sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Contraponto 12.086 - "O suicídio de imagem da medicina brasileira"

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30/08/2013

O suicídio de imagem da medicina brasileira



 
Autor: 
 
Prefeito de Vargem Grande do Sul, tio de minha mãe, o médico Bié Mesquita tinha um consultório com duas salas. Numa, os clientes que podiam pagar pela consulta; na outra, os que não podiam. Revezava o dia inteiro atendendo a ambos. Em frente o consultório, montou uma farmácia, mas ninguém sabia que era dele. Os pacientes necessitados saíam do consultório com a receita e a recomendação para aviar na farmácia em frente. Lá, eram informados de que não precisariam pagar nada.

Em Poços de Caldas, o pediatra Martinho de Freitas Mourão atendia de manhã os necessitados, de tarde os que podiam pagar.

Não havia equipamentos sofisticados. Eram tempos longínquos, no interior, com acesso a no máximo uma máquina de raio X. Tinham o estetoscópio, a paleta para colocar sob a língua do paciente e o conhecimento acumulado pelo curso e pela prática. Salvavam vidas.

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Não são exemplos isolados. Na medicina nacional, grandes nomes, médicos bem sucedidos, cirurgiões consagrados passaram a dedicar parte de sua atividade à saúde pública ou atendimento em hospitais públicos. É assim com Adib Jatene, Miguel Srougi e tantos outros. A medicina brasileira forneceu alguns dos maiores homens púbicos do país, sanitaristas como José Gomes Temporão, David Capistrano, José Veccina Neto. Ajudou na criação de um modelo federativo através da obra monumental do SUS (Sistema Único de Saúde).

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Mesmo os Conselhos de Medicina têm um histórico digno. Não fossem os médicos voluntários do Conselho Regional de Medicina atenderem a um pedido e se deslocarem para o Instituto Médico Legal (IML), em maio de 2006, o número de assassinatos da Polícia Militar teria dobrado.

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Por todo esse histórico, é chocante a maneira como Conselhos de Medicina e médicos em geral reagiram à vinda dos médicos cubanos e, antes disso, nas manifestações de rua, portando cartazes agressivos contra políticos, como se fossem os mais vulgares dos trolls de Internet.
Conseguiram jogar a imagem da profissão na lata de lixo, apresentando-se para a esquerda como elitistas insensíveis e para a direita como corporativistas rançosos.

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A própria velha mídia, que estimulou inicialmente os ataques aos cubanos, levantando os argumentos mais inverossímeis para o que era uma medida de saúde pública, recuou, deixando os movimentos médicos com a broxa na mão, expondo a imagem do médico brasileiro a críticas de todos os quadrantes.

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Raras vezes assisti a um suicídio de imagem tão amplo e irrestrito.
Agora, é hora de defender a categoria dessa malta que a representou nas manifestações. A medicina brasileira não são aqueles manifestantes, não são os CRMs que estimularam as agressões vergonhosas contra cubanos.

A medicina brasileira é Bié e é Martinho, é Jatene e é Zerbini, são os sanitaristas que desenharam um novo sistema de saúde, é a estrutura das santas casas de misericórdia, que seguraram a peteca em séculos de descaso público com a saúde, são os médicos do serviço público que cumprem com garra sua missão.

Espera-se que os verdadeiros médicos tenham a coragem de vir a público para consertar o estrago que esses vândalos cometeram contra a imagem da categoria.

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Contraponto 12.085 - " Palmério revela o Príncipe da Privataria: FHC pode olhar nos olhos do 'Senhor X' ? "

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30/08/2013


 

Palmério revela o Príncipe da Privataria: FHC pode olhar nos olhos do “Senhor X”?


Do Escrivinhador - publicada sexta-feira, 30/08/2013 às 06:54 e atualizada sexta-feira, 30/08/2013 às 06:54




“Olha, Fernando, quando você conversar comigo, por favor, nivele teus olhos aos meus” (quem foi o homem que acusava FHC de ser um príncipe esquivo e escorregadio?) “Rameira, ponha-se daqui para fora” (quem disse essa frase principesca, após um ataque de cólera dentro do Senado Federal?)

por Rodrigo Vianna

Quem conhece a história recente do Brasil (e também o passado ‘republicano’ de nossas elites – com Convênio de Taubaté, Encilhamento etc…) sabe bem que o tal “mensalão do PT” está longe de ter sido o “maior escândalo da história política brasileira” – como pretendem augustos, mervais e outros quetais do jornalismo elitista. Mas quem ainda tinha dúvidas ganha, agora,  mais uma chance para desfazê-las: o novo livro do jornalista Palmério Dória.

Se Amaury Ribeiro Jr (com “A Privataria Tucana“) já havia lançado luzes sobre a vertente serrista do tucanismo, Palmério agora vai ao centro do esquema: “O Príncipe da Privataria” (Geração Editorial) traça, em quase 400 páginas de texto saboroso, o perfil de um homem vaidoso, simpático, com fama de mulherengo, e que dirigiu o Brasil com o propósito declarado de “enterrar a Era Vargas”. Fazia parte do pacote tucanista vender estatais a preços ridículos e, se fosse preciso, mudar as regras do jogo democrático usando todos os artifícios possíveis. FHC foi o presidente que fez o Real? Não. Este foi Itamar Franco. Mas FHC foi o presidente que quebrou o Brasil, vendeu nosso patrimônio público e transformou o Congresso Nacional numa feira de mascates.

Esse é o ponto alto do livro: a feira da reeleição. Em 1997, o repórter Fernando Rodrigues produzira uma série de reportagens históricas publicadas pela “Folha de S. Paulo”: nelas, um certo “senhor X” apresentava gravações de reuniões em que deputados federais falavam abertamente sobre a venda de votos para aprovar a reeleição de Fernando Henrique no Congresso. O preço do voto: 200 mil reais.

O “senhor X” entregou as gravações ao Fernando Rodrigues, mas jamais mostrou o rosto. Palmério Dória agora mostra quem é o “senhor X”. Ele tem nome, sobrenome e 16 anos depois dos fatos aceitou dar entrevista de peito aberto. Narciso Mendes, 67 anos, é empresário no Acre, e na época da reeleição de FHC era deputado federal. Por isso tinha acesso às reuniões em que se deu a tramóia.

Narciso Mendes recebeu o jornalista Palmério Dória, e relembrou toda a história – incluindo a forma como a base tucanista (no Congresso e na imprensa) conseguiu frear uma CPI para investigar a compra dos votos denunciada em 97:
“Nem Sérgio Motta queria CPI, nem FHC queria CPI, nem Luis Eduardo Magalhães queria CPI, ninguém queria porque sabiam que, estabelecida a CPI, o processo de impeachment ou no mínimo de anulação da emenda da reeleição teria vingado, pois seria comprovada a compra de votos“, disse Narciso a Palmério Dória.
O fim dessa história qual foi? CPI jamais foi instalada. O MPF jamais investigou nada.  Havia um relato escandaloso, com gravações e tudo: pelos menos seis deputados do Acre teriam vendido seus votos pela reeleição. A classe média indignada não moveu uma palha. Nada se fez…

Numa conversa recente entre Palmério Dória e alguns blogueiros sujos, um observador maldoso chegou a afirmar: “200 mil reais era o preço pelo voto acreano, imagine quanto não deve ter custado o voto de um deputado de São Paulo ou Minas para aprovar a reeleição?” Quanto? Quanto? Sergio Mota talvez pudesse esclarecer. Mas levou para o túmulo o segredo de polichinelo…

Nunca antes na história desse país, a não ser em ditadura, um presidente mudou as regras do jogo eleitoral de forma tão escandalosa. Um atentado contra a Democracia. 

