sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Nº 20.620 - "2016 – A longa duração de um ano de golpes"



30/12/2016


2016 – A longa duração de um ano de golpes



Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho

O ano de 2016, em seu sentido político marcante, apenas começou em 04 de março, isto é, no dia da condução coercitiva de Lula para depor no aeroporto de Congonhas. Em consequência desse ato do juiz Sérgio Moro, tendo às suas costas a cumplicidade de todo o Judiciário brasileiro (com a única exceção de Marco Aurélio de Mello, que depois se arrependeu amargamente), o país pareceu chegar à beira de uma guerra civil.
O primeiro ato, se esse ano pode ser lido como uma drama, foi a construção do golpe do impeachment, e o segundo, com Temer já na presidência, consistiu na destruição das conquistas sociais que vinham se acumulando, como resultado de lutas dos trabalhadores, desde a CLT de 1943. A tudo isso, a resistência oposta pelos setores populares, pelas forças ditas de esquerda, colidiu com sérios obstáculos.
Quanto ao primeiro ato, e no que diz respeito à luta, que é o que interessa à política, a situação da resistência foi curiosa. Nos blogs e nas redes de esquerda a crítica do golpe foi intensa, sobretudo uma espécie de militância digital, com o uso intensivo dos celulares, e uma frenética inserção nos conteúdos diretamente políticos. Já nas ruas a resistência foi raquítica, deixando uma sensação permanente de frustração. Não quer dizer que tenha sido pequena quando comparada com as manifestações da classe média em favor do impeachment, que, na verdade, não foram também lá grandes coisas. Mas houve uma diferença essencial.
Para os atos da classe média contra o governo Dilma, a mídia, em especial a Globo, produziu a ilusão ou a miragem de gigantescas manifestações de rua. Nisso, foi vital também a cumplicidade de PM que, já em 2015, em São Paulo, havia chegado a um certo confronto com o DataFolha, cujos números divergiram sensivelmente dos da corporação, quanto ao método de contagem dos manifestantes. Onde o DataFolha contava 210 mil, a PM contava 1 milhão, e os organizadores, o dobro ou mais que isso.
As manifestações pró-impeachment se tornavam reais e consistentes, criavam a sensação de vitória para a classe média, justamente pela narrativa que a elas a mídia e a PM emprestavam. Não só essas, mas outras instituições como o Judiciário e o Ministério Público foram vitais para construir o sucesso da ideia de “clamor das ruas em favor do impeachment”.
Por fim, o Congresso deu o aval final à farsa aprovando, com margem muito expressiva, todos os encaminhamentos do impeachment. Mas, aqui também, a cumplicidade do STF foi decisiva, tanto dando o tempo necessário para Eduardo Cunha agir quanto, posteriormente, rejeitando todos os questionamentos relativos à condução do processo na Câmara e no Senado. Por isso, a mídia, o Congresso e o STF foram identificados como agentes decisivos do golpe.
Deve-se observar que as manifestações do dia 13 de março, vistas como o marco divisório, e que teriam levado mais de 3 milhões de pessoas às ruas (números evidentemente inflados), superando as Diretas Já, foram induzidas artificialmente por Sérgio Moro, no evento de 04 de março da condução coercitiva de Lula que, como dissemos, abriu na política o ano de 2016. Do mesmo modo, tanto para sabotar a tomada de posse de Lula no ministério da Casa Civil quanto para neutralizar as manifestações pró-Dilma marcadas para 18 de março, Moro divulgou as conversas de Lula gravadas no dia 16 de março.
Tudo isso, começando em 04 de março, abriu períodos inteiros bastante específicos, que não podemos comentar aqui. Para citar um exemplo, março e abril foram meses de enorme proliferação de manifestos e notas em defesa da democracia e do estado de direito. Foram milhares de documentos que, hoje, estão praticamente esquecidos, como se datassem de outra época. Mas isso se deve à intensidade dos acontecimentos em 2016.
É ainda a longa duração desse ano que também faz com que, para a classe média anti-Lula e PT, enciumada e raivosa contra as políticas sociais, o ano tenha sido uma montanha russa. Na sua parte mais feliz, sentiu-se vitoriosa com o impeachment, e elevou sua arrogância às alturas. Mas sua lua de mel com o poder sofreu uma brusca reviravolta, com as políticas de Temer, da PEC 55 à reforma da Previdência. Nessa classe média, avança agora o sentimento de ter caído numa cilada, embora lhe falte os meios para dar expressão política a essa sensação de logro. O que só aumenta o risco de uma guinada (ainda maior) para o fascismo.
Deixando de lado os EUA e seus interesses geopolíticos, os grandes vitoriosos do ano de 2016 foram, como se torna a cada via mais evidente, a FIESP, com seu pato e seu diretor, que se descobriu dever quase sete bilhões de reais aos cofres públicos, a CNI, a FEBRABAN, o Agronegócio, as Federações de Comércio e a mídia. A grande vitória dessas elites, foi a destruição das bases democráticas que, ainda que de forma mínima e quase cosmética, ameaçavam mudar a cara de um país que, até pouco, era conhecido como o mais desigual do mundo.
Nesse retrocesso, no ano que começou em março e durou apenas dez meses, se desfaz o que parecia ser o fruto positivo da Nova República após três décadas. O país estranho e exótico, um monstro entre as nações, o último grande império a abolir a escravidão, e um país que, hoje, é recordista mundial em violência policial, refez o seu pacto de exclusão social.
No entanto, essas elites vitoriosas correm um sério risco: com o desmonte do sistema político operado pela Lava Jato, os diques que as mantinham seguras podem ser rompidos. Se as massas miseráveis brasileiras suportaram a desgraça com tanta resignação no passado, isso ocorreu antes de experimentarem o gostinho dos ganhos democráticos. Não é impossível que, em algum momento próximo, o conformismo dê lugar à revolta.
A tentativa da Globo, e dessas elites, de ganhar distância de Temer, e colocar um ponto final no seu governo, agora que o trabalho sujo está praticamente pronto, é fruto da percepção daquele risco.

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Nº 20.619 - "Paulo Nogueira Batista: Criou-se no Brasil terreno fértil para a intervenção estrangeira"

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30/12/2016


Paulo Nogueira Batista: Criou-se no Brasil terreno fértil para a intervenção estrangeira


Do Viomundo - 23 de dezembro de 2016 às 18h47

    paulo_nogueira

Brasil corre perigo

Dos Brics, o país é o mais vulnerável

Paulo Nogueira Batista Jr., em O Globo, 23/12/2016, sugestão de Paulo Paiva  

O Brasil corre riscos sérios. Estou longe, mas acompanho sempre que posso o que está acontecendo aí — e com preocupação cada vez maior.

