negociação permanente do divisor entre os dois domínios, o do dinheiro e o dos interesses gerais da sociedade.

Negociou-se ‘sem romper contratos’ durante os últimos 12 anos.

Com acertos, equívocos e hesitações fartamente listados.

Ainda assim, o saldo configura ‘um custo Brasil’ intolerável aos interesses acantonados no polo oposto do braço de ferro.

Um dado recente do Ipea explica essa rejeição: a renda dos 10% mais pobres cresceu 550% mais rápido do que a dos 10% mais ricos, no Brasil dos últimos 12 anos.

Avançar à bordo da composição de forças que delimitou a ação progressista até aqui tornou-se cada dia mais penoso.

Não apenas por conta do esgotamento real de um ciclo econômico.

Mas também porque se descuidou de prover a sociedade de instrumentos para comandar o passo seguinte do processo.

A ausência de regulação que assegurasse um sistema audiovisual pluralista entregou a opinião pública à Globo.

A negligência com a organização democrática dos segmentos beneficiados pelas políticas públicas estreitou o seu foco nas gôndolas dos supermercados.

Faltava a locomotiva da história apitar outra vez para esticar os limites do possível na discussão do novo ciclo de crescimento que o país requer.

Foi o que as ruas fizeram.

A presidenta Dilma viu o bonde passar e não hesitou. Reagiu na direção certa.

Ao propor uma reforma plebiscitária para redesenhar os perímetros da democracia, deixou implícito --queira ou não-- que a soberania popular é também o único impulso capaz de harmonizar as balizas do novo ciclo de desenvolvimento.

Não é pouco o que se tem sobre a mesa.

Vive-se um meio fio histórico.

De um lado, há a chance de uma ruptura efetiva do desenvolvimento brasileiro com a camisa de força do neoliberalismo.

De outro, a espiral descendente dos impasses pode jogar o país no abismo de uma recaída ortodoxa devastadora.

O tempo urge.

Terão as lideranças progressistas discernimento e prontidão política para negociar uma agenda comum feita de bandeiras, fóruns e ações que ordenem essa travessia?

A ver.

(Leia também neste blog: 'A tarefa mais urgente')

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Contraponto 11.572 - "Manifestações, Governo, plebiscito e o tiro pela culatra"

 

29/06/2013

 

Manifestações, Governo, plebiscito e o tiro pela culatra  

 

Blog Palavra Livre 29/06/2013





Por Davis Sena Filho

 
As manifestações de junho movimentaram o tabuleiro político do Brasil e a rotina de vida dos brasileiros. Os protestos foram compostos em sua maioria por grupos de classe média, a exemplo de profissionais autônomos, pequenos e médios empresários, grupos políticos conservadores, bem como os de extrema direita e principalmente por estudantes, a grande maioria, filhos da classe média, além de segmentos partidários da extrema esquerda, que fazem oposição ao Governo do PT, da presidenta Dilma Rousseff e como sempre não enxergam o que está em jogo a um palmo à frente de seus narizes.

As manifestações deixaram claro que a classe média e também a população brasileira em geral quer mais do que já conquistou nesses últimos onze anos de governos trabalhistas, que, sem sombra dúvida, colocaram o Brasil em patamares de influência política e econômica jamais experimentados em nossa história em termos internacionais, bem como permitiu que o País americano fosse mais ouvido nos fóruns internacionais, a eleger, em 2011, o agrônomo José Graziano para diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), além de eleger este ano o diplomata Roberto Azevêdo para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), um dos órgãos internacionais mais influentes e poderosos do mundo.

Os dois dirigentes internacionais se elegeram no período dos governos trabalhistas de Lula e Dilma, receberam apoio incondicional dos mandatários ao tempo em que a imprensa alienígena e inimiga dos interesses do Brasil minimizava essas importantes conquistas políticas e diplomáticas, além de escalar comentaristas, colunistas e blogueiros para desmerecer a importância dessas vitórias ao ponto de certos jornalistas desqualificarem, inclusive, pessoalmente os dois mandatários brasileiros que conquistaram os postos mais importantes da FAO e da OMC. Ponto.

Este é o Brasil que as “elites” e a classe média se recusam a enxergar e a mostrar, por questões meramente ideológicas e preconceituosas, porque vivem e, consequentemente, efetivam a luta de classe.  O gigante da América do Sul que combate a crise internacional com o seu forte mercado interno e liderou a criação do G-20, do Brics, além de fortalecer as relações sul-sul, ao invés de apenas ficar à mercê das relações diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos e a União Europeia, ao fortalecer também o Mercosul e a Unasul e enterrar de vez a Alca, bloco que tinha por finalidade expor o fortíssimo mercado interno brasileiro aos produtos dos Estados Unidos, país useiro e vezeiro em proteger o seu mercado interno ao conceder subsídios a inúmeros produtos agrícolas e industrializados.

Os manifestantes formaram grupos heterogêneos, sem pautas organizadas e, por algum tempo, sem representantes para dialogar com o governo. Além disso, a sociedade brasileira percebeu a ausência da grande massa de trabalhadores vinculados às confederações e, consequentemente, aos milhares de sindicatos, urbanos e rurais associados às federações existentes em todos os estados do Brasil. Por sua vez, os avanços sociais e econômicos do povo brasileiro são inquestionáveis, basta que pesquisemos e verifiquemos os números e os índices no Portal da Transparência, nos portais de todos os ministérios e de instituições respeitadas, a exemplo do Banco Central, do IBGE e da Fundação Getúlio Vargas.