Documentado. Como se sabe, FHC obteve o segundo mandato, quebrou o país, tentou vender todo o patrimônio público e – ao fim –  saiu do poder com o rabo entre as pernas. Nem Serra em 2002, nem Alckmin em 2006 tiveram coragem de defender o legado fernandista. Hoje, o ex-presidente tem coragem de sair por aí a dizer o que os tucanos devem ou não fazer na próxima eleição. Serra deve se remoer. Sabe bem quem é o ex-presidente que posa de príncipe de Higienópolis. Terminados os oito anos de FHC, o neoliberalismo estava em frangalhos na América Latina: Fujimori foi preso no Peru, Salinas exilado do México, Menem jogado no lixo da história argentina. FHC tinha virado um príncipe.  O livro de Palmério mostra que de príncipe ele tem muito pouco.

O livro também volta às privatizações, relembra a venda (ou doação?) da Vale, debruça-se sobre meandros e transações tenebrosas na telefonia…  Mas a obra não é uma coleção de fatos e notícias do octanato fernandista. Não. O jornalista costura a crônica política (e financeira) com o perfil privado do marido de Dona Ruth. Fofocas? Também não.

Por que o Brasil não ficou sabendo que FHC era apontado – já ao chegar ao poder – como pai de uma repórter da TV Globo? Que favores FHC ficou devendo à família Marinho (e ao grupo seleto de políticos que lhe deu ‘cobertura’ na história do filho) quando a Globo aceitou “exilar” a tal repórter num posto sem importância em Lisboa (e depois na Espanha)?

“Rameira, ponha-se daqui para fora”? Quem disse essa frase principesca, após um ataque de cólera dentro do Senado Federal?

“Olha, Fernando, quando você conversar comigo, por favor, nivele teus olhos aos meus.” Quem foi o homem que acusava FHC de ser um príncipe esquivo e escorregadio? 

Não são meros detalhes. Dezesseis anos depois de ter aparecido como “senhor X”, Narciso Mendes ressurge e confirma que a reeleição foi comprada. FHC pode “nivelar os olhos” e encarar Narciso de frente? Parece que não. E o Brasil, FHC pode encarar de frente? Leiam o livro do Palmério antes de dar a resposta definitiva.


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PITACO DO ContrapontoPIG 



E o mensalão do PT ....



Ó !
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Contraponto 12.084 - "Livro bomba: O príncipe da privataria"

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30/08/2013


 

Livro bomba: O príncipe da privataria 

 

Do Blog do Miro - quinta-feira, 29 de agosto de 2013

 





Do sítio da Editora Geração:


Uma grande reportagem, 400 páginas, 36 capítulos, 20 anos de apuração, um repórter da velha guarda, um personagem central recheado de contradições, poderoso, ex-presidente da República, um furo jornalístico, os bastidores da imprensa, eis o conteúdo principal da mais nova polêmica do mercado editorial brasileiro: O Príncipe da Privataria – A história secreta de como o Brasil perdeu seu patrimônio e Fernando Henrique Cardoso ganhou sua reeleição (Geração Editorial, R$ 39,90).


  
Ilustração do ContrapontoPIG
O Príncipe da Privataria 

Com uma tiragem inicial de 25 mil exemplares, um número altíssimo para o padrão nacional, O Príncipe da Privataria é o 9° título da coleção História Agora da Geração Editorial, do qual faz parte o bombástico A Privataria Tucana e o mais recente Segredos do Conclave.


O personagem principal da obra é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o autor é o jornalista Palmério Dória, (Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney, entre outros títulos). A reportagem retrata os dois mandatos de FHC, que vão de 1995 a 2002, as polêmicas e contraditórias privatizações do governo do PSDB e revela, com profundidade de apuração, quais foram os trâmites para a compra da reeleição, quem foi o “Senhor X” – a misteriosa fonte que gravou deputados confessando venda de votos para reeleição – e quem foram os verdadeiros amigos do presidente, o papel da imprensa em relação ao governo tucano, e a ligação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) com a CIA, além do suposto filho fora do casamento, um ”segredo de polichinelo” guardado durante anos…


Após 16 anos, Palmério Dória apresenta ao Brasil o personagem principal do maior escândalo de corrupção do governo FHC: o “Senhor X”. Ele foi o ex-deputado federal que gravou num minúsculo aparelho as “confissões” dos colegas que serviram de base para as reportagens do jornalista Fernando Rodrigues publicadas na Folha de S. Paulo em maio de 1997. A série “Mercado de Voto” mostrou da forma mais objetiva possível como foi realizada a compra de deputados para garantir a aprovação da emenda da reeleição. “Comprou o mandato: 150 deputados, uma montanha de dinheiro pra fazer a reeleição”, contou o senador gaúcho, Pedro Simon. Rodrigues, experiente repórter investigativo, ganhou os principais prêmios da categoria no ano da publicação.


Nos diálogos com o “Senhor X”, deputados federais confirmavam que haviam recebido R$ 200 mil para apoiar o governo. Um escândalo que mexeu com Brasília e que permanece muito mal explicado até hoje. Mais um desvio de conduta engavetado na Era FHC.

Porém, em 2012, o empresário e ex-deputado pelo Acre, Narciso Mendes – o “Senhor X” –, depois de passar por uma cirurgia complicada e ficar entre a vida e a morte, resolveu contar tudo o que sabia.


O autor e o coautor desta obra, o também jornalista da velha guarda Mylton Severiano, viajaram mais de 3.500 quilômetros para um encontro com o “Senhor X”. Pousaram em Rio Branco, no Acre, para conhecer, entrevistar e gravar um homem lúcido e disposto a desvelar um capítulo nebuloso da recente democracia brasileira.


O “Senhor X” aparece – inclusive com foto na capa e no decorrer do livro. Explica, conta e mostra como se fazia política no governo “mais ético” da história. Um dos grandes segredos da imprensa brasileira é desvendado.


20 anos de apuração


Em 1993, o autor começa a investigar a vida de FHC que resultaria neste polêmico livro. Nessas últimas duas décadas, Palmério Dória entrevistou inúmeras personalidades, entre elas o ex-presidente da República Itamar Franco, o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes e o senador Pedro Simon, do PMDB. Os três, por variadas razões, fizeram revelações polêmicas sobre o presidente Fernando Henrique e sobre o quadro político brasileiro.


