sábado, 30 de dezembro de 2017

Nº 23.116 - "O fim do Consenso de Washington?"

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30/12/2017


Globalização

O fim do Consenso de Washington?


Da Carta Capital  — publicado 29/12/2017 00h11, última modificação 20/12/2017 12h52


O movimento para retomar o crescimento minado pelo neoliberalismo

Issei Kato/Reuters
Humanoide
Issei Kato/Reuters

Movimento reverso. A China ignorou o Consenso de Washington e tornou-se uma das economias mais avançadas do mundo, onde humanoides dividem espaço com operários nas fábricas

por Carlos Drummond

Três décadas após o FMI, o Banco Mundial e o Departamento do Tesouro dos EUA elaborarem o Consenso de Washington, assim denominado em 1989 pelo economista inglês John Williamson, ganha corpo principalmente na Europa e nos Estados Unidos o movimento rumo a um ideário oposto denominado Pós-Consenso de Washington.
O conjunto de prescrições para reformar as economias naquela época em crise, principalmente na América Latina, inclui a estabilização macroeconômica, a abertura comercial e financeira, a expansão das forças do mercado e a privatização, entre outros pontos, e é considerado por muitos uma síntese do neoliberalismo e do chamado fundamentalismo de mercado.

Iniciativas recentes cobrindo desde a promoção do pluralismo na apreciação de currículos nos cursos universitários de economia – o que permitirá renovar o ensino, ponto crucial da mudança em andamento – à aplicação de novos princípios econômicos em comunidades locais são alguns indícios do avanço do Pós-Consenso de Washington, assegura Laurie Laybourn-Langton, pesquisador de um dos principais think tanks progressistas do Reino Unido, o Instituto para Pesquisa em Políticas Públicas (IPPR, em inglês).

“Acadêmicos e outros proponentes de um novo consenso e que até alguns anos atrás eram vozes isoladas hoje encorpam o contingente cada vez maior de economistas e analistas reconhecedores de que o neoliberalismo não está funcionando. Mesmo o Fundo Monetário e a OCDE não são mais monólitos ideológicos neoliberais e mostram claros sinais de fratura interna”, chama atenção Laybourn-Langton.
Com Michael Jacobs, diretor do IPPR e professor da Escola de Políticas Públicas da Universidade de Londres, apresentou uma proposta para criação de uma coordenação estratégica destinada a promover o debate sobre sistemas econômicos Pós-Consenso de Washington entre organizações e indivíduos identificados com a ideia.
Inúmeros grupos, a exemplo do Economistas pelas Políticas Econômicas Racionais e da Iniciativa dos Jovens Acadêmicos, integram o movimento, mas ainda não estão articulados nem possuem um plano compartilhado.
A busca crescente de uma convergência pós-Consenso de Washington explica-se tanto pela crise do neoliberalismo quanto pelo sucesso das economias asiáticas que descartaram aquela doutrina, se deram muito bem e são a sua refutação na prática.
“O Japão e a Coreia do Sul, os primeiros países bem-sucedidos do Leste Asiático, ficaram ricos ignorando a maior parte das prescrições do Consenso de Washington.
Nos dois casos, o setor financeiro foi mantido com rédeas curtas, o crédito foi direcionado ou encaminhado para apoiar objetivos industriais específicos definidos pelo governo e a indústria doméstica foi alimentada por proteção tarifária enquanto era forçada a competir agressivamente por mercados externos”, chama atenção o economista Adair Turner, que presidiu a FSA, entidade reguladora do sistema financeiro britânico, integrou o Comitê de Política Financeira do Reino Unido e preside o Institute for New Economic Thinking, que se define como instituição dedicada a desenvolver “ideias econômicas sólidas para melhor servir à humanidade”.

A China, diz, tenta seguir a trilha de rápido crescimento econômico do Japão e da Coreia do Sul, e para enfrentar as dificuldades específicas decorrentes do seu tamanho usa “uma combinação pragmática de incentivos de mercado e direção estatal”.
O setor privado desempenha um papel vital na estratégia, mas não no sentido preconizado pelo Consenso de Washington. “As autoridades chinesas podem promover um arrefecimento deliberado da economia como parte da estratégia de limitar futuros descontroles do processo.
Essa desaceleração deve afetar significativamente a economia global, mas o ferramental disponível em Pequim para administrar tal redução de velocidade dentro de uma ‘economia socialista de mercado híbrida’ e desse modo manter um forte crescimento a médio prazo não deve ser subestimado”, adverte Turner.
Stiglitz é referência mundial nas elaborações do Pós-Consenso de Washington
Se a China tivesse absorvido de modo abrangente as prescrições políticas implícitas no Consenso de Washington nos últimos 10 ou 20 anos, prossegue o economista, o seu crescimento econômico teria sido consideravelmente mais lento. “As teorias econômicas que apoiaram tais prescrições precisam reconhecer esse fato assim como o continuado sucesso chinês”, dispara o analista.

Em 1998, o economista ganhador do Prêmio Nobel Joseph Stiglitz publicou o texto “Mais instrumentos e objetivos mais amplos: rumo ao Pós-Consenso de Washington”, até hoje uma das principais referências sobre o assunto.

“O Consenso de Washington advoga um conjunto de instrumentos, incluindo estabilidade macroeconômica, liberalização comercial e privatização, para atingir de modo relativamente restrito o objetivo do crescimento econômico. O Pós-Consenso de Washington começa pelo reconhecimento de que um conjunto mais amplo de instrumentos é necessário para atingir esse objetivo, inclusive a regulação financeira, políticas de concorrência, investimento em capital humano e políticas para facilitar a transferência de tecnologia”, destaca Stiglitz.

Além disso, prossegue, o Pós-Consenso de Washington visa também à elevação do padrão de vida, inclusive na educação e na saúde, não apenas aumentos do PIB. Busca o desenvolvimento sustentável, que inclui a preservação dos recursos naturais e a manutenção de um meio ambiente saudável.

Tem como meta um desenvolvimento equitativo, que assegure a todos os grupos da sociedade o desfrute dos benefícios do desenvolvimento, não apenas aos poucos que estão no topo. Almeja ainda o desenvolvimento democrático, no qual os cidadãos participam de variadas maneiras da tomada de decisões que afetem as suas vidas.  

O Pós-Consenso de Washington, chama a atenção Stiglitz, não pode ter como sede a capital dos Estados Unidos. Para as políticas serem sustentáveis, precisam ser apropriadas pelos países em desenvolvimento que irão implementá-las. O novo consenso emergente requer ainda “um maior grau de humildade, o franco reconhecimento de que nós não temos todas as respostas”.

Stiglitz critica de modo contundente e fundamentado cada prescrição do Consenso de Washington, a exemplo do controle da inflação, em sua opinião talvez o mais importante elemento dos pacotes de estabilização do FMI.

