domingo, 29 de julho de 2018

Nº 24.664 - "CHICO, GIL, O BRASIL E O MUNDO QUEREM LULA LIVRE"

.

29/07/2018

sábado, 28 de julho de 2018

Nº 24.663 - "Apoio internacional a Lula explode nos EUA"

.

28/07/2018


Apoio internacional a Lula explode nos EUA



Do Blog da Cidadania - 28 de julho de 2018




por Eduardo Guimarães



O apoio internacional à candidatura e à liberdade de Lula passou por ex-presidentes das Américas, da Europa, do Oriente, da África, congrega vários prêmios Nobel, chefes de Estado, como o primeiro-ministro da Espanha, e culmina, agora, com a adesão à campanha pró Lula de quase 10% do Congresso norte-americano.

Na última quinta-feira, o eurodeputado italiano Roberto Gualtieri, do partido Democrático da Itália e presidente da Comissão de Economia do Parlamento Europeu, visitou Lula na prisão. Foi representar o Bloco Social Democrata no Parlamento Europeu e o Partido Socialista Europeu. Entregou a Lula mensagens de apoio de parlamentares e ex-presidentes italianos.


No mesmo dia, um grupo de 29 congressistas norte-americanos, incluindo o senador Bernie Sanders, que foi pré-candidato à presidência dos Estados Unidos, enviou carta ao governo brasileiro na qual denuncia a prisão política de Lula, com base em “acusações não comprovadas” em um julgamento “altamente questionável e politizado”.



Em maio, o ex-presidente da França François Hollande e da Espanha José Luis Rodriguez Zapatero já haviam assinado documento em favor da libertação e candidatura de Lula nas próximas eleições.




Também subscrevem o documento o ex-primeiro-ministro da Bélgica Elio Di Rupo, além de três ex-presidentes do conselho de ministros da Itália: Enrico Letta, Massimo D’Alema e Romano Prodi.

O fato é que a carta enviada por 29 dos 435 deputados dos Estados Unidos ao governo brasileiro coroa um movimento internacional cada vez maior e mais estridente pela libertação e pela candidatura de Lula a presidente em 2018.

O candidato mais forte à Presidência e líder da oposição ao governo brasileiro ter sido preso às portas da campanha eleitoral deste ano constitui uma péssima imagem do Brasil e já está afetando investimentos estrangeiros no país devido à desconfiança da comunidade internacional em um país em que a Justiça funciona como arma política.

O maior clamor internacional é pela candidatura de Lula. E como a lei brasileira garante essa candidatura, conforme dez entre dez especialistas vêm dizendo, está ficando praticamente impossível de o Judiciário negar ao ex-presidente o direito a disputar a eleição.

Quem não acredita na candidatura de Lula, se for precavido falará mais baixo. Ou ficará calado.


Confira a matéria em vídeo


.
.

Nº 24.662 - "Veja, ao vivo, o Festival Lula Livre, na Lapa"

.

28/07/2018


Veja, ao vivo, o Festival Lula Livre, na Lapa


Do Tijolaço - 28/07/2018


POR FERNANDO BRITO 




Por FERNANDO BRITO 

Começou agora há pouco, com uma multidão de gente nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, o Festivel Lula Livre, em que dezenas de músicos, cantores e gente ligada às artes cênicas manifesta seu engajamento na causa de justiça ao ex-presidente e liberdade de voto para o povo brasileiro.

Assista, ao vivo:

Nº 24.661 - "Por que agora a Globo apoia movimentos identitários? Brizola explica, por Wilson "



28/07/2018

Por que agora a Globo apoia movimentos identitários? Brizola explica, por Wilson 


Do Jornal GGNSAB, 28/07/2018 - 17:00 ATUALIZADO EM 28/07/2018 -17:31



por Wilson Ferreira

Em toda sua história, a Rede Globo foi acusada de sexismo e racismo: uma teledramaturgia com um cast de atores que mais parecia ter saído de algum país nórdico, enquanto os poucos negros ocupavam papéis subalternos; as mulheres eram objetificadas em programas de entretenimento e o machismo sempre figurado como uma prova do verdadeiro amor. Ao mesmo tempo, o seu diretor de Jornalismo dizia que o Brasil nunca foi racista e que isso não passava de uma invenção da esquerda para dividir o País. Mas de repente, a emissora começou a apoiar e dar visibilidade a movimentos identitários e culturais (movimentos de gênero, étnico-raciais, geracionais que postulam a diversidade, alteridade e reivindicação de direitos sociais) como nunca antes. Política de “controle de danos” para tentar descolar a sua imagem do Golpe de 2016 e dar alguma credibilidade ao telejornalismo? Ou há algo além? De natureza estratégica em um ano eleitoral decisivo. “Se a Globo é a favor, somos contra!”, alertava o velho Brizola. E se nesse momento a emissora estiver pondo em prática outra velha máxima: “dividir para conquistar”? A Globo estaria desempenhando o seu derradeiro papel? Ser o para-raio do ódio tanto da esquerda quanto da direita?

“Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem: se a Rede Globo for a favor somos contra. Se for contra, somos a favor”
(Leonel Brizola)

“Leva-lo a dividir suas tropas, e será mais fácil dominá-los”
(Sun Tzu)

Durante os anos de guerra midiática que culminaram no impeachment de 2016, a Rede Globo deu visibilidade a pequenos escroques, acadêmicos e intelectuais obscuros, músicos que fizeram sucesso no passado e foram esquecidos, ex-anônimos que confundiam militância profissional com fundamentalismo religioso e oportunistas de toda sorte para engrossar o caldo de oposição ao Governo.