Exílio na Europa

Ao contrário do magnata da comunicação Charles Foster Kane, personagem do filme Cidadão Kane, de Orson Welles, que, ao ser chantageado pelo seu adversário sobre o seu suposto caso extraconjugal nas vésperas de uma eleição, decide encarar a ameaça e é derrotado nas urnas devido a polêmica, FHC preferiu esconder que teria tido um filho de um relacionamento com uma jornalista.

FHC leva a sério o risco de perder a eleição. Num plano audacioso e em parceria com a maior emissora de televisão do país, a Rede Globo, a jornalista Miriam Dutra e o suposto filho, ainda bebê, são “exilados” na Europa. Palmério Dória não faz um julgamento moralista de um caso extraconjugal e suas consequências, mas enfatiza o silêncio da imprensa brasileira para um episódio conhecido em 11 redações de 10 consultadas. Não era segredo para jornalistas e políticos, mas como uma blindagem única nunca vista antes neste país foi capaz de manter em sigilo em caso por tantos anos?


O fato só foi revelado muito mais tarde, e discretamente, quando Fernando Henrique Cardoso não era mais presidente e sua esposa, Dona Ruth Cardoso, havia morrido. Com um final inusitado: exame de DNA revelou que o filho não era do ex-presidente que, no entanto, já o havia reconhecido.


Na obra, há detalhes do projeto neoliberal de vender todo o patrimônio nacional. “Seu crime mais hediondo foi destruir a Alma Nacional, o sonho coletivo”, relatou o jornalista que desvendou o processo privativista da Era FHC, Aloysio Biondi, no livro Brasil Privatizado.

O Príncipe da Privataria conta ainda os bastidores da tentativa de venda da Petrobras, em que até a produção de identidade visual para a nova companhia, a Petrobrax, foi criada a fim de facilitar o entendimento da comunidade internacional. Também a entrega do sistema de telecomunicações, as propinas nos leilões das teles e de outras estatais, os bancos estaduais, as estradas, e até o suposto projeto de vender a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. “A gente nem precisa de um roubômetro: FHC com a privataria roubou 10 mil vezes mais que qualquer possibilidade de desvio do governo Lula”, denuncia o senador paranaense Roberto Requião.


Sobre autor:

 
Palmério Dória é repórter. Nasceu em Santarém, Pará, em 1949 e atualmente mora em São Paulo, capital. Com carreira iniciada no final da década de 1960 já passou por inúmeras redações da grande imprensa e da “imprensa nanica”. Publicou seis livros, quatro de política: A Guerrilha do Araguaia; Mataram o Presidente — Memórias do pistoleiro que mudou a História do Brasil ; A Candidata que Virou Picolé (sobre a queda de Roseana Sarney na corrida presidencial de 2002, em ação orquestrada por José Serra); e Honoráveis Bandidos — Um retrato do Brasil na Era Sarney ; mais dois livros de memórias: Grandes Mulheres que eu Não Comi, pela Casa Amarela; e Evasão de Privacidade, pela Geração Editorial.

Ficha Técnica:

O Príncipe da Privataria
Autor: Palmério Dória
Coleção: História Agora – 9 vol.
Gênero: Reportagem
Acabamento: Brochura
Formato: 16 x 23 cm
Págs: 400
Peso: 552g
ISBN: 9788581302010
Preço: R$ 39,90
Editora: Geração
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Contraponto 12.083 - "Indústria farmacêutica expande diagnósticos e inventa novas doenças para vender remédios"

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30/08/2013

Denúncia

Adriane Fugh-Berman: Indústria farmacêutica expande diagnósticos e inventa novas doenças para vender remédios

 

Do Viomundo - publicado em 29 de agosto de 2013 às 18:15



Lucro até o osso

por Heloisa Villela, de Nova York, especial para o Viomundo

– Existe um número muito maior de pessoas saudáveis do que de pessoas doentes no mundo e é importante, para a indústria farmacêutica, fazer com que as pessoas que são totalmente saudáveis pensem que são doentes. Existem muitas maneiras de se fazer isso. Uma delas é mudar o padrão do que se caracteriza como doença. Outra é criar novas doenças.

Parece teoria conspiratória. Mas a declaração da médica e professora Adriane Fugh-Berman é baseada em anos de pesquisa a respeito das práticas da indústria farmacêutica e da facilidade com que ela manipula os médicos, usados não apenas para vender remédios, mas também para promover doenças. No momento, ela está pesquisando algo que descobriu faz pouco tempo. Representantes de fabricantes de material cirúrgico muitas vezes são vistos dentro de salas de operação “ajudando” os cirurgiões. “Que relacionamento é esse?”, quer saber a pesquisadora.
Adriane Fugh-Berman é formada pela escola de medicina da Universidade Georgetown com especialização em medicina familiar. Militou em uma organização voltada à saúde da mulher e ouviu muitos desaforos de médicos, há duas décadas, quando reclamava que não existiam estudos comprovando a necessidade de tratamentos hormonais para mulheres na menopausa. Existia, isso sim, risco — como mais tarde ficou comprovado. O tratamento hormonal aumentou em muito os casos de câncer de mama e a prática mudou. Antes disso, ela ouviu muitas críticas em conferências e seminários médicos.

Quando embarcou no estudo e no programa de educação a respeito da relação dos médicos com a indústria farmacêutica, ela esperava uma reação ainda pior. Professora adjunta do Departamento de Farmacologia e Fisiologia da Georgetown, ela recebeu uma verba para estruturar o programa voltado para a educação dos médicos e para expor as práticas de marketing da indústria, os métodos que ela emprega para influenciar a prescrição de medicamentos. Tarefa espinhosa.
Filha de um casal ativo nos anos sessenta, nos protestos contra a guerra do Vietnã, a médica e professora Adriane Fugh-Berman abraçou a oportunidade e criou um blog bem sucedido, com informações e denúncias de gente que trabalhou na indústria farmacêutica e aprendeu as técnicas empregadas para conquistar e influenciar os médicos. Nos últimos dez anos, ela viu resultados do trabalho nos Estados Unidos. Mas alerta que a indústria farmacêutica vê o Brasil, a China e a Índia como os principais mercados para a expansão da venda de remédios.

Fugh-Berman escreveu vários artigos mostrando que a indústria seleciona profissionais ainda em formação, nos chamados Cursos de Educação Continuada (CME). Vendedores bem preparados identificam possíveis formadores de opinião nos centros médicos das universidades: médicos, enfermeiros e assistentes. Eles são paparicados.

Recebem presentes, atenção, são convidados para jantar. Depois de uma checagem, são escolhidos os que poderão falar em nome da indústria e servir aos propósitos mercadológicos. Enquanto falam o que a indústria quer ouvir e divulgam, no setor, a visão das empresas, continuam recebendo todos os privilégios. Assim, as farmacêuticas vão comprando acesso aos profissionais que podem prescrever e promover remédios.



Viomundo – Como, quando e por que você lançou o blog Pharmedout, da Universidade Georgetown, do qual é diretora?