Contudo, os insatisfeitos foram às ruas e demonstraram ao Governo que os brasileiros querem mais, o que é justo e que ajudou a acordar o Palácio do Planalto quanto às reformas que estavam congeladas e à melhoria, por exemplo, da saúde e da educação, setores que receberam muitos recursos federais nesses últimos onze anos, apesar de em muitos estados e cidades a população não perceber os avanços, afinal as verbas orçamentárias são repassadas para os governadores e prefeitos, que têm o poder de direcioná-las para as áreas que eles consideram prioritárias.

Sabemos, por seu turno, que a crise brasileira do mês de junho não se traduz de forma simples e muito menos simplória como tentaram fazer crer os jornalistas da imprensa conservadora, e muito menos se aplica às crises europeias, japonesa e norte-americana, que são crises de fundo econômico, financeiro, imobiliário, que causaram amplo desemprego, queda dos índices das bolsas de valores, endividamento público, que estrangulou as economias de Itália, Espanha, Portugal, Grécia e Irlanda e atingiu países poderosos como a França e a Inglaterra.

A crise europeia que propiciou ainda eventos como fuga de capitais, escassez de créditos, diminuição de investimentos públicos, baixíssimo crescimento do PIB, além da intervenção do FMI, instituição que os brasileiros tão bem conhecem, com as suas receitas econômicas neoliberais, que combatem a doença matando o paciente, além de mexer com as estruturas sociais de inúmeros povos, que transformaram os seus dias em protestos desde o ano de 2008, que atingiram e ainda atingem em cheio a mais importante célula da sociedade, que é a família.

Entretanto, as passeatas, os protestos, as manifestações em todo o Brasil se tornaram violentas. Violência esta amenizada pelos grandes meios de comunicação, adversários históricos dos governantes trabalhistas, que precisavam, urgentemente, e há muitos anos, de uma pauta que ao menos questionasse e fizesse o Governo Federal, administrado por políticos do campo da esquerda sentirem pela primeira vez as insatisfações das ruas, mesmo a serem promovidas, nitidamente e indelevelmente, por membros da classe média de perfis  evidentemente conservadores. 

A saída do Governo e da presidenta Dilma Rousseff  foi a proposta de chamar o povo brasileiro para decidir sobre questões brasileiras por intermédio de um plebiscito, que vai aprofundar discussões importantes como, por exemplo, a efetivação da reforma política, que vai mexer, sem sombra de dúvida, em estruturas arcaicas, viciadas, tanto no campo eleitoral quanto no campo partidário e que desde a República Velha e a ditadura militar mantém o País em um processo político e eleitoral ultrapassado, que favorece a corrupção, já que a Constituição de 1988 ainda tem artigos que ainda não foram regulamentados e por isto impedem a modernização do nosso sistema eleitoral.

A burguesia nacional, os barões da imprensa donos do sistema midiático privado e de mercado e a direita partidária, representada pelo PSDB, DEM e PPS, e com apoio de políticos de “esquerdistas” cegos do PSOL, já se mostraram contrários ao plebiscito, vão fazer, sem sombra de dúvida, campanha contra o plebiscito, porque a direita fala muito até um limite, pois quando percebem que o tiro saiu pela culatra no caso da proposta do plebiscito, ela recua para resguardar os seus interesses e os seus negócios, como sempre o fez através do tempo — dos séculos. A direita é, ideologicamente e doutrinariamente, violenta, cínica e hipócrita.

A verdade é que esses grupos econômicos, propriedades de empresários conservadores, e, portanto, de direita, não querem a reforma política, porque, do contrário, teriam mais dificuldades para financiar os seus candidatos, como os favorecem até hoje, em detrimento da maioria, com muito dinheiro. Os candidatos da burguesia são os políticos que possam defendê-los de maneira prática, além de servi-los como seus porta-vozes no Congresso, no Judiciário e no Executivo. Os interesses do grande empresariado urbano e rural são inconfessáveis e seus candidatos eleitos vestem os seus ternos como se vestissem os macacões repletos de propaganda dos pilotos de fórmula um. Não é necessário dizer mais nada, não é? Ponto.

O tiro dos conservadores saiu pela culatra, porque o Governo trabalhista já recebeu o apoio político dos partidos de sua base, além de receber recentemente no Planalto a visita das lideranças de diferentes matizes, como os movimentos sociais, as centrais sindicais, o LGBT, os movimentos urbanos, os movimentos de Juventude, bem como o Movimento pelo Passe Livre (MPL), o grupo responsável pelo o início das manifestações, com uma pauta de esquerda, que reivindicava que as tarifas de ônibus não aumentassem de preço, o que foi conseguido — conquistado.

A pauta dos transportes que foi o estopim dos protestos, que, de forma oportunista, manipulada e violenta, foi “abraçada” ou raptada pelos grupos midiáticos de direita, pela classe média reacionária e pelos políticos de partidos de oposição, a exemplo do PSDB, partido derrotado três vezes nas urnas e fracassado politicamente por não ter programa de governo e projeto de País, tentou se aproveitar das manifestações em proveito próprio, e, de forma ridícula, fazer o papel de intérprete de um movimento social que os políticos tucanos jamais vão interpretar de maneira séria, correta e pontual, porque se tem uma coisa que o PSDB, os barões da imprensa venal e de mercado e a classe média tradicional não conseguem compreender é exatamente o povo brasileiro.  