Como, por exemplo, um manifestante pró-impeachment que organizava acampamentos em frente à Fiesp na Avenida Paulista que vivia de recrutar mulheres para feiras e acusado de estelionato e de assédio sexual a modelos; ou o procurador do Ministério Público Federal, de controversa militância religiosa, acusado de agredir a esposa e mantê-la em cárcere privado – clique aqui.

Esses, e muitos outros, exemplares do Brasil Profundo costumavam ganhar visibilidade no dia-a-dia dos telejornais da emissora para atiçar ainda mais a extrema-direita a embarcar na cavalgada do Golpe.

Enquanto isso, crescentes atentados racistas e homofóbicos na ruas de São Paulo eram reportados de forma anódina pelo telejornalismo. Apenas como notícias da pauta policial. Como fossem eventos análogos a acidentes de carros ou roubos de celulares a mão armada.

Meros casos isolados, já que para a linha editorial da Globo, comandada pelo diretor de Jornalismo Ali Kamel e autor do livro “Não Somos Racistas”, as críticas contra o racismo não passavam de manobra da esquerda e do lulopetismo para “construir uma separação entre cores que nunca existiu, de fato, no Brasil”.

Talvez, o ponto de inflexão tenha sido em 2015 quando a ascensão profissional da jornalista negra Maria Júlia Coutinho (a “Maju”) na emissora despertou o ódio de grupos racistas nas redes sociais – clique aqui.

Naquele momento o roteiro para o impeachment já estava traçado e a massa de manobra nas ruas já organizada. A Globo teve que, então, tirar o pé do acelerador e iniciar o trabalho de rescaldo pós-golpe: uma política de “controle de danos” para tentar tirar das mãos a lama psíquica que teve que remexer por anos para dar o tranco subliminar nas massas e tornar o golpe político verossímil. E salvar a credibilidade comercial e jornalística da emissora.

Diante do sentimento de traição, a direita começou a acusá-la de “petista” quando viu perplexa a Globo colocar em ação um rolo compressor do politicamente correto na programação da emissora: a agenda da igualdade racial e de gênero, cidadania, tolerância etc. tomou conta não só do Jornalismo, mas também dos programas de entretenimento e teledramaturgia.

Os movimentos identitários e culturais (movimentos de gênero, afro-brasileiro, indígena, movimentos de jovens e idosos) passaram a merecer o apoio do jornalismo da Organização Globo, numa escalada até subliminar – não importa sobre do que se trata a pauta: repórteres nas ruas fazem enquetes procurando preferencialmente mulheres, negros e jovens (tanto melhor se o entrevistado reunir essas três características). Enquanto isso, o veterano William Waack era demitido por ser pego fazendo galhofas racistas diante das câmeras e o jornalista negro Heraldo Pereira ganhava protagonismo com o programa “Jornal da Dez” na Globonews no lugar do “Painel” apresentado pelo afastado Waack.

Muito além do “controle de danos”

Fica a questão: por que depois de décadas de ínfima participação de protagonistas negros no jornalismo e teledramaturgia, e de relegar causas de gênero a alguns programas femininos matinais, de repente a Globo tornou-se promotora de movimentos identitários?

Há algo mais além da política de “controle de danos” de uma empresa preocupada em se descolar da imagem de “TV golpista” – que aliás, se confunde com a própria história da emissora desde o golpe militar de 1964. Será que devemos levar em conta o alerta do falecido Leonel Brizola - se a Globo for a favor, então somos contra?

Talvez a direita seja intelectualmente tão primitiva que não perceba o que está por trás desse repentino alinhamento da Globo: o chamado “neoliberalismo progressista” que levou Obama ao poder nos EUA e que anima a atual agenda cultural da Globalização.

O aparente oximoro dessa expressão esconde um alinhamento perverso entre correntes dos movimentos sociais (feminismo, LGBT, antirracismo, multiculturalismo, entre outros), o setor de negócios baseados em serviços simbólicos e tecnológicos (Vale do Silício e Hollywood) e o capitalismo cognitivo representado por Wall Street e a financeirização.

Segundo a professora de Filosofia e Política da New School for Social Research de Nova York, Nancy Fraser, esse movimento dos “Novos Democratas” ficou bem distante da tradicional coalizão entre trabalhadores sindicalizados, indústrias, setores afro-americanos e classe média. Mas agora uma aliança entre empresários, classe média dos subúrbios e novos movimentos sociais. Todos emprestando um carisma jovem com a boa fé moderna e progressista – a aceitação da diversidade, empoderamento, multiculturalismo e os direitos das mulheres – Leia FRASER, Nancy. “The End of Progressive Neoliberalism” IN: Dissent Magazine, 2/1/2017 – tradução aqui.

Quando a pauta identitária é assumida, nos EUA, pelos Democratas e todo o setor tecnológico e de negócios que impulsiona a Globalização e, aqui no Brasil, pela TV Globo, começamos a desconfiar de uma estratégia ideológica: retirar a pauta do paradigma “materialista” das esquerdas para ser incorporada à agenda das reivindicações liberais pelos “direitos humanos”.