A situação mundial, marcada por aguda polarização, oferece grandes perigos para nações fragilizadas por conflitos internos. Existem certamente casos mais graves que o brasileiro, países destroçados por intervenções externas e/ou crises domésticas: Síria, Iraque, Líbia, Grécia — para citar casos mais notórios.

Não chegamos a esses extremos, mas não há como negar que o nosso país está em perigo. Dos Brics, o Brasil é no momento o mais vulnerável.

E repare, leitor, que a situação da Rússia e da África do Sul é bem complicada. A China também enfrenta desafios econômicos, institucionais e políticos. A Índia acaba de lançar uma reforma monetária radical, com efeito desestabilizador. Em todos os quatro países, a corrupção é problema grave.

Mas, entre os Brics, o Brasil é “hors concours”. Não necessariamente em corrupção, mas na fragilidade do quadro econômico, social e político.

As razões parecem claras. Primeiro, a intensa polarização interna. O que antes era patrimônio dos nossos vizinhos ao Sul — a incapacidade crônica dos argentinos de conciliar e chegar a entendimentos — parece ter sido importado maciçamente pelos brasileiros. A intolerância, o colapso do diálogo, a perda de legitimidade de instituições fundamentais, o enfraquecimento da democracia — tudo isso representa um imenso perigo para a nação brasileira.

E mais o seguinte: o triunfo da mais profunda e radical ignorância em diversos campos da vida nacional.

A essa degradação política e social se acrescenta uma das piores crises econômica da nossa história. Recessão forte e prolongada, desemprego crescente, redução dos salários reais — “em casa onde falta pão…”

A crise econômica alimenta a crise política, e vice-versa. Nesse ambiente, os governos brasileiros perderam apoio e legitimidade, a classe política atingiu o seu nadir, a Justiça perdeu o Norte.

Criou-se, leitor, um terreno fértil para a intervenção estrangeira — e era neste ponto que queria chegar.

A intervenção externa não precisa ser ostensiva — e muito menos militar. Ela toma formas mais sutis. Com o enfraquecimento dos governos e a crise econômica, fica mais fácil para investidores de outros países, não raro com apoio estratégico de seus governos, aterrissar no Brasil e comprar empresas, terras e outros ativos brasileiros sem controle ou restrições — e na bacia das almas.

O Brasil está à venda, em liquidação? Quem protege os nossos interesses? Quem nos representa no plano internacional?

Leitor, não se iluda, para determinados fins estratégicos não há substituto para o Estado nacional. Os setores privados, as organizações da sociedade civil, as universidades, os intelectuais, os artistas — todos eles carregam de alguma forma, bem ou mal, o estandarte nacional, por onde quer que andem e circulem.

Mas não existem instâncias supranacionais a quem um país possa confiar a defesa dos seus interesses nacionais e dos seus objetivos vitais. Ou existem? Peço ao leitor que me aponte uma, pelo menos uma.

As entidades multilaterais mais relevantes são internacionais, vale dizer são associações entre nações, entre Estados — e delas só se beneficiam aqueles países que têm um mínimo de coesão interna e um Estado razoavelmente estruturado.

O Brasil precisa encontrar um meio legítimo de superar o quadro de polarização destrutiva e frear o processo de desintegração em curso.



Paulo Nogueira Batista Jr. é vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, sediado em Xangai, mas expressa seus pontos de vista em caráter pessoal.
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Nº 20.618 - "Porque o 'pensamento positivo' de Temer é uma tolice perversa"

30/12/2016


Porque o “pensamento positivo” de Temer é uma tolice perversa


Do Tijolaço  · 30/12/2016


globodesemp


POR FERNANDO BRITO


A angústia de um blogueiro de politica e economia, cuja tarefa é selecionar e contextualizar os fatos mais relevantes para os que o leem, toda manhã, é ver se cumpriu esta missão e não deixou de fora aquilo que está nos jornais e é importante.

É obra de cansaço e risco, até porque, nestes tempos, temos um governante que decide de manhã e recua da decisão à noite – se é que vai tão longe.

Ontem, o ocupante da Presidência pediu “pensamento positivo” e, há uma semana, disse que 2017 será “o ano em que vencemos a crise”.

Admita-se, por generosidade, que Sua Excelência não esteja, como transpira dele, sendo cínico, falso e supérfluo. Que não queira explicar o fracasso presente e use, para isso, um “tudo, tudo vai dar pé”.

Aí você vê a manchete de hoje de O Globo, com previsões ao inverso, mas com a reafirmação da “fé” de que, no segundo semestre, as coisas melhoram.

E você se pergunta: isso é um duelo de desejos, uma confronto de simples expectativas e é neste campo que se decidirá a sorte dos brasileiros. É com “wishful thinking” que se terá sucesso, como nos mais medíocres livros de autoajuda ou, ao reverso, é com pessimismo que a desgraça profetizada se realizará?

Em economia, claro, expectativas são uma das variáveis, porque implicam em tomada de decisões: investir ou não, comprar ou não o que não é o essencial apenas, apostar na melhora e contrair dívidas que uma atividade mais intensa permitirá que sejam pagas ou fugir delas, porque amanhã será pior.

Não é preciso ser economista para sentir isso e agir conforme a percepção.

Mas economia não é apenas futurologia, premonição, “insight”.

Daí em diante, o critério deve ser o do Chico Buarque, nos versos de Fortaleza: A minha tristeza não é feita de angústias/A minha surpresa é só feita de fatos/De sangue nos olhos e lama nos sapatos.

Decisões econômicas, como todas as decisões voluntárias, são decisões baseadas em conveniência, oportunidade e capacidade.

É conveniente investir em atividades que reproduzam o capital? Sim, mas qual? É oportuno fazer isso aqui ou ali, agora o depois? E, finalmente: “sou capaz de fazê-lo, tenho essa disponibilidade financeira, material, de conhecimento e de gestão?”

Porque a resposta a estas perguntas é que decidirá se, como e onde se investirá.

A primeira, em escala nacional, não é como a nossa, de mortais, que a medimos sobre o que termos “guardado”. O conceito de poupança, aqui é diferente, porque as disponibilidades de pessoas e empresas estão, todas elas, aplicadas em alguma atividade, já. E financeira.

É a taxa de remuneração e o prazo em que esta se dará o que definirá se elas  ficam onde estão ou para onde devem ir.

A atratividade de um investimento sem risco e que paga inflação mais cinco ou seis por cento ao ano é, óbvio, superior a qualquer outra.