AFB – Originalmente, fomos financiados com dinheiro de uma punição. A Warner Lambert, que era uma subsidiária da Pfizer, foi processada pelos 50 estados americanos mais o Distrito de Columbia por causa da propaganda de um composto que aqui nos EUA se chama Gabapentin.
É um remédio para convulsões, para epilepsia, que estava sendo vendido e promovido como sendo um remédio para depressão e bipolaridade, dor muscular, tudo…
Houve um acordo na justiça a respeito da propaganda ilegal desse remédio. [Nota do Viomundo: Em 2004, a Pfizer foi obrigada a pagar US$ 430 milhões pela propaganda fraudulenta do remédio, vendido com o nome de Neurontin].
Os procuradores estaduais decidiram usar parte do [dinheiro do] acordo para financiar esforços de educação de médicos e do público a respeito das propagandas da indústria farmacêutica. Acho que eles financiaram 26 centros médicos universitários para criar modelos educativos.
Nós recebemos financiamento por dois anos e tivemos melhores resultados do que os outros projetos e somos o único projeto que continua sobrevivendo. Ao menos dos que não existiam antes disso. Existem uns dois que já funcionavam antes.
Eu venho de um ativismo na área de saúde. Trabalhei com um grupo chamado Rede de Saúde da Mulher que não recebe dinheiro algum da indústria e já tinha experiência com essa história de tentar promover mudança social sem ter orçamento…
Produzimos vídeos com gente que trabalhou na indústria, escrevemos análises de artigos acadêmicos, divulgamos material educacional na internet e não recebemos mais dinheiro desde 2008.

Viomundo – Como estão sobrevivendo?

AFB – Estamos sobrevivendo de doações individuais e organizamos uma conferência todo ano. Pedimos algum dinheiro para a escola e cobramos uma taxa de inscrição, apesar de deixarmos todo mundo que não tem dinheiro entrar de graça porque tem muitos estudantes e eles não pagam nada, por exemplo.
Levantamos um pouquinho de dinheiro com a conferência e algumas doações da escola. Por exemplo, a verba para estudar a relação entre cirurgiões e representantes dos fabricantes de material cirúrgico que ficam dentro da sala de operações ajudando os cirurgiões e ninguém sabe nada a respeito dessas relações e como começaram.
Ganhamos um dinheiro do departamento de filosofia da Georgetown para essa pesquisa. Mas a maior parte da nossa verba vem de contribuições individuais. Temos apenas um funcionário remunerado. Eu não ganho nada do projeto e temos voluntários. Quando o dinheiro acabou, em 2008, ninguém saiu. Todo mundo ficou no projeto. E continuaram fazendo trabalho voluntário nos últimos cinco anos.

Viomundo – Em um de seus artigos você  diz que a indústria farmacêutica promove doenças e não apenas a venda de remédios. Você pode explicar e dar exemplos do que está  falando?

AFB – Existe um número maior de pessoas saudáveis do que de pessoas doentes no mundo e é importante para a indústria fazer com que as pessoas que são totalmente saudáveis pensem que são doentes. Existem muitas maneiras de se fazer isso.
Uma delas é mudar o padrão do que caracteriza uma doença. Essa é uma área muito vasta e interessante. O padrão para diagnóstico de pressão alta e diabetes e colesterol alto caiu ao longo dos anos.

Viomundo – Para incluir mais gente nessas categorias de doentes?

AFB – Exatamente. Quando eu estava na escola de medicina, uma pressão de 12 por 8 era considerada perfeita. Era o alvo. E agora é considerada pré-hipertensão.

Viomundo – Como aconteceu essa mudança?

AFB – Existem comitês que fazem as recomendações para essas mudanças e eles estão cheios de gente que recebe dinheiro das grandes empresas farmacêuticas.
Por exemplo, o Programa Nacional de Educação sobre o Colesterol é supostamente independente e assessora o governo a respeito da maneira de administrar o colesterol.
O comitê que decidiu reduzir as metas tinha uma única pessoa com menos de três conflitos de interesse com os fabricantes de remédios de colesterol. Não sei nem se era zero, mas menos de três!
Obviamente, qualquer pessoa tomando decisões a respeito de remédios para um hospital ou um país não deve ter nenhum conflito de interesse com nenhum fabricante de remédios.
Outra forma de fazer com que pessoas saudáveis pensem que são doentes é expandir a categoria da doença ou até mesmo criar doenças.
Por exemplo, restless leg syndrome (síndrome da perna que não para). É uma doença real, neurológica, raríssima.
Mas foi redefinida de forma que se você está agitado durante a noite, pode ser diagnosticado com essa doença.
Outro exemplo é a doença da ansiedade social. É bom notar que a psiquiatria é a profissão mais suscetível a diagnósticos questionáveis porque todos os diagnósticos são subjetivos.
Dependem muito da cultura e não existe nenhuma prova, nenhum exame para comprovar a existência da doença. Por isso é um alvo.
Uma das categorias que talvez tenha sido criada é essa doença da ansiedade social que antes chamávamos de vergonha.
Outra que foi criada é osteopenia, ou baixa massa óssea, que agora é considerada precursora da osteoporose e a osteoporose é apenas um fator de risco. Não é uma doença, é uma indicação de risco para quedas e fratura de ossos.
Então a osteoporose é um fator de risco para um fator de risco de uma doença. E a osteopenia é um fator de risco para um fator de risco para um fator de risco.


Nicotina para sempre, mas não no cigarro

Viomundo – E eu aposto que existe um remédio para isso…

AFB – Claro. E os remédios mais usados podem aumentar o risco de fraturas se forem tomados por mais de cinco anos!
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) também seria um exemplo de algo que provavelmente existe, mas agora qualquer criança que não se comporta na sala de aula é diagnosticada com TDAH e medicada.
Outra coisa que foi inventada é TDAH em adultos. Antes só existia em crianças. Agora também existe em adultos e assim podem continuar tomando remédios o resto da vida.
Existe também um esforço para classificar o vício em nicotina como uma doença porque as empresas que vendem produtos para ajudar a parar de fumar… as empresas de seguro de saúde só cobrem os gastos com esses produtos por dois meses porque eles devem te ajudar a parar de fumar. Depois de dois meses você parou de fumar e pronto.
Mas existe um movimento das empresas que fabricam esses produtos para classificar esse vício como uma doença para que os seguros cubram o custo do uso desses produtos pelo resto da vida.
Assim, eles tentam provar para os fumantes que eles não podem parar e que é melhor substituir o cigarro por um desses produtos. Talvez seja melhor mesmo usar um substituto da nicotina do que fumar, mas quem está tomando essa decisão são as empresas farmacêuticas que usam formadores de opinião na comunidade médica. E essas decisões não são baseadas em Ciência.
São tomadas apenas porque empresas biomédicas poderosas garantem que as opiniões que são favoráveis a elas calem as opiniões contrárias.
Metads das pessoas que consegue eliminar o cigarro com sucesso simplesmente param de fumar. E a indústria farmacêutica odeia isso. Quer fazer com que as pessoas acreditem que necessitam da ajuda dela. E que não podem parar sozinhas ou talvez não possam nunca parar.
É um recado horrível não somente para os consumidores, mas para os profissionais de saúde dizer: “Seus pacientes não conseguem parar de fumar”. Porque isso é o que você tenta primeiro. Se isso não funcionar, então você usa um substituto. Mas alguns desses produtos também têm efeitos adversos.