O discurso dos “direitos humanos”

Para o pensador francês Jean Baudrillard o discurso dos direitos humanos é um “valor piedoso, fraco, inútil e hipócrita” porque “se baseia numa crença iluminista na atração natural do Bem, numa idealidade das relações humanas” – leia BAUDRILLARD, Jean. A Transparência do Mal, Campinas, Papirus, 1990, p. 93.
Ademais esse Bem, valor ideal, é sempre concebido de modo protecionista, miserabilista, negativo, reacional. É a minimalização do Mal, profilaxia da violência, segurança. Força condescendente e depressiva da boa vontade, que no mundo só aspira à retidão e se recusa a encarar a curva do Mal, a inteligência do Mal – BAUDRILLARD, Jean, IDEM, p. 94.
O discurso dos direitos, tão facilmente incorporado pela grande mídia e pela pauta do politicamente correto,  tende a ver o outro pelo olhar da piedade como vítima do “racismo e intolerância”, como alguém fragilizado que deve ser protegido pelos “direitos” que se recusam a encarar “o Mal” – a estrutura econômica da exploração do homem pelo próprio homem, da reprodução perversa da desigualdade como condição intrínseca para produção de valor e riqueza para poucos.

Dois exemplos do destino de discursos críticos materialistas que se converterem em lutas em defesa dos “direitos”: o ecológico e o feminista.

De movimento contracultural de crítica ao modo de produção capitalista e ao modelo de civilização Ocidental, o pensamento ecológico facilmente se transformou em movimento ambientalista corporativo - ONGs ambientalistas como o Greenpeace, por exemplo, contam com o apoio financeiro de grandes empresas petrolíferas, Fundação Rockfeller e mercado de energia elétrica – clique aqui.

 Da estrutura perversa da sociedade de consumo cuja produção de riqueza de exploração humana gera desperdício e destruição, tornou-se a luta pelo “direito ao meio ambiente” que execra empresários gananciosos e contempla empresas “do Bem”. Como se a luta pelo direito ao ar e à agua naturalmente atrairia almas bem intencionadas (principalmente do meio corporativo), mantendo o “Mal” (o mecanismo econômico perverso e impessoal) fora de qualquer ação política.

Enquanto isso nos seus 200 anos de lutas das mulheres, o feminismo deixou de ser uma luta contra o sistema do capitalismo (cujos fenômenos como a prostituição, objetificação da mulher, desigualdade, violência e o determinismo machista eram extensões da ordem do patriarcado e da manutenção da propriedade privada) para se transformar na reivindicação pelo direito à igualdade dos gêneros.

Em artigo no Jornal GGN, Vitor Fernandes descreve que ficou “cada vez mais comum os discursos começarem apresentando a identidade do falante. Ex: ‘eu, mulher, negra, periférica, lésbica..., Eu, homem, LGBT. Ou Eu. Mulher, negra’”.

Nessa perspectiva, podemos começar a entender porque a Globo vem ativamente apoiando o discurso identitário politicamente correto dos chamados novos movimentos sociais. Para o viés jornalístico da emissora a vareadora Marielle Franco (PSOL/RJ) foi morta não porque investigava a intervenção militar no Rio e a violência policial em áreas pobres, mas porque era mulher, negra e lésbica.

Dividir para conquistar

O foco na pauta identitária da reivindicação por direitos resulta em quatro consequências: (a) falsa consciência; (b) fragmentação; (c) despolitização; (d) crescimento da extrema-direita.

(a) como falsa consciência o discurso do direito, como um véu, esconde a “curva do mal” a que se refere Baudrillard: uma sociedade, ao mesmo tempo produtora da consciência dos seus próprios direitos, e que simultaneamente fundamentada na desigualdade porque somente consegue produzir riqueza através da luta de classes.  Os conflitos políticos e econômicos são desviados para a esfera cultural das relações humanas idealizadas.

Racismo, intolerância e preconceito são sempre vistos por um olhar abstrato entre a compaixão e uma indignação movida muito mais pelo ressentimento do que pela consciência política.

o clamor das ruas para a institucionalidade parlamentar. Com isso, o sistema triunfante retira a pressão da panela dos conflitos de classe para diluir no discurso abstrato da “cidadania”, do “respeito”, da “tolerância”, da “dignidade” e toda uma constelação de palavras que se tornam abstratas na medida em que se afastam do conflito fundamental da sociedade.

Por exemplo, com a ascensão das redes sociais surgiram os inúmeros coletivos ligados a pautas LGBTs, feministas e negras. Promoveram uma batalha linguística, caminhando separado das questões de classe.

(c) Muitos movimentos identitários se dizem apartidários. Fruto do discurso profilático e abstrato dos direitos. Como ilustra o depoimento de Vitor Fernandes em seu artigo:
Em outra situação um coletivo Ana Montenegro, um coletivo feminista-marxista, tentou levar para a marcha das vadias (um importante ato do movimento feminista) no Rio de janeiro, uma faixa, com claro teor marxista dizendo: “gênero nos une, classe nos divide” (ou algo do tipo) e foi impedida pela liderança do movimento (FERNANDES, Vitor, Jornal GGN, ).
Por isso, ideologicamente movimentos identitários caem como uma luva para a atual estratégia despolitizadora da Globo às vésperas das eleições – reforçar a aversão à Política como parte da estratégia do “dividir para conquistar”: neutralizar a crítica materialista da sociedade na qual se fundamentou historicamente a esquerda. Ou transformá-la em uma coisa chamada “marxismo cultural”.