As manifestações, na verdade, fortaleceram o campo da esquerda, porque ele se abriu ao debate, sem medo e com propostas concretas, pois além de baixar os preços das passagens de ônibus, convidou os movimentos sociais para o diálogo e dessa forma abrir a caixa preta do setor de transportes, como vão fazer, por exemplo, os prefeitos das duas maiores capitais do País — as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, além de muitas outras, obviamente.

O tempo vai se encarregar de mostrar os oportunistas e os trapaceiros da política e das mídias corporativas. A esquerda pegou a oposição conservadora com as calças nas mãos. Com o fortalecimento do debate e a proposta do plebiscito, a direita vai ter de recuar, no que concerne ao referendo, que ela, de forma hipócrita, propôs ao governo e à sociedade. A direita se esvaziou, porque com a proposta do referendo ela mostrou mais uma vez, e de forma inequívoca, que não está disposta a ouvir o povo e muito menos deixá-lo decidir sobre a reforma política, que no fundo retira os privilégios financeiros dos candidatos da direita, que sempre são os preferidos do grande empresariado nacional e internacional. A reforma política acaba com o caixa dois.

O povo pediu mudanças e a resposta governamental, volto a repetir, vem em forma de reformas, e a primeira das reformas é a política, que, se pararmos para pensar, foi um pé no peito da direita brasileira acostumada que está em abastecer o caixa dois dos candidatos dos empresários urbanos e rurais. A verdade é que o povo melhorou de vida nos últimos onze anos, e quer mais. E as manifestações diziam exatamente isto: “queremos mais!” E o povo vai ter, porque o Brasil efetiva um processo inexorável, que é a busca pelo seu desenvolvimento social e econômico. Somos o sexto PIB do mundo, bem como respeitados no exterior. O povo pede e exige, e vai ter a resposta em forma de mudanças e reformas.

Não dá mais para o governo e a sociedade tergiversarem sobre os fatos e os acontecimentos. A direita quis, com má-fé e ridiculamente, tomar para si a voz das ruas, mas é o campo da esquerda que é orgânico, pois inserido e sedimentado historicamente na sociedade organizada. Não duvide. Portanto, vai ser por este caminho que as reformas vão seguir: o caminho proposto e debatido com um governo de esquerda e trabalhista. Afinal, queremos ter um Brasil justo e democrático para o povo viver. As reformas vão vir.

A partir de agora veremos se a direita partidária e se os barões midiáticos de negócios privados estão mesmo a favor de mudanças no Brasil. Os conservadores tentaram atirar no que viram e acertaram no que não viram: o plebiscito e o chamado do governo para a sociedade organizada e o povo decidirem sobre a reforma política. A mudança, irrefragavelmente, vai ajudar o Brasil a andar nos trilhos e aperfeiçoar o seu sistema político, partidário e eleitoral, e, evidentemente, favorecer a eleição de políticos responsáveis e comprometidos.

Por seu turno, a reforma política vai permitir que o Brasil combata melhor a corrupção, e, por conseguinte, ter  acesso a uma infraestrutura que beneficie a todos, além de proporcionar que a sociedade seja favorecida por sistemas educacional e de saúde de melhor qualidade, como foram reivindicados pelos manifestantes. Portanto, vamos ao plebiscito e não esqueçamos de observar aqueles que preferem, por conveniências e interesses próprios, o referendo. Assim saberemos quem está de boa fé ou de má fé; quem é sincero e quem é falso. 

É isso aí.
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Contraponto 11.571 - Palhaçada de Jabor vira gozação na Argentina


29/06/2013

Argentinos fazem piada com a mídia brasileira



Do Viomundo - publicado em 29 de junho de 2013 às 7:38

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Contraponto 11.570 - "Plebiscito às claras"


28/06/2013

Plebiscito às claras

 

Da IstoÉ Independente - 28/06/2013 

 

Depois das bombas, das cacetadas e das balas de borracha, das trapalhadas, das frases infelizes, das incompreensões mútuas, já se pode perceber claramente quem quer a mudança e quem quer conservar tudo como está em nosso sistema político.

Paulo Moreira Leite


Até uma criança já sabe que o Congresso não quer e não vai fazer uma reforma política que afaste o poder econômico dos partidos, garanta uma transparência maior à eleição e maior representatividade a nossos partidos. Não é uma questão de adivinhação, de análise, mas de memória.


Sempre que o debate chegou a esse ponto, das medidas concretas de mudança, aquela maioria gelatinosa que domina a política brasileira em tantos aspectos fundamentais se manifesta para manter tudo como está. A última vez foi em março deste ano, quando uma frente partidária matou a possibilidade, ainda que ela tivesse condições de andar pelo plenário.


Foi para enfrentar essa fortaleza irresistível, que está além das alianças de governo e da fidelidade partidária, que surgiu a proposta de plebiscito.


A ideia é muito simples: o povo aprova, em urna, as linhas gerais das propostas de mudança. Em seguida, os parlamentares, seguindo os princípios definidos pelo voto popular, se encarregam de transformar a vontade do povo em lei.


Com esse apoio direto da população, é possível, entre outras medidas, eliminar a contribuição das empresas para campanhas, que permite ao poder econômico alugar o Estado a seus interesses. (Grifo do ContrapontoPIG)


Ao contrário do que sugerem nossos moralistas, a origem da corrupção encontra-se aí, neste caminho aberto para negócios clandestinos e tramas interesseiras à sombra do Estado. Não é falta de princípios. São as regras do negócio – inclusive eleitoral.