As evidências mostram apenas que a inflação alta é prejudicial à economia. Quando os países ultrapassam 40% de inflação anual, diz, caem na armadilha inflacionária do crescimento. Abaixo desse nível não há, entretanto, evidência de que a inflação seja danosa ao crescimento.
JohnWilliamson.jpg
Williamson deu o nome ao ideário que devastou a economia e a sociedade por três décadas
“Controlar taxas altas e médias de inflação deve ser uma prioridade fundamental, mas baixar uma inflação já baixa não parece melhorar significativamente o funcionamento dos mercados. (...) Fazer os mercados funcionarem requer mais do que apenas inflação baixa. Requer regulação financeira sólida, políticas de concorrência, e para facilitar a transferência de tecnologia e transparência”, ensina Stiglitz.
Em Brasília, em especial no Banco Central, não há, entretanto, quem se disponha a refletir sobre essas ponderações do Nobel de Economia. Em contrapartida, sobram burocratas empenhados em “baixar uma inflação já baixa”.

Um segundo componente da estabilidade macroeconômica, continua Stiglitz, tem sido a redução do tamanho dos déficits orçamentários do governo e em conta corrente. Do mesmo modo que, no caso da inflação, as evidências mostram que grandes déficits orçamentários são deletérios à performance econômica. Não existe, no entanto, um nível ótimo de déficit orçamentário.
O déficit ótimo – ou o espectro de déficits sustentáveis – depende das circunstâncias, incluindo o estado cíclico da economia, as perspectivas de crescimento futuro, os usos do gasto do governo, a solidez dos mercados financeiros e os níveis de investimento e da poupança nacionais.

No tempo do Consenso de Washington, prossegue o economista, privatizar rápida e amplamente e consertar os problemas mais tarde parecia um jogo razoável. Em retrospectiva, fica claro que os advogados da privatização superestimaram seus benefícios e subestimaram seus custos, em especial os custos políticos do próprio processo e os obstáculos criados para reformas futuras.
O economista e vários dos seus colegas, inclusive no Brasil, alertaram contra a privatização precipitada sem criação da infraestrutura institucional necessária, incluindo mercados competitivos e corpos regulatórios. As condições sob as quais a privatização pode alcançar os objetivos públicos de eficiência e equidade, advertiram, são muito limitadas.

“Se, por exemplo, falta concorrência, a criação de um monopólio privado e não regulado pode manifestar várias formas de ineficiência e não ser altamente inovador. A verdade é que empresas de grande porte públicas e privadas compartilham muitas similaridades e enfrentam muitos dos mesmos desafios organizacionais. (...) Não só as diferenças entre empresas públicas e privadas estão borradas como há também um processo contínuo de combinações na interface dos dois grupos”, analisa Stiglitz.

A importância da concorrência em vez da propriedade, compara, foi nitidamente demonstrada pelas experiências muito distintas da China e da Rússia.
“A China preparou-se para manter um crescimento de dois dígitos no PIB, ampliando o escopo da concorrência, mas sem privatizar as empresas de propriedade do Estado. A Rússia, em contraste, privatizou ampla parcela da sua economia sem fazer muito para promover a concorrência. A consequência disso e de outros fatores foi um enorme colapso econômico”, conclui o economista.

O avanço chinês quebra paradigmas neoliberais e os defensores desse ideário se recusam a discutir e a reconhecer o experimento bem-sucedido, pois isso implicaria reconhecer seus erros e abrir mão dos seus dogmas. Como diz Stiglitz, “a magnitude do sucesso da China nas últimas décadas representa um enigma para a teoria-padrão.
Usiminas. Primeira estatal privatizada em 1991, no início do período neoliberal brasileiro, foi o começo de uma série inspirada no Consenso de Washington (Foto: Guillem Lopez)
A economia não só se esquivou da estratégia de completa privatização como também deixou de incorporar numerosos outros elementos do Consenso de Washington. Isso não a impediu de constituir a maior história de sucesso dos últimos tempos”.

As políticas do Consenso de Washington, prossegue, foram baseadas na rejeição do papel ativista do Estado e na promoção do Estado minimalista, não intervencionista.

“A premissa não assumida é de que os governos são considerados piores do que os mercados. Assim, quanto menor o Estado, melhor – isto é, menos pior – é o Estado. Eu não acredito em formulações absolutas do tipo ‘governo é pior do que mercado’. O governo tem o importante papel de dar respostas às falhas de mercado... tornar o Estado mais eficiente é uma tarefa consideravelmente mais complexa do que apenas reduzir o seu tamanho.”

No momento em que herdeiros do Consenso de Washington no Brasil reapresentam, com vista a 2018, propostas emanadas do mesmo ideário colocadas em prática no País nos anos 1990 e a partir de 2015 com enorme retrocesso econômico e social, todo cuidado é pouco.

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Nº 23.115 - "2018 começa no dia 24 de janeiro. Por Fernando Brito"

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30/12/2017


2018 começa no dia 24 de janeiro. Por Fernando Brito

Do Diário do Centro do Mundo - Por Pedro Zambarda de Araujo -  30 de dezembro de 2017


 
Ex presidente Lula participa de ato na Quadra dos Bancários Foto: Filipe Araujo


Por Fernando Brito do blog Tijolaço.


O ano político, claro, começa com o julgamento, com sentença razoavelmente previsível, do ex-presidente Lula no dia 24 de janeiro.

O mais provável  – resta sempre a esperança em algum nível de lucidez dos seres humanos – é que comece ali a experiência, inédita no Brasil, de uma eleição onde o conservadorismo pretende contar a possibilidade de uma disputa interna da direita, apenas.

Geraldo Alckmin, Rodrigo Maia, Henrique Meirelles e Marina Silva, entre si, crêem que travariam um “jogo de compadres”,  deixando que a mídia e a falta de tempo de televisão mantenham Jair Bolsonaro no patamar entre 15 e 20% do qual não se vislumbra possa sair.

Ciro Gomes, com os arroubos do seu individualismo, tem um ponto de partida mas não tem mostrado capacidade de somar, para que seja um ponto de chegada, infelizmente.

Lula continuará em campanha, independentemente do resultado do julgamento, até que possa medir os efeitos do trauma de ter-se o candidato com imenso favoritismo extirpado do processo eleitoral.

É ele que dará ao ex-presidente a observação necessária entre insistir, como deve fazer,  ou de indicar um candidato. Alguém que pode, até, começar de baixo, mas que terá a unção do “ele disse”. Só muito desespero poderia levar a uma decisão de prisão imediata de Lula, com consequências imprevisíveis, exceto na radicalização política que irá causar.

Há, portanto, um divisor de águas no julgamento do TRF-4, em Porto Alegre: ali decidir-se-á se teremos uma eleição democrática e livre ou se optarão por um processo de traumas sucessivos.