(d) O ardil em apoiar os movimentos identitários pela grande mídia visa principalmente o cidadão médio, despolitizado, vivendo de um trabalho precarizado e, em decorrência, movido por uma visão de mundo conservadora. Por isso, um voto que se entrega facilmente ao discurso fascista de Bolsonaro ou congêneres.

A Globo repete a mesma tática de comunicação indireta criada pelos provocadores da direita do calibre Kim Kataguiri, Rodrigo Constantino ou Fernando Holiday – não se trata de ter a esquerda como interlocutora ou rival. Se trata de provocar, para de forma indireta falar com o cidadão médio despolitizado, desmobilizado e nutrindo o asco pela Política incutido pela Globo.

Por essa razão, a Globo assume um papel estoico e derradeiro: se converter no para-raio do ódio tanto da esquerda quanto da direita. Pelo menos, até as eleições.

O velho Brizola continua bem atual.
.
.

Nº 24.660 - "PT vai radicalizar nos próximos dias pela libertação de Lula"

.

28/07/2018


PT vai radicalizar nos próximos dias pela libertação de Lula


Do Blog do Esmael - 28 de julho de 2018 por esmael



Os dirigentes petistas sacaram que o “bico doce” não funciona com a mídia e o judiciário, principais artífices do golpe que mantém Lula prisioneiro político em Curitiba há 113 dias. Por isso o PT tende a radicalizar pela libertação imediata do ex-presidente.

O start foi dado semana passada pelo ex-ministro Gilberto Carvalho que sugeriu um “levante popular” para tirar Lula da cadeia.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também anunciou pela boca de Vagner Freitas, presidente da entidade, que “agora é guerra” pela liberdade de Lula.

Portanto, as manifestações da Vigília Lula Livre são apenas a preparação do terreno para a radicalização do movimento pela imediata soltura do ex-presidente Lula.


Aliás, o início dos flash mobs na capital paranaense coincidiu com uma virada de Lula nas pesquisas de opinião. O petista vence a disputa em Curitiba e em todo o estado do Paraná, segundo as sondagens.

.

Nº 24.659 - "Igor Grabois: Guerra híbrida agora se volta para eleger Geraldo Alckmin"

.

28/07/2018

Igor Grabois: Guerra híbrida agora se volta para eleger Geraldo Alckmin


Do Viomundo - 8 de julho de 2018 às 14h20


.....Reprodução de vídeo

Por Igor Grabois, especial para o Viomundo

O mundo passa por uma nova revolução tecnológica.

Crescentemente, serviços são realizados online, a produção se torna mais flexível em sua cadeia de suprimentos e de apoio, as comunicações em tempo real são a norma.

Novas formas de produzir e obter informações habitam o nosso cotidiano.

Esse processo, comumente chamado de indústria 4.0, impacta as relações internacionais e a política.

E traz novas formas de atuação diplomática e militar.

O conceito de guerra híbrida foi formulado em 2010 por estrategistas estadunidenses.

Nesse conceito os combates convencionais, envolvendo tanques, aviões, mísseis, são apenas uma faceta da guerra, cada vez menos frequente.

Ganha importância a guerra da informação, em um desdobramento muito mais complexo do velho mote das operações psicológicas.

As novas tecnologias da informação, baseadas na internet, permitiram um novo raio de ação na disputa de corações e mentes entre os povos dos países que a estratégia dos EUA chama de “potências hostis”.

A guerra híbrida é, em essência, uma guerra cibernética, não apenas para a destruição de sistemas e infraestruturas digitais.

Mas com uma ampla gama de ações táticas nas mídias digitais: espalhando boatos, estimulando bolhas de opinião, alimentando culturas de ódio e criando um ambiente hostil para a ação política de governos e partidos tidos como inimigos.

Seu objetivo é a ruptura do tecido social, da coesão nacional e da vontade de resistir.

As chamadas primaveras árabes e a atual situação da Ucrânia são exemplos dessa nova forma de guerra.

O Brasil é alvo de uma estratégia de guerra híbrida.

Envolveu a cooptação de membros do judiciário, a criação de grupos de extrema-direita financiados por ONG’s ligadas à comunidade de informações e aos altos círculos financeiros dos EUA, a utilização da mídia tradicional e das mídias digitais em larga escala, como o Facebook e o Whatsapp.

Esses ataques cibernéticos remontam ao ano de 2012, em uma espécie de evento-teste, como boatos como o fim do Bolsa-Família.

Se intensificaram em 2013, tiveram um recrudescimento nas eleições de 2014 e atingiram seu ápice em 2016, nas semanas que precederam o impeachment.

Esses movimentos foram captados pelos serviços de inteligência da Turquia e da Rússia, pelo que se tem notícia.

O resultado é conhecido. A iniciativa dos BRICS implodiu, quando os países-membros preparavam um sistema financeiro ao FMI e ao Banco Mundial.

As iniciativas da UNASUL e do CELAC também foram paralisadas.

O Brasil perdeu toda, simplesmente toda, influência na África e na América do Sul.

Os aliados do Brasil estão sendo perseguidos e presos em seus países.

O país tem as suas principais empresas ameaçadas de desnacionalização.

Nossas riquezas naturais, em especial o petróleo do pré-sal, alvo de saque de capitais especulativos.

O país foi expulso dos setores do comércio internacional em que se destacava, como proteína animal e serviços de engenharia.