Viomundo – Você diria que no fim do dia o dinheiro é a causa de todos esses problemas? A ganância? 

AFB – Acho que o mais importante é separar a indústria farmacêutica da educação, da regulamentação e das decisões a respeito de que remédios e tratamentos devem ser cobertos.
Não se pode permitir que a indústria se envolva com a educação, que influencie a regulamentação e participe dos comitês que decidem que remédios são cobertos.
Eles podem apresentar argumentos e, se tiverem informações, podem apresentar para o comitê. Mas as pessoas que participam desses comitês não podem ter conflitos de interesse.
E uma das armadilhas é o seguinte conceito: “Eu não tenho conflito de interesses com essas empresas em particular”. Se estou avaliando um remédio, talvez eu tenha uma relação com a empresa B, mas estamos avaliando um produto da empresa A. Então não é um conflito de interesse.
Isso é uma tremenda armadilha por vários motivos. Um deles é que promover um remédio é muito mais do que divulgar os benefícios daquela droga. Pode ser também divulgar informações negativas a respeito de outros remédios. Divulgar informações negativas a respeito de dietas e exercícios. E não está mencionando o remédio da empresa com a qual tem relações.
O que muita gente não sabe e é muito importante é que a promoção de um remédio às vezes começa dez anos antes dele chegar ao mercado. Essa droga pode nem ter sido testada em humanos ainda, mas a empresa já está tentando plantar a semente na cabeça dos médicos de que a doença é um grande problema, que não é brincadeira.
“TDAH destrói vidas. Síndrome da ansiedade social destrói vidas. É uma epidemia trágica. Muito mais séria e abrangente do que você pensa”.
Isso começa anos antes. Pessoas são pagas para falar sobre isso. Quando a droga chega ao mercado você diz “graças a Deus surgiu um remédio para essa doença incurável da qual ouço falar há anos!”.

Viomundo – Por que a população em geral e os médicos, em particular, caem nessa armadilha tão facilmente e com tanta frequência?

AFB – Olha, é mais difícil enganar a população do que os médicos. É muito fácil enganar os médicos. Por vários motivos. Ao menos nos EUA, os médicos, em geral, vêm das classes mais altas da sociedade. Nunca venderam nada. Não têm vendedores na família. Não têm familiaridade com técnica de vendas.
Às vezes conversamos com estudantes que têm vendedores na família e eles identificam claramente as técnicas de vendas. Os médicos não reconhecem. Não apenas vêm das classes mais altas, mas também são ingênuos.
Aparentemente, nos Estados Unidos, e não sei se isso se aplica também ao Brasil, os médicos são mais suscetíveis a golpes financeiros. Eles são inteligentes. São muito bons nas provas de múltipla escolha. Mas não têm esperteza. São crédulos. Para mim foi muito interessante descobrir isso.

Viomundo – Isso não é apenas uma maneira de desculpá-los facilmente? Eles não deveriam ter mais responsabilidade sobre o que estão fazendo?

AFB – Mas eles não são expostos… Ok, nós fazemos uma apresentação chamada “Porque o almoço é importante” e trabalhamos nela com muito cuidado. Usamos psicologia social para ajudar os médicos a perceber esses truques. Uma das coisas que fizemos na apresentação foi, numa das primeiras vezes que a testamos, espalhei pessoas na plateia para anotar os comentários que os médicos faziam. Pegamos os comentários mais comuns e transformamos em slides. Depois usamos esses slides com outras plateias e teve um efeito impressionante.
Um deles, por exemplo, dizia: “Você está errado, os representantes das indústrias farmacêuticas são meus amigos!” ou “eu sou muito inteligente para ser comprado por uma fatia de pizza e você está sugerindo isso!”
Pusemos esses comentários nos slides e depois explicamos porque estavam errados. Os médicos ficaram chocados. Realmente chocados! Porque mostramos o que estavam pensando. Foi muito eficaz.
As pessoas saíram das nossas apresentações jurando que jamais receberiam um representante da indústria novamente. Nunca iriam a um jantar pago pela indústria novamente. Ninguém gosta de ser enganado e quando você descobre que está sendo enganado você fica com raiva. E eles não estavam com raiva de nós e sim dos fabricantes de remédios.
A grande maioria dos médicos quer fazer o melhor para seus pacientes. Existem alguns que fazem qualquer coisa por dinheiro. Mas eles são a minoria. A maioria quer fazer o melhor para os pacientes. Mas eles não se dão conta de que as fontes das informações que recebem são contaminadas, que estão sendo manipulados pela indústria de diversas maneiras.
Que a indústria controla a informação sobre remédios apresentados em encontros médicos, em publicações médicas, em toda fonte de informação da qual eles dependem. E não gostam quando descobrem isso.

Viomundo – Como é possível mudar tudo isso se a indústria controla a pesquisa e o desenvolvimento de novos remédios, os testes em humanos, tem um dos maiores lobbies no Congresso e assim controla as leis escritas a respeito dela. Como escapar dessa situação?

AFB – Acho que é preciso promover mudanças em várias frentes. Algumas coisas mudaram um bocado, nos EUA, nos últimos cinco a dez anos. Ainda existe muito a fazer, mas acho que boa parte é expor os problemas.
Trabalhos como o da ProPublica divulgando na internet os pagamentos para médicos, de forma simples e acessível. A divulgação obrigatória [do que os médicos recebem da indústria] é importante. Mas não é suficiente.
Algumas mudanças tem que vir da profissão médica mesmo. Ela tem que recusar a relação com a indústria em nível individual ou no nível das sociedades médicas que aceitam dinheiro da indústria. As sociedades médicas têm que parar de receber dinheiro.
Os médicos têm que recusar presentes e temos que tirar todas as pessoas que tenham qualquer conflito de interesse com a indústria farmacêutica dos órgãos decisórios sobre riscos e benefícios de remédios.
Tem que haver reformas legislativas também. Você mencionou a pesquisa, que é muito importante. Nos EUA, há 30 anos, o Instituto Nacional de Saúde financiava 70% de todas as pesquisas biomédicas. Agora, é a indústria que financia 70% das pesquisas biomédicas. Isso é um problema.
Precisamos de mais financiamento do governo. Testes financiados pelo governo às vezes descobrem que remédios antigos são melhores do que os novos. A indústria nunca vai financiar esse tipo de estudo. A indústria financia vários estudos e só publica aqueles dos quais gosta, o que faz sentido de um ponto de vista de negócios.


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Viomundo – Sim. Mas não faz o menor sentido para a minha saúde.