Atalhos para alcançar o poder são, sempre, caminhos cheios de despenhadeiros. O PSDB jogou fora uma vitória praticamente assegurada em 2018 quando resolveu apelar para o golpismo e é agora o mulambo que todos vêem.  Marina Silva, duas vezes “azarão” expressivo, cometeu um erro fatal ao emprestar-se a Aécio Neves no segundo turno de 2014 e é hoje um macarrão sem sal e sem molho, incapaz de agradar ou empolgar.

As candidatura de Meirelles e/ou Rodrigo Maia precisarão ser “inventadas” e podem “morrer” precocemente com a derrota da emenda da Previdência.  E não está fácil ser diferente disso, ainda mais porque, apesar do discurso oficial da “retomada da economia”, o panorama continua desalentador  quando sai dos jornais e vai para a poeira das ruas.

O povão observa e espera e as pesquisas dão sinal de que cai, até entre a classe média, o altar da Lava Jato e, com ele, a perspectiva de que se possa legitimar a exclusão de Lula.

Infelizmente, parte de uma autointitulada esquerda “purista” caminhou para um udenismo “cult” e reproduz, com punhos de renda, o discurso moralista de que se vale a direita para encobrir a exploração cruel que tem como projeto – mal se pode chamar assim – para o país.

Serão tempos muito duros, os meses de 2018 e precisamos conservar a cabeça lúcida e fria e manter os corações quentes.

Os índices obtidos por Lula depois do massacre do qual foi vítima, mostram a força da memória da população.


Não somos nós, da classe média,  quem estamos mostrando a ela os caminhos que deve seguir. É ela, no seu instinto de sobrevivência, quem nos está ensinando.
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Nº 23.114 - "Um Uruguai inteiro perdeu a carteira assinada no Brasil"

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30/12/2017



Um Uruguai inteiro perdeu a carteira assinada no Brasil


Do Tijolaço  · 30/12/2017


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Por FERNANDO BRITO


Lucas Vetorazzo e Fernando Lima, hoje, na Folha, dão contexto ao que já se percebera, ontem, com menos evidência, nos dados do emprego divulgados pelo IBGE.


E com uma comparação que, por si, grita o absurdo que se vive no Brasil.

“3 milhões de postos [de trabalho, com carteira] deixaram de existir [em três anos]. É como se toda a população do Uruguai tivesse sido demitida”

É perto de 10% do número de trabalhadores que tinham direitos e garantias que a formalização lhes dava e que, agora, os perderam.

Só nos últimos 12 meses, 857 mil pessoas perderam empregos com carteira.

Outros 1,1 milhão foram “trabalhar por conta própria” e, nestes tempos bicudos, duvido que 10% possam ser enquadrados no tal “empreendedorismo”.

E 718 mil pessoas foram trabalhar “sem carteira”, ou seja, sem direito algum.

Era um exagero dizer que vivemos o “avanço do atraso“, com se fez ontem, neste blog?


A afirmação da matéria de que é “o pior patamar em 5 anos” do emprego formal pode ser, em termos proporcionais, expandida com tranquilidade para uma década, pois se refere apenas á medição pela PNAD contínua, que começou a ser feita em 2012. Como a situação da economia, por óbvio,  e a do emprego, por medições anteriores, era melhor, não há risco de errar.

A conversa fiada de que na “retomada” os empregos informais precedem os formais esbarra na constatação de que não há solidez em qualquer perspectiva de longo prazo de expansão da economia brasileira que vá além de alguma marolinha provocada pela economia mundial. Marolas, aliás, tanto fluem como refluem.

O que se cria, em matéria de emprego – formal e informal – é tudo o que eles próprios diziam: ocupações de baixa qualificação, aquela que é indispensável para dar dignidade á vida de todos mas que, se mantida a longo prazo, só nos traz atraso e perda de competitividade.


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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Nº 23.113 - "COM A ENTREGA DO PRÉ-SAL, DISPARA A IMPORTAÇÃO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO"

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29/12/2017


COM A ENTREGA DO PRÉ-SAL, DISPARA A IMPORTAÇÃO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO


Brasil 247 - 29 DE DEZEMBRO DE 2017 ÀS 14:17


O Brasil pós-golpe e pós-Lava Jato conseguiu uma proeza que ainda será estudada nos livros de história; depois de fazer a maior descoberta de reservas de petróleo do mundo, com o pré-sal, o Brasil aceitou derrubar uma presidente honesta e trocá-la por uma quadrilha, entregar suas reservas a multinacionais e paralisar todos os investimentos da Petrobras; com isso, as importações de derivados de petróleo no Brasil dispararam e já somam 200 milhões de barris; em entrevista à TV 247, Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia apontou o contrassenso


247 – O Brasil pós-golpe e pós-Lava Jato conseguiu uma proeza que ainda será estudada nos livros de história. Depois de fazer a maior descoberta de reservas de petróleo do mundo, com o pré-sal, o Brasil aceitou derrubar uma presidente honesta e trocá-la por uma quadrilha, assim como entregar suas reservas a multinacionais e paralisar todos os investimentos da Petrobras.

Com isso, as importações de derivados de petróleo no Brasil dispararam e já somam 200 milhões de barris. Em entrevista à TV 247, Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia apontou o contrassenso.

Inscreva-se na TV 247 e confira a entrevista de Celestino:



Leia ainda a reportagem da Reuters sobre a disparada na importação de derivados:

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As importações de derivados de petróleo saltaram em 2017, superando os 200 milhões de barris, em um ano marcado pela perda de participação de mercado pela Petrobras, segundo dados oficiais publicados nesta sexta-feira. 

O volume de compras externas de derivados de petróleo pelo Brasil somou aproximadamente 206,9 milhões de barris no acumulado do ano até novembro, alta de 25 por cento ante o mesmo período do ano passado, informou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). 

O montante já é o maior registrado em apenas um ano, segundo uma série histórica da ANP que remonta até o ano 2000. No recorde anterior, as importações de derivados somaram 196,7 milhões de barris em todo o ano de 2014, quando o país registrava uma forte demanda interna. 

O movimento ocorre após a Petrobras, que tem quase 100 por cento da capacidade de refino do Brasil, abrir espaço para a concorrência desde que adotou uma política de preços que segue a lógica do mercado internacional, em outubro de 2016, em busca de rentabilidade. 

O mercado ganhou a adesão de novos importadores, de todos os portes, reduzindo as vendas da Petrobras e o uso do produto refinado pela estatal. 

Como resultado, o crescimento expressivo das importações em 2017 acontece apesar das vendas totais de combustíveis no acumulado do ano até novembro no país terem aumentado apenas 0,6 por cento, segundo a ANP. 

O volume total de derivados importado em novembro somou aproximadamente 13,7 milhões de barris, alta de 28,7 por cento ante o mesmo mês do ano passado. Na comparação com outubro, entretanto, houve uma queda nas importações de 36 por cento. 