A indústria é destruída de maneira deliberada. Ao povo, miséria e desemprego.

O Japão e Alemanha tiveram um tratamento bem melhor durante a ocupação após a segunda guerra.

O Brasil foi derrotado sem que se disparasse um único tiro.

Essa obra não seria possível sem a colaboração de uma parcela das classes dominantes brasileiras, que se consideram parte de uma elite internacional, sem nenhum tipo de compromisso nacional.

E contou com uma estratégia política e de comunicação muito bem planejada e financiada.

A guerra híbrida ainda não chegou à sua conclusão.

A operação cibernética continua em ação, não apenas por parte dos círculos anglo-americanos.

O atual objetivo é evitar que o povo eleja um governo popular e nacionalista. Há ações de interferência nas eleições de 2018.

Deve-se lembrar que mais de 70% do tráfego da internet brasileira passa fisicamente por território estadunidense.

A informação, cada dia mais, chega aos brasileiros mediada pelos gigantes Google / YouTube e Facebook / WhatsApp.

O debate da sucessão presidencial se iniciou tão logo Dilma foi derrubada. Desde então diversas candidaturas forma lançadas e retiradas.

A cada protótipo de candidato apresentado, dados foram registrados, comportamentos e reações foram observados a partir da interação nas redes.

Os dados processados são utilizados para embasar estratégias políticas e de comunicação das candidaturas do campo conservador.

Querendo ou não, contribuíram para isso a quase candidatura de Luciano Huck e a aventura de Bolsonaro.

Esse esforço irá desaguar no candidato escolhido pelo capital financeiro e seus aliados internacionais: Geraldo Alckmin.

Frente a esse aparato, as forças de esquerda se encontram despreparadas.

Quantos ativistas, bem-intencionados, não colaboraram para a popularidade digital de Bolsonaro?

A barbaridade de suas declarações era dirigida justamente a esse público que, cedendo ao apelo irresistível da crítica e compartilhamento, gerou enorme alcance de suas mensagens de forma gratuita.

O arsenal de cascas de banana digitais é extenso: pesquisas falsas, tretas entre forças de esquerda alimentadas por páginas e perfis de direita, movimentos de bloqueio de opiniões divergentes consolidando núcleos duros, mitos do tipo “pobre de direita” etc.

Assim se cria um isolamento digital que se configura em um isolamento real.

Isso porquê a atuação nas redes não é estanque da esfera offline, a vida vivida.

É parte da dinâmica social do atual estágio do desenvolvimento capitalista.

Essa assertiva vale tanto para o campo da esquerda quanto para as forças da reação.

A interação social pela internet reflete o que há de mais avançado na formação social capitalista e, cada vez mais, condiciona as demais mídias.

Não é mais possível fazer política de modo eficaz sem dominar a linguagem e mecânica das redes.

A tarefa dos brasileiros é recuperar o nosso país. Essa tarefa é de largo fôlego.

Passa pela vitória das forças populares as eleições de 2018 e pela reconstrução do tecido social brasileiro esgarçado pelo regime golpista.

Envolve a elaboração de programas capazes de mobilizar a população, pela articulação política e por medidas operacionais que levem em conta as novas arenas de luta.

.

Nº 24.658 - "Rosângela Moro no Instagram faz publicidade, promove o marido e cutuca políticos. Por Joaquim de Carvalho"

.

28/07/2018


Rosângela Moro no Instagram faz publicidade, promove o marido e cutuca políticos. Por Joaquim de Carvalho

Do DCM  -  28 de julho de 2018 Publicado por Joaquim de Carvalho 

Rosângela fazendo biquinho: se ela quer ser a Kim Kardashian do Paraná, o marido deveria mudar de ofício, talvez se candidatando a algum cargo político

Por por Joaquim de Carvalho


Há pouco tempo, Rosângela Moro desbloqueou sua conta no Instagram. Foi surpreendente porque, no final do ano passado, ela havia retirado do ar a página do Facebook destinada a idolatrar o marido, o juiz Sergio Moro. E passou a fazer postagens no Instagram, acessível apenas aos amigos.

A saída da rede aconteceu ao mesmo tempo em que o advogado Rodrigo Tacla Durán prestou depoimento na Câmara dos Deputados, em que acusou o amigo dela, e antigo sócio, de tentar lhe vender facilidades em acordo de delação premiada.

A saída na rede, no entanto, foi explicada como o cumprimento de uma missão. “E chegada a hora da despedida. EuMoroComEle vai sair da rede. A página cumpriu seu papel”, disse ela, em um texto de agradecimento, acompanhado de um vídeo em que ela termina com uma piscadela para o público.

Ao ver as postagens mais recentes de Rosângela, no entanto, se entende por que ela abriu o Instagram. Rosângela tem usado a rede social para passar recado a políticos e dar respostas em situações que, direta ou indiretamente, envolvem o marido.

A última delas, na sexta-feira, foi a imagem de uma caixa aberta, sem nenhuma palavra. Os seguidores trataram de decifrar: “Ciro Gomes é louco!”, disse um deles, e outros disseram que os políticos é que têm de ir para a caixinha.

A postagem da caixa foi uma referência à entrevista que Ciro Gomes deu a uma tevê do Maranhão, em que disse que a Lula terá chance de sair da prisão se ele se eleger presidente:

“Só tem chance de sair da cadeia se a gente assumir o poder e organizar a carga. Botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar para a caixinha dele e restaurar a autoridade do poder político”.