AFB – Exato. Existe um movimento internacional para obrigar as empresas a divulgarem as informações de testes em humanos. Se não publicarem, têm que disponibilizar os dados para que outros pesquisadores possam publicá-los, o que é ótimo!
Isso vem do ativismo da comunidade da saúde. Mas algo tem que ser feito pela comunidade médica. Quando vamos à comunidade médica com nossas apresentações, quando explicamos a eles, em geral reagem bem.
Eles vão eliminar essas relações se acharem que são ruins para os pacientes. Então, parte da solução é a educação e também divulgação obrigatória, exposição, legislação, regulamentação… são várias frentes.

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Contraponto 12.082 - "GLOBO, NATURA E ITAÚ: Juntas devem quase 25 bilhões à Receita"


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30/08/2013
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GLOBO, NATURA E ITAÚ: Juntas devem quase 25 bilhões à Receita

Imprensa Golpista - 30/08/2013

"Nunca antes na história desse país" o noticiário foi enriquecido por tantos escândalos. O pior deles, O PROPINODUTO que "não está para provar-se" mas para um MP nitidamente tuc... 

"Nunca antes na história desse país" o noticiário foi enriquecido por tantos escândalos. O pior deles, O PROPINODUTO que "não está para provar-se" mas para um MP nitidamente tucano aceitar as denuncias da PF com seu vagão do metrô carregado de provas. Êsse escândalo o PROPINODUTO (eu prefiro TUCANODUTO), é tão contundente que devolveu às cavernas para hibernar ursos graúdos como FHC, Serra, Aécio e outros. O que ainda se manifesta, o faz com a prerrogativa de governador de estado, é o Alckmin que está no ôlho do furacão. Perdido no tempo e no espaço, cada vez que abre a boca, se expõe e é ridicularizado. É inconcebível afirmar que não sabia de nada, já que passou boa parte do tempo evitando que essa imagem latente fosse revelada por uma CPI.

Contraponto 12.090 - " Livro diz que FHC 'vendeu o país para comprar sua reeleição' "


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01/09/2013


Livro diz que FHC “vendeu o país para comprar sua reeleição”

 
 
Do Blog Cidadania -30/08/2013


Há mais ou menos duas semanas, fui convocado para uma reunião com a Geração Editorial, que lançou o best-seller “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que vendeu perto de duas centenas de milhar de cópias e que contou os negócios obscuros de José Serra durante a privatização de empresas públicas no governo FHC.

A editora se preparava para lançar outro livro-bomba que ainda não podia ser divulgado porque, sabe-se lá como, o PSDB havia tomado conhecimento dele e estava fazendo ameaças de processar não só a Geração Editorial, mas também o autor da obra que está sendo lançada e que conta como Fernando Henrique Cardoso conseguiu o seu segundo mandato.

O autor de “O Príncipe da Privataria” é o jornalista e escritor Palmério Dória, que já publicara, pela mesma Geração Editorial, o laureado “Honoráveis Bandidos”, que contém as peripécias de José Sarney em seu feudo eleitoral, o Maranhão.

O livro-bomba de Dória esmiúça o escândalo da compra de votos de deputados pelo governo Fernando Henrique Cardoso, ao custo de R$ 200 mil por cabeça, para votarem a favor da emenda constitucional que lhe permitiu se reeleger. O livro traz à luz um personagem que o jornal que denunciou o escândalo – a Folha de São Paulo, através do então repórter Fernando Rodrigues – nominou como “Senhor X”.

Aquela matéria da Folha de 13 de maio de 1997 tornou público fatos que seriam solenemente ignorados por toda a grande imprensa. O jornal O Estado de São Paulo só tocou no assunto uma vez e, ainda assim, para defender FHC. Abaixo, a matéria que contém entrevista do “Senhor X”, quem denunciou todo o esquema a Fernando Rodrigues.

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FOLHA DE SÃO PAULO
13 de maio de 1997

Governadores do Acre e Amazonas negociaram pagamento a políticos

FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

As conversas do deputado Ronivon Santiago sobre a votação da emenda da reeleição foram captadas ao longo de vários meses, em diversas oportunidades. Essas conversas ocorreram todas depois da votação do primeiro turno da emenda, em 28 de janeiro passado. Segundo as gravações em posse da Folha, os governadores do Acre, Orleir Cameli (sem partido), e do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL), foram os responsáveis pela compra dos votos de cinco deputados acreanos.
Para não despertar suspeitas, a pessoa que fez as gravações falou sobre assuntos variados. São conversas pessoais, que se arrastam às vezes por cerca de uma hora a respeito de assuntos sem interesse público. Partes das gravações foram condensadas ou suprimidas. Isso foi feito porque a divulgação completa dos diálogos poderia permitir a identificação do interlocutor de Ronivon. A Folha vai preservar o nome do interlocutor de Ronivon. Ele está identificado como “Senhor X”.
A reportagem teve acesso às fitas originais das conversas. As datas e as circunstâncias em que se deram esses diálogos não serão reveladas também para preservar a identidade da pessoa que se dispôs a fazer as gravações. A seguir, a Folha selecionou os trechos mais relevantes. A ordem das declarações é cronológica. Como as conversas ocorreram em dias diferentes, os assuntos muitas vezes se repetem:

*
O negócio
Neste trecho, Ronivon é indagado sobre um suposto pagamento que o governador do Acre, Orleir Cameli, teria de fazer aos deputados federais do Estado -com alguma ligação a aprovação de projetos no Orçamento federal.
O deputado muda de assunto e diz que recebeu apenas R$ 100 mil “agora para a votação”. No final deste trecho, é possível identificar que “a votação” era a da emenda da reeleição.
Ronivon também explica que recebeu R$ 100 mil em dinheiro. E mais R$ 100 mil lhe seriam pagos por intermédio de uma empreiteira, a CM. Essa empresa teria executado uma obra para o governo do Acre e lhe repassaria R$ 100 mil quando recebesse o pagamento do governador Orleir Cameli:
Senhor X – Ele (Orleir Cameli) não pagou nada daqueles do Orçamento de 94, de 95?
Ronivon Santiago – Não. Ele me deu R$ 100 mil… R$ 100 mil agora para a votação. Deu em cheque e em dinheiro. Me deu um cheque. Aí, depois, me deu dinheiro. Eu devolvi o cheque. Me deu R$ 100 mil, em dinheiro.
Senhor X – Para a votação?
Ronivon – É. Mas, dentro daquele negócio. Aí, eu fui e acertei com ele. Eu digo, olha, faz o seguinte: aí tem uma nota para mim, quando eu receber de 400 e poucos mil de um (trabalho) que a firma fez, que é para poder me reter o meu dinheiro. Mas está lá para pagar e até hoje não pagou esse dinheiro. E esse dinheiro que dá para pagar todos esses pagamentos. Estou aguardando.
Senhor X – Mas, me diga uma coisa. Ele não deu 200 mil para cada um?
Ronivon – Mas eu peguei só 100.
Senhor X – E quem foi que pegou?
Ronivon – Não, todo mundo pegou 200.
Senhor X – Todo mundo pegou 200… pela votação?
Ronivon – E eu peguei 100. Mas eu tinha um assunto meu. Que ele ia me pagar isso aqui. Aí ficou pra CM. Aí, eu, né…? Ficou pra CM, porque a empresa que está lá, pra faturar essa nota, que é para poder me pagar tudo. Aí, ficou dentro os meus outros 100. Tô pra receber, ele vai me pagar…
Senhor X – Orleir chegou a dizer a algumas pessoas lá no Acre que os votos tinham sido pagos…
Ronivon – 200 paus.
Senhor X – 200 paus para cada um?
Ronivon – É.
Senhor X – E você, tirou 200?
Ronivon – Só um. Mas eu tenho… vou receber. Está negociado.
Senhor X – O João Maia também recebeu os 200?
Ronivon – Recebeu.
Senhor X – Os 200?
Ronivon – Todo mundo… Osmir, Zila…
Senhor X – Então quer dizer que, nesse caso, na reeleição, tudo o que se votou, isso? Hein? O Inocêncio não lhe arrumou nada de dinheiro, não?
Ronivon – Não. Inocêncio, não.