O setor se tornou fortemente importador em um mercado de distribuição dominado por empresas como Raízen, dos grupos Cosan e Shell; Ipiranga, da Ultrapar; e a própria BR distribuidora, controlada pela Petrobras, líder no segmento que tem liberdade para comprar de outras companhias, se for mais lucrativo. 

A perda de mercado da petroleira ao longo do ano levou a empresa a realizar ajustes em sua política de preços. 

Em entrevista à Reuters no início do mês, o gerente-executivo de Marketing e Comercialização da empresa, Guilherme França, afirmou que os concorrentes da petroleira ao longo do ano “foram ganhando musculatura, aprendendo, descobrindo fluxos logísticos que permitiram a redução de custos, então a importação começou a crescer” ainda mais. 

Segundo ele, revisões de parâmetros na política de preços da Petrobras poderão se tornar mais constantes com o tempo, assim como a variação das cotações nas refinarias, com o amadurecimento do mercado de combustíveis do Brasil. 

Com isso, ao mesmo tempo em que a Petrobras busca melhorar seu desempenho, ela se torna menos previsível para concorrentes. 

As importações de óleo diesel, combustível mais consumido do Brasil, subiram 62,8 por cento no acumulado do ano até novembro, para aproximadamente 73,58 milhões de barris, o maior volume já importado em um único ano, segundo o levantamento publicado pela ANP nesta sexta-feira. 

O recorde anterior de importações de diesel em um único ano foi de 70,918 milhões de barris em todo o ano de 2014. 

Em novembro, as importações do combustível fóssil cresceram 75 por cento ante o mesmo mês de 2016 e caíram 5 por cento em relação a outubro. 

Já as compras externas de gasolina no acumulado dos 11 meses cresceram 53,8 por cento ante o mesmo período do ano passado, para 25,93 milhões de barris, também o maior volume já importado em um único ano, segundo o levantamento da ANP. O recorde anterior era de 23,776 milhões de barris importados em todo o ano de 2012. 

Em novembro, as importações de gasolina cresceram 17,6 por cento ante o mesmo mês de 2016 e caíram de 41 por cento ante outubro, para 1,177 milhão de barris.

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Nº 23.112 - "LUIZ MOREIRA: 'QUAL É A PROVA CONTRA LULA? TEM ALGUMA MALA, UM RECIBO?' "

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29/12/2017


LUIZ MOREIRA: "QUAL É A PROVA CONTRA LULA? TEM ALGUMA MALA, UM RECIBO?"


Brasil 247 - 29 DE DEZEMBRO DE 2017 ÀS 12:48




Em entrevista exclusiva à TV 247, o jurista e professor Luiz Moreira, ex-membro do Conselho Nacional do Ministério Público, desafiou Sérgio Moro e outros magistrados a apresentarem alguma prova da culpa do ex-presidente Lula; "O Ministério Público, a Justiça Federal, a Polícia federal, que perdem e arrebentam, são incapazes de apresentar uma única prova", afirmou, categoricamente; "Tem alguma mala contra o Lula? tem algum recibo contra o Lula? O presidente Lula tem alguma conta secreta, sabida que recebeu dinheiro em Curitiba? Existe alguma gravação contra o Lula?", indaga


Por Paulo Moreira Leite e Leonardo Attuch



O jurista e professor Luiz Moreira, ex-membro do Conselho Nacional do Ministério Público, criticou a condução dos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e desafiou Sérgio Moro e outros magistrados a apresentarem alguma prova da culta do petista.

"Lula faz um desafio e esse desafio deveria calar fundo na sociedade brasileira: 'apresente um fiapo de prova'. Qual é a prova contra o Lula? Tem alguma mala contra o Lula? tem algum recibo contra o Lula? O presidente Lula tem alguma conta secreta, sabida que recebeu dinheiro em Curitiba? Existe alguma gravação contra o Lula? Todo mundo tem celular... (...) Não é possível que na sociedade em que todos são gravados, que o Ministério Público quebra sigilos, que há conduções coercitivas a torto e a direito... O presidente Lula pede que apresentem uma prova", disse, em entrevista exclusiva à TV 247. 

"O Ministério Público, a Justiça Federal, a Polícia federal, que perdem e arrebentam, são incapazes de apresentar uma única prova."

"Qual é a dimensão que nós temos em 24 de janeiro? Nós temos o maior líder popular deste país, o homem que hoje protagoniza as eleições de 2018, os homens que os institutos de pesquisa dizem que ganhará as eleições em primeiro turno. Qual era o projeto? O ministério Público, o juiz Sergio Moro e acharam que o Lula iria se acovardar, que ele recuaria colocaria o rabo entre as pernas e se renderia. Ocorre que, se eles politizaram o processo, o presidente Lula apresentou uma defesa extremamente técnica", completa.


Inscreva-se na TV 247 e assista ao trecho da entrevista:

Nº 23.111 - "Retrospectiva 2017, por Fabio de Oliveira Ribeiro"

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29/12/2017



Retrospectiva 2017, por Fabio de Oliveira Ribeiro


Jornal GGN - SEX, 29/12/2017 - 16:09





por FÁBIO DE OLIVEIRA RIBEIRO

O custo da energia (gasolina, gás, óleo diesel e energia elétrica) aumentou muito. A participação dos salários no PIB diminuiu. A taxa de desemprego segue elevada. A arrecadação tributária caiu de maneira consistente.

Lula foi previsivelmente condenado. Nenhum tucano graúdo foi preso. Os juízes continuaram ganhando acima do teto. A violência policial cresceu. A mortalidade infantil não declinou.

O petróleo se foi, mas nenhum surto de investimento estrangeiro ocorreu. Os juros bancários continuam estratosféricos. A credibilidade do usurpador desapareceu. O otimismo do povo declinou.

A rentabilidade das “pequenas igrejas & grandes negócios” desabou. O Corinthians foi campeão brasileiro. Quem podia foi embora do Brasil, quem ficou não tem para onde ir e corre o risco de ser despejado de onde mora porque não pagou o aluguel.

O Planeta Terra não ficou plano, a Lua não despencou do céu e nós, pobres mortais, continuamos ser o que sempre fomos: descendentes de primatas que inventam deuses porque não suportam a solidão. Infelizmente o mundo não acabou.

Em 2017, salvo raras exceções, os brasileiros ficaram mais pobres e menos confiantes. O sucesso político do golpe congelou as mentes dos direitistas, o fracasso econômico das medidas neoliberais não foi capaz de acelerar os corações dos esquerdistas. As reações mais enérgicas ao estado desesperador em que fomos colocados partiram do centro do espectro político (refiro-me aqui aos senadores Roberto Requião e à senadora Katia Abreu).

O Ministro do Trabalho perdeu o emprego. O Ministro da Justiça ainda não sofreu um pedido de prisão. O Ministro da Fazenda cuidou bem das economias pessoais dele. A Ministra da SEPPIR se igualou moralmente aos homens brancos que assaltaram o poder. A primeira dama saiu de cena porque o programa social que ela administra não merece qualquer visibilidade. Vivendo dentro da bolha discursiva que ele mesmo se encarrega de soprar, o usurpador fez de conta que está tudo bem no melhor dos mundos.