Rosângela há havia feito outra postagem enigmática, que os seguidores dela decifraram. Foi logo depois do corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu intimar Moro para dar explicações sobre a interferência dele, mesmo em férias, para evitar o cumprimento do alvará de soltura concedido em favor de Lula pelo desembargador Rogério Favreto. Rosângela postou uma imagem do Patolino fazendo biquinho, e a frase: “Gostei não”.

Rosângela já havia feito uma postagem em referência à forma como Lula se expressou, em um depoimento ao juiz Sergio Moro. Em certos momentos, Lula ficou com o dedo em riste, e Rosângela comentou: “Dedo em riste é, não apenas agressivo, prepotente e ditatorial, mas também símbolo da falta de humildade. Fica a dica!” (sic).

Quando Lula foi condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4a. Região, Rosângela não perdeu a chance e foi buscar uma frase do século XIX do escritor francês Jules Renard para tripudiar:

“A liberdade tem limites que a Justiça impõe”.

Rosângela também saiu em defesa do amigo — e da própria família — quando Carlos Zucolotto Júnior foi denunciado por Rodrigo Tacla Durán:

“Sim! É meu amigo. Foi meu sócio, é meu compadre, é parceiro e é do bem. O tempo esclarece tudo! Enquanto isso seguimos na nossa amizade e de nossas famílias, enlouquecendo mentes criativas e destrutivas. Zucolotto faz o melhor churrasco da vida toda.”

Como qualquer cidadão, Rosângela tem o direito de se expressar e defender quem quiser, mas, com seu estilo agressivo, fica sempre a dúvida se ela age por ela própria ou também pelo marido — que, para todos os efeitos, é juiz e, nessa condição, recomenda a prudência que preservasse a discrição e, mais importante, a imagem de imparcialidade.

Não é de hoje que Rosângela coloca Moro em situação delicada. Quando ele era juiz em Cascavel, no interior do Paraná, sucedendo a João Pedro Gebran Neto, hoje desembargador e relator da Lava Jato no Tribunal Regional Federal, Moro teve que responder a uma denúncia por favorecer a mulher, advogada na cidade.

Rosângela divulgou como telefone do escritório dela o número da vara federal onde Moro dava expediente. O procurador Celso Três atuava na cidade e disse que o juiz teve que prestar esclarecimento, e acabou convencendo que tudo não passou de um equívoco.

O caso, no entanto, até hoje é alvo de comentários sobre um suposto direcionamento de processos para escritórios da mulher de Moro.

No Intagram, Rosângela continua provocando constrangimento a quem imagina que o juiz deva manter um comportamento de extrema sobriedade, para manter o respeito daqueles que estão sob sua jurisdição.

Como se fosse uma blogueira de moda ou gastronomia, posta foto dela com marido e amigos em restaurante e marca a conta do estabelecimento, para que todos saibam onde foi o jantar.

No caso de blogueiros, é uma tática para não pagar a conta e, às vezes, até levantar algum dinheiro. Tem outras postagens com marcas de sapato, bijuterias finas e lojas.




No restaurante com Moro e amigos: como blogueira, ela marca a conta do estabelecimento

Nas fotos mais pessoais, Rosângela mostrou que reuniu amigos para ver o marido no programa Roda Viva, em clima de Copa do Mundo.

Tem foto de filhos com o rosto riscado — “mamãe protege”, diz em uma postagem. Mas os adolescentes podem ser vistos em outras fotos, sem nenhum sinal de adulteração.

Deve ser constrangedor para os dois aparecerem em fotos da família com o rosto rabiscado, principalmente porque é uma atitude inútil, uma vez que, no mesmo Instagram, em postagens um pouco mais antigas, eles têm a fisionomia exposta.

Rosângela Moro já contou em reportagens para publicações amigas que tem uma profissional que cuida da sua imagem. Se é verdade, ela tem falhado, já que, exceto para seu público mais fiel, Rosângela tem se exposto além do limite.

Se pretende ser a Kim Kardashian do Paraná, deveria pedir para o marido trocar de ofício.

Publicidade em demasia, ainda que feita pela esposa, corrompe o ideal de justiça. Moro ficaria melhor como político.

Rosângela rabisca o rosto dos filhos em algumas postagens e, em outras, não: deve ser constrangedor para eles


Rosângela rabisca o rosto dos filhos em algumas postagens e, em outras, não: deve ser constrangedor para eles
Rosângela na torcida pelo marido no Roda Viva: o mundo tem que saber

.

Nº 24.657 - "Bolsonaro vira 'bode na sala' para salvar candidatura de Alckmin"

.

28/07/2018


Bolsonaro vira “bode na sala” para salvar candidatura de Alckmin


Do Blog do Esmael - 28 de julho de 2018 por esmael



A velha mídia teme que Geraldo Alckmin (PSDB) seja o fiasco nesta eleição — ‘com Centrão e tudo’ — e por isso coloca o “bode na sala” chamado Jair Bolsonaro (PSL), que, segundo os jornalões, pode vencer no 1º turno.

O alerta sobre o “perigo” de o ex-capitão do Exército fulminar o tucano foi levantado este fim de semana pela Veja, XP Investimentos e Folha que registra a possibilidade, sem Lula, de Bolsonaro vencer no primeiro turno.