Sair deste campo e ir para o do investimento físico, seja em produção ou infraestrutura depende do horizonte que esteja ao alcance dos olhos ou do pensamento razoável.

As pessoas vão comprar mais sapatos, roupas, cerveja, brinquedos, computadores, celulares, geladeiras do que estão comprando hoje? Vão fazer isso em escala que a capacidade de produção atual não utilizada seja incapaz de atender? Porque é indiscutível que os que já detêm a capacidade e as estruturas para fazê-los têm vantagem competitiva sobre o novo investimento.

Num país com o menor nível de utilização de sua capacidade industrial instalada já registrado na história e com uma retração monstruosa nos níveis de consumo a resposta é óbvia: não.

Na infraestrutura, o mesmo. Será bom negócio investir em estradas, aeroportos, portos se não há perspectivas de deslocamento de pessoas ou mercadorias crescer num horizonte plausível? Pode ser, mas para isso é necessário que a oportunidade tenha força suficiente para impor-se á conveniência e isso implica em adquirir ativos ou concessões neste campo a preço de banana.

Traduzindo para a vida comum. Não está bom o mercado de aluguéis, os preços pararam de subir e até estão caindo, pela baixa procura, como vimos aqui, há poucos dias, no caso dos galpões industriais e comerciais em São Paulo. Mas suponha que você tem recursos e fôlego para aguentar a maré baixa e aquele galpão, muito bem localizado e instalado, está sendo entregue na bacia das almas e você dispõe do dinheiro. Comprar pode ser uma boa, mas isso não quer dizer que o armazém voltará à atividade, empregará vigias, arrumadores de cargas, conferentes, que voltará a fazer parte da cadeia de produção e comércio.

Trata-se, apenas, de transferência de propriedade entre quem está enforcado e aqueles que têm fôlego. Não é difícil saber que são uns e outros no Brasil de hoje.

O movimento declinante da economia brasileira, como qualquer movimento, segue a primeira Lei de Newton, tende a continuar,  salvo se uma nova força entrar em cena. Achar que a “mini-injeção” de recursos feita com uma liberação, diluída no tempo, de alguns tostões parados nas contas inativas do FGTS – e que serão em boa parte drenados pelo mercado financeiro, pela quitação de dívidas – vá ser essa força vai além da ingenuidade: é má-fé.

Peço desculpas pela longa reflexão que poderia ser reduzida a um “Temer não está dizendo a verdade”, mas apesar do “sangue nos olhos” que provocam as suas medidas de desmonte do Brasil e de degola dos direitos do trabalhador, é preciso ir além do que ele faz, para que não se incorrer no simples “pensamento negativo” em oposição ao seu desejado “pensamento positivo”.

Não é o caso de estar numa “torcida” contra, mas o de explicar porque o caminho que levou ao desastre, mantido, só leva a mais desastres.

O nosso jornalismo econômico, dominado pela crença neoliberal de que é preciso afundar cada vez mais no túnel para encontrar a luz ao seu final esconde do povo brasileiro que a única luz que haverá ao final do túnel da recessão e da paralisia econômica é a do fogo do inferno social e humano para onde estão nos levando.

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Nº 20,617 - "VEJA VENDE MARCELA COMO CONSOLO PARA OS 12 MILHÕES DE DESEMPREGADOS DE TEMER


30/12/2016


VEJA VENDE MARCELA COMO CONSOLO PARA OS 12 MILHÕES DE DESEMPREGADOS DE TEMER


Brasil 247 - 30 DE DEZEMBRO DE 2016 ÀS 07:02


Alguém no Palácio do Planalto teve uma "idéia genial" para tentar levantar a popularidade de Michel Temer, rejeitado por pelo menos 77% dos brasileiros, neste fim de ano: explorar a imagem "princesa Disney" de Marcela, junto ao povão; esta é a capa de Veja deste fim de ano em que o Brasil termina com a maior taxa de desemprego da história, que é consequência direta do golpe que levou Temer ao poder; capa de Veja gerou uma onda de vomitaços nas redes sociais, até mesmo entre os leitores de Veja

247 – A imagem de Michel Temer está consolidada entre os brasileiros. Para a grande maioria da população, ele é visto como traidor, desleal e servidor dos mais ricos, segundo apontam pesquisas.

Não por acaso, de acordo com pesquisa Ipsos divulgada antes das delações da Odebrecht e dos números catastróficos do desemprego, pelo menos 77% dos brasileiros o rejeitam.

À frente de um governo tido como ilegítimo pela  maioria da população, que defende diretas já, Temer tem uma nova ideia: usar a imagem "princesa Disney" de Marcela para levantar a sua popularidade.

Esta é a capa de Veja deste fim de semana, que gerou uma onda de vomitaços e protestos, até mesmo entre os leitores da Editora Abril, sócia do golpe que levou Temer ao poder e quebrou a economia brasileira.

Eis algumas reações:
Bruno Bacanhim Essa capa diz tanto sobre essa revista. Desinformação, propaganda, interesses econômicos, panfletários... E jornalismo que é bom? Nada.

Zazo Guerra Que palhaçada. Temer já é o presidente com a mais baixa popularidade da história do Brasil, agora vem apelar pro "carisma" de uma "primeira dama" distante, frigida e insossa. Era o que faltava.

Bernardo Araujo Me parece que a grande aposta é a Veja, que continua a tentar achar algo de bom nesse governo...e não vou entrar no contexto machista, "jovem e bela"...depois "linda recatada e do lar", a Veja mostra como é o pensamento da elite, dos velhos, brancos e ricos(ou sem noção que se acham ricos).

Norma Rosenbach É deprimente quando um governo precisa se auto legitimar usando como propaganda a beleza alheia para alcançar popularidade.

Denise Moura Uau, com tanta coisa acontecendo no país e essa é a matéria de capa?
A crise afetou a Veja só pode, contrataram estagiários para fazer o serviço dos profissionais pagando menos.

Alexandre Vaz da Silva VEJA, GLOBO e demais órgãos de imprensa golpista. Por causa de tudo o que vem acontecendo em nosso país,todos estão fazendo um trabalho medíocre.
Paty Dantas Oi!!!

Que revista mais ridícula! !

O País está em crise, índice elevado de desemprego, corrupção ativa e a VEJA aborda um tema tão irrelevante...


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Nº 20.616 - A Odebrecht e a Lava Jata


30/12/2016


A Odebrecht e a Lava Jata

Do Facebook

Victor Campos
16 h

A Odebrecht é a principal empreiteira do ProSub, programa criado pelo Lula, para construção do primeiro submarino nuclear brasileiro para proteger o pré-sal. Os EUA sempre foram contra.