Gilmar Mendes soltou, soltou, soltou. Carmem Lúcia revogou o indulto para não soltar. Quando não perdiam tempo trocando ofensas no plenário do Tribunal, os outros Ministros do STF desperdiçaram nosso tempo falando bobagens na imprensa. Na extrema direita do Judiciário, Marcelo Bretas afirmou que aplica a Bíblia antes de aplicar a Lei e se equiparou aos pistoleiros ao posar para fotos com um fuzil. Na extrema esquerda daquele poder, o juiz Rubens Casara lançou um dos livros mais importantes publicados em toda a história do Brasil.


Quem morreu em 2017 foi um privilegiado. Quem sobreviveu ao ano que finda will be totally fucked, pois 2018 não será muito melhor.

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PITACO DO ContrapontoPIG 

E teremos que continuar convivendo com o mau cheiro dos noticiários cheios de Aécios, Temeres, Moreiras, Gilmares, Ministros, Malas,  Moros e Maruns...

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Nº 23.110 - "Carregador de mala de Geddel diz que trabalhou para campanha de Aécio"

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29/12/2017



Carregador de mala de Geddel diz que trabalhou para campanha de Aécio


Jornal GGN - SEX, 29/12/2017 - 16:50


Foto: Agência Brasil


Jornal GGN - Gustavo Pedreira Ferraz admitiu à Polícia Federal que trabalhou na campanha de Aécio Neves (PSDB) à presidência da República em 2014. Ferraz contou no mesmo depoimento que carregou malas de dinheiro para Geddel Vieira Lima. As declarações foram feitas no âmbito da investigação sobre o bunker de R$ 51 milhões.

Segundo a revista Exame, Ferraz teve digitais encontradas em notas de dinheiros que estavam armazenadas no bunker que a Procuradoria atribuiu a Geddel, na Bahia.

Após ser descoberto pela PF, ele decidiu reconhecer que fez entregas a Geddel em 2012. Em 2010, ele afirma que também arrecadou dinheiro para a campanha de Geddel ao governo do estado. 

Ferraz disse ainda que se sentiu traído ao descobrir do bunker com R$ 51 milhões em espécie, pois acreditava que os recursos que levava a Geddel seriam distribuídos entre os candidatos do partido.

Após pagar fiança, Ferraz - que já teve cargo no Conselho de Ética do PMDB - deixou a prisão.

Procurador, Aécio negou que o carregador de malas de Geddel tenha trabalhado em sua campanha a presidente.
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Nº 23.109 - "Entrevista de Freixo à Folha revela a falta de maturidade política do PSOL. Por Joaquim de Carvalho"

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29/12/2017


Entrevista de Freixo à Folha revela a falta de maturidade política do PSOL. Por Joaquim de Carvalho


Do Diário do Centro do Mundo  -  29 de dezembro de 2017



 
Boulos e Freixo


Por Joaquim de Carvalho


Resultado de imagem para joaquim de carvalhoO PSOL nasceu com o desencantamento de políticos petistas com o pragmatismo do PT a partir do governo Lula.

Era uma bela ideia, mas, decorridos doze anos de seus primeiros ensaios, continua isso: uma bela ideia.

Não chegou a se transformar em partido, no sentido de uma organização com atuação estratégica em busca do poder. 

Não o poder pelo poder, mas o poder como oportunidade concreta de executar ideias.

A entrevista de Marcelo Freixo à repórter Anna Virginia Ballousier, da Folha de S. Paulo, é o retrato perfeito de que o PSOL ainda não alcançou a maturidade, continua o partido com um discurso ajustado aos interesses da elite predadora do Brasil.

Mais ou menos como era o PT no início dos anos 80, quando até Andrea Neves, neta de Tancredo e estudante universitária, era simpatizante do partido.

Leonel Brizola, herdeiro do trabalhismo de Getúlio Vargas, costumava se referir ao PT como a UDN de macacão e tamancos, por fazer o discurso moralista que a direita gosta e não representar um projeto alternativo de poder ao do grande capital.

Darcy Ribeiro, também pedetista, frasista genial, dizia que o PT era “a esquerda que a direita gosta”.

Substitua PT por PSOL e PDT por PT que as frases continuam fazendo sentido.

Marcelo Freixo foi militante do PT durante duas décadas, primeiramente como assessor do deputado Chico Alencar, de quem nunca se afastou, depois como parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Sofreu na carne as dores da violência, com a morte do irmão por milicianos. Não se acovardou, presidiu a CPI das Milícias e denunciou o tráfico de armas.

Por conta de ameaças, a convite da Anistia Internacional, viveu alguns meses fora do Brasil. Sua atuação inspirou um personagem do filme Tropa de Elite 2.

Por duas vezes, com tempo insignificante no horário eleitoral, foi o segundo colocado nas eleições para a prefeitura do Rio.

Com essa biografia, aos 50 anos de idade, Freixo se fez merecedor do respeito de toda a esquerda. É combativo e de ideias progressistas.

Mas, ao mesmo tempo em que se coloca do lado certo em muitas disputas, Freixo ainda não conseguiu se libertar dos mitos e dos heróis criados pela velha imprensa.

Escorregou na casca de banana quando foi até o fórum da Justiça Federal dar um abraço do juiz Marcelo Bretas, como parte de uma trupe de artistas.

Em comum, os dois têm um adversário: Sérgio Cabral. Para Freixo, ter adversários é a essência de sua atividade.

Já juiz em cruzada contra inimigos é um mal gigantesco para a democracia.

Freixo não enxergou assim.

Não viu no magistrado atuação tão danosa quanto a de Sergio Moro, ambos heróis criados pela Rede Globo.

A vida não é o roteiro de filme, nem um texto de novela, por mais sedutora que seja a ideia de estar próximo dos donos do espetáculo e de seus artistas.

O compromisso de um político é com sua base. E qual é a base de Freixo?

Ele tem base?

Pelo que respondeu na entrevista à Folha, não.

Freixo disse que tem construído a candidatura de Guilherme Boulos  à presidência da república a partir de uma conversa que teve em casa com a mulher, Antônia Pellegrino.

“Conversávamos sobre o que é esta esquerda do século 21. Os olhos dela são meio que termômetro. Falei do Boulos, e arregalaram. Pensei: ‘Opa, ali tem caldo’’’

Ampliou a discussão para seu círculo de amigos, artistas e intelectuais.

“Levamos o Boulos na casa da Paula (Lavigne, ex-mulher do Caetano Veloso e articuladora política) para conversar com setores da intelectualidade, do meio artístico. Muitos não conheciam nada de MTST. As perguntas eram pertinentes. ‘O que vocês fazem é invadir a casa de alguém?’”