“Dois aliados de Jair Bolsonaro (PSL) falaram a cerca de 20 investidores, nesta sexta (27), na XP, em SP: o presidente do partido no estado, Major Olímpio, e Fabio Wajngarten, que atua na comunicação do presidenciável. Eles deixaram claro que, com o cenário de fragmentação das candidaturas, Bolsonaro aposta todas as fichas no primeiro turno. Numa exposição realista, admitiram que, se a eleição tiver duas etapas, como ocorre desde 2002, as chances de o deputado vencer serão menores.”

Na prática, o que Folha, Veja e XP querem é induzir o eleitor ao “voto útil” contra o “mal maior” chamado Bolsonaro.

O elogio, amigo, é a antevéspera da derrubada.

.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Nº 24.656 - "Como estão os jovens que se beneficiaram da expansão do ensino superior?"

.

26/07/2018


Como estão os jovens que se beneficiaram da expansão do ensino superior?


Desemprego, precarização e novas configurações sociais desencanta a promessa de ascender socialmente com o diploma

Da Carta Capital — publicado 26/07/2018 00h30, última modificação 26/07/2018 11h38


por Carol Scorce

............................................................... Valter Campanato/Agência Brasil
Mulher procura nome na lista do Enem

Desemprego frustra o sonho de trabalhar na profissão escolhida no ensino superior

"Minha família plantava para comer. Fui alfabetizada aos nove anos, ainda na roça, e depois fui para escola. Fazer universidade era um sonho distante, mas eu tinha muita vontade." Foi com esse desejo que Lívia Milena, 29 anos, veio para São Paulo no fim de 2010. Ela e a família não pouparam esforços para que entrasse no curso de serviço social, anseio concretizado graças ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que subsidiou os estudos. Mas junto da formatura, em 2016, vieram os desencantos. 

"Eu tinha pouca instrução. Não entendi nada do funcionamento daquele universo. A faculdade me fez acreditar que aquele contrato era como uma bolsa integral, e eu não sabia que teria que pagar por isso quando formada. Apesar da frustração, terminei o curso com muito custo e apoio e fui à luta por emprego na minha área, que demorava a vir", conta a assistente social formada na Faculdade de São Paulo. 

As políticas de expansão do ensino superior no Brasil são das mais significativas investidas dos governos Lula e Dilma para a democratização da sociedade de modo geral. Mais universidades públicas, cotas, além do Prouni e do Fies, permitiram que assim como Lívia - mulher negra nascida em um família onde não havia sequer um integrante com graduação -, milhares de jovens que pareciam ter o seu destino marcado pelo subemprego, pudessem ambicionar o protagonismo de suas vidas a partir da escolha de uma profissão. 

A evolução positiva na educação, com a quase universalização do ensino fundamental - 99,2%, segundo o Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) - e o maior ingresso no ensino superior - em especial na gestão do ex-presidente Lula, quando os estudantes matriculados no ensino superior saltaram de 3,96 milhões para 6 milhões -, não se reverteu, no entanto, em mais e melhores postos de trabalho para esses jovens.

Economistas e especialistas em juventude apontam para causas difusas desse mal estar social: crise econômica, perda de direitos trabalhistas e precarização dos postos de trabalho, fim da sociedade essencialmente industrial, desvalorização dos diplomas. A consequência são jovens que batalham muito para se formar, mas que não conseguem seguir a trajetória sonhada, e permanecem em uma espécie de limbo da juventude – marcada por ser um período de transitoriedade para a vida adulta -, e que parece nunca acabar.

Mas afinal, quem é o jovem de hoje em dia? 

Segundo o economista Márcio Pochmann, quando a expectativa de vida circundava os 40 anos, num passado recente, aqueles que tinham entre 15 e 24 anos viviam o período que marca essa transitoriedade. 

Hoje, a velocidade e a complexidade das transformações sociais, em especial as mudanças na economia e no mundo do trabalho, fazem com que os conceitos que definem adolescência, juventude, vida adulta e velhice estejam cada vez menos definidos para dar conta do que são esses ciclos da vida.

Com as novas configurações de trabalho, não conseguir alcançar a almejada carreira e independência financeira, está intimamente ligada ao fato dessas pessoas não conseguirem a autonomia em suas vidas. 

“Na sociedade urbana e industrial, o acesso à educação dava conta de uma trajetória linear. Um engenheiro ganhava a vida por cinquenta anos com o acumulo de conhecimento dos tempos de universidade. Agora estamos na sociedade dos serviços e as trajetórias são zig zag, onde a educação tem de ser permanente para dar conta das mudanças constantes no mercado", explica Pochmann. Nesse sentido, o tempo de preparação para o ingresso no mercado de trabalho pode ser bem maior, com a educação e a formação estabelecendo uma relação contínua ao longo da vida. 

Foi o que a Lívia fez. Depois de um ano desempregada, está trabalhando como educadora social, que não é exatamente sua área, mas estão ligadas, e iniciou a pós-graduação em Direitos Humanos. "O ensino superior não me colocou onde eu queria estar nessa fase da vida, mas não posso dizer que não foi bom para mim. Mal ou bem foi lá que criei minha consciência política e a minha identidade", afirma. 

Ócio improdutivo 


O desemprego, que cresce em todas as faixas etárias, afeta especialmente os mais jovens. Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de 14 a 24 anos desempregada aumentou para 5,6 milhões no primeiro trimestre deste ano, 600 mil pessoas a mais em relação ao fim do ano passado, crescimento de 11,9%. Entre as pessoas de 25 a 39 anos, a alta foi de 10,4% no primeiro trimestre frente aos últimos quatro meses do ano passado. 