O cheque sustado
Neste trecho, o deputado explica que a primeira tentativa do governador Orleir Cameli teria sido pagar em cheque. Depois, houve a troca por dinheiro.
O dinheiro só foi entregue na medida em que os deputados se apresentavam e rasgavam o cheque recebido anteriormente:
Senhor X – E aquele cheque? Foi pago?
Ronivon – Foi. Só que veio em dinheiro.
Senhor X – O cheque não foi descontado, não?
Ronivon – Não. Rasgou.
Senhor X – Você rasgou?
Ronivon – Rasguei. Não só o meu, como o do Osmir, da Zila, de todo mundo.
Senhor X – Eu pensava que naquele episódio da reeleição você tinha arrumado mais…
Ronivon – Não. O que tem de mais aí ficou acertado. Ele ligou na minha frente para fazer a nota de 400 e poucos paus. Está lá, está feito. Está autorizado lá, está tudo prontinho lá. Saiu, aí eu pego. É meu. Então, eu não briguei por uns 100 real porque estou vendo que está embutido. A hora que sair a firma me dá, sem problema nenhum.
Senhor X – Quer dizer que o acerto eram 200?
Ronivon – 200 para todo mundo.
Senhor X – E por que que ele desconfiou daquele cheque que eles deram…?
Ronivon – Não, porque ali foi uma jogada. O Amazonino: “Você é tão infantil, rapaz? Vai dar esse cheque para esse pessoal? Pega um dinheiro e leva”. Aí, ele pegou todo mundo e deu a todo mundo em dinheiro. Eu e com o Orleir, nós fizemos um acerto lá que…
Senhor X – Mas esse cheque não foi dado na véspera da votação?
Ronivon – Mas no outro dia ele deu em dinheiro.
Senhor X – Deu em dinheiro?
Ronivon – De manhã, antes da votação aqui à tarde.
Senhor X – Arrumaram esse dinheiro como, hein?
Ronivon – Sei não. Aí você me enrolou (risos).

As dívidas (1)
Aqui o deputado fala um pouco das suas dívidas bancárias. O assunto é recorrente nas conversas.
Neste trecho, são citados o Banco do Brasil e o Banacre:
Senhor X – Mas, Rôni, aquele episódio da reeleição… Você, de qualquer maneira, diminuiu um pouco o seu sufoco, não diminuiu? Pagou os seus negócios de banco, já?
Ronivon – No Banco do Brasil. Todinho, total, não devo nada. Tenho só R$ 10 mil para o dia 10.
Senhor X – E lá no Banacre? Acertou?
Ronivon – No Banacre eu tenho lá, mandei resumir, dá tudinho dá 132. Eu recebi essa nota, entra, já tá autorizado para descontar. Eu negociei através da nota.

O acerto da empreiteira
Aqui, neste trecho, fica mais evidente que parte do pagamento do voto da reeleição seria por meio de uma empreiteira, a CM:
Senhor X – Mas quer dizer que essa nota faz parte…
Ronivon – Faz parte do acerto da CM.
Senhor X – Da CM e dos 100 que faltou lá do acerto lá da reeleição, é?
Ronivon – É. Eu vou até esperar para receber…
Senhor X – Na semana anterior da votação, já tinha ficado acertado que ia ser R$ 200 mil para cada um?
Ronivon – Levei R$ 100 mil só dele. Só isso. Entregou aqui de manhã. Pro cheque, por aquele cheque.
Senhor X – Quer dizer que os outros R$ 100 mil…
Ronivon – Tá dentro do que eu vou receber ainda.
Senhor X – Os R$ 100 mil do voto?
Ronivon – Na semana que vem. Vem dentro do outro, dos 400 e poucos. É só entrar lá, aí desconta tudo, vou descontar meu negócio do Banacre.

Os interlocutores
Ronivon explica agora que houve muita confusão na negociação dos votos. Os governadores do Acre, Orleir Cameli, e do Amazonas, Amazonino Mendes, tiveram participação ativa na montagem da operação, segundo o deputado:
Senhor X – Esse foi um assunto (reeleição) que foi tratado direto com o Orleir?
Ronivon – O caso é o seguinte. Deixa eu te contar. Houve um rolo do caralho. O Amazonino tinha uma jogada aí, pro lado do governo. Finalmente, apareceu o Amazonino. Você está me entendendo? Amazonino, você sabe que é assim, né? Eu, muito vivo, eu fui na hora da reunião -estava o Osmir, estava a Zila, estava todo mundo- eu disse, olha: Amazonino, eu não sabia que era com você a reunião, pra mim era com o pessoal do governo. Mas, já que é você que vai acertar, eu não tenho acerto nenhum com você. Eu tenho com o Orleir Cameli, porque sou fiel a ele até o final. E aqui, o resto da conversa com o Orleir eu fiquei de fora. E fui embora. Ficou Zila lá… Ele chegou… Aí foi um rolo doido: Zila, Osmir… e eu lá fora.
Senhor X – Agora, aquele cheque…
Ronivon – Para todo mundo.
Senhor X – Se vocês não tivessem trocado o cheque por dinheiro, estariam sem receber até hoje?
Ronivon – Estava. Ah, estava. Tranquilo. Não, mas eu acho que não. O Osmir disse que recebeu. Ele disse que pegou o dele.
Senhor X – E o dele foi quanto?
Ronivon – 200. O meu também foi 200.
Senhor X – E João Maia?
Ronivon – 200. Todo mundo foi 200. Só que eu só peguei 100 porque eu tenho um negócio aí. Eu falei pra ele: eu tenho lá para receber que ele vai me fazer (…) para ele passar com os 100 lá dentro.