Os EUA não reconhecem na ONU as 200 milhas náuticas da costa brasileira. Pode chupar o petróleo do pré-sal na costa brasileira a hora que bem entender.

Só não faz porque não domina a tecnologia de extração de petróleo em grandes profundidades. A Petrobras é a única petroleira no mundo que domina essa tecnologia. Privatizando a Petrobras, terão acesso a essa tecnologia.

Depois da Lava Jato, o ProSub será administrado por uma empresa dos EUA, a General Eletric. Isso poderá dar confusão porque a tecnologia do submarino nuclear é francesa. A França transferiria ao Brasil toda a tecnologia do submarino. Não sei se a França vai gostar que uma empresa dos EUA tenha acesso aos segredos dessa tecnologia.

A Odebrecth é a principal empreiteira do Porto de Mariel em Cuba que os EUA sempre foram contra. Agora os EUA, para não ficar para trás, resolveram fazer parte do Porto de Mariel que fica a 180 km da costa da Flórida.

A Odebrecht seria a principal empreiteira do Canal da Nicarágua que ligará o Atlântico ao Pacífico -- ao lado do Canal do Panamá que é controlado pelos EUA -- bancado pela China: US$ 40 bilhões. Os EUA são contra. Ao contrário do Canal do Panamá que só permite a passagem de 1 navio de cada vez e não suporta o calado de superpetroleiros, o Canal da Nicarágua suportará até 5 superpetroleiros passando ao mesmo tempo e tem profundidade suficiente para suportar o calado de um grande navio tanque.

A Odebrecht seria a principal empreiteira da ferrovia Binacional que ligaria o Brasil ao Pacífico passando pelo Peru. Os EUA são contra.

Depois da Lava Jato, a Odebrecht teve que vender a Macron, empresa do grupo Odebrecht, que fabrica mísseis terra-ar, mar-ar, mar-terra, terra-terra. Os EUA sempre foram contra a construção de mísseis no Brasil.

Entendeu porque a Odebrecht é pedra no sapato dos EUA? Que tal destruí-la, Moro?

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Nº 20.615 - "DESEMPREGO RECORDE TEM RESPONSÁVEIS: AÉCIO, CUNHA, TEMER E MEIRELLES"

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29/12/2016


DESEMPREGO RECORDE TEM RESPONSÁVEIS: AÉCIO, CUNHA, TEMER E MEIRELLES

Brasil 247 - 29 DE DEZEMBRO DE 2016 ÀS 10:03





Deposta pelo golpe de 2016, a presidente Dilma Rousseff entregou uma taxa de desemprego de 4,8% em dezembro de 2014, quando seu governo efetivamente terminou; em 2015, quando Aécio Neves e Eduardo Cunha começaram a governar o Brasil com a política do "quanto pior, melhor", colocada em prática para viabilizar o impeachment, a taxa começou a disparar; em 2016, os responsáveis pela tragédia são Michel Temer e Henrique Meirelles, que estão no poder há 230 dias, mas dizem, em anúncios publicitários, que governam há apenas 120 dias; reveja reportagem da Globo sobre o pleno emprego que havia com Dilma ao fim de 2014


247 – Em dezembro de 2014, quando a presidente Dilma Rousseff efetivamente concluiu seu mandato, a taxa de desemprego fechou em 4,8%.

O Brasil vivia uma época de pleno emprego, como foi noticiado pela própria Globo (relembre aqui).

No entanto, alvo de um bullying midiático no primeiro mandato, Dilma não recebeu crédito pela menor taxa de desemprego da história.

Em 2015, o Brasil passou a ser governado, na prática, pela aliança entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado na disputa presidencial de 2014, e pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que viabilizou o impeachment para tentar – em vão – se salvar da Lava Jato.

Os dois, com suas pautas-bomba, colocaram em marcha a política do "quanto pior, melhor", que começou a arruinar a economia brasileira – afinal, só assim seria possível consumar o golpe.

Em 2016, o Brasil passou das mãos de Cunha e Aécio para as de Michel Temer e Henrique Meirelles. Os dois, que assumiram há 230 dias mas em anúncios publicitários dizem governar há apenas 120 dias (leia aqui), prometiam trazer de volta a confiança, mas fracassaram.

O resultado é a taxa de desemprego de 11,9%. Ou seja: Dilma entregou uma taxa de 4,8%, mas o golpe mais do que dobrou o desemprego.

A conta é de Aécio, Cunha, Temer e Meirelles.
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Nº 20.614 - "O golpe é... desemprego"


29/12/2016

O golpe é... desemprego


Brasil 247 - 29 de Dezembro de 2016


Marcelo Camargo/Agência Brasil

ESMAEL MORAIS


Esmael MoraisNão foi por falta de aviso. O golpe encerrou o trimestre de novembro de 2016 elevando para 11,9% a taxa de desempregados no país.

Até pouco tempo, nas eras Lula e Dilma, o Brasil tinha fama de o país do pleno emprego.

A juventude desconhecia até o golpe de 31 de agosto deste ano as palavras “recessão” e “desemprego”.

Michel Temer (PMDB) — com suas políticas neoliberais — está empurrando os brasileiros para a pauperização absoluta.

Não se trata de “achismo”, “chutômetro” ou ainda “torcida” contra o golpe. Pelo contrário. São dados oficiais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNDA), divulgada nesta quinta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Também não acredite, caro leitor, que a explosão de desempregados seja fruto apenas de “incompetência”. Foi tudo friamente planejado, pois os rentistas já previam o aumento exponencial do “estoque de mão de obra” visando regular — para baixo — o preço dos salários e a inflação com a redução de consumo.

Portanto, o aumento do desemprego tende a acelerar a queda do Tinhoso. A projeção dos próprios golpistas é que ele dure até, no máximo, 31 de março de 2017.