E nem mesmo áreas tradicionalmente mais estáveis foge da precarização. A médica Catarina Bueno também não teria feito a graduação na Universidade de Mogi das Cruzes não fosse pelo Prouni, a bolsa permanência de 400 mensais e o amparo de uma colega de classe, que a acolheu em sua casa. "Tenho vários irmãos e minha família fez o que pôde para que eu realizasse esse sonho. Eles passaram muitas dificuldades e eu pensei em desistir algumas vezes, mas sempre acontecia algo bom que me fazia acreditar que dava para ir até o fim", conta. 

Formada em 2016, ela está na batalha para conseguir ajudar a irmã que também quer cursar medicina. "Não sei se ela vai ter a mesma chance que eu, pois os investimentos de ingresso na universidade caíram muito. Na medicina a formação é longa e meus contratos são datados, de pouca duração. Eu ainda não consegui ajudar a minha família como gostaria." 

A formação, no entanto, ainda abre possibilidades no mercado de trabalho. A pergunta é: que trabalhos os jovens escolarizados então encontrando? "Em um momento de crise econômica, como a que atravessamos, qualquer um. E é aí que as frustrações emergem", aponta a socióloga da Universidade Federal de São Carlos Maria Clara Carrochano, especialista em juventude. 

Jeane de Jesus, 32 anos, foi adotada por uma família já com muitos filhos. Ela conta que seu destino parecia claramente marcado para ser alguém que não poderia dar certo, o que a fez brigar muita para sair do interior da Bahia e ir para Salvador estudar turismo.

Ela tentou entrar em uma universidade pública, mas a carga horária do curso não a permitiria trabalhar ao mesmo tempo. Ela então optou pelo Prouni na particular Universidade de Salvador. Foram muitas as agruras enfrentadas até o final do curso, em 2012: da privação do sono até uma depressão por estar longe da família em um momento difícil. 

"Nos últimos anos da faculdade consegui trabalhar em um hotel na gestão de projetos, um período em que fiquei muito satisfeita. Mas no fim do curso meu contrato acabou e vim para São Paulo (para onde a família havia se mudado) ficar perto da família. Desde então não consegui mais trabalho na minha área. Procuro emprego o tempo todo e rezo muito para que aconteça em breve", conta Jeane, que atualmente trabalha fazendo faxinas.

Embora tenha contado com o Prouni, a turismóloga não teve apoio de políticas de permanência na universidade. Ela conciliou os estudos com o trabalho de babá durante todo o curso. 

Para a socióloga Maria Clara, os investimentos em políticas de acesso e permanência nas universidades são fundamentais para que os jovens não caiam no subemprego. “Elas permitem que eles estudem sem ter de ir trabalhar em um telemarketing e possam depois escolher melhor seus empregos. Os jovens não querem qualquer ocupação, eles querem um trabalho digno, com horários razoáveis, que caiba na vida deles.”

Outra tensão apontada pela socióloga é a dinâmica das filas por uma vaga quando ela é formada por trabalhadores cada vez mais escolarizados. “Como a fila é muito grande, as empresas, até para cortar custos, passam a exigir certo grau de estudo que nada tem a ver com aquela função, mas que vai ser utilizado como critério de seleção. Isso gera uma desilusão enorme para quem pelejou tanto para estudar.”

Esse sintoma é conhecido como inflação das credenciais: quanto mais diplomas, menos eles valem. Isso não significa, no entanto, que a formação não seja importante para a carreira, mas está ligada ao fato de que a sociedade está em transformação e o mercado de trabalho exigindo outras habilidades que vão além do acúmulo de conhecimento em uma determinada área.

“Na Europa esse não é um fenômeno novo. Lá se vê doutores enchendo bombas de gasolina. Não tem trabalho formal e assalariado como conhecíamos até agora, então o que se fala é que a partir de agora as pessoas terão de inventar seu trabalho com projetos, produtos específicos, e isso é feito a partir de competências que a universidade não dá conta. O professor é um especialistas, ele não se sente um educador", explica a também socióloga e especialista em juventude e educação Lívia de Tommasi. 

A taxa de desemprego entre jovens na Espanha e na Itália gravita em 50%, enquanto a taxa média desempregados no total da população é de 20%. 

O peso de devolver a ajuda recebida 


O professor de sociologia da USP Felipe de Souza Parábola pesquisou em sua tese de doutorado os jovens das classes populares que acessam a Universidade de São Paulo por meio de cotas e programas específicos de democratização ao acesso. Ele observou que este capítulo na vida dos alunos representa a ascensão social de toda a família, o que gera uma penosa preocupação em superar expectativas.


“A grande maioria pensava em prestar concursos públicos, em busca da estabilidade para poder melhorar a vida de toda a família. Todos demonstram, de uma maneira ou de outra, o desejo de devolver essa formação para a sua comunidade e isso tem a ver com certo fardo de ter de dar uma resposta pelo esforço que é também coletivo, porque os pais trabalham mais e mais para manter aquele aluno dentro da universidade. Não é de graça. Tem transporte, tem xerox, tem o aluguel de casa, tem a roupa. Se eles não conseguem, porque as coisas não estão fácil, o sofrimento que desencadeia disso é enorme. Muitos já estavam medicalizados”, relembra Parábola.

.