Dinheiro de Amazonino
Segundo Ronivon, o dinheiro da compra de seu voto teria sido providenciado pelo governador Amazonino Mendes. Aqui, o seu relato:
Ronivon – Mas aí, deixa eu te contar. Quem deu o dinheiro para ele (Orleir Cameli) lá foi o Amazonino. Ele não trouxe nem dinheiro. O problema é o seguinte: o Amazonino marcou dinheiro para dar 200 para mim, 200 pro João Maia, 200 pra Zila e 200 pro Osmir. Você está me entendendo? Então ele foi e passou pro Almir, tsk, pro Orleir. Só que ele foi… Mas no dia anterior ele parece que precisou dar 100, parece que foi pro Chicão, e só deu 100 pra mim.
Senhor X – Ah, Chicão também pegou?
Ronivon – Peeegouuu! Eu não sei de nada. Pelo amor de Deus. Não sei se foi 200. Eu sei que parece que ele prometeu lá… Eu sei que ele tinha de dar 200 pra Zila, 200 por Osmir, 200 pro João Maia e 200 pra não sei quem, e, no finalmente, ele só me deu 100 porque ele teve de deixar 100…

Cehques rasgados
Neste trecho é relatado o episódio em que os cheques de R$ 200 mil foram devolvidos rasgados em troca de dinheiro vivo:
Senhor X – Mas naquela altura vocês já estavam com o cheque… E o cheque era de quem?
Ronivon – Do Eládio (Cameli, irmão de Orleir). Da firma do Eládio lá no Banco do Amazonas.
Senhor X – Mas, quer dizer que o cheque foi cancelado?
Ronivon – Rasgou.
Senhor X – Rasgaram?
Ronivon – Na hora. Aí, eu sei que eu soube depois, já a posteriori, porque ele não me deu, porque eu cheguei por último. Então, ele foi deu… ele tinha acertado um negócio com o Chicão, parece…
Senhor X – Quer dizer que o Orleir quando veio naquele dia, ele não trouxe o dinheiro?
Ronivon – Ele não tinha, não. Zerado. Não. Ele ligou e mandou chamar o Eládio: “Você vem aqui que eu quero acertar uns negócios aqui (…). Você sabe que eu não posso tirar dinheiro. Não posso fazer isso. Você sabe que lá no Acre é difícil. Vou mandar meu irmão, é pessoal. Vocês vão depositar os cheques de 200 paus e vão retirar. Ou, então, vou mandar o Eládio trocar no dia tal”.
Senhor X – E o Eládio veio com o cheque?
Ronivon – Veio. Aí o Eládio veio com o cheque e voltou.
Senhor X – O Eládio veio de Manaus para cá só para entregar o cheque?
Ronivon – Foi.
Senhor X – Aí, saiu cada um com seu cheque na mão?
Ronivon – Cada um com seu cheque na mão.
Senhor X – Aí, quando foi à noite, disseram: “O cheque não presta”?
Ronivon – É… Aí, de manhã cedo ele ligou pra todo mundo e mandou ir lá. Eu fui o único que não cheguei. E ele já tinha conversado com Chicão às 7h30. Mas aí chegou o Osmir, tava lá com a sacola assim… (risos) João Maia com a outra. Aí o Orleir: “Êpa, melhorou esse negócio!” Aí, ele me chamou lá dentro. “Não, não. Tu leva só esses 100 aqui porque depois eu te dou os 100 dentro daquele acerto que tu tem. Aí eu pago tudo dentro daquele pra você tem por lá. Aí, tô aí. O meu foi assim.

As dívidas (2)
É importante notar que esse valor citado pelo deputado (“196 pau”) não se refere apenas ao Banco do Brasil.
A pergunta do interlocutor inclui o Banco do Brasil, mas Ronivon faz um corte abrupto -isso é perceptível na fita de áudio- para dizer que pagou todas as suas contas:
Senhor X – E João Maia? Pagou também todas as contas?
Ronivon – Não sei. Aí, eu não sei. Eu só fiquei a Caixa um pouquinho.. Ah, eu tô no BRB também, mas é pouquinho.
Senhor X – Mas você pagou, você pagou, o Banco do Brasil…
Ronivon – Numa porrada só.
Senhor X – Logo? Na mesma hora?
Ronivon – Não… Na semana passada… Na semana passada (risos). Sou leso? Não, isso foi tudo na semana passada… Deixei assentar a poeira. Fui lá e negociei. Paguei 196 paus.
Senhor X – 196?
Ronivon – Pau! Os meus cheques sem-fundos tudinho. Eu tive que arrecadar esses cheques tudinho. Paguei, só de cheques aí deu 46 mil de cheques. Em Rio Branco tinha seis.
Senhor X – A reeleição lhe salvou, né?
Ronivon – Ôô!
Senhor X – A reeleição.
Ronivon – Eu me protejo, rapaz…

Os pagamentos
A seguir, mais detalhes sobre os pagamentos pela reeleição e quem seriam os deputados que receberam, segundo Ronivon Santiago.
É curioso que em um trecho anterior Ronivon diz ter sido o único a receber apenas R$ 100 mil. Os outros colegas do Acre teriam embolsado R$ 200 mil. Nesta parte da conversa, entretanto, ele afirma que o deputado João Maia (PFL) também teria recebido só R$ 100 mil:
Senhor X – Na véspera da reeleição… aquele dinheiro que foi chegando lá e seus colegas estavam saindo com ele na sacola, ali tinha R$ 800 mil. Eram R$ 200, R$ 200, R$ 200, R$ 200. E na hora ‘H’ saiu R$ 200, R$ 200, R$ 200, R$ 100 e R$ 100. Você e o João Maia que receberam R$ 100?
Santiago – João Maia só pegou R$ 100 também.
Senhor X – E ele já completou os outros R$ 100?
Ronivon Santiago – O João Maia, não.
Senhor X – Também não?
Santiago – Eu acho que não, não sei. Não perguntei. Só vi o meu… Eu não sei. Eu sei o meu.

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Voltando ao presente, o livro de Palmério Dória traz à luz o “Senhor X”. Trata-se do acreano Narciso Mendes, de 67 anos. Mendes usou um gravador emprestado por Fernando Rodrigues para gravar conversas de deputados federais que foram subornados pelo ministro das Comunicações de FHC, Sergio Motta, para aprovarem emenda constitucional que permitiu a Fernando Henrique Cardoso disputar a própria sucessão, em 1998.

Dória, dono de um estilo literário que prende o leitor da primeira à última página do livro – que este blogueiro já leu, pois recebeu um “boneco” da obra encadernado com espiral em papel tamanho ofício –, define, em uma frase, a verdadeira “grande obra” de FHC: “Vendeu o país para comprar a própria reeleição”.

“O Príncipe da Privataria”, pois, chega às livrarias nesta sexta-feira, 30 de agosto de 2013. Sugiro que você, leitor, corra para buscar o seu porque a primeira edição já está praticamente esgotada e, também, porque o PSDB já promete fazer tudo para censurar um livro que desnuda Fernando Henrique Cardoso dos pés à cabeça.
 
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Abaixo, fac-símile da capa de O Príncipe da Privataria

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