É compreensível que, nessa circunstância, aqueles que querem impedir uma reforma verdadeira já tenham se alinhado com uma orientação simples: impedir o plebiscito.


Vão fingir e dissimular. Vão gritar chavismo, peronismo, e até, quem sabe, lulismo. Não importa.


O objetivo é estratégico. Sem essa vontade popular expressa em urna, enterra-se aquilo que não lhes interessa. No fundo, no fundo, se tudo ficar como está, talvez com uma ou outra maquiagem, já está muito bom.


Sem plebiscito, chega-se ao mais importante, que é manter o povo, impotente, fora dos debates. A reforma se resolve dentro dos muros do Congresso – e nós sabemos muito bem os interesses que prevalecem nessa situação. São os mesmos que prevaleceram até agora. Aí, se faz um referendo e todos voltam para casa depois de um piquenique no parque.   


O problema, em tempos atuais, é que é muito difícil assumir o próprio conservadorismo.


O conservadorismo escancarado compromete a máscara que permite a um neoliberal se apresentar como libertário, apontando o Estado de Bem-Estar Social como forma de opressão e o Estado mínimo como libertação.


O programa de reforma eleitoral dessa turma é contribuição privada para campanha e voto facultativo. Querem transformar o Estado numa ONG, quem sabe um clube.


Não querem que o povo tenha o direito de escolher como se dá o acesso ao Estado.


Este é o debate, agora.


Paulo Moreira Leite . Desde janeiro de 2013, é diretor da ISTOÉ em Brasília. Dirigiu a Época e foi redator chefe da VEJA, correspondente em Paris e em Washington. É autor dos livros A Mulher que era o General da Casa e O Outro Lado do Mensalão.
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Contraponto 11.569 - "Coimbra: é a classe média anti-petista"

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28/06/2013

Coimbra: é a classe
média anti-petista



Do Conversa AfiadaPublicado em 28/06/2013


A maior vítima é a Democracia






 O Conversa Afiada publica impecável artigo de Marcos Coimbra na Carta:


Marcos Coimbra

O Sentido das Manifestações



Enquanto perdem fôlego e amainam as manifestações de protesto que afetaram o País nas últimas semanas, está na hora de procurar entender seu significado. 

Uma das maiores dificuldades para compreendê-las é que não tiveram sentido único. Salvo, talvez, nos primórdios, quando usuários de transportes públicos foram às ruas em São Paulo para reclamar do aumento no preço das passagens. Lá, ainda tínhamos o cenário que explica as mobilizações sociais mais características: causa concreta, pessoas afetadas concretamente, reivindicações concretas. 

Muito se diz que as manifestações seguintes foram novas. Diferentes, por exemplo, das que a direita fez pela deposição de João Goulart ou das que empurraram o governo Collor para a crise final.

Mas, será que a “horizontalidade” e a “difusão” das atuais as tornam mesmo originais? 

Não terá existido, nas manifestações deste mês de junho, um segmento que desempenhou papel definidor análogo ao dos anticomunistas e dos conservadores católicos nas marchas de 1964?
 

Dentre os muitos tipos de gente que foi às ruas, não houve um que forneceu personalidade ao “movimento”?  

Para identificar o sentido das que aconteceram agora, temos o perfil mais típico dos participantes, suas bandeiras mais características e as reações mais comuns que suscitaram.

Nada ilustra melhor a mudança do perfil socioeconômico dos manifestantes que a imagem veiculada pela TV Globo nos primeiros jogos do Brasil na Copa das Confederações: madames vestidas a caráter e cheias de bangandãs, brandindo cartazes sobre o “fim da corrupção” e fazendo propaganda de um endereço no Twitter. Os jovens que, no YouTube, se tornaram astros dos “insatisfeitos”, parecem seus filhos ou irmãos. 

No conteúdo, o elemento central da “ideologia das ruas” foi a crítica à representação política e às instituições, particularmente os partidos políticos. Os manifestantes gritaram País afora que não se sentiam representados por ninguém, que estavam na rua para denunciar os “políticos” e “fazer política com as próprias mãos”. As vagas perorações em favor de “mais verbas para a educação e a saúde” ou contra os “gastos exagerados na Copa do Mundo” nada mais foram que pretextos para externar sua aversão ao sistema político e ao governo.  
 
Quem monitorou as redes sociais durante esses dias percebeu que os defensores mais entusiastas das passeatas foram os antipetistas radicais. Esses é que se sentiram em íntima comunhão com os participantes e torceram para que as manifestações escalassem, enfraquecendo o governo e prejudicando as chances de reeleição da presidenta.
(Os grifos em verde negritado são do ContrapontoPIG)

Para dizer o óbvio, quem deu o sentido das manifestações foi a classe média antipetista, predominantemente de direita. Nem sempre, nem todos os participantes, mas em seu núcleo característico. 

Ou seja: embora tenham participado do movimento desde punks neonazistas a adolescentes apenas curiosos (e mesmo gente genuinamente progressista), seu rosto é nítido.  

A classe média antipetista tem motivos reais para estar insatisfeita com a representação que tem. Ao contrário do cidadão que simpatiza com o PT e outros partidos de esquerda, e que majoritariamente aprova o governo, ela se sente mal representada.   