ESMAEL MORAIS. Jornalista e blogueiro paranaense, Esmael Morais é responsável pelo Blog do Esmael, um dos sites políticos mais acessados do seu Estado.
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Nº 20.613 - "O desemprego recorde não é um acidente, é um projeto perverso"

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 29/12/2016


O desemprego recorde não é um acidente, é um projeto perverso

desempdez

Como fiquei impedido de postar por algumas horas, por ter pego  estrada para passar o fim de ano com meu irmão, não publiquei mais cedo e você já sabe que os números do IBGE indicaram que o desemprego no Brasil atingiu um número recorde de pessoas: 12 milhões e  cem mil brasileiros, sem contar aqueles que desistiram de procurar e não encontrar.
Isso torna o desemprego presente em praticamente um a cada quatro lares de nosso país.
Não pense, porém, que isso é um acidente de percurso, que apenas é consequência da crise, infeliz consequência.
Por cruel que possa parecer, é deliberado, um sacrifício humano que os sacerdotes econômicos prestam ao Deus Mercado, que não quer o sangue ralo de uma economia inflacionada.
O desemprego e a estagnação e queda da renda são partes essenciais de sua antibíblia, porque, nos seus cânones perversos é preciso deprimir a demanda para que, sem procura, os preços não subam. O membro mais frágil do corpo social é garroteado, e pouco importa que gangrene ou necrose, se o sangue que lhe falta  produz uma sensação de viço no restante.
Não estarei sendo radical, odioso?
Não, e para isso basta que eu recorde a você daquele professor aecista  Samuel Pessoa-  da trupe do tal Instituto Milênio – dizendo que ficaria feliz com um aumento  no desemprego e uma queda na renda, pois assim “o ajuste se faria de forma mais rápida e indolor”.
Postei isso aqui em outubro de 2015. E repito o vídeo ao final do post, para quem não viu.
Eram ideias, agora são uma prática.
Mas não se deprima demais, ainda, este número subirá para mais de 13, talvez 14 milhões de pessoas sem emprego, sem renda, sem meios de sobreviver e sem esperança.
Uma gente má, embora muito bem arrumadinha e cheia de títulos acadêmicos domina política econômica brasileira.
São bons, muito bons, no que fazem: o mal.

Nº 20.612 - "CAGED: RECESSÃO DE TEMER DEMITIU 117 MIL EM NOVEMBRO"


29/12/2016


CAGED: RECESSÃO DE TEMER DEMITIU 117 MIL EM NOVEMBRO


Brasil 247 - 29 DE DEZEMBRO DE 2016 ÀS 17:11


Beto Barata/PR

Tradicionalmente marcado por contratações para as vendas de fim de ano, o mês de novembro de 2016, com Michel Temer e Henrique Meirelles no comando da economia, conseguiu ser o pior de todos os tempos, segundo dados divulgados na tarde desta quinta (29) pelo Ministério do Trabalho; o Brasil registrou perda líquida de 116.747 vagas formais de emprego no mês passado; no acumulado de janeiro a novembro, o mercado de trabalho brasileiro já fechou 858.333 postos formais; trata-se do 20º mês seguido em que o número de vagas formais diminuiu no mercado de trabalho do país; as demissões foram o dobro das Expectativas de Mercado, o que sinaliza que a economia brasileira entrou em depressão depois do golpe


247 - O Brasil registrou perda líquida de 116.747 vagas formais de emprego em novembro, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho nesta quinta-feira. Em pesquisa Reuters, a expectativa era de que 62 mil empregos seriam fechados no último mês, conforme mediana das expectativas.

No acumulado de janeiro a novembro, o mercado de trabalho brasileiro já fechou 858.333 postos formais, de acordo com dados do Ministério do Trabalho.

Trata-se do 20º mês seguido em que o número de vagas formais diminuiu no mercado de trabalho brasileiro. O último mês em que houve mais contratações foi em março do ano passado, quando foram criados 19,2 mil postos de trabalho.

Esse número contribuiu para o aumento do desemprego no País, que atingiu uma taxa de 11,9% da população economicamente ativa em novembro. Com isso, o número de desempregados no Brasil supera 12 milhões de pessoas, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Nº 20.611 - "O “almirante” Temer pede “pensamento positivo” contra o naufrágio do Brasil"

O "almirante" Temer pede 'pensamento "positivo" contra o naufrágio do Brasil

temerbal

O programa de recuperação econômica do Governo Temer foi condensado por ele mesmo hoje, ao fazer um balanço dos quase sete meses que está no poder – embora nos imensos anúncios que mandou publicar nos jornalões se diga que”120 dias”-  quando o ocupante do Planalto pediu “pensamento positivo” aos brasileiros para que 2017 seja o ano, como disse em sua mensagem de Natal, “em que sairemos da crise”.
No fundo é isso mesmo em que aposta brilhante teoria econômica que sustenta a ideia de que, decepada até o talo, a economia brasileira, como que  por encanto, rebrotará, verde e viçosa, para torná-lo um improvável herói nacional.
Só que não.
Parece mesmo incrível que não se veja que o Brasil é como um barco que se aproxima, completamente avariado, de uma cortina de nuvens que é o mundo com Donald Trump no comando dos EUA .
O tanque  de lastro das contas públicas está inundado até os joelhos,  com alguns compartimentos estaduais já com água além do pescoço, a produção em queda, os investimentos – as velas da economia baixados até o convés, uma tripulação que desacredita – quando não simplesmente repele – o comandante , que manobra o timão à base do “dá ordem e recua”, num rumo que ele não sabe qual é, mas imagina em seu “pensamento positivo”.
Este é o estado de navegação do transatlântico Brasil que, pior ainda, tem um oficialato que o comanda como se fosse um misto de uma reles barqueta e um navio negreiro, onde s ralé possa ser condenada eternamente a escuros porões.
Na sua fala aos jornalista, anunciou-se o “grande reformador”, pelo fato de acreditar que os feitores parlamentares serão sempre obedientes, estalando seus chicotes sobre o povo, tirando-lhe o pouco que tem, mantendo a calma nas galés.
Enquanto ele, imponente, com os galões e as medalhas da infâmia e da traição posará de Lord Nélson no tombadilho, numa apoteose da vaidade tola que o domina.
Michel Temer, em cada cena que protagoniza, revela-se um canastrão de quinta categoria e não é diferente esta pose que faz de almirante.
A não ser que seja o do Titanic.
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Nº 20.610 - " Economia desaba e mídia confessa: 'Erramos' "



29/12/2016

Economia desaba e mídia confessa: “Erramos”



Do Blog do Miro - quinta-feira, 29 de dezembro de 2016


Por Altamiro Borges



Não dava mais para esconder. Nem os “midiotas” iriam acreditar. Nos últimos dias do trágico 2016, o ano do “golpe dos corruptos”, a mídia chapa-branca finalmente confessou que a economia está desabando. Em manchetes nos jornais e comentários na tevê, inclusive na Globo, ela agora admite: “Com Natal fraco, vendas em shoppings caem 9% no ano”; “Contas do governo têm pior resultado para novembro desde 1997”; “Índice de Confiança da indústria registra menor patamar desde junho”. Os barões da mídia até poderiam publicar em conjunto – já que difundem o mesmo pensamento único emburrecedor – um enorme “Erramos”. O mais correto seria “Mentimos”, com o seguinte texto:

“Em editoriais, colunas e reportagens afirmamos aos nossos ingênuos leitores e telespectadores que a economia estava em frangalhos por culpa exclusiva de Dilma Rousseff. Até omitimos a gravidade da crise capitalista internacional. Garantimos que bastaria depor a presidenta, eleita democraticamente pela maioria dos brasileiros, para a economia voltar a crescer. Muitos acreditaram nestas informações e foram as ruas gritar ‘Fora Dilma’. Com sua queda – e após novas rodadas de negociação das verbas publicitárias –, espalhamos que Michel Temer retomava a “confiança do mercado”, com a volta dos investimentos, dos empregos e da renda. Erramos! Ou – para ser mais honesto – Mentimos”!