Em seguida, diante da pergunta da repórter se era esperto dividir a esquerda neste momento, respondeu:

“A gente vive um momento de reconstrução: qual esquerda a sociedade vai enxergar? Porque precisa enxergar o diferente. Não sei se esse é o momento de unificar todo mundo, não. Até porque a direita também está muito fragmentada: Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles…”

Freixo ainda detonou Lula, ao dizer que a postura de enfrentamento do ex-presidente é resultado da falta de alternativa, visto que a conjuntura o colocou nessa situação.

“Se estivesse ao seu alcance, faria todos os acordos que sempre fez”, disse.

Freixo se apresentou por inteiro, como ele é, e foi criticado no próprio partido.

“Confesso que, em 40 anos de militância, nunca vi um líder progressista fazer a afirmação externada pelo deputado Marcelo Freixo, em entrevista à Folha de S. Paulo. Para ele – numa conjuntura de golpe e de brutal regressão política e social – não é hora de buscar unidade, mas de acentuar diferenças entre as esquerdas”, disse Gilberto Maringoni, professor universitário, candidato do PSOL a governador de São Paulo em 2014.

Marcelo Freixo teve uma ideia genial ao tentar atrair Boulos para o partido. O líder do MTST dá ao PSOL o que lhe falta: base social.

Mas, com sua entrevista, tornou mais difícil a decisão de Boulos, que já vinha enfrentando resistência dos militantes do movimento, muitos deles identificados com o PT ou ligados aos sindicatos de base petista.

Freixo não agregou nada com a entrevista à Folha.

Exibiu apenas o sentimento psolista de rejeição ao PT, como um filho adolescente que busca se diferenciar do pai.

No final das contas, assim como acontece em família, o PSOL acabará descobrindo que tem mais semelhanças do que diferenças em relação ao PT, interesses comuns, objetivos parecidos.

Descobrirá também que há momentos em que é preciso manter a unidade — ainda que aparente — e persistir na busca do que une, não o que separa.


Está na hora do PSOL deixar a adolescência.

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Nº 23.108 - "PT: MPF quer impedir ato a favor de Lula no RS"

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29/12/2017



PT: MPF quer impedir ato a favor de Lula no RS

“A praça, a praça é do povo. Como o céu é do Condor”


Conversa Afiada - publicado 29/12/2017


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O Conversa Afiada reproduz nota oficial da Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores:


Em despacho na noite de quinta-feira (28), a Justiça Federal do Rio Grande do Sul acatou, em parte, pedido do Ministério Público Federal que limita a liberdade de manifestação das pessoas e dos movimentos sociais que desejam acompanhar o julgamento de recurso da defesa do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) na cidade de Porto Alegre, RS, marcado para o dia 24 de janeiro de 2018.

O pedido do MPF e a decisão judicial proferida criminalizam o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), colocando-o como réu em uma ação de cunho autoritário e antidemocrático. Atenta, assim, contra direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição da República Federativa do Brasil (1988) em vigor – art. 5º, IV e XVI – e o compromisso internacional de liberdade de manifestação assumido pelo País em 1992, ao ratificar o Pacto de San José da Costa Rica (1969). A criminalização dos movimentos sociais tem sido constante e sistemática no Brasil.

Os protestos e manifestações em defesa do Presidente Lula, contra a perseguição política sofrida por ele, mediante o uso de instrumentos jurídicos (Lawfare), bem como a acusação infundada de crimes inexistentes, sempre foram pacíficos e, mais do que isso, legítimos.

As manifestações sociais e populares não podem ser cerceadas, nem criminalizadas, muito menos confinadas para se fazer um jogo de “faz de conta” da democracia. Isso é arbitrariedade, abuso institucional, movido por interesses que atentam aos direitos do povo brasileiro.

“A praça, a praça é do povo. Como o céu é do Condor”, já proclamava Castro Alves

O PT, as forças políticas e sociais, não se calarão diante de manifestações sucessivas de ataque à democracia. Vamos denunciar nacional e internacionalmente essa tentativa de inibir o direito de livre manifestação e, também, de criminalização do movimento social.

Utilizaremos todas as medidas judiciais cabíveis e reafirmamos a grande mobilização popular em Porto Alegre, como em todo o Brasil, em defesa de eleições livres e do direito do maior líder popular brasileiro, líder também nas pesquisas de intenção de votos para a presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de reafirmar sua inocência e de ser candidato nas eleições de 2018.

Brasília, 29 de dezembro de 2017


Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores

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Nº 23.107 - "Temer reduz salário mínimo para R$ 954"

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29/12/2017

Temer reduz salário mínimo para R$ 954


Blog do Esmael - 29 de dezembro de 2017



O privilegiado Michel Temer — ele se aposentou aos 55 anos com salário de R$ 33 mil por mês — reduziu o salário mínimo pela terceira vez e, a partir de segunda-feira (1º), o mínimo passará a valer R$ 954.

Atualmente, o salário mínimo em vigor no país é de R$ 937.

O Congresso Nacional havia confirmado a redução para R$ 965, no último dia 13, na proposta orçamentária de 2018 (PLN 20/17). No entanto, hoje, o Diário Oficial da União trouxe o valor de R$ 954, portanto, Temer “comeu” mais R$ 11 dos trabalhadores brasileiros no percurso de quinze dias.

Em agosto deste ano, a previsão do salário mínimo era de R$ 979 para vigorar a partir da semana que vem (2018). Por ser contra os trabalhadores, Temer anunciou uma primeira redução para R$ 969, depois para R$ 965 e agora para R$ 954.


Entre a primeira redução de agosto e esta última, de dezembro, os trabalhadores perderam R$ 25 no reajuste do salário mínimo. É a classe obreira pagando pelo golpe de Estado.

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Nº 23.106 - "A boa e a má notícia de 2017"

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29/12/2017

A boa e a má notícia de 2017


Do Cafezinho - 29/12/2017  Escrito por Pedro Breier




Por Pedro Breier


O povo não é bobo.

A frase que é normalmente seguida de um “abaixo a rede Globo!” nos atos da esquerda nunca fez tanto sentido quanto no ano que está findando.

O plano das alas política e midiática do consórcio que deu um golpe na democracia brasileira em 2016 era fazer a economia crescer – daquele jeitinho maroto neoliberal, precarizando os empregos e rebaixando os salários – para vender à população a ideia de que a direita salvou o país da bancarrota que o PT teria provocado.

Deu ruim.

O crescimento da economia é pífio.

O desemprego explodiu e não retrocedeu, mesmo com a precarização dos postos de trabalho.

A mídia tenta dourar a pílula para o governo todos os dias, pateticamente, sem resultado.

As pessoas não são burras. Veem e sentem na pele o que o golpe fez com o nosso país. Uma crise que poderia ser debelada sem maiores traumas virou a volta ao período pré Getúlio Vargas no que tange aos direitos e condições de vida da classe trabalhadora.