Faz tempo que Fernando Henrique Cardoso lhe dá razão. Em texto de 2011, em que tentava explicar a vitória de Dilma e definia novos caminhos para a oposição, propunha ao PSDB que deixasse o “povão” para o PT e fosse procurar a classe média: “É a essa que as oposições devem dirigir suas mensagens prioritariamente”. Dizia que  o partido precisava “mergulhar na vida cotidiana” e encontrar “ligações orgânicas com grupos que expressem as dificuldades e anseios do homem comum” (leia-se, de classe média). 

Lembrava que havia “toda uma gama de classes médias”, empresários jovens, profissionais, “novas classes possuidoras”, que estariam “ausentes do jogo político-partidário, mas não desconectadas das redes de internet, Facebook, YouTube, Twitter, etc.”. Considerando seu “pragmatismo”, o discurso para atraí-las não deveria ser “institucional”, mas centrado em temas como a corrupção, o trânsito, os problemas urbanos, os serviços públicos. 

FHC queria uma oposição que “suscitasse o interesse” da classe média e lhe “oferecesse alternativas”. Se não conseguisse ser “uma alternativa viável de poder, um caminho preparado por lideranças nas quais confie”, sequer adiantaria “se a fagulha da insatisfação produzisse um curto-circuito”. 

Falou, mas não fez. Nessa, como em outras oportunidades, as oposições brasileiras mostraram-se mais competentes na conversa que na ação. Perceberam os desafios, mas não lhes deram resposta.

Foram de Serra, quando precisavam renovar-se. Apresentam Aécio como prosseguidor da “herança de FHC”. Nada fizeram para “organizar-se pelos meios eletrônicos, dando vida a debates verdadeiros sobre os temas de interesse dessas camadas”, como sugeria o ex-presidente. 

Presas de seus paradoxos, as oposições criaram a crise de representação dos setores da sociedade a quem pretendiam (e deveriam) expressar. Talvez principalmente, foi a impaciência das classes médias antipetistas com a oposição que as levou às ruas.

Depois, é claro, de um ano de ataque da mídia conservadora ao governo. Seus estrategistas acharam que conseguiriam, através de incursões cirúrgicas, eliminar somente as lideranças do PT.

 O que fizeram foi ferir valores fundamentais da democracia.

Contraponto 11.568 - "Documentos da Receita acusam Globo de sonegação"

 

28/06/2013 

 

Documentos da Receita acusam Globo de sonegação

 

Do Diário do Centro do Mundo - 28/06/2013
 

Empresa, segundo a denúncia, tratou a compra de direitos de transmissão da Copa de 2002 como se fosse investimento no exterior.

Merval e Ayres Britto: jornalistas e juízes não podem ter relações de amizade porque a vítima é a sociedade
Merval e Ayres Britto: jornalistas e juízes não podem 
ter relações de amizade porque a vítima é a sociedade



Paulo Nogueira*
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Um documento vazado pela Receita Federal e publicado ontem pelo blog  O Cafezinho, de Miguel do Rosário, é extraordinariamente importante.

Nele, a Receita acusa a Globo de sonegar mais de 180 milhões de reais por ocasião da compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002.

A Globo, segundo a acusação, teria tratado a compra como se fosse um investimento no exterior para se livrar dos impostos devidos.

Em dinheiro de 2006, segundo a Receita, o montante já subira a 615 milhões de reais, incluídas multa e correção.

O caso foi tratado em sigilo, em obediência à anacrônica legislação fiscal brasileira que destrói qualquer possibilidade de transparência num assunto de extremo interesse da sociedade.

Aplausos entusiasmados para quem vazou os papeis e para o blog.

O Brasil só lucra com este tipo de coisa.

A assim chamada ‘mídia independente’ – Folha, Veja, Estadão etc – deveria agora investigar o caso e trazer novas revelações.

É o que os jornais ingleses fariam, caso uma acusação deste tamanho, e amparada em documentação confiável, aparecesse contra a BBC.

Mas quem acredita que a ‘mídia independente’ vai fazer qualquer movimento acredita em tudo, como disse Wellington.

Mesmo assim, é um momento que pode significar uma ruptura na impunidade fiscal absurda de grandes empresas como a Globo.

O simples fato de a história aparecer – ainda que apenas na internet – é um avanço considerável: embaraça o infrator, inibe ações iguais e gera para a sociedade informações essenciais.
Várias vezes me perguntei por que a barreira absurda do silêncio na Receita Federal não era rompida por vazamentos.

Apareceu o primeiro deles.

Será muito bom, para o país, se mais vazamentos surgirem, caso a justiça não se modernize e não retire a proteção do sigilo dada a sonegadores.

Transparência é o melhor detergente ético, como escreveu um juiz americano.

Quem conhece a Globo não tem o direito de se surpreender com essa denúncia, e nem com qualquer outra que apareça.

O comportamento da Globo, desde Roberto Marinho, é pautado por um instinto predador no qual para os acionistas ficarem bilionários as barreiras éticas são atropeladas sem nenhuma cerimônia. É  um caso ainda mais dramático se tratando de um caso de concessão pública como é a tevê.

A Globo consagrou a transformação, com finalidades fiscais, de funcionários caros em pessoas jurídicas, os infames PJs.

Os cofres públicos são lesados. Isso significa que dinheiro que poderia construir uma escola ou um hospital é subtraído.

Eventualmente problemas com PJs aparecerão na frente, depois que o funcionário é despedido ou se despede.