Nem o Natal salva o comércio

Os dados que confirmam esta baita mentira são inquestionáveis. Nem o Natal conseguiu reanimar o setor do comércio. O total de vendas em shoppings neste ano recuou 9,1%, segundo a associação de lojistas do ramo (Alshop). O período das festas de fim de ano, que costuma alavancar o movimento, não conseguiu compensar o mau desempenho. As vendas de Natal caíram 8,9% em relação à alta temporada de 2015. "Esse foi o pior Natal que já vimos. Antes crescíamos 3% a 4% acima do PIB", afirma Luís Augusto Ildefonso, diretor de relações institucionais da Alshop.

Como resultado desta desgraceira, o setor de shopping centers fechou o ano com saldo negativo de 18.100 lojas, queda de 12,9% em relação a 2015. É a primeira vez desde 2004 que a Alshop registra um saldo negativo na abertura de lojas. Parte delas encerrou as atividades e outra parte migrou para o comércio de rua. O efeito mais perverso foi o aumento do desemprego no setor. Os logistas cortaram 36.659 vagas de trabalho neste ano. A tendência para 2017 é ainda pior. Os shoppings estão operando em média com 50% da capacidade de ocupação.

A queda de confiança na indústria

A queda nas vendas tem impacto direto na indústria. Menos gente consumindo significa menos gente produzindo. Tanto que o setor industrial já reduziu suas expectativas de crescimento para o próximo ano. Segundo matéria publicada no Jornal do Brasil nesta segunda-feira (26), "o Índice de Confiança da Indústria recuou 2,2 pontos em dezembro, atingindo 84,8 pontos, o menor patamar desde junho deste ano, quando foi registrado 83,4 pontos. O resultado foi divulgado pela Fundação Getúlio Vargas. A queda da confiança ocorreu em 12 de 19 segmentos industriais pesquisados".

"A piora na percepção sobre o nível de demanda foi o que mais influenciou o mau resultado este mês. Com piores avaliações sobre a demanda interna, esse indicador caiu 3,5 pontos, marcando 81,8 pontos. O percentual de empresas que consideram o nível atual de demanda forte diminuiu de 9% para 6% entre novembro e dezembro. E as que consideram o nível fraco aumentou de 35,5% para 36,1%". Ainda de acordo com a matéria, o índice de ociosidade nas indústrias bateu novo record. "O Nível de Utilização da Capacidade Instalada atingiu 72,5% em dezembro, novo patamar mínimo histórico para a série iniciada em 2001".

Menos venda, menos produção, menos empregos

A consequência inevitável da desintegração da economia é o aumento vertiginoso do desemprego. Até os banqueiros, que apoiaram o "golpe dos corruptos", já admitem que o cenário será ainda mais sombrio no próximo ano. Segundo projeção do Santander, a taxa de desemprego atual, de 11,8%, deve superar 13% em 2017. "Economistas do banco previam uma taxa média de 11,6% para o ano que vem, mas revisaram o número para 12,7% depois da divulgação dos resultados fracos do PIB no terceiro trimestre", informa a Folha. O Bradesco também elevou sua expectativa de desemprego de 12,5% para 12,9%. Ou seja: o Judas Michel Temer decepcionou até seus apoiadores.

"Os dados mostram que o otimismo acerca da atividade econômica no país e, por conseguinte, com as contratações ao longo dos próximos meses parou de aumentar", diz o economista da FGV Fernando de Holanda Barbosa Filho. Com o aumento do desemprego, a massa salarial também diminui - o que resulta, num círculo vicioso, na diminuição do consumo e em novas demissões. "A retomada deve ser bastante lenta. Não vemos uma melhora da massa salarial antes do segundo semestre", diz Rodolfo Margato, economista do Santander.

Crise detona as contas do governo

Outro efeito da crise é a queda de arrecadação do Estado. Menos vendas, menos produção, menos empregos e menos impostos. A consequência é que as contas do governo tiveram o pior resultado para novembro desde 1997. Não há austeridade fiscal que resolva este impasse. Segundo informações do Tesouro Nacional, divulgadas nesta terça-feira (27), as contas do governo federal tiveram um deficit de R$ 38,4 bilhões em novembro, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1997. No mesmo mês do ano passado, o saldo negativo foi de R$ 21,2 bilhões.

O deficit no acumulado do ano é de R$ 94,2 bilhões, também o pior resultado para o período desde 1997. No mesmo período do ano passado, o deficit acumulado foi de R$ 54,1 bilhões. Apesar do desastre, o covil golpista ainda tenta ludibriar a sociedade. Segundo Ana Paula Vescovi, secretária do Tesouro Nacional, o usurpador Michel Temer "vai cumprir a meta fiscal" e administra as contas de forma "responsável". A PEC-55, que congela por 20 anos os gastos públicos em saúde e educação, é a forma "responsável" de governar dos golpistas. Tanto que foi batizada de "PEC da Morte".

Estes e outros dados confirmam o desastre do Judas Michel Temer e do czar da economia, Henrique Meirelles. Eles também atestam a vergonhosa manipulação da mídia, que prometeu o paraíso com o impeachment de Dilma e agora confessa que o Brasil ruma celeremente para o inferno. Poucas foram as posições dissonantes na chamada grande imprensa. Neste sentido, vale destacar a opinião de Bernardo Mello Franco, uma das raras vozes críticas da Folha golpista. Confira abaixo seu artigo:


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As previsões e os fatos

Bernardo Mello Franco - 27/12/2016

"Rombo nas contas do governo é o maior em 20 anos". "Utilização de capacidade da indústria cai à mínima histórica". "Pela primeira vez em 12 anos, shoppings fecham mais lojas do que abrem. "Varejo tem queda no Natal". "Mercado reduz projeção do PIB". "Desemprego deve subir ainda mais em 2017".