Os resultados das pesquisas de opinião são invariavelmente desanimadores para os planos golpistas.

Temer é o presidente mais impopular do planeta Terra.

62% das mulheres brasileiras acham Temer pior que Dilma.

70% dos brasileiros são contra as privatizações, vejam vocês. O marketing profissional da mídia hegemônica, do MBL e quejandos aparentemente não engana tanta gente assim.

Lula, alvo do maior massacre midiático-judicial de que se tem notícia na história da humanidade – isso não é um exagero retórico – não para de subir nas pesquisas. Os candidatos do establishment, sejam os oficiais ou os balões de ensaio, não saem do rés do chão nas intenções de voto.

O povo, de fato, não é nada bobo. Está, isso sim, cada vez mais consciente.

Nem tudo são flores, entretanto. A má notícia de 2017: Bolsonaro com algo em torno de 20% nas pesquisas.

Ele não é o candidato do estabilshment por causa da sua imprevisibilidade, do seu completo despreparo e da sua tosquice raivosa. A direita só vai de Bolsonaro como última opção.

Mas é extremamente preocupante o fato de que as ideias fascistas tenham angariado tamanha popularidade, especialmente entre os mais ricos e os jovens.

Entre os mais ricos é até lógico. O ódio ao diferente que se espalha pelo país como uma praga reverbera forte em quem tem medo de perder seus privilégios para quem é visto como a ralé da sociedade. Os pobres. Os pretos. Os nordestinos. A maioria da população do Brasil.

Entre os jovens, é assustador constatar que visões de mundo tão tacanhas quanto nocivas como “bandido bom é bandido morto” façam sucesso na idade em que normalmente o ser humano é mais revolucionário.

Que em 2018 a consciência e a sabedoria da maioria do povo brasileiro sobreponham-se às trevas e à ignorância.

Bom ano novo às leitoras e leitores do Cafezinho e boas lutas aos que sonham com a liberdade e a emancipação humanas.

Até a vitória.


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Nº 23.114 - "Stédile: os 10 piores acontecimentos de 2017 para o brasileiro"

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30/12/2017


ANO DIFÍCIL

Stédile: os 10 piores acontecimentos de 2017 para o brasileiro

Com um Congresso Nacional conservador e um governo empenhado no corte de direitos, país teve inúmeros retrocessos. Líder do MST lista alguns dos mais significativos


Rede Brasil Atual - publicado 29/12/2017 11h22, última modificação 29/12/2017 13h32

Stédile

Para Stédile, diante dos revezes de 2017, povo precisa 
se mobilizar na defesa de seus direitos em 2018


por João Pedro Stédile 

Brasil de Fato – A cada final de ano sempre se costuma fazer o balanço de avanços e atrasos na vida do povo. Mas neste 2017, cheio de acontecimentos memoráveis, está muito difícil selecionar.  

Sendo assim, sugiro que você também faça sua lista! Veja a minha lista, a ordem não importa muito…

10 - Paralisação da reforma agrária e das políticas públicas para a agricultura familiar e camponesa, com fechamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), sucateamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), a liberação de mais sementes transgênicas e mais agrotóxicos para envenenar nossos alimentos. Soma-se a isso, o projeto de vender nossas terras ao capital estrangeiro.

9 - A não penalização das empresas Vale S.A. e BHP Billiton, pelos crimes de Mariana (MG). Vale a lembrança de que tais empresas mataram 21 pessoas, devastaram um rio de 700 quilômetros, o Rio Doce, e atingiram a vida de milhares de pessoas entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Até hoje as mesmas não indenizaram, nem repararam os prejuízos para o povo, e ainda querem ampliar a mineração na região.

8 - As manipulações e prepotências da dupla Dallagnol e Sérgio Moro, que ferem a Constituição e insistem em querer inviabilizar a candidatura de Lula, sem ter provas. Por outro lado, a manutenção da liberdade dos senhores Aécio Neves, senador Zeze Perella, José Serra, Ricardo Teixeira, Eike Batista, o banqueiro Daniel Dantas; apesar das evidentes provas de corrupção.

7 - A entrega para o grande capital privado e estrangeiro de nossas riquezas naturais, como o preá-sal, a mineração, a água; que deveriam ser utilizadas em prol do bem comum do povo brasileiro.

6 - A aprovação pelo Congresso do limite de investimentos sociais em Educação e Saúde. Mas, ao mesmo tempo, ampliação de gastos com juros de mais de 400 bilhões de reais do orçamento nacional para os banqueiros.

5- As práticas manipuladoras da Globo sempre enganando e mentindo para o povo. Ainda que agora tenha caído sua máscara ao ficar evidente o acordo de apoio ao governo golpista de Michel Temer em troca de polpudos recursos de publicidade.

4 - A chamada "reforma trabalhista", que retirou direitos históricos de cerca de 140 milhões de trabalhadores brasileiros, mantendo 20 milhões no desemprego e 22 milhões no trabalho precarizado, e sem nenhum direito previdenciário.

3 - O comportamento parcial e partidarizado dos membros do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial o Sr. Gilmar Mendes, sempre atuando em favor dos interesses da grande burguesia.

2 - A foto maior da desigualdade social que apareceu na revelação de que apenas seis capitalistas ganham mais do que 102 milhões de brasileiros. E, entre eles, 25% dos domicílios não possuem nenhuma renda mensal.

1 - A continuidade do governo golpista de Michel Temer e seus parlamentares no Congresso.

Com tudo isso, a pergunta que persiste é: o que esperar de 2018?

Que o povo se mobilize, lute, se levante na defesa de seus direitos e dos interesses de toda nação. Que tenhamos eleições livres, democráticas e com a participação de Luiz Inácio Lula da Silva.


Abraços, nos veremos por aí, "nas ruas, campos e construções", como mandava o poeta Vinicius de Moraes!!!

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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Nº 23.105 - "Chantagem de Marun enterrou a reforma de vez"

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28/12/2017


Chantagem de Marun enterrou a reforma de vez

Brasil 247 - 28 de Dezembro de 2017

Wilson Dias/Agência Brasil

por ALEX SOLNIK

A enfática reação dos governadores à tentativa do ministro Carlos Marun de chantageá-los - só receberiam empréstimos da Caixa Econômica Federal os que obrigassem os deputados de seu estado a aprovar a reforma da Previdência – revela o tamanho do desastre da manobra, que poderá enterrar, definitivamente, o projeto.

E o tamanho do cérebro do novo braço direito de Temer.

Marun comprometeu todo o esforço desenvolvido pelo governo até então.

Em vez de obter os votos que faltavam colocou em risco os que o governo já tinha, pois recairá sobre os deputados que votarem a favor e sobre seus governadores a suspeita de que sucumbiram à chantagem.

E com que cara eles vão pedir votos nas eleições de 2018?