Um caso notável em andamento na justiça é do jornalistas Carlos Dornelles, que virou PJ e agora, fora da Globo, exige indenização pelo que não lhe foi pago.

Isso tudo se chama corrupção.

A Globo montou um esquema quase perfeito para perpetuar – com risco perto do zero – suas atitudes predadoras.

Por exemplo: uma disputa judicial gigante pode dar no STF. Aí você entende melhor as relações que a Globo cultiva com os juízes mais importantes do país.

Joaquim Barbosa, há pouco tempo, foi ao Globo receber um prêmio do jornal. Ayres Britto, recém-saído do Supremo, fez o prefácio do livro de Merval Pereira sobre o Mensalão.

Como noticiou o Diário, o Supremo há alguns meses patrocinou a viagem de uma jornalista da Globo para cobrir uma viagem de Barbosa à Costa Rica.

São relações condenáveis em qualquer circunstância porque a vítima é a sociedade, que necessita de instâncias de poder independentes de poder que se vigiem uns aos outros.

No jornalismo, a máxima eterna do editor Joe Pulitzer estabelece: “Jornalista não tem amigo.”

Isso porque o jornalista não vai cobrir direito um amigo.

O mesmo vale para a justiça: juízes não podem ter amigos.


O presidente do Bayern de Munique teve que pagar uma fiança milionária para não ser preso por usar paraíso fiscal
 O presidente do Bayern de Munique teve que pagar uma fiança 
milionária para não ser preso por usar paraíso fiscal


No mundo todo, a questão dos impostos está sendo tratada com severidade, dado seu impacto na desigualdade social.

Quando a sonegação se espalha entre as grandes empresas, ou o 1%, quem paga a conta é a voz rouca das ruas, os 99%: seus direitos são extirpados.

Ou pelo menos eram.

Os protestos mundo afora de ‘indignados’ – a começar pelo Ocupe Wall Street – foram uma resposta vigorosa a uma esta situação abjeta que transferiu riqueza em quantidade incalculável para poucos.

Agora, os governos estão sendo muito mais duros com a sonegação.

Em vários países as autoridades publicaram as trapaças legais e amorais de empresas como Google, Apple e Microsoft para evitar impostos.

O expediente se dá por paraísos fiscais, lugares em que você monta uma empresa de fachada apenas porque a carga fiscal é irrisória ou nula.

Na França, um ministro do governo Hollande foi sumariamente despedido quando se soube que ele usara um paraíso fiscal.

Na Alemanha, o presidente do Bayern de Munique teve que pagar uma fiança de 5 milhões de euros para evitar momentaneamente a cadeia quando se soube que ele burlara o fisco alemão com o uso de paraísos fiscais.

O presidente da Alemanha disse, a propósito do caso: “É absolutamente intolerável que pessoas na Alemanha imaginem que podem se livrar dos impostos estipulados.”

No caso denunciado pelo Cafezinho, um paraíso fiscal teria sido utilizado.

O Brasil está sendo, neste momento, reconstruído.

Chegou a hora de fechar o caminho para práticas fiscais deletérias que não fazem senão aumentar a iniquidade social brasileira.


*Paulo Nogueira. Jornalista baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.
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Contraponto 11.567 - Lula nega críticas a 'companheira' Dilma e diz que matéria é 'fantasiosa'


28/06/2013 


Lula nega críticas a 'companheira' Dilma e diz que matéria é 'fantasiosa' 

 

Do Vermelho - 28 de Junho de 2013 - 16h09  

 



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nesta sexta-feira (28) nota classificando de “fantasiosas” e “sem qualquer base real” declarações atribuídas a ele em reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo criticando a condução da presidenta Dilma Rousseff (PT) em relação à proposta de criação de uma constituinte específica para a reforma política.

“Não fiz qualquer crítica nem em público, nem em privado à atuação da presidenta Dilma Rousseff nos recentes episódios. Ao contrário, minha convicção é de que a companheira Dilma vem liderando o governo e o país com grande competência e firmeza, ouvindo a voz das ruas, construindo soluções e abrindo caminhos para que o Brasil avance, nossa democracia se fortaleça e o processo de inclusão social se consolide”, diz o texto.

Lula ainda elogiou a “extraordinária sensibilidade” de Dilma ao propor a convocação de um plebiscito sobre a reforma política. “A iniciativa tem o mérito de romper o impasse nessa questão decisiva, que há décadas vem entrando e saindo da agenda nacional, sem lograr mudanças significativas. Ouvindo o povo, nosso sistema político poderá se renovar e aperfeiçoar. É o que se espera dele”, afirma.

Segundo a reportagem da Folha, baseada em fontes não identificadas, o ex-presidente teria reclamado com petistas da articulação política do governo Dilma em torno da proposta de uma constituinte específica para a reforma política, que teria classificado como “barbeiragem”. Lula teria se queixado também da decisão de consultar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) sem que antes fossem ouvidos líderes governistas, entre eles o vice Michel temer (PMDB).

Fonte: Rede Brasil Atual



28/06/2013


Receitaleaks: A Globo Deve Muiiiiiiiiiito


Vale lembrar que, parte dessa conta da sonegação eu fiz aqui, a partir de vazamento anterior, sem documento.

de Paulo Nogueira

A Receita acusa a Globo de sonegar mais de 180 milhões de reais por ocasião da compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002.

A Globo, segundo a acusação, teria tratado a compra como se fosse um investimento no exterior para se livrar dos impostos devidos.