Todas as manchetes acima foram recolhidas no noticiário on-line desta segunda (26). Elas ilustram o desânimo da economia brasileira na reta final do ano, em que os fatos insistem em contrariar as previsões oficiais.

No início de 2016, era comum ouvir que o impeachment resultaria na retomada imediata do crescimento. Em março, o empresário Flávio Rocha, da Riachuelo, dizia que a volta dos investimentos seria "instantânea". Em setembro, o ministro Eliseu Padilha se gabava: "A esperança está se convertendo em confiança".

Os dois parecem ter confundido desejo com realidade. Os investimentos sofreram um tombo de 3,1% no terceiro trimestre, segundo o IBGE, e a confiança da indústria acaba de registrar o menor índice em seis meses, de acordo com a FGV.

As previsões róseas se baseavam na crença de que bastava trocar de presidente para tirar a economia do atoleiro. Com lama pelas canelas, os mais otimistas deveriam dar uma olhada no exemplo da Argentina.

Quando Michel Temer nomeou sua equipe econômica, os entusiastas da "fada da confiança" festejaram semelhanças com o time ultraliberal de Mauricio Macri. Nesta segunda, o presidente argentino demitiu o ministro da Fazenda. Se é possível fazer alguma previsão para o início de 2017, é de que a pressão sobre Henrique Meirelles vai aumentar.

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Nº 20.609 - "Xadrez do Hommer Simpson e do desmonte nacional"

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29/12/2016


Xadrez do Hommer Simpson e do desmonte nacional


O XADREZ DO GOLPE



Jornal GGN - QUI, 29/12/2016 - 06:57ATUALIZADO EM 29/12/2016 - 10:13





Luis Nassif


Nos últimos dias tive dois contatos marcantes. Um deles, com um autêntico representante da ultradireita delirante. Outro, com um representante típico do Homer Simpson.

Vamos por parte.

Fomos apresentados à direita delirante por um amigo gozador, que juntou os três casais em uma feijoada. O sujeito era oftalmologista, estudara nos Estados Unidos, em uma universidade da qual não me recordo o nome, mas, segundo ele,  muito mais afamada que Harvard, tinha sido convidado a trabalhar em um órgão do governo norte-americano, muito importante, e do qual não me recordo o nome, e cometeu outros feitos expressivos, dos quais não me recordo a relevância.

Ele se informa em sites de ultra-direita, não confia em nada do que sai na imprensa e acredita em tudo o que lhe dizem seus pares.

Quando elogiou minha origem libanesa, por ser uma raça pura, percebi que a conversa ia ser marcante. 

Ele é contra todas as raças impuras, diz que Donald Trump vai colocar as coisas nos eixos (sem jogo de palavras). Garantiu, sem pestanejar, que Michele Obama é transexual; que Barack Obama não é Barack Obama, mas um sujeito que se faz passar por Barack Obama. Trata os negros como macacos. E me passou a mais retumbante das revelações que, segundo ele, tem sido sonegada por toda a imprensa ocidental. Aliás, apostou comigo como não conseguiria publicar nem no meu blog a relevante informação de que não há mais peixes no Oceano Pacífico.E não adiantou argumentar que desastre desse tamanho não seria sonegado nem pelo Estadão, mesmo se fosse de responsabilidade do PSDB.

Pulemos para o simpático Homer Simpson, que me aborda no boteco de Poços.

Diz que os problemas no Brasil surgiram com o porto de Mariel, em Cuba. Levaram para lá todos nossos empregos e nossas divisas.

Tento explicar que a construção do porto envolve inúmeros materiais e equipamentos fabricados no Brasil, contratos com indústria mecânica, siderúrgica e muitas outras. Portanto, gerou muitos empregos no Brasil.

E ele: mas o dinheiro foi para fora.

Explico que não, que a obra será paga e os lucros reverterão para o Brasil, através da empresa construtora. 

E ele: não sei não. 

Pacientemente explico que se trata de exportação de serviço praticada por todas as nações, pela China, pelos Estados Unidos. Se não fosse bom, porque os grandes países disputariam mercado?

E ele, com a segurança de um procurador da Lava Jato: “Pode ser bom para a China e Estados Unidos, mas não para o Brasil”.

Aí desisto e, como no começo da conversa ele se apresentou como astrólogo amador, interrompo a conversa com minha saída favorita:

-- Eu não ouso discutir astrologia com você.

Ele entendeu, se despediu e foi embora. Educadamente, saliento.


O fenômeno da desinformação


Nos dois casos, a conversa – embora surreal – foi em bases relativamente educadas. No caso do direitoso, um conteúdo de uma violência extrema, mas dito socialmente em uma “conversa de brancos”. No Hommer Simpson, um senhor simpático, boa gente mesmo.

Mas o novo normal é a grosseria, o sujeito tratar sua opinião como um bem de raiz, dedicando a ela o mesmo cuidado obsessivo com que cuida das suas posses, seja o carro velho ou a casa a beira-mar. E reagindo agressivamente contra qualquer tentativa de tirá-lo da comodidade das suas verdades estabelecidas.

Na convivência social, um dos primeiros fatores de contenção é o conjunto de regras sociais  consolidadas que impõe um padrão de sociabilidade do restaurante granfino, ao boteco de família, da missa ao estatuto da gafieira.

Cada ambiente tem seu conjunto de regras e seus limites. O machismo e a homofobia estão restritos a ambientes machistas, onde é de mau tom defender transexuais. Mas, se saíssem fora da jaula, seriam coibidos por olhares de reprovação. Nos botecos, as mesas separavam os grupos por afinidade de opinião. Mas não havia interferência nas conversas, mesmo por parte de quem ouvisse e reprovasse.

Nos ambientes públicos, não era de bom tom o preconceito, a intolerância. Uma pitada de esquerda social dava até status intelectual. E havia um respeito (muitas vezes excessivo) pelo conhecimento técnico.

Todas essas barreiras caíram. Hoje em dia, a norma é a grosseria, a opinião fechada, intransponível como a muralha chinesa, em torno do senso comum mais primário ou da piração mais louca, como comprovaram meus dois interlocutores.

Quais os fatores que levaram o mundo a essa balbúrdia?


Os fatores de confusão


Há um conjunto de fatores muito similar ao que conduziu o Ocidente de fins do século 19 até a 2a Guerra:

• Uma fase de grandes avanços científicos e tecnológicos que não resultaram em melhoria da condição de vida das populações, levando à descrença em relação ao pensamento científico, especialmente dos economistas.

• Um financismo desvairado impedindo a consolidação das economias periféricas.