Com cara de quem se ajoelha diante das ameaças inconstitucionais de um ministro?

Marun prestou um grande favor aos que são contrários à reforma!

Certamente inspirado por seu mestre e guru, Eduardo Cunha, que o orienta mesmo de trás das grades, o truculento comandante da tropa de choque do agora presidiário inventou de usar o método preferido do seu mentor – a chantagem – mas com as pessoas erradas: ninguém mexe com governadores de estado impunemente.

Chantagista de primeira viagem, o sósia de João Bafo-de-Onça dos gibis do Tio Patinhas desconhece que governadores não podem ser tratados do mesmo modo que ele – e seu ídolo - tratam seus colegas deputados. Um deputado responde por 100 mil votos, 200 mil votos. Um governador responde por milhões de votos.

Não pode, jamais, um ministro colocar um governador contra as cordas, ainda mais de forma explícita como essa.

O papel dos governadores sempre foi essencial na história republicana, principalmente quando atuaram em conjunto.

Os governadores de Minas e de São Paulo conspiraram e colocaram no poder a ditadura militar, em 1964; vinte anos depois, governadores de oposição à ditadura a derrubaram com a campanha das Diretas Já.      

Esta foi a segunda ideia infeliz de Marun em menos de um mês. A primeira foi pedir a prisão do ex-Procurador Geral da República, Rodrigo Janot no relatório da CPI da JBS, da qual teve de recuar em seguida.

Mas dessa tentativa de chantagem não há como Marun recuar.


Se a votação de 19 de fevereiro estava a caminho do telhado, agora ela subiu.


Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do A
dhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

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Nº 23.104 - "Pela teoria que Moro usou para condenar João Santana, seriam presos Roberto Marinho, todos os advogados, até sua mulher Rosângela"

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28/12/2017


Pela teoria que Moro usou para condenar João Santana, seriam presos Roberto Marinho, todos os advogados, até sua mulher Rosângela


Do Blog do Mello - quinta-feira, 28 de dezembro de 2017



Moro sorrindo com Aécio e Temer


Está na Folha o raciocínio tortuoso (ou torturador?) que o juiz Sergio Moro usou para condenar o casal João Santana e Mônica Moura. Eles admitiram ter recebido US$ 4,5 milhões de um fornecedor da Petrobras na Suíça, mas disseram ignorar a origem ilícita dos recursos.

Moro cravou sua teoria neles:

"A postura de não querer saber e a de não querer perguntar caracterizam ignorância deliberada e revelam a representação da elevada probabilidade de que os valores tinham origem criminosa e a vontade de realizar a conduta de ocultação e dissimulação a despeito disso", disse Moro. [Fonte: Folha]

Roberto Marinho, o fundador do império Globo, vendeu o triplex que possuía na Avenida Atlântica, Copacabana, Rio, para o banqueiro de bicho Aniz Abraão David, o Anísio da Beija-Flor. Será que o "doutor Roberto" não sabia da "elevada probabilidade de que os valores tinham origem criminosa"? 

E os advogados de Fernandinho Beira Mar, por exemplo? De onde vem o dinheiro que lhes paga? Sabem a origem, tintim por tintim? 

E a mulher de Moro, Rosângela, que recebeu dinheiro do "bandido foragido" (by Moro) Tacla Durán, não sabia da probabilidade de o dinheiro ser de origem criminosa?

Cadeia neles, doutor Moro?

E o próprio Moro, quando se deixou fotografar sorrindo com Aécio e Temer, na foto publicada aqui, não sabia do risco de associar-se a criminosos? 


Pelo andar da carruagem, Moro ainda vai se enforcar nos cordões dos próprios sapatos.

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Nº 23.103 - "A LAVA JATO PODE SE QUEIXAR DE MICHEL TEMER?"

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28/12/2017


A LAVA JATO PODE SE QUEIXAR DE MICHEL TEMER?



Do Brasil 247 - 28 DE DEZEMBRO DE 2017 ÀS 08:35 




Colocado no poder para salvar políticos corruptos, entregar o pré-sal às multinacionais que patrocinaram o golpe e liquidar com as aposentadorias dos brasileiros, Michel Temer só sentou na cadeira porque contou com o apoio inestimável da Operação Lava Jato – peça central no golpe dos ladrões contra a presidente honesta Dilma Rousseff; diante desse quadro, soa estranho que procuradores como Carlos Fernando Lima, Deltan Dallagnol e Diego Castor venham agora protestar contra o político mais impopular do mundo, colocado por eles na presidência


247 – O golpe de 2016 foi ancorado em três grandes pilares. O primeiro deles, que engajou a classe política na quebra do pacto democrático e na derrubada de uma presidente honesta, foi a esperança de que, com o golpe, fosse possível estancar a sangria e salvar da guilhotina uma penca de políticos corruptos. Quem melhor formulou essa tese foi o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

O segundo pilar foi a entrega das riquezas nacionais aos grupos internacionais que patrocinaram o golpe. Desde que Michel Temer assumiu o comando do país, o pré-sal, maior descoberta energética do século 21, já foi entregue passivamente a grupos como Shell, Exxon, Total e até a uma estatal norueguesa – a Statoil – que cresceu num país onde impera o modelo de partilha, implantando por Lula e Dilma e destruído pela aliança antinacional formada por PMDB e PSDB.

O terceiro eixo é a retirada de direitos, como o fim das garantias trabalhistas e das aposentadorias, embora nada disso gere prosperidade, como já se viu nos números do mercado de trabalho divulgados ontem, referentes ao mês de novembro.

Essa destruição completa de um país, que possibilitou, segundo o sociólogo Jessé de Souza, o maior roubo da história, que foi justamente a entrega do pré-sal, não teria ocorrido sem a Operação Lava Jato, que, com seus vazamentos seletivos e cronologicamente pensados, estimulou protestos de uma classe média manipulada pelos meios de comunicação e de grupos protofascistas. Com isso, o Brasil derrubou uma presidente reconhecida como honesta até por seus adversários e instalou no poder o que Jessé qualifica como "sindicato de ladrões".


Agora, depois de todo o estrago, três procuradores da Lava Jato, Deltan Dallagnol, Diego Castor e Carlos Fernando Lima, decidiram protestar contra o que chamam de "insulto de Natal" – um indulto de Michel Temer que alivia penas de condenados por corrupção. Os três, no entanto, ainda não protestaram contra a entrega do pré-sal nem contra o ataque às aposentadorias.


Ocorre que o golpe tem o seu tripé. Duas pernas – o roubo do petróleo e o ataque aos trabalhadores e aposentados – não bastam para mantê-lo de pé. A proteção aos corruptos é o preço a se pagar por um governo como o de Temer, que foi colocado no poder justamente para destruir aquela que seria a quinta economia do mundo e hoje caminha para ser uma nova colônia dos países desenvolvidos, com um população escravizada por uma elite corrupta e entreguista.

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