Em dinheiro de 2006, segundo a Receita, o montante já subira a 615 milhões de reais, incluídas multa e correção.

O caso foi tratado em sigilo, em obediência à anacrônica legislação fiscal brasileira que destrói qualquer possibilidade de transparência num assunto de extremo interesse da sociedade.

Aplausos entusiasmados para quem vazou os papeis e para o blog.

O Brasil só lucra com este tipo de coisa.

A assim chamada 'mídia independente' - Folha, Veja, Estadão etc - deveria agora investigar o caso e trazer novas revelações.



É o que os jornais ingleses fariam, caso uma acusação deste tamanho, e amparada em documentação confiável, aparecesse contra a BBC.

Mas quem acredita que a 'mídia independente' vai fazer qualquer movimento acredita em tudo, como disse Wellington.

Mesmo assim, é um momento que pode significar uma ruptura na impunidade fiscal absurda de grandes empresas como a Globo.

O simples fato de a história aparecer - ainda que apenas na internet - é um avanço considerável: embaraça o infrator, inibe ações iguais e gera para a sociedade informações essenciais.

Várias vezes me perguntei por que a barreira absurda do silêncio na Receita Federal não era rompida por vazamentos.

Apareceu o primeiro deles.

Será muito bom, para o país, se mais vazamentos surgirem, caso a justiça não se modernize e não retire a proteção do sigilo dada a sonegadores.

Transparência é o melhor detergente ético, como escreveu um juiz americano.

Quem conhece a Globo não tem o direito de se surpreender com essa denúncia, e nem com qualquer outra que apareça.

O comportamento da Globo, desde Roberto Marinho, é pautado por um instinto predador no qual para os acionistas ficarem bilionários as barreiras éticas são atropeladas sem nenhuma cerimônia. É  um caso ainda mais dramático se tratando de um caso de concessão pública como é a tevê.

A Globo consagrou a transformação, com finalidades fiscais, de funcionários caros em pessoas jurídicas, os infames PJs.

Os cofres públicos são lesados. Isso significa que dinheiro que poderia construir uma escola ou um hospital é subtraído.

Eventualmente problemas com PJs aparecerão na frente, depois que o funcionário é despedido ou se despede.

Um caso notável em andamento na justiça é do jornalistas Carlos Dornelles, que virou PJ e agora, fora da Globo, exige indenização pelo que não lhe foi pago.

Isso tudo se chama corrupção.

A Globo montou um esquema quase perfeito para perpetuar - com risco perto do zero - suas atitudes predadoras.

Por exemplo: uma disputa judicial gigante pode dar no STF. Aí você entende melhor as relações que a Globo cultiva com os juízes mais importantes do país.

Joaquim Barbosa, há pouco tempo, foi ao Globo receber um prêmio do jornal. Ayres Britto, recém-saído do Supremo, fez o prefácio do livro de Merval Pereira sobre o Mensalão.

Como noticiou o Diário, o Supremo há alguns meses patrocinou a viagem de uma jornalista da Globo para cobrir uma viagem de Barbosa à Costa Rica.

São relações condenáveis em qualquer circunstância porque a vítima é a sociedade, que necessita de instâncias de poder independentes de poder que se vigiem uns aos outros.

No jornalismo, a máxima eterna do editor Joe Pulitzer estabelece: "Jornalista não tem amigo."

Isso porque o jornalista não vai cobrir direito um amigo.

O mesmo vale para a justiça: juízes não podem ter amigos.

O presidente do Bayern de Munique teve que pagar uma fiança milionária para não ser preso por usar paraíso fiscal
No mundo todo, a questão dos impostos está sendo tratada com severidade, dado seu impacto na desigualdade social.

Quando a sonegação se espalha entre as grandes empresas, ou o 1%, quem paga a conta é a voz rouca das ruas, os 99%: seus direitos são extirpados.

Ou pelo menos eram.

Os protestos mundo afora de 'indignados' - a começar pelo Ocupe Wall Street - foram uma resposta vigorosa a uma esta situação abjeta que transferiu riqueza em quantidade incalculável para poucos.

Agora, os governos estão sendo muito mais duros com a sonegação.

Em vários países as autoridades publicaram as trapaças legais e amorais de empresas como Google, Apple e Microsoft para evitar impostos.

O expediente se dá por paraísos fiscais, lugares em que você monta uma empresa de fachada apenas porque a carga fiscal é irrisória ou nula.

Na França, um ministro do governo Hollande foi sumariamente despedido quando se soube que ele usara um paraíso fiscal.

Na Alemanha, o presidente do Bayern de Munique teve que pagar uma fiança de 5 milhões de euros para evitar momentaneamente a cadeia quando se soube que ele burlara o fisco alemão com o uso de paraísos fiscais.

O presidente da Alemanha disse, a propósito do caso: "É absolutamente intolerável que pessoas na Alemanha imaginem que podem se livrar dos impostos estipulados."

No caso denunciado pelo Cafezinho, um paraíso fiscal teria sido utilizado.

O Brasil está sendo, neste momento, reconstruído.

Chegou a hora de fechar o caminho para práticas fiscais deletérias que não fazem senão aumentar a iniquidade social brasileira.
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28/06/2013


Receitaleaks: A Globo Deve Muiiiiiiiiiito


Vale lembrar que, parte dessa conta da sonegação eu fiz aqui, a partir de vazamento anterior, sem documento.

de Paulo Nogueira

A Receita acusa a Globo de sonegar mais de 180 milhões de reais por ocasião da compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002.