• Dissolução de estados nacionais, guerras internas, promovendo gigantescos movimentos migratórios.

• Os imigrantes promovendo terremotos nas estruturas sociais estratificadas das nações hospedeiras, com novos valores, novas informações, novas maneiras de encarar a vida.

• O aparecimento de novos meios de comunicação, implodindo a ordem que repousava nos sistemas tradicionais de mídia.

• A falência dos sistemas tradicionais arcaicos de política.

A crise atual decorre de uma soma similar de fatores:

Fator 1 – a falência do conhecimento científico

A crise de 2008 não apenas matou a ilusão do neoliberalismo como fator de promoção de desenvolvimento e bem estar. Levou junto a respeitabilidade do conhecimento científico junto ao público leigo, da mesma maneira que o atual estado de exceção está desmoralizando o conhecimento jurídico.

A expansão do neoliberalismo, da ampla desregulação financeira, foi fundada na adesão acrítica e interessada de vastos setores da academia, especialmente dos economistas – conforme atestam documentários produzidos depois da crise nos Estados Unidos. Literalmente, o mercado comprou a opinião da Academia.

O padrão de atuação do mercado, de braços dados com a mídia, sempre foi a de construir reputações de seus vendedores. Alçados à condição de celebridades, ajudavam na venda de produtos ou de ideias de seus empregadores.

Nas discussões sobre a desregulação da economia, por exemplo, economistas medíocres, repetidores de slogans, eram alçados pela mídia à condição de grandes gurus da economia. Para o universo dos Hommers Simpsons, um Mailson valia mais que um Paul Krugman.

Do mesmo modo, no apogeu da Nasdaq (a bolsa das empresas de tecnologia) os bancos de investimento fabricavam gurus a torto e a direito, fornecendo palpites para a manada.

O auge foi quando a Goldman Sachs recomendou a compra de ações da Microsoft logo após a União Europeia tê-la condenado por práticas monopolistas. O ganho do investidor não está em investir no tamanho da empresa, mas em sua expectativa de crescimento. Aquele episódio, mais a estabilização do mercado de desktops, decretava o fim do crescimento exponencial histórico da empresa, registrado em um período de amplo domínio do Windows. 
Para manter o mesmo ritmo de crescimento, teria que competir com os japoneses em games, com a Oracle em bancos de dados, com as novíssimas redes sociais que surgiam.

Era apenas uma jogada do banco. Ao perceber que as ações da empresa não tinham mais atração, preparou o mercado para poder desovar seus estoques de ações a um bom preço. E os gurus fabricados pela mídia norte-americana ajudaram no jogo.

Para tudo isso serviam os gurus. E toda  essa catedral de papelão veio abaixo com a crise de 2008. Menos em países intelectualmente subdesenvolvidos, onde um economista pode virar gênio sem publicar um trabalho acadêmico que preste..

Fator 2 – a implosão das regras sociais

No início das redes sociais, perdi uma aposta para o neurologista Danielle de Riva. Eu acreditava que a Internet e as redes sociais permitiriam a construção coletiva do conhecimento, com a informação libertando. Cético, De Riva apostava que liberaria todas as taras, com a formação de grupos de doenças sociais variadas, de pedófilos a terroristas.

Ganhou.

As redes sociais aboliram as barreiras naturais dos ambientes sociais presenciais. Agora, o sujeito pode entrar em qualquer ambiente virtual sem ser apresentado, sem os constrangimentos naturais, as regras sociais consolidadas  nos contatos presenciais, dando vazão aos seus instintos mais primários. Liberou geral.

Mais que isso, o espírito animalesco passou a encontrar assemelhados e a se organizar em alcateias, compartilhando as piores intenções e os piores sentimentos. Saíram do armário, nus e peludos como os homens da caverna, despidos de todo o verniz social e todos os princípios civilizatórios acumulados em séculos de civilização.
Do virtual para a contaminação do presencial foi um pulo.

Fator 3 – a opinião leiga

Essas hordas partiram para a guerra armados de slogans primários, mas de alta eficiência.

No trabalho seminal de 1962, em que previu todos os passos do golpe, Wanderley Guilherme dos Santos analisou o discurso da direita, na época praticado por Carlos Lacerda. Apesar do primarismo da análise, ironizada pelos acadêmicos, Wanderley anotava sua enorme eficácia junto às massas leigas. As massas – à esquerda ou à direita – são sensibilizadas por frases simples, slogans falsos como são as verdades definitivas que cabem em uma frase.

Lembro, com 13 anos de idade, influenciado pelo meu avô udenista, enfrentando frei Josaphat, do jornal Brasil Urgente, em um debate em Poços de Caldas:

-- Que governo é esse que impede a greve dos bagrinhos em Santos, em defesa da sua sindicalização?, bradei, com uma frase retirada diretamente da revista Ação Democrática.

E o frei, com a mesma impaciência que eu tive com o Hommer Simpsons:

-- Meu anjinho, você é muito novo para entender dessas questões.

O slogan disseminado pela revista armava de um menino de 13 anos a um adulto para participar de um debate ideológico – mesmo não tendo o menor conhecimento sobre o contexto discutido.

Dia desses, um conhecido, cientista social, contava o que se passou nos seus encontros familiares. De repente parentes que nunca se pronunciavam, por seu escasso conhecimento de temas políticos, passaram a entrar vigorosamente na discussão com argumentos similares ao do meu amigo Hommer Simpson. Construiu-se um verdadeiro manual da idiotia, conferindo a cada Hommer um tacape para utilizar em qualquer discussão.

A utilização da pós-verdade

Nesse ambiente intelectualmente rarefeito, o discurso político da direita passou a visar o órgão mais sensível do Hommer Simpson: o fígado.
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É o ambiente ideal para o uso do preconceito, a disseminação da vingança, as bandeiras moralistas, o atropelo de todo o avanço jurídico, retomando os princípios da Lei de Talião e do estado de exceção – sob a aprovação dos humanistas de butique, como o Ministro Luís Roberto Barroso e o jurista Oscar Vilhena, agora convertidos em arautos do direito penal do inimigo.

Quando esse desastre recai sobre nações institucionalmente pobres, em que os valores civilizatórios dependem de uma mídia venal, da erudição vazia e descompromissada de juristas, de um parlamento vergonhoso, de partidos políticos não-programáticos, dá no que deu.

Não se imagine que o fundo do poço está à vista. A fragilidade institucional brasileira, a mediocridade de suas elites pensantes – à direita e à esquerda -, a ausência mínima de noção de soberania, de interesse nacional, de solidariedade nacional, sugerem que o desmonte nacional pode não ter fundo.
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