A Globo, segundo a acusação, teria tratado a compra como se fosse um investimento no exterior para se livrar dos impostos devidos.

Em dinheiro de 2006, segundo a Receita, o montante já subira a 615 milhões de reais, incluídas multa e correção.

O caso foi tratado em sigilo, em obediência à anacrônica legislação fiscal brasileira que destrói qualquer possibilidade de transparência num assunto de extremo interesse da sociedade.

Aplausos entusiasmados para quem vazou os papeis e para o blog.

O Brasil só lucra com este tipo de coisa.

A assim chamada 'mídia independente' - Folha, Veja, Estadão etc - deveria agora investigar o caso e trazer novas revelações.



É o que os jornais ingleses fariam, caso uma acusação deste tamanho, e amparada em documentação confiável, aparecesse contra a BBC.

Mas quem acredita que a 'mídia independente' vai fazer qualquer movimento acredita em tudo, como disse Wellington.

Mesmo assim, é um momento que pode significar uma ruptura na impunidade fiscal absurda de grandes empresas como a Globo.

O simples fato de a história aparecer - ainda que apenas na internet - é um avanço considerável: embaraça o infrator, inibe ações iguais e gera para a sociedade informações essenciais.

Várias vezes me perguntei por que a barreira absurda do silêncio na Receita Federal não era rompida por vazamentos.

Apareceu o primeiro deles.

Será muito bom, para o país, se mais vazamentos surgirem, caso a justiça não se modernize e não retire a proteção do sigilo dada a sonegadores.

Transparência é o melhor detergente ético, como escreveu um juiz americano.

Quem conhece a Globo não tem o direito de se surpreender com essa denúncia, e nem com qualquer outra que apareça.

O comportamento da Globo, desde Roberto Marinho, é pautado por um instinto predador no qual para os acionistas ficarem bilionários as barreiras éticas são atropeladas sem nenhuma cerimônia. É  um caso ainda mais dramático se tratando de um caso de concessão pública como é a tevê.

A Globo consagrou a transformação, com finalidades fiscais, de funcionários caros em pessoas jurídicas, os infames PJs.

Os cofres públicos são lesados. Isso significa que dinheiro que poderia construir uma escola ou um hospital é subtraído.

Eventualmente problemas com PJs aparecerão na frente, depois que o funcionário é despedido ou se despede.

Um caso notável em andamento na justiça é do jornalistas Carlos Dornelles, que virou PJ e agora, fora da Globo, exige indenização pelo que não lhe foi pago.

Isso tudo se chama corrupção.

A Globo montou um esquema quase perfeito para perpetuar - com risco perto do zero - suas atitudes predadoras.

Por exemplo: uma disputa judicial gigante pode dar no STF. Aí você entende melhor as relações que a Globo cultiva com os juízes mais importantes do país.

Joaquim Barbosa, há pouco tempo, foi ao Globo receber um prêmio do jornal. Ayres Britto, recém-saído do Supremo, fez o prefácio do livro de Merval Pereira sobre o Mensalão.

Como noticiou o Diário, o Supremo há alguns meses patrocinou a viagem de uma jornalista da Globo para cobrir uma viagem de Barbosa à Costa Rica.

São relações condenáveis em qualquer circunstância porque a vítima é a sociedade, que necessita de instâncias de poder independentes de poder que se vigiem uns aos outros.

No jornalismo, a máxima eterna do editor Joe Pulitzer estabelece: "Jornalista não tem amigo."

Isso porque o jornalista não vai cobrir direito um amigo.

O mesmo vale para a justiça: juízes não podem ter amigos.

O presidente do Bayern de Munique teve que pagar uma fiança milionária para não ser preso por usar paraíso fiscal
No mundo todo, a questão dos impostos está sendo tratada com severidade, dado seu impacto na desigualdade social.

Quando a sonegação se espalha entre as grandes empresas, ou o 1%, quem paga a conta é a voz rouca das ruas, os 99%: seus direitos são extirpados.

Ou pelo menos eram.

Os protestos mundo afora de 'indignados' - a começar pelo Ocupe Wall Street - foram uma resposta vigorosa a uma esta situação abjeta que transferiu riqueza em quantidade incalculável para poucos.

Agora, os governos estão sendo muito mais duros com a sonegação.

Em vários países as autoridades publicaram as trapaças legais e amorais de empresas como Google, Apple e Microsoft para evitar impostos.

O expediente se dá por paraísos fiscais, lugares em que você monta uma empresa de fachada apenas porque a carga fiscal é irrisória ou nula.

Na França, um ministro do governo Hollande foi sumariamente despedido quando se soube que ele usara um paraíso fiscal.

Na Alemanha, o presidente do Bayern de Munique teve que pagar uma fiança de 5 milhões de euros para evitar momentaneamente a cadeia quando se soube que ele burlara o fisco alemão com o uso de paraísos fiscais.

O presidente da Alemanha disse, a propósito do caso: "É absolutamente intolerável que pessoas na Alemanha imaginem que podem se livrar dos impostos estipulados."

No caso denunciado pelo Cafezinho, um paraíso fiscal teria sido utilizado.

O Brasil está sendo, neste momento, reconstruído.

Chegou a hora de fechar o caminho para práticas fiscais deletérias que não fazem senão aumentar a iniquidade social brasileira.
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